terça-feira, 22 de maio de 2018

Cultivo do Guaraná (Guaranazeiro)

O guaranazeiro (Paullinia cupana var. sorbilis) é um importante e tradicional cultivo no Estado do Amazonas. É uma planta genuinamente brasileira de grande importância econômica e social, especialmente na região Amazônica. Esta importância é evidenciada na demanda de sementes pelas indústrias de bebidas, para atender ao promissor mercado de refrigerantes e energéticos, tanto o nacional como o internacional. Por estes motivos, a Embrapa Amazônia Ocidental, considerando a necessidade de geração e transferência de tecnologias para o cultivo do guaranazeiro, tem fortalecido as atividades de pesquisa, buscando selecionar materiais genéticos de alta produtividade e resistentes a pragas e doenças, bem como identificar práticas de manejo e tratos culturais que permitirão melhorar o desempenho da cultura, preservando o meio ambiente e aumentando a renda do produtor rural.
A Embrapa Amazônia Ocidental realizou um painel no Município de Maués (AM), no dia 28 de setembro de 2005, com a participação de profissionais de campo e agricultores, diretamente envolvidos na cadeia produtiva do guaranazeiro, para colher os subsídios necessários à validação deste documento.
Esta publicação contém informações sobre as tecnologias geradas para a cultura do guaranazeiro, visando diminuir os gargalos tecnológicos existentes no agronegócio do guaraná.


O Brasil, em termos comerciais, é o único produtor de guaraná do mundo. No Estado do Amazonas, o guaranazeiro é uma cultura plantada tanto por grandes como por pequenos produtores. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2003, o estado produziu 779 toneladas de sementes secas de guaraná em 5.178 hectares, com produtividade média de 150 kg de sementes secas por hectare, menor que a média do Brasil, que foi de 298 kg/ha.
Essa produtividade é baixa quando comparada com as obtidas de clones lançados pela Embrapa, que produzem pelo menos 400 kg/ha/ano de sementes secas. As razões apontadas para essa baixa produtividade são: a não utilização de mudas de clones selecionados, o plantio de variedades tradicionais não melhoradas, a idade avançada dos guaranazais, a alta incidência de pragas e doenças e a falta de tratos culturais adequados.
Atualmente quase toda a produção brasileira de guaraná é consumida no mercado interno, sendo pequena a quantidade exportada para outros países. Estima-se que, da demanda nacional de sementes de guaraná, pelo menos 70% seja absorvida pelos fabricantes de refrigerantes, enquanto o restante é comercializado na forma de xarope, bastão, pó, extrato e outras formas.


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sexta-feira, 18 de maio de 2018

Produção de Mudas de Citros



Etapas da produção de mudas certificadas

A muda de citros, assim como de uma série de outras frutíferas, é composta pela combinação de uma cultivar porta-enxerto com uma cultivar copa, sendo exigidos critérios específicos em relação à formação dos porta-enxertos e das mudas propriamente ditas.

