quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Cultura do Mirtilo - Blueberry (Parte 2)



Nutrição e adubação para o mirtilo
Solos
As plantas de mirtilo necessitam de solos com características especiais para apresentar um bom crescimento e produção. Devido a sua distinta exigência nutricional, muitas práticas de adubação que são comuns à maioria das espécies frutíferas não são indicadas para o mirtilo. Para que apresente boas produções, o mirtilo deve ser cultivado em solos muito ácidos, com pH em água entre 4 e 5,5, arenosos, franco-arenosos ou argilosos não muito profundos e de baixa fertilidade. Em geral, devido à elevada exigência de água e de oxigenação das raízes, o solo deve apresentar uma boa drenagem, grande retenção de água e ser bastante poroso. A faixa de pH mais indicada vai de 4,5 a 5,0. Quando o solo apresentar um valor mais elevado que 5,5, o mesmo poderá ser usado para o cultivo do mirtilo, desde que as demais práticas agrícolas estejam otimizadas. Nesse caso, é recomendada a aplicação de enxofre elementar ao solo, com a finalidade de abaixar o pH e, assim, oferecer melhores condições de desenvolvimento das plantas. No entanto, quando este valor se situa acima de 6,0, o abaixamento do pH é difícil e muito oneroso, sendo desaconselhado seu uso para o cultivo comercial do mirtilo. Vários produtores observaram que essa espécie pode ser cultivada, sem problemas aparentes, em solo com pH próximo a 6,0, desde que o mesmo seja rico em matéria orgânica.
O mirtilo apresenta um sistema radicular muito superficial, sendo as raízes muito finas, e sem pêlos radiculares. É muito sensível à compactação e a má drenagem do solo. Por isto devem ser evitados os solos de textura argilosa, dando-se preferência aos bem arejados, que incluem desde os arenosos até os franco-arenosos. Com o objetivo de aumentar a porosidade do solo, é recomendável o uso de matéria orgânica. Do mesmo modo que a aeração, a manutenção de uma adequada umidade no solo é muito importante. Sob condições de déficit hídrico na planta, o mirtilo é uma das poucas frutíferas em que há extração de água dos frutos. Quando isto acontece no final do ciclo vegetativo anual, pode haver menor indução de gemas florais, enquanto que, se ocorrer durante o ciclo, afeta negativamente o crescimento vegetativo. O encharcamento do solo, mesmo que por curtos períodos, em qualquer época do ano, pode ocasionar sérios prejuízos às plantas. O uso de irrigação e a adição de matéria orgânica ao solo são importantes elementos para a obtenção de sucesso. O aumento do teor de matéria orgânica do solo pode ser feito de várias maneiras. Uma delas é por meio do cultivo de coberturas vegetais incorporados ao solo. Pode-se atingir, também, este objetivo por meio da aplicação de estercos ou de compostos ao solo. Como o processo de aumento do teor de matéria orgânica do solo é lento, recomenda-se que seja iniciado, no mínimo, dois anos antes da instalação do pomar. Quando cultivado em climas úmidos e frios, poderão ser usados solos com menor profundidade. Ao contrário, quando cultivado em locais quentes e secos e se o solo não for muito profundo, as plantas poderão morrer. Durante o verão, é importante que se mantenha o solo úmido superficialmente. Naqueles que apresentem água muito próxima à superfície deve-se confeccionar drenos para eliminar rapidamente o excesso de água. Assim, quando a água é mal manejada, as plantas podem apresentar um pequeno crescimento, com escassa produção de frutas, excesso de ramos secos, levando as plantas à morte. Somente durante o inverno é que o mirtilo suporta o encharcamento do solo. O máximo crescimento do mirtilo, tanto cultivado em areia, como em solução nutritiva, é obtido com o uso de cerca da metade da concentração de nutrientes usado para as demais espécies frutíferas. As plantas jovens são mais sujeitas a graves danos causados pelo uso de doses excessivas de fertilizantes. O fato do sistema radicular ser muito superficial e a ausência de pêlos radiculares, provavelmente contribuem para esta suscetibilidade. Assim, se recomenda o uso de fertilizantes somente em pomares estabelecidos e brotados, devendo os mesmos serem aplicados a uma distância de 30 a
45cm do tronco.
