sábado, 30 de julho de 2016

Cultivares e Mudas de Amora


Classificação botânica, origem e cultivares

A amoreira-preta (“blackberry”) pertence ao gênero Rubus que, segundo Ying et al., 1990, contém aproximadamente 740 espécies, divididas segundo alguns autores, em 12 subgêneros ou segundo outros em 15 subgêneros (Jennings, 1988, citado por Daubeny, 1996).
Em geral as plantas têm hastes bianuais, as quais necessitam de um período de dormência antes de frutificar. A espécie R. procerus é uma exceção, pois tem hastes semiperenes que frutificam por diversos anos antes de morrer. Algumas amoreiras-preta frutificam nas hastes primárias.
O hábito de crescimento das hastes varia de ereta a prostrada, podendo ter hastes com ou sem espinhos. Este é um caráter genético recessivo para ausência de espinhos.
As flores, em geral, possuem cinco sépalas e cinco pétalas e numerosos estames e carpelos dispostos ao redor de um receptáculo, geralmente, de forma cônica.

Origem

O gênero Rubus apresenta formas de reprodução sexuada e assexuada, possuindo número básico de cromossomos igual a 7 (Jennings, 1995). A ocorrência de poliploidia, agamospermia (formação de sementes sem reprodução sexual) e hibridação entre as espécies, tornam a taxonomia do grupo bastante complicada (Alice, 2002). É comum a ocorrência de híbridos interespecíficos com vários graus de esterilidade, os quais se reproduzem assexuadamente por reprodução vegetativa e agamospermia (Grant, 1981). 
Três grupos de amoreiras-preta foram domesticados. O primeiro, das amoreiras-preta europeias, inclui um grande número de formas poliploides, com a maioria tetraplóide (2n = 4x = 28). O segundo, no leste da América do Norte, é composto por plantas de porte ereto e também inclui muitas formas poliploides. O terceiro grupo, no oeste da América do Norte, geograficamente separado do anterior pelas pradarias e pelas Montanhas Rochosas, possui plantas de hábito prostrado e tem números de cromossomos mais elevados, sendo comuns as formas octaploides (2n = 8x = 56) e dodecaplóides (2n = 12x = 84) (Jennings, 1995). O cultivo de amoreira-preta se tornou popular nos Estados Unidos após 1840.
No Brasil, ocorrem cinco espécies nativas de amoreiras-preta (Figura 1 e 2): R. urticaefolius, R. erythroclados, R. brasiliensis, R. sellowii e R.imperialis, as quais produzem frutos pequenos e com coloração branca (Figura 3), rosa, vermelha ou preta (Reitz, 1996). Nenhuma das espécies brasileiras foi domesticada. As cultivares de amoreiras-preta utilizadas no país são o resultado de introduções, hibridações e seleções de cultivares americanas.

Melhoramento genético

À medida que as matas iam sendo “clareadas”, as plantas nativas de amora-preta iam se espalhando, dando lugar a um programa de melhoramento natural e massivo, entre várias espécies de Rubus, que eram inter-férteis, com diferentes níveis de ploidia e altamente heterogêneas. Foram selecionados os melhores clones, sendo que dois deles, ‘Lawton’ e ‘Dorchester’, foram introduzidos para cultivo em 1850, contribuindo grandemente para o desenvolvimento de cultivares com características interessantes. Em 1867, foram registradas 18 cultivares, a maioria selecionada de plantas nativas (Moore,1986 e Skirvin, 1990) incluindo a introdução de uma cultivar européia da espécie R. laciniatus. Um mutante sem espinhos de R. laciniatus, encontrado ocorrendo de forma silvestre em torno de 1930, se tornou a cultivar americana de maior produtividade (Jennings, 1995).
De um modo geral, as primeiras cultivares dos programas de melhoramento descendem da hibridação de várias espécies. Já a maioria das mais antigas cultivares sem espinhos se originaram de mutações dos tipos com espinhos. Várias são mutações superficiais, que não transmitem estas características quando multiplicadas por estacas de raiz ou em cruzamentos.
Um dos primeiros programas, planejados, de melhoramento genético propriamente dito, foi conduzido na Califórnia por Judge Logan, na década de 1880 (Jennings, 1981). Ele cultivava as cultivares de amoreira-preta (“blackberry”), Anghinbauch e Texas Early e a cv. de framboesa (“raspberry”), Red Antwerp muito próximas umas das outras. “Seedlings” originários da cv. Anghinbaugh deram uma seleção com frutas grandes e atrativas, intermediárias entre a citada cultivar e da cv. de framboesa Red Antwerp, que posteriormente, foi chamada de ‘Loganberry’. Outras seleções foram feitas deste mesmo cruzamento (Figura 4), como ‘Mammoth’. Além destes, no século XX, houve outras cultivares lançadas como ‘Phenomenal’ e ‘Youngberry’ (Hall, 1990, citado por Daubeny, 1996).

Objetivos dos programas de melhoramento

Produtividade: é um dos atributos importantes. Considera-se uma produtividade de 10 t/ha como boa.
Qualidade: a qualidade das frutas é talvez o atributo mais importante. Especial ênfase é dada à aparência (tamanho das frutas, cor e brilho), firmeza e, principalmente, sabor. O pequeno tamanho das sementes também é desejável.
Época de maturação: a fim de permitir um escalonamento da produção.
Plantas eretas: Têm custo de produção menor por não necessitarem de suporte 
Hastes sem espinhos (Figura 5): facilita colheita e tratos culturais, como a poda.
Produção em hastes primárias: interessante em lugares com dificuldade de mão de obra. Elimina o trabalho de poda manual e permite uma produção no outono, embora em menor escala.

