Dona de uma polpa doce e macia, a atemoia está caindo nas graças do brasileiro. Além de sabor, a presença da fruta na dieta proporciona uma boa fonte de potássio, que pode beneficiar os músculos do corpo, incluindo o coração
A casca verde tem uma aparência bruta, mas dentro, a atemoia oferece cerca de 70% de água e um sabor único. Ela se originou na África do Sul e em Israel por meio do cruzamento entre a fruta-do-conde (ou pinha) e a cherimoia. “A fruta-do-conde e a cherimoia são os pais da atemoia”, conta José Antônio da Silva, pesquisador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. A atemoia chegou ao Brasil apenas na década de 1960 e, hoje, é produzida no Sudeste e no Nordeste do País.
Propriedades Nutricionais
Silva explica que a atemoia tem caído no gosto dos consumidores por ter a polpa saborosa e macia, além de as sementes soltas. Assim, ela pode ser consumida “de colher”, como o mamão. Apesar de tentadoramente doce, é importante não exagerar no consumo. “A atemoia é rica em carboidratos simples, especialmente em açúcares. Em uma unidade pequena da fruta há aproximadamente 20g de açúcares e 97 calorias”, explica Luiz Roberto Queroz, presidente do Departamento de Nutrologia da Associação Paulista de Medicina (APM). Ele aponta que, entre as qualidades da fruta, está a presença de fibras insolúveis, boas para o intestino, e da vitamina C, um poderoso antioxidante, que também participa da produção de colágeno. Fonte de minerais, a atemoia se destaca ainda no teor de potássio. “Ele é importante no controle dos líquidos corporais, na contração dos músculos, na produção dos impulsos nervosos e na manutenção dos batimentos cardíacos”, diz Flávia Fuzzi, da Câmara Técnica do Conselho Regional de Nutricionistas da 3ª Região (MS/SP).
Propriedades Medicinais
Como toda fruta rica em potássio, o consumo regular de atemoia pode auxiliar no controle da pressão arterial, comenta Flávia Fuzzi. “O mineral ainda auxilia no combate à fadiga, dores musculares e às câimbras.” Ela alerta porém que o consumo excessivo é contraindicado para pacientes com insuficiência renal.
A atemoia é fonte de energia sendo indicada para “dar um gás” nos compromissos do dia a dia.
É regulador da pressão
Devido à presença de potássio em sua polpa, a atemoia auxilia na redução da pressão arterial, pois esse mineral é vasodilatador. Usado pelo nosso corpo para equilibrar a água, o potássio é também elemento necessário para a contração muscular. Uma dieta rica nesse mineral é ótima para os praticantes de atividades físicas em geral.
Deve ser consumida in natura
O melhor jeito de ingerir a fruta é da forma como a natureza nos mandou, pois assim se preservam osnutrientes. Caso você opte pelo suco, por exemplo, a vitamina C se perderá em cerca de 20 minutos a partir do momento em que a bebida foi preparada. Além disso, as fibras presentes também se quebrarão.
Casca e sementes podem ser aproveitadas
“Se devidamente usadas, não fazem mal à saúde”, explica a nutricionista Juliana Fontes. Embora seja difícil consumir a casca in natura por ser pontiaguada, áspera e não ter um sabor muito agradável. Para isso, ela apresenta uma sugestão: “Pode ser usada para fazer geleia ou até mesmo compota. A casca possui fibras e minerais”. E as sementes? “Ricas também nesses elementos, podem ser trituradas e colocadas sobre iogurtes, frutas, saladas, sorvetes e até mesmo no arroz com feijão”, responde Juliana.
Compre na estação
Já é tempo de atemoia – e o período vai até novembro. Durante a safra de qualquer alimento, suaqualidade nutricional é melhor, apresentando maiores taxas de nutrientes; em especial, as vitaminas e os minerais. “E quanto mais maduro o fruto estiver, maior sua quantidade de nutrientes”, ressalta a nutricionista.
FONTE DE ENERGIA
A atemoia é fonte de energia (243 calorias em uma unidade de 250 g), sendo indicada para “dar um gás” nos compromissos do dia a dia. Isso se deve à grande quantidade de carboidratos encontrada em sua polpa. “Sendo assim, ela deve ser consumida commoderação, principalmente por quem está tentando controlar os ponteiros da balança”, alerta a nutricionista.
Rica em fibras
As fibras são importantíssimas para o adequado funcionamento intestinal, além de diminuir a absorção de açúcar e de gordura, sendo ideal para quem tem diabetes e/ou colesterol elevado.
A cultura de atemóia surgiu de um sonho do produtor Dr.Leon Bonaventure de cultivar em território brasileiro, frutas que pudessem servir as exigências dos mais exigentes mercados, com qualidade, beleza, sabor e aroma, além do respeito a natureza e as normas ambientais e sociais.
Em 1983 o produtor inicou suas plantações no Sítio Maitacas em Campos do Jordão (região montanhosa do estado de São Paulo) onde hoje é produzido um Kiwi muito saboroso e outras frutas como a framboesa, amora e morangos. Em 1996 iniciou-se a Fazenda Viveiro Bona em Minas Gerais, Paraisópolis onde são cultivadas as plantas de atemóia. Em 1999 o Sr.Leon escreveu um belíssimo livro sobre o cultivo da Cherimóia e da Atemóia, intitulado: "A cultura da cherimoia e de seu híbrido, a atemóia", pela editora Nobel.
“Bahia e São Paulo são os maiores produtores das anonáceas, entre elas a atemóia, que apresenta maior crescimento devido à incorporação de tecnologia com melhor remuneração para o produtor.”
A fruta-do-conde (também chamada ata ou pinha), a mais conhecida das anonáceas brasileiras, foi introduzida no País em 1626 na Bahia, pelo conde Miranda, e no Rio de Janeiro em 1811, a pedido do rei D. João VI. Atualmente, cinco espécies da família destacam-se no mercado nacional: graviola, fruta-do-conde, cherimóia, fruta-da-condessa e atemóia. Do cruzamento da ata com a cherimóia surgiu o recente híbrido atemóia, cultura que está restrita a alguns países tropicais e subtropicais, por se adaptar melhor às condições intermediárias entre a cherimóia, fruta de clima temperado, e a ata, natural de clima tropical. No Brasil, somente a atemóia apresenta cultivares adaptadas ao clima subtropical, como Gefner, African Pride, Pink‘s Mamooth, por exemplo. Pomares comerciais de atemóia começaram a produzir nos anos 90, fruto de pesquisa do Estado de São Paulo a partir da década de 1950.
A produção nacional de anonáceas concentra-se nas regiões Nordeste e Sudeste, com predomínio na Bahia, seguida de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Alagoas, com a pinha e a graviola, e São Paulo e Minas Gerais, com a atemóia.
Atualmente, o mercado, desfavorável para algumas frutas mais convencionais, tem estimulado a procura dos fruticultores paulistas por mudas selecionadas para o plantio de atemóia, aquecendo, inclusive, a produção dos viveiros de mudas. Embora o preço recebido pelo produtor de atemóia tenha se reduzido nos últimos tempos, a receita por ele auferida ainda é estimulante. Para o consumidor, essa retração do preço é bastante positiva, principalmente por ser uma fruta ainda cara para a renda da população, em geral.
Em São Paulo, maior produtor, são nas regiões mais frias que ocorrem a expansão mais acentuada do seu plantio, como as de Botucatu, Itapetininga e Sorocaba. Já, nas regiões de Jales e Lins – mais quentes e tradicionais no plantio de anonáceas, principalmente da pinha – não tendo tecnologia tão bem adaptada para a atemóia, a produção ainda é incipiente. Os técnicos, especialistas nesta fruta, têm insistido num manejo que atenda às especificidades regionais. Segundo eles, o uso correto da tecnologia é ponto fundamental para a obtenção de qualidade, aumento de produção e sustentabilidade da atividade local. Tem-se observado que o cultivo da atemóia ainda está restrito a poucos produtores, os quais vêm adotando, a contento, as recomendações técnicas de produção.
