O Plano de Manejo da Produção Orgânica é um registro obrigatório na produção orgânica e, permitenos ter uma visão da propriedade como um todo, fazer uma reflexão sobre onde vai ser feito o plantio, o tamanho dessa área, planejar as cercas vivas a serem construídas assim como onde os produtos serão vendidos, para quem e em que quantidade!
O Plano de Manejo da Produção Orgânica para produção vegetal deve conter um mapa, croqui ou foto aérea da propriedade identificando as coordenadas norte-sul, as edificações da propriedade, as glebas orgânicas, convencionais e/ou extrativistas, conforme o caso. Deve informar características geográficas importantes, bem como as áreas de preservação permanente, reserva legal e fontes de água identificadas no Cadastro Ambiental Rural –CAR.
Um cuidado adicional exigido é a identificação dos vizinhos e de seu cultivo de forma a permitir a avaliação de riscos da área orgânica.
Para mais informações, consulte uma empresa Certificadora ou a Organização de Controle Social a qual estiver associado. O site do Ministério de Agricultura (www.agricultura.gov.br) disponibiliza gratuitamente o Caderno do Plano de Manejo Orgânico (link encurtado: ow.ly/LQLK305BEAt), o qual pode ser baixado e multiplicado livremente, desde que não seja para venda ou qualquer outro fim comercial (Figura 1).
PLANO DE MANEJO DA PRODUÇÃO ORGÂNICA É OBRIGATÓRIO POR LEI E DEVE CONTER INFORMAÇÕES QUE DEEM UMA VISÃO DA PROPRIEDADE COMO UM TODO.
O Plano de Manejo da Produção Orgânica pode ser elaborado enquanto cresce(m) a(s) espécie(s) plantada(s) na cerca viva e aguardamos o retorno do resultado da análise química do solo enviado para o laboratório, temas que serão abordados mais adiante.
5.2 - DEFINIÇÃO DO TAMANHO DA ÁREA DE PLANTIO
Para definir o tamanho e local da área onde será feito o cultivo do morango orgânico, é necessário fazer uma avaliação criteriosa da capacidade produtiva do empreendimento assim como das vendas a serem realizadas!
Dimensionar o tamanho da área de plantio do morango orgânico, considerando a disponibilidade de mão de obra para cuidar do cultivo também é fundamental. Isso porque praticamente todas as atividades que envolvem a cultura do morango são realizadas manualmente, exigindo o trabalho de pessoas nos tratos culturais, colheita e embalagem.
Ainda há um agravante que deve ser levado em consideração: a colheita exige muito esforço físico por ser realizada com o corpo inclinado, não sendo aconselhado para pessoas que tenham histórico de problemas na coluna.
Estudos da ergonomia desse processo produtivo feitos com agricultores, aliados à carência de recursos humanos na área rural, têm levado alguns agricultores rurais a elevarem a altura dos canteiros, de 30 a 40 cm (Figura 2), para que se tenha uma boa drenagem e minimize o desconforto na operação de colheita.
Figura 2 -Estudos de ergonomia realizados em uma propriedade rural no município de Ibiúna/SP, com a elevação dos canteiros de produção.
Um outro aspecto a ser considerado no plantio do morango refere-se ao terreno, que deve ser apropriado para que esses canteiros possam ser levantados.
5.3 - PRIMEIRO VENDER, DEPOIS PRODUZIR
A procura por morango orgânico é maior do que a oferta, mas já definiu como seus morangos serão vendidos?
Apesar de a pergunta parecer prematura para ser feita, este é o momento para fazermos uma avaliação, isto é, antes de começar a preparar o solo para o plantio.
No que diz respeito à comercialização, saber onde, como, para quem, a quantidade e o tipo de cultivar (indústria, mesa) de morango que deve ser plantado ajuda no planejamento e na confecção do Plano de Manejo da Produção Orgânica.
Se ainda não tiver um local para vender a sua produção, primeiro procure por ele e já negocie o preço do produto antes de começar a plantar.
Procure atender o que seu mercado (compradores e ou consumidores) pediu e no preço previamente combinado.
Plantar mais do que o contratado poderá levar a uma redução no preço que, geralmente, impactará negativamente na rentabilidade da safra. Essa é a hora também de planejar o processamento artesanal ou industrial de parte da produção (geleias, tortas, congelados, polpas, entre outros).
O período de colheita pode se estender por três a cinco meses, conforme temperatura e cultivar.
Para as cultivares sensíveis ao fotoperíodo, o morango precisa de uma temperatura noturna (abaixo de 20º C) e dias curtos para florescer. As cultivares de dia neutro exigem apenas a temperatura noturna, podendo produzir quase o ano todo, conforme a região.dentificada a janela de produção referente ao clima e altitude da propriedade, então precisamos averiguar a disponibilidade e a qualidade da água que será utilizada na irrigação, as características físicas e químicas do solo, que deve ter boa drenagem, assim como o que os vizinhos plantam em suas propriedades durante essa janela de produção.
Esses fatores determinam a aptidão da propriedade para a produção de morango orgânico.
Uma propriedade é adequada para produzir morango se tiver uma janela de produção que atenda às necessidades do mercado e se, em seu entorno, não tiver produtores convencionais produzindo a mesma cultura no mesmo período.
Imagine um cultivo orgânico de morango, ou qualquer outra cultura, rodeado por lavouras convencionais.
Pois é, não tem como dar certo! Em determinados momentos, a pressão de pragas e doenças será tão grande que nem as barreiras físicas e as técnicas agroecológicas darão conta de manter o equilíbrio no cultivo orgânico. Por isso, não se esqueça de avaliar o entorno da propriedade depois de identificar a janela de produção do morango orgânico!
TABELA 1 - ÉPOCA DE PLANTIO DO MORANGUEIRO EM FUNÇÃO DA ALTITUDE.
A REGIÃO DE ORIGEM DO MORANGUEIRO
Para cultivar o morango com sucesso, o agricultor precisa conhecer primeiro a região de origem do morangueiro para depois podermos tratar dos pequenos detalhes que fazem toda a diferença no manejo orgânico dessa cultura.
No cultivo orgânico, uma das primeiras coisas que devemos procurar saber é a região de origem da cultura que iremos plantar para conhecer suas condições ambientais. Sabe-se que os seres vivos mantêm por gerações uma memória genética que está diretamente relacionada à sua região de origem e, no cultivo das plantas, essa memória manifesta-se em pequenas exigências nutricionais, na resistência a pragas e doenças e/ou climática, como temperatura e umidade.
