segunda-feira, 23 de maio de 2022

Implantação e condução do pomar de Jabuticaba

 

Implantação e condução do pomar 

Plantio 

Segundo Donadio (2000), a jabuticabeira é muito sensível ao transplantio. Por esta razão o transplantio deve ser efetuado com muito cuidado, preservando-se o torrão e de preferência, em dia nublado. As covas devem ser de 60cm de diâmetro por 60cm de profundidade. Recomenda-se incorporar 15g de superfosfato, e 200g de esterco curtido por cova. As mudinhas devem ser regadas até o pegamento. 

Em relação ao espaçamento, Donadio (2000) salienta que o espaçamento ideal é aquele que possibilita o crescimento da planta e a iluminação adequada da sua copa, visando sua plena produção, sem necessidade de manejo da copa. 

De acordo com Gomes citado por Donadio (2000), o espaçamento recomendado pode ser 6x6 até 10 x 10m conforme a variedade, o clima e a fertilidade do solo. 

Dado que a jabuticabeira leva muito tempo para crescer e começar a produzir, Donadio (2000) recomenda intercalar outras frutíferas mais precoces ou culturas anuais. 

Podas 

Inicialmente, as mudas devem ser formadas de modo que os troncos tenham de 40 a 60cm do solo, permitindo engalhamento simétrico e copa aberta. 

A poda de frutificação deve ser feita para que se obtenha 4 a 6 ramos primários, que devem duplicar-se a partir de 1,2 – 1,5m e depois sucessivamente a cada 0,6-1,0m. Também é necessário que os ramos fiquem 20 a 30cm uns dos outros. (Andersen & Andersen, citados por Donadio (2000), que explica que as podas de limpeza devem ser realizadas de modo a manter o arejamento e expor os ramos mais grossos à luz solar. O autor não informa qual deve ser o intervalo de poda. Segundo ele, podas drásticas não são recomendadas, porque a regeneração da planta é lenta. 

Irrigação 

No Triângulo Mineiro, em MG, Informações populares dão conta de que a jabuticabeira próxima a cursos d’água normalmente floresce várias vezes no ano, ao contrário de plantas do mesmo local, porém com disponibilidade de água limitada ao período chuvoso. Segundo Mattos citado por Donadio a florada, usualmente, está associada às primeiras chuvas de primavera. 

Segundo Donadio (2000), a irrigação é prática comum para a jabuticabeira, embora não existam dados experimentais sobre o seu efeito na produção e qualidade dos frutos. 

De acordo com Andersen & Andersen, citados por Donadio (2000), um sistema de irrigação eficiente para a jabuticabeira é viável e alertam para o fato de que o encharcamento do solo é prejudicial e pode matar as raízes da planta. 

Controle de plantas daninhas 

Recomenda-se manter o pomar limpo, roçando-se as entrelinhas, e capinando ou usando-se herbicidas na linha. Donadio (2000) recomenda cautela na utilização de herbicidas de pré-emergência pois não se tem conhecimento sobre a tolerância da jabuticabeiras. 

Adubação 

Citando Souza, Donadio (2000) salienta que os frutos de jabuticabeira constituem um forte dreno de minerais, e grandes quantidades de nutrientes são extraídos durante a colheita. Segundo ele, as recomendações de adubação para a jaboticabeira existenes são todas adaptadas de outras culturas. Entre elas, o autor cita a recomendação de Andersen & Andersen indicando a aplicação de 30 a 50Kg de esterco + 250g de NPK/planta/ano. A adubação deve ser feita no período das chuvas, preferencialmente, de forma parcelada, e deve ser incorporada na área da coroa. Segundo Gomes, citado por Donadio, a jabuticabeira responde muito bem à adubação orgânica. 

Manejo de pragas e doenças 

Segundo Donadio (2000), apesar de várias pragas e doenças serem citadas em literatura, para a jabuticabeira, a maioria é de ocorrência esporádica, não se recomendando controle, a menos que sejam observados danos econômicos. 

Entre as várias doenças fúngicas que podem atacar a jabuticabeira, destaca-se a podridão de raízes, que tem ocorrido em pomares comerciais paulistas com mais de 15 anos, causado, provavelmente, pelo fungo Rosellinia. O controle é difícil pois ocorre morte da planta (Mattos apud Donadio, 2000). Para Andersen & Andersen, também citados por Donadio (2000), a principal doença da jabuticabeira é a ferrugem da goiabeira, causada por Puccinia psidii, que ataca os frutos, principalmente em anos quentes e chuvosos. Segundo Donadio (2000), o controle, neste caso, é feito por meio de pulverizações quinzenais de caldas cúpricas, inciando-se antes da florada e fazendo-se mais duas em seguida, podendo prosseguir após a colheita, se a doença persistir. Donadio salienta, ainda, a importância dada a esta doença por Simão, que recomenda a retirada de ramos em excesso, e de árvores em pomares densos, como medida de controle por meio da penetração de luz. 

Entre as várias pragas citadas, Donadio salienta que a mosca das frutas, e as formigas são citadas por Mattos como tendo uma certa importância, porém Gomes considera a cochonilha Capulinia jaboticabae como o grande inimigo da jabuticabeira. O controle desta praga deve ser feito raspando e pincelando-se os ramos atacados com calda sulfocálstica. Segundo Andersen & Andersen citados por Donadio (2000), o controle da mosca das frutas pode ser realizado mediante o uso de iscas envenenadas, sendo que a jabuticaba Sabará é menos atacada por esse inseto. 



quarta-feira, 30 de março de 2022

Solos para a Cultura do Pêssego

 

O pessegueiro desenvolve-se bem em solos profundos, permeáveis e bem drenados. As raízes necessitam de boa aeração para realizarem, adequadamente, suas atividades metabólicas. Por essa razão, boa drenagem é um dos principais aspectos a serem considerados ao escolher-se a área para instalação do pomar. Quando o subsolo é impermeável, geralmente por apresentar argilas expansivas (VERTISSOLO), pequena profundidade efetiva (NEOSSOLO LITÓLICO) ou mal drenagem (GLEISSOLO, ORGANOSSOLO, PLANOSSOLO, PLINTOSSOLO) as plantas podem, inicialmente, desenvolver-se bem, mas apresentarão problemas em estádios mais avançados, principalmente em anos secos ou chuvosos, tornando-se fracas, decadentes e, finalmente, morrendo. Áreas com subsolo impermeável, nas quais a água permaneça por mais de uma semana após chuvas pesadas, não são recomendadas para o cultivo dessa espécie. O acúmulo de água tem efeito drástico sobre a planta, principalmente no início da brotação e durante a estação de crescimento. Da mesma forma, durante o período de dormência, as raízes não toleram solos com déficit de oxigênio, causado por excesso de água durante períodos muito longos. Outro aspecto a ser observado, ao avaliar-se a aptidão do solo, é o nível das águas freáticas. Não é recomendado o plantio em solos onde esse nível permaneça a menos de 25 cm da superfície por mais de uma semana. Pontos úmidos, próximos às canhadas ou em partes mais baixas, devem ser drenados.

