quarta-feira, 15 de março de 2017

Colheita e Pós-Colheita do Abacaxi


Colheita e pós-colheita

As atividades de colheita compreendem os cuidados na fase imediatamente anterior a colheita (pré colheita), determinação do ponto de colheita, decisão de colheita e transporte do campo até o galpão pós-colheita (local destinado à seleção, tratamento e acondicionamento para encaminhar para a comercialização).

Determinação do ponto de colheita

O abacaxi não amadurece após a colheita, sendo portando necessário sua colheita após seu completo desenvolvimento fisiológico. A concentração de açúcares deve ser medida com um refratômetro e deve ser maior que 19° Brix no verão e 14,5° Brix no inverno. Os frutos devem ser colhidos em estádios de maturação diferentes, de acordo com o seu destino e a distância do mercado consumidor.
Indústria – Deve ser colhido maduro (casca mais amarela que verde);
Mercado "in natura" e mercados distantes – Devem ser colhidos "de vez", quando surgem os primeiros sinais de amarelecimento da casca;
Mercado "in natura" e mercados locais – Frutos com até a metade da casca amarela.
Entretanto, alguns fatores também devem ser levados em consideração, para se definir o ponto de colheita com base na coloração da casca do fruto:
  • Quanto maior o fruto menos a casca se descolore, ou seja frutos grandes com coloração amarela apenas na base pode estar mais maduro do que um fruto pequeno com toda a casca amarela;
  • Em períodos frios e secos os frutos se colorem mais do que naqueles quentes e úmidos. Ou seja frutos colhidos no inverno devem ser colhidos com a coloração da casca mais amarela do que os frutos colhidos no verão;
  • Adubações ricas em potássio e pobres em nitrogênio favorecem a coloração da casca e com adubações pobres em potássio e ricas em nitrogênio ocorre o contrário;
  • Variedades, frutos da variedade Smooth Cayenne colorem-se menos do que os da variedade Pérola;
Para uniformizar a coloração da casca , usar em frutos maduros com casca apresentando início de amarelecimento produtos à base de etefon. Para isso, utiliza-se de 1ml a 2 ml do produto comercial (24% de etefon) por litro de água. Na cultivar Smooth Cayenne, este tratamento pode ser realizado através de pulverização, 4 a 7 dias antes da colheita. Na cultivar Pérola, o mais indicado é a utilização da imersão, sem atingir a coroa.

Colheita

A colheita pode ser feita com o auxílio de um facão, com o colhedor utilizando luva grossa para proteger as mãos. Não colher frutos verdes, pois, eles não amadurecem após colhidos. O operário segura o fruto pela coroa e corta o pedúnculo 3 a 5 centímetros abaixo da base do fruto. Os frutos colhidos são entregues a outros operários que os transportam em cestos, balaios, caixas ou carrinhos de mão, até o caminhão ou carreta. Os frutos devem ser colhidos e transportados com o máximo cuidado possível para evitar danos mecânicos e redução na qualidade do produto. A grande maioria dos frutos é utilizada para o consumo "in natura", entretanto, existe uma agroindústria em Pimenta Bueno-RO, que vem comprando frutos dos produtores para industrialização dos frutos.

Classificação dos frutos

Em geral, os frutos colhidos são acondicionados, no campo, em caminhões e transportados diretamente para a comercialização.
Entretanto, as exigências por qualidade têm crescido muito, neste sentido deve-se seguir as seguintes recomendações:
Após a colheita dos frutos, estes devem ser levados para um barracão, chegando lá, as frutas devem sofrer um acabamento para que sua aparência seja melhorada e para que o ataque por patógenos seja diminuído. Por isso, os abacaxis têm o tamanho do seu pedúnculo reduzido de 5-6cm para 2-3cm e a superfície do corte tratada com desinfetante para prevenir contra o ataque de fungos e bolores com uma solução de benomyl a 4.000 ppm, para evitar a podridão negra. A coroa pode ou não ser retirada, mas se a preferência for por eliminá-la, também deve ser realizado um tratamento desinfetante na inserção. Os frutos deverão ser submetidos a uma seleção, eliminado-se aqueles com defeitos. Aqueles que não apresentarem defeitos devem ser classificados por tamanho e se possível por maturação. Na separação por tamanho pode se dividir os frutos em pequenos, médios e grandes. Quanto à maturação, os frutos podem ser divididos em 1/3 maduros, ½ maduros e totalmente maduros. Após isto os frutos estão prontos para serem embalados e transportados para os locais de distribuição. Em Rondônia os frutos são classificados em Primeira (peso superior a 1,5 kg) e Segunda (peso inferior a 1,5 kg).

