terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Doenças da Bananeira e seus Metodos de Controle



Doenças e métodos de controle

As bananeiras são afetadas, durante todo o seu ciclo vegetativo e produtivo, por um grande número de doenças, que podem ser causadas por fungos bactérias, vírus e nematóides.


Doenças fúngicas

As doenças fúngicas constituem-se nos principais problemas fitopatológicos da bananeira, que é afetada, por um grande número de espécies de fungos, que em alguns casos, constituem-se em fator limitante à produção.

Sigatoka-amarela
Esta é uma das mais importantes doenças da bananeira, sendo também conhecida como cercosporiose ou mal-de-Sigatoka.

Agente causal

A Sigatoka-amarela é causada por Mycosphaerella musicola, Leach (forma perfeita ou sexuada)/Pseudocercospora musae (Zimm) Deighton (forma imperfeita ou assexuada).

Sintomas

Os sintomas iniciais da doença aparecem como uma leve descoloração em forma de ponto entre as nervuras secundárias da segunda à quarta folha, a partir da vela. A contagem das folhas é feita de cima para baixo, onde a folha da vela é a zero e as subseqüentes recebem os números 1, 2, 3, 4, e assim por diante. Essa descoloração aumenta, formando uma estria de tonalidade amarela. Com o tempo as pequenas estrias amarelas passam para marrom e posteriormente para manchas pretas, necróticas, circundadas por um halo amarelo, adquirindo a forma elíptica-alongada, apresentando de 12-15 mm de comprimento por 2-5 mm de largura, dispondo-se paralelamente às nervuras secundárias da folha. As folhas mais suscetíveis à infecção, em ordem decrescente, vão da vela à folha 3, embora possa ocorrer infecção na folha 4. Nos estádios mais avançados da doença, e quando esta está ocorrendo em alta freqüência de lesões, dá-se o coalescimento das mesmas, com a reduçaão da área foliar fotossintetizante (Figura 1).
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Figura 1. Sigatoka-amarela, mostrando coalescimento das lesões com necrose do tecido foliar.

Danos e distúrbios fisiológicos

Os prejuízos causadas pela Sigatoka–amarela são da ordem de 50% da produção mas, em microclimas muito favoráveis, esses prejuízos podem atingir 100%, uma vez que os frutos quando produzidos sem nenhum controle da doença, não apresentam valor comercial. Os prejuízos são resultantes da morte precoce das folhas e do conseqüente enfraquecimento da planta, com reflexos imediatos na produção (Figura 2). Entre os distúrbios observados em plantações afetadas podem ser listados: diminuição do número de pencas por cacho; redução do tamanho dos frutos; maturação precoce dos frutos no campo e/ou durante o transporte, podendo provocar a perda total da carga; enfraquecimento do rizoma e por conseqüência perfilhamento lento.
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Figura 2. Bananal altamente afetado pela Sigatoka-amarela com perda acentuada de área foliar e elevadas perdas na produção.
Sigatoka-negra

A Sigatoka-negra foi constatada no Brasil em fevereiro de 1998, no Estado do Amazonas estando presente no Acre, Rondônia, Pará, Roraima, Amapá e Mato Grosso. O desenvolvimento de lesões de sigatoka e a sua disseminação são fortemente influenciados por fatores ambientais como umidade, temperatura e vento. No Brasil, as vias importantes na disseminação têm sido as folhas doentes utilizadas em barcos e/ou caminhões bananeiros, para proteção dos frutos durante o transporte, e as bananeiras infectadas levadas pelo rio durante o período de cheia nos rios amazônicos.
Agente Causal
O fungo causador da Sigatoka-negra é um ascomiceto conhecido como Mycosphaerella fijiensis Morelet (fase sexuada)/ Paracercospora fijiensis (Morelet) Deighton (forma imperfeita ou assexuada).

Sintomas

Os sintomas causados pela evolução das lesões produzidas pela Sigatoka-negra se assemelham aos decorrentes do ataque da Sigatoka-amarela, também ocorrendo a infecção nas folhas mais novas. Já os primeiros sintomas aparecem na face inferior da folha como estrias de cor marrom (Figura 3), evoluindo para estrias negras (Figura 4). Os reflexos da doença são sentidos pela rápida destruição da área foliar, reduzindo-se a capacidade fotossintética da planta e, consequentemente, a sua capacidade produtiva.
Figura 3. Estrias marrons causadas pela Sigatoka-negra, observadas na face inferior da folha.
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Figura 4. Folha de uma planta afetada pela Sigatoka- negra exibindo alta densidade de lesões e necrose do tecido.
Danos e distúrbios fisiológicos
A Sigatoka-negra é a mais grave e temida doença da bananeira no mundo, implicando em aumento significativo de perdas, que podem chegar a 100% da produção, onde o controle não é realizado. Devido à sua agressividade, nas regiões onde a Sigatoka-negra é introduzida, a amarela desaparece em cerca de três anos. Outro fator agravante é o aumento do espectro de variedades atingidas pela doença, que ataca severamente a banana ‘Maçã´ (medianamente suscetível à Sigatoka amarela) e os platanos, do Subgrupo Terra.

