quarta-feira, 15 de março de 2017

Tratos Culturais No Abacaxi

Manejo do mato e conservação do solo

O manejo correto do mato, especialmente nos primeiros meses após o plantio, é essencial para assegurar uma boa colheita no futuro. Os padrões atuais da produção agropecuária preconizam a utilização de práticas culturais que contribuam para a preservação ambiental e a sustentabilidade. Neste sentido, o manejo das plantas infestantes em plantios de abacaxi deve ser efetuado por meio de práticas que possibilitem a manutenção do solo protegido, entre as quais se destacam: 1) roçagem das plantas infestantes usando-se uma roçadeira manual com motor à explosão (Figura 1); 2) aplicação de herbicidas em pós-emergência; 3) utilização da cobertura morta (Figura 2); 4) capinas manuais mantendo a palhada como cobertura morta; 5) culturas de cobertura (Figura 3); e 6) cultivo mínimo ou plantio direto (Figura 4).
Por causa das frequentes inclusões e exclusões de registros de herbicidas para uso na cultura do abacaxi, recomenda-se consultar o sistema AGROFIT no endereço http://www.agricultura.gov.br/ sempre que for necessário adquirir esses produtos.
Mesmo que se use o controle químico do mato, capinas manuais ou roçagens complementares serão necessárias, visando adequar o plantio para outras práticas culturais como aplicação de fertilizantes em cobertura e amontoa.

Fotos: Aristoteles Pires de Matos

Figura 1. Roçagem no manejo das plantas infestantes e conservação do solo em plantios de abacaxi
Foto: Aristoteles Pires de Matos
Figura 2. Uso de cobertura morta no manejo do mato e conservação do solo em plantios de abacaxi
Fotos: Aristoteles Pires de Matos
Figura 3. Uso do milheto (A) ou do estilosantes (B) como culturas de cobertura no manejo do mato e conservação do solo em plantios de abacaxi
Fotos: Aristoteles Pires de Matos
Figura 4. Cultivo mínimo como prática cultural no manejo do mato e conservação do solo em plantios de abacaxizeiro: (A) manutenção da cultura de cobertura nas entrelinhas; (B) manutenção da palhada resultante da cultura de cobertura dissecada

Adubação

O fornecimento de nutrientes deve ser efetuado sempre de acordo com os resultados analíticos do solo. De maneira geral, pode-se afirmar que a definição sobre as quantidades de fertilizantes a serem aplicadas na cultura do abacaxi deve levar em conta os fatores a seguir: a) exigências nutricionais da planta; b) capacidade de suprimento de nutrientes pelo solo; c) nível tecnológico utilizado; d) destino da produção; e) rentabilidade da cultura; f) resultados locais e/ou regionais de trabalhos experimentais voltados para a otimização de doses de nutrientes para a cultura.
Todo o fósforo deve ser aplicado no solo antes do plantio, enquanto nitrogênio e potássio são supridos em aplicações fracionadas durante o ciclo da cultura. Caso seja conveniente para o produtor, a adubação fosfatada pode ser feita por ocasião da primeira adubação em cobertura, junto com o nitrogênio e o potássio. Em função do manejo dispensado à cultura e do tipo de solo, o parcelamento das doses totais dos adubos pode variar de três a cinco ou mais vezes, com a última aplicação efetuada um mês antes do tratamento de indução da floral. É importante adotar técnicas como a amontoa logo após a aplicação dos adubos sólidos, de maneira a minimizar as perdas de nutrientes por lixiviação, evaporação, erosão e outras causas.
A adubação do abacaxizeiro também pode ser efetuada na forma líquida, seja via aplicação mecanizada ou por fertirrigação nos plantios conduzidos em sistema irrigado (Figura 5).

