quarta-feira, 22 de junho de 2016

Cultura da Banana (Resumo)




1 - INTRODUÇÃO

O Estado de São Paulo, considerando-se a safra de 1991, participa com quase 12,0% da produção total do país, com aproximadamente 65 milhões de famílias em produção, numa área de 43 mil hectares, com uma produtividade média de 22,5 t/ha, sendo que historicamente, a tradicional região produtora de bananas do Litoral Paulista é responsável por aproximadamente 95% da produção do Estado. No entanto, tem-se observado o crescente interesse por essa cultura por produtores do Planalto Paulista como forma de diversificação de atividades.
Adequar técnicas de cultivo às novas necessidades; aumentar produtividade (pois é possível atingirmos valores acima de 40 t/ha); diminuir perdas em todo o processo produtivo e de comercialização e, principalmente, melhorar a qualidade final do produto com consequente estímulo ao consumo, são objetivos a serem conquistados pela bananicultura, pois embora considerada como fruta de preferência popular e como a mais importante fruta tropical, o consumo em algumas regiões é irrisório, apesar, inclusive, de seu alto valor nutritivo, como alimento energético e como fonte de vitaminas (A e C) e minerais (Fe e K).

2 - CLIMA E SOLO

A banana, originária de clima tropical úmido, exige temperaturas que não estejam abaixo de 10 ºC e que não se elevem acima de 40ºC. Os melhores limites térmicos para o bom desenvolvimento desta cultura está entre 20 e 24ºC, podendo-se desenvolver satisfatoriamente em locais cujos limites de temperatura sejam 15 e 35ºC. As melhores condições para uma boa produção se encontram em regiões com temperaturas elevadas o ano todo e cujas médias mensais estejam entre 24 e 29ºC.
As baixas temperaturas podem ocasionar a "queima" da planta, ou dos frutos em crescimento ("chilling" ou "friagem", impedindo que o fruto atinja o seu máximo crescimento, tornando-o pequeno e de maturação incompleta), devendo-se pois evitar locais sujeitos a geadas e ventos frios.
Para o desenvolvimento da cultura de banana, as precipitações pluviométricas devem estar acima de 1200 mm/ano e bem distribuídas (100-180 mm/mês) para não haver períodos de déficit hídrico, principalmente quando a formação da inflorescência ou no início da frutificação.
Nota-se que sobre as condições ideais de clima para a banana, o desenvolvimento de doenças fúngicas, como por exemplo "Mal-de-Sigatoka", se vê favorecido, devendo-se também levar em conta este aspecto na escolha do local de instalação de um bananal.
Com relação a altitude e latitude, estas quando maiores, aumentam os ciclos de produção, principalmente para os cultivares Nanica e Nanicão.
Também a luminosidade é importante para o desenvolvimento da bananeira, sendo desejável que receba entre 1000-2000 horas de luz/ano, pois a luminosidade afeta o ciclo, o tamanho do cacho e a qualidade e conservação dos frutos.
Quanto ao vento, este pode causar o fendilhamento de folhas ou até o rompimento do sistema radicular, alongamento do ciclo e tombamento de plantas. Assim, para minimizar seu efeito, torna-se importante a implantação de quebra-ventos no bananal, associando o plantio de cultivares de porte mais baixo.
Isto posto, esclarecemos que, em condições de clima favorável, a bananeira apresenta hábito de crescimento contínuo e rápido, condição esta indispensável para a obtenção de cachos de alto valor comercial, enquanto que em condições adversas de clima (baixas temperaturas e déficit hídrico) a planta pode passar por um período de paralisação de desenvolvimento.
Nas bananeiras, a maior porcentagem (70%) das raízes se encontram nas primeiros 30 cm do solo, no entanto este deve permitir que as raízes consigam penetrar, no mínimo, 60 a 80 cm de profundidade. Assim, os solos preferidos são os ricos em matéria orgânica, bem drenados, argilosos ou mistos, que possuam boa disponibilidade de água e topografia favorável. Os solos arenosos, além da baixa fertilidade e da baixa retenção de umidade, favorecem a disseminação de nematóides, devendo pois receber maior atenção.

3 - CULTIVARES

‘Nanicão’: cultivar que por apresentar melhor conformação de cachos e de frutos substituiu em muitos casos a ‘Nanica’, sendo pois hoje o cultivar mais plantado no Estado de São Paulo, dominando o mercado interno e de exportação. O bom clone do cultivar nanicão deve ter:
a cultura máxima de 3 metros cacho com 11 a 13 pencas e polpa ligeiramente amarelo-dourada (melhor paladar e aroma).
‘Grande Naine’: possui grande semelhança com o cultivar Nanicão, porém o porte é um pouco mais baixo. tem sido o cultivar mais plantado no mercado externo. Possui alta capacidade de resposta em condição de alta tecnologia, porém não tem a mesma rusticidade do cultivar Nanicão.
‘Nanica’: semelhante à ‘Nanicão’, de porte mais baixo frutos menores e mais curvos, e apresenta problema de "engasgamento" no lançamento dos cachos no inverno.
‘Prata’: Com limitação de cultivo devido ao "Mal-do-Panamá", restrita a áreas reduzidas.
‘Prata Anã’: Enxerto ou Prata-de-Santa-Catarina: porte médio /baixo, planta vigorosa e frutos idênticos aos do cultivar ‘Prata’. É tolerante ao frio e mediamente tolerante a nematóides.
‘Terra’: plantio limitado e de difícil manejo, devido a altura e fácil tombamento, por ser muito suscetível ao ataque da broca-da-bananeira, necessitando de um adequado escoramento.
‘Maçã’: ótima qualidade e excelente aceitação no mercador consumidor, porém com séria limitação para seu cultivo devido ao "Mal-do-Panamá"
‘Mysore’: Pode substituir a ‘maçã’, devido a semelhança entre seus frutos e apresentar tolerância ao "Mal-do-Panamá".
Ouro: De cultivo restrito, altamente susceptível a "Sigatoka".
De forma geral, as recomendações técnicas aqui relatadas, referem-se basicamente à cultura do nanicão, diferindo para as demais em alguns pontos, como espaçamento, produtividade, mercado e tolerância a pragas e doenças. (consultar Quadro 1).
OBS.: 1- Espaçamentos maiores para solos com maior fertilidade.
2- Quando tolerantes, sem deficiência hídrica na estação vegetativa

4 - PREPARO DO TERRENO

O preparo do terreno segue o procedimento normal adotado para outras culturas: limpeza do terreno, aração, gradagem, subsolagem e abertura de sulcos ou de covas para o plantio.
Aconselha-se a realizar previamente uma análise de solo, e se houver necessidade realizar a calagem com antecedência, realizando-se uma gradeação para incorporação do corretivo, pois esta é a oportunidade de se fazer uma aplicação de calcário significativa.
Conforme as condições locais, do terreno ou da cobertura vegetal do mesmo, algumas variações podem ser adotadas no preparo do terreno, com o objetivo de melhorar o potencial de instalação do bananal.

5 - PLANTIO

5.1- Época
O plantio, deve ser iniciado com as primeiras chuvas, sempre que possível e, evitando-se começá-lo nos meses de baixa temperatura, e também em função do período em que se pretende colocar o produto no mercado.

5.2- Espaçamento
Um bananal "fechado" acarreta alongamento do ciclo de produção em até alguns meses e leva a formação de frutos menores, por isso a importância quanto ao espaçamento.
Também, é essencial um bom planejamento do bananal, com o perfeito dimensionamento dos talhões e carreadores, buscando possibilitar a melhor execução dos tratos culturais e controle de doenças, inclusive mecanicamente e, facilitar o escoamento da produção.
O espaçamento pode ser influenciado pela disponibilidade de mudas, pela fertilidade do solo e pelo manejo do bananal, mas de forma geral os espaçamentos para os diferentes cultivares estão colocados no Quadro 1.

5.3- Mudas
5.3.1- Tipos
A bananeira é propagada vegetativamente, a partir de seu rizoma, quer brotado ou não brotado:
a) rizoma não brotado:
-inteiro; subdividido ao meio ou em 4 partes (com peso nunca inferior a 500g cada);
b) rizoma brotado ou inteiro:
- chifrinho: rebento recém brotado, com 20 cm de altura, com 2 a 3 meses de idade e com aproximadamente 1 kg;
-chifre rebentos: em estágio médio de desenvolvimento,medindo de 50-60 cm de altura, pesando entre 1-2 kg;.
-chifrão: rebento apresentado a primeira folha normal, pesando entre 2-3 kg;
-muda alta (muda replante): rebento bem desenvolvido, com mais de 1 metro de altura e pesando entre 3-5 kg. Usado como replante das falhas em bananais formadas ou em formação.
As mudas de rizoma não brotado apresentam desenvolvimento mais lento e conseqüentemente o primeiro ciclo de produção é mais longo. Observa-se ainda, na prática, que o desenvolvimento das mudas do mesmo tipo é tão mais rápido quanto maior for o seu peso.
É possível ainda, obter-se mudas a partir do desenvolvimento de meristemas (gemas laterais e apical) por meio de multiplicação de tecidos em laboratórios de biotecnologia.
5.3.2- Preparo e tratamento das mudas
A princípio é imprescindível que o bananal fornecedor de mudas não tenha sintomas de vírus, Mal-do-Panamá e se possível, não apresentar sinais de nematóides e da broca-da-bananeira.
Tão logo possível após a extração, o material de plantio deve ser submetido a uma limpeza (toalete ou escalpelamento) retirando-se todas as raízes, limpando-se as partes necrosadas, secas e a terra aderente, tomando-se cuidado para evitar qualquer lesão às gemas.
Esse material pode ser então submetido a um tratamento químico específico, a base de carbofuran líquido à 0,4% por um período de 15 minutos, devendo-se para este tratamento utilizar-se dos equipamentos de proteção individual (EPIs) pois o produto é altamente tóxico. Pode-se ainda como opção submeter o material a um tratamento com 2 litros de água mais um litro de hipoclorito de sódio por 10 minutos.

