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sábado, 30 de março de 2024

Caracterização do Abacaxi BRS Imperial

 

Caracterização do `BRS Imperial` 

A fusariose (Fusarium guttiforme) é a principal doença na cultura do abacaxi no Brasil que ainda causa perdas elevadas nos pomares brasileiros, emfunção do predomínio das cultivares Pérola e Smooth Cayenne, ambas suscetíveis àquela doença. A utilização de cultivares resistentes é o método mais eficiente e econômico recomendado para o controle da doença.

A cultivar BRS Imperial, lançada pela Embrapa Mandioca e Fruticultura em 2003, é a primeira cultivar híbrida resistente à fusariose obtida pormelhoramento genético. É resultante do cruzamento entre a cultivar Perolera (nativa dos Andes da Colômbia e da Venezuela) com a cultivar SmoothCayenne (Cabral e Matos, 2005). Foi avaliada pela primeira vez em campo em 1992. Nesta e em demais avaliações posteriores realizadas em distintasregiões produtoras do Brasil, esse híbrido se destacou pela produção de frutos com polpa amarela, elevado teor de açúcares e excelente sabor nasanálises sensoriais, além da resistência à fusariose. Outra vantagem do abacaxizeiro ‘BRS Imperial’ é a ausência de espinhos nas folhas, que facilita omanejo da cultura pelo produtor (Figura 1).

. Plantio de abacaxi ‘BRS Imperial’: (A) na fase vegetativa; (B) com frutos em desenvolvimento

Outras características desta cultivar são: planta com porte médio, com folhas curtas, de coloração verde escura, com faixa central arroxeada e bordoscom faixa prateada (‘piping’). O pedúnculo é curto, o que dificulta o tombamento do fruto e a consequente escaldadura ou queima pelo sol.

O número de mudas do tipo filhote é elevado, com média de nove, além da produção de mudas tipo rebentão e filhote rebentão ser mais elevada doque a ‘Pérola’.

O tamanho do fruto é de pequeno a médio, com peso entre 900 e 1.400 g, mas pode ultrapassar 2,0 kg em solos muito férteis ou quando o plantio ébem adubado. O formato é cilíndrico, com casca espessa e amarela na maturação, com frutilhos salientes (Figura 2). O elevado teor de ácido ascórbicona polpa dificulta o desenvolvimento do escurecimento interno, sintoma da injúria pelo frio, comum em cultivares como a ‘Smooth Cayenne’. A polpado abacaxi ‘BRS Imperial’ é amarelo ouro, com teor elevado de sólidos solúveis (15 a 19 Brix) e moderado de acidez (0,3 a 0,7%).

. Planta e fruto de abacaxi ‘BRS Imperial’.

Quando comparado com a cultivar Pérola, a ‘BRS Imperial’ apresenta um crescimento mais lento, que justifica o tratamento de indução floral após os14 ou 15 meses do plantio, considerando uma boa condução da planta. Isso representa um período de dois a três meses superior ao praticado para a‘Pérola’. A ‘BRS Imperial’ tem maior exigência em água, que justifica sua indicação para áreas irrigadas ou com boa precipitação ao longo do ano;maior exigência em fertilidade ou nutrição mineral e a presença de mudas tipo filhote muito próximas da base do fruto, que dificulta a colheita. Outrodiferencial é sua maior tolerância ao frio/fotoperíodo, o que dificulta a indução natural ao florescimento. Essa característica é particularmenteimportante para os produtores rurais mais tecnificados, pois permite maior controle na época de colheita.
O fruto da ‘BRS Imperial’ é indicado principalmente para consumo fresco. Em decorrência das suas excelentes características organolépticas, tem severificado que o abacaxi ‘BRS Imperial’ ainda representa um nicho de mercado, principalmente para mercados de alto poder aquisitivo ou mesmo paraexportação.
A cultivar BRS Imperial é particularmente interessante para a produção orgânica de abacaxi, em virtude da sua resistência à fusariose, o que dispensao produtor da aplicação de fungicidas com menor custo de produção, redução da poluição ambiental e fornecimento de um produto com melhorsegurança alimentar.
Estima-se atualmente que a redução de custo no controle químico da fusariose, ao utilizar cultivares resistentes a essa doença, é de,aproximadamente, R$ 1.600,00/hectare/ciclo (em 2017), ao considerar o custo de mão de obra e de produto fungicida para seis aplicações compulverizador costal nas cultivares suscetíveis.


domingo, 10 de março de 2024

Introdução e importância econômica do Abacaxi



Sumário

Introdução e importância econômica

Caracterização do 'BRS Imperial'

Escolha e preparo do solo

Correção da acidez do solo

Obtenção e manejo de mudas

Plantio

Irrigação

Adubação

Plantas espontâneas e seu controle

Indução artificial da floração

Doenças e seu controle

Pragas e seu controle

Colheita e pós-colheita

Custo de produção e rentabilidade


Introdução e importância econômica

O Brasil é o segundo maior país produtor de abacaxi no mundo, contribuindo com 10% da produção mundial em 2013 (FAO, 2013). Entretanto, a suaparticipação é muito pequena no mercado mundial de produtos de abacaxi, em virtude de destinar muito pouco às exportações, pois o mercadointerno é muito atraente, absorvendo quase toda a produção brasileira. Esse fato evidencia a grande potencialidade do produto ainda nesse mercado.Mesmo apresentando um grande potencial econômico e produtivo, a produtividade da abacaxicultura no Brasil é considerada baixa (39,3 t/ha), quandocomparada com alguns países destaques, cuja produção é voltada para o mercado externo e que apresentam produtividade de 50 a 60 t/ha (FAO,2013). A menor produtividade no Brasil pode ser explicada tanto pela variedade produzida (de menor peso e voltada para o mercado interno) comotambém por outras variáveis: sistema de produção, condições climáticas etc.

A Bahia já esteve entre os primeiros estados brasileiros produtores de abacaxi, mas, no momento, é o sexto produtor nacional, com uma produção de104,7 milhões de frutos colhidos, em uma área de 5.280 ha, com produtividade de 29,8 t ha-1, abaixo da média nacional, que foi de 39,3 t ha-1 (IBGE,2013). Neste estado, as mesorregiões mais importantes são: Centro Norte Baiano (ex: microrregião de Itaberaba, Senhor do Bonfim e Feira deSantana), Sul Baiano (microrregiões de Porto Seguro, Valença e Ilhéus-Itabuna) e Centro Sul Baiano (ex: microrregiões de Seabra e Jequié), que,juntas, participaram com 49%, 34% e 7%, respectivamente, da produção estadual de abacaxi. A região do Sul Baiano produziu 35,2 milhões de frutosem 2013, em uma área colhida de 1.648 hectares e produtividade de 32,0 t/ha, um pouco acima da média estadual, mas abaixo da média nacional.Estes últimos dados evidenciam a necessidade de incorporação de novos resultados de pesquisa capazes de aumentar a produtividade da cultura noEstado.

Das microrregiões baianas que produzem o abacaxi, quatro merecem destaque, por representarem cerca de 75% do total produzido no estado em2013: Itaberaba (41%), Porto Seguro (20%), Valença (9%) e Ilhéus-Itabuna (6%) (IBGE, 2013). Destas, a primeira representa a região semiárida, eas demais, as regiões litorâneas. Na microrregião de Porto Seguro, merecem destaque os municípios: Itabela, Prado, Eunápolis, Santa Cruz Cabrália,Caravelas, Nova Viçosa, Itamaraju, Alcobaça, Teixeira de Freitas, Medeiros Neto e Porto Seguro. Nos diversos municípios dessa região, o turismo éuma das principais atividades econômicas, e, como esse segmento é grande consumidor de frutas in natura e processadas, a fruticultura se apresentacomo boa opção de cultivo para comercialização no potencial mercado local.

Na fruticultura da mesorregião sul Baiana, a abacaxicultura tem se mostrado como uma das atividades agrícolas de excelente oportunidade. Oabacaxizeiro é uma planta rústica e resiste a períodos de déficit hídrico, o que possibilita o cultivo de variedades tradicionais, como ‘Pérola’ e ‘SmoothCayenne’, em áreas sem irrigação na região alvo desse sistema de produção. Porém, observações em áreas de produção de abacaxi têm demonstradoque a irrigação vem apresentando vantagens competitivas relevantes no cultivo do ‘Imperial’, que tem se apresentado mais exigente em água que o‘Pérola’. O fruto do abacaxizeiro apresenta boa aceitação para o consumo in natura e para o processamento, e adapta-se à utilização de pequenasáreas de cultivo. Além da sua importância econômica, a cultura do abacaxi desempenha também uma função social de destaque por sua condição deatividade absorvedora de mão de obra no meio rural, contribuindo para a geração de empregos ao longo de todo o seu cultivo.

Apesar de grande parte da mesorregião Sul Baiana apresentar terras planas, de fácil mecanização, condições climáticas favoráveis e boa quantidadede chuvas ao longo do ano, diversos fatores têm contribuído para a baixa produtividade (32 t ha-1) da cultura na região, dentre os quais: falta detecnologias adaptadas às condições edafoclimáticas; não utilização de tecnologias disponíveis; problemas fitossanitários, dentre os quais a fusariose éo mais importante; falta de planejamento da produção, com oferta de produto em período de preços baixos etc. A utilização de boas técnicas decultivo, aliada às boas condições dos recursos naturais do Sul Baiano, pode favorecer o crescimento da abacaxicultura na região, considerando que oprodutor pode escalonar a sua produção e garantir renda estável ao longo do ano, com colheitas planejadas para atender mercados locais ouatacadistas.

A fusariose é a principal doença da abacaxicultura e ocasiona elevadas perdas de plantas e frutos durante o processo produtivo. Em torno de 20% daprodução é perdida devido não só à fusariose, mas também a outros fatores, como cochonilha, broca do fruto, frutos pequenos (sem padrãocomercial), queima solar, falha na indução, etc. Com o plantio do abacaxizeiro ‘BRS Imperial’, cultivar resistente à fusariose desenvolvida pela EmbrapaMandioca e Fruticultura, espera-se que as perdas sejam reduzidas para, no máximo, 10%.

Esta publicação destina-se a disponibilizar informações técnicas sobre o cultivo do abacaxizeiro ‘BRS Imperial’ voltadas para a realidade do Sul Baiano,com base em resultados de pesquisas, de modo a contribuir com o desenvolvimento da abacaxicultura na região.



terça-feira, 26 de dezembro de 2023

Produção de mudas de abacaxi para cultivo orgânico

 

Mudas 

O abacaxizeiro produz naturalmente quatro tipos de mudas: rebentões, filhotes rebentões, filhotes e coroas. A opção quanto ao tipo a ser utilizado depende da variedade cultivada, da disponibilidade de mudas e da preferência do produtor. Vale destacar que o ciclo do abacaxizeiro é influenciado pelo tipo de muda, sendo os rebentões os mais precoces, as coroas as mais tardias, com os filhotes apresentando comportamento intermediário. Além do ciclo mais longo, as mudas tipo coroa apresentam algumas outras desvantagens, tais como: são mais sujeitas à incidência de doenças, como a podridão do olho em condições de campo; cada planta só produz uma coroa; só estão disponíveis em regiões onde os frutos são destinados ao processamento industrial, uma vez que o abacaxi é comercializado com a coroa no mercado de frutas frescas.