Fotos: Aristoteles Pires de Matos
Figura 5. Sistemas de adubação em cobertura de abacaxizeiro: A) adubação manual; B) detalhe da colocação do adubo junto à planta; C) implemento para adubação mecanizada; D) adubação líquida
As alternativas mais frequentes para a adubação nitrogenada são a ureia e o sulfato de amônio. Como fonte de fósforo, pode-se utilizar o superfosfato triplo, o fosfato monoamônico, o fosfato diamônico ou o superfosfato simples, sendo que este último é também boa fonte de enxofre. O potássio pode ser suprido mediante cloreto de potássio, sulfato de potássio ou sulfato duplo de potássio e magnésio, sendo que as duas últimas fontes, além de mais caras, são menos frequentes no comércio. Para a escolha das fontes de nutrientes, vários aspectos devem ser levados em consideração, dentre eles o custo por unidade do nutriente.
A utilização de adubos orgânicos (estercos, tortas vegetais, compostos), quando possível, é particularmente importante nos solos de textura arenosa e pobres em matéria orgânica. Estes adubos devem, em princípio, ser aplicados por ocasião do plantio ou na primeira adubação em cobertura.
Constatando-se plantas pouco vigorosas e/ou com sintomas de deficiências nutricionais, na época prevista para a indução do florescimento, podem ser feitas adubações suplementares, por via sólida ou líquida, que deverão se estender, de preferência, até 60 dias após a indução.

Exigências hídricas

A grande maioria dos plantios de abacaxi é conduzida em condições de sequeiro, entretanto, ocorrendo déficit hídrico acentuado, o uso da irrigação é a melhor alternativa para o suprimento e a manutenção da umidade do solo, possibilitando o desenvolvimento ideal da cultura. Para otimizar a prática da irrigação, a mesma deve ser fundamentada em critérios técnicos. Recomendações gerais sobre a prática da irrigação podem ser encontradas em diversas publicações especializadas, mas ajustes às condições locais sempre deverão ser consideradas.

Antecipação da Floração e Uniformização da Colheita

O abacaxi pode ser forçado a produzir frutos fora de época mediante a aplicação de indutores do florescimento, como o carbureto de cálcio e o etefon (consultar o AGROFIT para os produtos registrados para uso na cultura do abacaxi). O carbureto de cálcio, em sua forma sólida, pode ser aplicado diretamente no “olho” da planta, na quantidade aproximada de 0,5 g a 1,0 g por planta, desde que na presença de água. Em épocas secas, o carbureto pode ser aplicado dissolvido em água. Nesse caso, a mistura deve ser feita em um recipiente com capacidade para 20 litros onde se colocam 12 litros de água limpa e fria, e adicionam-se 60 g de carbureto de cálcio, fechando-se bem para evitar escapamento do gás. Aplicar cerca de 50 mL diretamente no “olho” de cada planta. Optando-se pelo uso do etefon, o mesmo pode ser aplicado por sobre a planta, não havendo necessidade de dirigir o produto para o “olho” do abacaxizeiro. O preparo da solução de etefon depende da concentração do produto comercial. Para o produto com 24% de ingrediente ativo, utilizam-se 20 mL para 20 L de água, acrescentando-se 400 g de ureia. Para aumentar a eficiência do tratamento, recomenda-se adicionar 7 g de cal de pintura, aplicando-se de 30 ml a 50 mL da mistura por planta. Nas épocas mais quentes, a indução floral com o etefon tende a ser menos eficiente, havendo necessidade de aumentar a concentração do princípio ativo na mistura, de acordo com a orientação da assistência técnica e das instruções contidas na bula do produto.
O tratamento de indução floral deve ser realizado em plantios com cerca de um ano de idade, com plantas bem desenvolvidas, isto é, que tenham altura superior a 1,0 m e peso fresco da folha mais comprida (folha ‘D’) superior a 80 g. Observar, também, o desenvolvimento da planta, pois quanto maior a base desta, maior tenderá a ser o fruto. A aplicação do indutor da floração deve ser feita à noite ou nas horas mais frescas do dia (início da manhã ou final da tarde), preferentemente em dias nublados. Na definição da melhor época para o tratamento de indução floral, deve-se considerar a possibilidade de colher os frutos num período em que os preços sejam mais favoráveis, o que ocorre, tradicionalmente, no primeiro semestre. Nas condições quentes do Estado do Tocantins, a colheita dos frutos ocorre cinco meses após a data da indução floral.


