domingo, 26 de julho de 2015

Cultura da Bacaba



Caracteristica da Bacaba


BACABA
Família: Arecaceae 

  

Nome científico: Oenocarpus bacaba Mart. 

  

Nome comum: Bacaba, bacaba-açu, bacaba verdadeira (Brasil) A bacaba é uma palmeira nativa da Amazônia. Distribui-se por toda Bacia Amazônica, com maior freqüência no Amazonas e Pará. Possui como habitat a mata virgem alta de terra firme. É uma palmeira monocaule de porte alto, estirpe liso. Pode atingir até 20 metros de altura e 20 a 25 cm de diâmetro. O fruto é uma drupe subalongado quando jovem, subglobosa quando adulto podendo atingir até 3,0 gramas. A propagação é feita por sementes que germinam entre 60 e 120 dias, apresentando crescimento lento. A produção inicia após os seis anos de idade, quando a planta está com 3 m a 4 m de altura. Os cachos pesam normalmente 6 a 8 quilos, podendo ocorrer acima de 20 quilos. A polpa do fruto é utilizada no preparo do "vinho de bacaba". As amêndoas e os restos de macerado da polpa são utilizados na alimentação de suinos e aves. As folhas são usadas pela populaçao do interior como cobertura de moradias, enquanto o tronco serve como esteio,viga e cabo de ferramentas.

É provável ainda não haver registro dessa bebida, usada no médio Tocantins, municípios de Abaeté, Igarapé Miri, Cametá, em reuniões familiares e encontros amistosos.
A bacaba é uma palmeira nativa da Amazônia. Distribui-se por toda Bacia Amazônica, com maior freqüência no Amazonas e Pará. Possui como habitat a mata virgem alta de terra firme.É uma palmeira monocaule de porte alto, estirpe liso. Pode atingir até 20 metros de altura e 20 a 25 cm de diâmetro.

O fruto é uma drupe subalongado quando jovem, subglobosa quando adulto podendo atingir até 3,0 gramas. A propagação é feita por sementes que germinam entre 60 e 120 dias, apresentando crescimento lento.A produção inicia após os seis anos de idade, quando a planta está com 3 m a 4 m de altura. Os cachos pesam normalmente 6 a 8 quilos, podendo ocorrer acima de 20 quilos. 

No seu preparo, de origem não esclarecida, observa-se este processo: uma cuia pitinga (não pintada) é levada e secada no calor do fogo, e nela são batidas claras de ovos com açúcar, juntando-se as gemas, até ficar bem batidas; em seguida, aos poucos, vai-se derramando aguardente (cachaça especial), continuando a bater a gemada, agora com precisão, do contrário fica coalhada; verifica-se se a bacaba está em condições, tamborilando no fundo da cuia, que deve produzir um som oco, fofo, como dizem os abaeteuaras; para perder o cheiro de ovo, bota-se algumas cascas de limão e polvilho de canela.


O modo de bebê-la tem reminiscências indígenas, pois a cuia cheia corre de boca em boca entre os convivas. O seu poder alcoólico é evidente, porém fortificante, animador do sangue e do sistema nervoso, segundo declaram quantos apreciam a bacaba tocantina. 

Oenocarpus distichus 

Bacaba, bacaba-de-leque, bacaba-de-azeite, batiá 
Família das palmáceas 
Origem: América do Sul, Brasil. 
Porte: palmeira de até 10 metros. 
Flores: primavera. 
Frutos: verão 
Propagação: por sementes

A polpa do fruto é utilizada no preparo do “vinho de bacaba”. As amêndoas e os restos de macerado da polpa são utilizados na alimentação de suinos e aves,as folhas são usadas pela populaçao do interior como cobertura de moradias, enquanto o tronco serve como esteio,viga e cabo de ferramentas.
Nada melhor que um Vinho de Bacaba acompanhado Milho, Castanha, Pupunha, Macaxeira, Pé-de-Moleque e Tucumã são só alguns dos sabores que encantam todos que passam pela Amazônia. Conheça o Sabor da Amazônia! e o Norte do Brasil, você não vai se arrepender!




Cultura do Baru



Baru

Planta do cerrado, do barueiro aproveita-se o fruto, amêndoa (castanha), óleo e madeira de boa qualidade


Nome popular da fruta: Baru (cumbaru, barujo, coco-feijão e cumarurana) 
Nome científico: Dypterix alata Vog
Origem: Brasil (Cerrado) 
Fruto: O barueiro produz de 500 a 3.000 frutos por planta, com tamanho variando de 5 a 7 cm de comprimento por 3 a 5 cm de diâmetro. A cor da casca, quando maduro, é amarronzada, assim como a polpa. O peso varia de 26 a 40 g. 
Cada fruto possui uma semente (amêndoa) de cor marrom-claro ou marrom-escuro. O peso de 100 amêndoas atinge cerca de 150 g. A amêndoa é rica em calorias e proteínas. A polpa é rica em proteína, aromática, muito consumida pelo gado e animais silvestres. 
Planta: O baru tem porte arbóreo, atingindo de 6 a 8 metros de altura por 6 a 8 metros de diâmetro de copa. A planta frutifica em um período muito curto do ano, nos meses de setembro e outubro. Ocorre nas formações de mata seca, cerradão ou cerrado. É exigente em fertilidade, ocorrendo em áreas de solos mais férteis. 
Cultivo: O plantio de fruteiras do cerrado reduz a pressão da coleta extrativa e predatória dos frutos. O barueiro pode ser utilizado na recomposição ambiental (recuperação de áreas desmatadas), em reflorestamento, para proteção de nascentes, margens de rios e lagos, no sombreamento de pastagens, etc. 
Como não há disponibilidade de sementes selecionadas comerciais, o produtor deverá iniciar o plantio a partir da coleta de frutos no campo. As plantas fornecedoras (matrizes) deverão ser selecionadas criteriosamente, observando seu vigor, produtividade, qualidade dos frutos e ausência de pragas. Essas plantas devem ser identificadas e preservadas, para futuras coletas. 
Extraída a polpa, as sementes são lavadas e postas para secar em local ventilado e seco. As sementes devem ser selecionadas, procurando-se uniformizar os lotes por tamanho, cor e forma, eliminando-se sementes deformadas, sem amêndoa ou com sintomas de ataque de pragas. 
O viveiro de mudas deverá ser preparado para semeadura o mais breve possível após a coleta das sementes. Essa área deve ser isolada e protegida da entrada de animais e pessoas que possam comprometer as mudas. Antes do plantio, as sementes do baru devem ser escarificadas (passadas em superfície áspera para promover sulcos em sua pele) e imersas em água por 24 horas. As mudas de baru devem ser produzidas em sacos de polietileno colocando-se 1 ou 2 sementes por saco, enterradas a profundidade de 1 cm. A percentagem de germinação alcança 95% e o período de germinação é de 15 a 25 dias. O plantio das mudas no campo pode ser feito com espaçamento de 8 x 8 metros. 
Para exploração comercial das plantas do cerrado, o produtor deve realizar previamente uma pesquisa de demanda no mercado, identificando potenciais compradores e sua real necessidade de produto. Pode realizar algum beneficiamento ou a industrialização, desde que identifique claramente canais de distribuição para seus produtos. 
Usos: A polpa do baru é consumida fresca ou em forma de doces, geléias e licores, podendo ser utilizada para sorvetes. A amêndoa é consumida torrada ou em forma de doces e paçoca. O óleo, obtido por meio do processamento das amêndoas, é utilizado na alimentação humana de maneira variada. Sua madeira apresenta alta durabilidade e pode ser utilizada para confecção de mourões. 
A castanha do baru possui grande riqueza energética, além de vitaminas, sais minerais e gordura vegetal. São ricas em fibras, potássio, proteína, lipídio, fósforo, magnésio, vitamina C e cálcio.


Nome Popular: cumbaru; cumaru; coco-feijão 
Nome Científico: Dipteryx alata Vog.
Família Botânica: Leguminosae – Papilionoideae 
Origem: Matas e Cerrados do Brasil Central. 
Características da Planta: Árvore de até 25 m de altura com tronco podendo atingir 70 cm de diâmetro. Copa densa e arredondada. Folhas compostas por 6 a 12 folíolos de coloração verde-intensa. Flores pequenas, de coloração esverdeada que surgem de outubro a janeiro. 
Fruto: Fruto castanho com amêndoa e polpa comestíveis que amadurecem de setembro a outubro. 
Cultivo: Planta característica de cerrados e matas em terrenos secos. De crescimento rápido, cultiva-se por sementes. Um quilograma de frutos contém cerca de 30 sementes. 
O baru, cumbaru ou cumaru, árvore fruteira nativa do planalto central do Brasil, na região dos cerrados do centro-oeste, está ameaçada de extinção.


