sábado, 18 de novembro de 2017

Clima e solo para o cajueiro


O cajueiro é uma planta tropical adaptada às condições nordestinas, principalmente do litoral. As informações do clima e do solo da região, associadas às necessidades da planta, são fundamentais para o zoneamento agrícola do cajueiro, bem como para delimitar áreas e épocas favoráveis para a implantação da cultura, ampliando novas fronteiras agrícolas e definindo as linhas de financiamento rural aos agricultores (AGUIAR et al., 2001). Assim, o zoneamento agrícola é uma ferramenta que orienta os agricultores sobre os riscos de adversidades climáticas coincidentes com as fases mais sensíveis das culturas (SERRANO; OLIVEIRA, 2013).
O zoneamento agrícola da cultura do cajueiro, específico para cada estado da região Nordeste do Brasil, foi definido pela Secretaria de Política Agrícola, ligada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), por meio de publicações de Portarias:
Rio Grande do Norte: Portaria nº 35, de 10 de fevereiro de 2011 (BRASIL, 2011a);
Paraíba: Portaria nº 36, de 10 de fevereiro de 2011 (BRASIL, 2011b);
Pernambuco: Portaria nº 37, de 10 de fevereiro de 2011 (BRASIL, 2011c);
Alagoas: Portaria nº 38, de 10 de fevereiro de 2011 (BRASIL, 2011d);
Sergipe: Portaria nº 39, de 10 de fevereiro de 2011 (BRASIL, 2011e);
Bahia: Portaria nº 40, de 10 de fevereiro de 2011 (BRASIL, 2011f);
Piauí: Portaria nº 41, de 10 de fevereiro de 2011 (BRASIL, 2011g);
Maranhão: Portaria nº 42, de 10 de fevereiro de 2011 (BRASIL, 2011h);
Ceará: Portaria nº 43, de 10 de fevereiro de 2011 (BRASIL, 2011i).

Para a identificação de áreas aptas ao cultivo do cajueiro, bem como os melhores períodos de plantio e, consequentemente, a minimização dos riscos climáticos, são consideradas as informações de solos e os seguintes parâmetros de risco:

Clima

  1.   Temperatura média anual (TM):
Entre 22 °C e 32 °C – ótimo/baixo risco.
Entre 32 °C e 40 °C ou entre 16 °C e 22 °C – regular/médio risco.
Abaixo de 16 °C ou acima de 40 °C – restrito/alto risco
  1.   Precipitação pluviométrica (chuvas), média anual (P):
Entre 800 mm a 1.500 mm (período seco de 4 a 5 meses) – ótimo/baixo risco.
Entre 600 mm a 800 mm (período seco de 5 a 7 meses) – regular/médio risco.
Entre 500 mm a 600 mm (período seco de 5 a 7 meses) – restrito/alto risco.
Menor que 500 mm (período seco maior do que 7 meses) – inapto.
  1.   Deficiência hídrica anual (DEF):
DEF = 350 mm – boas condições naturais para o cultivo.

  1.   Altitude (Alt):
Entre 0 m e 300 m – ótimo/baixo risco.
Entre 300 m e 600 m – regular/médio risco.
Entre 600 m e 900 m – restrito/alto risco.
Acima de 900 m – inapto.
Ademais, o cajueiro é uma planta que requer alta luminosidade. Em condições de sombra ou pouca luminosidade, não produz satisfatoriamente.
No Brasil, principalmente na região Nordeste, a maior produtora de caju do País, encontram-se alguns exemplos que valem ser destacados. Por exemplo, os maiores municípios produtores de caju do Brasil apresentam regime pluviométrico na faixa entre 600 mm a 1.200 mm anuais, distribuídos de 3 a 5 meses (janeiro a maio), e período seco acima de 6 meses, coincidindo com as fases de floração e frutificação. Muitas regiões produtoras, como o Sudeste do Piauí, apresentam precipitações anuais entre 400 mm e 800 mm, e, mesmo nessas condições, alguns genótipos de cajueiro apresentam boa produção. Do mesmo modo, alguns importantes municípios produtores de caju do Nordeste encontram-se entre 600 m e 800 m de altitude.
A faixa de umidade relativa do ar mais apropriada para a cultura situa-se entre 70% e 85%. No entanto, já foram constatadas produções satisfatórias em regiões com até 40% de umidade. Em regiões onde a umidade relativa do ar é superior a 85%, observa-se maior incidência de doenças fúngicas nas folhas, flores e frutos (CRISOSTOMO, 2013).
Em regiões onde se registram ventos frequentes, com velocidade superior a 7 m/s, relatam-se elevada queda de flores e frutos, além de tombamento de plantas (AGUIAR; COSTA, 2002). Nessas condições, aconselha-se o emprego de quebra-ventos.

