sábado, 6 de agosto de 2016

Nutrição e adubação da Amoreira Preta



Importância dos nutrientes



As plantas manifestam sintomas de deficiência de um ou mais nutrientes somente sob extremas condições edáficas. As deficiências são capazes de reduzir o crescimento, a produção e a qualidade das frutas, bem como tornar as plantas mais suscetíveis às doenças. Quando se encontra em fase bem adiantada, uma deficiência nutricional é difícil de ser diagnosticada visualmente. Algumas sintomatologias podem ser facilmente confundidas com outras causadas por viroses e por outros patógenos ou mesmo por distúrbios abióticos, como por exemplo, herbicidas. Além disso, raramente um problema nutricional é causado somente por um nutriente. Por exemplo, quando o pH do solo é muito elevado, podem aparecer sintomas de carências devido ao ferro, ao manganês ou ao zinco. Ao contrário, quando o mesmo estiver muito baixo, o fósforo torna-se indisponível e o alumínio e o manganês podem se tornar tóxicos. Assim, uma diagnose confiável é difícil de ser feita somente pela observação visual da sintomatologia.
Um programa de adubação para a amoreira-preta não deve estar baseado somente na sintomatologia foliar e na aparência das plantas, já que a ocorrência de sintomas carenciais indica a existência de uma severa restrição no fornecimento de nutrientes estando, tanto o crescimento das plantas, quanto a produção e a qualidade dos frutos, seriamente comprometidos. A análise de solo realizada antes do plantio pode orientar os produtores quanto à necessidade de nutrientes e de calagem. Em pomares instalados, a análise foliar é a ferramenta mais indicada para se determinar a necessidade de nutrientes. Existem poucas informações sobre a prática de adubação e a resposta da aplicação de nutrientes na amoreira-preta.


Nitrogênio

O nitrogênio é constituinte de vários compostos orgânicos, como aminoácidos, proteínas e ácidos nucléicos. O estado nutricional das plantas com referência a este elemento é visualmente determinado por meio da avaliação do crescimento das plantas e da coloração das folhas. A deficiência é caracterizada pela presença de internós curtos, folhas pequenas e por uma prematura queda de folhas. Na planta, o nitrogênio é móvel, de modo que os sintomas foliares de deficiência (clorose ou amarelecimento) surgem primeiro nas folhas mais velhas. Se a carência for severa, eventualmente pode ocorrer necrose das folhas ou de parte delas.
A toxidez de nitrogênio é rara, caracterizando-se pelo excessivo vigor das plantas, internós longos, folhas com coloração verde escuro, pequena produção com frutas de baixa qualidade.


Fósforo

Se o pH do solo se situar na faixa recomendada para a cultura, raramente se observa deficiência de fósforo. As plantas com este problema apresentam o crescimento retardado. A sintomatologia carencial se estabelece primeiramente nas folhas mais velhas, as quais podem apresentar uma coloração verde-escuro, com áreas vermelhas ou pretas. As folhas mais velhas podem cair prematuramente. O crescimento do sistema radicular é reduzido, a produção de frutos é pequena e de baixa qualidade. Ao contrário, o excesso de fósforo pode induzir deficiência de zinco, de ferro e de cobre.


Potássio

A amoreira-preta necessita de grandes quantidades de potássio. Como a necessidade é maior durante a frutificação, sua carência é mais comum de ocorrer em anos de altas produções, em solos ácidos, em períodos de seca, em solos alagados ou muito úmidos, em solos arenosos, orgânicos ou calcários. Inicialmente, ocorre uma redução da taxa de crescimento das plantas, com a ocorrência de clorose ou de necrose nas folhas, aparecendo mais tarde. Os sintomas se caracterizam por clorose e necrose marginal ou na extremidade das folhas. Ao mesmo tempo, também podem se apresentar recurvadas e murcharem facilmente.


Magnésio

A deficiência de magnésio é mais comum de ocorrer em solos arenosos, ácidos com baixo teor de magnésio ou com conteúdos elevados de potássio.
Como este nutriente é móvel na planta, a sintomatologia aparece, inicialmente, nas folhas mais velhas. Caracteriza-se por clorose internerval e, em casos extremos estas áreas ficam necróticas. Os sintomas podem ser confundidos com aqueles causados por viroses. As folhas com sintomas de deficiência deste nutriente podem cair prematuramente no outono.


Amostragem do solo

A coleta de amostras representativas é fundamental para a correta avaliação do pH do solo e da necessidade de fertilizantes. Para a sua obtenção é necessária a coleta de várias subamostras, em diversos pontos de uma mesma área homogênea.
O primeiro passo para se proceder a amostragem do solo consiste em dividir a área em porções homogêneas, considerando-se o tipo de solo, a topografia, a textura, a cor, o grau de erosão, a profundidade, a cobertura vegetal, a drenagem, entre outros aspectos. No entanto, se uma área for homogênea quanto a todos os fatores acima citados, existindo, entretanto, uma porção já adubada ou que já tenha sido aplicado calcário, esta deverá ser amostrada em separado. A área abrangida por cada amostra é função da homogeneidade do solo. Normalmente, o número de subamostras se situa ao redor de 10 a 15.
Na tomada de amostra pelo sistema de amostragem composta, cada área deve ser toda percorrida, caminhando-se em ziguezague e coletando-se, ao acaso, subamostras, que após são reunidas. Após homogeneizada, retira-se cerca de 500g de solo para serem enviadas ao laboratório. Os procedimentos de amostragem do solo são os recomendados pela Comissão de Fertilidade do Solo – RS/SC.
As amostras de solo podem ser coletadas em qualquer época do ano. No entanto, para que o produtor tenha conhecimento do pH do solo, da necessidade de calcário e de fertilizantes, em tempo hábil, a coleta deverá ser realizada, no mínimo, quatro meses antes do plantio das mudas.