Controle

Várias são as medidas que podem e devem ser tomadas com o objetivo de controlar as sigatokas amarela e negra, principalmente visando a redução do uso dos agrotóxicos:
a) Variedades resistentes
Sempre que possível, deve-se substituir as variedades suscetíveis pelas resistentes, visando a redução e/ou eliminação do controle químico. As variedades que apresentam resistência são: Caipira, Thap Maeo, FHIA-18 e Pacovan Ken. As cultivares Terra, Terrinha e          D’ Angola são resistentes à Sigatoka-amarela, mas suscetíveis à negra.
b) Controle cultural
Recomenda-se a utilização das práticas culturais que reduzam a formação de microclimas favoráveis ao desenvolvimento das Sigatokas. Neste caso, os principais aspectos a serem levados em conta são os seguintes:
  • Drenagem
Além de melhorar o crescimento geral das plantas, a drenagem rápida de qualquer excesso de água no solo reduz as possibilidades de formação de microclimas adequados ao desenvolvimento da doença.
  • Combate às plantas daninhas
No bananal, a presença de altas populações de plantas daninhas não só incrementa a ação competitiva que estas exercem, como também favorece a formação de microclima adequado aos patógenos, devido ao aumento do nível de umidade no interior do bananal.
  • Desfolha
A eliminação racional das folhas atacadas ou de parte dessas folhas reduz a fonte de inóculo no bananal. É preciso, entretanto, que tal eliminação seja feita com bastante critério, para não provocar danos maiores que os causados pela própria doença. No caso de infecções concentradas, recomenda-se a eliminação apenas da parte afetada. Quando, porém, o grau de incidência for alto e a infecção tiver avançado extensamente sobre a folha, recomenda-se que esta seja totalmente eliminada. Não há necessidade de retirar as folhas do bananal, todavia é interessante enleirá-las entre as fileiras e pulverizar com solução de uréia para mais rápida decomposição.
  • Nutrição
Plantas adequadamente nutridas propiciam um ritmo mais acelerado de emissão de folhas. Isto implica no aparecimento das lesões de primeiro estádio e/ou manchas em folhas mais velhas da planta. Nesta situação, a emissão rápida compensará as perdas provocadas pela doença. Em plantas mal nutridas, o lançamento de folhas é lento e, consequentemente, as lesões serão visualizadas em folhas cada vez mais novas.
c) Controle químico
Os fungicidas ainda são a principal arma para o controle da Sigatoka, principalmente em se tratando de variedades suscetíveis. Entre as recomendações para a aplicação de fungicidas incluem o seguinte:
  • Horário
Os fungicidas devem ser aplicados nas horas mais frescas do dia, no início da manhã e/ou no final da tarde. Somente em dias frios ou nublados as aplicações podem ser feitas a qualquer hora do dia. Quando se aplicam fungicidas sob condições de temperatura elevada, além de haver maior risco para o aplicador, as pulverizações perdem em eficiência, em virtude principalmente da evaporação do produto.
  • Condições climáticas
Os dias ou períodos de vento forte devem ser evitados. A aplicação de fungicidas quando há ocorrência de ventos provocará grande deriva do produto e diminuirá, consequentemente, a eficácia do controle. A pulverização não deverá ser feita quando estiver chovendo, por pouco que seja. A chuva provoca a lavagem do produto, diminuindo a eficiência do controle. A queda de chuvas fortes imediatamente após uma aplicação de fungicida praticamente invalida o efeito deste. A eficiência da operação estará assegurada quando entre o momento da aplicação e o da ocorrência de chuva leve, transcorrer um intervalo de tempo superior a três horas.
  • Direcionamento do produto
A eficiência da pulverização dependerá em grande parte do local de deposição do produto na planta. Como o controle é essencialmente preventivo, é importante que as folhas mais novas sejam protegidas, considerando que é através delas que a infecção ocorre. Por conseguinte, em qualquer aplicação, o produto deverá ser elevado acima do nível das folhas, a fim de que seja depositado nas folhas vela, 1, 2 e 3, ficando assim, protegidas da infecção. Percebe-se que as pulverizações mais eficientes são as realizadas via aérea.
D) Épocas de controle
O controle deve ser priorizado no período chuvoso, ocasião em que o ambiente é mais propício ao desenvolvimento da doença. De modo geral, pode-se dizer que o controle da sigatoka deve começar tão logo se inicie o período de chuvas e prolongar-se até a sua interrupção.
A indicação do controle poderá ser feita por sistemas de pré-aviso, que poderão racionalizar o uso de defensivos.
  • Produtos, dosagens e intervalos de aplicação
Na Tabela 4 estão relacionados os principais produtos em uso ou com potencial de utilização no controle da Sigatoka-amarela
Tabela 4. Principais produtos comerciais, dosagens e intervalos de aplicação, recomendados para o controle do mal-de-Sigatoka.

