A Embrapa Mandioca e Fruticultura, situada em Cruz das Almas, Bahia, em parceria com a Embrapa Amazônia Ocidental, situada em Manaus, tem o prazer de entregar aos produtores de banana do Estado do Amazonas, um sistema de produção para a cultura. O referido sistema traz todas as informações técnicas necessárias ao cultivo da banana nas fases de estabelecimento do plantio, tratos culturais, controle de pragas e doenças, manejo na colheita e pós-colheita, além de informações sobre o processamento da fruta. Espera-se que o sistema de produção ora disponibilizado, possa contribuir, significativamente, como instrumento para a melhoria do sistema de cultivo da banana no Estado, trazendo como conseqüência, um produto de melhor qualidade para o consumidor, e a melhoria da renda e da qualidade de vida do produtor rural.
A cultura da banana ocupa o segundo lugar em volume de frutas produzidas no Brasil e a terceira posição em área colhida. Esta entre as frutas mais consumidas nos domicílios das principais regiões metropolitanas do país, a banana só é superada pela laranja. Consumida pelas mais diversas camadas da população, a banana se faz presente na mesa dos brasileiros não apenas como sobremesa, mas como alimento, com um consumo per capita em torno de 25 kg/ano.
A produção brasileira de banana está distribuída por todo o território nacional, sendo a Região Nordeste a maior produtora (34%), seguida das Regiões Norte (26%), Sudeste (24%), Sul (10%) e Centro-Oeste (6%).
Na Região Norte, o Pará e o Amazonas concentram 88% da produção, sendo o Amazonas o segundo produtor. A bananicultura é uma das atividades de maior relevância para o agronegócio da região Norte do Brasil, principalmente para o Estado do Amazonas, onde o consumo “per capita” gira em torno de 60 kg/ano. A banana é, portanto, uma das principais bases alimentares para a população amazonense.
A elevada procura por bananas associada à baixa produtividade dos bananais amazonenses, principalmente após a introdução da Sigatoka-negra (Mycosphaerella fijiensis Morelet), doença que induz a perdas da ordem de até 100% em bananeiras dos tipos Prata e Maçã, tem obrigado o Estado a efetuar importações constantes para atender a demanda crescente por bananas. Embora essa região apresente excelentes condições de clima e solo para a produção de banana de alto padrão de qualidade, ainda é preciso superar, em grande parte, a baixa eficiência na produção e no manejo pós-colheita.
São vários os problemas que afetam a bananicultura dessa região, que se caracteriza pelo baixo nível de tecnificação empregado nos cultivos, resultando em baixa produtividade e qualidade dos frutos. Além disso, os problemas fitossanitários relacionados às doenças como Sigatoka-negra, mal-do-Panamá, moko, nematóides e viroses contribuem, em alguns casos, com grandes perdas na produção.
As cultivares mais produzidas e mais consumidas na Região Norte são a Maçã, Prata e Pacovan (D’Angola), todas altamente suscetíveis à Sigatoka-negra.
Com esse fato, a bananicultura tem passado por mudanças substanciais, envolvendo a substituição dos antigos plantios com essas cultivares suscetíveis, por outras resistentes à Sigatoka-negra, como Caipira, Thap Maeo, Prata Zulu, FHIA 18 e Prata Ken.
A banana, principalmente a prata, dentro do contexto atual alimentar e nutricional, é uma fruta com características originais e peculiares.
Energética, fácil de consumir e rapidamente digerida - em menos de duas horas -, a banana é recomendada para todas as idades.
Para os bebês é um alimento privilegiado devido sua diversidade de nutrientes. É base de muitas formulações para crianças de primeira idade (baby foods).
As crianças, de uma maneira geral, aceitam as bananas voluntariamente, podendo-se reforçar as merendas escolares, por exemplo.
Para os esportistas são indicadas pela sua riqueza em glicídios (açúcares), vitaminas do grupo B, potássio e magnésio, elementos importantes para um bom desempenho muscular.
Para os adultos ela pode isoladamente constituir ou complementar uma refeição rápida e agradável.
Saudável, a banana pode auxiliar na manutenção das defesas imunológicas graças aos seus aportes de vitaminas C e B, em minerais e em oligo-elementos variados (zinco, cobre, manganês, selênio etc.)
Valor Nutritivo de 100 gramas de
BANANA
- PRATA
Nutriente
Unidades
Valor por 100 gramas de porção comestível(*)
Macro Componentes
Água
g
74,26
Energia
kcal
92
Energia
kj
385
Proteína
g
1,03
Lipídeos (total)
g
0,48
Carboidratos por diferença
g
23,43
Fibra dietética (total)
g
2,4
Cinzas
g
0,8
Minerais
Cálcio, Ca
mg
6
Ferro, Fe
mg
0,31
Magnésio, Mg
mg
29
Fósforo, P
mg
20
Potássio, K
mg
396
Sódio, Na
mg
1
Zinco, Zn
mg
0,16
Cobre, Cu
mg
0,1
Manganês, Mn
mg
0,15
Selênio, Se
mcg
1,1
Vitaminas
Vitamina C, Ácido Ascórbico
mg
9,1
Tiamina (B-1)
mg
0,04
Riboflavina (B-2)
mg
0,1
Niacina
mg
0,54
Ácido Pantotênico (B-5)
mg
0,26
Vitamina B-6
mg
0,57
Folato (B-9)
mcg
19,1
Vitamina (B-12)
mcg
0
Vitamina A, IU
IU
81
Vitamina A, RE
mcg_RE
8
Vitamina E
mg_ATE
0,27
USDA Nutrient Database for Standard Reference, Release 13 (November 1999)
Valor nutricional:
Fonte de carboidratos, a banana contém diversos minerais, entre eles o cálcio, essencial para a formação dos ossos e dentes; fósforo, que atua em diversos processos metabólicos; ferro, cuja deficiência acarreta a anemia nutricional; potássio, ótimo para quem sofre de hipertensão; e pequenos teores de magnésio, enxofre, cobre, zinco e iodo. Além das vitaminas A, do complexo B e C, esta última, em maior quantidade na banana são-tomé.