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CARACTERÍSTICAS QUÍMICAS DE AMÊNDOAS DE BARUEIROS (DIPTERYX ALATA VOG.) DE OCORRÊNCIA NATURAL NO CERRADO DO ESTADO DE GOIÁS, BRASIL



Visando a ampliar os conhecimentos sobre os teores nutricionais de frutos de barueiro, planta nativa do Cerrado, com a finalidade de subsidiar o manejo econômico da cultura, determinaram-se as características químicas de amêndoas de barueiros provenientes de diferentes regiões geográficas do Cerrado goiano. Onze regiões do Estado de Goiás com elevada ocorrência natural de barueiro foram selecionadas e em cada região foram escolhidas, aleatoriamente, doze plantas em plena produção. Coletaram-se aproximadamente 60 frutos e, após seleção, amostraram-se 20 frutos por árvore. As amêndoas foram retiradas dos frutos e, trituradas, constituindo uma amostra composta. Determinaram-se: umidade, proteína, extrato etéreo, minerais e perfil de ácidos graxos. Os dados foram submetidos à análise de variância, e as médias foram comparadas pelo teste Tukey, a 5% de probabilidade. Os teores médios de umidade das amêndoas de baru variaram nas regiões estudadas entre 2,93-5,07 g (100 g)-1, a proteína entre 25,16-27,69 g (100 g) -1 e o teor de extrato etéreo de 32,42-37,36 g (100 g) -1. Os teores médios de ácidos graxos saturados variaram de 19,93-25,74 g (100 g) -1 e deácidos graxos insaturados de 73,47-79,19 g (100 g) -1. Os ácidos graxos de maior ocorrência foram oleico e linoleico, seguidos pelos ácidos palmítico, lignocérico, esteárico, behênico, gadoleico e araquítico. Os macronutrientes minerais que apresentaram maiores teores, foram potássio, fósforo e enxofre. Com relação aos micronutrientes minerais, o ferro apresentou maior concentração. 
Termos para indexação: Frutíferas nativas, baru, composição química. 

INTRODUÇÃO 



Considerado um dos hotspots do mundo, o Cerrado apresenta rica biodiversidade com grande número de espécies animais e vegetais (Mitermeier et al., 1999). Nos últimos 30 anos, a pecuária extensiva, as monoculturas e a abertura de estradas destruíram boa parte do Cerrado (Queiroz, 2004). Segundo o IBAMA (2007), restam somente 20% da área do Cerrado sem grandes alterações. 
Estudos que ampliem o conhecimento das espécies do Cerrado podem ajudar na preservação do Bioma, tanto na disponibilização de alternativas de renda pela utilização dos recursos naturais disponíveis, através do manejo econômico sustentável das áreas de Cerrado, quanto na demonstração dos benefícios nutricionais do fruto, o que justificaria o melhoramento genético das espécies e posteriores cultivos econômicos. 
O barueiro (Dipteryx alata Vog.) é uma árvore nativa do Cerrado com intensa frutificação na fase adulta (Sano et al., 2006). Apresenta frutos do tipo drupa, ovoides, levemente achatados e de coloração marrom, com uma única semente (amêndoa) comestível e comercializada em empórios nos grandes centros, bastante apreciada pela população local. Este trabalho objetiva avaliar características químicas das amêndoas do baru, produzidas por árvores em diferentes regiões geográficas do Cerrado goiano, visando a ampliar os conhecimentos sobre os teores nutricionais das amêndoas dos frutos desta espécie, para subsidiar futuros programas de seleção, melhoramento genético, produção de mudas, bem como de processamento.





MATERIAL E MÉTODOS


Foram selecionadas onze áreas do Estado de Goiás. Os critérios adotados para a escolha das regiões de coleta de baru foram: a alta ocorrência natural da espécie, boa produção de frutos maduros, acessibilidade e maior distribuição no Estado. Em cada região, foram escolhidas ao acaso doze árvores para a coleta dos frutos, sendo determinadas coordenadas geográficas (latitude e longitude) e altitudes em relação ao nível do mar de cada planta, com auxílio de GPS (Global Positioning System) (Figura 1). 
As coletas foram realizadas entre os dias 16 e 25 do mês de agosto de 2005. Coletaram-se ao acaso 60 frutos de cada árvore selecionada. Estes foram pegos no chão, considerando-se o aspecto externo (inteiros, sem muita sujidade e sadios) para selecionar os frutos recém-caídos. Para a amostragem das amêndoas, foram selecionados vinte frutos de cada árvore, que foram abertos com auxílio de martelo e alicate, tomando-se cuidado para evitar danos às amêndoas. Vinte amêndoas de cada árvore foram utilizadas para a formação da amostra composta. As amêndoas foram trituradas em multiprocessador Wallita até a obtenção da farinha. 
Os teores de umidade, extrato etéreo, proteína bruta e minerais foram quantificados, seguindo-se metodologia descrita pelo Instituto Adolf Lutz (2005). Para a determinação do perfil de ácidos graxos, utilizou-se o procedimento analítico conhecido como Análise FAME (Fatty Acid Methyl Esters), conforme descrito por Oliveira (2003). 
O desenho corresponde a um esquema inteiramente casualizado, com onze tratamentos (regiões) e doze repetições (árvores). Os dados foram submetidos à análise de variância, e as médias, para cada variável nas onze regiões estudadas, foram comparadas entre si, pelo teste Tukey, a 5% de probabilidade.




RESULTADOS E DISCUSSÃO


Os teores médios de umidade das amêndoas de baru nas regiões estudadas apresentaram valores entre 2,93-5,07 g (100 g)-1 (Tabela 1). Vallilo et al. (1990) relataram teor médio de umidade nas amêndoas de baru provenientes de São Paulo de 5,80 g (100 g)-1; Filgueiras & Silva (1975) reportaram teor médio de umidade de 6,45 g (100 g)-1 para frutos oriundos dos municípios de Bela Vista de Goiás, Paraúna e Goiânia. Takemoto et al. (2001) encontraram teores de umidade variando de 5,9-6,3 g (100 g)-1 para frutos de baru da região de Pirenópolis, e Melhem (1972) observou teor médio de umidade para amêndoas da região do Estado de Minas Gerais de 10,7 g (100 g)-1, valores superiores aos obtidos neste trabalho, corroborando Botezelli et al. (2000), que observaram teores de umidade para amêndoas do Município de Curvelo de 7,74-8,72 g (100 g)-1 e do Município de Capinópolis de 5,54-6,74 g (100 g)-1. A diferença entre os valores encontrados pode ser devida a diversos fatores, tais como: variações genéticas e ambientais, merecendo maiores estudos para seu devido esclarecimento. 
Os teores médios de extrato etéreo nas amêndoas de baru, nas onze regiões estudadas, não diferiram entre si (Tabela 1), sendo bastante elevados em todas as regiões estudadas. Filgueiras & Silva (1975) relatam valor próximo, 31,97 g (100g)1, ao menor relatado neste trabalho, enquanto Vallilo et al. (1990), Togashi & Sgarbieri (1994) e Takemoto et al. (2001) relatam valores superiores ao máximo. Os teores médios de óleo das amêndoas do baru para as diferentes regiões estudadas neste trabalho foram inferiores aos observados para amendoim, nozes, amêndoa-doce, avelãs (Franco, 2002; Lima et al., 2004; Silva et al., 2005) e mais que pequi (Rodrigues et al., 2004). Menor teor de óleo torna o produto menos calórico. 
Para proteínas, os teores médios das amêndoas de baru variaram entre 25,16-27,69 g (100 g)-1. Filgueiras & Silva (1975), Vallilo et al. (1990) e Takemoto et al. (2001) encontraram teores menores, enquanto teores superiores de proteína foram encontrados por Togashi & Sgarbieri (1994, 1995). Uma porção de 20 g de amêndoas de baru pode suprir de 26,48 a 29,12% das necessidades diárias em proteínas de uma criança de 4 a 6 anos (Brasil, 1998). 
O baru apresenta teores médios de proteína da amêndoa semelhantes aos do amendoim, inferiores aos da castanha de caju, das amêndoas de pequi e da amêndoa-doce, e superiores aos da avelã (Fernandez & Rosolem, 1998; Melo et al., 1998; Rodrigues et al., 2004; Mendez et al., 1995; Silva et al., 2005). 
Os ácidos graxos de maior ocorrência foram o oleico (ômega 9) e o linoleico (ômega 6), seguidos pelo ácido palmítico (Tabela 2, 3 e 4). Takemoto et al. (2001) relatam teor superior de ácidos graxos insaturados de 81,20 g (100 g)-1 para amêndoas de baru. Tanto a castanha de caju como, especialmente, a de avelã possuem proporções maiores de insaturados (Lima et al., 2004; Silva et al., 2005). Isto é importante para a saúde humana, pois os ácidos graxos monoinsaturados (MUFAs - Monounsaturated Fatty Acids), como, por exemplo, o ácido oleico, não influem nos níveis de colesterol, mas, por sua vez, os poliinsaturados (PUFAs - Polyunsaturated Fatty Acids), como o ácido linoleico (C18:2), reduzem os níveis séricos de LDL colesterol (Fuentes, 1998). 
Os ácidos graxos saturados, que apresentaram maiores concentrações no óleo das amêndoas de baru neste estudo, foram o palmítico, o esteárico, o lignocérico e o behênico. 
Em linhas gerais (Tabelas 5 e 6), a ingestão de 20 g de óleo de baru pode suprir de 45,66 a 59,41% das necessidades diárias de ingestão de ácido linoleico de uma criança de 4 a 8 anos de idade. A ingestão de 20 g de óleo de baru pode suprir de 2,24 a 3,73% das necessidades diárias de ingestão de ácido linolênico de uma criança de 4 a 8 anos de idade (IOM, 2001c). 
Com base nos resultados obtidos, observase que a ingestão de 20 g de amêndoas de baru supre 24,28-35,20% das necessidades diárias de fósforo (IDR) de uma criança de 4 a 6 anos, 41,10-52,60% das necessidades diárias de magnésio e 53,07-79,11% da necessidade de ferro (IOM, 2001a; IOM, 2001b). 
Os sais minerais devem ser supridos aos seres humanos para o correto funcionamento de seu organismo, pois fazem parte de compostos como proteínas, lipídios, vitaminas, hormônios, que constituem os tecidos, regulam o equilíbrio hidrolítico e ácido-básico, entre outras funções essenciais (Madrid et al., 1995).


