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quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

IMPLANTAÇÃO DO POMAR DE MAMÂO

 

PLANEJAMENTO DO POMAR COMERCIAL DE MAMOEIRO

Escolha do local de cultivo

O cultivo do mamoeiro deve ser evitado em locais onde ocorram temperaturas relativamente altas ou inferiores a 15 ºC, o que prejudica severamente seu desenvolvimento vegetativo. Nas condições de temperaturas baixas, o desempenho reprodutivo também será afetado, ocorrendo redução do florescimento, atraso na maturação e produção de frutos de qualidade inferior.

Escolha da área de plantio

Devem-se evitar solos com elevada umidade, com problemas de drenagem e aeração deficientes. Depois da implantação, evitar irrigações excessivas, alta densidade de plantas e doses elevadas de nitrogênio (N), fatores que podem favorecer o tombamento de mudas e podridão de raízes de plantas adultas.

Preparo do terreno

Na operação de preparo do terreno, deve-se fazer, pelo menos, uma aração, seguida de duas gradagens. Havendo necessidade de calagem, faz-se a aplicação do calcário no intervalo entre as duas operações citadas. Para terrenos com relativa inclinação, será necessária a construção de terraços, para evitar a erosão do solo ao longo do cultivo. Na Figura 1, observa-se uma área com sulcos e sistema de irrigação preparados para a introdução das plantas do mamoeiro, em Linhares, ES.

Modo de plantio: em covas ou em sulcos

O plantio do mamoeiro pode ser feito em covas de 40 x 40 x 40 cm, seguindo o espaçamento indicado, ou ao longo dos sulcos.

No segundo caso, utiliza-se sulcador com capacidade de penetrar no solo a uma profundidade mínima de 40 cm. Antes da abertura dos sulcos de plantio, aconselha-se para solos com histórico de compactação, por causa do trânsito intenso de máquinas pesadas, utilizar o arado subsolador, marcando o alinhamento das plantas.

No caso de plantio em covas, separar o solo da camada superficial, ou seja, os primeiros 20 cm ou camada mais fértil para um lado, e o restante para outro.

Depois de aberta, a cova será inicialmente preenchida com essa terra da superfície, misturada com o adubo e o calcário, caso necessário. É importante que essa operação seja realizada, pelo menos, 30 dias antes do plantio das mudas. Os adubos serão misturados com partes de terra equitativamente e, depois, enchem-se as covas com a composição, que pode ser molhada para favorecer a reação dos nutrientes adicionados.

No plantio em sulcos, marcam-se os pontos onde serão adicionados os adubos orgânicos ou químicos, nos quais, posteriormente, serão plantadas as mudas, obedecendo o espaçamento indicado.

Para marcação de áreas com declividade, faz-se a demarcação de covas em curvas de nível, e, em terrenos planos, faz-se a demarcação de linhas no sentido do maior comprimento do terreno (prática conservacionista de solo).

Área preparada para o cultivo do mamoeiro,

Densidade de cultivo

O objetivo principal do uso de espaçamento adequado é obter altas produtividades sem comprometer a qualidade dos frutos. O plantio adensado tende a conferir maior altura às plantas e menor peso unitário aos frutos.

O mamoeiro pode ser cultivado em fileiras simples ou duplas. No segundo caso, tem-se como objetivo principal possibilitar maior número de plantas por área, sem comprometer o tráfego de máquinas no interior do pomar. Por outro lado, ainda possibilita a introdução de plantas leguminosas voltadas para a adubação verde entre as linhas mais estreitas. Prática considerada ecologicamente correta, indicada, sobretudo, em cultivos orgânicos.

No sistema de fileiras simples para as cultivares do grupo Solo, os espaçamentos podem variar desde 1,50 a 3,00 m entre plantas dentro das linhas versus 2,00 a 4,00 m entre as linhas. 

Já no sistema de fileiras duplas, são descritos os seguintes espaçamentos:

4,00 x 2,00 x 2,00 m; 4,00 x 2,00 x 1,80 m;

4,00 x 1,80 x 1,80 m; 3,80 x 2,00 x 2,00 m;

3,80 x 2,00 x 1,80 m; 3,60 x 2,00 x 2,00 m;

3,60 x 1,80 x 1,80 m, adotados tanto para cultivares do grupo Solo, quanto para as do grupo Formosa 

Em ambiente protegido, adotaram espaçamento de 2,0 x 1,9 m para a cultivar Baixinho de Santa Amália (grupo Solo), atingindo produtividade acima de 40 t/ha, superior aos padrões convencionais de cultivo e de espaçamento (Fig. 2).

Para elevar a proporção final de plantas hermafroditas e garantir melhor padronização e qualidade de frutos para comercialização, recomenda-se o plantio de três mudas/ cova, tanto do grupo Formosa quanto do grupo Solo (Fig. 3). Recomenda-se a distância média de 20 cm entre as mudas de uma mesma cova, ficando dispostas em triângulo equilátero, as quais posteriormente deverão ser desbastadas após a determinação do sexo.