Banana - Originária da Ásia Meridional, de onde se difundiu para a África e América- É uma fruta deliciosa nutritiva medicinal.
Utilidades Medicinais
Anemia- A banana não é relativamente, muito rica em ferro, mas tendo em vista sua boa aceitação, que facilita um consumo liberal, 3 a 5 unidades podem contribuir aproximadamente com 20 a 30% da quantidade de ferro requerida para um dia.
Asma- Assar a muda pequena da bananeira maçã, com raiz e tudo, cortada em rodelas.Depois espremer para obter o caldo,misturar com mel de abelha e tomar diariamente um cálice.
Constipação Intestinal - Recomenda-se a banana-nanica( ou banana d'água ou banana caturra).Fazer, em jejum, uma refeição,com esta banana,crua,sem misturar com outros alimentos.Pode-se fazer a "cura de banana".
Desnutrição- A banana pode ser incluída no programa alimentar de convalescentes de desnutrição, haja visto que é alimento rico em calorias e vitaminas. Seria vantajoso incluí-la na merenda escolar.
Obesidade - Os obesos não devem abusar da banana. É preciso usá-la com regra. Algumas refeições esporádicas exclusivas de banana prata.( 1 ou 2 unidades pequenas são indicáveis).
Paralisia- As doenças neurológicas que levam a paralisias são às vezes tratáveis com vitaminas do complexo B. A banana, como fonte dessas vitaminas é adequada nesses casos como elemento dietético.
A banana é um fruto rico em carbono que se transformam à medida que amadurece. Primeiro sob forma de amido (29%) pouco digerível, convertem-se progressivamente em frutose, glucose e sacarose sendo rapidamente assimiláveis. A banana é um alimento energético à base de glucídios (substâncias hidrocarbonadas) com um índice glucídico médio (62) complementado por diversos minerias e oligo-elementos. A banana é rica em potássio, vitaminas C e B6, muito digestiva, combate a diarréia, regula a hipertensão arterial, é calmante, favorece a formação corpórea, combate a anemia, a retenção urinária e é ótima para lactentes para aumento do leite, além de ser muito saborosa e nutritiva. É Indicada principalmente para quem faz esportes e academia. O consumo de uma banana permite cobrir (40%) das necessidades diária de manganês (Mn). Devido a esta riqueza de manganês, a banana previne o envelhecimento e as doenças cardiovasculares. É uma excelente fonte de vitaminas B2 (riboflavina) B6 (piridoxina) B9 (ácido fólico). Ainda contém pectinas (anticancerígenas do cólon). Com seu teor em vitamina C confere-lhe em certo poder anti radicais livres. A banana quando madura serve como laxativa. Mas quando verde tem o efeito contrário. Os seus sais minerais são um bom fortificante dos ossos e também do sistema nervoso. Além disso é nutritiva, tónica e mesmo afrodisíaca. É indicada aos artríticos. É amiga do estômago hiper-sensíveis. Pois tem um efeito antiácido e uma ação protectora da mucosa gástrica. É benéfica para o metabolismo e boa assimilação proteica. A banana representa uma fonte alimentar importante para mais 400 milhões dos habitantes nos países tropicais. A banana pode ser indicada como um dos primeiros alimentos dos bebês.
Problemas de saúde que a banana pode beneficiar:
Fragilidade da mucosa estomacal (acidez). Úlceras do estômago, colite. Raquitismo. Hipertensão. Trombose coronária. Diarreia dos bebés. Arteriosclerose (muito bom para a prevenção). Insuficiência renal. Hemorragia hemorroidal. Coagulação anormal do sangue. Para o sistema nervoso (principalmente para as mulheres e das crianças). Reumatismo, Gota, Ureia e Artritismo. Mas atenção: a banana pode aumentar o muco. Então evitar comer crua as pessoas que sofrem de hepatite, dispepsia (dor ou um mal-estar na parte alta do abdómen) e icterícia (doenças do fígado, doenças das vias biliares). A banana rica em hidratos e carbono não é recomendada para aos diabéticos.
