sexta-feira, 20 de abril de 2018

Normas de Uso Defensivo na Cultura da Manga



No Brasil, a comercialização de produtos fitossanitários vinculada a uma receita agronômica é uma exigência legal e tornou-se obrigatória desde 11 de julho de 1989, data da publicação da Lei Federal nº 7.802. Esta receita deve ser emitida por engenheiros-agrônomos ou florestais habilitados para tal finalidade.
O receituário agronômico tem como fundamentos básicos:
  1. A busca da origem do problema fitossanitário com o objetivo de atingi-lo com o máximo de eficiência e o mínimo de insumos.
  2. Exigir do técnico que o prescreve o conhecimento profissional para que se possa atingir os objetivos a que se propõe.
  3. Impor e assumir toda a responsabilidade profissional em toda a sua amplitude, envolvendo características técnicas e éticas, por meio do instrumento final de todo processo desenvolvido que é a receita agronômica.

Legislação sobre os defensivos agrícolas

O Decreto n° 4.074, de 4 de janeiro de 2002, regulamenta a Lei n° 7.802, de 11 de julho de 1989 e dispõe sobre a pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a propaganda comercial, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de defensivos agrícolas, seus componentes e afins.
Pela Lei n° 7.802, o termo agrotóxico e afins é definido como produtos e agentes de processos físicos, químicos ou biológicos, destinados ao uso no setor de produção, no armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, nas pastagens, na proteção de florestas, nativas ou plantadas, e de outros ecossistemas e de ambientes urbanos, hídricos e industriais, cuja finalidade seja alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-las da ação danosa de seres vivos considerados nocivos, bem como as substâncias e produtos empregados como desfolhantes, dessecantes, estimuladores e inibidores de crescimento.
Com referência às embalagens dos defensivos agrícolas e afins o artigo 44 trata que estas deverão atender aos seguintes requisitos:
  1. Ser projetadas e fabricadas de forma a impedir qualquer vazamento, evaporação, perda ou alteração de seu conteúdo e de modo a facilitar as operações de lavagem, classificação, reutilização, reciclagem e destinação final adequada.
  2. Ser imunes à ação de seu conteúdo ou insuscetíveis de formar com ele combinações nocivas ou perigosas.
  3. Ser resistente em todas as suas partes e satisfazer adequadamente às exigências de sua normal conservação.
  4. Ser providas de lacre ou outro dispositivo externo, que assegure plena condição de verificação visual da inviolabilidade da embalagem.
  5. As embalagens rígidas deverão apresentar, de forma perfeita e irremovível, em local de fácil visualização, exceto na tampa, o nome da empresa titular do registro e advertências quanto ao não reaproveitamento da embalagem.
De acordo com o artigo 84, as responsabilidades administrativa, civil e penal pelos danos causados à saúde das pessoas e ao meio ambiente, em função do descumprimento do disposto na legislação pertinente a defensivos agrícolas, seus componentes e afins, recairão sobre:
  1. O registrante que omitir informações ou fornecê-las incorretamente.
  2. O produtor, quando utilizar defensivos agrícolas, seus componentes e afins em desacordo com as especificações constantes do registro.
  3. O produtor, o comerciante, o usuário, o profissional responsável e o prestador de serviços que apresentar embaraço à fiscalização dos órgãos competentes ou que não promover a destinação final das embalagens vazias de acordo com a legislação.
  4. O profissional que prescrever a utilização de defensivos agrícolas e afins em desacordo com as especificações técnicas.
  5. O comerciante, quando efetuar a venda sem o respectivo receituário, em desacordo com sua prescrição ou com as recomendações do fabricante e dos órgãos registrantes e sanitário-ambientais.
  6. O comerciante, o empregador, o profissional responsável ou prestador de serviços que deixar de promover as medidas necessárias de proteção à saúde ou ao meio ambiente.
  7. O usuário ou o prestador de serviços, quando proceder em desacordo com as recomendações do fabricante ou dos órgãos sanitário-ambientais.
  8. As entidades públicas ou privadas de ensino, assistência técnica e pesquisa, que promoverem atividades de experimentação ou pesquisa de defensivos agrícolas, seus componentes e afins em desacordo com as normas de proteção da saúde pública e do meio ambiente.
A classificação dos defensivos agrícolas quanto ao perigo para quem o manuseia e/ou tem contato de forma direta ou indireta é feita em classes de acordo com a toxicidade dos princípios ativos de cada produto. Essa toxicidade para o homem, geralmente, é expressa na forma da dose média letal (DL50), por via oral e dérmica, representada por miligramas do produto tóxico por quilo de peso vivo, necessários para matar 50% de ratos e outros animais utilizados como testes, conforme apresentado abaixo (Tabela 1).
Tabela 1. Classificação toxicológica de agrotóxicos quanto a periculosidade

Classe
Classificação
DL50 (mg/kg)
Oral
Dérmica
Formulações
Formulações
Líquidas
Sólidas
Líquidas
Sólidas
I
Extremamente tóxico
(vermelha)
< 5
< 20
< 10
< 40
II
Altamente tóxico (amarela)
5 a 50
20 a 200
10 a 100
40 a 400
III
Moderadamente tóxico (azul)
50 a 500
200 a 2000
100 a 1000
400 a 4000
IV
Levemente tóxico
(verde)
> 500
> 2000
> 1000
> 4000
Fonte: OMS.