Essa preocupação levou à formação, em 2003, da Associação Brasileira dos Produtores de Anonáceas (Anonas Brasil). A finalidade maior é orientar os fruticultores atuais e potenciais para a conquista do mercado com qualidade. A organização desse setor também depende da sistematização de informações técnicas e de mercado. Nesse sentido, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento, por meio do Instituto de Economia Agrícola – IEA - e da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral – Cati -, tem colaborado no levantamento de dados de produção, área e produtividade.
ESTATÍSTICAS DO SETOR
As estatísticas sobre anonáceas para o Estado de São Paulo, obtidas pelo levantamento de previsão de safra agrícola (IEA/ Cati), mostram que o número de plantas aumentou quase dez vezes no período de 1986 a 2005, passando de 37,4 mil para 361,3 mil pés, com a pinha perdendo espaço para a atemóia nos últimos anos.
Devido ao interesse dos produtores e da crescente importância da atemóia no mercado paulista, a partir da safra 2002/03 as estatísticas sobre essa fruta passaram a ser levantadas separadamente das demais anonáceas. Verificou- se que em 2004/05 a produção de atemóia cresceu 39% em relação a 2002/03, passando de 455 mil caixas, de 3,7 kg, para 633,1 mil caixas. Segundo os especialistas, a maioria das informações sobre “demais anonáceas” representa a produção da fruta- do- conde (pinha), atingindo 11,8 milhões de frutos em 2004/05, inferior aos 13,4 milhões de frutos de 2002/03, em decorrência da queda, tanto do número de pés novos (63%) como dos pés em produção (15%). De acordo com técnicos de Jales, maior região produtora, as razões mais importantes para essa queda relacionam-se aos problemas fitossanitários, de manejo (principalmente a polinização cruzada), de desestímulo de mercado frente a outras frutas – em especial à uva niagara – e até pela substituição da exploração por atemóia.
Em termos da quantidade produzida de atemóia no Estado, é ainda bem menor do que a da pinha, porém com crescente participação no total das anonáceas. Em 2002/03 essa parcela correspondia a 16% e em apenas três anos chegou a 29%, principalmente devido à produtividade da atemóia, que cresceu 50% nesse período, enquanto que a das demais anonáceas manteve- se constante. Dados da última safra analisada (2004/05) também revelam que em São Paulo existem 8,1 mil pés novos e 247,6 mil pés em produção de fruta-do-conde. Para a atemóia, estima-se 34,7 mil pés novos (16% maior do que em 2002/03) e 71 mil pés em produção. Na comercialização das anonáceas na Ceagesp, São Paulo, Bahia e Minas Gerais aparecem como os principais fornecedores. Os dados apontaram em 2005 o predomínio da comercialização da pinha (57%) e da atemóia (36%), com oferta das frutas durante o ano todo. A maior concentração da fruta-do-conde (pinha) ocorreu nos meses de fevereiro a maio e da atemóia, de abril a agosto. O mercado da pinha é abastecido principalmente por Bahia (52%) e São Paulo (26%) e neste a maior entrada se dá no 1o semestre do ano. Já, para a atemóia, a Ceagesp recebe os maiores volumes de São Paulo e Minas Gerais, com 47% e 37%, respectivamente.
Segundo a Ceagesp, em 2001 foram comercializadas 2.494 toneladas de fruta-do-conde (pinha) e 1.070 toneladas de atemóia, no valor de R$ 6,7 milhões. Em 2005, o volume de entrada da pinha cresceu 9% (passando para 2.727 toneladas) e o da atemóia registrou aumento significativo (61%), atingindo 1.719 toneladas comparativamente a 2001. Isso mostra as alterações que vêm ocorrendo, tanto na oferta dessa fruta, antes considerada exótica, como na demanda, até pela mudança de hábitos de consumo por se tratar de uma fruta com menos sementes, mais polpa, menos açúcar e bastante saborosa. Em 2005, o preço médio da pinha foi R$ 14,00 por caixa de 3,7 kg, sendo que de janeiro a abril de 2006 apontaram média de R$11,40. No caso da atemóia, os preços por caixa oscilaram de R$12,50 a R$ 21,00, de julho a dezembro de 2005 (início da cotação de preços), atingindo uma média de R$16,50. Para os quatro primeiros meses de 2006, a média mensal foi de R$11,70. Embora a quantidade comercializada de atemóia tenha crescido significativamente entre 2001 e 2005, seus preços ainda continuam bastante atrativos para os produtores, por conta tanto do tamanho e da qualidade das frutas colocadas no mercado.
Graças aos avanços da pesquisa e ao uso adequado de tecnologias, a cultura de atemóia começa a se firmar no mercado interno com produção crescente e com frutas de melhor qualidade. Vislumbra-se um potencial de demanda, principalmente de frutas in natura e, também, por parte dos produtores, por mecanismos que permitam ampliar o período de safra para a colocação da fruta no mercado. No entanto, alguns desafios devem ser enfrentados: adaptação de espécies e variedades aos diversos climas; adoção de tecnologias de produção; planejamento das práticas culturais; aprimoramento do uso de tecnologias de pós-colheita e adoção de estratégias mercadológicas. Isso traz como resultados a sustentabilidade do cultivo de atemóia, frutas com padrão de qualidade comprova-damente superior e remuneração mais favorável, com perspectivas também para o mercado externo.
Embora pouco conhecidas dos consumidores, estas frutas já vinham sendo ofertadas, porém provenientes de outros estados, principalmente de São Paulo. A novidade agora é que estas frutas estão se tornando conhecidas também por serem uma nova alternativa na fruticultura regional.
A atemóia e a cherimóia são frutas originárias da região andina da América do Sul. Conhecidas internacionalmente como “frutas nobres”, pela alta qualidade em sabor, são frutas de alta cotação no mercado internacional, principalmente nos países industrializados, que as importam da Espanha, América do Norte, Chile e Austrália. No município de Bento Gonçalves, o agricultor Deonelo Debiasi plantou as primeiras mudas na sua propriedade, na Linha Demari, nas encostas do Rio das Antas, adquiridas do viveirista León Bonaventure, de São Paulo.
Debiasi interessou-se pelas frutas assistindo ao programa Globo Rural, que difunde as novidades do agronegócio. A seguir, adquiriu mudas também da CATI, serviço de extensão rural do Estado de São Paulo. As árvores começaram a produzir em 2004. Hoje, o produtor dispõe do produto que comercializa ao preço aproximado de R$4,00/kilo nos supermercados de Bento Gonçalves.
Além da atemóia, o produtor também cultiva algumas variedades de cherimóia, que segundo ele, tem a vantagem de antecipar a frutificação para os meses de abril e maio. A atemóia, por sua vez, inicia sua maturação em maio, e a coleta se estende até o mês de setembro, caracterizando-se como uma fruta de inverno. Ambas são frutíferas sensíveis ao frio, exigindo seu cultivo, nesta região, em locais com pouca incidência de geadas, junto aos vales dos rios.
A atemóia é uma árvore frutífera lenhosa híbrida entre a cherimóia (Annona cherimolia) e a fruta do conde (Annona squamosa), desenvolvida pelo fitomelhorador norte-americano Sr. P.J. Wester, do USDA-Florida, em 1907. Posteriormente, foi introduzida no Brasil na Região Central de Minas Gerais e São Paulo. Umas das diferenças entre a cherimóia e a atemóia, é que a primeira precisa de polinização manual, enquanto a segunda prescinde dessa mão-de-obra. Ao paladar, as duas frutas são igualmente deliciosas e rendem também outras delícias culinárias como sucos, compotas, doces e conservas.
Entre as Anonas brasileiras, as mais conhecidas provavelmente sejam a graviola, a fruta do conde, a quaresma, a pinha e a marola que, ao olho leigo, são muito parecidas. Na polpa, no entanto, está a diferença.
A CULTURA
Nome científico: Annona cherimola x Annona squamosa
Família: Annonaceae
Origem e dispersão: A atemoya é intermediária às espécies que lhe deram origem. Produzida por hibridação, na África do Sul e Israel, a atemoya foi introduzida em vários países. Na Flórida, é plantada comercialmente no Sul do Estado. É exportada por Israel e África do Sul, é plantada na Austrália, mas ainda pouco divulgada em outros países. No Brasil, foi introduzida recentemente e já desperta o interesse de alguns produtores, pela sua qualidade, superior à fruta-do-conde.