Embalagem

As embalagens quando apropriadas, ajudam a manter a qualidade dos frutos durante o transporte e a comercialização, além de melhorar a apresentação do produto. Assim, depois de corretamente selecionadas, as frutas passam para a etapa de embalagem, que pode ser feita em caixas de madeira (só aceitas no mercado nacional) e caixas de papelão. No Brasil ainda é comumente utilizado o transporte a granel, isto é, sem qualquer tipo de embalagem, fato esse que não é recomendado devido às grandes perdas que acontecem.
As frutas, a serem embaladas, são dispostas verticalmente nas caixas de papelão e separadas umas das outras por folhas também de papelão para evitar o atrito entre as mesmas. O fundo dessas caixas são forrados com mais uma camada de papelão e suas laterais possuem orifícios por onde ocorre a entrada e saída de ar necessários para manter a fruta em boas condições. A capacidade das caixas varia de acordo com o tamanho das frutas e comporta em média 6, 12 ou 20 delas, dependendo do tamanho da caixa.

Rotulagem

A rotulagem da embalagem é importante, pois ajuda a identificar o produto, facilitando o manuseio pelos recebedores.

Armazenamento

As caixas com as frutas devem ser armazenadas a uma temperatura constante, que não pode ser menor que 7°C, pois podem ocorrer injúrias na casca das frutas causadas pelo frio excessivo (chilling), nem superior a 10°C, já que acima desta temperatura a susceptibilidade ao ataque de fungos é aumentada.
A umidade relativa do ar deve estar em torno de 90%. Sob estas condições é possível conservar as frutas por até quatro semanas.

Transporte

O transporte do abacaxi, geralmente, é feito em caminhões não refrigerados, a granel. Para não causar injúrias aos frutos, estes devem ser acolchoados. Na cultivar Pérola pode-se usar os próprios filhotes, e no caso da Smooth Cayenne, que não tem filhotes, deve-se utilizar capim. Os frutos devem ser colocados em camadas alternadas e deve-se cobrir o caminhão com uma lona, para evitar injúrias causadas pelo vento. Se o destino das frutas for um local distante do local de produção, o transporte deve ser feito em caminhões refrigerados. Porém, se não for possível transportar a carga a longas distâncias neste tipo de caminhão, pode-se realizar o transporte à temperatura ambiente, porém à noite, sempre cobrindo a carga com uma lona.

Manejo da Soca (segundo ciclo) 

Considera-se como segunda colheita a produção obtida de brotações da planta-mãe, após a retirada do primeiro fruto. Em plantios bem conduzidos, com bom estado fitossanitário, pode-se colher uma 2ª safra (soca) desde que, as brotações recebam alguns tratos culturais necessários ao seu desenvolvimento, como: controle de plantas daninhas, adubação (metade da recomendada no 1º ciclo) aplicadas em duas vezes, indução floral entre 6 a 8 meses após a primeira colheita e controle fitossanitário.