Cuidados com os equipamentos de aplicação

A regulagem correta e a boa manutenção dos equipamentos de pulverização são cuidados que contribuem para a redução dos riscos. Os equipamentos devem estar sempre em boas condições de uso. Devem ser lavados com água e sabão após cada aplicação. Tanto a revisão como a lavagem do pulverizador deve ser feita longe de crianças, animais, córregos e nascentes. Para que haja um perfeito funcionamento da máquina de pulverizar e para que o manuseio com a mesma minimize os riscos à saúde do aplicador, alguns cuidados fundamentais devem ser tomados, tais como:
  1. Não apresentar vazamentos.
  2. Utilizar bicos apropriados para a cultura e o alvo biológico desejado.
  3. Utilizar filtros de entrada antes do tanque, antes da bomba e dos bicos, no caso de pulverização motorizada.
  4. Uso de agitadores durante a pulverização para que a calda seja mantida homogeneizada e para que haja uniformização na distribuição do produto na planta.
  5. Aferição da pressão de saída da calda pelos bicos por meio do uso do manômetro.

Escolha do agrotóxico

A seleção do agrotóxico a ser utilizado dar-se-á considerando-se alguns parâmetros, tais como:
  1. Utilizar produtos registrados pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento.
  2. Utilizar produtos com eficiência determinada para o alvo a que se deseja controlar.
  3. Conhecer a seletividade, poder residual e grau de toxicidade do princípio ativo.
  4. Conhecer os mecanismos de ação dos produtos, não os associando quando estes forem iguais.
  5. Conhecer a fenologia da cultura, o hábito e o ciclo de desenvolvimento do inseto ou forma afim, pois, estes são fatores determinantes para a utilização de alguns produtos específicos.

Transporte dos defensivos agrícolas

É importante ter conhecimento de todos os aspectos relativos ao transporte dos defensivos agrícolas. Para essa finalidade existe uma legislação que deve ser seguida. Os fornecedores desses produtos estão capacitados para o transporte dos mesmos, por isso, sempre que possível, deve-se utilizar os serviços destas pessoas para o transporte desses insumos.
Caso não seja possível, alguns cuidados deverão ser tomados durante o transporte, tais como: não misturar a carga com medicamentos, alimentos e pessoas; o veículo deve apresentar ótimas condições de deslocamento; não transportar embalagens que apresentem vazamentos; embalagens que sejam sujeitas a ruptura durante o transporte deverão ser protegidas com materiais adequados durante o deslocamento; evitar que o veículo tenha pregos ou parafusos sobressaltantes dentro do espaço onde os insumos serão acondicionados e não estacionar o veículo próximo a residências ou local de aglomeração de pessoas ou animais.
O agricultor deve solicitar a ficha de emergência dos produtos no local de aquisição dos mesmos, pois, é uma obrigação do fabricante ou revendedor fornecê-la. Essa ficha orienta quanto às providências e cuidados em caso de acidentes. Em caso de vazamentos, deve-se conter os defensivos com materiais apropriados e recorrer à polícia rodoviária, bombeiros e fabricante.

Armazenamento dos defensivos agrícolas

Os defensivos agrícolas devem ser armazenados em local com boa ventilação, livre de inundações e distante de residências, instalações para animais ou de locais onde se armazenam alimentos ou rações. Os produtos devem ser devidamente agrupados em prateleiras, por classe de princípio ativo e toxicológica na classe, nunca devem estar em contato direto com o piso e sempre apresentar os rótulos intactos. O depósito deve ficar trancado e sinalizado com uma placa indicativa alertando sobre a presença de material tóxico. Não é recomendável o estoque de produtos além da quantidade para uso a curto prazo (no máximo um ciclo da cultura), um bom planejamento na hora da compra é fundamental. Os restos de produtos devem sempre ser mantidos em suas embalagens originais.

Importância das condições climáticas na pulverização

Dentre os fatores que podem interferir para que não haja uma boa pulverização deve-se destacar: a) os períodos de secas prolongadas, os quais ocasionam o estresse hídrico das plantas, reduzindo a atividade biológica e prejudicando a absorção do produto pelas folhas e partes ativas; b) as chuvas fortes quando ocorridas logo após a pulverização, poderão ocasionar lavagem e arraste do produto das folhas e das áreas de absorção pelas raízes das plantas; c) as temperaturas abaixo de 15 ºC e acima de 30 ºC, assim como umidade relativa do ar abaixo de 55% proporcionam menor absorção do produto pelas plantas; d) a pulverização deve ser evitada enquanto as plantas apresentarem as folhas muito molhadas após chuva ou por causa de orvalho; e) a observação da velocidade e direção do vento é outro fator muito importante para realização de uma boa pulverização. Aplicações de produtos com presença de ventos acima de 10 km/h deverão ser evitadas.

