Mostrando postagens com marcador TECNOLOGIA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador TECNOLOGIA. Mostrar todas as postagens

sábado, 13 de junho de 2020

PRODUÇÃO DE MUDAS FRUTÍFERAS


CAPÍTULO 2 PRODUÇÃO DE MUDAS

2.1 Viveiro
Viveiro é uma área de terreno convenientemente demarcada, onde as mudas frutíferas são obtidas e conduzidas até o momento do transplante. Para algumas espécies, entre elas as plantas cítricas, em função de doenças e pragas, todo o processo de obtenção de mudas é realizado em telados a prova de insetos.
Por muda, entende-se toda a planta jovem, com sistema radicular e parte aérea, com ou sem folhas, obtida por qualquer método de propagação, utilizada para a implantação de novos pomares. No caso de mudas obtidas por enxertia, as mudas são formadas pela combinação de duas ou mais cultivares diferentes.
Muda de pé-franco, é a denominação utilizada para designar aquelas mudas obtidas, normalmente por estaquias, as quais são tem o sistema radicular e a parte aérea formadas por uma única cultivar. Em alguns estados, como em São Paulo, a denominação de pé-franco é utilizada para aquelas mudas oriundas de sementes.

2.2 Escolha do local
Para o estabelecimento do viveiro, interferem fatores econômicos, ambientais, técnicos e as preferências pessoais do viveirista. Recomenda-se não instalar viveiros no mesmo terreno por mais de 2 anos. Deve-se proceder rotação com culturas anuais ou adubação verde. Assim procedendo, obtém-se maior desenvolvimento das mudas.

A área do viveiro a ser escolhida deve considerar:
- Exposição preferencialmente ao Norte;
- Isolada do pomar, observando a legislação para a cada espécie;
- Afastada de estradas públicas;
- Isenta de ervas daninhas de difícil controle;
- Evitar áreas sujeitas a geadas, principalmente no caso dos citros;
- Em terrenos de mata, proceder a destoca total, no mínimo 2 anos antes da instalação do viveiro;
- Disponibilidade de água para o uso com irrigação e com tratamentos fitossanitários;
- Não usar áreas encharcadas ou áreas sujeitas à inundação;
- Preferir solos profundos e medianamente arenosos;
- Evitar áreas sujeitas a ventos constantes que podem quebrar as mudas na região da enxertia;
- Escolher solos ricos em matéria orgânica;
- Terrenos isentos da infestação de nematóides;
- Não repetir o cultivo da mesma espécie pelo menos, por três anos, na mesma área;
- Preferir topografia plana ou levemente ondulada, executando-se, neste caso, práticas para a conservação do solo.

2.2.1 Condições edáficas e biológicas
Deve-se dar preferência a solos areno-argilosos, profundos, levemente ondulados ou planos, porém na maioria dos casos não se tem essa situação, devendo-se, então, utilizar os solos com as melhores condições possíveis. Os solos argilosos são geralmente de difícil mecanização e dificultam o desenvolvimento do sistema radicular das mudas, predispondo às podridões de raízes e ao excesso de manganês.
Deve-se realizar uma rigorosa escolha nas características físicas do solo, já que as químicas podem ser substancialmente modificadas.
O viveiro deve estar livre de fitonematóides nocivos, tiririca (Cyperus spp.), capim bermuda (Cynodon dactylon), pérola da terra (Eurhizococus brasiliensis) e do ataque de qualquer praga ou doença que se hospede na muda e que seja motivo de infestação em outras mudas. Uma análise microbiológica do solo ajuda na avaliação da população de fitonematóides e de outras doenças importantes para a espécie a ser explorada.
Recomenda-se o cultivo de gramíneas, tais como o milho, aveia, azevém, entre outras, antes de serem instalados os viveiros, principalmente quando no solo houver material lenhoso em decomposição. Esta prática diminui o ataque de fitonematóides e deve ser repetida por um período de dois anos. A produção das culturas deve ser incorporada na forma de adubo verde.
No caso de viveiros e pomares de macieiras, o ataque de podridões do sistema radicular causa prejuízos significativos. Dentre elas, destaca-se aquela provocada por fungos do gênero Phytophthora, que a partir de trabalhos desenvolvidos, pode ser controlada por
fungos do gênero Trichoderma sp.. Estes fungos fazem o controle biológico das podridões de raiz e já possuem distribuição comercial para o produtor. Eles são utilizados por ocasião do
plantio e produzem substâncias antibiológicas e enzimas que inibem o desenvolvimento do patógeno. Agem também como parasita de outros fungos, desta forma alcançam uma taxa de reprodução e crescimento mais elevada do que a do patógeno, passando a predominar no ambiente.
As plantas frutíferas liberam fitotoxinas que podem se acumular no solo, prejudicando o desenvolvimento das mudas. A nogueira libera uma fitotoxina chamada jiglone; a macieira libera floridzina; e o pessegueiro e a ameixeira prunazina e amigdalina. Estas substâncias desenvolvem efeitos alelopáticos sobre as mudas em desenvolvimento. Também devem ser evitados solos infectados com Agrobacterium tumefasciens.
O viveiro deverá ser instalado em área onde não houve pomar há pelo menos 5 anos e viveiros nos últimos 3 anos; estar distanciado pelo menos a 50 metros de qualquer pomar e, no mínimo, 5.000 metros para o caso do morangueiro.
A água deverá estar disponível em quantidade para a irrigação, quando necessária, e mesmo para realização de tratamentos fitossanitários.

