quarta-feira, 15 de março de 2017

Colheita e Pós-Colheita do Abacaxi


Sierra Exif JPEG


Colheita e pós-colheita


As atividades de colheita compreendem os cuidados na fase imediatamente anterior a colheita (pré colheita), determinação do ponto de colheita, decisão de colheita e transporte do campo até o galpão pós-colheita (local destinado à seleção, tratamento e acondicionamento para encaminhar para a comercialização).


Determinação do ponto de colheita

O abacaxi não amadurece após a colheita, sendo portando necessário sua colheita após seu completo desenvolvimento fisiológico. A concentração de açúcares deve ser medida com um refratômetro e deve ser maior que 19° Brix no verão e 14,5° Brix no inverno. Os frutos devem ser colhidos em estádios de maturação diferentes, de acordo com o seu destino e a distância do mercado consumidor.
Indústria – Deve ser colhido maduro (casca mais amarela que verde);
Mercado "in natura" e mercados distantes – Devem ser colhidos "de vez", quando surgem os primeiros sinais de amarelecimento da casca;
Mercado "in natura" e mercados locais – Frutos com até a metade da casca amarela.
Entretanto, alguns fatores também devem ser levados em consideração, para se definir o ponto de colheita com base na coloração da casca do fruto:
  • Quanto maior o fruto menos a casca se descolore, ou seja frutos grandes com coloração amarela apenas na base pode estar mais maduro do que um fruto pequeno com toda a casca amarela;
  • Em períodos frios e secos os frutos se colorem mais do que naqueles quentes e úmidos. Ou seja frutos colhidos no inverno devem ser colhidos com a coloração da casca mais amarela do que os frutos colhidos no verão;
  • Adubações ricas em potássio e pobres em nitrogênio favorecem a coloração da casca e com adubações pobres em potássio e ricas em nitrogênio ocorre o contrário;
  • Variedades, frutos da variedade Smooth Cayenne colorem-se menos do que os da variedade Pérola;
Para uniformizar a coloração da casca , usar em frutos maduros com casca apresentando início de amarelecimento produtos à base de etefon. Para isso, utiliza-se de 1ml a 2 ml do produto comercial (24% de etefon) por litro de água. Na cultivar Smooth Cayenne, este tratamento pode ser realizado através de pulverização, 4 a 7 dias antes da colheita. Na cultivar Pérola, o mais indicado é a utilização da imersão, sem atingir a coroa.

Colheita

A colheita pode ser feita com o auxílio de um facão, com o colhedor utilizando luva grossa para proteger as mãos. Não colher frutos verdes, pois, eles não amadurecem após colhidos. O operário segura o fruto pela coroa e corta o pedúnculo 3 a 5 centímetros abaixo da base do fruto. Os frutos colhidos são entregues a outros operários que os transportam em cestos, balaios, caixas ou carrinhos de mão, até o caminhão ou carreta. Os frutos devem ser colhidos e transportados com o máximo cuidado possível para evitar danos mecânicos e redução na qualidade do produto. A grande maioria dos frutos é utilizada para o consumo "in natura", entretanto, existe uma agroindústria em Pimenta Bueno-RO, que vem comprando frutos dos produtores para industrialização dos frutos.

Classificação dos frutos

Em geral, os frutos colhidos são acondicionados, no campo, em caminhões e transportados diretamente para a comercialização.
Entretanto, as exigências por qualidade têm crescido muito, neste sentido deve-se seguir as seguintes recomendações:
Após a colheita dos frutos, estes devem ser levados para um barracão, chegando lá, as frutas devem sofrer um acabamento para que sua aparência seja melhorada e para que o ataque por patógenos seja diminuído. Por isso, os abacaxis têm o tamanho do seu pedúnculo reduzido de 5-6cm para 2-3cm e a superfície do corte tratada com desinfetante para prevenir contra o ataque de fungos e bolores com uma solução de benomyl a 4.000 ppm, para evitar a podridão negra. A coroa pode ou não ser retirada, mas se a preferência for por eliminá-la, também deve ser realizado um tratamento desinfetante na inserção. Os frutos deverão ser submetidos a uma seleção, eliminado-se aqueles com defeitos. Aqueles que não apresentarem defeitos devem ser classificados por tamanho e se possível por maturação. Na separação por tamanho pode se dividir os frutos em pequenos, médios e grandes. Quanto à maturação, os frutos podem ser divididos em 1/3 maduros, ½ maduros e totalmente maduros. Após isto os frutos estão prontos para serem embalados e transportados para os locais de distribuição. Em Rondônia os frutos são classificados em Primeira (peso superior a 1,5 kg) e Segunda (peso inferior a 1,5 kg).

Embalagem

As embalagens quando apropriadas, ajudam a manter a qualidade dos frutos durante o transporte e a comercialização, além de melhorar a apresentação do produto. Assim, depois de corretamente selecionadas, as frutas passam para a etapa de embalagem, que pode ser feita em caixas de madeira (só aceitas no mercado nacional) e caixas de papelão. No Brasil ainda é comumente utilizado o transporte a granel, isto é, sem qualquer tipo de embalagem, fato esse que não é recomendado devido às grandes perdas que acontecem.
As frutas, a serem embaladas, são dispostas verticalmente nas caixas de papelão e separadas umas das outras por folhas também de papelão para evitar o atrito entre as mesmas. O fundo dessas caixas são forrados com mais uma camada de papelão e suas laterais possuem orifícios por onde ocorre a entrada e saída de ar necessários para manter a fruta em boas condições. A capacidade das caixas varia de acordo com o tamanho das frutas e comporta em média 6, 12 ou 20 delas, dependendo do tamanho da caixa.