Cuidados durante o preparo da calda e aplicação dos produtos

O preparo da calda deve ser realizado de acordo as recomendações específicas de cada produto (vide bula). Entretanto, de uma forma geral, para a maioria das formulações, realiza-se a adição direta do produto no tanque de pulverização ou por meio de pré-diluição. Nesse último caso, dissolve-se o produto em pequena quantidade de água, agitando-se até a completa homogeneização da suspensão. Em seguida, despeja-se a suspensão no tanque de pulverização que deve conter dois terços do volume de água a ser utilizada. Após essa etapa, completa-se o volume total de água do tanque. Durante esse processo, alguns cuidados são fundamentais, tais como:
  1. Utilização de equipamentos de proteção individual (EPIs).
  2. O preparo da calda deve ser realizado em local sombreado, aberto e que apresente boa ventilação.
  3. As instruções presentes nos rótulos do produto devem ser seguidas corretamente.
  4. Evitar inalação, respingo e contato com os produtos, não desentupir bicos ou orifícios com a boca, assim como, não beber, comer ou fumar durante o manuseio e a aplicação dos produtos.
  5. Evitar a pulverização nas horas mais quentes do dia, contra o vento e em dias de vento forte e chuvosos.
  6. A embalagem deverá ser aberta com cuidado para evitar derramamento do produto.
  7. Fazer a lavagem da embalagem vazia logo após o esvaziamento da mesma, longe de locais que possam ser contaminados e causem riscos à saúde das pessoas.
  8. Verificar o pH da água de pulverização e corrigir, caso necessário, seguindo-se as instruções do fabricante do agrotóxico que será aplicado.
  9. O uso de uma pressão adequada ao objetivo a que se destina a pulverização é fundamental na obtenção de uma distribuição uniforme do produto sobre a planta.
O tamanho das gotas diminuem com o aumento da pressão, portanto, pressão excessiva na bomba causa deriva e perda da calda de pulverização.
Equipamentos de proteção individual (EPIs)
Os EPIs devem ser indicados no receituário agronômico e no rótulo do produto. Os EPIs mais utilizados são: máscaras protetoras, óculos, luvas impermeáveis, chapéu impermeável de abas largas, botas impermeáveis, macacão com mangas compridas e avental impermeável. Alguns cuidados devem ser tomados quanto à aquisição e uso de EPIs, tais como:
  1. Devem possuir certificado de aprovação do Ministério do Trabalho.
  2. Devem ser utilizados em boas condições, de acordo com a recomendação do fabricante e do produto a ser utilizado.
  3. Os filtros das máscaras e respiradores são específicos para defensivos e têm data de validade.
  4. As luvas recomendadas devem ser resistentes aos solventes dos produtos.
  5. A lavagem deve ser feita após cada utilização e por meio do uso de luvas e separadas de roupas da família.
  6. Devem ser mantidos em locais limpos, secos, seguros e distantes de produtos químicos.

Lavagem e descarte das embalagens vazias

Pela legislação em vigor, torna-se obrigatório o recolhimento das embalagens vazias por uma unidade de recebimento autorizada pelos órgãos ambientais. Antes do recolhimento, é obrigatório que o agricultor efetue a tríplice lavagem inutilizando-os com furos nos tipos de embalagens que permitirem esta prática, enquanto as embalagens não laváveis devem permanecer intactas, adequadamente tampadas e sem vazamentos. As embalagens vazias devem ser acondicionadas em saco plástico padronizado que deve ser fornecido pelo revendedor. Dentro do prazo de até 1 ano, essas embalagens deverão ser entregues em um posto de recebimento cadastrado. O agricultor deverá receber um comprovante de entrega que deve ser guardado com a nota fiscal do produto. Caberá ao fabricante ou seu representante legal providenciar o recolhimento de todo o material depositado no posto de recebimento.