Quanto à textura, têm-se, como ideais, solos de textura média, com equilíbrio entre as frações de areia, silte e argila. A argila deve situar-se em torno de 20% a 35%. Quando presente em grandes quantidades, dependendo do tipo, dificulta a permeabilidade e torna os solos difíceis de serem trabalhados. Há, entretanto, uma exceção, quando os solos, embora com teores elevados de argila (até 70% a 75%), são profundos e têm boa estrutura física, apresentando-se com boa drenagem interna.

Um solo que permita o crescimento das raízes até um metro de profundidade propicia a formação de árvores maiores, mais produtivas e de maior longevidade.

O pH mais favorável situa-se ao redor de 6,0, mas o pessegueiro tolera solos dentro de uma faixa mais ampla. Os melhores índices de produtividade, entretanto, têm sido obtidos com valor próximo ao preconizado.

A presença de matéria orgânica exerce importância considerável, por manter a disponibilidade dos nutrientes, melhorar a estrutura do solo e aumentar a infiltração da água no solo.

A fertilidade do solo é, relativamente, menos importante que as suas características físicas. Convém, sempre, lembrar que a fertilidade pode ser corrigida, enquanto as características físicas dificilmente podem ser modificadas.

Recomenda-se não plantar em solos erodidos, ou em locais onde, anteriormente, tenha sido cultivado o pessegueiro: os compostos tóxicos emanados pelas raízes das plantas do cultivo anterior impedem o crescimento ou causam a morte das plantas novas.



domingo, 27 de fevereiro de 2022

Clima para o Pessegueiro


 

Clima

 O clima possui forte influência sobre a cultura do pessegueiro, sendo importante na definição das potencialidades de cultivo das regiões. Ele interage com os demais componentes do meio natural, em particular com o solo, a variedade e as técnicas de cultivo aplicadas à cultura.

     Devem-se considerar três conceitos para diferenciar escalas climáticas (Carbonneau, 1984), de interesse em culturas:

Macroclima, ou clima regional, que corresponde ao clima médio ocorrente num território relativamente vasto, exigindo, para sua caracterização, dados de um conjunto de postos meteorológicos; em zonas com relevo acentuado os dados macroclimáticos possuem um valor apenas relativo, especialmente em matéria agrícola. Inversamente, um mesmo macroclima poderá englobar áreas de planície muito extensas.

Mesoclima, ou clima local, que corresponde a uma situação particular do macroclima. Normalmente é possível caracterizar um mesoclima através dos dados de uma estação meteorológica, permitindo avaliar as possibilidades para o cultivo do pessegueiro. A superfície abrangida por um mesoclima pode ser muito variável mas, normalmente, trata-se de áreas relativamente pequenas, podendo fazer referência a situações bastante particulares do ponto de vista de exposição, declividade ou altitude, por exemplo. Muitas vezes o termo topoclima é utilizado para designar um mesoclima, onde a orografia constitui um dos critérios principais de caracterização climática, como por exemplo, o clima de um vale ou de uma encosta de montanha.

Microclima, que corresponde às condições climáticas de uma superfície realmente pequena. Pode-se considerar dois tipos de microclima: microclima natural - que corresponde a superfícies da ordem de 10 e 100 m; e microclima da planta - o qual é caracterizado por variáveis climáticas medidas por aparelhos instalados na própria planta. O termo genérico bioclima é utilizado para essa escala, que visa o estudo do meio natural e das técnicas de cultivo.

     A influência do clima, considerando os principais elementos meteorológicos e fatores geográficos do mesmo sobre a cultura do pessegueiro, é descrita a seguir, em particular nas escalas macro e mesoclimáticas.

Elementos meteorológicos do clima

Temperatura: A temperatura do ar apresenta diferentes efeitos sobre a cultura do pessegueiro, variáveis em função das diferentes fases do ciclo vegetativo ou de repouso da planta.

Temperaturas de inverno: as temperaturas de inverno são importantes para a fase de repouso do pessegueiro, conhecida como dormência. As temperaturas nessa fase são decisivas para completar a formação das gemas vegetativas e floríferas, bem como para o estímulo à planta para iniciar o ciclo vegetativo. Nessa fase, utiliza-se como indicador térmico o número de horas de frio abaixo de 7,2 ºC ocorrido no período.  É importante observar que cada cultivar apresenta uma necessidade de frio invernal, podendo variar de pouco exigentes a exigentes. Boa parte das cultivares necessitam de 600 a 1000 horas, enquanto que outras exigem menos de 100 horas. Pelas características climáticas da Serra Gaúcha, algumas cultivares e alguns anos podem apresentar problemas de florescimento e brotação desuniformes e insuficientes (erratismo).

Temperaturas de primavera: um sério risco ao cultivo do pessegueiro na Serra Gaúcha está na possibilidade de ocorrências de geadas no final do inverno, bem como daquelas mais tardias já na primavera. Os riscos ocorrem a partir da planta ter iniciado o inchamento das gemas, na floração ou na primeira fase de desenvolvimento do fruto. 

Temperaturas de verão: os melhores padrões de qualidade do pêssego (concentração de açúcar e coloração adequada), são encontrados em áreas de temperaturas de verão, em particular no período de pré-colheita, relativamente altas, sem serem excessivas, combinadas com temperaturas amenas à noite.

Insolação e Radiação Solar: A insolação e a radiação solar são fatores climáticos importantes nos processos de desenvolvimento e maturação dos frutos. 

     Ambos os fatores são maiores no período de verão, pelo fato dos dias serem mais longos e pela menor freqüência de chuvas e menor número de dias encobertos. A insolação também está atrelada às coordenadas geográficas pois, em latitudes maiores, os dias de verão são maiores e, consequentemente, maior o período de radiação solar e maior o potencial de insolação.

     A coloração e o tamanho são fatores determinantes da qualidade dos frutos de caroço, sendo também influenciados pela radiação solar. São características que o consumidor leva em consideração no momento da escolha do produto. Diversas técnicas culturais são empregadas para melhorar essas características, tais como: raleio manual ou químico, incisão anelar de ramos, poda verde e aplicações de fitorreguladores. Algumas dessas técnicas facilitam o desenvolvimento dos frutos e a penetração da radiação no dossel.

     Dentre os índices de qualidade de fruta influenciados por luz, destacam-se o tamanho da fruta, a firmeza, a concentração de sólidos solúveis, a acidez e a cor da epiderme.

     Normalmente a quantidade da luz interceptada pela fruta está em função da posição desta na copa. O tamanho das árvores, espaçamento, orientação da fila, forma da copa e tipo de sistema adotado influencia na distribuição da luz no interior das plantas. Frutas que recebem pouca luz desenvolvem maior intensidade de cor amarela, diminuindo assim a cor vermelha. Aumentando a exposição da fruta individual ao sol, há um aumento da absorbância de luz através da fruta, podendo aumentar a coloração vermelha.

