segunda-feira, 15 de maio de 2017

Adubação do Coqueiro

Adubação do coqueiro

A nutrição equilibrada do coqueiro constitui-se em pré-requisito de fundamental importância para que se obtenha uma produção adequada. A determinação da necessidade de adubação e/ou de calagem do coqueiral deverá ser realizada tomando-se como base os resultados das análises do solo e foliar.

Análise de solo

Em áreas já implantadas, recomenda-se a coleta de amostras na projeção da copa das plantas, que corresponde a um raio de 2 m a partir do caule. Deve-se coletar 20 subamostras, tomadas a uma profundidade de 0 a 20 cm, para uma área homogênea de aproximadamente 10 ha. As amostras coletadas nas entrelinhas devem ser tomadas também a uma profundidade de 0 a 20 cm, e tem como objetivo avaliar a acidez do solo, para possível correção por meio da calagem. Somente em casos em que haja suspeita de acidez subsuperficial, a amostragem deverá ir até os 40 cm de profundidade.

Análise foliar

De acordo com a idade e o desenvolvimento das plantas, são coletadas as folhas nas posições 9, em plantas jovens, e 14 nas plantas adultas, visto que os padrões de comparação, chamados níveis críticos, foram desenvolvidos para estas duas posições. Deve-se sempre levar em consideração que as folhas a serem amostradas devem estar localizadas no meio da copa da planta. Em uma planta jovem com 20 folhas, a folha a ser amostrada é a 9. Pois, dividindo-se 20 por 2, encontra-se 10. E a folha 9 é a mais próxima do meio da copa (posição 10). Para encontrar a folha 9, conta-se a partir da primeira folha completamente aberta. Em plantas adultas, a identificação da folha 14 é feita caminhando-se em torno da planta visando à localização da inflorescência mais recentemente aberta, a qual está na base da folha 10, ou seja na parte da folha que se prende ao caule. A folha 9 está numa posição quase que oposta à folha 10 (formando um ângulo de 160º com esta) e é aquela que tem, em sua axila, a próxima inflorescência a abrir. A folha 14 localiza-se abaixo da folha 9 e, no cacho que está sobre ela, os frutos são do tamanho de um punho. Entretanto, o tamanho dos frutos é uma forma auxiliar de identificação, já que pode variar com a velocidade de emissão das folhas. Note-se que as inflorescências e os cachos sempre se desenvolvem de um mesmo lado da folha. Identificada a folha a ser amostrada, devem ser coletados três folíolos de cada lado da sua parte central. Somente os 10 cm centrais do folíolo serão acondicionados em sacos de papel.
As amostras devem ser coletadas em áreas homogêneas com aproximadamente 10 ha, tomando-se 25 plantas para compor uma amostra de coqueiros de origem genética desconhecida, 20 plantas para coqueiros híbridos e 15 plantas para coqueiros anões. As amostras devem ser coletadas no início do período seco, ente 7 e 11 h da manhã. Quando há ocorrência de precipitação superior a 20 mm, torna-se necessário aguardar 36 h para nova coleta de folhas.
Quando não for possível o envio das amostras no mesmo dia, elas devem ser mantidas em refrigerador com prazo máximo de 3 dias após a coleta. A identificação da amostra deverá conter nome do proprietário e da propriedade, posição da folha amostrada, idade da planta, data de coleta e localização da amostra no plantio.
A interpretação dos resultados de análise para fins de verificação do estado nutricional da planta é feita utilizando-se os níveis críticos contidos nas Tabelas 1 e 2. Valores acima dos níveis críticos indicam que a planta está suficientemente nutrida em relação ao nutriente, e que valores abaixo do nível crítico indicam deficiência.
Tabela 1. Níveis críticos de N, P, K, Mg e S na folha 9 e de N, P, K, Ca, Mg, S, Cl e Na Mn, Zn, Cu, B, e Fe na folha 14 do coqueiro-gigante e coqueiro-híbrido.

