terça-feira, 29 de setembro de 2015

Usos e Preparo do Açaí




De simples fruta a ingrediente de contraste em exames radiológicos. O açaí, típico do Norte brasileiro, passou a ser uma opção inédita de contraste natural para exames de ressonância de abdome graças a uma pesquisa da USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto.
Nos testes realizados no HC (Hospital das Clínicas) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP, a ingestão de 200 ml (um copo) de polpa de açaí pelos pacientes submetidos a exames de ressonância melhorou sensivelmente a qualidade das imagens obtidas.
Desde o início do ano, 34 pacientes participaram do projeto, que tem a vantagem de ser natural e mais barato (uma dose comercial de contraste custa cerca de R$ 66, contra R$ 2 do açaí).
Segundo o professor do Departamento de Física e Matemática da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto Dráulio Barros de Araújo, que coordena a pesquisa, na análise do intestino, por exemplo, as alças normalmente ficam sobrepostas, mas, com o uso do açaí como contraste, as alças desaparecem do campo visual e restam somente os dutos na imagem. Os órgãos que mais têm sido examinados são o pâncreas e o intestino, mas o estômago e as vias biliares também já foram analisados após a ingestão de açaí.
A pesquisa é feita pelo Departamento de Física e Matemática da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, o Centro de Ciências da Imagem do HC e a Embrapa de São Carlos, com o pesquisador Luiz Alberto Colnago.




Metais

De acordo com Araújo, a hipótese para essa propriedade contrastante do açaí está na presença de metais em sua estrutura, como o manganês e o ferro. "Não testamos outros vegetais, como o quiabo, por exemplo, que é rico em ferro. Nos EUA, foram feitos testes com blueberry [fruta típica do país]", afirmou.
Nos laboratórios da USP e da Embrapa, estão em curso estudos sobre a composição química do açaí, para confirmar as concentrações de ferro e manganês, além da presença de cálcio.
O trabalho de substituição do contraste teve início no ano passado, quando a equipe de Araújo começou a pesquisar os movimentos gastrointestinais e tirou da gaveta um projeto antigo de usar um produto natural.
"O professor Oswaldo Baffa usava iogurte com componentes de ferro, que era ingerido pelos pacientes para detectar sinais magnéticos no organismo, mas a idéia era utilizar algo natural. Surgiu, então, a idéia do açaí."
De acordo com Baffa, em 1988 teve início o desenvolvimento de métodos para o estudo do movimento gastrointestinal na USP de Ribeirão, que queria saber, por exemplo, qual era o tempo que o alimento ficava no estômago. Esse projeto pode ser considerado um embrião do estudo atual.
"Dávamos um alimento-teste com material magnético aos pacientes. Como o corpo humano é transparente ao campo magnético, sabíamos onde as partículas estavam", disse Baffa.
O problema, segundo ele, é que as partículas usadas eram inorgânicas, como magnetita ou ferrita. "Sabíamos das histórias de o açaí ser rico em ferro e decidimos testar. O resultado até agora é muito bom", disse o pesquisador.
A pesquisa, ainda não concluída, prevê agora apurar a receptividade da idéia pelas crianças e a comparação com os contrastes comercializados no mercado.
Nem sempre é necessário o uso de contrastes, mas, para algumas situações, o procedimento é considerado fundamental, de acordo com o médico do HC Jorge Elias Júnior, do Departamento de Clínica Médica da faculdade de medicina. "O açaí é uma alternativa interessante principalmente por ser natural e ter custo baixo."