O morango cultivado Fragaria X ananassa Duch., é um híbrido interespecífico, originado na Europa, a partir do cruzamento natural entre as três espécies octoplóides americanas (8x=2n=56):
1. Fragaria virginiana Duch.- dos prados dos Estados Unidos, introduzido na Europa como ornamental;
2. Fragaria chiloensis (L.) Duch.- oriunda das costas do Oceano Pacífico dos Estados Unidos e do Chile, onde era cultivado pelos povos indígenas, e levado para Europa em 1700; e
3. Fragaria ovalis (Lehn.) Rydb.- dos campos do oeste dos Estados Unidos.
Portanto, o morango cultivado originou-se fora da sua região de origem, do cruzamento natural entre espécies “selvagens”. Esse fato é recente (menos de 300 anos), sendo de 1766 o primeiro relato sobre essa cultivar de como a conhecemos hoje.
Apesar de ter sido domesticado fora de seu habitat natural, o morango manteve suas exigências naturais em relação ao seu comportamento e exigências.
O morangueiro apresenta dois períodos bem distintos, regulado pelo fotoperíodo. Em condições de dias longos e temperaturas altas, desperta a fase vegetativa (propagação), quando a planta é estimulada a produzir estolhos (mudas).
Em condições de dias curtos e temperaturas amenas, a floração e a produção de frutos são estimuladas.
Biologicamente falando, o morangueiro pode ser considerado uma planta perene, ou seja, se plantarmos uma vez e cuidarmos para que não ocorra sua morte por doenças, pode durar anos, pois vai se renovando a cada ano.
Entretanto, o morangueiro é tratado como anual em cultivo comercial, ou seja, todo ano realiza-se um plantio e este finda normalmente após o ciclo da frutificação.
Raramente a planta terá um segundo ciclo de produção. Uma das razões para essa prática é a ocorrência de doenças no solo, que acabam comprometendo a produção do morangueiro e torna o cultivo
As bananeiras são afetadas, durante todo o seu ciclo vegetativo e produtivo, por um grande número de doenças, cujos principais agentes causais são os fungos, as bactérias e os vírus. Neste capítulo, entretanto, serão tratados os problemas causados por fungos e bactérias.
Doenças fúngicas
Sigatokas amarela e negra
Essas doenças são de grande importância para a bananicultura mundial, mas diante das condições climáticas do Submédio São Francisco, as manchas causadas por Mycosphaerella musicola (sigatoka-amarela) e M. Fijiensis (sigatoka-negra) não têm importância econômica para a produção de banana desta região. A sigatoka-amarela ocorre em baixo nível e a sigatoka-negra ainda não foi constatada.
Mal-do-panamá
O mal-do-panamá é uma doença endêmica por todas as regiões produtoras de banana do mundo. No Brasil, o problema é limitante para o cultivo da banana-maçã, tem se tornado grave sobre as cultivares do tipo Prata, e preocupante em razão das ocorrências cada vez mais frequentes em bananas do tipo Cavendish, que são resistentes.
Agente causal: o mal-do-panamá é causado por Fusarium oxysporum f. sp. cubense (E.F. Smith) Sn e Hansen. As principais formas de disseminação da doença são o contato dos sistemas radiculares de plantas sadias com esporos liberados por plantas doentes e, em muitas áreas, o uso de material de plantio contaminado. O fungo também é disseminado por água de irrigação, de drenagem, de inundação, assim como pelo homem, por animais e equipamentos.
Sintomas: plantas infectadas exibem um amarelecimento progressivo das folhas mais velhas para as mais novas, começando pelos bordos do limbo foliar e evoluindo no sentido da nervura principal. Posteriormente, as folhas murcham, secam e se quebram junto ao pseudocaule, dando às plantas a aparência de um guarda-chuva fechado (Figura 1a). É comum constatar-se que as folhas centrais das bananeiras permanecem eretas mesmo após a morte das mais velhas. Próximo ao solo, observam-se rachaduras do feixe de bainhas (Figura 1b), cuja extensão varia com a área afetada no rizoma. Internamente, observa-se uma descoloração pardo-avermelhada na parte mais externa do pseudocaule provocada pela presença do patógeno nos vasos (Figura 1c).
Foto da planta com mal-do-Panamá.
Figura 1. Planta com mal-do-panamá, exibindo amarelecimento progressivo das folhas mais velhas em direção às mais novas e posterior quebra junto ao pseudocaule (a), rachadura no feixe de bainhas (b) e rizoma completamente tomado de sintomas (c).
Danos e distúrbios fisiológicos: o mal-do-panamá, quando ocorre em cultivares altamente suscetíveis como a banana-maçã, pode provocar perdas de 100% na produção. Já nas cultivares tipo Prata, cujo grau de suscetibilidade é menor do que a ‘Maçã’, as perdas, geralmente, situam-se num patamar dos 20%. Vale salientar, no entanto, que o nível de perdas é influenciado por características de solo, que em alguns casos comporta-se como supressivo ao patógeno.
Controle: o melhor meio para o controle do mal-do-panamá é a utilização de cultivares resistentes, dentre as quais podem ser citadas as cultivares do subgrupo Cavendish e do subgrupo Terra, a ‘Caipira’, ‘Thap Maeo’, ‘BRS Pacovan Ken’, ‘BRS Preciosa’, ‘Fhia-Maravilha’, ‘BRS Platina’ e outras. As cultivares tipo Maçã, como ‘BRS Tropical’ e ‘BRS Princesa’ são tolerantes à doença e têm apresentado boa convivência com o patógeno, podendo tornar-se alternativa para a região do Submédio São Francisco.
Independentemente de se utilizar cultivares resistentes, é importante a adoção de medidas protetivas, tais como as recomendadas abaixo:
a) evitar as áreas com histórico de ocorrência do mal-do-panamá, principalmente no caso do plantio de cultivares com baixa resistência;
b) utilizar mudas comprovadamente sadias e livres de nematoides;
c) corrigir o pH do solo, mantendo-o próximo à neutralidade e com níveis ótimos de cálcio e magnésio, que são condições menos favoráveis ao patógeno;
d) dar preferência a solos com teores mais elevados de matéria orgânica, o que aumenta a concorrência entre as espécies, dificultando a ação e a sobrevivência de F. oxysporum cubense no solo;
e) manter as populações de nematoides sob controle, já que eles podem ser responsáveis pela quebra da resistência ou facilitar a penetração do patógeno, através dos ferimentos;
f) manter as plantas bem nutridas, guardando sempre uma boa relação entre potássio, cálcio e magnésio.
g) erradicar as plantas doentes, utilizando herbicida nos bananais já estabelecidos, e em que a doença começa a se manifestar. Isto evita a propagação do inóculo na área de cultivo. Na área erradicada, aplicar calcário ou cal hidratada e matéria orgânica. Para o replantio, deixar a área em pousio (vegetação espontânea ceifada) por seis meses e replantar com cultivar resistente.
Doenças de frutos
Doenças de pré-colheita
Podem ocorrer sobre os frutos ainda no campo as seguintes doenças: lesão-de-Johnston, causada pelo fungo Pyricularia grisea; mancha-parda, causada por Cercospora hayi; mancha-losango, cujo invasor primário é Cercospora hayi, seguido por Fusarium solani, F. roseum e possivelmente outros fungos; pinta-de-deightoniella, causado pelo fungo Deightoniella torulosa, que é um habitante frequente de folhas e flores mortas; ponta-de-charuto, cujos patógenos mais isolados das lesões são Verticillium theobromae e Trachysphaera fructigena.
