Originário do Brasil, o abacaxizeiro (Ananas comosus L. Merril) é uma planta de clima tropical, monocotiledônea, herbácea e perene da família Bromeliácea, com caule (talo) curto e grosso, ao redor do qual crescem folhas estreitas, compridas e resistentes, quase sempre margeadas por espinhos e dispostas em rosetas. A planta adulta, das variedades comerciais, tem de 1 a 1,20m de altura e 1 a 1,5m de diâmetro. No caule insere-se o pedúnculo que sustenta a inflorescência e depois o fruto. Cada planta produz um único fruto saboroso e de aroma intenso. O fruto é utilizado tanto para o consumo in natura quanto na industrialização, em diferentes formas: pedaços em calda, suco, pedaços cristalizados, geléias, licor, vinho, vinagre e aguardente. Como subproduto desse processo industrial pode-se obter ainda: álcool, ácidos cítrico, málico e ascórbico; rações para animais e a bromelina. A bromelina é uma substância de alto valor medicinal, trata-se de uma enzima muito utilizada como digestivo e anti-inflamatório. Na culinária, o suco de abacaxi é utilizado para o amaciamento de carnes. Além disso, os frutos do abacaxi são ótimas fontes de cálcio, vitaminas A, B e C.
O Brasil, segundo dados da FAO, em 2001 foi o terceiro maior produtor de abacaxi do mundo (atras da Tailândia e Filipinas). De acordo com o IBGE, a produção nacional neste ano foi de 1,43 bilhões de frutos em 62.597 hectares, o que correspondeu a cerca de 690 milhões de reais em receitas. Os Estados de Minas Gerais, Paraíba e Pará foram os maiores produtores nacionais. Em Rondônia, no mesmo ano, a área plantada no Estado foi de 245 ha, com uma produtividade de 18.686 frutos/ha e uma produção de 4.578.000 frutos. As principais regiões produtoras são: Pimenta Bueno, Porto Velho, Rio Crespo e Alto Paraíso, respectivamente (Tabela 1).
Tabela 1. Área plantada, produção e receita da cultura do abacaxi, no Brasil, em Rondônia e nos principais municípios do Estado no ano de 2001.
Localidade
Área
(ha)
Produção
(1.000 frutos)
Produtividade
(frutos/ha)
Receita
(R$)
Brasil
62.597
1.430.018
22.845
690.356.000,00
Rondônia
245
4.578
18.686
2.288.000,00
Pimenta Bueno
78
1.950
25.000
975.000,00
Porto Velho
45
1.109
24.644
555.000,00
Rio Crespo
25
300
12.000
149.000,00
Alto Paraíso
20
300
15.000
149.000,00
Aspectos Climáticos
Os principais municípios produtores de abacaxi em Rondônia se caracterizam por apresentar clima tropical, úmido e quente, com classificação de Köppen tipo Aw. Apresenta um período seco bem definido durante a estação de inverno, quando ocorrem precipitações inferiores a 50 mm/mês, nestes meses, junho, julho e agosto a média de precipitação é inferior a 20mm /mês. A média anual de precipitação varia de 1.400 a 2.500 mm/ano, e a média anual da temperatura do ar fica entre 24° e 26° , com temperaturas máximas entre 24° C e 26° C e mínimas entre 17° e 23° C. A média anual de umidade relativa do ar varia de 80% a 90% no verão, e em torno de 75%, no outono inverno.
Aspectos Edáficos
Os solos em Rondônia se caracterizam em: 58% Latossolos (sendo vermelho-amarelo 26%, Amarelos 16% e Vermelho, também 16%); 12% Argissolo (Podzólico, Terra Roxa, Alissolo, Nitossolo e Luvissolo), 11% Neossolos (Solos litólicos, Areias Quartzosas, Regossolos e Solos Aluviais), 10% Cambissolo, 9% Gleissolo.
As áreas cultivadas com abacaxi são predominantemente de solos do tipo Latossolo, que apresentam como características serem: profundos, bem drenados e geralmente ácidos. Apresentam fertilidade natural baixa, havendo necessidade de correção e adubação.
Clima
A temperatura ideal para se produzir frutos de boa qualidade está entre 21° e 23°C, sendo que temperaturas acima de 40°C e abaixo de 5°C causam sérios problemas na planta. A planta é exigente em luz, necessitando de 2.500 a 3.000 horas de luz por ano, ou seja 6,8 a 8,2 horas de luz diária e precisa de 1.200 a 1500mm de chuva bem distribuída durante o ano. Em locais com períodos secos prolongados, recomenda-se o uso de irrigação. A umidade do ar de 70% ou superior é o ideal para a cultura
O abacaxí (Ananás comosus) é uma fruta tropical das mais famosas, nativa das regiões costeiras da América do Sul, cuja planta (o abacaxizeiro) pertence a família das bromeliáceas. Na verdade, o abacaxí é uma infrutescência - cada gominho é um fruto independente que se juntou durante o processo de crescimento -. Pelo seu perfume delicioso, seu sabor acre-doce e seu valor nutritivo, ficou famoso no mundo todo. Na culinária tem vários usos e faz parte dos mais variados pratos, podendo ser consumido ao natural, como sobremesa ou no café da manhã. A palavra abacaxí vem do tupí iba-cati (fruto que cheira muito) e, na linguagem indígena, era chamado de ananás (fruta excelente).
O abacaxí possui um alto teor de vitamina C, é rico em sais minerais (cálcio, fósforo e ferro), além de conter celulose (substância indispensável para o bom funcionamento intestinal) e bromelina (substância que facilita a digestão das carnes), devendo ser consumido preferencialmente ao natural.
Grande parte dos abacaxís comercializados no mercado brasileiro tem como origem as plantações do Nordeste, principalmente dos Estados da Paraíba e Pernambuco. Ele é classificado pelo tamanho como grande (mais de 1,5 kg), médio (entre 1,0 e 1,5 kg) e pequeno (menos de 1,0 kg) e, de acordo com a variedade, em pérola (formato cônico, coroa de menor diâmetro e coloração
interna amarelo-pálida, quase branca), jupí (diferente do pérola no formato cilíndrico - mesmo diâmetro de cima a baixo) e havaí (formato cilíndrico, coroa de maior diâmetro, sem espinhos e coloração interna amarelo-palha ou mesmo amarelo-forte).
O fruto tem maior valor comercial quando apresenta os seguintes padrões: tamanho grande (1,5 kg de peso), colocação amarelada na base (gomos amarelando), boa aparência física (sem manchas, ferimentos, podridão ou deformação), coroa firme e variedade pérola. Do seu plantio até a colheita leva-se em torno de 18 meses e sua oferta no mercado é forte nos meses de agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro, média nos meses de janeiro, fevereiro, março e abril, e fraca nos meses de maio, junho e julho.
Para se escolher um bom abacaxí, não se pode considerar apenas sua cor, que varia muito dependendo da qualidade. O melhor e mais simples é verificar as folhas da coroa: o abacaxí está no ponto quando elas se soltam com facilidade. Também é possível perceber o ponto pressionando-se com os dedos: se ele estiver muito duro, ainda está verde. Quando o abacaxí está maduro demais, sua casca tem manchas escuras e partes amolecidas próximas à base, sendo menos ácidos os que possuem espinhos nas folhas da coroa.
