quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Propagação da Mangueira (Manga)



Propagação

Na propagação de qualquer espécie vegetal, incluindo a mangueira, a muda é a base do futuro pomar e deve ser de boa procedência. Com o objetivo da implantação de pomares comerciais e produtivos, torna-se fundamental a utilização de mudas com qualidade fisiológica, morfológica e fitossanitária. A produção de mudas da mangueira pode ser feita por sementes ou pelo método da enxertia.
A produção de mudas por sementes é um método simples e barato que origina plantas vigorosas, com sistema radicular pivotante e com maior longevidade. Geralmente, é utilizado em programas de melhoramento genético para a obtenção de novas cultivares e na formação de bancos de germoplasma (BAGs). Também é utilizado na propagação de cultivares poliembriônicas e, principalmente, na obtenção de porta-enxertos. Apresenta algumas desvantagens em relação ao método da enxertia, como a variabilidade genética em decorrência da segregação; formação de plantas vigorosas e com porte elevado, dificultando as práticas culturais; e juvenilidade, ou seja, o ciclo de produção da planta é mais tardio, ocorrendo 5 a 6 anos após o plantio.
A produção de mudas pelo método da enxertia apresenta custos mais elevados e necessita de mão de obra qualificada. Entretanto, as plantas são mais precoces e apresentam baixo vigor, formando pomares uniformes, facilitando-se, assim, as operações relacionadas ao manejo, tratos culturais e a colheita.

Propagação por enxertia

A enxertia é um método utilizado para a produção de mudas de qualidade e constitui na união de duas porções de tecido vegetal de cultivares diferentes, de uma mesma espécie ou gênero, dando origem a uma nova planta. Essa união deve ser realizada entre os tecidos cambiais das duas plantas (enxerto ou cavaleiro/garfo e porta-enxerto ou cavalo). O enxerto é sempre representado por uma parte da planta que se pretende propagar e é responsável pela formação da parte aérea da planta, enquanto o porta-enxerto é o que recebe o enxerto, sendo responsável pelo sistema radicular, e, geralmente, é uma planta jovem, com ótimo crescimento, proveniente de sementes ou de estacas, vigoroso e resistente a pragas e doenças.
Escolha e obtenção do porta-enxerto
A escolha e a obtenção do porta-enxerto a ser utilizado depende da disponibilidade de sementes. Geralmente, os viveiristas coletam os frutos das cultivares mais comuns da região, sem considerarem as características principais da planta matriz como vigor, condições nutricionais e fitossanitárias, idade, etc.
As cultivares poliembriônicas originam duas ou mais plantas de uma única semente e devem ser utilizadas para o fornecimento de sementes, pois produzem mudas de maior vigor, garantindo a mesma qualidade da planta-mãe e, portanto, maior uniformidade no pomar.
As cultivares mais utilizadas como porta enxertos são a Espada e Coquinho. A ‘Coquinho’ apresenta germinação mais rápida; porém, a ‘Espada’, por causa de características como o vigor, atinge mais precocemente o ponto de enxertia e apresenta tolerância à seca da mangueira, tendo grande aceitação entre os viveiristas. Entretanto, o produtor ou viveirista poderá escolher, dependendo das sementes disponíveis na sua propriedade.
As sementes devem ser retiradas de frutos maduros, sadios, livres de doenças e pragas, lavadas e colocadas para secar em jornal, em local ventilado e à sombra, por um período de 3 a 5 dias. Em seguida, deve-se fazer a retirada do tegumento externo (endocarpo) que envolve a amêndoa, com o auxílio da tesoura de poda ou canivete. Essa técnica favorece ao maior índice de germinação (90% a 95%), com maior rapidez e a obtenção de plantas bem formadas, vigorosas e prontas para serem enxertadas em menor espaço de tempo. Em consequências das perdas que ocorrem durante a obtenção do porta-enxerto e na enxertia, faz-se a semeadura de 40% a 50% a mais de sementes, em relação a quantidade de mudas que serão produzidas.
As sementes de mangueira perdem o poder germinativo rapidamente e dessa forma, o período que se estende desde a colheita do fruto, retirada da semente até a semeadura, não deverá ultrapassar mais de 15 dias.
Semeadura do porta-enxerto
A semeadura pode ser feita em recipientes (sacos plásticos de polietileno pretos), com dimensões de 35 cm a 40 cm de altura, 17 cm a 25 cm de largura e 0,12 mm a 0,15 mm de espessura. Esses recipientes devem conter pequenos furos nas laterais e na base, para melhor escoamento do excesso de água e maior arejamento das raízes. O substrato utilizado deve ser uma mistura de solo (terra de barranco) e esterco curtido (3:1 v/v), além da adição de 3 kg de superfosfato simples e 500 g de cloreto de potássio por m3 da mistura. Quando se fizer o uso de solo argiloso, deve-se adicionar uma parte de areia na mistura (Figura 1).
Fotos: Bastos, D. C.


