terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Tratos Culturais na cultura da Banana



A realização das práticas culturais de forma correta e na época adequada é de fundamental importância para o bom desenvolvimento e produção da bananeira. As principais são

Capina
O controle de plantas daninhas em um cultivo de bananeira recém-estabelecido é de grande importância para assegurar um bom desenvolvimento e produção da primeira colheita. É recomendável eliminar as plantas daninhas antes da germinação dos rizomas. Os cinco primeiros meses de instalação do bananal é o período mais sensível à competição das plantas daninhas.
Os processos recomendados para a manutenção da cultura no limpo são: a) capinas com auxilio de enxada; b) aplicação de herbicidas; c) estabelecimento de cobertura de leguminosas; e d) roçagem e coroamento. O manejo correto das plantas daninhas pode ser observado no item 10.

Desbaste
Esta prática consiste em se selecionar um dos filhos na touceira, eliminando-se os demais. Os filhos podem começar a surgir a partir dos 45 a 60 dias após o plantio. Selecionar, preferencialmente, brotos profundos, vigorosos e separados 15 a 20 cm da planta mãe.
Em cada ciclo de produção do bananal estabelecido em espaçamentos convencionais deve-se conduzir a touceira com mãe e um filho. A seleção do neto deve ocorrer quando a planta-mãe está para ser colhida.
O desbaste é feito cortando-se, com penado ou facão, a parte aérea do filho ou neto rente ao solo. Em seguida extrai-se a gema apical ou ponto de crescimento com a lurdinha. Pode-se também optar pelo simples corte das brotações, que neste caso teriam que ser realizadas 3 a 4 vezes, para impedir o crescimento.

Desfolha
Consiste em eliminar as folhas secas que não mais exercem função para a bananeira, bem como todas aquelas que embora ainda verdes possam interferir no desenvolvimento normal do fruto. O número de operações dependerá da necessidade.

Eliminação da ráquis masculina (“coração”)
A eliminação do coração da bananeira proporciona aumento do peso do cacho, melhora a sua qualidade e acelera a maturação dos frutos; reduz os danos por tombamento das bananeiras, além de ser uma prática fitossanitária no controle do moko .
A eliminação da ráquis masculina deve ser feita duas semanas após a emissão da última penca, mediante a sua quebra ou corte efetuado 10 a 15 cm abaixo desta penca.

Ensacamento do cacho
Esta prática tem as seguintes vantagens: 1) Aumenta a velocidade de crescimento dos frutos, ao manter em sua volta uma temperatura mais alta e constante; 2) evita o ataque de pragas como a abelha arapuá e trips sp.; 3) melhora a aparência e qualidade da fruta, ao reduzir os danos provocados por arranhões e pelas queimaduras no pericarpo em conseqüência da fricção de folhas dobradas. Nos cultivos em que os cachos são ensacados, deve-se realizar esta prática juntamente com a da eliminação da ráquis masculina, a fim de auferir as vantagens do ensacamento por tempo mais longo.
Escoramento
Pode ser feito utilizando escora de madeira ou fios. A escora pode ser vara de bambu ou de outra madeira. Recomenda-se também o uso de fios de prolipropileno, que é amarrado preferencialmente no engaço junto à roseta foliar e na base de uma outra planta que, pela sua localização, confira maior sustentabilidade à planta com cacho. O fio de polipropileno apresenta boa durabilidade (até a colheita do cacho), baixo custo e fácil manejo.

Corte do pseudocaule após a colheita
Do ponto de vista prático e econômico o mais aconselhável é o corte do pseudocaule próximo ao solo, imediatamente após a colheita do cacho, pelas seguintes razões: a) evita que o pseudocaule, não cortado, promova a ocorrência de doenças; b) acelera a melhoria das propriedades físicas e químicas do solo, graças à rápida e eficiente incorporação e distribuição dos resíduos da colheita; e c) reduz custos com a realização de um único corte.

Tratos culturais são operações realizadas na cultura da bananeira com o objetivo de proporcionar o maior rendimento economicamente viável. Abaixo são descritos os principais tratos culturais adotados no cultivo da bananeira.

Capina
A eliminação das plantas daninhas é necessária tendo em vista que as bananeiras devem crescer e produzir sem a concorrência de plantas indesejáveis. O controle em cultivo de bananeira recém estabelecido assegura bom desenvolvimento e produção da primeira colheita. Os cinco primeiros meses após a instalação do bananal é o período mais sensível à competição com as plantas daninhas. Além da concorrência, algumas plantas daninhas são hospedeiras de pragas e moléstias (principalmente vírus), que podem causar prejuízos econômicos à cultura. A virose mosaico do pepino CMV, por exemplo, tem como plantas hospedeiras, já catalogadas, mais de 850 espécies. Essas plantas podem perfeitamente transmitir essa virose para as bananeiras. A presença de plantas daninhas atrasa o desenvolvimento do bananal, diminui o vigor das plantas, reduz o tamanho do cacho, dificulta os tratos fitossanitários, as adubações e o deslocamento de operários dentro da cultura. O controle pode ser feito por via mecânica (máquinas e ferramentas), química (herbicidas) ou “mulching” (cobertura morta).
Os herbicidas mais usados no controle de ervas daninhas são glifosato ou paraquat. O glifosato tem seu modo de ação sistêmica e o paraquat ação localizada. A dosagem recomendada do glifosato pode variar de 100 a 150 ml do produto comercial por bomba com tanque de 20 litros d´agua + espalhante adesivo + redutor de pH + 100 gramas de uréia. As dosagens de espalhante adesivo e redutor de pH devem ser de acordo com as recomendações dos fabricantes. É recomendável usar o redutor de pH nas caldas de pulverizações dos defensivos agrícolas na região do Submédio São Francisco. pois normalmente o pH da água na região varia de 7,3 a 8,0 e o pH da calda deve estar em torno de 5,5.