Como a deterioração do abacaxí começa em torno da coroa, ela só deve ser retirada no momento em que se for usar a fruta. Depois de cortado, deve ser guardado em recipiente fechado e mantido na geladeira. Quando ainda com casca, guarde na gaveta da geladeira. No caso do enlatados, depois de aberta a lata, coloque em outro recipiente junto com a calda e mantenha também na geladeira.
Além de ser consumido ao natural ou em pratos salgados, saladas e bebidas, o abacaxí também pode ser encontrado enlatado, em calda, em sucos concentrados, geléia, doce em pasta e cristalizado.
DICAS CULINÁRIAS:
em pratos salgados, o abacaxí fica muito bom com carne de porco, peixes, crustáceos e aves de carne gordurosa. em saladas e bebidas o abacaxí é muito usado junto com outras frutas. quando for fazer sorvete ou gelatina de abacaxí, ferva o suco e a polpa antes de preparar. Caso contrário, a fruta não se solidifica. a casca do abacaxí pode ser usada para fazer suco. Descasque a fruta, deixe a casca repousar numa vasilha com água por algumas horas e depois bata no liquidificador e coe. Sirva gelado. os abacaxís que tiverem as folhas da coroa com espinhos são menos ácidos. o abacaxí com presunto é um ótimo tira-gosto. para que o abacaxí verde amadureça, deixe-o à temperatura ambiente, enrolado em jornal e longe da luz direta do sol. o suco do abacaxí é um ótimo molho para umedecer presunto, lombo ou frango enquanto assam.
CURIOSIDADES:
os índios da América costumavam pendurar folhas de abacaxí, ou mesmo o fruto, na porta das cabanas para indicar que as visitas eram bem-vindas. a expressão "abacaxí", usada para designar um problema ou uma encrenca, vem da dificuldade que se têm de se descascar bem o fruto.
INSTRUÇÃO NORMATIVA/SARC Nº 001, DE 01 DE FEVEREIRO DE 2002
O SECRETÁRIO DE APOIO RURAL E COOPERATIVISMO DO MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III, do art. 11, do Decreto nº 3.527, de 28 de junho de 2000, tendo em vista o disposto na Lei nº 9.972, de 25 de maio de 2000, no Decreto nº 3.664, de 17 de novembro de 2000,
Considerando a necessidade e importância de disciplinar a comercialização das frutas produzidas no Brasil, assim como daquelas importadas, no que tange ao controle de sua qualidade e conseqüentemente visando à proteção do consumidor;
Considerando que os Regulamentos Técnicos propostos constituem-se em instrumentos de facilitação e transparência da comercialização do Abacaxi, da Uva Fina de Mesa e Uva Rústica, e o que consta do Processo nº 21000.007896/2000-36, resolve:
Art. 1º Aprovar os Regulamentos Técnicos de Identidade e de Qualidade para a classificação dos produtos a seguir discriminados:
I - Anexo I: Abacaxi;
II - Anexo II: Uva Fina de Mesa;
III - Anexo III: Uva Rústica.
Art. 2º Fica estabelecido o prazo de 180 (cento e oitenta) dias a partir da data de publicação desta Instrução Normativa para que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento promova a habilitação dos classificadores nos produtos de que trata o artigo anterior.
Art. 3º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação.
MANOEL ANTONIO RODRIGUES PALMA
ANEXO I
REGULAMENTO TÉCNICO DE IDENTIDADE E DE QUALIDADE PARA A CLASSIFICAÇÃO DO ABACAXI
1. Objetivo: o presente Regulamento tem por objetivo definir as características de Identidade e de Qualidade para fins de classificação do Abacaxi "in natura".
Âmbito de aplicação: o presente Regulamento será aplicado para atender a obrigatoriedade de classificação prevista nos incisos I, II e III, do art. 1º, da Lei nº 9.972, de 25 de maio de 2000.
Definição do produto: entende-se por Abacaxi a infrutescência da espécie Ananas comosus (L.) Merril.
Conceitos: para efeito deste Regulamento, considera-se:
Fisiologicamente desenvolvida: a infrutescência que atingiu o estágio de desenvolvimento característico da variedade e está em condição de ser colhida, de modo a ter amadurecimento perfeito.
Isento de substâncias nocivas à saúde: quando o abacaxi apresenta contaminação cujo valor se verifica dentro dos limites máximos previstos na legislação específica vigente.
Limpa: quando a infrutescência apresenta-se livre de poeira, resíduos de tratamentos ou de outras matérias estranhas.
Características da infrutescência:
4.4.1. Peso: valor em quilogramas determinado pelo peso da massa da infrutescência.
4.4.2. Coloração: cor da casca da infrutescência.
4.5. Defeitos: toda e qualquer alteração causada por fatores de natureza fisiológica, mecânica ou por agentes diversos, que venham a comprometer a qualidade e a apresentação do Abacaxi.
4.5.1. Defeitos graves: são aqueles cuja incidência sobre a infrutescência compromete sua aparência, conservação e qualidade, restringindo ou inviabilizando o uso do abacaxi, quais sejam: lesão, podridão, sem coroa, fasciação, queimado do sol, imaturo, passado, amassado, exsudado, mole, chocolate e injúria por frio.
4.5.1.1. Lesão: qualquer dano de origem mecânica, patológica ou entomológica que exponha a polpa.
4.5.1.2. Podridão: dano patológico ou fisiológico que implique em qualquer grau de decomposição, desintegração ou fermentação dos tecidos.
4.5.1.3. Sem coroa: infrutescência que se apresenta sem a coroa.
4.5.1.4. Fasciação: deformação resultante do achatamento do ápice da infrutescência pela emissão de rebentos na forma de leque.
4.5.1.5. Queimado do sol: infrutescência que apresenta área descolorida ou necrosada, provocada pela ação do sol.
4.5.1.6. Imaturo: infrutescência colhida antes de atingir o teor de Sólidos Solúveis mínimo, de 12º (doze graus) Brix.
4.5.1.7. Passado: infrutescência que apresenta avançado estágio de maturação ou senescência caracterizada pela perda de firmeza.
4.5.1.8. Amassado: deformação ou amolecimento da infrutescência causado por ação mecânica.
4.5.1.9. Exsudado: infrutescência que apresenta depósitos de gomose na casca, causada por fungos.
4.5.1.10. Mole: infrutescência sem firmeza da casca causada por fatores diversos.
4.5.1.11. Chocolate: polpa escurecida caracterizada pela cor marrom, de origem fisiológica.
4.5.1.12. Injúria por frio: polpa escurecida causada pela geada ou armazenagem a baixa temperatura.
4.5.2.1. Coroa múltipla: a infrutescência apresenta mais de uma coroa, sem deformação da infrutescência.
4.5.2.2. Coroa danificada: dano parcial da coroa da infrutescência.
4.5.2.3. Coroa torta: a coroa apresenta acentuado desvio em relação à infrutescência.
4.5.2.4. Deformado: qualquer desvio da forma da infrutescência, que não seja característico da cultivar.
4.5.3. Fora de Categoria: produto que não atende em um ou mais aspectos as especificações de qualidade previstas na Tabela de Tolerância constante neste regulamento.
4.5.4. Lote: quantidade de produtos com as mesmas especificações de identidade, qualidade e apresentação, processados pelo mesmo fabricante ou fracionador, em espaço de tempo determinado sob condições essencialmente iguais.
4.5.5. Embalagem: recipiente, pacote ou envoltório, destinado a garantir a conservação e a facilitar o transporte e o manuseio dos produtos.