Tratos culturais
Por ser uma planta de pequeno porte e de raízes curtas dispersas superficialmente no solo, o controle de plantas daninhas é muito importante, pois na sua presença haverá intensa competição por água, luz e nutrientes, principalmente nos seis primeiros meses após o plantio.
Ao contrário da maioria das plantas daninhas, o abacaxizeiro tem crescimento e enraizamento lento, sombreando pouco o solo e sendo pouco competitivo para a absorção de nutrientes. É importante eliminar as plantas daninhas, pois concorrem com a cultura, diminui a produtividade das plantas e o peso dos frutos e também podem ser hospedeiras de algumas pragas e doenças que afetam o abacaxi, resultando em grandes perdas.
O controle das plantas invasoras pode ser feito através da capina manual ou mecânica, durante os dois primeiros meses do crescimento do abacaxizeiro. Durante essa prática deve-se tomar cuidado com os espinhos das folhas e evitar que caia terra no centro da planta, pois pode ocasionar o retardamento do seu crescimento e facilitar o desenvolvimento de doenças. Outra forma de combate às plantas invasoras é a utilização de cobertura morta como a palha de arroz, bagaço de cana, folhas, capim-seco, entre outras que não produzam substâncias tóxicas à cultura. A cobertura morta deve ser colocada nas entrelinhas da cultura, evitando sempre que a palha fique sobre o abacaxizeiro.
O controle químico também pode ser usado com aplicação de herbicidas pré-emergentes no plantio e pós-emergentes, principalmente na fase vegetativa da cultura. Deve-se ressaltar a necessidade da escolha certa do herbicida, a forma e a dose correta de aplicação para não prejudicar a própria cultura.
Outro trato cultural muito importante é o controle do florescimento, que é feito para se obter maior uniformidade no florescimento e na colheita, podendo racionalizar o emprego da mão de obra e permitir escalonar as áreas que se deseja colher. A indução natural ocorre em dias curtos, com menores temperaturas e clima seco. Já a indução artificial modifica o ciclo natural da planta com o uso de agentes químicos como auxinas sintéticas, ou produtos que, quando em contato com a planta, estimulam a produção de etileno. Carburetos de cálcio também são muito utilizados e são apresentados de três formas diferentes: em pó, pedra ou na forma de solução aquosa de gás acetileno.
As dosagens utilizadas são de 1 a 2 g de carbureto de cálcio na roseta foliar em dias chuvosos, ou aplicar produtos na forma líquida com auxílio de pulverizadores sobre as plantas. Essas aplicações devem ser feitas em períodos mais frescos do dia, logo pela amanhã ou no início da noite.
Das pragas que afetam a cultura, a cochonilha é a que causa mais prejuízos e, ao sugar partes da planta transmite o agente causal da murcha do abacaxi. Seu controle pode ser feito através da utilização de mudas saudáveis, eliminação de restos culturais e aplicação de inseticidas de forma preventiva aos 60, 150 e 240 dias após o plantio.
Em relação às doenças, a principal é a fusariose, causada pelo Fusarium subglutinans, sendo a principal causa de danos e perdas na cultura. O sintoma é visível a partir da exsudação de goma. Para o controle, da mesma forma que para se evitar cochonilhas, deve-se adquirir mudas sadias e eliminar restos culturais e plantas doentes. As pulverizações de fungicida devem ser feitas desde o aparecimento das inflorescências, sendo essas aplicações realizadas em intervalos de dez dias.
Uma antiga técnica, mas que não deve deixar de ser realizada é a proteção dos frutos contra a radiação solar. Essa proteção deve ser feita quando o fruto esta perto do amadurecimento em locais com temperaturas muito elevadas, e principalmente quando o fruto não esta protegido por filhotes e quando em posição mais inclinada.
Quando o fruto fica desprotegido, a epiderme pode escurecer e a casca pode desenvolver manchas vermelhas, amarelas e brancas, a polpa também pode escurecer. Em frutos pequenos pode causar rachaduras e deformações. Todos esses fatores acabam depreciando o valor do produto no mercado ou ainda não ser aceito pelos consumidores.
Essa proteção deve ser feita, geralmente, dois meses antes da colheita com o auxílio de papéis que são amarrados na coroa, visando proteger de forma mais eficiente o lado do fruto voltado para sol poente.
Em plantios bem conduzidos, sem grandes problemas com pragas e doenças, pode-se deixar a planta-mãe no campo após a colheita para se obter a segunda safra através de brotos como os rebentos ou filhotes. Deve-se observar, porém, que os rebentos por serem brotos próximos ao solo têm maior probabilidade de desenvolver doenças e o broto filhote tem menor reserva quando comparado aos rebentos.
Da mesma forma que na implantação da cultura deve ser feito o controle de plantas daninhas, pragas e doenças, a recomendação de adubação neste caso, deve ser a metade daquela recomendada inicialmente e a indução floral cerca de sete meses após a primeira colheita.
A segunda safra, quando bem conduzida, produz ótimos frutos, porém de tamanho bem menor do que aqueles da primeira colheita.
Outras opções para aumentar o lucro do produtor são: plantar talhões em anos diferentes, para obter produção todo ano, e utilizar culturas anuais intercalares para que se obtenha renda extra em cada área quando o abacaxizeiro não está produzindo. Neste caso, deve-se atentar para que o manejo dessa cultura alternativa seja conduzido corretamente para não ser hospedeira de pragas e doenças para o abacaxi e também para que não concorra por nutrientes, água e luz com a sua cultura principal. Alguns exemplos de culturas de ciclo curto que podem ser usadas em consórcio são: feijão, amendoim, melancia, repolho e tomate.

