sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Frutas do Norte: Abricó (PANC)


Visão geral criada por IA

abricó é uma fruta tropical, com destaque para o Abricó-do-Pará (Mammea americana), nativo da Amazônia, com casca marrom, polpa amarela/laranja, doce e aromática, rica em vitamina A e C. Também refere-se ao abricó-da-praia (Mimusops coriacea), de sabor doce e textura cremosa, e ao abricó-de-macaco, famoso pelo uso paisagístico e odor forte

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Características: é cultivado nos igapós e margens inundáveis de rios na região Amazônica, principalmente no estado do Pará. Árvore de porte médio, podendo atingir 20 m de altura, o abricó se propaga com facilidade por meio de sementes, que germinam entre 12 e 18 dias. A planta pode iniciar a floração a partir de seis/oito anos.

Uso culinário: o fruto é consumido in natura, em forma de salada, licores, compotas, geleias e sucos, ou processado.

Você sabia que: a árvore é empregada na arborização urbana e na medicina popular, no tratamento de afecções parasitárias, mordedura de insetos e dermatoses diversas. As partes utilizadas são o leite da casca da planta; as sementes, das quais se obtém um pó; e as folhas, que são usadas para fazer chá.

Tabela 1 – Análise nutricional em 100 g de abricó

Energia (Kcal) 64

Proteínas (g) 1

Lipídeos (g) 0,3

Carboidratos (g) 13,5

Fibra (g) 3,5

Introdução

o abricoteiro (Mammea americana L. ) é uma espécie nativa das Antilhas e Norte da América do Sul. Foi introduzido, na Amazônia Brasileira, há bastante tempo, sendo inicialmente cultivado em pomares domésticos. Os primeiros pomares comerciais foram estabelecidos em meados da década de 80. O fruto é muito popular no Estado do Pará, sendo conhecido em outras regiões do Brasil como abricódo- pará.

Clima e solo

Embora seja espécie tipicamente tropical, pode também ser cultivada em áreas com climasubtropical. Na Amazônia Brasileira, em particular nas áreas submetidas ao tipo climático Afi, encontra condições ideais para seu crescimento, com temperaturas médias mensais variando entre24 oC e 28 oC, umidade relativa do ar superior a 75% e com total anual médio de brilho solar 2.338,3 horas e 2.600 mm de precipitação de chuvas. Em áreas com tipos climáticos Ami e Awl, não existem restrições térmicas para seu cultivo, porém a ocorrência de estação seca de 3 e 6 meses, respectivamente, implica utilização de irrigação suplementar.

Variedades

Não existem variedades nem clones de abricoteiro definidos, devidamente avaliados e caracterizados. No entanto, é conveniente que, por ocasião da enxertia, os garfos sejam retirados de matrizes que apresentem frutos com as seguintes características: peso entre 600 g e 800 g, rendimento porcentual de polpa superior a 70%, sementes pouco rugosas e sem saliências aderidas à polpa e teor de sólidos solúveis totais acima de 10 °Brix.

Propagação

o abricoteiro pode ser propagado por sementes ou por enxertia. A propagação por sementes não é indicada pois a espécie é androdióica, ou seja, apresenta plantas masculinas e plantas hermafroditas. Assim sendo, quando propagado por sementes, pelo menos 50% das plantas obtidas são masculinas. A propagação por enxertia é o método indicado, pois, além de reproduzir integralmente as características da planta-mãe, garante a presença de 100% de plantas hermafroditas no pomar. Outra vantagem da enxertia é que as plantas entram em fase de produção 4 anos após o plantio no local definitivo, enquanto, em plantas propagadas por sementes, o início de produção só se verifica entre 6 e 8 anos após o plantio.

O porta-enxerto utilizado é o próprio abricoteiro, obtido por sementes. Para a obtenção dos porta-enxertos, as sementes devem ser extraídas de frutos em completo estádio de maturação e semeadas imediatamente após a extração, pois apresentam curto período de vida. A semeadura deve ser efetuada diretamente em sacos de plástico com dimensões de 18 cm de largura, 35 cm de altura e espessura de 0,02 mm, contendo como substrato a mistura solo, esterco curtido e pó de serragem, na proporção volumétrica de 3: 1: 1.

A germinação das sementes é bastante desuniforme, iniciando-se 40 dias após a semeadura, atingindo 80% de germinação aos 140 dias. Após a germinação, são requeridos cerca de 5 meses para que os porta-enxertos estejam aptos a receberem o enxerto. A enxertia é efetuada pelo método de garfagem r'lo topo em fenda cheia, obtendo-se porcentagem de enxertos pegos superior a 90%, desde que sejam utilizados garfos com diâmetro semelhante ao do porta-enxerto e que as folhas presentes no garfo estejam completamente maduras (estádio D). Devem ser retiradas todas as folhas do garfo, com exceção das duas situadas na extremidade apical, que são cortadas transversalmente, de tal forma que permaneçam com comprimento do limbo de apenas 5 cm. Também deve ser utilizada câmara úmida envolvendo o garfo, feita com saco de plástico transparente umedecido internamente com água, que deverá ser retirada por ocasião da brotação do enxerto, que ocorre entre 20 e 30 dias após a enxertia. As mudas estão aptas para o plantio 2 a 3 meses após a enxertia .

Preparo da Área e Plantio

Preferencialmente, devem ser utilizadas áreas que foram ocupadas com culturas anuais ou

semi-perenes em final de ciclo, como pimenteira-do-reino, maracujazeiro e mamoeiro, entre outras. Essas áreas, normalmente, já estão destocadas, o que diminui substancialmente o custo de implantação do pomar. A utilização de áreas com vegetação primária não é indicada pelo maior custo com a derrubada das árvores e pelos danos ambientais.

