A pitaia é uma planta da família da cactaceae, que se caracterizam pela “presença de aréolas com pêlos e espinhos, caule suculento (cladódio – órgão tipo caule) casca verde e ausência de folhas copadas” (BUXBAUM, 1955 apud MARQUES, 2008).
Segundo Marques (2008), muitas espécies de cactáceas produzem frutos comestíveis. No entanto, as frutíferas conhecidas desta família pertencem ao grupo Platyopuntia (subgênero do gênero Opuntia),que apresentam segmentos planos de caule.
Marques (2008) explicam, ainda, que cactaceae são plantas muito desenvolvidas fisiologicamente. Adaptaram sua forma de respirar para evitar a perda de água durante o dia. Possuem crescimento lento e, a maior parte do tempo, armazenam água nos seus tecidos.
3.1 Espécies
Quatro gêneros englobam os diversos tipos de pitaia: Stenocereus, Cereus, Selenicereus e Hylocereus. Esses gêneros diferem quanto ao fruto. Dentre os seus frutos mais conhecidos, estão a pitaia amarela (Selenicereus megalanthus), que tem casca amarela e polpa branca, e a pitaia vermelha (Hylocereus sp.), com a casca vermelha e a polpa branca ou vermelha, dependendo da espécie. A seguir, Moreira et al. (2012) explicam a grande variabilidade entre as espécies, tanto em termos de tamanho como com relação à coloração e ao sabor das frutas.
4. CARACTERÍSTICAS BOTÂNICAS
4.1 Fruto
Doce e leve, a pitaia vermelha, de espécie Hylocereus costaricensis, apresenta coloração vermelha tanto na casca quanto na polpa. Seu sabor assemelha-se ao do kiwi, com uma mistura de beterraba (MOREIRA et al., 2012; RICARDO, 2010).
A pitaia branca, ou Hylocereus undatus, apresenta coloração vermelha na casca e branca na polpa. Por fora é muito parecida com a pitaia vermelha, diferindo somente em termos de tonalidade de cor. No entanto, a diferença maior apresenta-se acerca da polpa (RICARDO, 2010).
Com características semelhantes às da pitaia branca, a Selenicereus setaceus (pitaia-do-cerrado ou saborosa), é uma fruta de tamanho menor, com sabor mais adocicado e apresenta espinhos (MOREIRA et al., 2012).
Outra variedade da fruta é a pitaia amarela, tecnicamente chamada de Selenicereus megalanthus, também conhecida como “pitaia colombiana”. Sua polpa é esbranquiçada e sua casca tem coloração amarela. É considerada a mais gostosa e a mais cara, dentre os tipos de pitaia. O gosto lembra uma mistura de kiwi com nona, só que mais doce e mais leve (MOREIRA; CRUZ, 2011; RICARDO, 2010).
Figura 1 – Variedades de pitaia Fonte: (MOREIRA; CRUZ, 2011
4.2 Flores
Grande e de coloração branca, as flores apresentam numerosos estames com pólen abundante (figura 4). Caracterizam-se, também, serem completas, andróginas, solitárias e medirem cerca de 20 a 30 cm de largura. Exalam um cheiro forte, crescem diretamente dos cladódios e originam-se na primavera. A fim de evitar a autopolinização, possuem o estigma mais elevado que as anteras e abrem-se durante a noite, fechando-se nas primeiras horas do dia (MARQUES, 2008).
4.3 Ramos
Os ramos da pitaia são triangulares, suculentos, espinhosos e possuem flores brancas e grandes, quanto à planta, ela é perene, trepadeira, com raízes adventícias, que a permite se fixar em árvores ou pedras. O cultivo pode ser realizado em regiões situadas desde o nível do mar até 1.500 metros acima. (ESPIRITO SANTO, 2013).
Figura 2 - (A) Planta de pitaia; (B) Cladódio; (C) Flor; (D) Fruto Fonte: (MARQUES, 2008)
4.4 Sementes
As sementes da pitaia podem chegar a medir três milímetros de diâmetro, são muito numerosas, possuem uma coloração escura e podem ser encontradas distribuídas em toda a polpa. (MARQUES, 2008).
A pitaia é uma planta que pertence à família das cactáceas e tem sua origem na América Central. Produz uma fruta conhecida popularmente como fruta do dragão por possuir uma casca escamosa que se assemelha as escamas de um dragão.
Trata-se de uma fruta pouco conhecida, que atualmente vêm sendo muito procurada pelo mercado de frutas exóticas por se tratar de uma fruta altamente nutritiva, com altos teores de água, minerais, açucares, compostos antioxidantes e baixo valor calórico.
O cultivo comercial da pitaia no Brasil se deu no início da década de 90 no estado de São Paulo, responsável por cerca de 92% da quantidade de fruta comercializada. Minas Gerais ocupa a segunda posição no cenário nacional responsável por cerca de 5,62% da comercialização, com destaque para os municípios de Contagem, Janaúba, Jaíba e Turvolândia.
A pitaia vermelha de polpa branca (Hylocereus undatus) é a mais cultivada no Brasil. Além do fruto, os cladódios e as flores também são consumidos por pratos especiais na região de origem da espécie, por apresentarem grande quantidade de compostos funcionais e propriedades medicinais.
O pomar de pitaia, apesar de apresentar um alto custo de implantação, tem-se um retorno econômico atrativo para os produtores brasileiros, devido a boa adaptabilidade as condições de clima e solo e elevado valor da fruta no mercado in natura. A produção da fruta pode ter início já no primeiro ano após o plantio, podendo chegar a 20 toneladas por hectare a partir do quarto e quinto ano após o plantio.
A planta que produz a fruta denominada pitaia (Figuras 1 e 2) é uma cactácea originada da América Tropical e Subtropical e pertence ao grupo de frutíferas consideradas promissoras para cultivo. Até há pouco tempo essas frutíferas eram desconhecidas e, recentemente, representam um crescente nicho no mercado de frutas exóticas. Atualmente, no Brasil, essas frutas vêm sendo procuradas, não só pelo exotismo da aparência e sabor, como também por suas características organolépticas.
Figura 1 – (A) Planta de pitaya (hábito de crescimento); (B) Cladódio; (C) Flor e (D) Fruto.
Existem no Brasil poucas áreas de cultivo de pitaia, situadas principalmente no Estado de São Paulo, com destaque para a região de Catanduva, onde a produção ocorre durante os meses de dezembro a maio, com uma produtividade média anual de 14 toneladas de frutas por hectare.
Os diversos tipos de pitaia são agrupados em quatro gêneros: Stenocereus, Cereus, Selenicereus e Hylocereus, sendo as mais conhecidas a pitaia amarela (Selenicereus megalanthus), que tem casca amarela e polpa branca, e a pitaia vermelha (Hylocereus sp.), com a casca vermelha e a polpa branca ou vermelha, dependendo da espécie.
Figura 2 – Partes do fruto de pitaia.
Existe grande variabilidade entre as espécies quanto ao tamanho e coloração das frutas. Em Hylocereus costaricensis, as frutas apresentam coloração vermelha tanto na casca quanto na polpa, e em Hylocereus undatus, apresentam coloração vermelha na casca e branca na polpa. Em Selenicereus megalanthus, conhecida como “pitaya colombiana”, a polpa é esbranquiçada, e externamente a fruta tem coloração amarela, enquanto em Selenicereus setaceus (pitaia-do-cerrado ou saborosa) a casca é vermelha e a polpa esbranquiçada, como a Hylocereus undatus, porém a fruta é de tamanho menor, com sabor mais adocicado e apresenta espinhos.