Clima e solo: A atemoya adapta-se a vários tipos de solo, mas prefere os bem drenados.
Propagação: É indicada a propagação por enxertia, tanto por borbulhia como garfagem, usando como cavalo ela mesma, a fruta-do-conde ou a cherimoya. Annona reticulata (lisa), também pode ser usada.
Variedades: Quanto aos cultivares, os mais conhecidos são Gefner e Page, mas, em São Paulo, o primeiro é mais utilizado junto com African Pride e PR-3. Por isso o seu cultivo exige rigorosos tratos fitossanitários, podas e outros tratos culturais, inclusive o desbaste de frutos.
Utilização: É uma fruta típica de mesa, para consumo ao natural; portanto, a sua aparência é muito importante. Serve também para sorvetes, polpa e suco. Seu valor alimentar é principalmente alto para açúcares, mas o apelo e qualidade desta fruta deve-se ao seu aroma e sabor, dados pelos componentes ácidos orgânicos, lipídios, fenóis e constituintes voláteis, especialmente os ésteres.
Da família Annonaceae, as anonas pertencem a diversas espécies, e as de interesse maior para São Paulo são as seguintes: (a) Annona squamosa L., fruta-do-conde: introduzida no Brasil (Bahia), em 1926, pelo Conde de Miranda e conhecida por esse nome em São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro; no Nordeste e Planalto Central, é chamada de pinha e no Norte, de ata.
É uma árvore de pequeno porte (4 a 5m de altura), com folhas de 6 a 7cm de comprimento, flores amarelo-esverdeadas, isoladas ou em cachos de 2 a 4. Os frutos são formados por numerosas protuberâncias, correspondentes às sementes. A polpa é branca ou creme, macia, doce e nutritiva; (b) Annona reticulata L. (condessa ou coração de boi): árvore mais vigorosa (6 a 7m de altura) e folhas mais largas que aquelas da fruta-do-conde, sendo desprovidas de pêlo, ao contrário dessa espécie. Os frutos são grandes, de casca lisa, polpa creme, pouco adocicada e de textura grosseira. Essas espécies originam-se da América Tropical. (c) Híbrido de anonas (A. cherimolia Mill. x A. squamosa L.) denominado atemóia, que apresenta características das duas espécies, com requisitos climáticos semelhantes à fruta-do-conde. Os frutos variam de 150 a 750g, têm a casca levemente rugosa e apresentam polpa mais saborosa e maior proporção polpa/semente que aqueles da fruta-do-conde. Todas perdem as folhas no inverno.
Cultivares: somente o híbrido atemóia tem cultivares definidos: Gefner (melhor por ser mais produtivo, responder bem às podas de verão; é de maturação mediana); African Pride (frutos mais tardios) e Bradley (frutos mais precoces, assimétricos e suscetíveis à rachadura).
Clima e solo: adaptam-se bem aos diversos climas, principalmente atemóia; entretanto, não toleram geada nem temperaturas muito baixas, notadamente, as plantas jovens e as adultas em fase de florescimento e maturação dos frutos. Preferem inverno seco e precipitação bem distribuída no período vegetativo. As temperaturas médias mais convenientes variam de 10 a 20ºC (mínimas) a 22 a 28ºC (máximas). O solo deve ser profundo, bem drenado e, preferivelmente, de textura leve, suprido de matéria orgânica.
Práticas de conservação do solo: plantio em nível; terraceamento.
Propagação:normalmente, é feita por sementes; entretanto, devem ser propagadas por enxertia, devido à grande variabilidade de plantas que aquele método proporciona, principalmente no caso do híbrido atemóia. A enxertia pode ser feita por borbulhia no verão ou garfagem no inverno. Os porta-enxertos mais indicados são: araticum-de-folha-miúda (Rollinia emarginata), fruta-do-conde e condessa (exceto para a própria espécie). Para a formação desses porta-enxertos, os germinadores devem estar levemente sombreados, conter bastante matéria orgânica e ser submetidos ao controle contra podridão. Transplantar a muda para saco plástico grande, contendo uma mistura peneirada e esterilizada feita com 1m3 de solo fértil, 300 litros de esterco de curral bem curtido, 2kg de termofosfato e 0,5kg de cloreto de potássio; com 4 e 5 meses de idade estarão aptas à enxertia.
Plantio:realizar meses chuvosos em solos muito bem preparados com arações profundas. As covas devem ter as dimensões de 40 x 40 x 40cm e ser preparadas 60 dias antes do plantio para assentamento e fermentação da matéria orgânica . Para prevenir doenças das raízes e colo, o plantio deve ser alto (5cm do torrão acima do nível do solo), colocando-se terra para formar um montículo para escoamento da água de chuva.
Espaçamento:atemóia: 7 x 6m (quando feitas podas anuais) ou 9 x 7m. Demais espécies: 7 x 5 a 7 x 6m (plantas enxertadas) e 6 x 5m (pé-franco).
Mudas necessárias:140 a 215/ha para atemóia e 215 a 300/ha para as demais.
Calagem e adubação:no mês anterior ao preparo das covas para plantio, aplicar calcário dolomítico de acordo com a análise de solo, para elevar a saturação por bases a 60%.
Adubação de plantio: adicionar à terra extraída e ao esterco (2kg de esterco de galinha ou 10kg de esterco de curral), 160g de P2O5, 90g de K2O e 200 a 500g de calcário dolomítico, todos bem misturados antes de colocados na cova.
Adubação de formação: até o 3º ano, aplicações bimestrais no período chuvoso de 100 (na 1ª aplicação) a 600 g/planta (na última aplicação) de uma mistura de adubos contendo cerca de 10% de cada um dos nutrientes N, P2O5 e K2O.
Adubação de produção: a partir do 4º ano, aplicar 1.800 g/planta de uma mistura de cerca de 8% de N, 3% de P2O5 e 9% de K2O, em três aplicações anuais (outubro, janeiro e março). Periodicamente (2 a 3 anos), fazer análise de solo, aplicando calcário dolomítico e sulfato de zinco (15 a 20g) se necessários e, se possível, aplicar anualmente matéria orgânico.
Controle de pragas e doenças: a) broca-dos-frutos – o controle químico é pouco eficiente, além de prejudicar os polinizadores devendo-se adotar controles culturais como coleta e queima de todos os frutos atacados ou caídos no chão, ou, ainda, ensacamento dos frutos com papel manteiga; b) podridões de raízes e colo – plantio como aquele indicado anteriormente e poda de formação descrita a seguir; c) antracnose dos frutos novos – oxicloreto de cobre; d) cancro dos ramos – eliminação e queima de todas as partes atacadas.
Podas:
a) poda de formação – manter um tronco de 40 a 50cm, que proporciona maior aeração, próximo ao colo da planta para controle fitossanitário. Entre 50 a 70cm, formar três ou quatro pernadas bem distribuídas, deixando dois ramos de cada pernada, de 45 a 50cm; esses ramos podem emitir quatro brotos que deverão ser conduzidos de modo a proporcionar à copa a forma de taça. Nos ferimentos de corte, aplicar pasta cúprica contendo sal de cozinha;
b) poda de produção – durante o verão (maior desenvolvimento das plantas), fazer poda leve, despontando os ramos escolhidos, de modo a ficarem com 40 a 50cm de comprimento; desse modo, provoca-se a emissão de ramos de florescimento, visando às produções fora da época normal. Depois de 30 a 40 dias ocorre o florescimento; c) poda de limpeza – abertura da copa e limitação de crescimento vertical: antes do novo período vegetativo eliminar ramos doentes, mal dispostos, em excesso e aqueles da parte superior da copa (se necessário).
Controle de plantas daninhas: herbicidas ou roçadeiras nas entrelinhas e capinas manuais cuidadosas próximo às plantas. Devido às doenças, não usar grades ou implementos pesados que movimentem muito o solo e causem ferimentos às raízes ao colo das plantas.
