segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Variedades de Caju


Atualmente, existem 14 cultivares/clones comerciais de cajueiro registradas no Registro Nacional de Cultivares do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (RNC/Mapa) à disposição dos produtores, sendo 12 delas oriundas dos programas de melhoramento genético da Embrapa. Essas cultivares possuem características diferenciais em relação à região de adaptação; resistência/tolerância a doenças; tamanho e peso da castanha e amêndoa; tamanho, forma, peso, cor e qualidade do pedúnculo e porte da planta, fatores a serem considerados na escolha para o plantio.
A escolha de cultivares de cajueiro para o plantio deve levar em conta aspectos relacionados, fundamentalmente, às condições edafoclimáticas, ao sistema de produção, ao produto comercial (castanha/amêndoa ou pedúnculo) e ao setor de beneficiamento. Considerando que a diversidade de clima e solo interage diferentemente com as plantas interferindo no seu desempenho, o comportamento de uma cultivar pode não ser o mesmo nos diferentes locais. Consequentemente, a indicação de uma cultivar para o plantio em uma região determinada dependerá de avaliações do seu desempenho em condições semelhantes. O correto é testar, no local, diversas alternativas de cultivares para plantio, antes de definir qual a melhor para plantar em maior escala. Algumas características gerais da planta são consideradas desejáveis e devem ser consideradas, para a produção de amêndoa ou pedúnculo: porte baixo a médio (menor que 4 metros de altura); produtividade de castanhas superior a 1.000 kg/ha/ano (produção estabilizada), em regime de sequeiro; peso da castanha acima de 7 g; relação amêndoa/castanha acima de 25%; fácil descastanhamento (separação da castanha do pedúnculo); fácil despeliculagem (retirada da película) da amêndoa; peso do pedúnculo superior a 80 g, boa firmeza e baixo nível de tanino.
Do ponto de vista do sistema de produção, deve-se considerar ainda, o plantio de mais de uma cultivar, objetivando reduzir os riscos de vulnerabilidade ao ataque de pragas e doenças, principalmente. As cultivares escolhidas devem ser plantadas pelo uso de mudas clonais enxertadas, para garantir a qualidade e uniformidade do pomar.
A seguir, são apresentadas as principais características das cultivares de cajueiro da Embrapa:

Cultivar `CCP 06`

Esse clone de cajueiro-anão (também denominado cajueiro-anão-precoce) foi obtido por seleção fenotípica massal, seguida de avaliação clonal, da planta matriz de cajueiro CP 06 (CP significa “cajueiro de Pacajus”). A planta apresenta porte baixo, com altura média de 3,0 m e diâmetro médio de copa de 4,5 m, no sexto ano de idade (fase adulta).
Os indicadores agroindustriais são: peso da castanha de 6,2 g, amêndoa despeliculada de 1,6 g e relação amêndoa/casca de 24,8%. Em cultivo de sequeiro, em espaçamento de 7 m x 7 m, produz até 600 kg/ha de castanhas. O pedúnculo tem peso médio de 76,5 g e coloração amarela.
Atualmente, é cultivada para a obtenção de sementes para produção de porta-enxerto, pois suas sementes possuem alto poder germinativo, possui alta compatibilidade com os genótipos copa e apresenta elevada taxa de plantas aptas ao plantio no campo (Figura 1).
Fotos: João Rodrigues de Paiva
Figura 1. Cajueiro-anão `CCP 06` (à esquerda) e seu fruto apresentando castanha pequena e pedúnculo amarelo (à direita), em Pacajus, CE.