Importância dos nutrientes
A extração anual de macronutrientes por uma planta adulta de mirtilo ocorre na seguinte ordem: nitrogênio > cálcio > potássio > fósforo > magnésio. Com relação ao teor foliar de nutrientes, da brotação até a colheita, observa-se uma variação decrescente para o nitrogênio, fósforo e potássio e crescente para o cálcio e magnésio.
Quando a observação das folhas revela características diferentes do normal, pode se suspeitar de uma deficiência nutricional. Tais padrões são mais ou menos específicos para cada nutriente. No entanto, os sintomas carenciais variam de acordo com a espécie, cultivar e fatores ambientais. Lamentavelmente, não são ainda conhecidos os sintomas carenciais para todos os nutrientes e culturas. Por vezes, acontece que os sintomas visuais de dois nutrientes são idênticos. Sintomas visuais de deficiência e de toxidez são muito úteis no diagnóstico de problemas específicos, embora um diagnóstico preciso pode ser dificultado já que sintomas similares podem ser ocasionados por uma série de estresses ( por exemplo, água, herbicidas, nutrientes, etc ). Quando os sintomas são bem conhecidos, esse método de diagnose nutricional, sem dúvida, é o mais rápido, fácil e barato que se conhece.
Não se recomenda basear o programa de adubação somente na sintomatologia foliar e na aparência dos arbustos, já que a ocorrência de sintomas indica uma severa restrição no fornecimento de nutrientes, estando tanto o crescimento das plantas, como a produção e a qualidade dos frutos seriamente comprometidos. Em cultivos de mirtilo raramente se observam sintomas de deficiência de cálcio, enxofre, cobre, manganês e de zinco.
Com o objetivo de auxiliar os produtores de mirtilo, a seguir, são descritos os sintomas visuais de carência dos nutrientes que ocorrem com mais freqüência.
Nitrogênio
É o elemento exigido em maiores quantidades, sendo, provavelmente, a primeira causa de surgimento de clorose nas folhas, por ser um dos componentes da molécula de clorofila. Em muitas situações é o único nutriente cuja aplicação é necessária. A deficiência de nitrogênio se caracteriza pela presença de folhas uniformemente cloróticas, sem mosqueados ou manchas, podendo ocorrer em qualquer época do ano. As folhas mais velhas localizadas na base dos ramos desenvolvem os sintomas antes que as mais novas, devido à alta mobilidade deste nutriente na planta. Se a deficiência se agravar, todas as folhas tornam-se cloróticas, podendo ficar avermelhadas e acarretar uma desfolha prematura das plantas. Quando o suprimento de N é reduzido, as plantas crescem menos, o tamanho dos frutos é menor e há uma menor formação de gemas florais. Deve-se ter cuidado para não se aplicar quantidades além do necessário, pois o excesso ocasiona um vigoroso crescimento, produzindo muitos ramos com folhas grandes e com coloração verde escuro. Plantas que apresentam pequeno crescimento, devido ao estress de água ou por outro motivo, também apresentam maiores teores foliares de N. 

Fósforo
A sintomatologia carencial de fósforo não é comum de ocorrer em plantas mantidas a campo. Plantas deficientes neste elemento tem o crescimento paralisado, com as folhas pequenas e com coloração de verde escuro à púrpura, principalmente nas margens e nas pontas. Até o momento não foram observados sintomas devido ao excesso de P. No entanto, teores muito altos de P podem induzir clorose férrica, devido a inibição na absorção do ferro.
Potássio
As folhas de mirtilo com sintomas de deficiência de potássio apresentam as bordas queimadas, enroladas e com pontos necróticos. Normalmente, a deficiência se manifesta primeiramente nas folhas mais velhas. A deficiência de potássio ocorre com mais freqüência em solos arenosos. As folhas mais novas, localizadas próximas ao topo dos ramos, podem desenvolver uma clorose internerval, semelhante àquela causada pelo ferro.
