sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Cultivo do Açaizeiro em Terras Firme.



O preparo da área deve contemplar a roçagem, manual ou mecanizada, e as operações de limpeza e de preparo do solo executadas durante o período da estiagem. Quando o cultivo do açaizeiro for em consorciação com culturas de ciclo curto, visando à amortização de custos, é aconselhável o preparo do solo de forma mecanizada.


Abertura de covas e plantio

As covas devem ter as dimensões de 40 x 40 x 40 cm e podem ser feitas com draga, enxadeco ou perfuratriz acoplada à tomada de força de trator. Essa operação é realizada no início do período mais chuvoso, para que as mudas se beneficiem da umidade do solo e possam ter um bom desenvolvimento inicial.
No plantio, a porção de terra da camada superior da cova (20 cm) é misturada com 200 g de superfosfato triplo e 5 litros de cama de aviário ou 10 litros de esterco de curral curtido. Essa mistura retornará à cova que, após o plantio da muda, será devidamente preenchida com o solo da camada inferior, sob pequena pressão para evitar a formação de bolhas de ar e posterior apodrecimento das raízes. No momento do plantio, a muda é retirada do saco de plástico, preservando o torrão inteiro. O coleto da muda deve ficar ao nível do solo.

Cultivo solteiro

O espaçamento entre as plantas tem influência sobre a taxa de sobrevivência, crescimento, práticas culturais ou manejo, início da produção e produtividade, com reflexos sobre o custo do processo de produção.
Para produção de frutos, o espaçamento recomendado para o açaizeiro é o de 5 x 5 m ou, alternativamente, os espaçamentos de 5 x 4 m e 6 x 4 m, com manejo de 3 a 4 estipes por touceira. Na Tabela 1, são propostos os números de plantas e de estipes por hectare, de acordo com o espaçamento e o manejo de touceiras adotados.
Tabela 1. Número de plantas e de estipes por hectare, segundo o espaçamento e manejo adotados no plantio do açaizeiro.
Espaçamento
(m)
Plantas por
hectare
Estipes por
touceira
Estipes por
hectare
5x5
5x5
5x5
6x4
6x4
6x4
400
400
400
416
416
416
3
4
5
3
4
5
1.200
1.600
2.000
1.248
1.664
2.080
Fonte: Embrapa Amazônia Oriental
A adoção desses espaçamentos propicia bom desenvolvimento em diâmetro; reduz a altura das plantas, minimizando os riscos de tombamento, pela ação de ventos fortes; e facilita a operação de colheita.
Embora seja pouco utilizado, é possível arranjar as plantas de açaizeiro no espaçamento de 5 x 5 m, dispostas em forma de triângulos eqüiláteros (quincôncio), que permite a densidade de 460 plantas por hectare, mantendo de 3 a 4 estipes por touceira.

Cultivos associados e consorciados

Nos plantios com associação de culturas, há a necessidade de ser aumentado o espaçamento entre as linhas de açaizeiro, para evitar a competição entre as raízes e as copas das plantas. Nesse caso, pode ser adotado o espaçamento mínimo de 7 x 4 m (357 plantas/hectare), com o plantio de outra cultura nas entrelinhas. As linhas de plantio de açaizeiro devem ser dispostas no sentido nascente-poente.
Por outro lado, considerando que nos cultivo solteiros são recomendados os espaçamentos de 5 x 5 m, tanto para o açaizeiro como para o cupuaçuzeiro (Theobroma grandiflorum (Willd. Ex-Spreng.) Schum.), a consorciação dessas culturas exige, para que seja mantida a luminosidade necessária, garantindo bons níveis de produção do cupuaçuzeiro (cultura de porte mais baixo), o arranjo que distribua as plantas dessas espécies nos espaçamentos de 5 x 10 m (Fig. 1). Para alguns especialistas, quando ocorre modificação dos espaçamentos das culturas envolvidas, o consórcio passa a ser uma associação de plantas. Enquanto isso, nos consórcios são preservados os espaçamentos recomendados para a cultura principal que, no caso do açaizeiro, é 5 x 5 m.
A associação ou consorciação com outras culturas anuais ou semiperenes, durante a fase de implantação e crescimento do açaizeiro, propicia renda ao produtor nos primeiros anos de estabelecimento do açaizal. Esses arranjos permitem que essa palmácea se beneficie dos tratos culturais e dos fertilizantes, químicos e orgânicos, aplicados para suprir as necessidades das culturas anuais e perenes.
Os arranjos de cultivos mistos de açaizeiro, quando duas ou mais espécies compõem o sistema agroflorestal, possibilitam situações mais vantajosas que na monocultura, notadamente quanto há diversificação e distribuição da produção, racionalização do uso de mão-de-obra e maior equilíbrio ambiental.

Dentre os sistemas de associações e consorciações praticados e recomendados para a região, podem ser destacados os plantios, em terra firme, do açaizeiro com espécies anuais _ caupi (Vigna unguiculata (L.) Walp.), milho (Zea mays L.) (e mandioca ou macaxeira) _ durante o 1oPassiflora edulis Sims.), bananeira (Musa spp.), mamoeiro (Carica papaya L.) e abacaxizeiro (Ananas comosus (L.) Merril) _ até o 3o ano. Essas práticas permitem a redução dos custos de implantação dos açaizais. ano, e semiperenes _ maracujazeiro (
O açaizeiro também pode ser consorciado com espécies perenes, como o cupuaçuzeiro, cacaueiro (Theobroma cacao L.) e cafeeiro (Coffea spp.). Os arranjos espaciais das culturas consorciadas podem, ainda, permitir o plantio de 20 a 25 essências florestais por hectare, contribuindo para recuperar, preservar e valorizar o ecossistema.
Associação de açaizeiro e cupuaçuzeiro, com o maracujazeiro como cultura semiperene.

Esse sistema possibilita, ao agricultor, dispor de receita durante o ano inteiro, com bom nível de produtividade do açaizeiro, no período de junho a fevereiro, e do cupuaçuzeiro, de novembro a maio. O aumento do espaçamento, entre as touceiras de açaizeiro, garante incidência de luz, em torno de 80%, sem nenhum prejuízo à frutificação das plantas de cupuaçuzeiro.
Associação de açaizeiro e cupuaçuzeiro, com a bananeira como cultura semiperene.

- Observação: Após o 3o ano, são eliminadas as bananeiras das linhas de cupuaçuzeiro, na direção nascente-poente (1), sendo mantida a densidade de 700 plantas/hectare durante 1 ano e 6 meses. Após o 2o desbaste, são eliminadas as bananeiras das linhas de açaizeiro, sentido norte-sul (2), e, finalmente, são mantidas 300 touceiras/hectare.
Associação de açaizeiro e cupuaçuzeiro, com a macaxeira ou mandioca como cultura anual.
Consorciação de açaizeiro e maracujazeiro como cultura semiperene.


