quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Conservação pós-colheita da Banana



Conservação pós-colheita
Após a colheita, é importante conduzir os cachos até o local de despencamento de forma a evitar danos e atrito entre os frutos. Em seguida, deve-se inspecionar os cachos para retirar aqueles que porventura estejam fora do padrão. Quando presentes, restos florais dos frutos devem ser eliminados para melhorar sua aparência.

A conservação dos frutos é facilitada pelo uso de práticas que melhoram sua aparência e padronização e que reduzem seu metabolismo. É muito importante evitar danos aos frutos em todas as etapas.

Quando embalados no campo, os frutos não recebem muitos tratamentos de melhoria em sua aparência. No entanto, recomenda-se não empilhar cachos nem arremessar pencas. Se possível, fazer o despencamento depositando as pencas em um tanque para depois embalá-las. A colocação das pencas nas caixas deve ser cuidadosa, sem forçar a entrada dos frutos nas caixas e evitando o excesso de carga. Estas práticas apenas depreciam a aparência dos frutos e podem levar ao amadurecimento precoce e desenvolvimento de doenças.

Em casas de embalagem, os cuidados com os frutos são mais adequados e rigorosos. Após a despenca, as pencas são depositadas em um tanque de lavagem com água potável, cujas dimensões devem ser adequadas ao volume de frutos beneficiados, de forma que não haja sobreposição de pencas no tanque. Esta lavagem é importante pois auxilia na redução do metabolismo do fruto e melhora a aparência pela retirada de sujidades. Podem ser utilizados um detergente líquido neutro, para facilitar a limpeza, e o sulfato de alumínio, para facilitar a cicatrização dos cortes nas almofadas e precipitar resíduos orgânicos.

Quando o mercado consumidor aceita receber frutos em buquês (subdivisões da penca), recomenda-se a confecção destes, visto que facilitam a embalagem e comercialização. Neste caso, a confecção dos buquês é realizada com pequenas facas ou canivetes, aproveitando para retirar frutos defeituosos, cuidando para fazer o acabamento de remoção dos excessos de almofada e depositando os buquês em um segundo tanque de água potável, no qual é utilizado apenas o sulfato de alumínio.

Os tanques devem ser dotados de esguichos de água para o deslocamento dos frutos. Tanques de água corrente são mais indicados porque permitem a renovação contínua da água.

Na saída do segundo tanque, os buquês são retirados, selecionados de acordo com a classificação desejada, tratados com fungicida, se necessário, pesados e embalados. O embalamento deve seguir os mesmos cuidados citados anteriormente.

Os frutos amadurecem rapidamente em temperaturas acima de 25 °C. Se não for possível reduzir a temperatura com uso do frio, recomenda-se transportar os frutos durante a noite, armazenar ou expor os frutos em locais sombreados e ventilados, sem amontoá-los ou abafá-los.

Para que se prolongue a conservação dos frutos, é necessário o uso do frio. Neste caso, as frutas podem ser transportadas e armazenadas com segurança a 14 °C por pelo menos duas semanas até sua retirada para comercialização. Quanto menor a temperatura e maior o tempo de exposição dos frutos a esta condição, maiores as chances de ocorrência de ‘chilling’, que são danos causados pelo frio que depreciam a qualidade dos frutos. A temperatura mínima de armazenagem depende da sensibilidade da banana a danos pelo frio, sensibilidade esta que é afetada pela cultivar, condições de cultivo e tempo de exposição a uma dada temperatura. A melhor indicação de danos pelo frio em banana verde é a presença de pintas marrom-avermelhadas sob a epiderme. Na banana madura, os danos são caracterizados por uma aparência cinza opaca esfumaçada, em vez da cor amarela brilhante da casca.

Sendo armazenada ou não em ambiente refrigerado, recomenda-se realizar o processo de climatização, que uniformiza a maturação a partir da exposição dos frutos ao etileno. Esta etapa é importante para minimizar as variações que ocorrem naturalmente no amadurecimento dos frutos devido às suas diferentes idades. O processo é bastante facilitado pelos procedimentos pós-colheita anteriormente citados, cuidando-se para uma boa padronização dos frutos a serem tratados.

Para climatizar bananas, recomenda-se o gás etileno, comercializado em sua forma diluída (geralmente 5% etileno), por reduzir consideravelmente os riscos de explosão. Alternativamente existem geradores de etileno que podem ser utilizados com segurança. Este tratamento deve ser realizado em uma câmara refrigerada e hermeticamente fechada para evitar o escape do gás.

A quantidade a ser utilizada depende do tamanho da câmara, da cultivar de banana e da temperatura de climatização. Bananas do tipo Cavendish necessitam de mais etileno (maior concentração e por mais tempo) que bananas do tipo Prata. A temperatura deve ficar entre 14 °C e 20 °C, sendo recomendável 18 °C para o subgrupo Cavendish e 16 °C para o subgrupo Prata. Esta temperatura pode ser ajustada de acordo com a velocidade de maturação que se deseja, reduzindo-se a temperatura a cada dia para um amadurecimento mais lento, ou mantendo-a mais alta para maior rapidez no processo.

Não se recomenda o uso de carbureto de cálcio para induzir o amadurecimento das bananas, por ser um produto de baixa eficiência e prejudicial à saúde dos aplicadores, principalmente quando usado em condições mais precárias. Há também produtos elaborados com etefom, princípio ativo cuja eficiência é comprovada para uniformização da maturação de bananas, que não devem ser usados se não forem registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para este fim.






terça-feira, 14 de maio de 2019

Colheita da Banana Irrigada



A banana é a fruta fresca de maior consumo no mundo. Sua casca constitui-se numa embalagem individual, fácil de retirar e higiênica. Por outro lado, a banana é uma fruta frágil, que exige grandes cuidados na colheita e no manejo pós-colheita.

A colheita é uma operação que deve ser planejada e executada cuidadosamente. É neste momento que se define o potencial de qualidade do fruto a ser comercializado. No Brasil, os critérios para colheita do cacho são geralmente empíricos, especialmente quando o produto se destina ao mercado local.

Visando a determinação do ponto de colheita, muitos índices e critérios de colheita foram estudados e/ou usados, sendo os mais comuns baseados na avaliação visual da presença de quinas nos frutos, no diâmetro do fruto da segunda penca e na idade do cacho.

