quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Preparo do Solo e Implantação do Pomar de Goiaba




Preparo do Solo e Implantação do Pomar de Goiaba



Recomenda-se que o preparo do solo para a implantação do pomar de goiabeira seja feito de 2 a 3 meses antes do transplantio das mudas. O preparo do solo consiste numa aração profunda, seguida de uma ou duas gradagens cruzadas, dependendo da topografia do terreno. Essas operações devem ser feitas quando o solo apresentar um teor de umidade adequado, de forma a minimizar os riscos de compactação.
Na demarcação do terreno para o transplantio das mudas, podem ser utilizados vários arranjos espaciais, tais como: linhas em contorno, em forma quadrangular, em forma triangular, em forma retangular e em quincôncio. Os dois últimos arranjos são os mais utilizados, e a diferença entre eles está apenas na forma de alinhamento entre a plantas, no sentido transversal às fileiras. No arranjo retangular, todas as plantas estão situadas no mesmo alinhamento, enquanto, no arranjo em quincôncio ou losango, essa coincidência ocorre apenas entre fileiras alternadas, proporcionando uma melhor utilização do espaço aéreo entre as plantas. A escolha do espaçamento depende da cultivar e do sistema de exploração a ser adotado (mecanizado ou não). Nas áreas irrigadas do Nordestebrasileiro, o espaçamento de 6 m x 5 m é o mais utilizado. A abertura das covas pode ser feita manualmente ou por trado movido a tração mecânica, principalmente quando se trata de grandes áreas. Quando feita manualmente, devem adotar as seguintes dimensões: 60 cm x 60 cm x 60 cm.
Na produção de goiabas destinadas ao consumo in natura para o mercado externo, tem-se dado preferência a pomares com maior densidade de plantio, por favorecerem maior porcentagem de frutos com o padrão de qualidade exigido por esse mercado.
Na época do transplantio das mudas enxertadas em viveiro, o colo (região entre as raízes e o tronco) da planta deve ficar um pouco acima do nível do solo, para evitar a emissão de raízes acima da enxertia.
Depois do transplantio, as plantas devem ser tutoradas, para reduzir a ação danosa do vento, uma vez que, quando ocorre o tombamento da muda, seu broto terminal pode ficar soterrado pela pressão da água da chuva ou mesmo da água de irrigação, quando se utiliza irrigação por aspersão ou microaspersão. Os tutores, além de proporcionarem a formação de caules eretos, podem ser utilizados para orientar os ramos laterais, visando à formação de uma copacom boa arquitetura. A amarração da planta ao tutor deve ser feita com material que permita uma larga faixa de contato, de modo a evitar ferimentos no caule ou nos ramos. Não se deve usar barbante ou cordão fino, pois podem causar o estrangulamento da muda.

Marcação das Curvas de Nível e terraceamento

Realiza-se inicialmente um levantamento planialtimétricocom locação de divisas, estradas principais e secundárias, fontes hídricas, estrutura física existente e a ser construída. Devem ser feitas também marcação e execução de práticas conservacionistas, abertura de carreadores, divisão de área em glebas ou talhões, de acordo com o alinhamento e espaçamento a ser utilizado e correção do solo, com base nos resultados da análise de solo. Deve-se aplicar 50% de calcário dolomítico, na dosagem recomendada, a lanço, em toda a área. Em seguida, é realizada uma aração profunda, distribuindo-se a segunda metade do calcário, mais 80% da dosagem recomendada de gesso agrícola, fazendo, finalmente, gradagem para destorrar.

O espaçamento entre as covas é determinado pelas características da variedade escolhida e pelo sistema de condução:

 Þ Frutos para mesa: É recomendado pomar menor que cinco ha dividido em talhões de um ha, para facilitar a realização de tratos culturais e colheita:

- 7 X 7 m: Cultivares de crescimento lateral, como Kumagai e Ogawa n° 3.

- 6 X 6 m: Cultivares de porte ereto, como Ogawa n° 1, Pedro Sato, Paluma e Rica.

- 6 X 3 m: Qualquer cultivar conduzida pelo sistema espaldeira.

Þ Frutos para indústria: Pomares podados anualmente para redução e adequação de copa:

- 7 X 7 m e 7 X 6 m: Paluma.

- 7 X 5 m: Rica.

Abertura e Preparo de Cova

Em solos tipo latossolo, deve-se abrir covas de 60 X 60 X 60 cm, separando-se a terra dos primeiros 30 cm das demais.
Deve-se aplicar calcário dolomítico na base de 100 g. para cada tonelada recomendada por hectare, nas duas porções de solo retirado do coveamento. Aplicar mais 20 litros de esterco de curral curtido, 1000 g. de superfosfato simples, 250 g. de cloreto e potássio bem misturados a terra, 20 dias antes do plantio.

Figura 2: Abertura e preparo de cova para plantio de goiabeira.