Considerando as frequentes consultas direcionadas ao Setor de Fruticultura e a existência de pouca informação na literatura a respeito do cultivo da pitaia no Brasil, o objetivo do presente boletim técnico é fornecer informações que possam orientar os interessados em iniciar o plantio dessa frutífera em suas propriedades.
ORIENTAÇÕES PRELIMINARES
a) Traçar seu objetivo com precisão, pois se trata de uma cultura nova e com poucos resultados de pesquisa.
b) Fazer o planejamento detalhado, focando principalmente o mercado consumidor e como adquirir mudas de qualidade.
c) Buscar e trocar informações com instituições e produtores que já comercializam suas frutas.
d) Visitar plantios comerciais visando diminuir suas chances de erro na implantação.
PLANEJAMENTO DO POMAR
Deve-se ter em mente que a pitaia é uma frutífera perene, com expectativa de produção para mais de 15 anos. Portanto, o seu planejamento deve ser muito bem feito, cercando de todos os cuidados para garantir o sucesso do empreendimento.
No planejamento atentar para os seguintes itens:
a) procurar informações na sua região sobre a comercialização das frutas;
b) dimensionar sua área, definindo número de plantas;
c) na sua propriedade selecionar o local de plantio, evitando solos rasos, sujeitos a encharcamento (excesso de umidade) e geadas;
d) retirar amostras de solos;
e) prever combate sistemático a formigas;
f) prever a correção da acidez do solo de acordo com os resultados da análise;
g) definir espaçamento e o tipo de espaldeira para a condução das plantas;
h) prever a marcação das covas;
i) adquirir mourões para montar a espaldeira (altura em torno de 1,80 m acima do solo);
j) adubação de fundação (covas) de acordo com o resultado da análise de solo (fazer essa adubação de preferência 60 dias antes do plantio);
k) marcação das covas com estacas;
l) fazer o plantio com todos os cuidados necessários, para maior sucesso, evitando replantios.
Nos polos de irrigação do Nordeste, a goiabeira é cultivada principalmente em áreas de pequenos produtores que também exploram outras frutíferas. A produção do Agreste pernambucano, os cultivos irrigados do Submédio do Vale do São Francisco, juntamente com a produção paulista, destacam-se pelo volume comercializado. Considerando suas várias formas de aplicação (in natura e industrializada), a goiaba apresenta, para o mercado interno, boas possibilidades de aumento de consumo. Informações obtidas das principais Ceasas do País (São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro) indicam que, na última década, ocorreu um incremento na comercialização dessa fruta de mais de 500% (CEAGESP, 2008; CEASAMINAS, 2008; CEASARJ, 2008). Entretanto, é interessante ressaltar que, na maioria dos pomares brasileiros em produção, os frutos são destinados principalmente ao processamento. Essa é, aliás, uma das principais explicações para a qualidade limitada da goiaba brasileira, posto que a indústria sempre foi menos exigente quanto a padrões de qualidade.
O incremento de consumo da goiaba in natura, nos principais mercados consumidores do País, está, atualmente, condicionado à melhoria na qualidade do produto.
Esses mercados, localizados principalmente nas regiões Centro e Sul, são exigentes em uniformidade de tamanho, de forma e de coloração dos frutos.
Com relação ao dimensionamento do mercado doméstico, devido, principalmente, ao alto grau de perecibilidade do fruto, a goiaba é comercializada principalmente nos mercados locais e regionais. Essa característica de regionalidade do mercado de goiaba ocorre em todos os polos de produção do País, inclusive em São Paulo, onde se concentra a maior parte da produção brasileira, que praticamente é consumida no próprio Estado.
Em se tratando do mercado nacional, representado pelos grandes centros de consumo das macrorregiões geopolíticas, eles se situam fora dos polos de produção e são constituídos principalmente pelas metrópoles do Centro-Sul do País.
Com relação ao destino do fruto nas regiões produtoras, grande parte é destinada à indústria (polpa, doces, sucos, etc.) e a outra parte ao consumo in natura. Entretanto, por conta do incremento das áreas irrigadas, registra-se um aumento no percentual de frutos para consumo in natura. Um exemplo dessa situação é o Submédio do Vale do São Francisco, onde a exploração da goiabeira é toda irrigada e 75% do produto é comercializado na forma de fruta fresca.
Outro comportamento de mercado que está diretamente associado à ampliação das áreas de cultivos irrigados de goiaba no País é a redução da sazonalidade da oferta, já que o produto pode ser ofertado praticamente durante todo o ano, situação que traz como reflexos menor oscilação nos preços dos frutos frescos e redução significativa da capacidade ociosa das indústrias de processamento (CHOUDHURY, 2001).
Com relação à distribuição da goiaba no mercado doméstico, para consumo in natura e para a indústria, os intermediários são os principais agentes do processo, que compram e vendem o produto a granel ou em caixas. Geralmente, utilizam, como principais critérios para a classificação comercial, o tamanho, a aparência e o estado de maturação da fruta. Aquelas que estão em estado inicial de maturação são comercializadas como frutos in natura, enquanto as maduras são destinadas às agroindústrias processadoras.
Os tipos de intermediários que melhor representam a cadeia produtiva da goiaba são os regionais e os locais. Os regionais são representados principalmente pelos fornecedores dos atacadistas das Centrais de Abastecimento (Ceasas), situadas nas capitais e nas principais cidades da macrorregião geopolítica onde está localizado o polo de produção. Esses agentes adquirem a maior parte do produto dos intermediários locais, mas também obtêm a fruta nas áreas de produção. Os intermediários locais, por sua vez, compram o produto nas áreas de produção e o repassam para os intermediários regionais e para os varejistas locais (feirantes, proprietários de casas de frutas, pequenos mercados de bairros e redes de supermercados). É interessante notar que é inexpressiva a atuação dos intermediários nacionais que comercializam o produto dos polos de produção para os grandes mercados consumidores das demais regiões do País.
Isso se deve ao reduzido tempo de prateleira dos frutos (CHOUDHURY, 2001).
Com relação à goiaba destinada à indústria, o intermediário também é o elemento de maior expressão no processo de comercialização. Ele adquire o produto nas unidades produtivas e o transfere para as agroindústrias, que, por sua vez, também podem obter parte da matéria-prima diretamente nas propriedades agrícolas.
Para o mercado externo, principalmente a União Europeia e os Estados Unidos, que são os principais importadores da goiaba brasileira, essa fruta é considerada exótica, sendo comercializada em reduzida quantidade e a preços elevados. Na pauta de exportação brasileira de frutas frescas, a goiaba é considerada um produto inexpressivo (24ª posição), em virtude do seu alto grau de perecibilidade. Isso exige que o produto seja bem acondicionado em caixas e escoado para o mercado internacional por via aérea, o que onera demasiadamente os custos de comercialização.
Um fato que pode contribuir para o aumento do consumo da goiaba no mercado externo é a campanha que, atualmente, vem sendo realizada nos Estados Unidos, no Canadá e em diversos países da União Europeia, de incentivo à inclusão de frutas na dieta alimentar. Por meio dessa campanha, um espaço abriu-se para a inserção de frutas produzidas nos países do Hemisfério Sul, principalmente aquelas consideradas exóticas, como é o caso da goiaba. No mercado europeu, os consumidores estão motivados a consumir goiaba por causa da expressiva quantidade de vitamina C que a fruta contém, que é cerca de cinco vezes maior que a encontrada na laranja, uma das frutas mais consumidas naquele mercado.
Com a ampliação dos cultivos tecnificados em polos de produção no País, a tendência é aumentar a participação da goiaba na pauta das exportações brasileiras.
