Antes de iniciar o plantio, observe as condições de clima, solo e a qualidade da muda. Os coqueirais se desenvolvem bem em lugares com temperaturas elevadas. O ideal é por volta de uma média anual de 27 graus.
• Entre as variedades, o coqueiro-gigante é o mais rústico, florescendo entre seis e oito anos após o plantio. O longo tempo para começar a atividade é compensado pela produção de 40 a 60 frutos por planta ao ano. Sob condições favoráveis, o período de produção econômica é de 60 anos.
• Já o anão, mais exigente em água e nutrientes, se desenvolve mais cedo, depois de quatro anos do cultivo. Possui frutos pequenos e tem menor vida útil, ou 40 anos de produção. Mas é mais produtivo: 150 a 200 frutos por planta ao ano.
• Em terrenos pequenos, a indicação é cultivar o coqueiro híbrido - mistura das duas variedades -, que produz de 100 a 120 frutos. Em uma área de um hectare, dá para plantar 100 árvores, em espaçamentos de 10 x 10 metros.
exige solos arenosos e bem drenados, climas quentes (30-35°C) e alta demanda hídrica, idealmente acima de 1500 mm/ano. Covas de 60x60x60 cm com adubação orgânica (esterco) e mineral (NPK) são recomendadas, com espaçamento de 7m a 10m entre plantas. Produção inicia em 2-3 anos (anão).
Plantio da Muda: Utilizar mudas de 4 a 6 meses de idade. O coco da muda deve ser enterrado, deixando apenas a parte superior visível. Socar a terra ao redor para firmar.
Coqueiro Anão: Inicia a produção de frutos entre 2 a 3 anos após o plantio.
Coqueiro Híbrido: Inicia a produção entre 5 a 7 anos.
Colheita: Pode ser realizada o ano todo, sendo comum a produção de 45 a 50 cocos por cacho.
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O abricó é uma fruta tropical, com destaque para
o Abricó-do-Pará (Mammea
americana),
nativo da Amazônia, com casca marrom, polpa amarela/laranja, doce e
aromática, rica em vitamina A e C. Também refere-se
ao abricó-da-praia (Mimusops
coriacea),
de sabor doce e textura cremosa, e ao abricó-de-macaco, famoso pelo
uso paisagístico e odor forte
Características:é cultivado nos igapós e
margens inundáveis de rios na região Amazônica, principalmente no
estado do Pará. Árvore de porte médio, podendo atingir 20 m de
altura, o abricó se propaga com facilidade por meio de sementes, que
germinam entre 12 e 18 dias. A planta pode iniciar a floração a
partir de seis/oito anos.
Uso
culinário: o fruto é
consumido in natura, em forma de salada, licores, compotas, geleias e
sucos, ou processado.
Você
sabia que:a
árvore é empregada na arborização urbana e na medicina popular,
no tratamento de afecções parasitárias, mordedura de insetos e
dermatoses diversas. As partes utilizadas
são o leite da casca da planta; as sementes, das quais se obtém um
pó; e as folhas, que
são
usadas para fazer chá.
Tabela
1 – Análise nutricional em 100 g de abricó
Energia
(Kcal) 64
Proteínas
(g) 1
Lipídeos
(g) 0,3
Carboidratos
(g) 13,5
Fibra
(g) 3,5
Introdução
o
abricoteiro (Mammea americana L. ) é uma espécie nativa das
Antilhas e Norte da América do Sul. Foi introduzido, na Amazônia
Brasileira, há bastante tempo, sendo inicialmente cultivado em
pomares domésticos. Os primeiros pomares comerciais foram
estabelecidos em meados da década de 80. O fruto é muito popular no
Estado do Pará, sendo conhecido em outras regiões do Brasil como
abricódo- pará.
Clima
e solo
Embora
seja espécie tipicamente tropical, pode também ser cultivada em
áreas com climasubtropical. Na Amazônia Brasileira, em particular
nas áreas submetidas ao tipo climático Afi, encontra condições
ideais para seu crescimento, com temperaturas médias mensais
variando entre24 oC e 28 oC, umidade relativa do ar superior a 75% e
com total anual médio de brilho solar 2.338,3 horas e 2.600 mm de
precipitação de chuvas. Em áreas com tipos climáticos Ami e Awl,
não existem restrições térmicas para seu cultivo, porém a
ocorrência de estação seca de 3 e 6 meses, respectivamente,
implica utilização de irrigação suplementar.
Variedades
Não
existem variedades nem clones de abricoteiro definidos, devidamente
avaliados e caracterizados. No entanto, é conveniente que, por
ocasião da enxertia, os garfos sejam retirados de matrizes que
apresentem frutos com as seguintes características: peso entre 600 g
e 800 g, rendimento porcentual de polpa superior a 70%, sementes
pouco rugosas e sem saliências aderidas à polpa e teor de sólidos
solúveis totais acima de 10 °Brix.
Propagação
o
abricoteiro pode ser propagado por sementes ou por enxertia. A
propagação por sementes não é indicada pois a espécie é
androdióica, ou seja, apresenta plantas masculinas e plantas
hermafroditas. Assim sendo, quando propagado por sementes, pelo menos
50% das plantas obtidas são masculinas. A propagação por enxertia
é o método indicado, pois, além de reproduzir integralmente as
características da planta-mãe, garante a presença de 100% de
plantas hermafroditas no pomar. Outra vantagem da enxertia é que as
plantas entram em fase de produção 4 anos após o plantio no local
definitivo, enquanto, em plantas propagadas por sementes, o início
de produção só se verifica entre 6 e 8 anos após o plantio.
