Com a chegada do frio, o agricultor precavido sabe que está chegando a hora correta. Começa a amolar as ferramentas, limpa as lâminas impregnadas de ferrugem por estarem guardadas desde o ano anterior, engraxa a mola da tesoura e afia o serrote. O ritual do corte está para começar. Todo ano é a mesma coisa. Mas porque fazer ? Por que deixar esse ao aquele ramo ? Qual o verdadeiro objetivo da Poda ? Devo ou não devo cortar ?
Essas são perguntas que mais ouvimos desde um simples possuidor de uma fruteira de fundo de quintal até um grande fruticultor. Mas quais são as finalidades desta habilidosa arte milenar, a poda, que dela depende em grande parte a explosão da vida na primavera que virá a seguir, a fartura e a qualidade da colheita de qualquer pomar.
Muito embora seja praticada para dirigir a planta segundo a vontade do homem, como no campo da estética em algumas árvores, arbustos e jardins ornamentais, em fruticultura, ela é utilizada para regularizar a produção e melhorar a qualidade dos frutos.A poda é umas das práticas culturais mais antigas realizadas em fruticultura que, juntamente com outras atividades não menos importantes, torna o pomar muito mais produtivo.Alguns autores chegam a citar a poda como uma espécie de bisavó da enxertia e da hibridização, citando que foi um jumento que, devorando os sarmentos de uma videira, deu aos nauplianos a idéia de podá-la. Verdade ou não, o fato é que ela se tornou imprescindível no manejo de pomares frutíferos, principalmente.
Existem diversos conceitos para o termo poda dentre os quais:
- É o conjunto de cortes executados numa árvore, com o objetivo de regularizar a produção, aumentar e melhorar os frutos, mantendo o completo equilíbrio entre a frutificação e a vegetação normal; - É a arte e a técnica de orientar e educar as plantas, de modo compatível com o fim que se tem em vista; - É a técnica e a arte de modificar o crescimento natural das plantas frutíferas, com o objetivo de estabelecer o equilíbrio entre a vegetação e a frutificação. - É a remoção metódica das partes de uma planta, com o objetivo de melhorá-la em algum aspecto de interesse do fruticultor. Poderíamos continuar com vários conceitos, mas como podemos notar, tudo se resume em cortar para direcionar e equilibrar. Com uma boa filosofia de interpretação, podemos até considerar a poda como uma autêntica cirurgia. Quando a decisão foi de podar, é porque todos os parâmetros indicaram que ela é necessária. Mas qual é a importância de se podar ?
A importância de se podar varia de espécie para espécie, assim poderá ser decisiva para uma, enquanto que para outra, ela é praticamente dispensável. Com relação à importância, as espécies podem ser agrupadas em:
- Decisiva: Videira, pessegueiro, figueira. - Relativa: Pereira, macieira, caquizeiro. - Pouca importância: Citros, abacateiro, mangueira. O podador, deverá fazer uso de seus conhecimentos e habilidades, onde um gesto seguro reflete a convicção de quem acredita que a interferência humana é imprescindível para modelar um pomar. Na natureza, as plantas crescem sem qualquer modelamento, buscam sempre a tendência natural de crescerem em direção à luz, tomando a forma vertical, e com isso perdem a regularidade de produção.Toda a importância da arte de usar a tesoura, não está em simplesmente cortar esse ou aquele ramo, dessa ou com aquela espécie. Cada fruteira tem o seu hábito específico de frutificação, tendo conseqüentemente, exigência muito diversa quanto à poda. E quanto a isso, devemos então entender o básico de como funciona a planta frutífera, para adaptarmos a cada espécie que pretendemos podar. Com citamos anteriormente, o podador assemelha-se a um cirurgião, e como tal, não opera sem entender como funciona o organismo que ele está lidando.
FUNDAMENTOS E PRINCÍPIOS DA PODA:
A poda não é uma ação unilateral. Ela ensina quem faz. Mas, para isso, é preciso respeitar seu ritmo, entender e conhecer sua fisiologia, saber qual é o momento certo da intervenção. A poda baseia-se em princípios de fisiologia vegetal, princípios fundamentais que regem a vida das fruteiras. Um desses princípios mais importantes é a relação inversa que existe entre o vigor e a produtividade. O excesso de vegetação reduz a quantidade de frutos, e o excesso de frutos é prejudicial a qualidade da colheita. Assim, conseguimos entender que a poda, visa justamente estabelecer um equilíbrio entre esses extremos. Mas deve ser efetuada com extremo cuidado. Se efetuada no momento impróprio, ou de forma incorreta, a poda pode gerar uma explosão vegetativa enorme, causando um problema ainda maior para o agricultor.
Seiva:
As raízes das fruteiras extraem do solo a água, contendo em solução, os sais nutritivos que alimentarão a planta. Essa solução constitui a SEIVA BRUTA, que sobe pelos vasos condutores localizados no interior do tronco e se dirige até as folhas. Nestas e em presença de luz e perdendo água por transpiração, a seiva bruta passa por diversas transformações, tornando-se SEIVA ELABORADA. A seiva sempre flui para as partes mais altas e mais iluminadas da árvore, razão pela qual os galhos mais vigorosos são aqueles que conseguem se posicionar melhor na copa e têm uma estrutura mais retilínea, o que favorece sua circulação. É por isso também que, o crescimento da planta tende sempre a se concentrar nos ponteiros dos ramos, o que se denomina de Dominância Apical. Quando eliminada, através da poda, ocorre uma melhor redistribuição da seiva, favorecendo a brotação lateral da gemas.
