sábado, 19 de dezembro de 2015

Uso Consciente de Agrotóxicos na Cultura da Banana


Uso de Agrotóxicos

Normas gerais para o uso de agrotóxicos

Agrotóxicos são os produtos e os agentes de processos físicos, químicos ou biológicos, destinados ao uso nos setores de produção, no armazenamento e beneficiamento dos produtos agrícolas, nas pastagens, na proteção de florestas, nativas ou implantadas, e de outros ecossistemas e também de ambientes urbanos, hídricos e industriais, cuja finalidade seja alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-las da ação danosa de seres vivos considerados nocivos (Lei Federal 7.802 de 11.07.89).
Os agrotóxicos são importantes para a bananicultura, todavia, exigem precaução no seu uso, visando a proteção dos operários que os manipulam e aplicam, dos consumidores de banana, dos animais de criação, de abelhas, peixes, de organismos predadores e parasitas, enfim, do meio ambiente.

Toxicidade dos defensivos agrícolas

A toxicidade da maioria dos defensivos é expressa em termos do valor da Dose Média Letal (DL50), por via oral, representada por miligramas do produto tóxico por quilo de peso vivo, necessários para matar 50% de ratos e outros animais testes.
Assim, para fins de prescrição das medidas de segurança contra riscos para a saúde humana, os produtos são enquadrados em função do DL50, inerente a cada um deles, conforme mostra a Tabela 6.
Tabela 6. Classificação toxicológica dos agrotóxicos em função do DL50.

Classe toxicológica

Descrição

Faixa indicativa de cor

I

Extremamente tóxicos (DL50 <>

Vermelho vivo

II

Muito tóxicos (DL50 – 50 a 500 mg/kg de peso vivo)

Amarelo intenso

III

Moderadamente tóxicos (DL50 – 500 a 5000 mg/kg de peso vivo)

Azul intenso

IV

Pouco tóxicos (DL50 > 5000 mg/kg de peso vivo)

Verde intenso

Equipamentos de proteção individual – EPIs

Os EPIs mais comumente utilizados são: máscaras protetoras, óculos, luvas impermeáveis, chapéu impermeável de abas largas, botas impermeáveis, macacão com mangas compridas e avental impermeável. Os EPIs a serem utilizados são indicados via receituário agronômico e nos rótulos dos produtos.

Recomendações relativas aos EPIs
  • Devem ser utilizados em boas condições, de acordo com a recomendação do fabricante e do produto a ser utilizado;
  • Devem possuir Certificado de Aprovação do Ministério do Trabalho;
  • Os filtros das máscaras e respiradores são específicos para defensivos e têm data de validade;
  • As luvas recomendadas devem ser resistentes aos solventes dos produtos;
  • O trabalhador deve seguir as instruções de uso de respiradores;
  • A lavagem deve ser feita usando luvas e separada das roupas da família;
  • Devem ser mantidos em locais limpos, secos, seguros e longe de produtos químicos.
Transporte dos agrotóxicos

O transporte de defensivos pode ser perigoso, principalmente, quando as embalagens são frágeis, devendo-se tomar as seguintes precauções:
  • Evitar a contaminação do ambiente e locais por onde transitam;
  • Nunca transportar defensivos agrícolas junto com alimentos, rações, remédios etc.;
  • Nunca carregar embalagens que apresentem vazamentos;
  • Embalagens contendo defensivos e que sejam suscetíveis a ruptura deverão ser protegidas durante seu transporte usando materiais adequados;
  • Verificar se as tampas estão bem ajustadas;
  • Impedir a deterioração das embalagens e das etiquetas;
  • Evitar que o veículo de transporte tenha pregos ou parafusos sobressalentes dentro do espaço onde devem ser colocadas as embalagens;
  • Não levar produtos perigosos dentro da cabine ou mesmo na carroceria se nela viajarem pessoas ou animais;
  • Não estacionar o veículo junto às casas ou locais de aglomeração de pessoas ou de animais;
  • Em dias de chuva sempre cobrir as embalagens com lona impermeável se a carroceria for aberta.
Armazenamento dos agrotóxicos

Somente os engenheiros agrônomos e florestais, nas respectivas áreas de competência, estão autorizados a emitir a receita. Os técnicos agrícolas podem assumir a responsabilidade técnica de aplicação, desde que o façam sob a supervisão de um engenheiro agrônomo ou florestal (Resolução CONFEA No 344 de 27-07-90).
Para a elaboração de uma receita é imprescindível que o técnico vá ao local com problema para ver, avaliar, medir os fatores ambientais, bem como suas implicações na ocorrência do problema fitossanitário e na adoção de prescrições técnicas.

