sábado, 17 de junho de 2017

Doenças dos Coqueiros e métodos de controle

DOENÇAS FOLIARES

Queima das folhas - Agente causal: Botryosphaeria cocogena Subileau
A queima das folhas, também conhecida como fogo do coqueiro, ocorre de forma epidêmica nos estados de Alagoas, Bahia, Pará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Desde 1975, esta doença vem provocando uma considerável redução na produtividade dos coqueiros nos estados nordestinos (SOUZA FILHO et al., 1979). A incidência da doença é mais evidente na época do ano em que a precipitação e umidade relativa do ar são baixas e as temperaturas são elevadas.
Os sintomas da doença estão presentes nas folhas inferiores (Figura 1). Caracteriza-se por um secamento dos folíolos localizados na extremidade da folha em forma de V, que avança pela raque até atingir a base da folha, que seca prematuramente. Concomitantemente, surgem nos folíolos manchas de coloração marrom clara a avermelhada, de formato irregular e alongadas, que também progridem em direção à raque onde se observa um exudado de goma (WARWICK et al., 1994). Uma vez na raque, a doença torna-se sistêmica, evoluindo para a parte interna da planta. Em consequência, o cacho fica sem sustentação e cai antes de completar sua maturação. O avanço da doença na planta provoca a redução da área fotossintética, o que reflete significativamente na queda de produtividade. Essa doença chega a atingir cerca de 50% das folhas de uma planta e até 100% da plantação, daí seu caráter endêmico na região de ocorrência (SUBILEAU, 1993).

Foto: Dulce Regina Nunes Warwick
Figura 1. Coqueiral com sintomas da queima das folhas.
Medidas de Controle
  • Remover e queimar folhas infectadas durante o período chuvoso ou inverno.
  •  Caron (2012) obteve um controle efetivo com a aplicação axilar de Cyproconazole e misturas em coqueiro-anão verde.
  •  Preferir o anão verde do Brasil e evitar híbridos que tenham parentais os anões-vermelho da Malásia e Gramame (WARWICK et al., 1990; 1991).
Lixa pequena - Agente causal: Camarotella torrendiella (Batista) Bezerra & Vitória (Phyllachora torrendiella (Batista) Subileau), (Catacauma torrendiella Batista)
A lixa pequena só existe no Brasil, sendo todas as variedades e híbridos cultivados suscetíveis em diferentes graus. Foi relatada pela primeira vez no Estado de Pernambuco e, atualmente, encontra-se em quase todas as regiões onde se cultiva o coqueiro. É considerada a doença mais importante da cultura nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe. Nas regiões onde a doença ocorre intensamente, cerca de 50% das folhas da planta apresentam-se infectadas; consequentemente, as folhas mais baixas necrosam, secam e caem prematuramente. Em ataques severos, os cachos ficam sem suporte, o que prejudica a maturação dos frutos.
A doença é caracterizada por pequenos pontos negros, também conhecidos como verrugas, os quais ocorrem por todas as áreas dos folíolos, raque, frutos do coqueiro. Essas lesões têm a forma de um diamante paralelo com as nervuras dos folíolos e têm uma crosta negra, medindo de 5 cm a 7 cm de comprimento (VITÓRIA et al., 2008). Posteriormente, um halo amarelo circunda estas lesões, que evoluem para uma necrose (Figura 2). Essas manchas necrosadas coalescem, tornando as folhas senescentes prematuramente. A característica que o diferencia da lixa grande é que os estromas são menores e não são destacados facilmente do tecido lesionado.