No caso de implantação de cultivo em sulcos, pode-se optar, ainda, pelo plantio em renque. Dessa forma, adota-se o espaçamento de 0,7 m entre as plantas, que serão raleadas posteriormente na operação de sexagem, quando se eliminam as plantas fêmeas. Para os mamoeiros do grupo Formosa, dependendo da situação e da distribuição ao longo da linha, deixam-se plantas femininas, já que o mercado interno também admite o comércio dos frutos oriundos destas plantas.

Estande com plantas da cultivar Baixinho de Santa Amália: cultivo orgânico em estufa

Três mudas reunidas em plantio implantado em sulcos,

ÉPOCA DE PLANTIO

Na operação de plantio do mamoeiro, devem-se evitar dias de sol intenso. O mais aconselhável é que o plantio seja realizado no início do período chuvoso em dias nublados ou chuvosos.

Em locais de precipitação em torno de 1.200 mm/ano ou regime superior, bem distribuídos ao longo do ano, o mamoeiro não necessita de irrigação, podendo o plantio ser feito em qualquer época.

Em regiões com períodos relativamente longos de estresse hídrico, faz-se necessária a instalação de irrigação sistematizada.

Não pode faltar água, sobretudo na fase de florescimento, o que ocasionaria significativa queda de flores, reduzindo a produtividade do pomar. O problema é agravado quando as temperaturas apresentam-se acima de 28 ºC e umidade relativa (UR) do ar menor que 60%.

A primeira carga de frutos do mamoeiro é sempre mais intensa e efetiva. Esta fase é menos afetada por curtas alterações climáticas e/ou deficiências no manejo ou tratos culturais, quando se compara com plantas mais maduras. Assim, indica-se fazer o plantio de forma que as primeiras colheitas coincidam com a época do ano de melhor preço de frutos no mercado interno.

OPERAÇÃO DE TRANSPLANTIO

No ato do transplantio, deve-se evitar a quebra do torrão formada pelo substrato e raízes das mudas, sejam estas germinadas em sacos plásticos, células de bandejas ou tubetes. A desestruturação do torrão pode levar ao atraso no crescimento e/ou estabelecimento do mamoeiro.

O plantio não deve ser relativamente profundo. Recomenda-se evitar que a base da muda, ainda com células clorofiladas, fique em contato com o solo úmido da cova. As mudas deverão ficar com a região do colo no nível do solo, estando este acima do nível do terreno. O solo ao redor das mudas deve ser apertado para que fique bem aderido ao torrão, e, logo após, faz-se uma bacia ao redor destas. As mudas devem ser irrigadas nos dias iniciais de cultivo, mesmo em períodos chuvosos, requerendo entre 20 e 40 mm semanais de água, com turno de rega que varia de dois a quatro dias.



sexta-feira, 8 de outubro de 2021

SOLOS PARA O MAMOEIRO


 

SOLO

O solo mais adequado para o desenvolvimento do mamoeiro é o de textura areno-argilosa, com pH de 5,5 a 6,7.

Os solos com boa estrutura, permeável, profundo e rico em matéria orgânica são ideais para o cultivo do mamoeiro.

É fundamental que o solo tenha boa drenagem, visto que essa planta é muito sensível a excessos de umidade na zona radicular. A saturação prolongada do solo com água provoca asfixia das raízes e proporciona o aparecimento da podridão do pé, moléstia causada pelos fungos Phytophthora sp. que lesionam o colo das plantas. A retenção de água no solo por período prolongado, estimulada por camadas adensadas ou compactadas, estimula o amarelecimento e queda prematura das folhas, redução da produção e até mesmo morte do mamoeiro

 Em condições de encharcamento, podem apresentar ainda troncos finos e altos e maior incidência de doenças.

As camadas de solo adensadas ou compactadas, além de estimular o excesso de umidade, são barreiras físicas ao desenvolvimento superficial e subsuperficial das raízes do mamoeiro, diminuindo o volume de solo explorado pelas plantas. Assim, restringe o acesso das raízes aos nutrientes e à água, o que agrava o efeito de deficiências hídricas nos períodos de estiagem.

Para minimizar tal efeito, em solos com camadas mais adensadas abaixo da superfície, como naqueles dos Tabuleiros Costeiros, onde estão as principais regiões produtoras do Brasil (sul da Bahia e norte do Espírito Santo), recomenda-se a subsolagem a 0,5 m ou a uma maior profundidade, na linha de plantio ou, de preferência, em toda a área.

Caso seja elevada a precipitação pluvial local e lentas a drenagem e a velocidade de infiltração da água no solo, recomenda-se o plantio em áreas com pequeno declive (de 3% a 5%), em curva de nível, para evitar o acúmulo de água junto às raízes.

Para atenuar os efeitos do adensamento em condições de solos com horizonte subsuperficial adensado, as mudas devem ser plantadas em camalhões, visando elevar o colo da planta, o que favorecerá a drenagem e a aeração, tornando o ambiente mais propício ao crescimento das raízes.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Antes de iniciar a implantação da cultura do mamoeiro, algumas observações devem ser feitas para a tomada de decisão.