Os principais tratos culturais no abacaxi envolvem o 

controle rigoroso de plantas daninhas (15 limpas em média), irrigação adequada para manter o solo úmido, mas não encharcado, e adubação de cobertura. Indução floral (hormônios), proteção do fruto com jornal contra queimaduras solares e monitoramento de pragas, como a cochonilha, são essenciais para qualidade.

Principais Tratos Culturais:

  • Manejo do Solo e Limpeza: Manter a área livre de ervas daninhas, especialmente nos primeiros 6 a 8 meses, realizando capinas manuais ou uso de herbicidas registrados.

  • Irrigação: Fundamental para o desenvolvimento, com frequências maiores em climas quentes, mas evitando encharcamento para prevenir fungos e doenças.

  • Adubação: Realizar adubações de cobertura, geralmente quatro vezes no primeiro ano, para garantir o porte ideal da planta.

  • Indução Floral: Aplicação de produtos químicos (etefon) no momento certo para estimular a floração, geralmente quando a planta tem cerca de 10 a 13 meses.

  • Proteção do Fruto: Cobrir o fruto com jornal para evitar queimaduras causadas pelo sol, fixando com grampos.

    • Controle de Pragas e Doenças: Monitorar e controlar pragas como a cochonilha e doenças com defensivos adequados.

    • Manejo da Soca: Após a colheita, a planta pode ser preparada para uma segunda produção, manejando os "rebentões" que nascem na base.


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Adubação do Abacaxi



Adubação

A adubação deve ser realizada de acordo com a análise do solo (Tabela 2). Entretanto, para solos com baixa fertilidade, recomenda-se ainda a aplicação de 10 t/ha de esterco de gado curtido no sulco de plantio. Os adubos devem ser aplicados no solo (junto às plantas) ou nas axilas das folhas basais. Evitar que o adubo caia no olho da planta. Em solos pobres recomenda-se ainda aplicar na 1ª adubação 3 kg de sulfato de cobre, 3 kg de sulfato de zinco, e 5 kg de sulfato de ferro, repetir a mesma quantidade na 2ª adubação, aplicar na 3ª adubação 4 kg de bórax.

Tabela 3. Recomendação de adubação de cobertura do abacaxizeiro, com base no resultado da análise do solo


Nutriente

Tempo após o plantio

1º ao 2º mês

5º ao 6º mês

8º ao 9º mês

N (kg/ha)

Nitrogênio

80

110

130

P2O5 (kg/ha)

Fósforo no solo (mehlich) mg P/dm³




Até 5

80



6 a 10

60



11 a 15

40



K2O (kg/ha)

Potássio no solo (Mehlich) mg K/dm³




Até 30

120

160

200

31-60

80

110

130

61-90

60

80

100

Deve ser efetuada sempre de acordo com a análise do solo da área. Para que haja melhor aproveitamento dos nutrientes, os adubos devem ser aplicados sob boas condições de umidade no solo. Portanto, é importante que o esquema de aplicação de adubos seja estabelecido em função da ocorrência de chuvas na região. Da Tabela 2 constam recomendações de adubação para o abacaxizeiro, no primeiro ciclo, considerando as alternativas de parcelamento das doses totais de nitrogênio e potássio em duas ou três vezes. Para adubações no segundo ciclo da cultura (soca) devem ser usadas doses de adubos que correspondam à metade daquelas recomendada para o primeiro ciclo.