Figura 1. Porta enxertos semeados em sacos plásticos, prontos para enxertia.
A semeadura também pode ser feita diretamente em canteiros (sementeira), com 10 m a 20 m de comprimento, 1,20 m de largura e 0,15 m de altura, com a incorporação no solo de 5 kg a 10 kg de esterco curtido, 100 g de superfosfato simples e 50 g de cloreto de potássio por m2de sementeira. Os sulcos devem ter 5 cm de profundidade, distanciados entre si de 20 cm. As sementes são colocadas a uma distância de 3 cm uma da outra, com a sua face ventral voltada para baixo e cobertas com uma camada de terra.
Os tratos culturais realizados na sementeira são os usualmente recomendados, constituindo-se de irrigações, adubações, capinas e controle fitossanitário, que são os mesmos realizados na semeadura em recipientes.
Após 50 a 75 dias da semeadura, quando os porta-enxertos apresentarem 25 cm de altura, realiza-se a repicagem para o viveiro, com espaçamento de 80 cm a 120 cm nas entrelinhas e 40 cm entre as plantas. Nos sulcos com 20 cm a 30 cm de profundidade, deve-se aplicar esterco curtido (1 L a 2 L), 100 g de superfosfato simples e 25 g de cloreto de potássio por metro linear.
É fundamental a instalação de um sistema de irrigação. Os tratos culturais são aqueles usualmente utilizados na condução de viveiros e semelhantes aos relacionados para a sementeira.
Plantas matrizes
A planta matriz fornecedora do material propagativo (garfos e borbulhas) destaca-se entre os principais fatores que influenciam na produção dos frutos nos pomares comerciais. O material propagativo é retirado de plantas matrizes sadias e que apresentem boas condições nutricionais e fitossanitárias. Deste modo, o produtor de mudas deverá ter plantas matrizes tanto para o fornecimento de material para a formação do porta-enxerto, como também para o enxerto.
Os garfos ou ponteiros devem ser retirados de ramos maduros (6 a 8 meses de idade) e terminais da cultivar que se deseja propagar, ter formato arredondado, coloração variando entre verde a verde acinzentado e possuir gemas apicais entumescidas e sadias. Recomenda-se que, entre 5 a 10 dias antes de sua utilização, se realize a retirada da porção terminal do ramo que fornecerá as borbulhas, eliminando-se a gema apical. Esta prática facilitará o entumescimento das gemas e, consequentemente, a precocidade de pegamento após a enxertia (Figura 2).
Foto: Bastos, D. C.
Figura 2. Garfos com gemas entumescidas prontas para serem utilizadas na enxertia.