2.2.2 Condições de clima
Os ventos podem prejudicar o desenvolvimento e quebrar as mudas na região da enxertia. Para tanto deve-se utilizar quebra-ventos para proteger as plantas dos ventos dominantes.
A temperatura limita o crescimento das mudas. Uma muda cítrica que, nas condições de São Paulo, pode ser produzida em menos de 24 meses, nas condições do Rio Grande do Sul, pode demorar até 36 meses.

2.2.3 Preparo e correção do solo do viveiro
Fazer uma aração profunda, atingindo 20-30cm de profundidade. Os corretivos devem ser baseados na análise do solo, sendo que a calagem e a aplicação de potássio e fósforo devem ser antes da instalação do viveiro. Caso houver necessidade, é possível aplicar-se quantidades de matéria orgânica com o objetivo de aumentar a disponibilidade de nitrogênio e, ao mesmo tempo, melhorar as propriedades físicas do solo.
As linhas de plantio das mudas devem ser distanciadas de 1,2 a 1,5m entre si, ou então pode-se utilizar filas duplas distanciadas de 0,6m entre si e 1,2 a 1,5m entre filas duplas. A distância entre filas pode ser modificada em função do implemento a ser utilizado. Dentro das filas as mudas ficam distanciadas em torno de 15cm.

2.3 Mercado
A muda deve ser produzida, de preferência, próximo ao local de consumo e deve considerar a existência de mão-de-obra qualificada, bem como de estradas que facilitem o acesso.

2.4 Infra-estrutura

2.4.1 Benfeitorias
Deve-se dispor de galpões para embalagem e controle do material propagado, guarda de equipamentos, defensivos e fertilizantes. Em alguns casos, também é necessário que se tenha estufas, telados, ripados, entre outros.

2.4.2 Equipamentos Deve-se ter todos os equipamentos que possibilitem o preparo da área, tratos culturais, tratamentos fitossanitários, irrigações e embalagem das mudas.

2.5 Formação da muda
As mudas podem ser formadas a partir de sementes ou a partir de partes vegetativas, como a enxertia, a estaquia, a mergulhia, a micropropagação, entre outras.

2.5.1 Obtenção das sementes e preparo da sementeira
Na fruticultura, a utilização de sementes basicamente está restrito à obtenção de porta enxertos
e ao melhoramento genético, pois, comercialmente, poucas espécies frutíferas têm suas mudas obtidas por este método.
O uso de sementes e a época de semeadura decorrem da época da maturação das frutas e do poder germinativo das mesmas. Normalmente, as sementes devem ser semeadas logo após a colheita das frutas, principalmente no caso dos citros e da nogueira-pecan. Entretanto, existem espécies que necessitam um período de repouso para germinarem (estratificação), superando-se a dormência e favorecendo a maturação fisiológica, como acontece em sementes de pessegueiro.
As sementes devem ser provenientes de plantas sadias, adultas, possuírem um bom vigor e características varietais definidas.
A semente deve ser separada da polpa logo após o coleta das frutas para evitar a sua fermentação. Na polpa das frutas existem inibidores que impedem a germinação das sementes.
Por esta razão, nunca se deve fazer a semeadura de frutas inteiras. Nas plantas cítricas, colhem-se as frutas maduras (inverno); corta-se a fruta ao meio com faca de madeira, para evitar lesões nas sementes e, em seguida, espreme-se em peneiras; lava-se com água corrente ou água de cal e seca-se à sombra, em local ventilado. Já com o pessegueiro, os caroços devem ser de cultivares de maturação tardia (Capdeboscq e Aldrighi), não podem ser cozidos e a polpa deve ser removida para evitar-se a fermentação. Para tanto, eles devem ser mantidos em locais sombreados e úmidos, com baixa temperatura <10 b="" nbsp="" o="">que faz com que a maturação fisiológica seja completa.

Armazenamento e estratificação
O êxito da germinação nas sementeiras depende da qualidade da semente e do meio que a mesma é conservada desde a coleta até a semeadura.
As sementes que tem embrião grande perdem a vitalidade e dessecam durante o armazenamento. Este tipo de semente deve ser conservada com suficiente umidade e temperatura em torno de 2 a 7°C, pode-se misturar uma substância inerte, ligeiramente úmida, como, por exemplo, a areia.
A estratificação é o tratamento que se submetem as sementes, durante o armazenamento, sem que se perca o poder germinativo. É feita com o objetivo de acelerar a maturação das mesmas, favorecendo a germinação daquelas que têm o tegumento espesso e relativamente impermeável. Os caroços de pêssego estratificados devem permanecer em locais frescos, enterrados ou em câmaras frias, a temperaturas que variam de 0 a 10°C, e o período de estratificação varia entre 30 e 100 dias.

Sementeira
O preparo da sementeira começa pela aração do solo, retirada de pedras, restos de vegetais e o preparo do solo através do uso de enxadas rotativas, normalmente acopladas a microtratores.
A largura do canteiro normalmente é, em torno, de 1,20m e 10m de comprimento e ficam distanciados de aproximadamente 25cm uns dos outros. A semeadura pode ser feita a lanço ou em linha, observando-se que a semente deve ficar a uma profundidade de, aproximadamente, 3 vezes o seu diâmetro.