Magnésio
Os sintomas de deficiência começam a surgir nas folhas mais velhas, localizadas nos ramos novos. A região internerval apresenta clorose ou fica com coloração vermelho vivo, enquanto que as nervuras permanecem verdes. As folhas mais novas e os ponteiros raramente apresentam sintomas.
Ferro
De modo geral, a disponibilidade dos micronutrientes é função do pH do solo. Quando este é alto, os micronutrientes ficam indisponíveis. Após o nitrogênio, o ferro é o nutriente que apresenta sintomatologia carencial com mais freqüência. A deficiência faz com que o tecido entre as nervuras apresente coloração verde claro ou amarelo bronze.
Difere dos sintomas de deficiência de magnésio, já que em casos de deficiência devida ao ferro as nervuras principais e as secundárias permanecem verdes. Normalmente, os sintomas aparecem primeiro nas folhas mais novas. Nas plantas com carência deste nutriente, o crescimento dos ramos e o tamanho das folhas são menores.
Recomendações de adubação fosfatada e potássica de pré-plantio Amostragem do solo
As amostras de solo podem ser coletadas em qualquer época do ano. No entanto, para que o produtor tenha conhecimento do pH do solo e da necessidade de fertilizantes, em tempo hábil, esta deverá ser realizada, no mínimo, quatro meses antes do plantio das mudas e deverá ser representativa da área. Para tanto, é necessária a coleta de várias subamostras, em diversos pontos de uma mesma área homogênea. O primeiro passo para se proceder a amostragem do solo consiste em dividir a área em porções homogêneas, considerando-se o tipo de solo, a topografia, a textura, a cor, o grau de erosão, a profundidade, a cobertura vegetal, a drenagem, entre outros aspectos. No entanto, se uma área for homogênea quanto a todos os fatores acima citados, existindo, entretanto, uma porção já adubada esta deverá ser amostrada em separado. A área abrangida por cada amostra é função da homogeneidade do solo. Normalmente, o número de subamostras se situa ao redor de 10 a 15. Na tomada de amostra pelo sistema de amostragem composta, cada área deve ser toda percorrida, caminhando-se em ziguezague e coletando-se, ao acaso, subamostras que, após, são reunidas, e homogeneizadas, retirando-se cerca de 500g de solo para serem enviados ao laboratório. Os procedimentos de amostragem do solo são os recomendados pela Comissão de Química e Fertilidade do Solo - RS/SC (Sociedade, 2004). Como o sistema radicular do mirtilo é muito superficial, deve-se amostrar a camada arável do solo, ou seja, de 17 a 20 cm de profundidade.
Acidificação do solo
Ao se usar enxofre com o propósito de reduzir o pH, o mesmo deverá ser espalhado na superfície do solo (Figura 49), no mínimo com um ano de antecedência e, a seguir incorporado, já que o processo de acidificação é muito lento. Aconselha-se que antes do plantio o pH do solo seja verificado. Se por acaso o valor desejado não for atingido, quantidades adicionais deverão ser aplicadas. Não se tem informações da quantidade de enxofre necessária para abaixar o pH dos nossos solos até determinado valor. No entanto, sabe-se que esta quantidade é dependente da textura do solo, do teor de matéria orgânica, do pH que se deseja atingir e do pH inicial. Assim, relativamente pequenas quantidades são necessárias em solos arenosos, enquanto que nos argilosos e/ou nos ricos em matéria orgânica a necessidade é bem mais elevada. A redução forçada do pH do solo pode trazer consigo a solubilização de alguns micronutrientes e, em conseqüência, se encontrar altos teores nas folhas, os quais nem sempre estão associados com fitotoxidez. O enxofre não deverá ser usado, com este objetivo, em pomares já implantados.