Firmeza e conservação: importantes, principalmente por ser uma fruta em geral macia e de difícil conservação pós-colheita.

Perfilhamento: a fim de facilitar os trabalhos de propagação.

Programas de Melhoramento Ativos nos últimos 20 Anos*

Estados Unidos da América (EUA)
USDA – Illinois e Beltsville, MD; 1950 - presente (`Chester`, `Triple Crown´, outras);
USDA - Corvallis OR; 1930 - presente (`Marion´, ´Black Butte´);
Univ. of Maryland – 1950 - presente (´Chesapeake´);
Univ. of Arkansas – 1964 - presente (´Navaho´, ´Apache´, ´Kiowa´, ´Chickasaw´, outras);
North Carolina State Univ. – 1983 - presente;
Escócia
Scotland, SCRI- 1966 - presente (´Loch Ness´, ´Tayberry´);
Nova Zelândia
HortResearch – 1980 - presente (´Lincoln Logan´, ´Riwaka Choice´);
Brasil
EMBRAPA – 1972 - presente (‘Negrita’, ´Ébano´, ´Guarani´, ‘Tupy’,´Caingangue´ e ´Xavante´);
Polônia
Polônia, Inst. Pomolgy – 1980 - presente (´Orkan´, ´Gazda´);
Alguma atividade na Suécia, Sérvia.
* Informação Pessoal do Dr. John Clark, Dept. de Horticultura, Universidade de Arkansas (2006)

Melhoramento no Brasil

No Brasil, o programa de melhoramento com amoreira-preta foi iniciado na década de 70, inicialmente com a introdução de uma pequena coleção de cultivares, da qual faziam parte ‘Brazos’, ‘Cherokee’ e ‘Comanche’, além de um clone originário do Uruguai, cuja identidade era desconhecida. Dois ou três anos após esta introdução, foram trazidas sementes de cruzamentos realizados na Universidade de Arkansas, Estados Unidos, que originaram cerca de 12 mil “seedlings”, nos quais foram feitas as primeiras seleções. Do programa em andamento na Embrapa Clima Temperado, foram lançadas as cultivares Ébano, em 1981; Negrita em 1983; Tupy e Guarani, em 1988; Caingangue, em 1992; e Xavante, em 2004.

Cultivares testadas e adaptadas às condições do Sul do Brasil

As descrições dadas a seguir são baseadas em The Register of New Cultivars, The Brooks & Olmo (1997) e também Raseira et al., 1984, e cadernetas de campo da Embrapa – Clima Temperado e informações pessoais do Dr. John Clark (2006).
Arapaho
É um cultivo de maturação mediana a precoce, de hastes sem espinhos e com boa qualidade de fruta (Figura 6 e 7). Desenvolvida no Departamento de Horticultura da Universidade de Arkansas, EUA, pelos melhoristas Dr. James N. Moore e John Clark, é originária de hibridação entre as seleções Ark.631 por Ark. 883 (ambos genitores heterozigotos para genes de ação recessiva para o caráter ausência de espinhos, derivados de cruzamento entre Merton Thornless x Thornfree). O cruzamento que deu origem a Arapaho foi realizado em 1982, a planta matriz selecionada em 1985 e testada como Ark. 1536. A Universidade de Arkansas detém a patente dessa cultivar com n° de patente 8510, de 21 de dezembro. De acordo com a descrição encontrada no livro de Register of New Fruit & Nut Variety, a fruta tem tamanho médio, firme, cor preta brilhante, forma cônica, com sementes pequenas. As frutas são de excelente sabor e alto teor de sólidos solúveis. Na região onde foi selecionada a colheita estende-se por 4 semanas. A planta é produtiva , moderadamente vigorosa e muito ereta .
Em Pelotas, RS, as frutas são de tamanho médio, com peso variável entre 4 e 7g (a maioria entre 3 e 4g), com sabor bom (acidez acentuada) e sólidos solúveis entre 7 e 8 °Brix.
A necessidade de frio é estimada entre 400 e 500h.
Brazos
Cultivar lançada pela Texas A&M University, em 1959. Resultou da segunda geração de seleção originária de cruzamento entre ‘Lawton’ e ‘Nessberry’, selecionada em 1950, sendo Tetraploide (4n=28 cromossomos).
As hastes são semieretas, vigorosas e com espinhos (Figura 8). Plantas muito produtivas. É das primeiras cultivares a florescer, com a flor branca e grande e floração uniforme. A mesma inicia, geralmente, na segunda semana de setembro e a plena floração ocorre, normalmente, na segunda semana de outubro. As frutas são grandes (peso médio em torno de 8g) (Figura 8). O sabor é doce ácido, mas sobressai a acidez e um pouco de adstringência. O teor de sólidos solúveis é em geral de 8° Brix. Em testes preliminares, as frutas descoloriram após uma noite em geladeira. Nas condições de Pelotas, RS, a maturação inicia-se em meados de novembro estendendo-se até final de dezembro.