Desbaste dos frutos: eliminar os frutos em excesso, principalmente na atemóia, e aqueles doentes, com defeitos, atacados pela broca ou que se encontrem encostados aos outros (ocorre maior ataque de broca).
Colheita: os frutos amadurecem 100 a 120 dias após o florescimento, com mudança na coloração da casca que passa de verde-amarelada para creme-rosada na fruta-do-conde, de verde-amarelada para amarelo-avermelhada na condessa e de verde-clara-brilhante para verde-amarelada-pálida na atemóia. Esse ponto de colheita é fundamental para a qualidade do fruto. Ocorre de fevereiro a junho (pico em março e abril) para a atemóia e de dezembro a julho (pico em fevereiro e março) para as demais.
Produtividade normal: em frutos comerciáveis/pé/ano: fruta-do-conde: 75 (pé-franco) a 90 (enxertada); atemóia: 100.
Comercialização: logo após a colheita, os frutos são classificados, embalados em caixetas de madeira tipo uva e entregues nos entrepostos de venda.
A atemóia é um fruto híbrido, derivado da ata – pinha ou fruta-do-conde – e da cherimóia, originária dos Andes. Ainda pouco cultivada e conhecida no Brasil, a fruta tem um grande mercado a conquistar. Há cinco anos, um projeto de pesquisa realizado pela Estação Experimental da Agenciarural de Anápolis tenta mostrar que a produção da atemóia é viável em Goiás e, até agora, tem obtido sucesso.
Toshio Ogata, engenheiro agrônomo e pesquisador responsável pelo projeto de introdução da atemóia em Goiás, conta que após a terceira colheita realizada no campo experimental já dá para perceber que a viabilidade da fruta no Estado é grande. Segundo ele, a produção tem aumentado anualmente e deve melhorar ainda mais. “Em três anos, as plantas devem atingir a plena carga”, diz. O estudo analisa também diferentes manejos de poda dessa variedade, associados à nutrição mineral e irrigação, visando maior produtividade e qualidade do fruto.
A plantação da atemóia está restrita a alguns países tropicais e subtropicais por adaptar-se melhor às condições intermediárias entre a cherimóia (clima subtropical) e a ata (clima tropical). Por isso, explica Toshio, no Brasil ela deve ser cultivada em regiões localizadas a mais de 800 metros de altitude. A estação experimental da Agência Rural em Anápolis fica a 1080 metros acima do nível do mar.
Além da altitude da área de cultivo, para a cultura dar certo o solo não pode ser encharcado nem pedregoso. Atualmente, São Paulo produz a maior parte da atemóia brasileira, cerca de 40%. Minas Gerais vem em seguida.
Em Goiás, a colheita da atemóia se inicia no final de março e segue até meados de abril. Toshio explica que o principal problema de manejo encontrado na cultura é o ataque da broca no tronco e fruto. “É preciso fazer pulverização ou, então, quem não quiser fazer controle químico, tem de ensacar os frutos”, conta.
A atemóia lembra um pouco a ata, mas segundo Toshio, a fruta tem mais características da cherimóia. Entre elas, uma polpa mais macia e de sabor bastante adocicado. Além disso, a atemóia herdou a boa produtividade da fruta andina. “A cherimóia é reconhecida internacionalmente pelo seu sabor, é uma das frutas mais saborosas que existe”.
Segundo Toshio, a atemóia é uma fruta apreciada na Europa e nos Estados Unidos e tem bom potencial de mercado, inclusive para exportação. “A nossa colheita aqui pega a entressafra no Hemisfério Norte”, acrescenta.
Estudo Prévio O pesquisador lembra que os produtores interessados em investir na variedade devem primeiro estudar bem a cultura, as características climáticas do local de plantio, de solo e se preparar para evitar problemas com a broca. “A polinização, por exemplo, tem de ser perfeita, caso contrário o fruto pode apresentar má formação e perder mercado”, diz. Para o início do plantio, Toshio afirma que os interessados têm de encomendar mudas de outros Estados.
No Brasil, a atemóia chega a ser vendida a cerca de cinco reais o quilo e cada fruto chega a pesar 600 gramas. O gerente da divisão técnica da Ceasa em Goiás, Josué Lopes Siqueira, afirma que atualmente o mercado em Goiás da atemóia é pequeno, por ser uma fruta pouco conhecida pelo consumidor.
Josué diz qué é preciso uma campanha de apresentação da atemóia, algo que desperte o interesse por ela. “Pode ser pelo sabor ou então por alguma característica benéfica para a saúde, como a acerola que contém muita vitamina C”. Segundo ele, toda a atemóia vendida na Ceasa em Goiânia é oriunda de São Paulo.
Englobam um grupo de plantas frutíferas de importância econômica no Brasil e em algumas regiões do mundo, pertencentes aos gêneros Rollinia a Annona.
A família Anonácea engloba um grupo de plantas frutíferas de importância econômica no
Brasil e em algumas regiões do mundo, composta principalmente por plantas tropicais,
sendo muitas nativas do Brasil exceções as de clima temperado.
São relatadas mais de 2000 espécies, dentre elas as comestíveis utilizadas em plantios
comerciais, as de uso medicinal, industrial, como planta exótica e em reflorestamentos.
A similaridade e o número de espécies causa confusão na identificação popular,
principalmente devido a denominações regionais. Saiba Quem é Quem na família das
principais Anonáceas no Brasil.
Rollinia: R. mucosa, R. jimenezii, R. sensoniana, R. sylvatica e R. emarginata.
Frutos conhecidos como biribás e ou araticuns (folha-miúda e cagão).
Características: inflorescência trilobada, forma de hélice usados como porta-enxerto.
Annona: principais espécies cultivadas, composta de 5 grupos:
Guanabani: grupo das graviolas
Bilaeflorae: anonas com ceras
Acutiflorae: pétalas afiladas
Annonellae: anonas anãs
Attae: anonas comuns (A. squamosa, reticulata, cherimola e atemoya)
Annonas: 118 espécies (108 da América Tropical e 10 da África Tropical)
13 comestíveis;
9 são normalmente cultivadas e 5 destas importantes: fruta-do-conde, atemoya, cherimoya, graviola e condessa.
Importância Econômica:
Cherimoya – importante em várias regiões: Chile, Espanha, Portugal, Califórnia. Pequenas áreas: Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Israel, África do Sul.
Fruta-do-Conde - países e regiões tropicais como Brasil.
Graviola - países americanos, Índia, países asiáticos.
Atemoya – países tropicais e subtropicais, condições intermediárias entre fruta-do-conde e cherimoya.
Cultivo no Brasil
Fruta-do-conde
10.000 ha (NE, SP e outros estados)
produção = 80.000 t
Graviola 2.500 ha
Atemóia 500 ha
Cherimóia 120 ha
Produção em função das chuvas
Fevereiro - Março - SP
Abril - Maio - Bahia
Junho – Julho - Alagoas
MELHORAMENTO GENETICO - Objetiva: Qualidade interna do fruto: aroma, sabor, textura fina, não arenosa, sem fibras, semente solta, poucas e alto rendimento em polpa;
Aparência do fruto: forma simétrica, desenho atrativo da casca, cor clara e brilhante, sem defeitos ou manchas;
Consistência do fruto: casca dura, resistente ao ataque de insetos e sol, boa capacidade de armazenamento sob refrigeração;
Resistência da planta: vigorosa, sadia, de bom crescimento, resistente a pragas e doenças, frio, sol e seca, compatibilidade com porta-enxertos;
Viabilidade do pólen: ser fértil e efetivo;
Flores: numerosas, com aroma atrativo e polinizadores;
Facilidade de cultivo: adaptação a solo e clima, ramos não necessitem muita poda, fácil colheita, fruto mostre o ponto de colheita, sem amolecer;
Época de produção: fora da época normal de colheita de outras cultivares ou espécies da mesma família – oferta durante ano inteiro;
Produção: produtiva e sem alternância.
FRUTA-DO-CONDE, Pinha ou Ata ( Annona squamosa L.)
Origem: Antilhas na América tropical, provavelmente Ilha Trindade.
Propagação: predominantemente sexuada, grande variação.