A circulação rápida da seiva tende a favorecer desenvolvimento vegetativo, enquanto que a lenta, o desenvolvimento de ramos frutíferos e essa circulação é em função da estrutura da planta. Quanto mais retilínea, mais rápida a seiva circulará.
Gemas:
Outro aspecto importante é sobre a formação das gemas. Em geral, são formadas com a mesma estrutura. O que vai torná-las vegetativas ou frutíferas é o vigor do seu desenvolvimento, decorrente da quantidade de seiva que recebem. Nos primeiros anos de vida, as jovens fruteiras gastam toda a seiva elaborada no seu próprio crescimento. Depois que a planta atingiu um tronco forte, copa expandida e raízes amplas, começa a aparecer sobras de seiva elaborada, que são armazenadas na planta As reservas de seiva elaborada quando atingem uma suficiente quantidade, tem começo a frutificação.
As reservas de seiva elaborada são invertidas ou gastas na transformação das gemas vegetativas em gemas frutíferas, futuras flores e frutos. Essa quantidade excedente de seiva acumulada é conseguida diminuindo a intensidade de circulação de seiva, o que ocorre no período após a maturação das frutas, com uma correspondente maturação de ramos e folhas.
Em princípio, gemas mais vigorosas e mais pontiagudas irão se transformar em ramos vegetativos. As floríferas, têm uma forma mais arredondada e devem ser preservadas.
As gemas localizadas na parte superior dos ramos, brotam antecipadamente e com maior vigor que as laterais, prolongando o ramo devido sua abertura lateral ser bem menor.
Baseado nesta lógica, pode-se dizer que ramos verticais tendem a serem mais vegetativos, e os inclinados, por onde a seiva circula de forma mais lenta, possuem maior potencial frutífero.
Equilíbrio Vegetativo-Produtivo:
A folha é o laboratório da planta, sua fábrica de energia. Por isso é necessário estabelecer uma relação de equilíbrio entre o número de frutos e o de folhas. Um excesso de frutos frente ao total de folhas conduz à uma produção qualitativamente inferior, bem como depauperamento da árvore. Existe uma relação correta para os dois. Um exemplo seria o pessegueiro. Essa relação é de 1 por 40, ou seja, para cada fruto, 40 folhas.
Cada fruteira, entretanto, possui um hábito de frutificação específico, tendo assim, exigências diversas quanto à poda.
HÁBITOS DE FRUTIFICAÇÃO DE ALGUMAS ESPÉCIES:
Ao podador é indispensável saber que parte da planta está cortando, pois, ele em conformidade com cada planta em particular, há ramos cuja supressão é indispensável, mas em outros, sua eliminação redundaria em grave prejuízo para a produção, porque neles encerram a própria safra de frutos dentro de suas gemas.
A fim de compreender e entender as necessidades de poda das plantas sem comprometer a produção, é necessário um conhecimento prático dos seus hábitos de frutificação. Conforme a natureza dos ramos que possuem, as plantas frutíferas podem ser divididas em três grupos:
Plantas com ramos especializados:
Só produzem nestes ramos. Os demais ramos dessas plantas produzem brotos vegetativos e folhas. Ex.: macieiras e pereiras.
São ramos geralmente curtos e muitos deles denominados esporões, com as seguintes denominações:
- Dardos: são estruturas pequenas e pontiagudas, com entrenós muito curtos. Apresentam uma roseta de folhas na extremidade, sendo pouco maior que uma gema. - Lamburda: ramo curto com nodosidades na base, sem gemas laterais, podendo terminar em gemas vegetativas ou floríferas (coroadas). - Bolsa: parte curta, inchada, com enorme quantidade de substâncias nutritivas, que formam-se no ponto de união da fruta colhida com o ramo. Pode dar origem a novas gemas florais, dardos, lamburdas, brindilas ou vários deles de cada vez. Geralmente, são originadas a partir de um esporão depois de vários anos. - Brindilas: são ramos finos, com diâmetro de 3 a 5mm e 20 cm de comprimento. Em sua ponta, podem apresentar um dardo, uma gema vegetativa ou floral. - Botão floral: forma arredondada e destacada, em geral, apresenta um volume maior que as gemas vegetativas.
Plantas com ramos mistos:
Além de frutificarem sobre os esporões, frutificam também sobre os ramos do ano anterior. Essas fruteiras possuem, conseqüentemente, crescimento vegetativo e produção de flores, já que os seus ramos possuem gemas vegetativas e floríferas. Ex.: ameixeira, pessegueiro.
Plantas com produção em ramos do ano:
Frutificam em flores que surgem sobre os ramos da brotação nova. O ramo frutífero, ao invés de ser formado no inverno, aparece na primavera e floresce abundantemente. Ex.: Plantas cítricas, caquizeiro, figueira, goiabeira.
ÉPOCA DA PODA:
Basicamente, a poda, pode ser executada em duas épocas. No inverno, é chamada de poda em seco e recomendada para frutíferas que perdem as folhas (caducifólias), como pessegueiro, macieira, ameixeira, figueira. Mas o inverno é uma referência muito teórica e pode induzir alguns erros. Existe um momento ótimo para iniciá-la. É quando os primeiros botões florais surgirem nas pontas dos ramos, indicando que a seiva começou a circular de novo pela planta. Se a poda for feita antes, estimulará a brotação na hora errada. Se efetuada depois, forçará a brotação vegetativa, exigindo mais tarde uma nova poda.A poda verde ou de verão, por outro lado, é realizada quando a planta está vegetando e destina-se a arejar a copa, melhorar a insolação e a coloração dos frutos e diminuir a intensidade de cortes na poda de inverno. É também executada em plantas perenifólias (com folhas permanentes) como as cítricas, abacateiro, mangueira.