Considerando o papel importante do material propagativo como transmissor de pragas e doenças, as mudas devem ser colhidas apenas em plantios onde a incidência de pragas e doenças foi nula. Além disto, as mudas só podem ser obtidas de plantios conduzidos em sistema orgânico, ou de plantio convencional após dois anos de conversão para o sistema de produção orgânico. Não havendo disponibilidade de mudas oriundas de sistema orgânico, de acordo com a IN 17 de 2014, pode-se obter autorização para utilização de outros materiais desde que não tratados com produtos não permitidos pela referida IN (Brasil, 2014). Para o sucesso do cultivo do abacaxizeiro em sistema orgânico de produção, é essencial realizar uma seleção criteriosa de mudas para evitar ou reduzir a introdução de agentes patogênico uma vez que, nesse sistema, poucos produtos podem ser utilizados para o controle de pragas e doenças da cultura.

Nesse sentido, a produção de mudas não convencionais pelo método melhorado de seccionamento de talo utilizando plantas matrizes oriundas de plantios orgânicos pode ser vista como uma tecnologia a mais para reduzir os riscos de infestação de novas áreas uma vez que permite um aprimoramento na seleção do material propagativo identificando com maior precisão sintomas de doenças como a fusariose e a murcha associadas à cochonilha (Figura 1). As mudas produzidas em viveiros, além da qualidade, permitem também a rastreabilidade, uma vez que é mantido registro de todo o processo de produção, procedimento importante para a certificação orgânica da atividade. Após a seleção de plantas matrizes no campo, os talos das plantas são seccionados tanto no sentido longitudinal como no sentido transversal, sendo tratados em solução de dióxido de cloro (5 ml/L de água) ou calda bordalesa (10 ml/L) por umperíodo de cinco minutos. Em seguida, as secções são secas à sombra e posteriormente encaminhadas para canteiros em local sombreado. Após a disposição dos talos nos canteiros, eles devem ser cobertos com uma fina camada de substrato como casca de pinus, coco, serragem, vermiculita ou outro resíduo de origem vegetal capaz de reter umidade. Entre os 30 e 45 dias iniciais, começam a surgir as primeiras brotações e, com 90 dias após o seccionamento, as mudas alcançam tamanho para serem transplantadas para os tubetes e canteiros onde se desenvolvem por 4 a 6 meses até atingirem tamanho ideal para campo (30-40 cm).

Além desses métodos de produção, outra possibilidade é a utilização de mudas obtidas em laboratórios ou biofábricas certificados, conhecidas como mudas micropropagadas ou de cultura de tecidos, contendo garantia da estabilidade genética.

Figura 1. (A) Seccionamento de talo de abacaxizeiro; (B) talos dispostos em canteiros cobertos com camada de substrato; (C) mudas de abacaxizeiro com 7-8 cm transplantas para tubetes; (D) mudas transplantadas para canteiros  

Seleção e tratamento das mudas

A qualidade do material de plantio merece uma atenção muito especial do produtor. As mudas precisam ser sadias, ter vigor e tamanho não inferior a 30 cm, sem a presença de sintomas da fusariose e da murcha, esta devido ao vírus transmitido pela cochonilha. É essencial realizar uma seleção visual rigorosa, descartando-se toda e qualquer muda com sintomas de ataque de pragas. Com o objetivo de controlar pragas, sobretudo cochonilhas e ácaros, pode-se realizar o processo de cura que consiste em colocar as mudas com a base voltada para cima, para secar ao sol, o que permite acelerar a cicatrização das lesões resultantes da colheita, além de eliminar o excesso de água presente nas mesmas. Após o período de cura, as mudas devem ser classificadas e plantadas em talhões por faixa de peso, de maneira a permitir melhor uniformidade no desenvolvimento das plantas, facilitando os tratos culturais e ensejando uma maior uniformidade no tamanho dos frutos ao final do ciclo. Em caso de morte de mudas nos primeiros três meses de cultivo, pode ser feito o replantio com mudas do mesmo tamanho das plantas em fase de crescimento.  




quinta-feira, 21 de setembro de 2023

Cultivares de Abacaxi para o Cultivo Orgânco

 

Cultivares 

Antes de iniciar a produção de abacaxi sob sistema orgânico, o produtor deve considerar a cultivar a ser utilizada. Esta decisão leva em conta fatores como o destino da produção, a adaptabilidade à região produtora, a preferência do consumidor, a disponibilidade de mudas e as práticas fitotécnicas exigidas pela cultivar.

Deve-se dar preferência a cultivares resistentes ou tolerantes ao complexo de pragas e doenças do abacaxizeiro presente na região. No Brasil, há predomínio de cultivares tradicionais,como a Pérola e a Smooth Cayenne, todas suscetíveis à fusariose, principal limitante fitossanitário da abacaxicultura no país. As novas cultivares resistentes à fusariose são relativamente recentes e ainda pouco conhecidas do consumidor. Há que se considerar a importância da sua promoção junto ao mercado consumidor.

As cultivares descritas a seguir possuem grandes probabilidades de serem cultivadas em sistema orgânico de produção, tanto por sua aceitação comercial, quanto por apresentar resistência à fusariose:

BRS Imperial: Obtida do cruzamento entre as cultivares Perola e Smooth Cayenne. Seu ciclo é mais longo que o da cultivar Pérola, em decorrência do seu desenvolvimento mais lento. O tratamento de indução floral (TIF) deve ser feito a partir do 14 meses após o plantio. Após o TIF, demandam-se mais cinco a seis meses para a colheita dos frutos. Suas folhas são verde escuro, com faixa central arroxeada e sem espinhos nos bordos (inermes). O pedúnculo é curto (cerca de 20 cm), o que evita o tombamento dos frutos e reduz a queima solar dos mesmos.Produz elevado número de mudas tipo filhote, geralmente inseridas próximo à base do fruto, o que dificulta a sua colheita e exige do produtor o cultivo das mudas em viveiro antes do transplantio definitivo para um novo cultivo. Seus frutos são de tamanho pequeno a médio, com peso médio de 1.150 g, obtido no sistema orgânico de produção na Chapada Diamantina;com formato cilíndrico e casca de cor amarelo a laranja na maturação. A casca possui frutilhos salientes, que conferem grande resistência ao transporte. A polpa é de cor amarelo intenso,com elevados teores de açúcares (teores sólidos solúveis de 18 a 20o Brix), de acidez moderada (média de 0,54 mg ácido cítrico/100 g de polpa) e excelente sabor. O elevado teor de ácido ascórbico (vitamina C) confere à polpa resistência ao escurecimento interno, uma anomalia fisiológica pós-colheita que pode ocorrer em frutos de abacaxi de algumas outras cultivares.

BRS Vitória: Resultante de cruzamento entre as cultivares Primavera e Smooth Cayenne. Possui folhas sem espinhos e de coloração verde claro. Os frutos, com peso médio de 1.500 g,são cilíndricos, de casca amarelada na maturação, com polpa de cor branca, com elevado teor de sólidos solúveis (média de 15,8o Brix) e com acidez elevada (média de 0,80% de ácido cítrico). Possui cilindro central reduzido, maior rendimento de polpa e maior resistência mecânica na casca que a cultivar Pérola.

BRS Ajubá: De genealogia idêntica à BRS Imperial, a cultivar BRS Ajubá foi recomendado pela Embrapa para as regiões produtoras de abacaxi na Região Sul do Brasil. As plantas dessa cultivar possuem folhas completamente lisas, de coloração verde a verde-escuro com ápices arroxeados. O fruto tem a forma cilíndrica, de casca amarela na maturação, polpa de cor amarela, com médio a alto teor de sólidos solúveis (média de 14,5 º Brix) e acidez moderada (0,60 % de ácido cítrico).

IAC Fantástico: Resultante da polinização aberta de um híbrido obtido do cruzamento entre a variedade Tapiracanga e a Smooth Cayenne. É vigorosa, resistente à fusariose, e com folhas que possuem espinhos apenas nas extremidades, à semelhança da Smooth Cayenne. O fruto é de tamanho médio e de maturação tardia, formato intermediário entre o Pérola e o Smooth Cayenne, casca de coloração de verde amarela a alaranjada quando maduro, pedúnculo curto e grosso, polpa de cor amarelo intenso, doce (de 16,4 a 18,7oBrix) e acidez média a elevada(0,52 a 1,52% de ácido cítrico), indicada para consumo in natura, podendo também ser industrializado. 

A seguir, são apresentadas as características das cultivares tradicionais de abacaxi no Brasil e no exterior, com grande aceitação no mercado, porém, suscetíveis à fusariose, principal problema fitossanitário da abacaxicultura brasileira. O uso dessas cultivares demandará práticas de manejo para a exclusão e/ou a erradicação da doença, como uma rigorosa seleção demudas antes do plantio e o monitoramento constante das áreas sob cultivo, com eliminação de plantas sintomáticas. 

Pérola: É a cultivar mais encontrada em plantios no Brasil, principalmente nas regiões mais quentes e de menor latitude, pois é pouco tolerante ao florescimento natural. A planta possui porte médio, crescimento ereto e vigoroso, folhas longas, espinhosas e de coloração verde escuro Tem pedúnculo longo, comprimento em torno de 30 cm, e produz muitas mudas do tipo filhote (8 a 12 por planta). Os frutos são cônicos, de casca verde quando da maturação aparente. O peso médio obtido no sistema orgânico de produção na Chapada Diamantina foi de 2,0Kg, com 15o Brix de sólidos solúveis e baixa acidez (0,60 mg ácido cítrico/100 g de polpa). A polpa é branca e suculenta. É tolerante à murcha associada à cochonilha, mas altamente suscetível à fusariose.

Jupi: Similar à Pérola, diferindo desta por possuir folhas mais largas e produzir frutos cilíndricos e de polpa amarelada.

Smooth Cayenne: Até o final do século XX, foi a cultivar mais plantada no mundo, com finalidade industrial. Também chamada no Brasil de ‘Havaiano’, onde é mais plantada nas regiões Sul e Sudeste, pela sua maior tolerância ao frio e resistência ao florescimento precoce. As plantas são robustas, de porte ereto, folhas verde-escuro e com espinhos no ápice e, em menor intensidade, na base. Possui pedúnculo curto (cerca de 20 cm) e produz poucos filhotes (0 a 5 por planta). O fruto é ovoide, com peso entre 1,5 e 2,5 kg, de casca alaranjada quando da maturação aparente, polpa amarela, firme, rica em sólidos solúveis, porém, de maior acidez que o abacaxi Pérola, principalmente quando colhido no inverno. É suscetível às principais pragas e doenças do abacaxizeiro no Brasil, ou seja, a murcha associada à cochonilha e à fusariose.