O plantio em áreas não-irrigadas deve ser efetuado no início da estação chuvosa. Em sistema irrigado, o plantio pode ser efetuado em qualquer época do ano. O espaçamento adotado deverá ser de tal forma que a distância entre duas plantas vizinhas seja, no mínimo, de 8 m, podendo-se optar pelas disposições quadrangular ou triangular, com lados do quadrado ou do triângulo de 8 m. A primeira disposição permite o estabelecimento de 156 plantas por hectare e a segunda, de 179 plantas por hectare.

O plantio é efetuado em covas com dimensões mínimas de 40 cm x 40 cm x 40 cm, adubadas com cinco litros de esterco curtido e 200 g de superfosfato triplo.

Tratos culturais

Tutoramento

A quase totalidade das plantas apresenta crescimento ereto. No entanto, eventualmente,surgem plantas com tronco ligeiramente inclinado, sendo necessário tutorá-las.

Coroamento

o controle do mato em volta das plantas deverá ser efetuado em periodicidade de 2 a 3 meses.

Essa prática pode ser realizada com capina manual ou química.

Roçagem

o mato das entrelinhas deve ser roçado na mesma ocasião em que se efetua a operação de Coroamento. A roçagem pode ser realizada com roçadeiras mecânicas ou manualmente, com o auxílio de foices ou terçados.

Cobertura morta

o uso de cobertura, na época de estiagem, que coincide com o período de frutificação, é importante para reduzir a incidência de frutos rachados, causado pelo estresse hídrico seguido de chuvas fortes e rápidas, características desse período. O mato, oriundo das roçagens efetuadas nas entrelinhas, pode ser usado como cobertura morta, assim como outros materiais como cachos vazios de dendê, resíduos da agroindústria de frutas e casca de arroz. A irrigação suplementar elimina a ocorrência de frutos rachados.

Adubação química

No primeiro ano, aplicar, a cada 2 meses, 50 g da formulação NPK 10-28-20. No segundo e terceiro ano, essa quantidade de adubo deve se duplicada e triplicada, respectivamente, mantendo a mesma periodicidade de aplicação. Do quarto ano em diante, cada planta deve receber 1.200 g da mesma formulação, aplicadas em três parcelas de 400 g. A primeira parcela deve ser ministrada no início do período de chuvas e as outras duas, no meio e no final desse período.

Adubação orgânica

Efetuada, anualmente, no início do período de chuvas. Cada planta deve receber, pelo menos, 20 litros de esterco, distribuídos em quatro covas equidistantes, abertas na projeção da copa.

Principais Pragas e Doenças

Bezouro creme (Costalimaita ferruginea): esse coleóptero provoca danos às folhas, reduzindo grandemente a área foliar e, consequentemente, o crescimento de plantas jovens e a produção de plantas adultas. O controle desse inseto é efetuado com inseticidas fosforados, carbamatos ou piretróides.

Mancha parda das folhas: doença causada pelo fungo Cylindroc/adium pteridis. Os sintomas da doença manifestam-se por manchas de coloração amarronzada nas folhas, que secam e caem prematuramente com a coalisão das manchas. O controle é efetuado com Benomyl, na concentração de 0,1%.

Mancha foliar: o agente dessa doença é o fungo Curvularia eragrostides cujos sintomas são semelhantes ao da mancha parda das folhas, Pulverizações com os fungicidas Benomyl, Captan ou, na concentração de O, 1 %, controlam eficientemente essa doença,


Podridão das raízes: doença de causa desconhecida, provoca a morte súbita das plantas,

(Observação: Os defensivos indicados para o controle das pragas e doenças ainda não estão registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para uso nessa cultura),

Floração e Frutificação

Na Amazônia Brasileira, a floração ocorre mais intensamente no primeiro semestre do ano e a frutificação, no segundo, A produção de frutos concentra-se mais intensamente nos meses de agosto e setembro,

Colheita e Pós-colheita

Como o abricó é um fruto climatérico, a colheita pode ser efetuada quando os mesmos estão no estádio “de vez”, Esse ponto pode ser identificado quando, atritando-se levemente a superfície da casca, esta apresenta-se com coloração amarelada ou quando comprimindo-se a casca com os dedos esta cede um pouco, em função da polpa já apresei1tar-se com consistência mais mole, Frutos colhidos nessa situação têm vida pós-colheita de 10 a 12 dias, Quando colhidos completamente maduros, a vida pós-colheita é reduzida em 50%,

Em plantas com mais de 8 anos de idade a produtividade se situa entre 100 e 150 frutos por

planta, que corresponde a 80 kg a 120 kg de frutos por planta.





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sábado, 14 de fevereiro de 2026

Caracteristicas da Lichia

A lichia (Litchi chinensis Sonn.), família Sapindaceae, é o fruto de uma árvore subtropical com porte elevado, podendo chegar a até 30 metros de altura, e de grande longevidade, originária da China onde é considerada a fruta nacional .

Os principais países produtores são: China, Índia, Tailândia, Vietnã, Bangladesh, Madagascar, África do Sul, Nepal, Austrália, Indonésia, Ilhas Maurício, Israel, Espanha, Estados Unidos da América, México e Brasil , 2001, com produção que oscila de 1,2 milhão a 2,5 milhões de toneladas, dependendo das condições climáticas, ocupando área superior a 1 milhão de hectares; sendo a China responsável por cerca de 60 % da produção e da área plantada.