Por ocasião da poda seca ou de inverno, deve-se considerar a localização do pomar, as condições climáticas e o perigo de geadas tardias antes da operação. A poda deve ser iniciada pelas cultivares precoces, passando as de brotação normal e finalizando pelas tardias. Em regiões sujeitas a geadas tardias, deve-se atrasar o início da poda o máximo possível, até mesmo quando as plantas já apresentaram uma considerável brotação, normalmente as de ponteiros.
TIPOS DE PODA:
A poda é executada na planta desde o seu plantio, ainda no viveiro, formando sua copa, até o momento do corte total, ou de rejuvenescimento. Em cada etapa de desenvolvimento, a planta frutífera sofre um tipo de poda adequado ao estágio de desenvolvimento que se encontra, e a época do ano.
Poda de educação:
É executada normalmente no viveiro objetivando formar mudas com porte, altura e brotações bem distribuídas. As mudas poderão ser formadas em haste única, comum em macieira e pereira, onde todas as brotações laterais são eliminadas no viveiro. Outra opção é a formação da muda com uma copa distribuída no tronco em três a quatro brotações espaçadas entre si em 3 a 5 cm, como no caso das mudas cítricas, goiabeira e caquizeiro.
Poda de transplantação:
É feita por ocasião do plantio. Eliminam-se brotações excessivas, deixando, quando for o caso, três a quatro ramos bem distribuídos e fazendo o desponte de ramos longos, com o cuidado de executar o corte deixando uma gema vegetativa volta para fora da copa inicial. Cortam-se também as raízes muito longas, quebradas e tortas, buscando o equilíbrio entre a copa e o sistema radicular.
Poda de formação:
Como a muda já sofreu uma poda de educação, essa poda de formação será efetuada após o estabelecimento da planta no pomar. Prossegue até o terceiro ou quarto ano de vida da planta. Visa garantir uma estrutura forte e equilibrada, com ramos bem distribuídos, para sustentar as safras e facilitar o manejo e a colheita. Como uma regra geral, deve-se manter as três ou quatro pernadas formadas, desbrotadas até a planta atingir um metro de altura. A partir daí, permite-se a brotação de gemas laterais que vão preencher os vazios da copa, sempre voltadas para o lado de fora e assumindo as formas de vaso ou de taça. Ultimamente, já existem outras formações, mas dependem muito de clima, espaço físico no pomar, etc.
Poda de frutificação:
É realizada após a formação da copa. É essencial para as fruteiras temperadas, que brotam abundantemente, precisam de um período de dormência para frutificar e possuem ramos que produzem uma única vez, onde seu corte é recomendado logo em seguida. As fruteiras tropicais e subtropicais, ao contrário, crescem, florescem e frutificam de forma contínua na parte terminal dos ramos. O cuidado aqui é manter o arejamento no interior da copa para evitar doenças ou a frutificação exclusivamente periférica. A poda de frutificação tem o propósito básico de manter o equilíbrio da produção e vegetação, através do desponte ou desbaste de ramos, assim como pela eliminação sistemática de ramos doentes, quebrados e mal colocados. É sempre bom lembrar que nunca devemos esquecer a relação determinante entre o vigor e produção. A intensidade desta poda depende da espécie, idade, vigor, número de pernadas ou ramificações existentes e do sistema de condução da planta. Podas energéticas aceleram a circulação da seiva e provocam excesso de crescimento vegetativo, com redução de flores e frutos. Esta poda deve ser acompanhada de uma adubação equilibrada e manutenção de água disponível no solo. Mas uma poda mais leve, pode gerar excesso de frutos, com uma safra de má qualidade. Como citado anteriormente, o ideal é a busca de seu equilíbrio.
Poda de limpeza:
É recomendada para as fruteiras que requerem pouca poda, como as cítricas, jaboticabeiras, mangueiras e outras tropicais. Executada normalmente em períodos de baixa atividade fisiológica da planta, ou seja, durante o inverno ou, como nas cítricas, logo após sua colheita. É uma poda leve, constituindo-se na retirada de ramos secos, doentes, pragueados ou mal localizados.
Poda de rejuvenescimento ou regeneração:
Recomendada para livrar as plantas frutíferas de ramos doentes, com pragas ou renovar a copa através do corte total da mesma, deixando-se apenas as ramificações principais. Também é indicada para pomares velhos ou abandonados, mas com plantas que ainda apresentem troncos íntegros e vigorosos. Normalmente, são cortadas as pernadas principais, a 40 cm do solo e com isso, deve-se iniciar o processo de formação da planta novamente. Esses cortes são maiores no inverno, e logo após, recomenda-se a aplicação de uma pasta fungicida, normalmente cúprica, no local do corte o que facilita a cicatrização e evita o ataque de fungos
Anelamento: A flor que nasce na ponta dos ramos produz um hormônio inibidor que desce e impede o desenvolvimento de gemas floríferas anteriores. Isso ocorre em especial com macieira e videira, especialmente a cultivar Niagara. Com um canivete, faz-se uma incisão anelar abaixo da flor, para impedir a descida do hormônio. Essas incisões de 2 a 3 mm de profundidade, regulam também a circulação da seiva, incentivando ou inibindo o desenvolvimento de brotos no ramo.
Desnetamento:
É a retirada de brotações secundárias que surgem nas axilas das folhas da figueira e videira, devendo ser arrancados manualmente durante o desenvolvimento da planta, seguindo-se sua formação.