Melhoramento: maior pegamento flores, menor taxa de malformação dos frutos, maior resistência a pragas e doenças, frutos com maior n.º de carpelos, lisos e de coloração verde-escuro, intercarpelos rosados, menor tendência a rachamento, doce, pouca ou nenhuma célula pétrea.
Porte: pequeno, até 5 m, esgalhada.
Sistema Radicular: pivotante, proporcionalmente maior que a parte aérea.
Crescimento: SP em 6 meses/ano = 10-70cm, tronco e inserções frágeis.
Flores: únicas ou em pencas, com 3 sépalas que recobrem as 3 pétalas. Na base interna numerosos estames e pistilos, gineceu com 50-150 carpelos.
Frutos: codiforme, arredondado, composto por segmentos salientes e individualizados (carpelos) lisos ou rugosos, verde escuro a amarelo-esverdeado separados por tecido intercarpelar de cor creme até róseo. Internamente, carpelos de coloração branca consistente com e sem sementes e um enchimento de cor creme claro com células pétreas.
Ciclo: novo após cada período de repouso, intensa brotação (folhas, ramos e flores) após a queda das folhas.
Polinização: dicogamia protogínica (amadurecimento das estruturas femininas só depois das masculinas), autopolinização praticamente nula, entomofílica.
Colheita: 110-120 dias; plantas bem nutridas até 4 ciclos de florescimento.
Produtividade: média 3,2 t/ha, SP até 8,0 t/ha.
ATEMOYA, Atemoia, Atemolia ( Annona squamosa L. x Annona cherimola Mill) Propagação: predominantemente assexuada, enxertia e estaquia.
Melhoramento: maior % pegamento, menor taxa de malformação frutos, maior resistência a pragas e doenças, frutos arredondados, simétricos, alta relação polpa/semente, produtividade, doces, baixa acidez, resistente.
Porte: e conformação variável, até 10 m de altura e diâmetro, ramos fracos e longos.
Crescimento: rápido e muito vigorosa quando bem nutrida, requer podas.
Folhas: variam de forma em uma mesma planta, 10-20 x 4-8cm, caem no inverno.
Flores: únicas ou em pencas, composta de 3 pétalas carnosas nas axilas das folhas recém nascidas ou em ramos do ano anterior.
Frutos: formato variável com a variedade: cordiforme, cônicos ou ovados, lisos ou com protuberâncias, cor verde-amarelado, polpa branca, doce, ligeiramente ácida, sucosa, mais saborosa que a pinha, muitos carpelos sem sementes, em média com 150 a 500g.
Ciclo: novo após cada período de repouso, intensa brotação após queda de folhas.
Colheita: aos 120 dias; variando com a variedade de março a agosto.
Produtividade: média 100 frutos/ano, 6 a 8 caixetas/planta.
GRAVIOLA (Annona muricata L.) Origem: América tropical, América Central e vales peruanos.
Propagação: sementes ou enxertia.
Melhoramento: maior % pegamento, menor taxa de malformação, maior tolerância pragas e doenças (brocas), frutos grandes, polpa c/ altos teores de açucares.
Porte: pequeno, 3,5 a 8m, folhagem compacta e coloração verde intenso, ramos e inserções frágeis.
Sistema Radicular: pivotante.
Folhas: ovadas, elípticas, 5-18 x 2-7cm, cerosas, verde brilhante.
Flores: únicas ou em pencas, formato subgloboso (capulho), em ramos ou no tronco, composta de 3 sépalas que recobrem 6 pétalas. Internamente: grande número de estames e pistilos e o gineceu.
Frutos: compostos, ovóides e muito variável, grandes 1-10 kg, carpelos separados por sulco fino, casca verde-escura, quando desenvolvido verde-clara brilhante, pseudo-espinhos recurvados, fácil de descascar, polpa suculenta, branca, odor agradável, rica em vitaminas A e C, com 95 a 180 sementes/fruto.
Ciclo: algumas regiões floresce e vegeta quase o ano todo, necessita de um período de estresse na formação e vingamento dos frutos.
Julho a agosto = entrada de cherimóia importada no Brasil
Tempo da Antese à Colheita (dias)
Atemóia
120 - 150 em SP
Cherimóia
150 - 180 em SP
Fruta-do-conde
110 - 120 em SP
90 - 100 na Bahia
CLIMA Limitante para exploração comercial, preferência climas amenos, áreas livres de geadas, com inverno seco e chuvas bem distribuídas, Temperatura-27 ºC e UR-80% favorecem melhor pegamento dos frutos.
Cherimoia: requer climas subtropicais (clima seco e fresco), acima 600m altitude suscetível a geadas e frio quando não em repouso, altas temperaturas afetam o desenvolvimento e produção.
Fruta-do-conde: requer climas tropicais (temperatura e umidade elevadas) requer um período anual de repouso.
Atemoya: exigências intermediárias.
African Pride – Temperaturas amenas, igual e maior crescimento vegetativo e produtividade
PR-3 – semelhante a fruta-do-conde
Gefner – intermediária
Graviola: tipicamente tropical ou subtropical úmido, não suporta frio
Ventos fortes danificam frutos, escurecimento da casca, chilling em pinha, quebra de galhos em geral e tombamento de plantas em cherimóia
SOLO - solos profundos
- drenados
- textura leve ( arenosos são recomendados )
Fruta-do-conde = sistema radicular até 6 m de profundidade
Atemóia e Cherimóia - sistema radicular superficial
VARIEDADES
Fruta-do-conde: inexistem variedades melhoradas no Brasil
Há um tipo sem sementes (mutação), pouco produtivo e frutos pequenos
Cherimóia: inexistem variedades comerciais selecionadas p/ Brasil
White, Lisa, Booth, Fino de Jete, Golden Russet, Campa, outras.
Atemoya: diversos híbridos naturais interessantes no mundo
Gefner – carpelos pequenos, salientes, individualizados na extremidade superior, 150-650g, poucas sementes, copa aberta, maturação mediana
Bradley – carpelos individualizados e separados, com 150 a 450g, poucas sementes, maior % de frutos defeituosos, copa compacta, precoce
African Pride – carpelos bem unidos e saliências, com 250 a 750g, poucas sementes, copa semelhante a Bradley, tardia
PR-3 – carpelos grandes e salientes na extremidade superior, com 250 a 750g com muitas sementes, copa compacta, mediana
Graviola: vários acessos no Brasil sendo avaliados no mundo
Seleções: Graviola A, B, Blanca, FAO II, Lisa, Morada, Graviola I e II
PORTA-ENXERTOS Fungos de Solo: Phytophthora, Pythium, Calonectria, Rhizoctonia,
Cylindrocladium e bactérias Pseudomonas.
Pinha – desenvolvimento rápido no viveiro, induz a plantas compactas, recomendado para FC e atemoya.
Condessa – rápido no viveiro, produz plantas vigorosas, maior desenvolvimento do tronco do PE/copa, rachaduras e casos de morte (incompatibilidade).
Araticum-de-folha-miúda - de clima ameno, desenvolvimento lento, induz a plantas compactas, aparentemente sem problemas de incompatibilidade, tolerante a Phytophthora.
Anona glabra – induz a ananicamento e recomendada para áreas úmidas
Porta-enxertos recomendados:
Cherimoia: condessa, araticum, pinha, cherimoia
Fruta-do-conde: pinha, condessa, (atemoia, anona do brejo)
Graviola: condessa, anona do brejo, araticum, biribá, graviola
Atemoia: condessa, araticum, atemoia
PROPAGAÇÃO Recomenda-se enxertia e alguns casos por semente.
Cherimoia: borbulhia em janela, T normal, garfagem de topo e lateral
Fruta-do-conde: T invertido, placa, garfagem e escudo
Atemoia: borbulhia em placa, garfagem
Graviola: borbulhia T normal e placa, fenda cheia e garfagem inglês simples
ESPAÇAMENTO
Em função das condições climáticas locais, espécie e porta-enxerto.
