quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Produção de Mudas de Noni (Morinda citrifolia L.)

 

 Introdução

Atualmente, um número expressivo de plantas nati­vas e exóticas, com potencial socioeconômico para a região Nordeste do Brasil, está sendo cultivado de maneira empírica. Entre essas espécies, merece atenção especial a Morinda citrifolia L., pertencente à família Rubiaceae e popularmente conhecida por noni, pelo seu elevado valor de mercado e adapta­bilidade às condições edafoclimáticas do Nordeste brasileiro.

O noni, espécie originária do Sudeste Asiático, vem sendo utilizado pelos habitantes da Polinésia há mais de 2.000 anos (LEÓN e POVEDA, 2000). É encontrado em várias partes do mundo: regiões tropicais da África (Centro e Sul), Caribe, Austrália, China, Malásia, Indonésia e Índia. É uma espécie que se adapta muito bem às regiões costeiras, desde o nível do mar até 400 m de altitude (LÜBECK e HANNES, 2001). É tolerante a solos salinos e condições de seca.

É um arbusto com altura que pode variar de 3 m a 6 m, com folhas grandes e perenes, elípticas e de coloração verde escura. As flores são pequenas, brancas e os frutos, de forte odor, são ovais, com muitas sementes, chegando a pesar 800 g.   É uma espécie considerada resistente a estresses bióticos e abióticos e de boa longevidade. Quando se desenvolve exposta ao sol e sem a presença de ventos frios, dificilmente é infectada por doenças ou atacada por insetos (GERMOSÉN-ROBINEAU, 1995).

Com aproximadamente um ano de cultivo, o noni começa a produzir seus primeiros frutos, sendo considerado uma espécie precoce. Após ter iniciado a fase de produção de frutos ela se torna constante, produzindo o ano inteiro (XANGAI, 2006).

A cada parte da planta de noni é atribuída uma diferente propriedade medicinal. A casca tem propriedade adstringente e é utilizada no tratamento contra malária; as folhas são usadas como analgésico e no tratamento de inflamações externas; as flores são empregadas no tratamento de inflamações oculares; o extrato das raízes reduz a pressão sanguínea; as sementes são utilizadas como laxante; e os frutos, que possuem a mais ampla utilização, são usados como antibactericida, analgésico, anticongestivo, antioxidante, expectorante, anti-inflamatório, adstringente, emoliente, emenagogo, laxativo, analgésico, hipotensor, purificador do sangue, imunoestimulante e tônico (ELKINS, 1997). Também é atribuída ao fruto, ação anticancerígena (RODRÍGUEZ e 

PINEDO, 2005). Apesar da grande utilização e demanda internacional pelos produtos oriundos desta espécie, principalmente o suco dos frutos, é bastante recente a tentativa de cultivo do noni no Brasil, que é realizado empiricamente por pessoas que trouxeram sementes do Caribe ou da Polinésia e se tornaram, via Internet, vendedores de mudas e sementes.

Diante da ausência de informações sobre o cultivo dessa espécie no Brasil, particularmente as relacio­nadas à propagação, foi realizado um trabalho de pesquisa na Embrapa Agroindústria Tropical com o objetivo de disponibilizar informações sobre produção de mudas de noni.

Figura 1. (A) Fruto verde; (B) “de vez”, ponto de colheita; (C) maduro, ponto ideal para retirada das sementes.

Obtenção e Preparo de Sementes

A propagação sexuada, aquela que utiliza a semente, é o método que tem sido utilizado para a propaga­ção de noni.

Para a seleção de plantas matrizes fornecedoras de sementes, a preferência é dada às plantas com bom aspecto fitossanitário, ou seja, livres de doenças ou pragas, boa produção de frutos e frutos com bom tamanho e peso.

Os frutos, quando fisiologicamente maduros encon­tram-se no ponto ideal para retirada das sementes. Contudo, a colheita é realizada quando os frutos ainda estão com a polpa firme (“de vez”), o que dificulta a extração das sementes, sendo necessá­rio aguardar a completa maturação por um período de três a quatro dias, para a retirada das sementes (Figura 1).