Encurtamento:
Consiste em diminuir o tamanho dos ramos mais promissores, de modo reduza assim a quantidade de frutos a serem produzidos. Ou no caso do pessegueiro, forçar a brotação de gemas que irão produzir os ramos de substituição dos que estão no ano produzindo, preparando assim a planta para a próxima safra. Esse encurtamento reduz de 1/3 a 2/3 o tamanho normal do ramo
Inúmeros são os instrumentos e ferramentas utilizadas na execução das diferentes modalidades de poda. Até mesmo o machado, a foice e a serra grande ou trançadeira podem, algumas vezes, entrar na relação das ferramentas do podador.
Não existe bom podador sem boa ferramenta, isto é apropriada, limpa, afiada e lubrificada. Não considerando os casos especiais e raros, três ferramentas são indispensáveis ao podador: tesoura de poda, serrote de podar (reto e curvo) e a decotadeira. Existem também instrumentos especializados como tesouras para desbaste de cachos de uva, alicate para incisão anelar, entre outros mais.Um corte ideal e preciso, realizado de uma só vez, deve observar uma inclinação de 45 graus aproximadamente, no sentido oposto ao da gema mais próxima, o que evita o acúmulo de água, onde pode causar o apodrecimento do ramo e aparecimento de fungos. Cortes de espessura maior que 3,0 cm devem ser protegidos com pastas cicatrizantes à base de cobr
"Ainda que executada pelo mais genial podador, a pode não socorre às deficiências alimentares do solo, não contrabalanceia a influência da umidade e de outras condições adversas do meio, não dispensa o controle fitossanitário dos pomares, não elimina problemas de polinização, mas ajuda o fruticultor a resolver certas questões, proporcionando à planta porte, disposição dos ramos e equilíbrio vegetativo adequados a uma vida vegetal mais fecunda."
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Nome Popular:Guajuru, ajuru, ajiru, cajuru, guajuru, uajuru.
Família Botânica:Chrysobalanaceae
Distribuição Geográfica e Habitat:Ocorre em regiões costeiras tropicais das desde a Flórida até o Sul do Brasil, nas costas da África, com muitas variedades e subespécies, naturalizadas nas Ilhas do Índico e no Sudeste da Ásia.
Características Gerais:É um arbusto ou árvore de até 10 metros, com a copa densa e muito ramificada. O tronco é tortuoso. As folhas são simples, glabras, curto-pecioladas. Flores dispostas em racemos, geralmente esbranquiçadas. Os frutos são drupas comestíveis, especialmente quando postas em conservas, globosas, suculentos, de coloração variada, podendo ser vermelho, preto ou branco, dependendo da variedade. É esporadicamente cultivada em pomares domésticos.
Existem muitas variedades desta planta. Chrysobalanus icaco L. - ajuru-preto: possui os menores frutos, com árvores maiores que 4 m, encontrado nas praias de rios do Baixo Amazonas; Chrysobalanus icaco L. - ajuru-vermelho: possui frutos maiores, caracterizado por possuir plantas rasteiras, encontrado nas praias e dunas litorâneas até o Sul da Bahia.
Clima e Solo: Se adapta a vários tipos de clima. Características das dunas arenosas e praias.
Usos:Os frutos são comestíveis e apreciados por populações ribeirinhas do baixo Amazonas, sendo comercializados em feiras da região Norte, usados para fabricação de doces e geleias. Possui propriedades adstringentes. Pode ser usada como ornamental. Sua casca é utilizada em curtume.
Ajuru, Licania spp, Chrysobalanaceae
Várias espécies de Licania ocorrem no Brasil e recebem o citado nome comum, como L apetala, L hetromorpha, L incana, L parviflora, L. pendula. Na Colômbia, ocorre L. pyrifolia, chamada de merecure e, nas Guianas, ocorre L. tomentosa chamada de bragança. Ver características da família.
Origem:Ocorre nos bancos de areia da Amazônia e na restinga desde Pernambuco até o estado de São Paulo, Brasil. Existem diversas variedades com frutos brancos, vermelhos, roxos, pretos e verdes.
Características: É uma planta que pode arbustiva formando touceira de 40 cm a 2 m de altura ou uma arvore que pode atingir dimensões de 4 a7 m de altura, com tronco tortuoso de casca fina ou reticulada (como rede) em indivíduos praianos, com coloração cinza esbranquiçada com leve descamação em escamas de tamanho variados. As folhas são simples, alternas, semicoriaceas (de textura grossa, porém flexível), orbiculares (arredondadas) ouobovadas (forma de ovo invertido, com a parte larga voltada para o ápice), subsésseis (com pecíolo muito curto, medindo 2 a5 mm de comprimento). A lamina mede 2 a8 cm de comprimento por 1,5 a4,5 cm de largura, na base do pecíolo (haste ou suporte) existem 2 estipulas (lamina foliar minúscula) caducas (que caem) e medem 1 a3 mm de comprimento. As inflorescências surgem em racemos (tipo de cacho) terminal ou axilar (nasce na base da folha) com 1,5 a3,7 cm de comprimento, com 4 a 12 flores brancacentas.O fruto é uma drupa arredondada ou ovóide de 2 a4,5 cm de altura por 2,5 a3,5 cm de largura com casca fina de coloração muito variada.
