quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Variedades, Propagação, Clima e Solo para Acerola



Variedades

A acerola é conhecida no Brasil há mais de 50 anos, mas seu cultivo em escala comercial é recente. No Nordeste a área plantada, na maior parte foi instalada sem que fosse necessário conhecimentos tecnológicos sobre as diversas variedades de aceroleiras. Em quase todos os pomares pode ser observado uma escala acentuada de formas e tipos de plantas, e isso tem causado muitas dificuldades aos produtores de acerola, uma vez que a desuniformidade das plantas acarreta perdas na produtividade dos pomares e na qualidade dos frutos. Pode-se encontrar no mesmo pomar, plantas com crescimento distinto e árvores que produzem frutos em cacho e isolados, assim como tamanho formato e coloração diferentes. Essas diferenças trazem problemas ao produtor pois, as atividades agrícolas tornam-se difíceis, perante a diversidade de respostas que se obtém de matrizes com características genéticas diferentes.
É necessário que os pomares sejam formados a partir de variedades bem definidas , contendo características agronômicas e tecnológicas adequadas.
Tendo consciência da necessidade de instalação de pomares de aceroleiras com germoplasma caracterizado e selecionado, alguns estados do Nordeste vem desenvolvendo pesquisas no sentido de introduzir, caracterizar, selecionar e difundir plantas com qualidades agronômicas e tecnológicas comprovadoras e de interesse comercial.
A variedade ideal de acerola para cultivo em áreas irrigadas do Nordeste, teriam que reunir características consideradas essenciais, com alto nível de produtividade (próximo a 100 kg/planta/ano) e os frutos com coloração vermelha e peso superior a 8 – 10 gramas e teor de vitamina C acima de 2.000 mg/100g de polpa.
Dadas essas características, deve-se buscar a seleção de plantas desprovidas de pêlo urticantes, que podem acarretar sérios problemas à operação de colheita, buscando plantas que produzam frutos mais rígidos e resistentes ao transporte. É necessário que o material selecionado possua resistência ou tolerância a esse fitopatógeno.
As acerolas são classificadas em doces e ácidas. Sendo que as acerolas são mais ricas em ácido ascórbico. Simão (1971) informa que no Havaí foram selecionados os seguintes clones: Grupo doce – 4-43 (Mamoa); 9-68 (Rubi Tropical) e 8E-32 (Rainha do Havaí). No grupo ácido destacam-se: 3B-21 (J. H. Beaumont); 22-40 (C. F. Rehnborg) e 3B-1 (Jumbo Vermelho).
Na Estação Experimental Agrícola da Universidade de Porto Rico, onde se testaram diversas seleções de variedades clonais de acerola, foram recomendadas, para as condições locais, as seleções B-15 e B-17. A seleção B-15 caracteriza-se por ser produtiva e gerar frutos com alto conteúdo de vitamina C. A seleção B-17 produz frutos maiores, fáceis de colher e adequados para comercialização como fruta fresca (Marty e Pennok, 1965). Os trabalhos de seleção realizados na Flórida destacam a variedade Flórida Sweet como resistente a algumas doenças fúngicas (International Board Plant Genetic Resources, 1986)
Variedades doces:
Manoa Sweet: Apresenta copa ereta e estendida. É vigorosa, prolífica e tem tendência a produzir muita ramagem, líder, atingindo até 5m de altura. Seus frutos são de coloração amarelo avermelhada quando completamente maduros. São doces, de bom sabor. É recomendada para plantios caseiros.
Tropical Ruby: O hábito de crescimento lembra a anterior, necessitando de controle para desenvolver tronco único. Não podada, pode atingir 5m de altura. Boa produtora, seus frutos são idênticos aos da Manoa Sweet.
Hawaiian Queen: Seu hábito de crescimento é ereto, esparramado e aberto. Igualmente, deve ser conduzida de maneira a formar tronco único, o que pode ser praticado cem menor esforço que as anteriores.
Variedades ácidas:
J.H.Beaumont: Este clone é compacto, baixo, com ramagens densas e hábitos de crescimento que pode ser facilmente conduzido para formar arbusto de tronco único. Tanto a produção de frutos como a de ácido ascórbico são boas. Fruto grande, com coloração laranja avermelhada quando completamente maduros.
C.F.Rehnborg: A planta é de formação compacta, densamente ramificada, podendo ser facilmente conduzida para formar tronco único. Embora altamente produtiva, comparativamente seu teor em ácido ascórbico é baixo. Apresenta fruto grande com coloração laranja avermelhada, passando a vermelho-escuro quando completamente maduro.
F. Haley: Forma boas árvores para pomares, sendo facilmente conduzida para formar tronco único, e tem hábito de crescimento ereto. Seus ramos são alongados, com ramagem lateral não esparramada. Os frutos, de tamanho médio, têm coloração vermelho-púrpura quando plenamente maduros. Esta variedade adapta-se melhor às áreas mais secas.
Red. Jumbo: Possui tronco único e crescimento compacto; ramagem bem distribuída e hábito de crescimento baixo. Embora seja arbusto baixo, a porcentagem de frutificação é relativamente alta e o fruto grande, pesando 9,3g, em média; é de coloração atrativa, passa do vermelho-cereja para o vermelho-púrpura quando em plena maturação.
Maunawili: Embora não se destaque quanto ao conteúdo de ácido ascórbico, demonstrou superior performance nas áreas bastante chuvosas e seu fácil e manejável crescimento fizeram dela um clone desejável. Desenvolve tronco único e exige pouca ou nenhuma posa; seus ramos são eretos e ao mesmo tempo compactos. As folhas geralmente pequenas e estreitas. Seus frutos são pequenos, vermelho-cereja e até vermelho-púrpura quando bem maduros.
Condições Climáticas Hídricas e Solos