Recomendações de calagem e da adubação fosfatada e potássica de pré-plantio


Calagem 

Antes da instalação do pomar, aplicar o calcário na quantidade indicada pelo índice SMP para elevar o pH em água do solo a 5,5. O calcário deve ser uniformemente distribuído na instalação do pomar e incorporado até 20 cm de profundidade, no mínimo três meses antes da instalação do pomar. Utilizar, preferentemente, calcário dolomítico. 


Adubação de pré-plantio e de manutenção

Antes da instalação do pomar, a análise de solo é o único método de diagnose disponível para se estimar as necessidades de fósforo (P) e de potássio (K). As quantidades necessárias de P e de K são determinadas na mesma amostra de solo usada para se avaliar o pH .
Os adubos fosfatados e potássicos, usados antes do plantio, devem ser aplicados em toda a área, por ocasião da instalação do pomar, preferentemente a lanço, e incorporados na camada arável.
Como é recomendada a calagem para pH 5,5, pode ser usado fosfato natural como fonte de P.
A interpretação dos teores de P e de K extraíveis, adotada pela Rede Oficial de Laboratórios de Análise de Solo e de Tecido Vegetal - ROLAS - RS e SC é apresentada, respectivamente, nas tabelas 1 e 2. Os valores de P e K extraíveis do solo são interpretados em cinco faixas. Com relação ao P extraível, foram estabelecidas cinco classes de solos, conforme o teor de argila do solo (Tabela 1). Para o K extraível foram estabelecidas três classes de solos, conforme o valor da CTC (capacidade de troca de cátions a pH 7) (Tabela 2).




Tabela 1: Interpretação dos resultados de análise de solo para fósforo “extraível” (Mehlich) para os solos e condições do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.
Interpretação do teor de P (mg/dm³) no soloClasses de solos conforme o teor de argila¹
12345
Muito Baixo≤ 2≤ 3≤ 4≤ 6≤ 8
Baixo2,1- 43,1- 64,1- 86,1- 128,0- 16
Médio4,1- 66,1- 98,1- 1212,1- 1816,1- 24
Alto6,1- 129,1- 1812,1- 2418,1- 3624,1- 48
Muito Alto> 12> 18> 24> 36> 48

¹Classes de argila: 1= > 55%, 2= 41-55%, 3= 26-40%, 4= 11-25%, 5= 10% 


Tabela 2: Interpretação dos resultados de análise de solo para potássio “extraível” (Mehlich) para os solos e condições do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.
Interpretação do teor de K (mg/dm³) no soloCTCph7,comlc/dm³
< 55 - 15> 15
mg K/dm³
Muito Baixo≤ 15≤ 20≤ 40
Baixo16 - 3021 - 4041 - 60
Médio31 - 4541 - 6061 - 80
Alto46 - 9061 - 12081 - 160
Muito Alto> 90> 120>160



As quantidades de fertilizantes fosfatados e potássicos recomendadas na adubação de pré-plantio e de manutenção para a cultura da amoreira-preta constam da Tabela 3.

As adubações de manutenção com fósforo e com potássio devem ser feitas em agosto, antes da brotação e da floração.



Tabela 3: Recomendações de adubação fosfatada e potássica de pré-plantio e de manutenção):
 Interpretação do teor
de P ou K no solo
Pré-plantio (kg/ha)
Manutenção (g/planta/ano)
P2O5
K2O
P2O5
K2O
Muito Baixo
150
90
15
10
Baixo
100
75
10
10
Médio
50
60
10
5
Alto
25
30
5
5
Muito Alto
0
0
0
0





Adubação nitrogenada de manutenção

Usar, preferencialmente, o sulfato de amônio como fonte de nitrogênio. Isso se deve à necessidade de enxofre da cultura, como também, devido ao fato da amoreira-preta requerer solos com pH baixo (5,5), onde a resposta das plantas à esta fonte de N é melhor. O fertilizante deve ser colocado ao redor das plantas, distanciado cerca de 15 cm das mesmas. No primeiro ano, não aplicar nitrogênio devido ao risco de queimar as gemas vegetativas.


Tabela 4: Recomendação de adubação nitrogenada de manutenção.
Teor de matéria orgânica
no solo (%)

Doses de nitrogênio (g N/planta)

Primavera
Pós-colheita
≤ 2,5
15
15
2,6 – 3,5
10
10
> 3,6 – 4,5
5
5
> 4,5
0
0





Adubação orgânica

Aplicar, anualmente, a lanço, 10 t/ha de cama de aviário ou 30 t/ha de esterco de gado, o qual deve ser aplicado e incorporado superficialmente ao solo no final do inverno.