Solo

Embora apresente alta rusticidade, o cajueiro não se desenvolve bem em solos rasos e muito argilosos (>60% de argila). Preferencialmente, o cajueiro deve ser cultivado em solos de textura arenosa ou franco arenosa (menos de 15% de argila), relevo plano ou suave ondulado, não sujeitos a encharcamento, sem camadas impermeáveis e de profundidade superior a 1,5 m.
Solos salinos com condutividade elétrica (CE) entre 8 dS/m e 15 dS/m apresentam restrição ao cultivo de cajueiro (RAMOS et al., 1997). No caso de baixa ou média salinidade no terreno onde será implantado o pomar, é válido consultar qual o porta-enxerto a ser utilizado.
Segundo Ramos et al. (1997), os principais solos cultivados com cajueiro nos estados do Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte são:
  • Latossolos amarelos.
  • Latossolos vermelho-amarelos.
  • Argissolos vermelho-amarelos.
  • Neossolos quartzarênicos.
No geral, esses solos são profundos e com baixo teor ou ausência de minerais primários facilmente intemperizáveis e diferem em relação ao teor de argila no perfil do solo. Os Latossolos apresentam teor de argila com pequena variação ao longo do perfil, ao contrário dos Argissolos, que possuem teor mais elevado na camada subsuperficial em relação à superficial, enquanto os Neossolos apresentam baixo teor de argila (menor que 15%) em todo o perfil do solo.
Os Latossolos e Argissolos apresentam boa aeração e drenagem, características favoráveis ao desenvolvimento e produção do cajueiro. Entretanto, em relação às características químicas, por serem altamente intemperizados, são ácidos, de baixa fertilidade natural e, com frequência, apresentam alta saturação por alumínio. Devido a essas restrições químicas, esses solos requerem a adição de corretivos (calcário e/ou gesso agrícola) e de fertilizantes para a diminuição da acidez, a neutralização do alumínio trocável e o fornecimento de nutrientes.
Os Neossolos, com maior ocorrência nas áreas litorâneas e em alguns planaltos sedimentares do Piauí, apresentam textura arenosa em todo o perfil, resultando em drenagem excessiva do solo, baixa retenção de água e alto potencial de lixiviação de nutrientes. Por serem altamente susceptíveis à erosão, práticas que mantenham ou aumentem os teores de matéria orgânica são fundamentais para a sustentabilidade do cultivo do cajueiro nesses solos.
A aptidão do solo para o cultivo do cajueiro segue as especificações e recomendações contidas na Instrução Normativa nº 2, de 9 de outubro de 2008 (BRASIL, 2008):
a)   Tipo 1: solos de textura arenosa, com teor mínimo de 10% de argila e menor que 15% ou com teor de argila maior ou igual a 15%, nos quais a diferença entre o percentual de areia e o percentual de argila seja maior ou igual a 50.
b)   Tipo 2: solos de textura média, com teor mínimo de 15% de argila e menor que 35%, nos quais diferença entre o percentual de areia e o percentual de argila seja menor que 50.
c)   Tipo 3: solos de textura argilosa, com teor de argila maior ou igual a 35%.
Por outro lado, áreas de preservação obrigatória (Lei 4.771/65 e alterações) e solos que apresentam profundidade inferior a 50 cm ou com solos muito pedregosos (presença de calhaus e matacões em mais de 15% da massa e/ou da superfície do terreno) não são indicados para o cultivo do cajueiro.
Para um novo plantio, o terreno deve estar limpo (desmatado ou destocado) e livre de raízes, principalmente na área ao redor do local onde vai ser preparada a cova. Isso assegura um ambiente livre de concorrência com as plantas daninhas (CRISOSTOMO, 2013). Recomenda-se, antes da abertura das covas, a coleta de amostra de solo para análise química de fertilidade.
As operações de preparo do solo favorecem o desenvolvimento das raízes por meio de diminuição dos impedimentos físicos, melhoram a aeração e a infiltração de água no solo e promovem a incorporação de corretivos e fertilizantes. As operações de aração e gradagem devem ser realizadas de modo a evitar a pulverização e compactação do solo, pois a pulverização promove o encrostamento da superfície, diminuindo a infiltração de água e aumentando o escorrimento superficial das águas provenientes das chuvas e da irrigação, enquanto a compactação dificulta a penetração das raízes, diminui a aeração e infiltração e facilita o acúmulo de água no perfil do solo, favorecendo o processo de erosão. A profundidade de aração deve ser de 30 cm, enquanto a da gradagem é de cerca de 20 cm. Nessas operações, é comum a incorporação do calcário: metade da quantidade recomendada antes da aração e a outra metade antes da gradagem.
É de extrema importância a realização prévia das análises químicas e físicas do solo antes da implantação do pomar. A análise química permite conhecer o estado da fertilidade da área, a fim de estabelecer o programa de correção e de adubação e o monitoramento do solo. Já a análise física permite conhecer a textura do solo, isto é, quanto de areia e argila o terreno possui.
A amostra de solo deve ser representativa da área, e erros na sua coleta não são corrigidos pelas análises laboratoriais. Assim, devem-se tomar cuidados na coleta da amostra de solo:
a)   Ferramentas: utilizar trado de rosca, trado de caneca, trado holandês ou sonda, baldes limpos e saquinhos de plástico (Figura 1). Alternativamente, pode-se utilizar enxadão ou pá de corte para a coleta de amostras (Figura 2).
b)   Dividir a propriedade em áreas homogêneas, de até 20 hectares, em relação ao relevo, cor e textura do solo, histórico (culturas, calagem e adubação anteriores), vegetação atual, produtividade, etc.
c)    As amostras de solo deverão ser coletadas com a maior antecedência possível à data de implantação do pomar, para a obtenção do resultado das análises, compra e aplicação dos insumos. Para pomares já implantados, a coleta das amostras deverá ser feita pelo menos 2 meses após a última adubação de cobertura.
d)   Retirar os detritos e restos de cultura da superfície do solo.
e)   Evitar locais próximos a formigueiros, residências, estradas, galpões e depósitos de fertilizante e calcário.
f)    Percorrer a área em zigue-zague e coletar 20 amostras simples.
g)   Coletar amostras na profundidade de 0 cm a 20 cm.
h)   Para pomares já implantados, a coleta das amostras será feita na projeção da copa (Figura 3). É desejável a coleta de amostra nas entrelinhas das plantas bem como na profundidade de 20 cm a 40 cm periodicamente.
i)     Misturar as amostras simples para a formação de amostra composta e colocar cerca de 500 g de solo em saco plástico limpo.
j)    Identificar as amostras: proprietário, nome da propriedade, endereço, profundidade de amostragem, cultura atual e cultura a ser implantada, número da amostra e data da coleta.
k)   Encaminhar ao laboratório de análise de solos para análise de rotina e de micronutrientes.

Figura 1. Equipamentos e procedimentos de coleta de amostras de solos.

Adaptado de Brasil (2009).
Figura 2. Coleta de amostras de solo utilizando enxadão e pá de corte.
Adaptado de Brasil (2009).
Figura 3. Coleta de amostras de solo em plantas perenes.
Adaptado de Brasil (2009).

O cajueiro (Anacardium occidentale L.) reúne características adequadas para ser cultivado em pequenas áreas, como chácaras, sítios e quintais de residências, principalmente em regiões de clima quente e seco, em que se desenvolve melhor. De manejo fácil e pouco exigente em cuidados especiais, a fruteira tem grande importância econômica pela capacidade de gerar renda e emprego. No nordeste brasileiro, especialmente na faixa litorânea, de onde a espécie é originária, o cajueiro é frequentemente cultivado durante a entressafra de culturas tradicionais, como milho, feijão e algodão, oferecendo uma opção de ganhos para a época em que os agricultores, em geral, têm remuneração mais baixa. Mandioca, soja, sorgo e amendoim são outros produtos que podem ser consorciados com a cajucultura, além da criação de abelhas, que colaboram para a polinização do cajueiro.

O Nordeste responde pelo maior volume de produção do fruto no país, principalmente nos estados do Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte e Bahia. Mas a cajucultura também vem se espalhando por outras regiões do país com o caju-anão, cuja variedade produz precocemente quando são usadas mudas enxertadas. No Nordeste, o transplante deve ser feito de janeiro a abril, enquanto no Centro-Oeste, a melhor época é de setembro a dezembro. Para o plantio em pomares domésticos, não há necessidade de aplicar adubos químicos. A adubação orgânica, como esterco bem curtido, é suficiente para melhorar o solo após o primeiro ano de cultivo.

A castanha, comumente confundida com o "cabo" do caju, é de fato o fruto verdadeiro que gera a amêndoa. Alimento rico em proteína, lipídios, gordura insaturada, fibras e vários nutrientes, é consumido torrado e tem como principal destino as exportações. Norte-americanos e canadenses são grandes compradores do produto nacional.