Época de semeadura
A semeadura pode ser feita diretamente no solo ou em embalagens apropriadas. Nas espécies que não necessitam estratificação, a semeadura é feita logo após a coleta, como acontece com as plantas cítricas e a nogueira-pecan. No caso do pessegueiro, a semeadura é feita após 2 a 3 meses de estratificação, sendo que 1 kg de caroços tem aproximadamente 400 sementes, quando bem conduzidas, podem chegar até 70-80% de germinação. Nas condições do agricultor, a germinação está em torno de 20%. Atualmente, os produtores de mudas de pessegueiro estão realizando a semeadura dos caroços diretamente no viveiro, tal fato, embora tenha algumas desvantagens, como uma maior área para controle de ervas daninhas, para irrigação, além de necessitar de um maior número de caroços, facilita o desenvolvimento da muda, pois ela não sofre o estresse causado pela repicagem. Outra vantagem obtida pela eliminação da repicagem é a menor exigência de mão-de-obra, visto que esta operação é bastante demorada e coincide com o arranquio e embalagem das mudas do ano anterior.
Em plantas cítricas, em função de restrições por doenças transmitidas por insetos, todo o sistema de produção de mudas é feito em telado, desde a semeadura até a muda pronta.

Viveiro
Quando as mudas tiverem tamanho adequado, o que é variável com a espécie, elas devem ser repicadas para o viveiro, por exemplo, para mudas de pessegueiro, os cotilédones são mantidos junto com a mudinha por ocasião do transplante, com 5 a 10cm de altura, pois os mesmos são fonte de reservas alimentares, muito importantes nesta fase inicial de desenvolvimento.
No viveiro, as mudinhas são plantadas a uma distância de 0,15 x 1,20m; 0,15 x 0,30 x 1,20m. Durante a repicagem, a irrigação é indispensável para favorecer o pegamento.
Quando as mudas são destinadas à obtenção de porta-enxertos, devem ser conduzidas em haste única. As mudas também podem ser produzidas em sacos plásticos, torrão ou vasos.
Neste caso, todas as operações podem ser realizadas com a muda dentro da embalagem, permitindo, assim, um ganho maior de tempo na obtenção da muda.

2.5.2 Partes vegetativas
Em muitos casos, o porta-enxerto é obtido a partir de partes vegetativas, como é o caso da macieira em que o porta-enxerto é obtido por mergulhia de cepa; em outras situações as mudas são obtidas diretamente de estacas, como é o caso das videiras americanas, figueira, marmeleiro, entre outras.

Estaquia
A estaquia é um processo muito simples, que pode ser utilizado para a produção de porta-enxertos ou diretamente da muda, dispensando a utilização da enxertia. Entretanto, a utilização da estaquia é limitada à capacidade de formar raízes das espécies e/ou cultivares utilizadas.
O tamanho e o tipo de estaca a ser utilizada (Figuras 2 e 3) fica na dependência da maior ou menor facilidade de enraizamento.
Geralmente a estaquia é realizada no período de inverno, pois a sua utilização no verão requer instalações com sistemas de nebulização intermitente (Figura 4), como casas de vegetação, sombrites e telados. O espaçamento das estacas no viveiro é semelhante ao das mudas, ou seja, 0,15 x 1,20m.
No período de inverno são utilizadas estacas lenhosas de aproximadamente 30cm de comprimento.
O uso de auxinas na base da estaca contribui para aumentar o enraizamento. Por exemplo, a aplicação de uma solução de ácido indolbutírico (AIB) na concentração de 2g L-1, por cinco segundo aumenta de forma significativa o percentual de estacas enraizadas.

Diferentes tipos de estacas lenhosas. Foto: José Carlos Fachinello.

Estacas com folha, comprimento de 12 cm, utilizada durante o período vegetativo
da planta. Foto: José Carlos Fachinello

Estufas com nebulização intermitente utilizadas para o enraizamento de estacas
com folhas. Foto: José Carlos Fachinello

Mergulhia
No processo de mergulhia (Figuras 5 a 9), a muda a ser formada só é separada da planta-mãe após ter formado um sistema radicular próprio. Existem diversas formas de propagar plantas por mergulhia, porém as mais utilizadas são a mergulhia contínua e a mergulhia de cepa, muito utilizada na cultura da macieira e pereira para obtenção de portaenxertos clonais.

Mergulhia simples normal

Mergulhia contínua chinesa

Mergulhia chinesa serpenteada

Mergulhia de cepa

Mergulhia aérea ou alporquia.

Órgãos especializados
Em fruticultura, a obtenção de mudas através de estruturas especializadas está restrito a alguns casos, como o morangueiro, cujas mudas são obtidas por estolões, a bananeira por rizomas e o abacaxizeiro por rebentos.

Estolões utilizados na propagação do morangueiro

Rebentos utilizados na propagação da amoreira-preta

Enxertia
A enxertia é o principal método de obtenção de mudas para formação de pomares comerciais, e pode ser utilizado para a maioria das plantas frutíferas.
A enxertia é realizada quando os porta-enxertos, obtidos através de sementes ou partes vegetativas, atingirem o diâmetro de um lápis ou mais e é realizada a uma altura de 5 a 25cm do solo.
As espécies de folhas caducas geralmente são enxertadas em duas épocas, inverno e primavera/verão. Já a maioria das espécies de folhas persistentes são enxertadas na primavera/verão.

Obtenção de borbulhas ou garfos
A obtenção de borbulhas ou garfos deve ser feita tomando-se alguns cuidados básicos, entre eles:
- Utilizar plantas livres de doenças, principalmente de vírus;
- Ser representante típico da cultivar;
- Tenha alta produtividade e frutas de boa qualidade;
- No caso de existirem vetores que transmitem doenças, as plantas matrizes devem estar protegidas em telados.

Enxertia de borbulhia em T normal.

Enxertia de borbulhia em T invertido.


Enxertia de borbulhia de gema com lenho.

Enxertia de garfagem em fenda cheia em videira.