No caso específico do polo de produção do Submédio do Vale do São Francisco, outra vantagem é o aproveitamento da logística dos atuais produtos-chave de exportação (manga e uva), considerando que essa região é uma das principais exportadoras de frutas frescas do País. Entretanto, para conquistar os importantes mercados internacionais, é necessário que as estratégias produtivas e comerciais sejam mais eficientes, para atender às exigências das grandes cadeias de supermercados que hoje controlam esses mercados.
As goiabas para o processamento devem apresentar cor atrativa, devendo ser utilizadas cultivares de polpa vermelha, com poucas sementes, de sabor agradável e maturação homogênea. Entretanto, não há exigência com relação ao tamanho da fruta e à presença de defeitos superficiais na casca.
Frutas com defeitos que afetam apenas parte da polpa podem ser aproveitadas para processamento, desde que a parte comprometida seja descartada. Um outro fator importante é o rendimento. As cultivares Paluma, Rica e IAC-4 possuem boas características para a industrialização. A cv. Paluma possui cor de polpa vermelho-intensa, sabor agradável e pequena porcentagem de sementes, apresentando rendimento de polpa em torno de 94%. As cvs. Rica e IAC-4 também possuem bom rendimento, podendo ser utilizadas principalmente na forma de compotas.
Operações básicas para o processamento de goiaba
Recepção/seleção – As frutas devem apresentar estádio de maturação uniforme,
descartando-se aquelas impróprias para o consumo, como as sobremaduras, com podridões
e verdes.
Lavagem – As frutas devem ser lavadas com água limpa, em abundância, para a
retirada de sujeiras grosseiras, como areia, folhas, etc.
Sanificação – As frutas devem ser imersas em solução de água clorada a 10 ppm (0,5 mL de solução de hipoclorito de sódio a 2% para 1.000 L de água) por 25 minutos. Em seguida, devem ser enxaguadas com água potável.
Corte e despolpamento – Com faca de aço inoxidável, deve-se retirar as partes superior e inferior da fruta e as partes impróprias para o consumo. Em seguida, as goiabas devem ser cortadas em quatro partes e conduzidas à despolpadeira para a elaboração de polpa congelada, doces, sucos, etc. Quando os produtos a serem gerados forem doces, do tipo frutas em calda ou em compotas, as goiabas devem ser descascadas e cortadas ao meio; e as sementes, retiradas com o auxílio de uma colher. Nesse caso, também se pode aproveitar aquela parte da fruta onde se encontram as sementes para a preparação de sucos, doces, néctares, etc.
As etapas posteriores variam de acordo com os produtos a serem elaborados, conforme descrito a seguir.
Polpa de fruta – Depois da extração, a polpa deve ser pasteurizada, para destruir os microrganismos patogênicos, ou seja, os causadores de doenças. Para a polpa da goiaba, utilizam-se 73 ºC por 15 segundos e, em seguida, realiza-se o resfriamento.
Para maior garantia da eficiência da pasteurização, o ideal é utilizar o pasteurizador.
Quando não for possível, pode ser feita no fogão (em panela ou tacho), controlando-se a temperatura com o termômetro. Depois de pasteurizada, a polpa é envasada e posteriormente congelada.
Doce cremoso – Depois do despolpamento, a polpa é colocada em tacho ou panela.
Para cada quilo de polpa, utilizar 600 g de açúcar cristal, que deve ser misturado em tacho ou panela antes de ir ao fogo.
O doce ficará pronto ao atingir pelo menos 55 ºBrix, quando, então, pode ser envasado ainda quente. O ideal é utilizar goiabas maduras, ou seja, com a cor da casca totalmente amarela, que têm sabor, cor e aroma ideais para a fabricação desse tipo de produto.
Doce em corte ou em massa – Para cada quilo de polpa, utilizar 600 g de açúcar cristal, que podem ser misturados antes de serem submetidos ao aquecimento.
O ideal é utilizar frutas em estádios de maturação diferentes, ou seja, algumas goiabas com casca totalmente amarela e outras verde-amareladas. Aquelas que apresentam cor de casca totalmente amarela dão uma coloração mais atrativa ao doce e apresentam sabor e odor característicos da fruta. Já as de casca verde-amarelada apresentam maior acidez e concentração de pectina, o que confere firmeza ao doce.
O doce estará pronto ao atingir pelo menos 65 ºBrix, quando, então, deverá ser despejado, ainda quente, em mesa de aço inoxidável, para, posteriormente, ser embalado.
Compota ou doce em calda – São conservas de frutas pré-cozidas em calda de açúcar antes de envasadas ou praticamente cruas, com posterior adição de calda. Na fabricação desse produto, devem ser utilizadas frutas de tamanho e cor uniformes. As frutas devem ser divididas ao meio, de modo a ocupar quase todo o espaço da embalagem, sem, porém, danificar a fruta; e a calda deve ser adicionada até chegar ao “pescoço” dos vidros, que estarão previamente esterilizados.
No preparo da calda, utilizam-se, geralmente, água e sacarose, na proporção de 2:1. Na fervura, as impurezas superficiais que se formam devem ser eliminadas.
A calda deve estar a 75 ºC no momento de serem embaladas. Depois do enchimento, os vidros devem ser colocados em banho-maria para a retirada do excesso de oxigênio. Em seguida, devem ser fechados, resfriados e rotulados.
Geleia – É obtida pela utilização de sucos clarificados de frutas, cozidos com açúcar e concentrados até alcançar uma consistência gelatinosa. Poderão ser adicionados acidulantes e pectina, porém, não deve ser colorida nem aromatizada artificialmente.
O suco da fruta deve ser extraído em suqueira, sem partículas em suspensão. Para cada quilo de suco, utilizam-se 1 kg de açúcar, 10 g de pectina e 2 g de ácido cítrico. Quando o suco começar a ferver, adicionar a metade do açúcar, a metade da pectina e a metade do ácido cítrico; e quando a mistura atingir 90 ºC, misturar as metades restantes. A geleia estará pronta ao atingir pH entre 3,0 e 3,2 e teor de sólidos solúveis 67,5 ºBrix, quando, então, deverá ser envasada e rotulada. Os vidros devem ser mantidos imóveis durante o envasamento, para não prejudicar a geleificação, que ocorre à medida que o produto esfria. Recomenda-se a utilização de embalagens de vidro com tampa metálica rosqueável.
Em frascos de vidro, previamente esterilizados, a geleia tem prazo de validade de até 1 ano, sem refrigeração. Depois de abertos, devem ser conservados em geladeira e consumidos em até 7 dias.
Informações adicionais
• Na elaboração de cada um dos produtos, é necessário consultar a legislação vigente.
• O rótulo deve conter informações sobre o produto, como: nome, ingredientes e composição nutricional, data de fabricação, prazo de validade antes e depois de abrir, e quantidade.
Deve conter também endereço, telefone e e-mail do fabricante, para facilitar o contato.
• A esterilização dos vidros e das tampas metálicas consiste em submergi-los em água limpa, em ebulição, por 20 minutos e 5 minutos, respectivamente, e em secá-los à temperatura ambiente. Para isso, o ambiente deve estar limpo e esterilizado.
• Na higienização de embalagens de plástico e utensílios em geral, deve ser utilizada solução de água clorada a 10 ppm, na qual devem ficar submersos por 25 minutos.
• Para a obtenção de produtos de qualidade, as etapas do processamento devem ser seguidas corretamente e mantida uma higiene rigorosa.
Além disso, os ingredientes e as matérias-primas devem ser de boa qualidade. É importante ressaltar que o processamento não aumenta a qualidade do alimento; apenas a mantém.
• Na elaboração da geleia, é necessário misturar bem a pectina ao açúcar antes de adicioná-los ao suco na panela, pois a pectina é insolúvel em água.