Como usar a banana para a nossa saúde:
Cãibras: comer 2 bananas por dia. Depressão: no café da manha inclui 1 banana, durante 7 dias. Pneumonia e doenças do pulmão: descascar 3 bananas maduras, colocar na forma, acrescentar 4 colheres de mel e levar ao forno por 30 minutos, o importante comer ainda morno. Anemia: fazer refeições exclusivas de banana tanto crua ou assada 4 vezes por semana. Asma: seiva da bananeira. Cortar a bananeira e aparar com um copo da seiva que escorre. Ferver e adoçar com mel. Beber quando estiver fria, 3 colheres 4 vezes ao dia. Diarreia: cozinhar 2 banana verdes num litro de água, tomar 1 xícara de 3 em 3 horas. Fazer refeições sempre com banana pelo menos 3 vezes por semana. Vamos consumir Banana.
O açaí é um fruto consumido há muito tempo pelos indígenas e moradores da região amazônica, devido as suas qualidades nutritivas. É também largamente utilizado para a produção de um refresco (“vinho” de açaí). Nas regiões sul e sudeste vem sendo popularizado e consumido como complemento alimentar, principalmente pelas pessoas que buscam vigor físico.
O açaizeiro, Euterpe oleracea Mart., é palmeira tropical, perene, nativa da Amazônia oriental, predominante ao longo dos igarapés, terrenos de baixada e áreas com umidade permanente. Possuindo farto perfilhamento desde 2 a 3 anos de idade possibilita, teoricamente, uma exploração sustentada de suas populações nativas para palmito. A exploração do palmito açaizeiro no estuário amazônico teve início a partir dos anos 60 devido à escassez de palmito na Região Sudeste do País, gerada pela extração indiscriminada e predatória. Atualmente esta espécie é responsável por cerca de 90% da produção nacional. Possui palmito do tipo doce, mas de consistência e textura mais rígida do que o das espécies E. edulis, E. precatória e E. espiritosantensis.
MANEJO DOS AÇAIZAIS NATIVOS:
A melhor forma de exploração de palmito de açaizais nativos é o sistema de manejo sustentado, que exige atenção aos seguintes itens:
INVENTÁRIO:
Estimar o número de açaizeiros por área nas diferentes classes de desenvolvimento, definindo estoque imediato para corte, número de palmeiras para reposição das plantas cortadas, número e tipo de intervenções necessárias para aumentar ou regular o estoque.
COLHEITA SELETIVA:
Partindo de uma área não explorada, realizar a extração do palmito dos estipes (troncos) grandes (com diâmetro à altura do peito superior a 10cm), para estimular o perfilhamento e fornecer melhores condições de insolação e menor competitividade com os perfilhos intermediários. A prática de deixar um estipe grande por touceira aumenta a regeneração natural via sementes, permitindo ainda a colheita de frutos juntamente com a produção de palmito na mesma touceira. Deixar 50 ou mais plantas com um estipe adulto (em pleno florescimento e frutificação) por hectare para assegurar a preservação da espécie.
INTERVALO DE CORTE:
É estimado em 4 anos, na mesma área. No manejo sustentado, a produção, a curto prazo e por área, é menor do que no sistema predatório. Porém, garante, a longo prazo, a produção contínua das fábricas beneficiadoras de palmito e a qualidade do produto (apenas em relação a diâmetro e textura).
RECUPERAÇÃO DE AÇAIZAIS DEGRADADOS:
Dois procedimentos são indicados:
1) Raleamento da touceira deixando 2 a 3 perfilhos mais desenvolvidos por planta. Deixar a área em descanso (sem cortes) por 4 anos procedendo-se após, à colheita seletiva.
2) Para açaizais muito degradados fazer ainda semeaduras sucessivas, a cada dois anos, utilizando-se sementes de outras localidades. Plantio por mudas pode ser usado em áreas com má distribuição de plantas. Usar adubos orgânicos e minerais mediante análise de solo. Seguir os procedimentos indicados para o cultivo.
CULTIVO DO AÇAIZEIRO
CULTIVARES:
A própria espécie botânica (com variações morfológicas e de desenvolvimento marcantes dependendo do local de coleta) ou híbridos entre essa espécie e o palmiteiro (Euterpe edulis). Esses híbridos são plantas rústicas, que perfilham, precoces e com boa qualidade de palmito.
CLIMA E SOLO:
Clima tropical úmido (temperatura média anual acima de 22ºC e precipitação acima de 1.600mm por ano). Não tolera geadas, especialmente quando jovem (até 60cm de altura). Não é exigente em solos, crescendo mesmo em solos pobres e ácidos. No entanto, desenvolve-se mais rapidamente em solos com maior fertilidade. A produção de palmito em áreas de baixa fertilidade deve-se basear na reposição de nutrientes através de adubações anuais parceladas.
PROPAGAÇÃO:
Por sementes colhidas de palmeiras selecionadas (diâmetro, número de folhas e sanidade), que devem estar em conjunto com outras da mesma espécie e no mesmo estádio de desenvolvimento, para evitar a autofecundação forçada. Marcá-las de modo permanente, porém sem afetá-las, para fácil reconhecimento.
COLHEITA DE SEMENTES:
Colher frutos pretos e opacos, quase cerosos, na estação seca (agosto a dezembro), em sua região de origem. Colher somente os frutos que estão no cacho, que possui de duas a cinco mil sementes. Colocar um plástico ou encerado embaixo da palmeira e derrubar os cachos maduros sobre ele, recolhendo apenas os frutos que caírem sobre o encerado.