Análise foliar

Metodologia de coleta de amostras

Pela análise foliar é possível diagnosticar com precisão problemas nutricionais, os quais são difíceis de serem identificados pela análise de solo ou pela observação das plantas. Como a análise foliar é um método preventivo, os produtores dispõem de ferramentas para identificar e corrigir problemas nutricionais ocultos, antes que o crescimento das plantas e a produção de frutos sejam comprometidos.
Coletar a sexta folha totalmente expandida com o pedicelo, contada a partir do ápice. Devem ser coletadas dos ramos do ano anterior, na segunda quinzena de janeiro. Cada amostra deve ser constituída de folhas da mesma cultivar. A amostra deve ser constituída de 80 a 100 folhas. Em pomares com mais de 100 plantas, porém homogêneas, deve-se coletar quatro folhas por planta em 25 plantas distribuídas aleatoriamente e representativas da área. Cada amostra relaciona-se a uma condição nutricional. Assim, folhas com sintomas de deficiência nutricional não devem ser misturadas com folhas sadias. As folhas que compõem a amostra devem estar livres de doenças e de danos causados por insetos e não devem entrar em contato com embalagens usadas de defensivos, fertilizantes, etc. A amostra deve ser acondicionada em saco de papel comum perfurado e enviada ao laboratório o mais rapidamente possível.
Caso o tempo previsto para a chegada da amostra ao laboratório seja superior a dois dias, sugere-se fazer uma prévia secagem ao sol, sem retirar as folhas do saco, até que elas se tornem quebradiças.
Se a análise foliar for realizada com o objetivo de esclarecer um problema nutricional, devem ser colhidas duas amostras, em qualquer época do ciclo vegetativo, sendo uma de plantas que iniciem a manifestar os sintomas e, uma segunda de plantas aparentemente sadias.

Interpretação dos teores foliares de macro e de micronutrientes

A interpretação dos teores foliares de macro e de micronutrientes para a amoreira-preta é feita segundo os valores apresentados na Tabela 5 e 6.


Tabela 5: Interpretação dos teores de macronutrientes para a amoreira-preta.
Interpretação
Macronutrientes (%)
N
P
K
Ca
Mg
Insuficiente
  1. <1 b="">
<0 b="">
<1 b="">
<0 b="">
<0 b="">
Abaixo do normal
1,75 – 2,19
0,20 – 0,25
1,00 – 1,24
0,50 – 0,59
0,25 – 0,29
Normal
2,20 – 3,00
0,26 – 0,45
1,25 – 3,00
0,60 – 2,50
0,30 – 1,00
Acima do normal
3,01 – 3,50
0,46 – 0,65
3,01- 4,00
2,51 – 3,00
1,01 – 2,00
Excesso
>3,50
>0,65
>4,00
>3,00
>2,00




Tabela 6: Interpretação dos teores de micronutrientes para a amoreira-preta.
 Interpretação
Micronutrientes (mg/kg)
B
Cu
Fe
Mn
Zn
Insuficiente
<25 font="">
< 3
<30 font="">
<20 font="">
<12 font="">
Abaixo do normal
25 – 29
3 – 5
30 – 49
20 – 49
12 – 14
Normal
33 – 80
6 – 25
50 – 150
50 – 300
15 – 50
Acima do normal
81 – 100
26 – 100
151 – 250
301 – 1000
51 – 300
Excesso
>100
>100
>250
>1000
>300













sábado, 30 de julho de 2016

Cultivares e Mudas de Amora


Classificação botânica, origem e cultivares

A amoreira-preta (“blackberry”) pertence ao gênero Rubus que, segundo Ying et al., 1990, contém aproximadamente 740 espécies, divididas segundo alguns autores, em 12 subgêneros ou segundo outros em 15 subgêneros (Jennings, 1988, citado por Daubeny, 1996).
Em geral as plantas têm hastes bianuais, as quais necessitam de um período de dormência antes de frutificar. A espécie R. procerus é uma exceção, pois tem hastes semiperenes que frutificam por diversos anos antes de morrer. Algumas amoreiras-preta frutificam nas hastes primárias.
O hábito de crescimento das hastes varia de ereta a prostrada, podendo ter hastes com ou sem espinhos. Este é um caráter genético recessivo para ausência de espinhos.
As flores, em geral, possuem cinco sépalas e cinco pétalas e numerosos estames e carpelos dispostos ao redor de um receptáculo, geralmente, de forma cônica.

