terça-feira, 17 de março de 2026

Plantio do Coqueiro




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Antes de iniciar o plantio, observe as condições de clima, solo e a qualidade da muda. Os coqueirais se desenvolvem bem em lugares com temperaturas elevadas. O ideal é por volta de uma média anual de 27 graus.

• Áreas com boa distribuição de chuvas - precipitação anual de 1,5 mil milímetros - são as mais indicadas. Uma dica é começar a lavoura de coqueiros no início da estação das chuvas. Caso contrário, utilize um sistema de irrigação.
• Entre as variedades, o coqueiro-gigante é o mais rústico, florescendo entre seis e oito anos após o plantio. O longo tempo para começar a atividade é compensado pela produção de 40 a 60 frutos por planta ao ano. Sob condições favoráveis, o período de produção econômica é de 60 anos.
• Já o anão, mais exigente em água e nutrientes, se desenvolve mais cedo, depois de quatro anos do cultivo. Possui frutos pequenos e tem menor vida útil, ou 40 anos de produção. Mas é mais produtivo: 150 a 200 frutos por planta ao ano.
• Em terrenos pequenos, a indicação é cultivar o coqueiro híbrido - mistura das duas variedades -, que produz de 100 a 120 frutos. Em uma área de um hectare, dá para plantar 100 árvores, em espaçamentos de 10 x 10 metros.
• Trinta dias antes do cultivo, abra covas de 60 x 60 x 60 a 80 x 80 x 80 centímetros para preencher com terra três quilos de adubo orgânico e 800 gramas de superfosfato simples. Fixe a muda no solo sem enterrar o caule. Depois de um mês, com 300 gramas de uréia e 200 gramas de cloreto de potássio, incorpore o adubo ao solo.

A plantação de coqueiro 
exige solos arenosos e bem drenados, climas quentes (30-35°C) e alta demanda hídrica, idealmente acima de 1500 mm/ano. Covas de 60x60x60 cm com adubação orgânica (esterco) e mineral (NPK) são recomendadas, com espaçamento de 7m a 10m entre plantas. Produção inicia em 2-3 anos (anão).

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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Frutas do Norte: Abricó (PANC)


Visão geral criada por IA

abricó é uma fruta tropical, com destaque para o Abricó-do-Pará (Mammea americana), nativo da Amazônia, com casca marrom, polpa amarela/laranja, doce e aromática, rica em vitamina A e C. Também refere-se ao abricó-da-praia (Mimusops coriacea), de sabor doce e textura cremosa, e ao abricó-de-macaco, famoso pelo uso paisagístico e odor forte

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Características: é cultivado nos igapós e margens inundáveis de rios na região Amazônica, principalmente no estado do Pará. Árvore de porte médio, podendo atingir 20 m de altura, o abricó se propaga com facilidade por meio de sementes, que germinam entre 12 e 18 dias. A planta pode iniciar a floração a partir de seis/oito anos.

Uso culinário: o fruto é consumido in natura, em forma de salada, licores, compotas, geleias e sucos, ou processado.

Você sabia que: a árvore é empregada na arborização urbana e na medicina popular, no tratamento de afecções parasitárias, mordedura de insetos e dermatoses diversas. As partes utilizadas são o leite da casca da planta; as sementes, das quais se obtém um pó; e as folhas, que são usadas para fazer chá.

Tabela 1 – Análise nutricional em 100 g de abricó

Energia (Kcal) 64

Proteínas (g) 1

Lipídeos (g) 0,3

Carboidratos (g) 13,5

Fibra (g) 3,5

Introdução

o abricoteiro (Mammea americana L. ) é uma espécie nativa das Antilhas e Norte da América do Sul. Foi introduzido, na Amazônia Brasileira, há bastante tempo, sendo inicialmente cultivado em pomares domésticos. Os primeiros pomares comerciais foram estabelecidos em meados da década de 80. O fruto é muito popular no Estado do Pará, sendo conhecido em outras regiões do Brasil como abricódo- pará.

Clima e solo

Embora seja espécie tipicamente tropical, pode também ser cultivada em áreas com climasubtropical. Na Amazônia Brasileira, em particular nas áreas submetidas ao tipo climático Afi, encontra condições ideais para seu crescimento, com temperaturas médias mensais variando entre24 oC e 28 oC, umidade relativa do ar superior a 75% e com total anual médio de brilho solar 2.338,3 horas e 2.600 mm de precipitação de chuvas. Em áreas com tipos climáticos Ami e Awl, não existem restrições térmicas para seu cultivo, porém a ocorrência de estação seca de 3 e 6 meses, respectivamente, implica utilização de irrigação suplementar.

