domingo, 20 de setembro de 2015



O cerrado brasileiro ocupa grande parte da região central com solo considerado nada favorável ao plantio de varias espécies, mas devido a posição geográfica e clima, ela também pode apresenta frutos exóticos de arvores como o pequi, embu, cagaita, baru, mangaba, araçá, araticum e gariroba, por exemplo, que sobrevivem nessas condições e garantem alimento para milhares de famílias. Algumas frutas com grande valor nutricional superando ainda as frutas tradicionais. Mas o que era apenas fruto de subsistência, extraído dos fundos dos quintais ou pequena vegetação mais próximas se transformou nos últimos anos em uma fonte de renda para moradores do cerrado.

O araticum é um fruto da família Annona crassiflora. Mart., que é da mesma família do fruto do conde(annona squamose), conhecidos também como ata ou pinha dependendo da região.

O nome araticum é derivado do Tupi que pode significar arvore de fibra rija ou dura - fruto do céu - saboroso ou ainda fruto mole.
O fruto pode ter até 15 cm de diâmetro e 2 kg de peso. A polpa do fruto é cremosa de odores e sabor bem forte com diversidade na qualidade da polpa dependendo das características agrônomas: araticum de polpa rosa mais doce e macio, polpa amarela não muito macia e um pouco acido que são mais predominantes e frutos com polpa branca, de pequena produção. Ela pode ser consumida in natura ou bolos biscoitos, picolés, geléias e diversos doces.
O gosto brasileiro pelo doce recebe a influencia dos portugueses e de muitos engenhos de cana-de-açúcar que havia em Minas Gerais, onde eram produzidos os açúcares de cana-de-açúcar. Nos quintais havia a presença dos pomares com frutas da terra ou trazidas pelos portugueses que garantiu durante séculos a matéria prima para compotas e doces em geral.
O fruto é pouco comercializado ainda na região central de São Paulo, sendo encontrado somente para compra no Mercado Municipal de São Paulo mediante a previa encomenda ao custo aproximadamente de 20 reais o quilo.
O Araticum possui fatores antioxidante que combate os radicais livres e é um forte aliado da população na prevenção de doenças degenerativas. Os frutos da família de Annona crassiflora são ricos em carotenoides e vitaminas do complexo B.


Produtores rurais de Minas e de estados do centro-oeste, começaram nos últimos cinco anos a processar as plantas do cerrado, criando com elas doces, geléias, licores, panetones, que são vendidos atualmente nos grandes centros urbanos. O trabalho é conduzido por cooperativas o que garante uma renda extra as famílias interioranas e a oportunidade de outros brasileiros conhecer os benefícios dessa fruta. Órgãos como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), já fazem cursos de culinária exclusivamente com plantas do cerrado brasileiro.

Fabricas de doces, bebidas e até de medicamento fitoterápicos foram contruidas em regiões carente do norte de Minas, onde cooperativas tem explorado comercialmete centenas de frutas nativas.

Com a fusão da polpa do araticum e o suco de acerola obtém-se uma consistência cremosa de sabor forte, adstringente mas muito saboroso.
A receita do doce de araticum, típica do norte de Minas Gerais é de baixo custo e fácil acesso aos ingredientes podendo facilmente ser produzidas nas residências dos moradores sertanejos.

"Pois, varias viagens, ele veio ao Curralinho, vender bois e mais outros negócios – trazia para mim caixetas de doces de buriti ou de araticum, requeija e mamelada". Guimarães Rosa em Grande sertão:

veredas, pág.115.


Para chegar a essa mesa variada e criativa os mineiros passaram por muitas dificuldades. Devido a serias crises de fome no início do povoamento de Minas e do excessivo número de aventureiros que ali passaram. Então, a roça deixada pelas bandeiras de exploração, alguma caça e peixes de água doce constituía os poucos recursos ali encontrados. No auge das crises, as refeições eram preparadas com brotos de samambaia e bananeira das serras, bichos de taquara e até tanajuras.

Pelos tempos difíceis, a lógica da economia impôs os alimentos cozidos ou em conservas e o melhor aproveitamento das frutas típicas.


"O quanto em toda vereda em que se baixava a gente saudava o buritizal e se bebia estável. Assim que a matlotagem desmereceu em acabar, mesmo fome não curtimos, por um bem: se caçou boi. A mais ainda tinha araticum maduro no cerrado" – Guimarães Rosa em grande

sertão: veredas. Pg.372.

Nossa releitura procurou agregar os ingredientes da receita original a receitas mais conterrânea como o bolo mousse de laranja, onde você encontra diferentes texturas com sabores ácidos e doces.
Ocorre em cerrados e cerradões, ao longo de todo o bioma Cerrado.
Sua floração se dá predominantemente de setembro a janeiro e frutifica de outubro a abril (principalmente de fevereiro a março), sendo a dispersão das sementes realizada pela própria gravidade ou por animais. Na Caatinga foi constatada a dispersão de araticum (Annona coriaceae) por formigas (Pheidole sp.) e no Mato Grosso, sementes (A. crassiflora) foram encontradas nas fezes da rapozinha-do-campo (Lycalopex vetulus), o menor canídeo das Américas, mesmo em área sem a ocorrência da árvore. Um quilo contém aproximadamente 1400 sementes, que perdem rapidamente a viabilidade se armazenadas.
A germinação do Araticum pode ser antecipada em até 36 dias e concentrada em até 3 meses após a semeadura, com o uso de ácido giberélico (GA3). Recomenda-se colocar as sementes imersas numa solução contendo 1g de Ácido giberélico por litro de água, por um período de 24h, antes da semeadura (Melo, 1993, apud Silva et al. 2001)
Quando aberto, o fruto oferece uma polpa cremosa de odor e sabor bem fortes e característicos. A polpa pode ser consumida ao natural ou na forma de batidas, bolos, biscoitos e bolachas, picolés, sorvetes, geléias e diversos doces.
Composição química e valor energético de 100g da polpa do araticum.
Araticum - composição


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