quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Coeficientes técnicos, custos, rendimentos e rentabilidade do Açaí



Até a década de 1980, a exploração do açaizeiro (fruto, palmito e folhas) era feita somente de forma extrativa. A partir de 1990, o cultivo dessa palmácea na Região Norte do país, face ao aumento da demanda, experimentou sensível crescimento, em razão de incentivos financeiros e disponibilização de novas técnicas de cultivo e manejo.

O açaizeiro, por não ser espécie arbórea, não tem interesse para a indústria madeireira, mas é de grande importância para a preservação da floresta amazônica. Para o estabelecimento da cultura é necessário que o produtor rural conheça o custo de sua produção, para poder comparar com o preço de mercado e decidir pela manutenção ou não do plantio e da área de exploração extrativa. A decisão de plantar culturas perenes, pela irreversibilidade da sua introdução ao sistema de cultivo, deve ser bem planejada.

Os coeficientes técnicos e rendimentos do cultivo e da exploração extrativa do açaizeiro, aqui tratados, foram extraídos de trabalhos científicos e teses defendidas por pesquisadores da Embrapa Amazônia Oriental e obtidos em viagens às regiões maiores produtoras. Os custos de produção e a rentabilidade foram analisados com base no cálculo dos seguintes indicadores financeiros: valor presente líquido, relação beneficio/custo e taxa interna de retorno. Os cálculos foram executados em planilhas do programa Excel, através das seguintes fórmulas:

onde:

VPL= valor presente líquido;
B/C= relação benefício/custo;
Bt = benefício em cada ano do projeto;
Ct = custo em cada ano do projeto;
t = número de anos do projeto;
i = taxa de desconto; e
i* = taxa interna de retorno.
O VPL é o valor atual de uma sucessão futura de benefícios líquidos. É calculado com base na aplicação de uma determinada taxa de desconto sobre os lucros financeiros da atividade, desde o momento futuro em que essa renda ou despesa será realizada, até o presente. Quanto maior é o VPL melhor será o empreendimento.
Com a relação B/C podem ser comparados os diversos fluxos de benefícios e verificados se tem rentabilidade financeira. Quando a B/C é igual a 1 indica o equilíbrio ou equivalência entre os benefícios e os custos. Quando for maior que 1, significa que os benefícios ultrapassam os custos, sendo a relação ideal para os proprietários dos recursos produtivos. E quando a relação B/C é menor que 1 indica que os custos são maiores que os benefícios.
A TIR indica qual a taxa máxima de remuneração que o investimento paga como custo de oportunidade. Se a TIR é maior que as taxas médias de remuneração do capital que o mercado paga, então o empreendimento é viável. Se for menor, convém investir em outras opções.
Foi feita a análise econômica dos três sistemas de produção considerados neste estudo, foi calculado o benefício líquido e o ponto de equilíbrio para cada nível de produção. O benefício líquido é a diferença entre as receitas e os custos de produção e o ponto de equilíbrio mostra qual a quantidade mínima a ser produzida para que as receitas paguem os custos de produção. Também é feito um resumo dos custos de cada sistema

Cultivo em área de terra firme

Os coeficientes técnicos e os custos para a implantação de 1 hectare de açaizeiro para a produção de frutos em área de terra firme, bem como para a sua manutenção a partir do 2° ano após o plantio, constam da Tabela 1. Os dados dessa tabela mostram um fluxo de caixa bastante promissor. Foram estimados os benefícios líquidos do plantio até o 7° ano, quando tendem a se estabilizar.
Tabela 1. Custo de implantação e manutenção de 1 hectare de açaizeiro, para produção de frutos, em terra firme (R$).
DiscriminaçãoUnid.Preço1º ano2º ano3º ano4º ano5º ano6º ano7º ano
QValorQValorQValorQValorQValorQValorQValor
Preparo da área Plantio
d/h
12,00

10
120,00------------
Marcação
d/h
12,00

1
12,00------------
Abertura covas
d/h
12,00

10
120,00------------
Adubação
d/h
12,00

1
12,00------------
Plantio
d/h
12,00

1
12,00------------
Tratos culturais




Roçagem
d/h
12,00

8
96,00
8
96,00
8
96,00
8
96,00
8
96,00
8
96,00
8
96,00
Coroamento
d/h
12,00

4
48,00
4
48,00
4
48,00
4
48,00
4
48,00
4
48,00
4
48,00
Desbaste
d/h
12,00

-
-112,00112,00112,00112,00112,00112,00
Cobertura morta
d/h
12,00

3
36,00
3
36,00
3
36,00
3
36,00
3
36,00
3
36,00
3
36,00
Adubação
d/h
12,00

1
12,00
2
24,00
2
24,00
2
24,00
2
24,00
2
24,00
2
24,00
Colheita
rasa1
3,00

-
-
-
-
-
-
72
16
108
321,00
151
153,00
202
606,00
Isumos




Piquetes
mil
10,0

0,4
4,00------------
Adubos
kg
1,30

200
260,00
180,00
234,00
240,00
312,00
240,00
312,00
240,00
312,00
240,00
312,00
240,00
312,00
Calcário
mg
0,25