5.4- Plantio
Para o tipo de muda, pedaço de rizoma, colocá-la no fundo da cova, no caso do Planalto Paulista, cobertura com 15-20 cm de terra.
Em terrenos pesados e mais úmidos, como nas condições do Litoral, plantar mais raso, e cobrir com 5cm de terra.

6 - TRATOS CULTURAIS

6.1- Controle de Plantas daninhas
O bananal deve ser mantido no limpo através de roçadas mecânicas ou capina manual superficial, visto que a concorrência com o mato resulta em atraso no desenvolvimento, diminuição no vigor e queda na produção, não se devendo gradear ou passar rotativa, dada a superficialidade das raízes.
No controle químico, podemos utilizar herbicidas de pós ou pré-emergência nas dosagens especificadas para cada produto, em função do tipo de solo e das espécies infestantes.
O número de capinas fica a critério das condições climáticas, fertilidade do solo e do espaçamento utilizado, sendo que num bananal bem formado, as plantas daninhas são problemas nos primeiros meses, quando então o controle deve ser realizado.

6.2- Desbaste
É uma das operações mais importantes no manejo do bananal, e consiste em favorecer o maior e mais rápido desenvolvimento do único rebento (filho ou guia) deixado junto a planta mãe, e que será responsável pela próxima safra. Esse desbaste pode ser feito utilizando-se a ferramenta "lurdinha" (vazador), ou apenas com cortes dos rebentos.
O primeiro desbaste, que irá eleger a planta mãe, deve ser realizado quando os brotos atinjam 60cm. O desbaste deverá ser realizado periodicamente, visando manter mãe e filho, até o lançamento da inflorescência pela planta-mãe, nesta fase escolhe-se um novo broto junto ao filho que passará a ser o "neto". O número de desbastes varia de 3 a 5 vezes/ano.
O desbaste também poderá ser conduzido de forma a se controlar a época de produção, objetivando-se a colheita de cachos na época de melhores preços.

6.3- Corte de Pseudocaule após a colheita.
Após o corte do cacho por ocasião da colheita, permanece o pseudocaule que deverá ser cortado o mais alto possível, permitindo a translocação dos seus nutrientes e hormônios para o rizoma, o pseudocaule pode ser eliminado totalmente 40-60 dias após a colheita.
6.4- Limpeza do Bananal (retirada de folhas secas)
Periodicamente, aconselha-se a retirada das folhas secas, já sem função na planta, cortando-as junto ao pecíolo, de baixo para cima e enleiradas nas entrelinhas do bananal.
Em regiões sujeitas ao frio, esta operação deverá ser efetuada antes do inverno, visando permitir um maior escoamento da massa de ar frio do bananal.

6.5- Poda
Pode ser realizada com o objetivo de deslocar a produção, concentrando-a numa época de preços mais favoráveis, o que ocorre normalmente no final do ano.
Também pode ser utilizada para recuperar uma lavoura atingida por geada, inundação, granizo, vento, que tenha comprometido as plantas mais velhas e a produção pendente.

6.6- Outros tratamentos
- Eliminação do coração: quebra-se a ráquis masculina ("rabo-do-cacho") junto ao botão floral, quando houver entre ele e a última penca, cerca de 10-12 cm. Este procedimento visa acelerar o desenvolvimento ("engordamento") das bananas, aumentar o comprimento dos últimos frutos, aumentar o peso do cacho e provocar a diminuição de trips e traça-da-bananeira.
- Retirada dos pistilos (despistilagem): faz com que a proximidade distal do dedo fique mais cheia, melhorando seu aspecto visual, além de ser um eficiente método de controle da traça-da-bananeira. Na prática, este procedimento não vem sendo realizado a nível de campo, pelo seu alto custo de realização, necessitando entretanto ser realizado no tratamento pós-colheita.
-Ensacamento do cacho com plástico polietileno

7 - ADUBAÇÃO

A adubação, calagem e fosfatagem devem ser feitas baseadas nos resultados da análise do solo e foliar e de acordo com os períodos de maior demanda pelos nutrientes, como por exemplo na fase de crescimento vegetativo e de "lançamento" do cacho onde ocorrem maiores demandas de Nitrogênio (N), enquanto que por ocasião da "engorda" dos frutos é maior a demanda de potássio(K).
A retirada de nutrientes por tonelada de cacho é de aproximadamente: N=2,0 kg; P2O5: 0,6 kg; K2O=6,4 kg; CaO= 0,4 kg: e MgO: 0,9 kg.
Todos os restos da cultura devem permanecer dentro do bananal como fonte de matéria orgânica (salvo aquelas de plantas doentes), podendo-se inclusive em solos arenosos acrescentar outros materiais de baixo custo com a finalidade de melhorar a qualidade física do solo.
Na calagem, antes do plantio, recomenda-se utilizar calcário dolomítico com um mínimo de 16% de MgO, com o objetivo de evitar o desequilíbrio em Ca, Mg, e K que pode provocar um problema fisiológico ("azul da bananeira") que pode anular por completo a produção. Aplicar antes do plantio, 10 litros por cova de esterco de curral ou 2 litros de esterco de aves ou 1 litro de torta de mamona, especialmente em solos arenosos, recomendando-se ainda, como prática importante, a fosfatagem na dosagem de 100 a 200 kg/ha de P2O5 ou de 40-50g de P2O5/cova.
As adubações dos bananais em formação e em produção seguem as recomendações de adubação e calagem para o Estado de São Paulo do Instituto Agronômico de Campinas (Boletim Técnico nº 100).
As adubações deverão ser parceladas, realizando-as nos meses de setembro-dezembro-abril, com solo úmido, procurando-se distribuir os adubos na "parte da frente" da bananeira, no sentido do caminhamento do bananal, onde estão os brotos que ficarão para a próxima produção, a uma distância de 20-40 cm, formando um semicírculo.
Quanto aos micronutrientes, torna-se interessante a aplicação de fertilizantes fornecedores de zinco, cobre, boro, ferro e outros .

8 - PRAGAS E DOENÇAS

8.1- Pragas

8.1.1- "Moleque" ou Broca-da-Bananeira" (Cosmopolites sordidus)
Praga bastante disseminada, atingindo praticamente todos os bananais. O inseto adulto é um besouro preto, de hábito noturno, suas larvas são responsáveis pelas perfurações que aparecem no rizoma, destruindo internamente o tecido da planta, prejudicando o seu desenvolvimento. As folhas amarelecem, os cachos ficam pequenos e as plantas sujeitas ao tombamento.
Para o seu controle recomenda-se a limpeza das mudas, com uma toalete completa, onde se escalpela todo o seu rizoma, eliminando por completo os sinais de sua presença.
O controle, ainda, é realizado com o monitoramento da praga, utilizando-se de iscas tipo queijo ou telha, onde acrescenta-se um inseticida na dosagem de 2-3g/isca, fazendo-se 25 iscas/ha.
Recentemente tem-se realizado o controle biológico da broca utilizando-se o fungo Beuveria bassiana, no mesmo sistema de iscas, agora utilizando 20-25g do fungo/isca na proporção de 100 iscas/ha.
8.1.2- Nematóides
Os nematóides que ocorrem na cultura da banana são classificados segundo as lesões que provocam:
a) lesões profundas (Radophulos similis - nematóide "cavernícola" e Pratylenchus musicola
b) lesões superficiais (Helicotylenchus spp)
c) lesões tipo galha (Meloidogyne spp).
Os nematóides parasitam o sistema radicular e rizomas das bananeiras, são responsáveis por expressivas quedas de produção nos bananais em decorrência da existência de condições propícias para o desenvolvimento de altas populações, como terreno arenoso e períodos secos.
São encontrados em quase todas as plantações do Estado de São Paulo, podendo reduzir as raízes a apenas 10% do seu comprimento, levando ao tombamento de plantas, além disso abrem nas raízes e no rizoma, portas de entrada para outros parasitas.
O melhor método de controle é não permitir a entrada de nematóides em novas áreas, para isso necessita-se de mudas de origem sadia. Para complementar recomenda-se realizar uma boa "toalete" do rizoma das mudas, eliminando toda e qualquer mancha escura,e fazer tratamento das mudas.
Nos tratamentos rotineiros, podemos aplicar nematicida via solo (não realizando o tratamento em plantas com cachos) ou logo após a colheita dentro da planta-mãe com auxílio da lurdinha.
Outras formas de atenuar os problemas com a presença de nematóides são as de manter as plantas com nutrição correta e bem conduzidas.
8.1.3- Outras pragas
Outras pragas ocorrem ocasionalmente na cultura da banana como por exemplo:

  • -Trips: Pequenos insetos que causam danos na casca dos frutos. A eliminação dos "corações" exercem um certo controle na população.
  • -Traça-dos-frutos-da-bananeira (Opogona sacchari): a larva penetra no fruto, abrindo galerias, causando o apodrecimento e o amarelecimento deste, com o resto do cacho ainda verde. Seu controle pode ser feito com despestilagem ou pulverizando-se com produtos recomendados, com jato dirigido ao cacho recém-formado,
  • -Lagartas: provocam prejuízos na área foliar, com desfolhamento ou abertura de galerias no parênquima foliar. Seu controle quando necessário pode ser realizado quimicamente com resultados satisfatórios.