Desbaste
Esta prática consiste em manter a densidade ótima de plantas na área, impedindo a competição entre plantas numa mesma touceira e entre touceiras vizinhas. Existem diferentes maneiras de se fazer o desbaste do excesso de brotos na touceira. Em cada ciclo de produção do bananal estabelecido em espaçamentos convencionais deve-se conduzir a touceira com uma mãe, um filho e um neto. A seleção do neto deve ocorrer quando a planta-mãe estiver para ser colhida, selecionando, preferencialmente, brotos netos, profundos, vigorosos e diretamente ligadas à planta filha. O manejo correto da desbrota visa deixar na unidade de produção ou touceira três plantas dependentes entre si ligadas por seus rizomas na seqüência da mais velha para a mais nova ( Fig.1).

Outro fator a ser observado na escolha do filho ou neto é o seu posicionamento. Em cultivos irrigados por aspersão convencional o posicionamento do filho ou neto não é importante, porque neste sistema a água espalha-se por toda área de cultivo. Já nos cultivos irrigados por microaspersão ou gotejamento deve-se observar a localização correta dos filhos e netos. Nesses casos, os filhos e netos devem estar posicionados na mesma direção da linha de plantio e paralelamente às linhas de gotejadores ou microaspersores. É importante destacar que se deve escolher o mesmo sentido de orientação dos filhos e netos para todas as touceiras da fileira. O objetivo da orientação do posicionamento dos brotos é impedir que o deslocamento da touceira se dê na direção das linhas de gotejadores ou microaspersores.
O desbaste é feito cortando-se, com penado ou facão, a parte aérea do broto a ser eliminado rente ao solo. Em seguida extrai-se a gema apical ou ponto de crescimento com a "lurdinha" – Figura 2. O desbaste também poderá ser realizado com uma cavadeira com lâmina de corte plana e afiada.

Desfolha
Consiste em eliminar as folhas velhas que não mais exercem função fotossintética para a bananeira, bem como todas aquelas que, embora, ainda verdes possam danificar o fruto pelo atrito provocado pelo vento. Também devem ser eliminadas folhas danificadas por doenças foliares e, principalmente, aquelas que estejam quebradas no pecíolo (folhas caídas).

Escoramento
O escoramento da bananeira na região do vale São Francisco, normalmente, é necessário para as cultivares do subgrupo cavendish (“banana d`água", "casca verde”) e "Prata-Ãnã". Nas cultivares de porte alto como da cultivar “Pacovan” o escoramento é oneroso e pouco eficiente.  O escoramento pode ser feito utilizando escora de madeira, bambu ou fita plástica. Na região é utilizada a estaca da inflorescência de sisal. O escoramento utilizando fita de polipropileno é utilizado nos bananais de Santa Catarina e São Paulo. A fita é amarrada preferencialmente na base do engaço junto à roseta foliar e na base de uma outra planta que, pela sua localização, confira maior sustentabilidade à planta que se quer escorar. O fio de polipropileno apresenta boa durabilidade (até a retirada do cacho), baixo custo e fácil manejo.

Corte do pseudocaule após a colheita
Do ponto de vista prático e econômico o mais aconselhável é o corte do pseudocaule rente ao solo, após a colheita do cacho. Nas cultivares do subgrupo cavendish “casca verde", "nanica" ou "banana d`agua” recomenda-se deixar o pseudocaule por 60 dias após a colheita do cacho. Trabalhos conduzidos com corte do pseudocaule nas cultivares de cavendish resultaram na recomendação de manter o pseudocaule da planta colhida por dois meses e cortá-lo após este tempo. As translocações da seiva da “mãe” para “filho” ocorrem neste período (MANICA, 1999).
A retirada do pseudocaule após a colheita antecipa a sua decomposição e promove rápida cicatrização no rizoma diminuindo o abrigo e ataque do moleque-da-bananeira. Na execução desta operação, é boa prática abrir o pseudocaule no sentido do seu comprimento, em duas partes, de cima para baixo, com uma foice ou penado. Posteriormente, o pseudocaule será retalhado em pedaços de 40 a 50 cm de comprimento, até chegar ao rizoma. Fazendo-se este retalhamento no pseudacule, estando ele ainda em pé, evita-se ocasionais acidentes com operários e é uma maneira mais fácil realizar a operação.

Os pedaços de pseudocaule, quando no solo, devem ficar com sua parte interior voltada para cima. Isto acelera a sua decomposição e evita que, eventualmente, a broca e a traça-das-bananeiras venham aí se alimentar.
Os restos de pseudocaule, folhas e engaço formarão uma rica camada de matéria orgânica, com elevada porcentagem de nutrientes, que poderão ser rapidamente absorvidos pelas bananeiras. É uma forma de se reciclar os fertilizantes aplicados, principalmente os fosfatos naturais que, assim como os demais nutrientes que aí se encontram, já estão totalmente solúveis. Além disso, eles se transformarão em uma excelente cobertura morta -“mulching”- ajudando a manter o solo mais úmido.