No Município de Trairi, CE, o peso médio dos frutos produzidos foi de 166 g, o comprimento médio de 101 mm e a largura média de 56 mm. O rendi­mento de polpa foi em torno de 80% e de semen­tes, 4%. Dessa forma, em um quilo de fruto, foram obtidos, aproximadamente, 40 g de sementes, com peso variando de 0,023 g até 0,044 g, ou seja, com peso médio de 0,033 g por semente. Portanto, para cada quilo de fruto, foram obtidas em torno de 1.200 sementes.

As sementes são obtidas após a extração da polpa. Para isso, os frutos são macerados mecanicamente, utilizando-se uma peneira e água corrente para a retirada de toda a polpa. Em seguida, as sementes são colocadas para secar sobre papel jornal, em local som­breado e com boa ventilação, por um período de três a quatro dias, ficando com um teor de umidade em torno de 9%. Recomenda-se a utilização das sementes com, no máximo, um mês após a secagem, quando a ger­minação ainda está acima de 60%.

Em trabalhos desenvolvidos pela equipe da Embrapa Agroindústria Tropical, observou-se a necessidade de empregar tratamentos pré-germinativos para abreviar o tempo, aumentar e uniformizar a germina­ção das sementes de noni. Foram, então, realizados experimentos utilizando-se os seguintes tratamentos: imersão em ácido sulfúrico concentrado (98%) por 1 (1); 5 (2); 10 (3); 15 (4); 20 minutos (5); imersão em água quente (80ºC) por 1 (6); 2 (7); 3 minu­tos (8); imersão em água à temperatura ambiente por 24 horas (9) e controle (sem tratamento) (10), sendo avaliados a porcentagem de emergência e o índice de velocidade de emergência. O tratamento pré-germinativo que mais favoreceu a emergência das plântulas foi a imersão em água à temperatura ambiente por 24 horas. Este tratamento, porém, não superou ao controle (sem tratamento), indicando a necessidade de novos estudos.

Viveiro

As mudas devem ser produzidas em local com 50% de sombreamento, para tanto, deve-se usar tela de sombrite ou cobertura com palha. Após a germina­ção das sementes, diminui-se gradativamente o nú­mero de palhas da cobertura, ou retira-se o sombrite nas horas mais frias do dia, até a total retirada do sombreamento. No piso do viveiro deve ser coloca­da uma camada de 5 cm a 10 cm de brita ou seixo, para melhorar o escoamento da água excedente da irrigação. O comprimento dos canteiros é dimensio­nado conforme a quantidade de mudas, porém, a largura deve ser de 1 m, devendo ficar a 50 cm de distância um do outro, facilitando as operações de manutenção durante o período de enviveiramento das mudas.

Substrato

O substrato indicado para se obter plantas vigoro­sas é a mistura de esterco de gado (curtido) com casca de arroz “queimada” e solo esterilizado, nas proporções de 1:1:1, respectivamente. Para cada 20 L desta mistura, acrescentar 500 g da formula­ção 4:14:8 (NPK). Caso essa formulação não esteja disponível, é recomendável a utilização de 45 g de uréia, 390 g de superfosfato simples e 67 g de clo­reto de potássio, também para 20 L da mistura.

Semeadura

A semeadura foi feita diretamente em sacos pretos de polietileno, nas dimensões de 15 cm de largura e 28 cm de comprimento, sanfonados e com furos. Devem ser colocadas duas sementes por saco, na profundidade de 0,5 cm.

A germinação teve início 30 dias após a semeadura, com 70% das geminações ocorrendo até os 60 dias, podendo se estender até mais de 120 dias após a semeadura. Após a germinação, deve ser eliminada em cada saco a plântula com menor vigor. Quando se deseja uniformidade das mudas, recomenda-se descar­tar as que se formaram após 60 dias.