Origem

O gênero Rubus apresenta formas de reprodução sexuada e assexuada, possuindo número básico de cromossomos igual a 7 (Jennings, 1995). A ocorrência de poliploidia, agamospermia (formação de sementes sem reprodução sexual) e hibridação entre as espécies, tornam a taxonomia do grupo bastante complicada (Alice, 2002). É comum a ocorrência de híbridos interespecíficos com vários graus de esterilidade, os quais se reproduzem assexuadamente por reprodução vegetativa e agamospermia (Grant, 1981). 
Três grupos de amoreiras-preta foram domesticados. O primeiro, das amoreiras-preta europeias, inclui um grande número de formas poliploides, com a maioria tetraplóide (2n = 4x = 28). O segundo, no leste da América do Norte, é composto por plantas de porte ereto e também inclui muitas formas poliploides. O terceiro grupo, no oeste da América do Norte, geograficamente separado do anterior pelas pradarias e pelas Montanhas Rochosas, possui plantas de hábito prostrado e tem números de cromossomos mais elevados, sendo comuns as formas octaploides (2n = 8x = 56) e dodecaplóides (2n = 12x = 84) (Jennings, 1995). O cultivo de amoreira-preta se tornou popular nos Estados Unidos após 1840.
No Brasil, ocorrem cinco espécies nativas de amoreiras-preta (Figura 1 e 2): R. urticaefolius, R. erythroclados, R. brasiliensis, R. sellowii e R.imperialis, as quais produzem frutos pequenos e com coloração branca (Figura 3), rosa, vermelha ou preta (Reitz, 1996). Nenhuma das espécies brasileiras foi domesticada. As cultivares de amoreiras-preta utilizadas no país são o resultado de introduções, hibridações e seleções de cultivares americanas.

Melhoramento genético

À medida que as matas iam sendo “clareadas”, as plantas nativas de amora-preta iam se espalhando, dando lugar a um programa de melhoramento natural e massivo, entre várias espécies de Rubus, que eram inter-férteis, com diferentes níveis de ploidia e altamente heterogêneas. Foram selecionados os melhores clones, sendo que dois deles, ‘Lawton’ e ‘Dorchester’, foram introduzidos para cultivo em 1850, contribuindo grandemente para o desenvolvimento de cultivares com características interessantes. Em 1867, foram registradas 18 cultivares, a maioria selecionada de plantas nativas (Moore,1986 e Skirvin, 1990) incluindo a introdução de uma cultivar européia da espécie R. laciniatus. Um mutante sem espinhos de R. laciniatus, encontrado ocorrendo de forma silvestre em torno de 1930, se tornou a cultivar americana de maior produtividade (Jennings, 1995).
De um modo geral, as primeiras cultivares dos programas de melhoramento descendem da hibridação de várias espécies. Já a maioria das mais antigas cultivares sem espinhos se originaram de mutações dos tipos com espinhos. Várias são mutações superficiais, que não transmitem estas características quando multiplicadas por estacas de raiz ou em cruzamentos.
Um dos primeiros programas, planejados, de melhoramento genético propriamente dito, foi conduzido na Califórnia por Judge Logan, na década de 1880 (Jennings, 1981). Ele cultivava as cultivares de amoreira-preta (“blackberry”), Anghinbauch e Texas Early e a cv. de framboesa (“raspberry”), Red Antwerp muito próximas umas das outras. “Seedlings” originários da cv. Anghinbaugh deram uma seleção com frutas grandes e atrativas, intermediárias entre a citada cultivar e da cv. de framboesa Red Antwerp, que posteriormente, foi chamada de ‘Loganberry’. Outras seleções foram feitas deste mesmo cruzamento (Figura 4), como ‘Mammoth’. Além destes, no século XX, houve outras cultivares lançadas como ‘Phenomenal’ e ‘Youngberry’ (Hall, 1990, citado por Daubeny, 1996).

Objetivos dos programas de melhoramento

Produtividade: é um dos atributos importantes. Considera-se uma produtividade de 10 t/ha como boa.
Qualidade: a qualidade das frutas é talvez o atributo mais importante. Especial ênfase é dada à aparência (tamanho das frutas, cor e brilho), firmeza e, principalmente, sabor. O pequeno tamanho das sementes também é desejável.
Época de maturação: a fim de permitir um escalonamento da produção.
Plantas eretas: Têm custo de produção menor por não necessitarem de suporte 
Hastes sem espinhos (Figura 5): facilita colheita e tratos culturais, como a poda.
Produção em hastes primárias: interessante em lugares com dificuldade de mão de obra. Elimina o trabalho de poda manual e permite uma produção no outono, embora em menor escala.

Firmeza e conservação: importantes, principalmente por ser uma fruta em geral macia e de difícil conservação pós-colheita.

Perfilhamento: a fim de facilitar os trabalhos de propagação.

Programas de Melhoramento Ativos nos últimos 20 Anos*

Estados Unidos da América (EUA)
USDA – Illinois e Beltsville, MD; 1950 - presente (`Chester`, `Triple Crown´, outras);
USDA - Corvallis OR; 1930 - presente (`Marion´, ´Black Butte´);
Univ. of Maryland – 1950 - presente (´Chesapeake´);
Univ. of Arkansas – 1964 - presente (´Navaho´, ´Apache´, ´Kiowa´, ´Chickasaw´, outras);
North Carolina State Univ. – 1983 - presente;
Escócia
Scotland, SCRI- 1966 - presente (´Loch Ness´, ´Tayberry´);
Nova Zelândia
HortResearch – 1980 - presente (´Lincoln Logan´, ´Riwaka Choice´);
Brasil
EMBRAPA – 1972 - presente (‘Negrita’, ´Ébano´, ´Guarani´, ‘Tupy’,´Caingangue´ e ´Xavante´);
Polônia
Polônia, Inst. Pomolgy – 1980 - presente (´Orkan´, ´Gazda´);
Alguma atividade na Suécia, Sérvia.
* Informação Pessoal do Dr. John Clark, Dept. de Horticultura, Universidade de Arkansas (2006)

