sábado, 17 de junho de 2017

Doenças dos Coqueiros e métodos de controle


DOENÇAS FOLIARES

Queima das folhas - Agente causal: Botryosphaeria cocogena Subileau
A queima das folhas, também conhecida como fogo do coqueiro, ocorre de forma epidêmica nos estados de Alagoas, Bahia, Pará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Desde 1975, esta doença vem provocando uma considerável redução na produtividade dos coqueiros nos estados nordestinos (SOUZA FILHO et al., 1979). A incidência da doença é mais evidente na época do ano em que a precipitação e umidade relativa do ar são baixas e as temperaturas são elevadas.
Os sintomas da doença estão presentes nas folhas inferiores (Figura 1). Caracteriza-se por um secamento dos folíolos localizados na extremidade da folha em forma de V, que avança pela raque até atingir a base da folha, que seca prematuramente. Concomitantemente, surgem nos folíolos manchas de coloração marrom clara a avermelhada, de formato irregular e alongadas, que também progridem em direção à raque onde se observa um exudado de goma (WARWICK et al., 1994). Uma vez na raque, a doença torna-se sistêmica, evoluindo para a parte interna da planta. Em consequência, o cacho fica sem sustentação e cai antes de completar sua maturação. O avanço da doença na planta provoca a redução da área fotossintética, o que reflete significativamente na queda de produtividade. Essa doença chega a atingir cerca de 50% das folhas de uma planta e até 100% da plantação, daí seu caráter endêmico na região de ocorrência (SUBILEAU, 1993).

Foto: Dulce Regina Nunes Warwick
Figura 1. Coqueiral com sintomas da queima das folhas.
Medidas de Controle
  • Remover e queimar folhas infectadas durante o período chuvoso ou inverno.
  •  Caron (2012) obteve um controle efetivo com a aplicação axilar de Cyproconazole e misturas em coqueiro-anão verde.
  •  Preferir o anão verde do Brasil e evitar híbridos que tenham parentais os anões-vermelho da Malásia e Gramame (WARWICK et al., 1990; 1991).
Lixa pequena - Agente causal: Camarotella torrendiella (Batista) Bezerra & Vitória (Phyllachora torrendiella (Batista) Subileau), (Catacauma torrendiella Batista)
A lixa pequena só existe no Brasil, sendo todas as variedades e híbridos cultivados suscetíveis em diferentes graus. Foi relatada pela primeira vez no Estado de Pernambuco e, atualmente, encontra-se em quase todas as regiões onde se cultiva o coqueiro. É considerada a doença mais importante da cultura nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe. Nas regiões onde a doença ocorre intensamente, cerca de 50% das folhas da planta apresentam-se infectadas; consequentemente, as folhas mais baixas necrosam, secam e caem prematuramente. Em ataques severos, os cachos ficam sem suporte, o que prejudica a maturação dos frutos.
A doença é caracterizada por pequenos pontos negros, também conhecidos como verrugas, os quais ocorrem por todas as áreas dos folíolos, raque, frutos do coqueiro. Essas lesões têm a forma de um diamante paralelo com as nervuras dos folíolos e têm uma crosta negra, medindo de 5 cm a 7 cm de comprimento (VITÓRIA et al., 2008). Posteriormente, um halo amarelo circunda estas lesões, que evoluem para uma necrose (Figura 2). Essas manchas necrosadas coalescem, tornando as folhas senescentes prematuramente. A característica que o diferencia da lixa grande é que os estromas são menores e não são destacados facilmente do tecido lesionado.

