sábado, 8 de agosto de 2015

Valor Nutricional, Medicinal e Preparo das Amendoas




Toda a gente conhece o fruto da amêndoa encerrado num caroço, que por sua vez está recoberto de uma pele coriácea e abundandantemente pelosa. A amêndoa (Amygdalus comunis) é uma árvore parecida com a do pêssego, pertencente à família das Rosáceas, que apresenta a particularidade de florir antes do aparecimento das folhas.


No mercado encontram-se diversas classes e variedades de
amêndoas: espanholas, italianas, berberes (do Norte da África) e alemãs.
O seu uso na confeitaria e na pastelaria é considerável, por causa do seu delicado gosto. Tem também importância na alimentação e na medicina, embora se deva ter em conta que temos de eliminar as amêndoas amargas, pelo seu conteúdo de ácido cianídrico, que as torna fortemente venenosas, até o extremo de sessenta amêndoas amargas causarem a morte.

AS SUBSTÂNCIAS NUTRITIVAS EM PERCENTAGEM POR GRAMAS

Proteínas
Gorduras
Ácidos
gordos não
saturados
Hidratos de carbono
Água
Calorias
Amêndoas....
Avelãs..........
Nozes..........
Amendoins...
21
17
16
27
53
62
58
44
12
5
-
-
13
7
13
15
6
7
7
7
637
682
666
591

VITAMINAS

A
U.I.
B1
gramas
B2
gramas
Ácido
nicotínico, mg
Ácido
Pantogê-
nico, mg
E
mg
C
mg
Amêndoas....
Avelãs..........
Nozes..........
Amendoins...
580
440
-
360
250
400
48]
750
670
-
130
300
5
-
1,2
15
400
-
-
-
0,4
-
-
-
-
-
-
-
MINERAIS EM MG POR 100

Cálcio
Magnésio
Ferro
Cobre
Manganês
Fósforo
(P2O5)
Enxôfre
(SO3)
Amêndoas....
Avelãs..........
Nozes..........
Amendoins...
45
286
120
100
80
140
100
150
4
5
3
2
1,2
1,2
1
-
20
35
17
42

800
810
930
800
400
500
350
410

Composição e Valor Terapêutico - Como se depreende do quadro acima apresentado, a composição das amêndoas em substâncias nutritivas é muito semelhante à das nozes, pelo que têm o mesmo valor na alimentação.
0 Dr. Bircher-Benner demonstrou o significado do leite de amêndoas na alimentação da lactante. Este «leite vegetal» apresenta, perante o leite dos animais as vantagens da sua proteína vegetal.
Esta razão torna aconselhável o leite de amêndoas numa dieta especial na terapêutica dos eczemas infantis, que se sentem piorar ou recebem uma forte umectação com o emprego do leite da vaca. Nas diarréias agudas dos lactentes, é de muito bom efeito administrar uma mistura de leite de amêndoas e soro com uma dieta estável. Contudo, nestes casos, deve-se consultar o médico. O uso do leite de amêndoas é recomendado em todas as alterações digestivas do lactente que decorram com infecção. Não se pode, contudo, usar como regime normal da terapêutica dos lactentes, devido à sua pobreza em cálcio, especialmente quando se trata de recém-nascidos ou de crianças atrasadas no desenvolvimento.
Para os adolescentes, enfermos e convalescentes, é o leite de amêndoas uma bebida refrescante, delicada e apetitosa.

Emprego e Preparação do Leite de Amêndoas -- A preparação do leite de amêndoas, segundo o Prof. Henpke, é como se segue: escaldam-se 250 g de amêndoas com água fervente, tira-se-lhes a pele e secam-se as amêndoas propriamente ditas. Seguidamente, trituram-se as amêndoas doces num liquidificador e misturam-se, o mais possível, numa vasilha, com três ou quatro colheres de água fria. Põe-se a massa numa travessa e bate-se, juntando-se-lhe um litro de água fervida e depois esfriada. Coloca-se em seguida, durante duas horas, na geladeira, e passa-se a emulsão por um pano fino. O leite de amêndoas mantém-se durante 24 horas fresco no gelo, metido em frascos totalmente limpos. Pode fazer-se um apetitoso e doce leite de amêndoas desfazendo em água, maçapão mole e de boa qualidade.
Eis a receita do Prof. Glazmann: deixam-se 150 g de amêndoas doces em água fria, de 12 a 24 horas, tira-se-lhes a pele e trituram-se num liquidificador. Misturam-se depois numa vasilha, adicionando paulatinamente, durante meia hora, um litro de água. Pode fazer-se isto com maior facilidade acrescentando um pouco de sal. Finalmente, filtra-se tudo por um pano muito fino, misturando com igual quantidade de água. Junta-se três por cento de farinha de arroz ou de milho e uns cinco por cento de açúcar; coze-se tudo muito bem, conseguindo-se com isto uma fina e total emulsão do leite de amêndoas.
Nos ervanários da Europa pode adquirir-se uma pasta de amêndoas sem casca de boa qualidade e preparar rapidamente leite de amêndoas adicionando água.
Por pressão a frio de amêndoas doces ou amargas trituradas, pode obter-se um óleo, que apresenta a peculiaridade de não secar ao ar, pelo que se emprega largamente como lubrificante na mecânica e na relojoaria. Como remédio, emprega-se a gordura de amêndoa para abrandar a secreção endurecida do ouvido e para a pele. A porção que fica, depois de se ter obtido o óleo por pressão, emprega-se na cosmética como creme de amêndoas.

Outros Usos das Amêndoas Como Remédios -- As amêndoas amargas são empregadas pelos médicos naturalistas como remédio contra as estases pulmonares e contra a denominada «tosse cardíaca». A sua ação é devida ao conteúdo em ácido cianídrico das amêndoas amargas. A medicina homeopática considera o ácido cianídrico muito eficaz contra as falhas do coração, perigo de colapsos e estases dos capilares vasculares (ou vasomotores). Nestes casos, comer uma amêndoa amarga por dia, como remédio. Pode conseguir-se o mesmo efeito embora tudo esteja baseado no conteúdo de ácido cianídrico mediante o emprego de água de amêndoas amargas (aqua amygdalaruin amararum).

