quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

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manejo do açaizeiro

Dentre as possibilidades de exploração das áreas de várzeas, o açaizeiro tem se destacado como componente desse ecossistema, pela facilidade de reconstituir o revestimento florístico, além de ser importante fonte de alimento e de renda para as populações ribeirinhas.

Nas várzeas, quando há a ocorrência de cobertura florestal, é possível fazer o manejo da vegetação visando o aumento da população de açaizeiro ou o enriquecimento com o plantio de mudas dessa e de outras espécies de interesse comercial, conciliando, de modo racional e equilibrado, a proteção ambiental com o rendimento econômico.

Nas áreas destinadas para a produção de frutos, normalmente, são eliminados os estipes de açaizeiro excedentes das touceiras e, também, algumas plantas de outras espécies, com vistas à redução da concorrência por água, luz e nutrientes. Ambos os casos provocam sensíveis alterações nos fatores que afetam a produtividade dessa palmeira. No caso da exploração do palmito, são eliminadas grandes quantidades de estipes de açaizeiro em decorrência da própria atividade.

O manejo de açaizeiro tem a condição de modificar a capacidade de suporte Xc1 para a capacidade limite Xc2 , equivalente a de um plantio racional. Com isto, são alterados os custos de extração, a rentabilidade, a produtividade máxima sustentável (PMS) e o ponto ótimo econômico (Fig. 1).


Fig. 1.
Modificação da capacidade de suporte decorrente do manejo dos açaizais nativos.
Fonte: Embrapa Amazônia Oriental

No caso do açaizeiro, que sofre duplo extrativismo (colheita de fruto e extração de palmito), o crescimento do mercado de fruto proporcionou à formação de populações mais homogêneas nas áreas mais próximas dos grandes centros consumidores, decorrente da redução da extração de palmito. As conseqüências da formação dessas populações homogêneas devem ser bem avaliadas em todos os seus aspectos.

O manejo tem sido enfatizado como a forma de garantir a extração sustentada dos recursos naturais. No extrativismo da madeira, pesca e caça, por exemplo, há a preocupação de serem igualadas as taxas de extrações com a capacidade de regeneração. No entanto, a taxa de extração biológica, muitas vezes, não garante a sustentabilidade econômica.

O manejo de açaizais visa o aumento da capacidade de suporte e, com isso, obter taxas de extração que assegurem maior rentabilidade à atividade. As diferentes características quanto ao manejo dos recursos naturais, recomendam, portanto, cautela para determinadas propostas que procuram induzir a adoção da "colonização extrativa" na Amazônia.

Nos últimos 10 anos, com a valorização dos frutos do açaizeiro, há a tendência de adensamento desta espécie e, como conseqüência indireta, a redução da biodiversidade de várzea, com a eliminação de plantas não-produtoras de frutos, como as palmeiras masculinas de buritizeiro (Mauritia flexuosa L.), cuja manutenção é considerada desnecessária pelos ribeirinhos, mas de importância para a produção de pólen e produção de frutos nas plantas femininas.

O fato das áreas de ocorrência de açaizeiro sofrerem inundações diárias tem restringido a pressão de uso da terra para fins agrícolas, permitindo a regeneração das populações de açaizais. Com o gradativo crescimento do mercado de frutos, é provável que grandes áreas do estuário amazônico sejam transformadas em populações homogêneas de açaizeiro ao longo das margens dos cursos d'água. Por outro lado, outras transformações antrópicas, levadas a efeito nos últimos dois séculos e meio (extração de madeira, abertura de canais, coleta de outros produtos extrativos etc.), juntamente com o processo de crescimento de populações homogêneas de açaizeiro, devem ter os seus efeitos sobre a biodiversidade melhor analisada.

Muito embora esta atividade provoque danos ambientais menores do que as atividades agrícolas, em comparação com as áreas de terra firme, se constitui um erro analisar as atividades extrativas considerando apenas do ponto de vista estático, esquecendo seu dinamismo, as transformações e as inter-relações ao longo do tempo.

