LOCALIZAÇÃO E ESCOLHA DO TERRENO
2.1 - Condições climáticas
Antes da instalação de um pomar de abacateiros, além dos normais cuidados relativos às condições edafo-climáticas do local, deve-se ter um cuidado especial com a possibilidade de ocorrência de geadas pois, no caso deste acidente ser registado com alguma frequência, o cultivo desta fruteira pode ser tecnicamente inviável.
O abacateiro apresenta sensibilidade ao frio, sendo, esta característica influenciada, de certo modo, pela raça, variedade, vigor e idade da planta. Esta é uma das razões pela qual esta cultura não é viável em zonas onde o risco de geadas seja elevado.
A geada pode provocar danos elevados na planta, especialmente durante a atividade vegetativa.
A ocorrência de temperaturas muito baixas durante a fase de floração pode provocar uma reduzida taxa de vingamento do fruto, com incidência direta no resultado econômico da cultura.
Quando os abacateiros estão plantados em solos profundos, férteis e com satisfação das necessidades de água, apresentam, por norma, maior resistência ao frio.
As temperaturas elevadas também provocam estragos, em especial durante a floração e vingamento, podendo provocar uma queda excessiva de flores e de pequenos frutos. A maior parte das variedades atualmente cultivadas produzem bastante bem na seguinte situação térmica: 22-26ºC de dia, 15-17ºC de noite e 20-21ºC de média.
A humidade relativa geralmente não é limitativa, mas situações de tempo quente e seco, com humidade reduzida durante a floração e formação do fruto têm efeitos negativos na produção.
O abacateiro apresenta um crescimento rápido e vigoroso, sendo sensível aos ventos. Os ventos fortes provocam a fratura de ramos e a queda de frutos, em especial os de maior calibre. Os ventos quentes originam queda de frutos e os ventos frios queimam as folhas.
Devido aos efeitos negativos do vento, bem como da proximidade do mar (sensibilidade à salinidade), aconselha-se evitar a plantação em zonas ventosas e próximas do mar, e procurar zonas mais abrigadas. Se por algum motivo a plantação tenha que ser realizada num local ventoso, é aconselhado a instalação de quebra-ventos.
2.2 - Solo
Com origem nos trópicos o abacateiro tem uma preferência por terras ricas em matéria orgânica, permeáveis, pouco ácidas e profundas. O abacateiro tem um bom desenvolvimento em diversos tipos de solo, não se aconselhando a sua plantação em solos sujeitos a encharcamento, pois além de condicionaram um bom desenvolvimento radicular, favorecem o desenvolvimento do fungo Phytophthora cinnamoni (Rands).
Para que ocorra uma drenagem normal e para que as raízes possam crescer livremente, o perfil do solo não deverá apresentar zonas impermeáveis até uma profundidade de, pelo menos, um metro.
O desenvolvimento horizontal e vertical das raízes do abacateiro é influenciado pela profundidade do solo, bem como por outras características físicas do mesmo, tais como a textura, o grau de compactação e de arejamento.
Enquanto jovem, o abacateiro apresenta um sistema radicular pivotante (desenvolvimento dominante da raiz primária), enquanto que as árvores adultas apresentam uma ampla distribuição de raízes em todas as direções, sendo alcançada uma profundidade de 1 a 1,5 m.
O abacateiro prefere solos com um pH variável entre 6,0 a 7,5, faixa em que a maior parte dos nutrientes se encontra facilmente disponível para as plantas, não existindo, simultaneamente, eventuais problemas de toxicidade resultantes, por exemplo, do excesso de alumínio e/ou manganês.
O abacateiro é muito sensível aos sais, sobretudo se enxertados em porta-enxertos comuns, pelo que a condutividade eléctrica do solo, determinada no extracto de saturação deve ser inferior a 3 mS/cm.
A avaliação da aptidão de um terreno destinado à instalação de um pomar de abacateiros deve ser baseada na sua caracterização pedológica, através da observação do perfil do solo e na avaliação do seu estado de fertilidade, feita através da interpretação dos resultados da análise da terra.
A metodologia de colheita das amostras pressupõe, por sua vez, o conhecimento dos antecedentes culturais da parcela. Assim, é obrigatório efetuar a análise da terra a partir de amostras colhidas segundo os procedimentos descritos no ponto 8.3.1.1.. As determinações analíticas a efetuar serão as que ali são referidas.
A amostra de terra para análise deverá ser acompanhada de uma ficha informativa, semelhante à que se apresenta no Anexo II, onde constará toda a informação respeitante à parcela em que se pretende instalar o pomar.
A ocorrência de doenças que afetam as raízes, como é o caso das provocadas pela Rosellinia necatrix, Armillaria mellea, P. cinnamomi, ou outras, frequentes em solos encharcadiços, deverá ser devidamente assinalada. Esta informação é um dado importante na avaliação das características da parcela, ou de parte dela, e poderá determinar a não plantação, ou a realização de medidas profiláticas adequadas, antes da instalação do futuro pomar.
No caso de replantação é obrigatório a realização de análises de terra e ao material vegetal da cultura anterior, para pesquisar a presença dos agentes patogênicos acima referidos. Após a obtenção dos resultados das referidas análises decidir-se-á o tempo de pousio que, no caso da detecção de algum agente patogênico nunca será inferior a um ano.
Os resultados da observação do perfil do solo e da análise de terra serão igualmente determinantes para a decisão a tomar sobre a plantação do pomar, a escolha do porta-enxerto a utilizar, bem como a fertilização de instalação a praticar.
Em caso de aptidão do terreno, no relatório formular-se-ão todas as recomendações no sentido de ultrapassar eventuais limitações detectadas, nomeadamente no que respeita à sistematização do terreno, tendo sempre em conta as orientações relativas à sua conservação descritas no “Manual Básico de Práticas Agrícolas. Conservação do Solo e da Água” (MADRP, 2000).
A plantação efetuar-se-á depois do terreno limpo de todos os resíduos vegetais das culturas anteriormente instaladas e de se ter procedido à mobilização adequada à topografia, perfil e textura do solo, de acordo com o recomendado na publicação acima referida.
Em produção integrada não é permitida a desinfecção química do solo, salvo nos casos e condições expressamente autorizadas.
