Cultivar `CCP 76`

Clone de cajueiro-anão originado por seleção fenotípica massal, seguida de avaliação clonal, da planta matriz de cajueiro CP 76. A planta apresenta porte baixo, com altura média de 2,7 m e diâmetro médio da copa de 5,0 m.
A produtividade depende do nível de tecnologia adotado, variando de 400 kg/ha a 1.000 kg/ha de castanhas em cultivo de sequeiro, em espaçamento de 7 m x 7 m. Em cultivo irrigado, pode produzir até 2.000 kg/ha de castanha.
Os principais indicadores agroindustriais são peso da castanha de 8,6 g, amêndoa despeliculada de 1,8 g, relação amêndoa/casca de 20,1% e percentagem de amêndoas quebradas no corte de 4,1%.
O pedúnculo é de cor laranja-avermelhada, tem peso médio de 135 g e teor de sólidos solúveis totais de até 12,5 °Brix e acidez titulável de 0,20 a 0,30, com ratio (relação entre estes parâmetros) em torno de 50, o que o torna muito saboroso para os apreciadores de caju. Essas características tornaram o clone o mais cultivado no País, cujo cultivo está voltado principalmente para o mercado de fruta fresca e para a indústria de suco. Quando os pedúnculos são destinados para a indústria, há o aproveitamento da castanha para o mercado da amêndoa.
Esse clone é o que apresenta a maior capacidade de adaptação a diferentes ambientes, ocupando a maior amplitude de agroecossistemas do País (Figura 2).
Fotos: João Rodrigues de Paiva e Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 2. Cajueiro-anão `CCP 76` (à esquerda) e seu fruto apresentando pedúnculo laranja-avermelhado (à direita), em Pacajus, CE (à esquerda) e em Pio IX, PI (à direita).

Cultivar `CCP 09`

Esse clone de cajueiro-anão foi obtido por seleção fenotípica massal, seguida de seleção clonal, a partir da planta matriz de cajueiro CP 09.
A planta apresenta porte baixo, altura média de 3,0 m e diâmetro médio da copa de 6,0 m. A produtividade média no sexto ano, em cultivo de sequeiro, em solos arenosos de baixa fertilidade, é de cerca de 410 kg/ha, em espaçamento de 7 m x 7 m.
Os principais indicadores agroindustriais são: peso da castanha entre 8 g e 9 g; peso da amêndoa despeliculada entre 2,2 g e 2,4 g; relação amêndoa/casca de 27,7% e percentagem de amêndoas quebradas no corte de 9,7%.
O pedúnculo, de cor laranja-avermelhada, tem peso médio de 87 g, teor médio de sólidos solúveis totais de 11,5 °Brix e acidez titulável de 0,38, resultando num ratio de 30, o que torna o pedúnculo aceitável pelos consumidores.
Esse clone é o mais responsivo à irrigação em termos de produção (até 95% a mais na produção de pedúnculo e 76% a mais na produção de castanha), sendo o mais indicado para áreas irrigadas. Nessas condições, os indicadores agroindustriais da castanha também são incrementados.
É um clone recomendado para exploração mista, ou seja, pode-se explorar tanto a produção de castanha como a de pedúnculo (Figura 3).
Fotos: João Rodrigues de Paiva e Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 3. Cajueiro-anão `CCP 09` (à esquerda) e seu fruto apresentando pedúnculo laranja-avermelhado (à direita), em Pacajus, CE.

Cultivar `CCP 1001`

Esse clone de cajueiro-anão foi lançado juntamente com o clone `CCP 09` e teve sua origem da planta matriz de cajueiro CP 1001, no Campo Experimental de Pacajus, CE. A planta tem como características o porte baixo, altura média de 2,8 m e diâmetro médio da copa de 5,0 m no sexto ano de idade. É muito produtivo, podendo alcançar, no sexto ano, 547 kg/ha, em cultivo de sequeiro e no espaçamento de 7 m x 7 m.
Os indicadores agroindustriais médios mostram o peso da castanha de 6,3 g, amêndoa despeliculada de 1,9 g; a relação amêndoa/casca de 28,1% e a percentagem de amêndoas quebradas no corte de 9,5%. O pedúnculo possui peso médio de 84,6 g e coloração vermelha.
Indicado para regiões com elevado déficit hídrico. O cultivo sob irrigação favorece o crescimento das plantas (vegetativo), em detrimento da produção de castanha, mostrando, assim, pouca resposta produtiva em relação à irrigação.
Por ser um clone altamente prolífico, vem sendo bastante utilizado pelo Programa de Melhoramento da Embrapa, na participação de cruzamentos para a obtenção de novas populações. Um detalhe importante é que sua produção ocorre em cachos (Figura 4).
Fotos: Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 4. Cajueiro-anão `CCP 1001` (à esquerda) e seu fruto apresentando pedúnculo vermelho (à direita), em Barreira, CE.