O ribeirinho tem diante de si a alternativa de colher frutos ou extrair palmito do açaizeiro (Fig. 2), dependendo dos preços relativos destes dois produtos e do custo da mão-de-obra. Se o preço do fruto sobe, proporcionalmente, mais que o do palmito, a tendência da ação extrativa é de ser concentrada, com maior ênfase, na colheita de frutos (A). Por outro lado, quando o preço do fruto é menor, a tendência é de ser dada maior importância para a extração de palmito (B).


Fig. 2. Possibilidade de manejo de recursos extrativos no aumento da fronteira de produção e de eficiência.
Fonte: Embrapa Amazônia Oriental

Nas áreas mais próximas do mercado e com facilidades de transporte, a extração dos frutos do açaizeiro tem sido mais lucrativa e vantajosa. A relação de preço mais desvantajosa para o palmito foi a principal causa que motivou a conservação dos estoques de açaizeiro, quando comparada com as políticas ambientais restritivas e que não tiveram sucesso.

Em áreas distantes do mercado e com dificuldades de transporte, a extração de palmito é mais vantajosa. Apesar da grande disponibilidade de estoques de açaizeiro, estes podem ser aumentados com a prática de manejo. O cenário futuro para a expansão do cultivo do açaizeiro está relacionado com o crescimento dos mercados de fruto e palmito, fato que pode motivar a implantação de cultivos racionais, em outras regiões do Brasil.

Para muitos produtos extrativos, tanto para aqueles que exigem o aniquilamento do recurso como apenas a coleta, a extração é efetuada da forma mais racional possível, a fim de não prejudicar a capacidade de suporte. É bom lembrar que o manejo racional não implica na permissão de sua exploração ad infinitum, uma vez que depende das relações econômicas, na qual o produto extrativo está inserido.

Os produtos extrativos que se encontram em grandes estoques, tais como madeira, castanha-do-brasil (Bertholletia excelsa H.B.K.), babaçu (Orbygnia speciosa (Mart.) Barb. Rodr.) e açaí, esforços devem ser efetuados para garantir a extração o mais racional/sustentável possível. Isto asseguraria uma exploração por um período maior, bem como garantiria a sua conservação.

Para muitos produtos extrativos, tal como o açaí no Estado do Pará, o manejo da floresta, para a coleta de frutos, tem como resultado os estoques mais homogêneos e, conseqüentemente, o aumento da produtividade da terra e da mão-de-obra. Esse fato não deve ser considerado como regra geral, como nos casos em que a extração de outros produtos pode levar ao desaparecimento ou perda de recursos genéticos importantes para o ecossistema.

As populações de açaizeiro, encontradas em áreas de florestas submetidas a constantes alterações, são relativamente elevadas em comparação com a observada em regiões com reduzida densidade demográfica e, conseqüentemente, baixa intensidade de exploração dos recursos naturais.

A principal razão para que os açaizais do estuário amazônico apresentem grande concentração de plantas de açaizeiro, é o fato dessas áreas serem intensamente exploradas pelos habitantes ribeirinhos, os quais praticam a eliminação das espécies consideradas de baixo valor comercial que ocorrem naturalmente nas áreas de várzea. Com isso, o açaizeiro, por ser considerado planta pioneira, domina o ambiente, chegando a formar populações até 5 vezes maiores que aquelas observadas em áreas de várzea com a vegetação original pouco ou não-alterada, segundo alguns autores (Costa et al. 1973; Costa et al. 1974; Calzavara, 1976; Pollak et al. 1995).

As práticas de manejo desenvolvidas pelos produtores ribeirinhos para a formação de açaizais, com a finalidade de produção de frutos, apesar de provocarem mudanças consideráveis na composição florística da floresta de várzea, permitem aos açaizais manterem as características funcionais e estruturais da floresta, além de propiciar ao produtor ribeirinho a concentração de espécies de valor econômico (Brondizio et al. 1993). O inventário da vegetação de floresta de várzea não-manejada, no Município de Ponta de Pedras, possibilitou a identificação de 44 espécies, enquanto na floresta de várzea, intensamente manejada para a formação de um açaizal, a ocorrência foi de apenas 15 espécies. As práticas de manejo, aplicadas pelos ribeirinhos nas áreas de açaizais nativos, afetam as condições ambientais e, conseqüentemen-te, as plantas remanescentes.