Tabela 2.  Recomendações de adubação para a cultura do abacaxi em Itaberaba, BA
Nutrientes
Em cobertura – Após plantio

kg de N, P2O5 e K 2O / ha

Duas aplicações

Três aplicações
Nitrogênio
85
125
60
70
80
Fósforo no solo (mg P/dm³)
Até 5
50
50
6 - 10
40
40
11 - 15
30
30
Potássio no solo 
(mg K/dm³)
Até 30
105
155
75
85
100
31 - 60
85
125
60
70
80
61 - 90
60
95
45
50
60
90 - 120
40
65
30
35
40

Os adubos devem ser aplicados no solo, quando da primeira adubação, e/ou nas axilas das folhas basais, na segunda e terceira adubações. 

É recomendado, logo após as adubações, um "chegamento de terra" às plantas, de modo que os adubos fiquem cobertos, reduzindo-se assim as possíveis perdas de nutrientes. Não deixar cair terra ou adubo no olho da planta. 
As fontes de nutrientes devem ser escolhidas considerando-se, dentre outros aspectos, o custo por unidade de N, P2O5 e K2O. 
As alternativas mais freqüentes para a adubação nitrogenada são: a uréia e o sulfato de amônio. Como fonte de fósforo pode-se utilizar o superfosfato triplo, o fosfato monoamônico, o fosfato diamônico ou o superfosfato simples, sendo que este último é também boa fonte de enxofre. O potássio pode ser suprido mediante o cloreto de potássio, sulfato de potássio ou sulfato duplo de potássio e magnésio, sendo que as duas últimas fontes, além de mais caras, são menos freqüentes no comércio. 
A utilização de adubos orgânicos (estercos, tortas vegetais, compostos), quando possível, é particularmente importante nos solos de textura arenosa e pobres em matéria orgânica, muito freqüentes na Região. Estes adubos devem, em princípio, ser aplicados por ocasião do plantio ou na primeira adubação em cobertura. 
Quando necessário, as adubações sólidas podem ser complementadas por adubações líquidas, via pulverizações foliares. Este recurso é mais utilizado para a aplicação de nitrogênio (uréia na concentração de 3% a 5%), potássio (cloreto de potássio na concentração de 1% a 3%), magnésio (sulfato de magnésio na concentração de 0,5% a 2,5%) e micronutrientes. De modo a evitar "queima" nas plantas, a concentração total dos adubos na solução não deve passar de 8% e as pulverizações devem ser feitas nas horas mais frescas do dia (início da manhã ou final da tarde/início da noite). 
A urina de vaca pode ser utilizada, de forma isolada ou na mistura com adubos foliares, em quantidades que variam de10 a 25mL litro-1 (1,0 a 2,5%), usando-se as concentrações mais baixas em plantas mais novas (até quatro meses de idade).



Havendo necessidade de correção da acidez, indicada pelas análises de solo, dar preferência ao calcário dolomítico, que deverá ser aplicado antes da implantação da cultura, fazendo-se, em seguida a incorporação do corretivo ao solo, pelos meios disponíveis na propriedade (equipamentos de tração mecanizada ou tração animal ou, então, manualmente).

A planta de abacaxi vive bem em solos ácidos, mas, quando a acidez é muito alta, é necessário aplicar calcário para corrigir o solo. Esta prática, denominada de calagem, depende dos resultados da análise do solo para ser feita de modo certo. O pH do solo deve ficar em torno de 4,5 a 5,5 e a sua saturação por bases deve atingir 50%.
Se for preciso fazer a calagem, deve-se usar, de preferência, um calcário dolomítico (que contém magnésio, nutriente muito importante para o abacaxizeiro). O calcário deve ser aplicado e incorporado ao solo entre 60 e 90 dias antes do plantio do abacaxi, para que o seu resultado seja mais satisfatório. Dai a importância de se tirar a amostra de solo e enviar para o laboratório dois a três meses antes da época prevista para o plantio. 