Eliminação de pencas e da falsa penca
A última penca do cacho é, em geral, defeituosa e formada por frutos muito curtos e por isso são descartadas durante a embalagem em caixas. A sua eliminação é uma técnica de manejo do cacho que, para ser adotada necessita levar em conta as exigências dos mercados compradores. A comercialização é feita em cachos, uma prática que não justifica ser feita. Entretanto, nas comercializações feitas em caixas, onde os frutos devem ser melhor apresentadas, isto é válido  mais ainda, quando as pencas são separadas em buquês.
As múltiplas pesquisas feitas sobre este assunto indicam que ao se eliminar todas os frutos em flor, da última penca da inflorescência, exceto uma, faz-se com que as bananas das demais  pencas tenham aumento de tamanho e amadurecimento mais rápido.
O objetivo da conservação deste único fruto é manter a seiva circulando pelo engaço, que, ao alimentar este fruto, faz com que ele permaneça vivo até este ponto. Isto dificulta o desenvolvimento de fungos (Botryodiplodia theobromae,Ceratocystis paradoxaGloesporium musarumThielaviopsis paradoxa, e outros).
A retirada dos frutos em flor da penca é feita manualmente, torcendo-se uma a uma, de modo a romper o seu pedúnculo, junto à almofada. Pode-se ainda cortar o pedúnculo das flores  com uma lâmina afiada (faquinha) ou serrando-o com um cordão feito de fios de náilon trançados (com 1,5 mm de diâmetro e com mais ou menos 50 cm de comprimento).
Para se obter as vantagens que esta prática proporciona, ela deve ser realizada  simultaneamente com a eliminação do "coração" ou "mangará", ou seja, por volta do 15° ao 20° dia depois da abertura da última penca de flores. Recomenda-se a retirada só da última penca, porém, nos cachos pequenos e fracos, assim como naqueles com mais de 12 pencas, deve-se eliminar as duas últimas. Com esta prática espera-se que as pencas remanescentes tenham um melhor desenvolvimento e, conseqüentemente, uma melhor apresentação. Além disso, tem sido verificado que as perdas que se têm com a eliminação das pencas, são compensadas, em parte, com o aumento de peso que as demais passarão a ter.
Quando a eliminação das últimas pencas é realizada em cachos bem formados procura-se abreviar a colheita e também uniformizar a idade fisiológica dos frutos das primeiras e das últimas pencas, além de se obter os benefícios já citados acima.

Eliminação do “coração" ou "mangará"
A eliminação do botão floral de flores masculinas “coração" ou "mangará” tem o objetivo  de sinalizar para a planta que sua fase reprodutiva já acabou, deste modo, a planta passa a priorizar o desenvolvimento do cacho.
A retirada do "coração" acelera o processo de crescimento ou “enchimento” dos frutos, abreviando o tempo de colheita. Esta eliminação aumenta um pouco o comprimento dos frutos das últimas pencas e ainda se consegue um ganho no peso do cacho. Esse ganho é real, porém, o aumento de produção relatada por diversos autores é variável entre 3 a 5 %. Para que se obtenha esse ganho, a eliminação do "coração" tem que ser feita quando o cacho ainda estiver em processo de abertura de floral.
A eliminação do "coração" deve ser feita quebrando-se a ráquis -"ponta do engaço"- bem junto a ele, por volta do 15° ao 20° dia, após a abertura da última penca de flor feminina, ocasião em que ela se volta para o alto, indicando que estão se transformando em frutos. Nessa ocasião, a  ráquis estará com  comprimento de 20 a 25 cm.
O pedaço da ráquis remanescente ficará sem circulação de seiva e com isto poderá haver o desenvolvimento de um processo de infecção, causado pela entrada de fungos oportunistas (Botryodiplodia theobromaeCeratocystis paradoxaGloesporiummusarumThielaviopsis paradoxa, e outros) que penetram no tecido interno, por meio da superfície que ficou exposta. Esse pedaço da ráquis deixado juntamente com o fruto na última penca proporcionarão os benefícios esperados.
Em regiões muito úmidas, para evitar que essas infecções fúngicas ocorram na ráquis, torna-se necessário aspergir ou banhar essa parte com fungicida logo após a eliminação do "coração". O fungicida pode ser a base de cobre ou de ação sistêmica. Outra forma de se evitar esse problema é imergir a ponta da ráquis do cacho em um recipiente contendo uma solução de água clorada a 0,05%, por alguns segundos.
A retirada do "mangará" contribui ainda para a diminuição das populações do trips, em especial, do Chaetanaphothrips spp. e do Frankliniella spp. A eliminação deve ser feita manualmente, sempre que possível. Deve-se evitar o uso de ferramentas (fação ou foice bifurcada) para o corte da extremidade da ráquis, pois tem-se verificado que elas propiciam maior velocidade no desenvolvimento de doenças oportunistas.
Um método prático de se fazer esta operação é segurar a extremidade com uma mão de modo que ela fique entre a último fruto e o "coração" e com a outra mão movimentar o "coração" para provocar o rompimento. Entretanto, em bananeiras de porte alto, nem sempre é possível realizar esta operação. Na cultivar ‘Pacovan’. por exemplo, essa prática não é recomendada.