Variedades

Não existem variedades nem clones de abricoteiro definidos, devidamente avaliados e caracterizados. No entanto, é conveniente que, por ocasião da enxertia, os garfos sejam retirados de matrizes que apresentem frutos com as seguintes características: peso entre 600 g e 800 g, rendimento porcentual de polpa superior a 70%, sementes pouco rugosas e sem saliências aderidas à polpa e teor de sólidos solúveis totais acima de 10 °Brix.

Propagação

o abricoteiro pode ser propagado por sementes ou por enxertia. A propagação por sementes não é indicada pois a espécie é androdióica, ou seja, apresenta plantas masculinas e plantas hermafroditas. Assim sendo, quando propagado por sementes, pelo menos 50% das plantas obtidas são masculinas. A propagação por enxertia é o método indicado, pois, além de reproduzir integralmente as características da planta-mãe, garante a presença de 100% de plantas hermafroditas no pomar. Outra vantagem da enxertia é que as plantas entram em fase de produção 4 anos após o plantio no local definitivo, enquanto, em plantas propagadas por sementes, o início de produção só se verifica entre 6 e 8 anos após o plantio.

O porta-enxerto utilizado é o próprio abricoteiro, obtido por sementes. Para a obtenção dos porta-enxertos, as sementes devem ser extraídas de frutos em completo estádio de maturação e semeadas imediatamente após a extração, pois apresentam curto período de vida. A semeadura deve ser efetuada diretamente em sacos de plástico com dimensões de 18 cm de largura, 35 cm de altura e espessura de 0,02 mm, contendo como substrato a mistura solo, esterco curtido e pó de serragem, na proporção volumétrica de 3: 1: 1.

A germinação das sementes é bastante desuniforme, iniciando-se 40 dias após a semeadura, atingindo 80% de germinação aos 140 dias. Após a germinação, são requeridos cerca de 5 meses para que os porta-enxertos estejam aptos a receberem o enxerto. A enxertia é efetuada pelo método de garfagem r'lo topo em fenda cheia, obtendo-se porcentagem de enxertos pegos superior a 90%, desde que sejam utilizados garfos com diâmetro semelhante ao do porta-enxerto e que as folhas presentes no garfo estejam completamente maduras (estádio D). Devem ser retiradas todas as folhas do garfo, com exceção das duas situadas na extremidade apical, que são cortadas transversalmente, de tal forma que permaneçam com comprimento do limbo de apenas 5 cm. Também deve ser utilizada câmara úmida envolvendo o garfo, feita com saco de plástico transparente umedecido internamente com água, que deverá ser retirada por ocasião da brotação do enxerto, que ocorre entre 20 e 30 dias após a enxertia. As mudas estão aptas para o plantio 2 a 3 meses após a enxertia .

Preparo da Área e Plantio

Preferencialmente, devem ser utilizadas áreas que foram ocupadas com culturas anuais ou

semi-perenes em final de ciclo, como pimenteira-do-reino, maracujazeiro e mamoeiro, entre outras. Essas áreas, normalmente, já estão destocadas, o que diminui substancialmente o custo de implantação do pomar. A utilização de áreas com vegetação primária não é indicada pelo maior custo com a derrubada das árvores e pelos danos ambientais.

O plantio em áreas não-irrigadas deve ser efetuado no início da estação chuvosa. Em sistema irrigado, o plantio pode ser efetuado em qualquer época do ano. O espaçamento adotado deverá ser de tal forma que a distância entre duas plantas vizinhas seja, no mínimo, de 8 m, podendo-se optar pelas disposições quadrangular ou triangular, com lados do quadrado ou do triângulo de 8 m. A primeira disposição permite o estabelecimento de 156 plantas por hectare e a segunda, de 179 plantas por hectare.

O plantio é efetuado em covas com dimensões mínimas de 40 cm x 40 cm x 40 cm, adubadas com cinco litros de esterco curtido e 200 g de superfosfato triplo.

Tratos culturais

Tutoramento

A quase totalidade das plantas apresenta crescimento ereto. No entanto, eventualmente,surgem plantas com tronco ligeiramente inclinado, sendo necessário tutorá-las.