ARMAZENAMENTO DAS SEMENTES:
As sementes do açaizeiro perdem rapidamente o poder germinativo, porém, é possível armazená-las por até cinco meses, desde que acondicionadas em sacos plásticos bem fechados e mantidos sob refrigeração (temperatura entre 5 a 10ºC).
GERMINAÇÃO:
Leva de 3 a 11 meses para se completar. Despolpar os frutos para acelerar o processo germinativo e permitir a obtenção de lotes homogêneos de mudas (germinação em 2 a 5 meses). Para isso, acondicionar os frutos recém-colhidos em sacos plásticos e umedecer. Fechar o saco, mantendo-o à sombra e à temperatura ambiente. Depois de 3 ou 4 dias, atritar os frutos sobre as malhas de peneiras grossas (de café ou de feijão), em água corrente, para separação da polpa, ou imergir totalmente os frutos em água, trocando-a diariamente, para não fermentar. Após três a quatro dias, despolpar.
SEMEADURA DIRETA:
É mais econômico do que o de plantio de mudas. Para evitar ataque de insetos, roedores e outros animais, enterrar as sementes entre 3 a 4cm. Semear de 2 a 3 sementes por cova, com o auxílio de um chuço, e cobrir com terra. Não desbastar as mudas. Efetuar semeaduras na mesma área a cada dois anos para manter um povoamento de plantas em diferentes idades ou estádios. Semear de agosto até dezembro.
TRANSPLANTE DE MUDAS:
A utilização de plântulas com raiz nua de 15 a 20cm, retiradas de açaizeiros nativos, deve ser recomendada apenas para plantio em área adjacente.
FORMAÇÃO DE MUDAS DE VIVEIRO:
Ganham-se 2 a 3 anos em desenvolvimento, no campo, comparado com a semeadura direta. Colocar uma semente despolpada por saco plástico de polietileno preto (20 a 25cm de altura x 20cm de boca x 8 a 12mm de espessura e com 6 a 8 frutos) cheio com 2 a 3,5kg de terra de boa qualidade, rica em matéria orgânica, retirada da superfície da própria mata. Na falta, utilizar mistura de 3 partes de solo e 1 de matéria orgânica bem curtida (vide adubação do substrato). Irrigar diariamente. O sombreamento do viveiro deve ser semelhante àquele que a muda receberá quando estiver no local definitivo. Plantar as mudas no campo, com 20 a 30cm de altura e com 3 a 4 folhas vivas (entre o décimo e o décimo quarto mês após a semeadura).
ADUBAÇÃO DO SUBSTRATO:
Usar solo de boa qualidade, acrescido de uma fonte de matéria orgânica curtida (esterco de curral, ou composto de lixo, ou composto de usina de beneficiamento de algodão, ou palha de café) na proporção de 3:1, em volume. Acrescentar calcário para elevar a saturação por bases a 60%, e mais 500g de P2O5 e 100g de K2O por m3 do substrato (terra + esterco).
PREPARO DA ÁREA PARA SEMEADURA OU PLANTIO:
Sob mata nativa, fazer antes uma roçada da vegetação mais baixa, poupando-se as essências nativas de valor econômico; em áreas sem cobertura vegetal fazer antes um sombreamento temporário com guandu, tefrósia ou leucena. Em consórcio com seringueiras ou outras plantas perenes, seguir o mesmo preparo de solo da cultura principal.
PLANTIO DE MUDAS:
Deve ser feito no período das águas, com cuidado para não danificar a palmeira. Cortar o saco plástico na altura de 2cm da base, podando as raízes e, em seguida, cortar e retirar o saco e colocar a muda na cova com o torrão inteiro, preenchendo os espaços vazios com terra de superfície, comprimento para manter a muda firme.
DENSIDADE DE PLANTIO OU SEMEADURA:
Para o cultivo solteiro: 2,5 x1,5m. Em áreas de mata nativa, efetuar a semeadura direta (três sementes novas por cova) a cada um ou dois passos, cada linha separada das outras por dois ou três passos. Repetir a operação a cada dois anos, sempre com o cuidado de não pisar as plântulas de açaizeiros, nativas ou não, já existentes. No cultivo consorciado, plantar duas a três linhas de açaizeiros na faixa central da entrelinha do cultivo principal, com o espaçamento entre as plantas de 2,5 ou 1,5m. É comum o consórcio com seringueiras (Hevea brasiliensis).
TRATOS CULTURAIS:
Roçadas periódicas para apressar o desenvolvimento, poupando as essências nativas de valor. Não capinar, devido ao sistema radicular superficial.
MANEJO DE PERFILHOS:
Para aumentar o desenvolvimento da touceira e permitir corte de palmito a curto prazo, manejar os perfilhos deixando 3 a 4 bem distribuídos por touceira, e um perfilho novo por ano, a partir do terceiro ano de plantio. Assim, é possível iniciar o corte para palmito entre o quarto e o quinto ano.
COLHEITA DO PALMITO:
Colher somente em palmeiras que apresentem DAP (diâmetro à altura do peito) acima de 10cm, poupando um estipe por planta para a produção de sementes, quando a densidade for baixa. Evitar queda brusca do palmito, pois isso causa escurecimento interno e rápida decomposição. Fazer o corte alto (50 a 80cm) para reciclar os nutrientes para os perfilhos na touceira.