A introdução da lichia no Brasil ocorreu por volta de 1810 no Jardim Botânico do Rio de Janeiro (CARVALHO; SALOMÃO, 2000), mas os plantios comerciais tiveram início somente na década de 1970 no Estado de São Paulo onde, em 1997, foram registrados 347 ha (YAMANISHI et al., 2001). Com o boom no plantio de lichia na década de 1990 em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Goiás e Distrito Federal, estima-se que a área plantada no Brasil seja superior a 1,5 mil hectares, dos quais, cerca de 25 % estejam em produção plena, 35 % em produção inicial e 40 % em crescimento (GARCIA-PÉREZ, 2006). O volume de 1.856 t de lichia comercializado pela Ceagesp no biênio 2004 2005 foi o maior de todos os tempos, sendo 7,7 vezes superior ao do biênio 2000–2001.

Considerando que a Ceagesp comercializa em torno de 70 % da produção nacional, estima-se que a produção brasileira seja de aproximadamente 2,5 mil toneladas em ano “bom” e em torno de 700 toneladas em ano “ruim” de produção. A previsão é dobrar a produção em 5 anos e ultrapassar 10 mil toneladas por ano em 2020; mas esse aumento ainda é insignificante diante do potencial de consumo do mercado brasileiro.

O ciclo anual de produção inicia-se com a floração entre os meses de junho e julho, seguido pelo desenvolvimento da fruta entre os meses de agosto e setembro e finalizando com o amadurecimento e a colheita entre novembro e dezembro. Pode ocorrer variação de 1 a 2 meses nesse ciclo, de acordo com as condições climáticas da região.

A produção de frutos começa a partir dos 3 anos de idade (quando tecnicamente conduzida) e, por ser uma planta de grande longevidade, pode ultrapassar os 100 anos produzindo; em várias regiões da China existem lichieiras com mais de 1.000 anos. Os frutos são produzidos em cachos, a casca é de cor vermelha e fácil de ser destacada. A polpa é gelatinosa, translúcida, não aderente à semente, suculenta e de excelente sabor. Presta-se para o consumo ao natural, e para a fabricação de sucos, compotas e passa.

A literatura chinesa indica a existência de mais de 200 cultivares de lichia, porém se denota enorme dificuldade em sua correta identificação, em virtude dos inúmeros nomes atribuídos à mesma cultivar em diferentes regiões produtoras.

No Brasil, as cultivares comerciais por ordem de importância são: Bengal (Fig. 8), Americana (Fig. 9) e Brewster. Recentemente, foram identificadas as cultivares Haak Yip, Yu Her Pau e Nuomici em pequenas áreas no Estado de São Paulo, as quais foram introduzidas nas décadas de 1980 e 1990 por imigrantes chineses de Taiwan. No entanto, essas cultivares permanecem indisponíveis para os demais produtores.

A lichia ‘Bengal’, originária da cultivar Purbi da Índia, foi introduzida no Brasil em 1960. Sua produção ocupa a árvore toda, formando cachos



A lichia ‘Americana’, originária da cultivar Nuomici, foi selecionada no Brasil, na década de 1960. Sua produção apresenta-se uniforme por toda a árvore, porém sem formação de cachos.


O grande gargalo da cultura da lichia no Brasil tem sido a falta de variabilidade genética, pois 99 % da produção está concentrada na cultivarBengal, que é propensa à alternância de produção. Como conseqüência, verifica-se drástica oscilação na oferta da fruta (500 t/ano a 2.500 t/ano), assim como no preço ao consumidor (R$ 5,00 a R$ 20,001 por quilo de fruta) de um ano para o outro. Ademais, tem causado grande oferta da fruta num curto período (dezembro), resultando em baixos preços para o produtor.

Principais cultivares de lichia comercializadas no Brasil:

Bengal originária de plântulas da cultivar Purbi, da Índia, selecionadas na Flórida, Estados Unidos da América, na década de 1940 e introduzidas no Brasil na década de 1960 pelo viveiro Dierberger, de Limeira, São Paulo.Sua produção ocupa a árvore toda (Fig. 8), formando cachos que às vezes superam 5 kg. Os frutos são grandes (23 g a 27 g) e na fase adulta pode produzir até 300 kg/planta. Apesar de apresentar produção alternante e baixa porcentagem de polpa (GALAN SAUCO; MENINI, 1987; VIEIRA et al,1996; MENZEL, 2002), a sua alta produtividade e o fruto grande de cor vermelho intenso fez de Bengal a cultivar mais plantada, com mais de 95 % da área cultivada no Brasil e cultivar predominante na Índia, onde é conhecida como Rose Scented.

Americana originária de plântulas da cultivar Nuomici trazidas da Flórida, Estados Unidos da América, e selecionadas no Brasil na década de 1960 pelo viveiro Dierberger, de Limeira, São Paulo. Sua produção apresenta-se uniforme por toda a árvore, porém sem formação de cachos (Fig. 9), o que dificulta a colheita e diminui a produção. Além disso, apresenta produção alternante conforme as condições climáticas (MARTINS et al., 2001). Esses motivos limitaram o seu plantio no Brasil.

Brewster introduzida da Flórida em 1903 pelo reverendo Brewster da Província de Fujian onde é conhecida como Chenzi. Por apresentar produção fortemente alternante (GALAN SAUCO; MENINI, 1987; VIEIRA et al., 1996; MENZEL, 2002), não houve expansão do seu cultivo no Brasil.