Folha 9 (planta jovem)

Folha 14 (planta adulta)

Gigante
Híbrido
Gigante
Híbrido
-----------------------------g kg-1--------------------------
N

22,0

22,0
N

22,0
P
1,3
1,3
P
1,3
K
11,5
17,0
K
11,5
Ca
3,0
3,0
Ca
3,0
Mg
2,4
2,6
Mg
2,4
S
1,3
1,3
S
1,3
Cl


Cl


-----------------------------mg kg-1--------------------------
B


B

Cu


Cu

Mn


Mn

Zn


Zn

Nota: N (Nitrogênio); P (fósforo); K (potássio); Mg (magnésio); S (enxofre); Ca (cálcio), Cl (cloro) Na(sódio); Mn (manganês), Zn (zinco), Cu (cobre), B (boro) e Fe (ferro).
Tabela 2. Níveis críticos de N, P, K, Ca, Mg, S, Cl e Na  Mn, Zn, Cu, B, e Fe  nas folhas 9 e 14 do anão verde.
Nutriente
Folha 9 (planta jovem)
Folha 14 (planta adulta)

              -----------------------------g kg-1---------------------
N
21,0
22,0
P
1,50
1,40
K
16,0
15,0
Ca
3,0
3,5
Mg
3,0
3,30
S
1,3
1,5
Cl
8,0
7,5
Na
1,5
1,3

                   ----------------------mg kg-1----------------------
B
17
20
Cu
5,0
5,0
Mn
60
65
Zn
14
15
Fe
35
40
O coqueiro, quando está sob estresse nutricional, mostra sintomas que são específicos para cada nutriente, os quais são apresentados na Tabela 3. Sempre é aconselhável a confirmação do sintoma através da analise foliar. Caso o teor na folha esteja menor que o nível crítico, é muito provável que o sintoma identificado corresponda ao nutriente.
Tabela 3. Principais sintomas de deficiência mineral, processo de aparecimento dos sintomas e forma de correção do estado nutricional em coqueiros.
Nutrientes
Sintomas
Aparecimento dos sintomas
Correção
Nitrogênio
  • amarelecimento gradual nas folhas do coqueiro.
  • diminuição do número de flores femininas.
  • em estágio avançado, há um decréscimo do número e tamanho das folhas e estreitamento do estipe, causando o que se chama “ponta-de-lápis”.
* estes sintomas têm como causas baixa pluviosidade, condições de solo desfavoráveis à mineralização do N e presença de ervas daninhas na área do plantio.
* das folhas mais velhas para as mais novas.
* adubação nitrogenada à base de ureia, sulfato de amônio e/ou adubação orgânica, ou quando for o caso, drenagem do solo e eliminação de gramíneas.
Fósforo
  • diminuição do crescimento da planta.
* folhas com coloração verde mais escura.