Ensacamento de cachos
O ensacamento do cacho não é uma prática realizada na região do Submédio São Franscisco. O uso do saco tem a finalidade de proteger a fruta dos ataques de predadores, trips, fungos e até mesmo das visitas de insetos como mariposa, traça-das-bananeiras ou irapuás (transmissores da bactéria do moko). Ele também reduz o ataque das lesmas, dos pássaros e dos morcegos, principalmente durante o inverno, quando há falta de alimentos para esses animais, que chegam a se alimentar de frutos ainda bem verdes. Além disso, o ensacamento também evita que as cobras venham a se aninhar nos cachos.
Além dessas proteções físicas contra danos de parasitos, animais, morcegos, e ainda os mecânicos, como as chuvas de pedras e o atrito causado pelo roçar das folhas, o ensacamento também pode ser usado, nas regiões onde há ocorrência de baixas temperaturas, com a finalidade de manter o cacho com melhor equilíbrio térmico.
O ensacamento feito com polietileno de cor mais escura, tendendo para preto dá ao cacho uma maior proteção contra o frio, porém provoca o aparecimento de frutos com uma coloração verde apagado.
Várias pesquisas evidenciaram que o uso de sacos de coloração azulada e semi-opacos são os mais indicados nos bananais com densidade de l.500 a 2.500 touceiras/ha, quando cultivados em regiões com insolação de l.000 a 2.000 lux (horas de luz/ano queimada no heliógrafo). Se a densidade é menor e ou a insolação é maior a tonalidade do saco deve ser mais escura para evitar queimamentos. Porém, se as condições são inversas, ela deve ser mais suave, podendo-se até mesmo ser usado sacos incolores.
Trabalhos realizados no Instituto Agronômico de Campinas, usando tubos não perfurados incolores, azulados, amarelados, verdes, vermelhos e preto evidenciaram que as únicas cores não interferiram na coloração dos frutos foram as duas primeiras. Verificou-se ainda um aumento da temperatura com a utilização de sacos preto (+1,8ºC) e vermelho (+1,2ºC), em comparação com os incolores. Esta temperatura foi medida próxima aos frutos da segunda penca do cacho. As demais cores exerceram pouca influência.
Os resultados de pesquisas feitas no sentido de se determinar os valores exatos dos dados citados, têm demonstrado que eles variam, dentro dos parâmetros apresentados a depender da região e a cultivar estudada.
Em bananais pouco adensados ou nas plantas localizadas ao longo dos carreadores, o ensacamento feito com polietileno opaco azulado evita que as frutas se queimem com os raios solares. Na falta deste material pode-se embrulhar o cacho com papel jornal e depois ensacar com bolsas incolores, mas é uma medida que tem algumas implicações. Se o ensacamento não for feito com a finalidade de evitar o frio, os sacos deverão ter a espessura de 0,05 a 0,08 mm e ter furos de 5 a 10 mm a cada 80 a 100 mm, em ambas as direções. Se o ensacamento for feito para proteger o cacho das baixas temperaturas, ele deverá ser mais espesso, até 0,13 ou 0,15 mm. Neste caso, o saco não deverá conter furos. Seu uso com essa finalidade depende em parte do custo de aquisição e da mão-de-obra.
Quanto às dimensões da bolsa, elas variam de 80 a 120 cm de largura por 150 a 160 cm de comprimento, dependendo, obviamente, da cultivar plantada. Em alguns países que utilizam o ensacamento como rotina, os sacos são comercializados em rolos, que são cortados no bananal, de acordo com o comprimento do cacho, ficando o mesmo maior que a extremidade final da ráquis masculina, após a eliminação do "coração" e das últimas pencas.
A época de se realizar o ensacamento depende dos objetivos. Se a finalidade é proteger a fruta contra ataques da traça-das-bananeiras por exemplo, o ensacamento deve ser feito quando o botão floral emerge e ainda não abriu a bráctea da primeira penca; se for apenas evitar atritos, ganhar aumento de peso ou mesmo melhorar sua aparência, pode ser feita logo depois da despistilagem; se é para proteger a fruta de baixas temperaturas deve ser feita apenas no período de abril a setembro, tão logo as primeiras brácteas comecem a se soltar; se antecipar a colheita, o ensacamento deve ser feito como se fora para proteger a fruta contra a traça-das-bananeiras; se já houve uma queda de granizo e a planta ficou com poucas folhas, deve-se cobrir o cacho com jornal para em seguida ensacá-lo.
As bolsas podem conter inseticidas ou fungicidas no seu interior, como medida preventiva, ou não.
O tubo deve ser amarrado no engaço (cabo) do cacho, em uma posição tal que seja, no mínimo, 10 a 15 cm mais alto que a extremidade distal dos frutos da primeira penca. Esta amarração pode ser feita dando-se um nó nas pontas do tubo. Este sistema apresenta o inconveniente de não se conseguir uma perfeita amarração, possibilitando que o tubo escorregue pelo engaço e se deposite no interior da primeira penca. Esta posição permite um acúmulo de água de chuva ou de irrigação, que pode causar manchas nessa penca, pela aderência do plástico no fruto. Além disso, em bananeiras com  poucas folhas, os raios solares, ao incidirem na água acumulada, podem provocar queimaduras nessas frutas. Para evitar esse problema, deve-se usar um fitilho de plástico para amarrar firmemente o tubo de polietileno no engaço. Esse fitilho de diversas cores identifica a época em que se fez a eliminação das pencas, a quebra do "coração" e o ensacamento.
Em bananais com cultivares de porte médio onde haja boa densidade de cachos, um operário faz, em média, 300 ensacamentos por dia e se há poucos cachos sua produção é, em média, de 170 cachos/dia, pois ele tem caminhar mais para realizar o mesmo trabalho de ensacamento.







quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Plantio do Bananal


Planejamento do bananal 

Planejamento do bananal

    Essa etapa antecede todas as demais e deve ser exercitada pelo produtor para estudar os diversos aspectos da sua atividade. É importante conhecer a fundo os problemas dos tabuleiros e avaliar as chances de sucesso do empreendimento. Como já referido, a bananicultura é viável nesse ecossistema, porém devem ser adotadas estratégias próprias de condução do bananal para que não haja problemas no fornecimento de água e nutrientes. A escolha da variedade envolve estudo prévio do mercado consumidor, devendo-se dar preferência àquela que, além de demandada, possua características favoráveis em termos de porte, produtividade e resistência a pragas e doenças. A escolha da área para plantio deve incluir observações criteriosas a respeito das características de solo, como fertilidade, textura, profundidade, drenagem e topografia e, com relação à irrigação, deve-se avaliar a quantidade e a qualidade da água disponível e os custos envolvidos para instalação e manutenção dos equipamentos.

Época de plantio

    O plantio poderá ser realizado em qualquer época do ano, desde que a área cultivada seja irrigada. Em condições de sequeiro, o plantio deverá ocorrer no início das chuvas, para garantir o desenvolvimento inicial das plantas em período com maior disponibilidade de água. Sempre que possível, deverá ser adotada a prática de cobertura morta, utilizando-se resíduos de baixo custo ou produzindo resíduos vegetais especificamente para esse fim. Essa estratégia deverá ser adotada até que a produção de resíduos do próprio bananal seja suficiente para promover conservação de umidade que atenda as necessidades das plantas. O plantio deverá ser escalonado, para haver produção de frutos por todo o ano.