Foto: Dulce Regina Nunes Warwick
Figura 2. Estromas de lixa pequena nos folíolos.
Medidas de controle
  • Adoção de manejo cultural adequado e adubação equilibrada das plantas, com base na análise de solo e/ou folha, para melhor convivência com as doenças foliares.
  • Os fungos hiperparasitas Acremonium alternatumA persicinumHansfordia pulvinata e Septofusidium elegantulum podem ser utilizados com eficiência em regiões com umidade relativa do ar mais elevadas, no controle das lixas (RENARD, 1988).
  • Os fungicidas difenoconazole, thiabendazole, ciproconazole, flutriofole, azoxystrobin+cyproconazole e o trifloxystrobin+cyproconazole têm apresentado resultados promissores no controle das doenças foliares (CARON, 2012). Vale ressaltar que apenas o difenoconazol e o thiabendazol têm registro no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) para controle da queima-das-folhas.
Lixa grande - Agente causal: Coccostromopsis palmicola (Speg) Hyde & Cannon (Coccostroma palmicola (Speg) von Arx & Muller)
A importância da lixa está relacionada, principalmente, por proporcionar uma abertura para a penetração do fungo Botryosphaeria cocogena, causador da queima das folhas (WARWICK; LEAL, 1999)A ocorrência é semelhante à da lixa pequena, porém não está presente na região Norte. O sintoma característico da lixa-grande é a formação de estromas de aspecto rugoso, formato circular e cor marrom. Encontram-se distribuídos na parte superior dos folíolos e na raque foliar isolados, em linhas ou coalescentes (Figura 3). Os estromas são frutificações típicas de fungos ascomicetos semelhantes a verrugas. Os estromas desse fungo soltam-se facilmente e são mais superficiais que os estromas da lixa pequena. A doença manifesta-se sobre o limbo, na nervura dos folíolos e na raque foliar, com grossos peritécios de coloração marrom, que podem atingir 2 mm de diâmetro. Essas frutificações estão, geralmente, dispostas na borda do folíolo, ao lado da nervura central ou sobre ela. Os peritécios também aparecem na face inferior do limbo. A raque é também parasitada pelo fungo (WARWICK; LEAL, 1999).

Foto: Dulce Regina Nunes Warwick
Figura 3. Estromas de lixa-grande.
Medidas de controle
  • As providências adotadas para o controle da lixa pequena são adequadas também para a lixa grande.
Mancha foliar ou Helmintosporiose - Agente causal: Bipolaris incurvata Dreschs
Essa doença ocorre principalmente em viveiro, onde a alta umidade relativa do ar e o pouco arejamento propiciam condições ideais para o desenvolvimento do fungo. O patógeno é comum em vários hospedeiros, contendo aproximadamente 45 espécies que são parasitas de plantas tropicais e subtropicais.
Em geral, os primeiros sintomas aparecem oito dias após a penetração do fungo. Nesse estádio, as lesões são arredondadas e com o diâmetro menor que 2 mm, têm a cor verde-clara com o centro mais escuro, ocorrendo a formação de um halo amarelado (Figura 4). Esses sintomas evoluem com o desenvolvimento da doença e, em casos severos, as lesões coalescem e as margens dos folíolos tornam-se necróticas (QUILLEC; RENARD, 1975). A sintomatologia varia dependendo da espécie de palmeira hospedeira, sendo que as lesões podem ser mais ou menos comprimidas.

Foto: Dulce Regina Nunes Warwick
Figura 4. Lesões da helmintosporiose.
Medidas de controle
  • Remover folhas severamente infectadas.
  • Evitar adubação excessiva com nitrogênio.
Os produtos tebuconazole e difenoconazole do grupo dos triazóis, embora não registrados no Mapa para controle dessa doença, têm apresentado resultados satisfatórios no campo.

DOENÇAS LETAIS

Resinose Agente causal: Thielaviopsis paradoxa (De Seyn) Hölh ou Chalara paradoxa (De Seyn.) Sacc e a forma teliomórfica é Ceratocystis paradoxa (Dade) Moreau
A resinose do coqueiro foi registrada, primeiramente, no Sri Lanka, em 1906, e na Índia, foi realizada reprodução de sintomas em 1986 (NAMBIAR et al.,1986). No Brasil, os primeiros relatos de sua ocorrência surgiram em 2004 e, desde então, a doença tem se disseminado gradualmente (WARWICK; PASSOS, 2009). Fatores como estresse ambiental e danos mecânicos também favorecem a ocorrência da doença. Não foram encontradas variedades resistentes. O patógeno pode sobreviver por longos períodos no solo na forma de estruturas de resistência denominados clamidósporos. A transmissão entre plantas pode ocorrer pelas raízes, tendo em vista que as raízes do coqueiro se entrelaçam no campo e é frequente a presença do fungo em raízes terciárias da planta. A disseminação a longas distâncias ocorre via insetos. Foi detectada a presença de T. paradoxa na broca-do-olho do coqueiro (Rhynchophorus palmarum) e no falso-moleque-da-bananeira (Metamasius hemipterus) (WARWICK et al., 2009). O principal sintoma da resinose é a exsudação de um líquido marrom-avermelhado que escorre através de rachaduras no estipe (Figura 5). Estas lesões ocorrem, em geral, na base da planta, e progridem de forma ascendente, coalescendo posteriormente. Com o passar do tempo, o exsudato forma incrustações enegrecidas. As plantas apresentam redução na frequência de emissão de folhas e no seu tamanho, afinamento do tronco e, finalmente, ocorre a morte da planta. Através da dissecação do tecido vegetal, verifica-se a presença de extensas manchas amarronzadas de tecidos desintegrados e fibrosos, na região interna do caule (WARWICK; PASSOS, 2009). Exames realizados na região das raízes principais revelaram a presença de lesões necróticas.

