terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Instruções para o Cultivo do Abacaxi

 

Abacaxi

Ananas comosus (L.) Merril

O abacaxizeiro é uma planta herbácea perene pertencente à família Bromeliaceae, originária do Cone Sul do nosso continente. O fruto presta-se tanto para consumo ao natural como para processamento industrial em suas mais diversas formas (pedaços em calda, suco, pedaços cristalizados, geleias, licor, vinho, vinagre e aguardente). Como subprodutos da sua industrialização, podem-se obter álcool, ácidos cítricos, málico e ascórbico, rações para animais e bromelina (enzima proteolítica de uso medicinal). O talo da planta pode ser aproveitado para extração de bromelina, sendo também fonte de amido. As folhas podem ser utilizadas para a obtenção de fibras. De alto valor dietético, a polpa do abacaxi é energética (150 calorias por copo de suco), contém boa quantidade das vitaminas A, B1 e C. Contém ainda bromelina, que favorece a digestão.

Cultivares: Smooth Cayenne (Cayenne, Havaí ou Bauru) é a cultivar mais produtiva e adequada para industrialização, além de servir para o consumo ao natural. Pérola. IAC Gomo-de-mel (abacaxi-de-gomo), exclusivo para consumo ao natural. Novas cultivares resistentes à fusariose, que é o principal problema fitossanitário da cultura: IAC Fantástico (IAC) e Imperial e Vitória (Embrapa). A cultivar IAC Fantástico é adequada para mesa e indústria, apresenta boa produtividade e qualidade de fruto (polpa amarelo-escura, baixa acidez e muito doce).

Clima e solo: apesar de boa resistência à seca, produz melhor na faixa de 1.000 a 1.500 mm de chuva por ano, tolerando de 600 até 2.500 mm. É, entretanto, muito sensível ao frio, não tolerando geadas. A temperatura ótima situa-se entre 29 e 31 oC, suportando, entretanto, mínima de até 5 oC e máxima de 43 oC. É planta de clima tropical e subtropical. Sol forte e chuvas de pedras provocam danos aos frutos. A cultura pode ser instalada em qualquer tipo de solo, desde que não sujeito a encharcamento. Entretanto, recomenda-se dar preferência ao cultivo em solos leves e com pH entre 5,5 e 6,0.

Práticas de conservação do solo: plantio em linhas de nível, terraceamento.

Propagação: o abacaxizeiro propaga-se vegetativamente por meio de mudas produzidas pela planta, como filhotes (do pedúnculo do fruto), rebentões (do talo da planta - maiores) e até as coroas dos frutos destinados à indústria, ou ainda, mudas resultantes do enviveiramento de seções do talo da planta ou das mudas. Dentro de cada talhão da plantação, as mudas devem ser uniformes quanto ao tipo e tamanho.

Não coletar mudas de abacaxizais infectados pela doença fusariose, selecionando mesmo assim, mudas de plantas sadias. Nos plantios iniciais de novas cultivares pode-se utilizar mudas micropropagadas em laboratório, a cultivar IAC Fantástico, é mais sensível aos hormônios utilizados, não sendo recomendada essa prática.

Plantio: em sulcos ou covas, não deixando cair terra no ápice das mudas.

Espaçamento: plantio em linhas duplas de 40 a 50 cm de largura, distanciadas de 90 a 120 cm, mantendo o espaçamento de 35 a 40 cm entre as mudas de uma mesma fileira e disposição triangular, em relação àquelas da fileira vizinha. O maior espaçamento proporciona produção de frutos maiores, mas menor produtividade.

Mudas necessárias: 34.000 a 50.000/ha.

Calagem: a recomendação de calagem deve ser estabelecida a partir da análise do solo. A calagem deve ser calculada visando elevar o índice de saturação por bases para 50% e manter o teor de Mg acima de 5 mmolc dm-3. Usar sempre calcário dolomítico aplicado em área total e incorporado ao solo. Doses de calcário superiores a 3 t ha-1 requerem cuidados especiais para sua incorporação no solo.

Adubação mineral: as quantidades de N, P e K a serem aplicadas são definidas em função da análise do solo e da produtividade esperada e estão apresentadas na tabela 1. Aplicar o fósforo no sulco de plantio, em março ou abril, misturando-o ao solo, e o nitrogênio e o potássio em cobertura, ao lado das linhas, procurando atingir as axilas mais velhas, nas seguintes proporções: 10% em abril-maio, 20% em novembro, 40% em janeiro e 30% em março-abril. Em plantios de outubro a novembro, aplicar o fósforo no sulco de plantio; N e K nas seguintes proporções: 10% em novembro-dezembro, 30% em janeiro e 60% em março-abril. A última adubação nitrogenada deve ocorrer, no máximo, 60 dias antes da aplicação do regulador de florescimento. Como o abacaxizeiro é sensível ao cloro, recomenda-se dar preferência a fontes de potássio na forma de sulfato ou nitrato, especialmente nas primeiras aplicações durante o ciclo da cultura.



Controle de pragas e doenças: broca-do-fruto: polvilhamento ou pulverização das inflorescências e frutos novos com carbaryl ou Bacillus thuringiensis; cochonilha: tratamento de mudas e plantas com parathion methyl, vamidothion ou ethion; podridão-negra: pincelamento da seção do pedúnculo do fruto com benomyl. Para prevenir pragas e doenças, evitar: locais próximos de abacaxizais em mau estado sanitário e mudas deles provenientes; expor os pés das mudas ao sol por vários dias sobre as próprias plantas ou nos carreadores.

Controle de florescimento: aplicar reguladores de florescimento em culturas com desenvolvimento adequado para produção de frutos de tamanho comercial. Isso deve ser feito para que os frutos amadureçam ao mesmo tempo dentro do talhão, e nas épocas de colheita desejadas para os diferentes talhões. Reguladores recomendados:

a) ethephon (1 a 4 L ha-1 do produto comercial - 21,66% de ethephon, sendo que as doses maiores devem ser aplicadas nas épocas mais quentes e em plantas mais vigorosas), adicionado ou não de hidróxido de cálcio e ureia; b) carbureto de cálcio (450 g/100 litros de água fria). A cultivar IAC Fantástico requer dose de regulador menor que a Smooth Cayenne: 100 a 150 ppm de ethephon 240 g L-1 (45 a 65 mL/100 litros de água) são suficientes e não causam danos aos frutos.

Outros tratos culturais: o controle de plantas daninhas deve ser feito pelo emprego de herbicidas e capinas. Devem-se proteger os frutos contra o sol, cobrindo-os com papel (jornal ou sacos de papel sem fundo), ou com material vegetal seco.

Colheita: novembro a abril, com pico em janeiro a março, ou o ano todo, já que é indispensável o uso de reguladores de florescimento.

Produtividade normal: 30.000 a 45.000 frutos/ha/safra.

Cultura intercalar: o abacaxizeiro pode ser cultivado entre as linhas de culturas perenes em desenvolvimento ou em rotação com adubos verdes.

Comercialização: imediatamente após a colheita os frutos são entregues, a granel ou embalados, aos entrepostos de venda, para consumo ao natural ou para a industrialização.

Observações: em função do aumento da fusariose e do tombamento dos rebentões e filhotes-rebentões das cultivares Cayenne e Pérola, não é recomendada a soca, mas somente a primeira produção (um fruto por planta), em ciclo que dura de 14 a 24 meses, de acordo com o tipo, tamanho e época de plantio das mudas, e com a época de aplicação de reguladores de florescimento.




quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Produção de Mudas de Noni (Morinda citrifolia L.)

 

 Introdução

Atualmente, um número expressivo de plantas nati­vas e exóticas, com potencial socioeconômico para a região Nordeste do Brasil, está sendo cultivado de maneira empírica. Entre essas espécies, merece atenção especial a Morinda citrifolia L., pertencente à família Rubiaceae e popularmente conhecida por noni, pelo seu elevado valor de mercado e adapta­bilidade às condições edafoclimáticas do Nordeste brasileiro.

O noni, espécie originária do Sudeste Asiático, vem sendo utilizado pelos habitantes da Polinésia há mais de 2.000 anos (LEÓN e POVEDA, 2000). É encontrado em várias partes do mundo: regiões tropicais da África (Centro e Sul), Caribe, Austrália, China, Malásia, Indonésia e Índia. É uma espécie que se adapta muito bem às regiões costeiras, desde o nível do mar até 400 m de altitude (LÜBECK e HANNES, 2001). É tolerante a solos salinos e condições de seca.