Cultivar `Embrapa 50`

Esse clone de cajueiro-anão foi lançado para o plantio comercial em cultivo de sequeiro, no Estado do Ceará. Foi obtido da seleção dentro de uma progênie híbrida resultante do cruzamento entre os genótipos CP 06 (cajueiro-anão) e CP 07 (cajueiro-comum), seguida de avaliação clonal, no Campo Experimental de Pacajus, CE.
A planta tem porte médio, com altura média de 3,4 m e diâmetro médio da copa de 7,7 m, no sexto ano de idade, sendo recomendado espaçamento mínimo de 8 m x 8 m. Em cultivo de sequeiro, pode produzir até 1.200 kg/ha de castanha e 5.590 kg/ha de pedúnculo, que geralmente é aproveitado apenas na indústria de suco.
O peso da castanha é de 11,2 g; a relação amêndoa/casca, 26,5%; o peso da amêndoa, 2,9 g; a percentagem de amêndoas quebradas no corte, 4,3% e amêndoas inteiras após a despeliculagem, 80%. O pedúnculo é amarelo e pesa, em média, 111 g.
É recomendado, principalmente, para a exploração da castanha (Figura 5).
Fotos: Luiz Augusto Lopes Serrano e Cláudio de Norões Rocha
Figura 5. Cajueiro-anão `Embrapa 50` (à esquerda) e seu fruto apresentando pedúnculo amarelo (à direita), em Pacajus, CE.

Cultivar `Embrapa 51`

Esse clone de cajueiro-anão foi lançado juntamente com o `Embrapa 50`, para plantio comercial em cultivo de sequeiro no Estado do Ceará. Foi obtido do genótipo P500, selecionado num campo de progênies policruzadas de cajueiro-anão, seguido de avaliação clonal no Campo Experimental de Pacajus, CE.
A planta apresenta porte médio, com altura média em torno de 3,0 m e diâmetro médio de copa de 8,0 m, exigindo, assim, espaçamento de plantio mais amplo. Em cultivo de sequeiro, pode produzir entre 1.200 kg/ha e 1.300 kg/ha de castanhas e 8.700 kg/ha de pedúnculo.
É recomendado para exploração de castanha, cujo peso médio é de 10,7 g, e possui peso da amêndoa de 2,6 g. Apresenta relação amêndoa/casca de 24,5%; porcentagem de amêndoas quebradas de 1,3% e porcentagem de amêndoas inteiras após a despeliculagem de 85%. O pedúnculo possui forma piramidal e é vermelho, com peso médio de 104 g.
É recomendado, principalmente, para a exploração da castanha, sendo um dos clones mais cultivados no Nordeste. Além disso, apresenta certa tolerância à resinose (Figura 6).
Fotos: Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 6. Cajueiro-anão `Embrapa 51` (à esquerda) e seu fruto apresentando pedúnculo vermelho (à direita), em Cruz, CE.

Cultivar `BRS 189`

Foi lançada para cultivo sob irrigação no Estado do Ceará. Esse clone de cajueiro-anão foi obtido por seleção fenotípica dentro de uma progênie originada do cruzamento entre os clones de cajueiro-anão `CCP 1001` e `CCP 76`, seguida de avaliação clonal.
A planta apresenta porte baixo e produz, em cultivo irrigado, cerca de 2.000 kg/ha de castanhas e 12.700 kg/ha de pedúnculo.
O peso médio da castanha é de 8,3 g, e o da amêndoa, 2,1 g. A relação amêndoa/castanha está em torno de 26,6%. O pedúnculo é vermelho, de formato piriforme, e peso médio de 155 g. Entre os clones da Embrapa, é um dos que possuem maiores pedúnculos e menores castanhas. Os sólidos solúveis totais alcançam 13,3 ºBrix, a acidez total titulável, 0,40%, o conteúdo de vitamina C, 251,86 mg/100 g de polpa, e o teor de tanino oligomérico, 0,30%, tornando o clone recomendado para o mercado de mesa.
O clone `BRS 189` é recomendado para o cultivo irrigado, embora também possa ser cultivado em regime de sequeiro em regiões onde as chuvas ultrapassam 800 mm anuais (litoral) (Figura 7)
Fotos: Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 7. Cajueiro-anão `BRS 189` (à esquerda) e seu fruto apresentando pedúnculo vermelho (à direita).