Caingangue
Foi selecionada dentre os “seedlings” de segunda geração de um cruzamento entre ‘Cherokee’ por Seleção Black 1. Esta por sua vez é oriunda de hibridação entre ‘Shaffer tree’ x ‘Brazos’.
As plantas desta cultivar têm hastes vigorosas, eretas, com espinhos (Figura 9) e tem boa capacidade de multiplicação. A brotação ocorre na primeira dezena de agosto e a colheita estende-se da segunda dezena de novembro a meados de dezembro (em alguns anos até fim de dezembro). A produção média por planta varia de 1,5 a 3 kg e o peso médio das frutas está entre 5 e 6 g.
As frutas têm forma arredondada (Figura 9). O sabor doce-ácido, com teor de sólidos solúveis, em média superior a 9° Brix podendo chegar a próximo de 11° Brix. A firmeza das frutas é média. É recomendada para consumo in natura por ter sabor mais equilibrado que as demais cultivares, semelhantemente à cv. Tupy.
É uma cultivar de baixa necessidade em frio sendo recomendada mesmo para áreas com acúmulo de frio inferior a 300 horas.
Cherokee
Desenvolvida na Universidade de Arkansas e originária do cruzamento realizado em 1965 entre ‘Darrow’ e ‘Brazos’. Foi lançada como cultivar em 1974. As plantas possuem hastes eretas, vigorosas e com espinhos. É considerada como adequada à colheita mecânica.
As frutas são médias a grandes (Figura 10), de película negra, atrativa e de boa qualidade, inclusive para congelamento e conserva (The Brooks & Olmo, 1997).
Na coleção da Embrapa Clima Temperado, as plantas mostraram-se vigorosas e produtivas. As frutas são de forma alongada, uniformes; apresentaram bom sabor, com teor de sólidos solúveis em torno de 8 a 9 °Brix, tendendo a equilibrado. São de tamanho médio (5 e 8g). A floração começa no início de outubro e a plena ocorre ao final de outubro ou início de novembro (Figura 10) . A colheita inicia ao final de novembro.
Comanche
Originária de cruzamento realizado em 1965, na Universidade de Arkansas, USA, foi selecionada em 1968 e testada como Ark. 527. As plantas têm hastes eretas, muito produtivas e com espinhos (Figura 11). Perfilham facilmente e segundo literatura americana, adapta-se à colheita mecânica. As frutas são pretas, firmes e de bom tamanho. Segundo dados da Embrapa Clima Temperado, o peso médio varia entre 4 e 7g. O sabor tem predominância de acidez. A colheita é ao final de novembro ou início de dezembro. Esta cultivar floresce, em geral, de meados de setembro a início de novembro.
Choctaw
É também originária do Programa de Melhoramento da Universidade de Arkansas, proveniente de hibridação realizada em 1975 entre um híbrido de Darrow x Brazos por ‘Rosborough’. Foi patenteada pela Universidade de Arkansas sob número 6678 (US patent 6678).
As plantas são bem eretas, prolíficas, muito produtivas e facilmente produzem hastes a partir de estacas de raiz. É considerada imune à ferrugem e resistente à antracnose, moderadamente suscetível a oídio e suscetível a enrosetamento. É resistente ao frio hibernal. As frutas são firmes, cônicas e com sementes pequenas.
Nas condições de Pelotas, as frutas apresentaram tamanho médio (em torno de 5 g de peso médio, o sabor foi doce ácido, predominando acidez, e os sólidos solúveis variaram entre 8,2° a 9,6 °Brix. A plena floração ocorre, geralmente, no início de outubro e a maturação na terceira semana de novembro (Figura 12). É considerada por alguns como a segunda melhor cultivar no grupo Arkansas
Ébano
Originária do trabalho conjunto entre a Embrapa e a Universidade de Arkansas. Foi selecionada, em Pelotas-RS, dentre os seedlings de segunda geração de cruzamento entre ‘Comanche’ e planta selecionada do cruzamento ‘Thornfree’ x ‘Brazos’.
As hastes são prostradas, necessitando de suporte e sem espinhos. Produz muito bem nas áreas mais frias da região. As frutas são recomendadas apenas para processamento, uma vez que têm sabor predominantemente ácido e adstringente. Entretanto dá um bom produto sob forma de polpa para uso em geléias, sucos, sorvetes, iogurtes.
As frutas são de tamanho médio (peso médio entre 4 e 6g) (Figura 13). É de maturação tardia, aproximadamente 40 dias após a cultivar Brazos. A plena floração ocorre em meados de novembro. A necessidade em frio é maior do que as demais cultivares lançadas pelo Programa da Embrapa.