  • 8.2- Doenças

    8.2.1- "Mal-de-Sigatoka" (Mycosphaerella musicola - fase perfeita; Cercospora musae - fase imperfeita)
    Os sintomas ocorrem nas folhas, iniciando-se por pontuações com leve descoloração, passando por estrias cloróticas e manchas necróticas, elípticas, alongadas e dispostas paralelamente as nervuras secundárias, apresentado estas lesões á parte central acinzentada e as bordas amarelecidas, essas lesões podem coalescer comprometendo uma grande área foliar.
    É um problema fitossanitário limitante para os cultivares Nanicão, Nanica e Grande Naine sendo imprescindível um programa de controle fitossanitário. O cultivar Ouro é ainda mais susceptível, já os cultivares Maça e Prata são considerados medianamente resistentes e o ‘Terra’ ainda mais resistentes.
    Para o seu controle recomenda-se pulverização sobre as folhas, em baixo volume, atingindo as folhas novas, com óleo mineral "Spray oil" entre 12 e 18 litros/ha.
    O período de controle deverá ser de setembro a maio, pois o fungo necessita de temperatura e umidade alta para se desenvolver, num intervalo de aplicação de 20-22 dias, podendo este prazo ser dilatado quando utilizado óleo mais um fungicida sistêmico triazóis, benomyl e benzimidozóles.
    As aplicações são feitas por atomizador costal, atomização via trator e aplicações aéreas.
    8.2.2- "Mal-do-Panamá" (Fusarium oxysporum f. sp. cubense)
    Os cultivares de interesse comercial apresentam taxas variáveis de tolerância, assim apresentam alta tolerância os cultivares: ‘Ouro’, ‘Nanica’, ‘Nanicão’; mediana tolerância: ‘Terra’; baixa tolerância: ‘Prata’ e intolerante: ‘Maça’.
    Esta doença, sendo limitante para o cultivar Maça, fruta de grande preferência de consumo, motivou a migração de seu cultivo do Estado de São Paulo.
    Apesar da tolerância do cultivar Nanicão, desequilíbrios nutricionais (P, Ca, Mg e Zn), parasitismo de nematóides, ou períodos elevados de estiagem, podem levar ao aparecimento de sintomas da fusariose.
    Não existe controle para a doença, e no caso da escolha por variedades suscetíveis, buscar locais onde não ocorreram plantios anteriores e utilizar mudas sadias e de qualidade.
    8.2.3- "Moko" ou "Murcha Bacteriana" (Pseudomonas solanacearum)
    Doença bacteriana que se encontra no Brasil apenas na região Norte, onde já é bastante difundida, e no Nordeste. A planta infectada morre em poucas semanas, sua incidência se dá em reboleiras, com as folhas caídas e secas ("guarda-chuva fechado"), os frutos apresentam a polpa com manchas negras distribuídas no seu interior. Como único método de controle, preconiza-se um rigoroso programa de erradicação das plantas doentes.
    No Estado de São Paulo, não foi constatada a presença dessa doença, devendo-se pois atentar-se para não permitir a entrada desse patógeno nas nossas regiões produtoras.
    8.2.4- Viroses (vírus do mosaico do pepino)
    Embora já constatada em nossas condições de cultivo, até o momento não tem causado problemas de sérias proporções, devendo-se no entanto manter a atenção quanto a esta doença.
    8.2.5- Doenças de frutos
    São algumas as doenças fúngicas que normalmente não chegam a afetar a qualidade da polpa, no entanto, como são causados por fungos manchadores de frutos, leva a perda de valor comercial devido a defeitos e má aparência.
    Como exemplo citamos:
    - ponta-de-charuto: causado por uma associação de fungos
    - doença-das-pintas (Pyricularia grisea).
    De maneira geral, essas doenças não tem sido problema limitante, no entanto, em bananais limpos, bem arejados e com bom manejo, diminuem as possibilidades de ocorrência.
    8.2.6- Doenças Pós-colheita
    Podem ocorrer podridões, seja no engaço, na coroa ou almofada ou nos frutos. Para evitar tais problemas que resultam em diminuição no valor comercial do produto, deve-se atentar a uma colheita cuidadosa e no ponto correto, proceder a limpeza das pencas, a lavagem dos frutos com detergente e posterior imersão em solução fungicida (benomyl e thiabendazóle) e o acondicionamento nas embalagens adequadamente.

    9 - COLHEITA E COMERCIALIZAÇÃO

    Considera-se que a banana está apta para a comercialização quando os frutos se encontram fisiologicamente desenvolvidos, ou seja, que atingiram o estágio de desenvolvimento característico da variedade.
    No entanto, esta não pode ser colhida madura, pois como fruta muito sensível ao transporte e por não se conservar por muito tempo, seu amadurecimento pós-colheita deve se processar em câmaras de climatização, onde são submetidas à maturação sobre controle de temperatura, umidade e ventilação, conseguindo-se um produto final de melhor qualidade e uniformemente amadurecido, de maior valor comercial.
    Para determinar o ponto de colheita, deve-se levar em consideração a distância e a que mercado se destina a fruta. De modo geral como parâmetros que podemos adotar para determinar o ponto-de-colheita da banana, estão o grau fisiológico do fruto, que se baseia na sua aparência visual (magro; 3/4 magro; 3/4 normal; 3/4 gordo e gordo) ou no diâmetro da fruta, onde se mede o diâmetro do dedo central da segunda mão.(magro = 30mm; 3/4 magro=32mm;3/4 normal =34mm 3/4 gordo 36mm e gordo 38mm).
    De forma geral, os frutos devem ser colhidos ainda verdes, porém já desenvolvidos e as "quinas" longitudinais pouco salientes (3/4 gordo). Para o mercado externo, prefere-se colher frutos um pouco mais magros que para o mercado interno.
    Os cuidados na colheita devem ser os mais atendidos, no sentido de se evitar bater os frutos, não permitir sua exposição prolongada ao sol etc., desde a colheita do cacho, até seu transporte e o manuseio no "packing house".
    Após a colheita, o produto pode ter vários destinos e diferentes modalidades de comercialização, seja na comercialização direta dos cachos, seja em embalagens que devem obedecer a portaria específica do Ministério da Agricultura e Reforma Agrária, que padroniza de acordo com o mercado a que se destina (interno e externo) e com a cultivar, os diferentes tipos de embalagem para banana (torito, caixa "M", caixa de papelão).
    Quanto ao mercado, observa-se a disponibilidade de frutos durante todo o ano, entretanto com flutuações de preço em função da oferta/demanda em algumas épocas do ano.
    Para pensarmos seriamente em exportação, não apenas para nossos tradicionais importadores, Uruguai e Argentina, temos que estar dispostos a reverter a situação que nos separa de países como o Equador, que apesar da palatabilidade inferior de suas bananas e com preços equivalentes, quando comparamos com o Brasil, apresentam uma qualidade e uma apresentação extremamente superior, inclusive comercializando seus frutos em forma de "buquê" (5-7 frutos), prática esta que já vem sendo realizada pelos produtores nacionais.
    Hoje, tem-se incentivado a prática de tratamentos pós-colheita, com manuseio de frutos em casas de embalagem, nas áreas de bananicultura do Estado, como forma de melhorar a qualidade final do produto. Além disso temos que pensar num trabalho de marketing salientando as propriedades da banana como alimento com o objetivo de se estimular seu consumo



















    Pós Colheita da Banana: metodos,cuidados e materiais.



    1. Introdução

    De todas as frutas tropicais, a banana é sem dúvida alguma, a de maior importância no Brasil, pois é considerada como alimento básico do povo brasileiro (DURIGAN e RUGGIERO, 1995). Seu cultivo é realizado em todos os Estados da Federação, desde a faixa litorânea até os planaltos do interior (ALVES, 1999).
    O Brasil é maior mercado consumidor dessa fruta. O consumo médio anual é estimado em 34kg “per capita” e é consumido principalmente in natura, em razão do preço geralmente acessível (SOTO, 1992).
    A banana é a fruta de maior produção e comercialização mundial, responsável por 37% do volume total de frutas transacionadas no mercado internacional (FRUTISÉRIES, 2000). Este percentual significou 13,7 milhões de toneladas, em 1999, representando crescimento da ordem de 25% em relação a 1990 (FAO, 2000).
    O uso de tecnologias adequadas de pós-colheita (manuseio, processamento, armazenamento e transporte) é tão fundamental quanto a produção e suas práticas culturais, pois o aumento de produção deve vir, necessariamente, acompanhado de uma redução das perdas e da preservação da qualidade inicial do produto hortifrutícola para o consumo ‘in natura’.
    Entre as principais perdas pós-colheita estão: falta de transporte adequado, uso de embalagens impróprias, falta de amadurecimento controlado e a não utilização da cadeia do frio para a armazenagem. Segundo CAMARGO (2002), as perdas pós-colheita ocorrem em qualquer etapa do processo, iniciando-se na colheita e depois dela, durante a distribuição e, finalmente, quando o consumidor compra e utiliza o produto.
    Segundo LICHTEMBERG (1999), a falta de cuidados no manejo pós-colheita é responsável pela desvalorização da banana no mercado interno e pela perda de oportunidade de exportação da fruta brasileira.
    MASCARENHAS (1999) comenta que o Brasil para concorrer no mercado internacional precisa melhorar em muito a qualidade do produto, regularizar sua oferta e ter uma prática de exportação mais consistente. O mesmo autor salienta que se perde em torno de 40% das bananas produzidas até a mesa do consumidor.