     Outros fatores que afetam a coloração dos frutos são a temperatura e o nível de umidade durante o último período de desenvolvimento da fruta. Geralmente, o tamanho final e a produção de cor vermelha serão afetadas negativamente pela falta de umidade no solo. 

Pluviometria: A demanda hídrica do pessegueiro é variável em função das diferentes fases do ciclo vegetativo da planta. Durante o desenvolvimento das plantas, não somente a quantidade de chuvas, mas a intensidade e o número de dias ou de horas em que ela ocorre são determinantes. Ainda, deve-se ter em conta eventuais perdas por escorrimento superficial ou percolação. Durante a primavera, as chuvas são importantes para o desenvolvimento da planta, porém podem favorecer o desenvolvimento de algumas doenças fúngicas da parte aérea.

     O volume total de chuvas no Rio Grande do Sul é satisfatório, mas grande parte do Estado apresenta chuvas intermitentes, com grande irregularidade de distribuição ao longo do ano e, principalmente, entre os anos. Nos anos em que chove menos, em particular na metade sul do estado, os produtores podem ser descapitalizados pela baixa produção e pela obtenção de um produto de menor valor, com baixa qualidade, peso e diâmetro de frutos. Embora existam outros fatores climáticos e pedológicos que interferem no rendimento de frutos, a seca sempre foi o maior causador de frustração de safras no Brasil e no Mundo.

     A maior parte dos pomares de frutíferas no Rio Grande do Sul localiza-se no Planalto Sul-rio-grandense e está instalada em solos degradados física e quimicamente. São geralmente rasos e com baixa capacidade de armazenamento de água. Em anos com deficiência hídrica na primavera, a produtividade é baixa e há uma grande proporção de frutos pequenos. Assim, para a obtenção de frutos de qualidade, com bom tamanho e rendimento, é necessário o uso de irrigação complementar.

     A região com o maior volume de chuvas no Rio Grande do Sul é a Serra Gaúcha, a qual oferece uma barreira física à entrada de frentes frias. Predominam zonas de altitude, com temperaturas amenas na primavera e no verão, que contribuem para reduzir as perdas de água do solo. Dificilmente ocorre déficit hídrico, exceto em anos mais secos e onde os solos são mais rasos. Essa situação muda gradativamente da Serra Gaúcha para a Fronteira Oeste, onde chove menos e as temperaturas geralmente são mais altas, às quais induzem a uma maior perda de água do solo por evaporação e pela transpiração das plantas.

     A média de chuva na Serra Gaúcha é da ordem de 1700 mm acumulados anualmente, com déficit hídrico acumulado inferior a 10 mm na primavera e no verão.

     Do ponto de vista hídrico, além dos elementos meteorológicos referidos, é importante salientar a importância da reserva hídrica do solo. Essa é uma função da capacidade de retenção de água do solo, do aporte de água pela chuva e irrigação, das perdas por escorrimento superficial e por percolação, e da evapotranspiração, que inclui a transpiração do pessegueiro e a evaporação do solo. As condições de disponibilidade hídrica do solo para o pessegueiro, nas diferentes fases da planta, são relevantes para o desenvolvimento vegetativo e para a qualidade da fruta destinada ao consumo in natura.

     Cabe destacar que a ocorrência de granizo é um fenômeno prejudicial ao cultivo do pessegueiro, onde os maiores danos são causados durante o período do ciclo vegetativo, que vai da brotação à colheita.

Ventos: Ventos fortes podem causar danos à vegetação, inclusive com a quebra das pernadas. A propagação de doenças, em particular as bacterianas, também é incrementada pela ocorrência de ventos fortes.

Fatores geográficos do clima

 Dentre os fatores geográficos do clima, a latitude é importante na definição das áreas de cultivo do pessegueiro no mundo. A latitude implica em efeito sobre a temperatura do ar, a qual diminui a partir do Equador à medida em que aumenta a latitude em direção aos Pólos. A Serra Gaúcha está situada em médias latitudes.

     Quanto à altitude, o efeito mais importante para o cultivo do pessegueiro é determinado pelo efeito térmico, já que 100 metros de elevação representam uma diminuição ao redor de 0,6 ºC na temperatura média do ar.

     Com relação ao relevo, a exposição e a declividade possibilitam a seleção de áreas para o cultivo do pessegueiro em um mesoclima particular. É o caso das encostas que privilegiam boa exposição solar, a qual possibilita colheitas com melhor qualidade, em áreas menos sujeitas à ocorrência de geadas. Nessa seleção de áreas também deve privilegiar-se os locais melhor protegidos da ocorrência de ventos frios e/ou fortes, o que auxilia no controle de doenças bacterianas e na redução de danos mecânicos à vegetação.

     As condições de declividade do terreno vão definir, juntamente com a exposição, a incidência de maior ou menor insolação. Situações de alta declividade do terreno não são recomendadas, seja pelos riscos de erosão, seja pela dificuldade de mecanização. Da mesma forma, áreas com elevado risco de geadas durante o período vegetativo devem ser evitadas.

Modelos de brotação para o pessegueiro

A dormência é a suspensão temporária do crescimento visível de estruturas das plantas contendo um meristema. Esse período vai desde a paralisação do crescimento, no fim do verão, até o inicio da brotação, na primavera seguinte  a dormência de uma gema é a última etapa de uma cascata de inibições correlativas na qual a fonte está cada vez mais próxima dela mesma.

     O frio é considerado o principal fator exógeno para a indução à saída da dormência em gemas de espécies de frutíferas nas regiões temperadas.

     A região sul do Brasil, apesar de ser de clima subtropical com algumas localidades temperadas, como é o caso da Serra Gaúcha, apresenta grandes variações entre anos, com invernos amenos, o que tem dificultado a adaptação de espécies e cultivares oriundas de regiões com invernos bem definidos, pois as mesmas geralmente apresentam respostas fisiológicas indesejáveis.

     A dormência das frutíferas caducifólias, como o pessegueiro, em zonas de clima temperado envolve três estágios: paradormência, endodormência e ecodormência (Lang, 1987). A endodormência é induzida e eliminada pelo efeito de baixas temperaturas durante o inverno. Portanto, é importante conhecer-se a duração de tal fase, para poder intervir, quando ocorre insuficiência de frio, com algumas práticas como no caso do uso de substâncias químicas para induzir a brotação.

     O efeito de baixas temperaturas em plantas frutíferas tem sido estudado por um grande número de pesquisadores. foi quem primeiro propôs um modelo para estimar a floração em pessegueiro. O autor baseou-se no efeito de temperaturas inferiores a 7,2ºC, como as mais eficientes para eliminar a endodormência de um grande número de cultivares de pessegueiro. O método consiste na contabilização de horas em que a temperatura permanece abaixo desse patamar, durante o período de repouso das frutíferas, sendo que cada cultivar necessita acumular um determinado número de horas abaixo desse nível, para satisfazer a necessidade de frio. O modelo tornou-se o mais difundido e utilizado pela simplicidade de cálculo.