Colheita

O ponto de colheita depende da cultivar, da região produtora, da época da colheita e das exigências, e da distância do mercado de destino, levando-se em conta também aspectos técnicos. Os frutos devem apresentar polpa com teor de açúcar de, no mínimo, 12º Brix. A colheita deve ser organizada em trabalho de equipe, com cortadores, carregadores e arrumadores. Esta atividade é feita por meio do corte do pedúnculo ou “quebrando-se” o pedúnculo rente à base do fruto, com facão ou faca do tipo “peixeira”, sendo que o colhedor deve estar com as mãos protegidas com luvas de lona grossa. O operário segura o fruto pela coroa com uma mão e corta o pedúnculo cerca de três a cinco centímetros abaixo da base do fruto. O corte deve ser feito de tal forma que apenas duas a quatro mudas do cacho de filhotes permaneçam aderidas ao seguimento do pedúnculo (processo chamado “sangria”), as demais mudas devem permanecer na planta para uso como material de plantio. Quando os frutos se destinarem a mercados próximos ou à indústria, esses podem ser colhidos “quebrando-se” o pedúnculo rente à base do fruto, deixando os filhotes na planta, para serem colhidos posteriormente.
Em geral, no Estado do Tocantins, o abacaxi é colhido cinco meses após o tratamento de indução floral. A colheita deve ser realizada de maneira cuidadosa, evitando danos à superfície dos frutos, inclusive durante o transporte, seja até o local de embalagem ou ao mercado consumidor. Por questões de higiene, não se deve amontoar os frutos sobre o solo, evitando assim a contaminação superficial.

Manejo Pós-Colheita, Embalagem e Transporte

O manejo pós-colheita dos frutos deve ser ajustado às exigências atuais dos consumidores e compradores quanto à qualidade do mesmo. Aqueles destinados à indústria exigem menos cuidados, sendo colhidos e imediatamente acondicionados nos caminhões para o seu transporte.
Frutos destinados para o mercado interno a longas distâncias são colhidos, transportados em carriolas ou carros de mão para fora do plantio (Figura 1), onde são selecionados e arrumados no caminhão. Alguns produtores já praticam a colheita semimecanizada (Figura 2), aumentando a eficiência do trabalho e reduzindo as perdas por manuseio inadequado do fruto.
Figura 1. Carro de mão adaptado com caixas plásticas para colheita de abacaxi
Foto: Aristoteles Pires de Matos
Figura 2. Colheita semimecanizada de abacaxi ‘Pérola’
O transporte para o mercado consumidor pode ser feito de duas maneiras: 1) a granel, usando-se camadas de capim para separar os frutos, reduzindo, assim, o atrito entre eles (Figura 3); 2) acondicionados em caixas padronizadas de papelão (Figura 4). É recomendável a etiquetagem individual dos frutos, assegurando sua qualidade e origem, agregando valor aos mesmos.
Foto: Aristoteles Pires de Matos
Figura 3. Frutos de abacaxi ‘Pérola’ acondicionados a granel em caminhão, com camada de capim como proteção dos frutos
Fotos: Aristoteles Pires de Matos
Figura 4. Frutos de abacaxi acondicionados em caixa de papelão para serem transportados ao mercado consumidor









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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Manejo do Abacaxi


Irrigação

Exigências hídricas

A grande maioria dos plantios de abacaxi é conduzida em condições de sequeiro, entretanto, ocorrendo déficit hídrico acentuado, o uso da irrigação é a melhor alternativa para o suprimento e a manutenção da umidade do solo, possibilitando o desenvolvimento ideal da cultura. Para otimizar a prática da irrigação, a mesma deve ser fundamentada em critérios técnicos. Recomendações gerais sobre a prática da irrigação podem ser encontradas em diversas publicações especializadas, mas ajustes às condições locais sempre deverão ser consideradas.

O abacaxizeiro embora tolerante à falta de água, apresenta em períodos de escassez de água acentuada redução de seu desenvolvimento vegetativo. Um déficit hídrico durante a frutificação compromete o peso dos frutos. A quantidade de água necessária para a cultura é de 60 a 150 mm/mês. Quando tal situação não é alcançada recomenda-se a irrigação. Os métodos de irrigação mais usados são os de aspersão, pivô central e autopropelido. Micro aspersão e gotejamento podem também ser usados. Em algumas regiões do estado de Rondônia se utiliza irrigação por aspersão convencional.

