domingo, 18 de março de 2018

Poda na Mangueira (Manga)


A poda na fruticultura é realizada com o objetivo de melhorar a sanidade das plantas, nas práticas culturais, produtividade, qualidade dos frutos e, também, permitir a condução da planta e adequar o formato da copa ao espaçamento escolhido para o pomar. A poda é importante porque melhora a aeração e a entrada de luz no interior da copa e por possibilitar a retirada de partes da planta atacadas por pragas e doenças. Com a poda, é possível, também, controlar a produção, podendo programar a colheita para períodos mais favoráveis à comercialização ou menos favoráveis à incidência de pragas.
Na decisão de uma poda, o vigor e a fertilidade devem ser considerados. O vigor varia em função da posição e inclinação de um ramo na planta; brotos verticais são principalmente lenhosos e não produtivos. Quanto mais severa for a poda de um ramo, maior será seu vigor na brotação. Por isso, a poda curta é indicada para ramos debilitados, e a longa para as vigorosas. A fertilidade está relacionada à tendência das plantas para produzirem flores e frutos, e varia entre cultivares da mesma espécie e entre indivíduos da mesma cultivar. Em geral, observa-se que quanto maior o vigor, menor a fertilidade dos ramos.
O manejo da copa da mangueira é feito pela prática de podas durante a formação do pomar, como também pelas anuais, realizadas durante a fase produtiva da planta (normalmente após a colheita). São práticas nas quais estão incluídas as atividades de limpeza e adequação da copa das plantas ao que foi planejado no estabelecimento do pomar. O material oriundo das podas, no caso de ramos que não tenham apresentado problemas fitossanitários, pode ser colocado nas ruas (entrelinhas do pomar), e depois de secos, serem triturados para uso como cobertura do solo (Figura 1).
Fotos: Mouco, M. A.


Figura 1. a) Restos de poda depositados nas ruas em pomar de mangueira (Mangifera indica L.) cv. Kent; b) como cobertura do solo.
As podas de formação são realizadas com o objetivo de orientar o crescimento dos ramos, quanto ao número, distribuição e tamanho das plantas que deve ser adequado à densidade escolhida para o pomar. Assim, significa formar uma planta com uma arquitetura caracterizada por uma copa com a parte interna aberta e um número adequado de ramos laterais produtivos. Essas características trazem vantagens como a maior iluminação e aeração da copa, facilidade nos tratamentos fitossanitários e obtenção de plantas menos vulneráveis aos ventos fortes.
A poda de formação proporciona à planta uma conformação compatível com o método de exploração e, pela redução do porte da árvore, facilita os tratos culturais, do solo, a proteção contra queimaduras do sol, além de facilitar a colheita dos frutos e possibilitar o aumento da densidade de plantio.                            
Para acelerar a maturação dos ramos das mangueiras, é necessário produzir uma estrutura bem ramificada, o que é possível por meio da poda de formação, despontando os brotos vegetativos no primeiro ou segundo entrenó. A poda de formação consiste em cinco a seis operações para formar uma planta com esqueleto equilibrado e robusto. A primeira poda é feita a uma altura de 60 cm a 80 cm do solo; o corte deve ser feito abaixo do nó, para induzir uma brotação em pontos alternados e proporcionar uma base da copa mais equilibrada. As podas sempre devem ser feitas em local com tecido já lignificado (maduro). Após a brotação, devem ser selecionados três ramos, que formarão a base da copa; os demais ramos devem ser eliminados. Os cortes deverão ser tratados com uma pasta à base de fungicida.
A partir da quarta poda, o corte deverá ser feito acima do nó, em tecido lignificado, quando devem ser selecionados três ramos direcionados para a parte externa da copa; os locais de corte e os ramos devem ser protegidos com tinta látex e fungicida. A poda acima do nó aumenta a possibilidade de brotação de novos ramos em posição adequada à floração, produção e qualidade de frutos, mas a decisão deve considerar, também, o vigor da variedade/planta. Essa fase é atingida pela planta entre 2,5 e 3 anos de idade.

Podas anuais ou de produção

As podas de produção referem-se às realizadas durante a fase produtiva da planta e normalmente são feitas depois da colheita. Nesta prática estão incluídas as atividades de limpeza, levantamento de copa, abertura central, equilíbrio, correção da arquitetura, além da poda lateral e de topo.
Poda de limpeza: Consiste na remoção dos ramos secos e doentes da planta, como também, daqueles com frutificação tardia, e dos restos de colheita. Deve ser realizada rigorosamente uma vez ao ano e tem como objetivos: eliminar material doente ou infectado, especialmente com Fusarium e Lasiodiploidia; obter material produtivo, ou seja, gemas apicais, homogêneas em idade e capacidade produtiva, para produção no ano seguinte, além de material bem localizado em relação à exposição ao sol (necessário para o amadurecimento das gemas e para o colorido dos frutos), como também, dispor de árvores mais baixas e com copa mais adequada aos diversos manejos. Quando a poda pós-colheita/limpeza não é feita, deve-se esperar a brotação espontânea da planta, o que pode atrasar ou inviabilizar a produção do ano seguinte.
Levantamento da copa: Consiste na eliminação dos ramos que estiverem até 0,70 m de altura do solo (Figura 2a). Essa operação ajuda no controle das ervas daninhas e na melhor distribuição da água de irrigação por aspersão; também evita a produção em ramos que possam expor os frutos ao contato com o solo (perda de qualidade).
Abertura central da planta (poda central de iluminação): A poda de abertura central da mangueira consiste em eliminar ramos que tenham um ângulo de inserção com o tronco menor que 45º (Figura 2b). Com isso, consegue-se uma maior iluminação na parte interna da copa. Os ramos de maior diâmetro da planta, que tenham uma parte direcionada para o sol poente, devem ser pincelados com uma solução de água: cal (1:2) logo após a poda, para se evitar rachaduras provocadas pelo sol.
Fotos: Mouco, M. A.



Figura 2. a) Práticas de levantamento de copa e, b) abertura central.
Poda lateral: É a poda que se efetua para manter um espaçamento adequado entre as fileiras de plantas e que vai permitir a passagem de máquinas e veículos, facilitando as pulverizações, tratos culturais, colheita, etc. É comum deixar que a rua entre plantas corresponda a 45% do espaçamento entre fileiras (Figura 3a). Exemplo: um espaçamento de 8 m x 5 m deve ter uma rua com largura de 3,6 m (45%).
Poda de topo: É a poda efetuada para manter a altura da planta num limite adequado à condução do pomar (Figura 3b). Normalmente, considera-se como ideal, uma altura máxima igual a 55% do espaçamento entre fileiras da planta, ou seja, num espaçamento de 8 m x 5 m, a altura máxima da planta deve ser de 4,4 m (55%).
Fotos: Mouco, M. A.