O processamento visa aumentar a vida útil dos alimentos, oferecê-los no período de entressafra, agregar valor ao produto, transformá-lo em um novo produto, facilitar o consumo, aproveitar excedentes de produção e, por ter maior durabilidade, propiciar maior lucratividade na comercialização.
Os alimentos processados são aqueles que passam por transformações físicas e/ ou químicas e, algumas vezes, microbiológicas, a fim de beneficiar a matéria-prima.
Para garantir a segurança microbiológica e o aumento da vida de prateleira, além da matéria-prima e de ingredientes de boa qualidade, é necessário, também, que sejam adotados princípios de higiene e a aplicação de tecnologia adequada.
A partir do momento em que se rompe a proteção da fruta, ou seja, a casca da goiaba, aumenta o metabolismo do fruto e, consequentemente, reduz sua vida útil, além de facilitar a entrada e a proliferação de microrganismos, principalmente fungos.
Portanto, a higiene é fundamental em todas as etapas do preparo do alimento, tanto no que diz respeito aos cuidados com a fruta e com as instalações onde ela é processada, quanto à higiene e ao comportamento humano durante o trabalho.
Instalações industriais, equipamentos e utensílios
O local de processamento deve apresentar as seguintes características: piso lavável e resistente; paredes de azulejo branco até uma altura mínima de 2,0 m, podendo o restante ser de tinta lavável; lâmpadas protegidas (para evitar que estilhaços caiam no local de processamento no caso de quebra); e portas, teto e janelas (com tela de proteção contra insetos) de material lavável.
As instalações mínimas necessárias para o processamento de goiaba requerem: cuba de aço inoxidável, com água de boa qualidade e em abundância, para a lavagem dos frutos; tanque de imersão de aço inoxidável, para sanitização das frutas; mesas, despolpadeira, suqueira e tachos de aço inoxidável, fogão e freezer; baldes de plástico, facas e colheres de aço inoxidável, panelas, provetas e recipientes de plástico de diversos tamanhos; balanças com capacidade para pesagem de pequenos e grandes volumes, refratômetro (para medição do teor de sólidos solúveis), termômetro e potenciômetro (pHmetro).
São necessárias, ainda, embalagens para cada tipo de produto produzido.
Higiene e comportamento do empregado durante o trabalho
A higiene pessoal consiste nos seguintes hábitos: banhos diários e uso de toalhas limpas; manutenção das unhas curtas e sem esmalte; lavagem das mãos e dos antebraços com água corrente e sabão, imediatamente antes do manuseio dos alimentos; escovação dos dentes depois das refeições; utilização de uniforme limpo e, de preferência de cor branca, composto por bata, calças, botas de borracha, touca e máscara para boca e nariz.
O comportamento no trabalho é o conjunto de e atitudes a serem seguidas pelo trabalhador durante as atividades: afastar-se temporariamente do ambiente do trabalho quando acometido de alteração da saúde que possa gerar contaminação ao produto, como inflamação ou infecção de pele, feridas, gripe e resfriado; durante o manuseio de alimentos, não coçar a cabeça ou outra parte do corpo; não introduzir dedo no nariz, na orelha e na boca, porém, se o fizer, as mãos devem ser higienizadas antes de ser retomada a atividade; não tossir nem espirrar sobre os alimentos; não mascar chicletes, não ingerir alimentos, nem manter palitos ou similares na boca; não utilizar lápis ou outros objetos atrás da orelha; não usar brincos, anéis, colares, pulseiras, hidratante de pele, perfume, batom, cílios e unhas postiças.
A recomendação sobre o ponto de colheita ideal para a goiaba depende, inicialmente, do mercado de destino da fruta.
Quando a fruta é destinada à agroindústria, a colheita deve ser realizada nos estádios mais avançados de maturação. Na maioria das vezes, a goiaba é colhida madura, no estádio 5 de maturação, quando apresenta o máximo teor de sólidos solúveis, baixa acidez titulável e a polpa está macia. Nas cultivares de polpa vermelha, é intensa a coloração da goiaba nesse ponto de maturação. Contudo, nesse estádio, a fruta é bastante sensível a danos, é de difícil manuseio e tem limitada resistência às operações de transporte e distribuição, o que inviabiliza seu aproveitamento no mercado de fruta fresca.
Quando o objetivo é o consumo in natura, a colheita deve ser orientada para assegurar a integridade, a preservação das características nutricionais e a completa evolução do sabor e do aroma típicos da cultivar. Quanto mais distante for o mercado, mais cedo a fruta deverá ser colhida, desde que esteja fisiologicamente desenvolvida, o que, em goiaba, corresponde, no mínimo, à mudança da cor verde-escura para a verde clara.
A colheita da goiaba pode ser iniciada de 150 a 200 dias da poda, dependendo da cultivar, da região de cultivo e da estação do ano. Deve ser realizada manualmente, usando-se tesouras apropriadas, manuseadas por pessoas treinadas e nas horas mais frescas do dia, uma vez que o aquecimento da fruta pela exposição prolongada ao sol acelera mudanças que levam à senescência, reduzindo-lhe a vida útil. No momento da colheita, o corte do pedúnculo deve ser feito a uma distância de 1 cm da fruta.
Em razão da floração irregular da goiabeira, devem ser feitas colheitas parceladas, em geral duas ou três vezes por semana, assegurando, assim, uniformidade na maturação das frutas colhidas a cada vez. Essas colheitas parciais podem se estender por até30 dias.
Os procedimentos adotados na colheita variam conforme o mercado de destino.
Para o mercado de fruta fresca, o manuseio durante a colheita deve ser particularmente cuidadoso, para evitar danos aos frutos. As goiabas devem ser acondicionadas em caixas de plástico de 20 kg ou em outro recipiente que assegure proteção e sanidade, devendo ser mantidas à sombra até o momento do transporte para o galpão de embalagem ou a empacotadora. Cuidados também devem ser tomados durante o transporte, que deve ser feito em baixa velocidade e por estradas bem pavimentadas. Os cuidados devem se estender às operações realizadas no local de embalagem.
Numa sociedade cada vez mais exigente em segurança e em qualidade alimentar, além das recomendações de manuseio cuidadoso da fruta, de emprego de técnicas e produtos legalmente permitidos para a cultura e de utilização de mão de obra treinada, recomenda-se:
• Utilizar contentores exclusivos para a colheita, com superfície de material inerte, não absorvente e higienizável.
• Usar, no fundo e nas laterais dos contentores, material de proteção de fácil higienização e que não transmita odor ou substâncias indesejáveis ao produto.
• Manusear os contentores cuidadosamente no pomar e durante o transporte.
• Evitar o enchimento excessivo dos contentores, a fim de não causar danos às frutas durante seu manuseio e transporte.
É importante destacar que a máxima qualidade da fruta é obtida no momento da colheita. A partir daí, a ocorrência de danos mecânicos, o amadurecimento e a senescência naturais da fruta, a perda de água e a ocorrência de podridões contribuem para a perda de qualidade. Portanto, devem ser tomados cuidados para minimizar o efeito desses fatores.
Operações pós-colheita
A goiaba é uma fruta de alta perecibilidade, necessitando de um manejo pós-colheita que possa atrasar os processos de senescência.
Para conseguir um alto rendimento nas operações de pós-colheita, o local onde a goiaba será embalada deverá ser dimensionado conforme o volume de frutas colhido diariamente, o número de funcionários envolvidos nas diferentes atividades e a movimentação das frutas antes e depois do processamento. Além disso, recomendam-se:
• Uma área para recepção da fruta e outra para manejo, classificação, embalagem, armazenamento e expedição, denominada área de manuseio da fruta.