A ausência ausência de pesquisa, excetuando aquelas feitas por algumas universidades, como a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), Campus de Jaboticabal; Universidade de Brasília (UnB) e Universidade Federal de Viçosa, e a inexistência de produtos registrados para a cultura e a falta de tratamento – livre de enxofre – para estender a vida de prateleira das frutas são entraves para a exportação da fruta fresca.

A grande inovação tecnológica da cultura da lichia no Brasil teve início a partir de 2004 com a introdução das cultivares Kwai May Pink, Kwai May Red, Feizixiao, Tai So, Souey Tung, Salathiel, Emperor, Haak Yip, Kaimana, Casino e Leighton, oriundas da Austrália, e que estão sendo avaliadas em 20 municípios de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e Bahia. Objetiva-se com a inserção das novas cultivares – precoces, meia estação e tardias –, combinadas com as condições climáticas diversas, ampliar o período de oferta da fruta no País de setembro a março, possibilitando explorar janelas no mercado internacional e local, onde há pouca ou nenhuma oferta da fruta fresca. Além disso, os plantios comerciais da cultivar Bengal, localizados em áreas marginais, onde a frutificação é irregular por causa da ausência de frio, podem ser viabilizados com a substituição de copas com as cultivares de menor exigência em frio.




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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

LOCALIZAÇÃO E ESCOLHA DO TERRENO PARA O ABACATEIRO

 

LOCALIZAÇÃO E ESCOLHA DO TERRENO

2.1 - Condições climáticas

Antes da instalação de um pomar de abacateiros, além dos normais cuidados relativos às condições edafo-climáticas do local, deve-se ter um cuidado especial com a possibilidade de ocorrência de geadas pois, no caso deste acidente ser registado com alguma frequência, o cultivo desta fruteira pode ser tecnicamente inviável.

O abacateiro apresenta sensibilidade ao frio, sendo, esta característica influenciada, de certo modo, pela raça, variedade, vigor e idade da planta. Esta é uma das razões pela qual esta cultura não é viável em zonas onde o risco de geadas seja elevado.

A geada pode provocar danos elevados na planta, especialmente durante a atividade vegetativa.

A ocorrência de temperaturas muito baixas durante a fase de floração pode provocar uma reduzida taxa de vingamento do fruto, com incidência direta no resultado econômico da cultura.

Quando os abacateiros estão plantados em solos profundos, férteis e com satisfação das necessidades de água, apresentam, por norma, maior resistência ao frio.

As temperaturas elevadas também provocam estragos, em especial durante a floração e vingamento, podendo provocar uma queda excessiva de flores e de pequenos frutos. A maior parte das variedades atualmente cultivadas produzem bastante bem na seguinte situação térmica: 22-26ºC de dia, 15-17ºC de noite e 20-21ºC de média.

A humidade relativa geralmente não é limitativa, mas situações de tempo quente e seco, com humidade reduzida durante a floração e formação do fruto têm efeitos negativos na produção.

O abacateiro apresenta um crescimento rápido e vigoroso, sendo sensível aos ventos. Os ventos fortes provocam a fratura de ramos e a queda de frutos, em especial os de maior calibre. Os ventos quentes originam queda de frutos e os ventos frios queimam as folhas.

Devido aos efeitos negativos do vento, bem como da proximidade do mar (sensibilidade à salinidade), aconselha-se evitar a plantação em zonas ventosas e próximas do mar, e procurar zonas mais abrigadas. Se por algum motivo a plantação tenha que ser realizada num local ventoso, é aconselhado a instalação de quebra-ventos.

2.2 - Solo

Com origem nos trópicos o abacateiro tem uma preferência por terras ricas em matéria orgânica, permeáveis, pouco ácidas e profundas. O abacateiro tem um bom desenvolvimento em diversos tipos de solo, não se aconselhando a sua plantação em solos sujeitos a encharcamento, pois além de condicionaram um bom desenvolvimento radicular, favorecem o desenvolvimento do fungo Phytophthora cinnamoni (Rands).

Para que ocorra uma drenagem normal e para que as raízes possam crescer livremente, o perfil do solo não deverá apresentar zonas impermeáveis até uma profundidade de, pelo menos, um metro.

O desenvolvimento horizontal e vertical das raízes do abacateiro é influenciado pela profundidade do solo, bem como por outras características físicas do mesmo, tais como a textura, o grau de compactação e de arejamento.

Enquanto jovem, o abacateiro apresenta um sistema radicular pivotante (desenvolvimento dominante da raiz primária), enquanto que as árvores adultas apresentam uma ampla distribuição de raízes em todas as direções, sendo alcançada uma profundidade de 1 a 1,5 m.

O abacateiro prefere solos com um pH variável entre 6,0 a 7,5, faixa em que a maior parte dos nutrientes se encontra facilmente disponível para as plantas, não existindo, simultaneamente, eventuais problemas de toxicidade resultantes, por exemplo, do excesso de alumínio e/ou manganês.

O abacateiro é muito sensível aos sais, sobretudo se enxertados em porta-enxertos comuns, pelo que a condutividade eléctrica do solo, determinada no extracto de saturação deve ser inferior a 3 mS/cm.

A avaliação da aptidão de um terreno destinado à instalação de um pomar de abacateiros deve ser baseada na sua caracterização pedológica, através da observação do perfil do solo e na avaliação do seu estado de fertilidade, feita através da interpretação dos resultados da análise da terra.

A metodologia de colheita das amostras pressupõe, por sua vez, o conhecimento dos antecedentes culturais da parcela. Assim, é obrigatório efetuar a análise da terra a partir de amostras colhidas segundo os procedimentos descritos no ponto 8.3.1.1.. As determinações analíticas a efetuar serão as que ali são referidas.