Caracteristicas da Amendoeira





Nome Científico: Prunus amygdalus Batsch
Família: Rosaceae
Origem e dispersão: a amendoeira é originária das regiões quentes e áridas do Oeste da Ásia, sendo levada, provavelmente, para a Grécia e Norte da África durante a época pré-histórica. Alguns autores, porém, consideram o Norte da África como local de origem desta espécie.
Características: a amendoeira é uma planta bastante semelhante ao pessegueiro, porém, em geral, apresenta maior porte em tronco mais grosso; são um pouco mais curtas e de um verde mais claro; as flores são róseas claras e o fruto é oblongo, comprido e de um verde acinzentado. A parte comestível é a semente (amêndoa).
Clima e Solo: a amendoeira é uma planta de clima temperado, podendo ser cultivada do Rio Grande do Sul até Minas Gerais. Apresenta boa adaptação a diversos tipos de solo, exceto os compactados e encharcados.
Propagação: pode ser feita por sementes ou por enxertia, que é a mais recomendável.
Variedades: devido ao fato de que a amendoeira não ser cultivada comercialmente, no Brasil, não foram encontradas descrições dos cultivares utilizados.
Utilização: a amendoeira é utilizada, em alguns países, em cruzamentos com outras espécies do gênero Prunus, principalmente visando à obtenção de porta-enxertos para pessegueiros, nectarineiras e ameixeiras.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

CULTURA DA AMORA (resumo)



Planta arbustiva, de porte ereto, semi-ereto ou rasteiro, pertencente à família Rosaceae. O gênero Robus, do qual faz parte, engloba mais de 400 espécies, fato que, somado ao elevado índice de cruzamentos naturais, dificulta a identificação das espécies. Bastante rústica e de fácil manejo, com exigências climáticas semelhantes às do morangueiro, constitui-se em opção para exploração intensiva de pequenas propriedades rurais. A maioria das variedades recomendadas para cultivo apresentam hastes recobertas por espinhos. Seus frutos se prestam para o consumo in natura e para a elaboração de geléias, sucos, doces de massa, tortas e fermentados, podendo também ser congelados ou utilizados como polpa para uso em iogurtes e sorvetes.

CULTIVARES: sem espinhos: Ébano (porte rasteiro); com espinhos: Brazos (porte semi-ereto), Comanche, Cherokee, Tupy, Guarani, Negrita e Caigangue (porte ereto).

PLANTIO: deve ser realizado, de preferência, nos meses mais frios do ano. Podem ser usadas estacas de raiz (10 a 15cm de comprimentos e diâmetros de um lápis) ou mudas produzidas em viveiros, através de estacas herbáceas (20 a 25cm de comprimento), ‘perfilhos’ e ‘mergulhos’.

ESPAÇAMENTO: para condução das plantas em renque, no sistema de espaldeira, o espaçamento entre linhas pode variar de 2,5 a 4m, dependendo dos equipamentos que serão usados na cultura. Na linha, as estacas de raiz devem ser espaçadas de 50cm e as mudas de 70cm.

CALAGEM: deverá ser feita, de acordo com a análise de solo, para elevar a saturação por bases a 70%.

ADUBAÇÃO: as covas não devem ser adubadas. Após o estabelecimento da cultura, ainda no primeiro ano, aplicar 20 a 40 kg/ha de N, 40 a 80 kg/ha de P2O5 e 20 a 40 kg/ha de K2O, dependendo do número de plantas por área e da análise de solo. A partir do segundo ano, aplicar 180 a 400 kg/ha de N, 80 a 160 kg/ha de P2O5 e 40 a 80 kg/ha de K2O, de acordo com o número de plantas por área; o N deve ser parcelado em três aplicações, logo após o inverno, nos meados da primavera e após a colheita.

OUTROS TRATOS CULTURAIS: controle das plantas invasoras ou uso da cobertura morta; podas de verão e de inverno; controle de pragas e doenças, quando necessário.

COLHEITA: novembro a fevereiro, dependendo da variedade e da região onde se localiza a cultura. Fazer a colheita a cada dois ou três dias, somente dos frutos completamente pretos, e colocá-los em recipientes rasos, para evitar o amassamento. Não devem ser expostos ao sol para que não se tornem avermelhados.

PRODUTIVIDADE: 8 a 16t/ha de frutos, por ano; em plantações bem conduzidas, a produção se mantém econômica por um período de 12 a 15 anos.






CULTIVO DE AMORA PRETA




CULTIVO DE AMORA-PRETA PODE DAR CERTO NO BRASIL

Pesquisador mostra que, por ser de simples manejo e possuir baixo custo de implantação e manutenção, a amora-preta é ideal para ser cultivada em pequenas propriedades do sul do país.
O cultivo de frutas, no Brasil, é muito grande, principalmente de frutas tropicais, como a banana e a laranja. No entanto, devido à diversidade climática e à heterogeneidade de solos que o país possui, outros tipos de frutas estão ganhando cada vez mais espaço entre os fruticultores. Uma delas é a amora-preta, que tem apresentado sensível crescimento de área cultivada nos últimos anos no Rio Grande do Sul (principal produtor brasileiro), como mostra estudo realizado por Luís Eduardo Antunes, da Fazenda Experimental de Caldas, Minas Gerais.
Segundo o pesquisador, em artigo publicado na edição de janeiro de 2002 da revista Ciência Rural, "a amoreira-preta é uma espécie arbustiva de porte ereto ou rasteiro, que produz frutos agregados, com cerca de 4 a 7 gramas, de coloração negra e sabor ácido a doce-ácido". É uma planta que geralmente apresenta espinhos e produz em ramos de ano, sendo eliminada após a colheita. "Enquanto alguns ramos estão produzindo, outras hastes emergem e crescem, renovando o material para a próxima produção", explica Antunes no artigo.
Ainda segundo ele, a amoreira-preta desenvolve-se bem em solos drenados e medianamente ácidos: "o manejo das plantas é simples, devendo-se tomar maiores cuidado apenas com a adubação, o controle de invasoras, as podas de limpeza e desponte e, particularmente, com a colheita, devido à elevada sensibilidade das frutas". Sua floração ocorre, geralmente, entre setembro e novembro e a colheita costuma ir de dezembro a fevereiro, sendo realizada a cada dois ou três dias.