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CONCLUSÕES

Os resultados obtidos permitem concluir que:

1- As amêndoas de baru apresentam baixo teor de umidade. 
2- Os teores de proteínas e de lipídios das amêndoas de baru são elevados. 
3- Amêndoas de baru apresentam maior concentração de ácidos graxos insaturados. 
4- Os ácidos graxos de maior ocorrência nas amêndoas de baru são o oleico e o linoleico. 
5- Os macronutrientes minerais que apresentam maiores teores, são: potássio, fósforo e enxofre, e o micronutriente mineral de maior concentração é o ferro. 
6- A amêndoa de baru pode ser uma importante fonte alimentar. 
7- A amêndoa de baru possui mercado expressivo no Estado de Goiás, apresenta elevado valor nutritivo e grande potencial produtivo no Cerrado.


Baru - a castanha do Cerrado





PRAGAS DA AMEIXEIRA


Pragas

A ameixeira européia apresenta basicamente duas pragas economicamente importantes: grafolita e moscas-das-frutas.

Grafolita ou broca-dos-ponteiros (Grapholita molesta - Lepidoptera: Tortricidae)
A grafolita (Figura 1) é uma das mais importante praga da ameixeira européia. O dano ocorre tanto nos ponteiros quanto em frutos. O ataque em ponteiros afeta principalmente plantas em formação enquanto que em plantas adultas esse dano apenas reduz o crescimento. Em frutos o ataque da praga ocorre principalmente até o período de início da maturação.
Fig. 1. Adulto de grafolita.
Foto: Hokko S.A.
Monitoramento
O monitoramento é efetuado com armadilhas Delta utilizando como atrativo o feromônio sexual sintético numa distribuição de uma armadilha para 5 ha e pelo menos, duas armadilhas na área monitorada.
A troca do feromônio deve ser feito cada 30 dias e o piso adesivo quando este perder a adesividade.
As avaliações (leituras) das armadilhas devem ser efetuadas duas vezes por semana, contando os exemplares, anotando em planilha e retirando do piso adesivo os insetos presos.
Controle
Controle Caseiro
O controle pode ser feito através da técnica da confusão sexual ou da aplicação de inseticidas.
Uso de confusão sexual
É uma técnica que utiliza o ferônomo sexual sintético em alta concentração na área (pomar) impedindo o acasalamento, reduzindo a multiplicação da praga.
Atualmente, está disponível no mercado esse feromônio para o controle de grafolita em áreas comerciais. A aplicação deve ser realizada no início da segunda geração da praga. Requer cuidados especiais em relação a disperção de fêmeas grávidas de outras áreas (pomares vizinhos ou pomares caseiros). Controle Químico
O controle químico é recomendado quando se observar uma captura média de 20 machos/armadilha/semana. Quando o nível populacional estiver baixo recomenda-se o controle químico quando a soma das médias de várias semanas ultrapassar 30 machos/armadilha. O controle deve ser efetuado sempre com produtos registrados para a cultura e obedecendo a carência dos mesmos para evitar resíduos na fruta colhida.
Mosca-das-frutas (Anastrepha fraterculus - Diptera: Tephritidae)
A mosca-das-frutas (Figura 2) ataca todas as fruteiras temperadas. O dano na ameixa européia, quando ocorre, é observado no período de maturação dos frutos. Na cultivar "Stanley", em vários anos de observação, foi observado um ataque muito leve da mosca-das-frutas em anos de alta população no período de maturação. Na maioria dos anos não tem sido observado dano por mosca-das-frutas na cultivar. Em condições de laboratório obteve-se insfestação, oferecendo frutos em maturação para fêmeas em idade de oviposição. Isto define o potencial de ataqueda praga demonstrando a necessidade do monitoramento para indicar a presença da praga.
Figura 2. Adulto de mosca-das-frutas.
Foto: Eduardo Hickel
Monitoramento
O monitoramento deve ser efetuado com armadilhas caça-mosca modelo McPhail (Figura 3) utilizando suco de uva a 25% (diluído em água) ou proteína hidrolisada a 5% (diluído em água).
Figura 3. Armadilha tipo McPhail empregada no monitoramento da mosca-das-frutas.
Foto: M. Botton
As avaliações devem ser realizadas duas vezes por semana, peneirando os insetos, e contando o número de moscas capturadas (machos + fêmeas).
Recomenda-se trocar o suco semanalmente e apenas completando o volume na avaliação intermediária. O número de armadilhas deve variar em função do tamanho e localização do pomar. Pomares pequenos requerem mais armadilhas (por exemplo, em um pomar de um ha o produtor deve instalar 4 armadilhas) assim como pomares próximo a áreas nativas.
Controle
O controle deve iniciar quando observar-se mais de 0,5 mosca/frasco/dia e o fruto estiver na fase de maturação.
Recomenda-se aplicações de isca tóxica para reduzir a infestação. Além da isca tóxica é necessário efetuar tratamentos complementares com inseticidas que apresentam ação de profundidade. Aplicar somente os produtos registrados para a cultura (intervalo entrea última aplicação e colheita) e observar o residual (intervalo entre aplicação dos inseticidas) e a carência para evitar resíduos na fruta colhida.


Pragas e métodos de controle

Os danos causados pelos insetos à ameixeira são variáveis e podem ser observados em todas partes do tecido vegetal. Vários insetos podem sugar a seiva de caules, ramos, folhas e frutos, causando o definhamento das plantas. Podem injetar substâncias tóxicas, produzindo alterações no desenvolvimento dos tecidos, comprometendo a produção. Alguns são vetores de doenças, principalmente viroses, causando prejuízos irrecuperáveis à lavoura. Existem insetos que utilizam partes da planta e principalmente os frutos para reprodução, inutilizando-os para comercialização. Vários insetos têm importância para esta cultura. Os mais importantes são relatados a seguir.

Grafolita - Grapholita molesta

Os adultos da grafolita são pequenas mariposas de cor cinza escura, com distintas manchas escuras nas asas, medindo de 6 a 7 mm de comprimento.
As lagartas, quando jovens (cerca de 4 mm de comprimento), são de cor branco-creme a levemente amarelada quando bem desenvolvidas (cerca de 14 mm de comprimento) adquirem cor branco-rosada. A cabeça é bem distinta e escura.
As lagartas penetram no fruto, próximo à cavidade peduncular, perfurando uma galeria em direção ao seu centro. O controle consiste principalmente na interrupcão do desenvolvimento de futuras gerações, evitando-se uma posterior investida aos frutos.
A armadilha usada para a captura da mosca da fruta também aprisiona o adulto da grafolita. Porém, é importante saber distinguir a mariposa. Ela fica, normalmente, na superfície do suco na armadilha, com as asas abertas. A cor das asas, geralmente, é cinza-escura, passando a cinza-clara, quando perdem as escamas.