* adubação com superfosfato simples, em solos com teor baixo de enxofre, e com superfosfato triplo e rochas fosfatadas.
Potássio
Na folha:
  • aparecimento de manchas cor de ferrugem nos dois lados do folíolo.
  • pequeno amarelecimento dos folíolos, sendo mais intenso na extremidade, dos mesmos a qual pode tornar-se escurecida.
Na planta:
  • amarelecimento das folhas no meio da copa e posterior secagem das folhas mais velhas.
* as folhas mais novas permanecem verdes.
* das folhas mais velhas para as mais novas.
* adubação com cloreto de potássio ou outra fonte deste elemento.
Cloro
  • inicialmente os folíolos ficam amarelados e com manchas alaranjadas e, a seguir, secam nas margens e nas extremidades.
* diminuição do tamanho dos frutos.
* nas folhas mais velhas.
* adubação com cloreto de sódio, caso não se esteja adubando com cloreto de potássio.
Cálcio
  • folíolos com manchas amarelas arredondadas, tornando-se marrons no centro.
* manchas uniformemente distribuídas nos folíolos.
  • a partir da folha n4, essas manchas concentram-se nos folíolos da base da folha.
* manchas marrons também podem aparecer na base da ráquis foliar.
* primeiro aparecem nas folhas n1, 2 e 3, progredindo para as folhas mais velhas.
* aplicação de calagem e/ou gessagem para suprir a deficiência.
Magnésio
  • nas partes extremas do folíolo e expostas ao sol, o amarelecimento é mais intenso, enquanto, próximo à ráquis da folha, os folíolos permanecem verdes.
* em caso de deficiência severa, ocorre a morte do tecido nas extremidades dos folíolos, que ficam amarelo-escuros. Neste estádio, observam-se manchas que deixam passar a luz.
* nas folhas mais velhas.
* aplicação de calagem ou adubos magnesianos.
Enxofre
No coqueiro jovem
  • folhas amarelas e alaranjadas, podendo tornar-se escuras nas extremidades dos folíolos, com o agravamento da deficiência.
No coqueiro adulto
  • redução no número de folhas vivas, que amarelecem.
* tombamento das folhas mais velhas devido ao enfraquecimento da ráquis.
* nas folhas mais novas.
* adubação com fertilizantes à base de enxofre.
Boro
* folíolos apresentam-se unidos pela extremidade.
* com a progressão da deficiência, os folíolos da base das ráquis diminuem de tamanho, podendo inclusive desaparecer.
* nos casos mais graves, o ponto de crescimento deforma-se completamente, e paralisa o desenvolvimento da planta, podendo causar sua morte.
* nas folhas mais novas.
* em coqueiro jovem – aplicação de 30 g de bórax na axila da folha no4 da planta com sintomas.
* em coqueiros adultos – aplicação no solo de 50 g de bórax por planta com sintomas.
Cobre
* a ráquis da folha torna-se flácida e em seguida enverga.
* quase simultaneamente, os folíolos começam a secar as extremidades, passando do verde ao amarelo e, por fim, ao marrom – aspecto queimado.
* quando a deficiência se agrava, a planta seca completamente e as novas folhas emitidas são pequenas e amarelas.
* a deficiência é mais comum em plantas com até dois anos de idade.
* nas folhas novas.
* em solos com baixo teor de cobre no solo, deve-se aplicar na cova de plantio 20 g de sulfato de cobre misturando-se bem à terra antes de preencher a cova.
* em plantas com idade entre um e dois anos aplicar 100 g de sulfato de cobre por planta com sintomas.

Calagem

Na cultura do coqueiro, a calagem pode ser efetuada na área como um todo, localizada na projeção da copa e na cova ou sulco de plantio. Caso o alumínio (Al3+) esteja acima de 5 mmolc dm-3 de solo, a calagem deve ser efetuada na área toda, no sentido de reduzir a toxidez. Na hipótese de alumínio, cálcio e magnésio baixos, a calagem deve ser efetuada na área do círculo, que tem como centro o caule e como limite a projeção da copa. Nos dois métodos, a incorporação é importante, pois favorece as reações de dissolução do calcário. O espaço de tempo entre a calagem e a adubação, deve ser de, no mínimo, 60 dias. A aplicação de calcário na cova de plantio é recomendada para evitar que a presença do Al3+ iniba o crescimento radicular. A quantidade de calcário a ser aplicada por cova é obtida com base na dose de calcário para 1 há com 0,2m de profundidade. Por exemplo: considerando uma dose de calcário de 2000 kg ha-1 a ser aplicada em 1 ha (100mx100mx0, 2m) 2000 m-3 tem-se 1 kg de calcário por m-3. Considerando uma cova medindo 0,8m nas três dimensões, tem-se 0, 512 m-3 por cova. A quantidade de calcário será 0,512 kg que deverá ser misturado à terra que vai preencher a cova de plantio.

Adubação

Em solos onde o teor de P no solo é menor que 10 mg dm-3, é recomendável misturar com o volume de solo a ser utilizado para encher a cova de plantio, 800 g de superfosfato simples. Quando o plantio for feito em sulco, a quantidade de superfosfato simples deverá ser ajustada ao volume a ser ocupado pela muda.
A Tabela 4 contém doses de N, P2O5 e K2O recomendadas para adubação do coqueiro- gigante, em condições de sequeiro, considerando-se da implantação ao sétimo ano, fase que antecede, em média, o período de produção, podendo ser usada em solos com baixos teores de P de K ou em casos onde não tenham sido feitas análise de solo e/ou de folha. Para recomendação de adubações mais precisas, torna-se necessária a realização dessas análises. 
Tabela 4. Doses anuais de N, P2O5 e de K2O recomendadas para o coqueiro-gigante cultivado em solos com baixos teores de P e de K.
Idade da
Planta
(anos)
N
P2O5
K2O