Além disso, a amora-preta é uma fruta altamente nutritiva. Ela é composta por 85% de água, 10% de carboidratos e por elevado conteúdo de minerais, vitaminas A e B e cálcio. De acordo com o pesquisador, "são atribuídas às frutas de amoreira-preta propriedades, como o controle de hemorragias em animais e seres humanos, o controle da pressão arterial e efeito sedativo, complexação com metais, função antioxidante, ação contra crescimento e alimentação de insetos".
No entanto, Antunes ressalta que a cultura da amora-preta se apresenta como opção dentro da agricultura familiar muito mais devido ao baixo custo de implantação, manutenção do pomar e, principalmente, à reduzida utilização de defensivos agrícolas. Ele explica, ainda, que o retorno da cultura é rápido, à medida que entra em produção já no segundo ano, possibilitando ao agricultor destinar sua produção ao mercado ’in natura’, à indústria de produtos lácteos e congelados ou à fabricação de geléias e doces caseiros. Além disso, a tecnologia de industrialização é simples e acessível.
Dessa forma, Luis Antunes procura mostrar que há grandes possibilidades de mercado para a produção de amora-preta no Brasil, principalmente nos estados do Sul, em São Paulo e no sul de Minas Gerais, regiões cujas condições climáticas favorecem o cultivo desse tipo de fruta. "A produção brasileira das principais espécies frutíferas de clima temperado é insuficiente para atender a demanda interna, gerando uma crescente necessidade de importação de frutas que podem ser produzidas no Brasil", observa no artigo.











AMORA BRANCA



AMORA BRANCA


Nome Popular: As amoras-do-mato englobam três espécies do gênero Rubus, que possuem os mesmos nomes populares e os mesmos usos medicinal e culinário, embora apresentem hábitos diversificados.
As espécies e seus nomes populares são:
Rubus rosaefoluis Smith: amora-silvestre, amora-brava, amora-de-são-francisco, amora-do-campo, amora-do-mato e amora-vermelha.
Rubus brasiliensis Mart.: amora-branca, amora-brava, amora-da-silva, amora-de-são-francisco, amora-do-mato, amoreira-do-brasil, sarça-amoreira, silva e silva-branca. Aparecem principalmente nos estados do Rio de janeiro, Paraná e Minas Gerais.
No Brasil, a amora-silvestre é cultivada como cerca-viva, à margem de estradas em Minas Gerais e também do rio de Janeiro ao Paraná.
Nome Científico: Rubus rosaefolius Smith, Rubus brasiliensis Mart. E Rubus urticaefolius Sairet.
Família Botânica: Rosaceae.
Usos Medicinais Populares: Essas três espécies do amora-do-mato – silvestre, branca e preta – são usadas na medicina caseira. Suas folhas e brotos são antidiarréicos poderosos. Por isso, aconselha-se não exagerar na quantidade de chá.


AMORA PRETA



AMORA - PRETA

 número elevado de espécies dentro do gênero, perto de 300, altamente heterozigotas e também híbridas. Sua origem não é muito definida, possuindo características de adaptação climática muito variada, podendo encontrar cultivares com exigência em frio desde 100 horas até cultivares que exigem 1000 horas de frio (abaixo de 7,2 o C) para quebra da dormência. Já foram observadas espécies no Hemisfério Norte (EUA, onde seu cultivo racional se iniciou no século passado), no círculo Ártico, e muitas ilhas oceânicas, comprovando sua ampla adaptação à diferentes condições climáticas.
No Brasil, seu cultivo iniciou-se em 1972 no estado do Rio Grande do Sul, com plantas oriundas do Estados Unidos. A partir de sua implantação no estado, vem sendo cultivada em Santa Catarina, São Paulo, Paraná e Minas Gerais, com destaque para o estado introdutor da cultura, sendo o maior produtor nacional, com aproximadamente 700 t /ano.
Os frutos da cultura além de consumidos ao natural, podem ser comercializados para fabricação de doces, geléias, conservas, sucos, fermentos, polpas, sorvetes, iorgutes, tortas, bolos, etc. Informações mais recentes de pesquisas têm demonstrado um maior potencial da utilização da amora-preta como um corante artificial de excelente qualidade, seja para qualquer finalidade. Outra grande descoberta da utilização da amora-preta que vem expandindo, seria seu uso para fins medicinais, como uma planta anti-cancerígena, pela ação do ácido elágico, e também no combate a osteoporose, devido sua concentração elevada de cálcio (46 mg/100g fruto). Outra utilização crescente, é como tônico muscular para utilização durante práticas desportivas, devido ao alto teor de potássio encontrado no fruto (245 mg/100g fruto).

Família: Rosaceae
Clima: temperado, podendo encontrar desde cultivares exigentes em 100 horas a 1000 horas de frio

Solo: desenvolve bem em diversos tipos de solos, mas bem drenados, com pH entre 5,5 a 6,5

Porte: ereto ou rasteiro, podendo atingir até 2 m de altura

Sistema radicular: parte perene da planta, de fácil perfilhamento

Propagação: estacas de raiz ou herbáceas e por cultura de meristemas

Calagem : deve ser realizada no preparo do solo

Adubação: de plantio não deve ser realizada, somente após o pegamento da muda

1o ano : 50g a fórmula 10-20-10 por planta

2o ano: 100g de 10-20-10 por planta, logo após o inverno. Em meados da primavera e após a colheita, colocam-se de 50 a 100g de sulfato de amônio ao redor das plantas. Nessa aplicação, conserva-se uma distância mínima de 15cm das plantas

Espaçamentos: 3m x 0,80m para mudas de estacas de raiz
Cultivares: Tupy, Guarani, Cherokee, Brazos, Ébano, Cainguague

Irrigação: pode se utilizar, desde que não encharque muito

Podas: de limpeza e frutificação

Pragas: ácaros, lagartas, cochonilhas

Doenças: ferrugem, podridão de frutos, Agrobacterium, antracnose, etc

Produção: 1o ano: 2,5 t/ha

2o ano: 5,0 t/ha

3o ano: 12 t/ha, podendo chegar até 15 t/ha

Longevidade: 15 anos





CARACTERISTICAS DA AMORA




Nome Científico: Morus sp.