Coroamento

o controle do mato em volta das plantas deverá ser efetuado em periodicidade de 2 a 3 meses.

Essa prática pode ser realizada com capina manual ou química.

Roçagem

o mato das entrelinhas deve ser roçado na mesma ocasião em que se efetua a operação de Coroamento. A roçagem pode ser realizada com roçadeiras mecânicas ou manualmente, com o auxílio de foices ou terçados.

Cobertura morta

o uso de cobertura, na época de estiagem, que coincide com o período de frutificação, é importante para reduzir a incidência de frutos rachados, causado pelo estresse hídrico seguido de chuvas fortes e rápidas, características desse período. O mato, oriundo das roçagens efetuadas nas entrelinhas, pode ser usado como cobertura morta, assim como outros materiais como cachos vazios de dendê, resíduos da agroindústria de frutas e casca de arroz. A irrigação suplementar elimina a ocorrência de frutos rachados.

Adubação química

No primeiro ano, aplicar, a cada 2 meses, 50 g da formulação NPK 10-28-20. No segundo e terceiro ano, essa quantidade de adubo deve se duplicada e triplicada, respectivamente, mantendo a mesma periodicidade de aplicação. Do quarto ano em diante, cada planta deve receber 1.200 g da mesma formulação, aplicadas em três parcelas de 400 g. A primeira parcela deve ser ministrada no início do período de chuvas e as outras duas, no meio e no final desse período.

Adubação orgânica

Efetuada, anualmente, no início do período de chuvas. Cada planta deve receber, pelo menos, 20 litros de esterco, distribuídos em quatro covas equidistantes, abertas na projeção da copa.

Principais Pragas e Doenças

Bezouro creme (Costalimaita ferruginea): esse coleóptero provoca danos às folhas, reduzindo grandemente a área foliar e, consequentemente, o crescimento de plantas jovens e a produção de plantas adultas. O controle desse inseto é efetuado com inseticidas fosforados, carbamatos ou piretróides.

Mancha parda das folhas: doença causada pelo fungo Cylindroc/adium pteridis. Os sintomas da doença manifestam-se por manchas de coloração amarronzada nas folhas, que secam e caem prematuramente com a coalisão das manchas. O controle é efetuado com Benomyl, na concentração de 0,1%.

Mancha foliar: o agente dessa doença é o fungo Curvularia eragrostides cujos sintomas são semelhantes ao da mancha parda das folhas, Pulverizações com os fungicidas Benomyl, Captan ou, na concentração de O, 1 %, controlam eficientemente essa doença,


Podridão das raízes: doença de causa desconhecida, provoca a morte súbita das plantas,

(Observação: Os defensivos indicados para o controle das pragas e doenças ainda não estão registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para uso nessa cultura),

Floração e Frutificação

Na Amazônia Brasileira, a floração ocorre mais intensamente no primeiro semestre do ano e a frutificação, no segundo, A produção de frutos concentra-se mais intensamente nos meses de agosto e setembro,

Colheita e Pós-colheita

Como o abricó é um fruto climatérico, a colheita pode ser efetuada quando os mesmos estão no estádio “de vez”, Esse ponto pode ser identificado quando, atritando-se levemente a superfície da casca, esta apresenta-se com coloração amarelada ou quando comprimindo-se a casca com os dedos esta cede um pouco, em função da polpa já apresei1tar-se com consistência mais mole, Frutos colhidos nessa situação têm vida pós-colheita de 10 a 12 dias, Quando colhidos completamente maduros, a vida pós-colheita é reduzida em 50%,

Em plantas com mais de 8 anos de idade a produtividade se situa entre 100 e 150 frutos por

planta, que corresponde a 80 kg a 120 kg de frutos por planta.





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sábado, 14 de fevereiro de 2026

Caracteristicas da Lichia

A lichia (Litchi chinensis Sonn.), família Sapindaceae, é o fruto de uma árvore subtropical com porte elevado, podendo chegar a até 30 metros de altura, e de grande longevidade, originária da China onde é considerada a fruta nacional .

Os principais países produtores são: China, Índia, Tailândia, Vietnã, Bangladesh, Madagascar, África do Sul, Nepal, Austrália, Indonésia, Ilhas Maurício, Israel, Espanha, Estados Unidos da América, México e Brasil , 2001, com produção que oscila de 1,2 milhão a 2,5 milhões de toneladas, dependendo das condições climáticas, ocupando área superior a 1 milhão de hectares; sendo a China responsável por cerca de 60 % da produção e da área plantada.