Período de carência ou intervalo de segurança

Trata-se do número de dias que deve ser considerado entre a última aplicação e a colheita. O período de carência vem escrito na bula do produto. Este prazo é importante para garantir que o produto vegetal colhido não possua resíduos acima do limite máximo permitido. A produção de produtos agrícolas com resíduo acima do limite máximo permitido pelo Ministério da Saúde (MS) é ilegal, e a colheita poderá ser apreendida e destruída. Além do prejuízo da colheita, o agricultor ainda poderá ser multado e processado.
Geralmente, as recomendações técnicas vigentes quanto à aplicação de defensivos agrícolas dão mais ênfase para orientação de uso dos EPIs durante o preparo da calda e aplicação dos produtos nos cultivos. Todavia, um grande cuidado deve ser considerado quanto ao período de reentrada de pessoas na área após esta ter sido pulverizada. O período de reentrada que compreende o dia da última pulverização até a permissão de entrada de pessoas na área sem riscos de serem contaminadas deve ser respeitado. No entanto, se houver necessidade de entrada de pessoas antes do término do período indicado, essa pessoa deverá utilizar EPI’s da mesma forma que se utiliza durante a aplicação do produto.



segunda-feira, 16 de abril de 2018

Doenças na Cultura da Mangueira (Manga)



Doenças

A importância de determinada doença pode ser avaliada pela frequência, danos e perdas por ela ocasionada no cultivo comercial. A ocorrência de uma doença é influenciada por fatores relacionados ao ambiente, patógeno, hospedeiro e da própria interferência do homem. Por isso, é importante que o produtor adote um sistema de acompanhamento periódico do pomar para que os primeiros sintomas possam ser detectados e, dependendo da evolução da mesma, estratégias de manejo possam ser tomadas em tempo hábil.
O acompanhamento das condições meteorológicas, tais como temperatura, umidade relativa, precipitações, bem como a duração do molhamento da planta são igualmente úteis, sobretudo durante as fases críticas de indução floral, floração e frutificação. Técnicas de monitoramento têm sido desenvolvidas para diversas doenças em mangueira e disponíveis em manuais da Embrapa Semiárido 

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[   ] Caderno_Campo_PI_Man..> 27-Jul-2006 08:55  3.6M  
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[   ] NTE_Manga.pdf           01-Oct-2003 16:33   65K  
[   ] PI_Manga_internet_1.doc 15-Jun-2005 12:46   36M  
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[TXT] vantagens.htm           18-Jul-2008 08:48  8.8K
 Essas técnicas contribuem para um controle fitossanitário mais efetivo, minimização de custos de produção, prevenção de contaminação ambiental e oferecimento de alimentos mais saudáveis e a sustentabilidade dos pomares.
As principais doenças que ocorrem na região do Submédio do Vale do São Francisco estão descritas a seguir.

ANTRACNOSE (Colletotrichum spp.)

É considerada uma das doenças mais frequentes e responsável pelas maiores perdas econômicas em áreas produtoras de manga no mundo, necessitando, em condições favoráveis à incidência da mesma, do tratamento hidrotérmico da fruta na pós-colheita. Alta severidade da antracnose ocorre em locais ou épocas quando chove com maior frequência e há predominância de alta umidade relativa. No Semiárido, sua importância é restrita às épocas em que a floração e o desenvolvimento de frutos coincidem com a ocorrência de chuvas. A doença pode ser causada por diferentes espécies, tais como Colletotrichum gloeosporioides, C. acutatumC. dianeseiC. fructicolaC. karstiiC. asianumC. tropicale. A espécie C. gloeosporioides (teleomorfo Glomerella cingulata) é a mais comumente associada com a doença no mundo.
Sintomatologia
Os períodos críticos de maior suscetibilidade da mangueira às infecções por espécies de Colletotrichum são os estádios fenológicos de florescimento, frutificação, emissão de folhas novas e gemas florais. São nesses estádios que o patógeno pode causar manchas em frutos, necroses em folhas, queima de panículas e botão floral (Figuras 1 e 2) e em alguns casos a mumificação de frutos.
Fotos: Batista, D. C.
Figura 1. Sintomas de antracnose em fruto (a) e em folhas (b).