Mal-do-Panamá

O mal-do-Panamá é uma doença endêmica por todas as regiões produtoras de banana do mundo. No Brasil, o problema é ainda mais grave em função das variedades cultivadas, que na maioria dos casos são suscetíveis.
Agente causal
O mal-do-Panamá é causado por Fusarium oxysporum f. sp. cubense (E.F. Smith) Sn e Hansen. As principais formas de disseminação da doença são o contato dos sistemas radiculares de plantas sadias com esporos liberados por plantas doentes e, em muitas áreas, o uso de material de plantio contaminado. O fungo também é disseminado por água de irrigação, de drenagem, de inundação, assim como pelo homem, por animais e equipamentos.

Sintomas

As plantas infectadas por F. oxysporum f.sp. cubense exibem externamente um amarelecimento progressivo das folhas mais velhas para as mais novas, começando pelos bordos do limbo foliar e evoluindo no sentido da nervura principal (Figura 5). Posteriormente, as folhas murcham, secam e se quebram junto ao pseudocaule, dando à planta a aparência de um guarda-chuva fechado. É comum constatar-se que as folhas centrais das bananeiras permanecem eretas mesmo após a morte das mais velhas. É possível notar, próximo ao solo, rachaduras do feixe de bainhas, cuja extensão varia com a área afetada no rizoma (Figura 6).
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Figura 5. Planta com mal-do-Panamá, exibindo amarelecimento progressivo das folhas mais velhas em direção às mais novas e posterior quebra junto ao pseudocaule.
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Figura 6. Ruptura das bainhas do pseudocaule, formando rachadura, em plantas afetadas pelo mal-do-Panamá,.
IInternamente, observa-se uma descoloração pardo-avermelhada na parte mais externa do pseudocaule provocada pela presença do patógeno nos vasos (Figura 7). A descoloração vascular é também observada no rizoma.
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Figura 7. Escurecimento dos vasos, observado por meio de corte realizado no pseudocaule de plantas afetadas pelo mal-do-Panamá

Danos e distúrbios fisiológicos

O mal-do-Panamá, quando ocorre em variedades altamente suscetíveis como a banana ‘Maçã’, provoca perdas de 100% na produção. Já nas variedades tipo Prata, que apresentam um grau de suscetibilidade bem menor do que a ‘Maçã’, a incidência do mal-do-Panamá, geralmente, situa-se num patamar dos 20% de perdas. Por outro lado, o nível de perdas é também influenciado por características de solo, que em alguns casos comporta-se como supressivo ao patógeno. Como se trata de uma doença letal, não há porque comentar sobre distúrbios fisiológicos.

Controle

O melhor meio para o controle do mal-do-Panamá é a utilização de variedades resistentes, dentre as quais podem ser citadas as cultivares do subgrupo Cavendish e do subgrupo Terra, a ‘Caipira’, ‘Thap Maeo’ e ‘Pacovan Ken’.
Como medidas preventivas recomendam-se as seguintes práticas:
  • Evitar as áreas com histórico de alta incidência do mal-do-Panamá;Utilizar mudas comprovadamente sadias e livres de nematóides;
  • Corrigir o pH do solo, mantendo-o próximo à neutralidade e com níveis ótimos de cálcio e magnésio, que são condições menos favoráveis ao patógeno;
  • Dar preferência a solos com teores mais elevados de matéria orgânica, isto aumenta a concorrência entre as espécies, dificultando a ação e a sobrevivência de F. oxysporum cubense no solo;
  • Manter as populações de nematóides sob controle, eles podem ser responsáveis pela quebra da resistência ou facilitar a penetração do patógeno, através dos ferimentos;
  • Manter as plantas bem nutridas, guardando sempre uma boa relação entre potássio, cálcio e magnésio.
Nos bananais já estabelecidos e que a doença comece a se manifestar recomenda-se a erradicação das plantas doentes, utilizando herbicida. Isto evita a propagação do inóculo na área de cultivo. Na área erradicada aplicar calcário ou cal hidratada.

Doenças de frutos

A aparência dos frutos e a presença de manchas nos mesmos se deve em grande parte ao manejo adotado nas fases de crescimento vegetativo e de produção. Vários são os patógenos que atacam os frutos antes ou após à colheita, causando-lhes manchas ou podridões na pré e na pós-colheita.