100
25,00
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
Esterco
m3
35,00

2
70,00
2
70,00
2
70,00
2
70,00
2
70,00
2
70,00
2
70,00
Mudas
uma
0,50

420
210,00------------
Rasas de arumã
uma
2,50

-
-------------
Total de custos




1.037,00520,00598,00826,50939,501.073,501.234,00
rasa = 28 kg de frutos; Unid. = unidade; Q= quantidade; d/h = dias/homem; t= tonelada.
Fonte: Embrapa Amazônia Oriental
Os investimentos iniciais, sem considerar o custo da terra, que normalmente o produtor a possui recebida de herança de seus ascendentes, somam R$ 2.155,00, relativos aos gastos de implantação e manutenção nos 3 primeiros anos. Já no 4° ano, quando tem início a produção, a receita gerada supera os custos de manutenção em 4,5%, o mesmo ocorre nos anos subseqüentes, quando essa margem é de 38%, 69% e 96%, respectivamente para o 5°, 6° e 7° anos. Dessa forma, o investimento feito nos 3 primeiros anos será pago, com facilidade, até o 8° ano (Tabelas 2 e 3).
Tabela 2. Análise econômica da implantação e manutenção de 1 hectare de açaizeiro, produção de frutos, em terra firme (R$).
Períodos
 Produção
(rasa)1
Preço
(A)
Valor da produção
(B)
Custo total
(C)
Benefício líquido
(B-C)
Ponto de equilíbrio
(rasa) (C/A)
Ano 1
Ano 2
Ano 3
Ano 4
Ano 5
Ano 6
Ano 7
Ano 8
Ano 9
Ano 10
Ano 11
Ano 12
-
-
-
72
108
151
202
202
202
202
202
202
-
-
-
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
-
-
-
864,00
1.296,00
1.812,00
2.424,00
2.424,00
2.424,00
2.424,00
2.424,00
2.424,00
1.037,00
520,00
598,00
826,50
939,50
1.073,50
1.234,00
1.234,00
1.234,00
1.234,00
1.234,00
1.234,00
(1.037,00)
(520,00)
(598,00)
37,50
356,50
738,50
1.190,00
1.190,00
1.190,00
1.190,00
1.190,00
1.190,00
-
-
-
69
78
89
103
103
103
103
103
103
1 rasa = 28kg de frutos; valores entre parênteses são negativos
Fonte: Embrapa Amazônia Oriental
Em áreas onde for prolongado o período sem chuvas, é recomendável o uso de sistema de irrigação, principalmente na fase de implantação do cultivo. A adoção de sistema de irrigação contribuirá, também, para a redução dos períodos de entressafras e, para tanto, pode ser utilizada a irrigação por gotejamento, de baixo custo, adaptado na Embrapa Amazônia Oriental, mas que oneram o investimento em cerca de R$ 1.800,00 por hectare.
Tabela 3. Resumo do custo (R$) de implantação e manutenção de 1 hectare de açaizeiro, produção em terra firme.
Períodos
 Mão de obra
Colheita
Insumos
Ano 1
Ano 2
Ano 3
Ano 4
Ano 5
Ano 6
Ano 7
Ano 8
Ano 9
Ano 10
Ano 11
Ano 12
468,00
216,00
216,00
216,00
216,00
216,00
216,00
216,00
216,00
216,00
216,00
216,00
-
-
-
216,00
324,00
453,00
606,00
606,00
606,00
606,00
606,00
606,00
569,00
304,00
382,00
394,50
399,50
404,50
412,00
412,00
412,00
412,00
412,00
412,00
Fonte: Embrapa Amazônia Oriental
Cultivo em área de várzea

Os coeficientes técnicos e os custos de produção para implantação de 1 hectare de açaizeiro em área de várzea para a produção de frutos, bem como para a sua manutenção a partir do 2° ano após o plantio, constam da Tabela 4. Não há referências aos custos com adubos, pois para essas condições de cultivo não há necessidade de práticas de adubação em razão da maior fertilidade desses solos. Foram estimados os benefícios líquidos do plantio até o 7° ano, quando tendem a se estabilizar. O fluxo de caixa do plantio também é bastante promissor.
Os investimentos iniciais, sem também considerar o custo da terra, somam R$ 1.666,00, relativos aos gastos de implantação e manutenção nos 3 primeiros anos. No 4° ano, quando é iniciada a produção, a receita gerada supera os custos de manutenção em 98%, o mesmo ocorre nos anos subseqüentes, quando essa margem é de 188%, 222% e 241%, respectivamente para o 5°, 6° e 7° anos. Dessa forma, o investimento feito nos 3 primeiros anos será pago, com facilidade, até o 5° ano (Tabela 5). No cultivo em área de várzea não há abertura de cova padrão, pois as dimensões necessárias são aquelas que permitam colocar o torrão de terra para a preservação das raízes da planta.
Tabela 4. Custo de implantação e manutenção de 1 hectare de açaizeiro, para produção de frutos, em área de várzea (R$).
DiscriminaçãoUnid.Preço1º ano2º ano3º ano4º ano5º ano6º ano7º ano
QValorQValorQValorQValorQValorQValorQValor
Preparo da área Plantio
d/h
12,00

