terça-feira, 14 de julho de 2009

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1 - INTRODUÇÃO

O Estado de São Paulo, considerando-se a safra de 1991, participa com quase 12,0% da produção total do país, com aproximadamente 65 milhões de famílias em produção, numa área de 43 mil hectares, com uma produtividade média de 22,5 t/ha, sendo que historicamente, a tradicional região produtora de bananas do Litoral Paulista é responsável por aproximadamente 95% da produção do Estado. No entanto, tem-se observado o crescente interesse por essa cultura por produtores do Planalto Paulista como forma de diversificação de atividades.

Adequar técnicas de cultivo às novas necessidades; aumentar produtividade (pois é possível atingirmos valores acima de 40 t/ha); diminuir perdas em todo o processo produtivo e de comercialização e, principalmente, melhorar a qualidade final do produto com consequente estímulo ao consumo, são objetivos a serem conquistados pela bananicultura, pois embora considerada como fruta de preferência popular e como a mais importante fruta tropical, o consumo em algumas regiões é irrisório, apesar, inclusive, de seu alto valor nutritivo, como alimento energético e como fonte de vitaminas (A e C) e minerais (Fe e K).

2 - CLIMA E SOLO

A banana, originária de clima tropical úmido, exige temperaturas que não estejam abaixo de 10 ºC e que não se elevem acima de 40ºC. Os melhores limites térmicos para o bom desenvolvimento desta cultura está entre 20 e 24ºC, podendo-se desenvolver satisfatoriamente em locais cujos limites de temperatura sejam 15 e 35ºC. As melhores condições para uma boa produção se encontram em regiões com temperaturas elevadas o ano todo e cujas médias mensais estejam entre 24 e 29ºC.

As baixas temperaturas podem ocasionar a "queima" da planta, ou dos frutos em crescimento ("chilling" ou "friagem", impedindo que o fruto atinja o seu máximo crescimento, tornando-o pequeno e de maturação incompleta), devendo-se pois evitar locais sujeitos a geadas e ventos frios.

Para o desenvolvimento da cultura de banana, as precipitações pluviométricas devem estar acima de 1200 mm/ano e bem distribuídas (100-180 mm/mês) para não haver períodos de déficit hídrico, principalmente quando a formação da inflorescência ou no início da frutificação.

Nota-se que sobre as condições ideais de clima para a banana, o desenvolvimento de doenças fúngicas, como por exemplo "Mal-de-Sigatoka", se vê favorecido, devendo-se também levar em conta este aspecto na escolha do local de instalação de um bananal.

Com relação a altitude e latitude, estas quando maiores, aumentam os ciclos de produção, principalmente para os cultivares Nanica e Nanicão.

Também a luminosidade é importante para o desenvolvimento da bananeira, sendo desejável que receba entre 1000-2000 horas de luz/ano, pois a luminosidade afeta o ciclo, o tamanho do cacho e a qualidade e conservação dos frutos.

Quanto ao vento, este pode causar o fendilhamento de folhas ou até o rompimento do sistema radicular, alongamento do ciclo e tombamento de plantas. Assim, para minimizar seu efeito, torna-se importante a implantação de quebra-ventos no bananal, associando o plantio de cultivares de porte mais baixo.

Isto posto, esclarecemos que, em condições de clima favorável, a bananeira apresenta hábito de crescimento contínuo e rápido, condição esta indispensável para a obtenção de cachos de alto valor comercial, enquanto que em condições adversas de clima (baixas temperaturas e déficit hídrico) a planta pode passar por um período de paralisação de desenvolvimento.

Nas bananeiras, a maior porcentagem (70%) das raízes se encontram nas primeiros 30 cm do solo, no entanto este deve permitir que as raízes consigam penetrar, no mínimo, 60 a 80 cm de profundidade. Assim, os solos preferidos são os ricos em matéria orgânica, bem drenados, argilosos ou mistos, que possuam boa disponibilidade de água e topografia favorável. Os solos arenosos, além da baixa fertilidade e da baixa retenção de umidade, favorecem a disseminação de nematóides, devendo pois receber maior atenção.