Adubação

O abacaxizeiro é exigente em nutrientes e muitos solos não os têm nas quantidades que a planta precisa. Assim, é importante fazer a adubação para fornecer os nutrientes que estão ausentes no solo, que, desta forma, irá aumentar a produção e melhorar a qualidade do fruto de abacaxi produzido.
Para o Extremo Sul da Bahia, as recomendações de adubo para a cultura do abacaxi podem ser feitas com base nas Tabelas 1 a 3.

Tabela 1.  Recomendação de adubação fosfatada para o abacaxizeiro no Extremo Sul da Bahia, com base em resultados analíticos de solo (densidade em torno de 38.461 plantas/ha).
Fósforo no solo (Mehlich) mg de P dm-3
P2O5(Kg/ha)
P2O5(g/planta)
Superfosfato simples (g/planta)
Superfosfato triplo (g/planta)
Até 5
90
2,34
13,0
5,5
6 a 10
60
1,56
8,7
3,8
11 a 15
40
1,04
5,7
2,5
Fonte: Adaptado de Oliveira et al. (2006).

Tabela 2.  Recomendação de adubação nitrogenada para o abacaxizeiro no Extremo Sul da Bahia (densidade em torno de 38.461 plantas/ha).
Em cobertura - Após o plantio
10 ao 20 mês
40 ao 50 mês
60 ao 70 mês
80 ao 90 mês
Nitrogênio (Kg/ha)
60
80
80
90
Nitrogênio (g/planta)
1,56
2,08
2,34
2,34
Uréia (g/planta)
3,5
4,6
5,2
5,2
Sulfato de amônio (g/planta)
7,8
10,4
11,7
11,7
Fonte: Adaptado de Oliveira et al. (2006).
Tabela 3.  Recomendação de adubação potássica para o abacaxizeiro no Extremo Sul da Bahia, com base em resultados analíticos de solo (densidade em torno de 38.461 plantas/ha).
Em cobertura - Após o plantio
10 ao 20 mês
40 ao 50 mês
60 ao 70 mês
80 ao 90 mês
Potássio no solo
Até 30 mg de K dm-3
K2(Kg/ha)
90
120
135
135
K2(g/planta)
2,34
3,12
3,51
3,51
Cloreto de potássio (g/planta)
4,1
5,3
6,0
6,0
Sulfato de potássio (g/planta)
4,6
6,2
7,0
7,1
Potássio no solo
De 31 a 60 mg de K dm-3
K2(Kg/ha)
60
80
90
90
K2(g/planta)
1,56
2,08
2,34
2,34
Cloreto de potássio (g/planta)
2,7
3,6
4,1
4,1
Sulfato de potássio (g/planta)
3,2
4,1
4,6
4,6
Potássio no solo
De 61 a 90 mg de K dm-3
K2(Kg/ha)
45
60
70
70
K2(g/planta)
1,17
1,56
1,82
1,82
Cloreto de potássio (g/planta)
2,0
2,7
3,2
3,2
Sulfato de potássio (g/planta)
2,4
3,2
3,7
3,7
Potássio no solo
De 91 a 120 mg de K dm-3
K2(Kg/ha)
30
40
50
50
K2(g/planta)
0,78
1,04
1,30
1,30
Cloreto de potássio (g/planta)
1,4
1,8
2,3
2,3
Sulfato de potássio (g/planta)
1,6
2,1
2,6
2,6
Fonte: Adaptado de Oliveira et al. (2006).



Na cova ou sulco de plantio deve-se aplicar os adubos fosfatados (ver Tabela 1) e também os adubos orgânicos. Recomenda-se que para cada muda seja utilizado 0,5 L de esterco de gado ou de outra fonte de adubo orgânico, como um composto produzido pelo próprio produtor.
Os adubos nitrogenados e potássicos podem ser misturados e aplicados juntos, visto que as épocas de aplicação dos dois são as mesmas. Quando se fizer tais misturas na propriedade deve-se dar preferência aos adubos que tenham a mesma granulação (misturar granulado com granulado ou adubo em pó com adubo em pó). Não é recomendável misturar adubo em pó com adubo granulado.
Se não forem adicionados antes do plantio, os adubos orgânicos e fosfatados podem ser aplicados com os adubos nitrogenados (uréia ou sulfato de amônio) e potássicos (cloreto de potássio), após o plantio, no solo, junto às plantas (1ª adubação) ou nas bases das folhas mais velhas (2ª e 3ª adubação) (Figura 1). As adubações devem ser feitas em períodos de boa umidade no solo, pois com o solo seco, a planta não pode aproveitá-las.