    2. Danos físicos ou mecânicos

    Segundo BORDIN (1998), desde o instante em que é colhido até o momento de ser preparado ou consumido, o produto hortícola sofre uma série de efeitos essencialmente mecânicos que, dependendo da sensibilidade do produto, poderão causar danos que comprometerão a qualidade final do mesmo. Estudos mostram que, dependendo do produto, as perdas de produtos hortícolas por causas mecânicas podem chegar a 20 – 25% do total. Basicamente, o manuseio, a vibração, o impacto e a compressão irão causar ferimentos e/ou amassamentos superficiais que levarão à deterioração do vegetal ou facilitarão o desenvolvimento de doenças.
    Das bananas que são colhidas nas lavouras, somente cerca de 40% a 50% chegam efetivamente às mãos dos consumidores. Segundo TAGLIARI et al., (1994), este fato é causado pelas perdas devido a danos ocorridos nas seguintes fases: do plantio até a colheita (devido à falta de planejamento do manejo da lavoura), no momento da colheita, no amontoamento dos cachos, nas embalagens de madeira, no transporte interno e externo e no manuseio das frutas nas feiras e supermercados.
    Sabe-se que os danos físicos levam a um escurecimento da casca e polpa, causam má aparência e conduzem à entrada de fungos causadores de podridões. Os danos físicos e as podridões são, assim, o maior problema no mercado de bananas, fazendo cair a qualidade e o preço (THOMPSON e BURDEN, 1996). Além de prejudicarem a aparência e a qualidade, os danos físicos levam a um amadurecimento precoce das bananas, ocasionado pelo aumento na síntese de etileno. Este amadurecimento precoce, além de causar uma desuniformidade do lote, faz com que o fruto fique com uma textura menos firme o que o torna mais susceptível aos danos mecânicos.
    Deve-se levar em consideração os danos mecânicos causados na colheita. Os danos que podem ocorrer nessa fase prejudicam a aparência da fruta e provocam perdas por cortes, rachaduras, esmagamento, e posterior podridão das frutas (LICHTEMBERG, 1999).
    A suscetibilidade do fruto a danos mecânicos torna críticas a colheita e o transporte dos cachos. As etapas do transporte manual dos cachos, embarque nos veículos transportadores e traslados dos cachos até a central de embalagem são responsáveis pela maioria das injúrias mecânicas produzidas nos frutos (MITCHELL, 1992).
    Durante o beneficiamento das frutas também ocorrem danos mecânicos que surgirão principalmente após a maturação. Mas, é no momento da embalagem que a fruta sofre os maiores danos (LICHTEMBERG, 1999). Este autor salienta que os maiores problemas ocorrem em função da utilização de embalagens inadequadas e, principalmente, em razão do excesso de carga nelas acondicionada. Uma caixa “torito” que tem capacidade para 18 a 20kg de fruta, recebe em média 25kg de banana. Dessa forma, a banana entra prensada e ultrapassa a altura da embalagem. As conseqüências deste procedimento são frutas rachadas, raspadas nas bordas das embalagens e amassadas.
    O transporte das frutas até os centros distribuidores também causa severos danos às frutas, principalmente quando as rodovias não estão em boas condições de rodagem. No transporte, o horário, o tipo de carroceria e as condições da estrada são de grande importância para a qualidade final do produto.
    Também há ocorrência de muitos danos quando as frutas já se encontram no atacado e varejo. As embalagens, nas cargas e descargas, são na maioria das vezes “arremessadas” pelos carregadores. O manuseio da fruta também ocasiona o aumento de danos. Assim sendo, há a necessidade de cuidados especiais na exposição e comercialização dessa fruta.

    3. Colheita e transporte da banana até o galpão de beneficiamento

    A variedade ou cultivar é um dos insumos ou fatores de produção mais importantes no estabelecimento do cultivo, devendo merecer especial atenção.
    A eleição de um cultivar de banana para plantio está relacionada com diversas características podendo-se destacar: maior preferência pelos consumidores; maior produtividade; tolerância às pragas e doenças; tolerância a seco e/ou ao frio; porte e disponibilidade de material propagativo.
    Segundo BELALCÁZAR CARVAJAL (1991), o êxito da exploração agrícola depende fundamentalmente da tecnologia empregada na fase de seu estabelecimento e da época em que se realizam as práticas culturais.
    LICHTEMBERG (1999), comenta que as práticas que evitam o desfolhamento das plantas como o controle do mal-de-sigatoka, o controle de ventos, frio, a irrigação e a nutrição mineral, além de permitir um melhor desenvolvimento do cacho, reduz o descarte de frutos por queimaduras de sol, maturação precoce e tamanho reduzido. Estas práticas também aumentam a vida-de-prateleira da banana.
    Segundo este mesmo autor outras práticas com o objetivo de melhorar a aparência e preservar a integridade dos frutos, evitando danos mecânicos, biológicos e climáticos, podem ser citadas, tais como: o ensacamento dos cachos, o escoramento das plantas (tutoramento), a desfolha, a poda de pencas e do coração, a despistilagem, o desvio de cachos e de filhotes e a proteção dos frutos contra a insolação.
    Todos esses aspectos são de grande importância para que se obtenha uma fruta de boa qualidade no momento da colheita. Os cuidados antes e pós-colheita apenas preservam a qualidade dos frutos, sem ser capaz de melhorá-la.
    Com relação à colheita, nos climas tropicais programa-se com três meses de antecedência. No ensacamento do cacho lançado, usa-se uma fita colorida para o amarrio da extremidade superior do saco de polietileno. A cada semana usam-se fitas de uma coloração. Esta marcação dos cachos facilita e permite a previsão de colheita pela contagem das fitas utilizadas a cada semana. A colheita é realizada cerca de 90 dias após o ensacamento dos cachos.
    Segundo LICHTEMBERG (1999), no Brasil, em lugar das fitas coloridas, tem-se utilizado sacos de polietileno com números impressos para identificar as semanas correspondentes aos cachos.
    Quanto ao grau de corte, nos cultivares do subgrupo Cavendish, fez-se necessário desenvolver tecnologias que permitissem quantificá-lo, reduzindo-se assim as perdas na colheita por corte antecipado ou retardado.
    Sabe-se que a partir de determinado período de sua emissão, o cacho pode ser colhido em diversos estágios de desenvolvimento dos frutos, conforme a conveniência ditada pela distância entre o cultivo e o mercado consumidor ou o destino final do produto.
    Na prática, visando à determinação do ponto de colheita, utiliza-se a contagem dos dias após a inflorescência, o desaparecimento da angulosidade dos frutos e o diâmetro do fruto central da segunda penca.
    No Vale do Ribeira, para a banana ‘Nanicão’, utiliza-se para a calibração do cacho a ser colhido, chapa metálica ou plástica, vazadas em forma de U, com aberturas entre 30 e 38 mm. Frutos com calibre abaixo de 30 mm são considerados impróprios para o consumo. Frutas com calibres de 32 e 34 mm são mais indicados para a exportação para os países platinos, sendo que no verão são recomendadas as de 32 mm. Para o mercado interno são indicadas as frutas de 36 e 38 mm. As frutas de 36 mm são as que apresentam melhor qualidade após a maturação. Para a produção de banana-passa são indicadas frutas mais magras, com calibre de 30 e 32 mm. (LICHTEMBERG, 1999).
    A colheita é geralmente efetuada por dois trabalhadores: o cortador e o aparador ou carregador. O primeiro corta parcialmente o pseudocaule, à meia altura entre o solo e o cacho; o segundo evita que o cacho atinja o solo, segurando-o pela ráquis masculina ou aparando-o sobre o ombro. O primeiro trabalhador corta então o engaço, a fim de que o cacho seja transportado até o carreador. Em uma equipe de colheita, para cada cortador, deve haver três ou mais carregadores, de acordo com o ritmo de trabalho. Os carregadores devem ter o ombro protegido por uma manta de espuma, câmara de ar ou por um “bercinho” almofadado para evitar danos aos cachos. O objetivo é promover a distribuição das pressões de contato, fornecendo alguma proteção ao cacho (contra danos mecânicos) e ao ombro do trabalhador. (SOUZA, 2000).
    Existem vários sistemas de transporte dos cachos do pomar até o galpão de embalagem. Pode-se citar o transporte em carrocerias, seja em carretas de trator, em caminhão ou em carrocerias do tipo “cegonheira”, este último muito utilizado no Vale do Ribeira.
    Em função da maior exigência por qualidade, que o mercado vem apresentando ultimamente, alguns produtores já vem adotando maiores cuidados no transporte e na colheita da banana. É o caso da adoção do cabo aéreo como forma de transporte dos cachos do carreador até o galpão de embalagem. Segundo TAGLIARI e FRANCO (1994), este é o melhor sistema de transporte de cachos na lavoura, adotado pelos países tradicionalmente exportadores.