Doenças de pré-colheita
Lesão-de-Johnston, causada pelo fungo Pyricularia grisea; Mancha-parda, causada por Cercospora hayi; Mancha-losango, cujo invasor primário é Cercospora hayi, seguido por Fusarium solani, F. roseum e possivelmente outros fungos; Pinta-de-deightoniella, causado pelo fungo Deightoniella torulosa, que é um habitante freqüente de folhas e flores mortas; Ponta-de-charuto cujos patógenos mais consistentemente isolados das lesões são Verticillium theobromae e Trachysphaera fructigena.
Controle
  • As medidas de controle visam basicamente a redução do potencial de inóculo pela eliminação de partes senescentes e redução do contato entre patógeno e hospedeiro;
  • Eliminação de folhas mortas ou em senescência;
  • Eliminação periódica de brácteas, principalmente durante o período chuvoso;
  • Ensacamento dos cachos com saco de polietileno perfurado, tão logo ocorra a formação dos frutos;
  • Implementação de práticas culturais adequadas, orientadas para a manutenção de boas condições de drenagem e de densidade populacional, bem como para o controle de plantas daninhas, a fim de evitar um ambiente muito úmido na plantação;
Doenças de pós-colheita
Podridão-da-coroa, os fungos mais freqüentemente associados ao problema são: Fusarium roseum (Link) Sny e Hans., Verticillium theobromae (Torc.) Hughes e Gloeosporium musarum Cooke e Massel (Colletotrichum musae Berk e Curt.). Uma série de outros fungos também têm sido isolados, porém com menor freqüência.Veja os sintomas na Figura 8.
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Figura 8. Penca de banana mostrando os sintomas de podridão-da-coroa, desenvolvidos a partir de infecção ocorrida, no ferimento criado após o despencamento.

Antracnose é considerada o mais grave problema na pós-colheita desta fruta, sendo causada por Colletotrichum musae.Os sintomas podem ser observados na Figura 9.
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Figura 9. Frutos de banana mostrando as lesões necróticas típicas da antracnose.
Controle
O controle deve começar no campo, com boas práticas culturais, ainda na pré-colheita. Na fase de colheita e pós-colheita todos os cuidados devem ser tomados no sentido de evitar ferimentos nos frutos, que são a principal via de penetração dos patógenos. As práticas de despencamento, lavagem e embalagem devem ser executadas com manuseio extremamente cuidadoso dos frutos e medidas rigorosas de assepsia. Em último caso, o controle químico pode ser feito por imersão ou por atomização dos frutos. Os seguintes princípios ativos têm sido utilizados: Thiabendazol (Tecto 60, TBZ, Mertect, Termazol); Benomil (Benlate); Tiofanato metílico (Cercobin M-70, Cycosin, Topsin M). As dosagens recomendadas variam de 200 a 400 mg/L do ingrediente ativo, dependendo da distância do mercado consumidor. Vale salientar que esta recomendação é válida também para o controle da podridão-da-coroa.

Doenças bacterianas

Moko

No Brasil, o moko ou murcha bacteriana está presente em todos os Estados da região Norte com exceção do Acre. Surgiu também no Estado de Sergipe em 1987 e posteriormente em Alagoas, onde vem sendo mantida sob controle, mediante erradicação dos focos que têm surgido periodicamente.
Agente causal
A doença é causada pela bactéria Ralstonia solanacearum Smith (Pseudomonas solanacearum), raça 2.
A transmissão e disseminação da doença pode ocorrer de diferentes formas, dentre as quais se destaca o uso de ferramentas infectadas nas várias operações que fazem parte do trato dos pomares, bem como a contaminação de raiz para raiz ou do solo para a raiz. Outro veículo importante de transmissão são os insetos visitadores de inflorescências, tais como as abelhas (Trigona spp.), vespas (Polybia spp.), mosca-das-frutas (Drosophyla spp.) e muitos outros gêneros.
Sintomas
Nas plantas jovens e em rápido processo de crescimento, uma das três folhas mais novas adquire coloração verde-pálida ou amarela e se quebra próximo à junção do limbo com o pecíolo. No espaço de poucos dias a uma semana muitas folhas se quebram. O sintoma mais característico do moko, entretanto, se manifesta nas brotações novas que foram cortadas e voltaram a crescer. Estas escurecem, atrofiam e podem apresentar distorções. As folhas, quando afetadas, podem amarelecer ou necrosar.
A descoloração vascular do pseudocaule é mais intensa no centro (Figura 10) e é menos aparente na região periférica, ao contrário do que ocorre na planta atacada pelo mal-do-Panamá. Nos frutos das plantas atacadas pelo moko, os sintomas são muito característicos, apresentando podridão seca, firme, de coloração parda (Figura 11).
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Figura 10. Corte realizado em plantas afetadas pelo moko, mostrando a descoloração vascular concentrada no centro do pseudocaule.
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Figura 11. Frutos exibindo os sintomas de podridão seca, observada na polpa, típica dos casos de moko.
Danos e distúrbios fisiológicos
As perdas causadas pela doença podem atingir até 100% da produção, mas com vigilância permanente é possível conviver com a doença e mantê-la em baixa percentagem de incidência.
Controle
A base principal do controle do moko é a detecção precoce da doença e a rápida erradicação das plantas infectadas como das que lhes são adjacentes, as quais embora aparentemente sadias podem ter contraído a doença. Para tanto, é indispensável que um esquema de inspeção de cada planta seja cumprido por pessoas bem treinadas e repetido a intervalos regulares de duas a quatro semanas, dependendo do grau de incidência da doença.
A erradicação é feita mediante a aplicação de herbicida como o glifosato a 50%, injetado no pseudocaule ou introduzido por meio de palitos embebidos nessa suspensão. O produto deve ser aplicado em todas as brotações existentes na touceira (3 a 30 mL por planta, dependendo da altura desta).
É importante que a área erradicada permaneça limpa durante o pousio (seis a 12 meses). Nas áreas virgens onde houver infestação de espécies de Heliconia, estas deverão ser destruídas com herbicidas, mantendo-se a área em pousio durante 12 meses.
Outras medidas importantes para o controle do moko:
  • Desinfecção das ferramentas usadas nas operações de desbaste, corte de pseudocaule e colheita. Para tanto, procede-se à imersão desse material em solução de formaldeído 1:3, após seu uso em cada planta;
  • Eliminação do coração assim que as pencas tiverem emergido em variedades com brácteas caducas. Esta prática visa impedir a transmissão pelos insetos. A remoção deve ser feita quebrando-se a parte da ráquis com a mão.
  • Plantio de mudas comprovadamente sadias.
  • Na medida do possível, o uso de herbicidas ou a roçagem do mato deve substituir as capinas manuais ou mecânicas.
Podridão-mole