A introdução da lichia no Brasil ocorreu por volta de 1810 no Jardim Botânico do Rio de Janeiro (CARVALHO; SALOMÃO, 2000), mas os plantios comerciais tiveram início somente na década de 1970 no Estado de São Paulo onde, em 1997, foram registrados 347 ha (YAMANISHI et al., 2001). Com o boom no plantio de lichia na década de 1990 em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Goiás e Distrito Federal, estima-se que a área plantada no Brasil seja superior a 1,5 mil hectares, dos quais, cerca de 25 % estejam em produção plena, 35 % em produção inicial e 40 % em crescimento (GARCIA-PÉREZ, 2006). O volume de 1.856 t de lichia comercializado pela Ceagesp no biênio 2004 2005 foi o maior de todos os tempos, sendo 7,7 vezes superior ao do biênio 2000–2001.

Considerando que a Ceagesp comercializa em torno de 70 % da produção nacional, estima-se que a produção brasileira seja de aproximadamente 2,5 mil toneladas em ano “bom” e em torno de 700 toneladas em ano “ruim” de produção. A previsão é dobrar a produção em 5 anos e ultrapassar 10 mil toneladas por ano em 2020; mas esse aumento ainda é insignificante diante do potencial de consumo do mercado brasileiro.

O ciclo anual de produção inicia-se com a floração entre os meses de junho e julho, seguido pelo desenvolvimento da fruta entre os meses de agosto e setembro e finalizando com o amadurecimento e a colheita entre novembro e dezembro. Pode ocorrer variação de 1 a 2 meses nesse ciclo, de acordo com as condições climáticas da região.

A produção de frutos começa a partir dos 3 anos de idade (quando tecnicamente conduzida) e, por ser uma planta de grande longevidade, pode ultrapassar os 100 anos produzindo; em várias regiões da China existem lichieiras com mais de 1.000 anos. Os frutos são produzidos em cachos, a casca é de cor vermelha e fácil de ser destacada. A polpa é gelatinosa, translúcida, não aderente à semente, suculenta e de excelente sabor. Presta-se para o consumo ao natural, e para a fabricação de sucos, compotas e passa.

A literatura chinesa indica a existência de mais de 200 cultivares de lichia, porém se denota enorme dificuldade em sua correta identificação, em virtude dos inúmeros nomes atribuídos à mesma cultivar em diferentes regiões produtoras.

No Brasil, as cultivares comerciais por ordem de importância são: Bengal (Fig. 8), Americana (Fig. 9) e Brewster. Recentemente, foram identificadas as cultivares Haak Yip, Yu Her Pau e Nuomici em pequenas áreas no Estado de São Paulo, as quais foram introduzidas nas décadas de 1980 e 1990 por imigrantes chineses de Taiwan. No entanto, essas cultivares permanecem indisponíveis para os demais produtores.

A lichia ‘Bengal’, originária da cultivar Purbi da Índia, foi introduzida no Brasil em 1960. Sua produção ocupa a árvore toda, formando cachos



A lichia ‘Americana’, originária da cultivar Nuomici, foi selecionada no Brasil, na década de 1960. Sua produção apresenta-se uniforme por toda a árvore, porém sem formação de cachos.


O grande gargalo da cultura da lichia no Brasil tem sido a falta de variabilidade genética, pois 99 % da produção está concentrada na cultivarBengal, que é propensa à alternância de produção. Como conseqüência, verifica-se drástica oscilação na oferta da fruta (500 t/ano a 2.500 t/ano), assim como no preço ao consumidor (R$ 5,00 a R$ 20,001 por quilo de fruta) de um ano para o outro. Ademais, tem causado grande oferta da fruta num curto período (dezembro), resultando em baixos preços para o produtor.

Principais cultivares de lichia comercializadas no Brasil:

Bengal originária de plântulas da cultivar Purbi, da Índia, selecionadas na Flórida, Estados Unidos da América, na década de 1940 e introduzidas no Brasil na década de 1960 pelo viveiro Dierberger, de Limeira, São Paulo.Sua produção ocupa a árvore toda (Fig. 8), formando cachos que às vezes superam 5 kg. Os frutos são grandes (23 g a 27 g) e na fase adulta pode produzir até 300 kg/planta. Apesar de apresentar produção alternante e baixa porcentagem de polpa (GALAN SAUCO; MENINI, 1987; VIEIRA et al,1996; MENZEL, 2002), a sua alta produtividade e o fruto grande de cor vermelho intenso fez de Bengal a cultivar mais plantada, com mais de 95 % da área cultivada no Brasil e cultivar predominante na Índia, onde é conhecida como Rose Scented.