A avaliação visual do fruto para a colheita baseia-se em sua aparência morfológica, e é um método não destrutivo. Ela facilita a colheita em plantas altas, mas pode incorrer em graves erros de apreciação, com perdas importantes na colheita por corte antecipado ou retardado do cacho. Nas cultivares Maçã e Prata, um dos principais indicadores do completo desenvolvimento fisiológico dos frutos é o desaparecimento das quinas da superfície dos mesmos, podendo-se, então, colher o cacho.

Conforme a distância do mercado, a fruta é colhida com quinas mais ou menos pronunciadas. Apesar de seus inconvenientes, este método ainda é o mais usado no Brasil, por ser de fácil aplicação por pessoas experientes. Este indicador não pode ser usado nas cultivares Terra, D’Angola, Figo Cinza, Figo Vermelho ou Marmelo, pois as quinas permanecem salientes mesmo em frutos maduros.

O diâmetro do dedo central da segunda penca do cacho, ou calibre do cacho, é muito usado em diferentes países para a determinação do ponto de colheita de bananas do subgrupo Cavendish. A sua determinação é feita por meio de um calibrador que dá a distância entre as duas faces laterais do fruto, em milímetros.

Frutos com calibre abaixo de 30 mm são considerados impróprios para o consumo. Entre 32 e 34 mm, são mais indicados para a exportação para os países platinos. Para o mercado interno, as frutas devem ter entre 36 e 38 mm, sendo as de 36 mm as que apresentam melhor qualidade após a maturação. De acordo com o tamanho do cacho (número de pencas), o ponto de colheita pode variar.

Para o mercado interno, as bananas Cavendish devem ser colhidas nos seguintes calibres: cachos de 8 pencas com 34 mm; cachos de 9 a 10 pencas com 34 e 36 mm; cachos de 11 e 12 pencas com 36 e 38 mm e cachos com mais de 12 pencas com 38 mm.

Além das condições climáticas, diversos outros fatores influenciam na decisão do ponto de colheita quando a idade do cacho é envolvida: idade e sombreamento do bananal; cultivar plantada e seu ciclo natural de produção; tecnologias e práticas de cultivo; época ou estação do ano; disponibilidade de água para a cultura; incidência de pragas e doenças; tipo de embalagem e transporte; distância do mercado e tempo de transporte; relação oferta/demanda e flutuações de preços; finalidade de uso dos frutos.

Programação de colheita
Nos climas tropicais, a programação de colheita é feita com três meses de antecedência. Quando do ensacamento de proteção do cacho lançado, usa-se uma fita colorida para amarrar a extremidade superior do saco plástico. Esta marcação facilita a operação de colheita e evita a perda de tempo, causada principalmente devido a algumas colorações de sacos, para a equipe avaliar o ponto de colheita dos cachos. A cada semana usam-se fitas de coloração diferente para identificar cachos emitidos na mesma época, permitindo a previsão de colheita pela contagem das fitas utilizadas a cada semana.

Técnicas de colheita
A colheita tradicional, realizada por apenas uma pessoa, é utilizada para as cultivares de porte baixo a médio e no primeiro ciclo de plantas de porte médio, quando o cacho é pequeno e a colheita é de mais fácil execução. No entanto, este método apresenta vários riscos à aparência e à integridade da fruta, devido ao manuseio do cacho que causa ferimentos na casca, cortes e esmagamentos nas frutas.

Para evitar danos na colheita é recomendável que a operação seja feita sempre em equipes, com um cortador, com aparadores/carregadores e com um arrumador. A mesma equipe de colheita deve atuar sempre no mesmo talhão do bananal. Nas cultivares de porte médio-alto, como a Nanicão e a Prata Anã, e de porte alto, como a Prata e a Pacovan, este procedimento é essencial para a preservação da qualidade da fruta.

Na colheita em equipe, o cortador verifica o ponto de colheita, dobra levemente a planta, cortando parcialmente o pseudocaule. Logo após, utilizando facões, penados, foices ou espátulas de colheita, corta o engaço para separar o cacho da planta. Em seguida, corta e deposita os restos da planta nas entrelinhas do bananal.

O aparador já deve estar posicionado próximo ao cortador para acomodar o cacho no ombro protegido por material macio, evitando que o cacho atinja o solo. Em seguida, deve conduzir o cacho para fora do bananal e depositá-lo no cabo aéreo ou numa carreta de transporte. A equipe de colheita conta ainda com um arrumador, que coloca material de proteção e acondiciona os cachos nas carretas de transporte. Quando é usado o transporte de cachos por cabos aéreos, o arrumador auxilia na formação das composições de cachos, coloca material de proteção entre as pencas e conduz as composições até a casa de embalagem.






quinta-feira, 18 de abril de 2019

Pragas da Bananeira Irrigada



Principais pragas e métodos de controle

Broca-do-rizoma - Cosmopolites sordidus (Germ.) (Coleoptera: Curculionidae)
O adulto é um besouro preto, conhecido também como moleque-da-bananeira, que mede cerca de 11 mm de comprimento e 5 mm de largura (Figura 1). Durante o dia, os adultos são encontrados em ambientes úmidos e sombreados junto às touceiras, entre as bainhas foliares e nos restos culturais. Os danos são causados pelas larvas, as quais constroem galerias no rizoma (Figura 2), debilitando as plantas e tornando-as mais sensíveis ao tombamento. Plantas infestadas normalmente apresentam desenvolvimento limitado, amarelecimento e posterior secamento das folhas, redução no peso do cacho e morte da gema apical.

Foto: Nilton Fritzons Sanches.
Foto do adulto da broca-do-rizoma da bananeira.
Figura 1. Adulto da broca-do-rizoma da bananeira.

Foto: Zilton José Maciel Cordeiro.
Foto dos danos provocados pela larva da broca-do-rizoma da bananeira.
Figura 2. Danos provocados pela larva da broca-do-rizoma da bananeira.



Controle: a utilização de mudas sadias (convencionais ou micropropagadas) é o primeiro cuidado a ser tomado para o controle dessa praga, evitando que ela não seja levada pelo material propagativo para novas áreas de plantio.