Melhoramento no Brasil

No Brasil, o programa de melhoramento com amoreira-preta foi iniciado na década de 70, inicialmente com a introdução de uma pequena coleção de cultivares, da qual faziam parte ‘Brazos’, ‘Cherokee’ e ‘Comanche’, além de um clone originário do Uruguai, cuja identidade era desconhecida. Dois ou três anos após esta introdução, foram trazidas sementes de cruzamentos realizados na Universidade de Arkansas, Estados Unidos, que originaram cerca de 12 mil “seedlings”, nos quais foram feitas as primeiras seleções. Do programa em andamento na Embrapa Clima Temperado, foram lançadas as cultivares Ébano, em 1981; Negrita em 1983; Tupy e Guarani, em 1988; Caingangue, em 1992; e Xavante, em 2004.

Cultivares testadas e adaptadas às condições do Sul do Brasil

As descrições dadas a seguir são baseadas em The Register of New Cultivars, The Brooks & Olmo (1997) e também Raseira et al., 1984, e cadernetas de campo da Embrapa – Clima Temperado e informações pessoais do Dr. John Clark (2006).
Arapaho
É um cultivo de maturação mediana a precoce, de hastes sem espinhos e com boa qualidade de fruta (Figura 6 e 7). Desenvolvida no Departamento de Horticultura da Universidade de Arkansas, EUA, pelos melhoristas Dr. James N. Moore e John Clark, é originária de hibridação entre as seleções Ark.631 por Ark. 883 (ambos genitores heterozigotos para genes de ação recessiva para o caráter ausência de espinhos, derivados de cruzamento entre Merton Thornless x Thornfree). O cruzamento que deu origem a Arapaho foi realizado em 1982, a planta matriz selecionada em 1985 e testada como Ark. 1536. A Universidade de Arkansas detém a patente dessa cultivar com n° de patente 8510, de 21 de dezembro. De acordo com a descrição encontrada no livro de Register of New Fruit & Nut Variety, a fruta tem tamanho médio, firme, cor preta brilhante, forma cônica, com sementes pequenas. As frutas são de excelente sabor e alto teor de sólidos solúveis. Na região onde foi selecionada a colheita estende-se por 4 semanas. A planta é produtiva , moderadamente vigorosa e muito ereta .
Em Pelotas, RS, as frutas são de tamanho médio, com peso variável entre 4 e 7g (a maioria entre 3 e 4g), com sabor bom (acidez acentuada) e sólidos solúveis entre 7 e 8 °Brix.
A necessidade de frio é estimada entre 400 e 500h.
Brazos
Cultivar lançada pela Texas A&M University, em 1959. Resultou da segunda geração de seleção originária de cruzamento entre ‘Lawton’ e ‘Nessberry’, selecionada em 1950, sendo Tetraploide (4n=28 cromossomos).
As hastes são semieretas, vigorosas e com espinhos (Figura 8). Plantas muito produtivas. É das primeiras cultivares a florescer, com a flor branca e grande e floração uniforme. A mesma inicia, geralmente, na segunda semana de setembro e a plena floração ocorre, normalmente, na segunda semana de outubro. As frutas são grandes (peso médio em torno de 8g) (Figura 8). O sabor é doce ácido, mas sobressai a acidez e um pouco de adstringência. O teor de sólidos solúveis é em geral de 8° Brix. Em testes preliminares, as frutas descoloriram após uma noite em geladeira. Nas condições de Pelotas, RS, a maturação inicia-se em meados de novembro estendendo-se até final de dezembro.