A amostra de terra para análise deverá ser acompanhada de uma ficha informativa, semelhante à que se apresenta no Anexo II, onde constará toda a informação respeitante à parcela em que se pretende instalar o pomar.

A ocorrência de doenças que afetam as raízes, como é o caso das provocadas pela Rosellinia necatrix, Armillaria mellea, P. cinnamomi, ou outras, frequentes em solos encharcadiços, deverá ser devidamente assinalada. Esta informação é um dado importante na avaliação das características da parcela, ou de parte dela, e poderá determinar a não plantação, ou a realização de medidas profiláticas adequadas, antes da instalação do futuro pomar.

No caso de replantação é obrigatório a realização de análises de terra e ao material vegetal da cultura anterior, para pesquisar a presença dos agentes patogênicos acima referidos. Após a obtenção dos resultados das referidas análises decidir-se-á o tempo de pousio que, no caso da detecção de algum agente patogênico nunca será inferior a um ano.

Os resultados da observação do perfil do solo e da análise de terra serão igualmente determinantes para a decisão a tomar sobre a plantação do pomar, a escolha do porta-enxerto a utilizar, bem como a fertilização de instalação a praticar.

Em caso de aptidão do terreno, no relatório formular-se-ão todas as recomendações no sentido de ultrapassar eventuais limitações detectadas, nomeadamente no que respeita à sistematização do terreno, tendo sempre em conta as orientações relativas à sua conservação descritas no “Manual Básico de Práticas Agrícolas. Conservação do Solo e da Água” (MADRP, 2000).

A plantação efetuar-se-á depois do terreno limpo de todos os resíduos vegetais das culturas anteriormente instaladas e de se ter procedido à mobilização adequada à topografia, perfil e textura do solo, de acordo com o recomendado na publicação acima referida.

Em produção integrada não é permitida a desinfecção química do solo, salvo nos casos e condições expressamente autorizadas.





segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

PRODUÇÃO INTEGRADA DA CULTURA DO ABACATEIRO



INTRODUÇÃO

A cultura do abacateiro constitui uma das principais alternativas do sector frutícola algarvio, contribuindo para a diversificação da produção da região, pois para além de possuir uma boa relação custo/benefício, apresenta um escoamento fácil das produções e um mercado nacional e externo em crescimento.

Numa perspectiva de carácter econômico, ecológico e também toxicológico, reveste-se de grande importância a adoção de medidas preconizadas pelas regras da produção integrada, não só na racionalização dos custos dos diferentes factores de produção, mas também na diminuição da contaminação do ambiente e na obtenção de frutos de maior qualidade, atendendo à menor quantidade de agroquímicos utilizados.

A obtenção de produtos de alta qualidade, contaminando o menos possível tanto o ambiente como os alimentos obtidos, isto é, com o mínimo possível de resíduos, tem sido uma preocupação constante na agricultura. Deste modo, a implementação da produção integrada na cultura do abacateiro, pressupõe a elaboração de normas.

A produção de abacate exige um conjunto de ações que têm início com a instalação da cultura e se sucedem ordenadamente no tempo, até à colheita e seu transporte para as instalações onde se procede ao seu armazenamento.

Assim, o presente documento apresenta aspectos relativos aos conceitos e princípios da produção integrada, à localização e escolha do terreno, operações de instalação da cultura, escolha de porta-enxertos e variedades, podas e condução, rega, fertilização, proteção fitossanitária e colheita.

No capítulo relativo à fertilização, descrevem-se os procedimentos a observar antes e após a instalação da cultura, a metodologia de colheita de amostras e as determinações laboratoriais a requerer.

No âmbito da legislação em vigor todos os aspectos relacionados com a nutrição e fertilização são da responsabilidade da Unidade de Ambiente e Recursos Naturais (ex-Laboratório Químico

Agrícola Rebelo da Silva) do L-INIA, do Instituto Nacional de Recursos Biológicos, I.P. .

No que se refere à proteção fitossanitária, este documento integra os procedimentos que podem n servir de orientação a técnicos e agricultores na monitorização de pragas, auxiliares e doenças, as metodologias de estimativa do risco e níveis econômicos de ataque a adotar na protecção integrada da cultura do abacateiro.

Relativamente à proteção integrada, referem-se quais os meios de proteção disponíveis. No caso particular da luta química, indicam-se os produtos fitofarmacêuticos permitidos, sendo abordados diversos aspectos relevantes que lhes são inerentes e, também, os critérios adotados na sua seleção, tendo por base a revisão recentemente efetuada.

Apresenta-se, ainda, a caracterização dos grupos de auxiliares mais importantes na cultura, os = efeitos secundários dos produtos fitofarmacêuticos permitidos em proteção integrada e um guia de proteção integrada no qual se consideram os inimigos e aspectos básicos de epidemiologia e sintomatologia, assim como as medidas de luta a adotar nesta cultura.

Faz-se referência à obrigatoriedade da existência de um caderno de campo e apresenta-se um modelo a utilizar em produção integrada da cultura do abacateiro. Referem-se, ainda, alguns, aspectos relativos à colheita.

Em anexo ao documento, são apresentadas as fichas informativas que devem acompanhar as amostras a analisar e, ainda, outros elementos complementares.

As normas desenvolvidas e apresentadas no presente documento incluem procedimentos obrigatórios, proibidos e aconselhados e permitem a sua atualização ou adaptação periódica.

Por último, é de salientar que este documento foi elaborado com a colaboração do INRB, I.P., da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve (DRAPAlgarve) e da ABACASUL e foi aprovado em reunião do Conselho Nacional de Proteção da Produção Vegetal.