Enxertia

A enxertia, embora simples e de fácil execução, só possibilita altos índices de pegamento quando forem observados fatores como a compatibilidade entre porta-enxerto e enxerto, as condições fisiológicas do porta-enxerto, do enxerto (garfo ou borbulha), relacionados com a época de realização e a disponibilidade dos mesmos, as condições climáticas (temperatura e umidade), métodos utilizados, mão de obra especializada e práticas de manejo antes e após a enxertia.
Borbulhia em “T” invertido
O método de borbulhia em "T" invertido tem como principal vantagem a economia de material propagativo. Uma porção terminal origina de cinco a 10 borbulhas (enxertos). O inconveniente desse tipo de enxertia é a dificuldade de conseguir gemas entumescidas que emitam brotações. Geralmente, utiliza-se porta-enxertos com 6 a 12 meses de idade e 1 cm de diâmetro, fazendo-se um corte vertical de 3 cm a 5 cm em "T" invertido no porta-enxerto a uma altura de 15 cm a 20 cm do solo. Um segundo corte (horizontal) é feito na base do porta-enxerto, ajustando-se em seguida a gema e fazendo-se o amarrio com fita plástica (Figura 3).
Fonte: Matos (2000).
Figura 3. Enxertia tipo borbulhia em "T" invertido.
Após 20 dias da enxertia, a fita plástica é retirada e a gema fica exposta, e se a borbulha apresentar aspecto verde e com os tecidos unidos aos do porta-enxerto, é sinal de que o pegamento do enxerto foi adequado.
Entre 40 a 45 dias após a enxertia, a gema começa a brotar, e faz-se o corte ou decapitação do porta-enxerto à altura de 5 cm acima do ponto de enxertia. Quando ocorrer o segundo fluxo vegetativo (5 a 7 meses após a enxertia), faz-se o corte da parte restante do porta-enxerto rente a este ponto, e amarra-se um tutor até a muda se desenvolver totalmente e estar pronta para o plantio no campo. O período total de produção da muda, desde a obtenção do porta-enxerto até esta fase é de 10 a 12 meses.
Garfagem de fenda cheia
A garfagem de fenda cheia (Figura 4) é um dos métodos de enxertia mais utilizados na produção de mudas da mangueira, por apresentar precocidade e altos índices de pegamento, além de ser de fácil execução, quando comparados a outros tipos de enxertia.
Foto: Bastos, D. C.
Figura 4. Garfagem de fenda cheia.
Neste tipo de garfagem, tanto o porta-enxerto como o garfo apresentam diâmetro semelhante, em torno de 8 mm a 12 mm. Inicialmente, faz-se a decapitação do porta-enxerto, entre 10 cm a 15 cm do solo. Em seguida, por meio de um corte vertical, faz-se uma incisão ou fenda com 3 cm de profundidade. Em seguida, o garfo que possui de 10 cm a 15 cm de comprimento e com sua base preparada em forma de bisel (cunha), também com 3 cm, é introduzido na fenda do porta-enxerto, ajustando-se os tecidos do câmbio pelo menos de um dos lados e fazendo-se o amarrio da região de enxertia com fita plástica. Para evitar o ressecamento dos tecidos, recomenda-se cobrir o garfo com saco plástico transparente e amarrá-lo em sua extremidade inferior, formando uma “câmara úmida” (Figura 5).
Foto: Bastos, D. C.
Figura 5. Câmara úmida na região da enxertia tipo garfagem de fenda cheia.
As operações de irrigação, adubação, controle de plantas daninhas, controle fitossanitário e desbrotas no porta-enxerto devem ser realizadas durante todo o período de formação da muda.
O período total desde a semeadura do porta-enxerto até a muda pronta para o plantio varia entre 6 a 8 meses. As mudas estão prontas para serem levadas para o local definitivo de plantio após 3 a 4 meses da realização da enxertia, quando atingirem a altura de 50 cm a 70 cm (Figura 6).
Foto: Mouco, M. A.
Figura 6. Mudas prontas para transplantio.




quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Variedades de Mangas


A mangueira, uma espécie originária do continente asiático, foi introduzida no Brasil em dois momentos distintos da história da humanidade: inicialmente pelos portugueses, provavelmente, durante a colonização de nosso território, com cultivares do tronco filipínico e, posteriormente, no século 20 com cultivares procedentes da Flórida, nos Estados Unidos, que têm origem indiana.
A escolha da cultivar de mangueira em um determinado pomar deve considerar a preferência do mercado consumidor, ao potencial produtivo da região, a suscetibilidade a pragas, a doenças e à deterioração, que é constatada imediatamente após a colheita e, principalmente, a provável projeção de comercialização verificada a longo prazo. Um eventual erro na escolha da cultivar certamente acarretará enormes prejuízos ao mangicultor. Pode-se afirmar que a escolha da cultivar representa uma das decisões econômicas mais importantes para o estabelecimento competitivo da mangicultura, uma vez que a rejeição do fruto pela comunidade à qual foi destinado inviabiliza a manutenção do pomar.
As cultivares encontradas com maior frequência na região do Submédio do Vale do São Francisco são a ‘Tommy Atkins’, a ‘Haden’, a ‘Keitt’, a ‘Kent’, a ‘Palmer’, a ‘Rosa’ e a ‘Espada’. Enquanto as cinco primeiras têm foco, principalmente, no mercado consumidor internacional, as duas últimas são direcionadas, sobretudo, aos diversos mercados consumidores nacionais. As principais características das referidas cultivares são:

Tommy Atkins

A tradicional cultivar Tommy Atkins é, atualmente, a mais encontrada nas propriedades localizadas no Submédio do Vale do São Francisco, ocupando aproximadamente 95% da área total dos pomares destinados à cultura; predominância que já havia sido constatada há alguns anos. A ‘Tommy Atkins’, originada na Flórida, Estados Unidos, na década de 1920, é uma cultivar monoembriônica, vigorosa e precoce, cuja copa é bastante densa. Ela apresenta elevada produtividade, regularidade na produção e uma considerável resistência tanto aos impactos mecânicos, podendo assim ser facilmente transportada, como também à deterioração após a colheita, sendo, portanto, muito menos perecível que as demais cultivares para os mercados internacionais. A ‘Tommy Atkins’ é parcialmente resistente à antracnose; contudo, muito suscetível à morte descendente, à malformação floral e ao colapso interno. A cultivar responde bem ao processo de indução floral. Os frutos apresentam aproximadamente 500 gramas, coloração alaranjada, amarelada, avermelhada ou púrpura, polpa consistente, firme e suculenta, casca aderente, médio teor de fibras e 17 ºBrix, um valor inferior ao verificado em outras cultivares direcionadas aos mercados externos (Figura 1).
Fotos: Trindade, D. C. G.