------------g planta-1 ano-1-------------------
1
1301
-2                
1301
2
150
50
150
3
180
60
180
4
225
75
225
5
300
100
300
6
450
150
450
7
900
300
900
Nota: A adubação com nitrogênio e potássio deverá ser iniciada 30 dias após o plantio; _2800 g de superfosfato simples deverá ser utilizado como fonte de fósforo, o qual deverá ser misturado ao volume de terra que preencherá a cova de plantio.
Para o coqueiro-gigante em produção, podem-se utilizar as sugestões de adubação contidas na Tabela 5. Não se dispõe de recomendações de adubação para o coqueiro híbrido em produção. As recomendações para o coqueiro-anão poderão ser utilizadas, desde que sejam feitos os devidos ajustes para a produtividade das plantas.
Tabela 5. Sugestões de adubação com N, P e K para o coqueiro-gigante em produção, com base em análises foliar e de solo.
   Níveis  de N, P e K na folha e no solo
Produtividade frutos planta-1 ano-1

-------------------N folha 14 (g kg-1)--------------------

< 16
16 – 17
> 17
--------------------N (g planta-1 ano-1)-------------------
20 – 40
700
500
350
40 – 60
900
700
500
> 60
1.050
900
700
--------------------P folha 14 (g kg-1)--------------------

< 1,0
1,0 – 1,2
> 1,2

P Mehlich-1 (mg dm-3)

Baixo
Médio
Alto 
-------------------P2O5 (g planta-1 ano-1)----------------
20 – 40
200
100
50
40 – 60
300
200
100
> 60
400
300
200

-------------------K folha 14 (g kg-1)--------------------
< 6,0
6,0 – 8,0
> 8,0

K Mehlich-1 (mg dm-3)

< 30
30 - 45
> 45
--------------------K2O (g planta-1 ano-1)----------------
20 – 40
600
900
300
40 – 60
900
600
600
> 60
1.200
1.500
1.200
Em plantios de sequeiro, os fertilizantes poderão ser aplicados em dose única no final do período chuvoso. Quando a fonte de N for a ureia o fertilizante deve ser incorporado para evitar perdas de nitrogênio por volatilização.
Na Tabela 6, estão as sugestões de adubação para o coqueiro-anão irrigado na fase de crescimento. Esta tabela somente deve ser utilizada em coqueiros com, no mínimo, 15 folhas o que corresponderia à Folha 9, próxima do meio de copa.
Tabela 6. Sugestões de adubação com N, P e K para o coqueiro-anão em formação com base em análises foliar e de solo.
Idade da planta (anos)
Níveis de N, P e K na folha e no solo

N na folha 9 (g kg-1)

< 16
16 – 21
> 21

------------ N (g planta-1)--------
1 – 2
600
450
300
2 – 3
900
750
600

P na folha 9 (g kg-1)

< 1,2
1,2 – 1,5
> 1,5

P solo Mehlich-1 (mg dm-3)

Baixo
Médio
Alto

------------P2O5( g planta-1)--------
1 – 2
200
150
100
2 – 3
300
200
100

K na folha 9 (g kg-1)

< 12
12 – 16
> 16

K solo Mehlich-1 (mg dm-3)

< 30
30 – 45
> 45

------------ K2O (g planta-1)--------
0 – 1
600
400
200
1 – 2
900
700
500
2 – 3
1.200
900
600