Enxertia de garfagem em fenda dupla ou inglês complicado.

Forçamento da brotação do enxerto
Para favorecer a brotação do enxerto pode-se realizar alguns procedimentos, entre eles:
- Curvamento ou dobra do porta-enxerto, 5 a 15cm acima do ponto de enxertia;
- Corte total do porta-enxerto, 5 a 15cm do ponto de enxertia;
- Decapitação total do porta-enxerto no ponto de enxertia;
- Decapitação parcial do porta-enxerto.

Dobra do porta-enxerto de pessegueiro para forçamento da brotação

Condução da muda
Em locais sujeitos à ocorrência de ventos fortes, pode-se colocar tutores nas mudas, com o fim de evitar o deslocamento do enxerto. Elimina-se as brotações laterais, procurandose dar à muda uma formação em haste única ou deixando-se os ramos básicos na altura adequada.

2.5.3 Práticas culturais no viveiro
Durante a permanência da muda no viveiro, são necessárias realizações de adubações freqüentes, aplicação de matéria orgânica, irrigação, capinas, controle de doenças e pragas, desbastes, toaletes, entre outras.

2.6 Transplante
Transplante é a retirada da muda do viveiro para o local definitivo.
A época de realização do transplante está ligada à biologia da planta e ao tipo de muda utilizada. Para mudas de plantas de folhas caducas que, geralmente, são comercializadas na forma de raiz nua, o transplante é feito no período de inverno, o que coincide com a menor atividade fisiológica. Já as plantas de folhas persistentes, normalmente comercializadas na forma de torrão, o transplante pode ser realizado em qualquer época do ano, porém realiza se, de preferência, no início da atividade vegetativa.
Quando as mudas forem levadas para locais distantes, devem ser embaladas de acordo com a legislação e, se transportadas no mesmo dia, devem ser mantidas em locais sombreados.
No arranquio das mudas, deve-se ter o cuidado para não danificar o sistema radicular e a haste principal.

2.6.1 Tratamento da muda, embalagem e identificação
As mudas, depois de desplantadas, deverão ter sua haste reduzida a uma determinada altura (50cm, no caso do pessegueiro); as raízes também são separadas, obedecendo as normas do Ministério da Agricultura. Devem ser protegidas do meio ambiente para evitar desidratação.
As mudas de raiz nua podem ter seu sistema radicular mergulhado numa mistura de argila (barro), podendo-se adicionar cobre 2% + fungicida sistêmico à argila. Esta prática é denominada de aboboragem. As mudas tratadas poderão ser reunidas em feixes, embaladas com palha e identificadas (espécie, cultivar e porta-enxerto) para serem comercializadas.
A parte aérea de mudas de plantas de clima temperado também poderão receber tratamento para superação da dormência (frio ou aplicação de produtos químicos). Em mudas de macieira, o armazenamento a temperaturas de 4°C durante 45 dias proporciona mudas de excelente qualidade e com brotação uniforme. 
As mudas também podem ser desplantadas com uma porção de solo, chamada de torrão, desta forma elas podem ser comercializadas sem maiores problemas de desidratação da parte aérea e do sistema radicular.

2.7 Viveirista
Todo viveirista deverá estar registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA) como produtor de mudas e/ou comerciante, conforme Lei 10.711/2003 e Decreto 5.153/2004.
Toda muda deverá ser comercializada dentro de padrões estabelecidos para a espécie, de acordo com normas elaboradas pelo MAPA ou pelas comissões estaduais para produção de mudas fiscalizadas ou certificadas.
A muda fiscalizada é a que mantém todas as características necessárias a uma boa muda com relação à sanidade e vigor, porém não possui autenticidade quanto a sua origem genética, o que a distingue da muda certificada.
Toda pessoa física ou jurídica que pretenda produzir material de propagação e/ou mudas fiscalizadas deverá requerer anualmente o seu credenciamento na Entidade Fiscalizadora ou Certificadora, mediante a apresentação dos seguintes documentos:
a) Requerimento solicitando credenciamento;
b) Comprovante de registro de produtor de mudas junto ao MAPA.;
c) Termo de compromisso do Responsável Técnico;
d) Projeto técnico de produção de muda fiscalizada ou certificada, com croqui de localização da propriedade, da área destinada ao viveiro e/ou campo de plantas matrizes; e
e) Compromisso de produzir mais de 10.000 mudas fiscalizadas de duas ou mais espécies ou, no caso do morangueiro, mais de 200.000 mudas.