É um arbusto com altura que pode variar de 3 m a 6 m, com folhas grandes e perenes, elípticas e de coloração verde escura. As flores são pequenas, brancas e os frutos, de forte odor, são ovais, com muitas sementes, chegando a pesar 800 g.   É uma espécie considerada resistente a estresses bióticos e abióticos e de boa longevidade. Quando se desenvolve exposta ao sol e sem a presença de ventos frios, dificilmente é infectada por doenças ou atacada por insetos (GERMOSÉN-ROBINEAU, 1995).

Com aproximadamente um ano de cultivo, o noni começa a produzir seus primeiros frutos, sendo considerado uma espécie precoce. Após ter iniciado a fase de produção de frutos ela se torna constante, produzindo o ano inteiro (XANGAI, 2006).

A cada parte da planta de noni é atribuída uma diferente propriedade medicinal. A casca tem propriedade adstringente e é utilizada no tratamento contra malária; as folhas são usadas como analgésico e no tratamento de inflamações externas; as flores são empregadas no tratamento de inflamações oculares; o extrato das raízes reduz a pressão sanguínea; as sementes são utilizadas como laxante; e os frutos, que possuem a mais ampla utilização, são usados como antibactericida, analgésico, anticongestivo, antioxidante, expectorante, anti-inflamatório, adstringente, emoliente, emenagogo, laxativo, analgésico, hipotensor, purificador do sangue, imunoestimulante e tônico (ELKINS, 1997). Também é atribuída ao fruto, ação anticancerígena (RODRÍGUEZ e 

PINEDO, 2005). Apesar da grande utilização e demanda internacional pelos produtos oriundos desta espécie, principalmente o suco dos frutos, é bastante recente a tentativa de cultivo do noni no Brasil, que é realizado empiricamente por pessoas que trouxeram sementes do Caribe ou da Polinésia e se tornaram, via Internet, vendedores de mudas e sementes.

Diante da ausência de informações sobre o cultivo dessa espécie no Brasil, particularmente as relacio­nadas à propagação, foi realizado um trabalho de pesquisa na Embrapa Agroindústria Tropical com o objetivo de disponibilizar informações sobre produção de mudas de noni.

Figura 1. (A) Fruto verde; (B) “de vez”, ponto de colheita; (C) maduro, ponto ideal para retirada das sementes.

Obtenção e Preparo de Sementes

A propagação sexuada, aquela que utiliza a semente, é o método que tem sido utilizado para a propaga­ção de noni.

Para a seleção de plantas matrizes fornecedoras de sementes, a preferência é dada às plantas com bom aspecto fitossanitário, ou seja, livres de doenças ou pragas, boa produção de frutos e frutos com bom tamanho e peso.

Os frutos, quando fisiologicamente maduros encon­tram-se no ponto ideal para retirada das sementes. Contudo, a colheita é realizada quando os frutos ainda estão com a polpa firme (“de vez”), o que dificulta a extração das sementes, sendo necessá­rio aguardar a completa maturação por um período de três a quatro dias, para a retirada das sementes (Figura 1).

No Município de Trairi, CE, o peso médio dos frutos produzidos foi de 166 g, o comprimento médio de 101 mm e a largura média de 56 mm. O rendi­mento de polpa foi em torno de 80% e de semen­tes, 4%. Dessa forma, em um quilo de fruto, foram obtidos, aproximadamente, 40 g de sementes, com peso variando de 0,023 g até 0,044 g, ou seja, com peso médio de 0,033 g por semente. Portanto, para cada quilo de fruto, foram obtidas em torno de 1.200 sementes.

As sementes são obtidas após a extração da polpa. Para isso, os frutos são macerados mecanicamente, utilizando-se uma peneira e água corrente para a retirada de toda a polpa. Em seguida, as sementes são colocadas para secar sobre papel jornal, em local som­breado e com boa ventilação, por um período de três a quatro dias, ficando com um teor de umidade em torno de 9%. Recomenda-se a utilização das sementes com, no máximo, um mês após a secagem, quando a ger­minação ainda está acima de 60%.

Em trabalhos desenvolvidos pela equipe da Embrapa Agroindústria Tropical, observou-se a necessidade de empregar tratamentos pré-germinativos para abreviar o tempo, aumentar e uniformizar a germina­ção das sementes de noni. Foram, então, realizados experimentos utilizando-se os seguintes tratamentos: imersão em ácido sulfúrico concentrado (98%) por 1 (1); 5 (2); 10 (3); 15 (4); 20 minutos (5); imersão em água quente (80ºC) por 1 (6); 2 (7); 3 minu­tos (8); imersão em água à temperatura ambiente por 24 horas (9) e controle (sem tratamento) (10), sendo avaliados a porcentagem de emergência e o índice de velocidade de emergência. O tratamento pré-germinativo que mais favoreceu a emergência das plântulas foi a imersão em água à temperatura ambiente por 24 horas. Este tratamento, porém, não superou ao controle (sem tratamento), indicando a necessidade de novos estudos.

Viveiro

As mudas devem ser produzidas em local com 50% de sombreamento, para tanto, deve-se usar tela de sombrite ou cobertura com palha. Após a germina­ção das sementes, diminui-se gradativamente o nú­mero de palhas da cobertura, ou retira-se o sombrite nas horas mais frias do dia, até a total retirada do sombreamento. No piso do viveiro deve ser coloca­da uma camada de 5 cm a 10 cm de brita ou seixo, para melhorar o escoamento da água excedente da irrigação. O comprimento dos canteiros é dimensio­nado conforme a quantidade de mudas, porém, a largura deve ser de 1 m, devendo ficar a 50 cm de distância um do outro, facilitando as operações de manutenção durante o período de enviveiramento das mudas.

Substrato

O substrato indicado para se obter plantas vigoro­sas é a mistura de esterco de gado (curtido) com casca de arroz “queimada” e solo esterilizado, nas proporções de 1:1:1, respectivamente. Para cada 20 L desta mistura, acrescentar 500 g da formula­ção 4:14:8 (NPK). Caso essa formulação não esteja disponível, é recomendável a utilização de 45 g de uréia, 390 g de superfosfato simples e 67 g de clo­reto de potássio, também para 20 L da mistura.

Semeadura

A semeadura foi feita diretamente em sacos pretos de polietileno, nas dimensões de 15 cm de largura e 28 cm de comprimento, sanfonados e com furos. Devem ser colocadas duas sementes por saco, na profundidade de 0,5 cm.

A germinação teve início 30 dias após a semeadura, com 70% das geminações ocorrendo até os 60 dias, podendo se estender até mais de 120 dias após a semeadura. Após a germinação, deve ser eliminada em cada saco a plântula com menor vigor. Quando se deseja uniformidade das mudas, recomenda-se descar­tar as que se formaram após 60 dias.

Irrigação

A irrigação foi realizada diariamente, mantendo-se o substrato úmido. No início do desenvolvimento das mudas, as irrigações foram mais frequentes, em intervalos de tempo menores, três ou quatro irrigações com 10 a 15 minutos. Com o decorrer do tempo e o desenvolvimento das mudas, além das con­dições climáticas, diminuiu-se o número e aumen­tou-se o tempo das irrigações diárias, até três dias antes do transplantio para o campo, quando, então, foi realizada apenas uma única irrigação por dia.

Controle Fitossanitário

Assim como as plantas adultas, as mudas resistem ao ataque de insetos ou fitopatógenos. Contudo, é necessário ficar atento a ataques de insetos que possam diminuir a área fotossinteticamente ativa das plântulas e, consequentemente, o desenvolvimento das mudas. No caso de doenças, a primeira atitude recomendada é a diminuição da irrigação e a remoção do sombreamento, caso as mudas ainda estejam sombreadas. Além disso, a eliminação imediata das plântulas doentes é outra medida a ser tomada. Caso venha a ser observado um ataque de insetos ou patógeno nas mudas do viveiro, é importante que o inseto ou patógeno seja devidamente identificado para que as medidas de controle sejam específicas, procurando-se métodos menos agressivos ao meio ambiente.