Em plantios irrigados e que disponham de injetor de fertilizantes, tanto o N quanto o K podem ser aplicados via fertirrigação. Na utilização desta técnica, é aconselhável verificar se as doses calculadas estão efetivamente chegando às plantas, pois diferenças de pressão e eventuais resíduos oriundos da incompleta dissolução dos fertilizantes podem influenciar na distribuição correta das quantidades. Isto pode ser feito através da coleta de amostras de solução nos emissores. As amostras deverão ser coletadas depois de estabilizada a quantidade de solução que chega aos microaspersores, em recipientes previamente lavados com água desmineralizada, e enviadas ao laboratório para análise. Na tabela 7, são apresentadas sugestões de adubação com N, P e K para o coqueiro-anão irrigado em produção.
Tabela 7. Sugestões de adubação com N, P e K para o coqueiro-anão irrigado em produção com base em análises foliar e de solo.
Produtividade (frutos planta-1 ano-1)

Níveis de N, P e K na folha e no solo

--------------------N folha 14 (g kg-1)---------------------

< 16
16 – 20
> 20

---------------------N (g planta-1 ano-1)--------------------
100 – 150
1.000
800
500
150 – 200
1.300
1.000
700
> 200
1.600
1.300
900

--------------------P folha 14 (g kg-1)---------------------

< 1,10
1,10 – 1,45
> 1,45

P Mehlich-1 (mg dm-3)

Baixo
Médio
Alto

---------------------P2O5 (g planta-1 ano-1)----------------
100 – 150
200
100
-
150 – 200
400
300
200
> 200
600
400
300

--------------------K folha 14 (g kg-1)---------------------

< 9,0
9,0 – 10,0
> 10,0

K Mehlich-1 (mg dm-3)

< 30
30 – 45
> 45

---------------------K2O (g planta-1 ano-1)----------------
100 – 150
1.200
900
600
150 – 200
1.500
1.200
900
> 200
1.800
1.500
1.200
O nível crítico e a interpretação do de P no solo nas Tabelas 5, 6 e 7 depende do teor de argila conforme é mostrado na Tabela 8, pois, o extrator Mehlich-1 é sensível ao teor de argila. Quanto maior o teor de argila,  menor é o nível crítico de P no solo.
Tabela 8. Faixas para interpretação do teor de P no solo pelo Mehlich-1 em função do teor de argila.
Argila g kg-1

Classe textural
Classes de teores de P no solo


Baixo
Médio
Adequado


------------------------mg dm-3--------------------------
<150 b="">
Arenosa
0- 10
10,1 – 20
>20
150- 350
Média
0 - 7
7,1 - 15
>15
>350 - <600 b="">
Argilosa
0 - 4
4,1 - 8
>8
Quando o nível de cálcio na folha 14 for menor que 3,0 g kg-1 e o de magnésio (Mg) menor que 2,0  g kg-1, recomenda-se checar os resultados da análise de solo para necessidade de calagem. Havendo necessidade, o cálcio e o magnésio poderão ser supridos através de calcário dolomítico, embora este seja de solubilização lenta. Não havendo necessidade de calagem, o cálcio pode ser fornecido via sulfato de cálcio (gesso) através de aplicação localizada em doses de até 5 kg planta-1 em solos com teor de argila menor que 20%. O Mg poderá ser fornecido via óxido de magnésio (MgO) ou sulfato de magnésio. Na tabela 9 estão sugestões de adubação com Mg com base na análise foliar.
Tabela 9. Sugestões de adubação com o Mg com base na análise da folha.
Quando o enxofre (S) na folha estiver abaixo de 1,5 g kg-1 e as fontes de N, P e K não contiverem S, aplicar 100 g de S elementar por planta.
Quanto aos micronutrientes boros (B), cobre (Cu), manganês (Mn) e zinco (Zn), sugestões de adubação com base em análises de solo e folha são apresentadas na Tabela 10.
Tabela 10. Sugestões de adubação com micronutrientes B, Cu, Mn e Zn com base nas análises foliar e de solo.
Nutriente/método de Análise
Teor no solo mg dm-3
 Teor na folha  mg kg-1
Fertilizante g planta-1
9
14
B (Água quente)


0 a 0,6
<17 b="">
<20 b="">
Bórax   50
>0,6
> ou =17
> ou =20
-
Cu (Mehlich-1)


0 a 0,9
<5 b="">
<5 b="">
Sulfato de cobre 100
>0,9
> ou =5
> ou =5
-
Mn (Mehlich-1)