Recomendações gerais:
  • Armazenar em local coberto de maneira a proteger os produtosUm fator importante na armazenagem é a temperatura no interior do depósito. As temperaturas mais altas podem provocar o aumento da pressão interna nos frascos, contribuindo para a ruptura da embalagem, ou mesmo, propiciando o risco de contaminação de pessoas durante a abertura da mesma. Pode ocorrer ainda a liberação de gases tóxicos, principalmente daquelas embalagens que não foram totalmente esvaziadas, ou que foram contaminadas externamente por escorrimentos durante o uso. Estes vapores ou gases podem colocar em risco a vida de pessoas ou animais da redondeza. contra as intempéries;
  • A construção do depósito deve ser de alvenaria, não inflamável;
  • O piso deve ser revestido de material impermeável, liso e fácil de limpar;
  • Não deve haver infiltração de umidade pelas paredes, nem goteiras no telhado;
  • Funcionários que trabalham nos depósitos devem ser adequadamente treinados, devem receber equipamento individual de proteção e ser periodicamente submetidos a exames médicos;
  • Junto a cada depósito deve haver chuveiros e torneira, para higiene dos trabalhadores;
  • Um "chuveirinho" voltado para cima, para a lavagem de olhos, é recomendável.
  • As pilhas dos produtos não devem ficar em contato direto com o chão, nem encostadas na parede;
  • Deve haver amplo espaço para movimentação, bem como arejamento entre as pilhas;
  • Estar situado o mais longe possível de habitações ou locais onde se conservem ou consuma alimentos, bebidas, drogas ou outros materiais, que possam entrar em contato com pessoas ou animais;
  • Manter separados e independentes os diversos produtos agrícolas;
  • Efetuar o controle permanente das datas de validade dos produtos;
  • As embalagens para líquido devem ser armazenadas com o fecho para cima;
  • Os tambores ou embalagens de forma semelhante não devem ser colocados verticalmente sobre os outros que se encontram horizontalmente ou vice-versa;
  • Deve haver sempre disponibilidade de embalagens vazias, como tambores, para o recolhimento de produtos vazados;
  • Deve haver sempre um adsorvente como areia, terra, pó de serragem ou calcário para adsorção de líquidos vazados;
  • Deve haver um estoque de sacos plásticos, para envolver adequadamente embalagens rompidas;
  • Nos grandes depósitos é interessante haver um aspirador de pó industrial, com elemento filtrante descartável para se aspirar partículas sólidas ou frações de pós vazados;
  • Se ocorrer um acidente que provoque vazamentos, tomar medidas para que os produtos vazados não alcancem fontes de água, não atinjam culturas, e que sejam contidos no menor espaço possível. Recolher os produtos vazados em recipientes adequados. Se a contaminação ambiental for significativa, avisar as autoridades, bem como alertar moradores vizinhos ao local.
Pequenos depósitos
  • Não guardar defensivos agrícolas ou remédios veterinários dentro de residências ou de alojamento de pessoal;
  • Não armazenar defensivos nos mesmos ambientes onde são guardados alimentos, rações ou produtos colhidos;
  • Se defensivos forem guardados num galpão de máquinas, a área deve ser isolada com tela ou parede, e mantida sob chave;
  • Não fazer estoque de produtos além das quantidades previstas para uso a curto prazo, como uma safra agrícola;
  • Todos os produtos devem ser mantidos nas embalagens originais. Após remoção parcial dos conteúdos, as embalagens devem ser novamente fechadas;
  • No caso de rompimento de embalagens, estas devem receber uma sobre-capa, preferivelmente de plástico transparente para evitar a contaminação do ambiente. Deve permanecer visível o rótulo do produto;
  • Na impossibilidade de manutenção na embalagem original, por estar muito danificada, os produtos devem ser transferidos para outras embalagens que não possam ser confundidas com recipientes para alimentos ou rações. Devem ser aplicadas etiquetas que identifiquem o produto, a classe toxicológica e as doses a serem usadas para as culturas em vista. Essas embalagens de emergência não devem ser mais usadas para outra finalidade.
Receituário agronômico

As receitas só podem ser emitidas para os defensivos registrados na Secretaria de Defesa Agropecuária - DAS do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que poderá dirimir qualquer dúvida que surja em relação ao registro ou à recomendação oficial de algum produto.

Aquisição dos defensivos agrícolas
  • Procurar orientação técnica com o engenheiro agrônomo ou florestal;
  • Solicitar o receituário agronômico, seguindo-o atentamente;
  • Adquirir o produto em lojas cadastradas e de confiança;
  • Verificar se é o produto recomendado (nome comercial, ingrediente ativo e concentração);
  • Observar a qualidade da embalagem, lacre, rótulo e bula;
  • O prazo de validade, o número de lote e a data de fabricação devem estar especificados;
  • Exigir a nota fiscal de consumidor especificada.
Cuidados no manuseio dos defensivos

O preparo da calda é uma das operações mais perigosas para o homem e o meio ambiente, pois o produto é manuseado em altas concentrações. Normalmente esta operação é feita próximo a fontes de captação de água, como poços, rios, lagos, açudes etc. Geralmente ocorrem escorrimentos e respingos que atingem o operador, a máquina, o solo e o sistema hídrico, promovendo desta forma a contaminação de organismos não alvos, principalmente daqueles que usarão a água para sua sobrevivência.