Floração Natural X Indução Artificial

O florescimento natural do abacaxizeiro é bastante desuniforme, trazendo prejuízos ao produtor, pois, dificulta os tratos culturais e a colheita, inviabilizando a exploração da soca (segundo ciclo) e afetando a comercialização do produto, devido à redução do tamanho médio dos frutos. A floração natural é muito influenciada por condições climáticas, não existindo ainda, medidas de controle eficientes. Entretanto, recomenda-se alguns cuidados: evitar que as plantas atinjam porte elevado ou idade avançada; evitar plantios no período de outubro a dezembro, o que é muito comum em regiões com chuvas de verão (Cerrado); evitar a utilização de mudas velhas para os plantios, fazer uso adequado de irrigação e adubação; e evitar que produtos à base de etefon usados na fase de pré-colheita atinjam as mudas do tipo filhote.

Para antecipar e, principalmente, homogeneizar a época de florescimento e colheita do abacaxizeiro, necessário se faz a indução artificial da floração. Esta prática consiste-se da aplicação de produtos indutores na roseta foliar (olho da planta) ou da sua pulverização sobre a planta.

A época mais adequada para a indução, depende de vários fatores, principalmente do planejamento da data de colheita, uma vez que, após 5 a 6 meses depois da indução os frutos estão aptos para a colheita. Em geral, recomenda-se que a indução seja feita em plantas de 8 a 12 meses de idade.

Os indutores mais usados são o carbureto de cálcio e os produtos a base de etefon (ethrel, arvest ou similar). O carbureto é usado na roseta foliar, na forma sólida (0,5 a 1,0g/ planta) ou líquida (30 a 50 ml/planta). Recomenda-se a forma sólida em épocas chuvosas ou plantios irrigados. A solução é preparada usando-se 345 g do produto em 100 litros de água. O etefon deve ser aplicado no olho da planta usando-se 50ml/planta, ou em pulverização total da planta, sendo que sua eficiência é aumentada com a adição de uréia a 2% do produto comercial.

A eficiência no processo de indução é aumentada executando-se a prática à noite ou nas horas mais frescas do dia, de preferência em dias nublados.

Consorciação de Culturas


O abacaxi pode ser consorciado com feijão, amendoim, girassol, melancia, quiabo, repolho, tomate e outras culturas de ciclo curto, que são plantadas nas entrelinhas e na mesma época da cultura do abacaxi. Deve-se evitar o consórcio do abacaxi com milho que é hospedeiro da gomose ou fusariose. O consórcio deve restringir-se aos primeiros seis meses do ciclo do abacaxi. A cultura também é utilizada em consórcio com outras frutíferas de ciclo mais longo como em citros, guaraná, coco, entre outras. O consorciamento é uma prática viável, que permite a redução nos custos de implantação da cultura.

Manejo do mato e conservação do solo

O manejo correto do mato, especialmente nos primeiros meses após o plantio, é essencial para assegurar uma boa colheita no futuro. Os padrões atuais da produção agropecuária preconizam a utilização de práticas culturais que contribuam para a preservação ambiental e a sustentabilidade. Neste sentido, o manejo das plantas infestantes em plantios de abacaxi deve ser efetuado por meio de práticas que possibilitem a manutenção do solo protegido, entre as quais se destacam: 1) roçagem das plantas infestantes usando-se uma roçadeira manual com motor à explosão (Figura 1); 2) aplicação de herbicidas em pós-emergência; 3) utilização da cobertura morta (Figura 2); 4) capinas manuais mantendo a palhada como cobertura morta; 5) culturas de cobertura (Figura 3); e 6) cultivo mínimo ou plantio direto (Figura 4).
Por causa das frequentes inclusões e exclusões de registros de herbicidas para uso na cultura do abacaxi, recomenda-se consultar o sistema AGROFIT no endereço http://www.agricultura.gov.br/ sempre que for necessário adquirir esses produtos.
Mesmo que se use o controle químico do mato, capinas manuais ou roçagens complementares serão necessárias, visando adequar o plantio para outras práticas culturais como aplicação de fertilizantes em cobertura e amontoa.