3 - CULTIVARES

‘Nanicão’: cultivar que por apresentar melhor conformação de cachos e de frutos substituiu em muitos casos a ‘Nanica’, sendo pois hoje o cultivar mais plantado no Estado de São Paulo, dominando o mercado interno e de exportação. O bom clone do cultivar nanicão deve ter:

a cultura máxima de 3 metros cacho com 11 a 13 pencas e polpa ligeiramente amarelo-dourada (melhor paladar e aroma).

‘Grande Naine’: possui grande semelhança com o cultivar Nanicão, porém o porte é um pouco mais baixo. tem sido o cultivar mais plantado no mercado externo. Possui alta capacidade de resposta em condição de alta tecnologia, porém não tem a mesma rusticidade do cultivar Nanicão.

‘Nanica’: semelhante à ‘Nanicão’, de porte mais baixo frutos menores e mais curvos, e apresenta problema de "engasgamento" no lançamento dos cachos no inverno.

‘Prata’: Com limitação de cultivo devido ao "Mal-do-Panamá", restrita a áreas reduzidas.

‘Prata Anã’: Enxerto ou Prata-de-Santa-Catarina: porte médio /baixo, planta vigorosa e frutos idênticos aos do cultivar ‘Prata’. É tolerante ao frio e mediamente tolerante a nematóides.

‘Terra’: plantio limitado e de difícil manejo, devido a altura e fácil tombamento, por ser muito suscetível ao ataque da broca-da-bananeira, necessitando de um adequado escoramento.

‘Maçã’: ótima qualidade e excelente aceitação no mercador consumidor, porém com séria limitação para seu cultivo devido ao "Mal-do-Panamá"

‘Mysore’: Pode substituir a ‘maçã’, devido a semelhança entre seus frutos e apresentar tolerância ao "Mal-do-Panamá".

Ouro: De cultivo restrito, altamente susceptível a "Sigatoka".

De forma geral, as recomendações técnicas aqui relatadas, referem-se basicamente à cultura do nanicão, diferindo para as demais em alguns pontos, como espaçamento, produtividade, mercado e tolerância a pragas e doenças. (consultar Quadro 1).

OBS.: 1- Espaçamentos maiores para solos com maior fertilidade.

2- Quando tolerantes, sem deficiência hídrica na estação vegetativa

4 - PREPARO DO TERRENO

O preparo do terreno segue o procedimento normal adotado para outras culturas: limpeza do terreno, aração, gradagem, subsolagem e abertura de sulcos ou de covas para o plantio.

Aconselha-se a realizar previamente uma análise de solo, e se houver necessidade realizar a calagem com antecedência, realizando-se uma gradeação para incorporação do corretivo, pois esta é a oportunidade de se fazer uma aplicação de calcário significativa.

Conforme as condições locais, do terreno ou da cobertura vegetal do mesmo, algumas variações podem ser adotadas no preparo do terreno, com o objetivo de melhorar o potencial de instalação do bananal.

5 - PLANTIO

5.1- Época

O plantio, deve ser iniciado com as primeiras chuvas, sempre que possível e, evitando-se começá-lo nos meses de baixa temperatura, e também em função do período em que se pretende colocar o produto no mercado.

5.2- Espaçamento

Um bananal "fechado" acarreta alongamento do ciclo de produção em até alguns meses e leva a formação de frutos menores, por isso a importância quanto ao espaçamento.

Também, é essencial um bom planejamento do bananal, com o perfeito dimensionamento dos talhões e carreadores, buscando possibilitar a melhor execução dos tratos culturais e controle de doenças, inclusive mecanicamente e, facilitar o escoamento da produção.