domingo, 31 de maio de 2020

INTRODUÇÃO À FRUTICULTURA



CAPITULO 1 - INTRODUÇÃO À FRUTICULTURA

1.1 Situação da fruticultura no Brasil

O Brasil possui condições ecológicas para produzir uma gama de frutas tropicais,subtropicais e temperadas e situações especiais que permitem que possamos produzir o ano todo. Apesar de todas estas condições favoráveis, o Brasil ainda importa várias frutas que poderiam ser produzidas aqui, entre elas se destacam a pêra, uva para mesa e passas, ameixas, quivi, cerejas e maçã na entre safra. Os nossos principais fornecedores são a Argentina, o Chile e o Uruguai.
No Rio Grande do Sul, a situação não é diferente somos tradicionais importadores de frutas de outros países e/ou estados. Mesmo no caso das plantas cítricas, o Estado só consegue atender 60% do consumo nas épocas de maior demanda e tem dificuldade de abastecer e fornecer a matéria-prima para suprir as três indústrias concentradoras de sucos nele instaladas.
Portanto a área de laranjas necessitaria ser ampliada, já que os cerca de 28.000ha são insuficientes para atender a demanda. No caso da frutas tropicais, o maior volume vem de outros Estados, mesmo assim o RS possui microclimas que podem produzir mangas, bananas, maracujá, abacaxi entre outras. O Estado produz quantidade suficientes de uva para vinhos, pêssego para mesa e conserva, ameixa, maçã, figo, goiaba, e esta ampliando a área de quivi na Serra Gaúcha e plantas cítricas sem sementes na Metade Sul.
A fruticultura é uma atividade que utiliza grande quantidade de mão de obra e atende a necessidade de viabilizar as pequenas propriedades e a fixação do homem no meio rural. Para tanto, é necessário o incentivo e o estabelecimento de parcerias com os setores de produção e comercialização, envolvendo setores públicos e privados para que os produtores possam produzir para o mercado interno, buscar novos mercados e aproveitar os excedentes nas agroindústrias.
Dispõe-se de tecnologias e material genético apropriados para produzir nas diferentes condições de clima e solo do Brasil. Não bastam só as potencialidades, são necessários incentivos e políticas que permitam um planejamento a médio e longo prazo, já que os pomares necessitam de, no mínimo, 2 anos para iniciar a produção e os investimentos iniciais costumam serem elevados e o retorno só ocorre depois do 6 da implantação do pomar.
É necessário que, ao par da produção, todo o setor esteja de olhos abertos para as tendências mundiais, onde o consumidor não pode ser desconsiderado e a busca de produtos diferenciados através da produção orgânica e integrada de frutas (PIF) e que podem representar dividendos adicionais para o setor de produção e comercialização.
Em países europeus, asiáticos e mesmo nos Estados Unidos, a fruticultura se caracteriza por ser uma atividade rentável e que utiliza com vantagens a produção integrada, buscando produtos de qualidade, minimizando riscos ao homem e ao ambiente.
No Brasil, a Produção Integrada de Frutas (PIF) está sendo utilizadas por produtores de frutas de diversas regiões, principalmente naquelas áreas destinadas à exportação, como é o caso da maçã, melão, manga, uva, mamão, entre outras.
O consumo de frutas visando os aspectos funcionais e/ou nutracêuticos também é um fator que pode contribuir para a elevação do consumo e, consequentemente, o aumento das áreas plantadas de diversas frutas, inclusive frutas nativas das mais diferentes regiões do Brasil.

1.2 Importância da fruticultura

O cultivo de plantas frutíferas se caracteriza por apresentar aspectos importantes nocontexto sócio-econômico de um país, tais como:
a) Utilização intensiva de mão-de-obra;
b) Possibilita um grande rendimento por área, sendo por isso uma ótima alternativa para pequenas propriedades rurais;
c) Possibilita o desenvolvimento de agroindústrias, tanto de pequeno quanto de grande porte
d) Contribui para a diminuição das importações;
e) Possibilita aumento nas divisas com as exportações;
f) As frutas são de importância fundamental como complemento alimentar, sendo fontestaminas, sais-mnerais, proteínas e fibras indispensáveis ao bom funcionamento do organismo humano, entre outras.

 Na Tabela 3 é mostrado o valor nutricional das principais frutas consumidas no Brasil.


1.3 Conceitos

A fruticultura pode ser conceituada como sendo o conjunto de técnicas e práticas aplicadas adequadamente com o objetivo de explorar plantas que produzam frutas comestíveis, comercialmente. Segundo Tamaro (1936), fruticultura é a arte de cultivar racionalmente as plantas frutíferas.
Além do conceito de fruticultura, o conceito de fruta e fruto também é variável conforme o autor. Segundo Ferreira (1993), fruta é a designação comum às frutas, pseudofrutos e infrutescências comestíveis, com sabor adocicado. Já o fruto é o órgão gerado pelos vegetais floríferos, e que conduz a semente, portanto resulta do desenvolvimento do ovário depois da fecundação. Para facilitar a leitura, no decorrer de todos os capítulos, será adotado o termo fruta.

1.4 Classificação das plantas frutíferas

A maioria dos frutos é o resultado do desenvolvimento do ovário da flor após a fecundação, originando, assim, as sementes. Algumas frutas, porém, resultam do amadurecimento do ovário mesmo sem fecundação, produzindo frutos partenocárpicos, como é o caso da banana, do abacaxi e de algumas cultivares de uvas e citros.
Na Tabela 4 são apresentadas as principais espécies frutíferas cultivadas com o respectivo nome científico, nome da família e sub-família
As plantas frutíferas podem ser classificadas de diferentes formas, as principais são quanto ao clima, hábito de vegetativo e tipo de fruto.

1.4.1 Quanto ao clima

a) Frutíferas de clima temperado - as principais características apresentadas por essas plantas são:
- Hábito caducifólio;
- Um único surto de crescimento;
- Necessidade de frio com temperaturas £ 7,2°C, para superação do estádio de repouso vegetativo;
- Maior resistência às baixas temperaturas;
- Necessidade de temperatura média anual entre 5 e 15°C para crescimento e desenvolvimento.
As principais plantas frutíferas de clima temperado são pessegueiro, macieira, pereira, videira, ameixeira, marmeleiro, quivi, cerejeira, nogueira-pecan, entre outras. 
b) Frutíferas de clima subtropical - as principais características apresentadas por essas plantas são:
- Nem sempre apresentam hábito caducifólio;
- Mais de um surto de crescimento;
- Menor resistência a baixas temperaturas;
- Pouca necessidade de frio no período de inverno;
- Necessidade de temperatura média anual de 15 a 22°C.
As principais frutíferas de clima subtropical são as plantas cítricas, abacateiro, caqui, jabuticaba, nespereira, entre outras.
c) Frutíferas de clima tropical - as principais características apresentadas por essas plantas são:
- Podem apresentar mais do que um surto de crescimento;
- Apresentam folhas persistentes;
- Não toleram temperaturas baixas;
- Necessidade de temperatura média anual entre 22 e 30°C.
As principais frutíferas de clima tropical são bananeira, cajueiro, abacaxizeiro,
mamoeiro, mangueira, maracujazeiro, coqueiro da bahia, entre outras.