O emprego de iscas atrativas tipo telha ou queijo é bastante útil no monitoramento/controle do moleque. Estas devem ser confeccionadas com plantas recém-colhidas (no máximo até 15 dias após a colheita). Recomenda-se o emprego de 20 iscas por hectare (monitoramento) e de 50 a 100 iscas por hectare (controle), com coletas semanais e renovação das iscas a cada quinze dias. Os insetos capturados podem ser coletados manualmente e, posteriormente, destruídos. As iscas também podem ser tratadas com inseticida biológico à base de um fungo entomopatogênico (Beauveria bassiana), dispensando-se, nesse caso, a coleta dos insetos. O modo de atuação do controle biológico é por contato, sendo que os insetos contaminados podem demorar cerca de sete a dez dias para morrer após a aplicação do produto e mais alguns dias até o aparecimento da massa branca externa ao corpo do inseto, responsável pela disseminação do fungo para insetos sadios.

O controle por comportamento preconiza o emprego de feromônio sintético para atração dos insetos. Utilizam-se armadilhas tipo poço ou rampa (Figuras 3 e 4), ou seja, recipientes plásticos nos quais o sachê contendo o produto deve ser colocado acima do nível do solo e livre para permitir a dispersão do odor. No fundo das armadilhas, recomenda-se que seja adicionada solução de água + detergente neutro a 3% para impedir que os insetos atraídos saiam das armadilhas. Recomenda-se o uso de quatro armadilhas por hectare para o monitoramento da broca, devendo-se renovar o sachê contendo o feromônio a cada 30 dias.

Foto: Marilene Fancelli.
Foto da armadilha de feromônio tipo poço.
Figura 3. Armadilha de feromônio tipo poço.

Foto: Ana Lúcia Borges.
Foto da armadilha de feromônio tipo rampa, com detalhe para o sachê contendo o produto.
Figura 4. Armadilha de feromônio tipo rampa, com detalhe para o sachê contendo o produto.



O uso de inseticidas deve ser realizado de acordo com os procedimentos de segurança recomendados pelo fabricante e órgãos estaduais e federais de defesa vegetal. Informações acerca dos produtos registrados para a cultura para o controle da broca-do-rizoma podem ser obtidas no site do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), em Sistema de Agrotóxicos Fitossanitários – AGROFIT, na Secretaria de Defesa Agropecuária – DAS  (http://agrofit.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons).

Tripes
Tripes da erupção dos frutos - Frankliniella spp. (Thysanoptera: Aelothripidae)
Apesar do pequeno tamanho (cerca de 1 mm de comprimento) e da agilidade, são facilmente vistos por causa da coloração branca ou marrom-escura. Os adultos são encontrados geralmente em flores jovens abertas. Também podem ocorrer nas flores ainda protegidas pelas brácteas. Os danos provocados por esses tripes manifestam-se nos frutos em desenvolvimento, na forma de pontuações marrons e ásperas ao tato (Figura 5), o que reduz o seu valor comercial, mas não interfere na qualidade da fruta.

Foto: Aristoteles Pires de Matos.
Foto do dano provocado pelo tripes da erupção dos frutos.
Figura 5. Danos provocados pelo tripes da erupção dos frutos.



Controle: a despistilagem e a eliminação do coração podem reduzir a população desses insetos, contribuindo para diminuição dos prejuízos. Recomenda-se a utilização de sacos impregnados com inseticida (conforme procedimentos de segurança recomendados pelo fabricante e órgãos estaduais e federais de defesa vegetal), no momento da emissão do cacho, para reduzir os prejuízos causados pelo tripes da erupção dos frutos.

Tripes da ferrugem dos frutos - Chaetanaphothrips spp., Caliothrips bicinctus Bagnall,Tryphactothrips lineatus Hood, Bradinothrips musae (Thysanoptera: Thripidae)
São insetos pequenos (1 a 1,2 mm de comprimento), que vivem nas inflorescências, entre as brácteas do coração e os frutos. Seu ataque provoca o aparecimento de manchas de coloração marrom (semelhante à ferrugem) (Figura 6). O dano é causado pela oviposição e alimentação do inseto nos frutos jovens. Em casos de forte infestação, a epiderme pode apresentar pequenas rachaduras em função da perda de elasticidade. B. musae tem importância quarentenária para alguns países importadores de banana.

Foto: Ana Lúcia Borges.
Foto do dano provocado pelo tripes da ferrugem dos frutos.
Figura 6. Danos provocados pelo tripes da ferrugem dos frutos.



Controle: para o controle desses insetos, deve-se efetuar o ensacamento do cacho e a remoção das plantas infestantes, tais como Commelina sp. e Brachiaria purpurascens, hospedeiras alternativas dos insetos.

Lagartas desfolhadoras - Caligo spp., Opsiphanes spp. (Lepidoptera: Nymphalidae), Antichloris spp. (Lepidoptera: Arctiidae)
As principais espécies de Caligo que ocorrem no Brasil são brasiliensis, beltrao e illioneus. No estágio adulto, Caligo sp. é conhecida como borboleta-corujão. As lagartas, no máximo desenvolvimento, chegam a medir 12 cm de comprimento e apresentam coloração parda (Figura 7). No gênero Opsiphanes, registram-se no Brasil as espécies invirae e cassiae. Na fase adulta, são borboletas que apresentam asas de coloração marrom, com manchas amareladas. Na fase jovem, as lagartas possuem coloração verde, com estrias amareladas ao longo do corpo, alcançando cerca de 10 cm de comprimento (Figura 7). O terceiro grupo de lagartas que ataca a bananeira pertence às espécies Antichloris eriphia e A. viridis. Os adultos são mariposas de coloração escura, com brilho metálico. As lagartas apresentam fina e densa pilosidade de coloração creme, medindo 3 cm de comprimento (Figura 7). As lagartas pertencentes ao gênero Caligo e Opsiphanes provocam a destruição de grandes áreas, enquanto que as do gênero Antichloris apenas perfuram o limbo foliar (Figura 8).

Fotos: Antonio Lindemberg Martins Mesquita (a e b) e Aristoteles Pires de Matos (c).
Foto das lagartas de Caligo sp., Opsiphanes sp. e Antichloris sp. (da esquerda para direita). 
Figura 7. Lagartas de Caligo sp. (a), Opsiphanes sp. (b) e Antichloris sp. (c).