Medidas de controle: as práticas utilizadas visam basicamente as reduções do potencial de inóculo, pela eliminação de partes senescentes, e do contato entre patógeno e hospedeiro – a) eliminação de folhas mortas ou em senescência; b) eliminação periódica de brácteas, principalmente durante o período chuvoso; c) ensacamento dos cachos com saco de polietileno perfurado, tão logo ocorra a formação dos frutos; d) implementação de práticas culturais adequadas, orientadas para a manutenção de boas condições de drenagem, densidade populacional adequada, roçagem da cobertura do solo, a fim de evitar um ambiente muito úmido na plantação.
Doenças de pós-colheita
Podem ocorrer: podridão-da-coroa, cujos fungos mais frequentemente associados ao problema são: Fusarium roseum (Link) Sny e Hans., Verticillium theobromae (Torc.) Hughes e Gloeosporium musarum Cooke e Massel (Colletotrichum musae Berk e Curt.). Uma série de outros fungos também tem sido isolada, porém com menor frequência.
A Antracnose é considerada o mais grave problema na pós-colheita desta fruta, sendo causada por Colletotrichum musae.
Controle: deve começar no campo, com boas práticas culturais, ainda na pré-colheita. Na fase de colheita e pós-colheita, todos os cuidados devem ser tomados no sentido de evitar ferimentos nos frutos, que são a principal via de penetração dos patógenos. As práticas de despencamento, lavagem e embalagem devem ser executadas com manuseio extremamente cuidadoso dos frutos e medidas rigorosas de assepsia.
Doenças Bacterianas
Moko
No Brasil, o moko ou murcha bacteriana está presente em todos os estados da região Norte com exceção do Acre. Surgiu também no Estado de Sergipe, em 1987, e posteriormente em Alagoas, onde vem sendo mantida sob controle, mediante erradicação dos focos que têm surgido periodicamente.
Agente causal: a doença é causada pela bactéria Ralstonia solanacearum Smith (Pseudomonas solanacearum), raça 2. A transmissão e a disseminação da bactéria podem ocorrer de diferentes formas, dentre as quais se destaca o uso de ferramentas infectadas nas várias operações que fazem parte do trato dos pomares, bem como a contaminação de raiz para raiz ou do solo para a raiz. Outro veículo importante de transmissão são os insetos visitadores de inflorescências, tais como as abelhas (Trigona spp.), vespas (Polybia spp.), pequenas moscas (Drosophyla spp.) e muitos outros gêneros.
Sintomas: nas plantas jovens e em rápido processo de crescimento, uma das três folhas mais novas adquire coloração verde-pálida ou amarela, e se quebra próximo à junção do limbo com o pecíolo. No espaço de poucos dias a uma semana, muitas folhas se quebram. O sintoma mais característico do moko, entretanto, se manifesta nas brotações novas que foram cortadas e voltaram a crescer. Estas escurecem, atrofiam e podem apresentar distorções. As folhas, quando afetadas, podem amarelecer ou necrosar.
A descoloração vascular do pseudocaule é mais intensa no centro (Figura 2a) e é menos aparente na região periférica, ao contrário do que ocorre na planta atacada pelo mal-do-panamá. Os sintomas em frutos aparecem na forma de podridão seca, firme, de coloração parda (Figura 2b).
Foto do corte realizado em plantas afetadas pelo moko, mostrando a descoloração vascular concentrada no centro do pseudocaule (a) e podridão seca na polpa (b).
Figura 2. Corte realizado em plantas afetadas pelo moko, mostrando a descoloração vascular concentrada no centro do pseudocaule (a) e podridão seca na polpa (b).
Para um teste rápido, destinado a detectar a presença da bactéria nos tecidos da planta, utiliza-se um copo transparente com água até dois terços de sua altura, em cuja parede se adere uma fatia delgada da parte afetada (pseudocaule ou engaço), cortada no sentido longitudinal, fazendo-a penetrar ligeiramente na água. Em menos de um minuto, ocorre a descida do fluxo bacteriano, de coloração leitosa.
Danos e distúrbios fisiológicos: as perdas causadas pela doença podem atingir até 100% da produção, mas com vigilância permanente e erradicação de plantas afetadas, é possível conviver com a doença e mantê-la em baixa percentagem de incidência.
Controle: como na região não há casos relatados de ocorrência de moko, a base do controle é evitar a introdução da doença, não introduzindo na área mudas de bananeira ou de qualquer outra musacea, oriundas das regiões de ocorrência.
Podridão-mole
Agente causal: a podridão-mole é causada pela bactéria Erwinia carotovora subsp. Carotovora, ainda considerada de importância secundária.
Sintomas: a doença inicia-se no rizoma, causando seu apodrecimento, progredindo posteriormente para o pseudocaule. Ao se cortar o rizoma ou pseudocaule de uma planta afetada, pode ocorrer a liberação de grande quantidade de material líquido fétido, daí o nome podridão aquosa. Na parte aérea, os sintomas podem ser confundidos com aqueles do moko ou mal-do-panamá. A planta, normalmente, expressa sintomas de amarelecimento e murcha das folhas podendo ocorrer quebra da folha no meio do limbo ou junto ao pseudocaule. Os sintomas são mais típicos em plantas adultas, mas tendem a ocorrer com maior severidade em plantios jovens estabelecidos em solos infectados, devido à presença de ferimentos gerados pela limpeza das mudas.
Controle: nas ações de controle, deve-se observar: 1) manejar corretamente a irrigação, de modo a evitar excesso de umidade no solo; 2) eliminar plantas doentes ou suspeitas, procedendo-se a vistorias periódicas da área plantada; 3) utilizar, em lugares com histórico de ocorrência de doenças, mudas já enraizadas, para prevenir infecções precoces; 4) utilizar práticas culturais que promovam a melhoria da estrutura e aeração do solo.
Viroses
No Brasil, ocorrem, na cultura da bananeira, o vírus das estrias da bananeira e o vírus do mosaico do pepino.
Estrias da bananeira – BSV (Banana Streak Virus)
O vírus das estrias da bananeira (Banana streak virus, BSV) é disseminado pelo plantio de mudas infectadas. Na natureza, ele é transmitido de bananeira para bananeira pela cochonilha Planococcus citri, mas essa forma de transmissão é pouco eficiente.
O BSV produz inicialmente estrias amareladas nas folhas, que, posteriormente, ficam escurecidas ou necrosadas (Figuras 3a e 3b). Pode ocorrer a deformação dos frutos e a produção de cachos menores. As plantas apresentam menor vigor, podendo em alguns casos ocorrer a morte do topo da planta, assim como a necrose interna do pseudocaule. Geralmente, os sintomas são percebidos apenas em alguns períodos do ano.