Em trabalhos realizados na Embrapa Agroindústria Tropical, foram observados, até o momento, ape­nas sintomas leves de antracnose (Colletotrichum gloeosporioides) em plantas de noni. No entanto, foi observada a morte de plantas adultas de noni, em virtude da associação entre nematoides-das-galhas (Meloidogyne incognita e M. javanica) e o fungo Lasiodiplodia theobromae (Figura 2). 



Figura 2. (A) Planta de noni doente em campo; (B) sistema radicular exibindo galhas; (C) fêmea adulta de M. javanica; (D) necrose em caule e ramos de noni causados pelo fungo L. theobromae.

A análise dos sistemas radiculares das plantas re­velou que a infestação pelos nematoides-das-galhas ocorreu, ainda, no estádio de muda, provavelmente em virtude do substrato arenoso utilizado já estar infestado com ovos e juvenis de segundo estádio. Mesmo que tenha sido um conhecido fitopatógeno, é provável que o fungo L. theobromae já estivesse associado às plantas, aproveitando-se de suas con­dições fisiológicas resultantes do ataque dos nema­toides. Portanto, fica evidenciada a necessidade de se ter muito cuidado com o preparo do substrato das mudas, com relação à infestação por nematoi­des, que podem ser controlados por meio da solari­zação do substrato, antes do plantio, ou mesmo por meio do tratamento do substrato com manipueira fresca.

Transplantio

O transplantio das mudas de noni para local definitivo deverá ocorrer entre 60 e 70 dias após a semeadura, quando apresentaram de quatro a seis pares de folhas definitivas (Figura 3). As mudas devem estar sadias e vigorosas. No momento do transporte, é indispensável tomar o máximo cuidado, transportando as mudas preferencialmente em veículo protegido contra o vento. O substrato não deve estar encharcado, nem seco. Além disso, é muito importante o cuidado com os danos aos sacos de mudas para evitar a exposição das raízes aos ventos e raios solares, que provocariam danos ao sistema radicular e, consequentemente, ao desenvolvimento inicial das plantas.

Figura 3. (A e B) Mudas de noni na fase inicial e (C e D) mudas de noni aptas para transplantio.





quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Fertirrigação da cultura da goiabeira

 

Introdução

A Irrigação teve avanço considerável nas últimas décadas, tanto no que diz respeito ao aprimoramento de novos métodos, quanto no incremento de novas áreas irrigadas. Dentre as vantagens da irrigação está aquela que possibilita utilizar este sistema como meio condutor e distribuidor de produtos químicos, como fertilizantes, inseticidas, herbicidas, nematicidas, reguladores de crescimento, simultanamente com a água de irrigação, prática conhecida como quimigação.

A fertirrigação é o mais eficiente meio de fertilização e combina dois fatores essenciais no crescimento e desenvolvimento das plantas: água e nutrientes. É definida como sendo a aplicação dos fertilizantes via água de irrigação. Sua introdução agrega vantagens como melhoria da eficiência e uniformidade de aplicação de adubo, desde que o sistema de irrigação também tenha boa uniformidade, possibilidade de redução na dosagem de nutrientes com a aplicação dos nutrientes no momento e na quantidade exatos requeridos pelas plantas, maior aproveitamento do equipamento de irrigação, menor compactação e redução dos danos físicos às plantas com a redução do tráfego de máquinas dentro da área, redução de contaminação do meio ambiente devido ao melhor aproveitamento dos nutrientes móveis no solo quando aplicados via irrigação localizada, diminuição da utilização de mão-de-obra, dentre outras. Esta técnica, quando utilizada racionalmente, pode proporcionar melhor desenvolvimento das goiabeiras e qualidade dos frutos, proporcionando aumento na competitividade do fruticultor.

Inserida no contexto da agricultura sustentável, a fertirrigação é o sistema mais racional de aplicação de fertilizantes. A possibilidade de distribuir os nutrientes em cada fase do desenvolvimento fenológico permite sincronizar o suporte nutricional no solo com a exportação realizada pela planta. Na fertirrigação, tanto a irrigação quanto a fertilização afetam o comportamento do vegetal, podendo os ajustes em um dos fatores determinar limites impostos pelo outro. Para se obter o desempenho vegetativo e reprodutivo ideal nas plantas via fertirrigação, todos os fatores que contribuem para o incremento da irrigação-fertilização devem ser balanceados de modo que nenhum deles imponha limite significativo.

Em contrapartida, há limitações ao emprego da fertirrigação, como a necessidade de conhecimentos técnicos dos adubos e cálculos das dosagens, treinamento de pessoal para manuseio dos adubos e injetores, danos ambientais com procedimentos inadequados, corrosão dos equipamentos de irrigação, toxidez ao agricultor, toxidade e queima das folhas das plantas, custo inicial elevado do sistema de irrigação e aumento das perdas de carga no sistema de irrigação.

Alguns fatores devem ser considerados para se ter uma fertirrigação adequada, como seleção adequada dos adubos e o seu parcelamento, a nutrição e a classificação das plantas, o tipo de solo, a qualidade da água, o tipo de injetor, a sua posição e a taxa de injeção, o tempo, a quantidade e a uniformidade de aplicação dos produtos na água de irrigação. Deve ser observada a relação custo/benefício em função da adoção desta técnica.

 Levantamento de informações para planejamento da fertirrigação

 Dados gerais da propriedade e históricos

Para o início do planejamento da fertirrigação, é fundamental a aquisição de todos os detalhes que possam ser fornecidos pelo proprietário ou pelo gerente agrícola da propriedade, como localização, área, identificação das culturas, localização das fontes de água e dados históricos de cultivos anteriores. Essas informações são de extrema importância para o engenheiro agrícola ou agrônomo delinear a execução do projeto.

Características químicas e físicas do solo

O conhecimento das condições químicas e físicas do solo, atuais e anteriores, orienta o engenheiro responsável sobre a evolução da estruturação do solo sob intensa prática agrícola e sua fertilidade. Com esta informação, é possível utilizar a fertirrigação para corrigir ou manter as condições atuais do solo, oferecendo ao cultivo, ambiente mais propício ao desenvolvimento.

O processo de fertirrigação é complexo, por envolver aspectos físicos, químicos e, principalmente, biológicos (Carrijo et al., 1999). Portanto, é necessário entendimento dos componentes que envolvem o processo para o aproveitamento de todos os benefícios da prática da fertirrigação.

Entre as análises requeridas para o solo, destaca-se a de fertilidade do solo, sendo que os fatores mais considerados são o pH, a condutividade elétrica, os teores de cálcio e magnésio trocáveis, a matéria orgânica e a CTC total.

De grande importância para a definição do sistema de irrigação, são a adubação de base, o tamanho da cova e o manejo da irrigação e fertirrigação. Deve ser feita também a análise textural do solo, com a determinação dos teores de argila, areia e silte. A determinação da curva de retenção de água no solo e a densidade determinam a capacidade de armazenamento de água, importante para fins de projeto e manejo.

Características químicas e biológicas da água de irrigação

A avaliação da qualidade da água a ser utilizada na irrigação das culturas é indispensável e de primordial importância, sobretudo quando se trata de projetos de irrigação ou exploração das áreas em regiões áridas e semi-áridas, visto que, na falta de informações relevantes para a qualidade da água e o manejo adequado, essas áreas podem se tornar improdutivas devido à salinização e sodificação, causando enormes prejuízos sócio-econômicos (Gheyi et al., 1995).

A qualidade da água influencia o processo de fertirrigação. A solubilidade dos fertilizantes altera-se em função de variações de pH e alguns nutrientes podem até se precipitar, quando combinados aos sais naturalmente presentes na água, exigindo controle da lâmina de irrigação e da concentração de nutrientes na calda de fertirrigação (Nielsen et al., 1995).

A amostragem da água para fins de irrigação deve ser representativa e observar alguns detalhes: se a fonte é poço, a amostra deve ser coletada depois da bomba e 30 minutos após seu funcionamento; no caso de lagos, rios ou reservatórios, as amostras deverão ser coletadaspróximas da sucção e abaixo da lâmina d’água. A qualidade das fontes de água está sujeita a variação sazonal. Portanto, deve ser analisada periodicamente (ao menos duas vezes no ano) (Campos, 2001).