Foto: Antonio Lindemberg Martins Mesquita.
Foto dos danos causados por lagartas desfolhadoras.
Figura 8. Danos causados por lagartas desfolhadoras.



Controle: normalmente, não há necessidade de intervenção para controle desses insetos, em vista de que os inimigos naturais mantêm a população de lagartas sob controle. Dessa forma, recomenda-se que qualquer aplicação de inseticidas no bananal seja realizada com cautela, para evitar a destruição dos inimigos naturais.

Pulgão da bananeira - Pentalonia nigronervosa Coq. (Hemíptera: Aphididae)
As colônias desse inseto localizam-se na porção basal do pseudocaule, protegidas pelas bainhas foliares externas. Medem cerca de 1,2 a 1,6 mm de comprimento, sendo que as formas adultas apresentam coloração marrom, enquanto que as formas jovens são mais claras. Os danos diretos são devidos à sucção de seiva das bainhas foliares externas (próximo ao nível do solo), levando à clorose das plantas e deformação das folhas. Em altos níveis populacionais, podem ser encontrados no ápice do pseudocaule, provocando o enrugamento da folha terminal. Os danos indiretos são devidos à transmissão do mosaico da bananeira (CMV).

Controle: os inimigos naturais presentes no bananal são fundamentais para a manutenção das populações do pulgão da bananeira em níveis não prejudiciais à cultura.

Ácaros de teia - Tetranychus spp. (Acari: Tetranychidae)
Na forma adulta, medem cerca de 0,5 mm de comprimento. Apresentam coloração avermelhada, com pigmentação mais acentuada lateralmente. Os ácaros formam colônias na face inferior das folhas, tecendo teias no limbo foliar normalmente em torno da nervura principal (Figura 9). São favorecidos por umidade relativa baixa. O ataque dessa praga torna a região infestada inicialmente amarelada; posteriormente, torna-se necrosada, podendo secar a folha. Sob alta infestação, podem ocorrer danos aos frutos.

Foto: Nilton Fritzons Sanches.
Foto dos danos causados pelos ácaros tetraniquídeos (de teia).
Figura 9. Danos causados pelos ácaros tetraniquídeos (de teia).

Controle: Não há produtos registrados para o controle desta praga em bananeira.



domingo, 10 de março de 2019

Doenças na Banana Irrigada



As bananeiras são afetadas, durante todo o seu ciclo vegetativo e produtivo, por um grande número de doenças, cujos principais agentes causais são os fungos, as bactérias e os vírus. Neste capítulo, entretanto, serão tratados os problemas causados por fungos e bactérias.

Doenças fúngicas
Sigatokas amarela e negra
Essas doenças são de grande importância para a bananicultura mundial, mas diante das condições climáticas do Submédio São Francisco, as manchas causadas por Mycosphaerella musicola (sigatoka-amarela) e M. Fijiensis (sigatoka-negra) não têm importância econômica para a produção de banana desta região. A sigatoka-amarela ocorre em baixo nível e a sigatoka-negra ainda não foi constatada.

Mal-do-panamá
O mal-do-panamá é uma doença endêmica por todas as regiões produtoras de banana do mundo. No Brasil, o problema é limitante para o cultivo da banana-maçã, tem se tornado grave sobre as cultivares do tipo Prata, e preocupante em razão das ocorrências cada vez mais frequentes em bananas do tipo Cavendish, que são resistentes.

Agente causal: o mal-do-panamá é causado por Fusarium oxysporum f. sp. cubense (E.F. Smith) Sn e Hansen. As principais formas de disseminação da doença são o contato dos sistemas radiculares de plantas sadias com esporos liberados por plantas doentes e, em muitas áreas, o uso de material de plantio contaminado. O fungo também é disseminado por água de irrigação, de drenagem, de inundação, assim como pelo homem, por animais e equipamentos.

Sintomas: plantas infectadas exibem um amarelecimento progressivo das folhas mais velhas para as mais novas, começando pelos bordos do limbo foliar e evoluindo no sentido da nervura principal. Posteriormente, as folhas murcham, secam e se quebram junto ao pseudocaule, dando às plantas a aparência de um guarda-chuva fechado (Figura 1a). É comum constatar-se que as folhas centrais das bananeiras permanecem eretas mesmo após a morte das mais velhas. Próximo ao solo, observam-se rachaduras do feixe de bainhas (Figura 1b), cuja extensão varia com a área afetada no rizoma. Internamente, observa-se uma descoloração pardo-avermelhada na parte mais externa do pseudocaule provocada pela presença do patógeno nos vasos (Figura 1c).

Foto da planta com mal-do-Panamá.
Figura 1. Planta com mal-do-panamá, exibindo amarelecimento progressivo das folhas mais velhas em direção às mais novas e posterior quebra junto ao pseudocaule (a), rachadura no feixe de bainhas (b) e rizoma completamente tomado de sintomas (c).



Danos e distúrbios fisiológicos: o mal-do-panamá, quando ocorre em cultivares altamente suscetíveis como a banana-maçã, pode provocar perdas de 100% na produção. Já nas cultivares tipo Prata, cujo grau de suscetibilidade é menor do que a ‘Maçã’, as perdas, geralmente, situam-se num patamar dos 20%. Vale salientar, no entanto, que o nível de perdas é influenciado por características de solo, que em alguns casos comporta-se como supressivo ao patógeno.

Controle: o melhor meio para o controle do mal-do-panamá é a utilização de cultivares resistentes, dentre as quais podem ser citadas as cultivares do subgrupo Cavendish e do subgrupo Terra, a ‘Caipira’, ‘Thap Maeo’, ‘BRS Pacovan Ken’, ‘BRS Preciosa’, ‘Fhia-Maravilha’, ‘BRS Platina’ e outras. As cultivares tipo Maçã, como ‘BRS Tropical’ e ‘BRS Princesa’ são tolerantes à doença e têm apresentado boa convivência com o patógeno, podendo tornar-se alternativa para a região do Submédio São Francisco.