Dicas para cultivo: Pode ser cultivado desde o nível do mar até 750 m de altitude onde frutifica abundantemente. Em altitudes superiores a frutificação fica muito prejudicada e o inicio do florescimento se dá tardiamente. Aceita uma variedade enorme de climas, passando do equatorial, para o tropical e do semi-árido para o subtropical. Geralmente o Abajerú suporta bem a geada de até – 3 graus e também é resistente a secas, suportando até 6 meses de estiagem. Podem ser cultivados em vários tipos de solos, desde os arenosos, os latossolos (terra vermelha ou amarela) e até nos terrenos argilosos próximos de rios e vertentes. Esses solos devem ser sempre profundos e permeáveis e com boa capacidade de retenção de água nas camadas do subsolo. Começa a frutificar com 3 a 4 anos após o plantio.
Mudas:As sementes são grandes e duras, podendo ser armazenadas por até 1 ano após serem limpas e secas. Elas germinam num período de 45 a 90 dias se forem plantadas logo que colhidas sob substrato composto de 50% de areia e 50% de matéria orgânica. As mudas formadas em sementeiras devem ser transplantadas para embalagens individuais com 3 a 4 meses após a germinação, época em que as plantas estarão com 10 cm de altura. Após o transplante as mudas devem ficar na sombra por 2 meses e ser irrigadas copiosamente. As mudas atingem 40 cm de altura com 12 meses de idade.
Plantando: Convém plantar num espaçamento de 4 x 4 m na região sudeste onde a arvore cresce menos e 6 x 6 m na região norte ou nordeste onde a planta cresce mais. As covas devem ter 50 cm nas três dimensões e adubada com 8 kg de composto orgânico, 500 g de calcário e 500 g de cinzas, tomando o cuidado de misturar os componentes aos 30 cm da terra da superfície e o preparo das covas deve ser feito 2 meses antes do plantio. A melhor época do plantio é de outubro a novembro, sendo necessário fazer apenas uma irrigação de 20 l de água após o plantio, repetindo a operação a cada 15 dias, somente no primeiro ano após o plantio.
Cultivando: A adubaçãopode ser feita em setembro, com 10 kg de matéria orgânica, 1 kg de cinza vegetal e 100 gramas de adubo N-P-K 10-10-10 distribuídos numa coroa a 30 cm do tronco. A poda de formação visa eliminar os galhos laterais que estiverem se encostando no chão. O Abajerú também pode em vasos grandes de 60 cm de altura por 40 cm de diâmetro, onde a planta formará uma copa reduzida e densa, se adaptando plenamente a essas condições. O vaso deve ficar onde a planta possa tomar sol pelo menos por um período do dia e a irrigação deve ser feita com 2 l de água semanalmente.
Usos: Frutifica em dezembro a fevereiro. A polpa que envolve a semente tem gosto de maçã e pode. A árvore pode ser cultivada com sucesso na beira da praia.
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A espécie Eugenia stipitata, conhecida popularmente como araçá-boi, é uma arbórea nativa da Amazônia, que está sendo introduzida na agricultura moderna, devido ao potencial de comercialização de seus frutos. Embora sua propagação convencional não apresente grandes problemas, os métodos biotecnológicos de produção de mudas podem incrementar sua produção, em termos quantitativos e qualitativos. Trata-se de uma fruteira da familia Myrtaceae originada da Amazônia Peruana, usualmente cultivada no Brasil, Peru e Bolívia. A planta é um arbusto de três a cinco metros de altura e ramificação densa. O fruto é uma baga globosa, com casca fina, cor amarelo-canário quando maduro, e aveludada, pesando de 50 a 800 g, diâmetro longitudinal de 5 a 10 cm e transversal de 5 a 12 cm. A polpa é suculenta, amarelo-clara, pouco fibrosa, ácida, porém com sabor e aroma agradáveis. As sementes, em número de 6 a 12 por fruto, são oblongas, com 2,5 cm de comprimento. O período entre a fecundação e a maturação dos frutos é de cerca de 34 dias. A acidez do fruto do araçá-boi limita seu consumo in natura, mas sua polpa apresenta grande potencial na agroindústria para a fabricação de suco concentrado, sorvete, doces e geléias. Produz mais de 23 t/ha com manejo adequado em solos pobres, com uma razão polpa/descarte de 63-85%. Seu sabor e aparência são atraentes para os mercados internacionais e conferem-lhe grande potencial para o processamento. Algumas características tendem a facilitar o desenvolvimento deste cultivo na Amazônia: a existência de tecnologia agronômica e de industrialização, a precocidade da produção, a alta produtividade de frutos e a alta proporção de polpa nos frutos, bem como a adaptação das plantas a solos ácidos e pobres. A propagação é geralmente feita através de sementes, as quais são abundantes nos frutos. Estas têm seu máximo poder germinativo aos dez dias após extraídas de frutos completamente maduros. Dada a precocidade do araçá-boi para iniciar a produção, não se justifica sua propagação por enxerto em termos de ganho de tempo. Porém, quando se deseja a propagação clonal, a partir de ecotipos selecionados por sua produtividade, o enxerto pode ser de grande utilidade. Atualmente, a biotecnologia tem sido utilizada para viabilizar a propagação de mudas de espécies vegetais em larga escala e em curto espaço de tempo, sendo importante para as culturas de ciclo relativamente longo. O melhoramento de espécies cujo potencial genético ainda não foi explorado pode ser viabilizado ou acelerado através da utilização de técnicas da cultura de tecidos vegetais. Além disso, a cultura de tecidos pode clonar variedades melhoradas, que possuam pouco material e necessitem ser