Cuidados antes das aplicações
  • Siga sempre orientação de um técnico para programar os tratamentos fitossanitários;
  • Leia atentamente as instruções constantes do rótulo do produto e siga-as corretamente. O rótulo das embalagens deve conter as seguintes informações:
  • A dosagem a ser aplicada;
  • Número e intervalo entre aplicações;
  • Período de carência;
  • Culturas, pragas, patógenos etc. indicados;
  • DL50;
  • Classe toxicológica;
  • Efeitos colaterais no homem, animal, planta e meio ambiente;
  • Recomendações gerais em caso de envenenamento;
  • Persistência (tempo envolvido na degradação do produto);
  • Modo de ação do produto;
  • Formulação;
  • Compatibilidade com outros produtos químicos e nutrientes ;
  • Precauções.
  • Inspecione sempre o plantio;
  • Abra as embalagens com cuidado, para evitar respingo, derramamento do produto ou levantamento de pó;
  • Mantenha o rosto afastado e evite respirar o defensivo, manipulando o produto de preferência ao ar livre ou em ambiente ventilado;
  • Evitar o acesso de crianças, pessoas desprevenidas e animais aos locais de manipulação dos defensivos;
  • Não permita que pessoas fracas, idosas, gestantes, menores de idade e doentes, apliquem defensivos. As pessoas em condições de aplicarem defensivos devem ter boa saúde, serem ajuizadas e competentes;
  • Estar sempre acompanhado quando estiver usando defensivos muito fortes;
  • Verifique se o equipamento está em boas condições;
  • Use aparelhos sem vazamento e bem calibrados, com bicos desentupidos e filtros limpos;
  • Use vestuários EPIs durante a manipulação e aplicação de defensivos. Após a operação, todo e qualquer equipamento de proteção deverá ser recolhido, descontaminado, cuidadosamente limpo e guardado.
Cuidados durante as aplicações
  • Não pulverizar árvores estando embaixo delas;
  • Evitar a contaminação das lavouras vizinhas, pastagens, habitações etc;
  • Não aplique defensivos agrícolas em locais onde estiverem pessoas ou animais desprotegidos;
  • Não aplique defensivos nas proximidades de fontes de água;
  • Não fume, não beba e não coma durante a operação sem antes lavar as mãos e o rosto com água e sabão;
  • Não use a boca - nem tampouco arames, alfinetes ou objetos perfurantes - para desentupir bicos, válvulas e outras partes dos equipamentos;
  • Não aplique defensivos quando houver ventos fortes, aproveite as horas mais frescas do dia;
  • Não fazer aplicações contra o sentido do vento;
  • Não permitir que pessoas estranhas ao serviço fiquem no local de trabalho durante as aplicações;
  • Evitar que os operários durante a operação trabalhem próximo uns dos outros.
Cuidados após as aplicações
  • As sobras de produtos devem ser guardadas na embalagem original, bem fechadas;
  • Não utilize as embalagens vazias para guardar alimentos, rações e medicamentos; queime-as ou enterre-as;
  • Não enterre as embalagens ou restos de produto junto às fontes de água;
  • Queime somente quando o rótulo indicar e evite respirar a fumaça;
  • Respeite o intervalo recomendado entre as aplicações;
  • Respeite o período de carência;
  • Não lave equipamentos de aplicações em rios, riachos, lagos e outras fontes de água;
  • Evite o escoamento da água de lavagem do equipamento de aplicações ou das áreas aplicadas para locais que possam ser utilizados pelos homens e animais;
  • Ao terminar o trabalho, tome banho com bastante água fria e sabão. A roupa de serviço deve ser trocada e lavada diariamente.
Descarte das embalagens vazias

O destino das embalagens vazias é atualmente regulamentado por lei e de responsabilidade do fabricante do produto, que periodicamente deve recolhê-las.
  • Causas de fracassos no controle fitossanitário
  • Aplicação de defensivos deteriorados. O defensivo pode deteriorar-se pelas condições de armazenagem e preparo;
  • Uso de máquinas e técnicas de aplicação inadequadas;
  • Não observância dos programas de tratamento, tanto no que diz respeito à época, intervalo, como em número de aplicações;
  • Escolha errônea dos defensivos.
  • Início do tratamento depois que grande parte da produção já está seriamente comprometida;
  • Confiança excessiva nos métodos de controle químico.
Manutenção e lavagem dos pulverizadores

A manutenção e limpeza dos aparelhos que aplicam defensivos, devem ser realizadam ao final de cada dia de trabalho ou a cada recarga com outro tipo de produto, tomando os seguintes cuidados:
  • Colocar os EPIs recomendados;
  • Após o uso, certificar de que toda a calda do produto foi aplicada no local recomendado;
  • Junto com a água de limpeza, colocar detergentes ou outros produtos recomendados pelos fabricantes;
  • Repetir o processo de lavagem com água e com o detergente por no mínimo, mais duas vezes;
  • Desmontar o pulverizador, removendo o gatilho, molas, agulhas, filtros e ponta, colocando-os em um balde com água;
  • Limpar também o tanque, as alças e a tampa, com esponjas, escovas e panos apropriados;
  • Certificar-se de que o pulverizador está totalmente vazio;
  • Verificar se a pressão dos pneus é a correta, se os parafusos de fixação apresentam apertos adequados, se a folga das correias é a conveniente etc.;
  • Verificar se há vazamento na bomba, nas conexões, nas mangueiras, registros e bicos, regulando a pressão de trabalho para o ponto desejado, utilizando-se somente a água para isso;
  • Destravar a válvula reguladora de pressão, quando o equipamento estiver com a bomba funcionando sem estar pulverizando. O mesmo procedimento deverá ser seguido nos períodos de inatividade da máquina;
  • No preparo da calda, utilizar somente água limpa, sem materiais em suspensão, especialmente areia;
  • Regular o equipamento, sempre que o gasto de calda variar de 15% em relação ao obtido com a calibração inicial;
  • Trocar os componentes do bico sempre que a sua vazão diferir de 5% da média dos bicos da mesma especificação.


terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Tratos Culturais na cultura da Banana



A realização das práticas culturais de forma correta e na época adequada é de fundamental importância para o bom desenvolvimento e produção da bananeira. As principais são

Capina
O controle de plantas daninhas em um cultivo de bananeira recém-estabelecido é de grande importância para assegurar um bom desenvolvimento e produção da primeira colheita. É recomendável eliminar as plantas daninhas antes da germinação dos rizomas. Os cinco primeiros meses de instalação do bananal é o período mais sensível à competição das plantas daninhas.
Os processos recomendados para a manutenção da cultura no limpo são: a) capinas com auxilio de enxada; b) aplicação de herbicidas; c) estabelecimento de cobertura de leguminosas; e d) roçagem e coroamento. O manejo correto das plantas daninhas pode ser observado no item 10.

Desbaste
Esta prática consiste em se selecionar um dos filhos na touceira, eliminando-se os demais. Os filhos podem começar a surgir a partir dos 45 a 60 dias após o plantio. Selecionar, preferencialmente, brotos profundos, vigorosos e separados 15 a 20 cm da planta mãe.
Em cada ciclo de produção do bananal estabelecido em espaçamentos convencionais deve-se conduzir a touceira com mãe e um filho. A seleção do neto deve ocorrer quando a planta-mãe está para ser colhida.
O desbaste é feito cortando-se, com penado ou facão, a parte aérea do filho ou neto rente ao solo. Em seguida extrai-se a gema apical ou ponto de crescimento com a lurdinha. Pode-se também optar pelo simples corte das brotações, que neste caso teriam que ser realizadas 3 a 4 vezes, para impedir o crescimento.