Independentemente de se utilizar cultivares resistentes, é importante a adoção de medidas protetivas, tais como as recomendadas abaixo:

a) evitar as áreas com histórico de ocorrência do mal-do-panamá, principalmente no caso do plantio de cultivares com baixa resistência;

b) utilizar mudas comprovadamente sadias e livres de nematoides;

c) corrigir o pH do solo, mantendo-o próximo à neutralidade e com níveis ótimos de cálcio e magnésio, que são condições menos favoráveis ao patógeno;

d) dar preferência a solos com teores mais elevados de matéria orgânica, o que aumenta a concorrência entre as espécies, dificultando a ação e a sobrevivência de F. oxysporum cubense no solo;

e) manter as populações de nematoides sob controle, já que eles podem ser responsáveis pela quebra da resistência ou facilitar a penetração do patógeno, através dos ferimentos;

f) manter as plantas bem nutridas, guardando sempre uma boa relação entre potássio, cálcio e magnésio.

g) erradicar as plantas doentes, utilizando herbicida nos bananais já estabelecidos, e em que a doença começa a se manifestar. Isto evita a propagação do inóculo na área de cultivo. Na área erradicada, aplicar calcário ou cal hidratada e matéria orgânica. Para o replantio, deixar a área em pousio (vegetação espontânea ceifada) por seis meses e replantar com cultivar resistente.

Doenças de frutos
Doenças de pré-colheita
Podem ocorrer sobre os frutos ainda no campo as seguintes doenças: lesão-de-Johnston, causada pelo fungo Pyricularia grisea; mancha-parda, causada por Cercospora hayi; mancha-losango, cujo invasor primário é Cercospora hayi, seguido por Fusarium solani, F. roseum e possivelmente outros fungos; pinta-de-deightoniella, causado pelo fungo Deightoniella torulosa, que é um habitante frequente de folhas e flores mortas; ponta-de-charuto, cujos patógenos mais isolados das lesões são Verticillium theobromae e Trachysphaera fructigena.

Medidas de controle: as práticas utilizadas visam basicamente as reduções do potencial de inóculo, pela eliminação de partes senescentes, e do contato entre patógeno e hospedeiro – a) eliminação de folhas mortas ou em senescência; b) eliminação periódica de brácteas, principalmente durante o período chuvoso; c) ensacamento dos cachos com saco de polietileno perfurado, tão logo ocorra a formação dos frutos; d) implementação de práticas culturais adequadas, orientadas para a manutenção de boas condições de drenagem, densidade populacional adequada, roçagem da cobertura do solo, a fim de evitar um ambiente muito úmido na plantação.

Doenças de pós-colheita
Podem ocorrer: podridão-da-coroa, cujos fungos mais frequentemente associados ao problema são: Fusarium roseum (Link) Sny e Hans., Verticillium theobromae (Torc.) Hughes e Gloeosporium musarum Cooke e Massel (Colletotrichum musae Berk e Curt.). Uma série de outros fungos também tem sido isolada, porém com menor frequência.

A Antracnose é considerada o mais grave problema na pós-colheita desta fruta, sendo causada por Colletotrichum musae.

Controle: deve começar no campo, com boas práticas culturais, ainda na pré-colheita. Na fase de colheita e pós-colheita, todos os cuidados devem ser tomados no sentido de evitar ferimentos nos frutos, que são a principal via de penetração dos patógenos. As práticas de despencamento, lavagem e embalagem devem ser executadas com manuseio extremamente cuidadoso dos frutos e medidas rigorosas de assepsia.

Doenças Bacterianas
Moko
No Brasil, o moko ou murcha bacteriana está presente em todos os estados da região Norte com exceção do Acre. Surgiu também no Estado de Sergipe, em 1987, e posteriormente em Alagoas, onde vem sendo mantida sob controle, mediante erradicação dos focos que têm surgido periodicamente.

Agente causal: a doença é causada pela bactéria Ralstonia solanacearum Smith (Pseudomonas solanacearum), raça 2. A transmissão e a disseminação da bactéria podem ocorrer de diferentes formas, dentre as quais se destaca o uso de ferramentas infectadas nas várias operações que fazem parte do trato dos pomares, bem como a contaminação de raiz para raiz ou do solo para a raiz. Outro veículo importante de transmissão são os insetos visitadores de inflorescências, tais como as abelhas (Trigona spp.), vespas (Polybia spp.), pequenas moscas (Drosophyla spp.) e muitos outros gêneros.

Sintomas: nas plantas jovens e em rápido processo de crescimento, uma das três folhas mais novas adquire coloração verde-pálida ou amarela, e se quebra próximo à junção do limbo com o pecíolo. No espaço de poucos dias a uma semana, muitas folhas se quebram. O sintoma mais característico do moko, entretanto, se manifesta nas brotações novas que foram cortadas e voltaram a crescer. Estas escurecem, atrofiam e podem apresentar distorções. As folhas, quando afetadas, podem amarelecer ou necrosar.

A descoloração vascular do pseudocaule é mais intensa no centro (Figura 2a) e é menos aparente na região periférica, ao contrário do que ocorre na planta atacada pelo mal-do-panamá. Os sintomas em frutos aparecem na forma de podridão seca, firme, de coloração parda (Figura 2b).

Foto do corte realizado em plantas afetadas pelo moko, mostrando a descoloração vascular concentrada no centro do pseudocaule (a) e podridão seca na polpa (b).
Figura 2. Corte realizado em plantas afetadas pelo moko, mostrando a descoloração vascular concentrada no centro do pseudocaule (a) e podridão seca na polpa (b).


Para um teste rápido, destinado a detectar a presença da bactéria nos tecidos da planta, utiliza-se um copo transparente com água até dois terços de sua altura, em cuja parede se adere uma fatia delgada da parte afetada (pseudocaule ou engaço), cortada no sentido longitudinal, fazendo-a penetrar ligeiramente na água. Em menos de um minuto, ocorre a descida do fluxo bacteriano, de coloração leitosa.

Danos e distúrbios fisiológicos: as perdas causadas pela doença podem atingir até 100% da produção, mas com vigilância permanente e erradicação de plantas afetadas, é possível conviver com a doença e mantê-la em baixa percentagem de incidência.