As condições climáticas locais deverão ser propícias ao desenvolvimento e produção do mamoeiro. Outro ponto importante é verificar a média pluviométrica da região, e se há disponibilidade de água para efetuar irrigações complementares. Os solos com camadas adensadas/coesas/compactadas, na superfície ou subsuperfície, deverão ser corrigidos antes da implantação da cultura.

Da mesma forma, impedimentos químicos deverão ser solucionados por meio de fertilizações.

E, por último, deve-se adotar um sistema de produção que possibilite altas produtividades e frutos de excelente qualidade.



quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Clima para o Mamoeiro

 

Resumo - O cultivo do mamoeiro é uma das principais atividades na cadeia nacional de produção de frutas, sendo importante base econômica em várias regiões produtoras.

Para obter alta produtividade e gerar emprego e renda, é fundamental atentar às exigências edafoclimáticas dessa cultura. A planta é oriunda de regiões tropicais, e, com isso, a insolação, a temperatura e a umidade, nas medidas certas, estimuladas por latitude, altitude e precipitação pluviométrica, favorecem o crescimento, a floração e a produção de frutos. Porém, condições extremas – insuficiência ou excessiva ação desses fatores climáticos – são deletérios ao cultivo, na medida em que minimizam a capacidade produtiva da planta. Esta, pela sua morfologia, em especial a ausência de um caule lenhoso e a presença de folhas largas, está sujeita à ação de ventos fortes, sendo necessária a disposição de quebra-ventos. O solo deve ter boa porosidade, capacidade de retenção de água e de nutrientes. Pela sensibilidade das raízes ao excesso de umidade, devem-se evitar solos com camadas adensadas ou compactadas e, se necessário, dispor o plantio em camalhões.

Palavras-chave: Mamão. Carica papaya. Clima tropical. Produção de frutos. Fatores climáticos.

O mamoeiro é uma planta tipicamente tropical e pode adaptar-se ao clima subtropical e produzir em climas temperados.

Portanto, em todo o território brasileiro existem regiões em condições favoráveis ao seu cultivo, para que obtenha um bom desenvolvimento das plantas e produza frutos de qualidade. Dentre essas condições, citam-se: implantação da cultura em áreas ensolaradas e com altas temperaturas, baixas altitudes, precipitações pluviais bem distribuídas e pouco sujeitas a ventos fortes. O solo também merece atenção especial. Deve-se dar prioridade aos solos férteis e bem drenados.

TEMPERATURA

A cultura do mamoeiro está difundida em regiões que apresentam clima tropical e pluviosidade elevada, sendo também cultivada comercialmente em algumas regiões de clima subtropical até latitudes de 32º norte ou sul.

Por ser uma planta tipicamente tropical, o mamoeiro apresenta crescimento regular e produz frutos de boa qualidade em regiões de alta insolação.

A temperatura média ideal para essa cultura situa-se entre 22 ºC e 28 ºC, com a média anual ótima para o desenvolvimento da cultura em torno dos 25 ºC. O desenvolvimento da cultura, sobretudo a formação de flores e de frutos, é influenciado por esse fator climático.Quando há temperaturas médias acima de 30 ºC, o mamoeiro apresenta distúrbios fisiológicos, com redução na fotossíntese, alterações na polinização e na fecundação das flores, com consequente redução na produção de frutos. Em locais com temperatura média entre 18 ºC e 21 ºC, há sensível prejuízo na produção, maturação lenta dos frutos e redução no conteúdo de açúcares, tornando-os menos saborosos, com polpa insípida e de coloração pálida ao estudarem o efeito da temperatura do ar e de diferentes lâminas de irrigação (8%, 48%, 80%, 112% e 152% da evapotranspiração de referência (ETo)) no índice de floração e no pegamento de frutos do mamoeiro, em Cruz das Almas, BA, concluíram que a irrigação reduz os efeitos negativos das altas temperaturas na floração do mamoeiro.

Esses autores verificaram que a lâmina equivalente à reposição de 152% da ETo foi suficiente para garantir a floração em condições de temperatura acima de 28 ºC e umidade relativa (UR) de 60%, situação esta crítica para a floração do mamoeiro.

A temperatura média inferior a 15 ºC é inadequada para o cultivo do mamoeiro.

Em locais de maior altitude e/ou mais frios, há maior incidência de formação de frutos defeituosos, conhecidos como carpeloides ou “cara-de-gato” Além disso, o mamoeiro perde a maioria de suas folhas, restando apenas as terminais, seus frutos ficam expostos à queimadura do sol e tornam-se inaproveitáveis para a comercialização.

ALTITUDE

O cultivo do mamoeiro é favorecido em altitudes de até 200 m, embora a planta produza bem em locais mais elevados e com temperaturas mais baixas. Nessas condições, o vigor da planta e a qualidade dos frutos são inferiores aos dos mamoeiros produzidos nas regiões mais quentes. A temperatura, estimulada pelo efeito da altitude, exerce influência no desenvolvimento da cultura, sobretudo na formação de flores e de frutos. 