Formação de porta-enxertos

Em se tratando de mudas certificadas, os porta-enxertos devem ser produzidos no interior de ambiente protegido, nas condições descritas anteriormente, a partir de sementes de plantas matrizes ou de sementeiras certificadas. Carvalho et al. (2000) recomendam que sejam indexadas para viroses e declínio a cada cinco anos, e anualmente para CVC, antes da retirada das sementes.
Os porta-enxertos podem ser adquiridos de terceiros ou serem produzidos no próprio viveiro. Normalmente, os viveiristas têm optado por produzir seus próprios porta-enxertos. Nos casos de compra de porta-enxertos, o viveirista deve obter documento tipo nota fiscal ou fatura, que comprove a procedência do material, especificando a origem, cultivar e quantidade de porta-enxertos adquiridos (BRASIL, 2013).
Geralmente, a produção de porta-enxertos tem sido realizada no mesmo telado utilizado para a produção das mudas. Visando uniformizar os tratos culturais e utilizar condições de temperatura e de umidade mais favoráveis à germinação e ao desenvolvimento inicial das plântulas, alguns viveiristas têm produzido os porta-enxertos em telados separados das mudas enxertadas.
Cultivares de porta-enxerto
Os porta-enxertos recomendados para o Rio Grande do Sul são: Trifoliata, limoeiro ‘Cravo’, limoeiro ‘Volkameriano’, laranjeira ‘Caipira’, citrumeleiro ‘Swingle’, tangerineira ‘Cleópatra’, tangerineira ‘Sunki’, tangeleiro ‘Orlando’, citrangeiro ‘Troyer’, citrangeiro ‘Carrizo’ e laranjeira ‘Azeda’ (CESM, 1998). Segundo essas normas, a laranjeira ‘Azeda’ somente deve ser utilizada como porta-enxerto de limoeiros verdadeiros. Somente as cultivares registradas no Registro Nacional de Cultivares (RNC), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), podem ser utilizadas como porta-enxerto. As recomendações de cultivares estabelecidas pelas secretarias estaduais de agricultura também devem ser seguidas.
O porta-enxerto mais utilizado no Rio Grande do Sul é o Trifoliata, principalmente por sua tolerância ao frio e à gomose de Phytophthora e por induzir a produção de frutas de ótima qualidade, embora apresente menor vigor em relação a outras cultivares, como o limoeiro ‘Cravo’, o que atrasa a formação das mudas e o início da produção de frutos (OLIVEIRA et al., 2008).
Recipientes para semeadura
Os porta-enxertos podem ser semeados em tubetes plásticos, bandejas ou embalagens definitivas. Os tubetes de 50 cm3, em forma cônica, com quatro a seis estrias longitudinais, são os recipientes mais utilizados (Figura 1), pela facilidade de manipulação, permitindo a distribuição das plântulas em lotes homogêneos, e por proporcionarem uma melhor circulação de ar entre as plântulas (JOAQUIM, 1997). Nesse tipo de recipiente, as raízes crescem em direção ao orifício basal, havendo a morte do meristema da raiz pivotante com consequente emissão de raízes secundárias. Os tubetes devem ser dispostos em bandejas plásticas perfuradas, as quais devem ser mantidas suspensas sobre cabos, com esticadores ou telas metálicas galvanizadas, fixados sobre mourões de madeira ou cimento (CARVALHO, 1998). Por outro lado, a formação de porta-enxertos em canteiros com seu posterior transplantio sob a forma de raiz nua podada permite melhor seleção de plantas sem defeito na formação das raízes.
Foto: Roberto Pedroso de Oliveira.
Figura 1. Porta-enxertos de citros produzidos em tubetes cônicos de 50 cm3 dispostos em bandejas plásticas perfuradas.
Após o uso, os tubetes, as bandejas e os canteiros devem ser desinfestados via tratamento térmico ou com produtos químicos, como o hipoclorito de sódio a 1% (FEICHTENBERGER, 1998).
Substratos para semeadura
O substrato deve apresentar propriedades físicas e químicas adequadas para o desenvolvimento das plantas, sendo as físicas determinantes por serem de difícil correção. O substrato deve ser leve para facilitar o manuseio e o transporte, apresentar boa porosidade, drenagem e capacidade de retenção de água, ser suficientemente consistente para fixar as plantas, isento de patógenos de solo, não conter sementes ou propágulos de plantas daninhas, não conter componentes de fácil decomposição, possuir composição uniforme para facilitar o manejo das plantas e apresentar um custo compatível com a atividade (OLIVEIRA et al., 2011a).
Segundo as normas e padrões da CESM (1998), o substrato deve estar isento dos fungos Armillaria sp., Phytophthora spp., Rhizoctonia solaniRosellinea sp. e Sclerotinia sp. e dos nematoides Meloidogyne spp., Pratylenchus spp. e Tylenchulus semipenetrans, devendo ser analisado em laboratório credenciado pela entidade certificadora e fiscalizadora estadual.
Conhecendo as propriedades de um substrato ideal, o viveirista pode optar pela produção própria ou aquisição junto a empresas especializadas, analisando sempre a qualidade, o custo e a facilidade de obtenção. Deve-se acrescentar que a Instrução Normativa no 48, de 24 de setembro de 2013, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, proíbe o uso de solo na composição do substrato (BRASIL, 2013).
A desinfestação dos componentes do substrato pode ser feita por solarização em coletor solar ou em sacos plásticos transparentes. A desinfestação química com fumigantes e a térmica por autoclavagem (110-120ºC) não são recomendadas por prejudicarem o desenvolvimento da microflora benéfica do substrato (FEICHTENBERGER, 1998).
A maioria dos viveiros de citros tem utilizado substratos comerciais à base de casca de pínus, palha de arroz, serragem, bagacilho de cana, vermiculita, perlita, argila expandida, húmus ou turfa (JOAQUIM, 1997; GRAF, 1999; OLIVEIRA et al., 2011a).
Cada substrato exige um manejo diferente, desde a fertilização até a irrigação, em função de propriedades específicas. Por isso, é muito importante trabalhar com um mesmo substrato, o qual, obrigatoriamente, tem que apresentar lotes uniformes.
Antes da distribuição nos recipientes, recomenda-se que seja realizada a análise de fertilidade do substrato, seguida de correção química. Esta é essencial para maximizar o desenvolvimento das plantas. Nessa fase, normalmente, é necessário acrescentar nitrogênio, fósforo e cálcio ao substrato. O fósforo deve ser adicionado antes da semeadura, enquanto que os demais nutrientes podem ser aplicados em cobertura, por meio de formulações de liberação lenta, ou semanalmente via fertirrigação.
A salinização do substrato é um dos problemas mais frequentes no cultivo de plantas em recipientes. Por isso, deve-se tomar bastante cuidado com a aplicação de fertilizantes em excesso. A toxidez por sais provoca necrose de folhas, desidratação, redução do crescimento e até mesmo a morte de plantas (JOAQUIM, 1997). A correção do nível de sais pode ser feita lixiviando-os por meio de irrigação ligeiramente acima da quantidade necessária.
Semeadura
Primeiramente, as sementes devem ser submetidas a tratamento térmico a 52 ºC por 10 minutos (CESM, 1998). Alguns viveiristas têm retirado o tegumento externo das sementes com a finalidade de melhorar a sanidade, acelerar e uniformizar a germinação (Figura 2), embora seja uma atividade bastante trabalhosa (OLIVEIRA; SCIVITTARO, 2007). A semeadura pode ser feita utilizando-se de uma a três sementes por tubete, dependendo da cultivar e da porcentagem de germinação do lote de sementes. Recomenda-se utilizar a profundidade de 2 cm a 3 cm.
Foto: Roberto Pedroso de Oliveira.
Figura 2. Remoção do tegumento externo de sementes do porta-enxerto de citros Poncirus trifoliata.
Irrigação
Durante a germinação e o desenvolvimento inicial dos porta-enxertos, a irrigação deve ser feita manualmente ou por meio de aspersores, de forma a não descobrir as sementes.
A água de irrigação deve ser tratada com cloro ativo ou ser proveniente de poço artesiano. No caso de tratamento da água, recomenda-se a adição de cloro na concentração de 3 a 5 mg L-1 (CARVALHO, 1998). Nessa concentração, ocorre a inativação dos zoósporos de Phytophthora (FEICHTENBERGER, 1998). Deve-se tomar cuidado para não utilizar uma concentração excessiva de cloro, o que pode causar toxidez às plantas. No caso da utilização de água de poço artesiano, deve-se avaliar a presença e a quantidade de sais.
Condução dos porta-enxertos
A área do viveiro deve ser livre de detritos vegetais, inclusive aqueles decorrentes do processo de produção das próprias mudas. Os porta-enxertos devem ser conduzidos em haste única, sendo realizada desbrota semanal. Normalmente, as plantas atípicas e de crescimento debilitado apresentam natureza híbrida, devendo ser eliminadas. A taxa de ocorrência destes híbridos depende da espécie do porta-enxerto, sendo inversamente proporcional a sua taxa de poliembrionia. Para facilitar o manejo, as plantas de cada cultivar devem ser separadas em lotes mais homogêneos, normalmente aos 70-80 dias da semeadura (OLIVEIRA et al., 2001).
Recipiente definitivo
O recipiente definitivo das mudas deve apresentar dimensões mínimas de 10 cm de largura por 30 cm de altura (CESM, 1998). Esse recipiente desempenha um papel determinante no desenvolvimento do sistema radicular das mudas, influindo na formação e na configuração das raízes.
No caso de mudas de citros, os recipientes podem ser de plástico rígido ou de polietileno. Os vasos de plástico rígido são comercialmente denominados de citrovasos ou citropotes. Possuem a vantagem de apresentar estrias longitudinais, como os tubetes, para direcionar o crescimento das raízes para o fundo do recipiente, evitando o seu enovelamento. A suspensão dos vasos em bancadas é essencial para esse comportamento das raízes. Os vasos de plástico rígido apresentam um custo maior do que os de polietileno; porém, são reutilizáveis.
Os recipientes de polietileno, também chamados de sacos plásticos, apresentam um custo menor, não ocupam espaço quando vazios e são descartáveis, não havendo necessidade de retorno, realização de lavagens e riscos de contaminação com patógenos de outras áreas. Porém, podem rasgar com certa facilidade e estão sujeitos à ocorrência de enovelamento de raízes, devido às superfícies lisas do recipiente, principalmente se houver atraso no plantio das mudas (CARVALHO, 1998; GRAF, 1999).
Com relação ao substrato, valem as mesmas observações efetuadas na fase de semeadura e de desenvolvimento inicial dos porta-enxertos.
Transplantio
Dependendo da cultivar, do substrato e das condições de cultivo, os porta-enxertos apresentam 10 cm a 15 cm de altura, após três a cinco meses de cultivo, estando aptos a ser transplantados para os recipientes definitivos, onde será completada a formação das mudas.
Por ocasião do transplantio, deve-se evitar o enovelamento de raízes na região do colo das plantas, o que diminui o vigor dos porta-enxertos. O transplantio das plantas pode ser feito com o torrão, de forma a não lesionar o sistema radicular, evitando a interrupção do crescimento dos porta-enxertos, ou por meio de raiz nua, o que permite podar as raízes e eliminar as enoveladas.