Na Tabela 2, são apresentadas as estimativas de produtividades das espécies associadas ou consorciadas com o açaizeiro.
Tabela 2. Produtividades (t/hectare) estimadas de açaizeiro e de espécies associadas ou consorciadas.
Cultura
Espaçamento
Anos após plantios
1
2
3
4
5
6
Açaizeiro (frutos)
5 x 5 m (3)1
5 x 10 m (4)1
10 x 10 m (5)1
-
-
-
-
-
-
4,00
4,00
4,00
5,60
3,00
2,00
8,80
5,00
3,00
12,00
7,00
4,50
Cupuaçuzeiro (polpa)
5 x 5 m
5 x 10 m
10 x 10 m
-
-
-
-
-
-
0,60
0,60
0,60
0,96
0,96
0,96
1,44
1,44
1,44
1,80
1,80
1,80
Maracujazeiro (frutos)
2 (3 x 5 m) x 2 m
-
17,00
-
-
-
-
Bananeira (cachos)
2,5 x 2,5 m
2,5 x 5,0 m
5,0 x 5,0 m
-
-
-
22,90a
17,50b
-
41,70a
31,00b
-
-
32,30a
23,00b
-
12,30a
-
-
-
10,50a
Macaxeira ou mandioca
(raízes)
4 (1 x 1 m) x 2 m
3 (1 x 1 m) x 3 m
20, 80
-
-
-
15,10
-
15,10
-
15,10
-
-
1Números de estipes por touceira.
a,b Produtividades seqüenciais a partir de espaçamentos modificados por desbastes.
Fonte: Embrapa Amazônia Oriental
Fatores que interferem nas associações e consorciações de plantas
- Direção nascente-poente. Conhecido como caminho do sol, permite melhorar a eficiência no aproveitamento da radiação solar pelas plantas consorciadas.
- Arquitetura e envergadura da copa. Nas espécies que crescem por lançamentos de ramos laterais ou plagiotrópicos (ex. freijó cinza, Cordia goeldiana Huber) com grandes dimensões, os ramos mais baixos são eliminados, gradativamente, à medida que surjam novos lançamentos. Com essa prática é facilitada a entrada lateral da luz solar.
- Densidade da copa. Espécies de plantas com copa muito densa não se prestam para consórcio ou, quando muito, são usadas em pastagem, dispostas em grandes espaçamentos.
- Altura. Geralmente as plantas perenes consorciadas devem ter alturas diferentes, para que as copas ocupem estratos diferenciados.
- Exigência de luz. As plantas que suportam certo grau de sombreamento são as mais recomendadas para o estabelecimento de consórcios. O cupuaçuzeiro, por exemplo, não tem a sua produtividade afetada com até 20% de sombreamento.
- Época de produção. As espécies consorciadas, preferencialmente, devem ter épocas diferentes de produção. No entanto, considerando a necessidade da geração de receitas para o agricultor, é importante que uma dessas espécies possa ter a sua produção distribuída durante todo o ano .

- Época de adubação. Quando há diferenciação de épocas de florescimento das plantas, as adubações são efetuadas três vezes por ano, sempre regida pelo período chuvoso.
- Freqüência de adubação. As espécies que têm perfilhos em crescimento (bananeira) e com lançamentos mensais de folhas e cachos (açaizeiro), são adubadas a cada 2 meses.
- Doses de adubos a aplicar. O adubo é ministrado de acordo com a idade das plantas. As doses mais elevadas são ministradas gradativamente.
- Manejo das espécies. Nos consórcios triplos há necessidade da realização de desbastes, retirada de folhas e podas, ou o raleamento (densidade menor) ou a eliminação de uma das espécies.
Adubação
As informações sobre a adubação do açaizeiro, em terra firme, ainda são de pouca consistência do ponto de vista de resultado conclusivo de pesquisa. Os agricultores pioneiros no plantio de açaizeiro, em terra firme, têm utilizado práticas de adubação de seus açaizais que, se não estão corretas sob o ponto de vista técnico, lhes permitem produzir frutos de açaizeiro de forma rentável.
De acordo com o que vem sendo praticado nos sistema de produção, há certo desperdício de nutrientes, contornáveis por meio de resultados de análise de solo, técnica bastante difundida e adotada pelo segmento produtivo, e de análise de tecido foliar (técnica ainda em desenvolvimento), que permitem a realização de ajustes nas doses de nutrientes a serem aplicadas nos açaizais.
A princípio serão indicadas, com base nas informações disponíveis, no andamento dos estudos experimentais e nas experiências do setor produtivo, as doses de nutrientes teoricamente compatíveis com as necessidades do açaizeiro, em cultivos solteiros, associados ou consorciados.

Adubação para cultivo solteiro

Quando do plantio, são aplicados, na cova, 10 litros de esterco de gado e 200 g de superfosfato triplo. No decorrer do ano, são efetuadas mais 3 aplicações de adubos, constituídas de 100 g do formulado químico 10-28-20 (NPK), distribuídas em cobertura circular a 30 cm em torno da planta.
No 1o ano após o plantio, são aplicados 150 g do formulado 10-28-20, à distância de 50 cm da touceira. Nessa ocasião, juntamente com a adubação química, distribuir, também, 10 litros de esterco de gado.
No 2o ano após o plantio, as plantas de açaizeiro são adubadas com 3 aplicações de 200 g do formulado 10-28-20 e mais 20 litros de esterco de gado, distribuídos num raio a 100 cm da touceira.
A partir do 3o ano após o plantio, quando as plantas tiverem iniciado a fase produtiva, é aumentada a oferta de potássio nas 3 aplicações (início, meio e final do período chuvoso), compostas de 290 g do formulado 10-28-20 (NPK), mais 110 g de cloreto de potássio e 20 litros de esterco de gado à distância de 150 cm da touceira. Na última aplicação anual, é recomendável disponibilizar de 10 a 20 g de bórax, por touceira, na área do coroamento.
Adubação prática para cultivos associados e consorciados
- Açaizeiro: Na cova de plantio, são aplicados 10 litros de esterco e mais 200 g de superfosfato triplo. No ano do plantio, a cada 2 meses, são aplicados 50 g da mistura composta de 5 partes do formulado 10-28-20 (NPK) e mais 2 partes de cloreto de potássio.