Fotos: Batista, D. C..
Figura 2. Sintomas de necrose da antracnose em panícula (a); e em gema floral (b).
Os sintomas em folhas são, inicialmente, manchas pequenas, de contorno arredondado ou irregular e coloração marrom escura, cerca de 1 mm a 10 mm de diâmetro, que podem surgir tanto nas margens como no centro do limbo foliar e em ambos os lados da folha. Em condições de alta umidade, estas manchas ficam maiores e podem causar o rompimento do limbo.
As infecções em gema floral ou vegetativa desenvolvem manchas necróticas e escuras que podem evoluir para um secamento descendente, da ponta para a base (Figura 2b), causando desfolha do ramo. Em inflorescências, surgem pontuações escuras que se tornam alongadas e profundas, provocando a morte de flores e queda de frutos jovens.
Quando a infecção ocorre em frutos, o patógeno pode permanecer quiescente e os sintomas surgirem durante o amadurecimento em pós-colheita. Durante o amadurecimento, manchas marrons escuras a pretas com bordas definidas, geralmente arredondadas e levemente deprimidas, podem se desenvolver em qualquer parte do fruto. Com a evolução dos sintomas, as manchas se tornam maiores e mais deprimidas, com pequenas rachaduras que levam, em certos casos, ao apodrecimento do fruto.
Aspectos epidemiológicos e controle
A disseminação da doença pode ocorrer a partir de lesões em folhas, panículas ou frutos, que servem como fonte de inóculo para infecção em órgãos sadios. Essa disseminação ocorre, principalmente, por respingos de água (chuva, orvalho ou irrigação). O patógeno também sobrevive em lesões de folhas velhas, ramos verdes ou secos, inflorescências ou panículas presas à planta. A infecção ocorre, principalmente, na presença de água livre ou umidade relativa acima de 90% e depende da temperatura, sendo as altas, em torno de 28 oC, mais favoráveis às infecções. Períodos chuvosos e encobertos ou de orvalho prolongado coincidindo com o florescimento são condições ideais para a ocorrência de epidemias de antracnose.
O patógeno possui vários hospedeiros alternativos, desde plantas silvestres a cultivadas, a exemplo da goiabeira (Psidium guajava L.), abacateiro (Persea americana L.), morangueiro (Fragaria x ananassa Duch.), maracujazeiro (Passiflora edulis Sims.), mamoeiro (Carica papayaL.), etc.
 Além de aplicações de fungicidas (cúpricos, mancozebe, tiofanato metílico e tebuconazole), é recomendada a doção de práticas culturais para reduzir o nível de inóculo e as condições favoráveis à doença. Entre as medidas recomendadas, destacam-se: eliminar ramos doentes; indução em épocas nas quais a floração não coincida com períodos chuvosos; realizar podas que propiciem boas condições de arejamento; efetuar limpeza do pomar, realizando-se a retirada e queima de restos de cultura contaminados; não deixar frutos infectados nas plantas; fazer o tratamento hidrotérmico pós-colheita dos frutos, com temperatura de 52 oC durante 5 minutos.

OÍDIO (Oidium mangiferae (teleomorfo Erysiphe polygoni))

O oídio, denominado pelos produtores de cinza, é uma doença muito comum em pomares de mangueiras. As fases críticas para ocorrência de epidemias são: emissão de folhas novas, florescimento e início de frutificação. Na região do Submédio do Vale do São Francisco, a intensidade da doença é maior, principalmente, no início do segundo semestre, quando as temperaturas são amenas e a umidade do ar é baixa.
Sintomatologia
Inflorescências, folhas e frutos ainda jovens, são bastante suscetíveis. Quando a infecção ocorre na inflorescência, as partes infectadas ficam com aspecto pulverulento (Figura 3). O pó branco acinzentado é formado por estruturas do patógeno (micélios, conidióforos e esporos). Com o desenvolvimento dessas estruturas, as mesmas acabam danificando as inflorescências, acarretando em sérios abortamentos de flores e, consequentemente, comprometendo diretamente a produção da mangueira. As ramificações das inflorescências e os frutos jovens também ficam recobertos com as estruturas do fungo.
Foto: Batista, D. C.
Figura 3. Sintomas de oídio em inflorescências da mangueira (Mangifera indica L.).
O pedúnculo do fruto, quando infectado pelo fungo, torna-se mais fino e quebradiço, o que resulta em queda de frutos. Entretanto, os frutos, à medida que se desenvolvem, tornam-se resistentes à infecção. Folhas infectadas, além de ficarem recobertas pelo pó branco acinzentado, tornam-se deformadas e com aspecto de queima (Figura 4). Quando o sintoma é muito severo pode ocorrer queda prematura de folhas.
Foto: Batista, D. C.
Figura 4. Sintomas de oídio em folhas da mangueira (Mangifera indica L.).
Aspectos epidemiológicos e controle
O fungo O. mangiferae é um parasita que sobrevive apenas sob órgãos vegetais vivos. Portanto, O. mangiferae sobrevive em tecido vivo da planta, tais como: folhas, ramos, inflorescência, frutos ou gemas. Para epidemias de oídio, as condições favoráveis são: ambiente com baixa umidade relativa, temperaturas amenas e ocorrência de ventos, que facilitam a dispersão do fungo.
Para o controle da doença, é recomendado que o produtor intensifique o monitoramento durante a fase de desenvolvimento das inflorescências para a detecção dos primeiros focos. Para o controle da doença, pode ser aplicado fungicida à base de enxofre, antes da abertura das flores e início da frutificação. Aplicações de enxofre devem ser evitadas durante as horas com temperaturas muito altas, pois o enxofre é fitotóxico nesta condição. Produtos dos grupos químicos Triazol e Estrobilurinas são também eficientes.