Controle: como na região não há casos relatados de ocorrência de moko, a base do controle é evitar a introdução da doença, não introduzindo na área mudas de bananeira ou de qualquer outra musacea, oriundas das regiões de ocorrência.

Podridão-mole
Agente causal: a podridão-mole é causada pela bactéria Erwinia carotovora subsp. Carotovora, ainda considerada de importância secundária.

Sintomas: a doença inicia-se no rizoma, causando seu apodrecimento, progredindo posteriormente para o pseudocaule. Ao se cortar o rizoma ou pseudocaule de uma planta afetada, pode ocorrer a liberação de grande quantidade de material líquido fétido, daí o nome podridão aquosa. Na parte aérea, os sintomas podem ser confundidos com aqueles do moko ou mal-do-panamá. A planta, normalmente, expressa sintomas de amarelecimento e murcha das folhas podendo ocorrer quebra da folha no meio do limbo ou junto ao pseudocaule. Os sintomas são mais típicos em plantas adultas, mas tendem a ocorrer com maior severidade em plantios jovens estabelecidos em solos infectados, devido à presença de ferimentos gerados pela limpeza das mudas.

Controle: nas ações de controle, deve-se observar: 1) manejar corretamente a irrigação, de modo a evitar excesso de umidade no solo; 2) eliminar plantas doentes ou suspeitas, procedendo-se a vistorias periódicas da área plantada; 3) utilizar, em lugares com histórico de ocorrência de doenças, mudas já enraizadas, para prevenir infecções precoces; 4) utilizar práticas culturais que promovam a melhoria da estrutura e aeração do solo.

Viroses
No Brasil, ocorrem, na cultura da bananeira, o vírus das estrias da bananeira e o vírus do mosaico do pepino.

Estrias da bananeira – BSV (Banana Streak Virus)
O vírus das estrias da bananeira (Banana streak virus, BSV) é disseminado pelo plantio de mudas infectadas. Na natureza, ele é transmitido de bananeira para bananeira pela cochonilha Planococcus citri, mas essa forma de transmissão é pouco eficiente.

O BSV produz inicialmente estrias amareladas nas folhas, que, posteriormente, ficam escurecidas ou necrosadas (Figuras 3a e 3b). Pode ocorrer a deformação dos frutos e a produção de cachos menores. As plantas apresentam menor vigor, podendo em alguns casos ocorrer a morte do topo da planta, assim como a necrose interna do pseudocaule. Geralmente, os sintomas são percebidos apenas em alguns períodos do ano.

Foto da folha de bananeira com sintomas do vírus das estrias da bananeira (Banana streak virus, BSV): a) estrias cloróticas e b) estrias necróticas.
Figura 3. Folha de bananeira com sintomas do vírus das estrias da bananeira (Banana streak virus, BSV): a) estrias cloróticas e b) estrias necróticas.

Mosaico, clorose infecciosa ou “heart rot” – CMV (Cucumber mosaic virus)
Esta virose é causada pelo vírus do mosaico do pepino (Cucumber mosaic virus, CMV), que é transmitido na natureza por várias espécies de afídeos e pelo uso de mudas infectadas. A fonte de inóculo para a infecção de novos plantios de bananeira provém, geralmente, de outras culturas próximas aos plantios ou de plantas infestantes presentes no bananal ou na sua proximidade, especialmente trapoeraba ou maria-mole (Commelina diffusa).

Os sintomas da infecção pelo CMV variam de estrias amareladas, mosaico, redução de porte, folhas lanceoladas, necrose do topo, assim como pode haver distorção dos frutos, com o surgimento de estrias cloróticas ou necrose interna. A necrose da folha vela e do pseudocaule pode acontecer quando ocorrem na região temperaturas abaixo de 24ºC (Figura 4).

Foto da folha de bananeira com sintomas causados pelo vírus do mosaico do pepino (Cucumber mosaic virus, CMV): a) mosaico e b) necrose da folha vela.
Figura 4. Folha de bananeira com sintomas causados pelo vírus do mosaico do pepino (Cucumber mosaic virus, CMV): a) mosaico e b) necrose da folha vela.

O CMV virose está presente nas principais áreas produtoras de bananeira, podendo provocar perdas elevadas em plantios novos, especialmente quando eles são estabelecidos em áreas com elevada incidência de trapoeraba, alta população de pulgões e próximas a culturas hospedeiras da virose, como as hortaliças.

Controle:

utilizar mudas livres de vírus. A instrução normativa Nº 29 de 29/02/2012 do Ministério da Agricultura (BRASIL, 2012) determina que as mudas de bananeira devem estar livres de CMV e BSV, assim como as condições nas quais elas precisam ser produzidas;
evitar a instalação de bananais próximos a plantios de hortaliças e cucurbitáceas (hospedeiras de CMV);
controlar as plantas infestantes dentro e em volta do bananal;
erradicar as plantas com sintomas nos plantios já estabelecidos;
manter o bananal com suprimento adequado de água, adubação e controle de pragas, para evitar estresse;
se utilizar mudas micropropagadas para a instalação de um bananal, é importante que sejam mantidas em viveiro à prova de pulgões até atingirem cerca de 1 metro de altura, pois se tornam menos atrativas para os pulgões vetores do CMV.
Nematoides
Os nematoides são microrganismos tipicamente vermiformes que, em sua maioria, completam o ciclo de vida no solo. Sua disseminação é altamente dependente do homem, seja por meio de mudas contaminadas, deslocamento de equipamentos de áreas contaminadas para áreas sadias, ou por meio da irrigação e/ou água das chuvas.

A infecção por nematoides provoca redução no porte da planta, amarelecimento das folhas, seca prematura, má formação de cachos, refletindo em baixa produção e reduzindo a longevidade dos plantios. Nas raízes, podem ser observados o engrossamento e nodulações, que correspondem às galhas e massa de ovos, devido à infecção por Meloidogyne spp. (nematoide-das-galhas) ou mesmo necrose profunda ou superficial provocada pela ação isolada ou combinada das espécies Radopholus similis (nematoide cavernícola), Helicotylenchus spp. (nematoide espiralado), Pratylenchus sp. (nematoide das lesões), ou Rotylenchulus reniformis (nematoide reniforme), que são os mais frequentes na bananicultura brasileira e mundial. Esses nematoides contribuem para a formação de áreas necróticas extensas que podem também ser parasitadas por outros microrganismos.