Configurações e densidades de plantio

    A seleção da configuração de plantio (arranjo do espaçamento entre as plantas) deverá ser feita com base no clima, porte da variedade, condições de luminosidade, fertilidade do solo, relevo do terreno e nível tecnológico a ser utilizado na implantação do bananal. Nos tabuleiros, em sistemas irrigados, é recomendável o sistema em fileiras duplas devido ao melhor aproveitamento da área e melhor arranjo do sistema de irrigação (Fig. 1). Aliado a isso, esse sistema permite melhor aproveitamento dos restos culturais das bananeiras, garantindo, assim, a conservação da umidade e redução da perda de água por evaporação. Para as cultivares de porte baixo (Nanica e Prata Anã) recomenda-se a configuração de plantio de 4,0 x 2,0 x 2,0 m, para as de porte médio (FHIA 18 e Nanicão) 4,0 x 2,0 x 2,5 m e para as de porte alto (Terra, Prata e Pacovan) 4,0 x 2,0 x 3,0 m. Em fileira simples os espaçamentos recomendados são 2,5 x 2,5 m; 3,0 x 2,0 m e 3,0 x 3,0 m para as variedades de porte baixo, médio e alto, respectivamente.
    Com base nas equações apresentadas a seguir e nas legendas da Fig. 1 é possível calcular a área ocupada pela planta (Ap) e a densidade de plantio por hectare (Dp), de bananais.

                                                                    



Plantio 

    Caso o solo apresente problemas claros de adensamento (coesão) será necessário avaliar a possibilidade de realização de subsolagem antes do plantio, dando assim melhores condições para as plantas durante a fase inicial de crescimento. Esta prática objetiva proporcionar melhor aeração e drenagem do solo e assegurar boas condições para o desenvolvimento do sistema radicular. Vale ressaltar, no entanto, que os estudos de subsolagem com bananeira, em solos de tabuleiro, ainda são poucos, apesar dos bons resultados que se têm obtido com outras fruteiras.
    Nos solos planos a suave ondulados dos tabuleiros, o sulcamento é mais indicado do que o coveamento, uma vez que permite maior rendimento de serviço, sendo possível abrir mais de 1000 covas por hora. Na abertura dos sulcos deve-se utilizar sulcador de uma só linha, leve (120 kg), que tenha asas removíveis, reguláveis e capacidade de penetração de seu bico no solo, sem as asas, de no mínimo 40 cm. Ao final da operação, o sulco deverá ter uma profundidade de 30 cm. Os sulcos devem ser abertos na direção nascente-poente para que a emissão do primeiro cacho se posicione nas entrelinhas, facilitando, posteriormente, a colheita e a escolha do seguidor.
    As mudas micropropagadas, que são mais recomendadas para utilização em plantios intensivos com irrigação, depois de climatizadas por um período de 45 a 60 dias, deverão ser levadas para o local de plantio e retiradas cuidadosamente do recipiente que as contém, para não danificar as raízes, após o que, serão distribuídas no sulco sobre a terra misturada com adubo orgânico e fertilizante fosfatado.
    As mudas procedentes de viveiros ou de bananal sadio (chifrinho, chifre ou chifrão) devem ser plantadas colocando numa mesma área mudas do mesmo tamanho. Após o plantio, deve-se colocar 5 a 10 cm de terra solta sobre o pseudocaule, para evitar que os tecidos sejam danificados pela exposição direta da luz solar.

Planejamento do Bananal

Nesta etapa, o produtor deve prever e analisar alguns aspectos relevantes à sua atividade como, o acesso à propriedade durante o ano todo, o rápido escoamento da produção, a topografia da área de produção, a eficiência dos sistemas de irrigação e/ou drenagem, a qualidade da água e, a escolha de cultivares demandadas pelo mercado.

A construção de estradas e carreadores interligando as sub-áreas de produção possibilita o tráfego de veículos, máquinas e implementos agrícolas que facilitam operações rotineiras como o escoamento da produção, a aplicação de defensivos, a distribuição de fertilizantes e a colheita.

Época de plantio

O plantio pode ser realizado em qualquer época do ano, desde que as chuvas sejam bem distribuídas ou que a área cultivada seja irrigada. Em condições de sequeiro, o plantio deve ocorrer após o período de maior concentração de chuvas, uma vez que as necessidades de água para o cultivo da bananeira são menores nos três primeiros meses após o plantio. O plantio deve ser escalonado para que haja produção durante todo o ano.

Espaçamento e densidade de plantio

Os espaçamentos utilizados para o cultivo da banana estão relacionados com o clima, o porte da cultivar, as condições de luminosidade, a fertilidade do solo, a topografia do terreno e o nível tecnológico dos cultivos. Nas regiões produtoras de banana do Brasil, os espaçamentos mais praticados estão descritos na Tabela 2.

Tabela 2. Espaçamentos para diferentes cultivares, em função do porte.
Porte
Cultivares
Espaçamento (m)
Baixo a médio
FHIA 18
2,0 x 2,0; 2,5 x 2,0; 2,5 x 2,5; 3,0 x 3,0; 3,0 x 2,0 x 2,0 e 4,0 x 2,0 x 2,0.
Médio a alto
Thap Maeo, FHIA 1, FHIA 02 AM e Caipira.
3,0 x 2,0; 3,0 x 2,5; 3,0 x 3,0 e  4,0 x 2,0 x 2,5.
Alto
Prata Ken, Prata Zulu
3,0 x 3,0; 4,0 x 2,0; 4,0 x 3,0 e 4,0 x 2,0 x 3,0.

Coveamento

Em áreas não mecanizáveis, as covas são abertas manualmente, com cavador e/ou enxadas, nas dimensões mínimas de 40 cm x 40 cm x 40 cm.