A grande capacidade de regeneração do açaizeiro, a partir de touceiras remanescentes do corte do palmito, e de sementes que germinam espontaneamente nas áreas de várzeas, tem possibilitado a formação de açaizais com elevada concentração de plantas, mesmo em áreas onde é praticado, rotineiramente, o extrativismo do palmito. Essas populações, além de elevadas, são semelhantes quando comparadas com outras áreas com diferentes idades após o corte do palmito.

Ao contrário do que ocorre com algumas espécies de palmeiras nativas, o açaizeiro, em condições naturais, apresenta elevada taxa de germinação das sementes, cuja dispersão ocorre das mais variadas formas, dando origem a grande quantidade de plantas jovens, capazes de sobreviver sob condições de sub-bosque, a espera de luminosidade para atingirem com mais rapidez a fase adulta. Essas condicionantes conferem vantagens à espécie em se tratando de estratégia e equilíbrio demográficos da população (Bullock, 1980; Sist, 1989).

A forma de exploração sistemática dos açaizais nativos de várzea, pelos habitantes ribeirinhos, depende, fundamentalmente, da localização do açaizal em relação aos principais conglomerados urbanos, tradicionalmente consumidores do açaí, com destaque para a cidade de Belém e alguns municípios situados às suas proximidades. Mesmo com o processo de urbanização, as populações rurais que migraram para os centros urbanos, não abandonaram o hábito de consumo do açaí.

Nas áreas circunvizinhas a grandes centros urbanos, como Belém, a consciência é quase geral para a preservação dos açaizais, ou seja, destinando-os, preferencialmente, para a produção de frutos, pois, é sabido que toda a produção obtida, ao longo do período de safra, é facilmente comercializada, mesmo que a preços menores quando comparados com os alcançados durante a entressafra. Nessas áreas, a extração de palmito só ocorre quando o produtor ribeirinho necessita de capitalização imediata, quando recorre à sua "poupança", que é o estoque de palmito disponível no açaizal produtivo, pois, tem a consciência de que o mesmo estará recomposto algum tempo depois.

Nas localidades mais distantes, onde o tempo gasto com o transporte fluvial é superior a 12 horas, inviabiliza a conservação e comercialização dos frutos, os ribeirinhos exploram, na maioria das vezes, quase que exclusivamente os açaizais nativos para a produção de palmito. Por essa razão, a indústria palmiteira, inicialmente instalada às proximidades de Belém, foi deslocada, gradativamente, para as regiões onde a pressão pela coleta de frutos é ainda relativamente pequena, permanecendo apenas as "fabriquetas" que extraem, industrializam e comercializam o palmito sem qualquer forma de controle.

Modelos de manejo

É bastante enfatizada na Amazônia, a adoção de práticas de manejo sustentável de recursos naturais, como solução ecológica-econômica. Entretanto, considerando a facilidade quanto ao acesso a novos estoques de recursos naturais, o extrativismo em áreas não-manejadas tem apresentado, em curto prazo, maiores vantagens econômicas.

As florestas de várzea, em que o açaizeiro é um dos componentes mais importantes, são exploradas das mais variadas formas, principalmente, através de atividades extrativas (Anderson & Jardim, 1989; Oliveira Jr. & Nascimento, 1992; Anderson & Ioris, 1992; Brondizio et al. 1994). O diagrama da Fig. 3 representa o processo tradicional de exploração dessas florestas, com ênfase para o extrativismo do açaizeiro visando às produções de fruto e palmito.