Foto: Dulce Regina Nunes Warwick
Figura 5. Sintoma no estipe de resinose.
Medidas de Controle
  • Monitorar regulamente o plantio para identificação de plantas com sintomas da doença.
  • Erradicar plantas severamente atacadas utilizando método manual ou químico através de injeção caulinar com herbicida.
  • Usar fungicidas comerciais e pincelar a área lesionada com alcatrão vegetal ou piche.
  • Pincelar pasta bordalesa (WARWICK et al., 2012).
  • Reduzir a população do inseto vetor com o uso de armadilhas atrativas.
  • Em laboratório, isolados de Trichoderma sp, e Bacillus subtilis foram eficientes no controle do fungo.
Anel Vermelho – Agente causal: Bursaphelenchus cocophilus (Rhadinaphelenchus cocophilus) Baujard
Essa doença é sempre fatal ao coqueiro. Atualmente, é encontrada no Caribe e nas Américas Central e do Sul, incluindo todas as regiões produtoras de coco do Brasil. Os sintomas variam, dependendo das condições ambientais, idade e variedade do hospedeiro. Nos coqueiros gigantes e híbridos, os sintomas externos são caracterizados pelo amarelecimento dourado das folhas basais. As folhas tornam-se necrosadas e quebram na base da raque. Com o progresso da doença, as folhas inferiores apresentam-se penduradas, presas ao estipe. Num estádio mais avançado, ocorre o apodrecimento do meristema apical, causado por microrganismos saprófitas. Estes sintomas confundem-se com os de outras doenças letais ao coqueiro e também com os sintomas provocados pelo encharcamento do solo. As inflorescências permanecem normais e as plantas jovens, sem estipe formado, não são suscetíveis à doença. O aparecimento de um anel-vermelho no estipe da planta, de aproximadamente 2 cm a 4 cm de largura e 3 cm a 5 cm da periferia, é o sintoma típico da doença (Figura 6). Na área do anel do coqueiro, encontra-se um número muito grande de nematoides, que podem ser extraídos facilmente desses tecidos (GRIFFITH, 1987).

Foto: Dulce Regina Nunes Warwick
Figura 6. Sintoma interno do anel-vermelho.
Warwick e Bezerra (1992) demonstraram que o nematoide pode ser transmitido por raízes, mas o principal agente de transmissão da doença é a broca-do-olho-do-coqueiro Rhynchophorus palmarum, (Coleoptera; Curculionidae). As plantas infectadas pelo anel-vermelho entram em processo de fermentação e putrefação, exalando odores que atraem os insetos vetores. Estes penetram na planta, perfurando os tecidos tenros da gema apical e, desta forma, ficam contaminados interna e externamente com o nematoide (GERBER; GIBLIN-DAVIS, 1990).
Medidas de controle
  • Inspeções constantes para detecção de plantas infectadas.
  • Erradicação imediata de plantas com sintomas externos da doença.
  • Desinfecção das ferramentas utilizadas nas plantas doentes.
  • Uso de armadilhas atrativas para capturar os insetos vetores.
  • Controle biológico do R. palmarum com o fungo Beauveria bassiana.
Murcha de Fitomonas - Agente causal: Phytomonas sp.
A murcha de fitomonas é conhecida como hartrot no Suriname. Em países de língua espanhola, a doença é chamada de `Marchitez`, e em Trinidad é chamado Cedros Wilt. Já foi registrada na Colômbia, Costa Rica, Equador, Guiana Suriname, Trinidad e Tobago; e Venezuela. No Brasil, foi assinalada em Alagoas, Bahia, Pará, Paraíba, Pernambuco e Sergipe.
Os sintomas externos inicialmente se assemelham aos do anel-vermelho. Nas folhas basais, os folíolos tornam-se amarelos pálidos, seguidos por um empardecimento, evoluindo da extremidade para a base da folha. Os sintomas progridem das folhas mais baixas para as mais altas, sendo que esta coloração varia, dependendo do tipo de coqueiro (Figura 7). As inflorescências tornam-se necrosadas e secas, ocorrendo a queda prematura dos frutos. No estádio final da doença, há uma podridão fétida do broto apical (BEZERRA; FIGUEIREDO, 1982). Diferentes espécies de Lincus (Pentatomidae) são vetores do patógeno (LOUISE et al., 1986).