4.5.6. Produto embalado: todo produto que está contido em uma embalagem, pronto para ser oferecido ao consumidor.
4.5.7. Contaminantes ou substâncias nocivas à saúde: quando o produto apresenta contaminação cujo valor se verifica dentro dos limites máximos previstos na legislação específica vigente.
5. Classificação:
5.1. O Abacaxi para consumo "in natura" será classificado em Grupos, Subgrupos, Classes ou Calibre e Categorias.
5.2. Grupos: de acordo com a coloração da polpa da infrutescência, o abacaxi será classificado em dois grupos:
5.2.1. Grupo - I: constituído de infrutescências que apresentam polpa de coloração amarela.
5.2.2. Grupo - II: constituído de infrutescências que apresentam polpa de coloração branca.
5.3. Subgrupo: de acordo com a coloração da casca do abacaxi, parâmetro este somente aplicável ao abacaxi de polpa branca.
5.3.1. Verde ou Verdoso: abacaxi que apresenta sua casca completamente verde.
5.3.2. Pintado: abacaxi que apresenta até 25% (vinte e cinco por cento) de sua casca amarelo-alaranjada.
5.3.3. Colorido: abacaxi que apresenta mais de 25% (vinte e cinco por cento) e até 50% (cinqüenta por cento) da sua casca amarelo-alaranjada.
5.3.4. Amarelo: abacaxi que apresenta mais de 50% (cinqüenta por cento) da sua casca amarela.
5.3.5. Admite-se uma mistura de até 20% (vinte por cento) das infrutescências, desde que pertençam aos subgrupos imediatamente superior ou inferior. Acima desse limite, o lote poderá ser rebeneficiado ou ser identificado como misturado.
5.4. Classe ou Calibre: de acordo com o peso das infrutescências expresso em quilogramas, conforme tabelas 1 e 2.
5.4.1. Tabela 1 – Grupo de polpa amarela
Classe ou calibre
Peso da infrutescencia gr
1
Maior que 900 a 1200
2
de 1200 a 1500
3
de 1500 a 1800
4
de 1800 a 2100
5
de 2100 a 2400
6
Maior que 2400
5.4.1.1. Tolerância: admite-se uma mistura de classes de até 10% (dez por cento), desde que as infrutescências pertençam às classes imediatamente superior ou inferior. Acima desse limite, o lote poderá se rebeneficiado ou identificado como misturado.
5.4.2. Tabela 2 – Grupo de polpa branca
Classe ou calibre
Peso da infrutescencia
1
Maior que 0,900 a 1200gr
2
De 1200 a 1500gr
3
De 1500 a 1800gr
4
Maior que 1800gr
5.4.2.1. Tolerância: admite-se uma mistura de classes de até 10% (dez por cento), desde que as infrutescências pertençam às classes imediatamente superior ou inferior. Acima desse limite, o lote poderá ser rebeneficiado ou identificado como misturado.
5.5. Categorias: de acordo com a qualidade da infrutescência, conforme a tabela 3.
5.5.1. Tabela 3 - limites máximos de defeitos permitidos por categoria, expressos em porcentagem(%)
categoria/defeitos
extra
categ.I
categ.II
categ.III
Lesão
0
1
5
10
Podridão
0
1
2
3
Sem coroa
0
1
5
10
Fasciação
0
1
5
10
Queoimadura de sol
0
3
10
20
Imaturo
0
1
5
10
Amassado
1
1
5
10
Passado
0
0
2
5
Exsudado
0
0
2
5
Mole
0
1
5
10
Chocolate
0
1
5
10
Injuria por frio
1
1
5
10
Total de defeitos graves
1
3
10
20
Total de defeitos leves
0
10
35
100
O defeito grave isoladamente determina a categoria do abacaxi.
5.6. Fora de Categoria:
5.6.1. Será classificado como Fora de Categoria o lote de Abacaxi que apresentar percentuais de defeitos excedendo os limites máximos de tolerância especificados para a Categoria III, da tabela 3, com exceção, do total de defeitos leves, estabelecidos na tabela referida.
5.6.2. Não será admitida a internalização e comercialização do abacaxi classificado como Fora de Categoria, por defeitos graves, devendo neste caso ser previamente rebeneficiado para enquadramento em Categoria.
5.6.3. No caso do lote de abacaxi classificado como Fora de Categoria por defeitos leves, qualquer que seja o motivo determinante, deverão ser observados os seguintes critérios/procedimentos:
5.6.3.1. As informações de identidade e de qualidade, bem como as demais declarações sobre o produto, deverão atender às disposições específicas, referentes a sua marcação ou rotulagem, estabelecidas no item 5 deste Regulamento.
5.6.3.2. Poderá ser comercializado como tal, desde que atendidas as exigências referidas no item anterior.
5.6.3.3. Poderá ser rebeneficiado, desdobrado ou recomposto, para efeito de enquadramento em Categoria.
5.7. Desclassificado:
5.7.1. Será desclassificado o lote de abacaxi que apresentar uma ou mais das características indicadas abaixo, sendo proibida a sua comercialização para a alimentação humana. São elas:
5.7.1.1. Mau estado de conservação.
5.7.1.2. Aspecto generalizado de mofo ou fermentação.
5.7.1.3. Resíduos de produtos fitossanitários, outros contaminantes e substâncias nocivas à saúde acima do limite estabelecido por legislação específica vigente.
5.7.1.4. Odor estranho de qualquer natureza, impróprio ao produto.
5.7.2. Sempre que julgar necessário, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento poderá requerer a análise laboratorial prévia do produto suspeito de contaminação, visando certificar-se de sua impropriedade para consumo humano.
5.7.3. As análises laboratoriais serão realizadas por laboratórios credenciados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, com o respectivo ônus para o detentor do produto.
5.7.4. A pessoa jurídica responsável pela classificação deverá comunicar imediatamente, ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a ocorrência de produto desclassificado, para as providências cabíveis junto ao setor técnico competente.
5.7.5. Caberá, ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a decisão quanto ao destino do produto desclassificado, podendo, para isso, articular-se, onde couber, com outros órgãos oficiais.
5.7.5.1. No caso da permissão ou autorização de utilização do produto desclassificado para outros fins, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento deverá estabelecer, ainda, todos os procedimentos necessários ao acompanhamento do produto até a sua completa desnaturação ou destruição, cabendo ao proprietário do mesmo, ou ao seu preposto, além de arcar com os custos pertinentes à operação, ser o seu depositário e responsável pela inviolabilidade e indivisibilidade do lote, em todas as fases de manipulação, imputando-lhe as ações civis e penais cabíveis, em caso de irregularidade ou de uso não autorizado do produto nestas condições.
5.8. Substâncias nocivas à saúde
5.8.1. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento poderá, sempre que julgar necessário, em ação de caráter temporário ou por tempo indeterminado, exigir a análise de resíduos e outros contaminantes do abacaxi posto para comercialização, independentemente do resultado de sua classificação.
5.8.2. O ressarcimento dos custos das análises a que se refere o item 5.8.1 correrá por conta do interessado.
5.8.3. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, juntamente com outros órgãos oficiais, as pessoas jurídicas responsáveis pela classificação, instituições de pesquisa, redes de laboratórios credenciados e em parceria com o setor privado, poderá desenvolver programas específicos de monitoramento no abacaxi, visando ao controle e à garantia de sua qualidade para alimentação humana.