Caingangue
Foi selecionada dentre os “seedlings” de segunda geração de um cruzamento entre ‘Cherokee’ por Seleção Black 1. Esta por sua vez é oriunda de hibridação entre ‘Shaffer tree’ x ‘Brazos’.
As plantas desta cultivar têm hastes vigorosas, eretas, com espinhos (Figura 9) e tem boa capacidade de multiplicação. A brotação ocorre na primeira dezena de agosto e a colheita estende-se da segunda dezena de novembro a meados de dezembro (em alguns anos até fim de dezembro). A produção média por planta varia de 1,5 a 3 kg e o peso médio das frutas está entre 5 e 6 g.
As frutas têm forma arredondada (Figura 9). O sabor doce-ácido, com teor de sólidos solúveis, em média superior a 9° Brix podendo chegar a próximo de 11° Brix. A firmeza das frutas é média. É recomendada para consumo in natura por ter sabor mais equilibrado que as demais cultivares, semelhantemente à cv. Tupy.
É uma cultivar de baixa necessidade em frio sendo recomendada mesmo para áreas com acúmulo de frio inferior a 300 horas.
Cherokee
Desenvolvida na Universidade de Arkansas e originária do cruzamento realizado em 1965 entre ‘Darrow’ e ‘Brazos’. Foi lançada como cultivar em 1974. As plantas possuem hastes eretas, vigorosas e com espinhos. É considerada como adequada à colheita mecânica.
As frutas são médias a grandes (Figura 10), de película negra, atrativa e de boa qualidade, inclusive para congelamento e conserva (The Brooks & Olmo, 1997).
Na coleção da Embrapa Clima Temperado, as plantas mostraram-se vigorosas e produtivas. As frutas são de forma alongada, uniformes; apresentaram bom sabor, com teor de sólidos solúveis em torno de 8 a 9 °Brix, tendendo a equilibrado. São de tamanho médio (5 e 8g). A floração começa no início de outubro e a plena ocorre ao final de outubro ou início de novembro (Figura 10) . A colheita inicia ao final de novembro.
Comanche
Originária de cruzamento realizado em 1965, na Universidade de Arkansas, USA, foi selecionada em 1968 e testada como Ark. 527. As plantas têm hastes eretas, muito produtivas e com espinhos (Figura 11). Perfilham facilmente e segundo literatura americana, adapta-se à colheita mecânica. As frutas são pretas, firmes e de bom tamanho. Segundo dados da Embrapa Clima Temperado, o peso médio varia entre 4 e 7g. O sabor tem predominância de acidez. A colheita é ao final de novembro ou início de dezembro. Esta cultivar floresce, em geral, de meados de setembro a início de novembro.
Choctaw
É também originária do Programa de Melhoramento da Universidade de Arkansas, proveniente de hibridação realizada em 1975 entre um híbrido de Darrow x Brazos por ‘Rosborough’. Foi patenteada pela Universidade de Arkansas sob número 6678 (US patent 6678).
As plantas são bem eretas, prolíficas, muito produtivas e facilmente produzem hastes a partir de estacas de raiz. É considerada imune à ferrugem e resistente à antracnose, moderadamente suscetível a oídio e suscetível a enrosetamento. É resistente ao frio hibernal. As frutas são firmes, cônicas e com sementes pequenas.
Nas condições de Pelotas, as frutas apresentaram tamanho médio (em torno de 5 g de peso médio, o sabor foi doce ácido, predominando acidez, e os sólidos solúveis variaram entre 8,2° a 9,6 °Brix. A plena floração ocorre, geralmente, no início de outubro e a maturação na terceira semana de novembro (Figura 12). É considerada por alguns como a segunda melhor cultivar no grupo Arkansas
Ébano
Originária do trabalho conjunto entre a Embrapa e a Universidade de Arkansas. Foi selecionada, em Pelotas-RS, dentre os seedlings de segunda geração de cruzamento entre ‘Comanche’ e planta selecionada do cruzamento ‘Thornfree’ x ‘Brazos’.
As hastes são prostradas, necessitando de suporte e sem espinhos. Produz muito bem nas áreas mais frias da região. As frutas são recomendadas apenas para processamento, uma vez que têm sabor predominantemente ácido e adstringente. Entretanto dá um bom produto sob forma de polpa para uso em geléias, sucos, sorvetes, iogurtes.
As frutas são de tamanho médio (peso médio entre 4 e 6g) (Figura 13). É de maturação tardia, aproximadamente 40 dias após a cultivar Brazos. A plena floração ocorre em meados de novembro. A necessidade em frio é maior do que as demais cultivares lançadas pelo Programa da Embrapa.

Guarani

Originária de sementes introduzidas da Universidade de Arkansas, nos Estados Unidos, e selecionada na Embrapa Clima Temperado. Floresce ao final de agosto e durante todo o mês de setembro ou, em alguns anos, de setembro a início de outubro. As hastes são eretas e com espinhos. As frutas são de sabor doce-ácido, com predominância do ácido (Figuras 14 e 15). O teor de sólidos solúveis varia de 8 a 10 °Brix. É inferior à Tupy em cor, sabor e tamanho das frutas. A maturação é precoce, sendo a colheita em novembro. Esta cultivar é também recomendada para consumo in natura.
Tupy
É, atualmente, a cultivar de amoreira-preta mais plantada no Brasil, além de ocupar uma posição de destaque (aproximadamente 3.000 ha) no México onde é produzida, principalmente, para exportação aos Estados Unidos. É resultante de cruzamento realizado entre ‘Uruguai’ e a cv. Comanche. `Uruguai’ era um clone originário daquele país e cuja identidade não era conhecida. ‘Tupy’ foi lançada pela Embrapa Clima Temperado na década de 90 (Figura 16), cujo programa foi liderado pelo Dr. Alverides M. dos Santos. Caracterizava-se por ser de hastes de hábito prostrado que necessitavam suporte, e provavelmente fosse um clone de ´Boysenberry´, produzindo frutas vermelho claras e suculentas. Este cruzamento foi realizado em 1982.
Suas plantas são de porte ereto, vigorosas, com espinhos (Figura 17), perfilhamento médio e florescem em setembro e outubro. A colheita, nas condições de Pelotas, vai de meados de novembro a início de janeiro.
As frutas têm 8 a 10g de peso médio, sabor equilibrado acidez/açúcar e com teor de sólidos solúveis entre 8 e 10° Brix.
É de baixa necessidade em frio.
Xavante
Lançamento conjunto da Embrapa Clima Temperado (Figuras 18, 19 e 20) e da University of Arkansas (Moore et al., 2004; Moore et al., 2005). Resultante de sementes coletadas em Clarksville, AR, de uma população resultante de cruzamento entre as seleções A. 1620 e A. 1507, sendo, portanto, segunda geração deste cruzamento. ‘Xavante’ foi selecionada em Pelotas, dentro do programa de melhoramento genético de amoreira-preta, liderado pela Dra. Maria do Carmo Bassols Raseira. As suas hastes são vigorosas, eretas e sem espinhos (Figura 19). É uma cultivar de baixa necessidade em frio e bastante produtiva. A floração inicia em setembro estendendo-se até outubro. A maturação é precoce e a colheita inicia em meados de novembro. As frutas têm forma alongada, firmeza média, sabor doce–ácido, predominando a acidez, com teor de sólidos solúveis em torno de 8° Brix. O peso médio da fruta é de 6 g. 