Nos anos seguintes, a cada 2 meses, são feitas adubações com 100 g (1o ano), 150 g (2o ano), 200 g (3o ano) e com 250 a 300 g (a partir do 4o ano) da mistura (5 partes do formulado 10-28-20 e mais 2 partes de cloreto de potássio). A partir do 3º de cultivo, não haverá a necessidade da aplicação de matéria organica, mas nas adubações químicas devem ser guardadas as mesmas distâncias das touceiras previstas para o 3º ano dos cultivo solteiro do açaizeiro.
- Cupuaçuzeiro: Quando do plantio, são aplicados, na cova, 10 litros de esterco de gado e 200 g de superfosfato triplo. No decorrer do ano, a cada 2 meses, são aplicados, em torno da planta, 50 g do formulado 10-28-20 (NPK).
No 1o ano, após o plantio do cupuaçuzeiro, são aplicados de 10 a 20 litros de cama de aviário, mais 100 g de FTE (Fritted Trace Elements) Br 13 (início das chuvas) e 6 aplicações, espaçadas de 2 meses, de 100 g do formulado 10-28-20 (NPK).
No 2o ano após o plantio, são aplicados de 10 a 20 litros de cama de aviário e 100 g de FTE Br 13 (início das chuvas), de 900 a 1.200 g do formulado 10-28-20, divididos em 3 parcelas iguais, aplicadas no início, meio e fim do período chuvoso, e 30 g de bórax aplicados no final do período chuvoso.
A partir do 3o ano, são aplicados de 10 a 20 litros de cama de aviário e 100 g de FTE Br 13 (início das chuvas), 1.500 g do formulado 10-28-20, divididos em 3 parcelas iguais, aplicadas no início, meio e fim do período chuvoso, e 30 g de bórax, no final do período chuvoso.

- Maracujazeiro: Na cova de plantio são aplicados 10 litros de esterco + 200 g de superfosfato triplo. Do 10 ano após o plantio em diante, são usados de 10 a 20 litros de esterco aplicados a cada 6 meses.
- Bananeira: Na cova, antes do plantio, são colocados 10 litros de esterco e 200 g de superfosfato triplo. No 1o ano, são aplicados, a cada 2 meses, 200 g da mistura constituída de 5 partes do formulado 10-28-20 e 2 partes de cloreto de potássio. A partir do 2o ano, são aplicados de 10 a 20 litros de esterco a cada 6 meses.
- Macaxeira ou mandioca: Aos 30 dias do plantio, é colocado, por cova, 1 litro de esterco de gado e mais 25 g do formulado 10-28-20.
Nas adubações praticadas pelo agricultor, com a aplicação do formulado 10-28-20, ocorre certo desperdício de nutrientes, principalmente do fósforo (P2O5). No entanto, a argumentação básica de seu uso está associada ao custo de compra, pois a diferença é mínima em relação aos outros formulados disponíveis no mercado, como os 14-14-14 ou 10-10-10. No entanto, também é importante considerar os aspectos técnicos do equilíbrio entre os nutrientes, para não haver distúrbios no crescimento e na produção, e os aspectos ambientais que o desequilíbrio nutricional pode provocar.

Adubação compatível às necessidades da cultura
A seguir são descritas recomendações de ordem técnica, com indicações que possam definir os níveis de adubação, a serem adotados em plantios de açaizeiro em área de terra firme, do Estado do Pará.
Calagem
Com antecedência mínima de 90 dias do plantio das mudas no campo, são coletadas amostras compostas de solos, para análise e definição das recomendações de quantidades de calcário a serem aplicadas, de modo que a saturação por bases atinja a 60%. Para o cálculo da necessidade de calcário (NC) é utilizada a seguinte fórmula:
onde:
NC = Necessidade de calcário em tonelada por hectare;
T = capacidade de troca de cátions; T = S + (H + Al+3);
S = (K+Ca+Mg+Na);
V1 = valor da saturação por bases do solo antes da correção;
V2 = valor da saturação por bases desejada (60%);
PRNT = Poder Relativo de Neutralização Total do Calcário.
A calagem deverá ser realizada pelo menos 2 meses antes do plantio.
Adubação
Incorporar na cova, com dimensões de 40 x 40 x 40 cm, 10 litros de esterco de curral curtido ou 3 litros de esterco de galinha, 10 g por planta de FTE BR 13 e a dose de fósforo da Tabela 3 (1oo ano, são aplicados 20 g de FTE Br 13 por planta e as quantidades de N, P e K, indicadas nessa tabela, definidas com base nos resultados da análise do solo. ano), conforme os resultados da análise do solo. A partir do 2
Até o 1o ano, é utilizado o superfosfato triplo como fonte de fósforo (P2O5) e, a partir do 2o ano, é recomendável usar o fosfato natural. A dose de magnésio (MgO) aplicada corresponde a 1/3 da recomendação da dose de potássio (K2) indicada na Tabela 3.
Tabela 3. Recomendação de adubação para o açaizeiro cultivado em terra firme, em função da análise do solo.
Idade
N
P no solo (mg.dm -3)
K no solo (mg.dm -3)
0-10
11-20
>20
0-40
41-90
>90