Mosca das frutas - Anastrepha fraterculus

A mosca das frutas é de cor amarelada, corpo amarelo mais escuro e asas transparentes, com manchas escuras de desenho característico.
A larva varia da cor branca à branco-amarelada e têm corpo liso, sem pernas, não se distinguindo claramente a cabeça, que fica na parte fina do corpo. A parte posterior termina abruptamente, sem afilar. As larvas, quando totalmente desenvolvidas, medem cerca de 7 a 9 mm de comprimento.
O dano causado pela mosca das frutas ocorre exclusivamente no fruto. A larva forma galerias que, posteriormente, se transformam em uma área úmida, em decomposição, de cor marrom (Figura 31).
Algumas medidas podem ser tomadas fora e dentro do pomar como forma de auxílio no controle da mosca das frutas, a seguir relacionadas:
> Eliminar plantas silvestres que sejam, constantemente, infestadas pela mosca, ou usar seus frutos para preparar suco para isca ou alimentação animal.
> Usar isca tóxica e/ou armadilha nas plantas silvestres infestadas.

Retirar os frutos temporões. Nunca deixá-los amadurecer na planta, pois, certamente, serão atacados pela mosca e constituirão foco de infestação. Esses frutos podem, entretanto, funcionar como armadilhas, pois, sendo atacados e depois eliminados, interromperão o ciclo da mosca.

> Eliminar do pomar os frutos caídos ou refugados. Aconselha-se enterrar tais frutos cerca de 20 a 30 centímetros de profundidade. Esses fruto, também podem ser usados para elaboração do suco para as armadilhas ou da isca tóxica.
Em ameixa, o ataque inicia-se logo no começo do desenvolvimento dos frutos (frutos com 2-3 cm de diâmetro). Quando o ataque ocorre neste estágio, não há o desenvolvimento da larva no interior do fruto, mas provoca, entretanto, a queda deste.
A isca tóxica constitui-se de uma solução de açúcar ou sucos de fruta, com a adição de um inseticida. Sucos de laranja, pêssego, nêspera, ameixa, entre outros, adoçados na razão de 5kg de açúcar cristal para 100 litros de líquido, constituem-se em excelentes veículos para a aplicação de isca tóxica. Os melhores inseticidas para uso em isca tóxica são: diazinon, dimetoato, etion, fenitrotion, fention, malation, mevinfós e triclorfon. A aplicação deve dar-se diretamente sobre as folhas, numa faixa de cerca de 1m de largura e no lado do sol da manhã. Aproximadamente 150 ml de isca tóxica são suficientes para se cobrir essa faixa da planta. Aplica-se com pulverizadores comuns, com gota de pulverização grossa. Isso se consegue aumentando a saída de líquido e diminuindo-se a pressão do pulverizador.
A pulverização em cobertura total das plantas deve ser adotada quando o ataque acontecer logo no inicio do desenvolvimento dos frutos. Para esse tipo de aplicação, usa-se um inseticida que tenha ação de profundidade, ou seja, que mate as larvas nascidas e as que venham a nascer no interior do fruto nos dias seguintes à pulverização. Dentre os inseticidas recomendados para esse tipo de pulverização, destacam-se: dimetoato, fenitrotion, fention, formation, mevinfós e triclorfon. É necessário observar, rigorosamente, o período de carência do produto, ou seja, o número de dias que devem ocorrer entre a aplicação e o início da colheita.

Pulgão - Myzus persicae

O pulgão, Myzus persicae é de coloração verde e corpo mole, liso e brilhante, com manchas. Há formas aladas (mais escuras) e não-aladas. As ninfas são de coloração verde a marrom-avermelhada. Os danos causados pelos pulgões são muito variáveis. Não há dúvida de que, em plantas jovens (de um a dois anos) e em viveiros, ocorram maiores prejuízos. Essas plantas podem ter sua formação e desenvolvimento comprometidos, uma vez que os brotos infestados não se desenvolvem.
O controle com inseticidas é muito fácil para os pulgões em geral. Porém, é fundamental que a aplicação do defensivo ocorra no momento certo. Após as folhas estarem encarquilhadas e fechadas, dificilmente o inseticida terá o mesmo efeito que com a planta sadia. Assim, é necessário identificar o início da infestação e, localizadamente, efetuar-se o controle.

Escolito - Scolytus rugulosus

Existem várias espécies de coleobrocas que atacam plantas frutíferas, além do Scolytus rugulosus. Os adultos são pequenos besouros (2,0 a 2,5 mm de comprimento), de coloração marrom-escura a preta, com as pernas e as antenas marrons (Figura 32). Os machos são menores do que as fêmeas.
Plantas de ameixeira, durante o ataque inicial do inseto, mostram desuniformidade de brotação e floração. Estes sintomas evoluem para a morte de ramos e, conseqüentemente, morte da planta.
O controle tardio é extremamente difícil, devido ao hábito de ataque, multiplicação e, sobretudo, pelo desconhecimento das características de comportamento e ciclo de vida da praga. O controle através da remoção de ramos atacados pode ser uma ajuda importante para evitar a disseminação da praga no pomar. Os resíduos da poda e partes atacadas devem ser queimados, pois, de outro modo, podem servir como foco de multiplicação de escolitos. A eficiência do controle químico depende da forma de aplicação. Para se matar o inseto, o inseticida (piretroides, fosforados) tem que penetrar no orifício em quantidade razoável. Isso é possível através de injeção dirigida no orifício ou pincelamento do tronco e ramos mais grossos.

Formigas - Atta spp, Acromyrmes spp e Mycocepurus spp

As formigas cortadeiras, conhecidas, vulgarmente, por saúvas (Atta spp, Acromyrmes spp) e quenquém (Mycocepurus spp), são pragas ocasionais nas fruteiras, tanto no viveiro como no pomar.
O controle com barreiras físicas na planta que impeçam a subida das formigas pode resolver, temporariamente, a situação. Tais barreiras incluem faixa com graxa, pedaços de lã, esponja com inseticida etc. ao redor do tronco. O controle com inseticida-formicida propicia melhor resultado quando o produto for aplicado em formigueiros recém formados, ou seja, quanto menor o formigueiro, mais fácil será o controle. Após a localização do formigueiro, deve-se abrir o ninho com uma enxada até se chegar à terra firme e polvilhá-lo com formicida abundantemente ou regá-lo com uma solução de inseticida e água. A forma mais prática de controle é através da isca tóxica granulada, pois as próprias formigas carregam os grânulos para o formigueiro. A isca deve ser depositada ao longo dos carreiros e, de preferência, à tardinha.
Caso se observe movimento ordenado de formigas no carreiro após três a quatro dias da primeira aplicação é conveniente reaplicar a isca, fazer-se polvilhamento ou, ainda, a fumigação.





sábado, 25 de julho de 2015

Preparo e manejo do solo e adubação para Ameixa


A implantação do pomar, varia com a topografia e tipo de solo. Entretanto, alguns aspectos são os mesmos, independentes das particularidades da topografia e do solo. Assim, limpeza do terreno quanto à roçada, retirada de tocos, pedras, raízes e ramos de árvores ou arbustos, sempre devem ser realizadas, pois irão dificultar os tratos culturais do pomar. Além disso, a permanência de restos vegetais poderão ser focos de contaminação de doenças de raízes. As operações básicas normalmente recomentadas, constituem-se na subsolagem, aração e gradagem.
A subsolagem, consiste em uma operação ainda pouco utilizada em pomares de ameixeira. Quando realizada, melhora a infiltração de água e a aeração do solo e, conseqüentemente, o desenvolvimento do sistema radicular das plantas, além de ajudar na retirada de raízes, pequenos tocos, ramos e pedras. Sempre que possível, deve ser feita no mínimo a 40cm de profundidade. Geralmente a primeira metade do calcário é colocada em toda a área, antes do solo começar a ser trabalhado, enquanto que a segunda metade é aplicada posteriormente, permanecendo durante um mês sobre o terreno e, só após este período, é que devem ser distribuídos os adubos para a correção de base. A seguir, é realizada a aração e a gradagem geral para destorroamento do solo. No caso de solos profundos e com pouca declividade, o preparo final do terreno corresponde a apenas uma gradagem nas filas de cultivo. No caso de terreiros rasos ou com mais de três ou cinco por cento de declividade devem ser plantadas coberturas verdes como aveia, trigo, gorga, etc., logo após a gradagem.
Os dois principais sistemas de marcação de pomares são: o quadrado e a curva de nível. Na marcação em quadrado, as mudas são alinhadas nos dois sentidos, ao passo que, na marcação em curva de nível, as covas são marcadas seguindo uma linha curva, que acompanaha o relevo do terreno (Figura 18), visando evitar o processo de erosão. As filas devem ser demarcadas segundo um gradiente de declividade de no máximo 1,0%. Após a marcação das filas, são constituídos os camalhões, lavrando-se para dentro de modo que no centro de cada camalhão fique localizada uma fila de plantas. Apenas antes do plantio, devem ser demarcados os locais das plantas utilizando espaçamento entre 3,0 ou 4,0 m (Figura 19).