Desfolha
Consiste em eliminar as folhas secas que não mais exercem função para a bananeira, bem como todas aquelas que embora ainda verdes possam interferir no desenvolvimento normal do fruto. O número de operações dependerá da necessidade.

Eliminação da ráquis masculina (“coração”)
A eliminação do coração da bananeira proporciona aumento do peso do cacho, melhora a sua qualidade e acelera a maturação dos frutos; reduz os danos por tombamento das bananeiras, além de ser uma prática fitossanitária no controle do moko .
A eliminação da ráquis masculina deve ser feita duas semanas após a emissão da última penca, mediante a sua quebra ou corte efetuado 10 a 15 cm abaixo desta penca.

Ensacamento do cacho
Esta prática tem as seguintes vantagens: 1) Aumenta a velocidade de crescimento dos frutos, ao manter em sua volta uma temperatura mais alta e constante; 2) evita o ataque de pragas como a abelha arapuá e trips sp.; 3) melhora a aparência e qualidade da fruta, ao reduzir os danos provocados por arranhões e pelas queimaduras no pericarpo em conseqüência da fricção de folhas dobradas. Nos cultivos em que os cachos são ensacados, deve-se realizar esta prática juntamente com a da eliminação da ráquis masculina, a fim de auferir as vantagens do ensacamento por tempo mais longo.
Escoramento
Pode ser feito utilizando escora de madeira ou fios. A escora pode ser vara de bambu ou de outra madeira. Recomenda-se também o uso de fios de prolipropileno, que é amarrado preferencialmente no engaço junto à roseta foliar e na base de uma outra planta que, pela sua localização, confira maior sustentabilidade à planta com cacho. O fio de polipropileno apresenta boa durabilidade (até a colheita do cacho), baixo custo e fácil manejo.

Corte do pseudocaule após a colheita
Do ponto de vista prático e econômico o mais aconselhável é o corte do pseudocaule próximo ao solo, imediatamente após a colheita do cacho, pelas seguintes razões: a) evita que o pseudocaule, não cortado, promova a ocorrência de doenças; b) acelera a melhoria das propriedades físicas e químicas do solo, graças à rápida e eficiente incorporação e distribuição dos resíduos da colheita; e c) reduz custos com a realização de um único corte.

Tratos culturais são operações realizadas na cultura da bananeira com o objetivo de proporcionar o maior rendimento economicamente viável. Abaixo são descritos os principais tratos culturais adotados no cultivo da bananeira.

Capina
A eliminação das plantas daninhas é necessária tendo em vista que as bananeiras devem crescer e produzir sem a concorrência de plantas indesejáveis. O controle em cultivo de bananeira recém estabelecido assegura bom desenvolvimento e produção da primeira colheita. Os cinco primeiros meses após a instalação do bananal é o período mais sensível à competição com as plantas daninhas. Além da concorrência, algumas plantas daninhas são hospedeiras de pragas e moléstias (principalmente vírus), que podem causar prejuízos econômicos à cultura. A virose mosaico do pepino CMV, por exemplo, tem como plantas hospedeiras, já catalogadas, mais de 850 espécies. Essas plantas podem perfeitamente transmitir essa virose para as bananeiras. A presença de plantas daninhas atrasa o desenvolvimento do bananal, diminui o vigor das plantas, reduz o tamanho do cacho, dificulta os tratos fitossanitários, as adubações e o deslocamento de operários dentro da cultura. O controle pode ser feito por via mecânica (máquinas e ferramentas), química (herbicidas) ou “mulching” (cobertura morta).
Os herbicidas mais usados no controle de ervas daninhas são glifosato ou paraquat. O glifosato tem seu modo de ação sistêmica e o paraquat ação localizada. A dosagem recomendada do glifosato pode variar de 100 a 150 ml do produto comercial por bomba com tanque de 20 litros d´agua + espalhante adesivo + redutor de pH + 100 gramas de uréia. As dosagens de espalhante adesivo e redutor de pH devem ser de acordo com as recomendações dos fabricantes. É recomendável usar o redutor de pH nas caldas de pulverizações dos defensivos agrícolas na região do Submédio São Francisco. pois normalmente o pH da água na região varia de 7,3 a 8,0 e o pH da calda deve estar em torno de 5,5.

Desbaste
Esta prática consiste em manter a densidade ótima de plantas na área, impedindo a competição entre plantas numa mesma touceira e entre touceiras vizinhas. Existem diferentes maneiras de se fazer o desbaste do excesso de brotos na touceira. Em cada ciclo de produção do bananal estabelecido em espaçamentos convencionais deve-se conduzir a touceira com uma mãe, um filho e um neto. A seleção do neto deve ocorrer quando a planta-mãe estiver para ser colhida, selecionando, preferencialmente, brotos netos, profundos, vigorosos e diretamente ligadas à planta filha. O manejo correto da desbrota visa deixar na unidade de produção ou touceira três plantas dependentes entre si ligadas por seus rizomas na seqüência da mais velha para a mais nova ( Fig.1).