Figura 1 . Detalhe de coloração da casca e polpa da cultivar Tommy Atkins.

Haden

A cultivar Haden, genitora da ‘Tommy Atkins’, é igualmente originária da Flórida, Estados Unidos, em 1910. Ela é monoembriônica, precoce como a ‘Tommy Atkins’ e suscetível à antracnose, à malformação floral, à deterioração após a colheita, sensível ao transporte, ao manuseio e ao colapso interno, distúrbio fisiológico ao qual outras cultivares para a exportação também são vulneráveis. Apresenta copa muito densa, elevada alternância de produção e uma acentuada taxa de autoincompatibilidade que, gerando muitas irregularidades na frutificação, cria a necessidade do uso de outras cultivares para polinizá-la nos pomares localizados no Submédio do Vale do São Francisco e associados ao sistema de produção integrada. A cultivar apresenta porte alto e seus frutos podem pesar aproximadamente 700 gramas, com atrativa coloração avermelhada, laivos amarelos, lenticelas grandes, polpa consistente, suave e moderada quantidade de fibras e 21 ºBrix (Figura 2).
Fotos: Trindade, D. C. G.


Figura 2. Detalhe de coloração da casca e polpa da cultivar Haden.

Palmer

A cultivar Palmer foi originada de parentais desconhecidos na Flórida, no ano de 1945. Com porte considerado intermediário e hábito de crescimento aberto, ela é monoembriônica, muito produtiva, tardia em relação à ‘Tommy Atkins’ e à ‘Haden’ e suscetível à antracnose, apresentando, entretanto, uma vulnerabilidade ao colapso interno inferior àquela constatada nas outras cultivares encontradas no Submédio do Vale do são Francisco, sobretudo a ‘Tommy Atkins’. A cultivar também apresenta um vigor moderado e regularidade na produção. Mesmo sendo bem aceita, normalmente no mercado interno para o consumo direto, ela é também aproveitada pelas indústrias de processamento para o beneficiamento, o que certamente tem lhe proporcionado um expressivo aumento na área cultivada. Os frutos da ‘Palmer’ são, além de grandes, podendo pesar até 900 gramas, bastante aromáticos, compridos, firmes e praticamente desprovidos de fibras, esverdeados ou arroxeados quando imaturos e muito vermelhos quando já totalmente maduros, apresentando polpa bem amarelada e 19 ºBrix (Figura 3).
Fotos: Trindade, D. C. G.



Figura 3. Detalhe de coloração da casca e polpa da cultivar Palmer.

Keitt

A cultivar Keitt originou-se em 1939, sendo, provavelmente, uma meia-irmã da ‘Haden’. Ela é monoembriônica, muito produtiva, tardia em comparação à ‘Tommy Atkins’ e à ‘Haden’ e medianamente resistente à antracnose. Os frutos da ‘Keitt’ pesam, geralmente, mais de 700 gramas, sendo praticamente desprovidos de fibras, as quais se concentram apenas ao redor da semente e apresentando, além de tolerância aos danos causados durante o transporte e ao manuseio após a colheita, coloração esverdeada a amarelada, com laivos avermelhados, e 21 °Brix (Figura 4).
Fotos: Trindade, D. C. G.



Figura 4. Detalhe de coloração da casca e polpa da cultivar Keitt.

Kent

A cultivar Kent originou-se também na Flórida, em 1944. Ela é muito vigorosa, produtiva, tardia em relação à ‘Tommy Atkins’ e à ‘Haden’, monoembriônica, suscetível à antracnose e ao colapso interno, e vulnerável a danos causados durante o transporte. A copa é compacta e arredondada, ao passo que os frutos são grandes, pesando geralmente até 1 quilo, totalmente desprovidos de fibras e aromáticos, apresentando numerosas pequenas lenticelas, polpa bastante alaranjada, aproximadamente 19 ºBrix e, quando ainda estão imaturos, uma coloração predominantemente esverdeada que, com o amadurecimento, gradualmente adquire tonalidade avermelhada (Figura 5).
Fotos: Trindade, D. C. G.


Figura 5. Detalhe de coloração da casca e polpa da cultivar Kent.