Rotulagem

A rotulagem da embalagem é importante, pois ajuda a identificar o produto, facilitando o manuseio pelos recebedores.

Armazenamento

As caixas com as frutas devem ser armazenadas a uma temperatura constante, que não pode ser menor que 7°C, pois podem ocorrer injúrias na casca das frutas causadas pelo frio excessivo (chilling), nem superior a 10°C, já que acima desta temperatura a susceptibilidade ao ataque de fungos é aumentada.
A umidade relativa do ar deve estar em torno de 90%. Sob estas condições é possível conservar as frutas por até quatro semanas.

Transporte

O transporte do abacaxi, geralmente, é feito em caminhões não refrigerados, a granel. Para não causar injúrias aos frutos, estes devem ser acolchoados. Na cultivar Pérola pode-se usar os próprios filhotes, e no caso da Smooth Cayenne, que não tem filhotes, deve-se utilizar capim. Os frutos devem ser colocados em camadas alternadas e deve-se cobrir o caminhão com uma lona, para evitar injúrias causadas pelo vento. Se o destino das frutas for um local distante do local de produção, o transporte deve ser feito em caminhões refrigerados. Porém, se não for possível transportar a carga a longas distâncias neste tipo de caminhão, pode-se realizar o transporte à temperatura ambiente, porém à noite, sempre cobrindo a carga com uma lona.

Manejo da Soca (segundo ciclo) 

Considera-se como segunda colheita a produção obtida de brotações da planta-mãe, após a retirada do primeiro fruto. Em plantios bem conduzidos, com bom estado fitossanitário, pode-se colher uma 2ª safra (soca) desde que, as brotações recebam alguns tratos culturais necessários ao seu desenvolvimento, como: controle de plantas daninhas, adubação (metade da recomendada no 1º ciclo) aplicadas em duas vezes, indução floral entre 6 a 8 meses após a primeira colheita e controle fitossanitário.


Colheita

O ponto de colheita depende da cultivar, da região produtora, da época da colheita e das exigências, e da distância do mercado de destino, levando-se em conta também aspectos técnicos. Os frutos devem apresentar polpa com teor de açúcar de, no mínimo, 12º Brix. A colheita deve ser organizada em trabalho de equipe, com cortadores, carregadores e arrumadores. Esta atividade é feita por meio do corte do pedúnculo ou “quebrando-se” o pedúnculo rente à base do fruto, com facão ou faca do tipo “peixeira”, sendo que o colhedor deve estar com as mãos protegidas com luvas de lona grossa. O operário segura o fruto pela coroa com uma mão e corta o pedúnculo cerca de três a cinco centímetros abaixo da base do fruto. O corte deve ser feito de tal forma que apenas duas a quatro mudas do cacho de filhotes permaneçam aderidas ao seguimento do pedúnculo (processo chamado “sangria”), as demais mudas devem permanecer na planta para uso como material de plantio. Quando os frutos se destinarem a mercados próximos ou à indústria, esses podem ser colhidos “quebrando-se” o pedúnculo rente à base do fruto, deixando os filhotes na planta, para serem colhidos posteriormente.
Em geral, no Estado do Tocantins, o abacaxi é colhido cinco meses após o tratamento de indução floral. A colheita deve ser realizada de maneira cuidadosa, evitando danos à superfície dos frutos, inclusive durante o transporte, seja até o local de embalagem ou ao mercado consumidor. Por questões de higiene, não se deve amontoar os frutos sobre o solo, evitando assim a contaminação superficial.

Manejo Pós-Colheita, Embalagem e Transporte

O manejo pós-colheita dos frutos deve ser ajustado às exigências atuais dos consumidores e compradores quanto à qualidade do mesmo. Aqueles destinados à indústria exigem menos cuidados, sendo colhidos e imediatamente acondicionados nos caminhões para o seu transporte.
Frutos destinados para o mercado interno a longas distâncias são colhidos, transportados em carriolas ou carros de mão para fora do plantio (Figura 1), onde são selecionados e arrumados no caminhão. Alguns produtores já praticam a colheita semimecanizada (Figura 2), aumentando a eficiência do trabalho e reduzindo as perdas por manuseio inadequado do fruto.
Foto: Aristoteles Pires de Matos
Figura 1. Carro de mão adaptado com caixas plásticas para colheita de abacaxi
Foto: Aristoteles Pires de Matos
Figura 2. Colheita semimecanizada de abacaxi ‘Pérola’
O transporte para o mercado consumidor pode ser feito de duas maneiras: 1) a granel, usando-se camadas de capim para separar os frutos, reduzindo, assim, o atrito entre eles (Figura 3); 2) acondicionados em caixas padronizadas de papelão (Figura 4). É recomendável a etiquetagem individual dos frutos, assegurando sua qualidade e origem, agregando valor aos mesmos.
Foto: Aristoteles Pires de Matos
Figura 3. Frutos de abacaxi ‘Pérola’ acondicionados a granel em caminhão, com camada de capim como proteção dos frutos
Fotos: Aristoteles Pires de Matos
Figura 4. Frutos de abacaxi acondicionados em caixa de papelão para serem transportados ao mercado consumidor