Outro fator a ser observado na escolha do filho ou neto é o seu posicionamento. Em cultivos irrigados por aspersão convencional o posicionamento do filho ou neto não é importante, porque neste sistema a água espalha-se por toda área de cultivo. Já nos cultivos irrigados por microaspersão ou gotejamento deve-se observar a localização correta dos filhos e netos. Nesses casos, os filhos e netos devem estar posicionados na mesma direção da linha de plantio e paralelamente às linhas de gotejadores ou microaspersores. É importante destacar que se deve escolher o mesmo sentido de orientação dos filhos e netos para todas as touceiras da fileira. O objetivo da orientação do posicionamento dos brotos é impedir que o deslocamento da touceira se dê na direção das linhas de gotejadores ou microaspersores.
O desbaste é feito cortando-se, com penado ou facão, a parte aérea do broto a ser eliminado rente ao solo. Em seguida extrai-se a gema apical ou ponto de crescimento com a "lurdinha" – Figura 2. O desbaste também poderá ser realizado com uma cavadeira com lâmina de corte plana e afiada.

Desfolha
Consiste em eliminar as folhas velhas que não mais exercem função fotossintética para a bananeira, bem como todas aquelas que, embora, ainda verdes possam danificar o fruto pelo atrito provocado pelo vento. Também devem ser eliminadas folhas danificadas por doenças foliares e, principalmente, aquelas que estejam quebradas no pecíolo (folhas caídas).

Escoramento
O escoramento da bananeira na região do vale São Francisco, normalmente, é necessário para as cultivares do subgrupo cavendish (“banana d`água", "casca verde”) e "Prata-Ãnã". Nas cultivares de porte alto como da cultivar “Pacovan” o escoramento é oneroso e pouco eficiente.  O escoramento pode ser feito utilizando escora de madeira, bambu ou fita plástica. Na região é utilizada a estaca da inflorescência de sisal. O escoramento utilizando fita de polipropileno é utilizado nos bananais de Santa Catarina e São Paulo. A fita é amarrada preferencialmente na base do engaço junto à roseta foliar e na base de uma outra planta que, pela sua localização, confira maior sustentabilidade à planta que se quer escorar. O fio de polipropileno apresenta boa durabilidade (até a retirada do cacho), baixo custo e fácil manejo.

Corte do pseudocaule após a colheita
Do ponto de vista prático e econômico o mais aconselhável é o corte do pseudocaule rente ao solo, após a colheita do cacho. Nas cultivares do subgrupo cavendish “casca verde", "nanica" ou "banana d`agua” recomenda-se deixar o pseudocaule por 60 dias após a colheita do cacho. Trabalhos conduzidos com corte do pseudocaule nas cultivares de cavendish resultaram na recomendação de manter o pseudocaule da planta colhida por dois meses e cortá-lo após este tempo. As translocações da seiva da “mãe” para “filho” ocorrem neste período (MANICA, 1999).
A retirada do pseudocaule após a colheita antecipa a sua decomposição e promove rápida cicatrização no rizoma diminuindo o abrigo e ataque do moleque-da-bananeira. Na execução desta operação, é boa prática abrir o pseudocaule no sentido do seu comprimento, em duas partes, de cima para baixo, com uma foice ou penado. Posteriormente, o pseudocaule será retalhado em pedaços de 40 a 50 cm de comprimento, até chegar ao rizoma. Fazendo-se este retalhamento no pseudacule, estando ele ainda em pé, evita-se ocasionais acidentes com operários e é uma maneira mais fácil realizar a operação.

Os pedaços de pseudocaule, quando no solo, devem ficar com sua parte interior voltada para cima. Isto acelera a sua decomposição e evita que, eventualmente, a broca e a traça-das-bananeiras venham aí se alimentar.
Os restos de pseudocaule, folhas e engaço formarão uma rica camada de matéria orgânica, com elevada porcentagem de nutrientes, que poderão ser rapidamente absorvidos pelas bananeiras. É uma forma de se reciclar os fertilizantes aplicados, principalmente os fosfatos naturais que, assim como os demais nutrientes que aí se encontram, já estão totalmente solúveis. Além disso, eles se transformarão em uma excelente cobertura morta -“mulching”- ajudando a manter o solo mais úmido.

Eliminação de pencas e da falsa penca
A última penca do cacho é, em geral, defeituosa e formada por frutos muito curtos e por isso são descartadas durante a embalagem em caixas. A sua eliminação é uma técnica de manejo do cacho que, para ser adotada necessita levar em conta as exigências dos mercados compradores. A comercialização é feita em cachos, uma prática que não justifica ser feita. Entretanto, nas comercializações feitas em caixas, onde os frutos devem ser melhor apresentadas, isto é válido  mais ainda, quando as pencas são separadas em buquês.
As múltiplas pesquisas feitas sobre este assunto indicam que ao se eliminar todas os frutos em flor, da última penca da inflorescência, exceto uma, faz-se com que as bananas das demais  pencas tenham aumento de tamanho e amadurecimento mais rápido.
O objetivo da conservação deste único fruto é manter a seiva circulando pelo engaço, que, ao alimentar este fruto, faz com que ele permaneça vivo até este ponto. Isto dificulta o desenvolvimento de fungos (Botryodiplodia theobromae,Ceratocystis paradoxaGloesporium musarumThielaviopsis paradoxa, e outros).
A retirada dos frutos em flor da penca é feita manualmente, torcendo-se uma a uma, de modo a romper o seu pedúnculo, junto à almofada. Pode-se ainda cortar o pedúnculo das flores  com uma lâmina afiada (faquinha) ou serrando-o com um cordão feito de fios de náilon trançados (com 1,5 mm de diâmetro e com mais ou menos 50 cm de comprimento).
Para se obter as vantagens que esta prática proporciona, ela deve ser realizada  simultaneamente com a eliminação do "coração" ou "mangará", ou seja, por volta do 15° ao 20° dia depois da abertura da última penca de flores. Recomenda-se a retirada só da última penca, porém, nos cachos pequenos e fracos, assim como naqueles com mais de 12 pencas, deve-se eliminar as duas últimas. Com esta prática espera-se que as pencas remanescentes tenham um melhor desenvolvimento e, conseqüentemente, uma melhor apresentação. Além disso, tem sido verificado que as perdas que se têm com a eliminação das pencas, são compensadas, em parte, com o aumento de peso que as demais passarão a ter.
Quando a eliminação das últimas pencas é realizada em cachos bem formados procura-se abreviar a colheita e também uniformizar a idade fisiológica dos frutos das primeiras e das últimas pencas, além de se obter os benefícios já citados acima.