Antes da instalação do pomar, a análise de solo é o único método de diagnose disponível para se estimar as necessidades de fósforo (P) e de potássio (K). As quantidades necessárias de P e de K são determinadas na mesma amostra de solo usada para se avaliar o pH.. Os adubos fosfatados e potássicos, usados antes do plantio, devem ser aplicados em toda a área, por ocasião da instalação do pomar, preferentemente a lanço, e incorporados até 20 cm de profundidade. A interpretação dos teores de P e de K extraíveis, adotada pela Rede Oficial de Laboratórios de Análise de Solo e de Tecido Vegetal - ROLAS - RS e SC é apresentada, respectivamente, nas Tabelas 2 e 3. Os valores de P e K extraíveis do solo são interpretados em cinco faixas. Com relação ao P extraível, foram estabelecidas quatro classes de solos, conforme o teor de argila do solo (Tabela 2). Para o K extraível foram estabelecidas três classes de solos, conforme o valor da CTC (capacidade de troca de cátions a pH 7) (Tabela 3).
Tabela 1. Interpretação dos resultados de análise de solo para fósforo "extraível" (Mehlich) mg/dm³ - para os solos e condições do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.
Classes de solo conforme o teor de argila¹ Interpretação 1 2 3 4
Tabela 2. Interpretação dos resultados de análise de solo para potássio “extraível” (Mehlich) para os solos e condições do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.
CTCpH 7 ( cmolc/dm³)
Interpretação do teor de K no solo
As quantidades de P2O5 e de K2O recomendadas na adubação de pré-plantio para a cultura do mirtilo constam da Tabela 4.
Tabela 3. Recomendação de adubação fosfatada e potássica, de pré-plantio, para a cultura do mirtilo de acordo com a análise de P e de K no solo.
Interpretação do teor de P ou de K no solo Doses de fósforo (kg
Doses de potássio (kg K2O/ha)
Muito Baixo 90 90
Baixo 60 60 Médio 30 30 Alto 0 0 Muito Alto 0 0

Como o mirtilo é cultivado em solos extremamente ácidos, é recomendável que se utilizem os fosfatos naturais com fonte de fósforo. Como esta cultura é extremamente sensível ao cloreto, é recomendável o uso do sulfato de potássio como fonte de K.
Adubação de crescimento e de produção
Durante a fase de crescimento das plantas, que vai desde o plantio das mudas até o início da fase produtiva, recomenda-se usar somente nitrogênio. Supõe-se que o P e o K, fornecidos por intermédio da adubação de pré-plantio, sejam suficientes até o momento em que as plantas entrem em produção.
O nitrogênio não deve ser fornecido na forma de nitrato, já que tem se mostrado tóxico ao mirtilo. A forma preferida é a amoniacal, com a vantagem adicional de abaixar ou manter o pH baixo em pomares estabelecidos. Se o pH em água do solo for menor que 5,0 a uréia é a fonte de N mais indicada. Ao contrário, se for maior que este valor, deve ser usado o N amoniacal, com a vantagem de ser mais acidificante do solo que a uréia.
Como o mirtilo apresenta uma alta suscetibilidade à toxidez por fertilizantes, recomenda-se fracionar a dose anual em, pelo menos, duas parcelas. As doses recomendadas, bem como as épocas, constam na Tabela 5. O adubo nitrogenado deve ser distribuído ao redor das plantas, formando uma coroa distanciada de 30 a 40 cm do tronco. A primeira aplicação de fertilizante nitrogenado deve ser realizada por ocasião da abertura das gemas florais e a segunda deve coincidir com o período da plena floração. Se houver necessidade, realizar uma aplicação adicional de N, durante o período de desenvolvimento dos frutos. Isto pode ser evidenciado pela ocorrência de sintomatologia carencial específica, por meio da observação do crescimento das plantas ou através de análise foliar.
Quando for usado “mulch”, dobrar a quantidade de nitrogênio, com o objetivo de reduzir a relação C/N do material e, assim, acelerar sua decomposição. Visando, principalmente, melhorar a retenção de água pelo solo e aumentar sua porosidade, aplicar em toda área do pomar 16 a 24 t/ha de esterco de gado bovino ou 10 a 12 t/ha de esterco de galinha.
Tabela 4. Recomendação de adubação nitrogenada, de crescimento e de produção, para o mirtilo.
Doses de nitrogênio (g de N/planta) Ano
1ª aplicação 2ª aplicação
Quando as plantas estiverem em plena produção, os nutrientes e as quantidades a serem aplicadas devem resultar de uma análise conjunta dos seguintes parâmetros: análise foliar, análise periódica do solo, idade das plantas, crescimento vegetativo, adubações anteriores, produções obtidas e espaçamento.