• Instalações adequadas para lavagem e secagem higiênica das mãos dos funcionários e dos visitantes, e que fiquem próximas da entrada da área de manuseio da fruta.
• Cômodo específico para armazenamento de materiais e produtos de limpeza.
• Procedimentos operacionais padronizados para a limpeza e a higienização de utensílios e equipamentos de colheita.
• Mão de obra treinada, que use roupas limpas e adequadas ao serviço, cabelos presos, unhas cortadas e mãos asseadas.
• Equipamentos para a lavagem das mãos e instalações sanitárias limpas para uso dos trabalhadores, situadas a uma distância máxima de 500 m do local de trabalho.
Dispondo-se de um local adequado ao recebimento das frutas e de procedimentos bem definidos de pós-colheita, as frutas destinadas ao consumo in natura deverão passar pelas seguintes operações:
Lavagem
Visa à retirada de resíduos de terra, de folhas ou outros agentes de contaminação.
Recomenda-se que a água utilizada seja potável. Também deve ser utilizado detergente e/ou sanitizante recomendado e registrado conforme legislação vigente.
No momento da lavagem, já é possível fazer uma seleção prévia das frutas, quando serão eliminadas aquelas que apresentem os defeitos comerciais mais graves, como:dano profundo, fruta imatura, podridão e alterações fisiológicas.
Seleção
Depois de limpos, os frutos são selecionados de acordo com os padrões de qualidade vigentes no mercado. Nessa operação, além das frutas com defeitos graves, são descartadas aquelas que, embora apresentem defeitos leves, esses excedam o limite de tolerância aceito no mercado que sepreten de atingir. Entende-se como defeitos leves aqueles que desvalorizam o produto, mas não atingem a polpa, nem inviabilizamo consumo. Em goiaba, lesões cicatrizadas, danos superficiais, umbigo malformado, deformações, amassados e manchas superficiais são considerados defeitos leves. Emconjunto, os defeitos podem atingir porcentagem superior desde 5% até um pouco mais de 15% da embalagem comercial, dependendo da categoria de qualidade emque se enquadre.
Para evitar contaminação ou dano às frutas sadias e aptas à comercialização,recomenda-se que as goiabas descartadas sejam separadas das demais.
Classificação
Conforme a norma de classificação do Programa Brasileiro para a Melhoria dos Padrões Comerciais e de Embalagens de Hortigranjeiros especifica para a goiaba, essa fruta é classificada por classe ou calibre. São consideradas as classes 5, 6, 7, 8, 9 e 10, que agrupam, respectivamente, frutas com o diâmetro equatorial de 5 cm a 6 cm, de 6 cm a 7 cm, de 7 cm a 8 cm, de 9 cm a 10 cm e com mais de 10 cm. Essa mesma norma classifica a goiaba nas categorias Extra, I, II e III, sendo a tolerância a defeitos menor na primeira, aumentando gradativamente até a última.
Popularmente, o número de frutas por caixa, que define o tipo da goiaba, é muito usado nas operações de comercialização.
Dessa forma, dizer que uma goiaba é do tipo 12 significa dizer que existem 12 frutas de tamanho semelhante na caixa.
A goiaba classificada deve ter homogeneidade de tamanho e de coloração. No que se refere à coloração, são considerados três padrões: amarela, verde-amarelada e verde-clara.
Embalagem
A embalagem padrão para goiaba é uma caixa de papelão de 304 mm de comprimento, 205 mm de largura e 75 mm de altura, com tampa, que comporta 3 kg ou 3,5 kg do produto. Nesse tipo de caixa, as frutas de mesmas origem, cultivar, qualidade e classe são distribuídas em camada única, individualmente, e são envolvidas em papel seda ou em redes de poliestireno. Podem ser usados também fitilhos para a proteção das frutas.
Para a adequada proteção das frutas, recomenda-se que sejam utilizados:
a) embalagens novas, limpas e de material atóxico, que atendam às exigências do mercado e assegurem a proteção física da fruta;
b) papéis ou selos impressos com produto atóxico; e c) caixas identificadas conforme normas técnicas de rotulagem.
Para o mercado externo, recomenda-se o uso de caixas de papelão, com os seguintes arranjos: 3 fileiras de 5 frutos (tipo 15); 3 de 6 frutos (tipo 18); 3 de 7 frutos (tipo 21); de 6 frutos (tipo 24); 4 de 7 frutos (tipo 28); 4 de 8 frutos (tipo 32); 5 de 7 frutos (tipo 35); 5 de 8 (tipo 40); e 5 de 9 (tipo 45).
No mercado atacadista, também se comercializa goiaba em embalagem a vácuo, contendo em geral quatro frutas. Nas centrais de abastecimento, por seu turno, ainda se verifica o uso de embalagens de madeira, com capacidade para 18 kg a 22 kg de goiaba.
Paletização
Corresponde ao empilhamento das caixas em colunas, sobre um estrado, que deve ter dimensões compatíveis com os padrões de comercialização. Os paletes normalmente utilizados são de madeira, com dimensões de 1,2 m x 1,0 m. No entanto, sua adoção ainda é restrita a produtores que exploram mercados diferenciados.
Armazenamento
A refrigeração é uma das técnicas mais eficientes para retardar o amadurecimento da goiaba, que, sob temperatura ambiente, ocorre entre 3 e 5 dias. As condições recomenda das para o armazenamento da goiaba são temperaturas de 8 ºC a 10 ºC e umidade relativa de 85% a 95%. Nessas condições, as frutas podem ser conservadas por até 21 dias. Sob temperaturas inferiores, são observados danos causados pelo frio, que consistem de manchas escuras na casca, em forma de pontuações, que evoluem para depressões, e de perda total ou parcial da capacidade de amadurecimento. Além disso, a polpa pode adquirir consistência emborrachada.
Associadas ao armazenamento refrigerado, outras técnicas de conservação pós-colheita podem ser usadas em goiaba.
Entre elas, cita-se o uso de sacolas de plástico (de polietileno, por exemplo) ou filmes esticáveis de cloreto de polivinila (PVC), com espessura e permeabilidade a água e a gases adequados à respiração e à produção de etileno (hormônio produzido durante o amadurecimento) pela goiaba, depois da colheita. Esses materiais reduzem a perda de água e, em algumas cultivares, atrasam algumas mudanças próprias do amadurecimento, como perda de firmeza e amarelecimento da casca.
O uso de ceras também pode ser incorporado às operações pós-colheita de goiabas. Além de proporcionar melhor aparência, graças ao aspecto lustroso, a cera pode diminuir a perda de água e retardar o amadurecimento. No entanto, é necessário identificar o tipo de cera mais adequado aa cada cultivar. Há necessidade, ainda, deadaptar os equipamentos normalmente usados parapara outras frutas, visando à aplicação de cera em goiabas.
Transporte
A temperatura de transporte também deve atender às recomendações adotadas para o armazenamento refrigerado. Porém, geralmente são aplicadas aos frutos exportados.
Aqueles destinados ao mercado interno são transportados sem refrigeração.
Finalmente, é importante reforçar que a preservação máxima da qualidade da fruta a partir da colheita depende das práticas e do manuseio adotados. Esses devem atender aos requerimentos de mercado, oferecendo um produto de qualidade especial, que não promova riscos químico, biológico e físico à saúde do consumidor, e que seja proveniente de sistema de produção coerente com os preceitos de minimização de impactos ao meio ambiente e de respeito às leis trabalhistas.
Ademais, a fruta deve apresentar aparência fresca e atrativa.
Durante o seu desenvolvimento, a goiabeira é atacada por diversos insetos, que provocam diferentes tipos de danos.