Espada

A tradicional manga ‘Espada’, poliembriônica, é considerada pela literatura uma cultivar nacional, apresentando muito vigor, porte elevado, copa densa e elevada produtividade. A ‘Espada’ normalmente produz duas vezes por ano, sendo muito requerida pelo consumidor brasileiro em virtude do sabor, e comumente aproveitada como porta-enxerto em diversas regiões de nosso território, por causa da sua rusticidade. Ela expressa precocidade, possibilitando a antecipação do investimento econômico, e resistência à antracnose, à morte descendente e ao colapso interno. Os frutos, geralmente, apresentam intensa coloração verde ou um equilíbrio entre matizes amarelados e esverdeados, casca lisa e espessa, polpa amarelada, formato oblongo, tamanho intermediário, pesando até, aproximadamente, 300 gramas, uma significativa porcentagem de fibras e 17 ºBrix a 20 ºBrix. (Figura 6).
Foto: Trindade, D. C. G.
Figura 6. Detalhe de coloração da casca e polpa da cultivar Espada.

Rosa

A ‘Rosa’, cuja copa é arredondada, também é considerada uma cultivar nacional, apresentando sementes predominantemente poliembriônicas, assim como a ‘Espada’. É classificada como uma cultivar relativamente vigorosa, no entanto, apresenta crescimento lento, porte médio, suscetibilidade à antracnose, produtividade inferior às outras variedades tradicionalmente cultivadas e alternância de produção. Em compensação, verifica-se que o florescimento da ‘Rosa’ é muito intenso, o que lhe proporciona, assim, respostas satisfatórias ao processo de indução floral. A cultivar é ainda considerada tardia e moderadamente resistente à morte descendente. Aproveitada em determinadas regiões como porta-enxerto em decorrência da disponibilidade de sementes, a ‘Rosa’ é também muito conhecida, consequentemente muito comercializada, principalmente para o consumo in natura. Os frutos pesam, aproximadamente, 300 a 350 gramas, apresentando coloração amarelada ou rosada a avermelhada, formato oblongo a cordiforme, casca lisa, espessa e aderente, polpa bem amarela, 14 ºBrix a 16 ºBrix e uma quantidade expressiva de fibras (Figura 7).
Fotos: Trindade, D. C. G.



Figura 7. Detalhe de coloração da casca e polpa da cultivar Rosa.

Manga Ubá: Manga Ubá é variedade brasileira originada da cidade de Ubá, MG. Semente poliembriônica, ciclo semi-tardio, sabor excepcional, muito produtiva mas não regular. É a principal variedade para produção de suco no Brasil.





quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Adubação e Calagem na Cultura da Manga