Foto da folha de bananeira com sintomas do vírus das estrias da bananeira (Banana streak virus, BSV): a) estrias cloróticas e b) estrias necróticas.
Figura 3. Folha de bananeira com sintomas do vírus das estrias da bananeira (Banana streak virus, BSV): a) estrias cloróticas e b) estrias necróticas.
Esta virose é causada pelo vírus do mosaico do pepino (Cucumber mosaic virus, CMV), que é transmitido na natureza por várias espécies de afídeos e pelo uso de mudas infectadas. A fonte de inóculo para a infecção de novos plantios de bananeira provém, geralmente, de outras culturas próximas aos plantios ou de plantas infestantes presentes no bananal ou na sua proximidade, especialmente trapoeraba ou maria-mole (Commelina diffusa).
Os sintomas da infecção pelo CMV variam de estrias amareladas, mosaico, redução de porte, folhas lanceoladas, necrose do topo, assim como pode haver distorção dos frutos, com o surgimento de estrias cloróticas ou necrose interna. A necrose da folha vela e do pseudocaule pode acontecer quando ocorrem na região temperaturas abaixo de 24ºC (Figura 4).
Foto da folha de bananeira com sintomas causados pelo vírus do mosaico do pepino (Cucumber mosaic virus, CMV): a) mosaico e b) necrose da folha vela.
Figura 4. Folha de bananeira com sintomas causados pelo vírus do mosaico do pepino (Cucumber mosaic virus, CMV): a) mosaico e b) necrose da folha vela.
O CMV virose está presente nas principais áreas produtoras de bananeira, podendo provocar perdas elevadas em plantios novos, especialmente quando eles são estabelecidos em áreas com elevada incidência de trapoeraba, alta população de pulgões e próximas a culturas hospedeiras da virose, como as hortaliças.
Controle:
utilizar mudas livres de vírus. A instrução normativa Nº 29 de 29/02/2012 do Ministério da Agricultura (BRASIL, 2012) determina que as mudas de bananeira devem estar livres de CMV e BSV, assim como as condições nas quais elas precisam ser produzidas;
evitar a instalação de bananais próximos a plantios de hortaliças e cucurbitáceas (hospedeiras de CMV);
controlar as plantas infestantes dentro e em volta do bananal;
erradicar as plantas com sintomas nos plantios já estabelecidos;
manter o bananal com suprimento adequado de água, adubação e controle de pragas, para evitar estresse;
se utilizar mudas micropropagadas para a instalação de um bananal, é importante que sejam mantidas em viveiro à prova de pulgões até atingirem cerca de 1 metro de altura, pois se tornam menos atrativas para os pulgões vetores do CMV.
Nematoides
Os nematoides são microrganismos tipicamente vermiformes que, em sua maioria, completam o ciclo de vida no solo. Sua disseminação é altamente dependente do homem, seja por meio de mudas contaminadas, deslocamento de equipamentos de áreas contaminadas para áreas sadias, ou por meio da irrigação e/ou água das chuvas.
A infecção por nematoides provoca redução no porte da planta, amarelecimento das folhas, seca prematura, má formação de cachos, refletindo em baixa produção e reduzindo a longevidade dos plantios. Nas raízes, podem ser observados o engrossamento e nodulações, que correspondem às galhas e massa de ovos, devido à infecção por Meloidogyne spp. (nematoide-das-galhas) ou mesmo necrose profunda ou superficial provocada pela ação isolada ou combinada das espécies Radopholus similis (nematoide cavernícola), Helicotylenchus spp. (nematoide espiralado), Pratylenchus sp. (nematoide das lesões), ou Rotylenchulus reniformis (nematoide reniforme), que são os mais frequentes na bananicultura brasileira e mundial. Esses nematoides contribuem para a formação de áreas necróticas extensas que podem também ser parasitadas por outros microrganismos.
Os danos causados pelos fitonematoides podem ser confundidos ou agravados com outros problemas de ordem fisiológica, como estresse hídrico, deficiência nutricional, ou pela ocorrência de pragas e doenças de origem virótica, bacteriana ou fúngica, devido à redução da capacidade de absorver água e nutrientes, pelo sistema radicular. Quando associados ao ataque da broca do rizoma o diagnóstico pode ser atribuído somente à broca devido à facilidade de visualização das cavidades formadas pelas larvas. A sustentação da planta é também bastante comprometida. A diagnose correta deve ser realizada por meio de amostragem de solo e raízes e do conhecimento da cultivar utilizada, uma vez que há variabilidade no nível de dano entre as cultivares de bananeira.
Controle: após o estabelecimento de fitonematoides no bananal, o seu controle é muito difícil. Portanto, a medida mais eficaz é a utilização de mudas sadias, micropropagadas, e o plantio em áreas livres de nematoides. O descorticamento do rizoma combinado com o tratamento térmico ou químico pode reduzir sensivelmente a população de nematoides nas mudas infestadas. Neste caso, após limpeza, os rizomas devem ser imersos em água limpa à temperatura de 55 ºC por 20 minutos.
Em solos infestados, a utilização de plantas antagônicas, como crotalária (Crotalaria spectabilis, C. paulinea), incorporadas ao solo antes do seu florescimento, pode reduzir a população dos nematoides e favorecer a longevidade da cultura. Em pomares já instalados, a eficiência desta estratégia está relacionada principalmente com o nível populacional, tipo de solo e idade da planta, sendo recomendado o plantio dessas espécies ao redor das bananeiras. A utilização de matéria orgânica junto ao rizoma é mais benéfica que a matéria orgânica depositada entre as linhas de cultivo. Entre outros benefícios da utilização da matéria orgânica, a presença de numerosos outros organismos no solo é favorecida para o processo de manutenção e estabilidade da cadeia alimentar. Pois objetiva-se com esse manejo manter a população de fitoparasitas abaixo do nível de dano, o que poderá ser alcançado somente por meio de mecanismos de supressão natural atribuída a esses microrganismos, favorecendo o controle biológico. Contudo, deve-se considerar diferentes respostas na ecologia do solo, principalmente aqueles onde existia utilização frequente de pesticidas.
Para evitar a disseminação dos nematoides, por meio de equipamentos de desbrota ou capinas, recomenda-se a lavagem completa e a desinfestação superficial dos equipamentos com solução de formaldeído (20 g/L). Esses tratos culturais devem, sempre que possível, ser iniciados em áreas de melhor condição nutricional e sanitária. Desta forma, evita-se a disseminação de pragas e doenças passíveis de serem encontradas em áreas menos vigorosas para as áreas mais vigorosas.
A industria de alimentos e suplementos naturais não para de crescer, motivada pela maior preocupação das pessoas com sua saude e qualidade de vida. Cada vez mais, novos produtos do gênero são lançados e o consumidor tem hoje, várias opções à sua escolha para atender suas necessidades.