P2 O5


K2O

g/touceira
1 ano
2 anos
3 anos
4 anos
5 anos
6 anos
7 anos
30
60
70
80
90
100
110
45
75
90
100
110
120
130
30
45
60
75
90
105
115
15
30
45
60
75
90
105
50
70
120
150
180
210
240
30
50
70
90
110
130
150
15
25
35
45
55
65
75
Fonte: Embrapa Amazônia Oriental
É importante executar, antes da adubação, o coroamento das plantas, para que os fertilizantes possam ser bem aproveitados.
A época de adubação está estreitamente relacionada com as características climática, as quais influenciam, não só a absorção dos nutrientes pelas plantas, como também as condições de umidade do solo mais apropriadas, para melhor aproveitamento dos fertilizantes. A época mais propícia para aplicação dos fertilizantes é no início das chuvas ou no final da estação chuvosa, quando a precipitação pluviométrica começa a diminuir de intensidade. Os fertilizantes fosfatados são aplicados de uma só vez, no início do período chuvoso.
As áreas de terra firme da Amazônia possuem solos de baixa fertilidade química, mas possuem boas características físicas, como aeração, drenagem, consistência, profundidade e estrutura, e respondem bem às adubações com elementos nutritivos. Por outro lado, a alta pluviosidade e temperatura elevada, dão condições favoráveis à atividade microbiana no solo, provocando o desgaste da matéria orgânica e, com isso, necessitando de aplicação de adubos orgânicos, para propiciar a fixação dos elementos químicos, assim como para manter a cultura em condições de produzir satisfatoriamente.
Nas áreas submetidas ao clima Afi, a adubação é realizada a cada 2 meses, dentro do período chuvoso, após o plantio das mudas no campo. É aconselhável manter esse esquema de adubação nos 3 primeiros anos. Nas áreas de clima Ami e Awi, a adubação é realizada a cada 2 meses e haverá a necessidade de irrigação das plantas. A primeira adubação anual coincide com o início da estação mais chuvosa.
Os adubos nitrogenados, potássicos e magnesianos, são parcelados em duas aplicações. Aplicar 70% dos nitrogenados no início das chuvas e os 30% restantes, no final da estação chuvosa, no caso dos potássicos é recomendada a aplicação de 35% do total no início das chuvas e, os 65% restantes, ao final do período chuvoso.
Controle de plantas invasoras
O controle das plantas invasoras pode ser realizado de forma integrada, combinando os diferentes métodos de caráter prático com os tradicionais:
Controle preventivo
Devem ser evitadas as práticas que contribuam para espalhar as sementes de plantas invasoras. Alguns cuidados devem ser tomados, como a limpeza dos tratores, maquinas e implementos agrícolas; usar esterco ou matéria orgânica fermentados; utilizar mudas isentas de plantas invasoras; proceder adequado preparo do solo, com a eliminação das plantas indesejáveis.
Controle manual
Prática realizada com maior freqüência sob condições de viveiro, e consiste de atividade identificada como a monda. Em condições de campo, são comuns as capinas, roçagens e arranquíos, notadamente em áreas onde ainda persistem as plantas invasoras.
Na fase inicial do crescimento do açaizeiro, é aconselhável a realização do coroamento que consiste de capina ou roçagem baixa, efetuada em torno das touceiras, para a eliminação das plantas invasoras, evitando a concorrência e o sombreamento prejudiciais para as plantas novas.
Controle mecânico
O uso de roçadeira rotativa ou grade, acoplada ao trator, é indicado para controlar as plantas invasoras que se reproduzem sexuadamente, e deve ser executado antes do início da produção de sementes. Quando as invasoras se reproduzem por rebrotamento, raízes ou batatas, não deve ser utilizada a grade, principalmente no período chuvoso, pois contribui para aumentar a infestação nas áreas cultivadas.
Visando reduzir custos de manutenção, pode ser realizada a roçagem, mecânica ou manual, das linhas de plantio, deixando as entrelinha para serem roçadas, mecanicamente, somente no período menos chuvoso. Por outro lado, também pode ser realizado o coroamento em torno das touceiras, deixando a roçagem geral para ser realizada durante o período de estiagem.
Controle físico
É realizado pela cobertura do solo utilizando serragem, casca de arroz (Oryza sativa L.) ou outros materiais orgânicos. Esses materiais são distribuídos em forma de coroamento, ocupando a área de projeção da copa da planta. Entre os materiais orgânicos devem ser evitados os capins secos com semente, pois concorrem para aumentar a ocorrência de espécies de gramíneas e ciperáceas invasoras.
Como cobertura viva podem ser utilizadas, a partir do 1o ano da implantação do açaizal, nas entrelinhas de plantio, algumas plantas da família das leguminosas. Na associação com o açaizeiro, a leguminosa deve ter as seguintes características: boa adaptação às condições locais, porte herbáceo, ciclo anual ou perene, hábito decumbente, produzir sementes e, principalmente, ter persistência após a roçagem, de modo a renovar constantemente a biomassa para cobrir e proteger o solo. Um benefício adicional da utilização de leguminosa é a de possibilitar a fixação simbiótica de nitrogênio atmosférico.
Controle químico
Realizado com uso de herbicidas específicos para o controle de gramíneas que possam ocorrer na área (ex.: glifosato a 1% que equivale a 200 mL diluídos em 20 litros de água). No comércio existem outros herbicidas e as dosagens são aplicadas de acordo com a recomendação contida nas embalagens dos produtos. Para que essa prática seja eficaz, sob o ponto de vista técnico-econômico, deve ser levada em consideração a época de aplicação, a idade do plantio e a possibilidade de combinação com outros métodos de controle.
No caso específico de áreas cultivadas com o açaizeiro, o controle das invasoras deve ser realizado no início do período chuvoso. A aplicação do herbicida, misturado a um espalhante adesivo, deve ser realizada somente nas linhas de plantio, combinado com o controle mecânico no restante da área.
Irrigação
O plantio do açaizeiro é realizado, preferencialmente, nas áreas de clima Afi, mas é possível cultiva-lo sob clima Ami e até mesmo Awi, desde que haja a suplementação de água através de sistemas de irrigação nos períodos de menor precipitação pluviométrica.
Por ser uma espécie de ambiente úmido, o açaizeiro é muito exigente em água. Assim é aconselhável o uso de irrigação, principalmente nos locais onde o período de estiagem é prolongado. Essa prática é essencial no período de implantação da cultura, quando as plantas necessitam de umidade em quantidade suficiente para a absorção de nutrientes e para não sofrerem estresse hídrico.
Durante os 2 primeiros anos de cultivo, a irrigação, no período de estiagem, é feita por micro aspersão ou por gotejamento, pois nesse período as plantas ainda necessitam de pouca quantidade de água. A partir do 3o ano, quando as plantas iniciam a floração, é conveniente adotar o sistema de irrigação por gotejamento ou aspersão, mas que possibilite maior disponibilidade ou vazão de água.
Desbaste e limpeza das touceiras
O açaizeiro é uma espécie florestal que foge a regra geral das palmeiras, pela exuberância de sua brotação que ocorre em sua base. Nos açaizais, os primeiros perfilhos são normalmente emitidos entre 12 e 15 meses após o plantio das mudas no campo, mas podem ser encontradas plantas desprovidas dessas brotações e outras que apresentam até 10 perfilhos. Por esse motivo, anualmente, são realizadas a prática de desbrota, que consiste da eliminação das brotações excedentes.
Quando do desbaste são mantidos somente os perfilhos bem desenvolvidos e em número compatível com o plano de manejo estabelecido. Por ocasião do desbaste, é efetuada a limpeza da touceira, eliminando as bainhas das folhas que ainda persistirem após a queda das mesmas. Essa prática favorece o crescimento das plantas em diâmetro, o que possibilita a maior longevidade das plantas e maior produção de frutos.





quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Produção de Mudas do Açaí



cultivares


O açaizeiro, por ser espécie alógama (originária de cruzamentos), com ampla ocorrência na Amazônia Continental, apresenta grande variação de tipos para os mais diversos caracteres de interesse, como precocidade, produtividade de frutos, rendimento de polpa e época de produção. Os vários tipos de açaizeiro foram definidos de acordo com a coloração de frutos, formas de inflorescências e cachos, número de frutos por ráquila e diâmetro dos estipes. A partir dessas características resultaram, entre outras, as denominações de açaí-roxo ou preto, açaí-branco, açaí-açu, açaí-espada e açaí-sangue-de-boi.
O uso de cultivares adaptadas às diferentes condições de clima, solo e sistema de produção é o princípio fundamental para a obtenção de incrementos de produtividade e de qualidade de qualquer vegetal.