30
360,00
Marcação
d/h
12,00

1
12,00------------
Abertura covas
d/h
12,00

5
60,00------------
Plantio
d/h
12,00

1
12,00------------
Tratos culturais




Roçagem
d/h
12,00

24
288,00
24
288,0016192,0016192,00896,00896,00896,00
Coroamento
d/h
12,00

6
72,00
6
72,00
-
-
6
72,00------
Desbaste
d/h
12,00

-
-112112112112112112
Colheita
rasa1
3,00

-
-
-
-72,00216,00--108324,00191573,00302906,00
Isumos




Piquetes
mil
10,0

0,4
4,00------------
Mudas
uma
0,50

420
210,00------------
Rasas de arumã
uma
2,50

-
-
-
-
-
-512,50717,501230,001947,50
Total de custos




1.018,00372,00276,00432,50449,50711,001.061,50
1rasa = 28 kg de frutos; Unid. = unidade; Q= quantidade; d/h = dias/homem; t= tonelada.
Fonte: Embrapa Amazônia Oriental

Tabela 5. Análise econômica da implantação e manutenção de 1 hectare de açaizeiro, produção de frutos em área de várzea (R$).
Períodos
Produção
(rasa)1
 Preço
(A)
Valor da produção
(B)
Custo total
(C)
Benefício líquido
(B-C)
Ponto de equilíbrio
(rasa) (C/A)
Ano 1
Ano 2
Ano 3
Ano 4
Ano 5
Ano 6
Ano 7
Ano 8
Ano 9
Ano 10
Ano 11
Ano 12
-
-
-
72
108
191
302
302
302
302
302
302
-
-
-
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
-
-
-
864,00
2.292,00
1.812,00
3.624,00
3.624,00
3.624,00
3.624,00
3.624,00
3.624,00
1.018,00
372,00
276,00
432, 50
449, 50
711,00
1.061,50
1.061,50
1.061,50
1.061,50
1.061,50
1.061,50
(1.018,00)
(372,00)
(276,00)
431, 50
846,50
1.581,00
2.562,50
2.562,50
2.562,50
2.562,50
2.562,50
2.562,50
-
-
-
36
37
59
88
88
88
88
88
88
1 rasa = 28kg de frutos
Fonte: Embrapa Amazônia Oriental
Com a taxa de desconto de 6% foram obtidos os seguintes índices financeiros:
TIR = 44,40%; VPL = R$ 9.448,65; e B/C = 2,48.
Pelos cálculos dos indicadores financeiros efetuados foi constatado que a TIR de 44,40% indica um retorno superior às taxas oferecidas pelo mercado para aplicações financeiras; o valor presente líquido é positivo, indicando a viabilidade econômica da atividade; e, a relação Benefício/Custo é maior que 1, demonstrando que os benefícios são 148% superiores aos custos de produção.
Considerando o horizonte temporal de 12 anos e a estabilização do plantio no 7° ano, quando a produção deverá se manter estável a partir daí, outros indicadores econômicos vêm confirmar a viabilidade do plantio:
a) Margem de lucro:
- Benefício líquido acumulado / receita total acumulada = 63%
Mostra que o lucro líquido corresponde a mais de 60% do valor da receita total.

- Benefício líquido acumulado / custo total acumulado = 172%
Mostra que o lucro líquido é mais de 70% superior aos custos totais de produção.

b) Rentabilidade:
- Benefício líquido acumulado / investimento inicial = 994%
Mostra que o lucro líquido é quase 10 vezes o valor dos investimentos feitos (gastos com implantação e manutenção até o 3° ano).
Pelos dados da Tabela 6, pode ser constatado que a colheita é o item de maior valor na composição do custo de produção, seguido dos gastos com mão-de-obra.
Tabela 6. Resumo do custo (R$) de implantação e manutenção de 1 hectare de açaizeiro, produção de frutos em área de várzea.
Períodos
 Mão de obra
Colheita
Insumos
Ano 1
Ano 2
Ano 3
Ano 4
Ano 5
Ano 6
Ano 7
Ano 8
Ano 9
Ano 10
Ano 11
Ano 12
804,00
372,00
276,00
204,00
108,00
108,00
108,00
108,00
108,00
108,00
108,00
108,00
-
-
-
216,00
324,00
573,00
906,00
906,00
906,00
906,00
906,00
906,00
214,00
-
-
12,50
17,50
30,00
47,50
47,50
47,50
47,50
47,50
47,50
Fonte: Embrapa Amazônia Oriental
Manejo de açaizais nativos