A formação de flores imperfeitas está relacionada com fatores genéticos, afetados por fatores ambientais. As plantas hermafroditas são sensíveis às pequenas variações ambientais. Aqueles locais com maior altitude e menor temperatura mínima favorecem a produção de frutos carpeloides.

Da mesma forma, condições de alta umidade, altos teores de nitrogênio (N) e de água no solo propiciam mudança no sexo das flores, de hermafroditas para femininas, produzindo frutos de baixo valor comercial.

PLUVIOSIDADE

Por ser um fruto muito rico em água, o mamoeiro exige, tanto no período de crescimento, quanto no período de produção, um bom suprimento hídrico no solo, sendo necessárias precipitações não inferiores a 1.200 mm anuais. As precipitações variáveis de 1.800 a 2.000 mm anuais e bem distribuídas são consideradas ideais para o bom desenvolvimento da cultura, devendo, se necessário, considerar a suplementação de água mediante irrigação.

A exigência de umidade para o mamoeiro varia de acordo com a idade das plantas. Por apresentarem rápido crescimento vegetativo, as plantas mais novas necessitam de mais umidade. Já aquelas mais velhas requerem menos umidade, por apresentarem crescimento vegetativo mais lento e por possuírem sistema radicular mais extenso, o que favorece a absorção da umidade disponível a uma maior profundidade do solo.

O mamoeiro consome em média 18 litros de água por dia, em evapotranspiração de, aproximadamente, 3,5 mm/dia em regiões sem precipitação bem distribuída e/ou com longos períodos de estiagem, o mamoeiro deve ser irrigado, visando maior produção e escalonamento da colheita. Há necessidade de suplementação hídrica, por meio de irrigações complementares às chuvas, em locais com precipitações mensais inferiores a 100-150 mm.

A cultura do mamão é sensível tanto ao excesso quanto à falta de água. O excesso afeta o desenvolvimento do mamoeiro, causando o apodrecimento das raízes, e, com isso, a morte destas em 48 horas. Por outro lado, a deficiência hídrica reduz o crescimento das plantas e, se ocorrer no período de floração, favorece a produção de flores masculinas e estéreis, além de induzir à formação de novas folhas nas axilas de onde deveriam sair os frutos, paralisando, assim, a frutificação, com consequente diminuição da produção.

UMIDADE RELATIVA

A UR do ar, entre 60% e 85%, é a mais favorável ao desenvolvimento dessa planta acima do limite anteriormente indicado, associada ao excesso de chuva, prejudica a fertilização e fixação dos frutos, além de diminuir a sua qualidade.

As doenças do mamoeiro constituem outro fator a ser considerado, quando as plantas são cultivadas com excesso de umidade. Destaca-se a antracnose, doença favorecida por temperaturas próximas a 28 ºC e UR superior a 95%, enquanto a varíola ou a pinta-preta desenvolve-se com maior frequência de chuvas.

VENTO

O mamoeiro é muito sensível a ventos frios. A morfologia da planta, considerando características como folhas largas, caule herbáceo e alto, carregado de frutos pesados, torna-a vulnerável à ação de ventos fortes. Tais ventos promovem fendilhamento e queda das folhas, reduzindo a área foliar da planta e, consequentemente, a capacidade fotossintética, além de expor os frutos aos raios solares, sujeitando-os a queimaduras. Os ventos, se mais fortes, elevam a queda de flores e frutos, principalmente nas plantas em fase de produção. Para minimizar tal efeito é necessário o plantio de quebra-ventos.



segunda-feira, 27 de setembro de 2021

VARIEDADES DE MAMÃO


 

VARIEDADES

Como a maioria das sementes das variedades utilizadas nas regiões produtoras de mamão é proveniente de frutos de polinização livre, sem controle efetivo da polinização, as cultivares sofrem variações em suas descendências, causando descaracterização desses genótipos e comprometendo a qualidade das lavouras.

Conforme o tamanho e a origem dos frutos, os mamoeiros ginoico-andromonoicos (hermafroditas) podem ser classificados em dois grupos distintos: o grupo Solo e o grupo Formosa. As variedades do grupo Solo são representadas por linhagens, enquanto os genótipos comerciais do grupo Formosa correspondem a híbridos F1.

Apesar das vantagens inerentes ao cultivo do mamoeiro, foi somente a partir de 1973 que a cultura  retomou sua importância econômica para o Brasil, em virtude da introdução de híbridos F1 do grupo Formosa e, principalmente, de linhagens do grupo Solo, notadamente nos estados do Pará, Espírito Santo e Bahia. Esse material teve rápida aceitação pelos consumidores e, por apresentar características que se adaptam às exigências do mercado internacional, abriu novo e importante mercado externo para o Brasil (DANTAS et al., 2011).