Nutrição, Calagem e Adubação

Efeitos e funções dos nutrientes na cultura

Nitrogênio (N) - O N é um dos nutrientes mais importantes para a mangueira e exerce um importante papel na produção e na qualidade dos frutos. Seus efeitos se manifestam principalmente na fase vegetativa da planta e, considerando a relação existente entre surtos vegetativos/emissão de gemas florais/frutificação, sua deficiência poderá afetar negativamente a produção. Mangueiras adequadamente nutridas com N poderão emitir regularmente brotações que, ao atingirem a maturidade, resultarão em panículas responsáveis pela frutificação. Em excesso, este nutriente pode aumentar a suscetibilidade da cultura a desordens fisiológicas, tais como colapso interno e doenças de pós-colheita, e se for aplicado no momento errado, pode prejudicar o florescimento. Altos teores de N podem, ainda, deixar os frutos verdes, ou manchados de verde, o que compromete a qualidade de produção e valor de mercado.
Fósforo (P) - O P é necessário na divisão e crescimento celular da planta. É especialmente importante no desenvolvimento radicular, comprimento da inflorescência, duração da floração, tamanho da folha e maturação do fruto. Influencia positivamente na coloração da casca, uma característica de grande importância para o mercado consumidor.
Potássio (K) - O K exerce um importante papel na fotossíntese e produção de amido, na atividade das enzimas e na resistência da planta a doenças. Ele está estreitamente relacionado com a qualidade dos frutos, em particular cor da casca, aroma, tamanho e brix. Influencia ainda a regulação de água na célula, controlando as perdas de água das folhas por meio da transpiração. É o nutriente mais importante em termos de produção e qualidade de frutos. No entanto, o excesso desse nutriente pode causar desbalanço nos teores de cálcio e magnésio, causando, ainda, queima nas margens e ápice das folhas velhas.
Cálcio (Ca) - O Ca, juntamente com o N, é um nutriente exigido em grandes quantidades pela mangueira. Contribui no desenvolvimento celular da planta e influencia na firmeza e na vida de prateleira dos frutos. Baixos teores de Ca estão associados com o colapso interno. Os períodos críticos para a sua absorção são durante o desenvolvimento inicial dos frutos e pós-colheita. É melhor absorvido pelo sistema radicular; assim, aplicações foliares não têm sido eficientes, uma vez que ele é praticamente imóvel na planta.
Magnésio (Mg) - Embora o Mg não seja exigido em grandes quantidades, sua deficiência poderá provocar redução no desenvolvimento, desfolha prematura e, em decorrência, diminuição da produção. Adubações com altas doses de Ca e de K diminuem a sua absorção, motivo pelo qual deve ser verificada, antecipadamente, a relação K/Ca/Mg.
Enxofre (S) - Sintomas de deficiência de S são raramente observados, uma vez que a disponibilidade deste nutriente nos solos geralmente é capaz de atender as necessidades das plantas. Além disso, a aplicação de fertilizantes minerais e orgânicos ao solo e de determinados defensivos agrícolas contendo enxofre, garantem um suprimento adicional de S à mangueira.
Boro (B) - O B é importante na fase de florescimento e desenvolvimento de frutos e essencial para a absorção e uso do Ca. A sua deficiência resulta em baixas taxas de florescimento, além de frutos de tamanho reduzido. Os sintomas de deficiência são mais visíveis durante o florescimento, produzindo inflorescências deformadas, brotações de tamanho reduzido, com folhas pequenas e coriáceas. Poderá ocorrer ainda redução significativa em termos de produção, uma vez que a gema terminal poderá morrer. A morte de gemas terminais resulta na perda da dominação apical, induzindo assim a emissão de grande número de brotos vegetativos, originados das gemas axilares dos ramos principais. Deve-se tomar cuidado com as quantidades de B aplicadas, uma vez que o limite entre deficiência e toxicidade é muito próximo. A toxidez de B causa queima das margens e queda das folhas, podendo causar grande prejuízo à produção.
Cobre (Cu) - O Cu é necessário para a ativação de várias enzimas. As exigências da mangueira por Cu são pequenas, assim, raramente ocorrem deficiências. Em alguns casos pode-se observar concentrações elevadas nas folhas, em consequência da aplicação de fungicidas e caldas à base de Cu, usados no controle de doenças. Esses produtos podem se acumular no solo, aumentando a disponibilidade desse nutriente para a planta.
Zinco (Zn) - Plantas deficientes em Zn apresentam encurtamento dos entrenós e, além disso, o limbo foliar tem sua espessura ampliada e torna-se quebradiço. Os distúrbios denominados malformação floral ou “embonecamento” e malformação vegetativa ou vassoura-de-bruxa podem, em parte, ser confundidos com a deficiência de Zn, uma vez que as plantas emitem panículas pequenas, de forma irregular, múltiplas e deformadas.
Ferro (Fe) - A disponibilidade de Fe normalmente é alta em solos tropicais. A carência de Fe pode ocorrer em solos ácidos, por causa do excesso de manganês, bem como em solos que apresentem pH elevado.
Manganês (Mn) - A disponibilidade de Mn, normalmente alta em solos tropicais, é reduzida quando se realiza calagem e quando se aplicam altas doses de P.
Amostragem e análise de solo
O resultado da análise química do solo é essencial na recomendação de adubação, no entanto, é necessário que se faça uma amostragem de solo criteriosa, de modo que represente as condições reais do campo.
Inicialmente, separam-se as áreas com solos diferentes no que se refere à cor, à textura, ao relevo e ao uso (virgem ou cultivado, adubado ou não adubado, etc.). Feita a separação, em cada área homogênea realiza-se a amostragem em 20 pontos ao acaso, para se obter uma amostra composta, nas profundidades de 0-20 cm e de 20-40 cm. A terra retirada na amostragem em cada profundidade deve ser colocada em um recipiente limpo (balde plástico). Completado o número de amostras simples, mistura-se bem a terra, retirando-se depois, aproximadamente, meio quilo de solo, que deve ser colocado num saco plástico, que representará a referida amostra composta. As amostras não devem ser coletadas em locais de formigueiro, monturo e coivara ou próximos a currais e estradas. Antes da coleta, deve-se limpar a superfície do terreno, caso haja mato ou resto vegetal. A amostragem é facilitada quando o solo está ligeiramente úmido.
Em pomares já estabelecidos as amostras de solo devem ser coletadas na projeção da copa das árvores, nos locais nos quais se faz a adubação, evitando-se a coleta em faixas de terra recém-adubadas. As amostras devem ser retiradas nas profundidades de 0-20 cm e 20-40 cm. Em áreas com sistemas de irrigação localizada, a maior concentração de raízes da mangueira limita-se ao bulbo molhado. Portanto, a amostragem e a adubação deverão ser realizadas nestes locais. Nos pomares já estabelecidos a amostragem deverá ser realizada após a colheita, no período de repouso da mangueira, e antes de efetuar a adubação de base.
Amostragem e análise de planta
A análise mineral de planta é importante para se fazer a recomendação de adubação mas, para isso, é necessária uma amostragem adequada. Deve-se separar talhões ou conjunto de talhões (não ultrapassar 10 ha) com a mesma idade, variedade e produtividade, em áreas de solos homogêneos. Manter o mesmo agrupamento usado na amostragem de solo. Escolher para a coleta apenas as folhas inteiras e sadias. As folhas devem ser coletadas na parte mediana da copa, nos quatro pontos cardeais, em ramos normais e recém-maduros. Coletar as folhas na parte mediana do penúltimo fluxo do ramo ou do fluxo terminal, com, pelo menos, 4 meses de idade. Retirar quatro folhas por planta, em 20 plantas selecionadas ao acaso.
Realizar a coleta antes da aplicação de nitratos ou outro fertilizante foliar para a quebra de dormência das gemas florais. Não amostrar plantas que tenham sido adubadas, pulverizadas ou após períodos intensos de chuvas. Após a coleta, deve-se acondicionar as amostras em sacos de papel, identificando-as e enviando-as, imediatamente, para um laboratório. Se isto não for possível, armazená-las em ambiente refrigerado. A amostragem de folhas deve ser realizada anualmente, pois os teores foliares de N condicionam as doses de fertilizantes nitrogenados a serem aplicadas.
Interpretação dos resultados de análise de folhas
Partindo de uma amostra padronizada, colhida como foi explicado anteriormente, é realizada a análise total dos elementos no material vegetal. A interpretação pode ser feita com base na faixa de teores considerados adequados. Na Tabela 1, são apresentadas essas faixas, sem especificação da cultivar de manga.
Tabela 1. Teores de nutrientes adequados em folhas de mangueira (Mangifera indica L).
Nutrientes
Faixas de Teores