Irrigação

A irrigação foi realizada diariamente, mantendo-se o substrato úmido. No início do desenvolvimento das mudas, as irrigações foram mais frequentes, em intervalos de tempo menores, três ou quatro irrigações com 10 a 15 minutos. Com o decorrer do tempo e o desenvolvimento das mudas, além das con­dições climáticas, diminuiu-se o número e aumen­tou-se o tempo das irrigações diárias, até três dias antes do transplantio para o campo, quando, então, foi realizada apenas uma única irrigação por dia.

Controle Fitossanitário

Assim como as plantas adultas, as mudas resistem ao ataque de insetos ou fitopatógenos. Contudo, é necessário ficar atento a ataques de insetos que possam diminuir a área fotossinteticamente ativa das plântulas e, consequentemente, o desenvolvimento das mudas. No caso de doenças, a primeira atitude recomendada é a diminuição da irrigação e a remoção do sombreamento, caso as mudas ainda estejam sombreadas. Além disso, a eliminação imediata das plântulas doentes é outra medida a ser tomada. Caso venha a ser observado um ataque de insetos ou patógeno nas mudas do viveiro, é importante que o inseto ou patógeno seja devidamente identificado para que as medidas de controle sejam específicas, procurando-se métodos menos agressivos ao meio ambiente.

Em trabalhos realizados na Embrapa Agroindústria Tropical, foram observados, até o momento, ape­nas sintomas leves de antracnose (Colletotrichum gloeosporioides) em plantas de noni. No entanto, foi observada a morte de plantas adultas de noni, em virtude da associação entre nematoides-das-galhas (Meloidogyne incognita e M. javanica) e o fungo Lasiodiplodia theobromae (Figura 2). 



Figura 2. (A) Planta de noni doente em campo; (B) sistema radicular exibindo galhas; (C) fêmea adulta de M. javanica; (D) necrose em caule e ramos de noni causados pelo fungo L. theobromae.

A análise dos sistemas radiculares das plantas re­velou que a infestação pelos nematoides-das-galhas ocorreu, ainda, no estádio de muda, provavelmente em virtude do substrato arenoso utilizado já estar infestado com ovos e juvenis de segundo estádio. Mesmo que tenha sido um conhecido fitopatógeno, é provável que o fungo L. theobromae já estivesse associado às plantas, aproveitando-se de suas con­dições fisiológicas resultantes do ataque dos nema­toides. Portanto, fica evidenciada a necessidade de se ter muito cuidado com o preparo do substrato das mudas, com relação à infestação por nematoi­des, que podem ser controlados por meio da solari­zação do substrato, antes do plantio, ou mesmo por meio do tratamento do substrato com manipueira fresca.

Transplantio

O transplantio das mudas de noni para local definitivo deverá ocorrer entre 60 e 70 dias após a semeadura, quando apresentaram de quatro a seis pares de folhas definitivas (Figura 3). As mudas devem estar sadias e vigorosas. No momento do transporte, é indispensável tomar o máximo cuidado, transportando as mudas preferencialmente em veículo protegido contra o vento. O substrato não deve estar encharcado, nem seco. Além disso, é muito importante o cuidado com os danos aos sacos de mudas para evitar a exposição das raízes aos ventos e raios solares, que provocariam danos ao sistema radicular e, consequentemente, ao desenvolvimento inicial das plantas.

Figura 3. (A e B) Mudas de noni na fase inicial e (C e D) mudas de noni aptas para transplantio.





quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Fertirrigação da cultura da goiabeira

 

Introdução

A Irrigação teve avanço considerável nas últimas décadas, tanto no que diz respeito ao aprimoramento de novos métodos, quanto no incremento de novas áreas irrigadas. Dentre as vantagens da irrigação está aquela que possibilita utilizar este sistema como meio condutor e distribuidor de produtos químicos, como fertilizantes, inseticidas, herbicidas, nematicidas, reguladores de crescimento, simultanamente com a água de irrigação, prática conhecida como quimigação.