O espaçamento pode ser influenciado pela disponibilidade de mudas, pela fertilidade do solo e pelo manejo do bananal, mas de forma geral os espaçamentos para os diferentes cultivares estão colocados no Quadro 1.

5.3- Mudas

5.3.1- Tipos

A bananeira é propagada vegetativamente, a partir de seu rizoma, quer brotado ou não brotado:

a) rizoma não brotado:

-inteiro; subdividido ao meio ou em 4 partes (com peso nunca inferior a 500g cada);

b) rizoma brotado ou inteiro:

- chifrinho: rebento recém brotado, com 20 cm de altura, com 2 a 3 meses de idade e com aproximadamente 1 kg;

-chifre rebentos: em estágio médio de desenvolvimento,medindo de 50-60 cm de altura, pesando entre 1-2 kg;.

-chifrão: rebento apresentado a primeira folha normal, pesando entre 2-3 kg;

-muda alta (muda replante): rebento bem desenvolvido, com mais de 1 metro de altura e pesando entre 3-5 kg. Usado como replante das falhas em bananais formadas ou em formação.

As mudas de rizoma não brotado apresentam desenvolvimento mais lento e conseqüentemente o primeiro ciclo de produção é mais longo. Observa-se ainda, na prática, que o desenvolvimento das mudas do mesmo tipo é tão mais rápido quanto maior for o seu peso.

É possível ainda, obter-se mudas a partir do desenvolvimento de meristemas (gemas laterais e apical) por meio de multiplicação de tecidos em laboratórios de biotecnologia.

5.3.2- Preparo e tratamento das mudas

A princípio é imprescindível que o bananal fornecedor de mudas não tenha sintomas de vírus, Mal-do-Panamá e se possível, não apresentar sinais de nematóides e da broca-da-bananeira.

Tão logo possível após a extração, o material de plantio deve ser submetido a uma limpeza (toalete ou escalpelamento) retirando-se todas as raízes, limpando-se as partes necrosadas, secas e a terra aderente, tomando-se cuidado para evitar qualquer lesão às gemas.

Esse material pode ser então submetido a um tratamento químico específico, a base de carbofuran líquido à 0,4% por um período de 15 minutos, devendo-se para este tratamento utilizar-se dos equipamentos de proteção individual (EPIs) pois o produto é altamente tóxico. Pode-se ainda como opção submeter o material a um tratamento com 2 litros de água mais um litro de hipoclorito de sódio por 10 minutos.

5.4- Plantio

Para o tipo de muda, pedaço de rizoma, colocá-la no fundo da cova, no caso do Planalto Paulista, cobertura com 15-20 cm de terra.

Em terrenos pesados e mais úmidos, como nas condições do Litoral, plantar mais raso, e cobrir com 5cm de terra.

6 - TRATOS CULTURAIS

6.1- Controle de Plantas daninhas

O bananal deve ser mantido no limpo através de roçadas mecânicas ou capina manual superficial, visto que a concorrência com o mato resulta em atraso no desenvolvimento, diminuição no vigor e queda na produção, não se devendo gradear ou passar rotativa, dada a superficialidade das raízes.

No controle químico, podemos utilizar herbicidas de pós ou pré-emergência nas dosagens especificadas para cada produto, em função do tipo de solo e das espécies infestantes.

O número de capinas fica a critério das condições climáticas, fertilidade do solo e do espaçamento utilizado, sendo que num bananal bem formado, as plantas daninhas são problemas nos primeiros meses, quando então o controle deve ser realizado.

6.2- Desbaste

É uma das operações mais importantes no manejo do bananal, e consiste em favorecer o maior e mais rápido desenvolvimento do único rebento (filho ou guia) deixado junto a planta mãe, e que será responsável pela próxima safra. Esse desbaste pode ser feito utilizando-se a ferramenta "lurdinha" (vazador), ou apenas com cortes dos rebentos.