Família: Moraceae

Origem e dispersão: a amoreira-branca (M. alba) é originária das partes temperadas da Ásia Oriental, de onde se espalhou lentamente para todas as partes do mundo. A amoreira-preta (M. nigra) é originária da Pérsia.

Características: a amoreira-preta, que é de interesse para a fruticultura, é uma planta de pequeno a médio porte (8-12m) de folhas caducas, inteiras ou lobuladas, serrilhadas ou dentadas, duras e codiformes; sem espinhos; as flores são monóicas ou dióicas; o fruto é um aquênio ovóide e comprido, coberto pelo cálice suculento e de coloração roxa, quase preta.

Clima e Solo: as amoreiras crescem bem em todo o Brasil, embora seja considerada por muitos como uma planta de clima temperado. São plantas bastante rústicas, adaptando-se a diversos tipos de solo, exceto os sujeitos ao encharcamento.

Propagação: as amoreiras podem ser propagadas vegetativamente por meio de estacas.

Variedades: na literatura, são encontrados relatos das variedades lobada, laciniada, scabra e dentada.

Utilização: as amoreiras são utilizadas devido aos seus frutos, que podem ser consumidos “in natura” ou industrializados na forma de geléias, compotas, cristalizados, doces em massa, vinho, vinagre, etc., e pelas suas folhas, que servem de alimentação para o bicho-da-seda.

Informações mais completas podem ser encontradas no Livro Frutas Exóticas (Funep, FCAV/Unesp)





domingo, 2 de agosto de 2015

Propiedades Nutricionais da Amora



1º-INTRODUÇÃO

A amoreira-preta é uma frutífera de grande potencial para as regiões brasileiras com período de inverno marcante e propícia para pequenas propriedades agrícolas. Os frutos podem ser utilizados para consumo in natura e para produção de geleificados e doces caseiros, sendo assim, potencial para as famílias que trabalham com o ecoturismo regional. Além destas características, praticamente não necessita de insumos químicos, sendo ótima opção para o cultivo orgânico, além das propriedades nutricionais e medicinais dos frutos.A amoreira preta é uma frutífera da família "Rosaceae", bastanterústica e de fácil manejo, de grande potencial para as regiões brasileiras com período de inverno marcante e propícia para pequenas propriedades agrícolas.

Os frutos podem ser utilizados para consumo "in natura" e para produção de geléias, sucos, sorvetes, polpas, conservas, fermentos, iogurtes, doces, tortas, bolos, compotas ou transformadas em vinhos, licores e xaropes. As folhas (chá) e brotos são anti - diarréicos poderosos.Além destas características, praticamente não necessita de insumos químicos, sendo ótima opção para o cultivo orgânico, com propriedades nutricionais e medicinais dos frutos.Informações mais recentes de pesquisas, têm demonstrado um maior potencial na utilização da amora preta como um corante artificial. Uma das grandes descobertas é que o uso da amora preta vem se expandindo para fins medicinais, como uma planta anti-cancerígena, pela ação do ácido elágico e também no combate a osteoporose, devido a sua concentração elevada de cálcio (46mg/100g fruto). Outra utilização crescente, é como tônico muscular nas práticas desportivas, pois alto teor de potássio é encontrado no fruto (245mg/100g fruto). O fruto da amoreira é depurativo do sangue, anti-séptico, vermífugo, digestivo, calmante, diurético, laxativo, refrescante, adstringente, etc. Poderosas propriedades anti-oxidantes por sua combinação de vitaminas C com E. A amora preta contém pectina em abundância, uma fibra solúvel que ajuda a reduzir os níveis de colesterol no sangue. E muito recomendável aos que tem o organismo saturado de ácidos, como os que sofrem de reumatismo, gota, artrite, etc. O suco de amora, quente, adoçado com mel, tem bons resultados em casos de afecções da garganta, amidalite, rouquidão, inflamação das cordas vocais, das gengivas, aftas, etc. As flores frescas são diuréticas e muito úteis no tratamento das vias urinarias.

A amora preta se encontra entre os alimentos que ajudam a diminuir o colesterol. De acordo a um estudo publicado pela revista Jornal of Neuroscience, as propriedades nutritivas das amoras pretas conservam o equilíbrio, a memória e a coordenação motora das pessoas de idade avançada.Existe um número elevado de espécies dentro do gênero, perto de 300. Sua origem não é muito definida (provavelmente da Ásia, introduzidas na Europa por volta do século XVII), possuindo características de adaptação climática muito variadas, podendo encontrar cultivaros com exigência de frio (abaixo de 7,2 C) desde 100 horas ate 1000 horas/ano para quebra de dormência. A cultivada pela Fazenda Sta. Terezinha do Rio Bonito, é muito semelhante a variedade Ollalie (USA) esta totalmente adaptada as nossas condições climáticas, após 8 anos de experiências e 3 anos de produção comercial.A amora preta se desenvolve bem em diversos tipos de solos, mas bem drenados, com pH entre 5,5 a 6,5.Pode-se utilizar irrigação, desde que sem exagero. É de porte ereto ou rasteiro, podendo atingir ate 2 metros de altura. As podas são necessárias para limpeza e frutificação. A longevidade é de 15 anos.



2º-TRABALHOS CIENTÍFICOS SOBRE O FRUTO


2.1-A amoreira-preta in natura é altamente nutritiva. Contém 85% de água, 10% de carboidratos, com elevado conteúdo de minerais, vitaminas B, A e cálcio. Pode ser consumida de outras formas como geléias, suco, sorvete e yogurtes (POLING, 1996).

2.2-Uma série de funções e constituintes químicos são relatados na literatura internacional relacionados às qualidades da amora-preta, estando, entre eles, o ácido elágico.

2.3-Segundo WANG et al. (1994), o ácido elágico (C14H6O8) foi encontrado em morango (Fragaria spp), groselha preta (Ribes nigrum), amoreira-preta (Rubus subgênero Eubatus), framboesa (Rubus subgênero Idaeobatus), entre outras espécies.