Em testes preliminares, as cultivares Tupy e Guarani mostraram necessidade em frio muito semelhante, entre 200 e 300 horas, para obter uma boa brotação de gemas, e cerca de 400 horas para 100% de brotação. Já a cv. Caingangue não foi bem com 200 horas e necessitou um mínimo de 300 horas. A cultivar Xavante não fez parte do teste, mas, pelo comportamento a campo, estima-se que a necessidade em frio seja inferior à cv. Tupy.

Cultivares não testadas no RS, mas com perspectivas de adaptação

Apache: Lançada pela University of Arkansas, a frutas apresenta tamanho médio (Figura 21) e bom sabor (11ºBrix). Sua exigência em frio é cerca de 800 a 900 horas, possui hastes sem espinhos.
Adrienne: Originária da Inglaterra, possui hastes sem espinhos. Maturação precoce e excelente qualidade.
Black Satin: Originária de Illinois, possui hastes sem espinhos. Variedade que apresenta frutas grandes, planta semi-ereta e boa conservação pós-colheita.
Cheyenne: Originária do programa de Arkansas em 1977. Apresenta hastes com espinhos. As frutas são firmes.
Chester Thornless (USDA): Originária de Illinois, possui hastes sem espinhos. Apresenta frutas grandes (5 a 7g), alta qualidade, firmes. Não descolorem no calor. Comercialmente a mais importante.
Chickasaw: Lançada pelo programa de melhoramento de Arkansas, em 1999. Possui hastes com espinhos, frutas grandes (média 10g), teor de sólidos solúveis totais (SST) de 10 ºBrix. Necessidade de frio em torno de 500 a 700h.
Flordagrand: Lançada pelo programa de melhoramento da Universidade da Flórida. Planta vigorosa e muito produtiva. Tem baixa necessidade em frio. Não é auto-fértil e a cultivar Oklawaha pode ser utilizada como polinizadora. Hastes com espinhos.
Kiowa: Lançada pelo programa de melhoramento de Arkansas, em 1996. Planta produtiva, ereta e de vigor médio. Possui baixa exigência em frio (200h). Frutas oblongas e de tamanho muito grande (média 12g) (Figura 22). Hastes com espinhos.
Hull Thornless: Originária de Illinois, possui hastes sem espinhos. Frutas oblongas, de película preta e firmes.
Navaho: Lançada pelo programa de melhoramento de Arkansas, possui hastes sem espinhos. Frutas médias (5 g) (Figura 23), cônicas, muito firmes, boa conservação, alto teor SST.
Shawnee: Produz frutas grandes, de firmeza média, coloração preta, brilhante e com bom sabor. Muito produtiva. Hastes com espinhos.
Silvan: Origem: Austrália. Tolerante a ventos, seca e solos pesados. Frutas com sabor doce-ácido, ficando macias após a colheita.
Os trabalhos de melhoramento genético e testes de cultivares e seleções avançadas, são realizadas atualmente na Embrapa Clima Temperado, e pelos parceiros, Embrapa Uva e Vinho, Fepagro, Epagri, Universidade Tecnologia Federal do Paraná - Pato Branco (PR), APTA/IAC e Epamig. As seleções avançadas apresentam características de interesse, como época de maturação diferenciada, ausência de espinhos nas hastes, bom sabor para consumo fresco e muito boa firmeza das frutas.