Americana originária de plântulas da cultivar Nuomici trazidas da Flórida, Estados Unidos da América, e selecionadas no Brasil na década de 1960 pelo viveiro Dierberger, de Limeira, São Paulo. Sua produção apresenta-se uniforme por toda a árvore, porém sem formação de cachos (Fig. 9), o que dificulta a colheita e diminui a produção. Além disso, apresenta produção alternante conforme as condições climáticas (MARTINS et al., 2001). Esses motivos limitaram o seu plantio no Brasil.

Brewster introduzida da Flórida em 1903 pelo reverendo Brewster da Província de Fujian onde é conhecida como Chenzi. Por apresentar produção fortemente alternante (GALAN SAUCO; MENINI, 1987; VIEIRA et al., 1996; MENZEL, 2002), não houve expansão do seu cultivo no Brasil.

A ausência ausência de pesquisa, excetuando aquelas feitas por algumas universidades, como a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), Campus de Jaboticabal; Universidade de Brasília (UnB) e Universidade Federal de Viçosa, e a inexistência de produtos registrados para a cultura e a falta de tratamento – livre de enxofre – para estender a vida de prateleira das frutas são entraves para a exportação da fruta fresca.

A grande inovação tecnológica da cultura da lichia no Brasil teve início a partir de 2004 com a introdução das cultivares Kwai May Pink, Kwai May Red, Feizixiao, Tai So, Souey Tung, Salathiel, Emperor, Haak Yip, Kaimana, Casino e Leighton, oriundas da Austrália, e que estão sendo avaliadas em 20 municípios de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e Bahia. Objetiva-se com a inserção das novas cultivares – precoces, meia estação e tardias –, combinadas com as condições climáticas diversas, ampliar o período de oferta da fruta no País de setembro a março, possibilitando explorar janelas no mercado internacional e local, onde há pouca ou nenhuma oferta da fruta fresca. Além disso, os plantios comerciais da cultivar Bengal, localizados em áreas marginais, onde a frutificação é irregular por causa da ausência de frio, podem ser viabilizados com a substituição de copas com as cultivares de menor exigência em frio.




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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

LOCALIZAÇÃO E ESCOLHA DO TERRENO PARA O ABACATEIRO

 

LOCALIZAÇÃO E ESCOLHA DO TERRENO

2.1 - Condições climáticas

Antes da instalação de um pomar de abacateiros, além dos normais cuidados relativos às condições edafo-climáticas do local, deve-se ter um cuidado especial com a possibilidade de ocorrência de geadas pois, no caso deste acidente ser registado com alguma frequência, o cultivo desta fruteira pode ser tecnicamente inviável.

O abacateiro apresenta sensibilidade ao frio, sendo, esta característica influenciada, de certo modo, pela raça, variedade, vigor e idade da planta. Esta é uma das razões pela qual esta cultura não é viável em zonas onde o risco de geadas seja elevado.

A geada pode provocar danos elevados na planta, especialmente durante a atividade vegetativa.

A ocorrência de temperaturas muito baixas durante a fase de floração pode provocar uma reduzida taxa de vingamento do fruto, com incidência direta no resultado econômico da cultura.

Quando os abacateiros estão plantados em solos profundos, férteis e com satisfação das necessidades de água, apresentam, por norma, maior resistência ao frio.

As temperaturas elevadas também provocam estragos, em especial durante a floração e vingamento, podendo provocar uma queda excessiva de flores e de pequenos frutos. A maior parte das variedades atualmente cultivadas produzem bastante bem na seguinte situação térmica: 22-26ºC de dia, 15-17ºC de noite e 20-21ºC de média.

A humidade relativa geralmente não é limitativa, mas situações de tempo quente e seco, com humidade reduzida durante a floração e formação do fruto têm efeitos negativos na produção.

O abacateiro apresenta um crescimento rápido e vigoroso, sendo sensível aos ventos. Os ventos fortes provocam a fratura de ramos e a queda de frutos, em especial os de maior calibre. Os ventos quentes originam queda de frutos e os ventos frios queimam as folhas.