2.4-O ácido elágico um constituinte fenólico de algumas espécies, é um hidrolito de elagitanina que ocorre naturalmente, especialmente em frutas e nozes [Singleton et al. (1996), Bate-Smith (1961a., 1961b), Daniel et al. (1989), apud WANG et al., 1994)].

2.5-Foi demonstrado que o ácido elágico possui funções anti-mutagênica, anticancerígena e além de ser um potente inibidor da indução química do câncer [Okuda et al.(1985), Maas et al. (1992) citados por WANG et al. (1994); MAAS et al., (1991 a)].

2.6-O ácido elágico e alguns elagitaninos têm mostrado propriedades inibidoras contra replicação do vírus HIV transmissor da Aids [Asanaka et al. (1988), Take et al. (1989), apud MAAS et al., (1991 a)]. Os estudos de Asanaka com ratos sugerem que o elagitanino oenotherin B pode ser usado via oral para inibir o HIV e o vírus da herpes (MAAS et al., 1991b).

2.7-Além disso, são atribuídas às frutas de amoreira-preta outras propriedades, como o controle de hemorragias em animais e seres humanos, controle da pressão arterial e efeito sedativo, complexação com metais, função antioxidante, ação contra crescimento e alimentação de insetos [Girolami et al. (1966), Cliffton (1967), Bhargava et al. (1968) apud MAAS et al., 1991a].

2.8-O ácido elágico é um derivado do ácido gálico, e como fenol, possui algumas propriedades de compostos fenólicos (WANG et al., 1994). Em tecidos de morango, foi associado a substâncias polifenólicas inibidoras da degradação do ácido indolbutírico (AIA) pela peroxidase, em presença de luz. Já na ausência de luz, a presença de monofenóis propicia o aumento da atividade da peroxidase (Runkova et al., 1972 apud MAAS et al., 1991).

2.9-MAAS et al. (1991a), trabalhando com cultivares de morango, não conseguiram correlacionar a quantidade de ácido elágico encontrada em diferentes porções da planta (polpa e folhas), indicando que a seleção de variedades para o ácido elágico pode ser específica para determinado tipo de tecido.

3º-CADEIA PRODUTIVA

CULTIVARES LANÇADAS NO BRASIL
Ébano-Selecionada em 1977, na antiga UEPAE de Cascata, foi testada com Black 44. Originou-se de uma população F2, do cruzamento entre as variedades ’Comanche’ x (’Thronfree’ x ’Brazos’) realizada na Arkansas Agricultural Experiment Station, Universidade de Arkansas (EUA). Planta de hábito semi-ereto, livre de espinhos, possui hastes vigorosas. Apresenta frutas de tamanho grande (6 a 7g) e razoavelmente firme, ácidos, maturação desuniforme (BASSOLS & MOORE, 1981 a, b; RASEIRA et al., 1984).Na região de Pelotas e Canguçu (RS), a colheita é realizada de dezembro a fim de janeiro ou início de fevereiro. É recomendada para regiões com acúmulo de frio em torno de 400 horas (NUNES & GONSALVES, 1981).
Negrita-Oriunda de sementes introduzidas da Universidade de Arkansas, EUA, em 1975, como A-771. Foi testada como Black 32, sendo proveniente do cruzamento entre ’Comanche’ x (’Thronfree’ x ’Brazos’). Foi selecionada devido à firmeza das frutas e ao porte ereto das plantas. A densidade de espinhos entretanto é alta. Cultivar destinada à industrialização, foi lançada em 1983 pela EMBRAPA Clima Temperado (RASEIRA, 1999 – informe verbal).
Tupy- Resultado do cruzamento entre as cultivares ’Uruguai’ x ’Comanche’, realizado na EMBRAPA Clima Temperado em 1982, os "seedlings" foram avaliados no campo experimental, sendo que a seleção C.4.82.5 deu origem à cultivar. A variedade ’Tupy’ apresenta plantas de porte ereto, com espinho. Produz frutas grandes (6 gramas), coloração preta e uniforme, sabor equilibrado em acidez e açúcar, consistente e firme, semente pequena, película resistente e aroma ativo. Durante três anos de avaliação produziu 3,8kg/planta/ano no Rio Grande do Sul. É recomendado para o consumo in natura pelo fato de apresentar baixa acidez (SANTOS & RASEIRA, 1988).
Guarani- Foi selecionada no Brasil a partir de cruzamento realizado nos EUA (Arkansas) entre as variedades ’Lawton’ x (’Darrow’ x ’Brazos’) x (’Shaffer Tree’ x ’Brazos’), sob o número 799-8. Planta de porte ereto, com espinhos, vigorosa, produz frutas de coloração preta, tamanho médio (5g), firme, película resistente, aroma ativo. Durante quatro anos de avaliação, na região de Pelotas (RS), produziu 3,6kg/planta/ano. É recomendado para o consumo in natura e industrialização (SANTOS & RASEIRA, 1988).
Caingangue- Originária de uma população F2, do cruzamento ’Cherokee’ x ’Black 1’ (’Shaffer Tree’ x ’Brazos’), denominada C.3.82.16, foi lançada em 1992 pelo CPACT. Planta vigorosa, ereta, com presença de espinhos e boa capacidade de multiplicação. Apresenta brotação na primeira dezena de agosto; floração plena na primeira dezena de outubro e produção da segunda dezena de novembro a segunda de dezembro. Sabor equilibrado entre ácidos e açúcares; fruta firme e de aroma ativo. Pouco exigente em frio, sendo recomendada para regiões com disponibilidade em torno de 200 horas de frio hibernal (RASEIRA et al., 1992).
As cultivares introduzidas inicialmente no Brasil vieram do Texas e de Arkansas, existindo um número elevado de variedades que são citadas na literatura, desenvolvidas em outros programas de melhoramento.