Gold ou MD-2: Desenvolvida no Havaí para atender o consumo fresco, suplantou a cultivar Smooth Cayenne no mercado internacional de abacaxi. As folhas têm poucos espinhos nosbordos, concentrados no ápice e na base. O fruto é cilíndrico, com polpa de cor amarela mais intensa, e maior homogeneidade na maturação interna que o fruto da ‘Smooth Cayenne’. Tem teor de açúcares (15 a 17°Brix) e de ácido ascórbico elevados (56,4 mg/100 g de polpa), mas acidez total menor (0,5%) do que aquela cultivar (0,5 a 1,0%). É mais resistente ao armazenamento e ao transporte que a ‘Smooth Cayenne’, pois não apresenta suscetibilidade ao escurecimento interno, mas é mais suscetível à podridão de Phytophthora. É também suscetível à murcha associada à cochonilha e à fusariose.  


Figura 1
. Cultivares de abacaxi encontradas no Brasil: (A) BRS Imperial, (B) BRS Vitória, (C) BRS Ajubá, (D) IAC Fantástico, (E) Pérola, (F) Jupi, (G) Smooth Cayenne, (H) MD-2/Gold


quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Planejamento do pomar e Condições de cultivo do Abacaxi Orgânico

  

Planejamento do pomar 

Como em toda atividade produtiva, a implementação de um sistema orgânico de produção requer a elaboração de um plano de trabalho especificando todos os aspectos relevantes para as atividades, incluindo estratégias de manejo. Na elaboração desse plano, é preciso ter em mente que a produção orgânica deve ser encarada como uma atividade holística em consonância com o ecossistema e com os aspectos sociais, assim como comprometida com a sustentabilidade do sistema. Nesse sentido, a estratégia de produção deve contemplar ações que possibilitem a menor utilização possível de insumos externos à propriedade, o aumento do teor de matéria orgânica e da atividade microbiana no solo, entre outros, com reflexos positivos na dinâmica e na Sustentabilidade ambiental do solo.

A elaboração de um plano de gestão ambiental da propriedade auxilia, sobremaneira, a preservação do meio ambiente, contribuindo significativamente para a sustentabilidade da produção.

É também importante destacar a necessidade da manutenção de registros e de sua identificação, detalhados e atualizados, das práticas de manejo e insumos utilizados.

Pode-se resumir o planejamento nas seguintes etapas:

• levantamento de potenciais mercados para abacaxi orgânico a serem atendidos;

• definição de variedade, sistema de produção e época de plantio;

• escolha da área de plantio;

• análises física e química do solo;

• definição de práticas de conservação e manejo do solo em consonância com os preceitos da agricultura orgânica;

• manutenção e melhoria dos atributos das características físicos, químicos e biológicos do solo;

• identificação de plantas espontâneas na área a ser cultivada, de pragas e doenças da cultura do abacaxi presentes na propriedade ou em lavouras próximas;

• aquisição/seleção de mudas de qualidade fitossanitária;

• definição de sistema de irrigação para área de cultivo;

• monitoramento e controle de pragas e doenças e monitoramento de inimigos naturais presentes na área;

• número de adubações de cobertura e data de aplicação do fertilizante orgânico;

• definição de data para indução floral e colheita dos frutos de abacaxi;

• acondicionamento dos frutos em caixas adequadas para redução de perdas durante o transporte.


Condições de cultivo 

Quanto à localização do plantio, é imperativo atentar para o fato de que o abacaxizeiro é uma planta que apresenta bom desenvolvimento numa faixa de temperatura entre 20 ºC e 32 ºC,ótimo em torno de 25 ºC e uma variação de 10 ºC.

Outro aspecto importante diz respeito à precipitação pluvial. Embora o abacaxizeiro apresente tolerância à seca, precipitação de 1.000 a 1.200 mm por ano, é considerada necessária paraseu desenvolvimento e produção comercial. A luminosidade e a umidade relativa são outras variáveis climáticas importantes para a cultura do abacaxizeiro, que requer de 7 a 8 horas de luzpor dia, e umidade relativa de 70%, ou superior, para seu desenvolvimento e produção.

A despeito de sua importância para a abacaxicultura, as variáveis climáticas não devem ser consideradas de forma isolada e sim como um todo para que a cultura possa expressar seu potencial produtivo.

Autores deste tópico:Aristoteles Pires de Matos  

 


segunda-feira, 28 de agosto de 2023

Sistema Orgânico para Produção de Abacaxi


A Lei No 10.831, de 23 de dezembro de 2003, em seu Art. 1º, dispõe sobre a agricultura orgânica, conforme texto a seguir: ?Considera-se sistema orgânico de produção agropecuária todo aquele em que se adotam técnicas específicas, mediante a otimização do uso dos recursos naturais e socioeconômicos disponíveis e o respeito à integridade cultural das comunidades rurais, tendo por objetivo a sustentabilidade econômica e ecológica, a maximização dos benefícios sociais, a minimização da dependência de energia não renovável, empregando, sempre que possível, métodos culturais, biológicos e mecânicos, em contraposição ao uso de materiais sintéticos, a eliminação do uso de organismos geneticamente modificados e radiações ionizantes, em qualquer fase do processo de produção, processamento, armazenamento, distribuição e comercialização, e a proteção do meio ambiente?. A Embrapa Mandioca e Fruticultura, juntamente com a empresa Bioenergia Orgânicos, disponibiliza aos agricultores e aos técnicos em geral o primeiro sistema orgânico de produção para a cultura do abacaxi no Brasil. A publicação reúne informações técnicas sobre estabelecimento da cultura, preparo da área, seleção de variedades e mudas, práticas culturais, manejos de doenças, nematoides, insetos e ácaros, além dos manejos na colheita e pós-colheita, com base nos conhecimentos disponíveis e nos regulamentos aprovados para a produção orgânica de alimentos. Para receber a denominação de produto orgânico, a unidade de produção precisa cumprir a Lei Nº 10.831, de 23 de dezembro de 2003, e o Regulamento Técnico constante da Instrução Normativa 46, de 06/10/2011, complementada pela IN 17, de 18/06/2014, que estabelece as normas técnicas para os Sistemas Orgânicos de Produção Animal e Vegetal a serem seguidas por toda pessoa física ou jurídica responsável por unidades de produção de sistemas orgânicos ou por unidades de produção em processo de conversão. Assim, os produtos orgânicos são produzidos tendo a preocupação com o meio ambiente, buscando manejar de forma equilibrada o solo e os demais recursos naturais (água, plantas e animais), e mantendo a harmonia desses elementos entre si e com os seres humanos. Com o sistema proposto, espera-se contribuir para a melhoria do cultivo orgânico do abacaxizeiro, trazendo, como consequência, um produto ambientalmente correto, socialmente justo, economicamente viável e em conformidade com o disposto na Lei nº 10.831, de 23 de dezembro de 2003, no Decreto nº 6.323, de 27 de dezembro de 2007 e com a Instrução Normativa 17, de 18 de junho de 2014.

Sistemas orgânicos de produção de diferentes frutas estão sendo construídos de forma pioneira pela Embrapa com base em experimentos instalados na Chapada Diamantina (BA). Todos são resultados de um projeto realizado em parceria com a empresa Bioenergia Orgânicos no município de Lençóis que experimenta soluções para a produção de orgânicos em larga escala, algo ainda difícil de se fazer.

A Embrapa está elaborando protocolos de produção usando a estratégia de geração e validação simultânea dos resultados. Os resultados do primeiro ciclo de produção mostram níveis de produtividade superiores ao convencional.

As pesquisas abrangem as culturas do abacaxi, banana, manga e maracujá. Um exemplo de que a produção orgânica se baseia em séries de testes é o trabalho realizado com a BRS Imperial, que é naturalmente resistente à fusariose, a principal doença da cultura, ou seja, não é necessário aplicar agroquímicos.

Vale salientar que, para ser considerado orgânico, o produtor deve usar técnicas ambientalmente sustentáveis e não pode utilizar agrotóxicos nem adubos químicos solúveis, que devem ser aplicados rigorosamente de acordo com as instruções para que não haja excesso em relação à capacidade de absorção das plantas e, em longo prazo, não tragam danos ao ecossistema.

Apresentação 

A Lei No 10.831, de 23 de dezembro de 2003, em seu Art. 1º, dispõe sobre a agricultura orgânica, conforme texto a seguir: “Considera-se sistema orgânico de produção agropecuária todo aquele em que se adotam técnicas específicas, mediante a otimização do uso dos recursos naturais e socioeconômicos disponíveis e o respeito à integridade cultural das comunidades rurais, tendo por objetivo a sustentabilidade econômica e ecológica, a maximização dos benefícios sociais, a minimização da dependência de energia não renovável, empregando, sempre que possível, métodos culturais, biológicos e mecânicos, em contraposição ao uso de materiais sintéticos, a eliminação do uso de organismos geneticamente modificados e radiações ionizantes, em qualquer fase do processo de produção, processamento, armazenamento, distribuição e comercialização, e a proteção do meio ambiente”.

A Embrapa Mandioca e Fruticultura, juntamente com a empresa Bioenergia Orgânicos, disponibiliza aos agricultores e aos técnicos em geral o primeiro sistema orgânico de produção para acultura do abacaxi no Brasil. A publicação reúne informações técnicas sobre estabelecimento da cultura, preparo da área, seleção de variedades e mudas, práticas culturais, manejos dedoenças, nematoides, insetos e ácaros, além dos manejos na colheita e pós-colheita, com base nos conhecimentos disponíveis e nos regulamentos aprovados para a produção orgânica de alimentos.

Para receber a denominação de produto orgânico, a unidade de produção precisa cumprir a Lei Nº 10.831, de 23 de dezembro de 2003, e o Regulamento Técnico constante da Instrução Normativa 46, de 06/10/2011, complementada pela IN 17, de 18/06/2014, que estabelece as normas técnicas para os Sistemas Orgânicos de Produção Animal e Vegetal a serem seguidas por toda pessoa física ou jurídica responsável por unidades de produção de sistemas orgânicos ou por unidades de produção em processo de conversão.

Assim, os produtos orgânicos são produzidos tendo a preocupação com o meio ambiente, buscando manejar de forma equilibrada o solo e os demais recursos naturais (água, plantas e animais), e mantendo a harmonia desses elementos entre si e com os seres humanos.

Com o sistema proposto, espera-se contribuir para a melhoria do cultivo orgânico do abacaxizeiro, trazendo, como consequência, um produto ambientalmente correto, socialmente justo,economicamente viável e em conformidade com o disposto na Lei nº 10.831, de 23 de dezembro de 2003, no Decreto nº 6.323, de 27 de dezembro de 2007 e com a Instrução Normativa 17, de 18 de junho de 2014.    