No Brasil, já foram registrados mais de cem espécies de insetos que atacam goiabeiras (MARICONE; SOUBIHE SOBRINHO, 1961). Entre eles, há pragas-chave, secundárias e ocasionais ou esporádicas.
A classificação das pragas, como pragachave ou secundária, pode variar conforme a região. Como praga-chave ou principal, considera-se aquela que, com frequência, provoca danos econômicos, exigindo, por isso, medidas de controle. Praga secundária é aquela que, embora cause danos à cultura, raramente provoca prejuízos econômicos.
Já as esporádicas ou ocasionais são aquelas que causam danos apenas em áreas localizadas ou em determinado período.
Para o estabelecimento de um controle efetivo no campo, a identificação do inseto agressor e o conhecimento dos seus danos e sintomas são fundamentais. Entre as pragas que causam danos econômicos na goiabeira,se destacam:
Psilídio (Triozoida limbata)
Os psilídeos são insetos sugadores de seiva, medindo, quando adultos, aproximadamente 2,0 mm de comprimento (Figura 9). O macho possui coloração esverdeada, e a face dorsal do tórax e do abdome é de coloração preta; a fêmea é verde-amarelada.
As formas jovens têm formato achatado, com coloração rósea, e são recobertas por secreção de cera esbranquiçada, de aspecto floculoso. Por conta das toxinas injetadas por esse inseto durante a alimentação, as folhas atacadas apresentam enrolamento dos bordos, tornando-se deformadas (Figura 10), e desenvolvem, posteriormente, uma coloração amarelada ou avermelhada, ganhando um aspecto necrosado (BARBOSA et al., 2001a; PEREIRA; BORTOLI, 1998).
Figura 9. Adulto do psilídeo da goiabeira.
Figura 10. Danos causados pelo psilídeo da goiabeira.
O controle deverá ser iniciado quando se constatarem, em média, 30% ou mais de brotações ou folhas novas danificadas pelo psilídeo (BARBOSA et al., 2001b, 2003). Existe apenas um produto registrado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para essa praga da goiabeira (Tabela 2).
Mosca-das-frutas
As moscas-das-frutas fazem parte de um grupo de pragas responsáveis por grandes prejuízos econômicos na cultura da goiabeira. Cientes disso, os países importadores impõem barreiras à entrada de frutas provenientes de regiões onde ocorre essa praga. As espécies Anastrepha fraterculus, . sororcula e A. obliqua são as mais comuns (ZUCCHI, 1988) (Figura 11), embora Ceratitis capitata (Figura 12) também possa atacar o fruto. Os ovos das moscas-das-frutas são introduzidos abaixo da casca do fruto, de preferência ainda imaturos. No local onde são depositados, pode ocorrer contaminação por fungos ou bactérias, tornando os frutos impróprios tanto para consumo in natura quanto para a industrialização. Os frutos atacados amadurecem prematuramente e passam por um processo de podridão generalizada (BARBOSA et al., 2001a).
Figura 11. Adulto da mosca-das-frutas Anastrepha sp.
Figura 12. Adultos da mosca-das-frutas
Ceratitis capitata.
O monitoramento da população de moscas no campo pela utilização de armadilhas permite conhecer as espécies presentes, suas abundância e distribuição, permitindo, assim, a programação do controle. Há dois tipos de armadilhas: a) armadilhas de plástico, do tipo caça-moscas, que capturam adultos de Anastrepha spp. e C. capitata, por meio de atrativos alimentares, como melaço, suco de frutas e proteína hidrolisada, diluídos em água; e b) armadilhas tipo Jackson, que usam o paraferomônio Trimedilure para atrair machos de C. capitata.
As recomendações de controle das moscas-das-frutas abrangem desde a proteção do fruto, pelo ensacamento, até a aplicação de inseticidas na forma de iscas ou em pulverizações (Tabela 2). A coleta e a destruição dos frutos amadurecidos no pomar ou caídos no chão são importantes medidas de controle. A necessidade de alternativas substitutivas dos métodos químicos convencionais, aliada à crescente cobrança da sociedade por métodos menos agressivos ao homem e ao meio ambiente, têm estimulado a busca por novos métodos, como o controle biológico utilizando o parasitoide Diachasmimorpha longicaudata e a técnica do inseto estéril (PARANHOS; BARBOSA, 2005).
Gorgulho-da-goiaba (Conotrachelus psidii)
O adulto é um besouro com aproximadamente 6 mm de comprimento, de coloração pardo-escura, enquanto a larva é branca, de cabeça negra (Figura 13), apresenta corpo enrugado transversalmente, medindo, quando completamente desenvolvida, 12 mm de comprimento. Suas larvas não se confundem com as das moscas-das-frutas, que são menores, vermiformes e afiladas na porção anterior do corpo. Depois da eclosão, as larvas penetram no fruto, alimentando-se das sementes e da polpa. Além dos danos diretos provocados pelas larvas, os frutos atacados (Figura 14) apresentam depressões, amadurecem precocemente e caem em abundância.
No fruto maduro, a larva-do-gorgulho só se alimenta das sementes, deixando, como vestígio, uma podridão seca.
Figura 13. Larva do gorgulho-da-goiaba em fruto.
Figura 14. Danos causados aos frutos pelo gorgulho-dagoiaba.
A partir do início da floração, o pomar deve ser inspecionado semanalmente, para verificação da existência de botões florais ou frutos danificados. Recomenda-se o monitoramento de 2% das plantas do talhão, ou, no mínimo, de 20 plantas, observando-se um fruto em cada quadrante, no terço médio da copa. Ao se encontrar um fruto atacado, examinar pelo menos mais 20 frutos da mesma planta. Se houver outros frutos dos, proceder ao monitoramento das quatro plantas vizinhas. Havendo frutos atacados em pelo menos uma das plantas vizinhas, o conjunto será considerado infestado.
Quando 20% das plantas observadas apresentarem frutos com sintomas do ataque, o controle deverá ser iniciado (KAVATI, 2004)
O inseto adulto é muito ágil, tem forma quase elíptica, e 5 mm a 6,5 mm de comprimento. O sinal característico da sua presença é a ocorrência de folhas rendilhadas.
O período de maior ataque é quando a goiabeira inicia a emissão das brotações.
Recomenda-se monitorar, semanalmente, 2% das plantas do talhão, ou, no mínimo, 20 plantas por talhão, de preferência nas bordaduras. Se constatada a presença do inseto e/ou de seus danos em 20% ou mais das plantas amostradas, o controle deverá ser iniciado (BARBOSA et al., 2001a; KAVATI, 2004) (Tabela 2).
Outras pragas
Além das pragas já descritas, há outras que podem causar alguns danos a goiabeiras, como: pulgões, lagartas, percevejos e cochonilhas. Contudo, normalmente elas são mantidas em baixas populações quando o controle das pragas mais importantes é realizado. No caso da região Semiárida, eventualmente poderá ocorrer o ataque do mané-magro ou bicho-pau (Stirphra robusta), que causa grande desfolha em plantas atacadas.
Há carência de produtos registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para o controle das pragas da goiabeira, e maioria dos inseticidas registrados são muito tóxicos (Tabela 2).
Esse problema é comum a todas as culturas consideradas pouco rentáveis para a indústria de defensivos agrícolas. É preciso, então, encontrar soluções para a questão, e principalmente meios de disponibilizar, no mercado, produtos eficientes de controle das pragas e que, ao mesmo tempo, apresentem baixa toxicidade ao ambiente, ao homem e aos inimigos naturais.
O Projeto de Produção Integrada da Goiaba (PIF-Goiaba) vem aperfeiçoando técnicas de manejo integrado de pragas, e com tão bons resultados que já conseguiu reduzir em aproximadamente 40% o número de aplicações de defensivos por ciclo da cultura.