O
porta-enxerto utilizado é o próprio abricoteiro, obtido por
sementes. Para a obtenção dos porta-enxertos, as sementes devem ser
extraídas de frutos em completo estádio de maturação e semeadas
imediatamente após a extração, pois apresentam curto período de
vida. A semeadura deve ser efetuada diretamente em sacos de plástico
com dimensões de 18 cm de largura, 35 cm de altura e espessura de
0,02 mm, contendo como substrato a mistura solo, esterco curtido e pó
de serragem, na proporção volumétrica de 3: 1: 1.
A
germinação das sementes é bastante desuniforme, iniciando-se 40
dias após a semeadura, atingindo 80% de germinação aos 140 dias.
Após a germinação, são requeridos cerca de 5 meses para que os
porta-enxertos estejam aptos a receberem o enxerto. A enxertia é
efetuada pelo método de garfagem r'lo topo em fenda cheia,
obtendo-se porcentagem de enxertos pegos superior a 90%, desde que
sejam utilizados garfos com diâmetro semelhante ao do porta-enxerto
e que as folhas presentes no garfo estejam completamente maduras
(estádio D). Devem ser retiradas todas as folhas do garfo, com
exceção das duas situadas na extremidade apical, que são cortadas
transversalmente, de tal forma que permaneçam com comprimento do
limbo de apenas 5 cm. Também deve ser utilizada câmara úmida
envolvendo o garfo, feita com saco de plástico transparente
umedecido internamente com água, que deverá ser retirada por
ocasião da brotação do enxerto, que ocorre entre 20 e 30 dias após
a enxertia. As mudas estão aptas para o plantio 2 a 3 meses após a
enxertia .
Preparo
da Área e Plantio
Preferencialmente,
devem ser utilizadas áreas que foram ocupadas com culturas anuais ou
semi-perenes
em final de ciclo, como pimenteira-do-reino, maracujazeiro e
mamoeiro, entre outras. Essas áreas, normalmente, já estão
destocadas, o que diminui substancialmente o custo de implantação
do pomar. A utilização de áreas com vegetação primária não é
indicada pelo maior custo com a derrubada das árvores e pelos danos
ambientais.
O
plantio em áreas não-irrigadas deve ser efetuado no início da
estação chuvosa. Em sistema irrigado, o plantio pode ser efetuado
em qualquer época do ano. O espaçamento adotado deverá ser de tal
forma que a distância entre duas plantas vizinhas seja, no mínimo,
de 8 m, podendo-se optar pelas disposições quadrangular ou
triangular, com lados do quadrado ou do triângulo de 8 m. A primeira
disposição permite o estabelecimento de 156 plantas por hectare e a
segunda, de 179 plantas por hectare.
O
plantio é efetuado em covas com dimensões mínimas de 40 cm x 40 cm
x 40 cm, adubadas com cinco litros de esterco curtido e 200 g de
superfosfato triplo.
Tratos
culturais
Tutoramento
A
quase totalidade das plantas apresenta crescimento ereto. No entanto,
eventualmente,surgem plantas com tronco ligeiramente inclinado, sendo
necessário tutorá-las.
Coroamento
o
controle do mato em volta das plantas deverá ser efetuado em
periodicidade de 2 a 3 meses.
Essa
prática pode ser realizada com capina manual ou química.
Roçagem
o
mato das entrelinhas deve ser roçado na mesma ocasião em que se
efetua a operação de Coroamento.
A roçagem pode ser realizada com roçadeiras mecânicas ou
manualmente, com o auxílio de foices ou terçados.
Cobertura
morta
o
uso de cobertura, na época de estiagem, que coincide com o período
de frutificação, é importante para reduzir a incidência de frutos
rachados, causado pelo estresse hídrico seguido de chuvas fortes e
rápidas, características desse período. O mato, oriundo das
roçagens efetuadas nas entrelinhas, pode ser usado como cobertura
morta, assim como outros materiais como cachos vazios de dendê,
resíduos da agroindústria de frutas e casca de arroz. A irrigação
suplementar elimina a ocorrência de frutos rachados.
Adubação
química
No
primeiro ano, aplicar, a cada 2 meses, 50 g da formulação NPK
10-28-20. No segundo e terceiro
ano, essa quantidade de adubo deve se duplicada e triplicada,
respectivamente, mantendo a mesma periodicidade de aplicação. Do
quarto ano em diante, cada planta deve receber 1.200 g da mesma
formulação, aplicadas em três parcelas de 400 g. A primeira
parcela deve ser ministrada no início do período de chuvas e as
outras duas, no meio e no final desse período.
Adubação
orgânica
Efetuada,
anualmente, no início do período de chuvas. Cada planta deve
receber, pelo menos, 20 litros de esterco, distribuídos em quatro
covas equidistantes, abertas na projeção da copa.
Principais
Pragas e Doenças
Bezouro
creme (Costalimaita ferruginea): esse coleóptero provoca danos às
folhas, reduzindo grandemente a área foliar e, consequentemente, o
crescimento de plantas jovens e a produção de plantas adultas. O
controle desse inseto é efetuado com inseticidas fosforados,
carbamatos ou piretróides.