Genótipos do grupo Solo

As variedades do grupo Solo ‘Improved Sunrise Solo Line 72/12’, ‘Baixinho de Santa Amália’, ‘Taiwan’, ‘Kapoho Solo’, ‘Waimanalo’ e ‘Higgins’ já foram amplamente plantadas no Brasil. Atualmente, a maior concentração de plantios tem sido com as variedades Sunrise Solo e Golden:

a) ‘Sunrise Solo’: inicia a floração aos três ou quatro meses de idade, com altura de inserção das primeiras flores que variam de 70 a 80 cm. Planta precoce, inicia a produção oito a dez meses após o plantio, com produtividade média de 45 t/ha/ano. Frutos de casca lisa e firme, com polpa vermelho-alaranjada, de boa qualidade, de tamanho pequeno, com peso médio de 500 g, piriforme a ovalado e cavidade interna estrelada;

b) ‘Golden’: possui frutos hermafroditos, piriformes, de polpa rosa salmão, cavidade interna estrelada (Fig. 2), casca lisa, tamanho uniforme, com peso médio de 450 g e excelente aspecto visual. No estádio verde, apresenta cor da casca verde mais claro (Fig. 3) que a variedade Sunrise Solo. Tem boa aceitação no mercado internacional, porém com teor de sólidos solúveis dos frutos e produtividade inferiores aos do ‘Sunrise Solo’.

Como as lavouras de mamoeiro são de polinização livre e a produção de sementes para os plantios é feita por meio de seleção de plantas, com características superiores dentro das áreas de produção comercial, os produtores rurais e as empresas de produção de sementes, que fazem esse trabalho de seleção, na região Norte do Espírito Santo, vão denominando essas seleções, conforme a localização da propriedade, o nome do produtor rural, entre outros.

Por isso, estão disponíveis no mercado de sementes das seleções: ‘Sunrise Solo BS’, ‘Golden THB’ e ‘Aliança Solo’, as quais apresentam bom desenvolvimento vegetativo e qualidade de frutos que atendem às exigências do mercado consumidor.

Figura 2 - Aspecto da polpa e formato da cavidade interna de frutos de mamoeiro ‘Golden’

Figura 3 - Frutos de mamoeiro ‘Golden’ em condições de comercialização

Genótipos do grupo

Formosa

Os genótipos do grupo Formosa apresentam frutos de peso médio de 800 a 1.100 g. Dentre os híbridos comerciais esse grupo, o mais cultivado no Brasil é  ‘Tainung 1’, importado de Kaohsiung Taiwan), por US$ 3,500 a 4,000/kg da semente. O custo alto da semente incentiva s produtores brasileiros a utilizarem as próprias sementes dos híbridos nas gerações 2, F3, F4 etc., o que leva à perda das Características do híbrido original, produzindo frutos com qualidade inferior e fora o padrão comercial (COSTA; PACOVA, 2003), como a seguir: a) ‘Tainung 1’: plantas relativamente ais altas. Os frutos são alongados, as plantas hermafroditas Fig. 4) e oblongo-obovados (redondo-Angados), nas femininas. or da polpa vermelho laranjada.

O peso dos frutos varia de 900 a .100 g, tem ótimo sabor, possui oa durabilidade e resistência ao transporte. Plantas vigorosas, com altura média aos oito meses após o plantio de 1,65 m. Textura firme e 0,8 ºBrix. Com uma produtividade édia em torno de 180 t/ha/ano, em grande aceitação no mercado interno;

b) ‘Calimosa’ (Uenf/Caliman 01): primeiro híbrido nacional de mamão, om plantas que atingem altura Media de 2 m. Frutos com peso édio de 1.250 g; polpa vermelho alaranjada.

Fruto de formato

ovoide, casca fina, com polpa de roma intermediário, com elevada uniformidade e padrão de frutos. Plantas vigorosas, com altura média os oito meses após o plantio de ,76 m. Textura firme e 12 ºBrix. Boa produtividade, em torno de 30 t/ha/ano;

c) ‘Rubi Incaper 511’: frutos com boas características comerciais (Fig. 5), omo peso, tamanho, consistência da polpa, com cor e sabor, similares o ‘Tainung 1’. Peso médio de .500 g, polpa vermelho-alaranjada, Gossa, com espessura média de  cm, o que proporciona bom aproveitamento os frutos. Textura firme e 10,2 °Brix. Plantas vigorosas, com altura média aos oito meses após  plantio de 1,64 m (Fig. 6). Boa produtividade, se bem conduzida, a Variedade pode render 170 t/ha/ano.

A grande vantagem é a possibilidade e reutilização das sementes da própria lavoura em até três novos plantios, o que reduz a dependência de utilização de sementes importadas.

Figura 4 - Fruto originário de flor hermafrodita de ‘ Tainung 1’

Figura 5 - Fruto da variedade Rubi Incaper 511

Figura 6 - Variedade Rubi Incaper 511 aos oito meses após o plantio




terça-feira, 7 de setembro de 2021

BOTÂNICA DO MAMOEIRO


 

ASPECTOS TAXONÔMICOS

O mamoeiro (Carica papaya L.) representa uma espécie isolada, que divergiu dos seus parentes próximos há, aproximadamente, 25 milhões de anos. Admite-se que seu centro de origem seja o noroeste da América do Sul, onde se originam também outros gêneros da família Caricaceae, concentrados principalmente na vertente oriental dos Andes, com diversidade genética máxima na Bacia Amazônica Superior. O mamoeiro é caracterizado como uma planta tipicamente tropical (BADILLO, 1971).