O número de casos de podridão-mole tem aumentado no Brasil nos últimos anos. Tem sido constatada na Região Norte do país, no perímetro irrigado Senador Nilo Coelho, no submédio São Francisco e no perímetro irrigado do Jaíba, norte de Minas Gerais e áreas irrigadas de Barreiras na Bahia. O problema pode ser observado em todas as regiões produtoras, mas aparece com maior freqüência nas áreas irrigadas, provavelmente por deficiência no manejo da irrigação, que tem possibilitado o excesso de umidade em pontos localizados dentro da plantação.
Agente causal
A podridão-mole é causada pela bactéria Erwinia carotovora subsp. Carotovora.
Sintomas
A doença inicia-se no rizoma, causando seu apodrecimento, progredindo posteriormente para o pseudocaule. Ao se cortar o rizoma ou pseudocaule de uma planta afetada, pode ocorrer a liberação de grande quantidade de material líquido fétido, daí o nome podridão aquosa. Na parte aérea, os sintomas podem ser confundidos com aqueles do moko ou mal-do-Panamá. A planta normalmente expressa sintomas de amarelecimento e murcha das folhas podendo ocorrer quebra da folha no meio do limbo ou junto ao pseudocaule. Os sintomas são mais típicos em plantas adultas, mas tendem a ocorrer com maior severidade em plantios jovens estabelecidos em solos infectados, devido à presença de ferimentos gerados pela limpeza das mudas.
Danos e distúrbios fisiológicos
Não existem dados a respeito das perdas. Geralmente as plantas afetadas entram em colapso devido à murcha seguida de podridão provocada pela bactéria.
Controle
As medidas de controle não incluem intervenções com agrotóxicos, mas sim algumas práticas que mantenham as condições menos favoráveis ao desenvolvimento da bactéria, tais como:
  • manejar corretamente a irrigação, de modo a evitar excesso de umidade no solo;
  • eliminar plantas doentes ou suspeitas, procedendo-se vistorias periódicas da área plantada;
  • utilizar, em lugares com histórico de ocorrência de doenças, mudas já enraizadas, para prevenir infecções precoces;
  • utilizar prática culturais que promovam a melhoria da estrutura e aeração do solo.
Viroses

No Brasil, assim como no mundo há poucos dados sobre as perdas ocasionadas por viroses em bananeira. Geralmente os danos causados por uma virose são pouco visíveis e passam desapercebidos.
Até o momento, já foram encontrados infectando bananeira no Brasil o vírus das estrias da bananeira (Banana streak virus, BSV) e o vírus do mosaico do pepino (Cucumber mosaic virus, CMV).

Estrias da bananeira

Esta doença é causada pelo vírus das estrias da bananeira (Banana streak virus, BSV). O vírus é transmitido de bananeira para bananeira pela cochonilha Planococcus citri, assim como através de mudas infectadas. É de grande importância para a cultura, uma vez que até o momento, não existe um método que permita eliminá-lo de plantas infectadas. A cultura de tecidos não permite obter mudas sadias a partir de matrizes infectadas.
O BSV produz inicialmente estrias amareladas nas folhas (Figura 12), que posteriormente ficam escurecidas ou necrosadas (Figura 13). Pode ocorrer a deformação dos frutos e a produção de cachos menores. As plantas apresentam menor vigor, podendo em alguns casos ocorrer a morte do topo da planta, assim como a necrose interna do pseudocaule. Geralmente os sintomas são percebidos apenas em alguns períodos do ano.
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Figura 12. Folha exibindo os sintomas de estrias amarelas, causadas pelo vírus das estrias (BSV).
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Figura 13. Folha infectada pelo virus das estrias (BSV), mostrando as estrias já em estágio necrótico.