Figura 3. a) Poda lateral. b) poda de topo.
Poda de equilíbrio: É realizada em plantas que já estabilizaram a produção, com a finalidade de balancear o equilíbrio entre a produção de frutos e a folhagem. A estreita relação entre o incremento da folhagem e a produção de frutos, nos primeiros anos da mangueira, vai se modificando com os anos até o ponto em que os novos incrementos da folhagem não contribuem para aumentar a produção de frutos, podendo até comprometê-la. Essas perdas da eficiência produtiva da planta podem ser minimizadas por meio da poda da folhagem.
No primeiro ano, a poda da folhagem limita-se ao raleio de ramos que se localizam ao redor e no centro da copa da planta, e que comprometem a adequada aeração e iluminação (na abertura central da copa, normalmente, esta prática já é feita); o momento mais adequado para esta prática é também imediatamente após a colheita dos frutos. A vegetação dos ramos e os brotos de folhas jovens, que normalmente contêm de três a cinco folhas, também devem ser raleados até ficarem com uma ou duas folhas sadias. Nos anos seguintes, a poda de equilíbrio limita-se ao raleio de folhas que se localizam nos brotos novos, entre 4 e 5 meses antes da floração. Também devem ser eliminados os ramos que afetam o balanço do desenvolvimento da copa das árvores.
Correção da arquitetura
O formato da copa é definido em função do vigor da copa e da densidade escolhida na implantação do pomar. As copas mais comuns têm as formas piramidal ou vaso aberto (taça).
Forma piramidal - Uma vez que a árvore tenha alcançado o espaço disponível, é necessário realizar uma poda de manutenção, que permita conservar o máximo da superfície produtiva. Este tipo de poda é recomendado principalmente para espaçamentos menores e deve ser realizada logo após a colheita, seletivamente, cortando-se os brotos situados na parte alta da árvore até o primeiro nó (abaixo) e eliminando-se todos os brotos verticais.
Forma em vaso aberto - Consiste em abrir espaços no centro da copa, eliminando-se os ramos que tenham um ângulo de inserção menor que 45º com o tronco. Com isso, consegue-se uma melhor iluminação interna e um maior número de ramos na parte mediana da copa.
Intensidade da poda
A intensidade da poda não deve ser a mesma durante o ano, sendo realizada em função da época em que será feita a indução floral. A poda mais severa da mangueira não deve ser praticada quando se deseja a floração da planta fora do período normal, e que coincide com a ocorrência de altas temperaturas e altos índices de precipitação pluvial. Nessa época, são recomendadas podas menos severas e, ainda, aguardar a emissão de dois a três fluxos vegetativos, antes de se aplicar o regulador vegetal para o início do manejo da produção da mangueira.
Desfolha
A desfolha na mangueira é praticada com a finalidade de melhorar a capacidade produtiva da planta e a coloração dos frutos.
Quando a folhagem é abundante, o sombreamento traz como consequência a existência de um material vegetal que atua de forma parasitária e que reduz a possibilidade de acumular reservas para a produção de frutos. A remoção de 15% a 20% da vegetação velha, incluindo ramos, contribui para a melhora significativa na eficiência produtiva. Essa desfolha é feita por meio da poda praticada logo após a colheita. Após a segunda queda de frutos, é conveniente fazer uma desfolha nos ramos produtivos, deixando-se apenas os dois fluxos de folhagem mais próximos da infrutescência.
A desfolha, para melhorar a coloração dos frutos, deve ser feita próxima à fase final da maturação, eliminando-se as folhas que os sombreiam (Figura 4). Essa prática deve ser realizada com bastante cuidado, principalmente na parte da copa direcionada para o poente, pois frutos muito expostos em época de temperaturas elevadas e baixa umidade do ar acabam necessitando de proteção para evitar a queima causada pelo sol, principalmente nos ‘ombros’ dos frutos.
Fotos: Mouco, M. A.



Figura 4. a) Desfolha em mangueira (Mangifera indica L.) `Kent` e, b) `Palmer`, aos 30 dias da colheita. 

Podas para manejo da floração

Eliminação da brotação vegetativa - Quando há ocorrência de brotação vegetativa (Figura 5), próximo à época de aplicação do nitrato para quebrar a dormência da gema, pode-se manter o estresse hídrico para aumentar o grau de maturação do fluxo vegetativo inferior (folhas quebradiças) e, em seguida, podar a vegetação nova e iniciar as pulverizações com nitrato (potássio, cálcio ou amônio) para estimular a brotação das gemas axilares.
Foto: Mouco, M. A.
Figura 5. Brotação vegetativa em mangueiras (Mangifera indica L.) com ramos em fase de maturação e antes do início das induções com nitrato.
Eliminação da inflorescência - Quando se quer eliminar a inflorescência de um ramo sem que haja a imediata emissão de novos brotos florais, deve-se cortá-la, pelo menos, aos 5 cm do nó terminal, no estádio de chumbinho (após a fertilização). Essa prática deve estimular a emissão de brotos vegetativos vigorosos.
A eliminação da floração terminal em algumas cultivares provoca uma segunda emissão de inflorescência axilar, que deve produzir um número menor de frutos abortados. Essa eliminação deve ser feita acima do nó terminal (na base da inflorescência), no início da floração. Essa prática permite retardar a floração por um período curto, até 30 dias.