1.4.2 Quanto ao hábito vegetativo

a) Arbóreas - apresentam grande porte e tronco lenhoso. Exemplos: mangueira, abacateiro, nespereira, jaqueira e nogueira-pecan.
b) Arbustivas - apresentam porte médio e caule menos resistentes. Exemplos: figueira, amoreira, mamoeiro e romãzeira.
c) Trepadeiras - apresentam caule sarmentoso e provido de gavinhas. Exemplos: videira, maracujazeiro e quivi.
d) Herbáceas - apresentam porte baixo, rasteiras ou com pseudo-caules. Exemplos: bananeira, morangueiro e abacaxizeiro.

1.4.3 Quanto ao tipo de fruta

a) Frutas com sementes - maçã e pêra
b) Frutas com caroços - pêssego e ameixa
c) Frutas com sementes carnosas - romã
d) Frutas em bagas - uva, groselha e quivi.
e) Frutas em espirídio - citros
f) Frutas agregadas - framboesa
g) Frutas compostas - figo
h) Frutas secas – noz pecan e pistáchio.
i) Frutas tropicais e subtropicais - banana e abacaxi
j) Frutas nativas comestíveis - araçá, pitanga, araticum





1.5 Tipos de pomares

a) Pomares domésticos ou caseiros - são aqueles pomares que se caracterizam por apresentarem um grande número de espécies e cultivares.
b) Pomares comerciais - são aqueles formados por um pequeno número de espécies e cultivares, há um escalonamento da produção, sendo que esta pode ser destinada à industrialização ou ao consumo “in natura”.
c) Pomares experimentais - são aqueles que apresentam um grande número de espécies e cultivares.
d) Pomares didáticos - são aqueles que apresentam um grande número de espécies e variedades, onde são executadas as práticas corretas e incorretas, pois o fim único é o aprendizado.

1.6 Principais problemas da fruticultura

A fruticultura é uma atividade com características bastante regionalizadas, o que faz com que, em cada região onde ocorre predominância pelo cultivo de uma ou outra espécie, surjam problemas diferentes dos de outras regiões. Existem, no entanto, problemas principais que são geralmente comuns a todas as espécies e regiões, como, por exemplo:
a) Produção de mudas de qualidade, principalmente no que se refere à falta de controle do material utilizada e fiscalização dos produtores, comerciantes, transportadores, entre outros;
b) A comercialização é uma etapa muito pouco eficiente, ocorrendo muitas perdas das frutas antes de chegarem ao consumidor;
c) Falta de transporte, armazenamento, assistência técnica e linhas de crédito compatíveis;
d) Falta de informação e organização dos produtores, principalmente dos pequenos produtores;
e) Baixa renda da população, o que faz com que o consumo per capita de frutas seja muito baixo, no Brasil;
f) Plantio muitas vezes em regiões marginais (Figura 1);
g) Falta de culturas adaptadas às condições locais;
h) Manejo inadequado do solo e da planta;
i) Elevados custos de implantação e produção;
j) Condições climáticas desfavoráveis em muitas regiões produtoras.

Figura 1 – Macieira com brotação irregular devido à falta de frio no período de dormência.
Foto: José Carlos Fachinello


quarta-feira, 22 de junho de 2016

Como plantar arvores frutiferas


RESUMO: São descritos de maneira generalizada as recomendações práticas para o cultivo de diversas fruteiras a nível de pomar caseiro, incluindo o preparo de sementeira e viveiro, práticas culturais, espaçamentos, adubações e a ocorrência das principais doenças nas espécies e seus controles. Foi dado ênfase às espécies nativas da Amazônia que já possuem interesse econômico.

Plantio de ÁRVORE FRUTÍFERA

Material: Para cada muda utilizar
1 sc de 20kg de COMPOSTO ORGÂNICO e 500g de BOKASHI.


Passo 1: Revolva a terra que foi tirada da cova. Quebre todos os torrões.

Passo 2: Espalhe a terra e adicione os 20kg de COMPOSTO ORGÂNICO

Passo 3: Com uma enxada misture muito bem o COMPOSTO com o SOLO

Passo 4: Misture bem

Passo 5: Depois de bem misturado coloque a mistura no fundo da cova.

Passo 6: Com a muda ainda no vaso,meça a altura que irá ficar. A planta deve ficar ao nível do solo.

Passo 7: Com a ajuda de um estilete recorte o vaso para retirar o torrão.

Passo 8: Coloque o torrão no centro da cova e complete com a mistura e solo e COMPOSTO ORGÂNICO

Passo 9: Coloque 500g de BOKASHI ao redor da muda na distância da COVA, substrituindo, a farinha de osso e a torta de mamona.

Passo 10: Faça uma cobertura com material seco (palha) para manter a umidade e a temperatura do solo.


