quarta-feira, 15 de março de 2017

Adubação do Abacaxi



Adubação

A adubação deve ser realizada de acordo com a análise do solo (Tabela 2). Entretanto, para solos com baixa fertilidade, recomenda-se ainda a aplicação de 10 t/ha de esterco de gado curtido no sulco de plantio. Os adubos devem ser aplicados no solo (junto às plantas) ou nas axilas das folhas basais. Evitar que o adubo caia no olho da planta. Em solos pobres recomenda-se ainda aplicar na 1ª adubação 3 kg de sulfato de cobre, 3 kg de sulfato de zinco, e 5 kg de sulfato de ferro, repetir a mesma quantidade na 2ª adubação, aplicar na 3ª adubação 4 kg de bórax.





Tabela 3. Recomendação de adubação de cobertura do abacaxizeiro, com base no resultado da análise do solo


Nutriente

Tempo após o plantio

1º ao 2º mês

5º ao 6º mês

8º ao 9º mês

N (kg/ha)

Nitrogênio

80

110

130

P2O5 (kg/ha)

Fósforo no solo (mehlich) mg P/dm³




Até 5

80



6 a 10

60



11 a 15

40



K2O (kg/ha)

Potássio no solo (Mehlich) mg K/dm³




Até 30

120

160

200

31-60

80

110

130

61-90

60

80

100
Deve ser efetuada sempre de acordo com a análise do solo da área. Para que haja melhor aproveitamento dos nutrientes, os adubos devem ser aplicados sob boas condições de umidade no solo. Portanto, é importante que o esquema de aplicação de adubos seja estabelecido em função da ocorrência de chuvas na região. Da Tabela 2 constam recomendações de adubação para o abacaxizeiro, no primeiro ciclo, considerando as alternativas de parcelamento das doses totais de nitrogênio e potássio em duas ou três vezes. Para adubações no segundo ciclo da cultura (soca) devem ser usadas doses de adubos que correspondam à metade daquelas recomendada para o primeiro ciclo.


Tabela 2.  Recomendações de adubação para a cultura do abacaxi em Itaberaba, BA
Nutrientes
Em cobertura – Após plantio

kg de N, P2O5 e K 2O / ha

Duas aplicações

Três aplicações
Nitrogênio
85
125
60
70
80
Fósforo no solo (mg P/dm³)
Até 5
50
50
6 - 10
40
40
11 - 15
30
30
Potássio no solo 
(mg K/dm³)
Até 30
105
155
75
85
100
31 - 60
85
125
60
70
80
61 - 90
60
95
45
50
60
90 - 120
40
65
30
35
40

Os adubos devem ser aplicados no solo, quando da primeira adubação, e/ou nas axilas das folhas basais, na segunda e terceira adubações. 

É recomendado, logo após as adubações, um "chegamento de terra" às plantas, de modo que os adubos fiquem cobertos, reduzindo-se assim as possíveis perdas de nutrientes. Não deixar cair terra ou adubo no olho da planta. 
As fontes de nutrientes devem ser escolhidas considerando-se, dentre outros aspectos, o custo por unidade de N, P2O5 e K2O. 
As alternativas mais freqüentes para a adubação nitrogenada são: a uréia e o sulfato de amônio. Como fonte de fósforo pode-se utilizar o superfosfato triplo, o fosfato monoamônico, o fosfato diamônico ou o superfosfato simples, sendo que este último é também boa fonte de enxofre. O potássio pode ser suprido mediante o cloreto de potássio, sulfato de potássio ou sulfato duplo de potássio e magnésio, sendo que as duas últimas fontes, além de mais caras, são menos freqüentes no comércio. 
A utilização de adubos orgânicos (estercos, tortas vegetais, compostos), quando possível, é particularmente importante nos solos de textura arenosa e pobres em matéria orgânica, muito freqüentes na Região. Estes adubos devem, em princípio, ser aplicados por ocasião do plantio ou na primeira adubação em cobertura. 
Quando necessário, as adubações sólidas podem ser complementadas por adubações líquidas, via pulverizações foliares. Este recurso é mais utilizado para a aplicação de nitrogênio (uréia na concentração de 3% a 5%), potássio (cloreto de potássio na concentração de 1% a 3%), magnésio (sulfato de magnésio na concentração de 0,5% a 2,5%) e micronutrientes. De modo a evitar "queima" nas plantas, a concentração total dos adubos na solução não deve passar de 8% e as pulverizações devem ser feitas nas horas mais frescas do dia (início da manhã ou final da tarde/início da noite). 
A urina de vaca pode ser utilizada, de forma isolada ou na mistura com adubos foliares, em quantidades que variam de10 a 25mL litro-1 (1,0 a 2,5%), usando-se as concentrações mais baixas em plantas mais novas (até quatro meses de idade).