Cultivar `BRS 226`

O clone `BRS 226` (Planalto) foi obtido da planta matriz MAP-42, por meio de seleção fenotípica massal, na fazenda Caucaia Agroindustrial S.A. (Capisa), no Município de Pio IX, Piauí, seguida de avaliação clonal na mesma região.
A planta apresenta porte baixo (< 3 metros), sendo resistente às doenças resinose e PPH (podridão preta da haste), as quais vêm causando prejuízos significativos aos cajucultores, sobretudo no Semiárido e no Cerrado, sendo assim recomendado para as áreas com ocorrência dessas enfermidades.
Os indicadores agroindustriais para a castanha recomendam esse clone para o mercado de amêndoa. A castanha possui peso médio de 10,2 g, a amêndoa pesa 2,7 g, a relação amêndoa/castanha está em torno de 22,1%, e a porcentagem de amêndoas inteiras após a despeliculagem é de 86,7%.
O peso médio do pedúnculo, de coloração amarela ou laranja clara, é de 102,6 g, possuindo ainda alto teor de vitamina C (356,13 mg/100 g de polpa). Os sólidos solúveis totais alcançam 13,8 ºBrix, a acidez total titulável, 0,52%, e o teor de tanino oligomérico, 0,80%. Atualmente, os pedúnculos desse clone vêm sendo bem aproveitados pelas indústrias de suco.
Este clone é recomendado para cultivo de sequeiro em ambientes em que as condições de clima e solo sejam semelhantes aos do local de seleção (clima quente, baixa precipitação e solo arenoso e profundo) (Figura 8).
Fotos: João Rodrigues de Paiva e Leto Rocha
Figura 8. Cajueiro-anão `BRS 226` (à esquerda) e seu fruto apresentando pedúnculo laranja-amarelado (à direita).

Cultivar `BRS 253`

Este clone de cajueiro-anão foi lançado para plantio comercial em cultivo de sequeiro. Foi avaliado e selecionado na Região de Ribeira do Pombal, BA. O clone `BRS 253` ou `BRS Bahia 12` se originou da seleção fenotípica da planta matriz de cajueiro-anão (P96D), oriunda de uma progênie policruzada, no Campo Experimental de Pacajus, pertencente à Embrapa Agroindústria Tropical.
As principais características desse clone são o vigor da planta, a alta produtividade de castanhas, a qualidade da amêndoa e o pedúnculo vermelho (Figura 9). Desse modo, é recomendado para a exploração da castanha naquela região.
No quarto ano de avaliação, o clone apresentou as seguintes características: altura de planta – 2,9 m; diâmetro da copa – 7,2 m; produção de castanhas – 800 kg/ha; rendimento industrial – 26,3%; porcentagem de amêndoas duras – 0,70%; amêndoas quebradas – 5,15%; peso médio da castanha – 10,2 g; peso médio da amêndoa – 2,7 g; e peso médio do pedúnculo – 91,3 g.
Fotos: Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 9. Cajueiro-anão `BRS 253` (à esquerda) e seu fruto apresentando pedúnculo vermelho (à direita), em Florânia, RN.

Cultivar `BRS 265`

O clone de cajueiro-anão `BRS 265` (Pacajus) foi resultado da seleção fenotípica dentro de uma progênie policruzada naturalmente, originada do clone de cajueiro-anão `CCP 76`, no Campo Experimental de Pacajus, CE.
Quando comparado aos outros clones de cajueiro-anão, a planta do ‘BRS 265’ apresenta porte médio. A altura média é de 3,6 m no sétimo ano de idade, em cultivo de sequeiro, no Município de Severiano Melo, RN.
Sua castanha apresenta peso médio de 12,5 g, a amêndoa possui 2,6 g e o pedúnculo, de coloração vermelha, 118,2 g. A relação amêndoa/castanha é de 21,26%, apresentando 98% de amêndoas inteiras após a despeliculagem. Os sólidos solúveis totais alcançam 12,9 ºBrix e a acidez total titulável 0,22.
O clone `BRS 265` é recomendado para o plantio de sequeiro nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia e regiões similares aos ambientes onde foi avaliado. Além da castanha, o pedúnculo (pequeno) também pode ser aproveitado para o mercado de mesa (consumo in natura) (Figura 10).
Fotos: João Rodrigues de Paiva e Cláudio de Norões Rocha
Figura 10. Cajueiro-anão `BRS 265` (à esquerda) e seu fruto apresentando pedúnculo vermelho (à direita).