A partir da década de 1990, a produção de frutos de açaizeiro, até então proveniente da exploração extrativa, passou a contar, também, com a participação de açaizais nativos manejados e de cultivos, em várzea e terra firme, em sistemas solteiros e consorciados. Nesses cultivos foram usadas sementes de origem genética desconhecida, resultando em plantios heterogêneos quanto à produtividade e qualidade do fruto, em razão de não existir campos de produção de sementes, provenientes de matrizes selecionadas, obedecendo aos padrões técnicos exigidos para a certificação de sementes.
O programa de melhoramento genético da Embrapa Amazônia Oriental, com base na seleção fenotípica na coleção de germoplasma de açaizeiro, implantada em área de terra firme, no Município de Belém, PA, lançou, em 2004, a cultivar BRS-Pará, selecionada para as condições de terra firme, com bons níveis de produtividade de frutos.
A cultivar BRS-Pará (Oliveira & Farias Neto, 2005) resultou de 2 ciclos de seleção massal. O 1o visou à avaliação de 849 plantas da coleção de germoplasma, para a produção de frutos por 3 anos consecutivos. Nesse ciclo foram identificadas e selecionadas 25 plantas promissoras, com produção acima de 25 kg de frutos/planta/ano. De cada planta selecionada foram colhidas e misturadas quantidades iguais de sementes para a produção de mudas, plantadas num lote isolado, em área de terra firme no Município de Santa Izabel do Pará.
O 2o ciclo visou à seleção de plantas para as características de perfilhamento e vigor. Antes do florescimento das plantas (3o ano), ocorreu à eliminação daquelas com padrão de desenvolvimento vegetativo e perfilhamento (estipe único) indesejável, de forma a permitir o intercruzamento, por meio de polinização livre, apenas das plantas superiores. As sementes utilizadas para o lançamento da cultivar BRS-Pará foram provenientes desse plantio, transformado em área de produção de sementes (APS) ou de população melhorada.
A cultivar BRS-Pará, por resultar de plantas de polinização aberta ou cruzada, apresentará plantas que, obrigatoriamente, não reproduzirão as mesmas características das plantas matrizes. Aos 3 anos de idade, os valores médios de altura (4,2 m), circunferência do diâmetro à altura do colo (58 cm), número de cachos/planta (4,4) e altura do 1o cacho (112 cm) foram considerados vantajosos em relação à população de origem.

A produção de frutos tem início a partir do 3o ano, sendo possível obter, nas 2 primeiras safras, produtividades de aproximadamente 3 toneladas por hectare/ano. No período inicial de produção, é comum a desuniformidade de lançamento de cachos produtivos, mas com a tendência de uniformidade a partir do 5o ano, com maior concentração da produção de frutos no 2o semestre.
De modo geral, é estimado que, no 5o ano, a produtividade possa chegar a 4 toneladas e, a partir do 6o ano, ocorram aumentos progressivos que poderão alcançar a 10 toneladas de frutos no 8o ano. Vale ressaltar que as características produtivas da cultivar BRS-Pará, avaliadas em um único local (Santa Izabel do Pará), com tipo climático Ami, poderão sofrer algumas alterações em função da interação genótipo x ambiente.

Produção de mudas


O açaizeiro pode ser propagado pelas vias assexuada (retirada de perfilhos) e sexuada (germinação de sementes).
A produção de mudas, por meio de perfilhos, é indicada para a propagação, em pequena escala, de indivíduos que apresentem características desejáveis, como alta produtividade, elevado rendimento de polpa, maturação uniforme dos frutos no cacho e período de frutificação na entressafra. Esse processo deve ter o seu uso restrito aos trabalhos de melhoramento genético, pelas dificuldades de serem obtidos perfilhos em número suficiente, além de sua baixa taxa de sobrevivência em viveiro ou no campo.
A produção de mudas a partir de sementes é o processo mais indicado para o estabelecimento de cultivos comerciais, pois possibilita produzir grande número de indivíduos com menor custo, quando comparado com a propagação assexuada.

Propagação assexuada


Os perfilhos são emitidos na base do estipe do açaizeiro, em número variável, dependendo do genótipo e das condições ambientais. A extração de perfilhos tem uso restrito, por causa do pequeno número de plantas que podem ser obtidas por esse processo (Oliveira et al. 2000). Nesse processo de propagação, a taxa de multiplicação é baixa, quando comparada com a sexuada, sendo possível extrair de 5 a 10 perfilhos por touceira a cada ano, enquanto uma única planta pode produzir, anualmente, até 10 mil sementes.
A extração de perfilhos da planta-mãe é realizada no período mais chuvoso do ano, quando são observadas maiores taxas de sobrevivência no viveiro, porém, não ultrapassando os 60%. Os perfilhos devem ter a altura mínima de 50 cm e apresentarem, pelo menos, uma folha (flecha) ainda fechada.
Os perfilhos estão intimamente ligados à parte basal do estipe adulto e emitidos abaixo do coleto. Quando novos, os perfilhos não têm raízes em número suficientes que garantam o desenvolvimento normal das mudas. Assim, quando do desmembramento, esses são mantidos junto à planta-mãe por cerca de 60 dias, para o completo desenvolvimento do sistema radicular.

Essas mudas podem ser transplantadas para sacos de plástico preto (15 x 35 cm), contendo substrato orgânico, constituído de solo (60%) e matéria orgânica (40%), e mantidas em viveiro com interceptação de 50% da radiação solar direta, ou plantadas diretamente no campo, quando a área de cultivo estiver próxima ao campo de matrizes. 

Propagação sexuada



A semente do açaizeiro é envolvida por uma camada de fibras, recoberta por fina cutícula oleosa, apresenta um embrião diminuto, com abundante tecido endospermático compacto, o perianto parcialmente fibroso, rico em sílica e pobre em lipídios (gorduras), proteínas e amido. O endocarpo é lenhoso, séssil, de forma arredondada, com diâmetro de 1 a 2 cm e peso de 0,8 a 2,3 g. O mesocarpo ou polpa tem a espessura de 1 a 2 mm e corresponde de 5% a 15% do volume do fruto (Carvalho et al. 1998; Rogez, 2000). O epicarpo corresponde à fina camada externa do fruto, com coloração que pode variar, quando maduro, de verde (açaí branco) a violáceo (açaí preto).
O endocarpo, estrutura utilizada na propagação sexuada do açaizeiro, representa cerca de 73% do peso do fruto.

Obtenção de sementes e preparo de mudas

A maioria dos plantios comerciais implantados no Estado do Pará foi feita, até recentemente, a partir de sementes com características desconhecidas e não-selecionadas. O açaizeiro por ser planta de fecundação cruzada (alógama) favorece a segregação de suas características morfológicas e produtivas, resultando na formação de plantios heterogêneos, com produções desuniformes e de baixo rendimento de frutos e polpa.
As sementes são obtidas de plantas-matrizes com características desejadas, com base no tipo de estipe (touceira), comprimento do entrenó (cicatriz foliar), número de cachos emitidos, produção de frutos, rendimento de frutos por cacho e de polpa por fruto. São bons parâmetros de avaliação e seleção de plantas-matrizes, para a obtenção de sementes, aquelas com produção de frutos superior a 5 latas/touceira e com o rendimento mínimo de 8 litros de polpa/lata com 14 a 15 kg de frutos.
Depois de colhidos, os frutos são submetidos ao processo de extração da polpa, com a ajuda de máquinas despolpadoras ou batedeiras de açaí. Após o despolpamento, e antes da semeadura, as sementes são lavadas com água potável. O despolpamento manual pode ser usado para pequenas quantidades de sementes e consiste da remoção, com o auxílio de um estilete, do mesocarpo e do epicarpo.