Formação das mudas

Enxertia
Dependendo da cultivar e das condições de cultivo, os porta-enxertos estão aptos para a enxertia entre três e seis meses após o transplantio.
Para a produção de mudas certificadas, as borbulhas devem ser obtidas de plantas matrizes ou de borbulheiras certificadas, cultivadas em ambiente protegido e inspecionadas, periodicamente, com relação a mutações e à sanidade, principalmente quanto à clorose variegada dos citros, cancro cítrico, HLB, tristeza e outras viroses. O viveirista deve possuir um comprovante de origem das borbulhas, que pode ser uma nota fiscal ou fatura, que especifique a origem, a espécie, a cultivar e a quantidade de material adquirido.
As borbulhas são fornecidas em ramos chamados de porta-borbulhas. Trata-se de ramos desfolhados de aproximadamente 30 cm a 40 cm, contendo borbulhas maduras (Figura 3).
Foto: Roberto Pedroso de Oliveira.
Figura 3. Ramos porta-borbulhas de citros.
A enxertia deve ser realizada à altura de 10 cm a 20 cm a partir do colo da planta para a maioria das cultivares. Somente para os limoeiros verdadeiros e para a limeira ácida ‘Tahiti’, e quando a muda for destinada a plantio com colheita mecanizada, a altura da enxertia deve ser entre 20 cm e 40 cm (BRASIL, 2013). Para a enxertia, devem ser retiradas as folhas e os espinhos do colo do porta-enxerto. Esta operação deve ser realizada no dia da enxertia, pois, caso realizada anteriormente, dificulta o desprendimento da casca. O aumento progressivo da irrigação nos dias que antecedem a enxertia é recomendado para melhorar o desprendimento da casca. A enxertia deve ser feita por borbulhia, em ‘T’ normal ou invertido, sendo fixada com fita plástica normal ou degradável (Figura 4).
Foto: Roberto Pedroso de Oliveira.
Figura 4. Mudas enxertadas de citros.
Cultivares-copa
Desde 1998, a Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Rio Grande do Sul elegeu as seguintes cultivares-copa de citros para plantio no estado: laranjeiras ‘Bahia’, ‘Baianinha’, ‘do Céu’ (‘Lima’), ‘Folha Murcha’, ‘Franck’, ‘Hamlin’, ‘Monte Parnaso’, ‘Natal’, ‘Pêra’, ‘Tobias’, ‘Caiana’, ‘Valência’ e ‘Westin’; tangerineiras ‘Clementina’, ‘Cravo’, ‘Comum’ (‘Mexeriqueira do Rio’ ou ‘Caí’), ‘Satsuma Okitsu’, ‘Montenegrina’ e ‘Ponkan’; limoeiro verdadeiro ‘Siciliano’; limeira ácida ‘Tahiti’; limeira verde ‘Piracicaba’; e híbridos ‘Murcott’, ‘Lee’ e ‘Ellendale’. Além dessas cultivares, a Embrapa Clima Temperado recomenda, atualmente, as laranjeiras ‘Navelina’, ‘Navelate’, ‘Lane Late’, ‘Cara Cara’, ‘Salustiana’, ‘Valência Late’, ‘Midknight’, ‘Delta Seedless’, ‘Newhall’, ‘Lue Gim Gong’, ‘Shamouti’ e ‘BRS Tarocco do Pampa’; as tangerineiras ‘Owari’, ‘Rainha’, ‘Marisol’ e ‘Clemenules’; o limoeiro verdadeiro ‘Fino’; o limoeiro híbrido ‘Meyer’; os pomeleiros ‘Marsh Seedless’, ‘Star Ruby’, ‘Ruby Red’ e ‘Flame’; e os híbridos ‘Nova’, ‘Minneola’, ‘Fremont’ e ‘Ortanique’. Outras cultivares estão em fase de avaliação e recomendação para o estado.
Adubação e irrigação
A formulação dos adubos e a frequência de adubação variam em função da cultivar e da composição do substrato. De uma forma geral, Carvalho (1998) recomenda a aplicação semanal, via água de irrigação, de nitrato de potássio, nitrocálcio ou de fosfato monoamônico, na proporção de 2 g a 4 g por planta, e a aplicação foliar de nitrogênio, zinco, manganês, boro e ferro quinzenalmente, juntamente com os tratamentos fitossanitários. No entanto, para uma adubação equilibrada, recomenda-se o monitoramento do estado nutricional das plantas por meio de análise foliar e do substrato, procedendo-se às correções em cobertura, via água de irrigação ou da forma convencional, de acordo com a necessidade de nutrientes.
A irrigação pode ser feita manualmente, por aspersão ou de forma localizada em cada recipiente. A irrigação localizada por gotejo, vaso a vaso, é vantajosa para a produção de mudas sadias, por evitar a umidade excessiva no tronco, ramos e folhas e a lavagem de defensivos, além de possibilitar a adição de fertilizantes solúveis. As desvantagens desse sistema referem-se ao maior custo e ao encharcamento de alguns recipientes, devido ao consumo diferenciado de água pelas plantas em diferentes fases de desenvolvimento e em função da espécie de porta-enxerto.
Controle de pragas e de doenças
O manejo de pragas e de doenças deve ser preventivo e rigoroso, evitando prejuízos à qualidade e ao desenvolvimento das mudas. Devem-se realizar pulverizações com combinações de produtos de ação inseticida, acaricida e fungicida, alternando os princípios ativos para evitar a proliferação de patógenos e de pragas resistentes (OLIVEIRA et al., 2001).
A tela do ambiente protegido controla a entrada da maioria dos insetos-praga e dos vetores de doenças. Porém, fungos e ácaros podem entrar pelos orifícios da tela e algumas espécies de cigarrinhas, pulgões, cochonilhas e insetos adultos de minador pela própria porta do telado. Por isso, além das pulverizações preventivas, o viveiro deve ser inspecionado permanentemente, procedendo-se, caso necessário, ao controle químico adicional com produtos específicos para a praga ou patógeno encontrado.
O uso de armadilhas amarelas com cola adesiva na antecâmara e no interior do telado é essencial para o monitoramento e controle de insetos, principalmente de cigarrinhas, que são atraídas por essa coloração.
Condução do enxerto e formação da muda
A remoção do fitilho não degradável deve ser realizada 15 a 20 dias após a enxertia, quando se verifica o pegamento. Caso este não ocorra, pode-se enxertar novamente no lado oposto do caule, cinco dias após o corte do fitilho. Para forçar a brotação, pode ser feito o encurvamento do porta-enxerto, segurando com uma das mãos a 10 cm acima do enxerto e curvando com a outra a parte superior da planta até prender na base da muda (Figura 5). Outra técnica utilizada para forçar a brotação consiste em efetuar o corte do porta-enxerto 5 cm acima da enxertia, no momento da retirada do fitilho. O pedaço de ramo remanescente deve ser cortado 15 dias antes da expedição das mudas (SEMPIONATO et al., 1997). A região do corte deve ser tratada com pasta cúprica. Uma única brotação deve ser conduzida de forma tutorada até o amadurecimento do ramo. O tutoramento pode ser feito com material galvanizado ou não. O tutor deve ser fino, firme e estreito, para evitar lesões no sistema radicular das mudas no momento em que é introduzido no substrato.
Foto: Roberto Pedroso de Oliveira.
Figura 5. Encurvamento do porta-enxerto para forçar a brotação do enxerto.
Em função de redução de custo, no sistema de produção de mudas certificadas em ambiente protegido não são formadas “pernadas” ou ramos laterais, como no sistema a “céu aberto”. Por isso, as plantas permanecem por menos tempo nos recipientes, minimizando o risco de enovelamento do sistema radicular. Desta forma, as mudas são produzidas e comercializadas em haste única, sendo chamadas de muda vareta, pavio ou palito (Figura 6).