Além disso, trabalhos de avaliação de inseticidas quanto à eficiência e à seletividade vêm sendo realizados na Embrapa Semiárido e pela equipe da PI-Goiaba (BARBOSA et al., 2001b, 2003; KAVATI, 2004).
Entre
as doenças que afetam a cultura da goiaba no Brasil, as mais importantes sob o
aspecto econômico são: antracnose, ferrugem, antracnose-maculata, bacteriose e
meloidoginose.
Antracnose ou mancha-chocolate (Colletotrichum gloeosporioides; Fase sexuada Glomerella cingulata)
Esta
doença pode causar sérios prejuízos em pomares mal conduzidos, adensados e
manejados inadequadamente. Os principais danos ocorrem no florescimento, principalmente
em frutos protegidos com saco de papel ou plástico em campo, e também em pós-colheita.
Os sintomas podem surgir em qualquer fase de desenvolvimento da planta. Manchas
escuras, ligeiramente circulares, são observadas em folhas, ramos novos, flores
e frutos (Figura
5). Essas lesões aumentam de tamanho, coalescem e tornam-se deprimidas, resultando
em extensas áreas necrosadas.
Figura 5. Manchas deprimidas em goiaba, causadas por Colletotrichum gloeosporioides.
A
penetração do fungo por meio do botão floral ocasiona o surgimento de podridão
a partir do pedúnculo, podendo atingir todo o fruto, que fica escurecido e
mumificado. Na fase de maturação dos frutos, principalmente na pós-colheita,
podem ser observadas pequenas lesões que, posteriormente, podem ocasionar a
podridão de todo o fruto.
A
dispersão do fungo, por meio de conídios, é favorecida em períodos chuvosos. A penetração
do fungo na planta pode ser direta ou por meio de danos mecânicos,
principalmente nos frutos. Elas podem ser resultantes do manuseio ou causadas
por insetos. Em geral, as infecções em frutos permanecem quiescentes até a colheita.
Entretanto, durante o amadurecimento, o fungo desenvolve-se no fruto,
acarretando perdas significativas durante o armazenamento.
Em
períodos chuvosos e sob temperaturas entre 25 ºC e 30 ºC (SOARES et al., 2008),
a infecção pode ser muito severa, principalmente durante o desenvolvimento
vegetativo da planta, a floração e a maturação dos frutos.
Para
controlar a doença, recomenda-se: adotar espaçamentos entre plantas que favoreçam
o arejamento; realizar análise de solo e executar as adubações segundo as
recomendações, evitando o excesso de adubos nitrogenados; podar a planta
visando manter a copa aberta para reduzir a umidade, para aumentar a insolação
e para propiciar a penetração de fungicidas; evitar cobrir os frutos com sacos
de papel ou plástico; podar e queimar ramos doentes ou infestados por pragas e
frutos mumificados; aplicar fungicidas cúpricos,
preventivamente, visando reduzir a infecção e o potencial de inóculo do fungo
na área. Essas pulverizações devem ser feitas até que os frutos atinjam o diâmetro
de 3 cm, a partir do qual o cobre produz sintomas de fitotoxidez.
Ferrugem (Puccinia psidii)
é
uma das principais doenças da goiabeira, principalmente quando em temperaturas e
umidade relativa favoráveis ao desenvolvimento de
infecções. Pode afetar plantas em qualquer estádio de desenvolvimento.
O
fungo é nativo da América do Sul e pode infectar outras plantas da família da
goiaba, tais como jabuticabeira, eucalipto, jambeiro, araçazeiro
e pitangueira. Os sintomas surgem em folhas, frutos, gemas e flores, na forma
de pontuações escurecidas e arredondadas. Pústulas que correspondem às massas
de esporos
de coloração amarelo-laranja (urediniósporos) surgem na face inferior das
folhas e em ramos, botões florais e frutos (Figura 6). Com o desenvolvimento da
infecção, as lesões aumentam de tamanho, resultando em extensas áreas
lesionadas de aspecto corticoso.
Em
frutos, os danos podem ser mais severos e as lesões são enegrecidas, porém, a
polpa não é atingida.
Figura 6. Sintomas da ferrugem em frutos de goiabeira, caracterizados
pela presença de lesões e massas pulverulentas de urediniósporos.
A
dispersão do fungo ocorre, principalmente, por meio dos urediniósporos levados pelo
vento e que podem provocar novas infecções
em contato com tecidos jovens da planta. É essencial, para que ocorra a infecção,
um período de escuro, umidade relativa maior
ou igual a 90% e temperaturas entre 18 ºC e 25 ºC por 6 a 8 horas. Dessa
maneira, vários surtos da doença podem ocorrer em um
mesmo ano.
As
recomendações para o manejo da doença consistem na utilização de práticas culturais
e no controle químico, conforme se
segue:
•
Plantar cultivares resistentes à ferrugem (as cv. Paluma e Rica são consideradas
tolerantes, enquanto as cv. Riverside Vermelha e Guanabara são moderadamente
resistentes) (PICCININ
et al., 2005).
•
Proceder à análise de solo e adubar as plantas seguindo as recomendações e
evitando utilizar adubos nitrogenados em excesso.
•
Aumentar o espaçamento entre plantas e podá-las, visando favorecer o arejamento,
a insolação e a penetração de fungicidas.
•
Eliminar plantas da família Myrtaceae,
hospedeiras do fungo, dentro e emáreas próximas ao pomar.
O
controle químico deve ser feito apenas utilizando-se fungicidas registrados para
a doença na cultura (Tabela 2), que devem ser aplicados segundo resultados de monitoramento.
Esse controle deve ser feito desde a brotação até o momento em que os frutos
ostentarem um diâmetro menor ou igual a 3 cm, 30 e 180 dias depois da poda, respectivamente
(VENTURA; COSTA, 2003).
Os
fungicidas cúpricos podem causar manchas quando aplicados em frutos com diâmetro
superior a 3 cm.
Verrugose ou antracnose-maculada (Sphaceloma psidii)
A
doença foi, inicialmente, identificada no Estado de São Paulo. A verrugose
afeta plantas em qualquer fase de desenvolvimento.
Botões
florais e frutos exibem lesões como resultado das infecções causadas pelo fungo,
podendo ficar deformados no caso de severa infecção, quando os frutos ficam inviáveis
para a comercialização. Em folhas, observa-se uma variação de sintomas, segundo
a cultivar de goiaba afetada. Esses variam desde pequenas manchas até grandes lesões,
distribuídas de maneira esparsa no limbo foliar.
As
medidas de manejo da verrugose são: promover um bom arejamento do pomar, pela realização
de medidas culturais como as podas de limpeza, e aplicar fungicidas para o
controle da doença (Tabela 2).
Bacteriose (Erwinia psidii)
A
seca-bacteriana ou seca-dos-ponteiros é uma doença de difícil controle e que se
dissemina rapidamente no pomar.
Foi
relatada, inicialmente, no Estado de São Paulo e, posteriormente, em Minas Gerais,
Distrito Federal, Goiás, Espírito Santo, Paraná e Rio e Janeiro. Perdas de até
70% na produção
já foram registradas em pomares de Minas Gerais (ROMEIRO et al., 1994).
As
plantas apresentam murcha rápida em brotações jovens e as folhas ficam
avermelhadas.
Observa-se,
também, escurecimento das folhas e dos ramos do ponteiro.
A
infecção fica limitada aos ponteiros, não progredindo para os ramos mais
velhos.