Importância socioeconômica 

O abacaxizeiro, Ananas comosus (L) Merr var. comosus Coppens & Leal, é a principal cultura econômica da família Bromeliaceae que produz frutos altamente valorizados nos mercados nacional e internacional. Além de seus aroma e sabor, o abacaxi é também um fruto com elevado valor nutritivo, haja vista que cada 100 g de polpa fresca contêm 7 mg de fósforo; 113 mgde potássio; 7 mg de cálcio; 14 mg de magnésio; 0,37 mg de ferro; 0,11 mg de cobre; 1,65 mg de manganês; 0,6 μg de selênio; 3 μg de vitamina A; 31 μg de betacaroteno (precursor davitamina A); 0,09 μg de tiamina (vitamina B1); 0,036 mg de riboflavina (vitamina B2); 0,42 mg de niacina (vitamina B3); 0,16 mg de ácido pantotênico (vitamina B5); 0,09 mg devitamina B6; 11 μg de ácido fólico (vitamina B9); 15 mg de vitamina C; 1 μg de vitamina E; 0,7 μg de vitamina K; 0,50 g de proteína; 1,2 g de fibra (total); 1,7 g de glicose (dextrose);1,9 g de frutose; 8 g de açúcares totais; e 0,20 g de lipídios. Também apresenta baixo teor calórico, com apenas 490 kcal por quilograma de polpa fresca; 0,29 g de cinzas; e 86 g de água.

O abacaxi é produzido em mais de 89 países localizados, principalmente, na região tropical do planeta; porém, também em regiões sub tropicas da Índia, da Austrália e da África do Sul. O continente asiático é o maior produtor de abacaxi, sendo o país líder a Tailândia, como primeiro produtor mundial. O continente americano é o segundo maior produtor de abacaxi, tendo oBrasil como seu principal representante, ocupando a segunda posição no ranking dos produtores mundiais, tendo os estados do Pará, da Paraíba, de Minas Gerais, da Bahia e do Rio deJaneiro com seus principais produtores, com área colhida de 66.544 ha e rendimento de 38,950 toneladas/ha, e com o município de Floresta do Araguaia, no Pará, a maior área cultivadacom essa cultura no Brasil.

O cultivo comercial na grande maioria das regiões tropicais do mundo, assim como em algumas regiões subtropicais, contribui para fazer do abacaxi o terceiro fruto tropical mais importantedo planeta. Sua característica de tolerância faz do abacaxizeiro uma cultura com amplas possibilidades de adaptação em regiões semiáridas. Vale ressaltar que o Brasil, juntamente com as Filipinas e a Tailândia, lideram a produção mundial dessa fruteira, sendo que 70% são consumidos nos países produtores na forma de fruta fresca.

O abacaxizeiro pode ser cultivado em áreas degradadas, ajudando a reduzir as perdas do solo por erosão e, portanto, minimiza a degradação ambiental. Cultivado em consórcio com culturas de ciclo curto e/ou associado à cultura de cobertura, promove excelente cobertura do solo, contribuindo tanto para sua conservação quanto para a resiliência. Essas características aliadas ao desenvolvimento de variedades resistentes à fusariose, principal doença da cultura, e à tolerância à seca, o que possibilita seu cultivo em condições de sequeiro, faz do abacaxizeiro uma excelente alternativa para programas de produção orgânica.

Em uma visão mundial, a produção orgânica é considerada como excelente oportunidade para a solução de diversos problemas da agricultura no que se refere à sua sustentabilidade, alémde ocorrer uma demanda constante por produtos dessa natureza. Entretanto, a decisão de praticar a produção orgânica de abacaxi deve ser avaliada com bastante cuidado, levando-se emconta as obrigatoriedades e as necessidades desse sistema de cultivo. Todas as práticas de cultivo devem ser adequadas ao sistema orgânico de produção, cumprindo, assim, a legislaçãopertinente ao sistema.

Autores deste tópico:Aristoteles Pires de Matos  

 

Novas Variedades de Abacaxi



abacaxi BRS Ajubá


A cultivar de abacaxi BRS Ajubá é um híbrido, resultante do cruzamento entre cv. Perolera com a cv. Smooth Cayenne, com destaque para a resistencia à fusariose, principal doença do abacaxizeiro. O plantio desta variedade dispensa a utilização de fungicida para o controle da fusariose e é recomendada para a região noroeste do Rio Grande do Sul e especialmente para o vale do rio Uruguai, onde a cultivar foi avaliada durante três ciclos de produção. A planta tem porte médio e apresenta folha de cor verde escuro, totalmente desprovida de espinhos. O fruto é cilíndrico, com casca de cor amarela na maturação. A polpa é amarela, com elevado teor de açúcar e acidez titulável moderada. Apresenta peso médio do fruto sem a coroa de 1305,4g e tamanho médio de 15,8cm. Tem por diferencial os frutos mais pesados do que a tradicional cultivar Pérola e folhas completamente lisas.Os frutos obtidos podem ser destinados para o mercado de consumo in natura e para a industrialização, face a suas características sensoriais e físico-químicas.

abacaxi BRS Vitória

A cultivar de abacaxi BRS Vitória é uma variedade de abacaxi resistente à fusariose. Apresenta formato cilíndrico, folha de cor verde claro, sem espinhos nas bordas. Sua casca apresenta cor amarela na maturação. O fruto tem polpa branca, com elevado teor de açúcares e excelente sabor nas análises químicas e sensoriais, sugerindo que suas características relativas à acidez (0,8%) são superiores às do abacaxi 'Pérola'; e 'Smooth Cayenne', tendo ainda uma maior resistência ao transporte e em pós-colheita, o que pode facilitar a sua adoção pelos produtores e ter a preferência dos consumidores. Apresenta peso médio do fruto sem coroa de 1.427g. Os frutos obtidos podem ser destinados ao mercado de consumo in natura e para a agroindústria. Esta cultivar é um híbrido resultante do cruzamento da cv. Primavera com a cv. Smooth Cayenne.

ABACAXI BRS Imperial

Variedade de abacaxizeiro que resulta do cruzamento entre duas variedades: 'Perolera' e 'Smooth Cayenne'. O BRS Imperial é resistente à fusariose, principal doença da cultura, gerando frutos de excelente qualidade, doces e com uma coloração que chama a atenção. Apresenta elevado teor de açúcar, acidez titulável moderada, alto conteúdo em ácido ascórbico (antioxidante) e excelente sabor nas análises sensoriais realizadas. A planta tem porte médio e apresenta folha de cor verde-escura, sem espinhos nas bordas. Os frutos são menores do que os do 'Pérola', têm formato cilíndrico e casca de cor amarelo-intenso na maturação. A polpa é amarela, com elevado teor de açúcar e acidez moderada. Apresenta peso médio do fruto com a coroa de 1,2 kg, podendo alcançar 1,5 kg e tamanho médio do fruto de 16 cm.


 

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Instruções para o Cultivo do Abacaxi

 

Abacaxi

Ananas comosus (L.) Merril

O abacaxizeiro é uma planta herbácea perene pertencente à família Bromeliaceae, originária do Cone Sul do nosso continente. O fruto presta-se tanto para consumo ao natural como para processamento industrial em suas mais diversas formas (pedaços em calda, suco, pedaços cristalizados, geleias, licor, vinho, vinagre e aguardente). Como subprodutos da sua industrialização, podem-se obter álcool, ácidos cítricos, málico e ascórbico, rações para animais e bromelina (enzima proteolítica de uso medicinal). O talo da planta pode ser aproveitado para extração de bromelina, sendo também fonte de amido. As folhas podem ser utilizadas para a obtenção de fibras. De alto valor dietético, a polpa do abacaxi é energética (150 calorias por copo de suco), contém boa quantidade das vitaminas A, B1 e C. Contém ainda bromelina, que favorece a digestão.

Cultivares: Smooth Cayenne (Cayenne, Havaí ou Bauru) é a cultivar mais produtiva e adequada para industrialização, além de servir para o consumo ao natural. Pérola. IAC Gomo-de-mel (abacaxi-de-gomo), exclusivo para consumo ao natural. Novas cultivares resistentes à fusariose, que é o principal problema fitossanitário da cultura: IAC Fantástico (IAC) e Imperial e Vitória (Embrapa). A cultivar IAC Fantástico é adequada para mesa e indústria, apresenta boa produtividade e qualidade de fruto (polpa amarelo-escura, baixa acidez e muito doce).

Clima e solo: apesar de boa resistência à seca, produz melhor na faixa de 1.000 a 1.500 mm de chuva por ano, tolerando de 600 até 2.500 mm. É, entretanto, muito sensível ao frio, não tolerando geadas. A temperatura ótima situa-se entre 29 e 31 oC, suportando, entretanto, mínima de até 5 oC e máxima de 43 oC. É planta de clima tropical e subtropical. Sol forte e chuvas de pedras provocam danos aos frutos. A cultura pode ser instalada em qualquer tipo de solo, desde que não sujeito a encharcamento. Entretanto, recomenda-se dar preferência ao cultivo em solos leves e com pH entre 5,5 e 6,0.

Práticas de conservação do solo: plantio em linhas de nível, terraceamento.

Propagação: o abacaxizeiro propaga-se vegetativamente por meio de mudas produzidas pela planta, como filhotes (do pedúnculo do fruto), rebentões (do talo da planta - maiores) e até as coroas dos frutos destinados à indústria, ou ainda, mudas resultantes do enviveiramento de seções do talo da planta ou das mudas. Dentro de cada talhão da plantação, as mudas devem ser uniformes quanto ao tipo e tamanho.

Não coletar mudas de abacaxizais infectados pela doença fusariose, selecionando mesmo assim, mudas de plantas sadias. Nos plantios iniciais de novas cultivares pode-se utilizar mudas micropropagadas em laboratório, a cultivar IAC Fantástico, é mais sensível aos hormônios utilizados, não sendo recomendada essa prática.

Plantio: em sulcos ou covas, não deixando cair terra no ápice das mudas.

Espaçamento: plantio em linhas duplas de 40 a 50 cm de largura, distanciadas de 90 a 120 cm, mantendo o espaçamento de 35 a 40 cm entre as mudas de uma mesma fileira e disposição triangular, em relação àquelas da fileira vizinha. O maior espaçamento proporciona produção de frutos maiores, mas menor produtividade.

Mudas necessárias: 34.000 a 50.000/ha.

Calagem: a recomendação de calagem deve ser estabelecida a partir da análise do solo. A calagem deve ser calculada visando elevar o índice de saturação por bases para 50% e manter o teor de Mg acima de 5 mmolc dm-3. Usar sempre calcário dolomítico aplicado em área total e incorporado ao solo. Doses de calcário superiores a 3 t ha-1 requerem cuidados especiais para sua incorporação no solo.