propagadas rápida e massivamente, com a finalidade de produção de mudas. A manutenção da qualidade genética, através da clonagem de indivíduos selecionados e a precocidade da produção são algumas das possibilidades apresentadas pela cultura de tecidos vegetais. A seguir, são apresentadas algumas alternativas com potencial para a propagação in vitro do araçá-boi: - Cultura de anteras: o cultivo de anteras é uma ferramenta importante no melhoramento, pois possibilita a obtenção de linhas homozigotas em curto espaço de tempo. A obtenção de plantas puras em gerações segregantes acelera o processo de obtenção de novos cultivares em vários anos. As plantas haplóides, possuidoras da metade do número de cromossomos característico da espécie, ficam livres dos problemas de dominância e recessividade. - Proliferação de gemas axilares: este método de micropropagação envolve o isolamento de órgãos meristemáticos pré-formados e a quebra da dominância apical com a aplicação de citocinina no meio de cultura. O explante pode ser uma brotação, contendo uma ou mais gemas (regiões meristemáticas) ou a própria gema, individualizada. Trata-se de um método relativamente simples e é indicado para espécies lenhosas. - Indução de gemas adventícias: gemas adventícias podem ser formadas diretamente, a partir de tecidos que apresentam potencial morfogenético (como câmbio vascular, base de pecíolo em dicotiledôneas, base de folhas e escamas em bulbos de monocotiledôneas), ou indiretamente, a partir de calos. Neste caso, as multiplicações sucessivas podem dar-se pela subdivisão do calo e manutenção de um sistema adventício, ou pela alteração do processo para a proliferação axilar. - Embriogênese somática: também pode ser direta ou indireta. A maioria dos sistemas de embriogênese somática ocorre pela via indireta, onde calos embriogênicos são induzidos e mantidos ao longo da multiplicação. A grande vantagem deste método é que grandes quantidades de embriões podem ser formados com um mínimo de manipulação e espaço físico de laboratório. A desvantagem é a possibilidade de se introduzir no processo uma variabilidade genética indesejável. As possibilidades aqui apresentadas são especulações. O estabelecimento de um sistema de propagação efetivo depende de estudos laboratoriais que validem este sistema. A Embrapa Rondônia está implantando um Laboratório de Cultura de Tecidos Vegetais, onde serão estudadas perspectivas alternativas para a propagação de espécies nativas, visando à valorização da biodiversidade regional.
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O araçá-boi (Eugenia stipitata) é uma fruteira da Amazônia Ocidental, usualmente cultivada no Brasil, Perú e Bolívia. Este fruto pertence a família das Mirtaceas, que é a mesma da goiaba e jabuticaba. A planta é um arbusto com cerca de três metros de altura, com ramos desde o solo. O fruto tem cor amarelada quando maduro, contém em média 11 sementes e chega a pesar 450 gramas.
Aspectos nutricionais
Vitamina A
7.75 µg.
Cinzas
0,30 µg.
Vitamina B
9.84 µg.
Lipídios
0,20 µg.
Vitamina C
23.30 µg.
Carboidratos
8,90 µg.
Proteína
0.60 µg.
Energia
39,80 kcal
Recomendações agronômicas
Cresce bem em solos de baixa fertilidade, com pH aproximado de 4,0 a 4,5 e em regiões com chuvas desde 1.700 mm até 3.150 mm anuais, e temperatura média ao redor de 25ºC.
Para a produção de mudas podem ser utilizados viveiros rústicos, feitos com estacas de madeiras e cobertos de palha.
O leito da sementeira pode ser feito com serragem de madeira, se possível semi-curtida. A semeadura deve ser feita a 1,0 cm de profundidade, com 2,0 cm entre sementes e 4,0 cm entre linhas.
A germinação é demorada, iniciando após 3 meses da semeadura, podendo levar até 1 ano para ser concluída. Para abreviar este período, as sementes podem ser descascadas com muito cuidado, com o auxílio de uma lâmina de barbear (ou outra maneira de escarificar), o que reduz o tempo de germinação) para entre 30 a 180 dias. As plântulas podem ser repicadas quando tiverem cerca de 6 a 10 folhas (ou mais ou menos 10 cm de altura), para sacos plásticos e levadas ao viveiro. A irrigação deve ser diária e não excessiva.
O plantio definitivo deve ser feito com mudas selecionadas pelo vigor e sanidade. As covas devem ter dimensões de 40 x 40 x 40 cm, utilizando-se 10 kg de esterco de curral ou 3 kg de esterco de galinha já curtido. O espaçamento no campo deve ser de 4m x 4m, o que dará 625 plantas/hectare. Nos 2 primeiros anos não mais será necessário fazer-se adubação. Após este período, indica-se 10 litros de esterco/planta/ano.
Quanto ao aspecto fitossanitário, a espécie é muito rústica. Como praga verificou-se a ocorrência de moscas de frutas (Anastrepha spp.), atacando os frutos. O controle deste inseto pode ser feito com o uso de iscas coletoras de moscas e coleta de todos os frutos caídos. Aqueles atacados, que não foi possível utilizar, enterrar a um metro de profundidade. No caso de doenças foi constatada a Antracnose em frutos, causada por Puccinia psidii. Ambos os patógenos podem ser controlados com maior aeração das plantas e puverizadas com fungicidas à base de cobre.
Colheita
O araçá-boi começa a florar e frutificar normalmente após 2 anos do plantio no campo. Com a planta bem nutrida e adequado suprimento de água, floresce e frutifica continuamente o ano inteiro. Quando da máxima produção, devem ser feitas três colheitas por semana, apanhando os frutos ainda na planta, evitando os que caíram no chão, de modo a não depreciá-los.