O primeiro desbaste, que irá eleger a planta mãe, deve ser realizado quando os brotos atinjam 60cm. O desbaste deverá ser realizado periodicamente, visando manter mãe e filho, até o lançamento da inflorescência pela planta-mãe, nesta fase escolhe-se um novo broto junto ao filho que passará a ser o "neto". O número de desbastes varia de 3 a 5 vezes/ano.

O desbaste também poderá ser conduzido de forma a se controlar a época de produção, objetivando-se a colheita de cachos na época de melhores preços.

6.3- Corte de Pseudocaule após a colheita.

Após o corte do cacho por ocasião da colheita, permanece o pseudocaule que deverá ser cortado o mais alto possível, permitindo a translocação dos seus nutrientes e hormônios para o rizoma, o pseudocaule pode ser eliminado totalmente 40-60 dias após a colheita.

6.4- Limpeza do Bananal (retirada de folhas secas)

Periodicamente, aconselha-se a retirada das folhas secas, já sem função na planta, cortando-as junto ao pecíolo, de baixo para cima e enleiradas nas entrelinhas do bananal.

Em regiões sujeitas ao frio, esta operação deverá ser efetuada antes do inverno, visando permitir um maior escoamento da massa de ar frio do bananal.

6.5- Poda

Pode ser realizada com o objetivo de deslocar a produção, concentrando-a numa época de preços mais favoráveis, o que ocorre normalmente no final do ano.

Também pode ser utilizada para recuperar uma lavoura atingida por geada, inundação, granizo, vento, que tenha comprometido as plantas mais velhas e a produção pendente.

6.6- Outros tratamentos

- Eliminação do coração: quebra-se a ráquis masculina ("rabo-do-cacho") junto ao botão floral, quando houver entre ele e a última penca, cerca de 10-12 cm. Este procedimento visa acelerar o desenvolvimento ("engordamento") das bananas, aumentar o comprimento dos últimos frutos, aumentar o peso do cacho e provocar a diminuição de trips e traça-da-bananeira.

- Retirada dos pistilos (despistilagem): faz com que a proximidade distal do dedo fique mais cheia, melhorando seu aspecto visual, além de ser um eficiente método de controle da traça-da-bananeira. Na prática, este procedimento não vem sendo realizado a nível de campo, pelo seu alto custo de realização, necessitando entretanto ser realizado no tratamento pós-colheita.

-Ensacamento do cacho com plástico polietileno

7 - ADUBAÇÃO

A adubação, calagem e fosfatagem devem ser feitas baseadas nos resultados da análise do solo e foliar e de acordo com os períodos de maior demanda pelos nutrientes, como por exemplo na fase de crescimento vegetativo e de "lançamento" do cacho onde ocorrem maiores demandas de Nitrogênio (N), enquanto que por ocasião da "engorda" dos frutos é maior a demanda de potássio(K).

A retirada de nutrientes por tonelada de cacho é de aproximadamente: N=2,0 kg; P2O5: 0,6 kg; K2O=6,4 kg; CaO= 0,4 kg: e MgO: 0,9 kg.

Todos os restos da cultura devem permanecer dentro do bananal como fonte de matéria orgânica (salvo aquelas de plantas doentes), podendo-se inclusive em solos arenosos acrescentar outros materiais de baixo custo com a finalidade de melhorar a qualidade física do solo.

Na calagem, antes do plantio, recomenda-se utilizar calcário dolomítico com um mínimo de 16% de MgO, com o objetivo de evitar o desequilíbrio em Ca, Mg, e K que pode provocar um problema fisiológico ("azul da bananeira") que pode anular por completo a produção. Aplicar antes do plantio, 10 litros por cova de esterco de curral ou 2 litros de esterco de aves ou 1 litro de torta de mamona, especialmente em solos arenosos, recomendando-se ainda, como prática importante, a fosfatagem na dosagem de 100 a 200 kg/ha de P2O5 ou de 40-50g de P2O5/cova.