A partir de resultados experimentais e de informações obtidas junto aos ribeirinhos, que se dedicam ao extrativismo do açaizeiro e de outras espécies; ao plantio de enriquecimento de áreas; e à coleta de frutos e extração de palmito, foram definidas algumas estratégias com vistas à melhoraria do rendimento dos sistemas de exploração das florestas de várzeas do estuário amazônico (Nogueira, 1997). Para que seja garantido o manejo de floresta, com rendimento sustentável e exploração de forma cíclica, no mínimo, deverão ser observados os aspectos de avaliação do estoque disponível, as taxas de incremento e a regeneração natural de cada espécie a ser explorada (Reis et al. 1993).

Ilustração: Oscar Lameira Nogueira

Fig. 3. Processo tradicional de uso do ecossistema de floresta de várzeas do estuário amazônico.
Fonte: Embrapa Amazônia Oriental

Considerando a forma como os açaizais vêm sendo explorados, e algumas práticas bem sucedidas realizadas pelos ribeirinhos, é possível propor, de modo racional e equilibrado, manejo de exploração de açaizais nativos, conciliando a proteção ambiental com o rendimento econômico. O pressuposto básico deve estar voltado para o estabelecimento de florestas diversificadas de várzeas , que possam proporcionar aos ribeirinhos rentabilidade maior que a obtida com a forma atual de exploração. Nesse contexto, deve ser considerado que o manejo e a exploração do maior número possível de espécies, constituirão em aspectos favoráveis para a manutenção da biodiversidade, evitando, com isso, o risco da formação de maciços homogêneos de açaizais (tendência atual), e também favorecer o ressurgimento de espécies vegetais nativas, que praticamente desapareceram da região.

O diagrama representado na Fig. 4, propõe o manejo e a utilização das florestas de várzeas, tendo o açaizeiro como componente principal, porém, consorciado com as espécies de ocorrência natural na própria área e com outras introduzidas, caracterizando dessa forma o enriquecimento e a manutenção da biodiversidade.

Ilustração: Oscar Lameira Nogueira

Fig. 4. Proposta de exploração do ecossistema florestal de várzea do estuário amazônico, com enriquecimento da biodiversidade na formação de florestas econômicas
Ilustração: Oscar Lameira Nogueira

O processo consiste, basicamente, na eliminação das plantas de espécies consideradas de baixo valor comercial, cujos espaços livres surgidos são ocupados com o plantio de mudas de açaizeiro e de outras espécies com importância econômica. No caso específico do açaizeiro, também podem ser utilizadas plantas jovens. com 4 a 5 folhas e altura média de 50 cm, oriundas de germinação espontânea de sementes e transplantadas de áreas próximas (Fig. 5).

Foto: Oscar Lameira Nogueira

Fig. 5. Planta jovem de açaizeiro, provinda de germinação espontânea de semente, transplantada para o local de plantio .

A eliminação das plantas pode ser feita por anelamento, derruba ou ateando fogo no tronco, dependendo do porte e da altura. Dentre as espécies utilizadas no enriquecimento, em conjunto com o açaizeiro, há de ser destacado o aproveitamento do cupuaçuzeiro, cacauzeiro, mangueira (Mangifera indica L.), viroleira (Virola surinamensis L.), andirobeira (Carapa guianensis Aubl.) e pau-mulato (Calycophyllum spruceanum L.). As espécies, como o taperebazeiro (Spondias mombin L.), buritizeiro, jenipapeiro (Genipa americana L.) e seringueira (Hevea brasiliensis H.B.K.), são encontradas, espontaneamente, nessas áreas de várzeas, havendo, no entanto, a necessidade de compatibilizar a densidade em função da população total de plantas que possa ser ideal.

Nas Fig. 6 e 7, estão representados os detalhamentos dos procedimentos iniciais de raleamento da vegetação de várzea, com a eliminação de espécies consideradas de baixos valores comerciais, seguido do remanejamento do plantio do açaizeiro e de outras espécies, respectivamente. Essas práticas possibilitam disponibilizar, para a exploração racional, florestas de várzeas diversificadas e econômicas.

Foto: Oscar Lameira Nogueira

Fig. 6. Início do processo de raleamento da vegetação de várzea e enriquecimento com açaizeiro.

Foto: Oscar Lameira Nogueira

Fig. 7. Floresta de várzea com açaizeiro associado à outras espécies nativas .