Eliminação do “coração" ou "mangará"
A eliminação do botão floral de flores masculinas “coração" ou "mangará” tem o objetivo  de sinalizar para a planta que sua fase reprodutiva já acabou, deste modo, a planta passa a priorizar o desenvolvimento do cacho.
A retirada do "coração" acelera o processo de crescimento ou “enchimento” dos frutos, abreviando o tempo de colheita. Esta eliminação aumenta um pouco o comprimento dos frutos das últimas pencas e ainda se consegue um ganho no peso do cacho. Esse ganho é real, porém, o aumento de produção relatada por diversos autores é variável entre 3 a 5 %. Para que se obtenha esse ganho, a eliminação do "coração" tem que ser feita quando o cacho ainda estiver em processo de abertura de floral.
A eliminação do "coração" deve ser feita quebrando-se a ráquis -"ponta do engaço"- bem junto a ele, por volta do 15° ao 20° dia, após a abertura da última penca de flor feminina, ocasião em que ela se volta para o alto, indicando que estão se transformando em frutos. Nessa ocasião, a  ráquis estará com  comprimento de 20 a 25 cm.
O pedaço da ráquis remanescente ficará sem circulação de seiva e com isto poderá haver o desenvolvimento de um processo de infecção, causado pela entrada de fungos oportunistas (Botryodiplodia theobromaeCeratocystis paradoxaGloesporiummusarumThielaviopsis paradoxa, e outros) que penetram no tecido interno, por meio da superfície que ficou exposta. Esse pedaço da ráquis deixado juntamente com o fruto na última penca proporcionarão os benefícios esperados.
Em regiões muito úmidas, para evitar que essas infecções fúngicas ocorram na ráquis, torna-se necessário aspergir ou banhar essa parte com fungicida logo após a eliminação do "coração". O fungicida pode ser a base de cobre ou de ação sistêmica. Outra forma de se evitar esse problema é imergir a ponta da ráquis do cacho em um recipiente contendo uma solução de água clorada a 0,05%, por alguns segundos.
A retirada do "mangará" contribui ainda para a diminuição das populações do trips, em especial, do Chaetanaphothrips spp. e do Frankliniella spp. A eliminação deve ser feita manualmente, sempre que possível. Deve-se evitar o uso de ferramentas (fação ou foice bifurcada) para o corte da extremidade da ráquis, pois tem-se verificado que elas propiciam maior velocidade no desenvolvimento de doenças oportunistas.
Um método prático de se fazer esta operação é segurar a extremidade com uma mão de modo que ela fique entre a último fruto e o "coração" e com a outra mão movimentar o "coração" para provocar o rompimento. Entretanto, em bananeiras de porte alto, nem sempre é possível realizar esta operação. Na cultivar ‘Pacovan’. por exemplo, essa prática não é recomendada.