As adubações dos bananais em formação e em produção seguem as recomendações de adubação e calagem para o Estado de São Paulo do Instituto Agronômico de Campinas (Boletim Técnico nº 100).

As adubações deverão ser parceladas, realizando-as nos meses de setembro-dezembro-abril, com solo úmido, procurando-se distribuir os adubos na "parte da frente" da bananeira, no sentido do caminhamento do bananal, onde estão os brotos que ficarão para a próxima produção, a uma distância de 20-40 cm, formando um semicírculo.

Quanto aos micronutrientes, torna-se interessante a aplicação de fertilizantes fornecedores de zinco, cobre, boro, ferro e outros .

8 - PRAGAS E DOENÇAS

8.1- Pragas

8.1.1- "Moleque" ou Broca-da-Bananeira" (Cosmopolites sordidus)

Praga bastante disseminada, atingindo praticamente todos os bananais. O inseto adulto é um besouro preto, de hábito noturno, suas larvas são responsáveis pelas perfurações que aparecem no rizoma, destruindo internamente o tecido da planta, prejudicando o seu desenvolvimento. As folhas amarelecem, os cachos ficam pequenos e as plantas sujeitas ao tombamento.

Para o seu controle recomenda-se a limpeza das mudas, com uma toalete completa, onde se escalpela todo o seu rizoma, eliminando por completo os sinais de sua presença.

O controle, ainda, é realizado com o monitoramento da praga, utilizando-se de iscas tipo queijo ou telha, onde acrescenta-se um inseticida na dosagem de 2-3g/isca, fazendo-se 25 iscas/ha.

Recentemente tem-se realizado o controle biológico da broca utilizando-se o fungo Beuveria bassiana, no mesmo sistema de iscas, agora utilizando 20-25g do fungo/isca na proporção de 100 iscas/ha.

8.1.2- Nematóides

Os nematóides que ocorrem na cultura da banana são classificados segundo as lesões que provocam:

a) lesões profundas (Radophulos similis - nematóide "cavernícola" e Pratylenchus musicola

b) lesões superficiais (Helicotylenchus spp)

c) lesões tipo galha (Meloidogyne spp).

Os nematóides parasitam o sistema radicular e rizomas das bananeiras, são responsáveis por expressivas quedas de produção nos bananais em decorrência da existência de condições propícias para o desenvolvimento de altas populações, como terreno arenoso e períodos secos.

São encontrados em quase todas as plantações do Estado de São Paulo, podendo reduzir as raízes a apenas 10% do seu comprimento, levando ao tombamento de plantas, além disso abrem nas raízes e no rizoma, portas de entrada para outros parasitas.

O melhor método de controle é não permitir a entrada de nematóides em novas áreas, para isso necessita-se de mudas de origem sadia. Para complementar recomenda-se realizar uma boa "toalete" do rizoma das mudas, eliminando toda e qualquer mancha escura,e fazer tratamento das mudas.

Nos tratamentos rotineiros, podemos aplicar nematicida via solo (não realizando o tratamento em plantas com cachos) ou logo após a colheita dentro da planta-mãe com auxílio da lurdinha.

Outras formas de atenuar os problemas com a presença de nematóides são as de manter as plantas com nutrição correta e bem conduzidas.

8.1.3- Outras pragas

Outras pragas ocorrem ocasionalmente na cultura da banana como por exemplo:

  • -Trips: Pequenos insetos que causam danos na casca dos frutos. A eliminação dos "corações" exercem um certo controle na população.

  • -Traça-dos-frutos-da-bananeira (Opogona sacchari): a larva penetra no fruto, abrindo galerias, causando o apodrecimento e o amarelecimento deste, com o resto do cacho ainda verde. Seu controle pode ser feito com despestilagem ou pulverizando-se com produtos recomendados, com jato dirigido ao cacho recém-formado,

  • -Lagartas: provocam prejuízos na área foliar, com desfolhamento ou abertura de galerias no parênquima foliar. Seu controle quando necessário pode ser realizado quimicamente com resultados satisfatórios.