A grande vantagem econômica do manejo de açaizais, para a produção de frutos, induz à implantação de sistemas direcionados, prioritariamente, para esse fim e devem levar em consideração todos os procedimentos mencionados anteriormente. Ao final do processo de implantação será possível dispor de sistema agroflorestal, caracterizado como açaizal de várzea enriquecido com espécies nativas e introduzidas, constituído de aproximadamente 400 a 500 plantas adultas de açaizeiro e 100 a 150 plantas de espécies frutíferas e árvores de essências florestais por hectare.

Quando o interesse pela exploração dos açaizais manejados for, essencialmente, para a produção de palmito é desaconselhável o plantio de outras espécies, mas é importante realizar o raleamento da vegetação, seguido do enriquecimento, nas áreas de baixa concentração, com mudas de açaizeiro.

Na implantação de sistemas diversificados são recomendadas, preferencialmente, as áreas de várzea alta, por causa das facilidades de desenvolvimento das operações necessárias ao estabelecimento e à manutenção desses sistemas. No caso de áreas de várzea baixa, cujos solos permanecem quase sempre inundados, é recomendado o enriquecimento por meio do manejo das touceiras de açaizeiro existentes, pois o plantio e a manutenção de outras espécies são praticamente inviáveis.

Operações necessárias ao manejo

Limpeza da área

A roçagem é o primeiro trabalho feito na área e consiste da eliminação das plantas de menor porte e de cipós, bem como da retirada de galhos, e visa facilitar o deslocamento de pessoas que implementarão as demais práticas.

Raleamento da vegetação

Nessa etapa são identificadas e eliminadas as árvores sem valor de mercado, mantendo aquelas produtoras de madeira, frutos, sementes, fibras, látex, óleos e fitoterápicos.

As árvores mais finas e as palmeiras podem ser eliminadas por meio de corte, e as mais grossas por anelamento, consistindo da retirada, em forma de anel de 25 a 100 cm de largura, de parte do córtex em torno do tronco, dependendo da espécie. As árvores preservadas devem estar bem distribuídas, permitindo a penetração da luz do sol na área, facilitando o crescimento e o aumento da produção de frutos do açaizeiro e das outras espécies.

Desbaste das touceiras

Nos açaizais não-manejados, geralmente, as touceiras apresentam número excessivo de estipes. A prática de desbaste visa eliminar o excesso de estipes, deixando de 3 a 4 em cada touceira, sendo eliminados aqueles muito altos, finos, defeituosos ou que apresentem pouca produção de frutos. Essa prática é realizada na entressafra, com aproveitamento dos palmitos.

Após o desbaste, são plantadas as mudas de açaizeiro nas áreas mais espaçadas, para que seja constituída a população aproximada de 400 touceiras por hectare.

Obtenção de mudas

As mudas de açaizeiro, para plantios nas áreas com baixa concentração dessa espécie, podem ser obtidas a partir de plantas jovens oriundas da germinação natural de sementes ou produzidas especificamente para esse fim. As mudas das outras espécies, que serão cultivadas em associação com o açaizeiro, também, podem ser produzidas às proximidades da área em manejo ou adquiridas junto a produtores credenciados.

Manutenção do açaizal

Anualmente é efetuada a eliminação das plantas de valor comercial desconhecido, para que o açaizal seja mantido limpo e mais produtivo. São eliminadas as brotações novas, deixando somente as que substituirão os açaizeiros grandes indesejáveis, com vistas a manter a população recomendada.

Para que os estipes do açaizeiro apresentem rápido crescimento em diâmetro, é indispensável a realização da limpeza das touceiras, que consiste da retirada das bainhas presas no estipe após a morte da folha. Essa prática é mais necessária nas plantas jovens, pois nas adultas as bainhas se desprendem, naturalmente, junto com as folhas.

Estimativas dos impactos positivos do manejo

Impactos econômicos

Os sistemas não-manejados propiciam a renda líquida de R$ 400,00/hectare. Com o manejado, a partir do 4º ano, é possível obter, ad infinitum, até R$ 700,00/hectare, correspondendo a 75% de aumento. Os custos com a técnica de manejo são ressarcidos com a produção da primeira safra após o manejo.