Plantio

O plantio deve ser realizado preferencialmente no início da estação chuvosa, um mês após o preparo da cova. Durante a operação de plantio, deve-se deixar três cm do torrão da muda acima do nível do terreno para evitar afogamento do coleto.
Em seguida, deve-se fazer o embaciamento para acomodar pelo menos 40 litros de água. Para assegurar o crescimento vertical do tronco, a muda deve ser tutorada e desbrotada periodicamente.



https://drive.google.com/file/d/1hNYZSjK9cMMb6P_-HdiFfoFIQLnLx4v4/view?usp=sharing

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Variedades de Goiaba



Escolha da Variedade

Há uma grande variabilidade genética na população de goiabeiras encontrada no Brasil, as quais foram introduzidas a partir de genótipos provenientes principalmente da Austrália, dos Estados Unidos e da Índia.
Os materiais oriundos da Austrália tiveram uma grande participação no melhoramento genético das variedades brasileiras, principalmente daquelas voltadas para a produção de frutos destinados ao consumo in natura.
As variedades de goiabeira diferem em diversos aspectos, como: formato da copa (eretas ou esparramadas), produtividade, início de produção (precoce, meia estação e tardia), número, tamanho e formato do fruto, e coloração da polpa. Diferenciam-se também quanto à finalidade da produção.
Aquelas destinadas ao processamento industrial devem apresentar, segundo , as seguintes características:

• Polpa de coloração rosada.
• Baixo teor de umidade e alta acidez.
• Alta porcentagem de sólidos solúveis totais.

• Polpa espessa, firme e de coloração rosada ou vermelha.
• Pequena quantidade de células pétreas.
• Forma do fruto de arredondada a oblonga.
Entre as cultivares disponíveis aos produtores brasileiros, destacam-se: 

Kumagai
É uma cultivar para mesa, que predomina nos pomares do Estado de São Paulo.
Suas plantas apresentam vigor médio, com ramos longos e esparramados. Seus frutos são de formato arredondado a oblongo, possuem polpa de cor branca e são grandes (de 300 g a 400 g).

Pedro Sato
As plantas são vigorosas, apresentando bom crescimento, tanto vertical quanto lateral, e são razoavelmente produtivas.
Seus frutos apresentam formato levemente ovalado. São considerados grandes, pesando, em média, de 300 g a 400 g, quando se utiliza a prática de raleio, e possuem polpa firme e rosada, com poucas sementes.

Sassaoka
A planta desta cultivar tem porte aberto e média produtividade. Produz frutos arredondados, grandes e com casca muito rugosa, cuja polpa é de coloração rosa-claro, é firme e com poucas sementes. É uma cultivar indicada para mesa.

Paluma
Atualmente, esta cultivar é a mais difundida no Brasil. Suas plantas são bastante vigorosas, com bom crescimento lateral e são altamente produtivas (mais de 50 t/ha). Seus frutos são grandes (acima de 200 g), de formato piriforme, com “pescoço” curto e casca lisa. A sua polpa é espessa (de 1,3 cm a 2,0 cm), firme, de cor vermelho-intensa e de sabor agradável (10 ºBrix de
sólidos solúveis e acidez equilibrada). Seus frutos são adequados para a industrialização; contudo, sua boa conservação pós-colheita vem favorecendo a comercialização para o consumo in natura.

Rica
Esta é uma variedade produtiva, com plantas vigorosas. Os frutos são de formato piriforme, com casca rugosa e de tamanho médio, cujo peso varia entre 100 g e 250 g, possuem alto teor de açúcares e são levemente ácidos. Embora essa variedade tenha sido selecionada para fins industriais, seus frutos estão sendo comercializados para consumo in natura.

Esta cultivar foi lançada no final de 2001, resultante do cruzamento de Supreme 2 com Paluma. Trata-se de uma planta pouco vigorosa, porém bastante produtiva. Seus frutos são grandes, com “pescoço” muito curto e polpa espessa, firme, rosada, com pequeno número de sementes e bastante doce. Essa cultivar apresenta alta probabilidade de se tornar uma das mais importantes goiabeiras, tanto para a indústria quanto para a mesa.





domingo, 2 de fevereiro de 2020

Solos para o Cultivo da Goiaba



Por ser uma planta dotada de grande rusticidade, a goiabeira adapta-se aos mais variados tipos de solo. Recomenda-se, porém, que sejam evitados os solos pesados e mal drenados principalmente nas áreas irrigadas onde existe o risco de salinização.

Os solos adequados ao cultivo da goiabeira, sobretudo no caso da instalação de pomares destinados à produção de frutas para consumo in natura e exportação, são os areno-argilosos profundos, bem drenados, ricos em matéria orgânica e com pH em torno 5,5 a 6,0. Em solos com pH igual ou superior a sete normalmente aparecem deficiências de ferro. Deve-se também sempre que possível preferir o plantio em terrenos protegidos dos ventos frios ou do frio vindos do sul.