Por aqui, o que mais se aproveita é o chamado pedúnculo, ou falso fruto, a parte carnosa de cor alaranjada ou avermelhada. Além de ser consumida in natura, dela podem-se fazer sucos, cajuína - suco de caju clarificado, como a sidra da macieira -, sorvetes, doces cristalizados, compotas, licor, mel, geleias e até cachaça. Fonte de vitamina C, cálcio, fósforo e ferro, o pedúnculo é considerado diurético e anti-inflamatório.

*José Emilson Cardoso é pesquisador do Laboratório de Fitopatologia da Embrapa Agroindústria Tropical, Rua Dra. Sara Mesquita, 2270, Campus do Pici, Fortaleza, CE, CEP 60511-110, tel. (85) 3391-7292, emilson@cnpat.embrapa.br
Onde comprar: a Embrapa Agroindústria Tropical dispõe de mudas para pequenos sitiantes e sob encomenda para demandas de grandes volumes. Há também no mercado viveiristas credenciados pelo Mapa
Mais informações: Sindicato das Indústrias de Beneficiamento de Castanha de Caju e Amêndoas Vegetais do Estado do Ceará (Sindicaju), Av. Barão de Studart, 2360, 4o andar, salas 404/405, CEP 60120-002, Fortaleza, CE, tel. (85) 3246-7062, sindicaju@sindicaju.org.br

MÃOS À OBRA
>>> INÍCIO As mudas enxertadas são a melhor opção para plantar o cajueiro, pois as sementes geram plantas com crescimento e produção desuniformes. Podem ser adquiridas em viveiristas, mas certifique-se de que eles sejam credenciados pelo Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). As variedades mais indicadas para o plantio são clones de CCP 76, BRS 226, CCP 09, Embrapa 51, BRS 265, BRS 274 e BRS 275.
>>> AMBIENTE Como é uma planta de clima tropical, o cajueiro se dá bem em regiões onde a temperatura média é de 27 graus célsius. Se no local há incidência de ventos frequentes, recomenda-se o uso de quebra-ventos para proteger as árvores.
>>> PLANTIO Embora desenvolva-se em qualquer tipo de solo, o leve é o mais adequado para o cultivo de cajueiro. A planta também tolera solos mais argilosos, mas nesse caso é importante que o terreno tenha boa drenagem. Para controlar o ataque de ervas daninhas e manter a umidade do solo, aplique cobertura morta no local do plantio.
>>> TRANSPLANTE É essencial que seja realizado em solo que tenha umidade para a muda se aclimatar, mas não pode ser muito frio, pois o cajueiro é muito sensível a temperaturas baixas. Retire a muda do recipiente (saco ou tubete plástico) onde ela foi formada para o local do plantio definitivo. Esse processo deve ser feito com cuidado, a fim de não danificar o sistema radicular da planta. Acomode a muda no centro da cova e, para direcionar o crescimento do cajueiro, faça o tutoramento. Amarre a muda a uma estaca de um metro de altura enterrada junto ao caule.
>>> ESPAÇAMENTO Recomenda-se distância mínima de sete metros entre as covas, cujas medidas devem ser de 40 x 40 x 40 centímetros. No plantio de cajueiro comum, o espaçamento indicado é de dez metros.
>>> CUIDADOS Faça poda de formação no cajueiro. Retire todas as brotações laterais no caule até 50 centímetros do solo. Evite a concorrência com ervas daninhas limpando a área de projeção da copa. Se o clima do plantio for seco, a cada semana ou de 15 em 15 dias, no primeiro ano, irrigue com dez a 15 litros de água por planta.
>>> PRODUÇÃO O caju está pronto para ser colhido quando a parte carnosa apresenta textura firme e coloração intensa. Dê preferência aos períodos do dia com temperaturas amenas para retirar os frutos das árvores. Para não danificar o caju, faça uma leve torção para que o pedúnculo se solte do ramo facilmente. Se houver resistência para soltar, o fruto ainda não está maduro o suficiente para consumo.

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RAIO X
>>> SOLO: leve, mas, se bem drenado, pode ser argiloso
>>> CLIMA: tropical, com temperatura média de 27 ºC
>>> ÁREA MÍNIMA: pode ser plantado em quintais
>>> COLHEITA: um ano após o plantio
>>> CUSTO: o preço da muda enxertada varia de R$ 1,50 a R$ 3


domingo, 12 de novembro de 2017

Produção de mudas de Caju


No Brasil, a produção de mudas de cajueiro é regida pelas “Normas e padrões específicos para a produção e comercialização de mudas de cajueiro” (BRASIL, 2006). Essas normas estabelecem as exigências para a produção, comercialização e utilização das mudas de cajueiro, visando garantir sua identidade e qualidade física e fitossanitária.
Os viveiros de produção de mudas de cajueiro devem ser identificados com uma placa contendo o nome ou razão social, o número do Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem) e a identificação do responsável técnico. O viveiro deve estar a uma distância mínima de 50 m de qualquer planta adulta de cajueiro e, no mínimo, 20 m de estradas públicas. O solo da área do viveiro deve apresentar boas condições de drenagem e não apresentar histórico de problemas fitossanitários.
O cajueiro pode ser propagado tanto pela via sexual (sementes) ou assexual (propágulos). As plantas oriundas de sementes são popularmente chamadas de “pé-franco” e tecnicamente, de “mudas seminais” ou “seedlings”. Devido ao fato de o cajueiro apresentar polinização cruzada (entre indivíduos diferentes), suas sementes são geneticamente diferentes, originando, assim, plantas diferentes. Por isso, se essas mudas seminais forem utilizadas para o plantio no campo, o resultado será pomares com alta taxa de heterogeneidade, os quais apresentarão plantas com copas irregulares, folhas, castanhas e pedúnculos com tamanhos, formatos e cores diferentes; características indesejáveis agronomicamente.
Assim, na exploração comercial da cultura, as mudas de cajueiro devem ser produzidas por meio da enxertia de garfos ou borbulhas oriundos de plantas com características genéticas superiores, em porta-enxertos previamente produzidos. A técnica da enxertia permite a obtenção de plantas (copas) geneticamente idênticas (clone) à planta-mãe. Como a Embrapa gerou diversos genótipos superiores de cajueiro, a disponibilização desses materiais somente pode ser realizada pelo processo de clonagem, sendo os principais métodos de enxertia a garfagem em fenda lateral e a borbulhia em placa.