     Outros modelos foram propostos nestes últimos trinta anos, ressaltando o efeito de outros níveis de temperatura. Por exemplo verificaram que as temperaturas de 3 e 10ºC tem a metade da eficiência comparada à de 6ºC, na eliminação da dormência em pessegueiro. Mais tarde propuseram um modelo de Unidades de Frio (UF), onde cada temperatura tem efeito diferente na eliminação da dormência, podendo ser até mesmo negativo, quando a temperatura ultrapassa um determinado patamar.  



Cultivo de Pessegos

 

   Características econômicas e sociais da produção de pêssego no Rio Grande do Sul

O pessegueiro é uma espécie nativa da China, com registros que remontam a 20 séculos a C.. Estudos indicam que, provavelmente, teria sido levado da China para a Pérsia e de lá se espalhado pela Europa. No Brasil, segundo relatos históricos, o pessegueiro foi introduzido em 1532 por Martim Afonso de Souza, por meio de mudas trazidas da Ilha da Madeira e plantadas em São Vicente (no atual estado de São Paulo).

     Segundo dados da FAO (1998), a produção mundial de pêssegos é de aproximadamente 11 milhões de toneladas, sendo os principais produtores a China, a Itália, os EUA e a Espanha. Embora sendo o maior produtor mundial, a China não figura na relação dos países exportadores, o que provavelmente se deve ao grande consumo interno. Ainda com base nessas mesmas estatísticas, na América do Sul, o Chile e a Argentina aparecem na oitava e nona posição, respectivamente, com produção de aproximadamente 280 mil toneladas/ano e o Brasil na 13º, com uma produção anual de 146 mil toneladas.

     Segundo o IBGE, no período entre 1970-1999, a produção brasileira de pêssego passou de 111 para 159 mil toneladas/ano, assim distribuídas entre os estados produtores: Rio Grande do Sul: 42%, São Paulo: 22%, Santa Catarina: 19%, Paraná: 11%, Minas Gerais: 5% e os demais estados: 1%. A área de pomares de pessegueiros, segundo essa mesma estatística, passou de 16,6 para 20,7 mil hectares, assim distribuídos: Rio Grande do Sul (51%), Santa Catarina (20%), São Paulo (15%), Paraná (9%), Minas Gerais (4%) e os outros estados (1%). Levantamentos mais recentes, efetuados pela Embrapa Clima Temperado, indicam que, no Rio Grande do Sul, nesse mesmo período, foram agregados mais de 5 mil ha de pomares, sendo que dois deles já se encontram em produção, embora ainda não incorporados às estatísticas oficiais.

     Estimando-se, a partir dos dados acima, a produtividade média de cada estado produtor, verifica-se uma disparidade significativa pois, enquanto o maior estado produtor, o Rio Grande do Sul, apresenta uma produtividade de 6,4 ton./ha e Santa Catarina, também tradicional produtor, 7,2 ton./ha, nos estados do Paraná, Minas Gerais e São Paulo a produtividade é de 9,2; 10,6 e 10,7 ton./ha, respectivamente. Esse fato, provavelmente, está relacionado ao nível tecnológico empregado e à idade média dos pomares nas regiões tradicionais.

     No Brasil, os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná têm as melhores condições naturais para o produção comercial do pêssego. É possível, no entanto, produzi-lo em outros estados com cultivares menos exigentes de frio ou em estações microclimáticas adequadas às exigências mínimas viáveis, técnica e economicamente.

     No Rio Grande do Sul, maior produtor nacional, é possível se encontrar plantas de pessegueiro em todas as regiões. Entretanto, a produção comercial está concentrada em três pólos que, juntos, segundo a Embrapa Clima Temperado, somam cerca de 13 mil hectares de pomares.

     O primeiro dos três pólos mais importantes localiza-se na chamada "Metade Sul" do estado, que compreende 29 municípios e concentra mais de 90% da produção destinada ao processamento industrial de diversas formas, com destaque para a compota. Anualmente são produzidas, em média, 40 milhões de latas de 1kg de compota destinadas ao mercado interno. Mesmo com um consumo per capita de apenas 0,25 kg, o país tem importado anualmente cerca de 20 milhões de latas da Grécia, Espanha, Argentina e Chile. Entretanto, como resultado das taxações impostas pelo governo às importações, a partir de 1999 houve redução de cerca de 50% dessas importações, beneficiando e protegendo a cadeia produtiva.

     Essa atividade, em expansão em todo o estado do Rio Grande do Sul, em função do apoio do Governo Federal com programas de financiamento a fundo perdido, tem-se apresentado como uma ótima alternativa aos agricultores da região (Metade Sul). Segundo Madail et al (2002), o sistema de produção atualmente adotado pelos agricultores de base familiar apresenta uma Taxa Interna de Retorno - TIR de 43,9% e o sistema empresarial 38%. Esses valores são superiores às taxas de juros no mercado financeiro ou qualquer outro ativo especulativo.

     O segundo pólo, localizado na Grande Porto Alegre, é composto por nove municípios e produz, em média, segundo João et al (2001), 4.800 toneladas de pêssegos para o consumo in natura numa área de 312 ha, o que representa uma produtividade média de cerca de 15 toneladas/ha. Trata-se de uma região que apresenta uma importante vantagem competitiva, já que está próxima do principal mercado consumidor do estado (Grande Porto Alegre).

     O terceiro pólo está localizado na Encosta Superior do Nordeste, na região também conhecida como Serra Gaúcha, mais especificamente nos municípios de Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Veranópolis, Farroupilha, Flores da Cunha, Nova Pádua, Antônio Prado, Ipê, Pinto Bandeira e Campestre da Serra. Na safra 2000/2001, a região produziu cerca de 46 mil toneladas de pêssego que, na sua totalidade, são destinadas ao mercado de consumo in natura, numa área de aproximadamente 3.200 ha, o que representa uma produtividade superior a 14 toneladas/ha.

     Por se tratar de uma região produtora de frutas tradicional, com ênfase especial na viticultura, a ascensão do pêssego passa a ter, na seqüência, uma abordagem mais detalhada nos seus aspectos técnicos e econômicos.

A produção de pêssegos na Região da Serra Gaúcha

     Esse pólo produtor de pêssego ocupa uma área de aproximadamente 3.200 hectares, envolve cerca de 1.860 famílias que exploram a atividade em pequenas áreas, que atingem, em média, 2 hectares.

     A cultura de frutas de caroço é de grande importância econômica e social para essa região, pois com uma estrutura fundiária baseada em minifúndios e com disponibilidade de mão-de-obra familiar, esses produtores encontram na fruticultura uma ótima alternativa de diversificação da matriz produtiva, absorção da mão-de-obra familiar e geração de renda em pequenas áreas. Segundo pesquisa realizada pela Embrapa Uva e Vinho, no período entre 1985 e 1997, a contribuição da cultura do pessegueiro na formação do valor bruto da produção desses estabelecimentos evoluiu de cerca de R$ 62,20 para R$ 1.023,06 (valores deflacionados), o que equivale a um aumento de cerca de 1.600%. Entretanto, paralelamente ao crescimento da área e volume de produção, começaram a surgir os problemas tecnológicos e logísticos, típicos dos pólos produtores.