Passo 11: Para finalizar faça uma rega generosa com uns 20 litros d'água.




segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Noções básicas para o uso de agrotóxicos



Os agrotóxicos, produtos e agentes químicos ou biológicos, cuja finalidade é a de preservar, a flora e a fauna, da ação danosa de outros seres vivos considerados nocivos, são distribuídos em grupos de produtos classificados como inseticidas (controlam as pragas), fungicidas (agem sobre os fungos), herbicidas (combatem as plantas invasoras), bactericidas (controlam as bactérias), acaricidas (eliminam os ácaros), nematicidas (agem sobre os nematóides do solo), moluscidas (combatem as lesmas) e raticidas (agem sobre os ratos).
O uso de agrotóxicos tem sido questionado pelos ambientalistas, ecologistas e biólogos, pois são produtos químicos que, quando aplicados de forma indiscriminada e inadequada, causam problemas à flora, à fauna e ao próprio homem.
O uso de agrotóxicos nos cultivos de açaizeiro ainda são limitados, pois se restringem a poucas ações no controle de pragas, em sementeiras, viveiros e no campo. O uso de fungicidas praticamente inexiste, pois o "anel-vermelho", até então referido em alguns trabalhos entomológicos, associados às ações provocadas pela broca-do-coqueiro, vetor do nematóide causador dessa doença, não atingiram ainda estágios de comprometimento econômico à produção de frutos.





http://pt.slideshare.net/lucasmartins101/degradao-do-solo-devido-ao-uso-de-agrotoxicos?qid=1d9e174f-494c-4965-8cba-8bbfe401f41d&v=qf1&b=&from_search=5


Escolha do agrotóxico

Para que sejam obtidos resultados eficientes, no controle desses seres nocivos dentro da atividade agrícola, são observados, como princípios básicos, se a incidência de doença, praga ou concorrência de plantas invasoras justifica o controle, e se o uso de agrotóxico provoca desequilíbrio à cultura e ao meio ambiente.
É importante avaliar, quando da decisão do combate à nocividade, se o agrotóxico é recomendado para o controle desejado, tendo sempre em mente a preocupação de escolher produtos menos tóxicos. Quando houver a necessidade do uso de dois produtos é prudente verificar se não há incompatibilidade e não deve ser esquecido o respeito ao intervalo mínimo entre a aplicação e a colheita.

Cuidados especiais no uso e manuseio de agrotóxicos

O uso de agrotóxicos exige de seus manuseadores o conhecimento básico sobre o modo de ação, as doses recomendadas, a hora e a época de aplicações, a formulação do produto (pó-molhável, concentrado emulsionável, pó seco), a classe toxicológica e sobre os cuidados durante e após as aplicações no controle de doenças, pragas e plantas invasoras nas culturas de importância socioeconômica, assim como na manipulação das embalagens após o esvaziamento das mesmas.
Os agrotóxicos, comercializados em embalagens do tipo pacote, caixa, lata e vidro, são dotados de rótulos, que devem ser sempre preservados, contendo informações importantes sobre o produto, como: as culturas beneficiadas com a sua aplicação; as doenças, pragas ou plantas invasoras que podem ser tratadas; a melhor época para controlar as doenças, pragas e plantas invasoras; a dosagem recomendada; o intervalo entre as aplicações; a carência ou intervalo entre a última aplicação e a colheita, para que o agrotóxico não contamine os alimentos; a compatibilidade, quando da possibilidade e necessidade de se aplicar mais de um produto ao mesmo tempo; os cuidados a serem tomados pelo aplicador, para não se contaminar; e sobre a formulação do produto e a indicação do princípio ativo.
Nas propriedades, os agrotóxicos devem ser armazenados ou guardados longe do alcance de crianças e de animais, e evitados os lugares úmidos, a céu aberto e próximo das habitações. As embalagens devem ser mantidas sempre fechadas e os produtos conservados na embalagem original.
Quando do manuseio, após a abertura das embalagens, o produtos não deve ser tocado sem a observação dos cuidados necessários, como os usos de equipamentos de proteção individual (EPI), tais como luvas, óculos e máscara para evitar o contato e a inspiração do produto.
As embalagens devem ser recolhidas e encaminhadas para terem o destino final, de acordo com a legislação regulamentada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Na impossibilidade de cumprimentos das normas de proteção, devem ser inutilizadas e enterradas em locais adequados, mas sempre longe de rios, fontes e igarapés; e, nos casos de embalagens abertas ou rasgadas, as mesmas devem ser mantidas em sacos de plástico.
Os agrotóxicos são poderosos contaminantes que necessitam, quando usados, de cuidados que minimizem ou neutralizem os seus efeitos prejudiciais ao homem, animais, alimentos e ao ambiente. As ações que devem ser postas em prática, com vistas à redução do perigo da contaminação, estão relacionadas com o uso e lavagens dos pulverizadores, as aplicações do produto, os cuidados com o aplicador e o destino final dos resíduos e embalagens.
Esses temas são regulamentados por leis específicas e detalhados quanto aos seus usos e aplicações, como a Lei n° 7.802, de 11 de julho de 1989, que dispõe sobre a pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a propaganda comercial, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e afins, e dá outras providências. Parte dessa lei, foi regulamenta pelo Decreto nº 3.179, de 21.09.1999, que dispõe sobre a especificação das sanções aplicáveis às condutas e atividades lesivas ao meio ambiente e alterada pela Lei 9.974, de 06 de junho de 2000, que trata especificamente sobre o destino das embalagens vazias.

Técnica de aplicação

Os defensivos químicos são os meios mais perigosos, porém eficazes, que o agricultor dispõe para o controle de doenças, pragas e plantas invasoras, que comprometem a rentabilidade de suas lavouras. No entanto, por causa dos seus usos indiscriminados e inadequados, vêm causando danos ao ambiente e ao próprio homem, mesmo quando são necessários poucos gramas de ingrediente ativo por hectare para controlar as doenças, pragas e plantas invasoras.