Mosaico, clorose infecciosa ou "heart rot"

Esta virose é causada pelo vírus do mosaico do pepino (Cucumber mosaic virus, CMV), que é transmitido por várias espécies de afídeos. A fonte de inóculo para a infecção de novos plantios provém geralmente de outras culturas ou de plantas daninhas, especialmente trapoeraba ou maria-mole (Commelina diffusa).
Os sintomas variam de estrias amareladas, mosaico (Figura 14), redução de porte, distorção foliar até necrose do topo, podendo afetar os frutos, com o surgimento de estrias cloróticas ou necrose interna. Pode haver necrose da folha apical e do pseudocaule, quando ocorrem temperaturas abaixo de 24ºC.
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Figura 14. Folha de planta doente, mostrando sintomas de estrias com aparecimento de mosaico, causado pelo virus do mosaico do pepino (CMV).
Esta virose está presente nas principais áreas produtoras de bananeira, podendo provocar perdas elevadas em plantios novos, especialmente quando eles são estabelecidos em áreas com elevada incidência de trapoeraba e alta população de pulgões.
Controle das viroses
  • Utilização de mudas livres de vírus;
  • Evitar a instalação de bananais próximos a plantios de hortaliças e cucurbitáceas (hospedeiras de CMV);
  • Controlar as plantas daninhas dentro e em volta do bananal;Nos plantios já estabelecidos, erradicar as plantas com sintomas;
  • Manter o bananal com suprimento adequado de água, adubação e controle de plantas daninhas e pragas, para evitar estresse.
Nematóides

Os nematóides são microrganismos tipicamente vermiformes que, em sua maioria, completam o ciclo de vida no solo. Sua disseminação é altamente dependente do homem, seja por meio de mudas contaminadas, deslocamento de equipamentos de áreas contaminadas para áreas sadias, ou por meio da irrigação e/ou água das chuvas.
O resultado desta infecção pode ser observado pela redução no porte da planta, amarelecimento das folhas, seca prematura, má formação de cachos, refletindo em baixa produção e reduzindo a longevidade dos plantios. Nas raízes, podem ser observados o engrossamento e nodulações, que correspondem às galhas e massa de ovos, devido à infecção por Meloidogyne spp. (nematóide-das-galhas) ou mesmo necrose profunda ou superficial provocada pela ação isolada ou combinada das espécies Radopholus similis (nematóide cavernícola), Helicotylenchus spp. (nematóide espiralado), Pratylenchus sp. (nematóide das lesões), ou Rotylenchulus reniformis (nematóide reniforme), que são os mais freqüentes na bananicultura brasileira e mundial. Esses nematóides contribuem para a formação de áreas necróticas extensas que podem também ser parasitadas por outros microrganismos.
Os danos causados pelos fitonematóides podem ser confundidos ou agravados com outros problemas de ordem fisiológica, como estresse hídrico, deficiência nutricional, ou pela ocorrência de pragas e doenças de origem virótica, bacteriana ou fúngica, devido à redução da capacidade de absorver água e nutrientes, pelo sistema radicular. A sustentação da planta é também bastante comprometida. A diagnose correta deve ser realizada por meio de amostragem de solo e raízes e do conhecimento da variedade utilizada.
Controle
Após o estabelecimento de fitonematóides no bananal, o seu controle é muito difícil. Portanto, a medida mais eficaz é a utilização de mudas sadias, micropropagadas, e o plantio em áreas livres de nematóides. O descorticamento do rizoma combinado com o tratamento térmico ou químico, pode reduzir sensivelmente a população de nematóides nas mudas infestadas. Neste caso, após limpeza, os rizomas devem ser imersos em água à temperatura de 55oC por 20 minutos.
Em solos infestados, a utilização de plantas antagônicas, como crotalária (Crotalaria spectabilis, C. paulinea), incorporadas ao solo antes do seu florescimento, pode reduzir a população dos nematóides e favorecer a longevidade da cultura. Em pomares já instalados, a eficiência desta estratégia está relacionada principalmente com o nível populacional, tipo de solo e idade da planta, sendo recomendado o plantio dessas espécies ao redor das bananeiras. A utilização de matéria orgânica junto ao rizoma é mais benéfica que a matéria orgânica depositada entre as linhas de cultivo. Dentre os produtos químicos, registrados para a cultura da banana, encontram-se o carbofuran, ethoprophos, aldicarb e terbufos. As formas de aplicação e dosagens são recomendadas na embalagem do produto comercial.
Para evitar a disseminação dos nematóides, por meio de equipamentos de desbrota ou capinas, recomenda-se a lavagem completa e a desinfestação superficial dos equipamentos com solução de formaldeído (20g/L). Esses tratos culturais devem, sempre que possível, serem iniciados em áreas de melhor condição nutricional e sanitária. Desta forma, evita-se a disseminação de pragas e doenças passíveis de serem encontradas em áreas menos vigorosas.