1 - CONCEITOS E PRINCÍPIOS DE PRODUÇÃO INTEGRADA

Em produção integrada, a proteção integrada é a orientação obrigatoriamente adotada em proteção das plantas. No presente capítulo apresentam-se os conceitos e princípios de proteção e produção integradas.

1.1- Produção integrada

De acordo com a definição adoptada pela OILB/SROP (1993, 2004), “a produção integrada é um sistema agrícola de produção de alimentos de alta qualidade e de outros produtos utilizando os

recursos naturais e os mecanismos de regulação natural, em substituição de factores de produção prejudiciais aos ambiente e de modo a assegurar, a longo prazo, uma agricultura viável”.

As características da produção integrada e as suas estreitas afinidades com o conceito de agricultura sustentável são evidenciados pelo conjunto de 11 princípios, também aprovados pela OILB/SROP (2004): - a produção integrada é aplicada apenas “holisticamente”, isto é, visa a regulação do ecossistema, o bem-estar dos animais e a preservação dos recursos naturais, não se limitando a mera combinação da proteção integrada com elementos adicionais, como a fertilização ou outras práticas agronômicas; - efeitos secundários inconvenientes de atividades agrícolas, como a contaminação azotada de águas subterrâneas e a erosão, devem ser minimizados;

- a exploração agrícola no seu conjunto é a unidade de implementação da produção integrada;

- a reciclagem regular dos conhecimentos do empresário agrícola sobre produção integrada;

- assegurar a estabilidade dos ecossistemas, evitando impactes ecológicos das atividades agrícolas que possam afetar negativamente os recursos naturais e os componentes da regulação natural;

- assegurar o equilíbrio do ciclo dos elementos nutritivos, reduzindo ao mínimo as perdas de nutrientes e compensando prudentemente a sua substituição, através de fertilizações fundamentadas, e privilegiando a reciclagem da matéria orgânica produzida na exploração agrícola;

- a fertilidade do solo, isto é, a capacidade do solo assegurar a produção agrícola sem intervenções exteriores é função do equilíbrio das características físicas, químicas e biológicas do solo, bem evidenciado pela fauna do solo, de que as minhocas são um típico indicador;

- em produção integrada, a proteção integrada é a orientação obrigatoriamente adotada em proteção das plantas;

- a biodiversidade, a nível genético, das espécies e do ecossistema é considerada a espinha dorsal da estabilidade do ecossistema, dos factores de regulação natural e da qualidade da paisagem;

- a qualidade dos produtos obtidos em produção integrada abrange não só factores externos e internos mas também a natureza do sistema de produção;

- considerar o bem-estar dos animais, produzidos na exploração agrícola.

Os princípios anteriormente referidos, aplicados à cultura do abacateiro (Persea americana Miller), visam a obtenção de frutos sãos, de boas características organolépticas e de conservação, de modo a respeitar as exigências das normas nacionais e internacionais relativas à qualidade do produto, segurança alimentar e rastreabilidade, assegurando, simultaneamente, o desenvolvimento fisiológico equilibrado das plantas e a preservação da qualidade do ambiente.

A concretização de tais objetivos passa obrigatoriamente pela gestão equilibrada dos recursos naturais, com a utilização de tecnologias que considerem a reciclagem dos elementos nutritivos e reduzam, deste modo, a utilização de produtos fitofarmacêuticos e fertilizantes, conduzindo, assim, a uma redução dos custos de produção.

1.2 - Proteção integrada

A proteção integrada procura combater os inimigos das culturas de forma econômica, eficaz e com menores inconvenientes para o Homem e o ambiente. Deste modo, recorre-se à utilização racional, equilibrada e integrada de todos os meios de luta disponíveis (genéticos, culturais, físicos, biológicos, biotécnicos e químicos) com o objectivo de manter as populações dos inimigos das culturas a níveis que não causem prejuízos. Torna-se necessário efetuar a estimativa do risco, isto é, a monitorização contínua da cultura, de modo a detectar os seus potenciais inimigos e a avaliar, através da intensidade do seu ataque, os possíveis estragos ou prejuízos que possam causar.

Segundo a Diretiva 2009/128/CE, de 21 de Outubro, que estabelece um quadro de ação a nível

comunitário para uma utilização sustentável dos produtos fitofarmacêuticos, a proteção integrada consiste na ”avaliação ponderada de todos os métodos de proteção das culturas disponíveis e a subsequente integração de medidas adequadas para diminuir o desenvolvimento de populações de organismos nocivos e manter a utilização dos produtos fitofarmacêuticos e outras formas de intervenção a níveis econômica e ecologicamente justificáveis, reduzindo ou minimizando os riscos para a saúde humana e o ambiente. A proteção integrada privilegia o desenvolvimento de culturas saudáveis com a menor perturbação possível dos ecossistemas agrícolas e agroflorestais e incentiva mecanismos naturais de luta contra os inimigos das culturas”.

Como princípios básicos desta estratégia ou modalidade de proteção das plantas destacam-se os seguintes (Félix & Cavaco, 2004):

- prevenir ou evitar o desenvolvimento dos inimigos das culturas através de medidas visando a sua limitação natural;

- reduzir ao mínimo as intervenções fitossanitárias nos ecossistemas agrícolas;

- utilizar todos os meios de luta disponíveis, integrando-os de forma harmoniosa e privilegiando, sempre que possível, as medidas indiretas;

- recorrer aos meios de luta diretos, nomeadamente uso de produtos fitofarmacêuticos, quando não houver alternativa;

- selecionar os produtos fitofarmacêuticos em função da sua eficácia, persistência, custo e efeitos secundários em relação ao Homem, aos auxiliares e ao ambiente. 


quinta-feira, 11 de abril de 2024

PERSPECTIVAS DA CULTURA DO ABACATEIRO

 

O abacateiro (Persea americana Mill.) e nativo das serras do Mexico e da Guatemala e da costa do Pacifico da America Central.