     As cultivares de pêssego produzidas na região são todas de polpa branca, com destaque para a cultivar Chiripá, que representa 50%, e Marli, com 40% da área total em produção. Desse fato, surge uma característica marcante e limitante à competitividade desse pólo produtor que é a concentração da época de safra dessas duas cultivares, que ocorre entre meados de dezembro e meados de janeiro, num período de aproximadamente 25 dias. Essa concentração da produção, dada a precária estrutura de logística existente na região, principalmente na capacidade de armazenagem em câmaras frias, transforma-se, por um lado, em excesso de oferta que avilta os preços em nível do produtor e, por outro lado, provoca a queda da qualidade de grande parte do produto em nível do consumidor, já que as cultivares produzidas também apresentam problemas de perecibilidade, estimando-se que mantenham a qualidade para o consumo por, no máximo, 25 dias em boas condições de armazenamento e maturação das frutas.

    Entretanto, os fatores de ordem tecnológica relacionados às cultivares de pêssego cultivadas comercialmente na região (Chiripá e Marli), não se limitam às questões da concentração da oferta e perecibilidade. Por serem de ciclo tardio, sofrem intensos ataques de pragas na fase de maturação, exigindo, conseqüentemente, ações de controle que, em muitos casos, são feitas através da intervenção com produtos químicos, o que, além dos aspectos ambientais e de saúde dos produtores, tem um impacto significativo nos custos de produção.

     Esses, entre outros, são fatores que tem dificultado maiores avanços no esforço desenvolvido pela Embrapa Uva e Vinho no sentido de desenvolver um sistema de produção integrada de pêssego para a Região da Serra Gaúcha e que evidenciam a necessidade de uma elevação no patamar tecnológico disponível, a iniciar pela criação ou adaptação de cultivares às condições edafoclimáticas da região. Entretanto, a este esforço da pesquisa deverão ser agregados outros relativos à assistência técnica, políticas creditícias para custeio e investimentos na produção e em estruturas de logística, a partir do que, provavelmente, se estará criando as condições para uma maior organização dos produtores envolvidos com a cultura do pêssego na Serra Gaúcha.



quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Utlização, Composição e Valor Nutricional da Pitanga

 

Utlização

No Nordeste Brasileiro, a pitanga, geralmente, é consumida ao natural ou utilizada no preparo de sucos (Lederman et al., 1992). O principal potencial de exploração agroindustrial da pitangueira é a produção de frutos para obtenção da polpa integral congelada e suco engarrafado, além da utilização da polpa na fabricação de sorvete, picolé, licor, geléia, vinho e cosméticos (Donadio, 1983; Ferreira et al., 1987; Lederman et al., 1992).

Outras perspectivas de aproveitamento da polpa são: a mistura entre sucos de pitanga com outras frutas de espécies nativas e exóticas; adicionála a bebidas lácteas; e processá-la como refresco em pó e néctar (Bezerra et al., 2000).

A pitangueira pode ser usada como cerca viva e planta ornamental, pois além de crescer lentamente, essa espécie apresenta copa densa e compacta (Correa, 1978; Villachica et al., 1996).

Países como Suriname e Nigéria extraem das folhas e frutos verdes óleos essenciais contendo acetato de geranil, citronela, terpenos, sesquiterpenos e politerpenos, substâncias utilizadas contra febre, resfriados, reumatismo, gota, hipertensão e no tratamento de desordens gastrointestinais, demonstraram na Nigéria que o pó das folhas e óleos essenciais da pitangueira são eficientes na proteção de sementes armazenadas de feijão caupi contra o ataque de insetos da família Bruchidae (bruquídeos).

De acordo com Morton (1987), a casca da pitangueira contém de 20 a 28,5% de tanino, substância que pode ser utilizada no tratamento de couro.

Folhas da pitangueira são usadas na medicina popular na forma de chá para controlar diarréia e, segundo Rizzo et al. (1990), são usadas para combater a tosse.

O aumento do consumo de pitanga pode ser estimulado pela divulgação do seu valor nutritivo através de campanhas de educação alimentar, pois os frutos são ricos, principalmente, em vitamina A e sais minerais.

Composição e Valor Nutricional

O valor comercial do fruto de pitanga destaca-se pelo seu elevado rendimento de polpa, alto teor de vitamina A, sabor e aroma exóticos.

De acordo com Villachica et al. (1996), o fruto de pitanga é formado, aproximadamente, de 66% de polpa e cerca de 34% de semente. No entanto esses valores e outras características físico-químicas dos frutos podem ser alterados (Tabela 2) de acordo com a variabilidade genética entre pitangueiras e suas interações com as diferentes regiões de cultivo, bem como o manejo dispensado à plantação.

O peso médio de frutos é uma característica importante para o mercado de frutas frescas, uma vez que os frutos mais pesados são também os de maiores tamanhos, tornando-se mais atrativos para os consumidores.

Entretanto os parâmetros físico-químicos relacionados à acidez total titulável e ao teor de sólidos solúveis totais da polpa são mais relevantes no que se refere à elaboração de sucos, doces, picolés e sorvetes, mesmo porque a pitanga é uma fruta essencialmente voltada para a industrialização.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (BRASIL, 1999), através da Instrução Normativa de nº 136, de 31 de março de 1999, estabeleceu os seguintes valores padrões referentes às características físico-químicas à industrialização da polpa de pitanga: sólidos solúveis totais de 6°Brix (mínimo); acidez total de 0,92% de ácido cítrico (mínimo); açúcares totais naturais de 9,5 g/100 g (máximo); pH entre 2,5 e 3,4; polpa de cor vermelha; sabor e aroma próprios.

Na Tabela 3 encontram-se os valores referentes à composição média de 100g de polpa de pitanga. O fruto destaca-se como fonte de vitamina A em função dos elevados teores encontrados na polpa. De acordo com Franco (1989), a vitamina A, também chamada de retinol, exerce várias funções de grande importância para o ser humano, como ação protetora na pele e mucosas, além de papel essencial na função da retina e da capacidade funcional dos órgãos de reprodução. Sua deficiência prejudica a visão, ocasionando a cegueira noturna.

Com relação à concentração de macronutrientes, o fruto da pitangueira contém: 0,88% de nitrogênio; 0,09% de fósforo; 0,84% de potássio; 0,25% de cálcio; 0,06% de magnésio e 0,06% de enxofre.