Controle da sigatoka-negra da bananeira









sábado, 19 de dezembro de 2015

Manejo de Plantas Daninhas na Cultura da Banana



Manejo de plantas daninhas

Apesar da necessidade de limpas constantes, os primeiros cinco meses da instalação são os mais limitantes para a cultura. Após esse período a cultura é menos sensível a competição do mato. Assim, as plantas daninhas podem ser manejadas permitindo que sejam utilizadas como fonte de alimento e abrigo de inimigos naturais de pragas e doenças, na ciclagem de nutrientes, favorecendo o manejo ambientalmente mais correto do bananal. Outro aspecto a ser considerado com a possibilidade de convivência do mato com a cultura da banana sem prejuízo na produção, é sobre o enfoque conservacionista, pela redução significativa, das perdas de solo e água por escoamento nas áreas declivosas. Contudo, não deve ser descartada a possibilidade de algumas plantas daninhas servirem, também, como hospedeiras de nematóides e de agentes causais de doenças como o moko, sendo necessário identificá-las e eliminá-las, evitando sua convivência com a cultura da banana.
O controle de plantas daninhas, com enxada, utilizado pelos pequenos produtores, deve ser realizado com critério para evitar danos ao sistema radicular superficial da bananeira, como também, a penetração de patógenos de solo nos ferimentos causados às raízes. O uso da grade de discos e da enxada rotativa para o controle de plantas daninhas nas ruas dos bananais deve ser restrito aos dois primeiros meses após o plantio.
Após os primeiros cinco meses da instalação, o uso da roçagem manual é um método viável, apresentando grande rendimento de trabalho, sem as limitações da capina manual. Outra vantagem dessa prática cultural é a manutenção da integridade do solo, pois evita sua manipulação e a propensão a doenças altamente destrutivas, como o mal-do-Panamá e o moko. O rendimento pode ser ainda maior com a utilização da roçadeira motomecanizada.
Quanto ao controle químico das plantas infestantes, a escolha do herbicida ou da mistura de herbicidas a ser utilizado vai depender da composição matoflorística presente na área e da seletividade à cultura. Em virtude da facilidade de manuseio, do menor impacto ambiental e pela formação de uma cobertura morta, que possibilita a conservação da umidade do solo por um período mais longo, existe atualmente uma forte tendência de se usar em área total, excetuando as folhas das brotações, os herbicidas pós-emergentes sistêmicos como o glifosate, em substituição aos pré-emergentes, além de apresentarem um custo de controle muito menor que as capinas manuais. Para o controle da maioria das plantas daninhas anuais e algumas perenes a dose do glifosate é de 1% v/v (volume/volume). Para algumas perenes de difícil controle a dose recomendada é de 1,5% v/v.
A utilização de coberturas mortas (mulching) como um método integrado de controle do mato, utilizando restos culturais de bananeira, capim picado, bagaço de cana, palha-de-arroz, café ou cacau, tem um custo elevado, seja na produção do material a ser usado como cobertura, seja para transportá-lo, não se caracterizando como prática viável em grandes bananais, ficando sua aplicação restrita a cultivos de pequena extensão, do tipo familiar.
Ressalta-se contudo, duas alternativas de controle integrado viáveis a qualquer extensão do cultivo, sendo a primeira a integração do método mecânico com o químico, pela aplicação de herbicidas pós-emergentes no espaço estreito (dentro das linhas da cultura) e no espaço largo (entre as linhas) o uso de roçadeira em determinadas épocas do ano, onde a concorrência por água é minimizada. Na época de deficiência de água no solo, recomenda-se o controle químico em área total para formação de uma cobertura morta, conservando a umidade, permitindo um suprimento mais adequado de água nesses meses. Uma segunda alternativa e recomendada para o primeiro ano de instalação do bananal sem irrigação, é o plantio de feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) no espaço largo para melhorar as propriedades do solo, plantado no início das chuvas e ceifado (em qualquer fase de desenvolvimento) na estação seca (para evitar a competição por água com a bananeira) e deixado na superfície do solo. Nas linhas da cultura, o uso de herbicidas pós-emergentes para o controle do mato e formação de cobertura morta.



Uso Consciente de Agrotóxicos na Cultura da Banana


Uso de Agrotóxicos

Normas gerais para o uso de agrotóxicos

Agrotóxicos são os produtos e os agentes de processos físicos, químicos ou biológicos, destinados ao uso nos setores de produção, no armazenamento e beneficiamento dos produtos agrícolas, nas pastagens, na proteção de florestas, nativas ou implantadas, e de outros ecossistemas e também de ambientes urbanos, hídricos e industriais, cuja finalidade seja alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-las da ação danosa de seres vivos considerados nocivos (Lei Federal 7.802 de 11.07.89).
Os agrotóxicos são importantes para a bananicultura, todavia, exigem precaução no seu uso, visando a proteção dos operários que os manipulam e aplicam, dos consumidores de banana, dos animais de criação, de abelhas, peixes, de organismos predadores e parasitas, enfim, do meio ambiente.

Toxicidade dos defensivos agrícolas

A toxicidade da maioria dos defensivos é expressa em termos do valor da Dose Média Letal (DL50), por via oral, representada por miligramas do produto tóxico por quilo de peso vivo, necessários para matar 50% de ratos e outros animais testes.
Assim, para fins de prescrição das medidas de segurança contra riscos para a saúde humana, os produtos são enquadrados em função do DL50, inerente a cada um deles, conforme mostra a Tabela 6.
Tabela 6. Classificação toxicológica dos agrotóxicos em função do DL50.