As adubações foliares devem ser feitas nas horas menos quentes do dia (no início da manhã ou no final da tarde), para que não ocorram queimaduras nas folhas. Deve-se, também, ter o cuidado de usar, em cada pulverizador, as quantidades de adubos e de água recomendadas pelos técnicos. Se a calda ficar muito "forte" ou escorrer muito e acumular na base das folhas pode também causar queimaduras. Uma das vantagens da aplicação dos adubos dissolvidos na água é que, mesmo com o solo seco, fica mais fácil o aproveitamento do adubo pela planta.
Os adubos podem ser também aplicados na forma líquida (dissolvidos em água), sobretudo nos períodos secos. Para este tipo de aplicação os pequenos e médios produtores utilizam, em geral, os pulverizadores costais, com pulverizações sobre as folhas do abacaxizeiro. Esta alternativa é mais utilizada para a aplicação de nitrogênio (uréia na concentração de 2% a 5%) e potássio (cloreto de potássio na concentração de 1% a 3%). Mas, pode também ser uma alternativa para a aplicação de magnésio (sulfato de magnésio na concentração de 0,5% a 2,5%).Deve-se evitar que os adubos caiam nas folhas mais novas (superiores) ou no centro da roseta foliar, pois podem causar prejuízos e até a morte da planta. Alguns agricultores adotam o uso de um funil acoplado à um cano de PVC, para facilitar a aplicação do adubo de forma localizada (Figura 2). É recomendado, após as adubações, que se faça uma amontoa (chegar terra para a base da planta), para cobrir os adubos que foram aplicados.







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Variedades de Abacaxi


Cultivares (variedades)

Na escolha da variedade deve-se levar em conta o destino da produção (consumo "in natura" ou indústria). As cultivares mais conhecidas no Brasil são: Pérola ou Branco de Pernambuco, Smooth Cayenne, Perolera e Primavera. Entretanto, a cultivar mais plantada em Rondônia é a Quinari.

1 - Smooth Cayenne: É a cultivar mais plantada no mundo, correspondendo a 70% da produção mundial, conhecida também por abacaxi havaiano. É uma planta robusta, de porte semi-ereto e folhas praticamente sem espinhos. O fruto tem formato cilíndrico, com peso entre 1,5 e 2 quilos, apresenta coroa relativamente, pequena, casca de cor amarelo-alaranjada e polpa amarela, firme, rica em açucares, e de acidez elevada. É adequada para industrialização e consumo in natura. Mostra-se susceptível à murcha, associada à cochonilha e à fusariose. Produz pequena quantidade de mudas do tipo filhote e rebentões freqüentes.

2 - Pérola: Também conhecida, como Pernambuco ou Branca de Pernambuco. Caracteriza-se por apresentar plantas eretas, folhas longas providas de espinhos, pedúnculos longos, numerosos filhotes e poucos rebentões. O fruto é cônico com casca amarelada, polpa branca, pouco ácida, suculenta, saborosa, peso médio entre 1 e 1,5 kg e apresenta coroa grande. Suscetível à fusariose e à cochonilha, porem menos que a Smooth Cayenne.

3 - Perolera: A planta caracteriza-se por apresentar altura em torno de 51 cm, folhas verdes claras, sem espinhos, com uma faixa prateada bem visível pedúnculo longo, grande produção de filhotes e pouca produção de rebentões. O fruto é cilíndrico com peso médio de 1,8 kg, casca e polpa amarela. É resistente à fusariose.

4 – Primavera: A planta apresenta porte semi-ereto, folhas de cor verde-clara, sem espinhos nos bordos, produz em média oito filhotes e um rebentão. O fruto apresenta tamanho médio, forma cilíndrica, casca amarela quando maduro, polpa branca e peso em torno de 1,5 kg, com sabor agradável. É resistente a fusariose.