Mancha
parda das folhas: doença causada pelo fungo Cylindroc/adium
pteridis. Os sintomas da doença manifestam-se por manchas de
coloração amarronzada nas folhas, que secam e caem prematuramente
com a coalisão das manchas. O controle é efetuado com Benomyl, na
concentração de 0,1%.
Mancha
foliar: o agente dessa doença é o fungo Curvularia eragrostides
cujos sintomas são semelhantes ao da mancha parda das folhas,
Pulverizações com os fungicidas Benomyl, Captan ou, na concentração
de O, 1 %, controlam eficientemente essa doença,
Podridão
das raízes: doença de causa desconhecida, provoca a morte súbita
das plantas,
(Observação:
Os defensivos indicados para o controle das pragas e doenças ainda
não estão registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento para uso nessa cultura),
Floração
e Frutificação
Na
Amazônia
Brasileira, a floração ocorre mais intensamente no primeiro
semestre do ano e a frutificação, no segundo, A produção de
frutos concentra-se mais intensamente nos meses de agosto e setembro,
Colheita
e Pós-colheita
Como
o abricó é um fruto climatérico, a colheita pode ser efetuada
quando os mesmos estão no estádio “de vez”, Esse ponto pode ser
identificado quando, atritando-se levemente a superfície da casca,
esta apresenta-se com coloração amarelada ou quando comprimindo-se
a casca com os dedos esta cede um pouco, em função da polpa já
apresei1tar-se com consistência mais mole, Frutos colhidos nessa
situação têm vida pós-colheita de 10 a 12 dias, Quando colhidos
completamente maduros, a vida pós-colheita
é reduzida em 50%,
Em
plantas com mais de 8 anos de idade a produtividade se situa entre
100 e 150 frutos por
planta,
que corresponde a 80 kg a 120 kg de frutos por planta.
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A
lichia (Litchi
chinensis Sonn.),
família Sapindaceae, é o fruto de uma árvore subtropical com porte
elevado, podendo chegar a até 30 metros de altura, e de grande
longevidade, originária da China onde é considerada a fruta
nacional .
Os
principais países produtores são: China, Índia, Tailândia,
Vietnã, Bangladesh, Madagascar, África do Sul, Nepal, Austrália,
Indonésia, Ilhas Maurício, Israel, Espanha, Estados Unidos da
América, México e Brasil , 2001, com produção que oscila
de 1,2 milhão a 2,5 milhões de toneladas, dependendo das condições
climáticas, ocupando área superior a 1 milhão de hectares; sendo a
China responsável por cerca de 60 % da produção e da área
plantada.
A
introdução da lichia no Brasil ocorreu por volta de 1810 no Jardim
Botânico do Rio de Janeiro (CARVALHO; SALOMÃO, 2000), mas os
plantios comerciais tiveram início somente na década de 1970 no
Estado de São Paulo onde, em 1997, foram registrados 347 ha
(YAMANISHI et al., 2001). Com o boom no plantio de lichia na década
de 1990 em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Goiás e Distrito
Federal, estima-se que a área plantada no Brasil seja superior a 1,5
mil hectares, dos quais, cerca de 25 % estejam em produção plena,
35 % em produção inicial e 40 % em crescimento (GARCIA-PÉREZ,
2006). O volume de 1.856 t de lichia comercializado pela Ceagesp no
biênio 2004 2005 foi o maior de todos os tempos, sendo 7,7 vezes
superior ao do biênio 2000–2001.
Considerando
que a Ceagesp comercializa em torno de 70 % da produção nacional,
estima-se que a produção brasileira seja de aproximadamente 2,5 mil
toneladas em ano “bom” e em torno de 700 toneladas em ano “ruim”
de produção. A previsão é dobrar a produção em 5 anos e
ultrapassar 10 mil toneladas por ano em 2020; mas esse aumento ainda
é insignificante diante do potencial de consumo do mercado
brasileiro.
O
ciclo anual de produção inicia-se com a floração entre os meses
de junho e julho, seguido pelo desenvolvimento da fruta entre os
meses de agosto e setembro e finalizando com o amadurecimento e a
colheita entre novembro e dezembro. Pode ocorrer variação de 1 a 2
meses nesse ciclo, de acordo com as
condições climáticas da região.
A
produção de frutos começa a partir dos 3 anos de idade (quando
tecnicamente conduzida) e, por ser uma planta de grande longevidade,
pode ultrapassar os 100 anos produzindo; em várias regiões da China
existem lichieiras com mais de 1.000 anos. Os frutos são produzidos
em cachos, a casca é de cor vermelha e fácil de ser destacada. A
polpa é gelatinosa, translúcida, não aderente à semente,
suculenta e de excelente sabor. Presta-se para o consumo ao natural,
e para a fabricação de sucos, compotas e passa.
A
literatura chinesa indica a existência de mais de 200 cultivares de
lichia, porém se denota enorme dificuldade em
sua correta identificação, em virtude dos inúmeros nomes
atribuídos à mesma cultivar em diferentes regiões produtoras.
No
Brasil, as cultivares comerciais por ordem de importância são:
Bengal (Fig. 8), Americana (Fig. 9) e Brewster. Recentemente, foram
identificadas as cultivares Haak Yip, Yu Her Pau e Nuomici em
pequenas áreas no Estado de São Paulo, as quais foram introduzidas
nas décadas de 1980 e 1990 por imigrantes chineses de Taiwan. No
entanto, essas cultivares permanecem indisponíveis para os demais
produtores.