Plantio e replantio

A muda deve ser posicionada no centro da cova adubada, colocando-se em seguida a terra removida, pressionando-a bem para evitar que a água de chuva ou irrigação acumulada possa, depois do plantio, ocasionar o apodrecimento da muda.
As mudas micropropagadas, após climatizadas por um período de 45 a 60 dias, são levadas para o local de plantio, em época de alta umidade, a fim de facilitar o seu estabelecimento. Devem ser retiradas cuidadosamente do recipiente que as contém, para não danificar as raízes, e distribuídas no centro das covas, sobre a terra misturada, com adubo orgânico e fertilizante fosfatado, fechando-se a cova.
O plantio de mudas procedentes de viveiros ou de bananal sadio (mudas convencionais) é feito de acordo com os tipos (chifrinho, chifre e chifrão), os quais devem ser plantados nesta ordem, colocando numa mesma área, mudas do mesmo tamanho. Após o plantio, coloca-se 5 a 10 cm de terra solta sobre o pseudocaule, evitando-se que os tecidos sejam danificados pela exposição direta da luz solar.





segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Irrigação na Bananeira


Métodos

Nas condições semi-áridas de Petrolina - Juazeiro os métodos pressurizados: aspersão, microaspersão, miniaspersão e gotejamento são os mais recomendados.
O método da aspersão é o que molha completamente todo o solo (área molhada de 100%) e quando usado, os aspersores devem ficar a 1 m do solo, com ângulo de inclinação no máximo de 7 graus.
No caso da microaspersão, usar um microaspersor de vazão superior a 45 L/h, para quatro plantas, preferencialmente dispostas em fileiras duplas.
No caso do gotejamento, deve-se usar pelo menos dois gotejadores por planta, preferencialmente em faixa continua. É o sistema de menor área molhada, dificulta a mineralização da mateira orgânica por não molhar a superfície do solo e requer fertirrigação podendo portanto não ter o resultado dos sistemas anteriores.

Quantidade de água necessária

A demanda de água pela bananeira em seu primeiro ciclo inicia-se com 45% da evapotranspiração potencial nos primeiros 70 dias, elevando-se para 85% da evapotranspiração potencial aos 210 dias (fase de formação dos frutos) e atingindo um máximo de 110% da evapotranspiração potencial aos 300 dias.
A Tabela 3 sugere volumes de água a serem aplicados conforme o estágio da planta e conforme o período do ano. Esses valores devem servir de base para irrigação, mas devem ser ajustados localmente conforme a necessidade.

Tabela 3. Sugestões para aplicação de água em litros por planta por dia para condições semi-áridas.
Meses após o plantio
Periodo do ano
1 a 2
5 a 8
9 a 12
Janeiro - abril
13
25
36
Maio - julho
10
20
28
Agosto - setembro
11
22
30
Outubro-dezembro
16
30
42

Manejo da irrigação

Os níveis de tensão de água do solo recomendados para a bananeira situam-se entre 0,25 atm a 0,45 atm, para camadas superficiais do solo (até 0,25 m) e entre 0,35 atm até 0,50 atm, para profundidade próxima de 0,40 m. Se optar pelo uso de tensiômetros para monitorar a disponibilidade de água no solo, recomenda-se instalá-los em quatro baterias por hectare, sendo cada bateria composta por dois tensiômetros à profundidades entre 0,20 m e 0,40 m e distância de 0,30 a 0,40 m da planta em direção ao microaspersor.
Em se utilizando a evaporação do tanque classe A para estimar a demanda de água pela bananeira, deve-se multiplicar a leitura do tanque por por 0,85 a 1,0 para as condições do Polo Petrolina - Juazeiro.

Freqüência de irrigação

A irrigação por aspersão em solos franco-arenosos e arenosos pode ser feita em intervalos máximos de 5 dias em regiões semi-áridas podendo-se estender para 7 dias em caso de solos argilosos.
A irrigação localizada, deve ser feita em intervalo de um dia e pelo menos duas vezes por dia em solos arenosos (areia franca e areia).

Introdução

A bananeira é uma planta exigente em água e sua produtividade tende a aumentar linearmente com a transpiração, sendo que esta, por sua vez, depende da disponibilidade de água no solo, a qual poder ser controlada pela irrigação.
O uso da irrigação induz a aumentos na produtividade da cultura em, pelo menos, 40%, em comparação com a situação sem irrigação nas áreas onde já está implantada, permitindo o aumento das áreas de produção, inclusive na região semi-árida do Nordeste.
Os métodos pressurizados: aspersão, microaspersão e gotejamento são os mais utilizados. O método da aspersão molha completamente a área. Na irrigação por microaspersão, pode-se usar um ou dois microaspersores por planta ou, em plantio em fileiras duplas, um microaspersor para duas ou quatro plantas. Na irrigação por gotejamento, molha-se menor porcentagem da área. Este é o sistema de irrigação que necessita de menor volume de água e maior eficiência. A irrigação localizada (microaspersão e gotejamento) possibilita o uso da fertirrigação.