A espécie Carica papaya L. pertence à classe Dicotyledoneae, subclasse Archichlamydeae, ordem Violales, subordem Caricineae, família Caricaceae e gênero Carica (BADILLO, 1971). A diferenciação das espécies da família Caricaceae baseia-se na variabilidade genética das folhas, inflorescências, flores, frutos e sementes. Segundo Storey (1941), o genoma básico do gênero Carica é n = 9 cromossomos, ou 2n = 18, para a fase diploide.

A família Caricaceae abrange os gêneros Carica, Horovitzia, Jarilla, Jaracatia, Vasconcellea e Cylicomorpha, cuja distribuição é anfi-Atlântica, com duas espécies na África Tropical e, 33, na América Central e na América do Sul (DROOGENBROECK et al., 2002; CARVALHO; RENNER, 2012). Dois gêneros são monotipos Carica (C. papaya) e Horovitzia (H. cnidoscoloides), endêmico no México. As oito espécies do gênero Jacaratia ocorrem do sul do Brasil ao México, e as três do gênero Jarilla são arbustos perenes presentes no México e na Guatemala. O gênero Vasconcellea compõe-se de 20 espécies, sendo 19 arbóreas ou arbustivas e uma trepadeira (CARVALHO; RENNER, 2012), originárias do continente americano. Já as duas espécies do gênero Cylicomorpha são árvores de grande porte, C. solmsii nativa na África Ocidental e C. parviflora, na África Oriental (DROOGENBROECK et al., 2004).

O gênero Vasconcellea é o mais importante em recursos genéticos, pois possui resistência a doenças. Por outro lado, a espécie C. papaya, única conhecida comercialmente, não apresenta tanta resistência a doenças (OLIVEIRA; DANTAS; CASTELLEN, 2007). Estuda-se a resistência a doenças, especialmente às viroses, como o vírus-do-mosaico-do-mamoeiro, que visa incorporar genes de resistência ao germoplasma de C. papaya.

Características botânicas e comerciais, da planta e dos frutos, importantes para a cultura do mamão, podem ser aproveitadas, seja em métodos que utilizam autopolinizações, uma vez que estas comprovadamente não levam à perda de vigor, seja em hibridações entre genótipos pré-selecionados (variedades e linhagens), seguidas de seleção, autofecundação e retrocruzamentos (STOREY, 1941), utilizando-se, também, a biotecnologia. O melhoramento genético pode contribuir para aumentar a produtividade e a qualidade de frutos e, atender às exigências dos mercados, nacional e internacional, incrementar a rentabilidade do produtor e seu nível socioeconômico.

Flor Feminina e Flor Hermafrodita



segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Produção, mercado e aspectos econômicos do Mamão

INTRODUÇÃO  

Brasil, segundo maior produtor mundial de mamão, responde por 16% desta produção (FAO, 2013). Observa- se uma grande faixa contínua produtora próxima ao litoral, entre Linhares (ES) e Porto Seguro (BA), porém com progressiva migração para o interior do continente. Minas Gerais é o quinto produtor (IBGE, 2013), com produção crescente principalmente pelo município de Jaíba, que aumentou seu fornecimento à Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) em 45 vezes, entre 2008 e 2012. Enquanto a maior parte das cargas chega à Ceagesp com os frutos a granel, na carroceria dos caminhões, os produtores das novas áreas colhem frutos mais maduros, classificam e embalam na origem. Essa colheita de frutos maduros só é possível se o mamão for comercializado em embalagens, já que se torna mais macio e sujeito a danos. Como se trata de um fruto climatérico, mas com reduzido acúmulo de açúcares após colhido, o sabor final do fruto colhido maduro será muito melhor. Uma vez que esta superioridade em qualidade esteja associada a uma marca ou embalagem, há tendência de o consumidor dar preferência a esse produto, o que poderá ser um diferencial para esses produtores.

PRODUÇÃO

De acordo com os dados de produção coletados pela Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO, 2013), em 2011, o mundo produziu 11,84 milhões de toneladas de mamão, em 421,5 mil hectares. O Brasil detém a segunda co- locação, com produção de 1,85 milhão de toneladas, ou 15,7% da produção mundial, em 35,5 mil hectares (Quadro 1). O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2011) registrou que a produção brasileira de mamão foi de 1,85 milhão de toneladas, com predomínio na Bahia (928 mil toneladas) e Espírito Santo (560 mil toneladas) (Quadro 2). O que se observa é a existência de uma grande faixa contínua produtora de mamão, próxima aos litorais capixaba e baiano, que vai das proximidades de Linhares, ES, até Porto Seguro, BA.Minas Gerais é o quinto produtor de mamão, com apenas 2,42% da produção nacional em 2011 (Quadro 2), porém crescente. Naquele momento, o município de Jaíba foi o maior produtor, com 16,7% da produção do Estado (Quadro 3). O fornecimento de mamão pelo município de Jaíba à Ceagesp passou de 232 t, em 2008, para 10.541 t, em 2012 (Gráfico 1), sendo 8.505 t de mamão do grupo Formosa (CEAGESP, 2013).