Guarani

Originária de sementes introduzidas da Universidade de Arkansas, nos Estados Unidos, e selecionada na Embrapa Clima Temperado. Floresce ao final de agosto e durante todo o mês de setembro ou, em alguns anos, de setembro a início de outubro. As hastes são eretas e com espinhos. As frutas são de sabor doce-ácido, com predominância do ácido (Figuras 14 e 15). O teor de sólidos solúveis varia de 8 a 10 °Brix. É inferior à Tupy em cor, sabor e tamanho das frutas. A maturação é precoce, sendo a colheita em novembro. Esta cultivar é também recomendada para consumo in natura.
Tupy
É, atualmente, a cultivar de amoreira-preta mais plantada no Brasil, além de ocupar uma posição de destaque (aproximadamente 3.000 ha) no México onde é produzida, principalmente, para exportação aos Estados Unidos. É resultante de cruzamento realizado entre ‘Uruguai’ e a cv. Comanche. `Uruguai’ era um clone originário daquele país e cuja identidade não era conhecida. ‘Tupy’ foi lançada pela Embrapa Clima Temperado na década de 90 (Figura 16), cujo programa foi liderado pelo Dr. Alverides M. dos Santos. Caracterizava-se por ser de hastes de hábito prostrado que necessitavam suporte, e provavelmente fosse um clone de ´Boysenberry´, produzindo frutas vermelho claras e suculentas. Este cruzamento foi realizado em 1982.
Suas plantas são de porte ereto, vigorosas, com espinhos (Figura 17), perfilhamento médio e florescem em setembro e outubro. A colheita, nas condições de Pelotas, vai de meados de novembro a início de janeiro.
As frutas têm 8 a 10g de peso médio, sabor equilibrado acidez/açúcar e com teor de sólidos solúveis entre 8 e 10° Brix.
É de baixa necessidade em frio.
Xavante
Lançamento conjunto da Embrapa Clima Temperado (Figuras 18, 19 e 20) e da University of Arkansas (Moore et al., 2004; Moore et al., 2005). Resultante de sementes coletadas em Clarksville, AR, de uma população resultante de cruzamento entre as seleções A. 1620 e A. 1507, sendo, portanto, segunda geração deste cruzamento. ‘Xavante’ foi selecionada em Pelotas, dentro do programa de melhoramento genético de amoreira-preta, liderado pela Dra. Maria do Carmo Bassols Raseira. As suas hastes são vigorosas, eretas e sem espinhos (Figura 19). É uma cultivar de baixa necessidade em frio e bastante produtiva. A floração inicia em setembro estendendo-se até outubro. A maturação é precoce e a colheita inicia em meados de novembro. As frutas têm forma alongada, firmeza média, sabor doce–ácido, predominando a acidez, com teor de sólidos solúveis em torno de 8° Brix. O peso médio da fruta é de 6 g. 

Em testes preliminares, as cultivares Tupy e Guarani mostraram necessidade em frio muito semelhante, entre 200 e 300 horas, para obter uma boa brotação de gemas, e cerca de 400 horas para 100% de brotação. Já a cv. Caingangue não foi bem com 200 horas e necessitou um mínimo de 300 horas. A cultivar Xavante não fez parte do teste, mas, pelo comportamento a campo, estima-se que a necessidade em frio seja inferior à cv. Tupy.

Cultivares não testadas no RS, mas com perspectivas de adaptação

Apache: Lançada pela University of Arkansas, a frutas apresenta tamanho médio (Figura 21) e bom sabor (11ºBrix). Sua exigência em frio é cerca de 800 a 900 horas, possui hastes sem espinhos.
Adrienne: Originária da Inglaterra, possui hastes sem espinhos. Maturação precoce e excelente qualidade.
Black Satin: Originária de Illinois, possui hastes sem espinhos. Variedade que apresenta frutas grandes, planta semi-ereta e boa conservação pós-colheita.
Cheyenne: Originária do programa de Arkansas em 1977. Apresenta hastes com espinhos. As frutas são firmes.
Chester Thornless (USDA): Originária de Illinois, possui hastes sem espinhos. Apresenta frutas grandes (5 a 7g), alta qualidade, firmes. Não descolorem no calor. Comercialmente a mais importante.
Chickasaw: Lançada pelo programa de melhoramento de Arkansas, em 1999. Possui hastes com espinhos, frutas grandes (média 10g), teor de sólidos solúveis totais (SST) de 10 ºBrix. Necessidade de frio em torno de 500 a 700h.
Flordagrand: Lançada pelo programa de melhoramento da Universidade da Flórida. Planta vigorosa e muito produtiva. Tem baixa necessidade em frio. Não é auto-fértil e a cultivar Oklawaha pode ser utilizada como polinizadora. Hastes com espinhos.
Kiowa: Lançada pelo programa de melhoramento de Arkansas, em 1996. Planta produtiva, ereta e de vigor médio. Possui baixa exigência em frio (200h). Frutas oblongas e de tamanho muito grande (média 12g) (Figura 22). Hastes com espinhos.
Hull Thornless: Originária de Illinois, possui hastes sem espinhos. Frutas oblongas, de película preta e firmes.
Navaho: Lançada pelo programa de melhoramento de Arkansas, possui hastes sem espinhos. Frutas médias (5 g) (Figura 23), cônicas, muito firmes, boa conservação, alto teor SST.
Shawnee: Produz frutas grandes, de firmeza média, coloração preta, brilhante e com bom sabor. Muito produtiva. Hastes com espinhos.
Silvan: Origem: Austrália. Tolerante a ventos, seca e solos pesados. Frutas com sabor doce-ácido, ficando macias após a colheita.
Os trabalhos de melhoramento genético e testes de cultivares e seleções avançadas, são realizadas atualmente na Embrapa Clima Temperado, e pelos parceiros, Embrapa Uva e Vinho, Fepagro, Epagri, Universidade Tecnologia Federal do Paraná - Pato Branco (PR), APTA/IAC e Epamig. As seleções avançadas apresentam características de interesse, como época de maturação diferenciada, ausência de espinhos nas hastes, bom sabor para consumo fresco e muito boa firmeza das frutas.