Sementes e propágulos vegetativos

As sementes (castanhas) utilizadas para a formação do porta-enxerto devem ser oriundas de plantas cultivadas em um pomar específico, denominado jardim de sementes, o qual deverá estar inscrito em um órgão oficial de fiscalização. As plantas do jardim de sementes devem apresentar aspectos fitossanitário e nutricional adequados e apresentarem as características peculiares do genótipo (clone) em questão.
Do mesmo modo, as plantas matrizes fornecedoras de garfos e borbulhas deverão fazer parte de um pomar específico, chamado jardim clonal (Figura 1), devendo, também, estar inscrito num órgão oficial de fiscalização.
Fotos: Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 1. Campo de matrizes (jardim clonal) dos clones de cajueiro da Embrapa, em Pacajus, CE. As plantas são podadas (acima), adubadas e irrigadas; e a partir dos 90 dias após a poda (abaixo) elas já fornecem propágulos (garfos) para a enxertia.
As plantas fornecedoras de material de propagação (sementes e propágulos), devem pertencer a uma cultivar (clone) inscrita no Registro Nacional de Cultivares (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). Atualmente, encontram-se registrados os seguintes clones de cajueiro: ‘BRS 189’, ‘BRS 226’, ‘BRS 253’, ‘BRS 265’, ‘BRS 274’, ‘BRS 275’, ‘CCP 06’, ‘CCP 09’, ‘CCP 76’, ‘CCP 1001’, ‘EMBRAPA 50’, ‘EMBRAPA 51’, ‘FAGA 01’ e ‘FAGA 11’.
Quanto à produtividade, uma planta matriz de cajueiro, em condições irrigadas e a partir do terceiro ano de idade, pode fornecer até 700 borbulhas ou garfos por ano.

Produção do porta-enxerto

O porta-enxerto pode ser produzido em sementeira ou em recipientes específicos, sendo esse último o mais recomendável. Os recipientes mais utilizados pelos produtores de mudas de cajueiro são o saco plástico preto (26 cm a 28 cm de altura e 13 cm a 15 cm de largura) e o tubete plástico de 288 mL, sendo este recomendado para quando as mudas precisarem ser transportadas a longas distâncias.
Os recipientes são dispostos em canteiros sob viveiro telado ou a pleno sol, e normalmente são preenchidos com substrato composto pela mistura de casca de arroz carbonizada, solo hidromórfico peneirado (malha de 6 mm) e bagana de carnaúba na proporção volumétrica de 2:1:1. Substratos comerciais à base de casca de pínus moída e vermiculita também podem ser utilizados. Recomenda-se a realização prévia da análise química do substrato objetivando-se verificar a necessidade de adubação e o valor do pH, que deve ser entre 5,5 e 7,0.
Atualmente, o porta-enxerto mais avaliado e recomendado é o clone de cajueiro-anão ‘CCP 06’, pois apresenta elevadas taxas de germinação e de plântulas normais, além de melhor pegamento de enxertia (compatibilidade) com os outros clones da Embrapa. O clone de cajueiro-anão ‘CCP 76’ também é muito utilizado como porta-enxerto, devido, principalmente, à sua maior disponibilidade nas regiões produtoras, embora seja suscetível à doença da resinose.
A semeadura é realizada colocando-se uma semente por recipiente, na posição vertical – com a ponta mais fina para baixo e a cicatriz da inserção do pedúnculo para cima. A profundidade da semeadura não deve ultrapassar 3 cm, sendo mais comum deixar a base da semente rente ao nível do substrato. Após a semeadura, os canteiros deverão ser cobertos com sombrite, sacos de juta ou algo similar, com o intuito de preservar a umidade do substrato após as irrigações (Figura 2).
A germinação inicia-se já na primeira semana após a semeadura; contudo, grande parte ocorre entre o 12º e o 20º dia (Figura 3). A partir daí, recomenda-se o replantio daquelas que não germinaram. Normalmente, quando se utilizam castanhas novas e de boa qualidade do clone ‘CCP 06’, obtêm-se taxas de germinação superiores a 90%. Castanhas de maiores comprimento e espessura tendem a apresentar menores taxas de germinação.
Quando as plantas do porta-enxerto de cajueiro atingirem valores próximos a 0,45 cm de diâmetro do caule no ponto de enxertia (≈ 6 cm a partir do colo), 25 cm de altura e 10 folhas, elas estarão aptas à enxertia (Figura 4). Geralmente os porta-enxertos se apresentam aptos à enxertia entre 45 e 75 dias após a semeadura, com variação de acordo com a época do ano e das condições de produção (como ambiente, embalagem e substrato). As plantas que não apresentarem vigor suficiente e estiverem deformadas, cloróticas (folhas amareladas), com superbrotamento ou raquíticas deverão ser eliminadas.
Fotos: Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 2. Etapas iniciais da produção de porta-enxertos de cajueiro: abertura das covas (A) semeadura (B), proteção do canteiro com sombrite (C) e irrigação (D).
Fotos: Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 3. Início da germinação das sementes de cajueiro a partir do 7º dia da semeadura (A) e plântulas entre 10 e 15 dias da semeadura (B). Os porta-enxertos podem ser produzidos sob viveiro telado (C) ou a pleno sol (D).
Foto: Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 4. Porta-enxertos de cajueiro aptos à enxertia, aos 60 dias após a semeadura. As plantas desta foto apresentaram médias de 35 cm de altura, 0,52 cm de diâmetro de caule (no ponto de enxertia) e 11 folhas.

Processos de enxertia

1. Enxertia por garfagem em fenda lateral
Os garfos para o processo de enxertia são obtidos de ramos vegetativos das plantas pertencentes a um jardim clonal. Os ramos devem ter consistência herbácea a semilenhosa, apresentar gema apical intumescida (pronta pra brotar) e folhas terminais maduras (Figura 5). Os garfos são cortados com 15 cm a 20 cm de comprimento e desfolhados logo em seguida, sendo acondicionados em sacolas plásticas ou em panos úmidos para diminuir a perda de umidade. É extremamente importante que os garfos possuam diâmetro compatível com o diâmetro do caule do porta-enxerto, entre 0,45 cm e 0,60 cm.
Fotos: Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 5. Seleção de uma ramo vegetativo na planta matriz de cajueiro (A), corte do garfo e desfolha (B), acondicionamento dos garfos em sacola plástica (C) e garfos prontos para serem enxertados (D).
Uma vez obtidos os garfos, inicia-se o processo da enxertia, sendo o primeiro procedimento o corte da parte aérea do porta-enxerto, deixando-o com apenas quatro folhas. Em seguida, no caule do porta-enxerto, a aproximadamente 6 cm do colo, efetua-se, de cima para baixo, uma incisão oblíqua de até 2,5 cm (Figura 6A).
Logo após a realização da incisão no caule do porta-enxerto, seleciona-se um garfo e corta-o em sua base (Figura 6B). O local do corte no garfo é onde haja um diâmetro semelhante ao do caule do porta-enxerto. O corte na base do garfo é do tipo bisel duplo formando uma cunha de aproximadamente 2,5 cm de comprimento (semelhante à incisão feita no caule do porta-enxerto), e, geralmente, o garfo fica com 8 cm a 10 cm de comprimento. Faz-se então a junção do garfo na incisão do porta-enxerto (Figura 6C) e o amarrio de uma fita plástica em espiral, de baixo pra cima, no local da enxertia, mantendo-se firme o contato entre as partes unidas (Figuras 6D e 6E). Por fim, realiza-se a cobertura do garfo com um saquinho plástico transparente (Figura 6F), o qual é amarrado na base, para evitar a contaminação dos tecidos cortados e o ressecamento do enxerto.
Fotos: Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 6. Enxertia por garfagem lateral em cajueiro: incisão oblíqua no caule do porta-enxerto (A), corte da base do garfo (B), enxertia do garfo (C), amarrio do enxerto (D, E) e proteção do enxerto com saquinho plástico (F).
Após a realização da enxertia por garfagem lateral (Figura 7A), as mudas deverão ser mantidas em viveiro telado (Sombrite® 50%) (Figura 7B), por 25 a 30 dias, época em que os garfos enxertados iniciam a emissão das novas folhas (Figura 8). Nessa época, os saquinhos de proteção dos garfos deverão ser retirados e o resto da parte aérea do porta-enxerto é cortada.
Fotos: Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 7. Mudas de cajueiro recém-enxertadas mantidas sob viveiro telado.