0 a 9
<60 b="">
<65 b="">
Sulfato de Manganês 100
>9
> ou =60
> ou =65
-
Zn (Mehlich-1)


0 a 1,8
<14 b="">
<15 b="">
Sulfato de Zinco 120
>1,8
  > ou =14
> ou =15
-
A verificação da rentabilidade da adubação do coqueiro pode ser feita de maneira prática, considerando-se a quantidade de frutos necessários para cobrir os custos com os fertilizantes. A relação preço do coco/preço do fertilizante tem forte influência na rentabilidade da fertilização; pois, quando esta é favorável, um menor número de frutos é necessário para cobrir os custos do fertilizante. Entretanto, quando o preço do coco está baixo ou o preço dos fertilizantes está alto, a citada relação torna-se desfavorável ao produtor. Assim, é necessário um maior número de frutos, para cobrir os custos da adubação, diminuindo a rentabilidade. O produtor deve sempre lembrar que os efeitos diretos do fertilizante no aumento de produção do coqueiro somente ocorrem dois anos após a adubação. Como consequência deste fato, os financiamentos de custeio para a cultura do coqueiro deveriam ter prazo mínimo de dois anos.



terça-feira, 9 de maio de 2017

Solos para a Cultura do Coco

Em geral, o coqueiro apresenta melhores condições de adaptação a solos leves e bem drenados, mas que permitam bom suprimento de água para as plantas.
A adaptação do coqueiro aos Neossolos Quartzarênicos (Areias Quartzosas) do Litoral nordestino, seu habitat, está quase sempre associada à presença de lençol freático pouco profundo, compensando, assim, sua baixa capacidade de retenção de água, situação esta encontrada em solos da Baixada litorânea. Quando o lençol freático é profundo, caso dos solos dos Tabuleiros Costeiros do Nordeste, região em franca expansão da cocoicultura para água de coco, é necessário o suprimento de água para as plantas por meio da irrigação.
O deslocamento da cultura do coqueiro para regiões não convencionalmente cultivadas trouxe, como consequência, uma série de problemas tecnológicos, os quais, na sua grande maioria, ainda se encontram em fase de estudo. Nos Tabuleiros Costeiros, um dos problemas mais graves diz respeito à existência de camadas coesas subsuperficiais, comuns nos solos dessa unidade paisagem. Essas camadas interferem na forma com que a água é retida, na aeração e na resistência à penetração das raízes. Por apresentarem elevados níveis de adensamento, reduzem a profundidade efetiva do solo, dificultando a circulação normal de água e ar. Por outro lado, se estão muito superficiais, deixam as plantas vulneráveis ao tombamento. Em plantios de sequeiro, esse conjunto de características põe em risco a cocoicultura, promovendo danos ao crescimento e desenvolvimento das plantas, principalmente, quando se utiliza o coqueiro-anão-verde, mais exigente em água e nutrientes.
Os solos que predominam nos tabuleiros são, em geral, arenosos, favoráveis, portanto, ao coqueiro; porém apresentam baixos teores de matéria orgânica e de nutrientes, baixa capacidade de retenção de água e lençol freático muito profundo. Como agravante, as precipitações pluviais são concentradas em cinco a seis meses contínuos, gerando déficit hídrico para culturas de ciclo longo, perenes ou semiperenes, cultivadas em regime de sequeiro. A cultura do coqueiro se enquadra nessa categoria, necessitando, dessa forma, de cuidados especiais quanto ao fornecimento regular de água e nutrientes a fim de que seja possível sua exploração econômica nessa ecorregião.
Como os riscos para a exploração do coqueiro-anão nos Tabuleiros Costeiros estão relacionados quase sempre ao baixo suprimento de água para as plantas, o seu cultivo tem sido viável, predominantemente, em sistemas irrigados. Além de regular o suprimento de água, a irrigação reduz a expressão do adensamento da camada coesa, a qual, na presença de umidade, se torna friável, permitindo a penetração das raízes e o aprofundamento do sistema radicular. Essa condição permite a ampliação da área de solo a ser explorada pelas raízes, melhorando o suprimento de água e nutrientes, e reduzindo a vulnerabilidade das plantas a estresses hídricos.
Apesar dessas limitações, é possível o cultivo do coqueiro em outras regiões que não a Baixada Litorânea, devendo-se utilizar, no entanto, sistemas tecnificados, irrigados ou não, mas que garantam a manutenção de umidade e de nutrientes no solo por toda vida útil das plantas. É imprescindível a utilização de práticas culturais que impeçam a perda rápida de água após a estação chuvosa e o revolvimento excessivo do solo. Com esses cuidados, será possível a obtenção de produtividades compatíveis com os investimentos aplicados, boas relações custo/benefício e sustentabilidade da atividade agrícola.