Para a goiaba, a condutividade elétrica tolerável na solução do solo é de até 2,1 dS/m e de até 1,5 dS/m na água. Acima destes valores, pode haver decréscimo na produtividade (Ayers e Westcot, 1991).

Sistema de irrigação

A implantação e manutenção corretas dos sistemas de irrigação são condições básicas para o adequado fornecimento de fertilizantes via água de irrigação, aliadas ao dimensionamento preciso e à uniformidade de aplicação de água, respeitando-se condições específicas para melhor aproveitamento dos sistemas, como textura, densidade, permeabilidade, pH e condutividade elétrica do solo. A desuniformidade no fornecimento de água resulta em enormes variações na quantidade aplicada de fertilizantes na área com menor vazão de água, colocando a uniformidade de aplicação de fertilizantes como dependente direta da correta e uniforme aplicação de água.

Segundo Antunes & Bueno (2003), atualmente a fertirrigação é mais freqüentemente utilizada nos sistemas de irrigação localizada, como o gotejamento e microaspersão (Quadro 6).

A fertirrigação localizada é a que melhor distribui os adubos, contemplando maior número de raízes absorventes sob a copa, o que não se obtém com quaisquer outros sistemas de aplicação, exceto o LEPA e o de área total sob pivô (Antunes et al., 2001).

Quadro 6 – Diferenças entre sistemas de irrigação com relação à aplicação de fertilizantes

Características Localizada Aspersão Superfície

Uso da água Maior eficiência Maior eficiência Menor eficiência

Freqüência de aplicação Maior Menor Menor

Distribuição de água Homogênea Homogênea1 Não homogênea

Distribuição de adubo Próxima Às raízes Área total Varia na área

Variações climáticas Menor limitação Maior limitação Maior limitação

Qualidade da água Maior limitação Menor limitação Menor limitação

Solubilidade dos produtos Maior limitação Menor limitação Menor limitação

Desenvolvimento das raízes restrito Sem restrição Sem restrição

Caracterização da cultura da goiabeira e aspectos agronômicos

Para uma adequada programação da fertirrigação, são necessárias informações técnicas como variedade utilizada, profundidade média do sistema radicular na condição de cultivo, data de plantio, espaçamento e densidade de plantio, duração total do ciclo produtivo, duração média das fases da cultura e períodos de maior exigência nutricional, porcentagem de área sombreada por fase de desenvolvimento da cultura, época ou data da colheita, taxa de absorção de macro e micronutrientes e potencial de produtividade. Todas essas observações são importantes para o planejamento da fertirrigação.

A goiabeira (Psidium guajava L.), que pertence à família Myrtaceae, é um arbusto que pode chegar de 3 a 6 m de altura, quando conduzida sem poda. As folhas caem após a maturação.

O sistema radicular apresenta raízes adventícias primárias, que se concentram a uma profundidade de 30 cm do solo. Das raízes primárias, saem as adventícias secundárias, que podem chegar até 4 ou 5m, quando propagadas por semente, apresentando também raiz pivotante. Nas plantas propagadas por mudas de estaca, ocorrem apenas raízes secundárias, que não atingem grandes profundidades. Freqüentemente, a frutificação começa no 2° ou 3° ano após o plantio em local definitivo, quando o pomar é implantado por mudas propagadas por semente.Quando as mudas são feitas por enxerto ou estacas, as florações começam até 7 ou 8 meses após transplantio, devendo ser essa primeira florada eliminada, para não sacrificar as plantas neste estágio juvenil. Num trabalho realizado na Índia por Rathore, citado por Gonzaga Neto (2001), o fruto da goiabeira apresentou 3 períodos de crescimento distintos. O primeiro, de crescimento acelerado, inicia-se após a abertura das flores e prossegue por 45 a 60 dias, dependendo das condições climáticas. O segundo, mais lento, dura de 30 a 60 dias, quando ocorreu o amadurecimento e o endurecimento das sementes. No terceiro ocorre um crescimento exponencial do fruto, durando em torno de 30 dias. Para a variedade Paluma, no Vale do Submédio do São Francisco, 120 a 130 dias após a florada, colheu-se o fruto de vez. O tempo entre a poda e a colheita varia de 6 a 8 meses, dependendo do sistema de manejo adotado no pomar.

As variedades diferem entre si pelo formato da copa (eretas ou esparramadas), produtividade, época de produção (precoce, meia estação e tardia), número, tamanho e formatodo fruto, coloração da polpa (branca, rosada ou vermelha) e destino da produção (consumo in natura, doces, suco, etc., para mercado interno ou externo). Entre as variedades para consumo in natura de polpa branca, destacam-se as seguintes: 

Kumagai, Ogawa n° 1 branca, Iwao, White Selection of Florida e Pentecoste. De polpa vermelha: Ogawa n° 1, Ogawa n° 3, Rica, Paluma, Pedro Sato e Sassaoka. Para o mercado interno: Paluma, Rica, Pedro Sato e Sassaoka. Para exportação: Kumagai, Ogawa n° 1 branca, Iwao, White Selection of Florida e Banaras.

Os espaçamentos usados no Nordeste são retangulares de 8 x 5 m ou 6 x 5 m e quadrados de 5 x 5 m ou 4 x 4. Para frutas in natura, é comum usarem-se espaçamentos menores como 4 x 4 m e até 3 x 3 m. Para isso, o produtor tem que dominar bem as técnicas da poda de formação e frutificação, visando maior quantidade de árvores por área, menor quantidade de frutos e melhor qualidade.

Pomares não irrigados, quando bem conduzidos, produzem em média, a partir do 6° ano, de 20 a 60 kg/planta/ano. A média histórica de produção irrigada está acima de 120 kg/planta/ano. No Nordeste, a produção da goiabeira conduzida com poda e irrigação, além de apresentar uma elevada produtividade inicial, 10 t/ha após a primeira poda e 40 t/ha em produção plena, produz durante todo o ano.



domingo, 23 de agosto de 2020

Métodos recomendados na irrigação da Goiaba


Métodos recomendados
Em função das características atuais dos sistemas de produção, os métodos mais recomendados são a irrigação localizada e os sistemas de aspersão por pivô central, por permitirem maior eficiência no uso da água e outros insumos.
A escolha de qualquer método de irrigação depende de uma série de fatores, destacando-se o tipo de solo, a topografia e o tamanho da área, os fatores climáticos, os fatores relacionados ao manejo da cultura, o déficit hídrico, a capacidade de investimento do produtor e o custo do sistema de irrigação (Mantovani, 2001). Considerando o grande volume de água exigido na irrigação e a necessidade de otimizar a utilização, um dos aspectos importantes que está sendo analisado na escolha do método de irrigação é a eficiência como este irriga a cultura.
Dentre os métodos de irrigação, podem ser destacados a irrigação localizada (gotejamento e microaspersão), a aspersão subcopa com mangueiras e o pivô central, como os métodos mais recomendados para a cultura da goiabeira, sendo que ainda existem algumas áreas de fruticultura que utilizam irrigação por superfície, mesmo com as grandes perdas por percolação profunda.

2.2.1. Irrigação localizada
A água é aplicada diretamente sobre a região radicular, em pequena intensidade e alta freqüência, para manter a umidade próxima da ideal, que é a de capacidade de campo.
Gotejamento e microaspersão, mostrados nas Figuras 1 e 2, são os sistemas mais difundidos, sendo, o primeiro o mais antigo no Brasil (1972) e, o segundo, o mais recente (1982).
Diferem entre si quanto ao sistema de aplicação. No gotejamento, aplicam-se vazões menores, de 2 a 10 L/h, gota a gota, e na microaspersão, com vazões aplicadas de forma pulverizada, na faixa de 20 a 150 L/h. São de alto custo. Portanto, devem ser usados em culturas de alto retorno econômico, como café, tomate, morango, melão, pimenta do reino (gotejamento); abacate, citrus, guaraná, manga, seringueira e uva (microaspersão); banana, cacau, mamão, viveiro de frutíferas, de essências florestais, de plantas ornamentais e da cultura da goiaba (gotejamento e
microaspersão).
Existem sistemas alternativos de irrigação localizada, de custos bem mais baixos, não comerciais, que podem ser desenvolvidos na própria fazenda, como o sistema gravatinha.