Foto: Dulce Regina Nunes Warwick
Figura 2. Estromas de lixa pequena nos folíolos.
Medidas de controle
  • Adoção de manejo cultural adequado e adubação equilibrada das plantas, com base na análise de solo e/ou folha, para melhor convivência com as doenças foliares.
  • Os fungos hiperparasitas Acremonium alternatumA persicinumHansfordia pulvinata e Septofusidium elegantulum podem ser utilizados com eficiência em regiões com umidade relativa do ar mais elevadas, no controle das lixas (RENARD, 1988).
  • Os fungicidas difenoconazole, thiabendazole, ciproconazole, flutriofole, azoxystrobin+cyproconazole e o trifloxystrobin+cyproconazole têm apresentado resultados promissores no controle das doenças foliares (CARON, 2012). Vale ressaltar que apenas o difenoconazol e o thiabendazol têm registro no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) para controle da queima-das-folhas.
Lixa grande - Agente causal: Coccostromopsis palmicola (Speg) Hyde & Cannon (Coccostroma palmicola (Speg) von Arx & Muller)
A importância da lixa está relacionada, principalmente, por proporcionar uma abertura para a penetração do fungo Botryosphaeria cocogena, causador da queima das folhas (WARWICK; LEAL, 1999)A ocorrência é semelhante à da lixa pequena, porém não está presente na região Norte. O sintoma característico da lixa-grande é a formação de estromas de aspecto rugoso, formato circular e cor marrom. Encontram-se distribuídos na parte superior dos folíolos e na raque foliar isolados, em linhas ou coalescentes (Figura 3). Os estromas são frutificações típicas de fungos ascomicetos semelhantes a verrugas. Os estromas desse fungo soltam-se facilmente e são mais superficiais que os estromas da lixa pequena. A doença manifesta-se sobre o limbo, na nervura dos folíolos e na raque foliar, com grossos peritécios de coloração marrom, que podem atingir 2 mm de diâmetro. Essas frutificações estão, geralmente, dispostas na borda do folíolo, ao lado da nervura central ou sobre ela. Os peritécios também aparecem na face inferior do limbo. A raque é também parasitada pelo fungo (WARWICK; LEAL, 1999).

Foto: Dulce Regina Nunes Warwick
Figura 3. Estromas de lixa-grande.
Medidas de controle
  • As providências adotadas para o controle da lixa pequena são adequadas também para a lixa grande.
Mancha foliar ou Helmintosporiose - Agente causal: Bipolaris incurvata Dreschs
Essa doença ocorre principalmente em viveiro, onde a alta umidade relativa do ar e o pouco arejamento propiciam condições ideais para o desenvolvimento do fungo. O patógeno é comum em vários hospedeiros, contendo aproximadamente 45 espécies que são parasitas de plantas tropicais e subtropicais.
Em geral, os primeiros sintomas aparecem oito dias após a penetração do fungo. Nesse estádio, as lesões são arredondadas e com o diâmetro menor que 2 mm, têm a cor verde-clara com o centro mais escuro, ocorrendo a formação de um halo amarelado (Figura 4). Esses sintomas evoluem com o desenvolvimento da doença e, em casos severos, as lesões coalescem e as margens dos folíolos tornam-se necróticas (QUILLEC; RENARD, 1975). A sintomatologia varia dependendo da espécie de palmeira hospedeira, sendo que as lesões podem ser mais ou menos comprimidas.

Foto: Dulce Regina Nunes Warwick
Figura 4. Lesões da helmintosporiose.
Medidas de controle
  • Remover folhas severamente infectadas.
  • Evitar adubação excessiva com nitrogênio.
Os produtos tebuconazole e difenoconazole do grupo dos triazóis, embora não registrados no Mapa para controle dessa doença, têm apresentado resultados satisfatórios no campo.