6. Embalagem
6.1. O abacaxi, para comercialização no mercado interno, no nível de atacado, poderá estar a granel ou acondicionado em caixas.
6.2. Quando embalado, a embalagem deverá ser limpa, seca, de material que não provoque alterações externas ou internas nas infrutescências e não transmita odor ou sabor estranho às mesmas.
6.3. As embalagens deverão possibilitar a paletização e assegurar uma adequada conservação para as infrutescências.
6.4. Dentro do lote, será obrigatório que todas as embalagens sejam do mesmo material e tenham idêntica capacidade de acondicionamento.
7. Marcação ou rotulagem
7.1. As especificações de qualidade do abacaxi, contidas na marcação ou rotulagem e na identificação do lote, deverão estar em consonância com o seu respectivo Certificado de Classificação.
7.2. A embalagem deve trazer as especificações qualitativas, marcadas ou rotuladas, na vista principal, em lugar de destaque, de fácil visualização e de difícil remoção.
7.3. Os rótulos do abacaxi embalado não deverão apresentar vocábulos, símbolos, emblemas, ilustrações ou outras representações gráficas que possam induzir o consumidor a equívoco, erro, confusão ou engano em relação a sua qualidade.
7.4. No nível de atacado, para o abacaxi embalado, a marcação ou rotulagem deve trazer, no mínimo, as seguintes indicações:
7.4.1. Identificação do lote.
7.4.2. Grupo.
7.4.3. Subgrupo.
7.4.4. Classe ou calibre.
7.4.5. Categoria.
7.4.6. Safra de produção, de acordo com a declaração do responsável pelo produto.
7.4.7. Identificação do responsável pelo produto (nome ou razão social e endereço completo).
7.4.8. Peso líquido.
7.4.9. Órgão responsável pela fiscalização da classificação: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA.
7.5. No nível de varejo, a marcação ou rotulagem das especificações de qualidade, quando o abacaxi encontrar-se acondicionado em caixa, será feita na posição horizontal em relação à borda superior ou inferior da embalagem, que deverá conter, no mínimo, as seguintes indicações, no idioma oficial do país de consumo:
7.5.1. Denominação de venda do produto.
7.5.2. Identificação do lote.
7.5.3. Identificação da origem (deverá ser indicado o nome ou a razão social, o endereço completo e o CNPJ do produtor ou embalador, conforme o caso, assim como a localidade, o Estado e o país de origem, onde couber).
7.5.4. Peso líquido.
7.5.5. Grupo.
7.5.6. Subgrupo.
7.5.7. Classe ou calibre.
7.5.8. Categoria.
7.5.9. Informações específicas sobre a condição qualitativa, manuseio, uso, estocagem ou consumo para o produto classificado como Fora de Categoria.
7.5.10. Órgão responsável pela fiscalização da classificação: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA.
7.6. No rótulo deverá estar impresso, gravado ou marcado de qualquer outro modo, uma indicação em código ou linguagem clara, que permita identificar o lote a que pertence o abacaxi, de forma visível, legível e indelével.
7.6.1. O lote será determinado em cada caso, pelo produtor, fabricante, fracionador ou embalador do produto, onde couber, segundo seus critérios.
7.6.2. Para a indicação do lote, poderá ser utilizado:
7.6.2.1. Um código-chave precedido da letra "L". Este código deverá estar à disposição da autoridade competente e constar da documentação comercial, quando ocorrer comércio nacional e internacional.
7.6.2.2. A data de fabricação, embalagem ou prazo de validade, sempre que sejam indicados claramente, pelo menos, o dia e o mês ou o mês e o ano, nesta ordem, conforme o Regulamento Técnico específico para rotulagem de alimentos embalados.
7.7. As expressões qualitativas referentes ao Grupo, Subgrupo e Categoria devem ser grafadas por extenso, e o indicativo da Classe em algarismo arábico. Quando for o caso, com a expressão Fora de Categoria, também por extenso.
7.8. Os indicativos de Grupo, Subgrupo, Classe ou Calibre e Categoria devem ser grafados em caracteres do mesmo tamanho, segundo as dimensões especificadas em legislação metrológica vigente.
7.9. No caso da comercialização feita a granel, o produto exposto diretamente ao consumidor deverá ser identificado, e a identificação colocada em lugar de destaque, de fácil visualização, contendo, no mínimo, as seguintes indicações:
7.9.1. Denominação de venda do produto.
7.9.2. Classe ou calibre.
7.9.3. Categoria.
7.9.4. Identificação da origem (deverá ser indicado o nome ou a razão social, o endereço completo e o CNPJ do produtor ou embalador, conforme o caso, assim como a localidade, o Estado e o país de origem, onde couber).
7.10. No caso do produto classificado como Fora de Categoria, no nível do consumidor, observar o mesmo procedimento previsto no item 5.6 deste Regulamento.
8. Amostragem
8.1. Previamente à amostragem, deverão ser observadas as condições gerais do lote do produto. E, em caso de verificação de qualquer anormalidade, tais como presença de insetos vivos ou a existência de quaisquer das características desclassificantes (odor estranho, mau estado de conservação, aspecto generalizado de mofo, entre outros), adotar os procedimentos específicos previstos neste Regulamento.
8.2. A tomada da amostra será feita de acordo com o estabelecido nas Tabelas 4 e 5.
8.2.1. Tabela 4 - Amostragem de produtos embalados
numero de embalagens que compõem o lote
numero minimo de embalagens a serem retiradas
até 100
5
de 100a 300
7
301 a 500
9
501 a 1000
10
mais de 1000
15
8.2.2. Tabela 5 - Amostragem de produtos a granel
Mass do lote em kg ou numero de infrutescência que compõem o lote.
Massa em kg ou numero de infrutescencia a serem retidas.
Até 200
10
De 201 a 500
20
De 501 a 1000
30
De 1001 a 5000
60
Mais de 5000
Minimo de 100
9. Certificado de Classificação
9.1. O Certificado de Classificação será emitido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento ou pelas pessoas jurídicas devidamente credenciadas pelo mesmo, de acordo com a legislação vigente.
9.2. O Certificado de Classificação é o documento hábil para comprovar a realização da classificação, correspondendo a um determinado lote do produto classificado.
9.3. O Certificado de Classificação somente será considerado válido quando possuir a identificação do classificador (carimbo e assinatura), pessoa física, devidamente registrada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
9.4. A validade do Certificado de Classificação será de 24 (vinte quatro) horas, contadas a partir de sua emissão.
9.4.1. A validade, a que se refere o item anterior, aplica-se à validação do serviço de classificação, ou seja, ao prazo em que se pode questionar administrativamente o resultado apresentado (Laudo e Certificado emitidos) e será averiguada, se necessário, com uma nova amostra e análise do produto, caso o lote em questão se mantenha inalterado nos aspectos qualitativos e quantitativos.
9.5. Do Certificado de Classificação deverão constar, além das informações estabelecidas no Regulamento Técnico específico, as seguintes indicações:
9.5.1. Discriminação dos resultados de cada análise efetuada e dos percentuais encontrados para cada determinação de qualidade do abacaxi, estabelecidos no item 5 deste Regulamento, bem como as informações conclusivas (enquadramento em grupo, subgrupo, classe ou calibre e categoria), que serão transcritos do seu respectivo laudo de classificação.