Foto: Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 8. Muda de cajueiro apresentando brotação do enxerto.
Após a expansão total das primeiras folhas recém-surgidas no enxerto (Figura 9A), entre 40 e 50 dias da enxertia, as mudas são levadas para canteiros a pleno sol para aclimatação (Figura 9B). Nessa fase, a fita plástica utilizada para o amarrio do garfo no porta-enxerto deve ser retirada.
Fotos: Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 9. Mudas de cajueiro com as primeiras folhas expandidas (A) devendo ser levadas para os canteiros de aclimatação a pleno sol (B).
Entre 60 e 90 dias após a enxertia, as mudas de cajueiro estarão aptas ao plantio no campo, apresentando altura mínima de 20 cm e com pelo menos seis folhas totalmente expandidas (Figura 10).
Foto: Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 10. Muda de cajueiro apta a ser plantada no campo.
2. Enxertia por borbulhia em placa
As borbulhas são placas com lenho na forma elíptica com 1,5 cm a 2,0 cm de comprimento. São obtidas de ramos produtivos em pleno florescimento, com cerca de 50% a 70% de flores abertas e com pelo menos quatro gemas laterais intumescidas (Figura 11A). Logo após a coleta, os ramos deverão ser levados para o local da enxertia, onde serão desfolhados (Figura 11B) e preparados para a retirada das borbulhas (Figura 11C). É importante ressaltar que a enxertia por borbulhia pode ser feita tanto em locais sombreados como a pleno sol; por isso, é esse o tipo de enxertia realizado no processo de substituição de copas, em plantas adultas.
Fotos: Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 11. Ramo reprodutivo do cajueiro em plena floração (A). O ramo deve ser desfolhado e a panícula é retirada (B), deixando-o pronto para a extração das borbulhas intumescidas (C).
O processo de enxertia por borbulhia inicia-se com a realização de um corte, do tipo placa, no caule do porta-enxerto, a aproximadamente 6 cm do colo. Logo em seguida retira-se a borbulha (gema) do ramo fornecedor (Figura 12A) e realiza-se a justaposição dela no corte feito no caule do porta-enxerto (Figura 12B). Por fim, as partes são amarradas com fita plástica, em espiral de baixo para cima (Figura 12C). É importante frisar que o corte feito no caule do porta-enxerto deverá ser do mesmo tamanho da borbulha.
Fotos: Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 12. Borbulha retirada do ramo reprodutivo de cajueiro (A) e justaposta no caule do porta-enxerto (B). Em seguida faz-se o amarrio da borbulha (C).
Após o amarrio, realiza-se a proteção da borbulha contra a radiação solar utilizando-se uma folha do próprio porta-enxerto (Figura 13A). Nesse tipo de enxertia, pelo fato de a borbulha ser de menor tamanho, fácil de ser protegida, e pela justaposição ser mais precisa entre os tecidos, as mudas recém-enxertadas poderão ficar tanto sob viveiro telado quanto a pleno sol. Semelhante ao processo anterior (garfagem), as mudas enxertadas por borbulhia estarão aptas ao plantio no campo entre 60 e 90 dias após a enxertia (Figura 13B).
Fotos: Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 13. Borbulha protegida após a enxertia (A) e muda de cajueiro apta ao plantio no campo (B).
Em ambos os métodos de enxertia, observa-se, no geral, uma taxa de pegamento da enxertia entre 70% e 90%, dependendo da época do ano e da combinação entre os genótipos de cajueiros utilizados como porta-enxerto e copa. É válido lembrar que, quanto menor for o período entre a obtenção dos propágulos (garfos e borbulhas) e a realização da enxertia, maior será a taxa de pegamento.
No geral, considera-se que as mudas de cajueiro aptas ao plantio no campo devam apresentar entre 120 e 180 dias de idade (a partir da semeadura). Elas devem apresentar ponto de enxertia cicatrizado, aspecto vigoroso, com no mínimo 6 folhas maduras e 20 cm de altura.



segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Variedades de Caju


Atualmente, existem 14 cultivares/clones comerciais de cajueiro registradas no Registro Nacional de Cultivares do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (RNC/Mapa) à disposição dos produtores, sendo 12 delas oriundas dos programas de melhoramento genético da Embrapa. Essas cultivares possuem características diferenciais em relação à região de adaptação; resistência/tolerância a doenças; tamanho e peso da castanha e amêndoa; tamanho, forma, peso, cor e qualidade do pedúnculo e porte da planta, fatores a serem considerados na escolha para o plantio.
A escolha de cultivares de cajueiro para o plantio deve levar em conta aspectos relacionados, fundamentalmente, às condições edafoclimáticas, ao sistema de produção, ao produto comercial (castanha/amêndoa ou pedúnculo) e ao setor de beneficiamento. Considerando que a diversidade de clima e solo interage diferentemente com as plantas interferindo no seu desempenho, o comportamento de uma cultivar pode não ser o mesmo nos diferentes locais. Consequentemente, a indicação de uma cultivar para o plantio em uma região determinada dependerá de avaliações do seu desempenho em condições semelhantes. O correto é testar, no local, diversas alternativas de cultivares para plantio, antes de definir qual a melhor para plantar em maior escala. Algumas características gerais da planta são consideradas desejáveis e devem ser consideradas, para a produção de amêndoa ou pedúnculo: porte baixo a médio (menor que 4 metros de altura); produtividade de castanhas superior a 1.000 kg/ha/ano (produção estabilizada), em regime de sequeiro; peso da castanha acima de 7 g; relação amêndoa/castanha acima de 25%; fácil descastanhamento (separação da castanha do pedúnculo); fácil despeliculagem (retirada da película) da amêndoa; peso do pedúnculo superior a 80 g, boa firmeza e baixo nível de tanino.
Do ponto de vista do sistema de produção, deve-se considerar ainda, o plantio de mais de uma cultivar, objetivando reduzir os riscos de vulnerabilidade ao ataque de pragas e doenças, principalmente. As cultivares escolhidas devem ser plantadas pelo uso de mudas clonais enxertadas, para garantir a qualidade e uniformidade do pomar.
A seguir, são apresentadas as principais características das cultivares de cajueiro da Embrapa:

