sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Cultivo do Açaí em Varzeas




Nas várzeas do estuário amazônico são encontradas quantidades expressivas de pequenas áreas desmatadas, pelos moradores ribeirinhos, para utilização com agricultura de subsistência, em pequena escala (cana-de-açúcar, arroz, milho, banana, pastagem), as quais são abandonadas após um curto período de utilização.
Essas áreas podem ser reflorestadas com o plantio de açaizeiro, em sistemas de produção solteiro ou consorciado com espécies frutíferas e/ou florestais.
O cultivo de açaizeiro em várzeas, por meio de plantios em áreas desflorestadas, de manejo e de enriquecimento florestal, em associação com outras espécies frutíferas e florestais, adaptadas a essas condições, é incentivado e visto como uma das opções para tornar essas áreas ribeirinhas mais produtivas e ecologicamente melhor protegidas (Nogueira & Homma, 1998).


Seleção e preparo da área

Devem ser utilizadas as áreas de várzeas desmatadas, anteriormente cultivadas com espécies de ciclo curto ou que se encontrem com a cobertura vegetal característica de capoeira rala. O preparo da área consistirá apenas de roçagem manual, a ser realizada durante o final do período chuvoso (abril/maio), quando é possível a implementação de práticas agrícolas em função do menor nível das águas das marés. Essas áreas desmatadas, geralmente, ocupam faixas de áreas de várzea alta, mas apropriadas aos cultivos de espécies anuais, semiperenes e perenes.



Plantio e tratos culturais

Nessas áreas, o plantio é realizado no início do período de estiagem (maio/junho). Nesse período, mesmo durante a estiagem na região, os solos das áreas de várzea são permanentemente úmidos, em decorrência das marés periódicas que cobrem essas áreas, com intervalos de 15 dias, com lâmina de água de aproximadamente 40 cm, impedindo que as plantas sejam submetidas a estresse hídrico.
No caso da opção pelo plantio de açaizeiro em sistema solteiro, o espaçamento a ser adotado é de 5 x 5 m entre covas, com a manutenção de 3 a 4 estipes por touceira, cuja emissão, geralmente, ocorre entre 12 e 15 meses após o plantio das mudas no campo. Durante os 2 primeiros anos, os espaços entre os açaizeiros podem ser aproveitados para o cultivo de espécies de ciclo rápido (hortaliças, arroz, milho, banana).
No sistema consorciado, as mudas de açaizeiro são plantadas em covas, obedecendo ao espaçamento de 6 x 4 m, que permite abrigar a população de 420 touceiras/hectare. Juntamente com o açaizeiro, pode ser cultivada a bananeira nas entrelinhas, guardando o mesmo espaçamento dos açaizeiros, utilizando mudas de variedades adaptadas ao ecossistema de várzea, com 420 plantas por hectare (Fig. 3). Junto com essas espécies, também podem ser cultivados o feijão caupi, maxixe e abóbora, como opções de aproveitamento das áreas limpas e de renda para o agricultor em curto prazo.


O sistema também contempla o plantio de uma espécie de fruteira (cupuaçu ou cacau), no espaçamento de 6 x 4 m, com a população de 420 plantas/hectare e de uma ou mais espécies de essências florestais, no espaçamento de 12 x 8 m, que garante a população de 104 plantas/hectare. O croqui do sistema completo é apresentado na Fig. 4. 

Os principais tratos culturais são os mesmos realizados nos cultivos em terra firme e constam de desbaste dos perfilhos, roçagem, coroamento e limpeza dos estipes. Não é recomenda adubação química, face as boas condições de fertilidade natural dos solos de várzea do estuário amazônico.