INTERVALO OU CICLO DE CORTE:
Em torno de 2 a 4 anos, na mesma touceira, para palmito de primeira qualidade.
ADUBAÇÃO:
Normalmente as áreas de distribuição natural do açaizeiro são ricas em nutrientes, não devido às condições de solo, mas sim à rápida decomposição da matéria orgânica (“litter”) em sua superfície. Em áreas muito degradadas (mata e açaizal) fazer adubação para recuperação após análise do solo.
DOENÇAS E PRAGAS:
A principal doença do açaizeiro é a antracnose. Ela só é limitante em condições de viveiro e em regiões frias e úmidas. Em condições de campo, não há nenhuma doença séria que mereça controle. Já com relação a insetos, temos os de viveiro (gafanhotos, cigarrinhas, cochonilhas, pulgões e ácaros) e os de campo (especialmente o coleóptero Rhyncophorus), que em culturas e explorações bem manejadas, não chegam a ser problema.
DURAÇÃO E PÓS-COLHEITA DO PALMITO:
Após colhido, dura no máximo 5 a 7 dias, quando mantido com 4 capas (bainhas externas). Escurece e apodroce devido à ação de fungos, comuns em matéria em decomposição. O tombo e o corte acidental de partes do palmito aceleram a decomposição.
Até a década de 1980, a exploração do açaizeiro (fruto, palmito e folhas) era feita somente de forma extrativa. A partir de 1990, o cultivo dessa palmácea na Região Norte do país, face ao aumento da demanda, experimentou sensível crescimento, em razão de incentivos financeiros e disponibilização de novas técnicas de cultivo e manejo. O açaizeiro, por não ser espécie arbórea, não tem interesse para a indústria madeireira, mas é de grande importância para a preservação da floresta amazônica. Para o estabelecimento da cultura é necessário que o produtor rural conheça o custo de sua produção, para poder comparar com o preço de mercado e decidir pela manutenção ou não do plantio e da área de exploração extrativa. A decisão de plantar culturas perenes, pela irreversibilidade da sua introdução ao sistema de cultivo, deve ser bem planejada. Os coeficientes técnicos e rendimentos do cultivo e da exploração extrativa do açaizeiro, aqui tratados, foram extraídos de trabalhos científicos e teses defendidas por pesquisadores da Embrapa Amazônia Oriental e obtidos em viagens às regiões maiores produtoras. Os custos de produção e a rentabilidade foram analisados com base no cálculo dos seguintes indicadores financeiros: valor presente líquido, relação beneficio/custo e taxa interna de retorno. Os cálculos foram executados em planilhas do programa Excel, através das seguintes fórmulas:
onde:
VPL= valor presente líquido;
B/C= relação benefício/custo;
Bt = benefício em cada ano do projeto;
Ct = custo em cada ano do projeto;
t = número de anos do projeto;
i = taxa de desconto; e
i* = taxa interna de retorno.
O VPL é o valor atual de uma sucessão futura de benefícios líquidos. É calculado com base na aplicação de uma determinada taxa de desconto sobre os lucros financeiros da atividade, desde o momento futuro em que essa renda ou despesa será realizada, até o presente. Quanto maior é o VPL melhor será o empreendimento.
Com a relação B/C podem ser comparados os diversos fluxos de benefícios e verificados se tem rentabilidade financeira. Quando a B/C é igual a 1 indica o equilíbrio ou equivalência entre os benefícios e os custos. Quando for maior que 1, significa que os benefícios ultrapassam os custos, sendo a relação ideal para os proprietários dos recursos produtivos. E quando a relação B/C é menor que 1 indica que os custos são maiores que os benefícios.
A TIR indica qual a taxa máxima de remuneração que o investimento paga como custo de oportunidade. Se a TIR é maior que as taxas médias de remuneração do capital que o mercado paga, então o empreendimento é viável. Se for menor, convém investir em outras opções.
Foi feita a análise econômica dos três sistemas de produção considerados neste estudo, foi calculado o benefício líquido e o ponto de equilíbrio para cada nível de produção. O benefício líquido é a diferença entre as receitas e os custos de produção e o ponto de equilíbrio mostra qual a quantidade mínima a ser produzida para que as receitas paguem os custos de produção. Também é feito um resumo dos custos de cada sistema
Cultivo em área de terra firme
Os coeficientes técnicos e os custos para a implantação de 1 hectare de açaizeiro para a produção de frutos em área de terra firme, bem como para a sua manutenção a partir do 2° ano após o plantio, constam da Tabela 1. Os dados dessa tabela mostram um fluxo de caixa bastante promissor. Foram estimados os benefícios líquidos do plantio até o 7° ano, quando tendem a se estabilizar.
Tabela 1. Custo de implantação e manutenção de 1 hectare de açaizeiro, para produção de frutos, em terra firme (R$).
Discriminação
Unid.