A
lichia ‘Bengal’, originária da cultivar Purbi da Índia, foi
introduzida no Brasil em 1960. Sua produção ocupa a árvore toda,
formando cachos
A
lichia ‘Americana’, originária da cultivar Nuomici, foi
selecionada no Brasil, na década de 1960. Sua produção
apresenta-se uniforme por toda a árvore, porém sem formação de
cachos.
O
grande gargalo da cultura da lichia no Brasil tem sido a falta de
variabilidade genética, pois 99 % da produção está concentrada na
cultivarBengal, que é propensa à alternância de produção. Como
conseqüência, verifica-se drástica oscilação na oferta da fruta
(500 t/ano a 2.500 t/ano), assim como no preço ao consumidor (R$
5,00 a R$ 20,001 por quilo de fruta) de um ano para o outro. Ademais,
tem causado grande oferta da fruta num curto período (dezembro),
resultando em baixos preços para o produtor.
Principais
cultivares de lichia comercializadas no Brasil:
Bengal
–
originária de plântulas da cultivar Purbi, da Índia, selecionadas
na Flórida, Estados Unidos da América, na década de 1940 e
introduzidas no Brasil na década de 1960 pelo viveiro Dierberger, de
Limeira, São Paulo.Sua
produção ocupa a árvore toda (Fig. 8), formando cachos que às
vezes superam 5 kg. Os frutos são grandes (23 g a 27 g) e na fase
adulta pode produzir até 300 kg/planta. Apesar de apresentar
produção alternante e baixa porcentagem de polpa (GALAN SAUCO;
MENINI, 1987; VIEIRA et al,1996;
MENZEL, 2002), a sua alta produtividade e o fruto grande de cor
vermelho intenso fez de Bengal a cultivar mais plantada, com mais de
95 % da
área cultivada no Brasil e cultivar predominante na Índia, onde é
conhecida como Rose Scented.
Americana
–
originária de plântulas da cultivar Nuomici trazidas da Flórida,
Estados Unidos da América, e selecionadas no Brasil na década de
1960 pelo viveiro Dierberger, de Limeira, São Paulo. Sua produção
apresenta-se uniforme por toda a árvore, porém sem formação de
cachos (Fig. 9), o que dificulta
a colheita e diminui a produção. Além disso, apresenta produção
alternante conforme as condições climáticas (MARTINS et al.,
2001). Esses motivos limitaram o seu plantio no Brasil.
Brewster
–
introduzida da Flórida em 1903 pelo reverendo Brewster da Província
de Fujian onde é conhecida como Chenzi. Por apresentar produção
fortemente alternante (GALAN SAUCO; MENINI, 1987; VIEIRA et al.,
1996; MENZEL, 2002), não houve expansão do seu cultivo no Brasil.
A ausência ausência de pesquisa, excetuando aquelas feitas por algumas
universidades, como a Universidade Estadual Paulista “Júlio de
Mesquita Filho” (Unesp), Campus de Jaboticabal; Universidade de
Brasília (UnB) e Universidade Federal de Viçosa, e a inexistência
de produtos registrados para a cultura e a falta de tratamento –
livre de enxofre – para estender a vida de prateleira das frutas
são entraves para a exportação da fruta fresca.
A
grande inovação tecnológica da cultura da lichia no Brasil teve
início a partir de 2004 com a introdução das cultivares Kwai May
Pink, Kwai May Red, Feizixiao, Tai So, Souey Tung, Salathiel,
Emperor, Haak Yip, Kaimana, Casino e Leighton, oriundas da Austrália,
e que estão sendo avaliadas em 20 municípios de São Paulo, Minas
Gerais, Goiás, Distrito Federal e Bahia. Objetiva-se com a inserção
das novas cultivares – precoces, meia estação e tardias –,
combinadas com as condições climáticas diversas, ampliar o período
de oferta da fruta no País de setembro a março, possibilitando
explorar janelas no mercado internacional e local, onde há pouca ou
nenhuma oferta da fruta fresca. Além disso, os plantios comerciais
da cultivar Bengal, localizados em áreas marginais, onde a
frutificação é
irregular por causa da ausência de frio, podem ser viabilizados com
a substituição de copas com as cultivares de menor exigência em
frio.
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sobre esta postagem
Antes
da instalação de um pomar de abacateiros, além dos normais
cuidados relativos às condições edafo-climáticas do local,
deve-se ter um cuidado especial com a possibilidade de ocorrência de
geadas pois, no caso deste acidente ser registado com alguma
frequência, o cultivo desta fruteira pode ser tecnicamente inviável.
O
abacateiro apresenta sensibilidade ao frio, sendo, esta
característica influenciada, de certo modo, pela raça, variedade,
vigor e idade da planta. Esta é uma das razões pela qual esta
cultura não é viável em zonas onde o risco de geadas seja elevado.
A
geada pode provocar danos elevados na planta, especialmente durante a
atividade vegetativa.
A
ocorrência de temperaturas muito baixas durante a fase de floração
pode provocar uma reduzida taxa de vingamento do fruto, com
incidência direta no resultado econômico da cultura.
Quando
os abacateiros estão plantados em solos profundos, férteis e com
satisfação das necessidades de água, apresentam, por norma, maior
resistência ao frio.