A haste principal da muda vareta deve ser podada a 30-50 cm de altura para as tangerineiras e a 50-60 cm para as laranjeiras, limeiras ácidas e limoeiros verdadeiros, medidos a partir do colo da planta, devendo apresentar tecido já amadurecido.
Foto: Roberto Pedroso de Oliveira.
Figura 6. Muda de citros tipo vareta, pavio ou palito, sem pernadas.
Para facilitar a identificação e evitar a troca de materiais, recomenda-se a utilização de um código de cores para as cultivares-copa e porta-enxerto, com aplicação de tinta na região abaixo e acima do ponto de enxertia (CATI, 1998).
Nas condições climáticas do Estado de São Paulo, utilizando o porta-enxerto limoeiro ‘Cravo’, a muda de haste única fica pronta para o plantio em 10-12 meses após a semeadura (CARVALHO, 1998). Considerando a ocorrência de temperaturas médias menores no Rio Grande do Sul e o uso do porta-enxerto ‘Trifoliata’, espera-se um atraso de até 12 meses no processo de formação das mudas, dependendo do nível de climatização do telado.
A idade máxima das mudas de haste única para plantio é de 24 meses após a semeadura dos porta-enxertos quando se tratar de mudas com interenxertia ou oriundas do porta-enxerto ‘Trifoliata’ e de seus híbridos (BRASIL, 2013). Nos demais casos, a idade máxima das mudas é de 18 meses. Este critério é fundamental para evitar o enovelamento das raízes.
De forma geral, as mudas tipo palito, produzidas em ambiente protegido, apresentam pegamento e vigor superiores às mudas produzidas em viveiros a “céu aberto”, em virtude principalmente da qualidade do sistema radicular (Figura 7).
Foto: Roberto Pedroso de Oliveira.
Figura 7. Qualidade do sistema radicular de muda de citros produzida em citrovasos.
Após a retirada de cada lote de mudas do viveiro, deve-se realizar a desinfestação dos pisos, paredes e bancadas com hipoclorito de sódio a 5% ou formaldeído a 1% (FEICHTENBERGER, 1998).
Condenação de viveiros
Determinados patógenos e plantas daninhas são extremamente danosos aos citros, muitas vezes inviabilizando a produção. Por isso, as mudas devem ser isentas desses organismos.
O viveiro deve ser condenado pela simples ocorrência, em qualquer uma das mudas, dos fungos Phytophthora spp., Rhizoctonia solaniSclerotinia sp. e Armillaria sp., dos procariotos Xanthomonas campetris pv. citriXylella fastidiosaCandidatus liberobacter e Spiroplasma citri, dos nematoides Meloidogyne spp., Pratylenchus spp. e Tylenchulus semipenetrans, das plantas daninhas Cyperus rotundus(tiririca) e Cynodon dactilon (grama-seda) e dos vírus, viroides e micoplasmas patogênicos aos citros (CESM, 1998). O diagnóstico de infecções por bactérias, fungos, nematoides, vírus, viroides e micoplasmas deve ser feito por laboratório credenciado.
Padrão de qualidade das mudas certificadas
O enxerto e o porta-enxerto devem constituir uma haste única, ereta e vertical, tolerando-se um desvio de, no máximo, 15 graus. A diferença entre os diâmetros do enxerto e do porta-enxerto deve ser menor ou igual a 5 mm, medidos 5 cm acima e abaixo do ponto de enxertia para todas as cultivares, exceto de tangerineiras, quando a tolerância é de 1 cm. As mudas certificadas devem apresentar um diâmetro mínimo de 0,5 cm, 5 cm acima do ponto de enxertia, devendo a haste ser podada com 30 cm a 60 cm a partir do colo da planta (BRASIL, 2013).
As mudas devem apresentar sistema radicular bem desenvolvido, com raiz principal reta com pelo menos 20 cm de comprimento, sem raízes enoveladas, retorcidas ou quebradas. As mudas não devem apresentar ramos quebrados ou lascados, devendo possuir tecido amadurecido, ramos íntegros e corte cicatrizado do porta-enxerto (CESM, 1998). Tolera-se apenas 5% das mudas com raízes defeituosas (BRASIL, 2013); caso contrário, o lote deve ser condenado.
Após o recebimento de parecer favorável nas inspeções de pós-semeadura, pós-transplantio, pós-enxertia e de liberação, e das análises laboratoriais, a muda ou lote de mudas aprovados pela entidade certificadora receberão as etiquetas e o certificado de garantia, podendo ser comercializadas.
As mudas devem receber etiquetas, nas quais devem constar o nome e o número de registro do produtor, o endereço do viveiro e a identificação das cultivares porta-enxerto e copa utilizadas.
Armazenamento e transporte
As mudas certificadas poderão ser armazenadas fora do viveiro, em bancadas com altura mínima de 30 cm do solo, por um período não superior a 15 dias, devendo permanecer protegidas do ataque de insetos vetores em áreas de incidência de CVC e de tristeza (CESM, 1998).
Os caminhões utilizados para o transporte das mudas devem ser lavados e desinfestados com amônia quaternária antes do carregamento. Estes devem ser preferencialmente fechados ou cobertos com tela com malha antiafídica.
Controle de qualidade
Independentemente das inspeções oficiais, os viveiristas devem realizar um controle próprio para aprimorar a qualidade das mudas. É aconselhável a realização de inspeções visuais e de análises laboratoriais periódicas para os principais patógenos durante todo o processo de produção, para que, no caso de ser encontrado algum patógeno, o lote seja eliminado antes do final do ciclo e de forma a não contaminar os demais.
Para o diagnóstico de patógenos do gênero Phytophthora e de nematoides nocivos aos citros, deve-se amostrar pelo menos 10 mudas por lote de mil plantas. As amostras devem ser retiradas em fases distintas de desenvolvimento das mudas. Na primeira, antes do transplantio dos porta-enxertos, deve-se coletar amostras do substrato, que será utilizado no enchimento dos recipientes definitivos, e amostras de substrato e de radicelas dos tubetes onde se encontram os porta-enxertos prontos para transplantio. Caso seja detectado algum patógeno, o lote de substrato ou de porta-enxertos deve ser eliminado, evitando os custos de enchimento dos recipientes definitivos. Na fase final, 20 dias antes da expedição das mudas, devem-se coletar amostras de substrato e radicelas a uma profundidade de 20 cm do colo das plantas. Para isto, pode-se utilizar amostradores semelhantes aos utilizados para a amostragem de sementes ou de solo, porém de tamanho menor. Durante a coleta das amostras, deve-se evitar lesões nas radicelas, devendo o equipamento amostrador ser desinfestado com álcool hidratado a cada mudança de lote. O viveirista também pode realizar amostragens intermediárias caso deseje maior segurança.
Para o diagnóstico da bactéria Xylella fastidiosa, causadora da clorose variegada dos citros, devem ser amostrados lotes de mil plantas, coletando-se, no mínimo, 20 folhas de cada lote. Deve-se retirar uma folha por muda, escolhida aleatoriamente dentro do lote. Esta amostragem deve ser realizada somente na fase final de produção das mudas, sendo escolhidas as folhas maduras de coloração verde-oliva.
A realização de testes para o cancro cítrico e para a mancha-preta em laboratórios credenciados também é recomendada (BORGES et al., 2000), enquanto que para a bactéria causadora do HLB é obrigatória.