Métodos de irrigação
O método de irrigação a ser utilizado depende das condições do solo, clima, topografia, suprimento hídrico disponível e aporte tecnológico do produtor. No Nordeste brasileiro, é crescente a utilização de áreas irrigadas por microaspersão. A irrigação por aspersão convencional apresenta eficiência entre 70% e 90%, quando comparada à irrigação por sulcos; maior facilidade de manejo no campo, além de poder ser utilizada nos mais diversos tipos de solos e de topografia do terreno. Entretanto, apresenta, como desvantagens, um maior custo inicial de investimento em equipamentos, favorece uma maior infestação de plantas daninhas na área de cultivo, já que toda a superfície do solo é irrigada. Isto pode ser positivo em termos do desenvolvimento das raízes; entretanto, a área molhada de 100% pode ser uma das causas da proliferação de doenças fúngicas. Em regiões sujeitas a ventos fortes e constantes, baixa umidade relativa do ar e altas temperaturas, não se deve optar pelo sistema de aspersão sobre-copa, pelas significativas perdas de água por evaporação e arrastamento das gotas, o que torna o sistema pouco eficiente para a bananeira. Como alternativa, deve-se optar pela irrigação sub-copa. O impacto do jato da água do aspersor com o pseudocaule, apesar de não provocar lesões, afeta o coeficiente de uniformidade de distribuição e, conseqüentemente, a eficiência da irrigação.
A irrigação localizada apresenta maior eficiência relativa (85% a 95%), quando comparada com os demais métodos. A principal desvantagem desse sistema é o elevado custo inicial de investimento, em especial em relação à irrigação por sulcos.
O número de emissores por cova depende do espaçamento de plantio, do tipo de solo e, mais precisamente, do tamanho do bulbo molhado formado pelo gotejador. Quando a cultura é plantada em espaçamentos mais adensados, pode-se optar pelo gotejamento em faixa, com uma linha lateral por fileira de planta e gotejadores espaçados entre 0,30 m, para solos de texturas arenosa, e 0,50 m, para solos de textura média e argilosa. No caso de espaçamentos maiores, pode-se dispensar o uso do gotejamento em faixas e adotar dois gotejadores por cova. O método da irrigação localizada, pela maior eficiência e menor consumo de água e energia, tem sido o mais recomendado, principalmente em regiões onde o fator água é limitante. Entre os sistemas de microaspersão e gotejamento, o primeiro gera maior área molhada, permitindo um maior desenvolvimento das raízes. No caso da microaspersão, devem ser usados microaspersores de vazões superiores a 45 L/h, para quatro plantas, de forma que se obtenha maiores áreas molhadas. No uso do gotejamento, deve-se atentar para o número e disposição dos gotejadores, de forma a estabelecer-se uma área molhada propícia ao desenvolvimento das raízes. Os gotejadores podem ser instalados em uma ou duas linhas laterais por fileira de plantas, de modo a prover uma faixa molhada contínua ao longo da linha lateral. Isso reduz o problema de possíveis incompatibilidades da localização dos gotejadores em relação à localização do pseudocaule, o qual muda a cada ciclo.
A utilização da irrigação localizada tem sido preferida pelos agricultores em decorrência das suas vantagens em relação aos demais sistemas de irrigação, apesar de o seu custo de implantação ser maior inicialmente. Neste sistema, além do aumento da eficiência da aplicação de água, podem-se aplicar fertilizantes via água com baixos custos operacional e de manutenção. A aplicação de fertilizantes via água de irrigação é uma prática empregada na agricultura irrigada, constituindo-se no meio mais eficiente de nutrição, pois combina os elementos essenciais para o crescimento, desenvolvimento e produção das plantas: água e nutrientes, possibilitando maior parcelamento dos nutrientes e a redução dos custos com mão-de-obra para aplicação desses nutrientes. Por permitir maior parcelamento dos fertilizantes, é possível manter a disponibilidade dos nutrientes na solução do solo próximo aos níveis adequados, minimizando as perdas de nutrientes por lixiviação, notadamente, o nitrogênio.

Necessidades hídricas
A demanda de água pela bananeira em seu primeiro ciclo inicia-se com 45% da evapotranspiração potencial nos primeiros 70 dias, elevando-se para 85% da evapotranspiração potencial aos 210 dias (fase de formação dos frutos) e atingindo um máximo de 110% da evapotranspiração potencial aos 300 dias.
Necessidade hídrica é a quantidade de água requerida pela cultura durante o seu ciclo fenológico, de modo a não limitar o seu crescimento, o seu desenvolvimento e a sua produção, sob as condições climáticas locais. É a quantidade de água necessária para atender à evapotranspiração da cultura e, se necessário, a lixiviação do solo.

Manejo técnico de irrigação
Define-se manejo técnico de irrigação como a forma de aplicação de procedimentos técnicos, utilizando-se os mais diferentes métodos e equipamentos possíveis, visando unicamente atender à demanda hídrica da cultura, no momento adequado, sem preocupação com a viabilidade econômica dessa prática.
Em qualquer dos métodos de irrigação adotados, o manejo "técnico" da água (quando e quanto irrigar) poderá ser efetuado pela utilização de instrumentos simples como tensiômetros, que expressam a "força" com que a água está retida pelo solo e permitem estimar indiretamente a quantidade atual de água no solo, tanques evaporimétricos como o "Classe A", cujas medições possibilitam estimar a demanda evapotranspirativa da cultura, permitindo o cálculo da lâmina de irrigação a ser aplicada ao longo do ciclo da cultura. O uso de estações metereológicas automáticas também permite determinar a evapotranspiração da cultura..
Para maximizar a produtividade de frutos, as irrigações devem ser realizadas quando a tensão de água no solo estiver entre 25 e 50 kPa, sendo o menor valor para os estádios mais críticos ao déficit hídrico e/ou para irrigação por sulcos. Para gotejamento, especialmente em solos de texturas média e arenosa, as irrigações devem ser realizadas em regime de maior freqüência (10 a 20 kPa). Em termos de água disponível no solo, deve-se irrigar quando as plantas consumirem entre 40% e 70% da água total disponível no solo, sendo o menor valor para os estádios mais sensíveis ao déficit de água. No caso de gotejamento, adotar um fator de reposição de água entre 0,3 e 0,35.