No Brasil, as mulheres respondem por 70% das decisões de compra e dão prioridade a produtos confiáveis e garantidos como benéficos à saude. A qualidade da alimentação dos filhos é uma prioridade para as mães atentas à questão dos agrotóxicos. De modo geral, o consumidor do produto orgânico apresenta tres tipos diferentes:
1 – O consumidor "ecológico"e militante:
Conscientizado e informado, esse cliente sabe bem o que quer e faz suas compras com atenção e cuidado. Olha o rótulo do produto, verifica se tem algum sêlo de certificação, quer saber a origem do produto, como foi produzido e quer garantias. É o tipo de consumidor que questiona a ausência na industria, de embalagens degradáveis para os produtos orgânicos. Procura fugir da alimentação industrializada e de produtos que tenham residuos químicos.
2 – O consumidor que quer se iniciar em um novo estilo de vida e de consumo:
Procura se informar e sabe que o padrão de sua alimentação pode melhorar em qualidade. Compra o produto orgânico, pela recomendação de outras pessoas que já o conhecem, pois está acostumada a consumir apenas as marcas tradicionais do mercado.
Nessa mesma categoria, estão aqueles que buscam um novo estilo de consumo por razões de doença ou intoxicação. Procuram melhorar a qualidade de sua alimentação, orientados por médicos e nutricionistas.
3 – O consumidor gourmet:
Procura o produto de alta qualidade, orgânico ou não. Os produtos orgânicos o interessam na medida que lhe dão a garantia de um produto fresco e saboroso. Para esse consumidor, o produto processado não pode ter conservantes ou aditivos de qualquer especie. Se orienta pelo sabor e bom gosto, pois está acostumado a degustar e escolher o melhor. É tanto ou mais exigente que o consumidor militante, ainda que por motivos diferentes.
1. Introdução
A crescente busca por alimentos saudáveis, limpos e ausentes de agrotóxicos tem atraído cada vez mais consumidores para as feiras agroecológicas. As principais razões que explicam o aumento da produção orgânica são o valor nutricional, o sabor diferenciado de certos produtos, uma alimentação muito mais saudável, aliadas as técnicas que ajudam a preservação do meio ambiente, o que possibilita a inferência de que esse tipo de atividade constitui uma forma de produção ecologicamente sustentável, socialmente justa e economicamente viável em suas escalas de produção.
Observando o consumidor dentro desta realidade verifica-se a existência de preferências para a alimentação convencional, entendida como aquela produzida dentro dos parâmetros legais com a utilização de fertilizantes e controle de pesticidas e as preferências para a produção alimentar orgânica pautada no manejo equilibrado do solo e dos recursos ambientais, cujos produtos agrícolas são isentos de defensivos químicos.
Desta forma este trabalho se consubstancia como ferramenta para a contribuição e ampliação da discussão científica sobre a matéria relativa ao comportamento do consumidor em relação ao uso de alimentos orgânicos.
2. Comportamento do consumidor e decisão de compra
Observa-se que o consumidor de produtos orgânicos apesar de ser um consumidor recente, é fiel em sua decisão ao adquirir os produtos orgânicos na busca pela qualidade de vida, uma vez que, os alimentos orgânicos tratam de produtos sem contaminação por agrotóxicos sendo assim mais naturais.
Uma parcela da sociedade vem tendo uma postura crítica em relação aos interesses do mercado, ou seja, o consumidor vem se preocupando com a concepção de qualidade e assim desenvolvendo um estilo de vida pautado no consumo consciente que leva em consideração o produto em sua substância, como observado no crescimento da agricultura orgânica. GIDDENS (1996) ilustra bem essa realidade ao afirmar que o afastamento do produtivismo, implica uma recuperação dos valores de vida guiada pelos temas da autonomia, solidariedade e busca da felicidade.
A noção de preservação do meio ambiente natural e a preocupação com a saúde vem sendo um dos assuntos mais discutidos na atualidade. A saúde como vetor da qualidade de vida dos seres humanos incide diretamente no comportamento dos consumidores que se voltam para os produtos com apelo ambiental, ou seja, aqueles oriundos de um manejo sustentável dos recursos naturais, relacionados com um estilo de vida saudável e garantidor da segurança alimentar, daí o crescimento do mercado de produtos orgânicos como tendência alimentar.
Nesse sentido, dispõe ENGEL et al. (1995) que o comportamento do consumidor, suas atitudes e intenções determinam o sucesso ou fracasso de um produto, o mercado mundial de alimentos vem sofrendo grandes transformações de diversas organizações, relacionadas ao desenvolvimento de novos hábitos alimentares, estilos de vida, preocupação com a saúde e o meio ambiente pelos diferentes tipos de consumidores.
Desta forma o estudo do comportamento do consumidor de produtos alimentares orgânicos torna-se essencial para a compreensão da cadeia produtiva desenvolvida nas crescentes feiras orgânicas do município. Entender as relações construídas pelos tipos de consumidores com referência ao conhecimento do produto orgânico, a influência dos atributos dos produtos que direcionam suas escolhas, ao conjunto de valores e necessidades que norteiam suas atitudes e conseqüentemente suas qualidades de vida, torna-se tarefa primordial para entendermos o estilo de vida do consumidor orgânico em relação ao estilo dos integrantes da coletividade consumista caracterizada pelo consumo desenfreado das opções que o mercado oferece.
3. Representação social sobre alimentação saudável
Os consumidores de produtos orgânicos estão muito mais preocupados com os alimentos que estão chegando a sua mesa, os consumidores estão buscando promover uma melhor qualidade de vida para suas famílias.
A representação social sobre alimentação saudável pode ser observada pela percepção dos consumidores em relação a atitude de sua escolha em alimentos convencionais a produtos orgânicos, isso não é uma opção naturalista ou de modismo, mas uma atitude de vida.
Desta forma, as representações sociais dizem respeito ao espaço da vida cotidiana e dos grupos sociais que orientam sua ação social segundo um repertório de saberes, crenças e valores comuns. Esses saberes e sistemas de crenças e valores consistem no senso comum e a lógica que preside em termos cognitivos é o pensamento representativo.
Tendo como premissa que os consumidores inseridos no mercado da agricultura orgânica buscam qualidades específicas não encontradas nos produtos da agricultura convencional, uma das questões levantadas neste estudo é saber o perfil comportamental dos consumidores de alimentos orgânicos, observando o processo de decisão e aquisição destes produtos, resultante da incidência de valores e necessidades pessoais, analisando aqueles que se preocupam com o meio natural e principalmente com a saúde pessoal.