  • 8.2- Doenças

    8.2.1- "Mal-de-Sigatoka" (Mycosphaerella musicola - fase perfeita; Cercospora musae - fase imperfeita)

    Os sintomas ocorrem nas folhas, iniciando-se por pontuações com leve descoloração, passando por estrias cloróticas e manchas necróticas, elípticas, alongadas e dispostas paralelamente as nervuras secundárias, apresentado estas lesões á parte central acinzentada e as bordas amarelecidas, essas lesões podem coalescer comprometendo uma grande área foliar.

    É um problema fitossanitário limitante para os cultivares Nanicão, Nanica e Grande Naine sendo imprescindível um programa de controle fitossanitário. O cultivar Ouro é ainda mais susceptível, já os cultivares Maça e Prata são considerados medianamente resistentes e o ‘Terra’ ainda mais resistentes.

    Para o seu controle recomenda-se pulverização sobre as folhas, em baixo volume, atingindo as folhas novas, com óleo mineral "Spray oil" entre 12 e 18 litros/ha.

    O período de controle deverá ser de setembro a maio, pois o fungo necessita de temperatura e umidade alta para se desenvolver, num intervalo de aplicação de 20-22 dias, podendo este prazo ser dilatado quando utilizado óleo mais um fungicida sistêmico triazóis, benomyl e benzimidozóles.

    As aplicações são feitas por atomizador costal, atomização via trator e aplicações aéreas.

    8.2.2- "Mal-do-Panamá" (Fusarium oxysporum f. sp. cubense)

    Os cultivares de interesse comercial apresentam taxas variáveis de tolerância, assim apresentam alta tolerância os cultivares: ‘Ouro’, ‘Nanica’, ‘Nanicão’; mediana tolerância: ‘Terra’; baixa tolerância: ‘Prata’ e intolerante: ‘Maça’.

    Esta doença, sendo limitante para o cultivar Maça, fruta de grande preferência de consumo, motivou a migração de seu cultivo do Estado de São Paulo.

    Apesar da tolerância do cultivar Nanicão, desequilíbrios nutricionais (P, Ca, Mg e Zn), parasitismo de nematóides, ou períodos elevados de estiagem, podem levar ao aparecimento de sintomas da fusariose.

    Não existe controle para a doença, e no caso da escolha por variedades suscetíveis, buscar locais onde não ocorreram plantios anteriores e utilizar mudas sadias e de qualidade.

    8.2.3- "Moko" ou "Murcha Bacteriana" (Pseudomonas solanacearum)

    Doença bacteriana que se encontra no Brasil apenas na região Norte, onde já é bastante difundida, e no Nordeste. A planta infectada morre em poucas semanas, sua incidência se dá em reboleiras, com as folhas caídas e secas ("guarda-chuva fechado"), os frutos apresentam a polpa com manchas negras distribuídas no seu interior. Como único método de controle, preconiza-se um rigoroso programa de erradicação das plantas doentes.

    No Estado de São Paulo, não foi constatada a presença dessa doença, devendo-se pois atentar-se para não permitir a entrada desse patógeno nas nossas regiões produtoras.

    8.2.4- Viroses (vírus do mosaico do pepino)

    Embora já constatada em nossas condições de cultivo, até o momento não tem causado problemas de sérias proporções, devendo-se no entanto manter a atenção quanto a esta doença.

    8.2.5- Doenças de frutos

    São algumas as doenças fúngicas que normalmente não chegam a afetar a qualidade da polpa, no entanto, como são causados por fungos manchadores de frutos, leva a perda de valor comercial devido a defeitos e má aparência.

    Como exemplo citamos:

    - ponta-de-charuto: causado por uma associação de fungos

    - doença-das-pintas (Pyricularia grisea).

    De maneira geral, essas doenças não tem sido problema limitante, no entanto, em bananais limpos, bem arejados e com bom manejo, diminuem as possibilidades de ocorrência.