9.5.2. Os motivos que determinaram a classificação do produto como Fora de Categoria.
9.5.3. Os motivos que determinaram a desclassificação do produto.
9.5.4. As percentagens de cada uma das classes ou calibre.
10. Armazenagem e Meios de Transporte
10.1. Os estabelecimentos destinados à armazenagem do abacaxi e os meios de transporte devem oferecer plena segurança e condições técnicas imprescindíveis à sua perfeita conservação, respeitada a legislação específica em vigor.
11. Fraude
11.1. Considerar-se-á fraude toda a alteração dolosa, de qualquer ordem ou natureza, praticada na classificação, no acondicionamento, no transporte e na armazenagem, bem como nos documentos de qualidade do produto.
11.2. Será também considerada fraude a comercialização do abacaxi em desacordo com o estabelecido neste Regulamento.
12. Roteiro de classificação do abacaxi
12.1. Coletar a amostra de acordo com as Tabelas 4 e 5 deste Regulamento.
12.2. Obtenção da amostra de trabalho.
12.3. Das embalagens retiradas ao acaso, coletar proporcionalmente 25 (vinte e cinco) abacaxis, também ao acaso, para formar amostra de trabalho.
12.3.1. O cálculo dos percentuais de defeitos será efetuado por meio da relação entre o número de infrutescências com defeito e o número de infrutescências amostradas.
12.4. A amostra deverá ser devolvida ao interessado, inclusive a de trabalho, quando solicitada.
12.4.1. O classificador/inspetor não será obrigado a recompor ou ressarcir as infrutescências porventura danificadas em função da execução da classificação.
12.5. Em se tratando da comercialização do abacaxi no varejo, quando embalado, independentemente do peso ou tamanho do volume, a tomada de amostra no lote dar-se-á também de acordo com a Tabela 4, e todos os volumes amostrados serão analisados. E, neste caso, o cálculo dos percentuais de defeitos, porventura encontrados, será efetuado por meio da relação entre o peso das infrutescências com defeitos e o peso das infrutescências amostradas.
12.6. No caso do abacaxi a granel comercializado no varejo, retirar 25 (vinte e cinco) infrutescências ao acaso para constituir a amostra de trabalho. Quando o lote for inferior a 25 (vinte e cinco) infrutescências, o próprio lote constituir-se-á na amostra. E, neste caso, a determinação dos percentuais de defeitos será feita pela relação entre o número de infrutescências com defeitos e o número de infrutescências amostradas.
12.7. Quando a amostra for coletada e enviada pelo interessado, deverão ser observados os mesmos critérios e procedimentos de amostragem previstos neste Regulamento, visando garantir a identificação da mesma com o lote ou volume do qual se originou, sendo o coletador o responsável legal pela sua representatividade.
12.8. Para determinação da classe, pesar, no mínimo, 10% (dez por cento) da amostra de trabalho.
12.9. Verificar o grau Brix, de, no mínimo, 10% (dez por cento) da amostra coletada.
12.10. Recompor a amostra e proceder à identificação dos defeitos.
12.11. Para enquadramento do abacaxi em suas respectivas categorias, considerar os defeitos graves isoladamente, o seu total, assim como o total de defeitos leves, com base nas tolerâncias máximas estabelecidas na Tabela 3 deste Regulamento.
12.12. Enquadrar o produto na categoria.
12.13. Constar do Certificado de Classificação os motivos que levaram o produto a se enquadrar como Fora de Categoria ou Desclassificado;
12.14. Carimbar o laudo e Certificado de Classificação com o nome do classificador e o número do registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, datar e assinar.
12.15. O interessado terá direito a questionar administrativamente o resultado apresentado da validação do serviço de classificação, para o que terá um prazo máximo de 24 (vinte e quatro) horas, contadas a partir da emissão do Certificado de Classificação. Neste caso, procede-se a uma nova amostragem e análise, se o lote em questão se mantiver inalterado nos aspectos qualitativos e quantitativos.
13. Disposições gerais
13.1. Será de competência exclusiva do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento resolver os casos omissos porventura surgidos na utilização do presente Regulamento.
Os frutos são pequenos, vermelho-escuros ou amarelo-pálidos, arredondados ou ovóides. A planta pode chegar até a 30 m de altura, mas usualmente é menor, com muitos ramos e copa densa, folhas simples, inteiras, com cerca de 10 cm, verdes. As flores são masculinas ou femininas, ocorrem em plantas diferentes e em racemos. As flores femininas são maiores, a princípio verde-claras e depois rosadas. Distribuída da Índia ao Ceilão, até o norte da Austrália. Adapta-se a vários tipos de solos e altitudes até de mil metros. Há outras espécies de Antidesma, A. laciniatum, A madagascariense, A. membranaceum, A. venosum, todas nativas na África e têm polpa comestível. Na Índia, há duas outras espécies de Antidesma, A. acuminatum e A. menasu, ambas com frutos comestíveis e que recebem o nome de paniheloch ou kumbyang. O fruto pode ser utilizado em saladas com outros frutos, ou para preparar um molho chamado rujak. A casca tem valor medicinal, pelos alcalóides que contém, e as folhas novas podem ser usadas para preparo de lalab.
Frutos esféricos de até 0,8 cm com um tom de vermelho escuro. Dá em grandes cachos, o que produz como efeito visual uma das árvores frutíferas mais formosas que existem.
Usos: Fruto Comestível consumido ao natural ou sob forma de geléias e doces. Na Ásia é muito famoso o VINHO feito desta fruta. Na Indonésia as folhas são consumidas como vegetais! As flores tem muita fragrância, o que somado ao maravilhoso aspecto da árvore com os cachos das frutas, lhe dá um grande valor como ornamental.
Cultivo: De muito fácil cultivo, cresce bem em clima tropical e subtropical. Árvore dióica, se recomenda plantar várias mudas para obter melhor frutificação.
Nativa: India, Sri Lanka, Filipinas, Indonesia e Norte de Australia
Família: Euphorbiaceae
Mais informações: Dependendo da poda e do material genético, pode ser uma árvore pequena (3 a 8 metros) ou grande (15/30 metros). Normalmente dióica, 2 ou mais mudas para ter frutiificação.
Esta publicação atende à grande demanda por conhecimentos e tecnologias, expressa cotidianamente por experientes e novos agricultores envolvidos e interessados no desenvolvimento do agronegócio do abacaxi, com base nos princípios de preservação ambiental e autossustentabilidade da atividade.
Este livro abrange o que existe de mais atual no manejo fitotécnico do abacaxizeiro, principalmente no que se refere aos aspectos climáticos, solos, adubação, controle de plantas infestantes, irrigação, melhoramento genético de cultivares, controle da época de produção, fitossanidade, colheita e pós-colheita/aproveitamento industrial, exploração da soca, finalizando com informações sobre rendimento e comercialização.
Perguntas e Respostas: Abacaxi
VARIEDADES E CARACTERÍSTICAS DA PLANTA
1. Quais as variedades de abacaxi mais plantadas no Brasil?
As variedades de abacaxi mais plantadas no Brasil são: Pérola e Smooth Cayenne. Outra variedade plantada em menor escala é a ‘Jupi’.
2. Quais são as principais características da variedade Pérola?
As principais características da variedade Pérola são:
a) Folhas com espinhos nos bordos;
b) Pedúnculo longo (mais ou menos 35 cm);
c) Fruto de forma cônica, pesando em torno de 1.700g;
d) Polpa branca ou creme, no ponto de maturação aparente.