Cultivar `BRS 274`

A Embrapa Agroindústria Tropical, em parceria com a Companhia de Óleos do Nordeste (Cione), lançou o primeiro clone de cajueiro-comum para cultivo em regime de sequeiro.
O clone de cajueiro-comum `BRS 274` ou `BRS Jacaju` originou-se da seleção fenotípica de uma planta matriz de cajueiro-comum, em populações segregantes, na Fazenda Uruanã, de propriedade da Empresa Cione, localizada no Município de Beberibe, CE, seguida da clonagem e avaliação do clone na Fazenda Jacaju, localizada no mesmo município.
Considerando os cajueiros do tipo-comum, as plantas desse clone tem como características o porte médio, com altura de 5,1 m e copa com diâmetro médio de 11,0 m no oitavo ano de idade, em cultivo de sequeiro. Assim, os espaçamentos recomendados são o de 12 m x 10 m, em sistema retangular, com 83 plantas por hectare, ou 11 m x 11 m, em sistema quadrado, com 83 plantas por hectare. O peso médio da castanha é de 16,0 g, o da amêndoa, 3,5 g, e o do pedúnculo, 128,6 g. É a cultivar da Embrapa que apresenta a maior castanha. O pedúnculo possui alto teor de vitamina C (305,53 mg/100 g de polpa).
Esse clone apresenta uma reação intermediária à antracnose e resistência ao mofo preto. Por suas características, é recomendado para exploração da castanha e do pedúnculo para indústria de sucos, em cultivo de sequeiro (Figura 11).
Fotos: João Rodrigues de Paiva e Cláudio de Norões Rocha
Figura 11. Cajueiro-comum `BRS 274` (à esquerda) e seu fruto apresentando pedúnculo alaranjado (à direita).

Cultivar `BRS 275`

Esse clone é um híbrido obtido do cruzamento entre o cajueiro-anão e o cajueiro-comum. Originou-se da seleção fenotípica dentro de uma progênie de polinização controlada, oriunda do cruzamento entre o clone `CCP 1001` (cajueiro-anão) e a planta matriz `CP 12` (cajueiro-comum). Após a seleção entre e dentro de progênies, foi feita a clonagem da planta, para obtenção e avaliação do clone.
As características da planta, em cultivo de sequeiro, no oitavo ano de idade, são: altura média de 5,3 m, diâmetro médio da copa de 9,7 m; peso médio da castanha de 11,4 g; peso médio da amêndoa de 3,1 g e do pedúnculo de 108,0 g. Os sólidos solúveis totais alcançam 12,0 ºBrix, e a acidez total titulável, 0,34%. Por suas características, é recomendada para exploração da castanha e do pedúnculo para a indústria de sucos (Figura 12).
Fotos: João Rodrigues de Paiva e Cláudio de Norões Rocha
Figura 12. Cajueiro `BRS 275` (à esquerda) e seu fruto apresentando pedúnculo alaranjado (à direita).
Todas as informações relativas às cultivares encontram-se resumidas na Tabela 1.
Tabela 1. Resumo das características das cultivares de caju da Embrapa Agroindústria Tropical.
Cultivar
Porte
Produção de castanha
(kg/ha)
PMC
(g)
PMA
(g)
PMP
(g)
SST
(ºBrix)
ATT
(%)