Poda de renovação e rejuvenescimento

O objetivo das podas de renovação e rejuvenescimento é revitalizar as árvores velhas ou descuidadas, que não apresentam produção abundante, mas com troncos e ramos principais estão sadios. Consiste na eliminação da folhagem e de ramos secundários, deixando-se apenas o esqueleto dos ramos principais. Com isso, brotações vegetativas que formarão a nova copa são estimuladas.

sábado, 10 de março de 2018

Manejo de Floração da Mangueira (Manga)


A possibilidade de produção durante todo o ano é o diferencial de maior interesse na exploração da mangueira nas condições semiáridas. Assim, o manejo adequado da parte aérea sem alterar a atividade metabólica favorece a floração e é o que vem orientando os trabalhos de escalonamento da produção de manga, com o objetivo de atender todos os mercados disponíveis.
O frio e o estresse hídrico são condições naturais que induzem o repouso dos ramos, condição necessária à diferenciação das gemas vegetativas em florais, visando o florescimento, nas condições de clima subtropical e tropical, respectivamente. A ocorrência de temperaturas baixas, nas condições subtropicais, define o período de floração e produção da mangueira.
O primeiro passo no processo de indução floral da mangueira, nas condições semiáridas, é realizado com o objetivo de promover o repouso dos ramos. Nesta região, as práticas para alterar o período de floração e produção incluem o manejo da irrigação. O método consiste na redução gradual da quantidade de água, visando uma maturação mais rápida e uniforme dos ramos. Quando bem conduzido e dependendo do estado nutricional da planta, deve permitir o efeito desejado em 30 a 70 dias. O grande inconveniente deste método é a dependência das condições climáticas (precipitação), o que restringe a produção a um determinado período do ano.
Os trabalhos testando retardantes vegetais, como o paclobutrazol (PBZ), foram iniciados com o objetivo de desenvolver um manejo da floração da cultura, que permitisse a produção de manga em qualquer época do ano. O PBZ regula o crescimento vegetativo da mangueira, por meio da inibição da síntese das giberelinas e a forma de aplicação mais eficiente é feita com a diluição do produto em 1 L ou 2 L de água, que depois é despejado junto ao colo ou na projeção da copa. É importante que a solução seja aplicada uniformemente no solo, sob a copa, pois uma distribuição desuniforme pode trazer como consequência a floração somente em uma parte da copa (Figura 1). Depois da aplicação do regulador vegetal, é necessário que seja feita a irrigação das plantas, pois é a água que leva o produto até as raízes, para ser absorvido pelas plantas e inibir a brotação nas gemas apicais dos ramos. O PBZ deve ser aplicado à planta depois da emissão de, pelo menos, dois fluxos vegetativos, após a poda pós-colheita.
Fotos: Mouco, M. A.
 
Figura 1. Detalhe de uma mangueira (Mangifera indica L.) cv. Tommy Atkins onde o PBZ não foi distribuído uniformemente no solo.

A quantidade de PBZ a ser aplicada em um pomar deve considerar a cultivar, o tamanho das plantas, tipo de solo e método de irrigação, como também o clima durante o manejo da brotação vegetativa visando à floração. Normalmente, a recomendação de 1 g por metro linear de diâmetro de copa pode ser uma referência para plantas da cv. Tommy Atkins, com diâmetro de copa entre 3 m e 5 m. No entanto, esta dose é excessiva para plantas de diâmetro inferior e insuficiente para plantas maiores.
A dose de PBZ é dependente de alguns fatores: o vigor, que é o resultado de características que tornam a planta mais ou menos vegetativa, é favorecido também pelo teor de nitrogênio foliar e pela presença de umidade no solo; a cultivar, que está relacionada com a capacidade de brotação vegetativa, como a ‘Kent’ e a ‘Haden’, e que requerem uma dose de PBZ maior que a ‘Tommy Atkins’, considerada padrão. Por último, o fator resíduo, que pode persistir na planta; oriundo de aplicações anteriores. É comum, depois da poda pós-colheita, utilizar o aspecto dos fluxos vegetativos, para serem comparados com fluxos de plantas testemunhas, que não tiveram aplicação de PBZ. Assim, para o segundo ano de aplicação, dependendo do resultado na floração e do tipo de brotação vegetativa depois da poda pós-colheita (se normal ou compactada), pode-se usar 70% ou 50% da dose de PBZ utilizado na safra anterior.
Em casos nos quais a dose de PBZ utilizada na safra anterior for elevada, tendo provocado emissões de panículas e ramos vegetativos muito compactos, deve-se ter bastante cuidado no ciclo seguinte da planta, recomendando-se: evitar poda drástica da planta na pós-colheita, devendo-se quebrar apenas o ráquis floral; adubação com nitrogênio (pós-colheita); pulverização via foliar com nitrato de potássio + sulfato de zinco; no caso de brotação vegetativa de ramos muito compactos, aguardar a emissão do segundo fluxo, para reinício do manejo do ciclo produtivo.
Uma avaliação dos gastos com o manejo da floração na cultura da mangueira mostra que o PBZ é responsável por cerca de 70% do custo com os produtos utilizados (sem incluir custos com a aplicação). Ainda devem ser considerados os custos ambientais do excesso de PBZ aplicado no solo, e o efeito na compactação das panículas, que acaba onerando mais ainda o manejo com os tratos fitossanitários. É importante o cuidado na definição da dose a ser utilizada tanto no primeiro ano como nos anos subsequentes, sem desconsiderar o resíduo que fica da aplicação na safra anterior.
O sulfato de potássio, no manejo da floração também tem a função de conter a emissão de ramos vegetativos, devendo ser utilizado em duas ou três aplicações, em concentrações que variam de 2% a 2,5%.
Com relação à utilização do etephon no manejo da floração, o objetivo é a liberação de etileno nas plantas, que vai participar no processo de maturação das gemas e promover a floração. É um produto que tem eficiência quando combinado com o manejo da irrigação (estresse hídrico) e/ou PBZ. Deve ser aplicado por meio de pulverizações, em dosagens entre 200 ppm a 300 ppm.
Os nitratos no processo de indução floral têm a função de estimular a brotação depois do período de repouso dos ramos; são aplicados via foliar, por meio de pulverizações, e as doses comumente usadas variam de 2% a 4% para o nitrato de potássio (KNO3), de 1,5% a 2% para o nitrato de cálcio, Ca(NO3)2 e de 1% a 1,5% para o nitrato de amônia (NH4NO3). O número de pulverizações vai depender do índice de brotação que se for obtendo. As pulverizações com nitratos devem ser feitas no início da noite ou na madrugada, quando as condições ambientais favorecem a absorção e minimizam os danos à planta.
A resposta às pulverizações com nitrato vai depender do estado de maturação dos ramos (gemas), cujo processo é obtido por meio do estresse hídrico e/ou uso de reguladores vegetais. Outros fatores, como baixa temperatura na ocasião das pulverizações com nitratos, melhoram o índice de floração. Em período chuvoso, é recomendável um intervalo maior entre as pulverizações, em torno de 15 dias ou mais, pois chuvas intensas levam o produto das folhas para o solo próximo ao sistema radicular da planta, podendo provocar uma brotação vegetativa indesejável.