Devido aos efeitos negativos do vento, bem como da proximidade do mar (sensibilidade à salinidade), aconselha-se evitar a plantação em zonas ventosas e próximas do mar, e procurar zonas mais abrigadas. Se por algum motivo a plantação tenha que ser realizada num local ventoso, é aconselhado a instalação de quebra-ventos.

2.2 - Solo

Com origem nos trópicos o abacateiro tem uma preferência por terras ricas em matéria orgânica, permeáveis, pouco ácidas e profundas. O abacateiro tem um bom desenvolvimento em diversos tipos de solo, não se aconselhando a sua plantação em solos sujeitos a encharcamento, pois além de condicionaram um bom desenvolvimento radicular, favorecem o desenvolvimento do fungo Phytophthora cinnamoni (Rands).

Para que ocorra uma drenagem normal e para que as raízes possam crescer livremente, o perfil do solo não deverá apresentar zonas impermeáveis até uma profundidade de, pelo menos, um metro.

O desenvolvimento horizontal e vertical das raízes do abacateiro é influenciado pela profundidade do solo, bem como por outras características físicas do mesmo, tais como a textura, o grau de compactação e de arejamento.

Enquanto jovem, o abacateiro apresenta um sistema radicular pivotante (desenvolvimento dominante da raiz primária), enquanto que as árvores adultas apresentam uma ampla distribuição de raízes em todas as direções, sendo alcançada uma profundidade de 1 a 1,5 m.

O abacateiro prefere solos com um pH variável entre 6,0 a 7,5, faixa em que a maior parte dos nutrientes se encontra facilmente disponível para as plantas, não existindo, simultaneamente, eventuais problemas de toxicidade resultantes, por exemplo, do excesso de alumínio e/ou manganês.

O abacateiro é muito sensível aos sais, sobretudo se enxertados em porta-enxertos comuns, pelo que a condutividade eléctrica do solo, determinada no extracto de saturação deve ser inferior a 3 mS/cm.

A avaliação da aptidão de um terreno destinado à instalação de um pomar de abacateiros deve ser baseada na sua caracterização pedológica, através da observação do perfil do solo e na avaliação do seu estado de fertilidade, feita através da interpretação dos resultados da análise da terra.

A metodologia de colheita das amostras pressupõe, por sua vez, o conhecimento dos antecedentes culturais da parcela. Assim, é obrigatório efetuar a análise da terra a partir de amostras colhidas segundo os procedimentos descritos no ponto 8.3.1.1.. As determinações analíticas a efetuar serão as que ali são referidas.

A amostra de terra para análise deverá ser acompanhada de uma ficha informativa, semelhante à que se apresenta no Anexo II, onde constará toda a informação respeitante à parcela em que se pretende instalar o pomar.

A ocorrência de doenças que afetam as raízes, como é o caso das provocadas pela Rosellinia necatrix, Armillaria mellea, P. cinnamomi, ou outras, frequentes em solos encharcadiços, deverá ser devidamente assinalada. Esta informação é um dado importante na avaliação das características da parcela, ou de parte dela, e poderá determinar a não plantação, ou a realização de medidas profiláticas adequadas, antes da instalação do futuro pomar.

No caso de replantação é obrigatório a realização de análises de terra e ao material vegetal da cultura anterior, para pesquisar a presença dos agentes patogênicos acima referidos. Após a obtenção dos resultados das referidas análises decidir-se-á o tempo de pousio que, no caso da detecção de algum agente patogênico nunca será inferior a um ano.

Os resultados da observação do perfil do solo e da análise de terra serão igualmente determinantes para a decisão a tomar sobre a plantação do pomar, a escolha do porta-enxerto a utilizar, bem como a fertilização de instalação a praticar.

Em caso de aptidão do terreno, no relatório formular-se-ão todas as recomendações no sentido de ultrapassar eventuais limitações detectadas, nomeadamente no que respeita à sistematização do terreno, tendo sempre em conta as orientações relativas à sua conservação descritas no “Manual Básico de Práticas Agrícolas. Conservação do Solo e da Água” (MADRP, 2000).

A plantação efetuar-se-á depois do terreno limpo de todos os resíduos vegetais das culturas anteriormente instaladas e de se ter procedido à mobilização adequada à topografia, perfil e textura do solo, de acordo com o recomendado na publicação acima referida.

Em produção integrada não é permitida a desinfecção química do solo, salvo nos casos e condições expressamente autorizadas.