Folhas
e frutos dos ramos afetados secam, mas ficam aderidos aos ramos secos. Flores e
frutos novos infectados ficam enegrecidos, mumificados
e também aderidos à planta
(Figuras
7A e 7B). Em corte longitudinal dos ramos afetados, observa-se descoloração dos
vasos, além de exsudação de pus bacteriano.
Plantas afetadas pela doença não morrem, entretanto, os danos causados são
bastante significativos, considerando que
a doença afeta a capacidade produtiva da planta.
Figura 7. Necrose em brotações
jovens (A) e frutos mumificados (B) de goiabeiras infectadas pela bactéria
Erwinia psidii
A
bactéria penetra na planta através de aberturas naturais nos botões florais, de
danos mecânicos e de ferimentos causados por
insetos. O desenvolvimento da bactéria é favorecido por temperaturas de 18 ºC a
25 ºC e alta umidade relativa. As chuvas e a água de irrigação propiciam a
disseminação da doença em viveiros ou dentro da área do pomar, enquanto o
material propagativo e mudas infectadas são os meios de disseminação da
doença a longas distâncias.
A
infecção das mudas ocorre, principalmente, pela utilização de material
propagativo contaminado nos processos de enxertia.
As
medidas recomendadas para o controle da doença baseiam-se nos seguintes procedimentos:
•
Adquirir mudas sadias em viveiros credenciados e que apresentem Certificado Fitossanitário
de Origem.
•
Evitar a aquisição de material propagativo de
locais ou regiões de ocorrência da doença.
•
Plantar cultivares mais tolerantes à doença, como aquelas de polpa branca, que
são mais tolerantes que as de polpa vermelha (RIBEIRO et al., 1985).
•
Fazer a análise de solo e a adubação segundo as recomendações.
•
Evitar aplicar adubo nitrogenado em excesso.
•
Estabelecer quebra-ventos em volta do pomar.
•
Irrigar as plantas com água de boa qualidade.
• Desinfestar
tesouras de poda em solução de hipoclorito de sódio (1:3) ou amônia
quaternária.
•
Podar ramos sintomáticos e/ou infestados com pragas e frutos mumificados.
• Podar
as plantas nas horas mais quentes do dia, e apenas quando não estiverem
expostas ao orvalho ou molhadas.
•
Controlar o adensamento e propiciar o arejamento da copa, por meio das podas.
•
Queimar o material resultante das podas em local distante da área de plantio.
A
murcha-bacteriana causada pela bactéria Ralstonia
solanacearum(= Pseudomonassolanacearum) foi identificada apenas em pomares de goiaba do Estado de
São Paulo, em 1979. Em condições climáticas favoráveis à doença, plantas
afetadas exibem lesões encharcadas nos ramos e enrolamento, amarelecimento e
murcha nas folhas.
A
doença é causada pela bactéria R.solanacearum.
Ela
apresenta sintomas característicos, que podem ser observados por meio de um
corte longitudinal nos ramos. A descoloração vascular
ou o escurecimento dos vasos é um desses sintomas. Outro sinal característico da
presença da bactéria nas plantas afetadas
é a exsudação de pus bacteriano.
Alguns
cuidados devem ser tomados no controle da doença: a) utilizar apenas plantas matrizes
sadias na produção de material propagativo
para a preparação de mudas, evitando, assim, a introdução da doença em áreas não
infestadas; e b) utilizar solo apropriado e água de irrigação de qualidade,
para evitar a contaminação de mudas produzidas em viveiros.
Nematoides-das-galhas (Meloidogyne spp.)
Até
2001, as únicas espécies de Meloidogyne
identificadas em goiabeira eram M. incognita, M. arenaria, M. hapla e M. javanica. Naquele ano, porém, M.
mayaguensis Rammah & Hirschmann foi detectado em
goiabeiras sintomáticas (CARNEIRO et al., 2001). Atualmente, encontra-se
disseminado em pomares de diversos estados brasileiros, sendo considerado
agente limitante à produção. Os nematoides-das-galhas provocam engrossamento ou
formação de
galhas nas raízes das plantas afetadas, podendo destruir as camadas superficiais
das raízes mais grossas (Figuras 8A, B, C). Seu ataque causa drástica redução
no volume de raízes finas responsáveis pela absorção de água e nutrientes,
acarretando o bronzeamento dos bordos das folhas e o amarelecimento da parte aérea
das plantas afetadas.
Figura 8. Sintomas de meloidoginose em plantas de goiabeira: (A)
galhas em raízes de mudas; (B) amarelecimento na copa; e (C) aprodrecimento das
camadas superficiais das raízes mais grossas em planta adulta.
Observa-se
também queda de folhas e, na maioria dos casos, declínio e morte das plantas; consequentemente,
redução na produção e na qualidade dos frutos. As perdas podem ser de até 100%,
e implicam aumento nos custos de produção por conta dos gastos com medidas de
manejo da doença. Os frutos são menores e em número reduzido, tornando- se
endurecidos e podendo amadurecer precocemente.
A infecção de goiabeiras por M. mayaguensis tem sido responsável pela eliminação de diversos pomares.
As
galhas, que são os sítios onde as fêmeas se alimentam, formam-se a partir da
secreção de substâncias produzidas pelo patógeno, e que induzem o aumento do
tamanho e do número de células das raízes.
Os
nematoides-das-galhas são parasitas sedentários, pois as fêmeas adultas
permanecem imóveis nos sítios de alimentação.
Dentro
das galhas, os nematoides completam o seu ciclo de vida em cerca de 28 dias, no
intervalo de temperatura de 25 ºC a 30 ºC.
Quando
os nematoides são introduzidos numa área por meio de mudas infestadas, a morte
das plantas pode ocorrer em cerca de um
ano depois do transplantio. Entretanto, quando as plantas são infectadas depois
da instalação do pomar, dependendo do nível populacional
do nematoide no solo, esse período pode se estender a 4 ou 5 anos.
As
estratégias de manejo da doença consistem na adoção de medidas que devem ser
utilizadas de forma integrada. Adquirir mudas
sadias, em viveiristas credenciados, e plantar em áreas não infestadas pelo
nematoide são as medidas mais importantes na implantação de pomares, pois
previnem a introdução e/ou o estabelecimento do patógeno na área de plantio.
Sugerem-se também outras medidas, como: não transportar solo de áreas infestadas para áreas sadias; estabelecer
pomares em áreas com boa drenagem; eliminar plantas com sintoma da
doença, incluindo as raízes; fazer o manejo adequado da irrigação, da matéria orgânica
e da fertilidade do solo.
No
manejo de áreas infestadas, algumas práticas podem ser adotadas visando à redução
da população do nematoide no solo, a saber:
•
Pousio, que consiste em deixar uma área em repouso por um período de 1 a 12
meses.
•
Alqueive, com a eliminação de toda a vegetação da área, com o propósito de eliminar
as fontes de alimento dos nematoides e, assim, causar a sua morte.
•
Inundação do solo, com o objetivo de induzir a morte dos nematoides pela
redução dos teores de oxigênio e pelo aquecimento da água no solo.
•
Cultivo de plantas-armadilha suscetíveis ao nematoide, seguido da destruição
dessas plantas antes de os nematoides se desenvolverem e iniciarem a postura de
ovos.
•
Rotação de culturas com espécies de plantas não hospedeiras do nematoide.
Com
relação ao controle químico, não há produtos registrados para o controle desse
nematoide em goiabeira. Também não há cultivares de goiaba resistentes ao
nematoide das galhas, entretanto, pesquisas conduzidas pela Embrapa têm
indicado que
alguns
acessos de araçazeiro têm potencial para serem utilizados como porta-enxerto de
goiabeira, visando à resistência ao nematoide M. mayagensis.