Formulação e modo de aplicação

Os defensivos são comercializados nas formulações sólidas (pó e granulado); líquidas (pó-molhável ou emulsionável), e gasosas, sendo estas últimas de uso bastante restrito.
As formulações na forma de pó seco contêm 0,5% a 10% de ingrediente ativo e a aplicação é feita com polvilhadora ou polvilhadeira. Essas formulações têm baixas concentrações, por isso o custo da aplicação, por unidade de área, é maior. As desvantagens da aplicação de pó estão relacionadas ao fato das partículas serem levadas pelo vento a longas distâncias, a baixa aderência das mesmas, o que facilita a lavagem pela chuva, e ao alto risco de inalação das partículas pelos aplicadores.
As formulações granulares são aplicadas a lanço e oferecem maior segurança aos aplicadores. Os grânulos também contêm baixa concentração de ingrediente ativo sendo, portanto, de custo mais alto como ocorre com os pós-secos. O maior problema com o uso de granulados é o fato de terem ação sistêmica, por isso vêm sendo desenvolvidos produtos microencapsulados, de liberação lenta, que reduz mais os riscos de contaminação do aplicador.
As formulações líquida, pó-molhável ou concentrado emulsionável, são aplicadas em pulverizadores, constituídos de bomba de pressão e de bico. O bico é a parte mais importante do pulverizador, pois são usados diferentes tipos para que sejam conseguidos espectros de gotas desejados e mais eficientes. Os bicos são usados para fracionar o líquido em gotas e, além do tipo universal, são classificados de acordo com a energia utilizada em:
Bicos de impacto, leque ou cone (energia hidráulica): são de baixa pressão e gotas grandes, usados na aplicação de herbicidas;
Pneumático e vertical (energia gasosa): usados para as aplicações em folhagem de arbustos e árvores, e espacial de aerossóis;
Disco rotativo e gaiolas (energia centrífuga): usados para aplicação de herbicidas em volumes pequenos com gotas de tamanho quase uniformes;
Vibratório (energias cinética e térmica): empregados para produzir grandes gotas (herbicidas) e neblina ou fumaça, uso em recinto fechado ou floresta, respectivamente;
Eletrohidrodinâmico (energia elétrica): utilizados na aplicação de produtos oleosos e volumes reduzidos (0,5 a 1,5 L/hectare).
As dosagens dos agrotóxicos usados nas lavouras podem ser expressas em quantidades do produto por unidade de área (hectare ou alqueire) ou pela quantidade do produto por 100 litros de água (180 g/100 L; 210 mL/100 L; 320 cc/100 L).
De acordo com os volumes de agrotóxicos aplicados nas lavouras, quando também é levado em consideração o porte das culturas, existem pelo menos 5 tipos de aplicações de defensivos, a saber: alto volume, normalmente são aplicados de 600 a 1.000 L/hectare; médio volume, de 200/600 a 600/1.000 L/hectare; baixo volume, de 50/200 a 200/500 L/hectare; muito baixo volume 5/50 a 50/ 200 L/hectare; e ultrabaixo volume de 5 L/hectare, para plantas rasteiras e árvores/arbustos, respectivamente.
O tamanho das gotas, que têm grande importância na eficiência da aplicação de diferentes defensivos, com o mínimo de contaminação ambiental, foi definido ou classificado pela Organização Mundial de Saúde (1976) em:
Aerossol: distribui gotas com diâmetro médio do volume inferior a 50 micrômetros (1 micrômetro = 0,001 milímetro);
Nebulização: distribui gotas com diâmetro médio do volume inferior a 50 micrômetros; pulverização fina, distribui gotas com diâmetro médio do volume entre 50 e 100 micrômetros; e
Pulverização grossa: distribui gotas com diâmetro médio do volume superior 400 micrômetros.
O preparo da calda é uma operação que oferece perigo ao aplicador e ao ambiente, pois o defensivo químico está concentrado. A preparação da calda não deve ser feita às proximidades de poços, rios e igarapés, pois no caso de ocorrer vazamentos e respingos resultará em contaminação, principalmente, daqueles que usarão a água para consumo e sobrevivência.
Os principais cuidados no preparo da calda são: o pó não deve ser colocado diretamente no tanque do pulverizador, antes há a necessidade de misturá-lo com um pouco de água, em balde ou outro tipo de vasilha, para a obtenção de uma mistura mais homogênea, assim é evitada a deposição do produto no fundo do tanque do pulverizador, que pode provocar entupimento de bicos e provocar desgastes no equipamento; o defensivo não deve ser colocado no pulverizador vazio, abastecer antes com certa quantidade de água, que não afete a concentração da calda de aplicação; usar água limpa no preparo da calda, com isso não haverá o entupimento e menor será o desgaste do equipamento; adicionar o espalhante-adesivo, após o preparo da calda, para evitar a formação de espuma; e aplicar a mistura no mesmo dia em que foi preparada.
Antecedendo à aplicação do agrotóxico, o equipamento de distribuição, pulverizador costal (manual e motorizado), pulverizador de barra ou atomizador, deve ser regulado, de modo a garantir a vazão correta da calda e o volume a ser aplicado na área, planta, etc. considerada na operação.
É importante observar que, quando das aplicações de agrotóxicos, é comum o desgaste dos bicos após algumas horas de trabalho, assim precisam ser substituídos para não haver prejuízos à pulverização.