Estudos realizados por Lima et al.(2002), revelaram que, quando madura, a pitanga roxa apresenta maiores teores de compostos fenólicos e carotenóides totais do que a pitanga vermelha (Tabela 4). Os carotenóides, antocianinas e flavonóis encontram-se mais concentrados na película do que na polpa do fruto maduro. Nas pitangas semi maduras, os teores desses fitoquímicos não apresentaram diferenças significativas. Esses compostos possuem propriedades antioxidantes, que podem estar relacionadas com o retardamento do envelhecimento celular e a prevenção de algumas doenças.




quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

IMPLANTAÇÃO DO POMAR DE MAMÂO

 

PLANEJAMENTO DO POMAR COMERCIAL DE MAMOEIRO

Escolha do local de cultivo

O cultivo do mamoeiro deve ser evitado em locais onde ocorram temperaturas relativamente altas ou inferiores a 15 ºC, o que prejudica severamente seu desenvolvimento vegetativo. Nas condições de temperaturas baixas, o desempenho reprodutivo também será afetado, ocorrendo redução do florescimento, atraso na maturação e produção de frutos de qualidade inferior.

Escolha da área de plantio

Devem-se evitar solos com elevada umidade, com problemas de drenagem e aeração deficientes. Depois da implantação, evitar irrigações excessivas, alta densidade de plantas e doses elevadas de nitrogênio (N), fatores que podem favorecer o tombamento de mudas e podridão de raízes de plantas adultas.

Preparo do terreno

Na operação de preparo do terreno, deve-se fazer, pelo menos, uma aração, seguida de duas gradagens. Havendo necessidade de calagem, faz-se a aplicação do calcário no intervalo entre as duas operações citadas. Para terrenos com relativa inclinação, será necessária a construção de terraços, para evitar a erosão do solo ao longo do cultivo. Na Figura 1, observa-se uma área com sulcos e sistema de irrigação preparados para a introdução das plantas do mamoeiro, em Linhares, ES.

Modo de plantio: em covas ou em sulcos

O plantio do mamoeiro pode ser feito em covas de 40 x 40 x 40 cm, seguindo o espaçamento indicado, ou ao longo dos sulcos.

No segundo caso, utiliza-se sulcador com capacidade de penetrar no solo a uma profundidade mínima de 40 cm. Antes da abertura dos sulcos de plantio, aconselha-se para solos com histórico de compactação, por causa do trânsito intenso de máquinas pesadas, utilizar o arado subsolador, marcando o alinhamento das plantas.

No caso de plantio em covas, separar o solo da camada superficial, ou seja, os primeiros 20 cm ou camada mais fértil para um lado, e o restante para outro.

Depois de aberta, a cova será inicialmente preenchida com essa terra da superfície, misturada com o adubo e o calcário, caso necessário. É importante que essa operação seja realizada, pelo menos, 30 dias antes do plantio das mudas. Os adubos serão misturados com partes de terra equitativamente e, depois, enchem-se as covas com a composição, que pode ser molhada para favorecer a reação dos nutrientes adicionados.

No plantio em sulcos, marcam-se os pontos onde serão adicionados os adubos orgânicos ou químicos, nos quais, posteriormente, serão plantadas as mudas, obedecendo o espaçamento indicado.

Para marcação de áreas com declividade, faz-se a demarcação de covas em curvas de nível, e, em terrenos planos, faz-se a demarcação de linhas no sentido do maior comprimento do terreno (prática conservacionista de solo).

Área preparada para o cultivo do mamoeiro,

Densidade de cultivo

O objetivo principal do uso de espaçamento adequado é obter altas produtividades sem comprometer a qualidade dos frutos. O plantio adensado tende a conferir maior altura às plantas e menor peso unitário aos frutos.

O mamoeiro pode ser cultivado em fileiras simples ou duplas. No segundo caso, tem-se como objetivo principal possibilitar maior número de plantas por área, sem comprometer o tráfego de máquinas no interior do pomar. Por outro lado, ainda possibilita a introdução de plantas leguminosas voltadas para a adubação verde entre as linhas mais estreitas. Prática considerada ecologicamente correta, indicada, sobretudo, em cultivos orgânicos.

No sistema de fileiras simples para as cultivares do grupo Solo, os espaçamentos podem variar desde 1,50 a 3,00 m entre plantas dentro das linhas versus 2,00 a 4,00 m entre as linhas. 

Já no sistema de fileiras duplas, são descritos os seguintes espaçamentos:

4,00 x 2,00 x 2,00 m; 4,00 x 2,00 x 1,80 m;

4,00 x 1,80 x 1,80 m; 3,80 x 2,00 x 2,00 m;

3,80 x 2,00 x 1,80 m; 3,60 x 2,00 x 2,00 m;

3,60 x 1,80 x 1,80 m, adotados tanto para cultivares do grupo Solo, quanto para as do grupo Formosa 

Em ambiente protegido, adotaram espaçamento de 2,0 x 1,9 m para a cultivar Baixinho de Santa Amália (grupo Solo), atingindo produtividade acima de 40 t/ha, superior aos padrões convencionais de cultivo e de espaçamento (Fig. 2).

Para elevar a proporção final de plantas hermafroditas e garantir melhor padronização e qualidade de frutos para comercialização, recomenda-se o plantio de três mudas/ cova, tanto do grupo Formosa quanto do grupo Solo (Fig. 3). Recomenda-se a distância média de 20 cm entre as mudas de uma mesma cova, ficando dispostas em triângulo equilátero, as quais posteriormente deverão ser desbastadas após a determinação do sexo.

No caso de implantação de cultivo em sulcos, pode-se optar, ainda, pelo plantio em renque. Dessa forma, adota-se o espaçamento de 0,7 m entre as plantas, que serão raleadas posteriormente na operação de sexagem, quando se eliminam as plantas fêmeas. Para os mamoeiros do grupo Formosa, dependendo da situação e da distribuição ao longo da linha, deixam-se plantas femininas, já que o mercado interno também admite o comércio dos frutos oriundos destas plantas.

Estande com plantas da cultivar Baixinho de Santa Amália: cultivo orgânico em estufa

Três mudas reunidas em plantio implantado em sulcos,

ÉPOCA DE PLANTIO

Na operação de plantio do mamoeiro, devem-se evitar dias de sol intenso. O mais aconselhável é que o plantio seja realizado no início do período chuvoso em dias nublados ou chuvosos.

Em locais de precipitação em torno de 1.200 mm/ano ou regime superior, bem distribuídos ao longo do ano, o mamoeiro não necessita de irrigação, podendo o plantio ser feito em qualquer época.

Em regiões com períodos relativamente longos de estresse hídrico, faz-se necessária a instalação de irrigação sistematizada.

Não pode faltar água, sobretudo na fase de florescimento, o que ocasionaria significativa queda de flores, reduzindo a produtividade do pomar. O problema é agravado quando as temperaturas apresentam-se acima de 28 ºC e umidade relativa (UR) do ar menor que 60%.

A primeira carga de frutos do mamoeiro é sempre mais intensa e efetiva. Esta fase é menos afetada por curtas alterações climáticas e/ou deficiências no manejo ou tratos culturais, quando se compara com plantas mais maduras. Assim, indica-se fazer o plantio de forma que as primeiras colheitas coincidam com a época do ano de melhor preço de frutos no mercado interno.