Cherimoia: USA e Espanha 5x7 a 7x7, Br 6x8 m
Fruta-do-conde: 4x6 a 5x7 m
Graviola: 4x4,5; 6x7,5; 7x8; 8x8 m
Atemoia: 6x4 em pinha, 6x7 a 6x8 m
PLANTIO
Análise de solo e calagem p/ V%= 70-80
Preparo do solo: subsolagem, aração e gradagem
COVA
Sulcar nas linhas
Aplicar
200g calcário/m.linear
30 litros esterco curral curtido/cova
10g Bórax e 20g Sulf. Zinco / cova (solos baixo teor)
ou Covas 40 x 40 x 40 cm
Molhar
Aguardar 30 dias
Plantar
Irrigar
ADUBAÇÃO
1) 30 dias - 50g de nitrocalcio, repetir a cada 60 dias
2º ano: 100g nitrocalcio, 5 x ano
a partir 3º ano função da produtividade esperada
2) formação: 50g de 10-10-10 até 300g em 4 x
Produção: 600g/pl de 12-6-12
outubro/novembro
dezembro/janeiro
janeiro/fevereiro + 75 g KCl
fevereiro/março + 75 g KCl
Pulverização Foliar:
Ácido Bórico 50 g
Sulf. De Zinco 250 g
Sulf. De Manganês 200 g
Uréia 500 g
Água 100 L (3 x/ano)
IRRIGAÇÃO
Gotejamento
Aspersão
Microaspersão
Kc = 0,70 a 0,95
PODA
- Formação: 40 cm (somente no inverno)
- 3 - 4 pernadas
- encurtamento de ramos (no inverno)
- conformação da copa - compacta (poda verde no verão)
- Anualmente: poda de limpeza e abertura da copa
=> Inicio da brotação, após repouso hibernal
Graviola: poda de limpeza após a colheita
DESBASTE
Atemoia: frutos com 1,5 a 3 cm, deixar 80 e 60 frutos nas 2 safras do ano
FC: frutos com 1,5 cm, deixar 50 e 30 frutos
PRAGAS E DOENÇAS
Broca-do-tronco: Cratosomus spp
Coleoptero, galerias no tronco, exudação de escura e serragem
Controle: injeções com inseticidas nos orificíos e pulverizações dirigidas
Broca-do-fruto: Cerconota anonella
Lepidoptera, roe a casca e penetra na polpa, qualquer tamanho,
deformação, enegrecidos, caem
Controle: catação de frutos, pulverizações dirigidas 15 em 15 dias
Broca-da-semente: Bephratelloides maculicolis
Hymenoptera, perfura da casca e faz postura diretamente nas sementes,
larva destroi fruto, sai do fruto vespa adulta
Se fecundada = machos e fêmeas
Se não fecundada = machos
Controle: pulverizações dirigidas 15 em 15 dias
Cochonilhas: Fosforado com óleo mineral
Mosca-branca, Ácaros
Não pulverizar durante as floradas
Nematoide: Radopholus similis
Antracnose: Colletotrichum gloeosporioides
Frutos a partir do florescimento e folhas
Frutos novos pretos e presos na planta = mumificados
O araticum, também conhecido popularmente como bruto, cabeça-de-negro, cascudo, marolo e pinha-do-cerrado. É espécie frutífera da família Annonaceae, assim como a cherimóia, condessa, pinha, graviola e outras. As Annonaceae são representadas no cerrado por 27 espécies, perfazendo 3,5% da flora total. Destacam-se pelo seu potencial frutífero os gêneros Annona, Duguetia e Rollinia. O gênero Annona apresenta duas espécies produtoras de frutos comestíveis no cerrado, a Annona crassiflora Mart e a Annona coriaceae Mart.
Nativo do planalto central brasileiro, o araticum pode ser encontrado nas áreas de Cerradão, Cerrado, Cerrado Denso, Cerrado Ralo e Campo Rupestre. Sua distribuição ocorre no Distrito Federal e nos Estados da Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Piauí e Tocantins.
2. BOTÂNICA E ECOLOGIA
Árvore hermafrodita de até 8m, com flores e ramos jovens apresentando densa pilosidade marrom-avermelhada e os órgãos vegetativos glabrescentes com a idade. As folhas são alternas, simples, pecioladas, sem estípulas; limbo com 5,5 a 13 x 3,5 a 10 cm, largamente obovado a oblongo, cartáceo e coriáceo; ápice arredondado a obtuso; base arredondada, obtusa ou subcordada; pecíolo com 2 a 6 mm de comprimento, actinomorfas, internamente creme-amareladas, crassas; sépalas 3, livres; pétalas 6, livres; estames numerosos; anteras subsésseis, oblongas, de conectivo espessado; ovário dialicarpelar, súpero, com muitos carpelos uniovulados; estigma séssil. O fruto é um sincárpio com cerca de 15 cm de diâmetro e 2 kg de peso, oval a arredondado, externamente marrom-claro, comoso, internamente creme amarelado, com polpa firme; numerosas sementes com formato elíptico.
A planta é caducifólia (perde as folhas) na época seca, florescendo com o início da estação chuvosa, sendo o início no final de setembro, até o final do mês de dezembro, para a região de Selvíria/MS. Para a região de Três Lagoas/MS, a floração dá-se no início de outubro, até o final de novembro. A frutificação inicia-se em novembro, com a maturação dos frutos ocorrendo de fevereiro a março. A dispersão das sementes é realizada por animais.
O botão floral pode surgir antes da rebrota das folhas, concomitante ou com as folhas já formadas. As flores são hermafroditas, apresentam protoginia e termogênese. O aquecimento interior da flor (termogênese) inicia-se geralmente ao anoitecer, podendo chegar até 10 ºC acima da temperatura do ar, porém uma chuva ou variação das condições do meio externo, pode provocar a queda de temperatura no inferior da flor.
As flores de A. crassiflora aquecem-se uma vez somente e caem na mesma noite. Por volta das 19 horas, o estigma encontra-se coberto de exudato transparente e devido a esse aquecimento, exala forte odor que atrai de besouros. Os primeiros insetos atraídos penetram nas flores por volta das 19 horas, perfuram as pétalas internas e depois saem ou iniciam a cópula. Por volta das 22 e 24 horas, os estames deiscentes caem no interior da câmara floral e posteriormente as pétalas separam-se do receptáculo floral, caindo no chão. Alguns besouros permanecem no interior do anel de pétalas durante o dia, no chão, saindo somente no início da noite, cobertos de pólen para visitar outras flores recém abertas.
O araticunzeiro apresenta problemas com a baixa taxa de frutificação necessitando serem melhor estudadas as suas causas, visando seu aproveitamento econômico.
Deve-se principalmente ao ambiente de ocorrência, a variabilidade sobre o número de indivíduos encontrados. Em Cuiabá, MT, as densidades variam de 6 indivíduos/ha numa área menos fértil a 48 indivíduos/ha em outra mais fértil.
Com relação ao comportamento da espécie, houve baixíssima sobrevivência em plantio puro (15%) e baixa quando consorciada (40%). A altura das plantas foram superiores no plantio puro, sendo observada floração de plantas de araticum a partir dos 4 anos no plantio puro e dos 5 anos na área consorciada.
3. COMPOSIÇÃO DO FRUTO
A composição da polpa do fruto (100g) apresenta 82,0 calorias; 1,1 g de proteína; 0,2 g de lipídios; 21,3 g de carboidratos; 34,0 mg de cálcio; 35 mg de fósforo; 0,6 eq. ret. de fero; 0,09mg de tiamina; 0,9 mg de niacina; 17mg de vit. C; 0,13 mg de riboflavina.
A composição da polpa do fruto é a seguinte: umidade de 76,3%; proteína 1,3%; extrato etéreo 0,3%; cinzas 0,6%; carboidratos 21,5%; fibras 1,6%; valor calórico (cal/100g) 87; pH = 4,57; acidez (sol.N.) 5,56%; 14º Brix (sólidos solúveis totais); açúcares redutores 7,72%; açúcares totais 56,4%; tanino 0,38%; caroteno 0,23%; 24,2 mg Mg/100g polpa e 0,7 mg Fé/100g polpa. Para minerais e vitaminas em 100g de polpa: 52 mg de Ca; 24 mg de P; 2,3 mg de Fé; 21 mg de vit. C; 50 mg de vit. A; 0,04 mg de vit. B e 0,07 mg de vit. B2.