Figura1 – Sistema de irrigação localizada com gotejadores do tipo alternativo.
Figura 2 – Irrigação localizada por microaspersão na cultura da mangueira

Os industrializados, antigamente eram comercializados em pacotes completos, ou seja, os componentes isolados de cada fabricante não podiam ser adquiridos para compor um projeto.
Atualmente, devido à grande expansão do mercado de equipamentos, é possível compor um projeto com distintos equipamentos e fabricantes.
São vantagens da irrigação localizada:
- controle rigoroso da quantidade d'água a ser fornecida para a planta;
- baixo consumo de energia elétrica;
- possibilidade de funcionamento 24 horas por dia;
- elevada eficiência de aplicação d'água;
- manutenção da umidade próxima à da capacidade de campo;
- menor desenvolvimento de ervas daninhas entre linhas de plantio;
- facilidade de distribuição de fertilizantes e outros produtos químicos junto à água de irrigação;
- pouca mão-de-obra e facilidade de automação e
- possibilidade de uso de água

São desvantagens:
- entupimento (principalmente para o gotejamento);
- exigência de filtragem altamente eficiente e
- alto custo inicial.

Um sistema completo de irrigação localizada consta de conjunto motobomba, cabeçal de controle, linhas de tubulações (de recalque, principal, secundária e lateral), válvulas e emissores (gotejadores ou microaspersores).
O conjunto motobomba é normalmente de menor potência em virtude das pequenas alturas manométricas e das pequenas vazões do sistema.

2.2.2. Aspersão convencional com mangueiras flexíveis
As mangueiras são utilizadas conectadas às linhas laterais em uma extremidade e ao aspersor na outra (Figura 3). Este é sustentado por um tripé, em sua outra ponta, de modo que, com uma posição montada de linha lateral, é possível se fazerem três posições de irrigação: à direita da linha lateral montada, sobre a linha lateral e à sua esquerda. Para isso, as mangueiras a serem utilizadas no processo devem ter o comprimento correspondente ao espaço entre as linhas laterais.

Figuras 3 – Sistema de irrigação do tipo aspersão convencional com mangueiras flexíveis implantado nas culturas da bananeira e da goiabeira
Figura 4 – Irrigação por aspersão convencional sub-copa na cultura da goiabeira

As grandes vantagens do sistema com mangueiras flexíveis, comparadas com a aspersão convencional utilizada tradicionalmente (Figura 4), são:
- Diminuição do número de mudanças da linha lateral, havendo possibilidades em alguns
casos, principalmente quando o produtor possuir linhas de espera, de o sistema tornar-se
fixo ou semifixo;
- Redução no tempo de mudança de posição dos aspersores e diminuição da necessidade de mão-de-obra para executar tais mudanças;
- Possibilidade de obtenção de uma melhor uniformidade de aplicação de água em culturas arbóreas (banana, goiaba, etc.) irrigadas por sub-copa, devido à maior maleabilidade dos aspersores, que podem ser mais bem posicionados entre as plantas e, conseqüentemente, propiciarem uma melhor distribuição de água para a cultura; 
- Facilidade de adaptação do sistema com mangueiras a um sistema de aspersão convencional comum e
- Não afeta em nada qualquer tipo de aplicação de produtos químicos, via água de irrigação.

Como desvantagens podem-se citar:
- Dificuldades de encontrar no mercado, mangueiras com preços que possibilitem economicamente a sua utilização e, ao mesmo tempo, que sejam duráveis sob condições de arraste constante, exposição ao sol e à umidade;
- Limitação do comprimento das mangueiras a serem utilizadas, uma vez que esta característica é diretamente proporcional ao aumento da altura manométrica do sistema, implicando assim em um impacto no conjunto motobomba e
- Uso restrito em culturas rasteiras, já que o arraste da mangueira no solo pode danificar as plantas, principalmente na época da floração.
É um sistema que vem sendo amplamente utilizado, principalmente nas culturas da banana e goiaba, tendo o equipamento desempenho satisfatório no campo, além de uma grande aceitação por parte dos produtores.

2.2.3. Pivô central
É o equipamento que mais tem sido utilizado, no Brasil. O sistema consiste em uma linha lateral de aspersores montada sobre armações com rodas, denominadas torres, com uma extremidade fixada em uma estrutura piramidal (ponto pivô) no centro da área e a outra movendo-se em torno do ponto pivô, durante a operação. 

Na Figura 5, está apresentado o equipamento de pivô central nas culturas da laranja e do mamão.

O pivô central apresenta as seguintes vantagens:
- Opera com mão-de-obra reduzida;
- Logo que termina uma passagem, a linha lateral já se encontra na posição inicial da próxima;
- Obtém-se elevada uniformidade de aplicação d'água quando bem dimensionado;
- Viabiliza a irrigação de grandes áreas e
- fácil manejo, operacionalmente.
- Excessiva precipitação na periferia do equipamento, podendo provocar escoamento
superficial;

As desvantagens são:
- Exige área totalmente livre de edificações, árvores, canais, etc., e
- Exige mão-de-obra especializada no manejo, manutenção e reforma.

Um pivô central é constituído pela central de comando e pelos sistemas adutor e de condução de água, sistema estrutural, sistema de movimentação e sistema de aplicação. O sistema adutor é composto pelo conjunto de sucção completo, motobomba, acessórios e tubulações de recalque. Normalmente, a potência do conjunto motobomba é elevada em virtude do tamanho da área irrigada. A tubulação de recalque é enterrada para não limitar o deslocamento das torres do pivô central e pode ser constituída dos seguintes materiais: aço zincado, ferro fundido, PVC e fibrocimento.
O sistema central de comando é composto pela torre central no ponto pivô e pelo sistema de controle geral do pivô central. A torre central é de forma piramidal, de base quadrada com 3 m de lado e 3,70 m de altura, montada sobre uma base de concreto armado. Pelo seu centro, sobe a tubulação que liga a adutora à tubulação aérea do equipamento, tendo normalmente, neste ponto, um manômetro para monitorar a pressão no ponto pivô. Nessa estrutura, é instalado o painel geral de controle do equipamento, de onde se comandam a velocidade, sentido de rotação, motobomba, todos os comandos elétricos, bomba injetora de produtos químicos, canhão final do pivô e sistema de segurança.
A linha lateral é de aço zincado, com diâmetro de 144 a 200 mm, sendo comum, na maioria dos equipamentos, o uso do diâmetro de 166 mm. A tubulação, além de conduzir a água, faz parte da estrutura do equipamento e fica suspensa sobre torres metálicas equipadas com pneus, sustentadas por treliças ou cabo-de-aço, fazendo a ligação entre torres, montadas a uma altura prefixada do solo, ficando um vão livre em torno de 2,80 m para a maioria das culturas ou 3,80 m para culturas de porte mais elevado, como cana-de-açúcar e mamão.