Floração da mangueira

A floração natural da mangueira no Semiárido brasileiro ocorre com maior intensidade entre junho e agosto. Nesta região, as condições climáticas (entre maio e agosto) são caracterizadas pela ocorrência de temperaturas noturnas inferior a 20 ºC e diurnas inferior a 30 ºC e, também, pela menor quantidade de precipitação pluviométrica.

Floração entre maio e setembro

O manejo artificial de floração da mangueira deve ser definido de acordo com a época do ano. Assim, quando as induções com nitrato estão programadas para o período de maio a setembro, pode-se utilizar tanto a aplicação do PBZ como o manejo da irrigação para induzir o repouso dos ramos vegetativos. No caso de se utilizar somente o manejo da irrigação, deve-se monitorar a lâmina de água, para que não haja amarelecimento e queda das folhas; deve ser iniciada após a emissão de dois fluxos vegetativos (quando o segundo ramo apresentar as folhas imaturas, mas com o limbo completamente expandido) depois da última poda de formação das plantas ou da poda de produção (anual, após a colheita).
Com a redução da irrigação, também é recomendado que sejam feitas duas a três pulverizações, com sulfato de potássio (2% a 2,5%), com intervalo de 12 dias; uma a duas pulverizações com etephon (200 ppm a 300 ppm), com intervalo de 12 dias, devendo-se iniciar após a última pulverização do sulfato de potássio. O tempo entre as pulverizações, tanto do sulfato de potássio como do etephon, vai depender do aspecto das plantas em resposta aos produtos.
Os sinais de produção de etileno pelas plantas são a exsudação de látex das gemas terminais, que ocorre na época de iniciação da inflorescência, e a epinastia das folhas maduras localizadas perto do ápice (Figura 2).
Foto: Medina, V. D.
Figura 2. Mangueiras (Mangifera indica L.) com ramos/ folhas em epinastia (produção de etileno).

Entre as várias funções do etileno, estão a promoção da floração em plantas lenhosas e aceleração de maturação de órgãos das plantas. O uso do etephon como amadurecedor de gemas, quando se trabalha em condições ambientais inadequadas à floração, tem sido uma das principais ferramentas do produtor. Quando as gemas/ramos se apresentarem maduros, as pulverizações com nitrato de potássio, cálcio ou amônio podem ser iniciadas, para o estímulo (indução) de brotação das gemas (Figura 3).
No caso de se utilizar o PBZ, a aplicação deve ser feita na dose de 0,5 g ingrediente ativo por metro de diâmetro de copa, no primeiro ano; a irrigação das plantas deve ser mantida por 30 dias. A partir dos 30 a 40 dias da aplicação do PBZ, são recomendadas duas a três pulverizações com sulfato de potássio, no intervalo de 12 dias. A redução da lâmina de água pode ser iniciada aos 70 dias da aplicação do PBZ. As pulverizações com os nitratos de potássio (3% a 4%), cálcio ou amônio devem começar quando as plantas apresentarem os ramos já maduros, normalmente em epinastia.


Figura 3. Esquema para o manejo da floração da mangueira (Mangifera indica L.) em diferentes épocas do ano (diferentes condições climáticas, temperatura e precipitação).

Floração entre outubro e abril

O manejo da floração de um pomar, quando a indução (quebra do repouso das gemas) está programada para o período mais quente, onde há a ocorrência de temperaturas noturnas e diurnas superiores a 25 °C e 35 °C, respectivamente, e que corresponde ao período de outubro a abril, pode ser conduzido somente com o uso de regulador vegetal, o PBZ.
Depois da aplicação do PBZ (0,7 g ingrediente ativo por metro de diâmetro de copa, em caso de primeiro ano de uso na cultivar Tommy Atkins), a irrigação deve ser mantida por 30 dias, quando se pode iniciar as pulverizações (em torno de três) com sulfato de potássio (intervalo de 12 dias). A redução da lâmina de água pode ser feita depois de 80 dias da aplicação do PBZ. Após a última aplicação com sulfato de potássio, iniciar as pulverizações com o etephon (em torno de duas), com intervalo de 12 dias (Figura 3). As pulverizações com uma das fontes de nitrato devem ser iniciadas quando os ramos se apresentarem maduros e nunca em ramos com menos de 90 dias.

A eficiência dos modelos para o manejo da floração da mangueira vai depender do estado nutricional e fitossanitário do pomar.

Na Figura 4, são apresentadas as diferentes fases no manejo da produção de plantas de mangueira ‘Kent’. O manejo é iniciado com a poda de produção para a retirada de partes atacadas por doenças e pragas além dos restos de colheita, como também, para estimular a brotação vegetativa dos novos ramos que serão preparados para a produção na safra seguinte. Depois da brotação de dois fluxos vegetativos, o PBZ é aplicado; depois de 3 a 4 meses, quando os ramos se encontrarem maduros, as induções com nitrato podem ser realizadas para dar início ao florescimento dos ramos e à produção de frutos.
Fotos: Mouco, M. A.
    
Figura 4. a) Fases do manejo da produção em mangueira (Mangifera indica L.) `Kent`. Poda de produção; b) brotação vegetativa (momento de aplicação do PBZ); c) ramos maduros; d) planta em floração; e) planta em produção.




quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Plantio da Mangueira (Manga)

A implantação de um pomar de mangueira deve ser feita de acordo com um projeto de exploração da propriedade, que inclui a utilização de estudos básicos, cujos procedimentos devem viabilizar o agronegócio. Assim, devem ser consideradas as características de clima e solo, além dos aspectos ligados ao perfil mercadológico da região, decidir sobre a variedade a ser plantada, fazer estimativa do custo de implantação, manutenção e rentabilidade. A implantação de um pomar de mangueira tem várias etapas e todas são importantes no processo produtivo.
A área onde será instalado o pomar deve ser selecionada considerando-se a topografia do terreno e as vias de acesso, que serão fatores de influência direta nas práticas agronômicas e no escoamento da produção. Em solos de areias quartzosas da região semiárida brasileira, faz-se apenas a limpeza da área por meio do destocamento e roçagem da vegetação, 3 a 4 meses antes do plantio, sem o uso da aração e da gradagem. Após a limpeza, deve-se coletar uma amostra representativa de solo, para avaliar a necessidade de calagem e adubação.
A área do pomar deve ser protegida contra os ventos fortes que podem comprometer o desenvolvimento adequado das plantas (copa), provocar a queda de flores e frutos e ainda afetar a qualidade da produção. A instalação de quebra-ventos deve ser feita durante os dois primeiros anos de formação do pomar. As espécies vegetais utilizadas devem ser escolhidas considerando-se a sua adaptação ao clima e ao solo, velocidade de crescimento, altura e longevidade da planta. No Semiárido brasileiro, onde o vento compromete o desenvolvimento das plantas, principalmente nos três primeiros anos, é comum o uso de capim-elefante (Pennisetum purpureum Schum), que apresenta desenvolvimento rápido, como também de diversas espécies de fruteiras como quebra-ventos, tais como bananeiras (Musa sp) com 3 a 4 linhas de plantas instaladas entre talhões de plantio ou coqueiros (Cocos nucifera L.) nas margens laterais do pomar.