Na polpa do araticum, cerca de 80% dos ácidos graxos são monoinsaturados, 16% saturados e 4% poliinsaturados, o linolênico.
4. PROPAGAÇÃO
O araticum é uma espécie predominantemente alógama, de modo que as plantas oriundas de sementes segregam e não reproduzem o fenótipo da planta mãe. Mesmo assim , o uso de sementes é necessária para a obtenção de mudas ou para a formação de porta-enxertos.
A semente germina com dificuldade, havendo longo período de dormência, sendo que em areia, o início da germinação ocorreu entre 237 a 292 dias. O embrião é muito pequeno, medindo 2 mm de comprimento e delicado. Parece ser esta a causa da dormência da semente, pois o embrião precisa primeiro construir seus órgãos para depois germinar, não havendo, na realidade, nenhum bloqueio à germinação. As sementes não conseguem germinar no cerrado, pois não toleram o meio seco, levando de 8 a 10 dias em solo úmido. A germinação em condições de campo teve início aos 75 dias e prosseguiu até os 392 dias, sendo bastante irregular, com cerca de 42% de germinação. Um período médio de 25 dias e índices médios de 60% de germinação foram obtidos. Esse comportamento parece estar ligado ao período de dispersão as espécie, que, ocorrendo no final da época chuvosa, as sementes se mantém dormentes até o final da seca e início da época chuvosa seguinte, para, a partir daí, ter condições de germinação no seu ambiente natural. Se por um lado,a dormência é vantajosa para a sobrevivência das espécies em condições naturais, uma vez que ela distribui a germinação ao longo do tempo ou permite que a germinação ocorra somente quando as condições forem favoráveis à sobrevivência das plântulas, ela é freqüentemente prejudicial à atividade de viveiro, onde se deseja a germinação de uma grande quantidade de sementes em um curto período de tempo.
Annona crassiflora possui semente com embrião imaturo, porém seu tegumento é permeável à água. A estratificação é recomendada para sementes com tegumento impermeável a gases e para as que tem embriões imaturos.
A solução para quebrar a dormência das sementes parece estar no uso de reguladores vegetais, pois utilizando ácido giberélico (GA3), nas doses de 500, 1000 e 2000 ppm, em associação com períodos de embebição (0, 3 e 6 dias), foi conseguido antecipação da germinação para 36 dias. Foi verificado efeito do período de embebidação e da concentração utilizada sobre a germinação, sendo significativos, havendo aumento da germinação com o aumento da concentração de GA3 e do período de embebidação. Nos tratamentos sem GA3, não houve germinação, mostrando que a dormência deve-se à falta de giberelina.
Devido à alta variabilidade genética dos araticunzeiros nativos, o plantio por sementes pode originar cultivos desuniformes, com plantas de características agronômicas bem diferentes. A enxertia promove uniformidade nas características das plantas, frutos, bem como no desenvolvimento e produtividade. A técnica de enxertia parece ser a mais indicada para a propagação e formação de mudas de araticum. Estudos realizados na EMBRAPA – CPAC em Planaltina, DF, demonstraram sucesso inicial para algumas fruteiras nativas do cerrado, inclusive o araticum, onde trabalhos com enxertia do tipo garfagem à inglesa simples, mostraram índices de pegamento superiores a 80%.
Os garfos devem ser provenientes de plantas sadias e sem ataque de broca, pois ao contrário, possuem sua parte interna oca. Devem ser selecionados de ponteiras com tecido jovem em crescimento e desfolhados. Uma semana após a retirada das folhas, garfos com 8 a 12 cm de comprimento e com diâmetro semelhante a um lápis, são retirados e devem ser levados o mais rápido possível para a operação de enxertia em porta-enxertos (cavalinhos), com diâmetro compatível ao garfo.
A enxertia é do tipo garfagem lateral ou inglês simples, fazendo-se um corte em bisel de cerca de 4 cm na ponta do porta-enxerto e na base do garfo. O ângulo de inclinação do corte deve ser o mesmo em ambos, para que a região de contato fique bem unida e assim promover o pegamento do enxerto. Após o encaixe do garfo com o porta-enxerto, amarra-se com fita plástica. A enxertia pode ser feita de outubro a abril.
5. FORMAÇÃO DO POMAR
Quando enxertadas, o plantio deve ser feito em campo somente após a brotação das mudas (no início da estação chuvosa), devendo apresentar as folhas maduras e procedendo uma irrigação para proporcionar melhor pegamento.
O araticunzeiro requer solos profundos, bem drenados, não é exigente em fertilidade de solo e tolera os solos ácidos da região do Cerrado.
O espaçamento recomendado é de 5 a 7 metros entre linhas e de 5 a 7 metros entre plantas, para mudas não enxertadas, reduzindo-se o espaçamento, se as mudas forem provenientes de enxerto.
A fertilidade de solos pobres não corrigidos anteriormente, pode ser incrementada pela adição na cova no momento do plantio de 100 g de calcário dolomítico (PRNT=100%), 250 g de superfosfato simples, 10 g de cloreto de potássio, 10 g de sulfato de zinco, 4 g de sulfato de cobre e de sulfato de manganês, 1 g de bórax e 0,1 g de molibidato de amônio. Após o plantio, recomenda-se três adubações de cobertura com 25 g de sulfato de amônio e 10 g de cloreto de potássio por cova, a cada 40 dias, até o final do período chuvoso.
Em solos de baixa fertilidade, recomenda-se adubações anuais, a partir do primeiro ano com a dose de 150 g da fórmula 10-10-10 e aumentando gradativamente para 300, 450, 600 e 750 g. A formulação deve ser acrescentada de sulfatos de zinco, cobre e manganês em doses equivalentes a 5, 2,5 e 2,5% da fórmula, respectivamente, parcelando as doses anuais em três aplicações de cobertura, durante o período chuvoso.
O adulto é uma mariposa de aproximadamente 25 mm de envergadura, possuindo coloração branco-acizentada, com reflexos prateados.
A mariposa efetua a postura sobre as flores e frutos, cuja larva ataca frutos verdes e maduros, raspando-lhes a epiderme e penetrando na polpa, da qual se alimenta, destruindo até as sementes, promovendo galerias que posteriormente serão invadidas por patógenos. O sintoma característico é o enegrecimento dos frutos, tornando-os imprestáveis para o consumo. Os frutos quando completamente enegrecidos, caem ao chão, quando as larvas já se encontram no estágio de pupa. É a principal praga do araticum, sendo considerada uma das pragas mais importantes da gravioleira.
O adulto é uma vespa com cerca de 0,6 mm de comprimento. Suas asas são de cor branco-transparente, com uma lista preta transversal.
A vespa deposita seus ovos sob a epiderme dos frutos; as larvas alimentam-se e fazem galerias na polpa, alojando-se no interior das sementes, completando seu desenvolvimento; os adultos emergem do fruto através de uma perfuração na casca. As larvas desenvolvem-se no interior das sementes, dentro dos frutos, destruindo-as completamente. Os adultos ao emergirem constróem orifícios na extremidade da semente, perfurando a polpa em direção à casca quando o fruto ainda está verde. O sintoma característico do ataque desta broca é a presença de pequenos orifícios localizados na base dos acúleos e distribuídos por todo o fruto. Ocorre também em graviola.
O adulto é um besouro de formato convexo, medindo cerca de 22 mm de comprimento por 11 mm de largura. Possui coloração entre preta e cinza-escura, com faixas amarelas transversais no tórax e nos élitros.
A larva recém eclodida, penetra no ramo, migrando em direção ao tronco, formando grandes galerias no cerne da planta e causando secamento dos ramos, ocasionando redução na produção. Ocorre também em graviola, apresentando os mesmos sintomas e danos.
Gonodonta nutrix., Lepidoptera: Noctuidae
O adulto é uma mariposa de cor cinza-escura, medindo de 2,5 a 3 cm de envergadura, possuindo manchas amareladas ou alaranjadas na base das asas posteriores. As lagartas são de cor cinza-escura tendendo ao preto, possuindo ao longo do dorso e dos lados pontuações contínuas que variam de vermelho pouco intenso para amarelo. O tamanho varia de 3 a 3,5 cm de comprimento. As lagartas alimentam-se das folhas.