2.3. Manutenção e conservação dos sistemas de irrigação
A eficiência da aplicação de água depende em grande parte, de uma adequada manutenção do sistema de irrigação. Por manutenção, entendem-se todas as etapas que visem manter o equipamento ou a estrutura implementada em condições de funcionamento adequado.
Canais, drenos, tubulações, motobomba, aspersores, gotejadores, sistema de movimentação e outros componentes apresentam desgastes e alterações que exigem acompanhamento ao longo do tempo e, no momento oportuno, devem-se substituir os componentes e ajustar as estruturas. Não existem recomendações gerais para um plano de manutenção, principalmente pela quantidade de sistemas de irrigação e pela grande variabilidade de condições de funcionamento. Equipamentos mais complexos, como o pivô central ou o autopropelido, vêm acompanhados de manuais que especificam a manutenção periódica e contêm informações que devem ser ajustadas às condições, nas quais são utilizados.
Na irrigação pressurizada (aspersão e localizada) é necessário o sistema de bombeamento proporcionar água em quantidade e pressão compatível com o sistema utilizado. Para isso, é necessário avaliar o funcionamento do motor e da bomba, substituindo e ajustando os componentes com problemas. As tubulações não devem perder água nas junções e as possíveis ocorrências devem ser imediatamente eliminadas. As juntas de borracha, presentes nas conexões das tubulações, não devem ressecar e, no período em que o sistema estiver parado, as tubulações devem ser guardadas em locais onde as borrachas fiquem protegidas da incidência direta dos raios solares.
Os componentes responsáveis pela distribuição da água (aspersores, difusores, gotejadores e microaspersores) devem ser permanentemente observados. A substituição ou a recuperação daqueles que apresentam problemas promove ganhos significativos de uniformidade.
Um outro aspecto da manutenção do sistema é o aumento dos cuidados em função de sua quimigação. Primeiramente, pela ação corrosiva de muitos dos produtos químicos aplicados, os quais podem comprometer a durabilidade do equipamento de irrigação e, em segundo lugar, pelos cuidados especiais com o manejo e o funcionamento da irrigação durante a aplicação do produto químico. Neste caso, é importante que nenhuma etapa da manutenção do sistema, como eliminação de fugas, troca de aspersores, gotejadores ou microaspersores defeituosos, adequação e ajuste da pressão, seja esquecida. Sintetizando, a implementação de programas de manutenção preventiva e corretiva, fundamental para se obter um manejo cada vez mais adequado da irrigação, vem proporcionar também uma maior eficiência na quimigação.
A vida útil de qualquer sistema de irrigação depende em primeiro lugar, de um manejo correto do sistema e de uma manutenção preventiva dos equipamentos que o compõem.
O manejo dos equipamentos de um conjunto de irrigação deve ser executado de modo a mantê-los o maior tempo possível na sua forma original, sem deformações, rachaduras, trincas e
outros danos, os quais podem provocar vazamentos que, além de reduzir a vida útil, ainda
comprometem a eficiência do sistema.
Deve-se ter cuidado para não expor estes equipamentos a intempéries desnecessariamente, como deixá-los expostos ao sol, chuva e vento, quando estes não estiverem em funcionamento. Nas situações, onde a exposição a fatores adversos for inevitável (irrigação com água salina) ou mesmo necessária (caso da quimigação) deve-se seguir à risca, todas as instruções recomendadas para evitar o desgaste dos equipamentos.
A atenção deve ser dirigida também no sentido de se reduzir ao mínimo, a necessidade de reposição de peças, de modo a tornar os sistemas menos onerosos.
Os sistemas de irrigação, de um modo geral têm exigências particulares quanto ao seu manejo, em função da maior ou menor complexidade tecnológica envolvida. Quanto maior a complexidade do sistema, mais equipamentos são necessários e, portanto, tem-se maior custo,
como ocorre com os sistemas do tipo pivô central. Para estes sistemas, existem manuais de recomendações fornecidos pelos próprios fabricantes.
Os sistemas convencionais, apesar de fazerem uso de uma tecnologia mais simples, exigem cuidados especiais, pois neles ocorre a maior interferência do irrigante. Portanto, não sendo adequadamente manejados, não cumprirão seu objetivo principal, que é o de irrigar de forma eficiente a maior área, com o menor custo. Os sistemas de laterais com movimentaçãomanual  exigem um contato ainda maior com o irrigante, em função de sua própria composição.
Os cuidados para o manejo adequado do sistema aspersão convencional devem ser tomados com relação a todos os equipamentos que formam o corpo do sistema (motobomba, tubulações, etc.). Ao colocar a motobomba em funcionamento, deve-se verificar se ela está escorvada e se o registro da linha de recalque está fechado para não sobrecarregar o motor. Tão
logo a bomba atinja a velocidade normal de funcionamento, o registro deverá ser aberto lentamente. Processo inverso, isto é fechamento lento do registro deve ser feito antes de desligar o motor. Os tubos devem ser mantidos alinhados para evitar maior esforço nas juntas de vedação.
Nos casos em que as linhas forem desmontadas, evitar a exposição das peças ao sol, para que estas não se ressequem e percam sua função. As partes submetidas a desgastes como aspersores giratórios, bocais e juntas de vedação deverão ser examinadas periodicamente e, se necessário, substituídas.
A manutenção refere-se às operações de conservação, para o bom desempenho dos sistemas, evitando o desgaste prematuro das peças. A aspersão convencional é uma tarefa muito simples de ser realizada e refere-se praticamente à manutenção do sistema motobomba.
Para os sistemas motobomba com motor a explosão, a manutenção consiste na limpeza do filtro de ar, troca do óleo lubrificante e filtro de óleo do motor. Estas trocas devem ser realizadas no momento e nas proporções recomendadas pelos fabricantes. Para as bombas, deve-se ter o cuidado de verificar o nível do óleo lubrificante, completando-o sempre que necessário; raramente há necessidade de substituição deste óleo. A drenagem da voluta da bomba é uma operação de manutenção que só deve ser realizada quando a bomba não vai ser utilizada por um longo período.
Os sistemas de irrigação localizada (gotejamento e microaspersão) variam com as peculiaridades de cada tipo e concepção, sendo em princípio, semelhantes. A composição de um sistema de irrigação por gotejamento pode ser considerada como um modelo básico desse
método de irrigação.
A irrigação localizada é um sistema fixo e se fundamenta na passagem de pequena vazão em orifícios de diâmetro reduzido de estruturas especiais chamadas de emissores. Estes são adaptados a tubulações de plástico, colocados ligeiramente acima, juntos ou imediatamente abaixo da superfície do solo. A filtragem da água (para evitar entupimento dos microaspersores e gotejadores), a possibilidade de aplicação de fertilizantes na água de irrigação, o controle volumétrico e o fornecimento de água sob pressão necessária são realizados pelo cabeçal de controle, que recebe o líquido da fonte de abastecimento através de tubulação de recalque, impulsionado por um conjunto motobomba.


segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Métodos de Irrigação para a cultura da goiabeira


A irrigação visa, sobretudo, suprir as necessidades hídricas das plantas. Não funciona em separado, mas integrada outras práticas agrícolas de forma a beneficiar a cultura e o produtor em particular. É necessária em regiões onde o regime pluvial não atende às necessidades das plantas durante todo o seu ciclo ou em parte dele, permitindo ampliar o tempo de exploração, o número de colheitas ou ainda melhorar a produção já existente (Simão, 2002).
O uso correto da irrigação é fator determinante para o sucesso do produtor, em especial no caso da fruticultura irrigada, que envolve altos custos e conseqüentemente possui maior risco associado à atividade. Deve-se destacar, portanto, a importância da escolha correta do método de irrigação a ser utilizado, da realização criteriosa do projeto, da utilização de equipamentos de boa qualidade (que atendam às especificações para as quais foram projetados), dos cuidados durante a implantação do sistema, da correta manutenção do mesmo e na determinação correta do momento de aplicação da água e de produtos químicos que eventualmente podem ser aplicados pelo sistema. Vários métodos podem ser escolhidos com base na viabilidade técnico-econômica e benefícios sociais advindos de seu uso.

2.1. Aspectos gerais dos métodos
As diversidades edafoclimáticas, econômicas e sociais das regiões brasileiras possibilitam o uso dos diferentes sistemas de irrigação, que podem ser agrupados em três grandes métodos.

Irrigação por superfície
A água é aplicada ao perfil no solo, utilizando sua própria superfície para condução e infiltração, podendo ser por sulco, por faixa, por inundação ou subterrânea (subirrigação).

Irrigação por aspersão
A água é aplicada no solo sob a forma de chuva artificial, por fracionamento de um jato de água, em grande número de gotas que se dispersam no ar e caem sobre a superfície do terreno ou do dossel vegetativo. Destacam-se, nesse grupo, os sistemas convencionais, ramal rolante, montagem direta, autopropelido, pivô central e o linear.

Irrigação localizada
A água é aplicada na superfície ou subsuperfície do solo, próximo à planta, em pequenas intensidades e com grande freqüência. São utilizados sistemas de filtragem e de pressurização, tubulações para condução da água e gotejadores ou microaspersores, que irão constituir os dois sistemas: um de gotejamento e outro de microaspersão.