OPERAÇÃO DE TRANSPLANTIO

No ato do transplantio, deve-se evitar a quebra do torrão formada pelo substrato e raízes das mudas, sejam estas germinadas em sacos plásticos, células de bandejas ou tubetes. A desestruturação do torrão pode levar ao atraso no crescimento e/ou estabelecimento do mamoeiro.

O plantio não deve ser relativamente profundo. Recomenda-se evitar que a base da muda, ainda com células clorofiladas, fique em contato com o solo úmido da cova. As mudas deverão ficar com a região do colo no nível do solo, estando este acima do nível do terreno. O solo ao redor das mudas deve ser apertado para que fique bem aderido ao torrão, e, logo após, faz-se uma bacia ao redor destas. As mudas devem ser irrigadas nos dias iniciais de cultivo, mesmo em períodos chuvosos, requerendo entre 20 e 40 mm semanais de água, com turno de rega que varia de dois a quatro dias.



Propagação da Jabuticabeira


 

Propagação por sementes 

De acordo com Donadio (2000), a propagação por sementes deve ser evitada, sempre que possível, por vários motivos. A propagação por sementes nem sempre assegura a reprodução das características da planta que forneceu a semente, além do que, o início da produção é tardio em relação às plantas propagadas vegetativamente. 

Entre os critérios para a escolha das sementes, recomenda-se que a planta mãe tenha alta produção, boas características para os frutos, sanidade e vigor. Os frutos devem ser colhidos maduros, escolhidos e cortados para extração das sementes. As sementes devem ser selecionadas, eliminando-se as mais leves, danificadas ou de menor tamanho. Para que a germinação seja mais rápida, deve-se retirar a polpa, lavando as sementes com água corrente. 

Recomenda-se a imersão das sementes em água quente a 20 ºC, e o seu tratamento com fungicida em pó. 

A semeadura pode ser feita em recipientes ou canteiros, para posterior plantio em local definitivo. A semeadura é feita colocando-se de 1 a 5 sementes por recipiente, a 1cm de profundidade. No caso dos canteiros, pode-se semear a lanço ou em linha com espaçamentos de 10 a 20 cm. A germinação ocorre de 10 a 40 dias, após o que, se recomenda cuidado com pragas como: lagarta rosca, grilo, vaquinhas e formigas. 

O desbaste deve ser feito quando as mudas estiverem com 5cm, retirando-se as mais fracas, deixando-se uma por recipiente. No canteiro não há necessidade de se desbastar. 

As plantas semeadas em canteiro devem ser transportadas para recipientes após 6 meses a 1 ano. A muda estará formada de 1 a 2 anos. Usualmente, a planta de jabuticaba propagada por semente leva mais de 10 anos para entrar em produção. A estocagem das sementes pode ser feita até por 6 meses, porém, com substantiva redução do poder germinativo. Recomenda-se a estocagem em frasco plástico, a 12 ºC e 85-90% de umidade relativa (Donadio, 2000). 

Propagação vegetativa 

Segundo Donadio (2000), várias técnicas de propagação vegetativa são citadas por vários autores, porém, poucos são os detalhes específicos sobre a propagação vegetativa da jabuticabeira. Entre os métodos citados, estão a garfagem, mergulhia e estaquia. 

De acordo com Mattos, citado por Donadio (2000) a garfagem tipo incrustação no topo, ou inglês complicado deve ser feita em porta-enxerto com 1 ano de idade, no fim do inverno. São utilizados ramos terminais com 0,5cm de diâmetro, que devem ser preparados e encaixados no cavalo perfeitamente. No caso de enxertia por borbulhia. Este autor recomenda cavalos de dois anos e borbulhas de ramos vigorosos, da grossura de 1 lápis. Os ramos devem ser preparados na planta matriz, um mês antes, cortando-se as pontas dos ramos, um mês antes da enxertia, para induzir brotação das gemas. 

As mudas enxertadas ficam prontas para o transplantio aproximadamente após 2 anos. De acordo com estudos relatados por Duarte, citado por Donadio (2000), a propagação por garfagem em fenda é superior à fenda parcial, e borbulhia, que é a pior. A estaquia não produz resultados satisfatórios, mesmo com o uso de estimuladores de crescimento como auxinas. De acordo com estudos desenvolvidos por Andersen & Andersen, citados por Donadio (2000), a jabuticabeira propagada por enxertia começa a produzir após o 5o. ano. 



sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Utilização, Clima e Aspectos nutricionais da Jabuticaba

 

Utilização, Clima e Aspectos nutricionais da Jabuticaba


Uso

A madeira é resistente e pode ser destinada ao preparo de vigas, esteios, dormentes e outras obras internas.

Fruto: pode ser consumido ao natural ou usado no preparo de doces, geléias, licores, vinho, vinagre. Na indústria, o fruto é usado para o preparo de aguardente, geléias, jeropiga (vinho artificial), licor, suco, e xarope, sendo que o extrato do fruto é usado como corante, de vinhos e vinagres.

Na medicina caseira utiliza-se o chá-de-cascas para tratar anginas, e erisipelas; a entrecasca do fruto, em chá, destina-se ao tratamento de asma, usadas também para gargarejos, pois o caldo da jabuticaba é eficaz contra as inflamações agudas e crônicas da boca. 

A jabuticabeira possui ainda as seguintes indicações fitoterápicas: antiasmática, inflamação das amídalas, inflamação dos intestinos, hemoptise, erisipela, e esquinencia crônica (Jabuticaba in Plantas Medicinais, on line...)

Aspectos nutricionais

São boas fontes de vitaminas B2 e B3, proteína e cálcio. Disponíveis a partir da primavera. São usadas contra a asma. Cada 100g do fruto possui 44,9 cal; 11,2g de glicídios; 0,54g de proteínas; 9mg de cálcio; 60mg de fósforo; 1,26mg de ferro; 8,3mg de sódio e 13g de potássio.

Possuem ainda, par cada 100g, 60mg de vitamina B1; 160mg de vitamina B2, 12,80 mg de vitamina C, 2mg de Niacina.


Exigências edafoclimáticas

A jabuticabeira é considerada uma planta de origem subtropical, porém com boa adaptação ao clima tropical (Andersen & Andersen; Phillips & Goldweber, citados por Donadio (2000), suportando bem até –3 ºC, suportando, porém, curto período de falta de água, e requerendo boa umidade do solo (Ahsens apud Donadio, 2000). 

Necessita de temperaturas baixas para florescer (Simão apud Donadio, 2000).

Em relação à altitude, ocorre no Brasil, desde o nível do mar, até 1.400m de altitude (Wiltbank citado por Donadio, 2000). É classificado por Lorenzi (Donadio, 2000) como mesófita ou heliófita e seletiva higrófila.

Em relação ao solo, desenvolveu-se bem em vários tipos de solo, com preferência, os sílico-argilosos, ou argilo-silicosos, profundos, férteis e bem drenados.