3. Existem variedades de abacaxi resistentes à fusariose?
Tem-se identificado diversas variedades de abacaxi resistentes à fusariose no Brasil, a exemplo de Perolera, Primavera, Roxo de Tefé, Alto Turi etc.
CLIMA E SOLO
4. Até que ponto o abacaxizeiro é resistente à seca? Qual a quantidade de chuva mais apropriada ao seu cultivo?
O abacaxizeiro é uma planta que resiste bem à seca para sobrevivência, mas para ser cultivado com finalidade comercial/econômica recomendam-se áreas onde as chuvas atinjam de 1.000 a 1.500 mm anuais, de preferência bem distribuídos ao longo dos meses. Abaixo de 1.000 mm deve-se usar irrigação.
5. Qual a temperatura recomendada para o cultivo do abacaxizeiro?
A faixa ótima de temperatura para o crescimento e desenvolvimento do abacaxizeiro (folhas e raízes) está entre 22o C e 32o C. O abacaxizeiro pode suportar temperaturas fora dessa faixa (mais de 40o C e menos de 5o C), mas não por períodos longos.
6. Qual o solo mais indicado para cultivo de abacaxi?
O abacaxizeiro requer solo bem drenado, arejado, não alcalino ou neutro, de preferência com pH entre 4,5 e 5,5, de textura arenosa a franco-argilosa, com teor de matéria orgânica superior a 1% e com fertilidade química variável.
MANEJO DE MUDAS
7. Quais são os tipos de mudas mais utilizados na implantação de um abacaxizal?
A muda mais empregada no plantio da cv. Pérola é a do tipo filhote ou muda de cacho. E no plantio da variedade Smooth Cayenne é a muda do tipo rebentão, que é uma brotação do caule da planta.
8. O que é "ceva" e qual a sua finalidade?
É a permanência das mudas aderidas à planta-mãe para continuarem crescendo e atingirem o tamanho mínimo de 30 cm, adequado para o plantio, o que poderá ocorrer de um a seis e dois a doze meses para brotações dos tipos filhote e rebentão, respectivamente.
9. O que é a cura e qual a sua finalidade?
A cura consiste na exposição das mudas ao sol, com a base virada para cima, sobre as próprias plantas-mãe ou espalhando-as sobre o solo em um local próximo ao do plantio, por uma a duas semanas. Tem como finalidade a cicatrização dos tecidos lesionados; a eliminação do excesso de umidade, evitando o apodrecimento após o plantio; a redução do nível de infestação por cochonilhas; e contribuir para aumentar a eficiência da seleção visual, no tocante à sanidade das mudas.
PLANTIO E CULTURAS INTERCALARES
10. Como deve ser escolhida uma área para plantio da cultura do abacaxi?
Na exploração econômica do abacaxizeiro, além dos aspectos técnicos, deve-se considerar outros fatores relevantes e estratégicos para o sucesso do empreendimento, relacionados à localização da área. Assim, as áreas devem ter estradas para facilitar o acesso e o escoamento da produção, com fontes de água nas proximidades e não ser distantes dos mercados consumidores. A existência de agroindústrias na região é, também, um fator favorável.
11. Qual é a época mais adequada para se plantar o abacaxizeiro?
Em geral, recomenda-se que o plantio do abacaxizeiro seja feito entre o final do período seco e início do chuvoso. Entretanto, o plantio pode ser efetuado durante todos os meses do ano, desde que haja umidade no solo ou condições de irrigação e disponibilidade de mudas sadias. Deve-se evitar, porém, os períodos de chuvas intensas, devido a dificuldades de manejo do solo e problemas fitossanitários.
Na escolha da época de plantio deve-se levar em conta a época em que se deseja comercializar a produção, atentando-se para a demanda e preço do fruto.
12. Quais os sistemas de plantio (espaçamentos e densidades) mais indicados para a cultura do abacaxi?
O plantio do abacaxizeiro pode ser feito em filas simples e duplas, neste último caso com as plantas alternadas nas fileiras. Deve-se dar preferência aos espaçamentos menores (maiores densidades), principalmente com as variedades/cultivares de folhas sem espinhos, em cultivos irrigados e com frutos destinados à indústria de sucos.
Os espaçamentos recomendados para o abacaxi são os seguintes:
Tipo de Plantio
Distâncias entre filas e plantas (m)
Plantas ha-1
Fila simples
0,80 x 0,30
41.600
0,90 x 0,30
37.000
0,90 x 0,35
31.700
Fila dupla
0,90 x 0,40 x 0,35
44.000
0,90 x 0,40 x 0,40
38.400
1,00 x 0,40 x 0,40
35.700
1,20 x 0,40 x 0,40
31.250
13. Como são abertas as covas para plantio das mudas de abacaxizeiro?
Após um preparo adequado do solo, as covas são abertas manualmente, com enxada ou enxadeta, ou mecanicamente, com coveadeira puxada por trator. Entretanto, o plantio pode ser feito, também, em sulcos, abertos com sulcador, que são preferidos para plantios maiores.
14. Como deve ser feito o plantio das mudas de abacaxizeiro?
Após uma rigorosa seleção, as mudas são distribuídas ao logo das linhas de plantio. Em seguida, segura-se a muda verticalmente dentro da cova ou sulco e coloca-se terra em volta da mesma, para que fique firmemente enterrada até, no máximo, 1/3 do seu tamanho. Deve-se evitar que caia terra no centro da roseta foliar da muda.
15. O cultivo do abacaxizeiro pode ser consorciado com outras culturas?
Sim. A consorciação do abacaxizeiro com outras plantas é prática comum, principalmente entre pequenos produtores, devido à escassez de terras para cultivo. NO entanto, a consorciação deve restringir-se aos primeiros quatro a seis meses do ciclo da cultura do abacaxi.
16. Quais as culturas que podem ser consorciadas com o abacaxizeiro?
Em geral, são usadas culturas alimentares (de subsistência) e de ciclo curto, tais como: feijão (Phaseolus e Vigna), amendoim, mandioca, quiabo, tomate, pimentão, repolho, couve e outras comuns às regiões produtoras.
17. O abacaxizeiro pode ser cultivado com outras plantas de ciclo longo, arbustivas ou arbóreas?
Sim. O abacaxizeiro pode ser a cultura secundária, plantado em consorciação com abacate, manga, citros, coco, café, guaraná e outras, servindo como renda adicional para o agricultor, além da cultura principal.
CONTROLE DO MATO
18. O abacaxizeiro se ressente da concorrência do mato?
Sim, muito, o mato lhe tira água, nutrientes e luz, o que exige que o abacaxizal deve ser mantido no "limpo" , sobretudo durante os primeiros meses após o plantio.
19. Quais são os principais métodos de controle do mato na cultura do abacaxi?
Capinas manuais, sempre com o cuidado de se chegar terra para os abacaxizeiros;
Capinas mecânicas, usando-se cultivadores à tração animal, sobretudo durante os primeiros meses após o plantio;
Cobertura morta nas entrelinhas da plantação, usando-se materiais disponíveis na propriedade (palhas diversas, folhas de abacaxizais velhos etc.);
Aplicação de herbicidas seletivos para a cultura do abacaxi. Estes podem controlar o mato eficientemente por dois a quatro meses. Recorrer à orientação técnica para a aplicação correta dos herbicidas, pois doses baixas não têm eficiência e doses altas podem causar danos às plantas.