Preço
1º ano
2º ano
3º ano
4º ano
5º ano
6º ano
7º ano
Q
Valor
Q
Valor
Q
Valor
Q
Valor
Q
Valor
Q
Valor
Q
Valor
Preparo da área Plantio
d/h
12,00
10
120,00
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
Marcação
d/h
12,00
1
12,00
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
Abertura covas
d/h
12,00
10
120,00
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
Adubação
d/h
12,00
1
12,00
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
Plantio
d/h
12,00
1
12,00
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
Tratos culturais
Roçagem
d/h
12,00
8
96,00
8
96,00
8
96,00
8
96,00
8
96,00
8
96,00
8
96,00
Coroamento
d/h
12,00
4
48,00
4
48,00
4
48,00
4
48,00
4
48,00
4
48,00
4
48,00
Desbaste
d/h
12,00
-
-
1
12,00
1
12,00
1
12,00
1
12,00
1
12,00
1
12,00
Cobertura morta
d/h
12,00
3
36,00
3
36,00
3
36,00
3
36,00
3
36,00
3
36,00
3
36,00
Adubação
d/h
12,00
1
12,00
2
24,00
2
24,00
2
24,00
2
24,00
2
24,00
2
24,00
Colheita
rasa1
3,00
-
-
-
-
-
-
72
16
108
321,00
151
153,00
202
606,00
Isumos
Piquetes
mil
10,0
0,4
4,00
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
Adubos
kg
1,30
200
260,00
180,00
234,00
240,00
312,00
240,00
312,00
240,00
312,00
240,00
312,00
240,00
312,00
Calcário
mg
0,25
100
25,00
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
Esterco
m3
35,00
2
70,00
2
70,00
2
70,00
2
70,00
2
70,00
2
70,00
2
70,00
Mudas
uma
0,50
420
210,00
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
Rasas de arumã
uma
2,50
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
Total de custos
1.037,00
520,00
598,00
826,50
939,50
1.073,50
1.234,00
rasa = 28 kg de frutos; Unid. = unidade; Q= quantidade; d/h = dias/homem; t= tonelada. Fonte: Embrapa Amazônia Oriental
Os investimentos iniciais, sem considerar o custo da terra, que normalmente o produtor a possui recebida de herança de seus ascendentes, somam R$ 2.155,00, relativos aos gastos de implantação e manutenção nos 3 primeiros anos. Já no 4° ano, quando tem início a produção, a receita gerada supera os custos de manutenção em 4,5%, o mesmo ocorre nos anos subseqüentes, quando essa margem é de 38%, 69% e 96%, respectivamente para o 5°, 6° e 7° anos. Dessa forma, o investimento feito nos 3 primeiros anos será pago, com facilidade, até o 8° ano (Tabelas 2 e 3).
Tabela 2. Análise econômica da implantação e manutenção de 1 hectare de açaizeiro, produção de frutos, em terra firme (R$).
Períodos
Produção
(rasa)1
Preço
(A)
Valor da produção
(B)
Custo total
(C)
Benefício líquido
(B-C)
Ponto de equilíbrio
(rasa) (C/A)
Ano 1
Ano 2
Ano 3
Ano 4
Ano 5
Ano 6
Ano 7
Ano 8
Ano 9
Ano 10
Ano 11
Ano 12
-
-
-
72
108
151
202
202
202
202
202
202
-
-
-
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
-
-
-
864,00
1.296,00
1.812,00
2.424,00
2.424,00
2.424,00
2.424,00
2.424,00
2.424,00
1.037,00
520,00
598,00
826,50
939,50
1.073,50
1.234,00
1.234,00
1.234,00
1.234,00
1.234,00
1.234,00
(1.037,00)
(520,00)
(598,00)
37,50
356,50
738,50
1.190,00
1.190,00
1.190,00
1.190,00
1.190,00
1.190,00
-
-
-
69
78
89
103
103
103
103
103
103
1 rasa = 28kg de frutos; valores entre parênteses são negativos Fonte: Embrapa Amazônia Oriental
Em áreas onde for prolongado o período sem chuvas, é recomendável o uso de sistema de irrigação, principalmente na fase de implantação do cultivo. A adoção de sistema de irrigação contribuirá, também, para a redução dos períodos de entressafras e, para tanto, pode ser utilizada a irrigação por gotejamento, de baixo custo, adaptado na Embrapa Amazônia Oriental, mas que oneram o investimento em cerca de R$ 1.800,00 por hectare.
Tabela 3. Resumo do custo (R$) de implantação e manutenção de 1 hectare de açaizeiro, produção em terra firme.
Períodos
Mão de obra
Colheita
Insumos
Ano 1
Ano 2
Ano 3
Ano 4
Ano 5
Ano 6
Ano 7
Ano 8
Ano 9
Ano 10
Ano 11
Ano 12
468,00
216,00
216,00
216,00
216,00
216,00
216,00
216,00
216,00
216,00
216,00
216,00
-
-
-
216,00
324,00
453,00
606,00
606,00
606,00
606,00
606,00
606,00
569,00
304,00
382,00
394,50
399,50
404,50
412,00
412,00
412,00
412,00
412,00
412,00
Fonte: Embrapa Amazônia Oriental
Cultivo em área de várzea
Os coeficientes técnicos e os custos de produção para implantação de 1 hectare de açaizeiro em área de várzea para a produção de frutos, bem como para a sua manutenção a partir do 2° ano após o plantio, constam da Tabela 4. Não há referências aos custos com adubos, pois para essas condições de cultivo não há necessidade de práticas de adubação em razão da maior fertilidade desses solos. Foram estimados os benefícios líquidos do plantio até o 7° ano, quando tendem a se estabilizar. O fluxo de caixa do plantio também é bastante promissor.