Manejo do solo

O manejo do solo nas entrelinhas de culturas perenes é um pré-requisito importante para promover o arejamento da camada explorada pelas raízes e facilitar a absorção de água e nutrientes. Se feito de forma inadequada, no entanto, pode intensificar a erosão e promover compactação subsuperficial. Nos solos dos tabuleiros com camada coesa, esse efeito é muito grave, pois a combinação de horizonte coeso com camada compactada tende a acelerar o processo de degradação do solo podendo criar situações insustentáveis para exploração agrícola.
O produtor deverá ter sempre em mente que o melhor manejo é aquele em que se utiliza o mínimo possível de operações mecanizadas. O bom senso é que vai determinar quantas operações serão necessárias, devendo-se, sempre que possível, restringir a duas ou, no máximo, três operações ao ano. Deve-se optar pela manutenção da cobertura vegetal durante a época chuvosa, quando os teores de água no solo são elevados, e reduzi-la durante o período seco. Essa estratégia tem sido bastante utilizada em diversas fruteiras cultivadas no Nordeste.
No manejo do solo utilizando disco, o objetivo principal consiste em cortar o solo a determinada profundidade da superfície e fazer a inversão da área cortada, visando-se, com isso, proporcionar melhores condições físicas para o desenvolvimento da cultura. A vantagem desse preparo do solo é bastante discutível, principalmente para os Tabuleiros Costeiros. Em muitos solos dessa unidade de paisagem, a "camada arável" se reduz a poucos centímetros, fazendo com que essa prática acelere a degradação da matéria orgânica e deixe o solo mais vulnerável à erosão. Por esse motivo, acredita-se que a operação de preparo utilizando hastes (escarificador) seja mais recomendável, principalmente em pomares jovens, onde o sistema radicular ainda não ocupou toda a área das entrelinhas. Entre as vantagens desse sistema, pode-se citar o menor consumo de energia, a manutenção da cobertura vegetal sobre o solo e o rompimento de camadas adensadas e/ou compactadas superficiais, quando existentes.

Conservação do solo

Devido à preferência para o plantio do coqueiro em áreas com relevo plano a suavemente ondulado e em solos arenosos, bem drenados, as práticas conservacionistas devem ser direcionadas para melhorar a estrutura do solo por meio da adição de matéria orgânica e minimização de práticas mecanizadas. Entre as estratégias a serem adotadas, recomenda-se substituir, sempre que possível, a grade por escarificador, realizar alternância de capinas, reduzir a frequência de operações mecanizadas, utilizar coberturas vegetais (leguminosas) nas entrelinhas, cuidando-se para evitar competição por água e nutrientes, e promover a utilização dos resíduos da cultura como cobertura morta, entre outras práticas que propiciem a utilização dos recursos naturais disponíveis e que tenha o cunho de conservação ambiental


segunda-feira, 8 de maio de 2017

Clima para a Cultura do Coco


Exigências climáticas do coqueiro

Edson Eduardo Melo Passos
Como as demais palmáceas, o coqueiro (Cocos nucifera L.) é uma planta essencialmente tropical, encontrando condições climáticas favoráveis entre as latitudes 20° N e 20° S.