Na composição dos custos foi considerado o manejo de 1 hectare de açaizal nativo com 800 plantas adultas, 900 estipes em produção e 2.700 cachos. Os coeficientes técnicos e os custos de produção foram estimados até o 4° ano, quando tendem a se estabilizar, e os dados constam da Tabela 8.
Não há investimento inicial no manejo, pois a produção inicia desde o 1o ano. Pelos dados da Tabela 13, pode ser observado que desde o 1° ano a atividade apresenta superávit no fluxo de caixa. Até o 3° ano a receita superou o custo em 90%, 87% e 87%, respectivamente. A partir do 4° ano os custos e receitas tendem a se estabilizar a níveis altamente satisfatórios, tendo em vista que o manejo possibilita dobrar a produção de frutos a partir desse período. O superávit, a partir do 4° ano, foi de 198%, anualmente.
Para a taxa de desconto de 6% foram obtidos os seguintes índices financeiros: VPL = R$ 16.026,07; e B/C = 2,68.
Pelos cálculos dos indicadores financeiros efetuados foi observado que o valor presente líquido é positivo, indicando a viabilidade econômica da atividade; e, a relação benefício/custo é maior que 1, demonstrando que os benefícios são 168% superiores aos custos de produção.
Considerando o horizonte temporal de 12 anos e a estabilização do plantio no 7° ano, quando a produção deverá se manter estável a partir daí, a margem de lucro vem confirmar a viabilidade do plantio:
Margem de lucro:
- Benefício líquido acumulado / receita total acumulada = 63%
Mostra que o lucro líquido corresponde a mais de 60% do valor da receita total.
- Benefício líquido acumulado / custo total acumulado = 172%
Mostra que o lucro líquido é mais de 70% superior aos custos totais de produção.
Os dados da Tabela 7, possibilitam constatar que a colheita é o item de maior valor na composição do custo de produção, seguido dos gastos com mão-de-obra.
Tabela 7. Produção, receita e custo de implementação e manutenção de 1 hectare de açaizal nativo manejado, em área de várzea para produção de frutos (R$).
DiscriminaçãoUnid.Preço1º ano2º ano3º ano4º ano
QValorQValorQValorQValor
Raleamento e roçagem
Transplantio de mudas
Roçagem semestral
Colheita
Desbaste
Rasas de arumã
d/h
d/h
d/h
rasa1
d/h
unid.
12,00
12,00
12,00
3,00
12,00
2,50
30
3
-
151
7
9
360,00
36,00
-
453,00
84,00

22,50


40
151

1
9


480,00
453,00
84,00

22,50


40
151

1
9


480,00
453,00
84,00

22,50


40
151

1
9


480,00
453,00
84,00

22,50
Total dos custos



955,50967,50967,501.215,00
1rasa = 28 kg de frutos; Unid. = unidade; Q= quantidade; d/h = dias/homem; t= tonelada.
Fonte: Embrapa Amazônia Oriental

Tabela 8. Análise econômica da implementação e manutenção de 1 hectare de açaizal nativo, para produção de frutos em área de várzea (R$).
Períodos
Produção(rasa)1
Preço(A)
Valor da produção(B)
Custo total
(C)
Benefício líquido
(B-C)
Ponto de equilíbrio(rasa) (C/A)
Ano 1
Ano 2
Ano 3
Ano 4
Ano 5
Ano 6
Ano 7
Ano 8
Ano 9
Ano 10
Ano 11
Ano 12
151
151
151
302
302
302
302
302
302
302
302
302
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
1.812,00
1.812,00
1.812,00
3.624,00
3.624,00
3.624,00
3.624,00
3.624,00
3.624,00
3.624,00
3.624,00
3.624,00
955,50
967,50
967,50
1.215,00
1.215,00
1.215,00
1.215,00
1.215,00
1.215,00
1.215,00
1.215,00
1.215,00
856,50
844,50
844,50
2.049,00
2.049,00
2.049,00
2.049,00
2.049,00
2.049,00
2.049,00
2.049,00
2.049,00
79
80
80
101
101
101
101
101
101
101
101
101
1rasa = 28 kg de frutos
Fonte: Embrapa Amazônia Oriental

Tabela 9. Resumo de custo (R$) de implementação e manutenção de 1 hectare de açaizal nativo, para produção de frutos em área de várzea.
Períodos
Mão de obra
Colheita
Insumos
Ano 1
Ano 2
Ano 3
Ano 4
Ano 5
Ano 6
Ano 7
Ano 8
Ano 9
Ano 10
Ano 11
Ano 12
804,00
372,00
276,00
204,00
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216,00
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906,00
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30,00
47,50
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47,50
47,50
47,50
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Fonte: Embrapa Amazônia Oriental



Mercado e Comercialização do Açai





Mercado e comercialização


A exploração do açaí é de fundamental importância para as economias dos Estados do Pará, Maranhão, Amapá, Acre e Rondônia, especialmente para o primeiro e o terceiro, pois responde pela sustentação econômica das populações ribeirinhas. Tem sido estimado que as atividades de extração, transporte, comercialização e industrialização de frutos e palmito de açaizeiro são responsáveis pela geração de 25 mil empregos diretos e geram anualmente mais de R$ 40 milhões em receitas. A partir de 1992, quando foi atingido o ápice das exportações de palmito, a produção de frutos de açaizeiro experimentou crescimentos anuais significativos, em função do aumento da competitividade da coleta de frutos, motivado por melhorias nos preços, e do aumento da fiscalização, evitando a destruição maior dos açaizais. A produção de frutos de açaizeiro no Estado do Pará cresceu de 92.021 toneladas, em 1997, para 122.322 toneladas, em 2002, um aumento de quase 33%. Em 2003, a produção foi de 160.000 toneladas.