Os investimentos iniciais, sem também considerar o custo da terra, somam R$ 1.666,00, relativos aos gastos de implantação e manutenção nos 3 primeiros anos. No 4° ano, quando é iniciada a produção, a receita gerada supera os custos de manutenção em 98%, o mesmo ocorre nos anos subseqüentes, quando essa margem é de 188%, 222% e 241%, respectivamente para o 5°, 6° e 7° anos. Dessa forma, o investimento feito nos 3 primeiros anos será pago, com facilidade, até o 5° ano (Tabela 5). No cultivo em área de várzea não há abertura de cova padrão, pois as dimensões necessárias são aquelas que permitam colocar o torrão de terra para a preservação das raízes da planta.
Tabela 4. Custo de implantação e manutenção de 1 hectare de açaizeiro, para produção de frutos, em área de várzea (R$).
Discriminação
Unid.
Preço
1º ano
2º ano
3º ano
4º ano
5º ano
6º ano
7º ano
Q
Valor
Q
Valor
Q
Valor
Q
Valor
Q
Valor
Q
Valor
Q
Valor
Preparo da área Plantio
d/h
12,00
30
360,00
Marcação
d/h
12,00
1
12,00
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
Abertura covas
d/h
12,00
5
60,00
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
Plantio
d/h
12,00
1
12,00
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
Tratos culturais
Roçagem
d/h
12,00
24
288,00
24
288,00
16
192,00
16
192,00
8
96,00
8
96,00
8
96,00
Coroamento
d/h
12,00
6
72,00
6
72,00
-
-
6
72,00
-
-
-
-
-
-
Desbaste
d/h
12,00
-
-
1
12
1
12
1
12
1
12
1
12
1
12
Colheita
rasa1
3,00
-
-
-
-
72,00
216,00
-
-
108
324,00
191
573,00
302
906,00
Isumos
Piquetes
mil
10,0
0,4
4,00
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
Mudas
uma
0,50
420
210,00
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
Rasas de arumã
uma
2,50
-
-
-
-
-
-
5
12,50
7
17,50
12
30,00
19
47,50
Total de custos
1.018,00
372,00
276,00
432,50
449,50
711,00
1.061,50
1rasa = 28 kg de frutos; Unid. = unidade; Q= quantidade; d/h = dias/homem; t= tonelada. Fonte: Embrapa Amazônia Oriental
Tabela 5. Análise econômica da implantação e manutenção de 1 hectare de açaizeiro, produção de frutos em área de várzea (R$).
Períodos
Produção
(rasa)1
Preço
(A)
Valor da produção
(B)
Custo total
(C)
Benefício líquido
(B-C)
Ponto de equilíbrio
(rasa) (C/A)
Ano 1
Ano 2
Ano 3
Ano 4
Ano 5
Ano 6
Ano 7
Ano 8
Ano 9
Ano 10
Ano 11
Ano 12
-
-
-
72
108
191
302
302
302
302
302
302
-
-
-
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
-
-
-
864,00
2.292,00
1.812,00
3.624,00
3.624,00
3.624,00
3.624,00
3.624,00
3.624,00
1.018,00
372,00
276,00
432, 50
449, 50
711,00
1.061,50
1.061,50
1.061,50
1.061,50
1.061,50
1.061,50
(1.018,00)
(372,00)
(276,00)
431, 50
846,50
1.581,00
2.562,50
2.562,50
2.562,50
2.562,50
2.562,50
2.562,50
-
-
-
36
37
59
88
88
88
88
88
88
1 rasa = 28kg de frutos Fonte: Embrapa Amazônia Oriental
Com a taxa de desconto de 6% foram obtidos os seguintes índices financeiros:
TIR = 44,40%; VPL = R$ 9.448,65; e B/C = 2,48.
Pelos cálculos dos indicadores financeiros efetuados foi constatado que a TIR de 44,40% indica um retorno superior às taxas oferecidas pelo mercado para aplicações financeiras; o valor presente líquido é positivo, indicando a viabilidade econômica da atividade; e, a relação Benefício/Custo é maior que 1, demonstrando que os benefícios são 148% superiores aos custos de produção.
Considerando o horizonte temporal de 12 anos e a estabilização do plantio no 7° ano, quando a produção deverá se manter estável a partir daí, outros indicadores econômicos vêm confirmar a viabilidade do plantio:
a) Margem de lucro:
- Benefício líquido acumulado / receita total acumulada = 63%
Mostra que o lucro líquido corresponde a mais de 60% do valor da receita total.
- Benefício líquido acumulado / custo total acumulado = 172%
Mostra que o lucro líquido é mais de 70% superior aos custos totais de produção.
Mostra que o lucro líquido é quase 10 vezes o valor dos investimentos feitos (gastos com implantação e manutenção até o 3° ano).