Foto: Dulce Regina Nunes Warwick
Figura 7. Sintoma típico da murcha de fitomonas.
Medidas de controle
  • Erradicar as plantas doentes.
  • Manter a área livre de plantas invasoras.
  •  Retirar as folhas mais velhas e as bainhas mortas, as quais podem abrigar o percevejo vetor.
  • Coletar os vetores Lincus spp e Ochlerus (WARWICK et al., 1999).

PODRIDÃO SECA - Agente causal: organismo do tipo fitoplasma

Essa doença ocorre em viveiro e, esporadicamente, em plantios definitivos. Foi registrada no Brasil, Costa do Marfim, Filipinas, Indonésia e Malásia. Atualmente, tem causado problema em plantios de coqueiro anão irrigado. Estudos realizados na África comprovaram que o patógeno é transmitido através de cigarrinhas, Tagosedes cubana Tkolophon da família Delphacidae, que se multiplicam em gramíneas (JULIA; MARIAU, 1982). A podridão seca provoca a paralização do crescimento e secamento da folha central. Simultaneamente ao desenvolvimento dos sintomas nas folhas, aparecem no coleto lesões internas, marrons, com aparência de cortiça, observadas através de corte longitudinal na planta (Figura 8). A folha-flecha das plantas atacadas destaca-se facilmente ao ser puxada. Finalmente, todas as folhas secam quando a podridão alcança o meristema central. A planta morre em um ou dois meses, após o aparecimento dos primeiros sintomas (WARWICK, 1998).

Foto: Dulce Regina Nunes Warwick
Figura 8. Sintoma externo da podridão seca.
Medidas de controle
  • Erradicar as plantas doentes.
  • Evitar instalar o viveiro em locais úmidos.
  • Eliminar as plantas invasoras, principalmente as gramíneas.
  • Fazer controle dos insetos vetores (cigarrinhas).

Visão geral criada por IA

As principais doenças do coqueiro no Brasil incluem anel-vermelho (letal, associado ao besouro Rhynchophorus palmarum), a murcha-de-fitomonas (causada por protozoários) e doenças fúngicas como lixa-pequenaqueima-das-folhas e helmintosporiose. O controle envolve monitoramento, uso de armadilhas para pragas e manejo cultural.
Principais Doenças do Coqueiro:
  • Anel-Vermelho (letal): Transmitido pelo besouro broca-do-olho-do-coqueiro (Rhynchophorus palmarum). O verme Bursaphelenchus cocophilus causa uma lesão em forma de anel avermelhado no interior do estipe (tronco), levando a planta à morte rápida.
  • Murcha-de-fitomonas: Doença causada pelo protozoário Phytomonas staheli, que causa o amarelecimento e a murcha das folhas, também podendo ser fatal
    .
  • Lixa-Pequena (Verrugose): Causada pelo fungo Phyllachora torrendiella (ou Catacauma torrendiella), manifesta-se como pequenas manchas pretas, ásperas e verrugosas nas folhas, comuns em áreas de alta umidade, como na Bahia e Pará.
  • Queima-das-folhas: Causada pelo fungo Botryosphaeria cocogena (forma imperfeita Lasiodiplodia theobromae), causa seca, cor marrom e morte prematura das folhas.
  • Helmintosporiose (Mancha Foliar): Causada por Drechslera incurvata, ataca principalmente em viveiros com alta umidade e pouca ventilação, criando lesões elípticas marrons com halo amarelo.
  • Amarelecimento Letal: Doença preocupante que causa a queda de frutos e amarelecimento das folhas de baixo para cima, restando apenas folhas novas amareladas antes da morte da planta.
Controle e Prevenção (Embrapa):
  • Monitoramento: Inspeção contínua da plantação por especialistas.
  • Armadilhas: Uso de armadilhas de feromônio com pedaços de cana-de-açúcar para capturar a broca-do-olho, transmissora do anel-vermelho.
  • Manejo Cultural: Eliminação de plantas doentes e limpeza da área para reduzir o inóculo de fungos.