Preparo e manejo do solo e adubação

Fig. 18. Marcação de curvas de nível para implantação de pomar de ameixeira


Foto: Luis Antônio Suita de Castro


Fig. 19. Marcação dos locais de plantio das mudas de ameixeira após a marcação de curvas de níveis e lavração do terreno.

A fase se implantação do pomar é, sem dúvida alguma, a mais importante para o sucesso de uma cultura. É nessa fase que o produtor deve lançar mão de todas as ferramentas possíveis para uma boa implantação do pomar, pois pomar mal implantado significa sérios prejuízos para a cultura e para o produtor.
A ferramenta principal para a implantação do pomar é a análise de solo. É nela que se verifica a necessidade de correção do solo para que as plantas possam desenvolver todo o seu potencial produtivo. Com o resultado da análise na mão se tem condições para estimar as necessidades de correção da acidez e da fertilidade do solo.
Alguns aspectos na implantação do pomar e condução das adubações precisam ser bem orientados para que do sucesso do pomar. Assim, os seguintes aspectos devem ser bem observados.

Escolha do Local

Dentro das possibilidades e disponibilidades de áreas na propriedade, deve-se evitar localizar o pomar em baixadas úmidas, em solos com problemas de compactação e em solos rasos, que dificultem o desenvolvimento radicular das plantas e a incorporação de corretivos e de adubos. Em solos de baixa fertilidade e arenosos é necessário programar o uso periódico de matéria orgânica. Quanto à exposição do local, deve-se preferir aquela voltada para o norte, podendo ser opções a nordeste, noroeste, leste ou oeste, evitando-se a exposição sul em razão dos ventos frios que podem propiciar o aparecimento de certas doenças fúngicas. Devem ser evitadas encostas muito declivosas (acima de 20%), pois elas oneram os trabalhos com a conservação do solo e inviabilizam a mecanização para a correção da acidez e da fertilidade do solo.

Preparo do Solo

Na implantação de um pomar, é que se tem a melhor oportunidade para realizar o trabalho adequado ao bom condicionamento do solo para o normal desenvolvimento radicular e, conseqüentemente, o melhor desempenho das plantas. Dependendo do tipo de solo, principalmente relacionado com a textura e da profundidade, deve-se utilizar técnicas de preparo do solo mais eficientes e apropriadas. Assim, recomendam-se as seguintes etapas para um bom preparo do solo para a instalação de um pomar:

Limpeza da Área

Consiste em deixar o local o mais limpo possível, para maior eficiência dos trabalhos subseqüentes. Dependendo da área, as atividades dizem respeito ao desmatamento ou roçada, retirada de restos vegetais e de pedras da superfície. Esta etapa deve ser realizada com antecedência mínima de seis meses ao plantio das mudas ou porta-enxertos. No caso de solos de matas ou com bastante matéria orgânica (acima de 50,0g kg-1), é recomendável o cultivo de uma cultura anual no primeiro ano após o preparo do solo.

Subsolagem ou Aração Profunda

O uso desta prática vai depender da existência de camadas compactadas em profundidade superior à alcançada pelos arados. É uma etapa necessária para o bom desenvolvimento do sistema radicular. O ideal é fazer a aração profunda, ou subsolagem, cruzadas, sendo a 1a no sentido do declive do terreno. Se necessário, fazer nova limpeza da área para a retirada de restos de raízes e pedras.

Análise do Solo

Para realizar a correção da acidez e a adubação de pré-plantio, deve-se coletar as amostras de solo seguindo as orientações básicas para este procedimento. Deve-se coletar as amostras na profundidade de 0-20cm. Devem ser coletadas de 15 a 20 sub-amostras/área homogênea, de onde se retira uma amostra composta (500gramas), a qual será enviada ao laboratório de análises de solo. Esta etapa precisa ser executada com muito rigor, pois qualquer erro recairá nos resultados da análise, que influenciarão nas interpretações e recomendações dos corretivos e dos fertilizantes. Normalmente, solicitam-se as determinações de teor de argila, pH, Índice SMP, P e K extraíveis, Al, Ca e Mg trocáveis, M.O. e B.

Calagem

A quantidade de calcário necessária para elevar o pH, em água, do solo até 6,0 é estimada pelo índice SMP (Tabela 1). Em situações onde a aração, ou subsolagem, for realizada a profundidade superior a 20cm, deve-se corrigir a quantidade de calcário para a profundidade trabalhada. A calagem deve ser realizada com antecedência mínima de seis meses ao plantio. A quantidade de calcário deve ser corrigida para PRNT 100%, em função do valor apresentado pelo corretivo a ser utilizado. Isto se faz por:

Calagem (t ha-1) = Quantidade recomendada x 100/ PRNT do calcário a usar.


Outro fator importante a ser considerado é o custo do calcário, que deve ser expresso pelo valor por unidade de PRNT, posto na propriedade e, não apenas, pelo custo por tonelada. Para uma melhor distribuição do calcário no perfil do solo (horizontal e vertical), deve-se seguir as seguintes etapas: a) subsolagem - distribuição uniforme na superfície da área; b) gradagem superficial (para melhorar a mistura calcário-solo); c) aração para incorporação mais profunda; d) gradagem final para nivelamento ou destorroamento da área. Quando a calagem recomendada ultrapassar 5 t ha-1, a distribuição e incorporação devem ser feitas em duas vezes, seguindo o procedimento anterior (distribuição da metade do calcário - gradagem - aração - distribuição do resto - gradagem - aração - gradagem).

A prática da calagem é considerada efetiva por um período de cinco anos, aproximadamente, dependendo da quantidade e do tipo do calcário utilizado. Quanto à escolha do calcário, um fator importante é a relação entre o cálcio e o magnésio no solo(o sugerido é 4:1), para evitar desequilíbrio entre eles. Em geral opta-se pelo calcário dolomítico que possui maior teor de magnésio, em virtude da maioria dos solos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina se mostrarem com baixos teores deste elemento. No entanto, dependendo do resultado da análise do solo (Ca : Mg) pode-se usar o calcário magnesiano ou calcítico.
Tabela 1. Recomendação de calagem (calcário com PRNT 100%) com base no índice SMP, para correção da acidez dos solos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, para atingir pH 6,01.
Índice SMP t ha -¹ Índice SMP t ha -¹
lt; 4,4 21,0 5,8 4,2
4,5 17,3 5,9 3,7
4,6 15,1 6,0 3,2
4,7 13,3 6,1 2,7
4,8 11,9 6,2 2,2
4,9 10,7 6,3 1,8
5,0 9,9 6,4 1,4
5,1 9,1 6,5 1,1
5,2 8,3 6,6 0,8
5,3 7,5 6,7 0,5
5,4 6,8 6,8 0,3
5,5 6,1 6,9 0,2
5,6 5,4 7,0 0,0
5,7 4,8 - -
Fonte: Comissão de Química e Fertilidade do Solo - RS/SC , 10a edição (2004).

Adubação de Pré-plantio
É realizada na implantação do pomar e através dela são fornecidos P e K, em quantidades determinadas pela análise do solo, necessárias para elevar a fertilidade do solo até a faixa suficiente. Esta adubação deve ser realizada 3 meses após a calagem e, portanto 3 meses antes do plantio. As quantidades são estimadas com base nos dados da análise do solo tomada antes do plantio e interpretados através das Tabela 2.
Tabela 2. Interpretação dos teores de fósforo e potássio e doses de fertilizantes a serem aplicadas na adubação de pré-plantio.
Interpretação do teor Faixa de Teor
(mg dm-3)
Doses de fósforo
(kg P2O5/ha)
Doses de potássio
(kg K2O/ha)
Fósforo1 Potássio2
Muito-Baixo = 4,0 = 20 90 100
Baixo 2,1 - 8,0 21 - 40 60 70
Médio 8,1 - 12,0 41 - 60 30 40
Alto 12,1 - 24,0 61 - 120 0 20
Muito-Alto > 24,0 > 120 0 0
1. Solos com teor de argila variando de 21 a 40% (Classe 3).
2. Solos com CTCpH 7,0 variando de 5,1 a 15,0 cmolc dm-3.
Fonte: Comissão de Química e Fertilidade do Solo - RS/SC , 10a edição (2004).