    4. Galpão de beneficiamento (packing house)

    O beneficiamento da banana vai depender do fim a que se destina o fruto e do método de colheita empregado, entre outros fatores. No caso do consumo ‘in natura’, a banana, após ser colhida, é transportada para o galpão de beneficiamento (packing house) por caminhões, tratores ou por cabo aéreo.
    O galpão de beneficiamento ou unidade de beneficiamento é um local coberto, próximo das lavouras, e de preferência no centro das mesmas, aonde os cachos vindos do bananal, passam por uma série de processos que visa melhorar a aparência da banana a ser comercializada. Segundo LICHTEMBERG (1999), um bom galpão de beneficiamento deve permitir os processos de despistilagem, despencamento, subdivisão de pencas (confecção de buquês), lavagem, classificação, pesagem, tratamento antifúngico, colocação de selos de qualidade e embalagem da fruta. Além de um bom galpão de beneficiamento, deve-se contar com pessoal treinado e cuidadoso em relação a equipamentos, manejo da fruta, limpeza do ambiente e uso correto das embalagens, para garantir uma boa qualidade final do produto.
    No bananal, os cachos devem dispor de um local à sombra, de preferência pendurados em cabos ou barras de ferro até serem transportados para a as carrocerias, onde deve estar em um nível que facilite o descarregamento e a colocação dos cachos nos cabos ou barras. Em seguida os cachos são transportados até o galpão de beneficiamento. Este deve estar próximo das plantações para evitar longas distâncias.
    Ao chegar no galpão de beneficiamento os cachos são pendurados no trilho de recepção, onde são retirados os restos florais (pistilos) e detritos grosseiros como frutos podres, brácteas, pedaços de folhas bem como os sacos plásticos que envolvem os cachos. Na despistilagem é necessário o uso de luvas ou unhas aparadas para não ferir as frutas. A despistilagem é feita com os cachos ainda pendurados e próximos do local de despencamento.
    Logo após a despistilagem os cachos são separados em pencas ainda pendurados sobre as barras e mergulhadas em um tanque com solução de sulfato de alumínio, podendo esta solução estar também adicionada de detergente neutro.
    A lavação tem como objetivos a retirada de impurezas, poeira e cica aderida às frutas, cicatrizar os cortes e flocular e precipitar os resíduos orgânicos. MOREIRA (1987) recomenda 2 litros de detergente para cada 1.000 litros de água. A quantidade de sulfato de alumínio é variada no verão e inverno. Como a exsudação da cica é maior no verão, a quantidade de sulfato de alumínio deve ser maior nessa época. Recomenda-se 500g de sulfato de alumínio para cada 1.000 litros de água, no inverno, e aumenta-se gradativamente esta concentração à medida que o verão se aproxima. (SOTO, 1985).
    O deslocamento das pencas de uma extremidade a outra é realizado através de esguichos de água, por canos perfurados, cerca de 10 cm do nível da água. A colocação desses canos pode ser feita a cada 3 ou 4 m de comprimento dos tanques.
    Após ser feita esta limpeza ocorre a confecção dos buquês, onde as pencas são subdivididas em no mínimo 3 e no máximo 8 dedos. Nesta etapa também é feita a eliminação de frutas mal colocadas no buquê, frutas muito curvas, defeituosas, geminadas, com feridas, rachadas e cortadas e as pencas deformadas. A subdivisão das pencas facilita o acondicionamento e posteriormente a comercialização das frutas.
    Para a confecção dos buquês, utiliza-se canivete de ponta curva, com lâmina de cerca de 10 cm de comprimento. Nessa operação, o trabalhador deve estar atento para não causar ferimentos nas frutas com a lâmina. As pencas são colocadas sobre mesas estofadas com pequenos colchões de espuma ao serem cortadas.
    Os buquês são colocados em um segundo tanque onde é feita a seleção dos buquês por tamanho e a sua condução até a outra extremidade, feita através da movimentação da água que sai com pressão de um tubo colocado transversalmente à borda superior do tanque.
    O tanque de lavação dos buquês deve ter, no mínimo, as mesmas dimensões do tanque de lavagem das pencas e tem a mesma função do tanque anterior.
    Estes processos de lavagem são bastante importantes, principalmente quando a temperatura do bananal é elevada ou quando a colheita é feita em horas quentes do dia. Pelo simples fato de mergulhar a fruta em um tanque com água pode-se abaixar a temperatura interna da fruta e evitar uma sobrecarga do sistema de resfriamento e um aquecimento excessivo da câmara em seguida ao carregamento (BLEINROTH, 1984).
    A classificação da fruta deve iniciar no momento do despencamento. Assim, as pencas de frutos maiores são colocadas em local diferente das pencas de frutos menores. Com a confecção dos buquês, os operadores também classificam as frutas de acordo com o tamanho.
    O ideal é a colocação de balanças junto ao tanque de lavagem dos buquês, para a pesagem adequada das frutas para cada tipo de embalagem.
    Após a pesagem, é realizado o tratamento antifúngico dos buquês. Esse tratamento é utilizado para a desinfecção das frutas e para evitar podridões posteriores, dando maior tempo de conservação à fruta. Pode ser realizado por nebulização ou pulverização. Alguns exemplos de fungicidas aplicados sobre as frutas são thiabendazole e benomyl, com 1 a 2 g.L-1, na imersão, na pulverização e no sistema de chuveiro e 2 a 4 g.L-1, na nebulização.
    Após o tratamento antifúngico pode-se fazer a colocação de selos nos buquês, com a marca do produto, que são importantes no marketing de frutas de qualidade.
    Em seguida é realizado o acondicionamento das frutas nas embalagens, colocadas em câmaras frigoríficas ou não e depois transportadas para os centros de distribuição.

    5. Embalagem

    Altos índices de perdas no mercado brasileiro de frutas e hortaliças são uma indicação da necessidade de sistemas adequados de movimentação e de acondicionamento destes produtos. Na comercialização de frutas, existe uma demanda crescente por embalagens que ofereçam maior proteção mecânica e fisiológica, diminuindo danos e aumentando a vida de prateleira destes produtos, especialmente para exportação.
    A especificação de sistemas de embalagem para produtos vivos, como as frutas e as hortaliças, é complexa. Diferentemente de outros alimentos, estes produtos continuam respirando após a colheita e durante o transporte e comercialização. Além de proteção mecânica, as tecnologias envolvidas no desenvolvimento de uma embalagem para frutas e hortaliças visam retardar a respiração, o amadurecimento, a senescência e, conseqüentemente, todas as alterações indesejáveis advindas destes processos fisiológicos (SARANTÓPOULOS e FERNANDES, 2001).
    A especificação da embalagem para frutas e hortaliças requer a otimização de parâmetros físicos, químicos, bioquímicos e ambientais. Dentre os parâmetros físicos devem ser considerados: o tamanho da embalagem em relação ao peso de produto, o volume de espaço livre no interior da embalagem e suas características de permeabilidade a gases e ao vapor d’água. Fatores ambientais como temperatura, luz, severidade do pré-processamento e estresse mecânico de manuseio e transporte, também deverão ser considerados na especificação da embalagem apropriada. (SARANTÓPOULOS, 1996).
    Segundo CHITARRA e CHITARRA, (1990), a ação conjunta da utilização da cadeia do frio e uma embalagem adequada deve facilitar a conservação da qualidade da banana até que ela chegue a mesa do consumidor.
    As operações de acondicionamento do produto não melhoram a sua qualidade, apenas ajudam a conservá-la. Sendo assim somente os melhores produtos devem ser embalados. Do mesmo modo que a embalagem não substitui a refrigeração. A qualidade será mantida quando as boas condições da embalagem forem associadas com as boas condições dos tratamentos pós-colheita.
    A embalagem direcionada para frutas e hortaliças deve facilitar a refrigeração, permitindo que o fluxo de ar atinja os produtos e a temperatura seja mantida em níveis convenientes. Para isso as aberturas laterais da embalagem deverão permitir uma boa vazão de ar e água e até mesmo conter o gelo no interior da embalagem, se necessário.
    Atualmente, vários tipos de embalagens são utilizados no comércio da banana no Brasil. Existe uma grande diversidade de caixas para 10, 15, 18, 20, 23 e 25 kg de banana, confeccionadas em madeira, fibra, plástica ou papelão. As dimensões das embalagens usadas variam ainda mais. Praticamente cada local ou fabricante utiliza tamanho e formato diferentes. (LICHTEMBERG, 1999).
    As embalagens de plástico mais utilizadas no Brasil apresentam capacidade para 18kg de bananas. Apresentam dimensões internas de 515 x 325 x 295 mm. Estas embalagens têm como vantagens o fácil manejo, a facilidade de circulação do ar durante a climatização, a possibilidade de lavagem e desinfecção, ser retornável e durabilidade. Suas desvantagens são o alto custo, o prejuízo em caso de extravio e o custo de retorno no transporte . (LICHTEMBERG, 1999).
    Segundo BLEINROTH (1995), a embalagem de madeira deve ser leve e com seção retangular, usando-se em geral, o pinho. Apresenta perfurações ou frestas nas laterais e no fundo a fim de permitir a perfeita circulação do ar no seu interior quando cheias e, geralmente, possuir dimensões de 500 x 370 x 170mm no caso de capacidade para 10kg, 500 x 350 x 190mm para 15kg e 500 x 350 x 290mm para 18kg. Geralmente recebem forração de plástico entre as frutas e suas paredes. Estas embalagens oferecem uma série de vantagens, tais como: resistência e facilidade de manuseio; possibilidade de várias utilizações; razoável proteção do produto e custo relativamente baixo em relação ao seu uso (SOTO, 1985).
    As regiões exportadoras acondicionam as frutas em embalagens de papelão. Geralmente as dimensões externas do corpo são de 570 x 285 x 200mm e da tampa de 578 x 295 x 202mm. Nestas caixas são colocados 19,0kg de banana, sendo as sub-pencas envolvidas ou protegidas por uma folha de polietileno (DURIGAN e RUGGIERO, 1995). No mercado interno já se encontram algumas embalagens de papelão, com dimensões variadas, telescópicas ou não e com capacidades que variam de 13 a 18kg de bananas.
    As embalagens tipo “torito” são de madeira bruta e duram de 7 a 10 viagens, enquanto as de papelão são utilizadas uma única vez, além do comprador visualizar melhor a fruta em caixa tipo “torito”. Já as caixas de papelão apesar de pouparem as frutas de algumas injúrias, têm o inconveniente do preço elevado e de criarem problemas dentro das câmaras de climatização, onde é mantida a umidade relativa do ar acima de 80%. (MOREIRA, 1987).
    Deve-se deixar observado que os operadores responsáveis pelo acondicionamento das frutas nas embalagens geralmente adicionam de 3 a 10 kg a mais que a capacidade da embalagem. O resultado desta prática é a ocorrência de danos irreversíveis na aparência do produto e elevadas perdas por podridões em pós-colheita.
    LICHTEMBERG (1999) afirma que se a banana for comercializada depois de madura, a capacidade da embalagem deve ser expressa em peso de banana madura. Desta forma, as embalagens devem ser planejadas para comportarem de 6,5 a 10 % a mais de fruta verde recém-colhida, segundo o tipo de embalagem e cuidados adotados em pós-colheita. Este acréscimo é necessário para compensar a perda de peso da fruta durante o transporte, a climatização e a comercialização.