4º-ASPECTOS FENOLÓGICOS


Sendo planta exigente em frio, os aspectos fenológicos da amoreira-preta podem variar de ano para ano, em função desta exigência em frio ter sido ou não satisfeita. Nas condições do Rio Grande do Sul, a cultivar Ébano inicia a floração na segunda quinzena de outubro, estendendo-se até o início de novembro, sendo que o período de colheita vai de meados de dezembro a início de fevereiro (BASSOLS & MOORE, 1981a/1981b; NUNES & GONÇALVES, 1981; EMBRAPA, 1981).Segundo RASEIRA et al. (1992) a variedade Caingangue, em Pelotas (RS), tem plena floração na primeira dezena de outubro e período de produção da segunda dezena de novembro à segunda dezena de dezembro, com produção média de 3,45kg/planta e peso médio de 5,6g/fruto.A floração da ’Tupy’, no Rio Grande do Sul, dá-se do final de agosto à segunda dezena de setembro e a colheita na terceira dezena de novembro à segunda de dezembro (SANTOS & RASEIRA, 1988). Já a ’Guarani’ tem floração durante todo o mês de setembro e primeira dezena de outubro, com período de colheita estendendo-se pelo mês de dezembro (SANTOS & RASEIRA, 1988). Em contrapartida, PERUZZO et al. (1995) observaram, em Videira (SC), que a cultivar Brazos iniciou a floração na segunda dezena de setembro e ’Caingangue’ na terceira dezena. ’Tupy’, ’Comanche’, ’Guarani’, ’Cherokee’ e ’Ébano’ floresceram durante o mês de outubro. Sendo que a produção estendeu-se da segunda dezena de novembro até a terceira dezena de janeiro.No Planalto de Poços de Caldas, Minas Gerais, as variedades Brazos e Comanche são as mais precoces tanto em floração como em produção. A variedade mais produtiva foi Brazos (5,3kg/planta), seguida de Guarani (4,7kg/planta), Tupy (3,6kg/planta) e Comanche (3,4kg/planta), sendo que a primeira foi a mais vigorosa em produção de material vegetal (ANTUNES et al., 2000b) A produção concentrada de amoras a partir de novembro, nos principais estados produtores, causa redução de preço, devido ao maior volume ofertado. A antecipação da oferta de frutas, seja pelo manejo da cultura, seja pelas condições climáticas existentes numa região, pode criar uma oportunidade de mercado bastante favorável ao produtor rural.

PROPAGAÇÃO - A propagação da amoreira-preta se faz através de estacas de raízes (CALDWELL, 1984) as quais estas, por ocasião do repouso vegetativo, são preparadas e enviveiradas em sacolas plásticas. Podem também ser usados brotos (rebentos), originados das plantas cultivadas. O uso de estacas herbáceas é uma das alternativas viáveis (RASEIRA et al., 1984; PERUZZO et al., 1995). Além destes, a multiplicação através da cultura de tecidos já é bem conhecida.A multiplicação através de perfilhos retirados das entrelinhas de cultivo pode ser realizada, em muitos casos não há número suficiente de mudas e estas normalmente estão com tamanhos irregulares, além do estresse que pode ser causado no sistema radicular da planta-mãe.O perfilhamento da cultura é elevado, aparecendo muitas brotações, entre as linhas de plantio, que devem ser sistematicamente eliminadas para que se evite a obstrução do deslocamento de pessoal e máquinas pela cultura. Os perfilhos eliminados podem ser utilizados como mudas. WALDO (1977) relata que formas de amoreira-preta com espinhos, na costa do pacífico norte da América do Norte, Austrália e Nova Zelândia, são ’pragas’, sendo ’Himalaya’ (Rubus procerus P.J. Muell.) uma da plantas daninhas mais agressivas. Segundo PERUZZO et al. (1995), a multiplicação rápida de mudas de amoreira-preta pode ser conseguida através do enraizamento de estacas herbáceas, sob nebulização e preparadas com quatro a cinco gemas, sendo que a produção de mudas por este método pode ser conseguida durante todo o período de crescimento da planta matriz. STOUTEMYER et al. (1933) citam como método rápido de propagação da amoreira-preta e framboeseira a utilização de um pequeno segmento da haste da planta com gema foliar, colocadas sob nebulização e em substrato constituído por areia.A utilização de estacas lenhosas na propagação da amoreira-preta não é uma prática usual, entretanto, após o período de dormência, face à poda realizada, obtém-se um grande número de estacas. Caso estas estacas possuam bom potencial de enraizamento, podem ser utilizadas para este fim. ANTUNES et al. (2000a) trabalhando com estacas lenhosas de amoreira-preta, observaram que a cultivar Caingangue apresentou maior vigor em desenvolvimento que as demais cultivares testadas, refletindo em maior peso seco de parte aérea (2.060mg) e raiz (660mg). Os maiores porcentuais de enraizamento e brotação foram, respectivamente das cultivares Brazos (97,9; 97,9), Guarani (95,8; 93,7), Tupy (93,7; 97,4), Caingangue (93,7; 95,8) e Ébano (89,5; 93,7). As cultivares Comanche e Cherokee e seleção 97 apresentaram resultados inferiores a 50% em todas as características avaliadas.

SISTEMA DE CULTIVO - Segundo RASEIRA et al. (1984), a amoreira-preta desenvolve-se bem em solos drenados e medianamente ácidos (pH 5,5 a 6,5). O manejo das plantas é simples, devendo-se tomar maiores cuidados com a adubação, controle de invasoras, podas de limpeza e desponte e, particularmente com a colheita, devido à elevada sensibilidade dos frutas. Algumas das cultivares plantadas no Brasil necessitam de tutor para suportar o peso das hastes e da produção. Normalmente, isto é feito através de um sistema de espaldeira dupla.