SECA-DA-MANGUEIRA (Ceratocystis fimbriata)

Dentre as doenças que ocorrem em mangueiras, a seca-da-mangueira, provocada por Ceratocystis fimbriata, pode causar a morte de plantas. A doença pode desencadear o declínio de plantas em pomares de mangueira, como ocorrido em Jardinópolis, SP, onde dizimou pomares das cultivares Haden e Bourbon, nas décadas de 1950 e 1960. Outras regiões têm enfrentado os mesmos prejuízos em consequência da morte de plantas em pomares comerciais e não comerciais, como observado em Senhor do Bonfim, BA.
Sintomatologia
O sintoma mais típico da doença consiste em seca, iniciada a partir de ramos mais finos do dossel, que progride lentamente em direção ao tronco da mangueira, causando o anelamento e a morte da planta (Figura 5). O quadro da doença em planta, no campo, caracteriza-se pelo surgimento de sintomas de amarelecimento de folhas, murcha e seca dos galhos afetados, onde as folhas secas e de coloração palha ficam presas, contrastando com galhos sadios no dossel da mangueira (Figura 5a). O sintoma é, principalmente, constatado nas secções transversais de ramos e troncos infectados, na forma de estrias radiais escuras, partindo da medula em direção ao exterior do lenho e/ou da periferia do lenho para a medula (Figuras 5c, 5d e 5e). A seca-da-mangueira pode ter início a partir de infecções pelas raízes, sem deixar sinais perceptíveis até a ocorrência de morte repentina da mangueira. Este último caso pode ser considerado como a fase inicial de uma epidemia em regiões onde o patógeno é nativo do solo local, como observado em Senhor do Bonfim, BA.
Fotos: Batista, D. C.. (a, e); Alfenas, A. C. (b, c e d).
Figura 5. Seca do ramo causada por Ceratocystis fimbriata (a); Morte da planta (b); Escurecimento do tronco da mangueira devido à colonização por C. fimbriata (c, d, e); Presença de pequenos orifícios, próximos às lesões, feitos por coleobrocas (e).
Aspectos epidemiológicos e controle
O fungo sobrevive no solo por meio de clamidósporos, em ramos secos e em diversas plantas que são hospedeiros naturais. A ocorrência de lesões na parte aérea pode estar associada com a dispersão do patógeno por pequenos besouros dos gêneros Hypocryphalus. A broca-da-mangueira, H. mangiferae, é o principal vetor de C. fimbriata. Inúmeros orifícios (com diâmetro de 1 mm) podem ser constatados nos ramos e tronco da mangueira, dos quais há liberação de resinas e/ou serragem que, após cortes longitudinais ou transversais, revelam estrias de cor marrom. O fungo também pode ser disperso por meio do solo aderido aos implementos agrícolas, pela água de irrigação e, a longa distância, pelas mudas contaminadas. Condições ambientais como temperatura alta e períodos de precipitações prolongadas favorecem a doença.
As medidas de controle consistem, primeiramente, na prevenção da introdução do patógeno em áreas isentas por meio de mudas. Portanto, a aquisição de mudas em viveiros idôneos e registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) é essencial. Em áreas onde já ocorre o problema, devem ser realizadas inspeções periódicas do pomar para a eliminação de plantas doentes. Ramos afetados devem ser eliminados com a realização de cortes a 40 cm de distância da região de contraste entre tecido sadio e doente. Materiais infectados ou plantas mortas devem ser, imprescindivelmente, queimados sem nenhuma restrição, enquanto as partes podadas na planta devem ser protegidas com pasta cúprica. Ferramentas utilizadas durante a operação de remoção de ramos e partes de plantas afetadas devem ser desinfestadas em solução de hipoclorito de sódio a 2% de cloro ativo. A estratégia mais eficiente para conter a seca-da-mangueira é a resistência genética, pois não há fungicidas registrados para o controle dessa doença. São consideradas cultivares resistentes: Carabao, Ubá, Manga d’água, Pico, IAC 101 Coquinho, IAC 102 Touro, IAC 103 Espada Vermelha, IAC 104 Dura, Jasmim, Rosa, Sabina, Oliveira Neto, São Quirino, Van Dyke, Keitt, Espada, Sensation, Kent, Irwin e Tommy Atkins.

MORTE DESCENDENTE, PODRIDÃO PEDUNCULAR E  DECLÍNIO (Espécies em Botryosphaeriaceae)

Essas doenças já foram constatadas em vários países produtores de manga e sua importância tem sido maior em condições semiáridas. No Submédio do Vale do São Francisco, a incidência tem aumentado nos últimos anos, o que é atribuído às condições da planta durante a indução floral, pois altas incidências da doença são observadas em condições de estresse hídrico e nutricional. Os gêneros de fungos associados com o problema são LasiodiplodiaFusicoccumNeofusicoccumPseudofusicoccum e Neoscytalidium. As espécies mais comuns em mangueiras são: Lasiodiplodia theobromaeFusicoccum aesculis e Neofusicoccum parvum.