ADUBAÇÃO
20. O abacaxizeiro necessita de adubações?
Sim, trata-se de planta bastante exigente em nutrientes, sobretudo em nitrogênio (N), potássio (K) e magnésio (Mg), o que requer a realização de três adubações ao longo do ciclo, em geral feitas no segundo mês (NPK), quinto ou sexto mês (NK) e oitavo ou nono mês (NK) após o plantio.
21. Quais os adubos mais usados?
A uréia e o sulfato de amônio (N), o superfosfato simples ou triplo (P) e o cloreto de potássio.
22. Quais as doses usadas na adubação do abacaxizeiro?
Estas são variáveis em função do suprimento de nutrientes pelo solo (determinado pela análise do solo antes da implantação da cultura) e as exigências em relação à qualidade dos frutos, inclusive a sua resistência ao transporte que deve ser maior no caso dos frutos se destinarem a mercados distantes. Em geral, as doses totais (ciclo) variam de 6 a 10 g por planta para o nitrogênio, 1 a 4 g por planta para o fósforo e de 4 a 15 g por planta para o potássio.
23. Como é feita a aplicação dos adubos?
Em geral, os adubos são aplicados sob a forma sólida, sendo colocados no solo rente às plantas na primeira adubação, enquanto que nas demais aplicações os adubos podem ser dirigidos às folhas mais baixas das plantas. È fundamental não atingir o "olho" da planta com os adubos, pois isto pode causar danos sérios por queima.
Em plantios grandes, mecanizados, os adubos podem também ser aplicados via pulverização foliar, dissolvidos em água; neste caso, o número de aplicações deve ser maior, correspondendo a três a quatro aplicações foliares para cada adubação sólida.
24. E como é fornecido o magnésio às plantas?
O magnésio pode ser fornecido mediante a aplicação de calcário dolomítico antes do plantio, termofosfatos magnesianos no sulco ou cova de plantio e aplicação foliar de sulfato de magnésio a 2%,sendo esta última a melhor opção para períodos secos e de alta insolação.
CONTROLE DA FLORAÇÃO
25. Em que épocas do ano ocorre a floração natural do abacaxizeiro?
A ocorrência da floração natural do abacaxizeiro varia de região para região, em função dos fatores ambientais/climáticos.
26. Quais os fatores do clima que mais favorecem a floração natural do abacaxizeiro?
A temperatura e o fotoperíodo (comprimento do dia). A floração natural do abacaxizeiro ocorre na época do ano em que as temperaturas tornam-se baixas, principalmente a noturna (<>o C), e os dias ficam mais curtos.
Nas regiões onde o fotoperíodo e as temperaturas são relativamente constantes, a floração natural do abacaxizeiro ocorre em função da diminuição da radiação solar e do aumento da nebulosidade.
27. A duração do período que vai do plantio à colheita do abacaxizeiro depende de que?
A duração do ciclo da cultura do abacaxi depende, principalmente, do tipo e do peso ou tamanho da muda e da época de plantio. Não se deve esquecer, porém, dos efeitos do clima e dos tratos culturais sobre as plantas durante o cultivo.
28. Como se pode evitar a floração natural na cultura do abacaxi?
A floração natural do abacaxizeiro pode ser evitada adotando-se as seguintes medidas:
Plantar mudas que atinjam um tamanho adequado à produção de frutos com valor comercial, antes ou no início da época favorável à diferenciação floral natural;
Usar mudas que consigam atravessar a época de indução natural, sem terem atingido um tamanhosuficiente para responder aos estímulos naturais da floração;
Efetuar um manejo da cultura visando tornar as plantas menos sensíveis à floração natural;
Realizar o tratamento de indução artificial para se antecipar aos estímulos naturais da floração.
29. Como é feito o tratamento de indução artificial da floração na cultura do abacaxi?
A indução artificial da floração na cultura do abacaxi é feita com o uso de substâncias químicas apropriadas, em geral, reguladores do crescimento vegetal ou fitorreguladores.
30. Qual o objetivo da indução artificial na cultura do abacaxi?
A finalidade do tratamento de indução artificial do abacaxizeiro é antecipar e uniformizar a floração e facilitar a colheita do fruto, permitindo a concentração da safra em época favorável à comercialização da produção.
31. Quais são os produtos usados para induzir a floração do abacaxizeiro?
Os produtos mais usados no Brasil para antecipar a floração do abacaxizeiro, atualmente, são o carbureto de cálcio e o ethephon (ácido 2-cloroetil fosfônico).
32. Como são aplicados os fitorreguladores para antecipar a floração na cultura do abacaxi?
O modo de aplicação dos produtos usados para induzir a floração do abacaxizeiro varia em função do fitorregulador. Eles podem ser pulverizados sobre a planta ou aplicados diretamente no centro da roseta foliar, na quantidade de, aproximadamente, 50 mL da solução por planta.
33. Como é feita a aplicação do carbureto de cálcio para a indução da floração na cultura do abacaxi?
O carbureto de cálcio pode ser aplicado de duas formas: sólida e líquida. Na forma sólida (granulado), coloca-se 0,5 a 1,0 g/planta, no centro da roseta foliar, na qual deve ter água para dissolver o produto. Na forma líquida, em uma vasilha com tampa (balde ou pulverizador costal), com capacidade para 20 litros, colocam-se 12 litros de água limpa e fria e adicionam-se 50-60 g do carbureto (pedra); fecha-se bem a vasilha e espera-se o produto dissolver totalmente (até acabar o chiado da reação); passa-se então a solução para um pulverizador costal, sem bico, e faz-se a aplicação imediatamente. No caso de querer-se preparar um maior volume da solução, pode-se usar um tonel com tampa e quantidades proporcionais dos produtos citados.
34. Como é preparada a solução com o ethephon para antecipar a floração do abacaxizeiro?
A solução com o ethephon é preparada com base em 10 a 20 mL do produto comercial para 20 litros de água, mais 400 g de uréia (2 %) e 7 g de cal de pintura (hidróxido de cálcio).
35. Quando se deve realizar o tratamento de indução floral na cultura do abacaxi?
A aplicação deve ser feita quando o abacaxizeiro atinge um tamanho suficiente para produzir um fruto de valor comercial. Na prática, a aplicação é efetuada em plantas com uma altura de, no mínimo, 80 cm, com idade entre 10 e 12 meses (que pode variar com o manejo e desenvolvimento da planta), ou então, quando a folha mais comprida ("D") atingir, também, um mínimo de 80 cm de comprimento ou 80 g de peso fresco.
A indução floral de plantas pequenas, com poucas folhas, resulta na produção de frutos também pequenos, o que reduz o rendimento da cultura e a renda do produtor.
36. Qual o melhor período do dia (hora) para aplicação do tratamento de indução floral na cultura do abacaxi?
A aplicação dos produtos deve ser feita, de preferência, à noite, ou então, de manhã cedo (até 9 h), ou no final da tarde. Os dias nublados também favorecem a aplicação. Deve-se evitar as horas quentes do dia para não diminuir a eficiência do tratamento.
Deve-se ter o devido cuidado na aplicação dos fitorreguladores, principalmente em relação às concentrações e épocas, a fim de se evitar danos às plantas e frutos.