Acondicionamento de sementes

As sementes de açaizeiro perdem a viabilidade rapidamente, pois apresentam comportamento recalcitrante, não suportando a secagem nem o armazenamento a temperaturas abaixo de 15 oC. Por esse motivo, não podem ser conservadas pelos processos convencionais de armazenamento, cujos pressupostos básicos consideram a secagem e o armazenamento das sementes a baixas temperaturas. O ideal é que sejam semeadas logo após a colheita e o despolpamento, garantindo a germinação de aproximadamente 100%.
Na impossibilidade de realizar a semeadura de imediato, as sementes são estratificadas em serragem (curtida ou esterilizada em água fervente por duas horas), vermiculita ou carvão moído umedecidos previamente com água. A areia ou solo não são indicados para a estratificação das sementes do açaizeiro, por serem demasiadamente pesados, dificultando o manuseio das embalagens.
Alternativamente, as sementes de açaizeiro podem ser acondicionadas em sacos de plástico sem substrato, necessitando de tratamento prévio, por via úmida, com fungicida específico para sementes, seguido de secagem superficial mantendo o teor de umidade entre 25% e 30%. O modo prático de ser obtido esse nível de umidade é dispondo as sementes, em camada única, sobre papel jornal e mantê-las à sombra durante 24 horas.

Necessidade de sementes
A quantidade necessária de sementes para a produção de mudas, visando à implantação de 1 hectare, dependerá do espaçamento a ser adotado. Considerando que cada quilograma possui de 600 a 720 sementes e a necessidade de seleção de plântulas na sementeira e de mudas no viveiro, é recomendável a semeadura de aproximadamente 1.000 sementes (1,4 a 1,7 kg) para cada hectare a ser implantado no espaçamento 5 x 5 m (400 mudas/hectare).

Semeadura e Germinação de Sementes
A semeadura pode ser feita diretamente em sacos de plástico preto ou em sementeiras preenchidos com substrato orgânico. As sementes também podem ser colocadas para germinar em sacos de plástico, dispostas em camadas estratificadas em serragem ou ainda sem este substrato.
A emergência de plântula do açaizeiro é desuniforme, e se inicia por volta dos 22 dias após a semeadura e se estabiliza aos 48 dias. Em média, a germinação requer cerca de 30 dias e a aceleração do processo ocorre com a imersão das sementes em água morna durante 10 a 15 minutos (Carvalho et al. 1998).
As sementes germinadas são imediatamente repicadas para o viveiro. Quando a germinação das sementes é realizada em sementeira ou em sacos de plástico, com ou sem substrato, a repicagem das plântulas para o viveiro é efetuada antes da abertura do 1o par de folhas, no estádio denominado de "palito", normalmente com 5 a 7 cm de altura. Nessa condição, praticamente 100% das plântulas sobrevivem à repicagem e apresentam desenvolvimento normal. Quando necessário, é realizada a poda das raízes.

Semeadura direta em saco plástico com substrato
Este método é recomendado quando a quantidade de mudas a ser produzida é pequena, entre 500 a 1.000. A semeadura direta de 50.000 sementes, por exemplo, ocupará uma área de 500 m2 do viveiro, além disso, nem todas as sementes germinam, o que exigirá novas semeaduras. Por outro lado, a semeadura de duas ou mais sementes por saco implicará na eliminação das plântulas excedentes, onerando os custos operacionais. Os sacos de plástico devem ter dimensões mínimas de 15 cm de largura por 25 cm de altura. O substrato de enchimento dos sacos é constituído da mistura de 60% de solo, 20% de serragem e 20% de esterco curtido ou ainda da mistura de 60% de solo e 40% de cama de aviário.
É necessário umedecer o substrato antes da semeadura e depois, com ajuda com a ajuda de um bastão, são feitas pequenas covas com profundidade aproximadamente de 2 cm, onde as sementes são depositadas e cobertas por uma fina camada de substrato.

Semeadura em sementeira
Este método é indicado quando é grande a quantidade de mudas a serem produzidas, pois implica em considerável economia de mão-de-obra e possibilita a realização de criteriosa seleção de plântulas a serem transplantadas para os sacos de plástico com substrato. A área ocupada com a sementeira é bem pequena e permite o suprimento de água, em quantidade adequada, e o controle de plantas invasoras. A semeadura de 50.000 sementes ocupará somente 50 m2 na sementeira.
O substrato para o preparo da sementeira é constituído da mistura de areia lavada com serragem curtida, na proporção volumétrica de 1:1. As sementes são semeadas em sulcos distanciados de 4 cm, na profundidade de 1 cm, onde são distribuídas 40 sementes por metro linear, o que permite a concentração de 1.000 sementes por metro quadrado. A repicagem das plântulas para os sacos será efetuada, preferencialmente, no estádio "palito", antes da abertura do 1o par de folhas.

Pré-germinação de sementes estratificadas
As sementes são colocadas para germinar dentro de sacos de plástico transparentes, com dimensões compatíveis com a quantidade de sementes. A estratificação pode ser feita com serragem curtida, vermiculita ou carvão vegetal moído, previamente umedecido. Estes sacos devem ter o dobro do volume ocupado pelas sementes estratificadas mais o substrato, para que contenha oxigênio suficiente às necessidades respiratórias das sementes e serem hermeticamente fechados para evitar o dessecamento muito rápido do substrato. Os sacos são mantidos, até a germinação das sementes, protegidos da radiação solar direta e à temperatura ambiente.