Açaí

O açaí é uma palmeira do norte do País. É conhecido pelos indígenas como "içá-çai", a fruta que chora. Sendo típico da Amazônia, espalha-se por toda a região, chegando ao Maranhão, Guiana e à Venezuela. As utilidades da planta vão desde do tradicional "vinho do açaí", até cremes, sucos, sorvetes, picolés, licores, mingau (com farinha de tapioca,
peixes, banana etc). O caroço pode ser usado para produzir artesanato e adubo orgânico de excelente qualidade. O cacho serve para fazer vassoura e adubo orgânico, e quando queimado produz uma fumaça que é utilizada como repelente de insetos como o carapanã e maruim. O palmito é bastante empregado no preparo de saladas, recheios e cremes e serve também como alimento para os animais. As raízes combatem a hemorragia e verminoses.
O açaí foi objeto da tese de mestrado em Ciências Farmacêuticas, da Faculdade de Farmácia da UFRJ, de Gracilene Barros dos Santos, sob a orientação do professor Fábio de Sousa Menezes, do Departamento de Produtos Naturais e Alimentos da universidade. Os resultados alcançados pela dupla foram surpreendentes, para não dizer fantásticos. "Inicialmente, nosso objetivo era apenas conhecer mais profundamente a química e a farmacologia geral do açaí. Mas assim que começamos a trabalhar, percebemos a enorme riqueza química de suas folhas, cachos, flores e, em especial, frutos", diz o professor.
Ele conta que, num primeiro momento, surgiu a idéia de comparar o extrato da Euterpe oleracea com o da Saw Palmeto (nome científico Sabal serrulata), palmeira norte-americana pertencente à mesma família e que é utilizada para a fabricação de um comprimido para tratamento da hiperplasia prostática. Bastante comum, a doença se caracteriza pelo aumento da próstata. "Na época, não conseguimos encontrar parceiro para fazer o teste farmacológico; por isso, tivemos que nos contentar em comparar quimicamente o extrato do açaí com um preparado à base do comprimido extraído da palmeira norte-americana. O resultado evidenciou claramente que, como a composição química de ambas as plantas é praticamente a mesma, provavelmente a atividade farmacológica também será bastante semelhante", explica o professor. "Ou seja, em vez de gastar fortunas com a importação do comprimido feito da palmeira americana, o Brasil pode vir a desenvolver um produto similar genuinamente nacional do extrato do açaí que substitua ou, pelo menos, se torne uma alternativa a mais ao produto desenvolvido nos Estados Unidos", entusiasma-se Fábio Menezes.
Ele lembra que, como os estudos mostraram que o açaí possui baixíssima toxidez, há segurança mais do que suficiente para produzir medicamentos a partir do extrato do fruto. Segundo o professor, com a publicação da tese já foi encontrado um parceiro e, em breve, serão iniciados os estudos farmacológicos que comprovarão definitivamente a atividade do extrato do açaí no tratamento da hiperplasia prostática, doença que vem atingindo homens cada vez mais precocemente. "Hoje em dia, os urologistas já estão relatando casos de hiperplasia da próstata a partir de 40 anos de idade".
Outra conclusão de extrema relevância diz respeito à propriedade comprovada pela pesquisa de o extrato do açaí exterminar o caramujo Biomphalaria grablata, que é o hospedeiro intermediário na esquistossomose. Como possui um ciclo evolutivo bem definido, caso este ciclo seja interrompido _ no caso, com a morte do caramujo_ a doença deixa de existir. "A forma infectante da esquistossomose (a cercária) vem do caramujo; se o açaí mata esse caramujo, impede a disseminação da doença", explica Fábio Menezes. De acordo com o professor, os testes realizados comprovaram que os caramujos tiveram interrompida a sua capacidade de reprodução e, num prazo de três meses, 90% deles havia morrido. Passado esse período, os 10% que sobreviveram voltaram a se reproduzir.
"Em termos práticos, o que isso significa? "As terras alagadas, que são o mais perfeito habitat para o caramujo, são também áreas muito propensas à proliferação da Euterpe oleracea. Essas palmeiras crescem em terrenos alagadiços e, através da migração pelo solo e pelas raízes de suas substâncias químicas, os açudes próximos ficam protegidos da presença dos caramujos. Em outras palavras: em primeiro lugar, o açaí impede a reprodução do caramujo e, depois, vai exterminando-o aos poucos", explica Fábio Menezes. Ele faz questão de ressaltar que os testes realizados em laboratório foram feitos com uma quantidade mínima de extrato, numa concentração final de 10 ppm (partes por milhão) em solução aquosa. "Essa quantidade é tão pequena que se pode afirmar que é facilmente absorvida pelo solo e, conseqüentemente, pelo caramujo".
As propriedades antioxidantes e antimicrobianas do açaí também ficaram comprovadas graças ao estudo dos pesquisadores. "Constatamos que o açaí possui uma capacidade antioxidante cinco vezes maior pelo teste do DPPH do que a do Gingko biloba, produto fitoterapêutico que hoje é muito conhecido e utilizado no mundo inteiro", conta o professor. Por outro lado, a pesquisa provou a atuação antimicrobiana do extrato do fruto, principalmente frente ao Staphylococcus aureus, principal bactéria encontrada na pele humana. "A união das capacidades antioxidante e antimicrobiana pode levar à produção, por exemplo, de um creme ou gel contra o envelhecimento da pele que, paralelamente, previna infecções dermatológicas". Todos os testes farmacológicos realizados para o açaí foram fruto de convênios que Fábio Menezes mantém com outros professores da Universidade do Brasil/UFRJ. Esse fato mostra que a interdisciplinaridade parece ser o caminho atual da ciência", acredita o professor.
Por fim, uma má notícia para os consumidores fiéis de sucos e preparados à base da polpa congelada do açaí. O estudo feito na UFRJ comprovou que as polpas industrializadas possuem quase nenhuma similaridade química com a fruta. "Além de possuírem enormes quantidades de aditivos químicos, conservantes e estabilizantes, que dão as características de odor e sabor do açaí, esses produtos têm zero de atividade antioxidante. Ou seja, de açaí, mesmo, eles parecem só ter o gosto e o cheiro", finaliza o professor.
A potencialidade para os mercados no exterior é grande e já existem várias marcas para a comercialização do produto. Geralmente, estas marcas são conjuntos de palavras que, entre outras palavras, contem o nome da planta, como por exemplo "Amazon Açaí" ou "Açaí Power", Porem, desde março de 2001, o próprio nome da planta "Açaí" se tornou marca registrada na União Européia. Nos Estados Unidos, a marca "Acaí" (neste sistema, a letra "ç" não é valida) foi registrada em março 2001 e abandonada em março 2002. A marca está disponível.