As
temperaturas elevadas também provocam estragos, em especial durante
a floração e vingamento, podendo provocar uma queda excessiva de
flores e de pequenos frutos. A maior parte das variedades atualmente
cultivadas produzem bastante bem na seguinte situação térmica:
22-26ºC de dia, 15-17ºC de noite e 20-21ºC de média.
A
humidade relativa geralmente não é limitativa, mas situações de
tempo quente e seco, com humidade reduzida durante a floração e
formação do fruto têm efeitos negativos na produção.
O
abacateiro apresenta um crescimento rápido e vigoroso, sendo
sensível aos ventos. Os ventos fortes provocam a fratura de ramos e
a queda de frutos, em especial os de maior calibre. Os ventos quentes
originam queda de frutos e os ventos frios queimam as folhas.
Devido
aos efeitos negativos do vento, bem como da proximidade do mar
(sensibilidade à salinidade), aconselha-se evitar a plantação em
zonas ventosas e próximas do mar, e procurar zonas mais abrigadas.
Se por algum motivo a plantação tenha que ser realizada num local
ventoso, é aconselhado a instalação de quebra-ventos.
2.2
- Solo
Com
origem nos trópicos o abacateiro tem uma preferência por terras
ricas em matéria orgânica, permeáveis, pouco ácidas e profundas.
O abacateiro tem um bom desenvolvimento em diversos tipos de solo,
não se aconselhando a sua plantação em solos sujeitos a
encharcamento, pois além
de
condicionaram um bom desenvolvimento radicular, favorecem o
desenvolvimento do fungo Phytophthora
cinnamoni (Rands).
Para
que ocorra uma drenagem normal e para que as raízes possam crescer
livremente, o perfil do solo não deverá apresentar zonas
impermeáveis até uma profundidade de, pelo menos, um metro.
O
desenvolvimento horizontal e vertical das raízes do abacateiro é
influenciado pela profundidade do solo, bem como por outras
características físicas do mesmo, tais como a textura, o grau de
compactação e de arejamento.
Enquanto
jovem, o abacateiro apresenta um sistema radicular pivotante
(desenvolvimento
dominante da raiz primária), enquanto que as árvores adultas
apresentam uma ampla distribuição de raízes em todas as direções,
sendo alcançada uma profundidade de 1 a 1,5 m.
O
abacateiro prefere solos com um pH variável entre 6,0 a 7,5, faixa
em que a maior parte dos nutrientes se encontra facilmente disponível
para as plantas, não existindo, simultaneamente, eventuais problemas
de toxicidade resultantes, por exemplo, do excesso de alumínio e/ou
manganês.
O
abacateiro é muito sensível
aos sais, sobretudo se enxertados em porta-enxertos comuns, pelo que
a condutividade eléctrica do solo, determinada no extracto de
saturação deve ser inferior a 3 mS/cm.
A
avaliação da aptidão de um terreno destinado à instalação de um
pomar de abacateiros deve ser baseada na sua caracterização
pedológica, através da observação do perfil do solo e na
avaliação do seu estado de fertilidade, feita através da
interpretação dos resultados da análise da terra.
A
metodologia de colheita das amostras pressupõe, por sua vez, o
conhecimento dos antecedentes culturais da parcela. Assim, é
obrigatório efetuar a análise da terra a partir de amostras
colhidas segundo os procedimentos descritos no ponto 8.3.1.1.. As
determinações analíticas a efetuar serão as que ali são
referidas.
A
amostra de terra para análise deverá ser acompanhada de uma ficha
informativa, semelhante à que se apresenta no Anexo II, onde
constará toda a informação respeitante à parcela em que se
pretende instalar o pomar.
A
ocorrência de doenças que afetam as raízes, como é o caso das
provocadas pela Rosellinia
necatrix, Armillaria mellea, P.
cinnamomi, ou outras, frequentes
em solos encharcadiços, deverá ser devidamente assinalada. Esta
informação é um dado importante na avaliação das características
da parcela, ou de parte dela, e poderá determinar a não plantação,
ou a realização de
medidas profiláticas adequadas, antes da instalação do futuro
pomar.
No
caso de replantação é obrigatório a realização de análises de
terra e ao material vegetal da cultura anterior, para pesquisar a
presença dos agentes patogênicos acima referidos. Após a obtenção
dos resultados das referidas análises decidir-se-á o tempo de
pousio que, no caso da detecção
de algum agente patogênico nunca será inferior a um ano.
Os
resultados da observação do perfil do solo e da análise de terra
serão igualmente determinantes para a decisão a tomar sobre a
plantação do pomar, a escolha do porta-enxerto a utilizar, bem como
a fertilização de instalação a praticar.
Em
caso de aptidão do terreno, no relatório formular-se-ão todas as
recomendações no sentido de ultrapassar eventuais limitações
detectadas, nomeadamente no que respeita à sistematização do
terreno, tendo sempre em conta as orientações relativas à sua
conservação descritas no “Manual Básico de Práticas Agrícolas.
Conservação do Solo e da Água” (MADRP, 2000).
A
plantação efetuar-se-á depois do terreno limpo de todos os
resíduos vegetais das culturas anteriormente instaladas e de se ter
procedido à mobilização adequada à topografia, perfil e textura
do solo, de acordo com o recomendado na publicação acima referida.
Em
produção integrada não é permitida a desinfecção química do
solo, salvo nos casos e condições
expressamente autorizadas.