Os alimentos orgânicos estão cada vez mais ganhando espaço devido ao estilo comportamental que os cidadãos vêm tendo frente à agricultura industrial, o referencial adotado passa pela qualificação do valor nutritivo e não pela aparência dos produtos alimentares, o que expressa uma postura diferenciada deste grupo consumidor, tornando-se um ponto significativo para se analisar o quanto esses consumidores se diferenciam do padrão de consumo convencional e o quanto contribuem para a valorização da produção orgânica e mesmo da manutenção da sustentabilidade ambiental e equidade social, já que há a valorização do produtor orgânico que emprega na atividade conhecimento antigo de raízes camponesas, até pouco tempo considerado retrógado.
Desse modo, é importante conhecer as características do consumidor, suas necessidades e valores, avaliando de forma mais profunda os aspectos e características determinantes da compra de produtos orgânicos sob uma perspectiva sociológica, levando-se em consideração as relações sociais surgidas neste grupo social das feiras orgânicas estudadas buscando identificar o comportamento destes consumidores diante das diferentes sociedades e culturas englobadas pelo dinâmico mercado de produtos orgânicos.
4. Considerações Finais
Conhecer o perfil dos consumidores e do consumo e a representação social de alimentos orgânicos pode contribuir na orientação da cadeia produtiva. No geral o consumo é caracterizado por um mercado massificador voltado inteiramente para obtenção do lucro, como percebido pelos grandes investimentos em propaganda e embalagens que na maioria dos casos servem tão somente para ludibriar o consumidor, sem se preocuparem com a qualidade e os benefícios reais que os produtos podem trazer o que ocorre exatamente no ramo alimentício.
Desta forma este trabalho se consubstancia como ferramenta para a contribuição e ampliação da discussão científica sobre a matéria relativa ao comportamento do consumidor em relação ao uso de alimentos orgânicos.
COMO DIMINUIR OS RESÍDUOS DE AGROTÓXICOS EM SUA ALIMENTAÇÃO
1 – Lave legumes, verduras e frutas numa solução suave e detergente e água pura ou em mistura de água e vinagre. Deixe-os de molho de 15 a 20 minutos e enxague-os cuidadosamente.
2 - Em alguns casos, frutas e legumes podem receber uma camada de cera para que não percam a umidade e murchem. Esta cera também contém substâncias fungicidas e bactericidas para evitar o aparecimento fungos e de bactérias.
Ex. maçãs, pimentões, berinjelas, grapefruits, melões, nectarinas, pêssegos, etc. Para eliminá-la, sempre que possível, descasque legumes e frutas. Você perderá algumas vitaminas contidas na casca, mas em compensação terá uma alimentação mais segura.
3 – Procure usar sempre legumes, verduras e frutas da safra, pois possuirão menos defensivos e hormônios.
4 – Legumes muito grandes, produzidos convencionalmente, podem ser resultado de adubação e estimulantes artificiais.
5 – Dê preferência aos produtos nacionais, ao invés dos importados. Frutas e legumes produzidos localmente não requerem tantos pesticidas como aqueles que percorrem longas distâncias e são armazenados por longos períodos de tempo.
6 – Resíduos de pesticidas e outros produtos químicos tendem a se concentrar nos tecidos gordurosos dos animais. Diminuir seu consumo reduz a ingestão de agrotóxicos. Ao preparar qualquer vaca, carne, frango, porco, etc. procure retirar toda a gordura e pele. Escolha laticínios com baixo teor de gordura, prefira leite desnatado e queijos magros.
7 – No Brasil, dentre os produtos agrícolas que mais recebem agrotóxicos, destacam-se o tomate, a batata inglesa, o morango e o mamão papaia. No caso da produção de uva Rubi e Itália, em São Paulo, são feitas até 40 aplicações de produtos químicos, da brotação até a colheita.
8 – Os consumidores não devem parar de consumir frutas ou verduras; estas informações se destinam a levar maior conhecimento do que ocorre na produção de hortigranjeira e dar-lhe uma visão mais crítica ao escolher o que vai a sua mesa.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou na terça-feira (6/12), resultados de um estudo que identificou contaminação por agrotóxicos em amostras de 17 dos 18 alimentos analisados. A olho nu não é possível identificar essas substâncias nos produtos, e a exposição a elas pode causar sérios danos à saúde humana. “Além de não ser possível identificar alimentos que foram produzidos com uso de agrotóxicos, também não dá para eliminá-los. Mas é possível diminuir a presença deles nos produtos com uma boa lavagem”, afirma Sidinea Cordeiro de Freitas, engenheira química e especialista em análise de resíduos em alimentos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A pesquisadora alerta ainda que apenas os resíduos presentes na superfície do alimento podem ser removidos parcialmente e que alguns vegetais absorvem algumas substâncias químicas dos agrotóxicos. “Isso quer dizer que, mesmo fervendo o alimento, não tem como eliminar a presença dessas substâncias”, explica ela. Veja abaixo, dicas da Embrapa de como lavar os vegetais para diminuir os resíduos tóxicos:
1. Durante pelo menos um minuto, esfregue a fruta ou legume com uma esponja ou escova e detergente neutro. No caso de folhas como a couve, use as mãos;
2. Em seguida, enxágue em água corrente por mais três minutos;
3. O passo seguinte consiste em colocar o produto imerso em solução de água clorada durante 15 minutos;
4. Para completar o processo de desinfecção, esfregue novamente (desta vez sem detergente) por cerca de um minuto embaixo de água corrente. E é preciso não esquecer que, a única maneira de eliminar totalmente os agrotóxicos dos vegetais é comprar alimentos que sejam certificados como orgânicos. -
As observações feitas no início do século pelo botânico e agrônomo inglês Sir. Albert Howard em relação ao tipo de agricultura praticada pelos camponeses indianos, deram início a estas duas correntes que, apesar dos nomes distintos são muito semelhantes, podendo ser analisadas conjuntamente. Os estudos realizados na Índia sobre compostagem e adubação orgânica, resultaram posteriormente na publicação em 1940 do livro "Um Testamento Agrícola", com relevantes referências bibliográficas para os praticantes do modelo orgânico.
O trabalho de Howard não foi bem aceito pela comunidade britânica, mas encotrou eco em Lady Balfour que publicou The Living Soil (O solo vivo),que daria origem à The Soil Association (Associação do Solo), principal órgão representativo do setor orgânico da Grã-Bretanha
Princípios:
Segundo Howard a fertilidade dos solos deve ser construída a partir de um amplo suprimento de matéria orgânica e, sobretudo na manutenção de elevados níveis de húmus (matéria orgância já decomposta e estabilizada) no solo. A base científica desta corrente se assenta nas seguintes práticas: rotação de culturas, manejo e fertilização do solo. Assim como as correntes, natural e biodinâmica o princípio gerador da estabilidade e saúde das plantas, encontra-se no manejo da matéria orgânica como prática geradora de boas fertilidade e estruturação do solo. Também como nas outras correntes agroecológicas, o solo é considerado um "organismo complexo", repleto de seres vivos (minhocas, bactérias, fungos, formigas, cupins, etc) e de substâncias minerais em constante interação e inter-dependência, o que significa que ao se manejar um aspecto (adubação, por exemplo), faz-se necessário considerar todos os outros (diversidade biológica, qualidade das águas subterrâneas, suscetibilidade à erosão, etc.) de forma conjunta. Este é o princípio da "visão sistêmica" da agricultura (também chamado "holismo"), o qual prescreve que a propriedade agrícola deva ser considerada em todas as suas dimensões (produtiva, ecológica, social, econômica, etc.).