Em relação a L. theobromae, a lista de espécies hospedeiras é bastante extensa, incluindo frutíferas como cajueiro (Anacardium occidentale L.), coqueiro (Cocos nucifera L.), goiabeira, videira (Vitis vinifera L.), maracujazeiro (Passiflora edulis Sims), pinha (Annona squamosa L.), cana-de-açúcar (Saccharum officinarum L.), entre outras.
Sintomatologia
Esses patógenos causam morte-descendente ou seca-de-ponteiros (Figura 6), queima de inflorescências (Figura 7), abortamento de frutos e também a podridão peduncular em manga durante a pós-colheita (Figura 8). A infecção na nervura principal da folha ocasiona uma necrose que interrompe o fluxo de seiva, provocando uma queima da folha (Figura 9). Em ramos verdes, causa lesões escuras de forma irregular, não deprimida, geralmente associada à base do pecíolo da folha. Sintoma semelhante pode ser observado nas gemas apicais, com frequente exsudação de goma. Os sintomas em ramos evoluem para uma seca e morte do ponteiro, onde as folhas secam e ficam presas ao ramo. Caso os ramos infectados não sejam retirados da planta, a infecção pode progredir lentamente de cima para baixo, deixando toda área afetada necrosada. A seca pode evoluir para os ramos mais velhos, tronco e até matar a planta (Figura 10). Geralmente, quando esse tipo de sintoma é detectado, a planta já está debilitada, sendo difícil a sua recuperação.
Foto: Batista, D. C.
Figura 6. Sintoma de morte-descendente ou seca-de-ponteiro.
Foto: Batista, D. C.
Figura 7. Sintoma de secamento de panícula.
Foto: Batista, D. C.
Figura 8. Sintomas da podridão-peduncular.

Foto: Batista, D. C.
Figura 9. Sintomas de necrose em folhas.
Fotos: Batista, D. C.
Figura 10. Sintoma de morte-descendente: necrose no tronco (a) e de morte da planta (b).
Raízes colonizadas e enegrecidas podem causar a morte da planta principalmente quando a infecção se torna generalizada, dizimando pomares como ocorrido em Bom Jesus da Lapa, na Bahia, onde plantas foram afetadas por L. theobromae. Este sintoma pode ser observado em pomares nos quais durante a prática de adubação, as raízes são feridas.
O fungo pode causar morte de mudas quando a infecção se dá na região da enxertia. Nas inflorescências, ocorrem lesões escuras e morte de frutos jovens. A infecção ocorre frequentemente na ponta da raque e progride da ponta para a base, causando o secamento da inflorescência. Em frutos jovens, por meio do pedúnculo, a doença provoca podridão e queda dos mesmos. Em frutos maduros, o patógeno causa uma podridão de aspecto mole e aquoso, deixando os frutos imprestáveis para o consumo. Semelhante à antracnose, a infecção pode permanecer quiescente na região do pedúnculo, em frutos maiores, manifestando-se na pós-colheita.
Aspectos epidemiológicos e controle
Esses fungos sobrevivem como saprófita em ramos secos, restos de inflorescências, frutos mumificados e material vegetal podado, onde podem se reproduzir abundantemente, principalmente sob condições de alta umidade (por exemplo, restos de cultura próximos aos microaspersores). Penetram na planta, principalmente, por ferimentos causados pela prática da poda, outras doenças e pragas. As condições mais favoráveis ao desenvolvimento do fungo são temperaturas em torno de 25 oC, para as espécies F. aesculis e N. parvum e de temperaturas mais altas, 30 oC a 35 oC, para L. theobromae.
Para o controle da doença, recomendam-se as seguintes práticas: realizar podas de limpeza após a colheita; proteger as áreas podadas com pasta cúprica; desinfestar as ferramentas de poda; eliminar plantas mortas ou muito doentes; adubar e irrigar adequadamente o pomar, evitando-se a irrigação no tronco das plantas; evitar o estresse hídrico ou nutricional prolongado; controlar insetos, principalmente a mosquinha (Procontarinia mangiferae), que possam causar danos às plantas; utilizar fungicidas à base de cobre e difenoconazole.

MALFORMAÇÃO FLORAL E VEGETATIVA (complexo de espécies em Gibberella fujikuroi)