sábado, 12 de maio de 2018

Produção de material propagativo de Citros



As plantas fornecedoras de borbulhas de citros, quer sejam plantas básicas, plantas matrizes ou plantas borbulheiras, deverão ser inscritas pelo produtor de mudas junto ao órgão de fiscalização, devendo-se comprovar a origem genética.
As plantas básicas (Figura 1), plantas matrizes, borbulheiras certificadas e mudas certificadas deverão ser mantidas em ambiente protegido, que deverá ser de tela de malha nas dimensões mínimas de 87 centésimos de milímetro por 30 centésimos de milímetro, tanto na cobertura, quanto nas laterais, ou de vidro. Em se tratando da cobertura do ambiente protegido, esta pode ser feita por meio de filme plástico (BRASIL, 2013).
Normalmente, para aumentar a produção anual de borbulhas, utilizam-se porta-enxertos vigorosos, como o limoeiro Cravo (Citrus limonia Osbeck), nas borbulheiras, mesmo em regiões de clima subtropical (OLIVEIRA et al., 2009). Segundo os mesmos autores, as plantas borbulheiras podem ser cultivadas em sacos plásticos, vasos plásticos (5 L a 200 L) ou diretamente no solo, mas, sempre, no interior de ambiente protegido (BRASIL, 2013) (Figura 2, 3 e 4). As borbulhas aptas à enxertia podem ser armazenadas por até sete meses em câmara fria a 5 ºC (BLUMER, 2000; MACIEL et al., 2008).
Foto: Roberto Pedroso de Oliveira.
Figura 1. Planta básica de citros da cultivar satsuma Okitsu (Citrus unshiu Marc.), cultivada no interior de ambiente protegido.
Foto: Roberto Pedroso de Oliveira
Figura 2. Plantas borbulheiras de citros cultivadas em vasos plásticos de 5 L no interior de ambiente protegido.
Foto: Roberto Pedroso de Oliveira.
Figura 3. Plantas borbulheiras de citros cultivadas em vasos plásticos de 200 L no interior de ambiente protegido.
Foto: Roberto Pedroso de Oliveira.
Figura 4. Plantas borbulheiras de citros cultivadas diretamente no solo no interior de ambiente.







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segunda-feira, 7 de maio de 2018

Condução de Viveiros Cítricos (limão,laranja e tangerina)

Instalação

O viveiro deve ser instalado, preferencialmente, em local com exposição norte, o mais distante possível de plantas cítricas. O viveiro deverá estar caracterizado quanto às suas coordenadas geodésicas (latitude e longitude), segundo o Sistema Geodésico Brasileiro, expressas em graus, minutos e segundos, tomadas no ponto central do viveiro (BRASIL, 2013).
O viveiro deve ser construído em solo adequadamente nivelado, de maneira a não permitir a entrada de água de escorrimento superficial. Quebra-ventos devem ser instalados na posição dos ventos predominantes, podendo-se utilizar, para tanto, espécies como grevílea (Grevillea robusta A.Cunn.), casuarina (Casuarina equisetifolia L.) ou Pinus spp.