Fotos: Aristoteles Pires de Matos
Figura 1. Roçagem no manejo das plantas infestantes e conservação do solo em plantios de abacaxi
Foto: Aristoteles Pires de Matos
Figura 2. Uso de cobertura morta no manejo do mato e conservação do solo em plantios de abacaxi
Fotos: Aristoteles Pires de Matos
Figura 3. Uso do milheto (A) ou do estilosantes (B) como culturas de cobertura no manejo do mato e conservação do solo em plantios de abacaxi
Fotos: Aristoteles Pires de Matos

Figura 4. Cultivo mínimo como prática cultural no manejo do mato e conservação do solo em plantios de abacaxizeiro: (A) manutenção da cultura de cobertura nas entrelinhas; (B) manutenção da palhada resultante da cultura de cobertura dissecada

O abacaxizeiro tem raízes pequenas e superficiais e cresce muito mais lento que o mato. Se o mato não for bem controlado, pode reduzir a produção do abacaxi, pela concorrência por água e adubos.
Quanto menos desenvolvida estiver a planta de abacaxi, maior será o dano causado pelo mato. Dessa forma, o controle do mato é uma atividade muito importante, sobretudo nos primeiros cinco a seis meses após o plantio do abacaxizeiro.
O controle do mato pode ser feito associando-se quatro a cinco capinas manuais e três roçagens, entre o plantio e a indução da floração, período em que não se deve deixar o mato mais alto que o abacaxizeiro. Depois da indução da floração não há necessidade de maiores cuidados com o controle do mato, fazendo-se apenas um raleamento, mediante roçagens, para facilitar as práticas culturais e fitossanitárias, assim como a colheita.
Nas capinas manuais (Figura 1a) deve-se cortar o mato com todo o cuidado, para não ferir as raízes nem as folhas do abacaxizeiro e não jogar terra no "olho" da planta. O mato na linha do plantio deve ser arrancado com as mãos, sem o uso de enxada, para não ferir as raízes da planta. Durante as capinas, deve-se chegar terra para junto das plantas (fazer a "amontoa" - Figura 1b) e nunca tirar terra de junto das plantas, para evitar que elas fiquem soltas ou sem apoio.
As roçagens nas entrelinhas de plantio podem ser feitas de forma manual ou com roçadeira motorizada, compatível com o espaçamento adotado. O material vegetal resultante das roçagens e das capinas deve ser mantido na área, como cobertura (Figura 1c). Também podem ser usados como cobertura do solo outros materiais disponíveis na propriedade, tais como palhas, bagaços ou capins secos, ou restos culturais de um abacaxizal anterior. A cobertura vegetal, além de controlar o mato, também protege o solo do impacto das chuvas e do vento, o que diminui a erosão.
Havendo necessidade, pode-se recorrer ainda ao controle químico, mediante a aplicação de herbicidas. É recomendável uma aplicação única ao longo do ciclo, de preferência em pós-emergência. A escolha do herbicida e a forma correta de aplicação são fundamentais para obter bons resultados e não queimar as folhas do abacaxizeiro. Deve-se aplicar apenas herbicidas registrados para a cultura de abacaxi (Tabela 1) e com orientação técnica de quem realmente tem conhecimento e experiência neste assunto, observando-se inclusive os cuidados com a calibração dos pulverizadores. Herbicidas registrados para a cultura do abacaxi são tóxicos para outras culturas, a exemplo do feijão. Os herbicidas pré-emergentes podem ser pulverizados de modo uniforme sobre o solo, que deve estar úmido para que tenha efeito. Já os herbicidas pós-emergentes devem ser aplicados sobre as plantas da cobertura vegetal, depois que elas crescerem um pouco, com gasto aproximado de 400 a 600 litros de calda por hectare; usar bico em leque e o protetor ('chapéu de Napoleão') para evitar que o vento espalhe a solução com o produto.
Durante o controle do mato, com enxada ou herbicida, é importante o operário usar equipamento de proteção individual (EPI), que pode ser constituído de máscara, bota ou calçado fechado, luvas e perneiras de raspas de couro.