Pelos dados da Tabela 6, pode ser constatado que a colheita é o item de maior valor na composição do custo de produção, seguido dos gastos com mão-de-obra.
Tabela 6. Resumo do custo (R$) de implantação e manutenção de 1 hectare de açaizeiro, produção de frutos em área de várzea.
Períodos
Mão de obra
Colheita
Insumos
Ano 1
Ano 2
Ano 3
Ano 4
Ano 5
Ano 6
Ano 7
Ano 8
Ano 9
Ano 10
Ano 11
Ano 12
804,00
372,00
276,00
204,00
108,00
108,00
108,00
108,00
108,00
108,00
108,00
108,00
-
-
-
216,00
324,00
573,00
906,00
906,00
906,00
906,00
906,00
906,00
214,00
-
-
12,50
17,50
30,00
47,50
47,50
47,50
47,50
47,50
47,50
Fonte: Embrapa Amazônia Oriental
Manejo de açaizais nativos
Na composição dos custos foi considerado o manejo de 1 hectare de açaizal nativo com 800 plantas adultas, 900 estipes em produção e 2.700 cachos. Os coeficientes técnicos e os custos de produção foram estimados até o 4° ano, quando tendem a se estabilizar, e os dados constam da Tabela 8.
Não há investimento inicial no manejo, pois a produção inicia desde o 1o ano. Pelos dados da Tabela 13, pode ser observado que desde o 1° ano a atividade apresenta superávit no fluxo de caixa. Até o 3° ano a receita superou o custo em 90%, 87% e 87%, respectivamente. A partir do 4° ano os custos e receitas tendem a se estabilizar a níveis altamente satisfatórios, tendo em vista que o manejo possibilita dobrar a produção de frutos a partir desse período. O superávit, a partir do 4° ano, foi de 198%, anualmente.
Para a taxa de desconto de 6% foram obtidos os seguintes índices financeiros: VPL = R$ 16.026,07; e B/C = 2,68.
Pelos cálculos dos indicadores financeiros efetuados foi observado que o valor presente líquido é positivo, indicando a viabilidade econômica da atividade; e, a relação benefício/custo é maior que 1, demonstrando que os benefícios são 168% superiores aos custos de produção.
Considerando o horizonte temporal de 12 anos e a estabilização do plantio no 7° ano, quando a produção deverá se manter estável a partir daí, a margem de lucro vem confirmar a viabilidade do plantio:
Margem de lucro:
- Benefício líquido acumulado / receita total acumulada = 63%
Mostra que o lucro líquido corresponde a mais de 60% do valor da receita total.
- Benefício líquido acumulado / custo total acumulado = 172%
Mostra que o lucro líquido é mais de 70% superior aos custos totais de produção.
Os dados da Tabela 7, possibilitam constatar que a colheita é o item de maior valor na composição do custo de produção, seguido dos gastos com mão-de-obra.
Tabela 7. Produção, receita e custo de implementação e manutenção de 1 hectare de açaizal nativo manejado, em área de várzea para produção de frutos (R$).
Discriminação
Unid.
Preço
1º ano
2º ano
3º ano
4º ano
Q
Valor
Q
Valor
Q
Valor
Q
Valor
Raleamento e roçagem Transplantio de mudas Roçagem semestral Colheita Desbaste Rasas de arumã
d/h d/h d/h rasa1 d/h unid.
12,00 12,00 12,00 3,00 12,00 2,50
30 3 - 151 7 9
360,00 36,00 - 453,00 84,00 22,50
40 151 1 9
480,00 453,00 84,00 22,50
40 151 1 9
480,00 453,00 84,00 22,50
40 151 1 9
480,00 453,00 84,00 22,50
Total dos custos
955,50
967,50
967,50
1.215,00
1rasa = 28 kg de frutos; Unid. = unidade; Q= quantidade; d/h = dias/homem; t= tonelada. Fonte: Embrapa Amazônia Oriental
Tabela 8. Análise econômica da implementação e manutenção de 1 hectare de açaizal nativo, para produção de frutos em área de várzea (R$).
Períodos
Produção(rasa)1
Preço(A)
Valor da produção(B)
Custo total (C)
Benefício líquido (B-C)
Ponto de equilíbrio(rasa) (C/A)
Ano 1
Ano 2
Ano 3
Ano 4
Ano 5
Ano 6
Ano 7
Ano 8
Ano 9
Ano 10
Ano 11
Ano 12
151
151
151
302
302
302
302
302
302
302
302
302
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
12,00
1.812,00
1.812,00
1.812,00
3.624,00
3.624,00
3.624,00
3.624,00
3.624,00
3.624,00
3.624,00
3.624,00
3.624,00
955,50
967,50
967,50
1.215,00
1.215,00
1.215,00
1.215,00
1.215,00
1.215,00
1.215,00
1.215,00
1.215,00
856,50
844,50
844,50
2.049,00
2.049,00
2.049,00
2.049,00
2.049,00
2.049,00
2.049,00
2.049,00
2.049,00
79
80
80
101
101
101
101
101
101
101
101
101
1rasa = 28 kg de frutos Fonte: Embrapa Amazônia Oriental
Tabela 9. Resumo de custo (R$) de implementação e manutenção de 1 hectare de açaizal nativo, para produção de frutos em área de várzea.