Os frutos de araçá-boi quando maduros são muito delicados, amassando-se com facilidade e portanto, são difíceis de serem transportados por longas distâncias. De preferência, quando se dispõe de uma grande quantidade de frutos, recomenda-se que seja feito o beneficiamento da polpa e que esta seja comercializada congelada.
Usos e perspectivas
A polpa do fruto é mole e sucosa, de cheiro agradável e de sabor ácido, podendo ser usada para refresco, sorvete, creme e outros. O aroma se perde facilmente com o calor, assim as geléias não mantêm o aroma original da fruta. A espécie apresenta potencial para conquistar um lugar de destaque no mercado nacional e internacional, principalmente como refresco natural, podendo ainda ser comercializada como polpa congelada ou suco engarrafado.
Nome Científico: Psidium cattleianum Sabine Família Botânica: Myrtaceae Características Gerais: Fruto do araçazeiro, o araçá tem o seu sabor lembrando um pouco o da goiaba, embora seja um pouco mais ácido e de perfume mais acentuado. É uma fruta pequena, arredondada, com sementes, cuja polpa varia de cor segundo a espécie, predominando o alaranjado e o amarelo-claro. É usado no preparo de sorvestes e refrescos e também de um doce muito parecido com a goiaba. Existem vários tipos de araçá, sendo o mais comum o araçá-vermelho, o araçá-de-coroa, o araçá-de-praia, o araçá-do-campo, o araçá-do-mato, o araçá-pêra, o araçá-rosa e o araçá-pitanga.
Altura: 1.2 a 1.8 metros, 1.8 a 2.4 metros, 2.4 a 3.0 metros, 3.0 a 3.6 metros, 3.6 a 4.7 metros, 4.7 a 6.0 metros, 6.0 a 9.0 metros
Luminosidade: Sol Pleno
Ciclo de Vida: Perene
O araçazeiro, cujo fruto é o araçá, é uma árvore ou arvoreta, de copa esparsa, muitas vezes com porte arbustivo, alcançando de 1 a 9 metros de altura. Ocorre naturalmente da Bahia ao Rio Grande do Sul, na Mata Altlântica. Seu tronco é tortuoso e apresenta casca lisa, escamosa, na cor cinza a marrom avermelhada, com ramos pubescentes quando jovens. As folhas são opostas, coriáceas, glabras, simples, inteiras, com forma elíptica a oblonga, e 5 a 10 cm de comprimento. As flores são solitárias, axilares e brancas, com longos estames. O período de florescimento é longo, estendendo-se de junho a dezembro.
A frutificação do araçazeiro também se estende por um longo tempo, ocorrendo durante a primavera e verão. Os frutos são do tipo baga, pequenos, globosos, de casca vermelha ou amarela, com polpa de cor creme a esbranquiçada, suculenta, doce e ácida, de sabor e aspecto semelhantes à goiaba, e com numerosas sementes. Os frutos, ricos em vitamina C, podem ser consumidos in natura ou na forma de sucos, sorvetes, doces, compotas, licores ou marmeladas. Eles também são muito apreciados pela fauna silvestre, que se encarrega de espalhar as sementes.
O araçazeiro é uma árvore ideal para pomares domésticos. Por ser de pequeno porte, não exige muito espaço para crescer e dar os frutos que toda família poderá apreciar. Também possui o poder de atrair uma infinidade de passarinhos silvestres, que vem degustar seus deliciosos frutos. Por este entre outros motivos, ele não deve faltar em programas de recuperação de áreas degradadas da mata atlântica.
Deve ser cultivada sob sol pleno, em solo fértil, profundo, enriquecido com matéria orgânica e irrigado regularmente. O araçazeiro aprecia o clima tropical, com o calor e a umidade, no entanto, é capaz de tolerar as geadas do clima subtropical. Apesar de preferir sol pleno, tolera sombreamento parcial. Como outras mirtáceas, o araçá é sensível à galhas e moscas-das-frutas. Multiplica-se por sementes.
Araçá-rosa, araçá-amarelo, araçá-vermelho, araçá-de-comer, araçá-comum, araçá-de-coroa, araçá-da-praia, araçá-do-campo, araçazeiro, araçaeiro ou simplesmente araçá é uma árvore da espécie Psidium cattleianum, da família Myrtaceae.
Está na lista de espécies ameaçadas do estado de São Paulo, no Brasil
O tronco tortuoso tem casca lisa que descama em placas finas. As folhas são coriáceas e glabras, com até 10 cm de comprimento. As flores são axilares, solitárias, brancas. Floresce de junho a dezembro. Os frutos amadurecem de setembro a março.
Os frutos são bagas arredondadas, verdes ou amarelados (há variedades vermelhas), coroados pelo cálice persistente, de polpa suculenta esbranquiçada, semelhante a uma goiaba pequena e de sabor mais azedo.
É encontrada na Mata Atlântica, em especial na floresta ombrófila densa e de restinga (como, por exemplo, no município de Ilha Comprida, no litoral de São Paulo), mas também pode ocorrer em cerrados, matas de tabuleiro litorâneos e no Planalto Meridional.
Nome Popular: Araçá-boi Nome Científico: Eugenia stipitata Mc Vaugh. Família Botânica: Myrtaceae
Características Gerais: O Araçá-boi é uma fruteira arbustiva
nativa da Amazônia que está sendo introduzida na agricultura moderna.
Estudou-se sua fenologia na Amazônia Central, latossolo amarelo, atiço
textura média, durante os primeiros 15 meses de produção. Quando
juvenil, floresce continuamente, durante o ano, com 4 períodos de alta
produção; como muitas fruteiras, produz mais flores que frutos (somente
25% das flores produzem frutos que chegam à maturação). A taxa de
autipolinização natural é reduzida, sugerindo que a espécie é alógama.