2.2. Seleção adequada do sistema de irrigação para a cultura da goiabeira
Um projeto de irrigação para a cultura da goiabeira deve contemplar, de forma integrada, entre vários aspectos, os seguintes: definição de um sistema de irrigação, elaboração de um planejamento baseado em estudos básicos da área, plano de exploração agrícola, conhecimento da infraestrutura disponível na área, previsão do manejo da irrigação e comportamento do sistema radicular.
A implantação de um projeto mal concebido poderá trazer sérios problemas para a sua operacionalização, podendo até inviabilizá-lo, futuramente. Devem-se levar em conta, as características físicas e químicas do solo e da água, as condições climáticas e o nível de tecnologia a ser adotado nos cultivos.
É muito importante ficar bem claro que não há propriamente um método de irrigação mais eficiente que outro para quaisquer condições: há um método que se adapta melhor. Devese, então, primeiramente, estudar bem as características da cultura e da área que se quer irrigar e, depois, escolher o método que melhor se adapte a essas características. O manejo da irrigação, juntamente com o método empregado, influencia em grande parte o aumento da produção em associação, logicamente, com a combinação favorável da cultura e do solo.
A escolha de um dos métodos citados deve ser baseada na viabilidade técnica e econômica do projeto, bem como dos benefícios sociais advindos. O processo é complexo e exige conhecimentos relativos ao solo, à topografia, à planta, à água, ao clima, ao manejo, à energia e aos custos, entre outros fatores.
Não há um método melhor que outro, mas sim um método que facilite o manejo da cultura. Por exemplo, culturas que exigem tratamento fitossanitário permanente não deveriam ser irrigadas por métodos que promovem a lavagem da parte aérea, pois acarretam custos mais elevados e provocam danos ao meio ambiente. Como os métodos localizados se caracterizam pela grande freqüência de irrigação, o solo se mantém com umidade próxima à capacidade de campo, favorecendo a absorção e a evapotranspiração das plantas, garantindo, portanto, o seu desenvolvimento.
Quanto ao clima, a principal limitação é o vento, o qual afeta os sistemas em que a água é lançada ao ar, como a aspersão e a microaspersão (na fase inicial). Em regiões em que a velocidade do vento é maior que 5 m/s, as perdas por arrastamento são elevadas. Se, associado ao vento, há uma umidade relativa baixa e temperaturas elevadas, as perdas são maiores e restringem-se os métodos citados, a menos que se irrigue em períodos de menor intensidade dessas variáveis.

2.3. Métodos recomendados
Em função das características atuais dos sistemas de produção, os métodos mais recomendados são a irrigação localizada e os sistemas de aspersão por pivô central, por permitirem maior eficiência no uso da água e outros insumos.
A escolha de qualquer método de irrigação depende de uma série de fatores, destacandose o tipo de solo, a topografia e o tamanho da área, os fatores climáticos, os fatores relacionados ao manejo da cultura, o déficit hídrico, a capacidade de investimento do produtor e o custo do sistema de irrigação (Mantovani, 2001). Considerando o grande volume de água exigido na irrigação e a necessidade de otimizar a utilização, um dos aspectos importantes que está sendo analisado na escolha do método de irrigação é a eficiência como este irriga a cultura.
Dentre os métodos de irrigação, podem ser destacados a irrigação localizada (gotejamento e microaspersão), a aspersão subcopa com mangueiras e o pivô central, como os métodos mais recomendados para a cultura da goiabeira, sendo que ainda existem algumas áreas de fruticultura que utilizam irrigação por superfície, mesmo com as grandes perdas por percolação profunda.


terça-feira, 28 de julho de 2020

Importância da irrigação para a cultura da goiabeira


1. Introdução:
A agricultura irrigada tem sido uma importante estratégia para otimização da produção mundial de alimentos, gerando desenvolvimento sustentável no campo, com geração de empregos e renda de forma estável. Atualmente, mais da metade da população mundial depende de alimentos produzidos em áreas irrigadas.
A irrigação não deve ser considerada isoladamente, mas sim como parte de um conjunto de técnicas utilizadas para garantir a produção econômica de uma determinada cultura, com adequados manejos dos recursos naturais, devendo ser levado em conta os aspectos de sistemas de plantios, de possibilidades de rotação de culturas, de proteção dos solos com culturas de cobertura, de fertilidade do solo, de manejo integrado de pragas e doenças, mecanização, etc., perseguindo-se a produção integrada e a melhor inserção nos mercados.
No conceito antigo, a irrigação era vista como uma técnica que visava basicamente a luta contra a seca. Em uma visão mais atual, dentro de um foco empresarial do agronegócio, a irrigação é uma estratégia para aumento da rentabilidade da propriedade agrícola pelo aumento da produção e da produtividade, de forma sustentável, preservando o meio ambiente e com maior geração de emprego e renda, dando enfoque para as cadeias produtivas.
Sem dúvida, esse conceito de irrigação necessita de um programa muito bem elaborado de pesquisa e desenvolvimento para o seu estabelecimento e durabilidade. Assim, o futuro da irrigação envolve produtividade e rentabilidade com eficiência no uso da água, da energia e dos insumos, bem como com respeito ao meio ambiente.
A importância da irrigação pode, portanto, ser sintetizada nas seguintes vantagens:
- Seguro contra secas que ciclicamente ocorrem estiagens mais prolongadas em regiões, sejam elas de clima árido, semi-árido ou úmido. A irrigação permite segurança na safra,
independentemente desse problema.
- Melhor produtividade das culturas, aumentando o rendimento da área cultivada e propiciando condições para mais de uma colheita numa mesma área, ou seja, uso intensivo do solo.
- Melhor qualidade de o produto, em virtude do metabolismo vegetal ocorrer em condições mais favoráveis.
- Possibilidade de fazer um programa de cultivo com colheitas fora da época normal. Com o auxílio da irrigação, pode-se antecipar ou atrasar a safra de certas culturas, o que proporciona melhores cotações no mercado.
- Maior eficiência no uso de fertilizantes.
- Introdução de culturas caras, minimizando o risco do investimento.

De forma geral, a busca desses resultados positivos tem sido importante, mas limitada, pois tem sido focada no ponto de vista da Engenharia, negligenciando o Manejo. Mesmo considerando a melhoria dos sistemas modernos de irrigação, com maior eficiência de distribuição da água nas mais diversas situações, a falta de um programa de manejo pode levar tudo a perder: seja pela aplicação em excesso (mais comum) ou em falta, antes ou depois do momento adequado para cada fase da cultura e situações vigentes.

1.1. Importância da irrigação para a cultura da goiabeira
O Brasil, por sua grande diversidade edafoclimática, apresenta condições ideais para a agricultura e, em particular, para a fruticultura, com potencial para atender aos mercados interno e externo. Nos últimos anos, tem havido considerável expansão da fruticultura irrigada, em pólos regionais como Juazeiro (BA), Petrolina (PE), Janaúba e Jaíba (MG), além de outros locais sem tradição anterior no cultivo de fruteiras.
No mundo inteiro, a agricultura irrigada está se profissionalizando em níveis nunca vistos. A fruticultura vem, cada vez mais, ocupando lugar de destaque no complexo agroindustrial, seja pelo aumento do consumo interno e das exportações, seja por sua importância social na geração de empregos, ou ainda, pelo crescimento da rentabilidade dos pequenos e médios produtores.
O desafio é produzir mais, melhor e com menores custos, oferecendo aos clientes e consumidores, produtos de qualidade a preços competitivos. Portanto, o irrigante que desejar ter sucesso precisa assumir o papel de empresário rural, atuando profissionalmente em toda a cadeia produtiva do agronegócio, desde a aquisição de insumos, produção, pós-colheita, beneficiamento e processamento até a distribuição, seja de forma isolada ou através de cooperativas.
Existem no Brasil cerca de 2,5 milhões de hectares ocupados com produção de frutas, com uma produção acima de 30 milhões de toneladas. A fruticultura, considerada importante fator de desenvolvimento econômico e social, gera, direta e indiretamente, milhares de empregos.
Vale ainda ressaltar que a fruticultura brasileira é uma das mais importantes do mundo.
Além de ser o maior produtor de frutas cítricas, o país ocupa posição destacada como produtor de frutas tropicais, como banana, manga, mamão, abacaxi, caju, maracujá e goiaba, que é o foco deste trabalho.
Só na região Nordeste há mais de 5000 ha cultivados com goiaba, com uma tendência de crescimento, principalmente nos pólos de agricultura irrigada, como Petrolina e Juazeiro. A expansão se deu devido a vários aspectos, destacando-se: substituição do cultivo da bananeira (doenças e outros problemas), rapidez do retorno dos investimentos aplicados e possibilidade de várias formas de aproveitamento dos frutos como doces, sucos, polpas e consumo da fruta in natura.
A goiabeira cultivada com irrigação e com poda, além de apresentar níveis de produtividade elevados (40 a 50 t/ha/ano), produz durante todo o ano. Essa característica possibilita ao produtor não só comercializar sua produção como fruta fresca nos grandes centros consumidores locais, como também permite buscar mercados mais distantes, inclusive o mercado de exportação. Para a exportação, assim como para um mercado interno cada vez mais exigente, exige-se um padrão de qualidade muito superior ao padrão da fruta destinada ao mercado local e à indústria, só alcançado em culturas tecnificadas e formadas com variedades
selecionadas, de acordo com o mercado que se deseja atingir (Gonzaga Neto, 1990).
A fruticultura, como no caso da cultura da goiabeira, tem sido uma das atividades agrícolas que mais tem demandado conhecimentos relativos à irrigação, principalmente devido à utilização de fruteiras de alto valor econômico. A utilização de irrigação também é uma estratégia dos fruticultores para reduzir os riscos associados à atividade.
O conhecimento das necessidades hídricas e nutricionais de máxima eficiência econômica para as culturas é indispensável para a obtenção de sucesso no empreendimento frutícola, pois a água e os nutrientes são os fatores que mais limitam o rendimento da planta (Ruggiero et al., 1996). Neste contexto, sanar tais problemas significa possibilitar o aumento da produtividade, da qualidade dos frutos, da margem de lucro do produtor e da competitividade nos mercados nacionais e internacionais.
Entretanto, para que as técnicas de irrigação e fertilização sejam bem sucedidas, é desuma importância, o seu manejo adequado, visando maior competitividade econômica e sustentabilidade ambiental, exigidas por um mercado globalizado e consciente da necessidade de preservação do meio ambiente, idéias em sintonia com o lema da tecnologia: produzir o máximo e com qualidade, no menor intervalo de tempo, com menor investimento possível e com o mínimo impacto ambiental.