Com a expansão do consumo do açaí, os ribeirinhos, nos últimos anos, têm diminuído a extração e venda de palmito para as indústrias processadoras e concentraram as suas atividades na coleta e venda de frutos, cuja valorização teve efeito econômico e ecológico positivo sobre a conservação de açaizais.
A partir da década 1990, com o aumento da pressão internacional para a preservação da Amazônia, os produtos florestais não-madeireiros ganharam importância como alternativa para evitar desmatamentos e queimadas. Essa exposição da Amazônia, na mídia mundial, chamou a atenção para diversos frutos regionais, como o guaraná, cupuaçu, açaí, pupunha e o bacuri, entre os principais, que tiveram forte crescimento no mercado nacional e atraíram o interesse do mercado internacional.
A importância socioeconômica do açaizeiro decorre, portanto, do seu enorme potencial de aproveitamento integral de matéria-prima. O principal aproveitamento é a extração do açaí, mas as sementes (caroços) do açaizeiro são aproveitadas no artesanato e como adubo orgânico. A planta fornece ainda um ótimo palmito e as suas folhas são utilizadas para cobertura de casas dos habitantes do interior da região. Dos estipes adultos, 30% podem ser cortados de 5 em 5 anos e destinados à fabricação de pastas e polpa de celulose para papel.
Para a população ribeirinha, uma das mais rentáveis possibilidades comerciais proporcionadas pelo açaizeiro é a produção e comercialização de seu fruto "in natura". A produção de frutos para o mercado local é uma atividade de baixo custo e de excelente rentabilidade econômica.
A valorização do fruto do açaizeiro contribuiu, nos últimos anos, para consolidar o manejo de açaizais nativos como a principal atividade do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Extrativismo (PRODEX), criado em junho de 1996, componente do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO). Os grandes interesses pela cultura e por esses recursos, fizeram com que a área manejada e de cultivo passasse de 9.223 hectares, em 1996, para 18.816 hectares, em 2002, tanto para produção de frutos como para extração de palmito, atendendo mais de 5 mil produtores, dos quais 92,1% são do Estado do Pará. O forte crescimento do mercado de fruto de açaí tem sido o indutor dessa expansão.
A principal finalidade da utilização do açaizeiro ainda é para extração do açaí, embora nos últimos anos tenha surgido um grande leque de alternativas para a cultura, em face do interesse despertado, após estudos demonstrando excelentes oportunidades para o aproveitamento integral dessa palmeira pelas indústrias alimentícias, de corantes naturais, de cosméticos, de fármacos, de celulose e papel, entre outras (Melo et al. 1974; Melo et al. 1988; Nazaré, 1998; Rogez, 2000).
A concentração de açaizeiro no estuário amazônico, com a área estimada em 1 milhão de hectares, torna a espécie um componente da floresta nativa, formando maciços de açaizais naturais. Em decorrência da facilidade de extração de seus frutos, a espécie permite à indústria instalada na região o abastecimento seguro e fácil, com custo baixo da matéria-prima e do transporte. Ao mesmo tempo, possibilita o aproveitamento permanente das áreas de várzea e igapó, exploradas, anualmente, com o cultivo do arroz e cana-de-açúcar, evitando, dessa maneira, o abandono dessas áreas e a sua transformação em capoeira desprovida de espécies valorizadas, fato bastante comum na agricultura itinerante regional.
O açaizeiro é uma espécie vegetal com grande potencial de aproveitamento por pequenos produtores e populações ribeirinhas, desde que seja explorado de forma racional.
O fruto e o açaí possuem um mercado regional muito forte, por ser importante na alimentação diária das populações locais, pelos seus altos valores nutricionais e de unânime preferência popular por seu singular paladar. Em Belém é estimada a existência de mais de 3 mil pontos de venda de açaí, comercializando diariamente 120 mil litros, atendendo, basicamente, as populações de baixa renda.
No Estado do Pará, onde o açaí faz parte de sua cultura, o consumo vem aumentando no decorrer dos anos, como conseqüência do processo de congelamento utilizado pelo consumidor, que faz com que o produto seja consumido durante todo o ano. A imigração rural é outro fator relevante para a ampliação do consumo urbano, tendo em vista que pessoas oriundas do interior acostumadas a tomar açaí regularmente, mantêm esse hábito quando imigram para as grandes cidades do Estado.
Um dos grandes problemas do comércio do açaí é a sua característica de alta perecibilidade, mesmo sob refrigeração. Nas indústrias de sorvetes da região é comum submeter o açaí concentrado à temperatura de -40 oC, preservando grande parte de suas propriedades.
A demanda pelo açaí fora da região também está em alta, com o produto tendo boas possibilidades de mercado, principalmente no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Goiás e na Região Nordeste. No Rio de Janeiro, o açaí é oferecido nas praias e se tornou muito popular entre os adeptos da "cultura da saúde" e entre os frequentadores de academias. É também vendido diretamente ao consumidor, onde a demanda pelo produto, antes considerado exótico, é crescente e começa a ganhar popularidade entre os nativos e turistas. É estimado que no Rio de Janeiro sejam consumidas 500 toneladas/mês, em São Paulo 150 toneladas/mês e outros Estados somam 200 toneladas/mês. Nesses locais, em alguns pontos de venda, o que se consome é o açaí fino que, misturado com outros produtos, perde o gosto, o odor e até o valor calórico da fruta. Além da mistura com outros produtos, é freqüente o aumento da dosagem de água, adequando de acordo com o preço oferecido. Este aspecto realça a importância de se estabelecer critérios mais rígidos quanto ao teor de água em mistura com o açaí comercializado, sob risco de infringir danos à saúde dos consumidores e a perda de mercados no futuro.
Em 2000, foi iniciada a exportação de polpa congelada de açaí para os Estados Unidos e para a Itália. Esse mercado externo vem crescendo 20% ao ano nos últimos 3 anos, com a comercialização do açaí concentrado em latas e com a popularização da mistura com diversas outras frutas feitas em academias de ginástica. Futuramente, poderá haver problemas com o registro da marca "açaí", registrado em março de 2001, tanto na União Européia como nos Estados Unidos da América do Norte, que motivará pendengas judiciais e entraves à comercialização.
Como todo produto extrativo, é difícil quantificar o volume ofertado de açaí. A oferta brasileira está concentrada na Amazônia, especialmente no Estado do Pará _ seu principal produtor, com 92% da oferta _ vindo em seguida o Maranhão, Amapá, Acre e Rondônia. A abertura de novos mercados tem contribuído para o aumento do déficit de matéria-prima, principalmente na época da entressafra.
No Pará, as microrregiões Furos de Breves, Arari, Belém, Salgado, Cametá e Guamá, respondem por 97% da produção estadual, ou 119 mil toneladas. Em 2002, a microrregião Cametá contribuiu com 77 mil toneladas. Por se tratar de um produto, cujo crescimento do mercado concorreu para o aumento dos níveis de preços, há necessidade de políticas públicas que ampliem a oferta para atender os consumidores locais.
Quanto aos preços do fruto na região, há variações importantes em função, principalmente, da oferta local, da distância do mercado consumidor e do tamanho desse mercado. A formação do preço se dá no momento da chegada do intermediário no local de comercialização. O preço de "abertura", o primeiro preço do dia, é sempre o último praticado no dia anterior. Com a chegada de barcos carregados de frutos esse preço começa a cair, dado o aumento da oferta. No Município de Igarapé-Miri, no Pará, em 2004, uma rasa de 28 kg custava R$ 12,00, mas poderia chegar a R$ 45,00 ou até R$ 60,00, na entressafra. O produtor tem um maior ou menor retorno financeiro de acordo com a distância entre a sua propriedade e o mercado consumidor, em face do custo de transporte do produto até esse mercado.