    8.2.6- Doenças Pós-colheita

    Podem ocorrer podridões, seja no engaço, na coroa ou almofada ou nos frutos. Para evitar tais problemas que resultam em diminuição no valor comercial do produto, deve-se atentar a uma colheita cuidadosa e no ponto correto, proceder a limpeza das pencas, a lavagem dos frutos com detergente e posterior imersão em solução fungicida (benomyl e thiabendazóle) e o acondicionamento nas embalagens adequadamente.

    9 - COLHEITA E COMERCIALIZAÇÃO

    Considera-se que a banana está apta para a comercialização quando os frutos se encontram fisiologicamente desenvolvidos, ou seja, que atingiram o estágio de desenvolvimento característico da variedade.

    No entanto, esta não pode ser colhida madura, pois como fruta muito sensível ao transporte e por não se conservar por muito tempo, seu amadurecimento pós-colheita deve se processar em câmaras de climatização, onde são submetidas à maturação sobre controle de temperatura, umidade e ventilação, conseguindo-se um produto final de melhor qualidade e uniformemente amadurecido, de maior valor comercial.

    Para determinar o ponto de colheita, deve-se levar em consideração a distância e a que mercado se destina a fruta. De modo geral como parâmetros que podemos adotar para determinar o ponto-de-colheita da banana, estão o grau fisiológico do fruto, que se baseia na sua aparência visual (magro; 3/4 magro; 3/4 normal; 3/4 gordo e gordo) ou no diâmetro da fruta, onde se mede o diâmetro do dedo central da segunda mão.(magro = 30mm; 3/4 magro=32mm;3/4 normal =34mm 3/4 gordo 36mm e gordo 38mm).

    De forma geral, os frutos devem ser colhidos ainda verdes, porém já desenvolvidos e as "quinas" longitudinais pouco salientes (3/4 gordo). Para o mercado externo, prefere-se colher frutos um pouco mais magros que para o mercado interno.

    Os cuidados na colheita devem ser os mais atendidos, no sentido de se evitar bater os frutos, não permitir sua exposição prolongada ao sol etc., desde a colheita do cacho, até seu transporte e o manuseio no "packing house".

    Após a colheita, o produto pode ter vários destinos e diferentes modalidades de comercialização, seja na comercialização direta dos cachos, seja em embalagens que devem obedecer a portaria específica do Ministério da Agricultura e Reforma Agrária, que padroniza de acordo com o mercado a que se destina (interno e externo) e com a cultivar, os diferentes tipos de embalagem para banana (torito, caixa "M", caixa de papelão).

    Quanto ao mercado, observa-se a disponibilidade de frutos durante todo o ano, entretanto com flutuações de preço em função da oferta/demanda em algumas épocas do ano.

    Para pensarmos seriamente em exportação, não apenas para nossos tradicionais importadores, Uruguai e Argentina, temos que estar dispostos a reverter a situação que nos separa de países como o Equador, que apesar da palatabilidade inferior de suas bananas e com preços equivalentes, quando comparamos com o Brasil, apresentam uma qualidade e uma apresentação extremamente superior, inclusive comercializando seus frutos em forma de "buquê" (5-7 frutos), prática esta que já vem sendo realizada pelos produtores nacionais.

    Hoje, tem-se incentivado a prática de tratamentos pós-colheita, com manuseio de frutos em casas de embalagem, nas áreas de bananicultura do Estado, como forma de melhorar a qualidade final do produto. Além disso temos que pensar num trabalho de marketing salientando as propriedades da banana como alimento com o objetivo de se estimular seu consumo

    3 comentários:

    Adami Frutas disse...

    Estou seguindo o Blog !

    Acesse também: http://comamaisfruta.blogspot.com/

    Grata,
    Anna Clara Adami

    aferreira disse...

    já estou seguindo,
    abraços e sucesso.

    aferreira disse...

    já estou seguindo,
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