Correção de acidez do solo

Havendo necessidade de correção da acidez, indicada pelas análises de solo, dar preferência ao calcário dolomítico, que deverá ser aplicado antes da implantação da cultura, fazendo-se, em seguida a incorporação do corretivo ao solo, pelos meios disponíveis na propriedade (equipamentos de tração mecanizada ou tração animal ou, então, manualmente).

A planta de abacaxi vive bem em solos ácidos, mas, quando a acidez é muito alta, é necessário aplicar calcário para corrigir o solo. Esta prática, denominada de calagem, depende dos resultados da análise do solo para ser feita de modo certo. O pH do solo deve ficar em torno de 4,5 a 5,5 e a sua saturação por bases deve atingir 50%.
Se for preciso fazer a calagem, deve-se usar, de preferência, um calcário dolomítico (que contém magnésio, nutriente muito importante para o abacaxizeiro). O calcário deve ser aplicado e incorporado ao solo entre 60 e 90 dias antes do plantio do abacaxi, para que o seu resultado seja mais satisfatório. Dai a importância de se tirar a amostra de solo e enviar para o laboratório dois a três meses antes da época prevista para o plantio. 

Adubação

O abacaxizeiro é exigente em nutrientes e muitos solos não os têm nas quantidades que a planta precisa. Assim, é importante fazer a adubação para fornecer os nutrientes que estão ausentes no solo, que, desta forma, irá aumentar a produção e melhorar a qualidade do fruto de abacaxi produzido.
Para o Extremo Sul da Bahia, as recomendações de adubo para a cultura do abacaxi podem ser feitas com base nas Tabelas 1 a 3.

Tabela 1.  Recomendação de adubação fosfatada para o abacaxizeiro no Extremo Sul da Bahia, com base em resultados analíticos de solo (densidade em torno de 38.461 plantas/ha).
Fósforo no solo (Mehlich) mg de P dm-3
P2O5(Kg/ha)
P2O5(g/planta)
Superfosfato simples (g/planta)
Superfosfato triplo (g/planta)
Até 5
90
2,34
13,0
5,5
6 a 10
60
1,56
8,7
3,8
11 a 15
40
1,04
5,7
2,5
Fonte: Adaptado de Oliveira et al. (2006).