Clima

A acerola ou cereja das Antilhas, é planta rústica, desenvolvendo-se em clima tropical e subtropical, quando adulta (madura) suporta temperaturas de até 0º C.
Segundo Simão (1971) e Almeida e Araújo (1992), a acerola se adapta bem à temperatura média em torno de 26º C.
Durante o período seco e frio a planta permanece estacionária, o que é normal, e quando a temperatura se eleva, a vegetação e o florescimento mantêm-se constantes. Sua frutificação acontece na primavera-verão. A altitude pode ser de 0 nível do mar até 800m ou mais. Por ser de clima tropical e subtropical, com chuvas ou irrigações distribuídas em torno de 1000 a 2000 mm, poderá haver uma grande produção de frutos de maior tamanho. As chuvas excessivas ultrapassando 1600 mm podem ocasionar frutos com menos vitamina C e aquosos.
Para Marty e Pennock (1965), a acerola não exige solos específicos. Os mais indicados são os de média fertilidade e os argilo-arenosos por reterem maior teor de umidade. Entretanto, certos cuidados devem ser tomados, como a fertilização adequada dos terrenos, arenosos e a drenagem das áreas de solos mais pesados onde pode ocorrer salinação e evitando, nos solos mais arenosos as áreas infestadas por nematóides.