Adubação mineral: as quantidades de N, P e K a serem aplicadas são definidas em função da análise do solo e da produtividade esperada e estão apresentadas na tabela 1. Aplicar o fósforo no sulco de plantio, em março ou abril, misturando-o ao solo, e o nitrogênio e o potássio em cobertura, ao lado das linhas, procurando atingir as axilas mais velhas, nas seguintes proporções: 10% em abril-maio, 20% em novembro, 40% em janeiro e 30% em março-abril. Em plantios de outubro a novembro, aplicar o fósforo no sulco de plantio; N e K nas seguintes proporções: 10% em novembro-dezembro, 30% em janeiro e 60% em março-abril. A última adubação nitrogenada deve ocorrer, no máximo, 60 dias antes da aplicação do regulador de florescimento. Como o abacaxizeiro é sensível ao cloro, recomenda-se dar preferência a fontes de potássio na forma de sulfato ou nitrato, especialmente nas primeiras aplicações durante o ciclo da cultura.



Controle de pragas e doenças: broca-do-fruto: polvilhamento ou pulverização das inflorescências e frutos novos com carbaryl ou Bacillus thuringiensis; cochonilha: tratamento de mudas e plantas com parathion methyl, vamidothion ou ethion; podridão-negra: pincelamento da seção do pedúnculo do fruto com benomyl. Para prevenir pragas e doenças, evitar: locais próximos de abacaxizais em mau estado sanitário e mudas deles provenientes; expor os pés das mudas ao sol por vários dias sobre as próprias plantas ou nos carreadores.

Controle de florescimento: aplicar reguladores de florescimento em culturas com desenvolvimento adequado para produção de frutos de tamanho comercial. Isso deve ser feito para que os frutos amadureçam ao mesmo tempo dentro do talhão, e nas épocas de colheita desejadas para os diferentes talhões. Reguladores recomendados:

a) ethephon (1 a 4 L ha-1 do produto comercial - 21,66% de ethephon, sendo que as doses maiores devem ser aplicadas nas épocas mais quentes e em plantas mais vigorosas), adicionado ou não de hidróxido de cálcio e ureia; b) carbureto de cálcio (450 g/100 litros de água fria). A cultivar IAC Fantástico requer dose de regulador menor que a Smooth Cayenne: 100 a 150 ppm de ethephon 240 g L-1 (45 a 65 mL/100 litros de água) são suficientes e não causam danos aos frutos.

Outros tratos culturais: o controle de plantas daninhas deve ser feito pelo emprego de herbicidas e capinas. Devem-se proteger os frutos contra o sol, cobrindo-os com papel (jornal ou sacos de papel sem fundo), ou com material vegetal seco.

Colheita: novembro a abril, com pico em janeiro a março, ou o ano todo, já que é indispensável o uso de reguladores de florescimento.

Produtividade normal: 30.000 a 45.000 frutos/ha/safra.

Cultura intercalar: o abacaxizeiro pode ser cultivado entre as linhas de culturas perenes em desenvolvimento ou em rotação com adubos verdes.

Comercialização: imediatamente após a colheita os frutos são entregues, a granel ou embalados, aos entrepostos de venda, para consumo ao natural ou para a industrialização.

Observações: em função do aumento da fusariose e do tombamento dos rebentões e filhotes-rebentões das cultivares Cayenne e Pérola, não é recomendada a soca, mas somente a primeira produção (um fruto por planta), em ciclo que dura de 14 a 24 meses, de acordo com o tipo, tamanho e época de plantio das mudas, e com a época de aplicação de reguladores de florescimento.




quarta-feira, 15 de março de 2017

Pragas do Abacaxi


Pragas e métodos de controle

Controle de Pragas

O abacaxizeiro está sujeito à ocorrência de algumas pragas, dentre as quais se destacam a cochonilha e a broca do fruto, responsáveis por sérios danos à cultura. Em consonância com as exigências atuais para produção de alimento “sadio”, o controle das pragas do abacaxizeiro, à semelhança do controle de doenças, deve obedecer aos preceitos do manejo integrado de pragas. Equipamentos calibrados e pessoal capacitado para aplicação de agrotóxicos são componentes fundamentais para o controle de doenças.
O produtor deve efetuar visitas periódicas ao plantio a fim de monitorar a ocorrência de pragas. Em caso positivo, e a depender da infestação, efetuar o controle obedecendo aos preceitos do manejo integrado de pragas.
Murcha do abacaxizeiro associada à cochonilha Dysmicoccus brevipes
Problema de grande importância para a abacaxicultura mundial, a murcha do abacaxizeiro é causada pelo “Pineapple Mealybug Wilt Associated Vírus” (PMWaV), isto é, o vírus associado à cochonilha da murcha do abacaxi, que é transmitido pela cochonilha Dysmicoccus brevipes. A incidência da murcha se caracteriza pela ocorrência de reboleiras de plantas distribuídas pelo plantio. As plantas atacadas expressam sintomas semelhantes aos causados pela murcha fisiológica decorrente do déficit hídrico, diferindo desses por sua distribuição em reboleiras (Figura 1).
Mudas infestadas são os principais agentes de dispersão das cochonilhas, portanto, a primeira medida de controle da murcha consiste na utilização de material de plantio livre dessa praga. Entre as práticas culturais a serem adotadas no manejo integrado da murcha, destacam-se: a) destruição dos restos culturais; b) realização de bom preparo do solo; c) obtenção de mudas em áreas onde a incidência da murcha foi baixa ou nula; d) realização da cura das mudas; e) manutenção do plantio livre de plantas hospedeiras da cochonilha; f) aplicação de inseticida nas reboleiras, direcionando-se o jato para a base da planta. O combate às formigas doceiras (exemplo: lava pés, formiga de fogo, entre outras) é um componente importante no controle da murcha, haja vista que elas são as responsáveis pela dispersão da cochonilha de planta a planta dentro do abacaxizal.
Fotos: Aristoteles Pires de Matos (A, B, C, E); Nilton Fritzons Sanches (D)
Figura 1. Murcha do abacaxizeiro associada à cochonilha: A) em padrão típico de reboleira; B) detalhe de plantas com sintomas; C) efeito da murcha sobre o desenvolvimento do fruto; (D) colônia de cochonilha em planta de abacaxi recoberta com solo como medida de proteção pelas formigas; (E) detalhe da colônia
Broca do fruto, Strymon megarus
Encontrada desde o México até a Argentina, a broca do fruto, Strymon megarus, é uma das pragas mais importantes do abacaxizeiro no Brasil. A larva da broca causa danos na polpa do fruto. Ao se alimentar da polpa, abre galerias no interior do fruto, tornando-o imprestável para a comercialização (Figura 2). Embora em menor proporção, na ausência de frutos a broca pode atacar mudas do tipo filhote (Figura 3), razão pela qual a primeira medida de controle dessa praga consiste na utilização de mudas sabidamente não infestadas. A decisão pela prática do controle químico da broca do fruto, mediante aplicação de inseticidas para proteger a inflorescência em desenvolvimento, deve ser fundamentada no monitoramento da praga no abacaxizal em frutificação. Constatando-se a presença de um adulto ou de ovos da praga, deve-se adotar o controle químico utilizando inseticidas registrados no AGROFIT para esse fim e mediante receituário agronômico. A tomada de decisão quanto ao uso do controle químico com base no monitoramento da praga propicia economia de mão de obra e de insumos, beneficiando a saúde do aplicador e do consumidor, além de reduzir substancialmente a poluição do meio ambiente. O intervalo de aplicação depende do inseticida utilizado e as aplicações devem ser suspensas quando do fechamento das flores.
Observações de campo têm mostrado maior ocorrência de ataque da broca do fruto nas plantas localizadas nas bordas dos plantios, e, em maior severidade, naqueles instalados próximos das matas nativas, indicando que a instalação de plantios distantes da vegetação nativa contribui para reduzir a ocorrência dessa praga.
Fotos: Aristoteles Pires de Matos
Figura 2. Broca do fruto do abacaxizeiro (Strymon megarus): (A) borboleta adulta; (B) inflorescência com uma postura; (C) lagarta na parte externa da inflorescência; (D) sintomas/danos externos; e (E) internos em frutos de abacaxi ‘Pérola’
Foto: Aristoteles Pires de Matos
Figura 3. Ataque da broca do fruto em mudas do tipo filhote de abacaxi ‘Pérola’ caracterizado pelo orifício de penetração da larva e pela exsudação de resina

Controle de outras pragas

Para controlar os cupins subterrâneos, recomenda-se não instalar os plantios em solos compactados, com baixo teor de matéria orgânica e de baixa fertilidade. Um bom preparo do solo de maneira a promover a exposição e a destruição dos ninhos dos cupins contribui para a redução da população da praga

Nematoides

Diversos fitonematoides podem ser encontrados atacando as raízes do abacaxizeiro. Dentre eles, os mais danosos a essa cultura são Pratylenchus brachyurus, Meloidogyne javanicaMeloidogyne incognita Rotylenchulus reniformis. Outros fitonematoides que podem também estar associados às raízes do abacaxizeiro, porém causando menos danos à cultura são Aorolaimus sp., Criconemoides sp., Ditylenchus sp., Helicotylenchus sp., Heterodera sp., Hoplolaimus sp., Longidorus sp., Paratylenchus sp., Radopholus sp., Scutellonema sp., Trichodorus sp., Tylenchorhynchus sp., Tylenchus sp. e Xiphinema sp.
As plantas infestadas, devido ao sistema radicular apresentar-se bastante afetado, são mais sujeitas ao déficit hídrico e nutricional, resultando em menores sustentação e murcha. Uma vez presente no plantio, a eliminação dos fitonematoides é muito difícil, portanto, o diagnóstico e o monitoramento são componentes extremamente importantes no manejo integrado dos mesmos. De maneira geral, os sintomas decorrentes da infestação dessa praga são similares aos da murcha associada à cochonilha e aos da murcha fisiológica.

