terça-feira, 9 de maio de 2017

Solos para a Cultura do Coco

Em geral, o coqueiro apresenta melhores condições de adaptação a solos leves e bem drenados, mas que permitam bom suprimento de água para as plantas.
A adaptação do coqueiro aos Neossolos Quartzarênicos (Areias Quartzosas) do Litoral nordestino, seu habitat, está quase sempre associada à presença de lençol freático pouco profundo, compensando, assim, sua baixa capacidade de retenção de água, situação esta encontrada em solos da Baixada litorânea. Quando o lençol freático é profundo, caso dos solos dos Tabuleiros Costeiros do Nordeste, região em franca expansão da cocoicultura para água de coco, é necessário o suprimento de água para as plantas por meio da irrigação.
O deslocamento da cultura do coqueiro para regiões não convencionalmente cultivadas trouxe, como consequência, uma série de problemas tecnológicos, os quais, na sua grande maioria, ainda se encontram em fase de estudo. Nos Tabuleiros Costeiros, um dos problemas mais graves diz respeito à existência de camadas coesas subsuperficiais, comuns nos solos dessa unidade paisagem. Essas camadas interferem na forma com que a água é retida, na aeração e na resistência à penetração das raízes. Por apresentarem elevados níveis de adensamento, reduzem a profundidade efetiva do solo, dificultando a circulação normal de água e ar. Por outro lado, se estão muito superficiais, deixam as plantas vulneráveis ao tombamento. Em plantios de sequeiro, esse conjunto de características põe em risco a cocoicultura, promovendo danos ao crescimento e desenvolvimento das plantas, principalmente, quando se utiliza o coqueiro-anão-verde, mais exigente em água e nutrientes.
Os solos que predominam nos tabuleiros são, em geral, arenosos, favoráveis, portanto, ao coqueiro; porém apresentam baixos teores de matéria orgânica e de nutrientes, baixa capacidade de retenção de água e lençol freático muito profundo. Como agravante, as precipitações pluviais são concentradas em cinco a seis meses contínuos, gerando déficit hídrico para culturas de ciclo longo, perenes ou semiperenes, cultivadas em regime de sequeiro. A cultura do coqueiro se enquadra nessa categoria, necessitando, dessa forma, de cuidados especiais quanto ao fornecimento regular de água e nutrientes a fim de que seja possível sua exploração econômica nessa ecorregião.
Como os riscos para a exploração do coqueiro-anão nos Tabuleiros Costeiros estão relacionados quase sempre ao baixo suprimento de água para as plantas, o seu cultivo tem sido viável, predominantemente, em sistemas irrigados. Além de regular o suprimento de água, a irrigação reduz a expressão do adensamento da camada coesa, a qual, na presença de umidade, se torna friável, permitindo a penetração das raízes e o aprofundamento do sistema radicular. Essa condição permite a ampliação da área de solo a ser explorada pelas raízes, melhorando o suprimento de água e nutrientes, e reduzindo a vulnerabilidade das plantas a estresses hídricos.
Apesar dessas limitações, é possível o cultivo do coqueiro em outras regiões que não a Baixada Litorânea, devendo-se utilizar, no entanto, sistemas tecnificados, irrigados ou não, mas que garantam a manutenção de umidade e de nutrientes no solo por toda vida útil das plantas. É imprescindível a utilização de práticas culturais que impeçam a perda rápida de água após a estação chuvosa e o revolvimento excessivo do solo. Com esses cuidados, será possível a obtenção de produtividades compatíveis com os investimentos aplicados, boas relações custo/benefício e sustentabilidade da atividade agrícola.

Manejo do solo

O manejo do solo nas entrelinhas de culturas perenes é um pré-requisito importante para promover o arejamento da camada explorada pelas raízes e facilitar a absorção de água e nutrientes. Se feito de forma inadequada, no entanto, pode intensificar a erosão e promover compactação subsuperficial. Nos solos dos tabuleiros com camada coesa, esse efeito é muito grave, pois a combinação de horizonte coeso com camada compactada tende a acelerar o processo de degradação do solo podendo criar situações insustentáveis para exploração agrícola.
O produtor deverá ter sempre em mente que o melhor manejo é aquele em que se utiliza o mínimo possível de operações mecanizadas. O bom senso é que vai determinar quantas operações serão necessárias, devendo-se, sempre que possível, restringir a duas ou, no máximo, três operações ao ano. Deve-se optar pela manutenção da cobertura vegetal durante a época chuvosa, quando os teores de água no solo são elevados, e reduzi-la durante o período seco. Essa estratégia tem sido bastante utilizada em diversas fruteiras cultivadas no Nordeste.
No manejo do solo utilizando disco, o objetivo principal consiste em cortar o solo a determinada profundidade da superfície e fazer a inversão da área cortada, visando-se, com isso, proporcionar melhores condições físicas para o desenvolvimento da cultura. A vantagem desse preparo do solo é bastante discutível, principalmente para os Tabuleiros Costeiros. Em muitos solos dessa unidade de paisagem, a "camada arável" se reduz a poucos centímetros, fazendo com que essa prática acelere a degradação da matéria orgânica e deixe o solo mais vulnerável à erosão. Por esse motivo, acredita-se que a operação de preparo utilizando hastes (escarificador) seja mais recomendável, principalmente em pomares jovens, onde o sistema radicular ainda não ocupou toda a área das entrelinhas. Entre as vantagens desse sistema, pode-se citar o menor consumo de energia, a manutenção da cobertura vegetal sobre o solo e o rompimento de camadas adensadas e/ou compactadas superficiais, quando existentes.

Conservação do solo

Devido à preferência para o plantio do coqueiro em áreas com relevo plano a suavemente ondulado e em solos arenosos, bem drenados, as práticas conservacionistas devem ser direcionadas para melhorar a estrutura do solo por meio da adição de matéria orgânica e minimização de práticas mecanizadas. Entre as estratégias a serem adotadas, recomenda-se substituir, sempre que possível, a grade por escarificador, realizar alternância de capinas, reduzir a frequência de operações mecanizadas, utilizar coberturas vegetais (leguminosas) nas entrelinhas, cuidando-se para evitar competição por água e nutrientes, e promover a utilização dos resíduos da cultura como cobertura morta, entre outras práticas que propiciem a utilização dos recursos naturais disponíveis e que tenha o cunho de conservação ambiental.