Cultivares tipo “primocane”

O desenvolvimento de flores nas hastes de crescimento do ano é de suma importância no gênero Rubus (Clark, 2006). A expansão da framboesa foi auxiliada por cultivares desse tipo como ‘Heritage’ e ‘Autumn Bliss’. Na amoreira-preta esta característica também tem despertado atenção e deve crescer em importância. Diversas vantagens são atribuídas a este caráter, entre elas, possibilidade de duas colheitas ao ano, redução do custo de mão de obra com a poda, possibilidade de escalonar a produção com o manejo das hastes do ano (primocane), produção mais tardia, escape do problema de flores duplas (doublé blossom).
A Universidade de Arkansas, nos Estados Unidos tem dispendido grandes esforços do melhoramento nessa direção e como resultado lançou em 2005, as cultivares Primo-Jan (APF-8) e Primo-Jim (APF-12), ambas protegidas. Estas cultivares são indicadas para plantio doméstico devido à maciez das frutas, não sendo adequadas ao transporte e também por acreditar-se que não sejam adaptadas a muitos ambientes.










sexta-feira, 29 de julho de 2016

Condições climáticas para a Amoreira-preta


Condições climáticas

Os fatores climáticos são importantes para definir as regiões de cultivo da amoreira-preta no Brasil. Eles exercem maior ou menor influência, segundo a fase de desenvolvimento da planta. A amoreira-preta se adapta bem em regiões com temperaturas moderadas no verão, sem intensidade luminosa elevada, com chuvas freqüentes, mas sem excesso durante o período de frutificação e temperaturas baixas no inverno, suficientes para atender à necessidade de frio.
O frio é fator importante durante o período de dormência, para proporcionar um bom índice de brotação. Mas, se ocorrer fora dessa fase, pode causar sérios danos às gemas, flores e frutos em desenvolvimento, principalmente as geadas tardias de primavera. Durante a fase vegetativa, a temperatura e a precipitação influem na qualidade das gemas, fator determinante ao potencial de produção para o ano seguinte. A amoreira-preta, de modo geral, é resistente à geada, pelo fato de ser uma planta de clima temperado. Diferente das demais espécies de pequenas frutas, apresenta cultivares com boa adaptação às condições climáticas do Sul do Brasil. Foram desenvolvidas pelo programa de melhoramento genético na Embrapa Clima Temperado, em Pelotas-RS, a partir de cultivares que apresentam adaptação a altas temperaturas no verão e menor necessidade de horas de frio no inverno.
A região Sul é a que tem as temperaturas mais baixas no Brasil, mas é caracterizada por desuniformidade climática, apresentando variabilidade entre os anos e dias com temperaturas elevadas no inverno, prejudicando, em parte, a quebra da dormência nos anos quentes. Como o relevo é acidentado, desde os Estados do Paraná até o Rio Grande do Sul, ocorre também variação da temperatura entre as diversas áreas, em função da mudança de altitude. Então, existem microclimas que podem ser mais favoráveis à produção de amora-preta, outros menos. A região é composta por serras, que têm altitude de até quase 1400 metros, e por vales e depressões, que têm altitude de 50 metros a 200 metros. Algumas áreas na região Sudeste do Brasil, com microclimas específicos, também podem oferecer condições de produção, principalmente zonas de altitude elevada de São Paulo e Minas Gerais.
A Figura 1 apresenta o mapa de horas de frio abaixo de 7,2ºC para a região Sul do Brasil. As áreas mais altas, acima de 900 metros, que vão desde a região de Palmas e General Carneiro, no Paraná, São Joaquim e Lages, em Santa Catarina, e Vacaria e São José dos Ausentes, no Rio Grande do Sul, apresentam maior número de horas de frio, superior a 500 horas. As regiões de menor altitude, como o Noroeste do Paraná, com cerca de 200 metros de altitude, e o Alto Vale do Uruguai, no Rio Grande do Sul, com 70 a 100 metros de altitude, possuem menos de 200 horas de frio, sendo recomendadas para cultivares menos exigentes em frio.
A variação de temperatura entre o dia e a noite, em algumas regiões no Sul do Brasil, é grande, geralmente maior que 10 ºC, principalmente na primavera e no outono, quando ocorrem ainda temperaturas baixas. A amplitude térmica, associada às temperaturas baixas, é importante para dar coloração e equilíbrio de acidez e açúcar, importantes para o sabor do fruto consumido in natura.
Por se tratar de planta de pequeno porte e de raiz superficial, a amoreira-preta necessita de disponibilidade regular de água, preferindo os solos com maior capacidade de retenção de água. Para isto, é necessária irrigação, principalmente nas áreas mais secas da região Sul ou onde o solo seja muito raso ou muito arenoso. Assim, é recomendada irrigação na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, onde há menor armazenamento de água no solo, resultante de menor volume de chuva e de maior perda de água por evapotranspiração, devido a ocorrência de temperaturas mais altas. Nas áreas do Norte do Paraná, também é recomendado o uso de irrigação, pela mesma razão. Nas demais regiões há maior volume de chuvas, mas a distribuição é irregular no espaço e no tempo, podendo ocorrer períodos de veranico em algumas regiões e excesso de chuva em outras. Nessas áreas, é necessária irrigação complementar, apenas para regularizar a distribuição de água. A irrigação permite que se formem frutos de maior tamanho, com padrão para exportação.
Figura 1. Estimativas de horas de frio, de maio a
setembro (abaixo de 7,2ºC), na região Sul do Brasil.
A chuva em excesso, na fase de colheita, pode prejudicar a qualidade do fruto. Deve-se dar preferência a zonas onde ocorra menos chuva nessa fase. A Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul e o Norte do Paraná são favoráveis neste sentido, desde que se utilizem cultivares adaptadas a essas regiões, ou seja, cultivares menos exigentes em frio e utilizando irrigação.