Adubação de Crescimento
Esta adubação tem finalidade complementar a adubação de correção e suprir as plantas durante a fase sem produção de frutos. Utiliza-se esterco e/ou fertilizantes químicos à base de nitrogênio. A época de realização dessa operação, como o próprio nome diz, é na ocasião do plantio e durante os dois a três primeiros anos. A quantidade de nitrogênio a ser aplicada consta na tabela 3. A fonte de N a ser utilizada deve ser aquela mais fácil de ser encontrada na região. Quando for utilizado uréia deve-se tomar o cuidado para evitar perdas por volatilização, assim o solo deve estar úmido e/ou incorporar o fertilizante ao solo.
Tabela 3. Recomendações de adubações nitrogenadas durante a fase de crescimento das plantas de ameixeira.
Ano g de N / planta Época de aplicação
10 30 dias após a brotação
10 45 dias após a 1ª aplicação
10 60 dias após a 2ª aplicação
20 Início da brotação
20 45 dias após a 1ª aplicação
20 60 dias após a 2ª aplicação
45 Início da brotação
30 45 dias após a 1ª aplicação
15 60 dias após a 2ª aplicação
Fonte: Comissão de Química e Fertilidade do Solo - RS/SC , 10a edição (2004).

Adubação de Manutenção

É praticada a partir do terceiro ano após o plantio das mudas. Nesta fase usam-se as adubações com nitrogênio (N), fósforo (P2O5) e potássio (K2O). As quantidades dos N a serem aplicadas são baseadas em análise crescimento do ramo do ano, no teor de N na folha e previsão de produtividade; as de e K2O se baseiam no teor de K na folha e produtividade esperada e as de P2O5 se baseiam apenas no teor d P na folha. As quantidades a serem aplicadas constam da Tabelas 4, 5 e 6.
Tabela 4. Recomendação de adubação de manutenção com nitrogênio
Teor de N na folha Crescimento dos ramos do ano (cm)
lt;gt; gt; 30
Produtividade (t/ha) Produtividade (t/ha)
lt; gt; lt; gt;
% ----------------------- kg de N / ha -------------------------
<> 100 120 60 80
1,80 - 2,05 60 80 60 80
2,06 - 2,30 40 60 40 60
2,31 - 2,55 MDAA ADUAA DMAA MDAA
2,56 - 2,80 STAP DMAA 0 STAP
> 2,80 0 0 0 0
MDAA - mesma dose do que ano anterior; ADUAA - aumentar a dose usado no ano anterior; DMAA - dose menor do que ano anterior; STAP - suspender todas ou algumas parcelas.
Fonte: Comissão de Química e Fertilidade do Solo - RS/SC , 10a edição (2004).


Tabela 5. Recomendação de adubação de manutenção com fósforo
Teor de P na folha Fósforo
% kg de P2O5/ha
<> 80 - 120
0,04 - 0,09 40 - 60
> 0,09 0
Fonte: Comissão de Química e Fertilidade do Solo - RS/SC , 10a edição (2004).


Tabela 6. Recomendação de adubação de manutenção com potássio
Teor de K na folha Potássio
Produtividade esperada
lt15 - 30 gt; 30
% ----------------------------- kg de K2O / ha -----------------------------
lt;gt; 150 150 150
0,54 - 0,92 120 120 150
0,93 - 1,30 80 120 120
1,31 - 1,68 50 70 100
1,69 - 2,06 30 50 70
2,07 - 2,82 0 30 50
> 2,82 0 0 0
Fonte: Comissão de Química e Fertilidade do Solo - RS/SC , 10a edição (2004).

Local de aplicação dos adubos

Na implantação do pomar (adubação de pré-plantio) o P e o K devem ser distribuídos na superfície da área e incorporados na camada arável. Até o 3º ano, deve-se adubar em faixas, distanciadas de aproximadamente 40 cm do tronco da planta. A partir do 4º ano a adubação pode ser efetuada no meio das entre-linhas ou em toda a superfície desta, obedecendo o espaçamento de 40 cm das plantas.


Adubação e Calagem

No Brasil, a ameixeira é plantada desde o sul de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, ocupando uma grande diversidade de solos, os quais apresentam variações quanto à textura, profundidade, fertilidade e acidez. Em comum, têm uma elevada acidez, elevados teores de elementos tóxicos, principalmente alumínio e manganês e baixa fertilidade natural. Por isso, a calagem e a adubação são práticas indispensáveis que, em conjunto com outras possibilita altas produtividades.
Quando as informações sobre a necessidade e quantidade de fertilizantes e de corretivos não estão à disposição dos produtores, cria-se um clima de insegurança, passando estas práticas a serem efetuadas mais por especulação e por interesses comerciais do que por embasamento técnico.
Convém lembrar que o melhor método de diagnose e de recomendação de adubação e de corretivos é aquele que prevê o uso desses insumos somente quando existe uma expectativa de resposta econômica.
Tabela 1. Recomendação de calagem (calcário com PRNT 100%) com base no índice SMP, para correção da acidez dos solos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, para atingir pH 6,01.
Índice SMPt ha-1Índice SMPt ha-1
≤ 4,421,05,84,2
4,517,35,93,7
4,615,16,03,2
4,713,36,12,7
4,811,96,22,2
4,910,76,31,8
5,09,96,41,4
5,19,16,51,1
5,28,36,60,8
5,37,56,70,5
5,46,86,80,3
5,56,16,90,2
5,65,47,00,0
5,74,8--
Fonte: Comissão de Química e Fertilidade do Solo - RS/SC, 10ª edição (2004).

Amostragem do Solo

A coleta de amostras representativas é fundamental para a correta avaliação das necessidades de corretivo da acidez do solo e de fertilizantes. Para a sua obtenção, é necessária a coleta de várias subamostras, em diversos pontos de uma mesma área.

O primeiro passo para realiar a amostragem do solo consiste em dividir a área em porções aparentemente homogêneas, considerando-se o tipo, a topografia, a textura, a cor, o grau de erosão, a profundidade, a cobertura vegetal, a drenagem, entre outros aspectos. No entanto, se uma área for homogênea quanto a todos os fatores acima citados, existindo, no entanto, uma porção já adubada ou que já tenha recebido calcário, esta deverá ser amostrada em separado. A área abrangida por cada amostra é função da homogeneidade do solo. Normalmente, o número de subamostras é de 10 a 15.
Na tomada de amostra pelo sistema de amostragem composta, cada área deve ser percorrida, em ziguezague, coletando-se, ao acaso, as subamostras, que após são reunidas. Após homogeneizada, retira-se cerca de 500g de solo para ser enviada ao laboratório. Os procedimentos de amostragem do solo são os recomendados pela Comissão de Fertilidade do Solo RS/SC.
As amostras de solo podem ser coletadas em qualquer época do ano. No entanto, para que o produtor disponha dos resultados de análise e de recomendação de adubação e de calcário em tempo hábil, a coleta deverá ser realizada, no mínimo, quatro meses antes do plantio das mudas, ou antes do início do período de dormência, quando se tratar de nova calagem em pomares já instalados.
Em pomares instalados, deve-se amostrar a camada arável do solo, ou seja, de 17 a 20 cm de profundidade, já que nesta porção de solo é que se concentram a maioria das raízes absorventes da ameixeira. Entretanto, para pomares a serem implantados, as amostras devem ser tomadas em duas profundidades, isto é, de 0 a 20 cm e separadamente de 20 a 40 cm de profundidade.