Ratio
Cor do pedúnculo
Aptidão
CCP 06
Baixo
600 (sequeiro)
6,2
1,6
76,5
amarela
Porta-enxerto
CCP 76
Baixo
700 (sequeiro)
 2.000 (irrigado)
8,6
1,8
135,0
12,5
0,25
50
laranja-avermelhada
Mista (castanha e pedúnculo)
CCP 09
Baixo
410 (sequeiro)
720 (irrigado)
8,5
2,3
87,0
11,5
0,38
30
laranja
Mista (castanha e pedúnculo)
CCP 1001
Baixo
547 (sequeiro)
6,3
1,9
84,6
vermelha
Castanha
Embrapa 50
Médio
1.200 (sequeiro)
11,2
2,9
111,0
amarela
Castanha
Embrapa 51
Baixo
1.250 (sequeiro)
10,7
2,6
104,0
vermelha
Castanha
BRS 189
Baixo
1.960 (irrigado)
8,3
2,1
155,4
13,3
0,40
33
vermelha
Pedúnculo
BRS 226
Baixo
470 (sequeiro)
10,2
2,7
102,6
13,8
0,52
28
amarelo-alaranjada
Mista (castanha e pedúnculo – suco)
BRS 253
Baixo
800 (sequeiro)
10,2
2,7
91,3
vermelha
Castanha
BRS 265
Baixo a Médio
654 (sequeiro)
12,5
2,6
118,2
12,9
0,22
58
vermelha
Mista (castanha e pedúnculo)
BRS 274
Médio
1.248 (sequeiro)
16,0
3,5
128,6
laranja
Mista (castanha e pedúnculo – suco)
BRS 275
Médio
1.200 (sequeiro)
11,4
3,1
108,0
12,0
0,34
35
laranja
Mista (castanha e pedúnculo – suco)

Legenda: AP – altura média da planta; DC – diâmetro médio da copa; PMC – peso médio da castanha; PMA – peso médio da amêndoa; PMP – peso médio do pedúnculo; SST – sólidos solúveis totais; ATT – acidez total titulável; Ratio – relação SST/ATT.
Obs.: A cor do pedúnculo pode variar um pouco em decorrência da luminosidade do local de plantio.




quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Aspectos Fenológicos do Cajueiro


A fenologia de uma planta, que é resultante da interação entre genótipo e ambiente, baseia-se nas observações de estádios de desenvolvimento externamente visíveis, denominadas “fenofases”, como, por exemplo, épocas de brotação, florescimento, frutificação, entre outras. O conhecimento da fenologia de uma mesma espécie em diferentes ambientes, além de ser importante na avaliação de suas características genéticas, é de grande utilidade para o planejamento adequado do manejo do pomar (épocas de poda, de controle de pragas e doenças, adubações, etc.).
O cajueiro caracteriza-se por apresentar crescimento vegetativo intermitente, isto é, não contínuo, com períodos de intensa atividade e outros de aparente repouso. A umidade relativa do ar e a intensidade e distribuição das chuvas parecem ser os principais fatores controladores da periodicidade das fenofases do cajueiro, tanto as vegetativas como as reprodutivas.
Quanto aos tipos de cajueiro, o cajueiro-anão apresenta tendência de antecipação do início das fenofases quando comparado ao cajueiro-comum, sendo por isso também denominado como cajueiro-anão-precoce. Contudo, alguns clones de cajueiro-anão podem apresentar comportamento semelhante às plantas de cajueiro-comum.
Consideram-se como as principais fenofases do cajueiro as seguintes:
a) Aparente repouso vegetativo.
b) Queda das folhas.
c) Fluxo foliar, brotação ou crescimento vegetativo.
d) Floração.
e) Frutificação.

Aparente repouso vegetativo

O cajueiro apresenta crescimento intermitente, sendo que, em um determinado período, ocorre reduzido crescimento vegetativo, considerado como um aparente repouso vegetativo (Figura 1).
Fotos: Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 1. Cajueiros dos tipos comum (acima à esquerda) e anão (acima à direita) em aparente repouso vegetativo. As gemas apicais dos ramos permanecem fechadas (abaixo).
No Campo Experimental da Embrapa, em Pacajus, CE, nos meses chuvosos, tanto o cajueiro-anão quanto o cajueiro-comum apresentam escassa ou nenhuma emissão de fluxo de crescimento (brotações novas). No Piauí e no Rio Grande do Norte, também ocorre esse processo no período coincidente com a maior concentração de chuvas, conhecido como quadra chuvosa ou, popularmente, “inverno”.