quarta-feira, 22 de junho de 2016

A Cultura do Achachairu


CARACTERISTICAS

Achachairu Rheedia laterifolia (L) Herzog, Clusiaceae (Guttiferae)
Sin. ou equiv. Tatairu, chachairu

Nome da fruta: Achachairu
Nome científico: Garcinia intermedia (Pittier) Hammel
Família botânica: Clusiaceae (Guttiferae)
Categoria:
Origem: México e América Central
Características da planta: Árvore geralmente de até 6 metros de altura, com látex amarelo. Flores alvas, reunidas na axila das folhas.
Fruto: Tipo baga, globoso, amarelo-alaranjado. Polpa adocicada, muito aromática, envolvendo uma a duas sementes.
Frutificação: Duas a três vezes ao ano
Propagação: Semente


O fruto é uma drupa com caca grossa, polpa branca e com cerca de 5 cm, com ponta na base, de cor amarela. A planta éperenifólia, tem látex, mede até 15 m de altura e tem folhas simples, verdes, coriaceás e glabras. As flores são masculinas ou completas, em fascículos axilares. Originada na Bolívia em clima subtropical. Consumida ao natural.





Nome da fruta: Achachairu
Nome científico: Garcinia intermedia (Pittier) Hammel
Família botânica: Clusiaceae (Guttiferae)
Categoria:
Origem: México e América Central
Características da planta: Árvore geralmente de até 6 metros de altura, com látex amarelo. Flores alvas, reunidas na axila das folhas.
Fruto: Tipo baga, globoso, amarelo-alaranjado. Polpa adocicada, muito aromática, envolvendo uma a duas sementes.
Frutificação: Duas a três vezes ao ano
Propagação: Semente
O achachairu é fruto humilde. Discreto em sua miudeza, permanece em pequenos grupos próximos à folhas verde-escuras da árvore de florzinhas brancas, mirradas, que quase não alcançam meio centímetro. O fruto, um pouco maior, chega no máximo a 2,5 cm de diâmetro. Ali, no meio da mata, o achachairu aguarda até que algum habitante da floresta, carente de alimento, o apanhe para se saciar com sua polpa esbranquiçada, de sabor agridoce e aroma agradável, mas de aspecto pouco atraente.
Mas, se o achachairu não for colhido por homem, mulher ou criança de passagem, não há problema, pois seus principais consumidores, na verdade, são outros. Talvez menos exigentes quanto à necessidade de atrativos e menos avessos ao líquido branco que a planta exsuda quando cortada ou partida, são os macacos e os pássaros que mais fazem uso do achachairu. Daí ser a planta conhecida também pelo nome de fruto-de-macaco.
Originário do México e da América Central, com maior frequência nas proximidades do Canal do Panamá, o achachairu espalha-se discretamente pelas florestas brasileiras de clima e vegetação semelhantes aos da região de origem da planta. Por aqui, o achachairu possui parentes bem mais conhecidos e aproveitados comercialmente, como o bacuri e o bacupari, também da família das Gutíferas.
Embora o achachairu não receba grandes atenções daqueles que o encontram pelo caminho, a fruta esforça-se para isso, revestindo-se das cores nacionais. O fruto, quando verde, é bem verde, verde-escuro. Quando amadurece, vai-se amarelando, até quase exatamente a cor de ouro predominante na nossa bandeira. Depois, o achachairu, ainda abandonado, vai desistindo dessa possível estratégia de atração, alaranjando-se até apodrecer.

DESCRIÇÃO

O achachairu é fruto humilde. Discreto em sua miudeza, permanece em pequenos grupos próximos à folhas verde-escuras da árvore de florzinhas brancas, mirradas, que quase não alcançam meio centímetro. O fruto, um pouco maior, chega no máximo a 2,5 cm de diâmetro. Ali, no meio da mata, o achachairu aguarda até que algum habitante da floresta, carente de alimento, o apanhe para se saciar com sua polpa esbranquiçada, de sabor agridoce e aroma agradável, mas de aspecto pouco atraente.
Mas, se o achachairu não for colhido por homem, mulher ou criança de passagem, não há problema, pois seus principais consumidores, na verdade, são outros. Talvez menos exigentes quanto à necessidade de atrativos e menos avessos ao líquido branco que a planta exsuda quando cortada ou partida, são os macacos e os pássaros que mais fazem uso do achachairu. Daí ser a planta conhecida também pelo nome de fruto-de-macaco.
Originário do México e da América Central, com maior frequência nas proximidades do Canal do Panamá, o achachairu espalha-se discretamente pelas florestas brasileiras de clima e vegetação semelhantes aos da região de origem da planta. Por aqui, o achachairu possui parentes bem mais conhecidos e aproveitados comercialmente, como o bacuri e o bacupari, também da família das Gutíferas.
Embora o achachairu não receba grandes atenções daqueles que o encontram pelo caminho, a fruta esforça-se para isso, revestindo-se das cores nacionais. O fruto, quando verde, é bem verde, verde-escuro. Quando amadurece, vai-se amarelando, até quase exatamente a cor de ouro predominante na nossa bandeira. Depois, o achachairu, ainda abandonado, vai desistindo dessa possível estratégia de atração, alaranjando-se até apodrecer.