segunda-feira, 13 de julho de 2020

Irrigação na Goiabeira


Apesar de ser considerada uma planta que tolera a seca, a goiabeira, quando irrigada, apresenta um aumento significativo da produtividade. A irrigação, aliada a outras técnicas de manejo, proporciona a colheita de duas safras anuais, sendo possível, também, ajustar a época da colheita de acordo com os períodos de maior demanda de mercado.
A prática da irrigação consiste no fornecimento de água às culturas, de maneira adequada e em quantidade suficiente para atender às necessidades hídricas das plantas, em suas diferentes fases de desenvolvimento.
De modo geral, a cultura da goiaba adapta-se a diversos sistemas de irrigação, mas a irrigação localizada facilita o manejo de água. Esta pode ser feita por meio de microaspersão ou por gotejamento, que são sistemas que fornecem água no volume de solo explorado pelas raízes das plantas, reduzindo, dessa forma, a quantidade de água a ser aplicada e evitando as perdas por excesso de água. No caso da goiabeira, a irrigação por microaspersão é a mais indicada, tendo em vista a área explorada pelo sistema radicular da planta e o volume de água consumido diariamente.
A demanda de água pela planta varia de acordo com o tipo de solo, a época do ano e as diferentes fases de desenvolvimento da cultura: crescimento vegetativo, floração, frutificação e maturação dos frutos. Na avaliação da quantidade de água a ser aplicada em cada irrigação, devem ser considerados outros fatores, como: profundidade efetiva do sistema radicular (profundidade do solo onde se encontram cerca de 80% das raízes), capacidade de armazenamento de água no solo e demanda atmosférica. A profundidade efetiva do sistema radicular da goiabeira situa-se em torno de 0,4 m no primeiro ciclo (formação do pomar) e em torno de 0,8 m do segundo ciclo em diante (plena produção).
Pode-se estimar a quantidade de água requerida pela planta por meio da evapotranspiração de referência (ETo, em mm). Para saber a evapotranspiração de uma determinada cultura (ETc, em mm), multiplica-se a ETo por um coeficiente de cultivo (Kc). Em seu primeiro ciclo, a goiabeira tem um Kc médio em torno de 0,40 até o florescimento, e de 0,65 do florescimento em diante. No segundo ciclo, os valores de Kc podem ser: de 0,70 para o período entre a poda e o crescimento vegetativo; de 0,75 para o período de florescimento, de queda fisiológica e de crescimento dos frutos; e de 0,70 para o período de maturação e de colheita.
O resultado encontrado (ETc), dividido pela eficiência de aplicação do sistema (Ea), resulta na lâmina bruta de água (mm) que deve ser fornecida à planta, como pode ser visto no seguinte exemplo:

ETc = ETo (9,0) x Kc (0,75) = 6,75 mm
Lb = 6,75 mm / 0,9 = 7,5 mm

Também é possível estimar a quantidade de água a ser aplicada, através da evaporação do tanque Classe “A”, conforme o exemplo a seguir, em que a lâmina bruta de irrigação é calculada por meio da seguinte expressão:

Lb = kp x Kc x Ev x Am x Fr
CUC

Lb = Lâmina bruta (L/planta/dia)
Kp = Coeficiente de tanque (0,75)
Kc = Coeficiente de cultivo (0,75 para o período de florescimento, de queda fisiológica dos frutos e de crescimento dos frutos).
Ev = Evaporação do tanque Classe “A” (9,0 mm).
Am = Área molhada pelo sistema de irrigação por planta em m² (13 m²).
Fr = Frequência de irrigação (1 dia).
CUC = Coeficiente de uniformidade de aplicação da irrigação (0,90).
Lb = 0,75 x 0,75 x 9,0 x 13 x 1 0,90
Lb = 73,13 L/planta/dia
A irrigação localizada permite o emprego da fertirrigação, que consiste na aplicação de fertilizantes por meio da água de irrigação. Esse método apresenta as seguintes vantagens em relação aos métodos convencionais de aplicação de adubo:
• Maior aproveitamento do equipamento de irrigação.
• Aplicação dos nutrientes no momento certo e na quantidade exata requerida pelas plantas.
• Menor necessidade de mão de obra para a realização das adubações, pois aproveita praticamente o mesmo trabalho requerido para fazer as irrigações.
• Menor compactação do solo, graças à redução do tráfego de máquinas dentro da área, o que é comum quando se utilizam métodos tradicionais de adubação.
• Menores danos físicos provocados às culturas, em razão dos motivos citados anteriormente, evitando, assim, derrubada de flores, frutos e galhos das plantas, o que pode reduzir a incidência e a propagação das pragas e doenças.
• Maior eficiência de aplicação de micronutrientes em comparação com a aplicação manual, considerando a dificuldade de regular, apenas com o uso das mãos, as pequenas doses do produto aplicado.
• Aumento da produtividade e da qualidade comercial dos frutos.
• Uniformidade de distribuição dos adubos.

Entretanto, é importante ressaltar que a prática da fertirrigação exige conhecimentos técnicos sobre os tipos de adubo a serem utilizados e sobre o cálculo das dosagens. Além disso, a fertirrigação pode causar corrosão aos equipamentos e aumentar as perdas de carga no sistema de irrigação.
No sistema de fertirrigação, o injetor tipo Venturi, que é um dispositivo de polipropileno ou PVC, é utilizado para aspirar a solução de produtos químicos e incorporá-lo à água de irrigação (Figura 4).
É preciso lembrar que existem outros tipos de injetores, como os elétricos e os hidráulicos.

Figura 4. Esquema de montagem de um injetor do tipo Venturi.

A aplicação de fertilizantes via água de irrigação compreende três etapas.
Primeira: ativar o sistema durante 15 a 20 minutos para equilibrar, hidraulicamente, as subunidades de rega. Segunda: injetar o fertilizante no sistema de irrigação, por meio de equipamentos apropriados. Terceira: começar a fertirrigação até completar o tempo total de irrigação, visando à distribuição dos fertilizantes, à lavagem do sistema de irrigação e ao carreamento dos fertilizantes para as camadas do solo com maior concentração de raízes. Esse tempo deve ser suficiente para a água percorrer desde o ponto de injeção de fertilizantes até o último emissor da parcela irrigada que estiver localizada mais distante do injetor de fertilizante.