Viveiro
O local para instalação do viveiro deve ser de fácil acesso e próximo de fontes de água, para a irrigação das mudas no período de menor pluviosidade. Deve ter boa drenagem e reduzida declividade, mas que permita o escoamento dos excedentes pluviométricos e, preferencialmente, estar situado próximo ao local do plantio definitivo. Esse procedimento minimiza o excesso de movimentação das mudas e diminui os custos de transporte.
A cobertura do viveiro pode ser feita com palhas de palmeiras (verdes, sadias e tratadas com mistura de inseticida e fungicida) ou sombrite (50% de interceptação da radiação solar) e com a altura mínima de 2 m. Essa cobertura é suportada por uma armação de colmos de bambu ou outro material de mais fácil obtenção no local, fixada com arame ou cordão de plástico. Os canteiros devem ter 1,5 m de largura por 20 m de comprimento, e distanciados entre si de 50 cm, para permitir a movimentação de pessoas.
Os sacos de plástico a serem utilizados devem medir 15 x 25 cm, se as mudas permanecerem no viveiro de 6 a 8 meses; ou de 17 x 27 cm, caso sejam mantidas por período superior àquele período. Esses sacos são perfurados no terço inferior para permitir a drenagem do excesso de água.
No viveiro, sempre que necessário, são realizados os seguintes tratos de manutenção: capinas manuais nos sacos (mondas), manutenção dos drenos, irrigação no período menos chuvoso, adubações (somente se o período de produção de mudas passar de 8 meses), manutenção da cobertura e seu gradual raleamento a partir do 8o mês, para permitir a adaptação das mudas à radiação direta.
As mondas periódicas são realizadas para eliminar as ervas invasoras, que exercem concorrência por água e luz. As mudas de açaizeiro necessitam de cerca de 2 litros de água por dia, assim, se as chuvas não forem suficientes (2 mm/dia), haverá a necessidade de irrigação, que deve ser realizada, preferencialmente, no início da manhã ou no final da tarde, evitando aplicar jato muito forte sobre as mudas ou substrato.
Quando o período de produção de mudas passar de 8 meses, é aplicada mensalmente, via foliar, solução de uréia a 0,5% (5 g de uréia para 1 litro de água). Para cada 100 mudas são necessários 2 litros dessa solução ou 20 mL por saco.
Antes do transporte das mudas para o plantio no campo, é realizado o toalete das mesmas, que consiste da eliminação de folhas secas e amarrio das folhas em torno da flecha.
A Comissão Estadual de Sementes e Mudas do Pará estabeleceu, para a produção de mudas fiscalizadas de açaizeiro obtidas de sementes, as seguintes normas e padrões:
- Apresentar altura uniforme, aspecto vigoroso, cor e folhagem harmônicas;
- Possuir, no mínimo, cinco folhas fisiologicamente ativas (maduras), pecíolos longos e as folhas mais velhas com folíolos separados. O coleto deve apresentar a espessura da base maior que a da extremidade das mudas;
- Ter de 4 a 8 meses de idade, a partir da emergência das plântulas;
- Apresentar altura de 40 a 60 cm, medidos a partir do colo da planta;
- Apresentar sistema radicular bem desenvolvido e ter suas extremidades aparadas quando ultrapassar o torrão;
- Isentas de pragas e moléstias (Regulamento da Defesa Sanitária Vegetal);
- A comercialização das mudas somente será permitida em torrões, acondicionadas em sacos de plástico, sanfonados e perfurados, ou equivalentes, com, no mínimo, 15 cm de largura e 25 cm de altura.





Solos e Clima para Açaí


Clima

O estuário amazônico, pela sua posição geográfica, baixa latitude e clima quente, é considerado como região tipicamente tropical. As temperaturas médias anuais oscilam entre 22 oC e 27 oC, com as máximas variando de 28 oC a 33 oC e as mínimas de 17 oC a 23 oC. O total de brilho solar anual é de 1.400 a 2.500 horas que, com a alta nebulosidade, os períodos de insolação correspondem de 35% a 60% do total de horas. A umidade relativa do ar varia entre 70% e 91%, e está estreitamente relacionada aos períodos pluviométricos. A região se beneficia com índices pluviométricos de 1.300 a 3.000 mm anuais, distribuídos em 2 períodos, o mais chuvoso e o menos chuvoso (Bastos, 1972; Bastos et al. 1986).
De acordo com a classificação de Köppen, a Região Amazônica está situada no grupo de clima tropical chuvoso A, onde as temperaturas médias dos meses não são inferiores a 18 oC, com oscilações inferiores a 5 oC, exceto a cidade de Cárceres, MT, que apresenta amplitude anual um pouco acima desse limite. Segundo Bastos (1972), a variedade climática i se caracteriza por não ter verão ou inverno estacional. Os tipos climáticos, Afi, Ami e Awi se diferenciam a partir do total pluviométrico do mês com menor precipitação em relação ao total anual (Fig. 1).
A definição das possibilidades ou limitações do cultivo do açaizeiro, em áreas da Região Amazônica, exige o conhecimento da disponibilidade de água no solo, de acordo com o balanço hídrico que se baseia, além da precipitação pluviométrica, nas perdas de água pelo processo de evapotranspiração. O açaizeiro encontra condições satisfatórias de cultivo nas faixas climáticas com regular distribuição de chuvas e em áreas que, mesmo com período seco definido, disponham de umidade satisfatória no solo, como nas várzeas.

O tipo Afi apresenta abundância de chuvas durante todo o ano (acima de 2.500 mm anuais) e, no mês de menor precipitação, as chuvas alcançam mais de 60 mm, condições adequadas para o cultivo do açaizeiro. O Ami, intermediário entre Afi e Awi, possui regime pluviométrico anual que define uma estação relativamente seca, mas com precipitação total acima de 2.500 mm anuais. O tipo climático Awi se caracteriza por ter índice pluviométrico anual entre 1.000 e 2.500 mm, com nítida estação seca. Quando cultivado em áreas de terra firme, com tipo climático Ami e Awi, com vistas a evitar a redução ou paralisação do crescimento, floração e frutificação do açaizeiro, é importante planejar, nos períodos menos chuvosos, a utilização de sistema de irrigação, que garanta a suplementação hídrica às plantas (Bastos, 1972; Calzavara, 1972).

Solos

Os solos são originados da decomposição de rochas superficiais e resultam de processos destrutivos, relacionados com a decomposição e desintegração (física e química) dos minerais e de restos orgânicos (vegetais e animais); e construtivos, com a formação de novos corpos químicos, orgânicos e inorgânicos. Desse modo, os solos apresentam textura, estrutura e composição química que irão influir no desenvolvimento das plantas, pois neles se fixam e extraem parte dos elementos necessários à sua sobrevivência e desenvolvimento (Falesi, 1972).
Na Amazônia brasileira predominam, pela superfície que ocupam, dois padrões de solos: os de terra firme (87%), com pH variando de 4,5 a 6,5 e, normalmente, pobres em cálcio; e os de várzea (13%), situados às margens dos rios com influência constante das marés (Nascimento & Homma, 1984). Os solos de terra firme, embora o açaizeiro seja espécie típica de áreas inundáveis, são opções importantes para o cultivo dessa palmácea, mas sob condições com baixa deficiência hídrica.

Solos de terra firme

Os solos latossólicos, que ocorrem nas áreas não-inundáveis do estuário amazônico, são bem drenados, porosos, fortemente ácidos e de baixa fertilidade. Dentre esses, a unidade pedogenética de maior importância é constituída pelos Latossolos Amarelo, Vermelho-amarelo e Vermelho-escuro (Latossolo Vermelho), que são solos profundos, fortemente desgastados, bem drenados, com textura variando de leve (arenosa) a muito pesada (argilosa). Apesar da baixa fertilidade natural, baixa soma de bases, baixa capacidade de troca de cátions e baixo índice de saturação, respondem muito bem à adubação, o que faz com que os atributos físicos desses solos sejam mais importantes do que os químicos (Falesi, 1972).
Na implantação de açaizais em solos de terra firme, em sistemas de cultivo solteiro e consorciado, é recomendável a utilização de áreas exploradas com plantios sucessivos. As áreas de pastagens degradadas ou as capoeiras finas (macegas) permitem menores custos de implantação do açaizal.