 O achachairu ou Garcinia sp é azedo e doce na exata medida do equilíbrio, misto de jabuticaba, araçá, ciriguela e bacuri. É muito apreciado na Bolívia e na região amazônica de um modo geral. Mas parece já haver cultivo comercial há algum tempo nas regiões norte. E o Beto, na Bahia, deve ter um pomar inteiro, pelo jeito. Sorte de quem pode ir sempre ao Paraíso Tropical, seu restaurante em Salvador. A casca da frutinha é amarelo-alaranjado e falo da variedade maior, com casca dura, coriácea, como a da jabuticaba, que tem que ser estourada no dente. Como o bacuri e o mangostão, a polpa é solta da casca. Branquinha, suculenta, saborosa e pouca. Muito caroço pra pouca diversão, diria, mas a natureza tem lá seus porquês e seja como for é boa demais. A outra variedade, miúda, tem casca mais molinha e pode ser comida inteira, que não amarra a boca.
Que venha achachairu para sorvetes, sucos, geléias e recheios. E uma bacia cheia pra chupar à toa.


HISTÓRICO

Natural das florestas quente-úmidas da bacia amazônica, essa pequena árvore cresce facilmente a partir de sementes, em torno de  quatro anos em seu local de origem. É uma fruta bastante apreciada na Bolívia onde é largamente produzida e consumida. A planta tem o formato muito variavel, dependendo da região onde vegeta, e o fruto varia por região, com diferentes espécies cultivadas pelas populações locais.


O fruto do Achachairu é globoso-oblongo, de polpa branca, suculenta  e textura mucilaginosa com acentuado sabor doce-acidulado. Vem sendo cultivado no nordeste brasileiro e comercializada no Ceagesp, propagando-se por sementes.


Segundo o produtor Hélio Nogueira, a planta alcança no máximo oito metros de altura e produz cerca de três mil unidades. Leva seis anos para começar a produzir, se for plantada a partir da semente. Para não esperar todo esse período, ele começou experimentar enxertos e esse tempo caiu para três anos. "Este ano é o momento de divulgar a fruta, fazer as pessoas conhecerem", diz o produtor. Ele diz que a cultura do achachairu, nas condições climáticas do Cerrado, tem o período de florescimento entre os meses de julho a setembro. O amadurecimento dos frutos ocorre de novembro a janeiro.


O Achachairu é planta perene, de pequeno porte (6 a 9m), desenvolvendo-se bem em condições amenas de temperatura e solos ricos em matéria orgânica e bem drenados, com boa disponibilidade de água. Da familia das clusiaceae, "essa frutífera pertence ao gênero Garcinia  (ex-Rheedia), cujo parente mais famoso é o mangostão (Garcinia mangostana L.), originado no trópico asiático.


CLIMA

Fruta boliviana adaptada ao Cerrado
Você já experimentou uma achachairu? Não tem nem idéia do que é isso? Se depender de um produtor goiano, a fruta largamente consumida na Bolívia vai ser facilmente encontrada em sacolões de todo o Brasil. Hélio Nogueira começou a cultivar a frutífera há 10 anos. Após experimentar seu sabor exótico, Nogueira, que possui um viveiro de plantas ornamentais, decidiu fazer mudas e cultivar a planta em sua propriedade, localizada em Pirenópolis.

Hoje são mil pés plantados, destes, cem estão produzindo. Hélio já tem muito material para plantar o futuro do achachairú no Cerrado goiano: possui outras cinco mil mudas e prepara outra cinco mil. "Fui fazendo as mudas ao longo desses dez anos, sempre peço para amigos e familiares recolherem as sementes e me repassar", conta.

Segundo Hélio, a planta de achachairu demora seis anos para começar a produzir, se for plantada a partir da semente. Para não esperar todo esse período, ele começou experimentar enxertos. O tempo caiu para três anos. "Este ano é o momento de divulgar a fruta, fazer as pessoas conhecerem", diz. O produtor também já comercializa mudas.

Nogueira conta que cada pé da fruta alcança no máximo oito metros de altura e produz cerca de três mil unidades. Ele diz que a cultura do achachairu, nas condições climáticas do Cerrado, tem o período de florescimento entre os meses de julho a setembro. O amadurecimento dos frutos ocorre de novembro a janeiro.


Enxertia

Apesar de ter origem na Bolívia, há uma espécie semelhante ao achachairu no Cerrado, afirma Hélio. Ele mesmo encontrou a planta nas margens do Rio dos Patos, próximo a Goianésia. No entanto, segundo diz, os frutos da planta nativa não são comestíveis. "Não tem polpa, a fruta é seca e esponjosa".

O produtor não sabe qual o nome da planta nativa, mas devido a semelhança com o pé de achachairu decidiu usá-la como base para enxertia. Deu certo. O tempo para o surgimento dos primeiros frutos caiu para três anos.

Além disso, Hélio acredita que ao utilizar a base de uma planta nativa do Cerrado pode aumentar a resistência dos pés de achachairu, caso surjam pragas e doenças locais. "Por enquanto não tivemos esses problemas, todos os pés crescem sadios, mas queremos evitar algo desde já", afirma.

Nogueira tem a expectativa de que o achachairu deve cair no gosto do consumidor. "A fruta realmente tem potencial para isso. É saborosa e daquelas que não dá para provar apenas uma", garante.

Apaixonado pela descoberta, Hélio se prepara para participar de um festival sobre o achachairu em Porongo, na Bolívia, este ano. Lá, ele pretende trocar experiências e aprender mais sobre o fruto.
 