Estrutura

Recomenda-se que as mudas e os porta-enxertos certificados de citros sejam produzidos em ambiente protegido contra insetos vetores de doenças, principalmente cigarrinhas e afídeos.
O ambiente protegido deve apresentar uma estrutura resistente a ventos fortes, para evitar a exposição das mudas durante o processo de produção, e uma mureta lateral de concreto, com altura mínima de 30 cm, para evitar a entrada de água das chuvas por respingos.
Normalmente, os produtores de mudas certificadas de citros têm construído viveiros com estrutura de aço galvanizado e perfis de alumínio, revestidos lateralmente com tela antiafídica branca e cobertura plástica com filme de polietileno transparente com 150 micra de espessura, tratados contra raios ultravioletas (Figura 1). Esse tipo de instalação tem sido a mais prática e econômica, pois possui uma vida útil em torno de 25 anos. Geralmente, a tela antiafídica e a cobertura plástica apresentam durabilidade de cinco e três anos, respectivamente, dependendo do clima e do manuseio dado pelo viveirista.
Foto: Roberto Pedroso de Oliveira.
Figura 1. Modelo de viveiro telado de citros.
A altura do pé-direito e o formato do telado são determinantes no controle da temperatura interna do ambiente protegido. Em média, as cultivares de citros somente apresentam crescimento vegetativo em temperaturas entre 13 ºC e 34 ºC (AMARAL, 1982). No entanto, as condições que maximizam o crescimento situam-se entre 26 ºC e 28 ºC (WREGE et al., 2004). A umidade relativa do ar de 65% é considerada ideal para o desenvolvimento de plantas cítricas (JOAQUIM, 1997). Obviamente, deve-se projetar e manejar a estrutura do viveiro visando temperaturas favoráveis às plantas pelo maior período de tempo possível.
Nas condições climáticas do Rio Grande do Sul, ou seja, invernos frios e prolongados e verões quentes, podem-se utilizar módulos largos com cortinas plásticas móveis, para conservação do calor nos períodos frios, e sistemas de abertura de janelas nas porções superiores do telado e/ou de ventilação forçada para eliminação de ar quente, nos períodos de temperaturas elevadas. Os viveiros telados podem apresentar sistemas de aquecimento a gás ou a vapor de água, regulados manualmente ou por termostato. Diversos sistemas de aquecimento e de refrigeração estão disponíveis no mercado. A opção pelo uso de um desses sistemas deve basear-se na análise da relação custo-benefício.
Para o manejo adequado das mudas, a altura do pé-direito do viveiro-telado deve ser de, no mínimo, 3 m sob as calhas. Em geral, o custo de implantação e de manutenção do sistema de climatização é diretamente proporcional à altura do pé-direito do viveiro.
A cobertura plástica é importante para o manejo da irrigação, principalmente em regiões que apresentam concentração de chuva em determinados períodos. Desta forma, evita-se o encharcamento do substrato, com consequente proliferação de doenças, e a redução da porcentagem de pegamento das enxertias. Esse tipo de cobertura também possibilita melhor captação de calor nos meses mais frios, que pode ser mantido com o fechamento das cortinas laterais.
Diferentes diâmetros de malha da tela podem ser utilizados nos viveiros, desde que com tamanho igual ou inferior a 87 centésimos de milímetro por 30 centésimos de milímetro. Desta forma, o uso de telas com malha de 1 mm2 não é mais permitido em viveiros-telados de citros, devendo-se utilizar telas antiafídicas (BRASIL, 2013). Deve-se ter em mente que telas com menores diâmetros de malha proporcionam menor ventilação, aumentando a temperatura tanto no verão quanto no inverno. No entanto, conferem maior proteção quanto à entrada de pragas no viveiro. Permanentemente, a integridade da tela do viveiro deve ser analisada pelos funcionários, efetuando-se o conserto de furos ou rasgos assim que ocorram.
O viveiro telado deve possuir antecâmara com duas portas dispostas perpendicularmente para dificultar a entrada de insetos. As portas devem permanecer abertas o menor tempo possível, devendo-se abrir a porta que dá acesso ao telado somente quando a externa estiver fechada. Entre as duas portas deve ser instalado um pedilúvio contendo cobre e/ou amônia quaternária para desinfestação dos calçados. A dimensão mínima da antecâmara deverá ser de 4 m2 (BRASIL, 2013).
No interior do viveiro telado, as mudas devem ser dispostas em bancadas com altura mínima de 30 cm. Graf (1999) recomenda bancadas com 40 cm a 50 cm de altura, para facilitar o trabalho dos funcionários e evitar que respingos de água do solo atinjam as mudas. As bancadas podem ser confeccionadas de madeira, ferro ou cimento e as mudas podem ser dispostas em grupos de seis ou oito fileiras (Figura 2). O espaçamento mínimo entre bancadas deve ser de 60 cm para facilitar o manuseio das mudas. Com esta distribuição, podem ser produzidas, em média, 25 mudas por m2 de viveiro.
O piso do viveiro deve ser constituído por uma camada de, pelo menos, 5 cm de espessura de brita ou ser cimentado nas áreas de circulação, o que facilita as operações de limpeza (Figura 3).
Foto: Roberto Pedroso de Oliveira.
Figura 2. Disposição das mudas de citros em grupo de oito na bancada mista de madeira e concreto.
Foto: Roberto Pedroso de Oliveira.
Figura 3. Piso de brita no viveiro telado de citros.

Controle de acesso

A propriedade deve ser fechada com cerca-viva para garantir melhor controle do acesso de pessoas e de veículos. Antes de entrar na propriedade, os veículos, principalmente caminhões, devem ser vistoriados em relação à presença de restos de cultura, os quais devem ser removidos. Em seguida, devem passar por um sistema fixo de arco rodolúvio ou ser pulverizados manualmente com solução bactericida composta por amônia quaternária, na diluição de 1 L do produto comercial para 1.000 L de água. O ideal é que toda a superfície dos veículos entre em contato com a solução desinfetante. Deve-se, sempre, respeitar o prazo de validade da amônia quaternária antes e após a diluição do produto em água. Segundo Feichtenberger (1998), a solução bactericida deve ser substituída a cada 48 horas. Estas medidas visam evitar a entrada de pragas e de doenças no viveiro, principalmente o cancro cítrico.

Treinamento de funcionários

Os funcionários do viveiro devem receber treinamento sobre todas as fases de produção da muda, com ênfase em aspectos relacionados à qualidade e à eficiência dos processos envolvidos. Todos os funcionários devem conhecer os sintomas provocados pelas doenças, desequilíbrios fisiológicos, deficiências e toxidez de nutrientes. Catálogos com ilustrações dessas situações estão disponíveis no mercado para esse tipo de treinamento. Dessa forma, as mudas devem ser constantemente inspecionadas.
Recomenda-se que certas atividades, como semear, enxertar, desbrotar, irrigar, aplicar defensivos e nutrientes, sejam divididas entre os funcionários, de forma a atribuir responsabilidades individuais.
O viveirista deve fornecer uniformes aos funcionários, que devem ser lavados diariamente. Antes de iniciar o trabalho, os funcionários devem trocar de roupa, inclusive de calçados, e lavar as mãos com sabonete. A pele humana pode ser desinfestada com produto químico à base de digluconato de clorohexidina, na diluição de 1 L do produto comercial para 200 L de água (CARVALHO et al., 2000).
As ferramentas de trabalho devem ser exclusivas para cada telado, devendo ser desinfestadas com formalina a 2,5% antes e após o uso.