5 – Quinari: Cultivar muito parecida com a variedade "Pérola", apresenta porte ereto, altura da planta (solo até a base do fruto) de 50,6 cm, comprimento do pedúnculo de 35,0 cm, folhas de cor verde, com espinhos nos bordos, curtas ( comprimento de 83,4 cm), produz em média 12 filhotes e nenhum rebentão precoce. Apresenta fruto cilíndrico, com frutilhos pequenos, peso médio sem coroa de 1,7 kg, casca e polpa amarelas quando maduro, apresenta sabor agradável para consumo "in natura", com alto teor de sólidos solúveis totais (13,4°Brix) e média acidez total titulável (10,1 ml NaOH 0,1 N/10 ml suco). Possui coroa pequena (17,7 cm de comprimento). Apresenta tolerância à cochonilha do abacaxi (Dysmicoccus brevipes) e suscetibilidade a fungos causadores de podridões no fruto e ao ataque do percevejo do abacaxi (Thiastocotis laetus).

Embora a ‘Pérola’ seja a cultivar mais plantada no Brasil, e, em especial, no Tocantins, juntamente com a Jupi, existem outras que podem ser plantadas para exploração comercial. Algumas cultivares com suas principais características são apresentadas a seguir.

‘Pérola’

Planta de tamanho médio e crescimento ereto, folhas de coloração verde escura, armadas de espinhos, pedúnculo longo, e muitas mudas do tipo filhote. O fruto é cônico, de casca verdosa na maturação aparente, com polpa branca, sucosa, alto teor de sólidos solúveis totais e acidez titulável moderada. Apresenta tolerância à murcha associada à cochonilha e suscetibilidade à fusariose.

‘Jupi’

Semelhante à ‘Pérola’, diferindo desta por apresentar folhas mais longas e fruto cilíndrico. A ‘Jupi’ é mais conhecida nos estados da Paraíba, Pernambuco e Tocantins.

‘Smooth Cayenne’

Planta de porte ereto, folhas de coloração verde escura, com espinhos curtos apenas na base e no ápice, pedúnculo curto e poucas mudas do tipo filhote. O fruto é cilíndrico, de casca alaranjada na maturação aparente, polpa amarela, firme, rica em açúcares e acidez titulável elevada. Essa cultivar é susceptível à murcha e à fusariose.

‘Gold’

Semelhante a ‘Smooth Cayenne’, diferindo desta por apresentar fruto de casca dourada na maturação aparente, acidez titulável mais baixa e maior vida de prateleira. A ‘Gold’ é susceptível à murcha e à fusariose.

‘BRS Imperial’

Planta de folhas lisas, pedúnculo curto e muitas mudas do tipo filhote. O fruto é cilíndrico, de casca amarela na maturação aparente, polpa amarela com alto teor de sólidos solúveis totais e acidez titulável moderada. A cultivar BRS Imperial é resistente à fusariose e ao distúrbio fisiológico pós-colheita, conhecido como escurecimento interno.

‘BRS Vitória’

Planta de folhas lisas, pedúnculo curto e produção de muitos filhotes. Fruto cilíndrico, de casca amarela na maturação aparente, polpa branca com alto teor de sólidos solúveis totais e acidez titulável moderada. Apresenta resistência à fusariose.

‘BRS Ajubá’

Planta com folhas lisas, pedúnculo curto e boa produção de mudas do tipo filhote. O fruto é cilíndrico, de casca amarela na maturação aparente, polpa amarela, alto teor de sólidos solúveis totais e acidez titulável moderada. ‘BRS Ajubá’ é resistente à fusariose e apresenta maior tolerância ao frio do que as cultivares tradicionais como a ‘Pérola’.

‘Fantástico’

Planta com folhas com espinhos curtos apenas na base e no ápice, pedúnculo curto e grosso e fruto de formato intermediário entre ‘Pérola’ e ‘Smooth Cayenne’. Na maturação aparente, o fruto apresenta casca de amarela a alaranjada, polpa amarela, com alto teor de sólidos solúveis totais e acidez titulável baixa. Apresenta resistência à fusariose.





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