Deficiente
Adequado
Excessivo
N (g/kg)
< 8,0
12,0 a 14,0
> 16,0
P (g/kg)
< 0,5
0,8 a 1,6
> 2,5
K (g/kg)
< 2,5
5,0 a 10,0
> 12,0
Ca (g/kg)
< 15,0
20,0 a 35,0
> 50,0
Mg (g/kg)
< 1,0
2,5 a 5,0
> 8,0
S (g/kg)
< 0,5
0,8 a 1,8
> 2,5
B (mg/kg)
< 10
50 a 100
> 150
Cu (mg/kg)
< 5
10 a 50
-
Fe (mg/kg)
< 15
50 a 200
-
Cl (mg/kg)
-
100 a 900
> 1600
Mn (mg/kg)
< 10
50 a 100
-
Zn (mg/kg)
< 10
20 a 40
> 100
Fonte: Quaggio (1996).
Calagem
A calagem tem a finalidade de corrigir a acidez do solo, elevando o pH e neutralizando os efeitos tóxicos do alumínio (Al) e Mn, concorrendo, assim, para que haja um melhor aproveitamento dos nutrientes pelas culturas. Além da correção da acidez, a calagem eleva os teores de Ca e Mg do solo, porque o calcário, que é o corretivo normalmente usado, contém altos teores desses nutrientes.
A mangueira é uma das culturas mais exigentes em Ca, pois possui quase sempre o dobro desse nutriente nas folhas em relação ao N, que é o nutriente predominante nas folhas da maioria das espécies cultivadas. No campo, também são frequentes os sintomas de deficiência de Mg, considerado o quarto nutriente mais importante para a mangueira. Em solos ácidos, os problemas de deficiência de Mg são facilmente corrigidos mediante a aplicação de calcário dolomítico, que é uma fonte eficiente e a mais econômica do nutriente. Entretanto, em solos alcalinos, a deficiência de Mg só é corrigida pela aplicação de sais solúveis de Mg, como sulfato, cloreto ou nitrato, os quais normalmente têm custo elevado, principalmente quando comparados com o calcário dolomítico.
Em pomares corrigidos com calcário ou naqueles em que o pH elevado não permite a sua utilização, a concentração de Ca nas folhas pode ficar abaixo do nível crítico, predispondo as plantas a distúrbios fisiológicos, como o colapso interno (soft nose). Uma fonte alternativa de Ca é o gesso ou o fosfogesso. Nestas situações, o gesso é um material que vem sendo usado para aumentar os teores de Ca, sem alterar o pH do solo. Existem, também, os produtos quelatizados com ácidos orgânicos (polihidroxicarboxílicos) como fonte de Ca. Em condições de pH elevado e baixa disponibilidade de Ca no solo, deve-se empregar, como fonte de P, fertilizantes também ricos em Ca como é o caso dos superfosfatos, termofosfatos e fosfatos naturais.
A calagem deverá promover a elevação da saturação por bases (V) a 80% e/ou o teor de Ca2+ a 2 cmolc dm-3 e o de Mg2+ a 0,8 cmolc dm-3. A quantidade dos corretivos deve ser determinada pelo técnico especialista, com base nos resultados da análise de solo.
Adubação
O manejo de adubação da mangueira envolve três fases: 1) adubação de plantio; 2) adubação de formação; e 3) adubação de produção.
Adubação de plantio - Depende, essencialmente, da análise do solo. Os fertilizantes minerais e orgânicos são colocados na cova e misturados com a terra da própria cova, antes de se fazer o transplantio das mudas (Tabela 2).
Adubação de formação - As adubações minerais devem ser iniciadas a partir de 30 dias após o plantio, distribuindo-se os fertilizantes na área correspondente à projeção da copa, mantendo-se uma distância mínima de 20 cm do tronco da planta. Deve-se fazer uma leve incorporação e irrigar logo em seguida. O raio da área de aplicação deverá ser ampliado em função do crescimento da planta (Tabela 2).
Tabela 2. Quantidades de N, P2O5;e K2O indicadas para a adubação de plantio e formação da mangueira (Mangifera indica L) irrigada no Semiárido.
Adubação
N
P Mehlich-1, mg dm-3
K solo, cmolc dm-3