Temperatura

O coqueiro requer um clima quente, sem grandes variações de temperatura, com média anual em torno de 27 °C e oscilações diárias de 5 ºC a 7 °C, consideradas ótimas para o crescimento e produção. Mínimas diárias inferiores a 15 °C modificam a morfologia do coqueiro e, mesmo que de pequena duração, provocam desordens fisiológicas, tais como a parada do crescimento e o abortamento de flores.
Temperaturas mais elevadas que a ótima são toleradas, tornando-se prejudiciais apenas quando coincidem com baixa umidade atmosférica, agravada pelo ventos quentes e secos, provocando alta taxa de transpiração foliar, que não pode ser compensada pela absorção de água através das raízes. A temperatura determina também, a altitude em que o coqueiro pode ser cultivado. No Sri Lanka, situado a 8° N de latitude, são encontrados coqueiros a 750 m acima do nível do mar, enquanto na Jamaica, a 18° N, coqueiros acima de 150 m não são comercialmente cultivados. À medida que se distancia da linha do equador, o limite máximo de altitude torna-se mais baixo.

Umidade atmosférica

Pela distribuição geográfica da cultura do coqueiro, pode-se concluir que os climas quentes e úmidos são os mais favoráveis ao desenvolvimento dessa planta. Umidade relativa do ar inferior a 60% é prejudicial ao crescimento dessa espécie. Em regiões onde o lençol freático é pouco profundo (1 a 4 m), o aumento da transpiração foliar, provocado pela redução da umidade atmosférica, induz um aumento na absorção de água e, consequentemente, de nutrientes pelas raízes. Por outro lado, quando a umidade é muito elevada, verifica-se uma redução da absorção de nutrientes, devido à redução da transpiração, com queda prematura dos frutos, favorecendo a propagação de doenças fúngicas.

Pluviosidade

A distribuição das chuvas é o fator que mais influi no desenvolvimento do coqueiro. Tem-se observado que o crescimento e produção não dependem apenas da pluviosidade total, mas também da distribuição anual das chuvas. O regime pluviométrico ideal é caracterizado por uma precipitação anual de 1.500 mm, com pluviosidades mensais nunca inferiores a 130 mm. Um período de três meses, com menos de 50 mm de precipitação por mês, é considerado prejudicial ao coqueiro. Essa situação é amenizada em ambiente onde o lençol freático é pouco profundo (1 m a 4 m), ou quando o fornecimento de água é possível através da irrigação.
Tem-se observado que o número de frutos por planta, o tamanho da noz e a quantidade de copra por noz são consideravelmente afetados 30 meses após um prolongado período de seca, sendo a produção recuperada somente dois anos após o fim desse período. Contudo, uma excessiva quantidade de chuva, por um longo período, pode ser prejudicial, causando as seguintes consequências: redução da insolação; possível falta de aeração do solo; lixiviação dos elementos minerais; e, ainda, dificuldade de ocorrer uma boa fecundação.

Intensidade luminosa – radiação solar

O coqueiro é uma planta altamente exigente em luz e não se desenvolve bem sob condições de baixa luminosidade. O aspecto estiolado de coqueiros que crescem sob o sombreamento de coqueiros adultos é bem conhecido. Uma insolação de 2.000 horas anuais, com no mínimo 120 horas por mês, é considerada ideal. No entanto, a insolação não é um bom método para avaliar a incidência de energia luminosa, devendo-se considerar principalmente a radiação solar.

Vento

Os ventos fracos e moderados favorecem o desenvolvimento do coqueiro por aumentarem sua transpiração e, consequentemente, a absorção de água e nutrientes pelas raízes. Todavia, sob condições de deficiência de água no solo, principalmente na zona de maior atuação das raízes, os ventos tornam-se prejudiciais por agravarem os efeitos da seca. Apesar do sistema radicular do coqueiro ser muito resistente, os ventos fortes podem derrubar coqueiros muito altos, principalmente quando seu estipe está danificado pela ação das coleobrocas, como acontece na região litorânea do Nordeste do Brasil. O vento tem papel importante na disseminação do pólen e na fecundação das flores femininas. Essa importância é maior na variedade Gigante por ser alógama, sendo menos importante nas variedades Anãs por serem predominantemente autógamas.