As variedades de abacateiro sao organizadas em tres racas horticolas, de acordo com sua origem. A raca Mexicana provem das terras altas do Mexico, enquanto a raca Guatemalense e originaria da Guatemala. A raca Antilhana e originaria das terras baixas da costa do Pacifico da Guatemala ate o Panama.

A chegada do abacateiro ao Brasil esta indiretamente ligada a fatos de grande Importancia historica. No seculo XIX, a Europa ocidental atravessava um periodo de intensas disputas e, por isso, a familia real portuguesa decidiu imigrar para o Brasil em fins de 1807. Ja aqui, o imperador Dom Joao VI criou o atual Jardim Botanico com a finalidade de promover a aclimatacao de plantas com potencial de cultivo no Brasil.

Assim, em 1809, quatro mudas de abacateiro da raca Antilhana provenientes do Jardim Botanico La Gabrielle da Guiana Francesa foram introduzidas no Brasil. Na decada de 1920, ocorreram duas novas introducoes de materiais provenientes da Florida. Esses materiais difundiram-se pelo Pais e, por meio de cruzamentos naturais, surgiram materiais promissores que foram identificados, clonados e estudados, originando, assim, as principais cultivares de abacate do Brasil.

As cultivares de abacateiro no Brasil sao classificadas em dois grupos distintos.

O primeiro e constituido pelas cultivares de Abacate Tropical, conhecidas como “abacate manteiga”. Possuem frutos grandes e alongados, de baixo teor de oleo, e sao adaptadas a regioes de clima tropical. As principais cultivares deste grupo sao as seguintes: Geada, Quintal, Fortuna, Margarida e Breda.

No segundo grupo, estao as cultivares de Abacate Subtropical ou Avocado.

Possuem frutos de tamanho pequeno a medio, casca enrugada e alto conteudo de oleo. Essas cultivares, entre as quais a principal e o Hass, sao adaptadas ao clima subtropical.

Achados arqueologicos evidenciam que, desde 500 a.C., o abacate ja era cultivado  no Mexico, e seus frutos serviam tanto como alimento quanto como produto para trocas comerciais pelas populacoes nativas. Embora os povos locais tenham iniciado sua domesticacao, com a selecao de frutos em funcao do seu tamanho, o abacate ainda se mostrava uma fruta bastante distante daquela que conhecemos hoje. Apos  o descobrimento da America, o abacate se dispersou para outros locais, despertando o interesse cientifico de especialistas em fruticultura, visando a domesticacao e ao aprimoramento dessa especie para sua utilizacao como cultura fruticola comercial.

Primeiros passos

1)O processo que transformou o abacate ate torna-lo a fruta que conhecemos nos tempos atuais seguiu tres etapas basicas: 1) estudo de populacoes de plantas propagadas por sementes para identificacao das plantas que apresentassem caracteristicas superiores desejaveis;

2) clonagem dessas plantas selecionadas para plantio e avaliacao em escala agronomica, visando obter cultivares;

3) desenvolvimento de praticas culturais para aumentar a produtividade das cultivares selecionadas.

Assim, as bases que alavancaram o aprimoramento cientifico do abacate foram o melhoramento genetico, as tecnologias de clonagem de plantas e as tecnologias agronomicas para aumentar a produtividade.

As flores do abacateiro sao hermafroditas, porem apresentam um desencontro na maturacao dos orgaos masculino e feminino, fazendo com que a fecundacao  ocorra de forma cruzada, com o polen vindo de outra planta. Essa particularidade faz com que cada caroco de abacate resulte em uma planta distinta, com caracteristicas ineditas ate entao, e isso cria variabilidade de forma natural e facilita a obtencao de novas variedades, cabendo ao cientista identificar sua superioridade e fazer a clonagem.

Desenvolvendo cultivares

Dessa forma, as mais de 500 cultivares de abacate existentes no mundo surgiram, na sua maioria, como hibridos naturais.

Bons exemplos sao as cultivares Hass e Fuerte, que surgiram nos Estados Unidos e no Mexico, respectivamente, e atualmente dominam o mercado internacional, e as cultivares Geada, Quintal,Na decada de 1970, tanto o cultivo quanto o mercado do abacate no Brasil eram pouco expressivos, e evoluiram muito nesses 50 anos. As modernas tecnicas de propagacao e de cultivo protegido possibilitam a producao de mudas em estufas sobre bancadas suspensas e em substrato totalmente organico, com elevados padroes de sanidade, vigor e uniformidade.

A adocao de plantio mais adensado com irrigacao localizada e manejo de podas, diversificacao de variedades plantadas, aprimoramentos nas praticas de adubacao e nutricao das plantas, manejo integrado de pragas e doencas e manejo pos-colheita tambem sao avancos tecnologicos recentes, que resultam de ardua pesquisa cientifica e promovem aumento na producao, melhor qualidade dos frutos, extensao do periodo de oferta, melhor conservacao e transporte da producao ate locais mais distantes.

A mais recente contribuicao da ciencia foi o sequenciamento do genoma do abacate realizado em 2019. Essa pesquisa obteve importantes informacoes para a compreensao das funcoes dos genes e para uso na engenharia genetica, visando incrementar a produtividade, aumentar a resistencia a doencas e criar frutoscom novos sabores e texturas.