A fertirrigação é o mais eficiente meio de fertilização e combina dois fatores essenciais no crescimento e desenvolvimento das plantas: água e nutrientes. É definida como sendo a aplicação dos fertilizantes via água de irrigação. Sua introdução agrega vantagens como melhoria da eficiência e uniformidade de aplicação de adubo, desde que o sistema de irrigação também tenha boa uniformidade, possibilidade de redução na dosagem de nutrientes com a aplicação dos nutrientes no momento e na quantidade exatos requeridos pelas plantas, maior aproveitamento do equipamento de irrigação, menor compactação e redução dos danos físicos às plantas com a redução do tráfego de máquinas dentro da área, redução de contaminação do meio ambiente devido ao melhor aproveitamento dos nutrientes móveis no solo quando aplicados via irrigação localizada, diminuição da utilização de mão-de-obra, dentre outras. Esta técnica, quando utilizada racionalmente, pode proporcionar melhor desenvolvimento das goiabeiras e qualidade dos frutos, proporcionando aumento na competitividade do fruticultor.

Inserida no contexto da agricultura sustentável, a fertirrigação é o sistema mais racional de aplicação de fertilizantes. A possibilidade de distribuir os nutrientes em cada fase do desenvolvimento fenológico permite sincronizar o suporte nutricional no solo com a exportação realizada pela planta. Na fertirrigação, tanto a irrigação quanto a fertilização afetam o comportamento do vegetal, podendo os ajustes em um dos fatores determinar limites impostos pelo outro. Para se obter o desempenho vegetativo e reprodutivo ideal nas plantas via fertirrigação, todos os fatores que contribuem para o incremento da irrigação-fertilização devem ser balanceados de modo que nenhum deles imponha limite significativo.

Em contrapartida, há limitações ao emprego da fertirrigação, como a necessidade de conhecimentos técnicos dos adubos e cálculos das dosagens, treinamento de pessoal para manuseio dos adubos e injetores, danos ambientais com procedimentos inadequados, corrosão dos equipamentos de irrigação, toxidez ao agricultor, toxidade e queima das folhas das plantas, custo inicial elevado do sistema de irrigação e aumento das perdas de carga no sistema de irrigação.

Alguns fatores devem ser considerados para se ter uma fertirrigação adequada, como seleção adequada dos adubos e o seu parcelamento, a nutrição e a classificação das plantas, o tipo de solo, a qualidade da água, o tipo de injetor, a sua posição e a taxa de injeção, o tempo, a quantidade e a uniformidade de aplicação dos produtos na água de irrigação. Deve ser observada a relação custo/benefício em função da adoção desta técnica.

 Levantamento de informações para planejamento da fertirrigação

 Dados gerais da propriedade e históricos

Para o início do planejamento da fertirrigação, é fundamental a aquisição de todos os detalhes que possam ser fornecidos pelo proprietário ou pelo gerente agrícola da propriedade, como localização, área, identificação das culturas, localização das fontes de água e dados históricos de cultivos anteriores. Essas informações são de extrema importância para o engenheiro agrícola ou agrônomo delinear a execução do projeto.

Características químicas e físicas do solo

O conhecimento das condições químicas e físicas do solo, atuais e anteriores, orienta o engenheiro responsável sobre a evolução da estruturação do solo sob intensa prática agrícola e sua fertilidade. Com esta informação, é possível utilizar a fertirrigação para corrigir ou manter as condições atuais do solo, oferecendo ao cultivo, ambiente mais propício ao desenvolvimento.

O processo de fertirrigação é complexo, por envolver aspectos físicos, químicos e, principalmente, biológicos (Carrijo et al., 1999). Portanto, é necessário entendimento dos componentes que envolvem o processo para o aproveitamento de todos os benefícios da prática da fertirrigação.