    6. Refrigeração

    A conservação em um meio refrigerado é denominada “cadeia do frio”. Cada etapa da conservação e da manipulação das frutas e legumes no meio refrigerado constitui um elo da cadeia que não deve ser quebrado. Quando quebrada, por alguma razão, a cadeia do frio, diminui-se automaticamente o período de conservação pela diminuição da qualidade do produto, que respirará mais rapidamente, utilizando suas reservas. (BLEINROTH et al., 1992).
    A refrigeração é, tecnicamente, um dos únicos métodos conhecidos que conserva o produto com características desejáveis semelhantes a seu estado inicial, ou seja, com aparência, sabor, valor nutritivo, além das suas vitaminas, textura, maciez e cor; retardando o processo de maturação e senescência, devido ao fato de que os mesmos experimentam processos fisiológicos e patológicos em função direta da temperatura. (NEVES Fº, 1993 e ASHRAE, 1994).
    CHITARRA (1999) afirma que não se deve esquecer que o produto a ser armazenado deve estar na melhor condição e qualidade possíveis, para que o armazenamento possa ser o mais prolongado. Portanto, deve-se levar em consideração a isenção máxima de danos mecânicos e doenças, isenção de infecção insipiente e pré-resfriamento e embalagem adequada, imediatamente após a colheita.
    Muitas vezes, a banana é colhida em temperaturas ambientais muito elevadas. Neste caso, quanto mais cedo for a redução da temperatura da polpa da fruta maior será o tempo de conservação da banana. A água de lavação das frutas, nos tanques desempenha um primeiro papel no resfriamento. Este pré-resfriamento é importante, pois no período de resfriamento da polpa o consumo de energia é muito elevado.
    A temperatura mínima de armazenagem depende da sensibilidade da banana a danos pelo frio, sensibilidade esta que é afetada pela cultivar, condições de cultivo e tempo de exposição a uma dada temperatura e umidade relativa do ar. (MARRIOT, 1980).
    Segundo SOTO (1985) e BLEINROTH (1995), a conservação da banana do subgrupo Cavendish pode ser feita à temperatura de 12ºC externamente e de 13°C na polpa. Temperaturas abaixo das indicadas causam distúrbios fisiológicos na casca, denominado injúria pelo frio (“chilling injury”), tornando-a amarela acinzentada a marrom.
    A umidade relativa é um elemento indispensável no ambiente de maturação e de refrigeração. A fruta perde constantemente umidade através da respiração, o que deve ser controlado para evitar o seu murchamento e a perda excessiva de peso, assim como a casca de se tornar enrugada e de coloração opaca (BLEINROTH, 1995). Segundo GOTTREICH et al., (1982), tem-se procurado manter a umidade relativa na câmara em torno de 85 a 95%.

    7. Climatização da banana

    Dentre os frutos climatérios, a banana é um caso raro no que se refere à larga faixa de maturidade fisiológica em que pode ser colhida e induzida a amadurecer com excelente qualidade. Este fato permitiu que a maturação comercial de bananas se tornasse uma operação de rotina, possibilitando obterem-se bananas em estádio de cor específico de acordo com esquema pré- estabelecido (WILLS et al., 1981).
    Segundo PEACOCK (1980), a faixa ótima de temperatura para a maturação controlada é de 13,9°C e 23,9°C, sem efeitos na qualidade. Segundo LICHTEMBERG (1999), a temperatura ideal para a climatização da banana do subgrupo Cavendish é de cerca de 18°C. ALVES et al. (1999), comenta que a temperatura afeta a taxa de maturação, permitindo a obtenção de frutos em variados graus de maturação. O aumento da temperatura reduz o tempo para atingir-se um determinado estágio de cor da casca, bem como para a qualidade ótima de cor e consumo.
    As câmaras não devem ter capacidade maior que 20t (densidade de pilhas = 1 t/m3) mas é essencial terem boa capacidade de refrigeração e ventilação, assim como umidade relativa controlável. Para se fazer a maturação da banana utilizam-se câmaras de aplicação de etileno em quantidade suficiente para amadurecer as frutas, que é de 10ppm constantemente, ou aplicações intermitentes de 1.000ppm (0,1%), espaçadas de 24 horas, e seguidas de ventilação. A ventilação deve ser constante (12m/min.) e acelerada (5-7 vezes) durante os períodos de ventilação forçada (DURIGAN e RUGGIERO, 1995).
    Segundo esses mesmos autores, a operação de maturação das frutas consiste em ajustar a temperatura dos frutos (normalmente 20-22°C) e injetar o etileno. Após 24 horas, ventilar forte (20-30 min.) e depois voltar à ventilação normal e estabilizar a temperatura. Esta operação é repetida por 2 a 3 vezes. O excesso de gás carbônico (acima de 1%) no ar, causa à coloração verde-amarela na fruta madura, o despencamento dos frutos, o amolecimento e podridão da polpa e o retardamento da maturação. Por estas razões deve-se realizar a exaustão e renovação do ar da câmara em intervalos de 12 a 24 horas, segundo a temperatura utilizada na climatização, mantendo-se sempre o gás carbônico abaixo de 0,5% do ar (LICHTEMBERG, 1999).
    O descarregamento é feito normalmente quando os frutos atingem os estádios de “mais verde que amarelo” a “amarelo com pontas verdes” em função do mercado e das condições ambientais, em que a fruta está sujeita durante a comercialização.
    Má vedação da câmara ou tratamento com desuniforme etileno, temperatura muito baixa e ocorrência de “chilling injury” no campo ou transporte causam problemas no amadurecimento da banana. Já a temperatura da polpa muito baixa (< 16°C) ou muito alta (> 22°C), remoção precoce da câmara e demora entre colheita e a embalagem causa deficiência na coloração. Umidade muito alta após o desenvolvimento da coloração e temperatura maior que 18°C após o início do amadurecimento causa vida útil curta das frutas. (DURIGAN e RUGGIERO, 1995).
    Outro fator que pode causar grandes danos às frutas é o choque térmico no descarregamento da câmara. Frutas retiradas da câmara e expostas a temperaturas muito altas ou muito baixas podem apresentar um rápido escurecimento da casca. (LICHTEMBERG, 1999).
    O manuseio inadequado na pós-colheita tem sido responsável pela desvalorização da banana no mercado interno e pela perda de oportunidade de exportação.

    RESUMO

    O manuseio inadequado na pós-colheita tem sido responsável pela desvalorização da banana no mercado interno e pela perda de oportunidade de exportação. Outro aspecto observado é que o comércio de banana é fortemente afetado pela má apresentação dos frutos e embalagens. Este trabalho teve como objetivo avaliar a qualidade pós-colheita de frutos da bananeira Prata-Anã, por análises físico-químicas e sensoriais, comparando o armazenamento refrigerado (13ºC) e o realizado em temperatura ambiente, empregando-se diferentes tipos de embalagens (caixa de madeira tipo torito, com capacidade para 18kg, com revestimento de papelão para os frutos, caixa de madeira tipo ½ caixa, com capacidade para 13kg, com revestimento de papelão para os frutos e caixa de papelão com capacidade para 18kg). Também, foram avaliados os danos físicos que ocorrem na banana durante transporte até o centro de distribuição e após a climatização. A conservação em ambiente refrigerado aumentou sua vida útil. Não houve diferença significativa entre as embalagens quanto à conservação das frutas, tanto nos atributos indicativos de maturação, quanto no aumento dos danos físicos. Sendo assim, essas embalagens podem ser utilizadas como alternativa de proteção ao fruto.
    Termos para indexação: Musa spp., processamento, acondicionamento.