Tabela 1.  Herbicidas registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para uso na cultura do abacaxizeiro (AGROFIT-MAPA, 2011).
Ingrediente Ativo
Grupo químico
Produtos Formulados
Aplicação2
Form.y
Toxic. Homx
Toxic. Ambw
Dose P. C.v
Carência (dias)
AmetrinaTriazina
Ametrex WG
Pré/Pós
WG
III
II
2-3 Kg/ha
83
Herbipak WG
Pré/Pós
WG
III
II
2-3 Kg/ha
83
Bromalina + DiuromUracila + uréiaKrovar
Pré/Pós
WG
III
II
2-4 Kg/ha
60
Diurom + Dicloreto de paraquateUréia + bipirilídioGramocil
Pós
SC
II
II
2-3 L/ha
140
DiuromUréiaCention SC
Pré
SC
III
II
4,8 L/ha
140
Direx 500 SC
Pré/Pós
SC
II
II
3,2 a 6,4 L/ha
140
Diuron Nortox
Pré
WP
III
II
2-4 L/ha
140
Diuron 500 Milenia SC
Pré
SC
II
II
5-6 L/ha
140
Grasp
Pré/Pós
SC
II
II
3,2 a 6,4 L/ha
140
Karmex
Pré/Pós
WG
III
II
1-4 Kg/ha
140
Karmex 800
Pré/Pós
WG
III
II
1-4 Kg/ha
140
Netun SC
Pré/Pós
SC
III
II
2-4 L/ha
140
Sulfentrazona

Triazolona
Boral 500SC
Pré
SC
IV
III
0,8-1,4 L/ha
60
Explorer 500 SC
Pré
SC
IV
III
0,8-1,4 L/ha
60
Pré = Pré-emergente; Pós = pós-emergente 
y Formulação: SC = Suspensão concentrada; WG = Granulado dispersível; WP = Pó molhável 
x Toxicidade ao homem: II - Produto altamente tóxico; III - Produto medianamente tóxico; IV - Produto pouco tóxico 
w Toxicidade ao ambiente: II - Produto muito perigoso; III - Produto perigoso 
v Produto Comercial. Usar as doses baixas em solos arenosos e as mais altas em solos argilosos ou com alto teor de matéria orgânica. Quando as aplicações são feitas nas "ruas", as doses têm que ser diminuídas proporcionalmente à diminuição da área coberta pelo herbicida (em geral, cerca de 50 % da área total). 
Observação: A citação do nome comercial do produto não significa recomendação ou endosso de tais marcas por parte da Embrapa.

Adubação

O fornecimento de nutrientes deve ser efetuado sempre de acordo com os resultados analíticos do solo. De maneira geral, pode-se afirmar que a definição sobre as quantidades de fertilizantes a serem aplicadas na cultura do abacaxi deve levar em conta os fatores a seguir: a) exigências nutricionais da planta; b) capacidade de suprimento de nutrientes pelo solo; c) nível tecnológico utilizado; d) destino da produção; e) rentabilidade da cultura; f) resultados locais e/ou regionais de trabalhos experimentais voltados para a otimização de doses de nutrientes para a cultura.
Todo o fósforo deve ser aplicado no solo antes do plantio, enquanto nitrogênio e potássio são supridos em aplicações fracionadas durante o ciclo da cultura. Caso seja conveniente para o produtor, a adubação fosfatada pode ser feita por ocasião da primeira adubação em cobertura, junto com o nitrogênio e o potássio. Em função do manejo dispensado à cultura e do tipo de solo, o parcelamento das doses totais dos adubos pode variar de três a cinco ou mais vezes, com a última aplicação efetuada um mês antes do tratamento de indução da floral. É importante adotar técnicas como a amontoa logo após a aplicação dos adubos sólidos, de maneira a minimizar as perdas de nutrientes por lixiviação, evaporação, erosão e outras causas.
A adubação do abacaxizeiro também pode ser efetuada na forma líquida, seja via aplicação mecanizada ou por fertirrigação nos plantios conduzidos em sistema irrigado (Figura 5).
Fotos: Aristoteles Pires de Matos
Figura 5. Sistemas de adubação em cobertura de abacaxizeiro: A) adubação manual; B) detalhe da colocação do adubo junto à planta; C) implemento para adubação mecanizada; D) adubação líquida
As recomendações de adubação para a cultura do abacaxi em plantios no Tocantins podem ser feitas com base na Tabela 1, na qual, as doses recomendadas pressupõem densidades de plantio em torno de 28 mil plantas/ha.
Tabela 1. Recomendações de adubação para o abacaxizeiro, no Estado do Tocantins, com base em resultados analíticos do solo; primeira aproximação
Nutriente
No plantio
Em cobertura – após o plantio
1º ao 2º mês
3º ao 4º mês
5º ao 6º mês
30 a 60 dias antes da indução floral
N (kg/ha)
Nitrogênio
50
60
70
80
P2O5 (kg/ha)
Fósforo no solo (método Mehlich) mg/dm3
Até 5
90
6 a 10
60
11 a 15
30
K2O (kg/ha)
Potássio trocável no solo cmolc/dm3
Até 0,07*
100
120
140
160
0,08 a 0,15
90
105
120
140
0,16 a 0,23
75
90
105
120
0,24 a 0,31
60
75
90
100
0,32 a 0,40
50
60
70
80