Os danos causados pelos fitonematoides podem ser confundidos ou agravados com outros problemas de ordem fisiológica, como estresse hídrico, deficiência nutricional, ou pela ocorrência de pragas e doenças de origem virótica, bacteriana ou fúngica, devido à redução da capacidade de absorver água e nutrientes, pelo sistema radicular. Quando associados ao ataque da broca do rizoma o diagnóstico pode ser atribuído somente à broca devido à facilidade de visualização das cavidades formadas pelas larvas. A sustentação da planta é também bastante comprometida. A diagnose correta deve ser realizada por meio de amostragem de solo e raízes e do conhecimento da cultivar utilizada, uma vez que há variabilidade no nível de dano entre as cultivares de bananeira.

Controle: após o estabelecimento de fitonematoides no bananal, o seu controle é muito difícil. Portanto, a medida mais eficaz é a utilização de mudas sadias, micropropagadas, e o plantio em áreas livres de nematoides. O descorticamento do rizoma combinado com o tratamento térmico ou químico pode reduzir sensivelmente a população de nematoides nas mudas infestadas. Neste caso, após limpeza, os rizomas devem ser imersos em água limpa à temperatura de 55 ºC por 20 minutos.

Em solos infestados, a utilização de plantas antagônicas, como crotalária (Crotalaria spectabilis, C. paulinea), incorporadas ao solo antes do seu florescimento, pode reduzir a população dos nematoides e favorecer a longevidade da cultura. Em pomares já instalados, a eficiência desta estratégia está relacionada principalmente com o nível populacional, tipo de solo e idade da planta, sendo recomendado o plantio dessas espécies ao redor das bananeiras. A utilização de matéria orgânica junto ao rizoma é mais benéfica que a matéria orgânica depositada entre as linhas de cultivo. Entre outros benefícios da utilização da matéria orgânica, a presença de numerosos outros organismos no solo é favorecida para o processo de manutenção e estabilidade da cadeia alimentar. Pois objetiva-se com esse manejo manter a população de fitoparasitas abaixo do nível de dano, o que poderá ser alcançado somente por meio de mecanismos de supressão natural atribuída a esses microrganismos, favorecendo o controle biológico. Contudo, deve-se considerar diferentes respostas na ecologia do solo, principalmente aqueles onde existia utilização frequente de pesticidas.

Para evitar a disseminação dos nematoides, por meio de equipamentos de desbrota ou capinas, recomenda-se a lavagem completa e a desinfestação superficial dos equipamentos com solução de formaldeído (20 g/L). Esses tratos culturais devem, sempre que possível, ser iniciados em áreas de melhor condição nutricional e sanitária. Desta forma, evita-se a disseminação de pragas e doenças passíveis de serem encontradas em áreas menos vigorosas para as áreas mais vigorosas.





sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Manejo de Plantas Daninhas na Banana



Manejo de plantas infestantes
A bananeira é uma planta muito sensível à competição por plantas infestantes pelos fatores de produção como nutrientes e, principalmente, por água, resultando na redução do vigor e queda da produção.

Num programa de controle do mato na cultura da bananeira, é importante considerar seu sistema radicular superficial, portanto, sujeito a danos pelas capinas mecânicas.

Nas áreas com declives acentuados, exige-se um manejo adequado das plantas infestantes, assim como das coberturas vegetais, como práticas conservacionistas.

Outro aspecto a ser considerado na convivência do mato com a cultura da banana, sem prejuízo na produção, é quanto ao enfoque conservacionista, pela redução significativa que a cobertura do solo causa nas perdas de solo e água por escoamento, nas áreas declivosas, além de servir como fonte de alimento e abrigo de inimigos naturais de pragas.

Matocompetição na cultura da banana
A bananeira é muito sensível à competição por plantas infestantes pelos fatores de produção no período de formação do bananal, exigindo limpas mensais, por proporcionarem crescimento mais rápido da planta e produção mais elevada. Avaliando-se o efeito das plantas infestantes sobre o peso do cacho da cultivar Prata em áreas declivosas do Estado do Espírito Santo, foi observado, na planta mãe, que o peso do cacho foi prejudicado quando a primeira capina foi realizada após 30 dias do plantio, tendo sido atribuído à competição por nutrientes a principal causa da queda do peso do cacho.

Apesar da necessidade de limpas constantes, os primeiros cinco meses após o plantio são os mais importantes para a cultura, requerendo nesse período a realização de cinco a seis capinas. Após esse período, a cultura é menos sensível à competição do mato.

Nesse período, o controle das plantas infestantes deve ser realizado adequadamente, para que o crescimento das bananeiras não seja afetado, já que sua recuperação é excessivamente lenta. Com esse conhecimento, as plantas infestantes podem ser manejadas permitindo que sejam utilizadas como fonte de alimento e como abrigo de inimigos naturais de pragas, favorecendo o manejo ecológico do bananal. Mesmo assim, não deve ser descartada a possibilidade de algumas plantas infestantes servirem, também, de hospedeiras de nematoides e agentes causais de doenças como a virose (CMV), sendo necessário eliminá-las, para evitar a convivência com a cultura da banana.

Métodos de controle
Capina
O controle de plantas infestantes com enxada, utilizado pelos pequenos agricultores, deve ser realizado com critério para evitar danos ao sistema radicular superficial da bananeira, evitando, também, a penetração de patógenos de solo nos ferimentos causados às raízes.

Esse método de controle tem um efeito muito curto, com o rápido restabelecimento do mato nos períodos chuvosos, além do baixo rendimento e dos custos elevados, sendo necessário, em média, 15 homens por dia para capinar um hectare de um bananal com densidade de 1.300 touceiras. Dessa forma, a capina manual é impraticável nos grandes cultivos de bananas e plátanos.

Vale lembrar que é proibido capinar a área total do bananal, devendo ser realizado o manejo integrado da vegetação espontânea.

Controle mecânico
Após os primeiros cinco meses da instalação, o uso da roçadeira manual é um método viável, apresentando grande rendimento de trabalho, sem as limitações da capina manual. Outra vantagem dessa prática cultural é a manutenção da integridade do solo, pois evita sua manipulação e a propensão a doenças altamente destrutivas, como o mal-de-panamá. O rendimento pode ser ainda maior com a utilização da roçadeira motomecanizada.