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quinta-feira, 15 de junho de 2017

Manejo de plantas daninhas nos Coqueiros

Prejuízos causados pelas plantas daninhas aos coqueiros

As plantas daninhas são responsáveis por perdas consideráveis durante a fase de crescimento e produção do coqueiro. Entre os prejuízos causados destacam-se: aumento da competição por água e nutrientes; redução da produtividade (número e tamanho dos frutos); liberação de aleloquímicos tóxicos no solo a depender da planta infestante; dificuldade na colheita e localização de frutos; dificuldade na distribuição de água pelos microaspersores (Figura 1); aumento da probabilidade da ocorrência de acidentes de trabalho na colheita, devido a presença de animais peçonhentos; algumas espécies podem ser hospedeiras alternativas de pragas e doenças; e depreciação do valor da terra a depender do grau de dificuldade de controle dessas espécies.
É importante ressaltar que em áreas não irrigadas, e/ou regiões que apresentam déficit hídrico elevado, situação comumente observada na maior parte da região produtora de coco do Nordeste do Brasil, o efeito exercido pelas plantas infestantes passa a ser mais nocivo durante o período mais seco do ano, decorrente da elevada competição por água que se estabelece nessa época.

Foto: Sérgio de Oliveira Procópio
Figura 1. Plantas de trapoeraba (Commelina benghalensis) prejudicando a efetividade de microaspersores na distribuição de água em coqueiral.

Diversidade de espécies de plantas infestantes em coqueirais

A comunidade infestante presente nos coqueirais é extremamente diversificada ao longo das diferentes regiões produtoras de coco do Brasil. Na Tabela 1, é apresentada uma lista de espécies frequentemente presentes nas áreas de produção de coco localizadas nos estados de Sergipe e Bahia.

Manejo de plantas infestantes em coqueirais

Controle Manual 
É realizado principalmente por pequenos produtores, utilizando-se capina com enxada na zona do coroamento do coqueiro e roçagem no restante da área. A área do coroamento corresponde a projeção da copa da planta, o que equivale a um raio de aproximadamente 2 m a 2,5 m a partir do estipe, onde se concentra a maior parte das raízes do coqueiro. Nessa operação, deve-se evitar o arrastamento da camada superficial do solo, assim como o corte das raízes do coqueiro.
Controle Mecânico
A roçagem mecânica da vegetação espontânea nas entrelinhas de plantio dos coqueiros (Figura 2) constitui-se em uma alternativa eficiente de controle das plantas infestantes, normalmente empregada em plantios irrigados e/ou regiões com baixo déficit hídrico. No entanto, o uso frequente desta prática poderá provocar a disseminação de algumas espécies de gramíneas, uma vez que apresentam pontos de crescimento abaixo do nível de corte do implemento em detrimento daquelas espécies de folhas largas. Como consequência, pode resultar em aumento significativo na população dessas espécies de invasoras, que são extremamente hábeis na competição por água e nutrientes, destacando-se a competição por nitrogênio presente no solo. Esta situação torna-se mais grave durante a fase jovem do coqueiro e/ou em condições de baixa densidade de plantio, em função da maior luminosidade disponível para o crescimento dessas gramíneas. Uma alternativa relevante para esse tipo de operação é a utilização de roçadora do tipo “ecológica”, que corta e lança lateralmente a fitomassa produzida pelas espécies presentes nas entrelinhas, posicionando esse material vegetal próximo à projeção da copa dos coqueiros. Isso promove, dentre outros benefícios, o controle físico de plantas daninhas na zona de coroamento devido à formação de uma camada de material vegetal sobre o solo.
Foto: Humberto Rollemberg Leite
Figura 2. Operação de roçagem realizada nas entrelinhas do coqueiro.
A gradagem do solo, realizada no final do período chuvoso, permite a eliminação da vegetação presente nas entrelinhas, reduzindo a evapotranspiração e beneficiando consequentemente o desenvolvimento do coqueiro. Deve-se ressaltar, no entanto, que esta é uma opção que somente deverá ser utilizada em situações específicas, considerando-se os aspectos relacionados com a conservação do solo, a integridade das raízes do coqueiro e o próprio incremento na multiplicação de algumas espécies invasoras que apresentam propagação vegetativa.
Controle físico
Foto: Sérgio de Oliveira Procópio
Figura 3. Controle físico de plantas daninhas utilizando-se as próprias folhas do coqueiro posicionadas sobre a projeção da copa das plantas.