Tabela 2.  Recomendação de adubação nitrogenada para o abacaxizeiro no Extremo Sul da Bahia (densidade em torno de 38.461 plantas/ha).
Em cobertura - Após o plantio
10 ao 20 mês
40 ao 50 mês
60 ao 70 mês
80 ao 90 mês
Nitrogênio (Kg/ha)
60
80
80
90
Nitrogênio (g/planta)
1,56
2,08
2,34
2,34
Uréia (g/planta)
3,5
4,6
5,2
5,2
Sulfato de amônio (g/planta)
7,8
10,4
11,7
11,7
Fonte: Adaptado de Oliveira et al. (2006).
Tabela 3.  Recomendação de adubação potássica para o abacaxizeiro no Extremo Sul da Bahia, com base em resultados analíticos de solo (densidade em torno de 38.461 plantas/ha).
Em cobertura - Após o plantio
10 ao 20 mês
40 ao 50 mês
60 ao 70 mês
80 ao 90 mês
Potássio no solo
Até 30 mg de K dm-3
K2(Kg/ha)
90
120
135
135
K2(g/planta)
2,34
3,12
3,51
3,51
Cloreto de potássio (g/planta)
4,1
5,3
6,0
6,0
Sulfato de potássio (g/planta)
4,6
6,2
7,0
7,1
Potássio no solo
De 31 a 60 mg de K dm-3
K2(Kg/ha)
60
80
90
90
K2(g/planta)
1,56
2,08
2,34
2,34
Cloreto de potássio (g/planta)
2,7
3,6
4,1
4,1
Sulfato de potássio (g/planta)
3,2
4,1
4,6
4,6
Potássio no solo
De 61 a 90 mg de K dm-3
K2(Kg/ha)
45
60
70
70
K2(g/planta)
1,17
1,56
1,82
1,82
Cloreto de potássio (g/planta)
2,0
2,7
3,2
3,2
Sulfato de potássio (g/planta)
2,4
3,2
3,7
3,7
Potássio no solo
De 91 a 120 mg de K dm-3
K2(Kg/ha)
30
40
50
50
K2(g/planta)
0,78
1,04
1,30
1,30
Cloreto de potássio (g/planta)
1,4
1,8
2,3
2,3
Sulfato de potássio (g/planta)
1,6
2,1
2,6
2,6
Fonte: Adaptado de Oliveira et al. (2006).



Na cova ou sulco de plantio deve-se aplicar os adubos fosfatados (ver Tabela 1) e também os adubos orgânicos. Recomenda-se que para cada muda seja utilizado 0,5 L de esterco de gado ou de outra fonte de adubo orgânico, como um composto produzido pelo próprio produtor.
Os adubos nitrogenados e potássicos podem ser misturados e aplicados juntos, visto que as épocas de aplicação dos dois são as mesmas. Quando se fizer tais misturas na propriedade deve-se dar preferência aos adubos que tenham a mesma granulação (misturar granulado com granulado ou adubo em pó com adubo em pó). Não é recomendável misturar adubo em pó com adubo granulado.
Se não forem adicionados antes do plantio, os adubos orgânicos e fosfatados podem ser aplicados com os adubos nitrogenados (uréia ou sulfato de amônio) e potássicos (cloreto de potássio), após o plantio, no solo, junto às plantas (1ª adubação) ou nas bases das folhas mais velhas (2ª e 3ª adubação) (Figura 1). As adubações devem ser feitas em períodos de boa umidade no solo, pois com o solo seco, a planta não pode aproveitá-las.

As adubações foliares devem ser feitas nas horas menos quentes do dia (no início da manhã ou no final da tarde), para que não ocorram queimaduras nas folhas. Deve-se, também, ter o cuidado de usar, em cada pulverizador, as quantidades de adubos e de água recomendadas pelos técnicos. Se a calda ficar muito "forte" ou escorrer muito e acumular na base das folhas pode também causar queimaduras. Uma das vantagens da aplicação dos adubos dissolvidos na água é que, mesmo com o solo seco, fica mais fácil o aproveitamento do adubo pela planta.
Os adubos podem ser também aplicados na forma líquida (dissolvidos em água), sobretudo nos períodos secos. Para este tipo de aplicação os pequenos e médios produtores utilizam, em geral, os pulverizadores costais, com pulverizações sobre as folhas do abacaxizeiro. Esta alternativa é mais utilizada para a aplicação de nitrogênio (uréia na concentração de 2% a 5%) e potássio (cloreto de potássio na concentração de 1% a 3%). Mas, pode também ser uma alternativa para a aplicação de magnésio (sulfato de magnésio na concentração de 0,5% a 2,5%).Deve-se evitar que os adubos caiam nas folhas mais novas (superiores) ou no centro da roseta foliar, pois podem causar prejuízos e até a morte da planta. Alguns agricultores adotam o uso de um funil acoplado à um cano de PVC, para facilitar a aplicação do adubo de forma localizada (Figura 2). É recomendado, após as adubações, que se faça uma amontoa (chegar terra para a base da planta), para cobrir os adubos que foram aplicados.