Propagação

A aceroleira é uma planta considerada de propagação simples, dado que pode ser multiplicada por vários processos. Ela se propaga facilmente com o emprego de sementes, estaquia e enxertia (Amaral, 1992; Matry e Pennock, 1965; Holmquist, 1966; Bezerra e outros, 1992).
O fato da aceroleira ser uma planta autofértil podem-se obter plantas praticamente idênticas, com a utilização da propagação por meio de sementes (Simão, 1971). Nos plantios em grandes escalas, entretanto, essa modalidade de propagação só deve ser adotada se as sementes provierem de frutos colhidos em áreas formadas com plantas uniformes, portadoras das melhores características produtivas e comerciais, pois desse modo se reduz o risco da geração de matrizes geneticamente indesejáveis.
As mudas a partir de sementes podem ser formadas em canteiros com 15 cm de altura, e 120 cm de largura e comprimento variável em função das características da propriedade. A semeadura pode ser feita em caixa de madeira ou similar, utilizadas como germinador, medindo 15 cm de largura ou em recipiente de polietileno preto com 20 cm de altura e 15 cm de diâmetro. Alguns viveiristas produzem as mudas em recipientes de polietileno de 6 cm de diâmetro e 25 cm de altura, reduzindo assim o custo de produção, devido ao maior número de mudas transportadas por unidade de área.
As sementes devem provir de frutos fisiologicamente maduros, dos quais são extraídas, sendo em seguida lavadas e postas a secar à sombra. A germinação ocorre em geral dentro de 20 a 150 dias; seu índice é de 20 a 30%, em virtude da ocorrência freqüente de abortamento do embrião (Marty e Pennock, 1965). A proteção contra a insolação direta e as regas diárias são práticas indispensáveis ao sucesso na germinação das sementes.
Diversos trabalhos comprovam, por outro lado, a viabilidade da propagação assexuada mediante o enraizamento de estaca. Esse método, assegura maior precocidade na produção, assim como a transmissibilidade das características genéticas da planta propagada. Pomares implantados na região do Submédio São Francisco com mudas propagadas por estaca iniciaram a frutificação entre cinco e doze meses após o plantio no local definitivo.
Embora a multiplicação por estaca seja um método mais difícil e de custo de produção mais elevado, sua adoção é preferível, pois com ele se obtêm, com certeza absoluta, plantas não só uniformes como portadoras de características determinadas. O material propagativo usado na estaquia deve ser coletado a partir de matrizes pré-selecionadas, comprovadamente produtivas e livres de pragas e doenças. As estacas com folhas devem ser túrgidas, e plantadas de imediato, pois comprovou-se na prática um maior percentual de enraizamento.
Pesquisas realizadas por Nascimento (1991) em casa de vegetação, utilizando estacas semilenhosas com folhas, medindo 15 a 20cm de comprimento e 3 a 6mm de diâmetro, coletadas antes da floração e plantadas em substrato de areia, possibilitaram um enraizamento da ordem de 50%, quando se utilizou o ácido indolbutírico em pó na concentração de 6.000ppm. Nos estudos levados a efeito pela Universidade Federal em Areias na Paraíba, nos quais se utilizaram estacas com 20cm de comprimento e diâmetros entre 4 e 8mm, plantadas sem folhas e num substrato de areia, houve o enraizamento de 45% das estacas quando se utilizou o ácido indolbutírico na concentração de 2.400ppm (Alves e outros, 1991).
Bezerra e outros em trabalhos realizados em Goiânia (Pernambuco) com estacas herbáceas coletadas em duas épocas fevereiro e abril - , constataram que o uso dos ácidos indolbutírico e naftalenoacético nas concentrações de 50 e 100ppm, respectivamente não estimulou o enraizamento das estacas. Foi de 87,3% o percentual de enraizamento obtido quando as estacas foram retiradas em abril.
Marty e Pennock (1965) assinalam que na propagação da acerola por meio de estaca, devem-se utilizar as pontas dos ramos vigorosos de plantas jovens. A medida recomendada para a estaca é de 8 a 10 polegadas; no substrato de enraizamento planta-se apenas o seu terço inferior. As estacas, que devem ser tratadas com ácido indolbutírico, são colocadas para enraizar num substrato de areia ou vermiculita e em câmara de nebulização intermitente, de modo a manter a umidade ambiental. Após o período de enraizamento, 50-60 dias, as mudas enraizadas são transplantadas para recipientes individuais com uma altura mínima de 15-20cm.
A propagação da acerola por meio de enxertia, apesar de pouco recomendada, também pode ser utilizada com sucesso (Simão, 1971). Holmquist (1966) relata que, de quatro métodos de enxertia, testados na Universidade Central da Venezuela, o processo de garfagem em fenda cheia possibilitou um pegamento de enxerto da ordem de 86%.
Não obstante a maior rapidez na obtenção da muda de acerola quando se usa a estaquia em lugar da enxertia, o uso deste último método apresenta algumas vantagens comparativas que merecem ser analisadas. As mudas propagadas por enxertia criam um sistema radicular mais vigoroso, o qual explora, conseqüentemente, maior volume de solo. Além disso, a presença da raiz pivotante na muda obtida por enxertia dá maior firmeza à planta no solo, um efeito que deve ser levado em conta, principalmente na implantação de pomares em áreas sujeitas a ventos fortes. Estes, por exemplo, são bastantes freqüentes no segundo semestre do ano nas áreas irrigadas do Nordeste. Ainda que em pequena escala, tem-se observado na região do Submédio São Francisco o tombamento de plantas de acerola multiplicadas por estaca, em conseqüência da ação do vento. Este fato ocorre porque essas plantas, após serem transplantadas para o local definitivo, apresentam um sistema radicular adventício, portanto de localização mais superficial.
Tendo em vista que os estudos sobre enxertia da aceroleira foram levados a efeito na Venezuela, recomenda-se a realização de ensaios experimentais no sentido de se definir o processo de enxertia mais adequado às condições dos ecossistemas brasileiros, principalmente nas áreas de maior incidência de ventos fortes. A EMBRAPA CPATSA (Centro de Pesquisa Agropecuária do Trópico Semi-Árido) está desenvolvendo um ensaio em que considerou três processos de enxertia – garfagem no topo em fendas cheias, garfagem lateral em inglês simples e bolbulhia de placa em janela aberta -, além de dois métodos de produção do porta-enxertos – viveiro e recipientes. Há evidência de que a enxertia de borbulhia de placa em janela aberta será viável, assim como o processo de garfagem no topo em fenda cheia, este quando realizado sob cobertura de tela.
Cumpre acrescentar que as mudas, quer propagadas por estaquia quer por enxertia, devem ser adquiridas de entidades ou produtores credenciados e idôneos. Este aspecto é de primordial importância, pois o sucesso do empreendimento frutícola depende fundamentalmente da qualidade da muda utilizada.