Introdução
A fruticultura é uma das atividades mais importantes do setor primário, em praticamente todo mundo. A relevância do setor frutícola em cada região é variável, mas pode-se afirmar que a potencialidade para uma ou mais espécies frutíferas ocorre em cada região (SOUZA, 2006).
No Brasil, mais especificamente, há condições adequadas para cultivo de grande número de espécies, desde plantas frutíferas de clima tropical muitas das quais tem seu centro de origem no próprio Brasil (AQUINO e ASSIS, 2005). Na verdade, a fruticultura é uma das grandes geradoras de recursos, pois as frutas possuem alto valor agregado, ou seja, possuem alto valor por unidade colhida, permitindo a obtenção de receita elevada em uma pequena área.
O presente trabalho diz respeito à importância de trabalhar com algumas principais fruteiras da região, e mostrar algumas maneiras adequadas, com base nos conhecimento dos autores de se conduzir um pomar.
Melhor dizendo, esta foi mais uma prática profissional, que se realizou no próprio IFRN campus de Ipanguaçu. Com intuito de mostrar várias informações técnicas da Agroecologia, destacando que a fruticultura tem o papel de produzir alimentos de alto valor nutritivo que devem fazer parte da refeição diária do brasileiro, além de preservar o meio ambiente.
A fruticultura agroecológica para o pequeno agricultor é de fundamental importância, ter sua produção com um custo bem menor e uma boa produção orgânica, que levam a todos nós a uma vida mais saudável, livre dos agrotóxicos. Para fazer agricultura orgânica, é preciso antes de tudo ter uma visão do conjunto da natureza de um lugar, com todas as suas dependências, relações e interligações, e não usar receitas prontas ou insumos externos, mas utilizar somente os conceitos e princípios da agroecologia (PENTEADO, 2003). Todos esses processos e técnicas são necessários para melhorar a forma de plantio, onde muitas vezes o produtor não tem esse conhecimento, é importante para a fruticultura orgânica, o manejo adequado e as condições adequadas, onde entra a Agroecologia levando todo esse conhecimento e técnicas ao pequeno agricultor.
Controle Agroecológico de Pragas e Doenças Manejo Integrado de Pragas (MIP) e os Métodos Agroecológicos
O que é melhor curar? A febre ou a doença que a provoca? Responder a essa pergunta significa optar pelo tratamento do efeito (a febre) ou da causa (doença) de um determinado problema. Assim como no corpo humano habita uma série de microorganismos que coexistem pacificamente conosco, na lavoura esses organismos também se encontram no solo, nas plantas e nos organismos dos animais. Só quando o corpo e a agricultura se tornam fracos e desequilibrados em seu metabolismo, é que esses organismos oportunistas atacam, tornando-se um problema. Isso significa que a origem do problema não é a existência desses organismos, mas o desequilíbrio presente ou no corpo humano ou no ambiente agrícola.
Na agricultura convencional, as práticas de campo se direcionam para o efeito do desequilíbrio ecológico existente. Este desequilíbrio gera a reprodução exagerada de insetos, fungos, ácaros e bactérias, que acabam se tornando "pragas e doenças" das lavouras e das criações de animais. Aplicam-se agrotóxicos nas culturas, injetam-se antibióticos e outros remédios nos animais buscando exterminar esses organismos. Contudo, o desequilíbrio quer seja no metabolismo de plantas e animais, quer seja na constituição físico-química e biológica do solo permanece. E permanecendo a causa, os efeitos (pragas e doenças) cedo ou tarde reaparecerão, exigindo maiores frequências de aplicação ou maiores doses de agrotóxicos num verdadeiro "círculo vicioso".
Na agricultura orgânica, por sua vez, trabalha-se no sentido de estabelecer o equilíbrio ecológico em todo o sistema. Parte-se da melhoria das condições do solo, que é a base da boa nutrição das plantas que, bem nutridas, não adoecerão com facilidade, podendo resistir melhor a algum ataque eventual de um organismo prejudicial. Cabe destacar o termo "eventual" porque num sistema equilibrado, não é comum a reprodução exagerada de organismos prejudiciais, visto que existem no ambiente inimigos naturais, que naturalmente irão controlar a população de pragas e doenças.
Desta forma, partindo da prevenção e do ataque às causas geradoras de desequilíbrio metabólico em plantas e animais, os métodos agroecológicos de manejo de tais organismos se tornam bem sucedidos à medida em que encaram uma propriedade do mesmo modo que um médico deveria olhar para uma pessoa: como um "organismo", uma individualidade única e repleta de interações dinâmicas e em constante mudança.
Diferença entre o Manejo Integrado de Pragas (MIP) e os Métodos Agroecológicos
O Manejo Integrado de Pragas (conhecido como MIP), constitui um plano de medidas voltadas para diminuir o uso de agrotóxicos na produção convencional, buscando otimizar o uso desses produtos no sistema. O princípio da agricultura convencional de atacar apenas os efeitos, permanece à medida em que todas as práticas se voltam para o controle de pragas e doenças e não para o equilíbrio ecológico do sistema. Contudo, existe uma preocupação em se utilizar agrotóxicos apenas quando a população desses organismos atingir um nível de dano econômico (em que as perdas de produção gerem prejuízos econômicos significativos), diminuindo a contaminação do ambiente com tais produtos.
Já os métodos agroecológicos buscam aplicar o princípio da prevenção, fortalecendo o solo e as plantas através da promoção do equilíbrio ecológico em todo o ambiente.Seguindo essa lógica, o controle agroecológico de insetos, fungos, ácaros, bactérias e viroses é realizado com medidas preventivas tais como:
Plantio em épocas corretas e com variedades adaptadas ao clima e ao solo da região.
Consorciação de culturas
Fazer uso da adubação orgânica.
Rotação de culturas e adubação verde.
Cobertura morta e plantio direto.
Plantio de variedades e espécies resistentes às pragas e doenças.
Consorciação de culturas e manejo seletivo do mato.
Evitar erosão do solo.
Fazer uso de adubos minerais pouco solúveis admitidos pela Instrução Normativa.
Uso de plantas que atuem como "quebra ventos" ou como "faixas protetoras".
Nutrição equilibrada das plantas com macronutrientes e micronutrientes.
Conservação dos fragmentos florestais existentes na região.