Cultivar `CCP 06`

Esse clone de cajueiro-anão (também denominado cajueiro-anão-precoce) foi obtido por seleção fenotípica massal, seguida de avaliação clonal, da planta matriz de cajueiro CP 06 (CP significa “cajueiro de Pacajus”). A planta apresenta porte baixo, com altura média de 3,0 m e diâmetro médio de copa de 4,5 m, no sexto ano de idade (fase adulta).
Os indicadores agroindustriais são: peso da castanha de 6,2 g, amêndoa despeliculada de 1,6 g e relação amêndoa/casca de 24,8%. Em cultivo de sequeiro, em espaçamento de 7 m x 7 m, produz até 600 kg/ha de castanhas. O pedúnculo tem peso médio de 76,5 g e coloração amarela.
Atualmente, é cultivada para a obtenção de sementes para produção de porta-enxerto, pois suas sementes possuem alto poder germinativo, possui alta compatibilidade com os genótipos copa e apresenta elevada taxa de plantas aptas ao plantio no campo (Figura 1).
Fotos: João Rodrigues de Paiva
Figura 1. Cajueiro-anão `CCP 06` (à esquerda) e seu fruto apresentando castanha pequena e pedúnculo amarelo (à direita), em Pacajus, CE.

Cultivar `CCP 76`

Clone de cajueiro-anão originado por seleção fenotípica massal, seguida de avaliação clonal, da planta matriz de cajueiro CP 76. A planta apresenta porte baixo, com altura média de 2,7 m e diâmetro médio da copa de 5,0 m.
A produtividade depende do nível de tecnologia adotado, variando de 400 kg/ha a 1.000 kg/ha de castanhas em cultivo de sequeiro, em espaçamento de 7 m x 7 m. Em cultivo irrigado, pode produzir até 2.000 kg/ha de castanha.
Os principais indicadores agroindustriais são peso da castanha de 8,6 g, amêndoa despeliculada de 1,8 g, relação amêndoa/casca de 20,1% e percentagem de amêndoas quebradas no corte de 4,1%.
O pedúnculo é de cor laranja-avermelhada, tem peso médio de 135 g e teor de sólidos solúveis totais de até 12,5 °Brix e acidez titulável de 0,20 a 0,30, com ratio (relação entre estes parâmetros) em torno de 50, o que o torna muito saboroso para os apreciadores de caju. Essas características tornaram o clone o mais cultivado no País, cujo cultivo está voltado principalmente para o mercado de fruta fresca e para a indústria de suco. Quando os pedúnculos são destinados para a indústria, há o aproveitamento da castanha para o mercado da amêndoa.
Esse clone é o que apresenta a maior capacidade de adaptação a diferentes ambientes, ocupando a maior amplitude de agroecossistemas do País (Figura 2).
Fotos: João Rodrigues de Paiva e Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 2. Cajueiro-anão `CCP 76` (à esquerda) e seu fruto apresentando pedúnculo laranja-avermelhado (à direita), em Pacajus, CE (à esquerda) e em Pio IX, PI (à direita).

Cultivar `CCP 09`

Esse clone de cajueiro-anão foi obtido por seleção fenotípica massal, seguida de seleção clonal, a partir da planta matriz de cajueiro CP 09.
A planta apresenta porte baixo, altura média de 3,0 m e diâmetro médio da copa de 6,0 m. A produtividade média no sexto ano, em cultivo de sequeiro, em solos arenosos de baixa fertilidade, é de cerca de 410 kg/ha, em espaçamento de 7 m x 7 m.
Os principais indicadores agroindustriais são: peso da castanha entre 8 g e 9 g; peso da amêndoa despeliculada entre 2,2 g e 2,4 g; relação amêndoa/casca de 27,7% e percentagem de amêndoas quebradas no corte de 9,7%.
O pedúnculo, de cor laranja-avermelhada, tem peso médio de 87 g, teor médio de sólidos solúveis totais de 11,5 °Brix e acidez titulável de 0,38, resultando num ratio de 30, o que torna o pedúnculo aceitável pelos consumidores.
Esse clone é o mais responsivo à irrigação em termos de produção (até 95% a mais na produção de pedúnculo e 76% a mais na produção de castanha), sendo o mais indicado para áreas irrigadas. Nessas condições, os indicadores agroindustriais da castanha também são incrementados.
É um clone recomendado para exploração mista, ou seja, pode-se explorar tanto a produção de castanha como a de pedúnculo (Figura 3).
Fotos: João Rodrigues de Paiva e Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 3. Cajueiro-anão `CCP 09` (à esquerda) e seu fruto apresentando pedúnculo laranja-avermelhado (à direita), em Pacajus, CE.

Cultivar `CCP 1001`

Esse clone de cajueiro-anão foi lançado juntamente com o clone `CCP 09` e teve sua origem da planta matriz de cajueiro CP 1001, no Campo Experimental de Pacajus, CE. A planta tem como características o porte baixo, altura média de 2,8 m e diâmetro médio da copa de 5,0 m no sexto ano de idade. É muito produtivo, podendo alcançar, no sexto ano, 547 kg/ha, em cultivo de sequeiro e no espaçamento de 7 m x 7 m.
Os indicadores agroindustriais médios mostram o peso da castanha de 6,3 g, amêndoa despeliculada de 1,9 g; a relação amêndoa/casca de 28,1% e a percentagem de amêndoas quebradas no corte de 9,5%. O pedúnculo possui peso médio de 84,6 g e coloração vermelha.
Indicado para regiões com elevado déficit hídrico. O cultivo sob irrigação favorece o crescimento das plantas (vegetativo), em detrimento da produção de castanha, mostrando, assim, pouca resposta produtiva em relação à irrigação.
Por ser um clone altamente prolífico, vem sendo bastante utilizado pelo Programa de Melhoramento da Embrapa, na participação de cruzamentos para a obtenção de novas populações. Um detalhe importante é que sua produção ocorre em cachos (Figura 4).
Fotos: Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 4. Cajueiro-anão `CCP 1001` (à esquerda) e seu fruto apresentando pedúnculo vermelho (à direita), em Barreira, CE.