DOENÇAS LETAIS

Resinose Agente causal: Thielaviopsis paradoxa (De Seyn) Hölh ou Chalara paradoxa (De Seyn.) Sacc e a forma teliomórfica é Ceratocystis paradoxa (Dade) Moreau
A resinose do coqueiro foi registrada, primeiramente, no Sri Lanka, em 1906, e na Índia, foi realizada reprodução de sintomas em 1986 (NAMBIAR et al.,1986). No Brasil, os primeiros relatos de sua ocorrência surgiram em 2004 e, desde então, a doença tem se disseminado gradualmente (WARWICK; PASSOS, 2009). Fatores como estresse ambiental e danos mecânicos também favorecem a ocorrência da doença. Não foram encontradas variedades resistentes. O patógeno pode sobreviver por longos períodos no solo na forma de estruturas de resistência denominados clamidósporos. A transmissão entre plantas pode ocorrer pelas raízes, tendo em vista que as raízes do coqueiro se entrelaçam no campo e é frequente a presença do fungo em raízes terciárias da planta. A disseminação a longas distâncias ocorre via insetos. Foi detectada a presença de T. paradoxa na broca-do-olho do coqueiro (Rhynchophorus palmarum) e no falso-moleque-da-bananeira (Metamasius hemipterus) (WARWICK et al., 2009). O principal sintoma da resinose é a exsudação de um líquido marrom-avermelhado que escorre através de rachaduras no estipe (Figura 5). Estas lesões ocorrem, em geral, na base da planta, e progridem de forma ascendente, coalescendo posteriormente. Com o passar do tempo, o exsudato forma incrustações enegrecidas. As plantas apresentam redução na frequência de emissão de folhas e no seu tamanho, afinamento do tronco e, finalmente, ocorre a morte da planta. Através da dissecação do tecido vegetal, verifica-se a presença de extensas manchas amarronzadas de tecidos desintegrados e fibrosos, na região interna do caule (WARWICK; PASSOS, 2009). Exames realizados na região das raízes principais revelaram a presença de lesões necróticas.

Foto: Dulce Regina Nunes Warwick
Figura 5. Sintoma no estipe de resinose.
Medidas de Controle
  • Monitorar regulamente o plantio para identificação de plantas com sintomas da doença.
  • Erradicar plantas severamente atacadas utilizando método manual ou químico através de injeção caulinar com herbicida.
  • Usar fungicidas comerciais e pincelar a área lesionada com alcatrão vegetal ou piche.
  • Pincelar pasta bordalesa (WARWICK et al., 2012).
  • Reduzir a população do inseto vetor com o uso de armadilhas atrativas.
  • Em laboratório, isolados de Trichoderma sp, e Bacillus subtilis foram eficientes no controle do fungo.
Anel Vermelho – Agente causal: Bursaphelenchus cocophilus (Rhadinaphelenchus cocophilus) Baujard
Essa doença é sempre fatal ao coqueiro. Atualmente, é encontrada no Caribe e nas Américas Central e do Sul, incluindo todas as regiões produtoras de coco do Brasil. Os sintomas variam, dependendo das condições ambientais, idade e variedade do hospedeiro. Nos coqueiros gigantes e híbridos, os sintomas externos são caracterizados pelo amarelecimento dourado das folhas basais. As folhas tornam-se necrosadas e quebram na base da raque. Com o progresso da doença, as folhas inferiores apresentam-se penduradas, presas ao estipe. Num estádio mais avançado, ocorre o apodrecimento do meristema apical, causado por microrganismos saprófitas. Estes sintomas confundem-se com os de outras doenças letais ao coqueiro e também com os sintomas provocados pelo encharcamento do solo. As inflorescências permanecem normais e as plantas jovens, sem estipe formado, não são suscetíveis à doença. O aparecimento de um anel-vermelho no estipe da planta, de aproximadamente 2 cm a 4 cm de largura e 3 cm a 5 cm da periferia, é o sintoma típico da doença (Figura 6). Na área do anel do coqueiro, encontra-se um número muito grande de nematoides, que podem ser extraídos facilmente desses tecidos (GRIFFITH, 1987).