Densidade de plantio

Nos plantios com tecnologia de produção para exportação, como os do Semiárido brasileiro, onde a irrigação é obrigatória como também as técnicas de manejo da copa, como a poda e o uso de reguladores vegetais, altas densidades de plantio são comuns. Assim, são encontrados espaçamentos nas entrelinhas que variam desde 8 m até 6 m, pois espaçamentos menores nas ruas podem comprometer as práticas como pulverizações e colheita, combinados com espaçamentos dentro da linha que variam desde 5 m até 2 m (Figura 1). Na decisão do espaçamento, deve-se considerar o vigor e o porte da cultivar a ser plantada, como também a necessidade de um manejo adequado, como as podas, nutrição e irrigação do pomar.
Após a definição do espaçamento, faz-se o alinhamento com um piquete no local onde serão abertas as covas. Em áreas com declive acentuado (> 5%), deve-se preparar curvas de nível, a fim de evitar problemas de erosão.
Fotos: Mouco, M.A.
  

Figura 1. a, b) Diferentes densidades do pomar de mangueira (Mangifera indica L.) cultivar Tommy Atkins; c) Plantio em curva de nível da cultivar Palmer.

Abertura e adubação de cova

Após a marcação, as covas com dimensões de 60 cm x 60 cm x 60 cm são abertas; a correção e a adubação devem ser baseadas na análise de solo e serem feitas, pelo menos, 15 dias antes do plantio da muda. No Semiárido, recomenda-se de 20 L a 30 L de esterco de curral (caprino ou bovino) por cova, 1 kg de superfosfato simples, 150 g de cloreto de potássio e 200 g de uma mistura de micronutrientes. Na adubação da cova com esterco, deve ser mantida a relação 1 esterco: 10 solo, para que haja uma decomposição mais equilibrada.
Considerando-se as grandes exigências de cálcio pela cultura da mangueira, recomenda-se associar a calagem com a aplicação de gesso.

Plantio da muda e pintura do caule

É adequado o plantio das mudas enxertadas, sadias e com dois fluxos vegetativos no início da estação das chuvas, para facilitar um melhor estabelecimento das plantas no solo. Sob condições irrigadas, essa operação pode ser realizada em qualquer época do ano. Para evitar rachaduras no caule, causadas pela incidência direta da radiação solar, que favorece a entrada de patógenos no caule, as mudas devem ser protegidas com uma pintura com tinta látex branca, diluída em água, na proporção de 1:1.

Cobertura morta e tutoramento

A utilização da cobertura morta, que pode ser de folhas de coqueiro, raspa de madeira, palha de arroz ou restos da roçagem feita entre as fileiras de plantio é realizada com o objetivo de proteger o solo ao redor da planta, das altas temperaturas, além de evitar perdas excessivas de umidade. Recomenda-se, também, o uso de um tutor (pequeno poste de madeira) que servirá para conduzir o caule da planta verticalmente (Figura 2).
Foto: Mouco, M. A.
Figura 2. Tutoramento, cobertura morta e espaçamento em pomar de mangueira (Mangifera indica L.) cultivar Tommy Atkins.

Cuidados fitossanitários

Nos pomares em formação, as formigas cortadeiras, ácaros, cochonilhas e tripes podem causar danos consideráveis. As medidas de controle devem ser planejadas antes mesmo do plantio. Deve-se também preservar o potencial de controle biológico existente, bem como favorecer a atuação de inimigos naturais, de maneira que, no campo, o controle biológico tenha importância cada vez maior no controle das pragas da cultura. Com alguns cuidados e a introdução de certas práticas, é possível melhorar a qualidade e o rendimento, sem alterar custos.
Entre os cuidados fitossanitários, é importante mencionar que durante a implantação do pomar pode ocorrer a incidência de doenças, em consequência de estresse hídrico à planta, decorrente do entupimento de microaspersores ou qualquer outro problema no manejo da irrigação, assim como podem aparecer mudas com malformação vegetativa. Nesses dois casos, é necessário um replantio, pois as mudas devem ser descartadas. No período das chuvas, deve-se ficar atento à incidência de doenças como a antracnose, cujo controle deve ser feito com pulverização de produtos à base de cobre.

Substituição de copa

É a operação que tem por finalidade o aproveitamento de plantas já formadas, com alteração da variedade copa. Seu emprego é indicado nos pomares de idade média e sadios. Com a sobre-enxertia, é possível antecipar a primeira produção da nova cultivar, pois o porta-enxerto encontra-se perfeitamente estabelecido. A substituição da copa pode ser adequada em função de novas tendências de mercado ou não adaptação de determinada cultivar às condições da propriedade.
A sobre-enxertia pode ser efetuada no tronco ou em ramos secundários. Os principais cuidados a serem tomados no procedimento estão relacionados a: compatibilidade, métodos e técnicas de enxertia adequadas, época de enxertia e características dos ramos a serem usados.
Na amarração, para manter unido o cavaleiro ao cavalo, deve ser utilizada fita plástica, pois é flexível e passível de ser estendida, evitando-se rachaduras à medida que a planta cresce. A época para a realização da enxertia deve ser determinada pela necessidade/intensidade de fluxo da seiva desde as raízes até os ramos dormentes recém-inseridos. Há vários métodos de enxertia disponíveis e deve-se adequar o método mais eficaz para cada ocasião. O método mais utilizado na enxertia em ramos secundários da mangueira é o da garfagem em fenda cheia, e o mais aconselhável às espécies de lenho duro. Na primeira etapa, a planta com a copa a ser substituída deve ser podada, mantendo-se, no primeiro momento, um ramo para se evitar um excesso de fluxo, que depois da emissão das novas brotações vegetativas, é também descartado (Figura 3a). Depois da emissão de dois novos fluxos vegetativos (Figura 3b), e quando a parte a ser podada se encontra lignificada, pode-se iniciar a enxertia dos garfos da cultivar copa escolhida. É importante a seleção de garfos maduros, em plantas sadias. Na Figura 3c é mostrado o início dos procedimentos da enxertia.
Fotos: Mouco, M. A.
  