Controle

Antes da instalação do plantio em áreas novas, é recomendável a coleta de amostras de solo e seu envio para análise em laboratório habilitado quanto à presença de fitonematoides. Caso seja constatado que a área já esteja infestada, recomenda-se a limpeza do solo, um bom preparo do solo, adubações equilibradas, rotação de cultura, dentre outras. Medidas adicionais de manejo integrado, tais como pousio, solarização e monitoramento são também recomendadas, uma vez que auxiliam na redução da população de fitonematoides. O controle químico mediante aplicação de nematicidas deve contar com a orientação de um responsável técnico e obedecer à legislação vigente. Plantios instalados em sistema de consórcio com culturas de ciclo curto, de maneira alternada ou contínua nas entrelinhas, ou com espécies frutíferas perenes, devem ser monitorados de maneira a acompanhar a evolução da população dos fitonematoides, especialmente aqueles que possam causar danos ao abacaxizeiro.
Pragas do Abacaxizeiro


O Brasil ocupa o quarto lugar como produtor mundial de abacaxi, Ananas comosus (L) Merril, com uma área cultivada de aproximadamente 26.000 hectares, enquanto a Tailândia, que ocupa o primeiro lugar, tem uma área plantada de 25.000 hectares e uma produtividade três vezes maior. Essa baixa produtividade brasileira deve-se a vários fatores, destacando-se entre eles as pragas, representadas por algumas espécies de insetos e de ácaros, que se encontram bem adaptadas a essa anonácea e às condições ecológicas das regiões produtoras, causando, conseqüentemente, sérios prejuízos ou até mesmo danos totais à cultura, se medidas eficientes de controle não forem aplicadas.
Dentre os insetos e os ácaros que incidem na cultura, apresentando, às vezes, diferenciação de ataque de região para região, destacam-se, como pragas, os seguintes:

1. BROCA-DO-FRUTO 
A broca-do-fruto, Thecla basalides, é considerada no Brasil como a principal praga da cultura do abacaxizeiro, causando danos elevados em diversas regiões, principalmente em cultivos nos quais os tratos fitossanitários são precários, onde níveis de infestação de até 96% têm sido registrados (Collins, 1960; Sampaio, 1979; Sanches, 1981).
No Brasil, sua presença já foi constatada nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco (Silva et al., 1968), Paraíba (Sanches et al., 1985) e Bahia (Sanches, 1989); a ocorrência dessa praga, também, já foi registrada em outros países como Colômbia, Venezuela e México e na América Central (Cunha et al., 1994); aparentemente não é encontrada fora do continente americano.

1.1 Descrição, biologia e comportamento
As fêmeas adultas são borboletas pequenas cuja envergadura mede, aproximadamente, de 28 a 35 mm; apresentam a face superior do primeiro par de asas de coloração cinza-brilhante, com uma faixa escura margeando os bordos e acompanhada de uma franja branca; o segundo par de asas apresenta manchas alaranjadas na margem externa e um par de apêndices caudais pretos e filiformes, com extremidades brancas; as antenas são aneladas de branco (Fig. 1). Os machos assemelham-se às fêmeas apresentando-se, porém, menores e com uma mancha preta na porção ventral das asas anteriores (Monte, 1938; Heinrich, 1947).
Segundo Sanches (1991), as borboletas preferem efetuar as posturas na parte superior e mediana da inflorescência, entretanto, podem depositar seus ovos, também, no pedúnculo e nas gemas dos futuros "filhotes".
Os ovos são arredondados, possuem coloração esbranquiçada e apresentam cerca de 0,8 mm de diâmetro. O período de incubação varia de três a cinco dias, após o qual eclodem as lagartas, que medem de 1,5 a 2,0 mm de comprimento e apresentam o corpo de coloração amarela e a cabeça e o tórax mais escuros (Fig. 2). A lagarta desenvolvida atinge de 18,0 a 20,0 mm de comprimento, com o corpo amarelo-escuro com manchas avermelhadas, sendo a cabeça mais escura e localizada sob o protórax. Ao completarem o período larval, cuja duração varia de 13 a 16 dias, as lagartas saem dos frutos e dirigem-se às folhas basais onde se transformam em pupas; estas apresentam coloração castanha e medem ao redor de 13,0 mm de comprimento. O período pupal de T. basalides varia de sete a onze dias (Harris, 1927; Fonseca, 1937; Piza Júnior, 1969).
O ciclo biológico completo deste lepidóptero varia de 23 a 32 dias, dependendo, principalmente, das variações de temperatura e de umidade (Medina et al., 1978).

1.2 Hospedeiros
Essa broca possui poucos hospedeiros, restringindo-se ao abacaxizeiro e a espécies nativas de bromeliáceas.

1.3 Danos
As lagartas preferem a parte mediana e inferior da inflorescência, podendo destruir as flores, os brotos, superficialmente o pedúnculo e até penetrar no limbo foliar de plantas e mudas (Sanches et al., 1985; Chalfoun & Santa Cecília, 1987).
Geralmente, as larvas atacam inicialmente a parte externa da inflorescência, preferencialmente na base das escamas, local mais tenro que favorece a penetração. Com a destruição do tecido parenquimatoso, ocorre a exsudação de uma resina incolor, que se solidifica em contato com o ar, formando massas ou bolhas irregulares que chegam a atingir 4 cm, tornando-se marrom-escuras e que permanecem aderidas à superfície da inflorescência, resultando no sintoma conhe-cido por "resinose" (Fig. 3). As galerias formadas dentro dos frutos, também ficam cheias dessa resina, que acaba originando odor e sabor desagradáveis, o que torna o fruto impróprio para o consumo. Deve-se ressaltar que esse sintoma é muito parecido com o denominado fusariose, causado pelo fungo Fusarium moniliforme. Quando contaminado com essa doença, o fruto, também, exsuda uma resina; neste caso, porém, ela emerge do centro dos frutilhos, enquanto no caso da broca-do-fruto ela surge entre os frutilhos (Fonseca, 1937; Heinrich, 1947; Leiderman & Vasconcellos, 1955; Sampaio, 1975).
Com o aumento da pluviosidade, no período de desenvolvimento da inflorescência, segundo Choairy & Aguilar (1980), ocorre menor incidência da broca-do-fruto, fato que pode ser atribuído à diminuição da emergência de adultos em decorrência da morte das pupas, motivada por ataque de fungos ou, ainda, por asfixia, em virtude do acúmulo de água nas axilas das folhas.

1.4 Medidas de controle
A seguir, são apresentadas as principais medidas de controle dessa praga.

1.4.1 Controle cultural
· Rotação de culturas: T. basalides apresenta poucos hospedeiros além dos abacaxizeiros; portanto, se o agricultor efetuar uma rotação com outra cultura poderá desfavorecer o desenvolvimento deste inseto no transcorrer do ano, reduzindo a taxa de crescimento de sua população, o que conseqüentemente se refletirá, nos próximos plantios, em menores danos.
· Destruição de frutos atacados: Os frutos atacados devem ser coletados e destruídos, se possível queimados, com o intuito de se eliminar os insetos presentes, evitando-se assim a sua disseminação e elevados níveis populacionais das futuras gerações.
· Alteração no período de diferenciação floral: Algumas substâncias químicas, como o ácido indol acético e beta,hidroxietilhidrazina, podem ser utilizadas para indução do florescimento, de tal forma que esta fase coincida com o inverno, época em que se verifica baixa população da broca, de modo a se obter menor ataque da praga e, conseqüentemente, menores prejuízos.

1.4.2 Controle biológico
Encontram-se na literatura citações sobre o parasitismo de lagartas de T. basalides por Tetrastichus gahani Lima & Guitton, 1962 (Hymenoptera: Eulophidae), Heptasmicra sp., Metadontia cuvidentata Cameron (Hym.: Chalcididae) e Drino heinrichi Lima, 1947 (Diptera: Tachinidae) e sobre a predação por Polistes rubiginosus (Hym.: Vespidae) (Silva et al., 1968; Sanches, 1985).
O controle biológico desta praga mais comumente divulgado é o artificial, através do uso de Bacillus thuringiensis Berliner, (Bth), onde os produtos aplicados em pulverização apresentam eficiência da ordem de 80% (Bth 3,2 PM, na dose de 600 g de produto comercial por ha; Bth 4L - 1.140 ml p.c./ha; Bth 352 P-30 kg p.c./ha). Recomenda-se efetuar estas aplicações em intervalos de sete a dez dias, desde o início da diferenciação floral até o fechamento das últimas flores (Campos et al., 1981; Salomão, 1981; Silveira & Silva, 1993).
Vários autores recomendam a mistura de B. thuringiensis com outros inseticidas; nestes casos as misturas utilizadas têm sido as seguintes: Bth 3,2 PM (0,6 kg p.c./ha) + carbaryl 48 SC (750 ml p.c./ha) e Bth 3,2 PM (0,6 kg p.c./ha) + methomyl 21,5 SC (750 ml p.c./ha).

1.4.3 Controle químico
Controle eficiente da broca-do-fruto tem sido conseguido através de pulverizações com produtos como carbaryl PM (260 g de ingrediente ativo/100 l de água), parathion methyl CE ou diazinon CE (90 ml i.a./100 l de água) (Suplicy Filho et al., 1966; Reis, 1981).
Na ausência de chuvas, podem-se utilizar inseticidas em pó, como carbaryl a 7,5% ou parathion methyl 1,5P, na base de 1 g de p.c./planta (Cunha et al., 1994); porém, Silva & Silveira (1993) verificaram baixa eficiência do carbaryl, da ordem de 41%, quando aplicado em polvilhamento.
Essas aplicações devem ser efetuadas no início da diferenciação floral, no "olho" da planta, até o fechamento das últimas flores, em intervalos de dez a 15 dias, num total de três ou quatro aplicações (Sanches, 1991).

2. COCHONILHA-DO-ABACAXI 
A cochonilha-do-abacaxi, Dysmicoccus brevipes, conhecida pelos agricultores como pulgão-branco ou piolho-branco, encontra-se presente em praticamente todo o território brasileiro, sendo considerada como uma das principais pragas do abacaxizeiro.
Com respeito aos prejuízos, essa praga chegou a danificar em 30,9% as plantações da cultivar Smooth Cayenne no Estado da Paraíba (Choairy et al., 1984); esse prejuízo, porém, pode atingir até 50%, segundo Py et al. (1984).