Recomendação de Calagem

Para a ameixeira, assim como para a maioria das culturas, a calagem visa elevar o pH em água para 6,0, o que neutraliza ou reduz os efeitos danosos do alumínio e/ou do manganês e proporciona melhores condições de absorção de alguns nutrientes essenciais, como o fósforo, por exemplo.
Na implantação do pomar, o produtor tem a melhor oportunidade, se não a única, de melhorar as características químicas do solo mediante uma boa incorporação de corretivos de acidez e de fertilizantes, em face da distribuição do sistema radicular e das características de perenidade das plantas. Medidas corretivas em pomares plantados são difíceis por serem onerosas e de efeitos muito lentos, quando possíveis.
A aplicação do calcário na cova não é recomendável, pela pequena fração de solo que é beneficiada.
A quantidade de corretivo a aplicar é estimada por meio da análise de solo. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, utiliza-se o método SMP, para estimar a necessidade de calcário para elevar o pH em água do solo até 6,0.
A elevação do pH do solo ao valor desejado depende, entre outros fatores, da quantidade de corretivo aplicada, da sua mistura com o solo, do seu teor de umidade, do tempo de contato do corretivo com o solo e da granulometria do mesmo.
O efeito da calagem na correção da acidez atinge o ponto máximo, em geral, em três a doze meses após a aplicação do calcário. Após quatro a seis anos, o pH começa a diminuir. Assim, novas aplicações de calcário devem ser feitas após esse período, mediante nova análise. Se a amostragem do solo for realizada após um a dois anos da aplicação do calcário, a recomendação de nova calagem, pelo método SMP, pode não ser válida com base nessa amostra, pelo fato de que a fração mais grosseira do corretivo pode estar ainda reagindo com o solo. No caso de ser aplicada, inicialmente, somente uma fração da dose recomendada, deve-se ter o cuidado para que a soma das doses parciais não ultrapasse a recomendação inicial, no período de quatro a seis anos.
Vários materiais podem ser usados como corretivos da acidez dos solos. No entanto, o mais comum é o uso da rocha calcária moída, conhecido como calcário agrícola.
Tendo em vista a grande variação na qualidade dos corretivos da acidez dos solos existentes no mercado, na sua escolha deve-se considerar tanto o seu PRNT (Poder Relativo de Neutralização Total), como o seu frete até a propriedade. Assim, ao se adquirir um calcário deve-se considerar o custo do produto por unidade de PRNT, posto na propriedade. O poder relativo de neutralização total (PRNT) é uma medida da qualidade dos corretivos, o qual é avaliado pelo valor de neutralização e pelo tamanho das partículas. Assim, quanto maior o PRNT, melhor a qualidade do calcário e, conseqüentemente, mais rápida é a sua reação no solo. Como as recomendações de calagem são baseadas em PRNT 100%, a dose a ser aplicada deve ser corrigida com base no PRNT do material disponível, do seguinte modo:
Quantidade a ser aplicada (t ha-1) = recom. de calcário (t ha-1) x 100/ PRNT do calcário
Com referência à qualidade dos corretivos, além do PRNT, deve-se, também, considerar o teor de magnésio do material, já que os solos onde a ameixeira é cultivada no Brasil são normalmente pobres nesse nutriente. Por isso, deve-se dar preferência aos materiais que contenham magnésio, como é o caso dos calcários dolomíticos. De acordo com a legislação brasileira, os calcários que contenham até 5% de MgO são denominados calcíticos; os que apresentam entre 5 a 12% são denominados de magnesianos; e, quando o teor de óxido de magnésio for superior a 12%, são chamados de dolomíticos.
Além do calcário agrícola, outros produtos podem ser utilizados como corretivos da acidez dos solos, como: cal virgem, cal apagada, calcário calcinado, conchas marinhas moídas, cinzas etc..
Para que se obtenham os efeitos esperados, o calcário deve ser aplicado, no mínimo três meses antes do plantio das mudas. Quando se tratar de nova calagem em pomares já instalados, esta deverá ser feita no meio do outono.
Quando for feita a correção da acidez de toda a área, o calcário deve ser distribuído uniformemente, dando-se preferência aos implementos que aplicam o produto próximo à superfície do solo. Deve ser evitada a aplicação de corretivos, principalmente aqueles com PRNT elevado, em dias com vento.
Quando a recomendação for superior a 5 t ha-1 deve-se aplicar a metade da dose, a seguir lavrar, aplicar o restante, lavrar e gradear. Para quantidades inferiores a esta dose, uma boa incorporação tem sido obtida com uma gradagem seguida de aração e outra gradagem. Para ambas as situações acima expostas se conseguirá uma incorporação homogênea do calcário na profundidade desejada.

Recomendações de Adubação Fosfatada e Potássica de Pré-Plantio

Antes da instalação do pomar de ameixeira, a análise de solo é o único método de diagnose para se estimar as necessidades de fósforo (P) e de potássio (K). As quantidades exigidas de P e K são determinadas na mesma amostra de solo usada para se estimar a necessidade de corretivos da acidez e constam na Tabela 1. Em pomares com menos de cinco metros de distância entre as linhas de plantio, os adubos devem ser espalhados em toda a superfície. No entanto, onde essa distância for superior a cinco metros e não houver interesse em se estabelecer cultura intercalar, a adubação poderá ser executada somente numa faixa de três metros de largura ao longo da linha de plantio.
Os adubos fosfatados e potássicos, usados antes do plantio, devem ser aplicados por ocasião da instalação do pomar, preferentemente a lanço, e incorporados, no mínimo, na camada arável.
Tabela 2. Interpretação dos teores de fósforo e potássio e doses de fertilizantes a serem aplicadas na adubação de pré-plantio.
Interpretação do teorFaixa de Teor
(mg dm-3)
Doses de fósforo
(kg P2O5/ha)
Doses de potássio
(kg K2O/ha)
Fósforo¹Potássio²
Muito-Baixo= 4,0= 2090100
Baixo2,1 - 8,021 - 406070
Médio8,1 - 12,041 - 603040
Alto12,1 - 24,061 - 120020
Muito-Alto> 24,0> 12000
¹Solos com teor de argila variando de 21 a 40% (Classe 3).
²Solos com CTCpH 7,0 variando de 5,1 a 15,0 cmolc dm-3.
Fonte: Comissão de Química e Fertilidade do Solo - RS/SC, 10ª edição (2004).

Recomendação de Adubação Nitrogenada de Crescimento

Durante a fase de crescimento das plantas, que vai desde o plantio das mudas até o terceiro ano, recomenda-se usar somente nitrogênio. Supõe-se que o P e o K, fornecidos por intermédio da adubação de pré-plantio, sejam suficientes até o momento em que as plantas entrem em plena produção.
Como a ameixeira tem necessidade de N praticamente constante durante todo o ciclo vegetativo, aliada à possibilidade de perda desse nutriente por lixiviação, recomenda-se fracionar a dose anual em três parcelas. As doses recomendadas, bem como as épocas, constam na Tabela 2. O adubo nitrogenado deve ser distribuído ao redor das plantas, formando uma coroa distanciada 20 cm do tronco, sob a projeção da copa.
Tabela 3. Recomendações de adubações nitrogenadas durante a fase de crescimento das plantas de ameixeira.
Anog de N / plantaÉpoca de aplicação
1030 dias após a brotação
1045 dias após a 1ª aplicação
1060 dias após a 2ª aplicação
20Início da brotação
2045 dias após a 1ª aplicação
2060 dias após a 2ª aplicação
45Início da brotação
3045 dias após a 1ª aplicação
1560 dias após a 2ª aplicação
Fonte: Comissão de Química e Fertilidade do Solo - RS/SC, 10ª edição (2004).