Figura 3. a) Poda de mangueira (Mangifera indica L.) cv. Tommy Atkins com a copa a ser substituída; b) novos ramos vegetativos onde serão enxertadas as estacas da nova cultivar; c) poda dos ramos para início da prática de enxertia.

Depois da seleção das estacas da nova cultivar a ser enxertada, em plantas sadias, faz-se um corte nos ramos onde será inserida a estaca da nova cultivar, de forma que os tecidos vasculares fiquem em contato (Figura 4a); o local da enxertia é então amarrado (Figura 4b) e envolvido com papel absorvente para evitar o excesso de água no local e coberto com saco plástico para evitar desidratação da estaca (Figura 4c).
Fotos: Mouco, M. A.
  

Figura 4. a) Enxertia de garfo de mangueira (Mangifera indica L.) cv. Palmer; b) ponto da enxertia envolvido com fita plástica; c) plantas ‘Tommy Atkins’ já enxertadas com a nova copa de mangueira ‘Palmer’.

As novas brotações vegetativas devem ocorrer em 30 dias (Figura 5a), mas é dependente das condições climáticas, quando os novos brotos devem ser expostos. Normalmente, é necessário um repasse para novos enxertos (Figura 5b), mas a diferença na maturidade dos novos ramos é eliminada em pouco tempo na formação da nova copa (Figura 5c).
Fotos: Mouco, M. A.
  


Figura 5. a) Brotações de estacas enxertadas de mangueira (Mangifera indica L.) cv. Palmer; b) ramos com folhas expandidas e o repasse de novos enxertos; c) copa de mangueira ‘Palmer’ sobre-enxertada em mangueira ‘Tommy Atkins’.

Na substituição de copa, pode acontecer que em algumas plantas a sobre-enxertia não seja efetuada ou até mesmo que parte dos ramos em uma mesma planta não apresentem pegamento adequado. Assim, algumas plantas podem apresentar a copa da cultivar original ou, em uma mesma planta, ramos da copa original e outros da copa enxertada (Figura 6).
Fotos: Mouco, M. A.



Figura 6. Mangueiras (Mangifera indica L.) da cultivar Kent e da cultivar Tommy Atkins, e detalhe de ramo `Tommy Atkins`, em copa da `Kent` sobre-enxertada.

Dadas as características que possuem, muitas mangueiras plantadas em fundo de quintal e sítios, se bem trabalhadas, têm condições de produzir comercialmente. Chamada de rainha das frutas tropicais, a manga tem bom potencial de vendas no varejo graças ao seu aspecto atrativo, com diferentes formas, cores, aromas e sabores, resultado dos cruzamentos de plantas que ocorrem espontaneamente no campo e que geram novas variedades.

Uma das primeiras frutas introduzidas aqui, logo após o descobrimento das terras brasileiras, a manga tem hoje o Brasil como seu terceiro maior produtor global. A produção nacional perde somente para a da Índia, de onde a planta foi trazida para cá pelos colonizadores portugueses, e a da China. Além de atender ao mercado interno, e por ser muito apreciada no mundo inteiro, a manga também é exportada para vários destinos, principalmente para Europa, Japão e Estados Unidos.

Com manejo correto e cuidados necessários, como irrigação e adubação adequadas, a mangueira tem cultivo fácil, crescimento rápido e capacidade produtiva de norte a sul do país. Embora seja uma árvore vigorosa, podendo chegar a 20 metros de altura, em plantios comerciais recomenda-se, por meio da execução de podas, mantê-la com 3 metros a altura.

A mangueira também pode ser cultivada em vasos com capacidade para, no mínimo, 50 litros de solo. O plantio em vasos pode, inclusive, produzir alguns frutos se contar com boa drenagem e adubação parcelada durante o ano todo, principalmente orgânica. A muda também deve ser proveniente de enxertia; até o século XIX, o processo de propagação era feito apenas por semente e as plantas demoravam muito para produzir.
Por serem mais fáceis de cuidar e se desenvolverem com rapidez, as mudas enxertadas são as mais indicadas para o plantio de mangueira. No segundo ano de cultivo, elas já produzem os frutos com as mesmas características das mangas geradas pela planta-mãe. Por outro lado, plantas oriundas de sementes levam sete ou mais anos para frutificar e, ainda, são vulneráveis ao surgimento de mangas com características diferentes do tipo que as originou.

No varejo, o preço das mudas enxertadas varia de R$ 5 a R$ 10 cada. Podem ser compradas de viveiros locais, preferencialmente daqueles que tenham referências no mercado.

Mãos à obra

INÍCIO Entre as variedades de manga mais comuns e comercializadas no mercado interno estão bourbon, coração de boi, keit, haden, adam, extrema e outras mais rústicas, como carlota, espada, coquinho e rosinha, além de diversas conhecidas regionalmente. Tommy atkins e palmer são consideradas as melhores para exportação.

PROPAGAÇÃO Recomenda-se fazer por enxertia, método que garante fidelidade das características da planta-mãe aos frutos e produção precoce. Por meio de sementes, a propagação só é importante para trabalhos de melhoramento genético, pois pode resultar em plantas e frutos bem distintos da variedade utilizada, devido aos cruzamentos espontâneos no campo.

AMBIENTE Como trata-se de planta de clima tropical, o ideal é que o cultivo de mangueira ocorra em locais de temperatura quente, onde a planta tem melhor capacidade de produção, principalmente quando irrigada corretamente. No entanto, poder ser desenvolvida em todos os Estados do país.

PLANTIO Pode ser realizado em qualquer tipo de solo, embora o encharcado não seja tolerado pela planta, pois provoca apodrecimento das raízes e morte. Em solo arenoso e muito seco, no entanto, precisa de irrigação, como é o caso da região de Petrolina, no interior de Pernambuco.

ESPAÇAMENTO Conduzida com poda, para mantê-la baixa e com a copa aparada, a mangueira tem nos dias de hoje um plantio mais adensado, com medida sugerida de 7 x 6 metros a 6 x 4 metros. O tamanho das covas recomendado é de 40 x 40 x 40 centímetros.