Queda de folhas

Logo após o período das chuvas mais intensas e do repouso vegetativo do cajueiro, inicia-se um período de acentuada queda de folhas (Figura 2). As plantas não ficam totalmente sem folhas, sendo, por isso, o cajueiro considerado como planta subcaducifólia.
Fotos: Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 2. Cajueiros em época de queda das folhas (à esquerda). A área abaixo da copa do cajueiro fica praticamente coberta pelas folhas que caíram (à direita).
Normalmente, no Nordeste brasileiro, essa queda acentua-se a partir de maio, atingindo picos em julho para o cajueiro-anão e em agosto para o cajueiro-comum. Esse fenômeno pode estar ligado ao preparo da planta para a emissão de novos fluxos foliares, em que a translocação de fotoassimilados e nutrientes das folhas velhas (fonte) para as folhas novas (dreno) constitui-se no fator determinante para o aumento da abscisão foliar.

Fluxo foliar

O fluxo foliar ou nova brotação corresponde ao crescimento vegetativo dos ramos, caracterizado pela retomada de crescimento da gema apical, expansão de internódios e formação simultânea de folhas. Após o término do período chuvoso, as gemas presentes no ápice dos ramos iniciam sua abertura, emitindo novas brotações que darão origem a novos ramos vegetativos e reprodutivos. Essa fase é caracterizada pela presença de folhas novas, de menor tamanho e coloração, variando, entre os genótipos, de verde-claras a marrom-avermelhadas (Figura 3).
O fluxo foliar pode ter seu início influenciado tanto pela pluviosidade (chuva) quanto pela temperatura do ar. A diminuição brusca da pluviosidade e a crescente insolação se apresentam como prováveis fatores que estimulam a brotação das gemas.
Outro fato relevante é que, em alguns genótipos de cajueiro, principalmente de cajueiro-anão, podem ocorrer dois fluxos vegetativos bem definidos, sendo um de grande intensidade, que é observado logo após o período de chuvas mais intensas (coincidindo com o pico de queda de folhas) em junho, e outro de menor intensidade, que ocorre geralmente em novembro, logo após as chuvas esparsas, comuns nesse período, na região Nordeste. Em cultivo irrigado, alguns clones de cajueiro-anão podem emitir fluxos vegetativos continuamente.
Fotos: Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 3.  Ramo com gema apical em repouso (A); ramo com gema apical recém-aberta (B); folhas novas recém-emitidas (C); cajueiro com folhas novas logo após o término do período chuvoso (D); folhas maduras (E); cajueiro com maioria das folhas maduras apresentando o segundo fluxo foliar (F).

Floração

O cajueiro-anão apresenta a característica de emitir flores já nos primeiros meses após o plantio no campo, sendo por isso também denominado de cajueiro de seis meses (Figura 4). Já o florescimento do cajueiro-comum inicia-se no segundo ou terceiro ano.
Fotos: Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 4. Plantas de cajueiro-anão apresentando panículas precocemente: muda seminal (“pé-franco”) do clone ‘CCP 76’ com 150 dias de idade (à esquerda), e cajueiro-anão enxertado aos 10 meses após o plantio no campo(à direita).
A partir do segundo ano após o plantio no campo, considera-se que a floração do cajueiro está diretamente relacionada com os fluxos de crescimento vegetativo, sendo que ambos ocorrem simultaneamente em certos períodos e com diferentes intensidades. Como já abordado, o processo que se inicia com a brotação da gema, alongamento dos internódios e emissão de folhas tende a terminar, nos ramos produtivos, com a emissão da inflorescência na parte terminal do broto recém-formado (Figura 5).
Fotos: Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 5. Início do florescimento do cajueiro: na gema apical do broto em crescimento surge a inflorescência (à esquerda). Posteriormente, a panícula se desenvolve até atingir o seu máximo crescimento (à direita).
Na região Nordeste do Brasil, a floração do cajueiro ocorre preferencialmente durante a estação seca (a partir de junho), na qual predomina pouca nebulosidade e alta insolação. Desse modo, os períodos de máxima diferenciação floral e florescimento ocorrem entre os meses de junho e setembro, com pico de florescimento no mês de agosto. No entanto, vários clones de cajueiro-anão apresentam grandes intensidades de floração no início do período. Como exemplo, pode-se citar que os clones de cajueiro-anão ‘CCP 09’ e ‘BRS 189’ tendem a ser mais precoces no início do florescimento do que os demais, enquanto o clone ‘CCP 1001’ tende a ser o mais tardio.
De modo geral, o período de florescimento perdura por, aproximadamente, 100 dias (julho a outubro); no entanto, alguns genótipos podem florescer por até 7 meses. Devido à heterogeneidade dos pomares de cajueiros-comuns e ao tipo de cultivo do cajueiro-anão, observa-se, não raramente, grande variação no início e na duração do período de florescimento.
Em alguns anos, foi observado que, após as primeiras chuvas no final do período seco (dezembro e janeiro) procedidas de um novo período seco (15 a 20 dias), plantas de alguns genótipos de cajueiro-anão emitiram outro fluxo de florescimento, de pequena intensidade. Após esse florescimento, se o tempo permanecer seco, há a possibilidade de obter um bom índice de frutificação e produção de cajus com qualidade.