Dicas de Preparo

O tradicional açaí na tigela:

1. Polpa de açaí tem que ser mantida congelada para sua boa conservação, em freezers, à temperatura de –18ºC.

2. Cerca de uma hora antes do preparo, deve-se retirar do freezer a quantidade que se deseja preparar e deixar "perder o gelo" à temperatura ambiente, em uma vasilha.

3. Assim que a polpa começar a "sangrar", deve-se envolvê-la por um pano limpo e, com um martelo (de carne por exemplo), dar sucessivas e leves batidas para quebrar a pedra. Deve-se cuidar para não rasgar a embalagem plástica nessa etapa.

4. Após a polpa ter se esfarelado coloca-se em um liqüidificador e bate-se, adicionando o xarope de guaraná aos poucos até a proporção de 20%. Adiciona-se a fruta, se for o caso.

5. Banana é a mais comum das frutas misturadas no açaí, seguida por morango, mamão e maracujá. Cada um pode usar a sua imaginação e gosto para fazer suas receitas personalizadas.
Açaí
Recentemente descoberto pela mídia, o suco de açaí, como é conhecido nas regiões Nordeste e Sudeste do Brasil, tornou-se febre entre os adeptos da saúde e frequentadores de academias. Já na região amazônica, o fruto do açaizeiro, importante na alimentação diária das populações locais por seus altos valores nutricionais, é também unânime preferência do povo do norte por seu singular paladar.

Aplicações

A polpa pode ser utilizada na preparação de sucos, sorvetes, vinhos, licores ou doces.

Colheita

Durante o ano todo e em maior quantidade de julho a dezembro.

Nutrientes
Condição em 100% gramas
Calorias
247
Proteínas
3,80 g
Fibra
16,90 g
Cálcio
118,00
Ferro
58,00
Vit.B1
11,80
Vit.B2
0,36
Vit.C
0,01
Comparando a composição química de polpa do açaí com leite bovino cru, o Açaí contêm:

• Valor energético 04 vezes maior;
• Lipídios 03 vezes mais;
• Carboidratos 07 vezes mais;
• Ferro 118 vezes mais;
• Vitamina B1 09 vezes mais;
• Vitamina C 08 vezes mais;
• Teor de proteína e cálcio equivalente;
• Possuindo ainda a metade de fósforo;




Açaí - potencial energético da Amazônia

Açaí (Euterpe precatoria) é uma palmeira que ocorre em várias regiões da Amazônia. A procura pela polpa dos frutos para fabricação de sucos, sorvetes,etc. vem sendo alavancada devido ao seu delicioso sabor e altíssimo potencial energético cientificamente comprovado. Estas características já conhecidas pela população local, também vêm ganhando espaço nos grandes centros nacionais, causando um aumento significativo na procura pelo produto.

Uso tradicional múltiplo

As utilidades da planta vão desde do tradicional "vinho do açaí", até cremes, sucos, sorvetes, picolés, licores, mingau (com farinha de tapioca, peixes, banana etc). O caroço pode ser usado para produzir artesanato e adubo orgânico de excelente qualidade. O cacho serve para fazer vassoura e adubo orgânico, e quando queimado produz uma fumaça que é utilizada como repelente de insetos como o carapanã e maruim. O palmito é bastante empregado no preparo de saladas, recheios e cremes e serve também como alimento para os animais. As raízes combatem a hemorragia e verminoses.

Disputas nos mercados internacionais - apropriação do nome

A potencialidade para os mercados no exterior é grande e já existem várias marcas para a comercialização do produto. Geralmente, estas marcas são conjuntos de palavras que, entre outras palavras, contem o nome da planta, como por exemplo "Amazon Açaí" ou "Açaí Power", Porem, desde março de 2001, o próprio nome da planta "Açaí" se tornou marca registrada na União Européia. Nos Estados Unidos, a marca "Acaí" (neste sistema, a letra "ç" não é valida) foi registrada em março 2001 e abandonada em março 2002. A marca está disponível. Quem será o próximo dono desta palavra ?