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quinta-feira, 3 de maio de 2018

Cultura da Manga (Resumo)



A exploração da manga no Brasil, historicamente, foi feita em moldes extensivos, sendo comum o plantio em áreas esparsas, nos quintais e fundos de vales das pequenas propriedades, formando bosques subespontâneos, e tradicionalmente cultivados nas diversas localidades. No Brasil, ainda predominam as variedades locais do tipo "Bourbon”, “Rosa”, “Espada”, “Coqueiro”, “Ouro”, entre várias outras, entretanto, nos últimos anos, esse quadro está mudando com a implantação de grandes áreas com novas variedades de manga de comprovada aceitação pelo mercado externo.
O cultivo da mangueira no Brasil, portanto, pode ser dividido em duas fases distintas: a primeira, teve como característica principal os plantios de forma extensiva, com variedades locais e pouco ou nenhum uso de tecnologias; e a segunda, caracterizada pelo  elevado nível tecnológico, como irrigação, indução floral e variedades melhoradas. 
A expansão da mangicultura tem ocorrido principalmente no estado de São Paulo, de onde foram difundidas as novas variedades de manga para o restante do país, e nos pólos de agricultura irrigada do Nordeste. Nesta região, a incorporação de plantios tecnificados, principalmente no Vale do São Francisco, que abrange os estados de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe, e em outras áreas irrigadas como as dos Vales do Jaguaribe, Açu-Mossoró e Parnaíba situadas nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí, respectivamente. Portanto, é na região semi-árida nordestina onde foram implementados vários empreendimentos, com plantios comerciais de variedades demandadas pelo mercado externo. Em todas essas áreas, o cultivo da manga chamada “tipo exportação” encontra-se em fase de franca expansão, tendo como base as cultivares “Tommy Atkins” e “Haden”, entre outras. 
A mangicultura na região semi-árida destaca-se no cenário nacional, não apenas pela expansão da área cultivada e do volume de produção, mas, principalmente, pelos altos rendimentos alcançados e qualidade da manga produzida. Seguindo as tendências de consumo do mercado mundial de suprimento de frutas frescas, a região inclina-se, atualmente, para produção de manga de acordo com as normas de controle de segurança nos sistemas de produção preconizadas pelas legislações nacional e internacional.
Cada vez estão sendo levados em consideração os novos requerimentos dos mercados que impõe um novo conteúdo de qualidade dos alimentos, incorporando as preocupações dos consumidores com a forma como eles são produzidos e a exigência de critérios de certificação do produto, levando em consideração o local de produção e os aspectos da ética ambiental e social. Nesse sentido, há uma tendência para o crescimento da produção de manga certificada, com a adoção da Produção Integrada de Frutas - PIF, entre outras formas de rastreamento e de regulação da cadeia de produção, assim como para produção de manga orgânica.

O cultivo da manga no Brasil e no semi-árido nordestino
O processo de expansão da cultura da manga no Brasil ocorre principalmente a partir de meados dos anos 80 e se estende por toda década de 90. A produção brasileira de manga (em geral), segundo os dados da Produção Agrícola Municipal (PAM), do IBGE, revela um crescimento da produção da ordem de 38,23 % no período de 1990 a 2000. De um total de 1.557 milhões de frutos colhidos (equivalente a 389 mil toneladas)[1] em 1990, depois de seguidos anos (1991 e 1992) de desempenho estagnacionista, observou-se uma pequena recuperação a partir de 1993, quando o volume produzido ascendeu, gradativamente, do patamar de 1.610 milhões de frutos (402 mil toneladas) para 2.153 milhões de frutos (538 mil toneladas), em 2000.
No Brasil, a manga é cultivada em todos as regiões fisiográficas, com destaque para o Sudeste e para o Nordeste. Os dados do Tabela 1 revelam um crescimento da área cultivada de manga nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul, em detrimento das regiões Norte e Centro-Oeste que apresentaram uma produção decrescente na década de 90. A região Sudeste, que em 2000 detinha 42,42 % da área plantada com manga no país, revelou um crescimento 23,17 % da área cultivada no período de 1990 a 2000. Nessa região destaca-se o estado de São Paulo com uma participação 31,46 % da área cultivada nacional. 
No Nordeste, a manga é cultivada em todos os estados, em particular nas áreas irrigadas da região semi-árida, que apresentam excelentes condições para o desenvolvimento da cultura e obtenção de elevada produtividade e qualidade de frutos. Em 2000, a área cultivada de manga, na região nordestina, representou 51,66% da área cultivada total brasileira e revelou um crescimento da ordem 104,65 % no período compreendido entre os anos de 1990 e 2000 (Tabela 1). As principais áreas cultivadas de manga estão localizadas nos estados da Bahia, Pernambuco e Ceará, que participaram, respectivamente, com 38,54 %, 18,17 % e 12,14 % do total da região nordestina. 

Tabela 1. Evolução da área colhida de manga no Brasil, por região, em hectares, no período de 2004 a 2013.
Região Geográfica
Ano
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
Norte
1013
965
963
886
815
805
605
672
317
474
Nordeste
42.634
43.792
51.339
52.093
50.840
53.079
51.747
51.712
50.169
51.726
Sudeste
24.529
22.524
21.129
21.826
21.216
20.147
21.744
23.021
21.826
22.920
Sul
790
758
839
778
796
824
747
714
687
690
Centro-Oeste
651
572
512
328
336
323
336
262
311
398
Brasil
69.617
68.191
74.782
75.911
74.003
75.178
75.175
76.381
73.310
76.208
Fonte: IBGE    *Valores Estimados

No Censo Frutícola, realizado pela Codevasf, em 2001, foram levantados 32,3 mil hectares com mangueiras na região Nordeste, dos quais 23,7 mil hectares, ou seja, 73,41 %, sendo cultivados com variedades melhoradas, onde a Tommy Atkins responde por uma área de 20,2 mil hectares. Aqui vale ressaltar que essas novas áreas implantadas na região ainda não se encontram em plena produção. Quando se analisam os estágios produtivos revelados no referido Censo, verifica-se que 67,00 % de toda área cultivada, ainda encontra-se em formação ou em fase de produção crescente. 
A especialização da região na produção de manga teve seu impulso inicial na perspectiva de ocupação do mercado externo, mas o mercado nacional ainda absorve a maior parcela da produção. A existência de um mercado interno de grande dimensão confere ao setor uma relativa autonomia na organização do processo de produção. A complementaridade do mercado doméstico tem uma grande importância para as atividades exportadoras, seja como amortizador das instabilidades do mercado internacional, seja absorvendo os produtos que não atendem aos critérios de qualidade exigidos por este mercado.