Florescimento e polinização da Pitaia (Pitaya)


Florescimento e polinização

Segundo Moritz (2012), as flores iniciam sua abertura no início da noite, completando-a antes da meia-noite. No dia seguinte ocorre seu fechamento, durante as primeiras horas da manhã.

No hemisfério sul, a floração ocorre basicamente entre os meses de novembro e março, com o pico de florescimento entre a segunda quinzena de dezembro e meados de fevereiro. Em uma única planta pode-se encontrar botões florais emergindo e em desenvolvimento, frutos em desenvolvimento e frutos já maduros.

A polinização e fecundação são essenciais para a frutificação da pitaia, pela atração de agentes polinizadores como abelhas, pássaros, mamangavas e morcegos, por meio do perfume do néctar da flor. Por conta disso, um dos principais problemas no crescimento de novas regiões de cultivo de pitaia é a ausência de polinizadores.

A autora aponta que a polinização artificial é uma alternativa em regiões onde polinizadores naturais são escassos, principalmente pela antese das flores ocorrer durante a noite, período no qual é mais difícil de serem encontrados polinizadores em atividade. Agricultores do Rio Grande do Sul relatam que meliponídeos conseguem polinizar as flores pela manhã, mesmo após estarem fechadas. Porém, ainda são necessários estudos aprofundados sobre esse assunto.

Para se evitar a baixa frutificação e a ocorrência de frutos pequenos, é possível o plantio de diversos genótipos e a realização da polinização cruzada manualmente que é realizada removendo-se as anteras de uma flor e tocando com elas o estigma de outra flor, ou então coletando-se o pólen e utilizando um pincel para polinizar múltiplas flores.

Preferencialmente, o momento ideal para a polinização é quando as flores estão totalmente abertas, ou seja, no período noturno. Para facilitar o trabalho, esse procedimento pode ser realizado ao final da tarde, quando no início da abertura das flores, e no começo da manhã, quando os primeiros raios solares fazem com que as flores se fechem. 

Em lavouras comerciais, recomenda-se o uso de 30% das plantas da espécie H. polyrhizus e 70% da espécie H. undatus.



terça-feira, 9 de novembro de 2021

Cultivo do Limão Caviar

 

Exótica fruta de origem australiana, o “limão-caviar”, também conhecido como “limão-dedo” (finger lime), é mais parecida com uma pimenta jalapeño do que com uma fruta cítrica. Ela produz pequenas pérolas parecidas com caviar que explodem de sabor quando você as morde.

Uma cultivar de limão com características peculiares e únicas, originária da Austrália, vêm conquistando diferentes paladares ao redor do mundo. Estamos falando do limão caviar, que atravessou oceanos e agora faz parte de uma variedade de pratos em restaurantes brasileiros.

O limão caviar é assim denominado porque as pequenas bolinhas que o compõem são semelhantes ao caviar. Outra curiosidade dessa fruta é que estes pequenos gomos dão a sensação de “estourar” entre os dentes quando consumidos; provocando uma explosão de sabor para o paladar.


Originária das florestas tropicais e subtropicais da costa da Austrália, a Citrus australasica ou lima australiana se tornou um dos ingredientes mais procurados por restaurantes em todo o mundo. Não é que ela tenha gosto radicalmente diferente do limão normal, mas a textura de sua polpa realmente faz toda a diferença.

Os limoeiros-caviar (Citrus australasica) são originários da Austrália, mais concretamente do leste da Austrália, de zonas subtropicais nas florestas húmidas que cobrem essa parte do país. Cada vez mais têm despertado o interesse para uso na culinária e na composição de diversos pratos.

Apesar disto, o seu cultivo ainda não é feito em larga escala, mas há planos para isso a curto prazo. Dada a grande variedade de cores que possuem, a maior de entre os citrinos, são chamativas para a vista, e o seu especto colorido também atrai a atenção para os pratos em que são usados. Cada vez mais populares, dado o seu fácil cultivo, encontram-se muitas vezes à venda em bons hortos e sites especializados.


Cultivo e colheita

Sendo originário de zonas subtropicais, o limoeiro-caviar dá-se melhor em zonas do nosso País que apresentem essas características ou similares. Além das ilhas, pode dar-se bem em zonas do continente nas quais os invernos não sejam muito pronunciados.

As geadas, tal como ventos fortes são prejudiciais, pelo que a plantação deve ser feita em locais sem geadas, abrigados dos ventos e soalheiros. É uma planta espinhosa de porte arbustivo, pelo que devemos escolher bem o local onde vamos cultivá-la.

A época ideal para fazer a plantação é na primavera, para a planta aproveitar o tempo mais quente para se estabelecer no solo. O solo deve ser sempre bem drenado, sendo de evitar os demasiado argilosos. Os limoeiros-caviar também podem ser cultivados em vasos grandes, mas neste caso, temos de ter em consideração que poderão necessitar de regas mais vezes. O cultivo em vasos pode facilitar a movimentação das plantas para um abrigo interior nas épocas de maior frio.

Estas plantas florescem habitualmente na primavera, embora possam surgir algumas flores noutras estações do ano, e a colheita efetua-se no outono e no inverno na Europa, época em que na Austrália é primavera e verão.

Manutenção

A manutenção do limoeiro-caviar é semelhante à dos outros citrinos. As podas devem ser ligeiras, para eliminar ramos secos ou doentes e para controlar um pouco o crescimento da árvore. As mondas servem para evitar a competição por nutrientes, algo a que os limoeiros-caviar são bastante sensíveis se as plantas competidoras tiverem raízes muito compactas, como o capim.

Tal como o limoeiro, apreciam regas regulares no verão; a seca afeta o desenvolvimento dos frutos e a saúde da planta.

Pragas e doenças

Os limoeiros-caviar são sensíveis a pragas e doenças que afetam outras plantas do género Citrus e aparentados. Como tal, são sensíveis a cochonilhas, lagartas e algumas vespas. Contudo, não são afetados pelas moscas-da-fruta e pelo greening, pelo que têm sido estudados como possível porta-enxerto para outras espécies de citrinos. A psila-africana-dos-citrinos poderá afetar esta espécie, pelo que devemos ter isso em conta.

Propriedades e usos

Os limões-caviar podem ser consumidos ao natural, mas também são usados para ornamentar pratos culinários ou dar-lhes o seu característico sabor cítrico. Os limões-caviar são ricos sobretudo em vitamina C, mas também possuem um certo teor de vitamina A e de potássio.

O seu interior não se apresenta em gomos, mas é constituído por pequenas bolinhas que fazem lembrar o caviar de origem animal, daí o nome que lhe foi dado. A sua popularidade tem vindo a crescer e cada vez mais pessoas querem experimentar ou cultivar este fruto australiano.

Os limões-caviar também são usados para elaborar uma espécie de marmelada cítrica e para fazer picles, e certamente novos usos estão a ser estudados.

PREÇO R$ 1000,00 O KILO