Os polinizadores são as abelhas. O tempo entre floração e maturação dos
frutos é de aproximadamente 34 dias.
ARAÇÁ PÊRA
ARAÇÁ PÊRA
Nome Popular: Araçá-pêra Nome Científico:Psidium acutangulum DC Família Botânica: Myrtaceae
Características Gerais: O araçá-pêra é uma fruteira encontrada em
forma silvestre ou cultivada na Amazônia. Seus frutos, em geral ácidos,
normalmente são consumidos na forma de refresco. Neste trabalho, são
apresentados e discutidos dados referentes ao desenvolvimento e
fenologia dessa espécie. Para tanto, foram utilizadas sete plantas,
escolhidas ao acaso, que não haviam sido adubadas, e outras sete que
receberam 25; 50 e 60 kg/ha de N. P2 O5 e K2O, respectivamente.
Observou-se que, após três anos de estabelecimento da planta no campo, a
mesma diminui sua taxa de crescimento, tendo a adubação exercido grande
influência no seu desenvolvimento. A floração ocorreu praticamente
durante o ano todo, com menores emissões florais nos meses de janeiro,
fevereiro e março. A frutificação concentrou-se no segundo
semestre de cada ano, com maiores produções nos meses de outubro,
novembro e dezembro. Os parâmetros vegetativos, a floração e a
frutificação foram favorecidos pela adubação das plantas. As abelhas
foram os insetos mais freqüentes durante a floração.
O araçá-boi (Eugenia stipitata) é uma fruteira da Amazônia Ocidental, usualmente cultivada no Brasil, Perú e Bolívia. Este fruto pertence a família das Mirtaceas, que é a mesma da goiaba e jabuticaba. A planta é um arbusto com cerca de três metros de altura, com ramos desde o solo. O fruto tem cor amarelada quando maduro, contém em média 11 sementes e chega a pesar 450 gramas.
Aspectos nutricionais
Vitamina A
7.75 µg.
Cinzas
0,30 µg.
Vitamina B
9.84 µg.
Lipídios
0,20 µg.
Vitamina C
23.30 µg.
Carboidratos
8,90 µg.
Proteína
0.60 µg.
Energia
39,80 kcal
Recomendações agronômicas
Cresce bem em solos de baixa fertilidade, com pH aproximado de 4,0 a 4,5 e em regiões com chuvas desde 1.700 mm até 3.150 mm anuais, e temperatura média ao redor de 25ºC.
Para a produção de mudas podem ser utilizados viveiros rústicos, feitos com estacas de madeiras e cobertos de palha.
O leito da sementeira pode ser feito com serragem de madeira, se possível semi-curtida. A semeadura deve ser feita a 1,0 cm de profundidade, com 2,0 cm entre sementes e 4,0 cm entre linhas.
A germinação é demorada, iniciando após 3 meses da semeadura, podendo levar até 1 ano para ser concluída. Para abreviar este período, as sementes podem ser descascadas com muito cuidado, com o auxílio de uma lâmina de barbear (ou outra maneira de escarificar), o que reduz o tempo de germinação) para entre 30 a 180 dias. As plântulas podem ser repicadas quando tiverem cerca de 6 a 10 folhas (ou mais ou menos 10 cm de altura), para sacos plásticos e levadas ao viveiro. A irrigação deve ser diária e não excessiva.
O plantio definitivo deve ser feito com mudas selecionadas pelo vigor e sanidade. As covas devem ter dimensões de 40 x 40 x 40 cm, utilizando-se 10 kg de esterco de curral ou 3 kg de esterco de galinha já curtido. O espaçamento no campo deve ser de 4m x 4m, o que dará 625 plantas/hectare. Nos 2 primeiros anos não mais será necessário fazer-se adubação. Após este período, indica-se 10 litros de esterco/planta/ano.
Quanto ao aspecto fitossanitário, a espécie é muito rústica. Como praga verificou-se a ocorrência de moscas de frutas (Anastrepha spp.), atacando os frutos. O controle deste inseto pode ser feito com o uso de iscas coletoras de moscas e coleta de todos os frutos caídos. Aqueles atacados, que não foi possível utilizar, enterrar a um metro de profundidade. No caso de doenças foi constatada a Antracnose em frutos, causada porPuccinia psidii. Ambos os patógenos podem ser controlados com maior aeração das plantas e puverizadas com fungicidas à base de cobre.
Colheita
O araçá-boi começa a florar e frutificar normalmente após 2 anos do plantio no campo. Com a planta bem nutrida e adequado suprimento de água, floresce e frutifica continuamente o ano inteiro. Quando da máxima produção, devem ser feitas três colheitas por semana, apanhando os frutos ainda na planta, evitando os que caíram no chão, de modo a não depreciá-los.
Os frutos de araçá-boi quando maduros são muito delicados, amassando-se com facilidade e portanto, são difíceis de serem transportados por longas distâncias. De preferência, quando se dispõe de uma grande quantidade de frutos, recomenda-se que seja feito o beneficiamento da polpa e que esta seja comercializada congelada.
Usos e perspectivas
A polpa do fruto é mole e sucosa, de cheiro agradável e de sabor ácido, podendo ser usada para refresco, sorvete, creme e outros. O aroma se perde facilmente com o calor, assim as geléias não mantêm o aroma original da fruta. A espécie apresenta potencial para conquistar um lugar de destaque no mercado nacional e internacional, principalmente como refresco natural, podendo ainda ser comercializada como polpa congelada ou suco