A importância econômica e social da mangueira na região semi-árida
A cultura da manga reveste-se de especial importância econômica e social, na medida em que envolve um grande volume anual de negócios voltados para os mercados interno e externo, e destaca-se entre as culturas irrigadas da região como a que, embora não apresente um elevado coeficiente de geração de empregos diretos, quando comparado com outras fruteiras, mas confere oportunidades de ocupações que se traduzem em empregos indiretos. 
A produção manga voltada para o mercado de produtos de qualidade passa a exigir, cada vez mais, novas tecnologias, mão-de-obra qualificada e serviços especializados, tanto no processo produtivo, quanto nas atividades pós-colheita (embalagem, empacotamento e classificação). Todo esse processo tem sido acompanhado por mudanças caracterizadas por um conjunto de inovações, na organização da produção e do trabalho, dando origem às diversas formas de relações contratuais, que se manifestam sob forma de prestação de serviços. Esta dinâmica passou a envolver um grande contingente de trabalhadores qualificados, um número significativo de técnicos e firmas, entre outros profissionais especializados, vinculados a essas empresas ou prestando serviços por conta própria. Tratam-se de novos atores sociais, que ao lado dos fruticultores, devem ser considerados como essenciais ao setor produtivo. 
Cabe ressaltar que a mangueira é cultivada por diferentes estratos de produtores, com uma participação significativa dos pequenos, que ainda produzem de forma extensiva as variedades locais ou primitivas e, principalmente, dos pequenos fruticultores dos projetos públicos de irrigação, que plantam as variedades do “tipo exportação”. Trata-se de uma grande massa de pequenos produtores com grande capacidade de abastecimento do mercado doméstico e baixo potencial de inserção no mercado externo. 
A participação da pequena produção na cadeia produtiva da manga está intimamente relacionada ao abastecimento doméstico e à construção e ampliação de um circuito regional de produção-distribuição-consumo de frutas, ligado ao pequeno varejo tradicional das feiras e quitandas das cidades do Nordeste e Norte do País. Trata-se de um circuito regido por acordos e contratos informais, que se desenvolve paralelamente aos formados por estruturas integradas, organizados em redes de caráter nacional, patrocinados pelas grandes empresas produtoras de frutas, cooperativas, atacadistas, quase sempre pautados em relações contratuais bem definidas, entre esses distintos agentes das cadeias produtivas. 
Conforme pode ser observado na Tabela 2, o estrato de produtores que cultiva até três hectares com mangueiras, representa 86,66 % dos mangicultores do Nordeste, mas só respondem por cerca de 28,08 % da área cultivada na região. A maior parte da produção está concentrada nos estabelecimentos dos médios e grandes produtores instalados nos projetos públicos ou nas propriedades privadas dos pólos frutícolas situados na região. Os produtores que cultivam acima de 10 hectares de manga, muito embora representem apenas 3,88 % do total dos produtores do Nordeste, são responsáveis por cerca de 51,18 % de toda área cultivada de manga na região.  De fato são as médias e grandes empresas, com melhor inserção no mercado internacional e maior capacidade de absorção de riscos, que se lançam nesses novos empreendimentos.

Organização e coordenação setorial
A organização dos interesses privados nos complexos de frutas tropicais do Nordeste exerceu um papel importante na construção de mecanismos de governança, para solucionar alguns problemas do setor e para melhorar as condições de barganha de seus representados, frente aos principais agentes que coordenam e regulam a cadeia de frutas frescas, principalmente, no mercado internacional. 

Tabela 2. Evolução do desempenho produtivo da manga na região do Vale do Submédio São Francisco no período de 2004 a 2013

Ano
Área plantada (ha)
Área em produção (ha)
Volume (t)
2004
18.900
15.700
345.400
2005
19.800
16.500
396.000
2006
21.000
17.000
412.000
2007
23.300
19.400
462.000
2008
25630
21.340
508.200
2009
26.911
22.407
533.610
2010
26.911
22.407
540.000
2011
26.804
23.100
554.400
2012
27.100
23.306
582.650
2013
27.179
23.373
584.325

Fonte: CODEVASF (2014)

Tabela 3. Exportação de manga no Vale do Submédio São Francisco e Brasil (2004-2013).
ANO
Toneladas
US$1.000,00
Submédio do Vale do São Francisco
Brasil
Participação
Submédio do Vale do São Francisco
Brasil
Participação
2004
102.286
111.181
92%
59.189
64.303
92%
2005
104.657
113.758
92%
66.724
72.526
92%
2006
105.410
114.576
92%
78.992
85.861
92%
2007
107.812
116.047
93%
83.281
89.643
93%
2008
117.517
133.724
87%
101.123
118.703
85%
2009
92.628
110.202
84%
77.429
97.388
79%
2010
99.002
124.694
79%
108.238
119.929
90%
2011
105.856
126.430
83%
114.985
140.910
81%
2012
121.334
127.002
96%
123.592
137.589
96%
2013
115.044
122.009
94%
130.665
147.481
89%
Fonte: Secex/Datafruta-IBRAF, apud Valexport (2014).

Por sua capacidade de articular-se com o Estado, participar e manter uma rede de relações com instituições dos setores públicos e privados, associações como Valexport, Profrutas, Sindifrutas, Associação dos Concessionários do Distrito de Irrigação Platô de Neópolis, constituídas nos principais pólos frutícolas da região, passaram a ocupar espaços estratégicos nos campos políticos e negociais, exercendo um papel importante de coordenação e organização dos interesses locais do setor.
A estratégia de organização dos interesses e de governança setorial sempre foi predominantemente voltada para exportação, envolvendo um número reduzido de grandes produtores e empresários. Entretanto, recentemente, está emergindo um grande contingente de pequenos e médios fruticultores profissionalizados que, além de cumprirem um papel significativo no abastecimento doméstico passam e a lutar por espaço no mercado externo. Com esses fruticultores, surgem novas formas de organizações, em torno das galpões de embalagem (packing house), que despontam como novas forças sociais no complexo frutícola da região.
Muito embora esses grupos nem sempre consigam desenvolver uma estrutura formal e sólida de representação de interesses, eles prestam relevantes serviços aos produtores associados, facilitando o acesso às inovações tecnológicas, às informações de mercado e às estruturas de comercialização. Tratam-se de iniciativas que começam a tomar corpo na região, cumprindo de forma eficaz as funções comerciais, e, também, se estruturando como verdadeiras redes de cooperação sócio-técnicas. Pressionados pela necessidade de obter escala de produção em épocas bem definidas, para cumprir os contratos com os compradores, a concorrência e competição entre os produtores associados dão lugar ao espírito de cooperação e integração, pelo intercâmbio permanente de informações técnica e comercial.