A malformação ou embonecamento é um dos mais sérios problemas fitossanitários da mangueira em diversas regiões produtoras em todo o mundo, podendo ocasionar perdas consideráveis na produção, pois panículas malformadas não produzem frutos. A incidência da doença na região do Submédio do Vale do São Francisco é variável, mas pode afetar 100% das plantas em pomares pouco manejados. O problema tem sido atribuído às espécies Fusarium tupienseF. sterilihyphosumF. mangiferae e F. subglutinans.
Sintomatologia
Sintoma de embonecamento ocorre por causa da redução no comprimento do eixo principal e surgimento de ramificações secundárias na panícula, gerando um aspecto de cacho que lembra um boneco de pelúcia (Figura 11a), daí o nome popular adotado pelos produtores e denominado “embonecamento”. As inflorescências malformadas ou embonecadas não produzem frutos, pois ocorre uma alteração nas flores que, ao invés de hermafroditas, se tornam estaminadas. Panículas malformadas ficam retidas na planta e, se não forem retiradas, escurecem e necrosam, servindo como fonte de inóculo para a reprodução do agente causal e de diversos outros patógenos que afetam a mangueira.
Infecção em ramos vegetativos também causa um superbrotamento dos mesmos, devido ao grande número de brotos oriundos das gemas axilares do ramo principal. Ramo infectado apresenta internódios curtos, folhas rudimentares e grande número de gemas intumescidas que não chegam a brotar, gerando também uma estrutura de aspecto compacto (Figura 11b).
Fotos: Batista, D. C.
Figura 11. Sintomas de malformação floral (a) e vegetativa (b).
Aspectos epidemiológicos e controle
A doença pode ser disseminada pela prática da enxertia, ao utilizar material propagativo infectado. A disseminação da doença em um pomar é favorecida pela ocorrência de ventos, principalmente em pomares onde as inflorescências ou os ramos malformados não são retirados.
O período de incubação da doença, ou seja, o intervalo entre a infecção no tecido e a manifestação dos sintomas, pode variar de semanas a meses. Em trabalhos, sob condições controladas, verificou-se que os sintomas surgiram entre 6 a 8 semanas.
Nos estudos realizados em fazendas de Petrolina, PE, verificou-se que a maior dispersão de esporos do fungo ocorreu após período de alta umidade associado a temperaturas altas. Outro aspecto importante relacionado à intensificação da doença é a associação do fungo com o microácaro Aceria mangiferae, que ao alimentar-se das gemas apicais favorece a infecção do fungo, em virtude das aberturas de ferimentos.
Algumas práticas de manejo necessitam ser adotadas em conjunto, para reduzir a ocorrência da doença, tais como: fazer vistoria periódica do pomar e viveiros para eliminar material vegetal sintomático; não usar material de propagação doente na formação de mudas; eliminar mudas doentes; podar e destruir ramos e panículas infectados; queimar panículas e ramos infectados retirados das plantas. A cultivar Rosa é considerada resistente, enquanto ‘Tommy Atkins’, ‘Van Dyke’, ‘Palmer’ e a ‘Haden’, suscetíveis.    

MANCHA ANGULAR OU CANCRO BACTERIANO (Xanthomonas campestris pv. mangiferaeindicae)

É uma doença que pode afetar ramos, folhas, inflorescências e frutos. Ocorre, principalmente, durante períodos em que altas temperaturas coincidem com chuvas ou períodos úmidos prolongados. Em regiões com predominância de baixa umidade e pouca precipitação pluviométrica, sua ocorrência é baixa e não causa sérios prejuízos. No Estado de São Paulo, onde, conforme relatos, a doença é mais severa, os prejuízos podem ser superiores a 70%. Nas condições do Submédio do Vale do São Francisco, a ocorrência de sintomas da bactéria é rara e as perdas insignificantes.

Sintomatologia

Os sintomas em folhas têm início com o encharcamento do tecido, seguido do desenvolvimento de lesões angulares e limitadas pelas nervuras, com a presença ou não de halo amarelado. Geralmente as lesões são menores que 0,5 cm2, podendo coalescer e formar grandes áreas necróticas, causando a desfolha. Podem surgir lesões nas nervuras, pecíolos de folhas, panículas e ramos em forma de manchas escuras, irregulares e alongadas, onde futuramente se formam cancros (Figura 12). Nos frutos, as lesões surgem como pequenas manchas encharcadas (aspecto úmido) sob as lenticelas. As manchas são de coloração verde-escuras que, posteriormente, se tornam enegrecidas. Essas manchas tomam um aspecto de estrela, rompe-se e exsuda uma goma bacteriana infecciosa.
Foto: Batista, D. C.
Figura 12. Sintomas de cancro-bacteriano da mangueira (Mangifera indica L.) em ramo vegetativo.

Aspectos epidemiológicos e controle

Semelhante ao fungo C. gloeosporioides, as células bacterianas de X. campestris pv. mangiferaeindicae são dispersas por respingos de água, que pode ser oriunda da chuva ou irrigação. A doença pode ser disseminada, também, por insetos como as moscas-das-frutas e por sementes contaminadas. A penetração da bactéria no hospedeiro ocorre por meio de ferimentos ou aberturas naturais (lenticelas e estômatos). Condições ambientais como temperatura e umidade altas são favoráveis à doença; ventos fortes ou granizos, por causar ferimentos, também são favoráveis à doença, sendo a chuva é o fator climático com o qual mais se correlaciona.
Além das práticas culturais mencionadas para as demais doenças, a produção de mudas isentas da doença é essencial para o manejo integrado. Medidas como o uso de quebra vento, remoção de órgãos infectados que servem como fontes de inóculos e aplicações de produtos à base de cobre são igualmente importantes. Entretanto, o uso de cúpricos ajuda apenas a reduzir a população epifítica localizada na superfície da planta, porém, não tem efeito curativo. Como a presença de água livre é um pré-requisito para infecções bacterianas, a região semiárida se destaca pela baixa incidência da doença.