< 10
10 - 20
21 - 40
> 40
< 0,16
0,16 - 0,30
0,31 - 0,45
> 0,45
g/cova
P2O5, g/cova
K2O, g/cova
Plantio
-
250
150
120
80
-
-
-
-
Formação
0-12 meses
150
-
-
-
-
80
60
40
20
13-24 meses
210
160
120
80
40
120
100
80
60
25-30 meses
150
-
-
-
-
80
60
40
20
Fonte: Silva et al. (2004).
Adubação de produção - A partir de 3 anos ou quando as plantas entrarem na fase de produção, os fertilizantes deverão ser aplicados em sulcos, abertos ao lado da planta. A cada ano, o lado adubado deve ser alternado. A localização destes sulcos deve ser limitada pela projeção da copa e pelo bulbo molhado, por ser esta a região com maior concentração de raízes (Tabela 3). A distribuição dos fertilizantes nesta fase poderá ser realizada da seguinte maneira: após a colheita, aplica-se 50% do N, de 60% a 100% de P e 25% do K. Antes da indução floral, deve ser adicionado 20% do K. Na floração, aplica-se mais 15% do K e, se houver, a dose complementar de P. Após o pegamento dos frutos, aplica-se 30% do N e 15% do K. Cinquenta dias após o pegamento dos frutos, devem ser adicionados 20% do N e 15% do K. As doses desses nutrientes devem ser definidas de acordo com os resultados de análise foliar e do solo.
Adubação orgânica - Aplicar 20 L a 30 L de esterco por cova no plantio e pelo menos uma vez por ano.
Adubação com micronutrientes - As deficiências mais comuns de micronutrientes que ocorrem na mangueira são de Zn e B. A correção dessas deficiências poderá ser realizada por meio da aplicação de fertilizantes ao solo ou via foliar, de acordo com os resultados de análise foliar e do solo.
Fornecimento de cálcio – Considerando-se a elevada exigência da mangueira por Ca, recomenda-se associar a calagem com a aplicação de gesso. A quantidade de gesso a ser aplicada deve ser definida de acordo com os resultados da análise química e a textura do solo, e associada à quantidade de calcário, que fica em torno de 0,5 t/ha em solos de textura arenosa e 2,5 t/ha em solos de textura argilosa. Aplicar o gesso na superfície, sem incorporação, após a calagem e antes da adubação, para se evitar perda excessiva de K.
Tabela 3. Quantidades de N, P2O55 e K2O indicadas para a adubação de produção da mangueira (Mangifera indica L) em função da produtividade e da disponibilidade de nutrientes.
Produtividade esperada
N nas folhas, g kg-1
P Mehlich-1, mg dm-3
K solo, cmolc dm-3
< 12
12 - 14
14 - 16
> 16
< 10
10 - 20
21 - 40
> 40
< 0,16
0,16 - 0,30
0,31 - 0,45
> 0,45
t/ha
N, kg/ha
P2O5, kg/ha
K2O, kg/ha
< 10
30
20
10
0
20
15
8
0
30
20
10
0
10 – 15
45
30
15
0
30
20
10
0
50
30
15
0
15 – 20
60
40
20
0
45
30
15
0
80
40
20
0
20 – 30
75
50
25
0
65
45
20
0
120
60
30
0
30 – 40
90
60
30
0
85
60
30
0
160
80
45
0
40 – 50
105
70
35
0
110
75
40
0
200
120
60
0
> 50
120
80
40
0
150
100
50
0
250
150
75
0
Fonte: Silva et al. (2004).