Foto: Sérgio de Oliveira Procópio
Figura 4. Controle físico de plantas daninhas utilizando-se biomanta confeccionada a partir de fibra de coco.

A utilização de diferentes materiais para o cobrimento do solo nas áreas de projeção da copa das plantas pode ser uma alternativa eficiente para integrar o manejo das plantas daninhas em coqueirais. O emprego das próprias folhas do coqueiro, organizadas de maneira a formar uma cobertura morta da região do coroamento (Figura 3), bem como a utilização de outros materiais, como a biomanta (Figura 4) podem proporcionar resultados satisfatórios, podendo diminuir a necessidade de capinas ou mesmo da aplicação de herbicidas. Em se tratando de plantios irrigados, ou mesmo em regiões onde ocorrem boa precipitação e distribuição de chuvas durante o ano, o excesso de umidade na zona de coroamento poderá causar superficialização das raízes, reduzindo seu aprofundamento e, consequentemente, diminuir a tolerância da planta à seca. Recomenda-se, portanto, que, quando utilizada, esta prática seja monitorada no sentido de que os benefícios obtidos sejam avaliados de forma integrada.
Controle cultural
O plantio de leguminosas e/ou de outras espécies de cobertura, nas entrelinhas de plantio dos coqueiros, realizado no início das chuvas para posterior roçagem deste material no período de floração, constitui-se numa alternativa eficiente de manejo das plantas infestantes. Entre as espécies que podem ser cultivadas nas entrelinhas dos coqueirais destacam-se o feijão-de-porco (Canavalia ensiformis), a pueraria (Pueraria phaseoloides), a centrosema (Centrosema pubescens) e o calopogônio (Calopogonium muconoides)A utilização de leguminosas arbustivas perenes de enraizamento profundo em cultivos integrados constitui-se também em alternativa capaz de reduzir a infestação de plantas daninhas em coqueirais, podendo além de exercer esse efeito, proporcionar outros benefícios. Como exemplo desse sistema, tem-se o plantio intercalado de gliricídia (Gliricidia sepium), uma leguminosa arbórea, em coqueirais, que pode ser importante fonte de nitrogênio ao coqueiro.
Controle biológico
O pastejo com ovinos, caprinos e bovinos associado a coqueiros em fase de produção, pode se constituir numa interessante alternativa para manter as plantas invasoras, principalmente gramíneas, sob controle em áreas não irrigadas, podendo ser categorizada dentro da Ciência das Plantas Daninhas como um método de controle biológico. Um exemplo clássico verificado em regiões da baixada litorânea do Nordeste é a utilização de ovinos para o manejo do capim-gengibre (Paspalum maritimum), importante invasora dos coqueirais dessa região. Esta espécie apresenta bom valor forrageiro, podendo, portanto, ser utilizado para tal fim desde que devidamente manejada.
Controle químico
O controle químico, que compreende a utilização de herbicidas, tem como principais vantagens: 1) O rendimento operacional, ou seja, a rapidez na aplicação da técnica; 2) A menor necessidade de mão de obra; e 3) não causar danos mecânicos nas raízes dos coqueiros, causados por implementos mecânicos, como grades e escarificadores. Mesmo com as vantagens apresentadas, apenas o herbicida glifosato apresenta registro para uso na cultura do coqueiro. Em áreas de produção intensiva de coco, se realiza, em média, quatro aplicações anuais desse herbicida em pós-emergência. Vários motivos podem ser apontados para a grande preferência na escolha desse herbicida, como por exemplo: amplo espectro de ação (controle de espécies de plantas daninhas de folhas largas e folhas estreitas com única aplicação); ausência de atividade residual no solo (não causando riscos a novos plantios de mudas de coco ou mesmo a cultivos consorciados); não dependência do estádio da planta daninha para que o controle tenha sucesso; e translocação a longa distância (sistematicidade), que permite o controle de plantas daninhas perenes com propagação vegetativa.
Em plantios adultos, as pulverizações devem ser dirigidas para a zona de coroamento do coqueiro, num raio de 2 m a partir do estipe, que corresponderia a uma área de, aproximadamente, 12,56 m2/planta. Essa região é onde se concentra a maior densidade de raízes dos coqueiros. A aplicação poderá ser realizada também em faixas, acompanhando as linhas de plantio do coqueiro, observando-se uma largura média de 4 m. No cultivo de coqueiros anões, onde se utiliza um espaçamento, normalmente, de 7,5 m em triângulo, a área coberta pela pulverização na faixa de plantio é de 30 m2/planta (4,0 m x 7,5 m), o que corresponderia a mais que o dobro daquela utilizada na zona de coroamento. Tem-se observado ainda que alguns produtores estão utilizando a pulverização com herbicidas em área total, normalmente realizada no início do período seco, promovendo assim a dessecação de toda a vegetação de cobertura.
É importante ressaltar que para o bom funcionamento do herbicida glifosato aplicado em pós-emergência é necessário respeitar algumas regras: 1) realizar regulagem precisa dos pulverizadores, conferindo o desgaste dos bicos (pontas de pulverização), a pressão de trabalho, os filtros de linha e dos bicos, a velocidade de aplicação e a altura da barra de aplicação; 2) verificar a qualidade da água de pulverização, evitando água com presença de argila (barrenta) e abaixando o pH, caso a água tenda à alcalinidade; 3) evitar aplicar com umidade do ar baixa e temperatura elevada; 4) evitar aplicar com ventos acima de 10 km/hora, pois pode haver deriva do glifosato para as áreas adjacentes causando problemas em culturas sensíveis a esse herbicida; 5) evitar aplicar quando as plantas daninhas estiverem com sintomas de déficit hídrico, pois o produto terá problemas de translocação.