Cultivar `Embrapa 50`

Esse clone de cajueiro-anão foi lançado para o plantio comercial em cultivo de sequeiro, no Estado do Ceará. Foi obtido da seleção dentro de uma progênie híbrida resultante do cruzamento entre os genótipos CP 06 (cajueiro-anão) e CP 07 (cajueiro-comum), seguida de avaliação clonal, no Campo Experimental de Pacajus, CE.
A planta tem porte médio, com altura média de 3,4 m e diâmetro médio da copa de 7,7 m, no sexto ano de idade, sendo recomendado espaçamento mínimo de 8 m x 8 m. Em cultivo de sequeiro, pode produzir até 1.200 kg/ha de castanha e 5.590 kg/ha de pedúnculo, que geralmente é aproveitado apenas na indústria de suco.
O peso da castanha é de 11,2 g; a relação amêndoa/casca, 26,5%; o peso da amêndoa, 2,9 g; a percentagem de amêndoas quebradas no corte, 4,3% e amêndoas inteiras após a despeliculagem, 80%. O pedúnculo é amarelo e pesa, em média, 111 g.
É recomendado, principalmente, para a exploração da castanha (Figura 5).
Fotos: Luiz Augusto Lopes Serrano e Cláudio de Norões Rocha
Figura 5. Cajueiro-anão `Embrapa 50` (à esquerda) e seu fruto apresentando pedúnculo amarelo (à direita), em Pacajus, CE.

Cultivar `Embrapa 51`

Esse clone de cajueiro-anão foi lançado juntamente com o `Embrapa 50`, para plantio comercial em cultivo de sequeiro no Estado do Ceará. Foi obtido do genótipo P500, selecionado num campo de progênies policruzadas de cajueiro-anão, seguido de avaliação clonal no Campo Experimental de Pacajus, CE.
A planta apresenta porte médio, com altura média em torno de 3,0 m e diâmetro médio de copa de 8,0 m, exigindo, assim, espaçamento de plantio mais amplo. Em cultivo de sequeiro, pode produzir entre 1.200 kg/ha e 1.300 kg/ha de castanhas e 8.700 kg/ha de pedúnculo.
É recomendado para exploração de castanha, cujo peso médio é de 10,7 g, e possui peso da amêndoa de 2,6 g. Apresenta relação amêndoa/casca de 24,5%; porcentagem de amêndoas quebradas de 1,3% e porcentagem de amêndoas inteiras após a despeliculagem de 85%. O pedúnculo possui forma piramidal e é vermelho, com peso médio de 104 g.
É recomendado, principalmente, para a exploração da castanha, sendo um dos clones mais cultivados no Nordeste. Além disso, apresenta certa tolerância à resinose (Figura 6).
Fotos: Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 6. Cajueiro-anão `Embrapa 51` (à esquerda) e seu fruto apresentando pedúnculo vermelho (à direita), em Cruz, CE.

Cultivar `BRS 189`

Foi lançada para cultivo sob irrigação no Estado do Ceará. Esse clone de cajueiro-anão foi obtido por seleção fenotípica dentro de uma progênie originada do cruzamento entre os clones de cajueiro-anão `CCP 1001` e `CCP 76`, seguida de avaliação clonal.
A planta apresenta porte baixo e produz, em cultivo irrigado, cerca de 2.000 kg/ha de castanhas e 12.700 kg/ha de pedúnculo.
O peso médio da castanha é de 8,3 g, e o da amêndoa, 2,1 g. A relação amêndoa/castanha está em torno de 26,6%. O pedúnculo é vermelho, de formato piriforme, e peso médio de 155 g. Entre os clones da Embrapa, é um dos que possuem maiores pedúnculos e menores castanhas. Os sólidos solúveis totais alcançam 13,3 ºBrix, a acidez total titulável, 0,40%, o conteúdo de vitamina C, 251,86 mg/100 g de polpa, e o teor de tanino oligomérico, 0,30%, tornando o clone recomendado para o mercado de mesa.
O clone `BRS 189` é recomendado para o cultivo irrigado, embora também possa ser cultivado em regime de sequeiro em regiões onde as chuvas ultrapassam 800 mm anuais (litoral) (Figura 7)
Fotos: Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 7. Cajueiro-anão `BRS 189` (à esquerda) e seu fruto apresentando pedúnculo vermelho (à direita).

Cultivar `BRS 226`

O clone `BRS 226` (Planalto) foi obtido da planta matriz MAP-42, por meio de seleção fenotípica massal, na fazenda Caucaia Agroindustrial S.A. (Capisa), no Município de Pio IX, Piauí, seguida de avaliação clonal na mesma região.
A planta apresenta porte baixo (< 3 metros), sendo resistente às doenças resinose e PPH (podridão preta da haste), as quais vêm causando prejuízos significativos aos cajucultores, sobretudo no Semiárido e no Cerrado, sendo assim recomendado para as áreas com ocorrência dessas enfermidades.
Os indicadores agroindustriais para a castanha recomendam esse clone para o mercado de amêndoa. A castanha possui peso médio de 10,2 g, a amêndoa pesa 2,7 g, a relação amêndoa/castanha está em torno de 22,1%, e a porcentagem de amêndoas inteiras após a despeliculagem é de 86,7%.
O peso médio do pedúnculo, de coloração amarela ou laranja clara, é de 102,6 g, possuindo ainda alto teor de vitamina C (356,13 mg/100 g de polpa). Os sólidos solúveis totais alcançam 13,8 ºBrix, a acidez total titulável, 0,52%, e o teor de tanino oligomérico, 0,80%. Atualmente, os pedúnculos desse clone vêm sendo bem aproveitados pelas indústrias de suco.
Este clone é recomendado para cultivo de sequeiro em ambientes em que as condições de clima e solo sejam semelhantes aos do local de seleção (clima quente, baixa precipitação e solo arenoso e profundo) (Figura 8).
Fotos: João Rodrigues de Paiva e Leto Rocha
Figura 8. Cajueiro-anão `BRS 226` (à esquerda) e seu fruto apresentando pedúnculo laranja-amarelado (à direita).

Cultivar `BRS 253`

Este clone de cajueiro-anão foi lançado para plantio comercial em cultivo de sequeiro. Foi avaliado e selecionado na Região de Ribeira do Pombal, BA. O clone `BRS 253` ou `BRS Bahia 12` se originou da seleção fenotípica da planta matriz de cajueiro-anão (P96D), oriunda de uma progênie policruzada, no Campo Experimental de Pacajus, pertencente à Embrapa Agroindústria Tropical.
As principais características desse clone são o vigor da planta, a alta produtividade de castanhas, a qualidade da amêndoa e o pedúnculo vermelho (Figura 9). Desse modo, é recomendado para a exploração da castanha naquela região.
No quarto ano de avaliação, o clone apresentou as seguintes características: altura de planta – 2,9 m; diâmetro da copa – 7,2 m; produção de castanhas – 800 kg/ha; rendimento industrial – 26,3%; porcentagem de amêndoas duras – 0,70%; amêndoas quebradas – 5,15%; peso médio da castanha – 10,2 g; peso médio da amêndoa – 2,7 g; e peso médio do pedúnculo – 91,3 g.
Fotos: Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 9. Cajueiro-anão `BRS 253` (à esquerda) e seu fruto apresentando pedúnculo vermelho (à direita), em Florânia, RN.