Saissetia nigra (Nietner, 1861), Homoptera: Coccidae.
São cochonilhas que sugam a seiva e promovem o secamento das folhas.
Não identificada, a lagarta tem hábito de unir os bordos das folhas ou sobrepor duas folhas, ficando inseridas entre estas, onde tece uma teia fina e esbranquiçada. Alimenta-se raspando o tecido necrosado das folhas que secam progressivamente.
7. DOENÇAS
Podridão de Raízes
Foi detectada a presença do fungo Cylindrocladium spp., principalmente C. clavatum, nas raízes e coletos em mudas de algumas espécies nativas do cerrado, inclusive A. crassiflora e espécies exóticas, causando alto índice de mortalidade. Os sintomas são caracterizados inicialmente pelo aparecimento de pequenas lesões escuras no coleto, que progridem em direção às raízes, causando podridão das mesmas. Como conseqüência, a planta tem seu crescimento paralisado, torna-se amarelecida, murcha e seca.
Antracnose
A antracnose (Colletotrichum gleosporioides) ataca as folhas em mudas no viveiro.
Cercosporiose
Foi verificada em Annona crassiflora a presença do fungo Cercospora annonifolii.
8. SOLOS E NUTRIÇÃO
O araticum possui ampla dispersão nos solos de Goiás. A copa possui forma colunar possivelmente por influência da competição por luz. Em levantamento feito em Goiás, foi verificado que o araticum ocorre em maior densidade nos Latossolos Vermelho Amarelo. A espécie tende a ocorrer em solos que apresentam valor médio de potássio, cálcio, magnésio e zinco. A densidade do araticum é reduzida com o aumento do cálcio foliar.
Em Paraopeba (MG) a A. crassiflora ocorre mais nos Latossolos Vermelho Escuro e Vermelho Amarelo argiloso, quando comparado com o Latossolo Amarelo argiloso.
Foram encontrados os seguintes valores para a fertilidade do solo, onde ocorre naturalmente o araticunzeiro, vegetando nos cerrados de Goiás: P (mg.dm-3) = 0,4; K (cmolc.dm-3) = 0,066; Ca (cmolc.dm-3) = 0,2; Mg (cmolc.dm-3) = 0,3; Al (cmolc.dm-3) = 0,4; M.O. (g.dm-3) = 38; pH (água) = 4,8; micros em (mg.dm-3), sendo, B = 0,25; Cu = 1,7; Fé = 53,4; Mn = 11,8; Zn = 0,7.
Os teores foliares obtidos em araticum, estão na maioria dos casos próximos aos níveis considerados como adequados para muitas espécies fruteiras cultivadas. Atenção e ressalva à capacidade destas espécies fruteiras em explorar uma área muito grande de solo de Cerrado, tanto no sentido horizontal e principalmente no sentido vertical, em profundidade. Esse comprometimento ressalta a habilidade destas plantas em se estabelecerem em solos com baixíssimas concentrações de nutrientes e de forma marcante, apresentar teores de nutrientes foliares próximos aos considerados normais.
Outro fato a ser considerado é que muitas das espécies frutíferas nativas do cerrado, inclusive o araticum, trocam de folhas, florescem e frutificam em plena estação seca ou no início da estação chuvosa, mas com o solo ainda com elevado déficit hídrico.As áreas onde ocorreram o araticum tenderam em todas as profundidades de solo analisadas, a apresentar teores de Ca, Mg, K e Zn menores que nas áreas onde não ocorrem esta espécie. Ou seja, as áreas de ocorrência de A. crassiflora são notavelmente mais pobres nestes nutrientes que nas áreas onde esta espécie não ocorre. O araticum prefere situar em solos que dispõem de quantidades em termos químicos com relação aos nutrientes citados e também em solos com um nível menor de alumínio.
9. COLHEITA
Os frutos podem ser coletados no chão, porém são altamente perecíveis nesta fase. O forte aroma característico que o fruto exala, indica a certa distância, a presença de araticum maduro no local. O fruto também pode ser coletado “de vez” na árvore, mas é necessário que haja pequenos sinais de abertura na casca. Com relação à qualidade da polpa, distinguem-se dois tipos de frutos: o araticum de polpa rósea, mais doce e macio e o araticum de polpa amarela, não muito macio e um pouco ácido. Os frutos de coloração de polpa amarela são predominantes, enquanto aqueles de coloração rosada, intermediária. Também é citada a ocorrência de frutos com coloração de polpa branca, havendo porém, pequena produção destes. Dessa citação, pode-se concluir, que há diferentes progênies existentes no ambiente de ocorrência do araticum e que por isso deve ser realizada uma seleção de plantas com características agronômicas superiores, sendo propagadas de forma assexuada para manter as características.
A produção inicia-se a partir do quarto ano após o plantio, podendo ser antecipada para o segundo ou terceiro ano se as mudas forem enxertadas. A produção é irregular e em média uma planta em condições naturais produz de 5 a 30 frutos com peso entre 500 a 4500 g. Um fruto apresenta em média de 60 a 130 sementes, apresentando um peso de 300 g/100 sementes.
10. VALOR ALIMENTAR E USOS
Há descrição desde o processamento da polpa do araticum, até os detalhes de uso, como receitas de batida, bolachas, bolos, bombom, doces, compota, cremes, gelatina, geléias, iogurte, pudim, sorvetes, sucos e outros.
Na medicina popular, a infusão das folhas e das sementes pulverizadas servem para combater a diarréia e a induzir a menstruação. Além desses usos, tem-se isolado vários compostos de A. crassiflora com diferentes fins de utilização.
O extrato hexânico de sementes de A. crassiflora mostrou efeito contra Ceratilis capitata. Os vegetais da família Annonaceae predominaram entre aqueles que apresenta alguma atividade. Plantas da família Annonaceae, possuem componentes como alcalóides e acetogeninas com atividade contra afídeos e piolhos. A presença da substância acetogenina, encontrada em A. crassiflora e em outras Annonaceas, possuindo propriedade herbicida.
São conhecidas também atividades antifúngicas e antitumorosa do araticum.
11. MERCADO
Não se dispõe de dados oficiais sobre quantidade e preço médio alcançado pelos frutos, porém um produtor de Itararé, SP, informou que possui plantio comercial com 2000 plantas, conseguiu na safra de 2000, preços de R$ 5,00/ kg. A produção é toda comercializada na propriedade. O produtor cita o problema da irregularidade na produção e a ocorrência na mesma planta de frutos com variação na coloração de polpa, sendo amarelo aquele mais precoce e com odor mais pronunciado. Frutos de coloração branca de polpa, tendem a ser mais tardios e não apresentar um odor tão pronunciado.
Em Padre Bernardo, GO, é explorada comercialmente uma área de 300 ha de cerrado nativo e áreas de pastagens, formadas há 40 anos, foi deixado o araticum entre outras espécies do cerrado. Vem ocorrendo regeneração natural de araticum, ao longo desse período. A produção de frutos tem sido maior nas áreas de pasto do que nos cerrados. É comum para os indivíduos com uma alta produção de frutos num ano, apresentarem, no ano seguinte, uma redução drástica na quantidade de frutos produzidos (alternância de produção). O destino da comercialização tem sido Brasília (DF) e Anápolis (GO). Os compradores do araticum vão até a área e ajudam na coleta dos frutos. A caixa (com 20 a 24 frutas) é vendida por R$8,00 a R$10,00 (diretamente do produtor), sendo comercializada em Brasília para os grandes mercados de Brasília e cidades satélites: (CEASA), Ceilândia e Taquatinga.
A comercialização dos frutos é feita em mercados regionais, de onde sua produção, quase que exclusivamente, é provinda de áreas de cerrado nativo, sendo uma forma extrativista de utilização. Diante dessa situação, torna-se necessário incentivar o plantio comercial do araticum, pois o extrativismo ocorrendo de forma intensa e descontrolada, poderia afetar a perpetuação da espécie.