Tabela 1. Plantas daninhas comumente encontradas em áreas de produção de coco nos estados da Bahia e Sergipe.
Nome vulgar
Nome científico
Família
Buva
Conyza sp.
Asteraceae
Falsa-serralha
Emilia fosbergii
Asteraceae
Erva-de-touro
Tridax procumbens
Asteraceae
Picão-preto
Bidens sp.
Asteraceae
Perpétua-roxa
Centratherum punctatum
Asteraceae
Mentrasto
Ageratum conyzoides
Asteraceae
Mussambê
Cleome affinis
Brassicaceae
Trapoeraba
Commelina diffusa
Commelinaceae
Trapoeraba
Commelina benghalensis
Commelinaceae
Junquinho
Cyperus flavus
Cyperaceae
Junquinho
Cyperus diffusus
Cyperaceae
Junquinho
Cyperus iria
Cyperaceae
Erva-de-santa-luzia
Chamaesyce hirta
Euphorbiaceae
Erva-andorinha
Euphorbia hyssopifolia
Euphorbiaceae
Malícia
Mimosa pudica
Fabaceae
Mata-pasto
Senna obtusifolia
Fabaceae
Sensitiva
Chamaecrista sp.
Fabaceae
Malva-rasteira
Pavonia cancellata
Malvaceae
Capim-colchão
Digitaria sp.
Poaceae
Capim-braquiária
Brachiaria sp.
Poaceae
Capim-carrapicho
Cenchrus echinatus
Poaceae
Capim-gengibre
Paspalum maritimum
Poaceae
Erva-botão
Spermacoce verticillata
Rubiace
Jurubeba
Solanum paniculatum
Solanaceae
Cansanção
Laportea aestuans
Urticaceae

Resistência ao uso de glifosato

A utilização quase que exclusiva e repetitiva de glifosato em áreas de produção de coco, vem selecionando biótipos de plantas daninhas resistentes, principalmente de uma espécie conhecida, como buva ou voadeira (Conyza ssp.). Em visita a algumas áreas de produção de coco, visualizou-se a sobrevivência das plantas dessa espécie após aplicações de glifosato, o que vem causando sua multiplicação acentuada (Figura 5). No Brasil, foi registrada a ocorrência de três espécies de buva, sendo estas Conyza sumatrensisConyza bonariensis e Conyza canadenses. Também se tem verificado o aumento da infestação de trapoeraba (Commelina benghalensis) nos coqueirais (Figura 6). Essa espécie apresenta tolerância natural ao herbicida glifosato, diferentemente da buva, onde houve a seleção e a multiplicação de biótipos resistentes a esse herbicida.