Entre as análises requeridas para o solo, destaca-se a de fertilidade do solo, sendo que os fatores mais considerados são o pH, a condutividade elétrica, os teores de cálcio e magnésio trocáveis, a matéria orgânica e a CTC total.

De grande importância para a definição do sistema de irrigação, são a adubação de base, o tamanho da cova e o manejo da irrigação e fertirrigação. Deve ser feita também a análise textural do solo, com a determinação dos teores de argila, areia e silte. A determinação da curva de retenção de água no solo e a densidade determinam a capacidade de armazenamento de água, importante para fins de projeto e manejo.

Características químicas e biológicas da água de irrigação

A avaliação da qualidade da água a ser utilizada na irrigação das culturas é indispensável e de primordial importância, sobretudo quando se trata de projetos de irrigação ou exploração das áreas em regiões áridas e semi-áridas, visto que, na falta de informações relevantes para a qualidade da água e o manejo adequado, essas áreas podem se tornar improdutivas devido à salinização e sodificação, causando enormes prejuízos sócio-econômicos (Gheyi et al., 1995).

A qualidade da água influencia o processo de fertirrigação. A solubilidade dos fertilizantes altera-se em função de variações de pH e alguns nutrientes podem até se precipitar, quando combinados aos sais naturalmente presentes na água, exigindo controle da lâmina de irrigação e da concentração de nutrientes na calda de fertirrigação (Nielsen et al., 1995).

A amostragem da água para fins de irrigação deve ser representativa e observar alguns detalhes: se a fonte é poço, a amostra deve ser coletada depois da bomba e 30 minutos após seu funcionamento; no caso de lagos, rios ou reservatórios, as amostras deverão ser coletadaspróximas da sucção e abaixo da lâmina d’água. A qualidade das fontes de água está sujeita a variação sazonal. Portanto, deve ser analisada periodicamente (ao menos duas vezes no ano) (Campos, 2001).

Para a goiaba, a condutividade elétrica tolerável na solução do solo é de até 2,1 dS/m e de até 1,5 dS/m na água. Acima destes valores, pode haver decréscimo na produtividade (Ayers e Westcot, 1991).

Sistema de irrigação

A implantação e manutenção corretas dos sistemas de irrigação são condições básicas para o adequado fornecimento de fertilizantes via água de irrigação, aliadas ao dimensionamento preciso e à uniformidade de aplicação de água, respeitando-se condições específicas para melhor aproveitamento dos sistemas, como textura, densidade, permeabilidade, pH e condutividade elétrica do solo. A desuniformidade no fornecimento de água resulta em enormes variações na quantidade aplicada de fertilizantes na área com menor vazão de água, colocando a uniformidade de aplicação de fertilizantes como dependente direta da correta e uniforme aplicação de água.

Segundo Antunes & Bueno (2003), atualmente a fertirrigação é mais freqüentemente utilizada nos sistemas de irrigação localizada, como o gotejamento e microaspersão (Quadro 6).

A fertirrigação localizada é a que melhor distribui os adubos, contemplando maior número de raízes absorventes sob a copa, o que não se obtém com quaisquer outros sistemas de aplicação, exceto o LEPA e o de área total sob pivô (Antunes et al., 2001).

Quadro 6 – Diferenças entre sistemas de irrigação com relação à aplicação de fertilizantes

Características Localizada Aspersão Superfície

Uso da água Maior eficiência Maior eficiência Menor eficiência

Freqüência de aplicação Maior Menor Menor

Distribuição de água Homogênea Homogênea1 Não homogênea

Distribuição de adubo Próxima Às raízes Área total Varia na área

Variações climáticas Menor limitação Maior limitação Maior limitação

Qualidade da água Maior limitação Menor limitação Menor limitação

Solubilidade dos produtos Maior limitação Menor limitação Menor limitação

Desenvolvimento das raízes restrito Sem restrição Sem restrição

Caracterização da cultura da goiabeira e aspectos agronômicos

Para uma adequada programação da fertirrigação, são necessárias informações técnicas como variedade utilizada, profundidade média do sistema radicular na condição de cultivo, data de plantio, espaçamento e densidade de plantio, duração total do ciclo produtivo, duração média das fases da cultura e períodos de maior exigência nutricional, porcentagem de área sombreada por fase de desenvolvimento da cultura, época ou data da colheita, taxa de absorção de macro e micronutrientes e potencial de produtividade. Todas essas observações são importantes para o planejamento da fertirrigação.