Processamento, Embalagem e Conservação do Açaí

O açaí é o produto extraído do epicarpo e do mesocarpo, partes comestíveis do fruto do açaizeiro, após amolecimento obtido por processos tecnológicos adequados.
Conforme legislação vigente, o açaí processado é classificado em:
- Açaí grosso ou especial (tipo A): a polpa extraída com a adição de água apresenta, após ser filtrada, mais de 14% de sólidos totais e a aparência é muito densa;
- Açaí médio ou regular (tipo B): a polpa extraída com a adição de água apresenta, após ser filtrada, de 11% a 14% de sólidos totais e tem a aparência densa;
- Açaí fino ou popular (tipo C): a polpa extraída com a adição de água apresenta, após ser filtrada, de 8% a 11% de sólidos totais e a aparência é pouco densa.

Processamento industrial


A extração do açaí, pelo processo industrial, envolve as seguintes etapas: 


Recepção dos frutos


Os frutos de açaizeiro chegam às unidades de processamento acondicionados em cestos, paneiros, rasas ou caixas de plástico, os quais são pesados (Fig. 1) e conduzidos para o processo de seleção.

Seleção

A seleção manual dos frutos, geralmente, é realizada em mesas de aço inoxidável, dotadas de peneiras, cujas dimensões possam reter os frutos, deixando passar as impurezas menores, como os restos de sépalas, fragmentos de ráquilas, terra, frutos chochos etc. (Fig. 2).

Nessa etapa, os frutos verdes e em estado fitossanitário precário, ou mesmo com qualquer outro tipo de defeito, que os torne inadequados ao processamento, devem ser retirados do lote.
Em algumas indústrias de processamento, os frutos passam por um equipamento dotado de ventilador para a retirada das sujidades adquiridas na colheita, no transporte ou oriundas dos próprios frutos.