COMERCIALIZAÇÃO E MERCADO

Entre as principaiscaracterísticas desejáveis para uma cultivar visando o mercado de frutas ’in natura’ estão a produtividade, o tamanho e equilíbrio açúcar/acidez dos frutas, bem como a sua capacidade de resistência ao transporte e armazenamento.Em relação ao ponto de colheita, este é determinado quando o fruto estiver totalmente preto, devendo a colheita ser realizada a cada dois a três dias (BASSOLS, 1980; RASEIRA et al., 1984). Quanto à forma de comercialização, observa-se, no mercado ’in natura’, a presença de embalagens semelhantes às utilizadas para morango, nas quais, em cada bandeja, são ofertados em torno de 120 a 150 gramas de frutas de amoreira-preta.
Já com destino à industrialização, BASSOLS & MOORE (1981 b) citam que, para a cultivar Ébano, as frutas podem ser congeladas, enlatadas ou usadas para adicionar cor e sabor a iogurtes e sorvetes ou para o fabrico de sucos, observações estas, que a princípio, serviriam para outras cultivares.A ausência de espinhos é também uma característica desejável (PERUZZO et al., 1995), uma vez que vários produtores adotam o esquema em que o consumidor colhe a própria fruta, como já experimentado com sucesso em hortaliças, e mesmo com amoreira-preta, nos EUA. A amoreira-preta geralmente tem muitos espinhos, mas esta densidade pode variar consideravelmente entre cultivares, sendo que algumas delas são totalmente desprovidas de espinhos (ELLIS et al., 1991).As informações estatísticas sobre a produção e comercialização de amora-preta, no Brasil, são muito escassas. Entretanto, segundo a evolução de preços e volume, apresentados pela CEASA-RS, a safra gaúcha é iniciada em outubro, a US$ 2,54kg, reduzindo paulatinamente a 1,90, 1,52 e 1,44 respectivamente em novembro, dezembro e janeiro. Pode haver alguma oferta sazonal, como em agosto de 1997, em que o preço do quilo da amoreira-preta alcançou US$ 4,58, frutas estas provenientes de São Paulo. O principal município produtor gaúcho é Feliz

ASPECTOS DA PÓS-COLHEITA

MORRIS et al. (1981) mencionam que, devido à estrutura frágil e alta taxa respiratória de frutas de amoreira-preta, sua vida pós-colheita é relativamente curta, o que também é corroborado por Hardenbug et al. (1986), apud PERKINS-VEAZIE et al. (1997). Estes mesmos autores citam Clark (1992) quando relatam que a firmeza do fruto colhido influencia na vida de prateleira, haja visto que estes podem ser facilmente danificados no manuseio facilitando a infeccção por patógenos.Segundo Hardenburg et al. (1986), apud PERKINS-VEAZIE et al. (1993 / 1996), a recomendação usual de armazenamento para amoreira-preta é de 2 a 3 dias quando mantidas a 0oC. Contudo, estes mesmos autores citam que Clark e Moore (1990), trabalhando com cultivares eretas de amoreira-preta, mantiveram os frutas com qualidade durante 7 dias à temperatura de 5oC.Em frutos de amora-preta conservadas sob atmosfera modificada, ANTUNES (1999) observou que houve aumento do porcentual de solubilidade de pectina e pectina solúvel, para ’Brazos’ e ’Comanche’, durante o armazenamento, ocorrendo redução de pectina total e compostos fenólicos totais. As cultivares Brazos e Comanche conservaram-se melhor em ambiente refrigerado (2ºC), podendo ser armazenadas com qualidade até nove dias depois de colhidas, a partir daí iniciam processo de deterioração. Frutas da cultivar Comanche apresentaram melhores características para a industrialização e conservação da qualidade pós-colheita devido às maiores concentrações de pectina total em relação às de Brazos. Este autor sugere que, para a melhor conservação dos frutos de amora-preta, seja utilizado cadeia de frio em todo o processo pós-colheita.





sábado, 1 de agosto de 2015

AMORA - Plantas que Curam


Amora-preta: uma fruta antioxidante
A amoreira-preta (Rubus sp.), apesar de ser nativa da Ásia, Europa, América do Norte e América do Sul, cresce apenas em regiões determinadas de acordo com o clima ideal para o seu desenvolvimento. A amoreira-preta é uma espécie arbustiva de porte ereto ou rasteiro, geralmente dotada de espinhos e a coloração das flores varia do branco ao rosa.
Produz um fruto agregado, a amora-preta, composto por frutículas e sua coloração pode variar do branco ao negro, e a sua casca é brilhante, lisa e frágil, quando madura. A amora-preta pode facilmente ser confundida com a framboesa, mas esta tem o centro oco, enquanto a primeira tem um coração esbranquiçado.
A amora-preta in natura é altamente nutritiva. Da sua composição fazem parte a água (85%), as proteínas, as fibras, os lipídeos e também os carboidratos. Também possui cálcio, fósforo, potássio, magnésio, ferro, selênio e várias vitaminas, no entanto, é uma fruta de baixo valor calórico, apenas 52 calorias em 100 gramas de fruta.
Vários tipos de açúcares e ácidos fazem parte da composição desta fruta, sendo que o balanço entre acidez e sólidos solúveis é que dá o seu delicioso sabor característico.
Ainda na amora-preta, são encontradas outras substâncias como os fitoquímicos, ou compostos secundários. Estas substâncias são produzidas naturalmente pelas plantas para se protegerem do ataque de pragas e doenças, e também ajudam a planta a resistir a condições adversas do ambiente.
Muitos destes fitoquímicos atuam na prevenção e no combate de doenças crônicas como o câncer e as doenças cardiovasculares. Exemplos de fitoquímicos encontrados em amora-preta são as antocianinas, que dão a coloração vermelha e roxa das frutas, os carotenóides que são responsáveis pela coloração alaranjada, e ainda, existem vários outros fitoquímicos que não apresentam cor como os ácidos fenólicos, por exemplo, mas são de grande importância para a saúde.
A concentração destes fitoquímicos em amora-preta pode variar de acordo com a cultivar, o ambiente, o ponto de maturação, o armazenamento e o processamento.
Os estudos realizados ao redor do mundo demostram que o consumo de frutas e hortaliças está relacionado à prevenção das doenças crônicas, provavelmente, devido ao aumento no consumo de compostos antioxidantes.
A amora-preta apresenta uma alta atividade antioxidante, se comparada ao mirtilo, que é uma fruta muito estudada e utilizada como padrão de comparação. O nosso corpo é exposto diariamente a diversos fatores que podem levar a mutações celulares, através de fatores internos, como radicais livres que se formam durante a nossa respiração, ou externos, como poluição, raios solares, tabaco, álcool, etc.
Os compostos antioxidantes encontrados em algumas frutas e hortaliças conseguem ajudar as células do organismo a se protegerem das mutações, que é o primeiro passo para a formação de um algum tipo de câncer.
Existem estudos que mostram o poder do extrato de amora-preta na prevenção e combate do câncer de útero, cólon, boca, mama, próstata e pulmão. O extrato de amora-preta previne ainda a formação da metástase, ou seja, evita que o câncer se espalhe e se instale em outros órgãos.
Também foi observado um efeito antiinflamatório do extrato de amora-preta, o que não deixa de ser interessante, já que se acredita que o câncer está relacionado a um processo de inflamação crônica.
Mas quantas amoras-pretas devemos consumir ao dia? Quanto nosso corpo consegue absorver e utilizar? Estas são questões ainda difíceis de responder. O que se sabe é que, após consumir a amora-preta, os fitoquímicos são absorvidos, metabolizados e distribuídos em diferentes tecidos/órgãos do corpo, sendo que já foram encontrados nos tecidos do estômago, jejuno, fígado, rins, plasma e até no cérebro.
E como ficam os fitoquímicos quando as amoras-pretas são processadas? O processamento das frutas da amoreira-preta é uma forma de agregar valor ao produto, melhorando a renda dos fruticultores, sendo a sua transformação em geléias, sucos, iogurtes, sorvetes as formas mais comuns de consumir esta fruta.
Após o processamento, há dúvidas quanto à manutenção dos fitoquímicos encontrados na fruta in natura. Sabe-se que ocorre uma perda de antocianinas no processo de fabricação da geléia de amora-preta em relação aos valores encontrados na polpa, e esta perda continua durante o armazenamento dos vidros de geléias através do tempo, mas, mesmo assim, a geléia da amora-preta ainda é considerada uma boa fonte de fitoquímicos antioxidantes.
A Embrapa Clima Temperado tem grande interesse no desenvolvimento da cultura da amoreira-preta na Região Sul e no Brasil. Neste contexto, é mantido na Unidade um programa de melhoramento de pequenas frutas, onde a amora-preta está inserida.
Além da seleção de novas cultivares, desenvolvem-se ações relacionadas à produção de mudas, manejo da planta, armazenamento, processamento e caracterização funcional da fruta. O que se espera é caracterizar as cultivares que estão sendo comercializadas e também auxiliar no processo de seleção de novas cultivares, visando frutas de alta qualidade e alto valor nutricional e funcional.
A amora-preta já é considerada uma fruta funcional, ou seja, além das características nutricionais básicas, quando consumida como parte usual da dieta, produz efeito fisiológico/metabólico ou efeito benéfico a saúde humana, devendo ser segura para consumo sem supervisão médica. O consumo de frutas e hortaliças, como a amora-preta, em conjunto com um estilo de vida saudável, incluindo dieta equilibrada e exercícios físicos, pode prevenir alguns tipos de doenças.