Desafios e perspectivas

Trabalhos inovadores de pesquisa estao expandindo as fronteiras da cultura do abacate no Brasil. A viabilizacao da producao de abacate no Semiarido

A selecao de cultivares com frutos de caracteristicas distintas quanto ao tamanho, formato e teor de oleo possibilitou atender as mais diversas exigencias e preferencias dos consumidores e nas serras do Nordeste representa novos desafios para a pesquisa, com boas perspectivas de sucesso nos empreendimentos que ja se iniciaram.

Os principais desafios da pesquisa em abacate estao relacionados ao aprimoramento dos sistemas de producao, visando aumentar a produtividade e a qualidade dos frutos, bem como melhorar a eficiencia na utilizacao do espaco fisico, da agua, dos nutrientes e demais insumos.

A pesquisa tambem busca obter novas cultivares com melhor adaptacao ao cultivo em condicões de estresse abiotico (frio, calor e restricao hidrica), alem de porta enxertos mais tolerantes a condicoes adversas de solo, como salinidade e presença de patogenos.



sábado, 30 de março de 2024

Caracterização do Abacaxi BRS Imperial

 

Caracterização do `BRS Imperial` 

A fusariose (Fusarium guttiforme) é a principal doença na cultura do abacaxi no Brasil que ainda causa perdas elevadas nos pomares brasileiros, emfunção do predomínio das cultivares Pérola e Smooth Cayenne, ambas suscetíveis àquela doença. A utilização de cultivares resistentes é o método mais eficiente e econômico recomendado para o controle da doença.

A cultivar BRS Imperial, lançada pela Embrapa Mandioca e Fruticultura em 2003, é a primeira cultivar híbrida resistente à fusariose obtida pormelhoramento genético. É resultante do cruzamento entre a cultivar Perolera (nativa dos Andes da Colômbia e da Venezuela) com a cultivar SmoothCayenne (Cabral e Matos, 2005). Foi avaliada pela primeira vez em campo em 1992. Nesta e em demais avaliações posteriores realizadas em distintasregiões produtoras do Brasil, esse híbrido se destacou pela produção de frutos com polpa amarela, elevado teor de açúcares e excelente sabor nasanálises sensoriais, além da resistência à fusariose. Outra vantagem do abacaxizeiro ‘BRS Imperial’ é a ausência de espinhos nas folhas, que facilita omanejo da cultura pelo produtor (Figura 1).

. Plantio de abacaxi ‘BRS Imperial’: (A) na fase vegetativa; (B) com frutos em desenvolvimento

Outras características desta cultivar são: planta com porte médio, com folhas curtas, de coloração verde escura, com faixa central arroxeada e bordoscom faixa prateada (‘piping’). O pedúnculo é curto, o que dificulta o tombamento do fruto e a consequente escaldadura ou queima pelo sol.

O número de mudas do tipo filhote é elevado, com média de nove, além da produção de mudas tipo rebentão e filhote rebentão ser mais elevada doque a ‘Pérola’.

O tamanho do fruto é de pequeno a médio, com peso entre 900 e 1.400 g, mas pode ultrapassar 2,0 kg em solos muito férteis ou quando o plantio ébem adubado. O formato é cilíndrico, com casca espessa e amarela na maturação, com frutilhos salientes (Figura 2). O elevado teor de ácido ascórbicona polpa dificulta o desenvolvimento do escurecimento interno, sintoma da injúria pelo frio, comum em cultivares como a ‘Smooth Cayenne’. A polpado abacaxi ‘BRS Imperial’ é amarelo ouro, com teor elevado de sólidos solúveis (15 a 19 Brix) e moderado de acidez (0,3 a 0,7%).

. Planta e fruto de abacaxi ‘BRS Imperial’.

Quando comparado com a cultivar Pérola, a ‘BRS Imperial’ apresenta um crescimento mais lento, que justifica o tratamento de indução floral após os14 ou 15 meses do plantio, considerando uma boa condução da planta. Isso representa um período de dois a três meses superior ao praticado para a‘Pérola’. A ‘BRS Imperial’ tem maior exigência em água, que justifica sua indicação para áreas irrigadas ou com boa precipitação ao longo do ano;maior exigência em fertilidade ou nutrição mineral e a presença de mudas tipo filhote muito próximas da base do fruto, que dificulta a colheita. Outrodiferencial é sua maior tolerância ao frio/fotoperíodo, o que dificulta a indução natural ao florescimento. Essa característica é particularmenteimportante para os produtores rurais mais tecnificados, pois permite maior controle na época de colheita.
O fruto da ‘BRS Imperial’ é indicado principalmente para consumo fresco. Em decorrência das suas excelentes características organolépticas, tem severificado que o abacaxi ‘BRS Imperial’ ainda representa um nicho de mercado, principalmente para mercados de alto poder aquisitivo ou mesmo paraexportação.
A cultivar BRS Imperial é particularmente interessante para a produção orgânica de abacaxi, em virtude da sua resistência à fusariose, o que dispensao produtor da aplicação de fungicidas com menor custo de produção, redução da poluição ambiental e fornecimento de um produto com melhorsegurança alimentar.
Estima-se atualmente que a redução de custo no controle químico da fusariose, ao utilizar cultivares resistentes a essa doença, é de,aproximadamente, R$ 1.600,00/hectare/ciclo (em 2017), ao considerar o custo de mão de obra e de produto fungicida para seis aplicações compulverizador costal nas cultivares suscetíveis.