Cultivar `BRS 265`

O clone de cajueiro-anão `BRS 265` (Pacajus) foi resultado da seleção fenotípica dentro de uma progênie policruzada naturalmente, originada do clone de cajueiro-anão `CCP 76`, no Campo Experimental de Pacajus, CE.
Quando comparado aos outros clones de cajueiro-anão, a planta do ‘BRS 265’ apresenta porte médio. A altura média é de 3,6 m no sétimo ano de idade, em cultivo de sequeiro, no Município de Severiano Melo, RN.
Sua castanha apresenta peso médio de 12,5 g, a amêndoa possui 2,6 g e o pedúnculo, de coloração vermelha, 118,2 g. A relação amêndoa/castanha é de 21,26%, apresentando 98% de amêndoas inteiras após a despeliculagem. Os sólidos solúveis totais alcançam 12,9 ºBrix e a acidez total titulável 0,22.
O clone `BRS 265` é recomendado para o plantio de sequeiro nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia e regiões similares aos ambientes onde foi avaliado. Além da castanha, o pedúnculo (pequeno) também pode ser aproveitado para o mercado de mesa (consumo in natura) (Figura 10).
Fotos: João Rodrigues de Paiva e Cláudio de Norões Rocha
Figura 10. Cajueiro-anão `BRS 265` (à esquerda) e seu fruto apresentando pedúnculo vermelho (à direita).

Cultivar `BRS 274`

A Embrapa Agroindústria Tropical, em parceria com a Companhia de Óleos do Nordeste (Cione), lançou o primeiro clone de cajueiro-comum para cultivo em regime de sequeiro.
O clone de cajueiro-comum `BRS 274` ou `BRS Jacaju` originou-se da seleção fenotípica de uma planta matriz de cajueiro-comum, em populações segregantes, na Fazenda Uruanã, de propriedade da Empresa Cione, localizada no Município de Beberibe, CE, seguida da clonagem e avaliação do clone na Fazenda Jacaju, localizada no mesmo município.
Considerando os cajueiros do tipo-comum, as plantas desse clone tem como características o porte médio, com altura de 5,1 m e copa com diâmetro médio de 11,0 m no oitavo ano de idade, em cultivo de sequeiro. Assim, os espaçamentos recomendados são o de 12 m x 10 m, em sistema retangular, com 83 plantas por hectare, ou 11 m x 11 m, em sistema quadrado, com 83 plantas por hectare. O peso médio da castanha é de 16,0 g, o da amêndoa, 3,5 g, e o do pedúnculo, 128,6 g. É a cultivar da Embrapa que apresenta a maior castanha. O pedúnculo possui alto teor de vitamina C (305,53 mg/100 g de polpa).
Esse clone apresenta uma reação intermediária à antracnose e resistência ao mofo preto. Por suas características, é recomendado para exploração da castanha e do pedúnculo para indústria de sucos, em cultivo de sequeiro (Figura 11).
Fotos: João Rodrigues de Paiva e Cláudio de Norões Rocha
Figura 11. Cajueiro-comum `BRS 274` (à esquerda) e seu fruto apresentando pedúnculo alaranjado (à direita).

Cultivar `BRS 275`

Esse clone é um híbrido obtido do cruzamento entre o cajueiro-anão e o cajueiro-comum. Originou-se da seleção fenotípica dentro de uma progênie de polinização controlada, oriunda do cruzamento entre o clone `CCP 1001` (cajueiro-anão) e a planta matriz `CP 12` (cajueiro-comum). Após a seleção entre e dentro de progênies, foi feita a clonagem da planta, para obtenção e avaliação do clone.
As características da planta, em cultivo de sequeiro, no oitavo ano de idade, são: altura média de 5,3 m, diâmetro médio da copa de 9,7 m; peso médio da castanha de 11,4 g; peso médio da amêndoa de 3,1 g e do pedúnculo de 108,0 g. Os sólidos solúveis totais alcançam 12,0 ºBrix, e a acidez total titulável, 0,34%. Por suas características, é recomendada para exploração da castanha e do pedúnculo para a indústria de sucos (Figura 12).
Fotos: João Rodrigues de Paiva e Cláudio de Norões Rocha
Figura 12. Cajueiro `BRS 275` (à esquerda) e seu fruto apresentando pedúnculo alaranjado (à direita).
Todas as informações relativas às cultivares encontram-se resumidas na Tabela 1.
Tabela 1. Resumo das características das cultivares de caju da Embrapa Agroindústria Tropical.
Cultivar
Porte
Produção de castanha
(kg/ha)
PMC
(g)
PMA
(g)
PMP
(g)
SST
(ºBrix)
ATT
(%)

Ratio

Cor do pedúnculo
Aptidão
CCP 06
Baixo
600 (sequeiro)
6,2
1,6
76,5



amarela
Porta-enxerto
CCP 76
Baixo
700 (sequeiro)
 2.000 (irrigado)
8,6
1,8
135,0
12,5
0,25
50
laranja-avermelhada
Mista (castanha e pedúnculo)
CCP 09
Baixo
410 (sequeiro)
720 (irrigado)
8,5
2,3
87,0
11,5
0,38
30
laranja
Mista (castanha e pedúnculo)
CCP 1001
Baixo
547 (sequeiro)
6,3
1,9
84,6



vermelha
Castanha
Embrapa 50
Médio
1.200 (sequeiro)
11,2
2,9
111,0



amarela
Castanha
Embrapa 51
Baixo
1.250 (sequeiro)
10,7
2,6
104,0



vermelha
Castanha
BRS 189
Baixo
1.960 (irrigado)
8,3
2,1
155,4
13,3
0,40
33
vermelha
Pedúnculo
BRS 226
Baixo
470 (sequeiro)
10,2
2,7
102,6
13,8
0,52
28
amarelo-alaranjada
Mista (castanha e pedúnculo – suco)
BRS 253
Baixo
800 (sequeiro)
10,2
2,7
91,3



vermelha
Castanha
BRS 265
Baixo a Médio
654 (sequeiro)
12,5
2,6
118,2
12,9
0,22
58
vermelha
Mista (castanha e pedúnculo)
BRS 274
Médio
1.248 (sequeiro)
16,0
3,5
128,6



laranja
Mista (castanha e pedúnculo – suco)
BRS 275
Médio
1.200 (sequeiro)
11,4
3,1
108,0
12,0
0,34
35
laranja
Mista (castanha e pedúnculo – suco)
Legenda: AP – altura média da planta; DC – diâmetro médio da copa; PMC – peso médio da castanha; PMA – peso médio da amêndoa; PMP – peso médio do pedúnculo; SST – sólidos solúveis totais; ATT – acidez total titulável; Ratio – relação SST/ATT.
Obs.: A cor do pedúnculo pode variar um pouco em decorrência da luminosidade do local de plantio.