Outro aspecto importante, para a valorização do mercado do fruto de açaí, foi o desestímulo para extração de palmito, nas áreas mais próximas a Belém, pela maior lucratividade proporcionada, quase o dobro nos açaizais manejados para fruto, com a vantagem de possibilitar, a cada 3 anos, a extração de palmito.

Considerando que 1 hectare de açaizal não-manejado produz, em média 4,2 toneladas de frutos, há indicativo que algo em torno de 37 mil hectares estejam sendo explorados, no Estado do Pará. Com as técnicas de manejo, a produtividade de frutos aumenta para 8,4 toneladas, indicando a existência de mais de 10 mil hectares de açaizais manejados, com o apoio de financiamento oficial. Com isso, houve o acréscimo de 42 mil toneladas de frutos, que representa R$ 48 milhões, sem a ocorrência de mudanças espaciais nas áreas às proximidades dos principais centros urbanos, reduzindo os impactos ambientais. Desse modo, houve substancial aumento da extração para atender o crescente mercado exportador e de consumo local.

Impactos sociais

Com o emprego da técnica de manejo, a produtividade da terra é dobrada para a produção de fruto, o que não ocorre com a mão-de-obra, pela impossibilidade de mecanização do processo de colheita, exigindo, dessa forma, o dobro da necessidade de esforço humano, em relação ao sistema não-manejado.

Como o sistema manejado implica no uso adicional de 46 dias/homem/hectare decorrente do aumento da produtividade e das técnicas de manejo, indica que pelo menos 2.000 empregos diretos tenham sido criados com os 15.000 hectares manejados.

A exploração do açaizeiro é de fundamental importância para a sustentação econômica das populações ribeirinhas dos Estados do Pará e Amapá. As atividades de extração, transporte, comercialização e beneficiamento de frutos e palmitos de açaizeiro são as responsáveis pela geração de 25 mil empregos diretos, injetando anualmente mais de R$ 40 milhões na economia regional.

Em 1999, as exportações de palmito do Estado do Pará, produziram a cifra de aproximadamente US$ 7,5 milhões, mas em 1992 alcançou cerca de US$ 29,3 milhões. Essa perda de participação, decorre da competitividade com a colheita de frutos, além da destruição dos açaizais. A produção de frutos no Estado do Pará cresceu de 91.581 toneladas, em 1994, para 156.046 em 2000, um aumento de aproximadamente 70%.

Impactos ambientais

O manejo dos açaizais nativos concilia a proteção ambiental com o rendimento econômico, de modo racional e equilibrado. O pressuposto básico é o estabelecimento de florestas de várzea diversificadas, proporcionando, aos ribeirinhos, maior rentabilidade que os açaizais nativos na forma como são explorados atualmente. Nesse contexto, o manejo e a exploração do maior número possível de espécies, são os aspectos favoráveis para a manutenção do equilíbrio da biodiversidade, evitando assim o risco da formação de maciços homogêneos de açaizais e favorecendo o ressurgimento de espécies vegetais nativas que praticamente desapareceram da região.

Alcance da tecnologia

No Estado do Pará, com a adoção das técnicas de manejo, estão sendo financiados mais de 6 mil pequenos produtores, correspondendo a mais de 15 mil hectares, para a extração de palmito e colheita de frutos.

Eficiência tecnológica

O emprego dessa técnica de manejo não requer o uso de insumos, como corretivos e fertilizantes, nem, tampouco, a utilização de recursos energéticos modernos. Sob o ponto de vista ecológico, as ações de manejo estão limitadas às áreas existentes, sem a possibilidade de se estender a novas áreas ou a de inserir novos recursos naturais.

1 comentários:

Rivaldo disse...

Poxa, que vontade de ter uma muda de Açaí em minha casa. Por favor, se alguem puder me mandar uma semente, pelo ao menos uma, me ajude aí, vai.

Rivaldo
razevedo98@gmail.com