Para ser considerado produtivo, o solo deve ser fértil (rico em nutrientes), ter boas características físicas (textura, estrutura, densidade, drenagem), boas condições de relevo e não deve conter elementos ou substâncias fitotóxicas. Portanto, é importante salientar que um solo fértil é aquele que tem a capacidade de suprir as plantas com nutrientes essenciais, na quantidade e na proporção adequadas para o seu desenvolvimento, visando obter alta produtividade.
Além da fertilidade do solo, a produtividade da goiabeira depende de outros fatores essenciais à produção, tais como: clima, cultivares e outras características do solo, como profundidade, teor de matéria orgânica, pH, saturação por bases, acidez potencial e disponibilidade de nutrientes (SANCHES; SALINA,1983).
A cultura da goiaba adapta-se a vários tipos de solo. Entretanto, os mais adequados ao seu cultivo são os areno-argilosos profundos, bem drenados, ricos em matéria orgânica e com pH entre 5,0 e 6,5. Em solos com pH igual ou superior a esse intervalo, pode ocorrer deficiência de ferro.
Solos argilosos e mal drenados devem ser evitados, principalmente em áreas irrigadas com risco de salinização, assim como devem ser evitados os solos rasos e úmidos, que não toleram longos períodos de encharcamento.
Resultados de pesquisa indicam que a goiabeira é moderadamente tolerante ao estresse salino, embora as plantas jovens sejam sensíveis à salinidade. Assim, a depender do teor de sais contido na água de irrigação, o desenvolvimento inicial das mudas pode ser afetado, provocando decréscimos na produção de até 77%, quando a condutividade elétrica chega a 4,5 dS/m (GURGEL et al., 2007).
A implantação de pomares comerciais deve ser feita em terrenos de topografia plana ou levemente inclinada. Evita-se plantar em áreas de acentuada declividade por causa da dificuldade de proceder aos tratos culturais e fitossanitários, e também à colheita.
Resultados de pesquisa obtidos pela Embrapa Semiárido em pomares irrigados por microaspersão, em Latossolo Vermelho-Amarelo textura média, no perímetro irrigado de Bebedouro, em Petrolina, PE, permitiram verificar que o sistema radicular da goiabeira cresceu até a profundidade de 1,2 m e a uma distância máxima do tronco de 2,4 m; contudo, a profundidade e a distância efetivas encontram-se a 0,94 m e 1,27 m, respectivamente. Considerando que o maior volume de raízes encontra-se a uma profundidade e a uma distância do tronco de 0,6 m, recomenda-se essa coordenada para o monitoramento da água no solo e para a aplicação de fertilizantes e matéria orgânica (FERREIRA, 2004).
Para avaliar a fertilidade é preciso proceder à análise do solo em laboratório, onde são determinados os valores de pH, os teores dos principais nutrientes exigidos pelas plantas, além daqueles elementos que são tóxicos, como o alumínio e o sódio.
Essas informações são determinantes para o planejamento de uma adubação adequada às necessidades da cultura e para a avaliação da necessidade de calagem, além de, por meio delas, conseguir-se prevenir ou solucionar a questão da salinidade.
Para que a análise represente fielmente as condições do solo, é necessário que a coleta da amostra de solo seja bem representativa da área. Portanto, dentro de uma mesma área, as amostras devem ser separadas de acordo com a cor do solo, a textura (argilosos ou arenosos) e a
localização (baixada, plano, encosta e topo).
Deverão também ser fornecidas informações que indiquem se o solo é virgem ou cultivado, se adubado ou não adubado.
A amostragem do solo é o primeiro passo para uma recomendação correta na adubação da goiabeira. Se a amostra não for representativa da área, a análise poderá levar a recomendações errôneas, por melhor que seja a qualidade do serviço prestado pelo laboratório responsável pela análise.
Três meses antes do plantio, para cada tipo de solo da área, deve-se retirar uma amostra composta, em terreno com superfície limpa, sem mato ou restos vegetais. O procedimento consiste em coletar, no mínimo, 15 amostras simples, em vários pontos do terreno, a uma profundidade de 0 a 20 cm (Figura 1).

Figura 1. Representação da forma de coleta de amostras de solo.

A terra amostrada deve ser colocada num balde de plástico limpo. Em seguida, misturar bem todas as amostras coletadas; dessa mistura, retirar aproximadamente 0,5 kg de solo, que deverá ser colocado em um saco de plástico limpo, que constituirá a amostra composta a ser remetida ao laboratório, devidamente identificada. É aconselhável fazer essa amostragem para análise de solo uma vez por ano. Não incluir na amostragem solos coletados em locais de formigueiro, de monturo (monte de lixo), de coivara e os próximos a curral.
As amostras podem ser coletadas com um dos seguintes instrumentos: trado (Figura 2), cano galvanizado de 1 ou ¾ de polegada, pá reta e enxadeco. Se for usado o enxadeco, a amostra deve ser coletada na fatia correspondente a 0 a 20 cm de profundidade.

Figura 2. Ferramentas utilizadas na coleta de amostras de solo.