    INTRODUÇÃO

    O Brasil destaca-se no mercado internacional como sendo um dos maiores produtores de frutas. Devido a sua grande diversidade climática, o País produz desde frutas adaptadas ao clima temperado até as tipicamente tropicais. A produção de banana no Brasil, em volume, é superada apenas pela laranja; todavia, apresenta grande importância na alimentação, por ser o maior consumidor mundial, mesmo sendo o terceiro em produção (Icepa, 2002). Seu cultivo é realizado em todos os Estados da Federação, desde a faixa litorânea até os planaltos do interior (Alves, 1999). Dentre os municípios do norte de Minas, Janaúba destaca-se como a capital do pólo fruticultor. Atualmente, existe uma área de aproximadamente 12 mil hectares plantados com frutas nesta região, sendo que 67% da área irrigada corresponde ao plantio de banana (predominantemente bananas do grupo Prata).
    Olorunda (2000) expõe que as perdas em bananas podem ter origens mecânicas, fisiológicas e microbiológicas. Os danos de origem mecânica devem ser considerados da maior importância para a conservação da qualidade dos frutos após sua colheita. Além de esses causarem ferimentos, amassamentos e cortes, influenciam nos outros tipos de danos - os fisiológicos e os microbiológicos.
    A avaliação da qualidade do fruto deve ser acompanhada em cada fase do processo, desde sua colheita até sua comercialização. Para isso, faz-se necessária a adoção de padrões preestabelecidos, de forma a proporcionar uma classificação adequada ao produto (Chitarra & Chitarra,1990). Dentre os frutos climatérios, a banana é um caso raro no que se refere à larga faixa de maturidade fisiológica em que pode ser colhida e induzida a amadurecer com excelente qualidade. Este fato permitiu que a maturação comercial de bananas se tornasse uma operação de rotina (Wills et al., 1982).
    Dentre os parâmetros químicos mais utilizados para avaliar a qualidade pós-colheita da banana estão o pH, acidez titulável, sólidos solúveis, relação entre sólidos solúveis e acidez ou índice de maturação (IM) ou "ratio", açúcares redutores, açúcares não-redutores, açúcares totais, substâncias pécticas e teor de amido (Chitarra & Chitarra, 1990). Sendo a banana uma fruta climatérica, sofre profundas transformações bioquímicas após a colheita, ressaltando-se, como fenômeno metabólico de maior importância, a respiração (Rocha, 1984). Segundo Palmer (1971), durante o amadurecimento, aumenta de 20 mg kg-1 h-1 para cerca de 125 mg kg-1 h-1. Nessa fase, tem-se aumento no teor de açúcares simples, aumento de ácidos simples e orgânicos (predominando o ácido málico) e diminuição dos compostos fenólicos, de menor peso molecular, acarretando redução da adstringência e aumento da acidez, além da liberação de compostos voláteis, fatores responsáveis pelo aroma e sabor, que são características fundamentais para a aceitação da fruta (Soto Ballastero, 1992). A acidez em frutos de bananeira varia de 0,17% a 0,67% (Fernandes et al., 1979); o pH, de 4,2 a 4,8 (Soto Ballastero, 1992), e o teor de sólidos solúveis aumenta até um máximo de 27%, tendo pequena diminuição quando a fruta já está muito madura (Bleinroth, 1995). O conteúdo de umidade da polpa de banana verde aumenta ligeiramente, média de 70% para 75% quando completamente madura (Bleinroth, 1995).
    A conversão do amido em açúcares simples é uma das mudanças mais notáveis no amadurecimento da banana. Esse é transformado, predominantemente, em açúcares redutores, glicose e frutose (8 a 10%), e sacarose (10 a 20%). Na fase madura, a porcentagem de amido é reduzida de 0,5 a 2,0 %, dos 20%, quando o fruto se apresenta verde.
    As características externas de qualidade, percebidas pelo tato e pela visão, são importantes na diferenciação do produto, particularmente na decisão de compra. As características internas percebidas pelo sabor, aroma e textura ao paladar, combinadas com a aparência do produto, são importantes na determinação da aceitação pelo consumidor (Chitarra, 2000).
    Os produtos frescos possuem uma atividade fisiológica que se mantém após a colheita através do consumo de suas reservas. A temperatura de armazenamento do produto é o maior determinante da taxa respiratória, observando-se redução de 2 a 4 vezes nessa taxa, a cada decréscimo de 10ºC na temperatura. Assim, o bom gerenciamento da temperatura na pós-colheita é essencial para uma lenta deterioração fisiológica dos produtos frescos (Honório et al., 2001). A temperatura ideal de refrigeração varia para as diferentes cultivares de banana, e a exposição dos frutos a temperaturas abaixo das indicadas causa injúria pelo frio, distúrbio fisiológico que provoca o escurecimento da casca e da polpa do fruto, além da perda do sabor do mesmo (Hall, 1967; Murata, 1970; Bleinroth, 1990). A sensibilidade ao frio está estreitamente ligada à composição química da fruta, que é influenciada pelas condições climáticas e diferenças varietais (Chitarra & Chitarra, 1990).
    A refrigeração é, tecnicamente, um dos métodos conhecidos mais eficaz, que conserva o produto com características desejáveis semelhantes a seu estado inicial, retardando o processo de maturação e senescência, devido ao fato de que os mesmos experimentam processos fisiológicos e patológicos em função direta da temperatura ( Ashreae, 1994).
    Segundo Chitarra & Chitarra (1990), a ação conjunta da utilização da cadeia do frio e da embalagem adequada mantém a qualidade da banana até que ela chegue à mesa do consumidor. No acondicionamento de produtos hortícolas, a embalagem deve ser utilizada com a intenção de absorver impactos, vibrações e outros agentes externos capazes de provocar a perda de qualidade do seu conteúdo (Teruel et al., 2004). Além de proteção mecânica, as tecnologias envolvidas no desenvolvimento de embalagens para frutas e hortaliças visam também a retardar a respiração, o amadurecimento, a senescência e, conseqüentemente, todas as alterações indesejáveis advindas desses processos fisiológicos (Saratópoulos e Fernandes, 2001).
    É importante ressaltar que a embalagem vem assumindo, a cada dia, uma posição de destaque na elaboração e na comercialização de um produto, quer pelo benefício da preservação das características que oferecem quando bem dimensionadas, quer pelo custo que representa no valor final do produto (Bordin, 1998). Na escolha de novos modelos, um dos pontos mais polêmicos se refere à característica de serem descartáveis ou retornáveis.
    Este trabalho tem como objetivo avaliar a qualidade pós-colheita da banana Prata-Anã produzida no Norte de Minas Gerais, município de Janaúba, por métodos físicos, químicos e sensoriais, relacionando os conceitos de qualidade com 3 tipos de embalagens e 2 temperaturas de armazenamento.

    MATERIAL E MÉTODOS

    As frutas foram adquiridas na Central de Abastecimento de Campinas - CEASA -, proveniente de produtores do Estado de Minas Gerais, município de Janaúba. A variedade utilizada foi a ’Prata-Anã’. A banana passou por todos os processos, desde a colheita até a comercialização (corte dos cachos em pencas, buquês, despistilagem, lavagem, tratamento químico, classificação e embalagem). Os frutos foram colhidos em estádio verde, grau de coloração 1, segundo a tabela de coloração da banana proposto pelo Programa Brasileiro para a Melhoria dos Padrões Comerciais e Embalagens de Hortigranjeiros (PBMPCEH) (Brasil, 2002). Depois de acondicionados, segundo os procedimentos utilizados pelo produtor, incluindo a refrigeração e a forma de distribuição nas caixas, os frutos foram transportados até a cidade de Campinas, em caminhão-baú térmico, chegando com a temperatura da fruta entre 22ºC e 25ºC. A seguir, foi efetuado o amadurecimento induzido, empregando-se etileno, com os frutos atingindo coloração de grau 3, segundo a tabela de coloração da banana proposto pelo PBMPCEH. O trabalho foi dividido em duas etapas de análises: frutos colhidos no verão e no inverno. Avaliou-se a qualidade físico-química e sensorial dos frutos acondicionados em três tipos de embalagens (caixa de madeira tipo torito, com capacidade para 18kg, com revestimento de papelão para os frutos, caixa de madeira tipo 1/2 caixa, com capacidade para 13kg, com revestimento de papelão para os frutos, e caixa de papelão com capacidade para 18kg) (Figura 1 – Ver figura em arquivos relacionados mais abaixo) e em duas temperaturas: ambiente sem controle (testemunha); e 13ºC(±1), com controle de umidade ajustada para 90% (±2,5). Embalagem A: Caixa de madeira do tipo torito modificada (com revestimento de papelão para as frutas), comumente chamada de 1/2 caixa pelos produtores e distribuidores, com dimensões internas de 480 x 390 x 190 mm, e com capacidade de 13 kg. Entre a caixa de madeira e os frutos, foi colocado revestimento de papelão com dimensões internas de 471 x 372 x 80mm.
    Embalagem B: Caixa de madeira do tipo torito (com revestimento de papelão para as frutas): dimensões internas de 480 x 390 x 280 mm e com capacidade de 18 kg. Entre a caixa de madeira e os frutos, foi colocado revestimento de papelão com dimensões internas de 471 x 372 x 233mm, apresentando furos de 20mm, sendo 3 furos na face do comprimento e 2 furos na face da largura da embalagem.
    Embalagem C: Caixa de papelão com dimensões internas de 472 x 374 x 257mm e capacidade para 18 kg de bananas, apresentando aberturas de 40 mm x 8 mm em suas laterais, sendo 3 de cada lado do comprimento e 2 em cada lado da largura. As laterais apresentavam uma abertura de 88 x 20 mm para transportar a caixa.
    Foram realizadas as seguintes análises físico-químicas: relação polpa/casca, através das massas obtidas, das partes referidas, em balança eletrônica digital de precisão; umidade, utilizando estufa de convecção forçada a 65ºC, por 48 horas, com os resultados em porcentagem; acidez titulável (AT) por método acidimétrico e potenciometria de acordo com metodologia descrita por Carvalho et al. (1990); pH por potenciometria na determinação da concentração hidrogeniônica (Laboratório de póscolheita de frutas e hortaliças, 1988); teor de sólidos solúveis totais (SST) pelo método refratométrico, com o uso de refratômetro manual, com os resultados expressos em º Brix e índice de maturação pela razão entre o teor de sólidos solúveis totais e acidez titulável do produto.
    Para a avaliação dos danos físicos, foi feita a quantificação dos danos, contando-se as manchas presentes nas frutas na chegada ao centro de distribuição, no laboratório de análises e após os tratamentos citados anteriormente. Para a avaliação sensorial, empregou-se o teste de ordenação, onde os provadores foram solicitados a ordenar as amostras quanto à intensidade de característica específica do produto. A equipe foi composta por 30 provadores, onde foram solicitados a ordenar as amostras quanto à intensidade de cor (mais amarela e menos amarela) e defeitos nos frutos (maior presença de defeitos e menor presença de defeitos). Os resultados foram analisados utilizando a tabela de Newell e Mc Farlane (Meilgaard et al., 1987). Realizou-se também o teste de intenção de compra, a fim de se analisar o grau de interferência das imperfeições no fruto, onde os resultados foram representados por histograma de distribuição de notas em relação à categoria da escala.
    O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado (DIC), sendo a estrutura de tratamentos fatorial (2 x 3 x 2), frutos colhidos no inverno e no verão, 3 tipos de embalagens e 2 temperaturas de armazenamento; foram testados seis tratamentos, com cinco repetições para cada tratamento. Os resultados das características avaliadas foram submetidas à análise de variância (ANOVA), e as médias, quando significativas, comparadas pelo teste de Tukey, a 5% e 1% de probabilidade, através do software de análise estatística STATGraphicsâ.