Cultivares tipo “primocane”

O desenvolvimento de flores nas hastes de crescimento do ano é de suma importância no gênero Rubus (Clark, 2006). A expansão da framboesa foi auxiliada por cultivares desse tipo como ‘Heritage’ e ‘Autumn Bliss’. Na amoreira-preta esta característica também tem despertado atenção e deve crescer em importância. Diversas vantagens são atribuídas a este caráter, entre elas, possibilidade de duas colheitas ao ano, redução do custo de mão de obra com a poda, possibilidade de escalonar a produção com o manejo das hastes do ano (primocane), produção mais tardia, escape do problema de flores duplas (doublé blossom).
A Universidade de Arkansas, nos Estados Unidos tem dispendido grandes esforços do melhoramento nessa direção e como resultado lançou em 2005, as cultivares Primo-Jan (APF-8) e Primo-Jim (APF-12), ambas protegidas. Estas cultivares são indicadas para plantio doméstico devido à maciez das frutas, não sendo adequadas ao transporte e também por acreditar-se que não sejam adaptadas a muitos ambientes.










sexta-feira, 29 de julho de 2016

Condições climáticas para a Amoreira-preta


Condições climáticas

Os fatores climáticos são importantes para definir as regiões de cultivo da amoreira-preta no Brasil. Eles exercem maior ou menor influência, segundo a fase de desenvolvimento da planta. A amoreira-preta se adapta bem em regiões com temperaturas moderadas no verão, sem intensidade luminosa elevada, com chuvas freqüentes, mas sem excesso durante o período de frutificação e temperaturas baixas no inverno, suficientes para atender à necessidade de frio.
O frio é fator importante durante o período de dormência, para proporcionar um bom índice de brotação. Mas, se ocorrer fora dessa fase, pode causar sérios danos às gemas, flores e frutos em desenvolvimento, principalmente as geadas tardias de primavera. Durante a fase vegetativa, a temperatura e a precipitação influem na qualidade das gemas, fator determinante ao potencial de produção para o ano seguinte. A amoreira-preta, de modo geral, é resistente à geada, pelo fato de ser uma planta de clima temperado. Diferente das demais espécies de pequenas frutas, apresenta cultivares com boa adaptação às condições climáticas do Sul do Brasil. Foram desenvolvidas pelo programa de melhoramento genético na Embrapa Clima Temperado, em Pelotas-RS, a partir de cultivares que apresentam adaptação a altas temperaturas no verão e menor necessidade de horas de frio no inverno.
A região Sul é a que tem as temperaturas mais baixas no Brasil, mas é caracterizada por desuniformidade climática, apresentando variabilidade entre os anos e dias com temperaturas elevadas no inverno, prejudicando, em parte, a quebra da dormência nos anos quentes. Como o relevo é acidentado, desde os Estados do Paraná até o Rio Grande do Sul, ocorre também variação da temperatura entre as diversas áreas, em função da mudança de altitude. Então, existem microclimas que podem ser mais favoráveis à produção de amora-preta, outros menos. A região é composta por serras, que têm altitude de até quase 1400 metros, e por vales e depressões, que têm altitude de 50 metros a 200 metros. Algumas áreas na região Sudeste do Brasil, com microclimas específicos, também podem oferecer condições de produção, principalmente zonas de altitude elevada de São Paulo e Minas Gerais.
A Figura 1 apresenta o mapa de horas de frio abaixo de 7,2ºC para a região Sul do Brasil. As áreas mais altas, acima de 900 metros, que vão desde a região de Palmas e General Carneiro, no Paraná, São Joaquim e Lages, em Santa Catarina, e Vacaria e São José dos Ausentes, no Rio Grande do Sul, apresentam maior número de horas de frio, superior a 500 horas. As regiões de menor altitude, como o Noroeste do Paraná, com cerca de 200 metros de altitude, e o Alto Vale do Uruguai, no Rio Grande do Sul, com 70 a 100 metros de altitude, possuem menos de 200 horas de frio, sendo recomendadas para cultivares menos exigentes em frio.
A variação de temperatura entre o dia e a noite, em algumas regiões no Sul do Brasil, é grande, geralmente maior que 10 ºC, principalmente na primavera e no outono, quando ocorrem ainda temperaturas baixas. A amplitude térmica, associada às temperaturas baixas, é importante para dar coloração e equilíbrio de acidez e açúcar, importantes para o sabor do fruto consumido in natura.
Por se tratar de planta de pequeno porte e de raiz superficial, a amoreira-preta necessita de disponibilidade regular de água, preferindo os solos com maior capacidade de retenção de água. Para isto, é necessária irrigação, principalmente nas áreas mais secas da região Sul ou onde o solo seja muito raso ou muito arenoso. Assim, é recomendada irrigação na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, onde há menor armazenamento de água no solo, resultante de menor volume de chuva e de maior perda de água por evapotranspiração, devido a ocorrência de temperaturas mais altas. Nas áreas do Norte do Paraná, também é recomendado o uso de irrigação, pela mesma razão. Nas demais regiões há maior volume de chuvas, mas a distribuição é irregular no espaço e no tempo, podendo ocorrer períodos de veranico em algumas regiões e excesso de chuva em outras. Nessas áreas, é necessária irrigação complementar, apenas para regularizar a distribuição de água. A irrigação permite que se formem frutos de maior tamanho, com padrão para exportação.
Figura 1. Estimativas de horas de frio, de maio a
setembro (abaixo de 7,2ºC), na região Sul do Brasil.
A chuva em excesso, na fase de colheita, pode prejudicar a qualidade do fruto. Deve-se dar preferência a zonas onde ocorra menos chuva nessa fase. A Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul e o Norte do Paraná são favoráveis neste sentido, desde que se utilizem cultivares adaptadas a essas regiões, ou seja, cultivares menos exigentes em frio e utilizando irrigação.