As áreas desmatadas para uso agrícola, no Estado do Pará, ultrapassam os 200.000 km2, muitas das quais são passíveis de serem utilizadas com sistemas produtivos, tais como os de açaizeiro. Por ser espécie florestal típica da região, com características de cultura permanente, é indicado para as condições tropicais de grande precipitação pluviométrica e elevada temperatura, onde exerce proteção permanente do solo. 

A grande intensidade e freqüência de chuvas ocorrentes na região podem causar a desagregação das partículas dos solos provocando a sua erosão. Por isso, é dada preferência aos solos planos e com baixa declividade, bem como utilizar coberturas viva ou morta nas áreas de plantio.

Os solos concrecionários não são recomendáveis para o cultivo do açaizeiro, pois são obstáculos à penetração das raízes superficiais dessa espécie e concorrem para a redução do número de brotações, crescimento lento dos estipes e redução do diâmetro, com reflexos na produção (Calzavara, 1972).

Solos de várzea e igapó

Esses solos hidromórficos ocupam áreas planas, baixas, de formação sedimentar recente, que margeiam os rios e apresentam extensões de alguns quilômetros de largura. Essas áreas, ao longo do Rio Amazonas e seus afluentes, são distinguidas em várzea alta, várzea baixa e igapó (Falesi, 1972).
Os principais solos hidromórficos encontrados na Região Amazônica, segundo Falesi (1986) são:
- Plintossolos ou Lateritas Hidromórficas: normalmente de baixa fertilidade;
- Gleissolos háplicos, Gley Pouco Húmico ou Gley Húmico: resultante do acúmulo de sedimentos e, por isso, tem fertilidade de média a alta. Esses devem ser os preferidos quando da aplicação do manejo de açaizais ou enriquecimento de ecotipos produtivos dessa palmácea, ou com outras espécies de área inundável, que tenham valor econômico;
- Espodossolos ou Podzol Hidromórfico: são de baixa fertilidade e excessivamente ácidos.
O regime de inundações periódicas nas áreas de várzea provocou a adaptação de algumas espécies vegetais, como o açaizeiro que desenvolveu mecanismos de adaptações morfológica e anatômica, representadas por raízes aéreas com lenticelas e aerênquimas. As estratégias fisiológicas desenvolvidas pelas plantas desta palmácea, permitem manter as sementes viáveis e as plântulas vivas, por períodos superiores a 15 dias, em ambiente anóxico da várzea baixa. A redução do teor de oxigênio em solo de igapó, explica a menor freqüência de espécies arbóreas e de açaizeiro, pois a germinação de sementes é limitada e o crescimento das plântulas é prejudicado. Quando o suprimento de oxigênio é normalizado, as sementes germinam e as plântulas retomam o seu desenvolvimento.
Os solos de várzea não apresentam boas propriedades físicas, mas têm elevada fertilidade, por causa das sucessivas deposições de sedimentos, e pH de 4,5 a 5,5. As oscilações do lençol freático determinam a maior ou menor disponibilidade de água e oxigênio, provocando os processos de oxidação e redução do ferro, responsáveis pelo aparecimento de mosqueados, que caracterizam esses solos de terras inundáveis.
Em condições naturais, a densidade de açaizeiro nas populações nativas é maior nos solos de várzea alta, seguida das de várzea baixa. Nos igapós, as populações de açaizeiro são menos densas, havendo também considerável redução no número de perfilhos. Por isso, devem ser priorizados a implantação de cultivos racionais e o manejo de populações nativas nas áreas de várzeas, sem excluir as de igapó, que requerem práticas de manejos específicas e maior volume de investimento.



Composição Quimica do Açai



O açaí é considerado alimento de alto valor calórico, com elevado percentual de lipídeos, e nutricional, pois é rico em proteínas e minerais. Nas áreas de exploração extrativa, o açaí representa a principal base alimentar da população, notadamente dos ribeirinhos da região do estuário do Rio Amazonas. A composição química e o valor nutricional do açaí são discriminados na Tabela 1

Tabela 1. Composição química e valor nutricional do açaí.

Composição
Unidade
Quantidade na matéria seca
pH
Matéria seca
Proteínas
Lipídios totais
Açúcares totais
Açúcares redutores
Frutose
Glicose
Sacarose
Fibras Brutas
Energia
Cinzas
Sódio
Potássio
Cálcio
Magnésio
Ferro
Cobre
Zinco
Fósforo
Vitamina B1
α-Tocoferol (vitamina E)




-
%
g/100 g(1)
g/100 g(1)
g/100 g(1)
g/100 g(1)
g/100 g(1)
g/100 g(1)
g/100 g(1)
g/100 g(1)
Kcal/100g
g/100 g(1)
mg/100 g(2)
mg/100 g(2)
mg/100 g(2)
mg/100 g(2)
mg/100 g(2)
mg/100 g(2)
mg/100 g(2)
mg/100 g(2)
mg/100 g(2)
mg/100 g(2)




5,80
15,00
13,00
48,00
1,50
1,50
0,00
1,50
0,00
34,00
66,30
3,50
56,40
932,00
286,00
174,00
1,50
1,70
7,00
124,00
0,25
45,00

(1)Matéria seca; (2)Cálculo por diferença.
Fonte: Rogez (2000).
O óleo extraído do açaí é composto de ácidos graxos de boa qualidade, com 60% de monoinsaturados e 13% de poliinsaturados. Com relação às proteínas, possui teor superior ao do leite (3,50%) e do ovo (12,49%), enquanto o perfil em aminoácidos é semelhante ao do ovo.
O açaí possui elevado teor de antocianinas, contendo cerca de 1,02 /100 g de extrato seco. As antocianinas são pigmentos naturais, pertencentes à família dos flavonóides, sendo estes responsáveis pela cor do açaí. Além disto, possuem função antioxidante, que assegura melhor circulação sanguínea e protegem o organismo contra o acúmulo de placas de depósito de lipídeos, causadores da arteriosclerose.
O consumo diário de um litro de açaí do tipo médio, com 12,5% de matéria seca, contém 65,8 g de lipídios, o que corresponde a 66% da ingestão diária requerida; 31,5 g de fibras alimentares totais, o que equivale a 90% das recomendações diárias e 12,6 g de proteínas, o que corresponde de 25% a 30% da quantidade nutricional diária necessária. O açaí é rico em minerais, principalmente potássio e cálcio e, dentre as vitaminas, pode ser destacada a vitamina E, um antioxidante natural que atua na eliminação dos radicais livres.