A goiabeira (Psidium guajava L.), que pertence à família Myrtaceae, é um arbusto que pode chegar de 3 a 6 m de altura, quando conduzida sem poda. As folhas caem após a maturação.

O sistema radicular apresenta raízes adventícias primárias, que se concentram a uma profundidade de 30 cm do solo. Das raízes primárias, saem as adventícias secundárias, que podem chegar até 4 ou 5m, quando propagadas por semente, apresentando também raiz pivotante. Nas plantas propagadas por mudas de estaca, ocorrem apenas raízes secundárias, que não atingem grandes profundidades. Freqüentemente, a frutificação começa no 2° ou 3° ano após o plantio em local definitivo, quando o pomar é implantado por mudas propagadas por semente.Quando as mudas são feitas por enxerto ou estacas, as florações começam até 7 ou 8 meses após transplantio, devendo ser essa primeira florada eliminada, para não sacrificar as plantas neste estágio juvenil. Num trabalho realizado na Índia por Rathore, citado por Gonzaga Neto (2001), o fruto da goiabeira apresentou 3 períodos de crescimento distintos. O primeiro, de crescimento acelerado, inicia-se após a abertura das flores e prossegue por 45 a 60 dias, dependendo das condições climáticas. O segundo, mais lento, dura de 30 a 60 dias, quando ocorreu o amadurecimento e o endurecimento das sementes. No terceiro ocorre um crescimento exponencial do fruto, durando em torno de 30 dias. Para a variedade Paluma, no Vale do Submédio do São Francisco, 120 a 130 dias após a florada, colheu-se o fruto de vez. O tempo entre a poda e a colheita varia de 6 a 8 meses, dependendo do sistema de manejo adotado no pomar.

As variedades diferem entre si pelo formato da copa (eretas ou esparramadas), produtividade, época de produção (precoce, meia estação e tardia), número, tamanho e formatodo fruto, coloração da polpa (branca, rosada ou vermelha) e destino da produção (consumo in natura, doces, suco, etc., para mercado interno ou externo). Entre as variedades para consumo in natura de polpa branca, destacam-se as seguintes: 

Kumagai, Ogawa n° 1 branca, Iwao, White Selection of Florida e Pentecoste. De polpa vermelha: Ogawa n° 1, Ogawa n° 3, Rica, Paluma, Pedro Sato e Sassaoka. Para o mercado interno: Paluma, Rica, Pedro Sato e Sassaoka. Para exportação: Kumagai, Ogawa n° 1 branca, Iwao, White Selection of Florida e Banaras.

Os espaçamentos usados no Nordeste são retangulares de 8 x 5 m ou 6 x 5 m e quadrados de 5 x 5 m ou 4 x 4. Para frutas in natura, é comum usarem-se espaçamentos menores como 4 x 4 m e até 3 x 3 m. Para isso, o produtor tem que dominar bem as técnicas da poda de formação e frutificação, visando maior quantidade de árvores por área, menor quantidade de frutos e melhor qualidade.

Pomares não irrigados, quando bem conduzidos, produzem em média, a partir do 6° ano, de 20 a 60 kg/planta/ano. A média histórica de produção irrigada está acima de 120 kg/planta/ano. No Nordeste, a produção da goiabeira conduzida com poda e irrigação, além de apresentar uma elevada produtividade inicial, 10 t/ha após a primeira poda e 40 t/ha em produção plena, produz durante todo o ano.