A
cultura do abacateiro constitui uma das principais alternativas do
sector frutícola algarvio, contribuindo para a diversificação da
produção da região, pois para além de possuir uma boa relação
custo/benefício, apresenta um escoamento fácil das produções e um
mercado nacional e externo em crescimento.
Numa
perspectiva de carácter econômico, ecológico e também
toxicológico, reveste-se de grande importância a adoção de
medidas preconizadas pelas regras da produção integrada, não só
na racionalização dos custos dos diferentes factores de produção,
mas também na diminuição da contaminação do ambiente e na
obtenção de frutos de maior qualidade, atendendo à menor
quantidade de agroquímicos utilizados.
A
obtenção de produtos de alta qualidade, contaminando o menos
possível tanto o ambiente como os alimentos obtidos, isto é, com o
mínimo possível de resíduos, tem sido uma preocupação constante
na agricultura. Deste modo, a implementação da produção integrada
na cultura do abacateiro, pressupõe a elaboração de normas.
A
produção de abacate exige um conjunto de ações que têm início
com a instalação da cultura e se sucedem ordenadamente no tempo,
até à colheita e seu transporte para as instalações onde se
procede ao seu armazenamento.
Assim,
o presente documento apresenta aspectos relativos aos conceitos e
princípios da produção integrada, à localização e escolha do
terreno, operações de instalação da cultura, escolha de
porta-enxertos e variedades, podas e condução, rega, fertilização,
proteção fitossanitária e colheita.
No
capítulo relativo à fertilização, descrevem-se os procedimentos a
observar antes e após a instalação da cultura, a metodologia de
colheita de amostras e as determinações laboratoriais a requerer.
No
âmbito da legislação em vigor todos os aspectos relacionados com a
nutrição e fertilização são da responsabilidade da Unidade de
Ambiente e Recursos Naturais (ex-Laboratório Químico
Agrícola
Rebelo da Silva) do L-INIA, do Instituto Nacional de Recursos
Biológicos, I.P. .
No
que se refere à proteção fitossanitária, este documento integra
os procedimentos que podem n
servir
de orientação a técnicos e agricultores na monitorização de
pragas, auxiliares e doenças, as metodologias de estimativa do risco
e níveis econômicos de ataque a adotar na protecção integrada da
cultura do abacateiro.
Relativamente
à proteção integrada, referem-se quais os meios de proteção
disponíveis. No caso particular da luta química, indicam-se os
produtos fitofarmacêuticos permitidos, sendo abordados diversos
aspectos relevantes que lhes são inerentes e, também, os critérios
adotados na sua seleção, tendo por base a revisão recentemente
efetuada.
Apresenta-se,
ainda, a caracterização dos grupos de auxiliares mais importantes
na cultura, os =
efeitos
secundários dos produtos fitofarmacêuticos permitidos em proteção
integrada e um guia de proteção integrada no qual se consideram os
inimigos e aspectos básicos de epidemiologia e sintomatologia, assim
como as medidas de luta a adotar nesta cultura.
Faz-se
referência à obrigatoriedade da existência de um caderno de campo
e apresenta-se um modelo a utilizar em produção integrada da
cultura do abacateiro. Referem-se, ainda, alguns, aspectos relativos
à colheita.
Em
anexo ao documento, são apresentadas as fichas informativas que
devem acompanhar as amostras
a analisar e, ainda, outros elementos complementares.
As
normas desenvolvidas e apresentadas no presente documento incluem
procedimentos obrigatórios, proibidos e aconselhados e permitem a
sua atualização ou adaptação periódica.
Por
último, é de salientar que este documento foi elaborado com a
colaboração do INRB, I.P., da Direção
Regional de Agricultura e Pescas do Algarve (DRAPAlgarve) e da
ABACASUL e foi aprovado
em reunião do Conselho Nacional de Proteção da Produção Vegetal.
1
- CONCEITOS E PRINCÍPIOS DE PRODUÇÃO INTEGRADA
Em
produção integrada, a proteção integrada é a orientação
obrigatoriamente adotada em proteção das plantas. No presente
capítulo apresentam-se os conceitos e princípios de proteção e
produção integradas.
1.1-
Produção integrada
De
acordo com a definição adoptada pela OILB/SROP (1993, 2004), “a
produção integrada é um sistema agrícola de produção de
alimentos de alta qualidade e de outros produtos utilizando os
recursos
naturais e os mecanismos de regulação natural, em substituição de
factores de produção prejudiciais aos ambiente e de modo a
assegurar, a longo prazo, uma agricultura viável”.