O teor de N nas folhas deve ser mantido entre 1,80 e 2,10% para que se obtenha um ótimo crescimento e uma boa produção, com frutas de qualidade. O teor foliar de N, freqüentemente, é mais elevado em anos de produção elevada. Assim como ocorre com as demais fruteiras temperadas, a exigência do mirtilo em P é muito baixa, sendo suficiente a aplicação em pré-plantio. Uma nova aplicação somente deverá ser feita quando o teor foliar estiver abaixo de 0,08%. Quando o teor foliar de K estiver abaixo de 0,31%, é indicativo da necessidade de aplicação de K no solo. As frutas do mirtilo acumulam quantidades consideráveis de K, de modo que o teor foliar é sempre menor quando os arbustos têm grande quantidade de frutas e vice-versa. Assim, para a interpretação do estado nutricional das plantas em K deve-se considerar tanto o teor foliar como a carga de frutas.
Quando for recomendado o uso de adubos potássicos, estes devem ser aplicados ao solo em qualquer época do ciclo vegetativo.
Com o objetivo de se aumentar a eficiência do uso dos fertilizantes, recomenda-se aplicar os adubos quando o solo não estiver seco e incorporá-los logo após a aplicação, principalmente os nitrogenados.
Análise foliar
Metodologia de coleta de amostras de folhas Um programa de nutrição para pomares de mirtilo em produção deve ser baseado na análise foliar. Assim, à partir do 2º ou 3º ano a análise foliar é o indicador mais confiável na determinação da situação nutricional das plantas. Através dela é possível diagnosticar com precisão problemas nutricionais os quais são difíceis de serem identificados pela análise de solo ou pela observação das plantas. Como a análise foliar é um método preventivo, os produtores dispõem de ferramentas para identificar e corrigir problemas nutricionais ocultos, antes que o crescimento das plantas e a produção de frutos sejam comprometidos. Para a realização da análise foliar do mirtilo, devem ser colhidas folhas completas - lâmina foliar com o pecíolo - (Figura 50), na segunda quinzena de novembro. De cada dez arbustos, coletar cinco folhas plenamente desenvolvidas, localizadas no 5º ou 6º nó, contado a partir da extremidade dos ramos frutíferos jovens. Cada amostra deve ser composta de 80 a 100 folhas, podendo representar um grupo de plantas ou um pomar, conforme a homogeneidade. Em pomares com mais de 100 plantas, porém homogêneas, deve-se coletar quatro folhas por planta em 25 plantas distribuídas aleatoriamente e representativas da área. Cada amostra relaciona-se a uma condição nutricional. Assim, folhas com sintomas de deficiência nutricional não devem ser misturadas com folhas de plantas sadias. Cada amostra deve ser constituída de folhas de plantas adultas, da mesma idade e da mesma cultivar. As folhas que compõem a amostra devem estar livres de doenças e de danos causados por insetos, e não devem entrar em contato com embalagens usadas de defensivos, fertilizantes, etc. A amostra deve ser acondicionada em saco de papel pardo perfurado e enviada ao laboratório o mais rápido possível. Caso o tempo previsto para a chegada da amostra ao laboratório seja superior a dois dias, sugere-se fazer uma prévia secagem ao sol, sem retirar as folhas do saco, até que elas se tornem quebradiças. Se a análise foliar for realizada com o objetivo de esclarecer um problema nutricional, devem ser colhidas duas amostras, em qualquer época do ciclo vegetativo, sendo uma de plantas que apresentem os sintomas e uma outra de plantas aparentemente sadias.
Interpretação dos teores foliares de macro e de micronutrientes Para a interpretação dos resultados da análise foliar do mirtilo deve ser consultada a Tabela 6.