Até música ! ! !
Açaí Djavan
Composição: Desconhecido
Solidão de manhã,
Poeira tomando assento
Rajada de vento,
Som de assombração, coração
Sangrando toda palavra sã

A paixão puro afã,
Místico clã de sereia
Castelo de areia,
Ira de tubarão, ilusão
O sol brilha por si

Açaí, guardiã
Zum de besouro um imã
Branca é a tez da manhã

A fruta do norte do Brasil que virou mania entre malhadores vale por uma refeição. Rica em minerais e vitaminas, é também muito calórica e deve ser evitada pelos sedentários. Como é um ótimo repositor de perdas energéticas, o açaí é mais indicado para consumo depois de atividades físicas.
Por Vilma Homero, da equipe de jornalistas do PlanetaVida

RIO DE JANEIRO - Um ditado bastante popular no norte diz que “quem foi ao Pará parou, tomou açaí, ficou”. Em língua tupi, açaí quer dizer fruta ácida. Ácida, sim, mas também altamente calórica. Muito antes que a turma da malhação viesse a conhecer o valor nutritivo deste fruto pequenininho e escuro, os primeiros habitantes das terras brasileiras já apreciavam suas propriedades. E sabiam que o açaí praticamente vale uma refeição.
A palmeira, que chega a alcançar 30 metros de altura, faz parte da paisagem amazônica e dos hábitos nortistas. Frutifica praticamente o ano inteiro e dela tudo se aproveita. Os troncos dão palmitos, as palhas servem para cobertura de casas e dos frutinhos, do tamanho de cerejas, se extrai um caldo arroxeado, que chegou a despertar a curiosidade de botânicos e especialistas que andaram pela região.
De tanto observar os costumes das populações ribeirinhas, que têm no açaí a base de sua alimentação diária, o botânico inglês A R. Wallace descobriu que a polpa escura do fruto tem valor calórico superior ao do leite e duas vezes seu teor de gordura. Estudiosos como Chaves e Pechnik atestaram ainda seus teores de cálcio, fósforo e ferro, enquanto Dante Costa, em 1959, somava a vitamina A a estes minerais. Como se vê, não foi por acaso que a moda das tigelas de creme de açaí com tapioca acabou sendo incorporada aos hábitos de nove entre dez malhadores.

Açaí é calórico, logo engorda

“Trata-se realmente de alimento riquíssimo em gordura”, confirma a nutricionista Letícia de Oliveira Cardoso, professora de Nutrição Materno-Infantil da Universidade Federal Fluminense. O que o torna altamente calórico. Para se ter uma idéia, cada 100g de açaí equivalem a 247 calorias, das quais 12g se devem ao teor de lipídios. “É também uma boa fonte de cálcio e de ferro”, diz Letícia. O que quer dizer que em cada 100g que se consumir, 118mg são de cálcio — mais ou menos 10% das necessidades diárias de uma pessoa —, e 11,8mg de ferro.
“No caso do ferro, porém, o organismo só absorve 6% desta quantidade”, explica a nutricionista. O que quer dizer que carne e vísceras são melhores fontes para se obter um tipo de ferro mais facilmente metabolizado pelo corpo humano. O açaí também contém bons níveis de tiamina, 360mcg; e 10mcg de riboflavina — o que é considerado pouco expressivo.
Mas antes de querer aproveitar os valores nutritivos desta polpa escura de sabor terroso, é bom ter em mente os conselhos da nutricionista. Açaí é calórico, logo engorda. Pessoas sedentárias, que não praticam atividades físicas com regularidade, correm o risco de engrossar a silhueta. E mesmo os desportistas precisam tomar certos cuidados.

A fruta repõe energias

Tomar açaí antes de malhar, por exemplo, significa dar ao organismo dois trabalhos: gastar energia com o exercício e com a digestão. “Trata-se de um bom repositor de perdas energéticas. O que quer dizer que é melhor quando consumido após competições”, diz. Dependendo do tipo de esporte que se praticar, no entanto, é preciso cautela.
Halterofilistas, boxeadores e todo aquele que estiver submetido a uma dieta de baixos teores de gordura devem passar longe do açaí. Seus altos níveis de lipídios podem, inclusive, provocar reações de vômitos e náuseas em quem segue os rigores de uma alimentação rica em carboidratos e pobre em gorduras.
Ïdosos também têm tendência a perder a capacidade de produzir ácido gástrico. Ou seja, a digestão, com a idade, se torna mais difícil. E gorduras exigem um grande trabalho de digestão. Logo, para estômagos sensíveis, quanto mais ralo o açaí, melhor. Pode-se diluí-lo em suco de laranja ou mesmo água. E esquecer a granola, outra grande concentração de gorduras.