COMERCIALIZAÇÃO

A comercialização dos mamões no Entreposto Terminal de São Paulo (ETSP), da Ceagesp, retrata o mercado brasileiro de mamão. Todas as notas fiscais recolhidas nas portarias do ETSP tornam-se a fonte de dados do Sistema de Informação e Estatísticas de Mercado (Siem), da Seção de Economia e Desenvolvimento (Sedes), que registrou, em 2012, no ETSP, a comercialização de 56,4 mil toneladas de mamão do grupo Formosa e de 86,9 mil toneladas do grupo Solo, conhecido popularmente como Havaí, Havaiano ou Papaia. Houve queda do fornecimento dessa fruta, de 168,3 mil toneladas, em 2011, para 143,3 mil toneladas, em 2012 (CEAGESP, 2013). Confrontando com os dados de produção do IBGE, estima-se que o ETSP comercialize, aproximadamente, 9,7% da produção brasileira de mamão, participação relativa que vem caindo pouco a pouco ao longo dos últimos anos. O que se constata no entreposto é certa estabilidade no volume do grupo Solo e um crescimento do Formosa. Desde 2007, primeiro ano de funcionamento do Siem, o volume comercializado de mamão do grupo Solo sempre ficou próximo a 90 mil toneladas e o do Formosa passou de 52 mil toneladas, em 2007, para quase 64 mil, em 2010, caindo para 56, em 2012. De acordo com o ranking de 2012 da Ceagesp, o mamão é a terceira fruta em volume comercializado, perdendo apenas para a laranja e a maçã, e a quinta em volume financeiro, movimentando 20 milhões de reais, em 2012.

Para o grupo Solo, a Bahia é a grande fornecedora para o ETSP, com 70% do volume total em 2012; o Espírito Santo vem logo a seguir com 26%, e o restante é distribuído entre vários Estados. Uma característica marcante da comercialização no ETSP é a preferência pela ‘Sunrise’ e suas variações como a ‘BS’ (Benedito So- ares), em detrimento da ‘Golden’. Apesar de a ‘Golden’ ter melhor resistência pós- colheita e menor ocorrência de manchas fisiológicas, o sabor da ‘Sunrise’ é muito superior, e grande parte dos varejistas paulistanos, como feirantes, hortifrutis e ambulantes, que possuem contato muito próximo com o consumidor, constatam que este rejeita a ‘Golden’, pela maior firmeza e menor conteúdo de açúcares da polpa.

Na comercialização de mamão do grupo Formosa, há uma inversão com o Espírito Santo como principal abastecedor, com 22,67 mil toneladas ou 40,2% do total, e a Bahia participou com 15,7 toneladas ou 27,8%. Os envios capixabas saem quase todos dos municípios de Pinheiros, São Mateus e Montanha. É no grupo Formosa que se observa rápida mudança do modelo de comercialização do mamão. Em 2012, 132 municípios enviaram mamões Formosa ao ETSP, mas os dez maiores foram responsáveis por 69% do total. No Quadro 4, observa-se um grande crescimento na produção dos municípios do Oeste Baia- no, de Baraúna no Rio Grande do Norte e de Jaíba no Norte de Minas, município que não registrou nenhuma entrada em 2007, e em 2012, enviou 8.505 toneladas. Ao mesmo tempo, constata-se queda no envio de mamão por Montanha, ES. Os produtores desses municípios emergentes na produção de mamão Formosa trabalham de maneira totalmente distinta da maioria dos produtores capixabas.

EMBALAGENS E TRANSPORTE

Enquanto a maior parte das cargas do Espírito Santo chega à Ceagesp com os fru- tos a granel, na carroceria dos caminhões, os produtores das novas áreas colhem frutos mais maduros, classificam e em- balam na origem. Muitos utilizam caixas de papelão ondulado, bastante atrativas, caixas de plástico sanitizáveis (Fig. 1A), ou mesmo caixas de madeira com frutos protegidos por papel (Fig. 1B), ou por rede de poliuretano, etiquetados com a marca do produtor (Fig. 1A). É sabido que o fruto do mamoeiro, por ser climatérico, é capaz de amadurecer a partir do momento em que as sementes estão negras. No entanto, se o fruto permanecer no mamoeiro continuará o acúmulo de açúcares e o sabor final do fruto maduro será muito melhor. Esta colheita de frutos mantidos na planta por mais tempo só é possível se forem comercializa- dos em embalagens, já que se tornam mais macios e sujeitos a danos, o que inviabiliza o transporte a granel.

O arcaico sistema de transporte a gra- nel exige colheita de frutos ainda com a casca totalmente verde e polpa bem firme, portanto, quando ainda acumulam menor quantidade de açúcares. Estes frutos terão sabor pouco pronunciado, quando maduros. Já aqueles colhidos mais maduros e que começam a mudar a coloração, tendo pelo menos duas listras amarelas, são muito mais saborosos quando totalmente maduros e, sendo identificados com marca, são reconhecidos como produto superior pelos varejistas e consumidores. Dessa forma, concluem que vale mais adquirir um produto que, apesar de bem mais caro, é ca- paz de proporcionar muito mais satisfação. Em geral, os mamões embalados na origem conseguem valor de venda entre 50% e 100% acima dos que chegam a granel e são embalados no entreposto. Esta é uma tendência geral para o mercado de frutas e hortaliças, e quem embala na origem vem ganhando terreno rapidamente.