Adubação da Manutenção

Quando as plantas entram em plena produção, os nutrientes e as quantidades a serem aplicadas devem resultar de uma análise conjunta dos seguintes parâmetros: análise foliar, análise periódica do solo, idade das plantas, crescimento vegetativo, adubações anteriores, produções obtidas e espaçamento.
A adubação nitrogenada de manutenção é feita parceladamente, em três épocas. A primeira (50% do total) é realizada no final do inverno (início do ciclo vegetativo anual); a segunda (30% do total), após o raleio dos frutos e a última (20% do total), cerca de um mês antes do início do período de dormência das plantas. Quando for recomendado o uso de adubos potássicos e/ou fosfatados, estes devem ser aplicados ao solo no início da brotação. Com o objetivo de se aumentar a eficiência do uso dos fertilizantes, recomenda-se aplicar os adubos quando o solo não estiver seco e incorporá-los logo após a aplicação, principalmente os nitrogenados.
Para a adubação de manutenção, o uso de uma tabela de adubação não representa um quadro ideal, já que, agindo-se dessa forma, todos os pomares seriam tratados de uma mesma maneira, o que não corresponde à realidade, pois suas condições nutricionais são distintas. Ao contrário, a análise foliar, por ser um método de diagnose e de recomendação de adubação que trata cada caso isoladamente, constitui-se no procedimento mais indicado.
Para a realização da análise foliar da ameixeira, devem ser colhidas folhas completas (limbo com pecíolo) da porção média dos ramos do ano, posicionados em altura facilmente acessível, sem o uso de escada, nos diferentes lados das plantas, entre a 13ª e 15ª semanas após a plena floração, independente se a amostra for de cultivar precoce ou tardia. No entanto, se acontecer que a época indicada para a coleta de amostra de folhas coincidir com o período de colheita dos frutos de alguma cultivar, ou após o mesmo, a tomada de amostra deverá ser antecipada de uma a duas semanas, de modo que a amostragem de folhas seja sempre feita antes da colheita dos frutos. Cada amostra deve ser composta de, aproximadamente, 100 folhas, podendo representar um grupo de plantas ou um pomar, dependendo da homogeneidade. Em pomares com mais de 100 plantas, porém homogêneas, deve-se coletar quatro folhas por planta em 25 plantas distribuídas aleatoriamente e representativas da área. Cada amostra relaciona-se a uma condição nutricional. Assim, folhas com sintomas de deficiência nutricional não devem ser misturadas com folhas sadias. Cada amostra deve ser constituída de folhas de plantas adultas da mesma idade e da mesma cultivar. Não devem se coletadas amostras de ramos ladrões, que não refletem o crescimento médio dos ramos do ano. As folhas que compõem a amostra devem estar livres de doenças e de danos causados por insetos e não devem entrar em contato com embalagens usadas de defensivos, fertilizantes etc. A amostra deve ser acondicionada em saco de papel comum perfurado e enviada ao laboratório o mais rapidamente possível, acompanhada do respectivo questionário. Caso o tempo previsto para a chegada da amostra ao laboratório seja superior a dois dias, sugere-se fazer uma prévia secagem ao sol, sem retirar as folhas do saco, até que elas se tornem quebradiças. Um sistema informatizado apresenta os resultados de análise em termos de concentração de nutrientes, interpretados em cinco faixas nutricionais em forma de gráfico. Isso possibilita aos produtores, os quais não têm conhecimento dos teores dos nutrientes que correspondem a cada faixa, visualizar o estado nutricional das plantas relativo à amostra. No rodapé do certificado de análise, são incluídas algumas sugestões, as quais não se constituem em recomendações definitivas. Estas, sim, devem ser de responsabilidade do técnico encarregado de orientar o pomar, o qual, de posse dos dados de análise foliar, de análise do solo e com o conhecimento das condições do pomar, terá, por certo, melhores condições para elaborar uma recomendação de adubação mais ajustada à realidade local.
Para a adubação dos pomares de ameixeira em cada uma das três etapas, não existem estudos que mostrem a superioridade de uma fonte de nutriente sobre a outra. Recomenda-se, portanto, a aplicação da fonte mais econômica, seja ela mineral ou orgânica.
Sempre que o produtor tiver disponibilidade de matéria orgânica, seu uso é desejável em substituição à adubação mineral, desde que economicamente viável.
Para a aplicação de uma mesma quantidade de nutrientes, usa-se maior volume de esterco em relação ao adubo mineral, devido à menor concentração no adubo orgânico. Além disso, grande parte dos nutrientes do esterco são encontrados na forma orgânica e necessitam ser mineralizados para se tornarem disponíveis às plantas.
Para se obter uma maior eficiência do fósforo e evitar perdas de nitrogênio por volatilização, os materiais orgânicos devem ser incorporados ao solo. Além disso, eles devem ser aplicados no dia do plantio ou próximo a ele, a fim de se evitarem perdas de N por lixiviação, já que parte deste elemento encontra-se na forma mineral Dificilmente as necessidades nutricionais da ameixeira são total e equilibradamente supridas somente com o uso de materiais orgânicos, pois a concentração de N, de P2O5 e de K2O nesses materiais difere muito das proporções comumente necessárias. Para se evitar a adição de nutrientes em quantidades superiores às exigidas, recomenda-se calcular a dose de adubo orgânico tomando por base o nutriente cuja quantidade for suprida com a menor dose.
Tabela 4. Recomendação de adubação de manutenção com nitrogênio
Teor de N na folhaCrescimento dos ramos do ano (cm)
< 30≥ 30
Produtividade (t/ha)Produtividade (t/ha)
<<
%----------------------- kg de N / ha -------------------------
< 1,801001206080
1,80 - 2,0560806080
2,06 - 2,3040604060
2,31 - 2,55MDAAADUAADMAAMDAA
2,56 - 2,80STAPDMAA0STAP
> 2,800000
MDAA - mesma dose do que ano anterior; ADUAA - aumentar a dose usado no ano anterior; DMAA - dose menor do que ano anterior; STAP - suspender todas ou algumas parcelas.
Fonte: Comissão de Química e Fertilidade do Solo - RS/SC, 10ª edição (2004).
Tabela 5. Recomendação de adubação de manutenção com fósforo
Teor de P na folhaFósforo
%kg de P2O5/ha
< 0,0480 - 120
0,04 - 0,0940 - 60
> 0,090
Fonte: Comissão de Química e Fertilidade do Solo - RS/SC, 10ª edição (2004).
Tabela 6. Recomendação de adubação de manutenção com potássio
Teor de K na folhaPotássio
Produtividade esperada
< 1515 - 30> 30
%----------------------------- kg de K2O / ha -----------------------------
< 0,54150150150
0,54 - 0,92120120150
0,93 - 1,3080120120
1,31 - 1,685070100
1,69 - 2,06305070
2,07 - 2,8203050
> 2,82000
Fonte: Comissão de Química e Fertilidade do Solo - RS/SC, 10ª edição (2004).

Análise Visual do Pomar

A análise visual de um pomar é um valioso instrumento para o diagnóstico de deficiências ou de toxidez nutricionais. A deficiência indica uma condição aguda de falta de nutriente, já que os sintomas somente se evidenciam quando esta se encontra em estágio avançado, ocasionando, nesse caso, um retardamento do crescimento e prejuízos à produção e à qualidade dos frutos, entre outros problemas.
Quando a observação das folhas revela determinadas características, pode se suspeitar de uma deficiência nutricional. Tais padrões são mais ou menos específicos para cada nutriente. No entanto, os sintomas carenciais variam de acordo com a espécie, cultivar e fatores ambientais. Lamentavelmente, não são, ainda, conhecidos os sintomas carenciais para todos os nutrientes e culturas. Por vezes, acontece que os sintomas visuais de dois nutrientes são idênticos.
Quando os sintomas são bem conhecidos, esse método de diagnose nutricional, sem dúvida, é o mais rápido, fácil e barato que se conhece.
Com o objetivo de auxiliar os produtores de ameixa, são descritos, a seguir, os sintomas visuais de carência dos principais nutrientes, sendo que alguns são ilustrados por meio de fotografias.
Nitrogênio (N): Em razão da grande mobilidade do nitrogênio na planta, o que faz com que ele se transloque das folhas mais velhas para as mais novas, os primeiros sinais de carência são notados nas folhas maduras, localizadas mais próximo à base dos ramos. Nesse estádio, o sintoma corresponde a um amarelecimento das folhas basais. Persistindo as limitações no suprimento, a coloração amarela aumenta gradativamente, progredindo para as folhas da extremidade dos ramos.
Fósforo (P): Provavelmente devido à pequena necessidade de fósforo e pela capacidade da ameixeira extraí-lo do solo, mesmo em situações limitantes, os sintomas carenciais são difíceis de serem observados. No entanto, em mudas de ameixeira cultivadas em solução nutritiva da qual o P foi omitido, as folhas apresentam-se com uma coloração verde-escura, com uma concentração de 0,08%, interpretado como abaixo do normal.
Potássio (K): Com relação aos sintomas de deficiência de potássio, inicialmente, aparecem manchas necróticas ao longo de quase toda a borda do limbo, progredindo em direção à nervura central, sem, no entanto, atingirem toda a folha. Nesse momento, o teor foliar de K situa-se ao redor de 0,3%. Com a evolução da deficiência, as manchas necróticas situadas entre a nervura central e a margem do limbo destacam-se, deixando a folha perfurada. As bordas das folhas enrolam-se para cima, até tocarem-se, formando um cartucho característico (Figura 1). Na Figura 2 são apresentadas folhas de ameixeira com sintomas carenciais de potássio desde o surgimento até a situação mais aguda.
Do mesmo modo que ocorre com relação ao N, a carência de K também se manifesta, em primeiro lugar, nas folhas mais velhas, devido à mobilidade desse nutriente na planta. Em geral, uma planta deficiente em K desenvolve-se pouco, apresenta ramos finos e frutos pequenos com polpa pouco espessa. Convém lembrar a semelhança entre os sintomas foliares provocados pela carência de potássio (Figura 3) com aquele ocasionado pela Escaldadura das folhas da ameixeira (Xylella fastidiosa). Isto faz com que ambos sejam facilmente confundidos. A diagnose correta, nos dois casos, é feita por meio de testes de laboratório. A Embrapa Clima Temperado, tem à disposição dos produtores, um serviço que permite a identificação correta.
Cálcio (Ca): Em condições de pomar, dificilmente observam-se plantas de ameixeira com sintomatologia carencial de cálcio, porque mesmo em solos pobres, o teor desse elemento situa-se acima do nível crítico. Os sintomas de deficiência induzida experimentalmente caracterizam-se pelo murchamento de folhas e de ramos mais finos. Com a evolução da deficiência, ocorre a paralisação do crescimento da parte aérea da planta. Devido à extrema imobilidade desse nutriente na planta, ocorre, a seguir, a morte das gemas terminais.
Magnésio (Mg): Quando há carência de magnésio, inicialmente, as folhas mais velhas apresentam manchas amarelo-palha na borda do limbo. Com o passar do tempo, elas evoluem para manchas necróticas, deixando o limbo perfurado, ocorrendo, também, queda das folhas. No momento em que os primeiros sintomas surgem, o teor foliar de Mg encontra-se em torno de 0,2%. Ocorre, também, uma clorose internerval ao redor da nervura central. Sob condições de campo, é bastante difícil a identificação dos sintomas carenciais agudos desse nutriente, já que a deficiência causa um intenso desfolhamento da planta, da parte basal para a apical dos ramos.
Zinco (Zn): O primeiro indício da deficiência de zinco é a clorose irregular, de coloração amarelo-pálido, entre as nervuras das folhas mais velhas. Há encurtamento dos entrenós e, em casos severos, estes tornam-se tão curtos, que há a formação de rosetas.