CUIDADOS Misture com a terra 20 litros de esterco de curral curtido, ou orgânico similar, mais 250 gramas de superfosfato simples e 250 gramas de calcário, para a adubação. A poda deve ser feita desde o primeiro ano de plantio, dando forma à copa. Proteja o ramo podado com pincelamento de pasta à base de cobre ou tinta látex. Atenção ao ataque de pragas como cochonilhas nas folhas e no tronco da mangueira, além de perfurações por brocas nos ramos. Procure por um engenheiro agrônomo da região para obter as orientações sobre o controle químico. Quando os frutos começarem a amadurecer, proteja-os do ataque de moscas-dasfrutas ensacando-os com saco de papel, método que evita a necessidade de aplicação de agrotóxicos.

PRODUÇÃO É possível de ser obtida no segundo ano de cultivo quando o plantio é realizado com uso de mudas enxertadas. Cada variedade tem suas características que definem o ponto ideal de colheita “de vez”. Em geral, se colhida muito verde, a manga não fica saborosa e tem gosto azedo. Quando retirada da árvore muito madura, a fruta machuca-se facilmente e tem menos tempo de duração para o consumo.

Solo: qualquer tipo, desde que não seja encharcado
Clima: quente
Área mínima: fundo de quintal
Colheita: segundo ano após o plantio se a muda for de enxertia
Custo: mudas enxertadas são vendidas entre R$ 15 a R$ 40




quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Propagação da Mangueira (Manga)



Propagação

Na propagação de qualquer espécie vegetal, incluindo a mangueira, a muda é a base do futuro pomar e deve ser de boa procedência. Com o objetivo da implantação de pomares comerciais e produtivos, torna-se fundamental a utilização de mudas com qualidade fisiológica, morfológica e fitossanitária. A produção de mudas da mangueira pode ser feita por sementes ou pelo método da enxertia.
A produção de mudas por sementes é um método simples e barato que origina plantas vigorosas, com sistema radicular pivotante e com maior longevidade. Geralmente, é utilizado em programas de melhoramento genético para a obtenção de novas cultivares e na formação de bancos de germoplasma (BAGs). Também é utilizado na propagação de cultivares poliembriônicas e, principalmente, na obtenção de porta-enxertos. Apresenta algumas desvantagens em relação ao método da enxertia, como a variabilidade genética em decorrência da segregação; formação de plantas vigorosas e com porte elevado, dificultando as práticas culturais; e juvenilidade, ou seja, o ciclo de produção da planta é mais tardio, ocorrendo 5 a 6 anos após o plantio.
A produção de mudas pelo método da enxertia apresenta custos mais elevados e necessita de mão de obra qualificada. Entretanto, as plantas são mais precoces e apresentam baixo vigor, formando pomares uniformes, facilitando-se, assim, as operações relacionadas ao manejo, tratos culturais e a colheita.

Propagação por enxertia

A enxertia é um método utilizado para a produção de mudas de qualidade e constitui na união de duas porções de tecido vegetal de cultivares diferentes, de uma mesma espécie ou gênero, dando origem a uma nova planta. Essa união deve ser realizada entre os tecidos cambiais das duas plantas (enxerto ou cavaleiro/garfo e porta-enxerto ou cavalo). O enxerto é sempre representado por uma parte da planta que se pretende propagar e é responsável pela formação da parte aérea da planta, enquanto o porta-enxerto é o que recebe o enxerto, sendo responsável pelo sistema radicular, e, geralmente, é uma planta jovem, com ótimo crescimento, proveniente de sementes ou de estacas, vigoroso e resistente a pragas e doenças.
Escolha e obtenção do porta-enxerto
A escolha e a obtenção do porta-enxerto a ser utilizado depende da disponibilidade de sementes. Geralmente, os viveiristas coletam os frutos das cultivares mais comuns da região, sem considerarem as características principais da planta matriz como vigor, condições nutricionais e fitossanitárias, idade, etc.
As cultivares poliembriônicas originam duas ou mais plantas de uma única semente e devem ser utilizadas para o fornecimento de sementes, pois produzem mudas de maior vigor, garantindo a mesma qualidade da planta-mãe e, portanto, maior uniformidade no pomar.
As cultivares mais utilizadas como porta enxertos são a Espada e Coquinho. A ‘Coquinho’ apresenta germinação mais rápida; porém, a ‘Espada’, por causa de características como o vigor, atinge mais precocemente o ponto de enxertia e apresenta tolerância à seca da mangueira, tendo grande aceitação entre os viveiristas. Entretanto, o produtor ou viveirista poderá escolher, dependendo das sementes disponíveis na sua propriedade.
As sementes devem ser retiradas de frutos maduros, sadios, livres de doenças e pragas, lavadas e colocadas para secar em jornal, em local ventilado e à sombra, por um período de 3 a 5 dias. Em seguida, deve-se fazer a retirada do tegumento externo (endocarpo) que envolve a amêndoa, com o auxílio da tesoura de poda ou canivete. Essa técnica favorece ao maior índice de germinação (90% a 95%), com maior rapidez e a obtenção de plantas bem formadas, vigorosas e prontas para serem enxertadas em menor espaço de tempo. Em consequências das perdas que ocorrem durante a obtenção do porta-enxerto e na enxertia, faz-se a semeadura de 40% a 50% a mais de sementes, em relação a quantidade de mudas que serão produzidas.
As sementes de mangueira perdem o poder germinativo rapidamente e dessa forma, o período que se estende desde a colheita do fruto, retirada da semente até a semeadura, não deverá ultrapassar mais de 15 dias.
Semeadura do porta-enxerto
A semeadura pode ser feita em recipientes (sacos plásticos de polietileno pretos), com dimensões de 35 cm a 40 cm de altura, 17 cm a 25 cm de largura e 0,12 mm a 0,15 mm de espessura. Esses recipientes devem conter pequenos furos nas laterais e na base, para melhor escoamento do excesso de água e maior arejamento das raízes. O substrato utilizado deve ser uma mistura de solo (terra de barranco) e esterco curtido (3:1 v/v), além da adição de 3 kg de superfosfato simples e 500 g de cloreto de potássio por m3 da mistura. Quando se fizer o uso de solo argiloso, deve-se adicionar uma parte de areia na mistura (Figura 1).
Fotos: Bastos, D. C.