Pré-lavagem, amolecimento e lavagem

Os frutos de açaizeiro são transportados para um sistema composto de quatro lavagens em série:
Na 1a, os frutos são imersos em água para a retirada das sujidades aderidas aos frutos (Fig. 3)

Na 2a, os frutos também são imersos em água para o amolecimento do epicarpo e do mesocarpo, com a finalidade de facilitar o processo de despolpamento (Fig. 4). As variáveis deste processo são a temperatura da água e o tempo de imersão, em que, de acordo com os processadores, variam conforme a procedência dos frutos e de seu grau de maturidade. A água pode estar à temperatura ambiente ou na de 40 ºC a 60 ºC, não devendo exceder a este valor. O tempo de amolecimento varia de 10 a 60 minutos e, quanto maior for o grau de maturação, menor será o tempo de imersão dos frutos. Esses valores são empíricos, pois não existem, até o momento, experiências comprovando, tecnicamente, qual a temperatura da água e o tempo de imersão adequados para que o epicarpo e o mesocarpo amoleçam o suficiente para favorecer o despolpamento, sem afetar as propriedades da matéria-prima;

A 3a lavagem é feita com água clorada (20 ppm a 50 ppm1 de cloro ativo), por cerca de 20 a 40 minutos. A solução de cloro para a lavagem não deve ser utilizada para várias bateladas, pois o poder desinfetante da solução diminui em virtude da oxidação e da evaporação do cloro.
Na 4a, o excesso de cloro é retirado por meio da lavagem por aspersão com água potável.

Despolpamento e refino

Após a lavagem e o amolecimento do epicarpo e do mesocarpo, os frutos são transferidos, por meio de esteira, até a base do transportador, do tipo rosca-sem-fim, que os conduz até o despolpador.
No primeiro estágio do processamento, os frutos, com o auxílio de injeção de água, são despolpados, cuja operação consiste da remoção da polpa do açaí.
Exemplo: Para preparar 1 L de solução, com 50 ppm de cloro ativo, são necessários 2,5 mL de hipoclorito de sódio a 2%.
Constituída do epicarpo e do mesocarpo. Após essa separação, os caroços saem pela rosca transportadora de resíduo e a polpa obtida passa, por gravidade, para o tanque de refino (segundo estágio), quando, em peneiras apropriadas, são retidos outros resíduos indesejáveis. No terceiro estágio, o produto obtido é transferido para o tanque de homogeneização, onde é procedida a homogeneização do produto açaí (Fig. 5).

O açaí obtido pelo despolpamento pode ser imediatamente embalado e congelado ou passar por tratamento térmico.
No tratamento térmico (pasteurização), o produto é bombeado para o trocador de calor, do tipo tubular, sob a temperatura de 80 ºC a 85 ºC, durante 10 segundos, e imediatamente resfriado no próprio trocador de calor. No final do tratamento, o produto deve ser retirado com a temperatura de 5 ºC.

Processamento tradicional ou semi-industrial

Nesse tipo de processamento, são utilizadas as tradicionais máquinas despolpadeiras ou, popularmente denominadas de batedeiras, construídas em aço inoxidável, modelo vertical, que procede ao despolpamento de bateladas de frutos de açaizeiro com a adição de água. O processo tem início com a alimentação da batedeira com os frutos (Fig.6), precedida do acionamento das palhetas, cujo movimento circular proporciona atrito com os frutos, seguido da progressiva adição de água. O produto processado desce por gravidade, passando em peneira de malha fina, e o açaí é depositado em bacias de aço inoxidável alimentação da batedeira com os frutos (Fig.7), precedida do acionamento das palhetas, cujo movimento circular proporciona atrito com os frutos, seguido da progressiva adição de água. O produto processado desce por gravidade, passando em peneira de malha fina, e o açaí é depositado em bacias de aço inoxidável.

O rendimento da extração de açaí varia de acordo com a procedência, o período de produção, o intervalo de tempo entre a colheita e o tipo de processamento dos frutos. Na Tabela 5, estão descritos os valores de rendimentos de açaí processados em despolpadeiras tradicionais ou semi-industriais.

Procedimentos de embalagem

O açaí, após o tratamento térmico ou não, tem como embalagem primária o saco de polietileno de baixa densidade, sendo normalmente empregados aqueles com capacidade para 100, 500 e 1.000 g (Fig.8).


O produto embalado é conduzido a um túnel de congelamento rápido, regulado a -40 ºC. Esse tipo de congelamento proporciona melhor qualidade ao açaí, pois diminui a possibilidade de ocorrência de alterações químicas, bioquímicas e microbiológicas. Após o congelamento, o açaí deve ser armazenado em câmara fria (Fig. 9), com a temperatura entre -18 ºC e -20 ºC.