Ensacamento de cachos
O ensacamento do cacho não é uma prática realizada na região do Submédio São Franscisco. O uso do saco tem a finalidade de proteger a fruta dos ataques de predadores, trips, fungos e até mesmo das visitas de insetos como mariposa, traça-das-bananeiras ou irapuás (transmissores da bactéria do moko). Ele também reduz o ataque das lesmas, dos pássaros e dos morcegos, principalmente durante o inverno, quando há falta de alimentos para esses animais, que chegam a se alimentar de frutos ainda bem verdes. Além disso, o ensacamento também evita que as cobras venham a se aninhar nos cachos.
Além dessas proteções físicas contra danos de parasitos, animais, morcegos, e ainda os mecânicos, como as chuvas de pedras e o atrito causado pelo roçar das folhas, o ensacamento também pode ser usado, nas regiões onde há ocorrência de baixas temperaturas, com a finalidade de manter o cacho com melhor equilíbrio térmico.
O ensacamento feito com polietileno de cor mais escura, tendendo para preto dá ao cacho uma maior proteção contra o frio, porém provoca o aparecimento de frutos com uma coloração verde apagado.
Várias pesquisas evidenciaram que o uso de sacos de coloração azulada e semi-opacos são os mais indicados nos bananais com densidade de l.500 a 2.500 touceiras/ha, quando cultivados em regiões com insolação de l.000 a 2.000 lux (horas de luz/ano queimada no heliógrafo). Se a densidade é menor e ou a insolação é maior a tonalidade do saco deve ser mais escura para evitar queimamentos. Porém, se as condições são inversas, ela deve ser mais suave, podendo-se até mesmo ser usado sacos incolores.
Trabalhos realizados no Instituto Agronômico de Campinas, usando tubos não perfurados incolores, azulados, amarelados, verdes, vermelhos e preto evidenciaram que as únicas cores não interferiram na coloração dos frutos foram as duas primeiras. Verificou-se ainda um aumento da temperatura com a utilização de sacos preto (+1,8ºC) e vermelho (+1,2ºC), em comparação com os incolores. Esta temperatura foi medida próxima aos frutos da segunda penca do cacho. As demais cores exerceram pouca influência.
Os resultados de pesquisas feitas no sentido de se determinar os valores exatos dos dados citados, têm demonstrado que eles variam, dentro dos parâmetros apresentados a depender da região e a cultivar estudada.
Em bananais pouco adensados ou nas plantas localizadas ao longo dos carreadores, o ensacamento feito com polietileno opaco azulado evita que as frutas se queimem com os raios solares. Na falta deste material pode-se embrulhar o cacho com papel jornal e depois ensacar com bolsas incolores, mas é uma medida que tem algumas implicações. Se o ensacamento não for feito com a finalidade de evitar o frio, os sacos deverão ter a espessura de 0,05 a 0,08 mm e ter furos de 5 a 10 mm a cada 80 a 100 mm, em ambas as direções. Se o ensacamento for feito para proteger o cacho das baixas temperaturas, ele deverá ser mais espesso, até 0,13 ou 0,15 mm. Neste caso, o saco não deverá conter furos. Seu uso com essa finalidade depende em parte do custo de aquisição e da mão-de-obra.
Quanto às dimensões da bolsa, elas variam de 80 a 120 cm de largura por 150 a 160 cm de comprimento, dependendo, obviamente, da cultivar plantada. Em alguns países que utilizam o ensacamento como rotina, os sacos são comercializados em rolos, que são cortados no bananal, de acordo com o comprimento do cacho, ficando o mesmo maior que a extremidade final da ráquis masculina, após a eliminação do "coração" e das últimas pencas.
A época de se realizar o ensacamento depende dos objetivos. Se a finalidade é proteger a fruta contra ataques da traça-das-bananeiras por exemplo, o ensacamento deve ser feito quando o botão floral emerge e ainda não abriu a bráctea da primeira penca; se for apenas evitar atritos, ganhar aumento de peso ou mesmo melhorar sua aparência, pode ser feita logo depois da despistilagem; se é para proteger a fruta de baixas temperaturas deve ser feita apenas no período de abril a setembro, tão logo as primeiras brácteas comecem a se soltar; se antecipar a colheita, o ensacamento deve ser feito como se fora para proteger a fruta contra a traça-das-bananeiras; se já houve uma queda de granizo e a planta ficou com poucas folhas, deve-se cobrir o cacho com jornal para em seguida ensacá-lo.
As bolsas podem conter inseticidas ou fungicidas no seu interior, como medida preventiva, ou não.
O tubo deve ser amarrado no engaço (cabo) do cacho, em uma posição tal que seja, no mínimo, 10 a 15 cm mais alto que a extremidade distal dos frutos da primeira penca. Esta amarração pode ser feita dando-se um nó nas pontas do tubo. Este sistema apresenta o inconveniente de não se conseguir uma perfeita amarração, possibilitando que o tubo escorregue pelo engaço e se deposite no interior da primeira penca. Esta posição permite um acúmulo de água de chuva ou de irrigação, que pode causar manchas nessa penca, pela aderência do plástico no fruto. Além disso, em bananeiras com  poucas folhas, os raios solares, ao incidirem na água acumulada, podem provocar queimaduras nessas frutas. Para evitar esse problema, deve-se usar um fitilho de plástico para amarrar firmemente o tubo de polietileno no engaço. Esse fitilho de diversas cores identifica a época em que se fez a eliminação das pencas, a quebra do "coração" e o ensacamento.
Em bananais com cultivares de porte médio onde haja boa densidade de cachos, um operário faz, em média, 300 ensacamentos por dia e se há poucos cachos sua produção é, em média, de 170 cachos/dia, pois ele tem caminhar mais para realizar o mesmo trabalho de ensacamento.







quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Plantio do Bananal


Planejamento do bananal 

Planejamento do bananal

    Essa etapa antecede todas as demais e deve ser exercitada pelo produtor para estudar os diversos aspectos da sua atividade. É importante conhecer a fundo os problemas dos tabuleiros e avaliar as chances de sucesso do empreendimento. Como já referido, a bananicultura é viável nesse ecossistema, porém devem ser adotadas estratégias próprias de condução do bananal para que não haja problemas no fornecimento de água e nutrientes. A escolha da variedade envolve estudo prévio do mercado consumidor, devendo-se dar preferência àquela que, além de demandada, possua características favoráveis em termos de porte, produtividade e resistência a pragas e doenças. A escolha da área para plantio deve incluir observações criteriosas a respeito das características de solo, como fertilidade, textura, profundidade, drenagem e topografia e, com relação à irrigação, deve-se avaliar a quantidade e a qualidade da água disponível e os custos envolvidos para instalação e manutenção dos equipamentos.

Época de plantio

    O plantio poderá ser realizado em qualquer época do ano, desde que a área cultivada seja irrigada. Em condições de sequeiro, o plantio deverá ocorrer no início das chuvas, para garantir o desenvolvimento inicial das plantas em período com maior disponibilidade de água. Sempre que possível, deverá ser adotada a prática de cobertura morta, utilizando-se resíduos de baixo custo ou produzindo resíduos vegetais especificamente para esse fim. Essa estratégia deverá ser adotada até que a produção de resíduos do próprio bananal seja suficiente para promover conservação de umidade que atenda as necessidades das plantas. O plantio deverá ser escalonado, para haver produção de frutos por todo o ano.

Configurações e densidades de plantio

    A seleção da configuração de plantio (arranjo do espaçamento entre as plantas) deverá ser feita com base no clima, porte da variedade, condições de luminosidade, fertilidade do solo, relevo do terreno e nível tecnológico a ser utilizado na implantação do bananal. Nos tabuleiros, em sistemas irrigados, é recomendável o sistema em fileiras duplas devido ao melhor aproveitamento da área e melhor arranjo do sistema de irrigação (Fig. 1). Aliado a isso, esse sistema permite melhor aproveitamento dos restos culturais das bananeiras, garantindo, assim, a conservação da umidade e redução da perda de água por evaporação. Para as cultivares de porte baixo (Nanica e Prata Anã) recomenda-se a configuração de plantio de 4,0 x 2,0 x 2,0 m, para as de porte médio (FHIA 18 e Nanicão) 4,0 x 2,0 x 2,5 m e para as de porte alto (Terra, Prata e Pacovan) 4,0 x 2,0 x 3,0 m. Em fileira simples os espaçamentos recomendados são 2,5 x 2,5 m; 3,0 x 2,0 m e 3,0 x 3,0 m para as variedades de porte baixo, médio e alto, respectivamente.
    Com base nas equações apresentadas a seguir e nas legendas da Fig. 1 é possível calcular a área ocupada pela planta (Ap) e a densidade de plantio por hectare (Dp), de bananais.