Figura 1. Porta enxertos semeados em sacos plásticos, prontos para enxertia.
A semeadura também pode ser feita diretamente em canteiros (sementeira), com 10 m a 20 m de comprimento, 1,20 m de largura e 0,15 m de altura, com a incorporação no solo de 5 kg a 10 kg de esterco curtido, 100 g de superfosfato simples e 50 g de cloreto de potássio por m2de sementeira. Os sulcos devem ter 5 cm de profundidade, distanciados entre si de 20 cm. As sementes são colocadas a uma distância de 3 cm uma da outra, com a sua face ventral voltada para baixo e cobertas com uma camada de terra.
Os tratos culturais realizados na sementeira são os usualmente recomendados, constituindo-se de irrigações, adubações, capinas e controle fitossanitário, que são os mesmos realizados na semeadura em recipientes.
Após 50 a 75 dias da semeadura, quando os porta-enxertos apresentarem 25 cm de altura, realiza-se a repicagem para o viveiro, com espaçamento de 80 cm a 120 cm nas entrelinhas e 40 cm entre as plantas. Nos sulcos com 20 cm a 30 cm de profundidade, deve-se aplicar esterco curtido (1 L a 2 L), 100 g de superfosfato simples e 25 g de cloreto de potássio por metro linear.
É fundamental a instalação de um sistema de irrigação. Os tratos culturais são aqueles usualmente utilizados na condução de viveiros e semelhantes aos relacionados para a sementeira.
Plantas matrizes
A planta matriz fornecedora do material propagativo (garfos e borbulhas) destaca-se entre os principais fatores que influenciam na produção dos frutos nos pomares comerciais. O material propagativo é retirado de plantas matrizes sadias e que apresentem boas condições nutricionais e fitossanitárias. Deste modo, o produtor de mudas deverá ter plantas matrizes tanto para o fornecimento de material para a formação do porta-enxerto, como também para o enxerto.
Os garfos ou ponteiros devem ser retirados de ramos maduros (6 a 8 meses de idade) e terminais da cultivar que se deseja propagar, ter formato arredondado, coloração variando entre verde a verde acinzentado e possuir gemas apicais entumescidas e sadias. Recomenda-se que, entre 5 a 10 dias antes de sua utilização, se realize a retirada da porção terminal do ramo que fornecerá as borbulhas, eliminando-se a gema apical. Esta prática facilitará o entumescimento das gemas e, consequentemente, a precocidade de pegamento após a enxertia (Figura 2).
Foto: Bastos, D. C.
Figura 2. Garfos com gemas entumescidas prontas para serem utilizadas na enxertia.

Enxertia

A enxertia, embora simples e de fácil execução, só possibilita altos índices de pegamento quando forem observados fatores como a compatibilidade entre porta-enxerto e enxerto, as condições fisiológicas do porta-enxerto, do enxerto (garfo ou borbulha), relacionados com a época de realização e a disponibilidade dos mesmos, as condições climáticas (temperatura e umidade), métodos utilizados, mão de obra especializada e práticas de manejo antes e após a enxertia.
Borbulhia em “T” invertido
O método de borbulhia em "T" invertido tem como principal vantagem a economia de material propagativo. Uma porção terminal origina de cinco a 10 borbulhas (enxertos). O inconveniente desse tipo de enxertia é a dificuldade de conseguir gemas entumescidas que emitam brotações. Geralmente, utiliza-se porta-enxertos com 6 a 12 meses de idade e 1 cm de diâmetro, fazendo-se um corte vertical de 3 cm a 5 cm em "T" invertido no porta-enxerto a uma altura de 15 cm a 20 cm do solo. Um segundo corte (horizontal) é feito na base do porta-enxerto, ajustando-se em seguida a gema e fazendo-se o amarrio com fita plástica (Figura 3).
Fonte: Matos (2000).
Figura 3. Enxertia tipo borbulhia em "T" invertido.
Após 20 dias da enxertia, a fita plástica é retirada e a gema fica exposta, e se a borbulha apresentar aspecto verde e com os tecidos unidos aos do porta-enxerto, é sinal de que o pegamento do enxerto foi adequado.
Entre 40 a 45 dias após a enxertia, a gema começa a brotar, e faz-se o corte ou decapitação do porta-enxerto à altura de 5 cm acima do ponto de enxertia. Quando ocorrer o segundo fluxo vegetativo (5 a 7 meses após a enxertia), faz-se o corte da parte restante do porta-enxerto rente a este ponto, e amarra-se um tutor até a muda se desenvolver totalmente e estar pronta para o plantio no campo. O período total de produção da muda, desde a obtenção do porta-enxerto até esta fase é de 10 a 12 meses.
Garfagem de fenda cheia
A garfagem de fenda cheia (Figura 4) é um dos métodos de enxertia mais utilizados na produção de mudas da mangueira, por apresentar precocidade e altos índices de pegamento, além de ser de fácil execução, quando comparados a outros tipos de enxertia.
Foto: Bastos, D. C.
Figura 4. Garfagem de fenda cheia.
Neste tipo de garfagem, tanto o porta-enxerto como o garfo apresentam diâmetro semelhante, em torno de 8 mm a 12 mm. Inicialmente, faz-se a decapitação do porta-enxerto, entre 10 cm a 15 cm do solo. Em seguida, por meio de um corte vertical, faz-se uma incisão ou fenda com 3 cm de profundidade. Em seguida, o garfo que possui de 10 cm a 15 cm de comprimento e com sua base preparada em forma de bisel (cunha), também com 3 cm, é introduzido na fenda do porta-enxerto, ajustando-se os tecidos do câmbio pelo menos de um dos lados e fazendo-se o amarrio da região de enxertia com fita plástica. Para evitar o ressecamento dos tecidos, recomenda-se cobrir o garfo com saco plástico transparente e amarrá-lo em sua extremidade inferior, formando uma “câmara úmida” (Figura 5).
Foto: Bastos, D. C.
Figura 5. Câmara úmida na região da enxertia tipo garfagem de fenda cheia.
As operações de irrigação, adubação, controle de plantas daninhas, controle fitossanitário e desbrotas no porta-enxerto devem ser realizadas durante todo o período de formação da muda.
O período total desde a semeadura do porta-enxerto até a muda pronta para o plantio varia entre 6 a 8 meses. As mudas estão prontas para serem levadas para o local definitivo de plantio após 3 a 4 meses da realização da enxertia, quando atingirem a altura de 50 cm a 70 cm (Figura 6).
Foto: Mouco, M. A.
Figura 6. Mudas prontas para transplantio.