Controle químico
O uso de herbicidas na fase inicial do bananal não é recomendável, pois as plantas ainda pequenas ficam muito sujeitas à deriva destes produtos e são prejudicadas ou mortas mesmo por pequenas quantidades do produto.

O uso de herbicidas deve ser minimizado no ciclo agrícola para evitar resíduos e garantir a biodiversidade. Além disso, deve ser utilizado somente quando outros métodos não forem possíveis, e recomenda-se, no máximo, duas aplicações anuais.

São apresentados na Tabela 1 os herbicidas registrados para a cultura da banana no Brasil. Observa-se que há herbicida pré-emergente ou residual, que é aplicado ao solo logo após o plantio do bananal e antes da emergência das plantas infestantes para inibir sua emergência; e os pós-emergentes (de contato e sistêmicos) para o controle do mato já desenvolvido, provocando sua morte. A escolha do herbicida a ser utilizado vai depender da composição matoflorística presente na área.

Tabela 1. Herbicidas registrados para a cultura da banana no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) - Agrofit.
Herbicida / Marca
Dose (L ou kg/ha do produto comercial)
Modo de aplicação
Credit
0,5 – 6,0
Pós (Jato dirigido)
Direct
0,5 – 3,5
Pós (Jato dirigido)
Diuron Nortox
1,5 – 6,0
Pré-emergência e pós-inicial das infestantes com jato dirigido
Finale
2,0
Pós (Jato dirigido)
Glifosato Nortox
1,0 – 6,0
Pós (Jato dirigido)
Gli-up 720 WG
1,0 – 7,0
Pós (Jato dirigido)
Gramocil
2,0
Pós (Jato dirigido)
Gramoxone 200
1,5 – 3,0
Pós (Jato dirigido)
Helmoxone
1,5 – 2,0
Pós (Jato dirigido)
Laredo
1,5 – 2,0
Pós (Jato dirigido)
Liberty BCS
2,0
Pós (Jato dirigido)
Maxizato
0,5 – 3,5
Pós (Jato dirigido)
Paradox
1,5 – 3,0
Pós (Jato dirigido)
Preciso
0,5 – 3,5
Pós (Jato dirigido)
Orbit
1,5 – 2,0
Pós (Jato dirigido)
Roundup original
0,5 – 6,0
Pós (Jato dirigido)
Roundup Transorb
0,75 – 4,5
Pós (Jato dirigido)
Roundup WG
0,5 – 3,5
Pós (Jato dirigido)
Tradicional
0,5 – 5,0
Pós (Jato dirigido)


Em virtude da facilidade de manuseio, do menor impacto ambiental e da formação de uma cobertura morta, que possibilita a conservação da umidade do solo por um período mais longo, recomenda-se o uso de herbicidas pós-emergentes sistêmicos, por apresentarem custo de controle muito menor que as capinas manuais.

Controle integrado com manejo de coberturas vegetais
Controle integrado é definido como a combinação de métodos que, de forma eficiente, promovem o controle de plantas infestantes na bananicultura, reduzindo custos e uso de herbicidas, possibilitam um manejo ambientalmente correto do bananal pela melhoria e preservação dos recursos naturais como solo e água, proporcionando, dessa forma, maior competitividade e sustentabilidade ao produtor.

Em bananais novos, recomenda-se fazer o coroamento das plantas, com capinas ou roçadas rente ao solo, com foice ou roçadeira motorizada. Outra opção é o uso de cobertura morta de capim seco, serragem ou outro material disponível, num raio mínimo de meio metro em volta das plantas. No restante da área, recomenda-se a roçada manual ou mecânica.

Ressalta-se, contudo, duas alternativas de controle integrado viáveis a qualquer extensão do cultivo, sendo a primeira a integração do método mecânico com o químico, pela aplicação de herbicidas pós-emergentes no espaço estreito (linhas da cultura) e no espaço largo (entrelinhas) o uso de roçadeira para o controle da vegetação espontânea num nível baixo em determinadas épocas do ano, minimizando a concorrência por água.

Uma segunda alternativa para o primeiro ano de instalação do bananal sem irrigação é o plantio de feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) no espaço largo, plantado no início das chuvas e ceifado (em qualquer fase de desenvolvimento) na estação seca (para evitar a competição por água com a bananeira), e deixado na superfície do solo. Nas linhas da cultura, o uso de herbicidas pós-emergentes para o controle do mato e formação de cobertura morta.

Genericamente, as plantas de cobertura e melhoradoras do solo são chamadas, também, de adubos verdes. De qualquer maneira, são plantas cultivadas para proteção do solo contra a ação da chuva, dos ventos e do sol que resultam em melhorias nos atributos físicos, químicos e biológicos do solo.

As leguminosas destacam-se entre as espécies vegetais que podem ser utilizadas como plantas melhoradoras do solo, pois apresentam raízes geralmente bem ramificadas e profundas, que atuam estabilizando a estrutura do solo e reciclando nutrientes. Entre as leguminosas, estão o feijão-de-porco, o guandu, as crotalárias, o caupi, a pueraria, a mucuna preta, o amendoim forrageiro, a ervilhaca comum entre outras.

Contudo, para a bananeira, tão importantes quanto as leguminosas são as não leguminosas (introduzidas ou nativas), especialmente aquelas que apresentam capacidade de vegetar no ambiente sombreado dos bananais. Isso porque a presença de raízes de outras espécies é muito importante para reduzir a pressão dos patógenos (nematoides e fungos) sobre as raízes da bananeira. Dentre as não leguminosas implantadas, as que melhor vegetam sob o bananal são o sorgo e o milheto. A grande vantagem de se manter o solo permanentemente coberto com espécies vegetais é, justamente, o controle da erosão.

A utilização de coberturas mortas como um método integrado de controle do mato, utilizando o capim picado, bagaço de cana e outros, apesar de elevar a produtividade, tem um custo elevado, seja na produção do material a ser usado como cobertura, seja para transportá-lo, não se caracterizando como prática viável em grandes bananais, ficando sua aplicação restrita a cultivos em pequenas áreas.