2.1 Descrição, biologia e comportamento
As fêmeas adultas dessa espécie medem ao redor de 1 mm de comprimento, apresentam coloração rósea, corpo oval e são recobertas por secreção pulverulenta de cera branca que circunda o corpo do inseto, formando 34 prolongamentos de tamanho e espessuras iguais, sendo os quatro posteriores maiores e mais robustos; com essa secreção, elas medem cerca de 3 mm de comprimento (Fig. 4). Os machos adultos são menores, alados, com um par de filamentos caudais longos, têm vida curta, normalmente de dois a três dias, e fecundam, em média, duas fêmeas. Os ovos são elípticos, com córion liso e de coloração amarelo-alaranjada; cada fêmea coloca em média 295 ovos (Menezes, 1973) durante o período de oviposição, que varia de 22 a 40 dias. Após a oviposição, as formas jovens já se encontram formadas no interior dos ovos, e entre 10 e 50 minutos após a postura eclodem as ninfas (Santa Cecília & Reis, 1985).
Os ciclos completos das fêmeas virgens, das fecundadas e dos machos desta cochonilha apresentam durações médias de 63,5, 57,9 e 27,8 dias, respectivamente, em condições controladas de 25,5 oC e UR de 73,5%. Nessa espécie, o acasalamento é necessário para que haja reprodução; a fêmea é ovovivípara e a razão sexual é de, aproximadamente, um macho para duas fêmeas. As fêmeas sofrem três ecdises antes de alcançarem a maturidade e durante os três estádios de vida, alimentam-se normalmente, enquanto os machos sofrem quatro ecdises antes de se transformarem em adultos, alimentando-se apenas durante o primeiro e parte do segundo ínstar (Menezes, 1973).
Esses insetos vivem em colônias, sendo normalmente encontrados sugando seiva nas raízes e nas axilas das folhas; com o aumento populacional eles passam a atacar também os frutos, as cavidades florais e a parte superior das folhas e mudas (Giacomelli, 1969).
Como muitos homópteros, a cochonilha-do-abacaxi vive em simbiose com várias espécies de formigas, as quais se nutrem de substâncias adocicadas produzidas pelo inseto, como Brachymyrmex admotus Mayr, 1887, Camponotus cingulatus Mayr, 1862, Crematogaster quadriformis gracilior Forel, 1901, Odontomachus haematodus L., Paratrechina fulva Mayr, 1862, Pheidole megacephala, Wasmannia auropunctata Roger, 1863 e a conhecida "lava-pé", Solenopsis saevissima F. Smith, 1855 (Silva et al., 1968; Menezes, 1973; Giacomelli, 1974).
Em média, o ciclo biológico de D. brevipes varia de 40 a 60 dias, sendo os períodos quentes e úmidos os que oferecem condições mais favoráveis ao seu desenvolvimento.
Ullah et al. (1993) verificaram que o ciclo de vida desse inseto, alimentando-se de folhas de Psidium guajava, em laboratório, variou de 24 a 28,3 dias, e que as ninfas de primeiro ínstar apresentam uma tendência de se agregarem ao redor do corpo da mãe.

2.2 Hospedeiros
Essa praga, além da sua ampla distribuição, é capaz de se hospedar, principalmente nas raízes, em grande número de plantas, tais como algodoeiro, abacateiro, amendoim, amoreira, ananás, arroz, bananeira, batata, cajueiro, cana-de-açúcar, diversos capins, caquizeiro, citrus, coqueiro anão, coqueiro-da-baía, Cyperus spp., dendezeiro, fruteira-de-conde, Hybiscus spp., jabuticabeira, milho, palmeira, soja, tamareira, tiririca e sapé (Silva et al., 1968).

2.3 Danos
As cochonilhas, ao sugarem a seiva, injetam toxinas que podem provocar alterações no metabolismo da planta, podendo levá-la à morte. O sintoma provocado pela inoculação desta toxina é vulgarmente conhecido por "murcha-do-abacaxizeiro" e pode estar associado a agentes viróticos. Dentre as cultivares mais comercializadas, a Smooth Cayenne mostra-se mais suscetível, quando comparada à Pérola, que se revela mais resistente (Cunha et al., 1994).
Em plantas adultas de Smooth Cayenne, Carter (1933) descreveu quatro estágios da seqüência sintomatológica da "murcha": inicialmente, as folhas ficam vermelho-bronzeadas e flácidas; posteriormente, os bordos ficam enrolados, com suas extremidades curvadas para baixo e adquirem coloração vermelho-amarelada; a seguir, as margens das folhas tornam-se amarelas e sua parte mediana rosa-vivo; no último estágio, as folhas encontram-se ressecadas, cor de palha e o sistema radicular muito debilitado.
Em outro trabalho, Celestino et al. (1989) relataram que a incidência da cochonilha deixa as folhas das plantas vermelhas, passando a róseas e amarelas, eretas, encurvadas para baixo, apresentando tricomas e frutos murchos, pequenos e com cerosidade; esses autores alertam para o fato de que a coloração vermelha das folhas (vermelho-vinho) pode ser sintoma de deficiência de cobre, mas que, neste caso, os frutos não ficam deformados, nem pequenos, duros ou com cerosidade e os tricomas permanecem normais.
O período de tempo entre a infestação e o aparecimento da doença depende muito das condições em que se encontram as plantas de abacaxi, porém, normalmente, a sintomatologia fica evidente dois a três meses após a infecção, em plantas de cinco meses de idade, e em quatro a cinco meses, naquelas infectadas aos nove meses de idade (Piza Júnior, 1969; Cunha et al., 1994).

2.4 Medidas de controle
Os seguintes métodos de controle são recomendados para essa praga:

2.4.1 Controle cultural
· Destruição dos restos culturais: Como o inseto pode permanecer alojado nos restos da cultura anterior, é importante que se destrua esse material, pois isso irá colaborar com seu controle, por promover menor incidência inicial da praga no novo cultivo.
· Emprego de mudas isentas da praga: Tal prática evita a disseminação da praga de uma região para outra e colabora, evidentemente, para que sua ocorrência inicial, em novos cultivos, seja baixa.
· Irrigação: A água abundante sobre a cultura, segundo Santa Cecília et al. (1991), provoca sensível redução da infestação da praga, possivelmente, devido sua retirada das plantas pela lavagem, morte por afogamento e, até, por ação de agentes entomopatogênicos que se desenvolvem melhor nestas condições de alta umidade.

2.4.2 Controle biológico
A cochonilha D. brevipes é parasitada por Anagyrus coccidivorus Dozier, A. pseudococci Girault, 1915 (Hymenoptera: Encyrtidae), Baeoplatycerus viriosus De Santis (Fig. 5), Hambletonia pseudococcina Compère, 1936 (Hym.: Encyrtidae) e Anastatus anonatis Gahan, 1949 (Hym.: Eupelmidae); é predada por larvas de Pseudiastata brasiliensis Lima, 1937, P. nebulosa Coquillett, 1908 (Diptera: Drosophilidae) e Ceratobaeus sp. (Hym.: Scelionidae); e por larvas e adultos de Hyperapsis quinquenotata Mulsant, 1850, Cryptolaemus montrouzieri Mulsant e Scymnus sp. (Coleoptera: Coccinellidae) (Silva et al., 1968; Menezes, 1973; Santa Cecília & Reis, 1985).
A ocorrência de microhimenópteros parasitando a cochonilha, em casa de vegetação, foi constatada por Sanches (1993), que encontrou as espécies H. pseudococcina e Procheiloneurus sp. (Hym.: Encyrtidae) e Signiphora sp. (Hym.: Signiphoridae).

2.4.3 Controle químico
Inicialmente, as cochonilhas podem ser controladas através do tratamento das mudas pela fumigação com brometo de metila a 40 g/m3. Com este produto e uma exposição de duas horas, Petty (1984) conseguiu eliminar a praga sem afetar as plantas. A fumigação por oito horas, entretanto, resultou numa redução significativa da razão de crescimento da planta.
Além desse produto, pode ser efetuada a fumigação, utilizando-se pastilhas de fosfina; Melo et al. (1991) relatam que as doses de 1 g, 2 g e 3 g/m3, após 72 horas de exposição, apresentam uma eficiência de 100% no controle de D. brevipes, entretanto, doses de 2 g e 3 g/m3 provocam fitotoxicidade às plantas.
O tratamento de mudas através da imersão em inseticidas, também, pode ser realizado com boa eficiência, empregando-se diazinon (90 ml i.a./100 l de água), ethion (75 ml i.a./100 l de água), fenitrothion (15 ml i.a./100 l de água), fenpropathrin (80 g i.a/100 l de água), monocrotophos e parathion methyl (90 ml i.a./100 l de água) vamidothion (30 ml i.a./100 l de água) (Emater, 1980; Santa Cecília et al., 1989; Santa Cecília & Rossi, 1991; Santa Cecília & Sousa, 1993). Após esse tratamento, as mudas devem ser espalhadas à sombra, para sua completa secagem.
O tratamento preventivo pode ser realizado nas mudas ainda na planta mãe, após a colheita dos frutos, exigindo menor dispêndio de mão-de-obra, empregando-se alguns dos produtos anteriormente mencionados.
Após a instalação da cultura, o controle das cochonilhas pode ser efetuado com inseticidas aplicados em pulverização ou com produtos granulados.
Em pulverização, recomenda-se o uso dos produtos diazinon (90 ml i.a./100 l de água), dimethoate (60 ml i.a./100 l de água), fenitrothion (15 ml i.a./100 l de água), fenpropathrin (80 g i.a/100 l de água), parathion ethyl ou methyl (90 ml i.a./100 l de água), vamidothion (30 ml i.a./100 l de água) (Emater, 1980; Santa Cecília & Sousa, 1993; Cunha et al., 1994). Enquanto não se dispõe de informações suficientes para o manejo integrado dessa praga, a maioria dos pesquisadores recomenda o tratamento preventivo entre 60 e 150 dias após o plantio, aplicando-se cerca de 50 a 70 ml de solução/ planta.
Outra forma de controle químico, já mencionada, é o uso de inseticidas granulados que apresentam boa eficiência e efeito residual mais longo que os aplicados em pulverização. Estes produtos devem ser empregados nos períodos chuvosos, para facilitar sua dissolução e absorção pela planta. Os produtos mais recomendados são o aldicarb e o dissulfoton; nesse caso, as aplicações devem ser efetuadas diretamente sobre a planta (Cunha et al., 1994).
Para se evitar maior disseminação da cochonilha, deve-se, também, controlar as formigas, o que pode ser conseguido com a aplicação dos produtos granulados já citados, além de se efetuar bom preparo do solo, para destruir seus ninhos.

3. BROCA-DO-TALO 
A broca-do-talo, Castnia icarus, também denominada vulgarmente broca-do-olho ou broca-gigante, somente é encontrada na cultura do abacaxizeiro nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, podendo ser considerada importante devido ao seu potencial de infestação em várias regiões produtoras.
Warumby et al. (1991a) constataram que na região de Riacho das Almas, PE, esta praga aumenta sua incidência nos meses em que as precipitações são mais elevadas, apresentando picos populacionais em junho e agosto.
Sanches & Cabral (1995) observaram, na região Norte e Nordeste do Brasil, que as plantas da cultivar Perolera foram bastante infestadas pela praga, com 22,9% de ataque, enquanto as cultivares Primavera, Smooth Cayenne e Pérola apresentaram infestações de 15,6%, 9,1% e 2,9%, respectivamente.

3.1 Descrição, biologia e comportamento
Os adultos dessa espécie possuem hábito diurno e medem aproximadamente 3,5 cm de comprimento por 10 cm de envergadura; as asas anteriores apresentam coloração marrom e três faixas brancas características, enquanto as posteriores são de cor vermelha intensa, com bordo e faixas escuros (Fig. 6).
As fêmeas realizam a postura, geralmente, no terço inferior das folhas. As lagartas recém-eclodidas perfuram inicialmente as folhas e vão penetrando até atingir o caule; elas são branco-amareladas e chegam a medir de 6 a 8 cm de comprimento, no final de seu desenvolvimento; neste último ínstar, a lagarta passa a tecer um casulo com fibras do talo, no interior do qual passa à fase de pupa.
A biologia da broca-do-talo foi estudada por Warumby et al. (1993) que relatam o seguinte: período de incubação dos ovos - de 7 a 13 dias; período larval - 180 dias; período pré-pupal - três dias; período pupal - de 30 a 60 dias; longevidade de adultos - de 10 a 15 dias; duração média do ciclo em laboratório - 256 dias. Sob condições normais de ambiente, Silva (1995) verificou um ciclo médio, de ovo a adulto, de 138,8 dias e um período larval médio de 87,3 dias.