Foto: Sérgio de Oliveira Procópio
Figura 5. Plantas de buva (Conyza sp.) resistentes ao herbicida glifosato presentes em coqueirais.

Foto: Sérgio de Oliveira Procópio
Figura 6. Coqueiral com alta infestação de trapoerada, em decorrência, principalmente, da aplicação repetitiva do herbicida glifosato.

Visão geral criada por IA


O manejo de plantas daninhas em coqueiros é crucial para evitar competição por água e nutrientes, reduzindo a produtividade. A prática mais eficiente é a cobertura morta (palhada), que inibe o crescimento de ervas, complementada por roçagem mecânica e, se necessário, herbicidas seletivos (como glifosato) com cuidado.
Principais Técnicas de Manejo:
  • Cobertura Morta com Folhas Secas: Utilize as próprias folhas do coqueiro (cortadas e sem a parte dura) para formar um círculo ao redor do tronco, evitando a competição e mantendo a umidade.
  • Roçagem: Realize a roçagem das plantas invasoras para diminuir a competição, especialmente em coqueirais jovens.
  • Coroamento: Mantenha um raio de 1 a 2,5 metros ao redor do tronco livre de plantas daninhas (área de projeção da copa) para melhorar a adubação.
  • Controle Químico: Use herbicidas com cautela, especialmente em plantas jovens, evitando a deriva do produto.
  • Espécies Preocupantes: Buva (Conyza spp.), capim-amargoso (Digitaria insularis) e capim-pé-de-galinha (Eleusine indica) podem apresentar resistência.
O controle correto ajuda a evitar pragas, como o besouro broca-do-olho-do-coqueiro (Rhynchophorus palmarum), que pode ser atraído por matéria orgânica em decomposição ou infestações.
Principais Espécies de Plantas Daninhas
Algumas das espécies mais preocupantes devido ao risco de resistência a herbicidas, como o glifosato, incluem:
  • Buva ou Voadeira (Conyza bonariensisC. canadensis e C. sumatrensis)
  • Capim-amargoso (Digitaria insularis)
  • Capim-pé-de-galinha (Eleusine indica)
  • Outras comuns: Capim-marmelada, capim-rabo-de-raposa e capim-carrapicho.
Métodos de Controle e Manejo
O controle eficaz combina métodos físicos e químicos para garantir a produtividade
  • Cobertura Morta (Mulching): Uma das técnicas mais recomendadas pela Embrapa. Utiliza as próprias palhas secas do coqueiro espalhadas na zona de coroamento da planta.
    • Benefícios: Controla quase totalmente o crescimento de ervas daninhas por impedir a luz solar, reduz a perda de água por evaporação e recicla nutrientes.
    • Manutenção: Recomenda-se manter pelo menos 10 folhas por planta ao ano na cobertura
  • Controle Físico/Mecânico: Envolve o uso de roçadeiras, capinadeiras ou grades tracionadas por tratores para remover as plantas entre as linhas de plantio.
  • Controle Químico: Uso de herbicidas registrados. Deve-se ter cuidado especial com coqueiros jovens para que o produto não atinja as folhas e evitar a deriva para áreas vizinhas.
  • Barreiras Sintéticas: O uso de ráfia (tecido sintético) no solo também impede o crescimento de ervas daninhas, embora não incorpore matéria orgânica como a palha
  • Recomendações Importantes
    • Coroamento: Mantenha a área ao redor do tronco (raio de 1,5m a 2m) sempre limpa para facilitar a adubação e irrigação.
    • Monitoramento: Observe se plantas começam a nascer sobre a cobertura morta, o que indica necessidade de manutenção ou reposição da palha.

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