As
características da produção integrada e as suas estreitas
afinidades com o conceito de agricultura sustentável são
evidenciados pelo conjunto de 11 princípios, também aprovados pela
OILB/SROP (2004): - a produção integrada é aplicada apenas
“holisticamente”, isto é, visa a regulação do ecossistema, o
bem-estar dos animais e a preservação dos recursos naturais, não
se limitando a mera combinação da proteção integrada com
elementos adicionais, como a fertilização ou outras práticas
agronômicas; - efeitos secundários inconvenientes de atividades
agrícolas, como a contaminação azotada de águas subterrâneas e a
erosão, devem ser minimizados;
-
a exploração agrícola no seu conjunto é a unidade de
implementação da produção integrada;
-
a reciclagem regular dos conhecimentos do empresário agrícola sobre
produção integrada;
-
assegurar a estabilidade dos ecossistemas, evitando impactes
ecológicos das atividades agrícolas que possam afetar negativamente
os recursos naturais e os componentes da regulação natural;
-
assegurar o equilíbrio do ciclo dos elementos nutritivos, reduzindo
ao mínimo as perdas de nutrientes e compensando prudentemente a sua
substituição, através de fertilizações fundamentadas, e
privilegiando a reciclagem da matéria orgânica produzida na
exploração agrícola;
-
a fertilidade do solo, isto é, a capacidade do solo assegurar a
produção agrícola sem intervenções exteriores é função do
equilíbrio das características físicas, químicas e biológicas do
solo, bem evidenciado pela fauna do solo, de que as minhocas são um
típico
indicador;
-
em produção integrada, a proteção integrada é a orientação
obrigatoriamente adotada em proteção das plantas;
-
a biodiversidade, a nível genético, das espécies e do ecossistema
é considerada a espinha dorsal da estabilidade do ecossistema, dos
factores de regulação natural e da qualidade da paisagem;
-
a qualidade dos produtos obtidos em produção integrada abrange não
só factores externos e internos mas também a natureza do sistema de
produção;
-
considerar o bem-estar dos animais, produzidos na exploração
agrícola.
Os
princípios anteriormente referidos, aplicados à cultura do
abacateiro (Persea americana
Miller), visam a obtenção de
frutos sãos, de boas características organolépticas e de
conservação, de modo a respeitar as exigências das normas
nacionais e internacionais relativas à qualidade do produto,
segurança alimentar e rastreabilidade, assegurando, simultaneamente,
o desenvolvimento
fisiológico equilibrado das plantas e a preservação da qualidade
do ambiente.
A
concretização de tais objetivos passa obrigatoriamente pela gestão
equilibrada dos recursos naturais,
com a utilização de tecnologias que considerem a reciclagem dos
elementos nutritivos e reduzam, deste modo, a utilização de
produtos fitofarmacêuticos e fertilizantes, conduzindo, assim,
a uma redução dos custos de produção.
1.2
- Proteção integrada
A
proteção integrada procura combater os inimigos das culturas de
forma econômica, eficaz e com
menores inconvenientes para o Homem e o ambiente. Deste modo,
recorre-se à utilização racional, equilibrada e integrada de todos
os meios de luta disponíveis (genéticos, culturais, físicos,
biológicos, biotécnicos e químicos) com o objectivo de manter as
populações dos inimigos das culturas a níveis que não causem
prejuízos. Torna-se necessário efetuar a estimativa do risco, isto
é, a monitorização contínua da cultura, de modo a detectar os
seus potenciais inimigos e a avaliar, através da intensidade do seu
ataque, os possíveis estragos ou prejuízos que possam causar.
Segundo
a Diretiva 2009/128/CE, de 21 de Outubro, que estabelece um quadro de
ação a nível
comunitário
para uma utilização sustentável dos produtos fitofarmacêuticos, a
proteção integrada consiste na ”avaliação
ponderada de todos os métodos de proteção das culturas disponíveis
e a subsequente integração de medidas adequadas para diminuir o
desenvolvimento de populações de organismos nocivos e manter a
utilização dos produtos fitofarmacêuticos e outras formas de
intervenção a níveis econômica e ecologicamente justificáveis,
reduzindo ou minimizando os riscos para a saúde humana e o ambiente.
A proteção integrada privilegia o desenvolvimento de culturas
saudáveis com a menor perturbação possível dos ecossistemas
agrícolas e agroflorestais e
incentiva mecanismos naturais de luta contra os inimigos das
culturas”.
Como
princípios básicos desta estratégia ou modalidade de proteção
das plantas destacam-se os
seguintes (Félix & Cavaco, 2004):
-
prevenir ou evitar o desenvolvimento dos inimigos das culturas
através de medidas visando a sua limitação natural;
-
reduzir ao mínimo as intervenções fitossanitárias nos
ecossistemas agrícolas;
-
utilizar todos os meios de luta disponíveis, integrando-os de forma
harmoniosa e privilegiando, sempre que possível, as medidas
indiretas;
-
recorrer aos meios de luta diretos, nomeadamente uso de produtos
fitofarmacêuticos, quando não houver alternativa;
-
selecionar os produtos fitofarmacêuticos em função da sua
eficácia, persistência, custo
e efeitos secundários em relação ao Homem, aos auxiliares e ao
ambiente.
O abacateiro (Persea americana Mill.) e nativo das serras do Mexico e da Guatemala e da costa do Pacifico da America Central.
As variedades de abacateiro sao organizadas em tres racas horticolas, de acordo com sua origem. A raca Mexicana provem das terras altas do Mexico, enquanto a raca Guatemalense e originaria da Guatemala. A raca Antilhana e originaria das terras baixas da costa do Pacifico da Guatemala ate o Panama.
A chegada do abacateiro ao Brasil esta indiretamente ligada a fatos de grande Importancia historica. No seculo XIX, a Europa ocidental atravessava um periodo de intensas disputas e, por isso, a familia real portuguesa decidiu imigrar para o Brasil em fins de 1807. Ja aqui, o imperador Dom Joao VI criou o atual Jardim Botanico com a finalidade de promover a aclimatacao de plantas com potencial de cultivo no Brasil.