Entretanto, cabe ressaltar que algumas das estratégias usadas no Manejo Integrado de Pragas, que visa a diminuição do uso de agrotóxicos nas lavouras, podem ser adotadas pelos produtores orgânicos. Vejamos, a seguir, tais estratégias com mais detalhes:
Estratégias para o Manejo Agroecológico de Pragas e Doenças
1 - Reconhecimento das pragas-chave da cultura:
Consiste em identificar qual o organismo que causa maior dano à cultura. Por exemplo, no caso do algodão, o bicudo constitui o inseto mais importante no elenco de organismos que prejudicam a cultura. Na cultura da banana os principais organismos são fungos, responsáveis pelo "Mal de Sigatoka" e pelo "Mal do Panamá"
Conhecer a praga-chave de cada cultura ajudará o agricultor a adotar práticas que incentivem a reprodução de seus principais inimigos naturais, ou que criem condições ambientais desfavoráveis à multiplicação do organismo indesejável
2 - Reconhecimento dos inimigos naturais da cultura:
Diversos insetos, fungos e bactérias podem atuar beneficamente como agentes de controle biológico das principais pragas e doenças e, o que é melhor, de forma gratuita na medida em que ocorrem naturalmente no ambiente. Conhecer as principais espécies e favorecê-las através de diversas práticas (manejo do mato nativo, adubação orgânica, preservação de fragmentos florestais, entre outros), é uma estratégia fundamental para o sucesso do controle de pragas e doenças na agricultura agroecológica.
3 - Amostragem da população dos organismos prejudiciais:
Monitorar a presença das pragas através da contagem de ovos, largas e organismos adultos (no caso de insetos), ou da vistoria das plantas (% de dano em caso de doenças fúngicas ou bacterianas), é uma atividade obrigatória para que o produtor saiba quando agir e o faça de modo a promover o equilíbrio ecológico de todo o sistema de produção.
4 - Escolher e utilizar as táticas de controle:
Mesmo promovendo o equilíbrio do sistema, a persistência de determinadas pragas e doenças no ambiente é comum e nem sempre basta a adoção apenas de medidas preventivas. A traça do tomateiro (Tuta absoluta ), a requeima da batata (Phytophora infestans) são exemplos desse caso.Assim, quando existem ameaças destes organismos promoverem um dano econômico às culturas agroecológicas, será necessário ao agricultor adotar práticas "curativas". Tais práticas atuam como "remédios" para as plantas, como o uso das caldas bordalesa ou sulfocálcica, por exemplo.
A fruticultura é uma das atividades mais
importantes do setor primário, em praticamente todo
mundo. A relevância do setor frutícola em cada região é
variável, mas pode-se afirmar que a potencialidade para
uma ou mais espécies frutíferas ocorre em cada região
(SOUZA, 2006).
No Brasil, mais especificamente, há condições
adequadas para cultivo de grande número de espécies,
desde plantas frutíferas de clima tropical muitas das quais
tem seu centro de origem no próprio Brasil (AQUINO e
ASSIS, 2005). Na verdade, a fruticultura é uma das
grandes geradoras de recursos, pois as frutas possuem alto
valor agregado, ou seja, possuem alto valor por unidade
colhida, permitindo a obtenção de receita elevada em uma
pequena área.
O presente trabalho diz respeito à importância de
trabalhar com algumas principais fruteiras da região, e
mostrar algumas maneiras adequadas, com base nos
conhecimento dos autores de se conduzir um pomar.
Melhor dizendo, esta foi mais uma prática
profissional, que se realizou no próprio IFRN campus de
Ipanguaçu. Com intuito de mostrar várias informações
técnicas da Agroecologia, destacando que a fruticultura
tem o papel de produzir alimentos de alto valor nutritivo
que devem fazer parte da refeição diária do brasileiro,
além de preservar o meio ambiente.
A fruticultura agroecológica para o pequeno
agricultor é de fundamental importância, ter sua produção
com um custo bem menor e uma boa produção orgânica,
que levam a todos nós a uma vida mais saudável, livre dos
agrotóxicos. Para fazer agricultura orgânica, é preciso
antes de tudo ter uma visão do conjunto da natureza de um
lugar, com todas as suas dependências, relações e
interligações, e não usar receitas prontas ou insumos
externos, mas utilizar somente os conceitos e princípios da
agroecologia (PENTEADO, 2003). Todos esses processos
e técnicas são necessários para melhorar a forma de
plantio, onde muitas vezes o produtor não tem esse
conhecimento, é importante para a fruticultura orgânica, o
manejo adequado e as condições adequadas.
UM EXEMPLO
Leite de vaca cru controla
doença da abobrinha
Plantação de abobrinhas
O Oídio da abobrinha, causado pelo fungo Sphaerotheca fuliginea, é uma das principais doenças da cultura e de outras cucurbitáceas (pepino e outras variedades de abóbora), sobretudo em cultivo protegido (estufas). A doença ataca toda a parte aérea da planta (folhas, ramos, caules, flores), fazendo com que esta perca o vigor e tenha sua produção prejudicada.
O método de controle mais utilizado nos sistemas convencionais de cultivo é o emprego de fungicidas. Contudo, seu uso contínuo resulta não apenas em riscos de contaminação ambiental como na seleção de populações do fungo resistentes aos produtos. Aliado a esses fatos, existe um mercado crescente para alimentos produzidos sem a utilização de agrotóxicos, sendo o de produtos orgânicos, o mais conhecido.
Como no sistema de produção orgânico não se permite o uso de fungicidas, esse grupo de agricultores dispõe de poucas alternativas para o controle do Oídio da abobrinha, fato que começa a mudar com a descoberta do leite cru como produto promissor para esse fim.
De acordo com o pesquisador Wagner Bettiol, da Embrapa Meio Ambiente, possivelmente o leite apresenta mecanismos variados de ação no controle do Oídio da abobrinha, que são:
O leite pode ter ação direta sobre o fungo devido à sua propriedade germicida.
O leite contém vários sais e aminoácidos na sua composição, sendo que essas substâncias são conhecidas por induzirem resistência nas plantas.
O leite modifica as características da superfície da folha, como pH, nutrientes, gorduras entre outras e com isso não permite a instalação do patógeno
A técnica foi desenvolvida pensando em ser uma alternativa para a agricultura orgânica. Entretanto, devido ao baixo custo e à facilidade de obtenção do produto, vem sendo adotada por diversos produtores, sejam eles orgânicos ou convencionais.
Esses produtores estão utilizando o leite de vaca cru na concentração de 5%, isto é , 5 litros de leite para 95 litros de água, uma vez na semana e quando a infestação está muito alta utilizam a 10%, para o controle do Oídio da abobrinha e do pepino.
Atualmente, além da explicação do mecanismo de ação envolvido no controle do Oídio com o leite da vaca cru, estão sendo realizados estudos para verificar se o leite controla o Oídio de outras culturas, como as do quiabo, do pimentão, da roseira e do feijoeiro, mas sempre pensando na utilização dessas técnicas para a agricultura orgânica.