*Estas faixas equivalem aproximadamente às faixas de: até 30; 31 a 60; 61 a 90; 91 a 120 e 121 a 155 mg dm3 de K
As alternativas mais frequentes para a adubação nitrogenada são a ureia e o sulfato de amônio. Como fonte de fósforo, pode-se utilizar o superfosfato triplo, o fosfato monoamônico, o fosfato diamônico ou o superfosfato simples, sendo que este último é também boa fonte de enxofre. O potássio pode ser suprido mediante cloreto de potássio, sulfato de potássio ou sulfato duplo de potássio e magnésio, sendo que as duas últimas fontes, além de mais caras, são menos frequentes no comércio. Para a escolha das fontes de nutrientes, vários aspectos devem ser levados em consideração, dentre eles o custo por unidade do nutriente.
A utilização de adubos orgânicos (estercos, tortas vegetais, compostos), quando possível, é particularmente importante nos solos de textura arenosa e pobres em matéria orgânica. Estes adubos devem, em princípio, ser aplicados por ocasião do plantio ou na primeira adubação em cobertura.

Constatando-se plantas pouco vigorosas e/ou com sintomas de deficiências nutricionais, na época prevista para a indução do florescimento, podem ser feitas adubações suplementares, por via sólida ou líquida, que deverão se estender, de preferência, até 60 dias após a indução.

Indução artificial da floração na cultura do abacaxi

O tratamento para provocar o florescimento do abacaxizeiro, também conhecido como carburetação, diminui o ciclo da planta e o tempo para a colheita e tem a finalidade de uniformizar a frutificação. Essa prática permite também que a colheita seja feita numa época mais favorável à venda do fruto. Pode ser usada, ainda, para escalonar ou ampliar o período de colheita e facilitar o controle químico da fusariose e broca-do-fruto.
O produto mais usado é o carbureto de cálcio, que pode ser aplicado nas formas sólida (granulado) e líquida (dissolvido em água)