    RESULTADOS E DISCUSSÃO

    Com relação à análise sensorial para cor e imperfeições, os testes com os provadores/consumidores mostraram que não houve diferença significativa entre as amostras. O teste de intenção de compra confirmou o fato de que esse conceito pode variar de um mercado para outro, pois as amostras retiradas do armazenamento em temperatura ambiente tiveram maior índice de preferência, uma vez que apresentavam coloração próxima ao nível considerado ideal para consumo. As amostras submetidas ao armazenamento refrigerado apresentavam estádio de maturação impróprio para consumo, justificando o maior nível de incerteza em relação à compra (Figuras 2 e 3 – Ver figuras em arquivos relacionados mais abaixo).
    Os parâmetros físico-químicos analisados (pH, acidez titulável, sólidos solúveis, índice de maturação, umidade e relação polpa casca), cujas médias se apresentam na Tabela 2 (Ver tabela em arquivos relacionados mais abaixo), foram influenciados pelas diferenças entre os frutos colhidos no verão e no inverno, devido às épocas de plantio, manejo e condições fisiológicas das plantas, e diferentes temperaturas de armazenamento (ambiente sem controle e 13º C) (Seymour, 1996), o que não aconteceu com o uso de diferentes embalagens, como é possível observar na Tabela 1 (Ver tabela em arquivos relacionados mais abaixo), para as médias apresentadas. Frutos de bananeira, armazenados em câmara de refrigeração, apresentaram parâmetros físico-químicos menores do que os frutos armazenados em temperatura ambiente (Tabela 2 – Ver tabela em arquivos relacionados mais abaixo). A temperatura de 13ºC mostrou-se mais eficiente na conservação dos frutos (Sanches, 2002).
    Quanto aos danos físicos, os defeitos leves não tiveram diferença significativa entre as embalagens; já para os defeitos graves, a embalagem de papelão apresentou 58,3% da quantidade da amostra analisada, enquanto as embalagens ½ caixa com revestimento interno de papelão e torito com revestimento interno de papelão apresentaram 16% cada uma delas (Figura 4 – Ver figura em arquivos relacionados mais abaixo). Isso ocorreu, pois algumas embalagens de papelão não suportaram o empilhamento no palete e acabaram sofrendo deformações e esmagamento das frutas (Sanches, 2002).

    CONCLUSÃO

    Com o presente trabalho, é possível concluir que tanto as embalagens como as temperaturas de armazenamento não interferem na intenção de compra, segundo resultados das análises sensoriais, sendo que os níveis de danos físicos e coloração foram considerados aceitáveis pelos provadores. Em relação aos atributos de qualidade física, os revestimentos proporcionam características de acondicionamento iguais para as embalagens. Sendo assim, o revestimento entre a caixa de madeira e os frutos pode ser uma alternativa de proteção sem interferência no armazenamento refrigerado.



    Como plantar arvores frutiferas


    RESUMO: São descritos de maneira generalizada as recomendações práticas para o cultivo de diversas fruteiras a nível de pomar caseiro, incluindo o preparo de sementeira e viveiro, práticas culturais, espaçamentos, adubações e a ocorrência das principais doenças nas espécies e seus controles. Foi dado ênfase às espécies nativas da Amazônia que já possuem interesse econômico.

    Plantio de ÁRVORE FRUTÍFERA

    Material: Para cada muda utilizar
    1 sc de 20kg de COMPOSTO ORGÂNICO e 500g de BOKASHI.


    Passo 1: Revolva a terra que foi tirada da cova. Quebre todos os torrões.

    Passo 2: Espalhe a terra e adicione os 20kg de COMPOSTO ORGÂNICO

    Passo 3: Com uma enxada misture muito bem o COMPOSTO com o SOLO

    Passo 4: Misture bem

    Passo 5: Depois de bem misturado coloque a mistura no fundo da cova.

    Passo 6: Com a muda ainda no vaso,meça a altura que irá ficar. A planta deve ficar ao nível do solo.

    Passo 7: Com a ajuda de um estilete recorte o vaso para retirar o torrão.

    Passo 8: Coloque o torrão no centro da cova e complete com a mistura e solo e COMPOSTO ORGÂNICO

    Passo 9: Coloque 500g de BOKASHI ao redor da muda na distância da COVA, substrituindo, a farinha de osso e a torta de mamona.

    Passo 10: Faça uma cobertura com material seco (palha) para manter a umidade e a temperatura do solo.


    Passo 11: Para finalizar faça uma rega generosa com uns 20 litros d'água.




    segunda-feira, 20 de junho de 2016

    Apiranga (Mouriri apiranga)



    A planta é uma árvore mediana ou arbusto, com até 10 m de altura, com folhas opostas, elípticas ou ovaladas, com 8 a 16 cm de comprimento, ápice acuminado e base aguda, obtusa ou arredondada, com nervuras laterais pouco visíveis. 

    As flores têm ovário ínfero e pétalas rosadas, ou esbranquiçadas, ou púrpuras, as quais estão em pequenos fascículos axilares. 

    Ocorre em áreas alagadas, do sudeste da Amazônia até o Mato Grosso. A polpa, de sabor doce e agradável, é consumida ao natural.

    O fruto é uma baga arredondada, com cerca de 1,5 a 2 cm de diâmetro, vermelha quando madura e com 1 a 3 sementes por fruto, de cor marrom. A planta é uma árvore mediana ou arbusto, com até 10 m de altura, com folhas opostas, elípticas ou ovaladas, com 8 a 16 cm de comprimento, ápice acuminado e base aguda, obtusa ou arredondada, com nervuras laterais pouco visíveis. As flores têm ovário ínfero e pétalas rosadas, ou esbranquiçadas, ou púrpuras, as quais estão em pequenos fascículos axilares. 


    Apiranga é o nome popular de uma árvore classifica-da na família das Melastomátaceas e também na das Me meciláceas ( opiniões divergentes). É uma árvore de pequeno porte que ocorre na região amazônica, especialmente no estado do Pará, habitando margens de rios e
    campos alagados. Produz flores com 5 pétalas, de coloração rosada. Seu fruto é uma baga, globosa, pequena ,de coloração avermelhada, quando maduro, comestível,de sabor adocicado, porém adstringente.



    terça-feira, 7 de junho de 2016

    Importância e Introdução do Cultivo da Amoreira Preta



    IMPORTÂNCIA

    A amoreira-preta é uma espécie nativa no Brasil, mas foi a partir da introdução de variedades melhoradas, no início da década de 70, pelo, então, Centro Nacional de Pesquisa em Fruticultura de Clima Temperado (CNPFT), atual Embrapa Clima Temperado, que os produtores da região iniciaram plantios comerciais. Apesar de ser espécie pouco cultivada no Brasil, representa uma ótima opção para diversificação de pequenas propriedades, por ser rústica e de alta produção. É uma fruta que possui sabor marcante e com propriedades nutracêuticas comprovadas.

    Com as observações deste cultivo no País e pelas pesquisas desenvolvidas durante quatro décadas na Embrapa, apresentamos a técnicos, produtores e viveiristas as experiências com o manejo da cultura, e esperamos que esta publicação possa servir aos interessados como mais uma opção de melhor utilização da propriedade rural ou urbana e de diversificação de produtos. O Sistema de Produção sobre o cultivo da amoreira-preta aborda de forma sucinta e em linguagem simples diversos aspectos da cultura, desde a classificação botânica das espécies, condições de clima, cultivares, tratos culturais, manejo pós-colheita e custos de implantação.
    Esperamos com isto estar contribuindo para o desenvolvimento da fruticultura brasileira e para melhoria da qualidade de vida dos usuários da pesquisa, o que, em ultima instância, é a função da Embrapa.

    INTRODUÇÃO:

    A mudança no hábito alimentar da população brasileira, observado nos últimos anos, tem aumentado a demanda para produção de frutas frescas. A produção brasileira das principais espécies frutíferas de clima temperado é insuficiente para atender à demanda interna, gerando uma crescente necessidade de importação de frutas que, a princípio, podem ser produzidas no Brasil. 

    Tal situação propicia enormes possibilidades de mercado para a produção de frutas frescas e industrializadas no Brasil. Assim, os desafios de geração de renda para a pequena propriedade agrícola e de melhoria da competitividade, com produtos oriundos de regiões tradicionais de cultivo, só serão superados com investimentos na geração de tecnologia adaptada às condições socioeconômicas do Sul do País, mas também com o esforço conjunto das diversas instituições de apoio à agricultura em realizar programas de fomento agrícola que permitam às novas tecnologias geradas chegarem ao alcance do setor produtivo, traduzida em ganhos à sociedade, pelo aumento da oferta de alimentos e geração de empregos no campo.
    A fruticultura, além de ser geradora de divisas tanto para o produtor quanto para o Estado, é uma das atividades que mais exige mão-de-obra, nas diversas atividades inerentes ao pomar, como podas, desbastes, raleio, colheita, embalagem e distribuição. A atividade frutícola consegue gerar mais empregos diretos e indiretos do que as indústrias, hoje tão procuradas pelo poder público.
    Dentre as várias opções de espécies frutíferas com boas perspectivas de comercialização, surge a amoreira-preta (Rubus spp), como uma das mais promissoras. É uma das espécies que tem apresentado sensível crescimento de área cultivada nos últimos anos no Rio Grande do Sul (principal produtor brasileiro) e que tem elevado potencial para regiões com microclima adequado, como Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas Gerais.
    Devido aos baixos custos de implantação e manutenção do pomar e, principalmente, à reduzida utilização de defensivos agrícolas, a cultura se apresenta como opção para a agricultura familiar. Cultura de retorno rápido, pois já no segundo ano entra em produção, proporciona ao pequeno produtor opções de renda, pela destinação do produto ao mercado in natura, indústria de produtos lácteos e congelados e fabrico de geléias caseiras que, com o potencial do ecoturismo regional, torna-se bastante atrativo para a agregação de valor ao produto. 
    Em associação às demais pequenas frutas (mirtilo, framboesa e morango), a amora-preta possui reais possibilidades de exportação para países do hemisfério norte, na contra estação de produção destes. Evidente que temos que superar obstáculos de produção e de logística de distribuição, uma vez que se trata de uma fruta extremamente sensível e com período de pós-colheita relativamente curto.