Partes diferentes da amora possuem propriedades distintas. A folha da age como alterativo, analgésico, antibacteriano, antipirético, anti-inflamatório, diaforético e expectorante. As bagas são um tônico para o sangue, laxativo, nutritivo e refrigerante. A fruta da amoreira, bem como as folhas e as cascas são anti-helmínticas e a casca é anti-inflamatória, catártica, diurética, expectorante e dilatadora bronquial. Os ramos agem como alterativo, antiespasmódico, anti-reumático e diurético.
A amora-branca (Morus alba) possui propriedades renais. Suas folhas são utilizadas na medicina alternativa para curar resfriados, gripes, febres, tosses e dores de garganta. Os frutos são usados para tratar anemias e constipação. Além de propriedades e uso ligeiramente diferentes, as partes da planta possuem propriedades energéticas diferentes também.
Os ramos da Morus nigra são usados popularmente contra a hipertensão, as folhas para diabetes, a raiz é contra a solitária e as frutas contra fraqueza, úlceras e vertigem. A folha da amora-preta também é utilizada para desinfeccionar pulmões e assim aliviar tosses e problemas respiratórios. Popularmente, é feito o gargarejo com o suco de amoras (tanto as amoras-pretas, quanto as amoras-brancas) para tratar dores de garganta.
As frutas da amoreira contem açúcar, ácido málico, pectina, vitaminas B-1, vitamina B-2, betacaroteno, tanino e ácido linoleico. Todas as amoras são ricas em vitamina C e caracterizam-se por sua forma típica, gerada a partir do agrupamento de vários e minúsculos frutos que se unem formando uma polpa rica em água e açúcar. Na culinária, os brotos jovens da árvore da amoreira são comestíveis ao serem cozidos. As frutas são usadas em tortas, pudins, vinhos e saladas de frutas. As amoras são geralmente consumidas ao natural e podem ser servidas também com creme de chantilly. São igualmente deliciosas quando utilizadas no preparo de tortas, sorvetes, compotas, geleias, doces cristalizados ou em massa, ou transformadas em vinhos, licores e xaropes.

Contraindicações e efeitos colaterais da amora

As frutas verdes e o talo das folhas das amoras das variedades preta e branca são tóxicas e podem causar dores no estômago. O consumo excessivo de frutas pode causar diarreia. As folhas da amora não devem ser consumidas por pessoas com problemas pulmonares ou digestivos.
História e curiosidades
Na mitologia grega, a árvore de amora foi dedicada à deusa Minerva. A amoreira era considerada a mais sábia de todas as árvores, vez que esperava passar todo o período de frio para brotar suas folhas. O nome amora provem do nome latim morari, que significa demorar. A Morus spp faz parte da Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (RENISUS), constituída de espécies vegetais com potencial de avançar nas etapas da cadeia produtiva e de gerar produtos de interesse do Ministério da Saúde do Brasil.





VALOR NUTRICIONAL DA AMORA SILVESTRE







Amora silvestre crua
Quantidade 1 xícara
Água (%) 86
Calorias 75
Proteína (g) 1
Gordura (g) 1
Ácido Graxo Saturado (g) 0,2
Ácido Graxo Monoinsaturado (g) 0,1
Ácido Graxo Poliinsaturado (g) 0,1
Colesterol (mg) 0
Carboidrato (g) 18
Cálcio (mg) 46
Fósforo (mg) 30
Ferro (mg) 0,8
Potássio (mg) 282
Sódio (mg) Traços
Vitamina A (UI) 240
Vitamina A (Retinol Equivalente) 24
Tiamina (mg) 0,04
Riboflavina (mg) 0,06
Niacina (mg) 0,6
Ácido Ascórbico (mg) 30