Frutificação

Assim como o florescimento, a frutificação do cajueiro-anão também pode se iniciar no primeiro ano (Figura 6). Entretanto, não é recomendável manter uma planta nova em produção, pois pode afetar negativamente o seu desenvolvimento.
Foto: Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 6. Cajueiro-anão clone ‘CCP 76’ produzindo cajus já no primeiro ano pós-plantio no campo.
Na região Nordeste (Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí, principalmente), a frutificação do cajueiro ocorre normalmente na estação seca, com tendência de maior concentração de cajus maduros nos meses de outubro, novembro e dezembro. Determinados genótipos de cajueiro-anão tendem a iniciar a produção a partir de julho, enquanto a maioria dos cajueiros-comuns inicia sua produção a partir de outubro.
O processo de frutificação se inicia aproximadamente após 7 dias da fecundação da flor. Observa-se, então, o surgimento dos frutos jovens, que são as castanhas ainda verdes, chamadas de maturis (Figura 7).
Foto: Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 7. Frutos jovens (castanhas) do cajueiro, também conhecidos como maturis.
Após o surgimento dos frutos jovens, observa-se um crescimento inicial rápido da castanha, a qual atinge seu tamanho máximo por volta de 35 dias após a fecundação da flor (Figura 8). O desenvolvimento da amêndoa é mais lento, não seguindo o padrão de crescimento da castanha, de modo que, quando a castanha já atingiu o seu tamanho máximo, a amêndoa ainda está imatura.
Fotos: Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 8. Crescimento inicial da castanha (à esquerda) e amêndoas imaturas (à direita).
Após a castanha atingir o máximo de tamanho, inicia-se o processo de endurecimento da casca (amadurecimento da castanha) e o desenvolvimento do embrião (amêndoa).
O crescimento do pedúnculo é lento na fase inicial, mas, a partir da quinta semana após a fecundação, fase que coincide com o final do crescimento da castanha, o pedúnculo inicia um rápido crescimento até completar o seu amadurecimento (época da colheita) (Figura 9).
Fotos: Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 9. Após o crescimento máximo da castanha (à esquerda), o pedúnculo começa a se desenvolver, apresentado rápido crescimento entre o 35° e 48° dia após o surgimento do maturi (ao centro e à direita).
No geral, a maturação completa do caju (castanha + pedúnculo) ocorre, em média, entre 7 e 8 semanas (52 a 60 dias) após a fecundação da flor (Figura 10). Nessa etapa, o pedúnculo apresenta coloração intensa (amarelo, alaranjado ou vermelho), de acordo com o genótipo (clone); e a castanha se apresenta na coloração acinzentada.
Foto: Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 10. Caju ‘CCP 76’ maduro, apresentando pedúnculo alaranjado e castanha acinzentada.

No campo experimental da Embrapa, em Pacajus, CE, foi observado em cajueiro-anão que, a partir da fecundação da flor, o tamanho máximo da castanha ocorreu entre o 30º e o 36º dia, enquanto o tamanho máximo do pedúnculo foi observado entre o 48º e o 52º dia. Em resumo, todas as etapas do desenvolvimento do caju são mostradas na Figura 11.
Foto: Luiz Augusto Lopes Serrano
Figura 11. Desenvolvimento do caju: iniciando com o pequeno maturi e finalizando com o caju maduro.