Foto: Dulce Regina Nunes Warwick
Figura 6. Sintoma interno do anel-vermelho.
Warwick e Bezerra (1992) demonstraram que o nematoide pode ser transmitido por raízes, mas o principal agente de transmissão da doença é a broca-do-olho-do-coqueiro Rhynchophorus palmarum, (Coleoptera; Curculionidae). As plantas infectadas pelo anel-vermelho entram em processo de fermentação e putrefação, exalando odores que atraem os insetos vetores. Estes penetram na planta, perfurando os tecidos tenros da gema apical e, desta forma, ficam contaminados interna e externamente com o nematoide (GERBER; GIBLIN-DAVIS, 1990).
Medidas de controle
  • Inspeções constantes para detecção de plantas infectadas.
  • Erradicação imediata de plantas com sintomas externos da doença.
  • Desinfecção das ferramentas utilizadas nas plantas doentes.
  • Uso de armadilhas atrativas para capturar os insetos vetores.
  • Controle biológico do R. palmarum com o fungo Beauveria bassiana.
Murcha de Fitomonas - Agente causal: Phytomonas sp.
A murcha de fitomonas é conhecida como hartrot no Suriname. Em países de língua espanhola, a doença é chamada de `Marchitez`, e em Trinidad é chamado Cedros Wilt. Já foi registrada na Colômbia, Costa Rica, Equador, Guiana Suriname, Trinidad e Tobago; e Venezuela. No Brasil, foi assinalada em Alagoas, Bahia, Pará, Paraíba, Pernambuco e Sergipe.
Os sintomas externos inicialmente se assemelham aos do anel-vermelho. Nas folhas basais, os folíolos tornam-se amarelos pálidos, seguidos por um empardecimento, evoluindo da extremidade para a base da folha. Os sintomas progridem das folhas mais baixas para as mais altas, sendo que esta coloração varia, dependendo do tipo de coqueiro (Figura 7). As inflorescências tornam-se necrosadas e secas, ocorrendo a queda prematura dos frutos. No estádio final da doença, há uma podridão fétida do broto apical (BEZERRA; FIGUEIREDO, 1982). Diferentes espécies de Lincus (Pentatomidae) são vetores do patógeno (LOUISE et al., 1986).

Foto: Dulce Regina Nunes Warwick
Figura 7. Sintoma típico da murcha de fitomonas.
Medidas de controle
  • Erradicar as plantas doentes.
  • Manter a área livre de plantas invasoras.
  •  Retirar as folhas mais velhas e as bainhas mortas, as quais podem abrigar o percevejo vetor.
  • Coletar os vetores Lincus spp e Ochlerus (WARWICK et al., 1999).

PODRIDÃO SECA - Agente causal: organismo do tipo fitoplasma

Essa doença ocorre em viveiro e, esporadicamente, em plantios definitivos. Foi registrada no Brasil, Costa do Marfim, Filipinas, Indonésia e Malásia. Atualmente, tem causado problema em plantios de coqueiro anão irrigado. Estudos realizados na África comprovaram que o patógeno é transmitido através de cigarrinhas, Tagosedes cubana Tkolophon da família Delphacidae, que se multiplicam em gramíneas (JULIA; MARIAU, 1982). A podridão seca provoca a paralização do crescimento e secamento da folha central. Simultaneamente ao desenvolvimento dos sintomas nas folhas, aparecem no coleto lesões internas, marrons, com aparência de cortiça, observadas através de corte longitudinal na planta (Figura 8). A folha-flecha das plantas atacadas destaca-se facilmente ao ser puxada. Finalmente, todas as folhas secam quando a podridão alcança o meristema central. A planta morre em um ou dois meses, após o aparecimento dos primeiros sintomas (WARWICK, 1998).

Foto: Dulce Regina Nunes Warwick
Figura 8. Sintoma externo da podridão seca.
Medidas de controle
  • Erradicar as plantas doentes.
  • Evitar instalar o viveiro em locais úmidos.
  • Eliminar as plantas invasoras, principalmente as gramíneas.
  • Fazer controle dos insetos vetores (cigarrinhas).