Processos de conservação

O açaí quando não-submetido a processos de conservação, tem a vida de prateleira muito curta, no máximo 12 horas, mesmo sob refrigeração. A sua alta perecibilidade pode estar associada, principalmente, à elevada carga microbiana presente no fruto, causada por condições inadequadas de colheita, acondicionamento, transporte e processamento. Os bolores e as leveduras estão presentes, naturalmente, na superfície dos frutos de açaizeiro, enquanto as contaminações por coliformes fecais, salmonelas e outros microrganismos patogênicos são devidos ao seu manuseio inadequado.
Além desses fatores externos, o processo de degradação do açaí decorre, também, de ações enzimáticas, responsáveis por mudanças nas suas propriedades organolépticas e nutricionais, com destaque para a peroxidase que, por ser a enzima mais termorresistente, a sua inativação é utilizada como indicadora da eficiência nos tratamentos térmicos. A degradação do açaí pode decorrer da ação da enzima polifenoloxidase.
A adoção de boas práticas agrícolas (BPA) e de fabricação (BPF) minimizam a probabilidade de contaminação microbiológica dos frutos e do açaí durante o processamento, contribuindo para a conservação do produto.
Em adição BPA e BPF, deve ser realizado um conjunto de etapas de procedimentos visando a obtenção de produto seguro e de qualidade, tais como o branqueamento dos frutos, a pasteurização, o congelamento ou a desidratação do açaí.

Branqueamento


O branqueamento é um tratamento térmico comumente aplicado após a colheita, seleção e lavagem dos frutos, com o objetivo de inativar enzimas, fixar cor, remover gases dos tecidos, além de diminuir a carga microbiana.
Essa operação consiste em mergulhar os frutos em água, à temperatura pré-determinada ou utilizar vapor fluente ou superaquecido. O tempo e a temperatura variam conforme o tipo de matéria-prima, a carga microbiana inicial, a dimensão e a forma do material a ser branqueado, o método de aquecimento e o tipo de enzima a ser inativada.
Após serem submetidos ao branqueamento, os frutos devem ser, necessariamente, resfriados para evitar a contaminação por microrganismos termófilos e para não comprometer a sua textura. O resfriamento pode ser feito imergindo-os em banho de água e gelo ou por meio de aspersão de água fria.
No caso de frutos de açaizeiro, o branqueamento pode ser feito pela exposição à temperatura de 80 ºC, por 10 segundos, pois tais condições reduzem a carga microbiana, porém não permitem inativar, por completo, as enzimas termorresistentes presentes. As temperaturas superiores a 80 ºC, ou tempos mais longos que 10 segundos, provocam a separação das matérias graxas. Além disso, devem ser evitadas as condições drásticas de branqueamento para não modificar as propriedades organolépticas do fruto.

Pasteurização


A pasteurização é um tratamento térmico, cujo objetivo é a destruição de células vegetativas dos microrganismos presentes nos alimentos. Este processo se aplica a alimentos que não podem sofrer tratamentos mais rigorosos, por afetar suas propriedades organolépticas e nutritivas, como é o caso das frutas. A pasteurização deve ser empregada em conjunto com outros métodos de preservação, tais como a refrigeração e o congelamento.
Para o açaí, as indústrias costumam empregar temperaturas em torno de 80 ºC a 85 ºC, por 10 segundos, e, após a pasteurização, o mesmo é imediatamente congelado (Fig.10).


Congelamento


É o método comumente utilizado para a conservação do açaí. Com esse procedimento é inibido o crescimento microbiano e retardado, praticamente, todo o processo metabólico. Quanto menor a temperatura de armazenamento, mais lenta será a atividade enzimática. O congelamento do açaí, sob temperaturas de -18 ºC a -20 ºC ou mais baixas, inibem, significativamente, as atividades das enzimas peroxidase e polifenoloxidase.
Esse método de conservação é bastante oneroso, pois exige a necessidade da chamada "cadeia do frio", isto é, o produto deve ser conservado à baixa temperatura desde a produção até o consumo. Para as antocianinas, que são pigmentos naturais responsáveis pela coloração roxa-avermelhada do açaí, ocorre consideráveis perdas.

Desidratação


A desidratação é o método de preservação de alimentos que utiliza energia térmica para remover parte ou a quase totalidade da água. Com isso, é possível limitar ou evitar o crescimento de microrganismos ou outras reações de ordem química. A remoção da água proporciona, também, maior facilidade no transporte, armazenamento e manuseio do produto final.
O açaí pode ser desidratado por atomização (spray dryer), o mesmo processo empregado para a fabricação de leite em pó. O produto é conduzido à câmara de secagem em finas gotículas, entrando em contato com a corrente de ar quente. Desse modo, a secagem se processa de maneira rápida e o produto resultante se apresenta na forma de pó. Nesse processo, o tempo de secagem é curto (1 a 10 segundos).
Utilizando um spray dryer, modelo Mobile Minor Unit AS0340D, para a obtenção de açaí em pó, podem ser aplicadas as seguintes condições operacionais: temperatura do ar de entrada de 135 ºC a 140 ºC; temperatura do ar de saída 85 ºC a 90 ºC e pressão de trabalho de 4,9 a 6,2 kg/cm2. O açaí em pó, assim obtido, terá maior vida útil de prateleira quando embalado em cartuchos plásticos aluminizados (Melo at al. 1988).
É importante ressaltar que todos os métodos de conservação do açaí provocam modificações no seu sabor original, além de encarecer o produto. Por isso, para a Região Amazônica, seu consumo ainda se restringe à compra do produto processado na hora. No entanto, em outras regiões do País e do exterior, onde o açaí é bastante apreciado, o seu consumo só é viável se o mesmo passar por processo adequado de conservação.