Tabela 1. Coeficiente de cultura (Kc) da bananeira em regiões de clima tropical.
Mês
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
Fases
Rebroto
Floração
Colheira
Kc
0,4
0,40
0,45
0,50
0,60
0,70
0,85
1,0
1,1
1,1
0,9
0,8
0,8
0,95
1
Fonte: Coelho, et al. (2003).
Atualmente, é crescente a preocupação com a racionalização do uso da água para fins múltiplos, tais como produção agrícola - irrigação, geração de energia, indústria, consumo humano e animal, notadamente, nas regiões onde os recursos hídricos disponíveis, quer sejam superficiais ou subterrâneos, se encontram praticamente esgotados, em termos qualitativos e quantitativos, pelo menos nas épocas mais críticas do ano.
A prática da irrigação sempre foi tida como a "grande vilã" quando o assunto é uso racional dos recursos hídricos. De certa forma, essa mística é verdadeira, quando se constata que em várias áreas irrigadas, tanto públicas como privadas, não existe um programa de manejo racional da água de irrigação das diversas culturas exploradas e tampouco se verifica uma preocupação técnica com essa situação.
É inquestionável que a definição de estratégias ótimas de irrigação constitui uma ferramenta útil nos processos de planejamento e tomada de decisão em agricultura irrigada. Por suas próprias características, a princípio, os estudos visando à definição de um manejo econômico de irrigação de uma determinada cultura podem parecer pontuais. Isso não poderia deixar de ser diferente, já que as principais variáveis envolvidas no processo, tais como a função de produção água-cultura, preços dos insumos e custo da água de irrigação, são obtidas e/ou determinadas para cada situação específica. Entretanto, esses estudos podem ser perfeitamente regionalizados, desde que essas variáveis possam ser obtidas e/ou consideradas representativas para toda a área de abrangência de um perímetro de irrigação, microbacia hidrográfica ou, até mesmo, região geográfica.
O cálculo da lâmina de irrigação a ser reposta ao solo leva em conta os valores da profundidade efetiva do sistema radicular (mm) e da redução máxima permissível da disponibilidade de água no solo (decimal) sem causar redução significativa (física e econômica) na produtividade da cultura. Sugere-se usar valores para f entre 30% e 35%. Tem-se verificado que mais de 86% da extração de água pelas raízes ocorre até 0,40 m de profundidade, embora o sistema radicular, dependendo do tipo de solo, possa chegar a 2,0 m.
No caso do manejo da irrigação por meio de sensores de água no solo, como o tensiômetro, deve-se manter os níveis de tensão de água no solo entre 25 kPa e 45 kPa, para camadas superficiais do solo (até 0,25 m), e entre 35 kPa até 50 kPa, para a profundidade próxima de 0,40 m.
Um ponto a ser observado é quanto à localização dos sensores no perfil do solo. Essa localização deve estar embasada na distribuição da extração de água no volume molhado do solo, onde se situa o sistema radicular da bananeira, não adiantando instalar sensores de água no solo, onde não há absorção de água ou onde a absorção não seja significativa. Recomenda-se instalar os tensiômetros a profundidades entre 0,20 m e 0,40 m e a distâncias de 0,30 a 0,40 m da planta em direção ao microaspersor, para o caso de um micropersor para quatro plantas.

Fertirrigação
A aplicação de fertilizantes via água de irrigação proporciona o uso mais racional dos fertilizantes na agricultura irrigada, vez que aumenta a eficiência dos mesmos, reduz a mão-de-obra e o custo de energia do sistema de irrigação. Além disso, permite flexibilizar a época de aplicação dos nutrientes, que podem ser fracionados conforme a necessidade da cultura nos seus diversos estádios de desenvolvimento. Os fertilizantes são aplicados diretamente na zona de maior concentração de raízes, onde o sistema radicular é mais ativo.
A fertirrigação adapta-se a qualquer sistema de irrigação pressurizada, seja ele fixo, semi-fixo ou móvel. Porém, para alguns sistemas, a eficiência de uso do fertilizante pode ser maior. A fertirrigação é mais apropriada para sistemas de irrigação localizada devido ao fornecimento de água de maneira direta e contínua na zona radicular das plantas, possibilitando a aplicação do fertilizante onde é requerido e na quantidade correta. Isto economiza fertilizantes, mão-de-obra e mantém a planta com teores ótimos de umidade e nutrição e flexibiliza as operações na área cultivada.
A aplicação de fertilizantes via água de irrigação deve obedecer aos seguintes critérios: uniformidade de vazão do sistema de, pelo menos, 85%, nutrientes completamente solúveis, não reação entre os nutrientes de modo a formar precipitados na solução e nutrientes compatíveis com os sais existentes na água de irrigação.
A boa prática da fertirrigação requer o conhecimento das necessidades nutricionais da cultura nas diversas fases do ciclo e a disponibilidade de nutrientes no solo e na água de irrigação.
O uso da fertirrigação pode aumentar a eficiência de uso dos nutrientes pela bananeira, desde que sejam aplicados conforme a necessidade da cultura em quantidades necessárias para atender à demanda de cada fase do ciclo fenológico da cultura e de forma que na solução do solo não haja excessos que elevem o potencial osmótico ou a salinidade do solo e possibilitem a lixiviação.
No manejo adequado da fertirrigação, o ajuste das quantidades de nutrientes a serem aplicados é muito importante para o bom desenvolvimento e produtividade da cultura. Para isto, o acompanhamento do estado nutricional da cultura, através por meio da diagnose foliar, é necessário. Com os resultados da diagnose foliar e conhecendo os níveis adequados de nutrientes nas folhas, pode-se tomar a decisão de ajustar ou não a adubação.
Na irrigação localizada da bananeira, a aplicação de fertilizantes via água é feita diretamente na zona radicular, próximo do pseudocaule. A fertirrigação com uso do gotejamento diferencia-se da microaspersão, principalmente no período de crescimento vegetativo e de desenvolvimento radicular. Os microaspersores apresentam um perfil de distribuição de água, onde uma parte significativa do total de água aplicada cai no entorno do microaspersor, trazendo consigo boa parte do fertilizante aplicado, já que a concentração do mesmo na água de irrigação tende a ser a mesma em qualquer posição da área molhada pelo emissor.
A adoção da prática da fertirrigação implica em completa mudança no patamar tecnológico e na função de produção, reduz a quantidade de mão-de-obra, possibilita boa uniformidade de distribuição dos nutrientes na área e produtividade, que varia entre duas e quatro vezes, fazendo com que a lucratividade seja equivalente ao processo tradicional de derruba e queima.