Na aplicação sólida coloca-se 0,5 a 1,0 grama do carbureto granulado no "olho" da planta, de preferência com ajuda de um funil de gargalo comprido. Essa aplicação deve ser feita nas épocas úmidas ou chuvosas, quando tiver um pouco de água no "olho" da planta.
Na aplicação líquida, recomendada para períodos menos chuvosos, colocam-se 150 litros de água fria e limpa numa vasilha ou recipiente com capacidade de 200 litros (e que possa ser bem fechada), e adicionam-se 400 a 600 gramas de carbureto. Em seguida, fecha-se e agita-se bem a vasilha, até não se ouvir mais o barulho da solubilização do carbureto. Logo depois, enche-se um pulverizador costal (sem o bico) com a solução, e aplicam-se aproximadamente 50 ml da solução no "olho" da planta (é mais ou menos a quantidade que cabe num copinho plástico de café). No lugar do pulverizador, pode-se usar outra vasilha adaptada, com uma mangueira na parte inferior, sem precisar fazer o bombeamento. A aplicação pode ser feita, também, com o próprio copinho plástico.
A solução com carbureto pode ser preparada, ainda, diretamente dentro do pulverizador costal, onde são colocados não mais do que 15 litros de água e 40 a 60 gramas de carbureto (dentro de um saquinho de aninhagem ou meia usada). Logo depois que o carbureto se dissolve na água, abre-se o pulverizador, retira-se o saquinho e aplica-se a solução no "olho" das plantas, conforme explicado anteriormente.
A aplicação do carbureto deve ser feita, de preferência, à noite ou nas horas menos quentes do dia (de manhã cedo ou no final da tarde). Para as condições locais, a recomendação é que a indução da floração seja feita antes do período frio, que se inicia em maio/junho e se prolonga até julho/agosto.
As plantas devem estar bem desenvolvidas, com dez a 11 meses de idade. Plantas vigorosas, com muitas folhas e sadias produzem frutos mais pesados e, também, mais mudas, principalmente nas épocas de chuva. Não se deve induzir plantas pouco desenvolvidas ou pequenas e com poucas folhas, pois os frutos serão pequenos. Na época da indução, no caso da variedade Pérola, a folha "D" deve ter uma massa fresca superior a 80 gramas. A folha "D" é a mais longa entre as folhas jovens e se localiza geralmente a 45º entre o nível do solo e um eixo imaginário que passa pelo centro da planta. O tratamento de indução da floração deve ser feito cinco a seis meses antes da época em que se pretende vender os frutos.

Antecipação da Floração e Uniformização da Colheita

O abacaxi pode ser forçado a produzir frutos fora de época mediante a aplicação de indutores do florescimento, como o carbureto de cálcio e o etefon (consultar o AGROFIT para os produtos registrados para uso na cultura do abacaxi). O carbureto de cálcio, em sua forma sólida, pode ser aplicado diretamente no “olho” da planta, na quantidade aproximada de 0,5 g a 1,0 g por planta, desde que na presença de água. Em épocas secas, o carbureto pode ser aplicado dissolvido em água. Nesse caso, a mistura deve ser feita em um recipiente com capacidade para 20 litros onde se colocam 12 litros de água limpa e fria, e adicionam-se 60 g de carbureto de cálcio, fechando-se bem para evitar escapamento do gás. Aplicar cerca de 50 mL diretamente no “olho” de cada planta. Optando-se pelo uso do etefon, o mesmo pode ser aplicado por sobre a planta, não havendo necessidade de dirigir o produto para o “olho” do abacaxizeiro. O preparo da solução de etefon depende da concentração do produto comercial. Para o produto com 24% de ingrediente ativo, utilizam-se 20 mL para 20 L de água, acrescentando-se 400 g de ureia. Para aumentar a eficiência do tratamento, recomenda-se adicionar 7 g de cal de pintura, aplicando-se de 30 ml a 50 mL da mistura por planta. Nas épocas mais quentes, a indução floral com o etefon tende a ser menos eficiente, havendo necessidade de aumentar a concentração do princípio ativo na mistura, de acordo com a orientação da assistência técnica e das instruções contidas na bula do produto.
O tratamento de indução floral deve ser realizado em plantios com cerca de um ano de idade, com plantas bem desenvolvidas, isto é, que tenham altura superior a 1,0 m e peso fresco da folha mais comprida (folha ‘D’) superior a 80 g. Observar, também, o desenvolvimento da planta, pois quanto maior a base desta, maior tenderá a ser o fruto. A aplicação do indutor da floração deve ser feita à noite ou nas horas mais frescas do dia (início da manhã ou final da tarde), preferentemente em dias nublados. Na definição da melhor época para o tratamento de indução floral, deve-se considerar a possibilidade de colher os frutos num período em que os preços sejam mais favoráveis, o que ocorre, tradicionalmente, no primeiro semestre. Nas condições quentes do Estado do Tocantins, a colheita dos frutos ocorre cinco meses após a data da indução floral.







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