Assim, em 1809, quatro mudas de abacateiro da raca Antilhana provenientes do Jardim Botanico La Gabrielle da Guiana Francesa foram introduzidas no Brasil. Na decada de 1920, ocorreram duas novas introducoes de materiais provenientes da Florida. Esses materiais difundiram-se pelo Pais e, por meio de cruzamentos naturais, surgiram materiais promissores que foram identificados, clonados e estudados, originando, assim, as principais cultivares de abacate do Brasil.
As cultivares de abacateiro no Brasil sao classificadas em dois grupos distintos.
O primeiro e constituido pelas cultivares de Abacate Tropical, conhecidas como “abacate manteiga”. Possuem frutos grandes e alongados, de baixo teor de oleo, e sao adaptadas a regioes de clima tropical. As principais cultivares deste grupo sao as seguintes: Geada, Quintal, Fortuna, Margarida e Breda.
No segundo grupo, estao as cultivares de Abacate Subtropical ou Avocado.
Possuem frutos de tamanho pequeno a medio, casca enrugada e alto conteudo de oleo. Essas cultivares, entre as quais a principal e o Hass, sao adaptadas ao clima subtropical.
Achados arqueologicos evidenciam que, desde 500 a.C., o abacate ja era cultivado no Mexico, e seus frutos serviam tanto como alimento quanto como produto para trocas comerciais pelas populacoes nativas. Embora os povos locais tenham iniciado sua domesticacao, com a selecao de frutos em funcao do seu tamanho, o abacate ainda se mostrava uma fruta bastante distante daquela que conhecemos hoje. Apos o descobrimento da America, o abacate se dispersou para outros locais, despertando o interesse cientifico de especialistas em fruticultura, visando a domesticacao e ao aprimoramento dessa especie para sua utilizacao como cultura fruticola comercial.
Primeiros passos
1)O processo que transformou o abacate ate torna-lo a fruta que conhecemos nos tempos atuais seguiu tres etapas basicas: 1) estudo de populacoes de plantas propagadas por sementes para identificacao das plantas que apresentassem caracteristicas superiores desejaveis;
2) clonagem dessas plantas selecionadas para plantio e avaliacao em escala agronomica, visando obter cultivares;
3) desenvolvimento de praticas culturais para aumentar a produtividade das cultivares selecionadas.
Assim, as bases que alavancaram o aprimoramento cientifico do abacate foram o melhoramento genetico, as tecnologias de clonagem de plantas e as tecnologias agronomicas para aumentar a produtividade.
As flores do abacateiro sao hermafroditas, porem apresentam um desencontro na maturacao dos orgaos masculino e feminino, fazendo com que a fecundacao ocorra de forma cruzada, com o polen vindo de outra planta. Essa particularidade faz com que cada caroco de abacate resulte em uma planta distinta, com caracteristicas ineditas ate entao, e isso cria variabilidade de forma natural e facilita a obtencao de novas variedades, cabendo ao cientista identificar sua superioridade e fazer a clonagem.
Desenvolvendo cultivares
Dessa forma, as mais de 500 cultivares de abacate existentes no mundo surgiram, na sua maioria, como hibridos naturais.
Bons exemplos sao as cultivares Hass e Fuerte, que surgiram nos Estados Unidos e no Mexico, respectivamente, e atualmente dominam o mercado internacional, e as cultivares Geada, Quintal,Na decada de 1970, tanto o cultivo quanto o mercado do abacate no Brasil eram pouco expressivos, e evoluiram muito nesses 50 anos. As modernas tecnicas de propagacao e de cultivo protegido possibilitam a producao de mudas em estufas sobre bancadas suspensas e em substrato totalmente organico, com elevados padroes de sanidade, vigor e uniformidade.
A adocao de plantio mais adensado com irrigacao localizada e manejo de podas, diversificacao de variedades plantadas, aprimoramentos nas praticas de adubacao e nutricao das plantas, manejo integrado de pragas e doencas e manejo pos-colheita tambem sao avancos tecnologicos recentes, que resultam de ardua pesquisa cientifica e promovem aumento na producao, melhor qualidade dos frutos, extensao do periodo de oferta, melhor conservacao e transporte da producao ate locais mais distantes.
A mais recente contribuicao da ciencia foi o sequenciamento do genoma do abacate realizado em 2019. Essa pesquisa obteve importantes informacoes para a compreensao das funcoes dos genes e para uso na engenharia genetica, visando incrementar a produtividade, aumentar a resistencia a doencas e criar frutoscom novos sabores e texturas.
Desafios e perspectivas
Trabalhos inovadores de pesquisa estao expandindo as fronteiras da cultura do abacate no Brasil. A viabilizacao da producao de abacate no Semiarido
A selecao de cultivares com frutos de caracteristicas distintas quanto ao tamanho, formato e teor de oleo possibilitou atender as mais diversas exigencias e preferencias dos consumidores e nas serras do Nordeste representa novos desafios para a pesquisa, com boas perspectivas de sucesso nos empreendimentos que ja se iniciaram.
Os principais desafios da pesquisa em abacate estao relacionados ao aprimoramento dos sistemas de producao, visando aumentar a produtividade e a qualidade dos frutos, bem como melhorar a eficiencia na utilizacao do espaco fisico, da agua, dos nutrientes e demais insumos.
A pesquisa tambem busca obter novas cultivares com melhor adaptacao ao cultivo em condicões de estresse abiotico (frio, calor e restricao hidrica), alem de porta enxertos mais tolerantes a condicoes adversas de solo, como salinidade e presença de patogenos.