Um caminhão de mamão Formosa a granel demora mais de seis horas para ser descarregado, ocupando espaço no entreposto, e são normais perdas da carga próximas de 20%. A descarga de mamão Formosa é, sem dúvida, a maior geradora de lixo no ETSP.

No grupo Solo, o domínio é quase que total dos municípios baianos e capixabas da faixa litorânea do norte do Espírito Santo e extremo sul da Bahia (Quadro 5). Vários produtores dessa região, alguns também atacadistas no ETSP, estão começando a trabalhar com embalagens de papelão ondulado do mesmo modo que os produtores de Formosa do Oeste Baiano e do Rio Grande do Norte.

Figura 1 - Frutos embalados em caixas procedentes da Brasnica - Janaúba, MG

NOTA: Figura 1A - Frutos embalados em caixas de plástico e protegidos com rede de poliuretano. Figura 1B - Frutos embalados em caixas de madeira e protegidos com papel.

QUALIDADE DO MAMÃO

A observação diária do mercado indica que os produtores de frutas e hortaliças de maior sucesso são os que criam uma marca e a associam com alta qualidade. E, sem dúvida, um ótimo sabor e a adequação ao uso são as principais caracte- rísticas qualitativas e as mais importantes para todos os tipos de consumidores (ABBOT,1999). Nenhum consumidor deseja consumir fruta ou hortaliça colhida precocemente ou tardiamente, ainda ácida ou já passada, seca ou fibrosa. Quando o consumidor associa uma marca, selo ou embalagem a um produto de ótimo sabor, este torna-se predileto. O fruto com esse padrão de qualidade, colhido no momen- to certo, e embalado, comporta outros cuidados adicionais. Uma vez que serão associados a uma marca, e a embalagem permite colheita de frutos maduros, muitos produtores estão investindo em casas de embalagem, onde são lavados (Fig. 2A), classificados e embalados (Fig. 2B), e, posteriormente, transporta- dos em caminhões frigorificados.

A parcela mais informada da população tem grande preocupação com a segurança dos alimentos, no que se refere a resíduos de agrotóxicos e contamina- ções por microrganismos causadores de doenças. Alguns consumidores exigem também condições sociais e ambientais de produção totalmente dentro da conformidade. A Produção Integrada de Mamão (PI Mamão) é um ótimo caminho para atender a estes anseios dos consumidores.

Constata-se que os produtores de frutas e hortaliças bem-sucedidos no mercado interno atendem a alguns requisitos:

a) conhecimento das características qualitativas responsáveis por melhor aceitação pelo consumidor final e pelo mercado atacadista. De acordo com levantamentos feitos pelo Instituto Brasileiro de Qualidade em Horticultura (HORTIBRASIL, 2011), os fatores mais importantes para a melhor aceitação do consumidor de mamão são: em primeiro lugar, o óti- mo sabor, com adequado conteúdo de açúcares, bom aspecto de casca e boa durabilidade na pós-colheita. O consumidor não aceita perder frutas por doenças como antracnose e as podridões-de-pedúnculo;

b) plantio em região com características climáticas adequadas e adoção de sistema de produção que resulte em frutos com padrão de qualidade desejado;

c) associação do nome do produtor ou de sua marca a um produto de alta qualidade. É importante que os compradores do varejo e os consumido- res tenham referência para voltar ao produto de alta qualidade, como já acontece com as grandes marcas da indústria. Para isso, o produtor ou comerciante necessita lançar mão de embalagens diferenciadas, como caixas com impressões atraentes e embalagens individuais para os frutos, de modo que o consumidor possa associar o visual à alta qualidade, principalmente em termos de sabor;

d) dispor de um sistema de informação que permita visualizar constante- mente as diferenças de preços de diversas qualidades de produto e de base para negociações mais justas e que a melhor qualidade possa ser grande variação das suas caracte- rísticas qualitativas e outros valores que podem ser adicionados, como, por exemplo, o tipo de sistema de produção, não podem ser consideradas commodities. A formação dos preços de comercialização não pode ser explicada unicamente pela oferta e demanda. Muitas vezes, em um único dia de comercialização, ocorre grande diferença no preço de produtos da mesma variedade e ta- manho, determinada pela qualidade entre estes;

e) ter um agente confiável no mercado de destino, que seja responsável por passar ao produtor informações precisas sobre o andamento da comercialização.

A determinação dos preços finais de comercialização do mamão é uma complexa combinação de oferta, demanda, cultivar, tamanho do fruto, qualidade e apresentação do produto

Figura 2 - Frutos em casas de embalagem na Brasnica - Janaúba, MG

NOTA: Figura 2A - Frutos lavados. Figura 2B - Frutos classificados e embalados.