terça-feira, 22 de setembro de 2015

Saborosa e com potencial de mercado, Atemóia


A atemóia é um fruto híbrido, derivado da ata – pinha ou fruta-do-conde – e da cherimóia, originária dos Andes. Ainda pouco cultivada e conhecida no Brasil, a fruta tem um grande mercado a conquistar. Há cinco anos, um projeto de pesquisa realizado pela Estação Experimental da Agenciarural de Anápolis tenta mostrar que a produção da atemóia é viável em Goiás e, até agora, tem obtido sucesso.
Toshio Ogata, engenheiro agrônomo e pesquisador responsável pelo projeto de introdução da atemóia em Goiás, conta que após a terceira colheita realizada no campo experimental já dá para perceber que a viabilidade da fruta no Estado é grande. Segundo ele, a produção tem aumentado anualmente e deve melhorar ainda mais. “Em três anos, as plantas devem atingir a plena carga”, diz. O estudo analisa também diferentes manejos de poda dessa variedade, associados à nutrição mineral e irrigação, visando maior produtividade e qualidade do fruto.
A plantação da atemóia está restrita a alguns países tropicais e subtropicais por adaptar-se melhor às condições intermediárias entre a cherimóia (clima subtropical) e a ata (clima tropical). Por isso, explica Toshio, no Brasil ela deve ser cultivada em regiões localizadas a mais de 800 metros de altitude. A estação experimental da Agência Rural em Anápolis fica a 1080 metros acima do nível do mar.
Além da altitude da área de cultivo, para a cultura dar certo o solo não pode ser encharcado nem pedregoso. Atualmente, São Paulo produz a maior parte da atemóia brasileira, cerca de 40%. Minas Gerais vem em seguida.
Em Goiás, a colheita da atemóia se inicia no final de março e segue até meados de abril. Toshio explica que o principal problema de manejo encontrado na cultura é o ataque da broca no tronco e fruto. “É preciso fazer pulverização ou, então, quem não quiser fazer controle químico, tem de ensacar os frutos”, conta.
A atemóia lembra um pouco a ata, mas segundo Toshio, a fruta tem mais características da cherimóia. Entre elas, uma polpa mais macia e de sabor bastante adocicado. Além disso, a atemóia herdou a boa produtividade da fruta andina. “A cherimóia é reconhecida internacionalmente pelo seu sabor, é uma das frutas mais saborosas que existe”.
Segundo Toshio, a atemóia é uma fruta apreciada na Europa e nos Estados Unidos e tem bom potencial de mercado, inclusive para exportação. “A nossa colheita aqui pega a entressafra no Hemisfério Norte”, acrescenta.
Estudo Prévio O pesquisador lembra que os produtores interessados em investir na variedade devem primeiro estudar bem a cultura, as características climáticas do local de plantio, de solo e se preparar para evitar problemas com a broca. “A polinização, por exemplo, tem de ser perfeita, caso contrário o fruto pode apresentar má formação e perder mercado”, diz. Para o início do plantio, Toshio afirma que os interessados têm de encomendar mudas de outros Estados.
No Brasil, a atemóia chega a ser vendida a cerca de cinco reais o quilo e cada fruto chega a pesar 600 gramas. O gerente da divisão técnica da Ceasa em Goiás, Josué Lopes Siqueira, afirma que atualmente o mercado em Goiás da atemóia é pequeno, por ser uma fruta pouco conhecida pelo consumidor.
Josué diz qué é preciso uma campanha de apresentação da atemóia, algo que desperte o interesse por ela. “Pode ser pelo sabor ou então por alguma característica benéfica para a saúde, como a acerola que contém muita vitamina C”. Segundo ele, toda a atemóia vendida na Ceasa em Goiânia é oriunda de São Paulo.