O FRUTO



A CEAGESP vem comercializando há alguns anos o achachairú, fruta exótica produzida no nordeste brasileiro. Trata-se de frutífera nativa da Bolívia e muito apreciada em Ayacucho, Santa Cruz, onde se realizam festas anuais para promoção da fruta e de seus produtos industrializados, como sucos e doces.
Essa frutífera pertence ao gênero Garcinia (ex-Rheedia), cujo parente mais famoso é o mangostão (Garcinia mangostana L.), originado no trópico asiático. Com a recente mudança do gênero Rheedia para Garcinia, vem ocorrendo certa confusão na nomenclatura das espécies catalogadas. Muitos autores nacionais, ainda, empregam o termo Rheedia para algumas frutíferas nativas e exóticas, existentes em várias regiões tropicais mundiais.
         Os frutos têm massa média de 30g e são globoso-oblongos, semelhantes a uma nêspera, com diâmetros transversais e longitudinais de 35,8mm e 45,2mm respectivamente. A base peduncular do fruto é estreita e a calicinal mais larga. São amarelo-alaranjados, com casca grossa (3,53mm), lisa, firme e resistente; internamente a casca é creme-palha. A polpa, não aderente à casca, é branca, suculenta e de textura mucilaginosa, representando 1/3 da massa média do fruto, sendo que após retirada dos frutos se oxida rapidamente. O sabor, que lembra um pouco ao do araçá, é bem agradável e adocicado, com oBrix 15 e acidez pH próxima a 4,0.  As sementes desuniformes, de 1 a 3 por fruto, são esbranquiçadas, alongadas (2,6 x 1,2cm) e grandes. Normalmente, há apenas uma semente por fruto, com massa de 4,29g, sendo as demais chochas. Testes de germinação indicaram que as sementes iniciam a emissão da radícula após 30 dias sob ambiente controlado de estufa B.O.D. No nordeste brasileiro, a maturação dos frutos ocorre em fevereiro a abril, sendo esses bastante resistentes ao transporte e de boa conservação em geladeira comum. No Brasil, o achachairú é pouco conhecido e, ás vezes, confundido pelo público leigo com frutas de outras espécies, como o bacupari, bacuripari e bacurizinho.
         Em levantamento realizado no Lattes/CNPq, verificou-se que há menos de 30 artigos científicos brasileiros envolvendo as espécies Rheedia gardneriana, R. acuminata, Garcinia cambogia, G.  mangostanaG.  macrophyllaG. gardnerianaG. cochinchinensis  e G. multiflora. A grande maioria destes artigos relata pesquisas sobre caracterização química e efeitos terapêuticos das frutas; somente 10% deles dizem respeito à propagação.
          Segundo a literatura especializada, a família do achachairú (Clusiaceae) é composta por trinta e um gêneros e sessenta e duas espécies. São espécies de grande importância para a indústria farmacêutica, uma vez que dos frutos e folhas são extraídas algumas substâncias químicas como biflavanóides e benzofenonas. As substâncias químicas isoladas dos frutos ou folhas possuem atividades imunotóxicas e anti-inflamatórias e potencial antioxidante anticancerígeno. Na medicina popular, os frutos e folhas são utilizados como cicatrizantes, digestivos e laxantes e em tratamentos de reumatismo, úlcera gástrica, inflamação.
O IAC vem pesquisando a propagação seminífera do achachairú e formando mudas para plantios locais, visando obter maior conhecimento sobre o comportamento das plantas fora de seu habitat.

PLANTIO

Você deve coletar frutas maduros, pode consumir a polpa e separar as sementes, lavando bem p/ retirada da polpa. Deixe secando sobre uma folha de papel durante 2 dias e proceda a semeadura em saquinhos com terra ou substrato agrícola, ou em caixinhas de leite, fure o fundo , preencha com a terra e plante a semente cobrindo com um 1-2 cm de terra por cima. Irrigue sempre que precisar, para isso acompanhe a umidade da terra, pois varia de região, tipo de substrato e época do ano. A germinação ocorre após 20-30 dias, não deixe faltar água e mantenha as mudas a pleno sol. Quando tiver com uns 30 cm de altura, você pode transplantar para o campo e para isso retire da caixinha e plante uma cova de 30 x 30 cm misturando na terra da cova 250 g de calcário mais 250 g de super fosfato simples e 5 litros de esterco de curral curtido. Após plantio molhe bem e continue a irrigar sempre que precisar. 

ESPAÇAMENTO

USADO NA AUSTRALIA EM CULTIVOS COMERCIAIS: 8 X 5 M

ESTAMOS FAZENDO LEVANTAMENTOS DE ADUBAÇÃO E OUTROS TRATOS CULTURAIS, MAS EM NOSSAS PESQUISAS, SURPREENDEMOS COM O FATO, DE QUE A AUTRALIA E NÃO A BOLIVIA É O MAIOR PRODUTOR MUNDIAL DE ACHACHAIRU, COM CULTIVOS ALTAMENTE TECNIFICADOS E OUTRO DETALHE, A PLANTA É ORIGINARIA DA AMÉRICA DO SUL, INCLUSIVE O BRASIL, EMBORA O CONSUMO É MAIS RELEVANTE NA BOLIVIA, EMBORA A FRUTA TENHA UM ALTO POTENCIAL COMERCIAL, MAS JÁ ESTÁ HAVENDO PESQUISAS POR AQUI.

AGUARDE NOVAS PUBLICAÇÕES.

VEJA OS VIDEOS E OBSERVE A CULTURA E DIVULGAÇÃO NA AUSTRALIA.

   

Achacha - The Food Coach from achacha on Vimeo.