Tabela 5. Interpretação dos resultados de análise foliar do mirtilo. Macronutrientes(%) Faixa de interpretação N P K Ca Mg
Abaixo do normal 1,50 –
Acima do normal 2,1 –

Fig. 2 Folha completa, mostrando o pecíolo e a lâmina. Irrigação
Para que o pomar de mirtilo tenha um bom desenvolvimento, as plantas devem ter suas necessidades hídricas supridas adequadamente. A irrigação é um fator determinante para o crescimento e produção do mirtilo, pois em função das características do sistema radicular, superficial e de poucos pêlos radiculares, a capacidade de absorção é reduzida. Mingeau et al. (2001) verificaram, para variedades do grupo highbush, que o diâmetro de ramos é afetado pelo déficit hídrico principalmente na fase de crescimento vegetativo. Os autores verificaram ainda que o crescimento dos ramos é afetado principalmente em estiagens longas, visto que a planta possui capacidade de retomar as taxas de crescimento, quando cessado o período de estresse. Pode-se definir duas fases criticas em relação à disponibilidade de água no solo para a cultura: A primeira diz respeito à fase de implantação e formação do pomar. Nos dois primeiros anos, a prioridade é a formação de estrutura vegetativa (ramos) e principalmente do sistema radicular (pois é esta estrutura que será perene no pomar, em virtude de periodicamente os ramos serem podados e substituídos por novos lançamentos). Nesta fase, deve-se disponibilizar adequadamente água, especialmente nos períodos onde as chuvas são insuficientes para fornecimento adequado de água às plantas. A segunda fase critica diz respeito a produção de frutos. Conforme Mingeau et al. (2001), deficiência hídrica reduz a produção e o número de frutos. Se esta for moderada, ocorrida em qualquer fase fenológica da planta, a redução é próxima a 20%. Sob restrição severa, a redução pode ser de 31 a 49%, se ocorrer na fase de crescimento vegetativo ou maturação de frutos respectivamente. Esta redução é influenciada, principalmente, pela redução ao peso médio dos frutos (17% para restrição moderada e de 30% a 39% sob restrição severa ocorrida na floração ou no período vegetativo, respectivamente), visto que a queda de frutos, número de flores e frutos e formação deste não é afetada. Outra característica da espécie é que não apresenta boa resistência ou adaptação à terrenos encharcados, o que deve ser evitado por ocasião da implantação do pomar. Entre os tipos de cultivo, variedades do grupo highbush são mais sensíveis à falta de água no solo, enquanto as do grupo habitteye são mais tolerantes, porém também são afetadas por este fator. A cultura se adapta bem aos vários métodos de irrigação, desde os de superfície até os localizados (Figura 51 e 52), largamente utilizados nas regiões de maior plantio, como Argentina, Chile e Uruguai. Seu requerimento de água é variável conforme o desenvolvimento da planta e às condições do clima que determinam a demanda atmosférica por água. Mingeau et al. (2001) manejando a água próximo à capacidade de campo do solo atingiram as maiores produtividades. Holzapfel et al. (2004) trabalhando na Estação Experimental de Concepción, no Chile, avaliaram durante 7 anos dois sistemas de irrigação (gotejamento e microaspersão) e níveis de aplicação de água, na variedade Bluetta, e verificaram que a maior produção de frutos (10,3 t.ha-¹) foi obtida com a aplicação de 6.200 m³ .ha-¹ e que a produção foi crescente com o aumento de água até este volume, porém verificou que volumes maiores reduziam a produtividade. Deficiência hídrica em mirtilo também afeta a produtividade da próxima safra, ou seja, reduz o potencial produtivo do pomar para os próximos anos. Mingeau et al. (2001) verificaram que, apesar da planta reduzir o número de novos ramos, modificando a arquitetura da planta, a evapotranspiração não é influenciada. Por outro lado, os fatores de produção são afetados com a restrição hídrica. Forte estresse hídrico, ocorrido após a colheita, reduz o número de frutos em 43 % no próximo ciclo e 23% para estresse moderado. O tamanho dos frutos pode diminuir quase 60% para forte estresse e 21% para moderado. Quando a falta de água ocorre no período de crescimento do fruto, a redução da produção é de 27%.
Fig. 1 Irrigação superficial de mirtilo.
Fig. 2 Irrigação localizada através de tubo gotejador.
Devido a postagem ser muito extensa, dividiremos a mesma em três partes, deixando os links para as outras partes logo publicaremos.

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