3.2 Hospedeiros
Castnia icarus tem sido relatada em alguns hospedeiros como ananás, bananeira e Musaceae (Silva et al., 1968).

3.3 Danos
Essa praga ataca o talo da planta abrindo enormes galerias (Fig. 7) e provocando o seu definhamento gradativo. A planta, antes de morrer, normalmente emite uma brotação lateral (Cunha et al., 1994). Convém ressaltar que alguns autores já encontraram lagartas no interior do fruto, sem no entanto constatarem galerias no pedúnculo.
Tanto em mudas como em plantas em crescimento, ocorre destruição da parte central da roseta foliar, do talo, exsudação de resina e, em seguida, a morte; nos frutos, os danos são irreversíveis (Silva, 1995).

3.4 Medidas de controle
O controle desse inseto pode ser efetuado através dos seguintes métodos:

3.4.1 Controle mecânico
Deve-se efetuar inspeção periódica na área de cultivo e ao se detectar sua presença, deve-se arrancar as plantas atacadas, cortar o caule, localizar a lagarta e destruí-la.

3.4.2 Controle biológico
No Estado de Pernambuco, Warumby et al. (1991b) encontraram lagartas de último ínstar de C. icarus parasitadas por Apanteles spp. (Hymenoptera: Braconidae). Nesse mesmo Estado, Silva (1995) verificou a patogenicidade de Beauveria bassiana (Bals.) e Metarhyzium anisopliae (Mutsch.) sobre lagartas de segundo ínstar, em laboratório, constatando mortalidade de 54% e 68,8%, respectivamente, o que sugere a possibilidade futura do uso desses microrganismos no controle dessa praga.

3.4.3 Controle químico
São recomendados os mesmos produtos utilizados em pulverização para o controle de D. brevipes.

4. BROCA-DO-COLO 
Uma das primeiras observações da broca-do-colo, Paradiophorus crenatus, data de 1946, quando Falanghe (1948) constatou seu ataque na região de Limeira, SP, porém, sem causar prejuízos sensíveis às plantações.
Sua ocorrência tem se restringido aos estados de São Paulo e Mato Grosso.

4.1 Descrição
O adulto apresenta comprimento variável entre 22 a 25 mm, coloração preta, brilhante, cabeça prolongada para frente, em um típico rostro, com sulcos largos e profundos nos élitros (Fig. 8).

4.2 Danos
Os ovos, de cor branca, são colocados na região do coleto, em orifícios. As larvas iniciam a abertura de galerias, cujo diâmetro vai aumentando até atingir 15 mm, podendo ser encontradas de uma a seis larvas por planta; suas galerias são obstruídas com uma serragem filiforme e grosseira. Ao final do período larval, elas praticamente já seccionaram a planta, na porção situada abaixo da superfície do solo, permanecendo somente uma camada fina sustentando a planta; a seguir, tecem um casulo em cujo interior transformam-se em pupas, de onde emergem os adultos (Falanghe, 1948; Gallo et al., 1988).
Durante a fase de ataque das larvas (Fig. 9), a planta não apresenta um quadro de sintomas muito claro; posteriormente, porém, devido à reação da própria planta, percebem-se alguns sintomas como seca das extremidades das folhas e amarelecimento geral da planta (Falanghe, 1948).
As plantas atacadas têm a formação dos frutos, que podem ficar secos, muito prejudicada. Essas plantas, pela falta de apoio, quebram-se com muita facilidade.

4.3 Medidas de controle
Segundo Medina et al. (1978), não existe controle eficiente para a broca-do-colo; esses autores recomendam a destruição dos restos culturais e a rotação de cultura como medidas alternativas.

5. PERCEVEJO-DO-ABACAXI 
O percevejo-do-abacaxi, Lybindus dichrous, tem sido observado causando prejuízos em algumas regiões dos estados de São Paulo e Mato Grosso.

5.1 Descrição, comportamento e danos
O adulto apresenta a cabeça de cor vermelho-escura, pronotos pretos, com margens laterais amarelo-avermelhadas e asas pretas. Medem cerca de 11 a 12 mm de comprimento por 4 mm de largura (Fig. 10). As fêmeas colocam os ovos na parte inferior do pedúnculo, na base da infrutescência; esses ovos são inicialmente de coloração castanho-clara e vão se tornando escuros, quase pretos, próximo à eclosão das ninfas; estas são avermelhadas, passando a pretas no final do desenvolvimento (Mariconi, 1953; Reis, 1981).
Os percevejos jovens e adultos agrupam-se na parte inferior do pedúnculo da infrutescência e aí permanecem, escondidos, sugando a seiva; podem atacar o fruto. O fato de cada planta abrigar muitos insetos faz com que a infrutescência não se desenvolva ou cresça pouco e, também, provoca a seca ou apodrecimento do pedúnculo. É interessante ressaltar que esses insetos não atacam as plantas sem frutificação e que o abacaxizeiro parece ser a única planta hospedeira dessa espécie, o que a torna uma praga em potencial.
Com altas precipitações, ocorre uma queda acentuada no nível populacional desse inseto (Mariconi, 1953).

5.2 Medidas de controle
Como método preventivo, aconselha-se efetuar a eliminação dos restos culturais. Como controle químico, recomendam-se os mesmos produtos utilizados para a broca-do-fruto; além daqueles produtos, Reis (1981) recomenda a utilização de malathion CE na base de 2,0 l/ha.

6. CARUNCHO-DO-ABACAXI 

6.1 Descrição e comportamento
O caruncho-do-abacaxi, Parisoschoenus ananasi, é um coleóptero pequeno, medindo 4 mm de com primento, de cor preta, com uma linha branca na base dos élitros (Fig. 11); apresenta a cabeça com o rostro prolongado, sendo facilmente encontrado nas plantas, principalmente nas horas mais quentes do dia.

6.2 Danos
Os carunchos fazem pequenos orifícios na base das folhas, na região não clorofilada, e dois meses após observam-se nesse local manchas arredondadas de cor parda com a porção central deprimida, circundada por um halo clorótico, medindo de 3 a 8 mm de diâmetro. Ao atacarem os frutos, destroem as infrutescências e provocam uma exsudação de resina. Os danos são causados apenas pelos adultos (Giacomelli et al., 1972; Gallo et al., 1988).

6.3 Medidas de controle
Em virtude da inexistência de dados na literatura, recomendam-se os mesmos inseticidas aplicados para o controle da broca-do-fruto.

7. ÁCARO-ALARANJADO 
Normalmente, o ácaro-alaranjado, Dolichotetranychus floridanus, é mencionado como sendo de importância secundária para a cultura do abacaxizeiro. Cunha et al. (1994), contudo, relatam que em ataques severos eles podem causar reduções de até 16% na produção.
Essa espécie ocorre em diversos países do mundo, como Havaí, Ilhas Filipinas, Cuba, Panamá, Porto Rico, Honduras, México, Estados Unidos, Japão e África do Sul (Oliveira, 1982).
No Brasil, sua ocorrência é generalizada por todas as regiões produtoras de abacaxi, sendo suas condições de sobrevivência mais favoráveis naquelas em que a temperatura é elevada e a umidade relativa é superior a 45% (Rossetto & Giacomelli, 1966; Sanches & Zem, 1978; Flechtmann, 1979; Veiga, 1980).

7.1 Descrição e comportamento
D. floridanus é reconhecido por apresentar o corpo alongado, achatado e com coloração vermelho-alaranjada. O macho apresenta o corpo afilado na parte posterior. Os ovos apresentam formato oval e cor alaranjada.
Esses ácaros instalam-se nas axilas das folhas basais, provocando lesões de coloração escura.

7.2 Danos
Os maiores prejuízos são notados em plantas jovens, acarretando danos à circulação da seiva e facilitando a entrada de micror-ga-nismos (Py & Tisseau, 1965; Rossetto & Giacomelli, 1966).
Veiga (1980) relata que os danos em plantas jovens, de até 120 dias, surgem com o amarelecimento, seguido de seca da parte apical das folhas da base, podendo levar a planta à morte; já em plantas adultas, ocorre um amarelecimento, algumas vezes causando murcha, sem contudo acarretar a morte da planta.
Segundo Ventura et al. (1980), o aparecimento da gomose, pelo agente causador Fusarium moniliforme, está relacionado com a presença do ácaro-alaranjado.

7.3 Medidas de controle
Como controle desse artrópode, recomenda-se a utilização de mudas sadias, que podem ser conseguidas com o mesmo tratamento usado para cochonilhas.

As principais pragas do abacaxizeiro incluem a cochonilha (Dysmicoccus brevipes), que suga a seiva e transmite o vírus da murcha, e a broca-do-fruto (Strymon megarus), que danifica a polpa. Outras pragas incluem a broca-do-colo, ácaros e percevejos, além da doença fúngica fusariose. O manejo envolve monitoramento, controle químico, uso de mudas sadias e eliminação de resíduos.

Principais Pragas do Abacaxi

  • Cochonilha (Dysmicoccus brevipes): Considerada a praga mais importante, causa a murcha associada ao vírus PMWaV. Vive nas raízes e axilas das folhas, frequentemente associada a formigas.

    • Broca-do-fruto (Strymon megarus): Larva de borboleta que perfura o fruto, causando galerias e depreciação comercial.

    • Broca-do-colo (Castnia invaria): Lagarta que ataca a base da planta (colo), podendo causar a morte.

    • Ácaro-alaranjado (Dolichotetranychus floridanus): Ataca folhas e frutos.

    • Percevejo-do-abacaxi (Paromius luctuosus): Suga a seiva do fruto e pedúnculo, comum na região amazônica. 

    • Principais Doenças (Associadas à Produção

      • Fusariose (Fusarium subglutinans): A doença mais limitante, causa deformações e gomose nos frutos e apodrecimento de mudas.

      • Podridão-do-olho (Phytophthora nicotianae): Provoca amarelamento e apodrecimento das folhas novas.

      • Podridão-negra (Thielaviopsis paradoxa): Doença de pós-colheita que apodrece a polpa. 

      • Manejo e Controle

  • Monitoramento: Inspeção regular para detecção precoce.

  • Mudas Sadias: Seleção de material de plantio isento de pragas.

  • Controle Biológico: Uso de inimigos naturais.

  • Controle Químico: Uso de inseticidas seletivos, com foco no controle de formigas (para cochonilhas) e aplicações no momento correto para brocas.

  • Práticas Culturais: Eliminação de restos culturais e rotação de culturas.







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