                                                                    



Plantio 

    Caso o solo apresente problemas claros de adensamento (coesão) será necessário avaliar a possibilidade de realização de subsolagem antes do plantio, dando assim melhores condições para as plantas durante a fase inicial de crescimento. Esta prática objetiva proporcionar melhor aeração e drenagem do solo e assegurar boas condições para o desenvolvimento do sistema radicular. Vale ressaltar, no entanto, que os estudos de subsolagem com bananeira, em solos de tabuleiro, ainda são poucos, apesar dos bons resultados que se têm obtido com outras fruteiras.
    Nos solos planos a suave ondulados dos tabuleiros, o sulcamento é mais indicado do que o coveamento, uma vez que permite maior rendimento de serviço, sendo possível abrir mais de 1000 covas por hora. Na abertura dos sulcos deve-se utilizar sulcador de uma só linha, leve (120 kg), que tenha asas removíveis, reguláveis e capacidade de penetração de seu bico no solo, sem as asas, de no mínimo 40 cm. Ao final da operação, o sulco deverá ter uma profundidade de 30 cm. Os sulcos devem ser abertos na direção nascente-poente para que a emissão do primeiro cacho se posicione nas entrelinhas, facilitando, posteriormente, a colheita e a escolha do seguidor.
    As mudas micropropagadas, que são mais recomendadas para utilização em plantios intensivos com irrigação, depois de climatizadas por um período de 45 a 60 dias, deverão ser levadas para o local de plantio e retiradas cuidadosamente do recipiente que as contém, para não danificar as raízes, após o que, serão distribuídas no sulco sobre a terra misturada com adubo orgânico e fertilizante fosfatado.
    As mudas procedentes de viveiros ou de bananal sadio (chifrinho, chifre ou chifrão) devem ser plantadas colocando numa mesma área mudas do mesmo tamanho. Após o plantio, deve-se colocar 5 a 10 cm de terra solta sobre o pseudocaule, para evitar que os tecidos sejam danificados pela exposição direta da luz solar.

Planejamento do Bananal

Nesta etapa, o produtor deve prever e analisar alguns aspectos relevantes à sua atividade como, o acesso à propriedade durante o ano todo, o rápido escoamento da produção, a topografia da área de produção, a eficiência dos sistemas de irrigação e/ou drenagem, a qualidade da água e, a escolha de cultivares demandadas pelo mercado.

A construção de estradas e carreadores interligando as sub-áreas de produção possibilita o tráfego de veículos, máquinas e implementos agrícolas que facilitam operações rotineiras como o escoamento da produção, a aplicação de defensivos, a distribuição de fertilizantes e a colheita.

Época de plantio

O plantio pode ser realizado em qualquer época do ano, desde que as chuvas sejam bem distribuídas ou que a área cultivada seja irrigada. Em condições de sequeiro, o plantio deve ocorrer após o período de maior concentração de chuvas, uma vez que as necessidades de água para o cultivo da bananeira são menores nos três primeiros meses após o plantio. O plantio deve ser escalonado para que haja produção durante todo o ano.

Espaçamento e densidade de plantio

Os espaçamentos utilizados para o cultivo da banana estão relacionados com o clima, o porte da cultivar, as condições de luminosidade, a fertilidade do solo, a topografia do terreno e o nível tecnológico dos cultivos. Nas regiões produtoras de banana do Brasil, os espaçamentos mais praticados estão descritos na Tabela 2.

Tabela 2. Espaçamentos para diferentes cultivares, em função do porte.
Porte
Cultivares
Espaçamento (m)
Baixo a médio
FHIA 18
2,0 x 2,0; 2,5 x 2,0; 2,5 x 2,5; 3,0 x 3,0; 3,0 x 2,0 x 2,0 e 4,0 x 2,0 x 2,0.
Médio a alto
Thap Maeo, FHIA 1, FHIA 02 AM e Caipira.
3,0 x 2,0; 3,0 x 2,5; 3,0 x 3,0 e  4,0 x 2,0 x 2,5.
Alto
Prata Ken, Prata Zulu
3,0 x 3,0; 4,0 x 2,0; 4,0 x 3,0 e 4,0 x 2,0 x 3,0.

Coveamento

Em áreas não mecanizáveis, as covas são abertas manualmente, com cavador e/ou enxadas, nas dimensões mínimas de 40 cm x 40 cm x 40 cm.

Plantio e replantio

A muda deve ser posicionada no centro da cova adubada, colocando-se em seguida a terra removida, pressionando-a bem para evitar que a água de chuva ou irrigação acumulada possa, depois do plantio, ocasionar o apodrecimento da muda.
As mudas micropropagadas, após climatizadas por um período de 45 a 60 dias, são levadas para o local de plantio, em época de alta umidade, a fim de facilitar o seu estabelecimento. Devem ser retiradas cuidadosamente do recipiente que as contém, para não danificar as raízes, e distribuídas no centro das covas, sobre a terra misturada, com adubo orgânico e fertilizante fosfatado, fechando-se a cova.
O plantio de mudas procedentes de viveiros ou de bananal sadio (mudas convencionais) é feito de acordo com os tipos (chifrinho, chifre e chifrão), os quais devem ser plantados nesta ordem, colocando numa mesma área, mudas do mesmo tamanho. Após o plantio, coloca-se 5 a 10 cm de terra solta sobre o pseudocaule, evitando-se que os tecidos sejam danificados pela exposição direta da luz solar.