37. O abacaxizeiro pode ser cultivado sem o tratamento de antecipação da floração?
Sim, no caso de pequenas propriedades ou plantios, cuja produção de frutos seja destinada ao comércio local ou venda direta em feiras livres.
DOENÇAS
38. Quais são sa doenças mais importantes da cultura do abacaxi?
São a fusariose ou gomose ou resinose, causada pelo Fusarium subglutinans, que causa perdas de plantas, mudas e frutos, e a "murcha do abacaxi", causada pelo Vírus associado com a murcha do abacaxi ("Pineapple mealybug associated virus", PMWaV).
39. Como a fusariose se dissemina?
Ela se dissemina através de mudas contaminadas de uma propriedade para outra e de uma região para outra, e mediante insetos, beija-flores, respingos de chuva e o vento, de uma planta para a outra.
40. Quais são as medidas de controle da fusariose?
Efetuar uma seleção rigorosa do material de plantio, evitando-se o emprego de mudas provenientes de plantios com incidência elevada de fusariose, descartando-se todas as mudas com sintomas visíveis ou mesmo com apenas suspeitas de contaminação;
Realizar a cura das mudas para a expressão de sintomas externos em mudas contaminadas, facilitando o seu descarte;
Treinar pessoal para reconhecimento visual e eliminação, via queima ou enterrio, das plantas com sintomas da fusariose, ao longo do ciclo da cultura;
Erradicar as plantações velhas de abacaxi, assim como plantas isoladas;
Pulverização semanal de fungicidas específicos sobre as inflorescências, desde o aparecimento destas nos "olhos" das plantas até o fechamento das últimas flores, ou cobrir cada inflorescência com saco de papel impermeabilizado, sendo esta última uma alternativa adequada para pequenas produções;
Cultivar variedade resistente à fusariose.
41. Como é transmitido o Vírus associado com a murcha do abacaxi?
O vírus é transmitido de uma planta de abacaxizeiro para outra, por meio das cochonilhas Dysmicoccus brevipes. Mudas infectadas com o vírus são formas de disseminar o vírus a longas distâncias e de manter o vírus em uma determinada área.
42. Se o Vírus associado com a murcha do abacaxi é transmitido por cochonilhas, então a aplicação de inseticidas ajuda a controlar esta virose?
Sim. Mas, além de controlar as cochonilhas vetoras, Dysmicoccus brevipes, é importante controlar as formigas doceiras, pois são elas que disseminam as ninfas da cochonilha, e utilizar, também, mudas livres de vírus para os novos plantios.
43. Quais são as medidas gerais para controle da murcha do abacaxizeiro?
Utilizar mudas sadias na implantação do pomar;
Realizar a cura das mudas e/ou o tratamento químico das mudas para reduzir a população de cochonilhas presentes;
Treinar pessoal para reconhecimento visual das plantas com sintomas de viroses, no início da ocorrência, eliminando as plantas com sintomas de murcha;
Erradicar as plantações velhas de abacaxizeiro, assim como plantas isoladas;
Realizar o controle de formigas e da cochonilha na área de plantio e redondezas;
O tratamento das mudas por imersão em água quente (50 º C/30 minutos) tem propiciado a obtenção de mudas livres de vírus.
PRAGAS
44. Quais são as principais pragas do abacaxizeiro?
As pragas de maior incidência na cultura do abacaxi no Brasil são a broca do-fruto, a broca-do-talo e o ácaro alaranjado ou ácaro plano da base das folhas, além da cochonilha associada à virose, conforme acima mencionado.
A primeira é uma pequena borboleta (Thecla basalides), cuja larva abre galerias no interior da inflorescência, resultando em danos nos frutos.
A segunda é uma mariposa grande (Castnia icarus), cuja larva branco-amarelada, e também grande, ataca os tecidos do caule da planta, abrindo galerias no seu interior, além de causar a morte do "olho" da planta.
O ácaro (Dolichotetranychus floridanus) incide nos tecidos brancos (sem clorofila) da base das folhas, tanto em mudas como em plantas jovens e adultas, causando danos, em geral, superficiais.
45. Quais as principais medidas de controle destas pragas?
No caso da broca-do-fruto aplicam-se inseticidas fosforados ou carbamatos, com jato dirigido às inflorescências, desde o seu surgimento no "olho" das plantas até o fechamento das últimas flores. Em áreas infestadas são necessárias três a quatro pulverizações em intervalos de 7 a 10 dias.
No caso da broca-do-talo, uma vez constatada a sua presença, o plantio deve ser monitorado para a detecção de plantas atacadas, as quais devem ser arrancadas e a larva localizada e eliminada. A aplicação de inseticidas não tem eficácia satisfatória no controle desta praga.
O ácaro é normalmente controlado pelos mesmos inseticidas usados para o combate à cochonilha, pois estes têm também efeito acaricida, não exigindo medidas de controle específicas.
COLHEITA E PÓS-COLHEITA
46. Como se classifica o abacaxi para comercialização?
Conforme a coloração da casca, o abacaxi é classificado em verdoso (todos os frutilhos verdes), pintado (centro dos frutilhos amarelados ou até 25% da casca amarela), colorido (com até 50% da casca amarela) e amarelo (mais de 50% da casca amarela).
Quanto ao peso do fruto há quatro classes para frutos da cultivar Pérola:
Classe
Peso do Fruto (g)
1
900 a 1.200
2
1.201 a 1.500
3
1.501 a 1.800
4
acima de 1.800
E seis classes para frutos da cultivar Smooth Cayenne:
Classe
Peso do Fruto (g)
1
900 a 1.200
2
1.201 a 1.500
3
1.501 a 1.800
4
1.800 a .2.100
5
2.101 a 2.400
6
acima de 2.400
47. Quando o abacaxi deve ser colhido e quais as condições para a boa conservação do fruto?
O abacaxi somente deve ser colhido a partir do estádio "de vez" (início de amarelecimento da casca), com teores de açucares igual ou superior a 12 oBrix e de acidez entre 5,5% a 12%. Para uma boa conservação, o fruto deve ser armazenado em câmaras frigoríficas, com umidade mínima de 85% e temperatura de 8 a 12 oC. Recomenda-se a realização de, pelo menos, duas renovações de ar por semana.
48. É possível a exploração de um segundo ciclo (soca) da cultura do abacaxi?
Sim, as brotações do caule (rebentões), se mantidas na planta, se desenvolvem e formam frutos, em geral dentro de 12 a 14 meses após a colheita do primeiro fruto. No entanto, a soca só deve ser explorada do ponto de vista econômico, se o abacaxizal apresentar bom estado de sanidade, com plantas de bom vigor e boa uniformidade na emissão dos rebentões.
49. Quais os principais produtos processados de abacaxi?
No Brasil, o abacaxi é mais consumido como fruta fresca, embora esta seja a segunda fruta mais industrializada no mundo. O principal produto industrializado do abacaxi é a compota. Cerca de 50% do abacaxi destinado à industrialização é processado desta forma. O abacaxi pode também ser processado a outros produtos, como suco (simples e concentrado), "crush", geléia e fruta cristalizada.
50. Como podem ser aproveitados os resíduos do processamento de compota e suco de abacaxi?
Os resíduos da industrialização do abacaxi, constituídos pelos talos, coroas e cascas, correspondem de 30% a 40% do peso total da matéria-prima (fruto). Esses resíduos podem ser aproveitados para a produção de álcool etílico, ácidos cítrico, málico e ascórbico, bromelina e ração para animais.