Classe toxicológica

Descrição

Faixa indicativa de cor

I

Extremamente tóxicos (DL50 <>

Vermelho vivo

II

Muito tóxicos (DL50 – 50 a 500 mg/kg de peso vivo)

Amarelo intenso

III

Moderadamente tóxicos (DL50 – 500 a 5000 mg/kg de peso vivo)

Azul intenso

IV

Pouco tóxicos (DL50 > 5000 mg/kg de peso vivo)

Verde intenso

Equipamentos de proteção individual – EPIs

Os EPIs mais comumente utilizados são: máscaras protetoras, óculos, luvas impermeáveis, chapéu impermeável de abas largas, botas impermeáveis, macacão com mangas compridas e avental impermeável. Os EPIs a serem utilizados são indicados via receituário agronômico e nos rótulos dos produtos.

Recomendações relativas aos EPIs
  • Devem ser utilizados em boas condições, de acordo com a recomendação do fabricante e do produto a ser utilizado;
  • Devem possuir Certificado de Aprovação do Ministério do Trabalho;
  • Os filtros das máscaras e respiradores são específicos para defensivos e têm data de validade;
  • As luvas recomendadas devem ser resistentes aos solventes dos produtos;
  • O trabalhador deve seguir as instruções de uso de respiradores;
  • A lavagem deve ser feita usando luvas e separada das roupas da família;
  • Devem ser mantidos em locais limpos, secos, seguros e longe de produtos químicos.
Transporte dos agrotóxicos

O transporte de defensivos pode ser perigoso, principalmente, quando as embalagens são frágeis, devendo-se tomar as seguintes precauções:
  • Evitar a contaminação do ambiente e locais por onde transitam;
  • Nunca transportar defensivos agrícolas junto com alimentos, rações, remédios etc.;
  • Nunca carregar embalagens que apresentem vazamentos;
  • Embalagens contendo defensivos e que sejam suscetíveis a ruptura deverão ser protegidas durante seu transporte usando materiais adequados;
  • Verificar se as tampas estão bem ajustadas;
  • Impedir a deterioração das embalagens e das etiquetas;
  • Evitar que o veículo de transporte tenha pregos ou parafusos sobressalentes dentro do espaço onde devem ser colocadas as embalagens;
  • Não levar produtos perigosos dentro da cabine ou mesmo na carroceria se nela viajarem pessoas ou animais;
  • Não estacionar o veículo junto às casas ou locais de aglomeração de pessoas ou de animais;
  • Em dias de chuva sempre cobrir as embalagens com lona impermeável se a carroceria for aberta.
Armazenamento dos agrotóxicos

Somente os engenheiros agrônomos e florestais, nas respectivas áreas de competência, estão autorizados a emitir a receita. Os técnicos agrícolas podem assumir a responsabilidade técnica de aplicação, desde que o façam sob a supervisão de um engenheiro agrônomo ou florestal (Resolução CONFEA No 344 de 27-07-90).
Para a elaboração de uma receita é imprescindível que o técnico vá ao local com problema para ver, avaliar, medir os fatores ambientais, bem como suas implicações na ocorrência do problema fitossanitário e na adoção de prescrições técnicas.

Recomendações gerais:
  • Armazenar em local coberto de maneira a proteger os produtosUm fator importante na armazenagem é a temperatura no interior do depósito. As temperaturas mais altas podem provocar o aumento da pressão interna nos frascos, contribuindo para a ruptura da embalagem, ou mesmo, propiciando o risco de contaminação de pessoas durante a abertura da mesma. Pode ocorrer ainda a liberação de gases tóxicos, principalmente daquelas embalagens que não foram totalmente esvaziadas, ou que foram contaminadas externamente por escorrimentos durante o uso. Estes vapores ou gases podem colocar em risco a vida de pessoas ou animais da redondeza. contra as intempéries;
  • A construção do depósito deve ser de alvenaria, não inflamável;
  • O piso deve ser revestido de material impermeável, liso e fácil de limpar;
  • Não deve haver infiltração de umidade pelas paredes, nem goteiras no telhado;
  • Funcionários que trabalham nos depósitos devem ser adequadamente treinados, devem receber equipamento individual de proteção e ser periodicamente submetidos a exames médicos;
  • Junto a cada depósito deve haver chuveiros e torneira, para higiene dos trabalhadores;
  • Um "chuveirinho" voltado para cima, para a lavagem de olhos, é recomendável.
  • As pilhas dos produtos não devem ficar em contato direto com o chão, nem encostadas na parede;
  • Deve haver amplo espaço para movimentação, bem como arejamento entre as pilhas;
  • Estar situado o mais longe possível de habitações ou locais onde se conservem ou consuma alimentos, bebidas, drogas ou outros materiais, que possam entrar em contato com pessoas ou animais;
  • Manter separados e independentes os diversos produtos agrícolas;
  • Efetuar o controle permanente das datas de validade dos produtos;
  • As embalagens para líquido devem ser armazenadas com o fecho para cima;
  • Os tambores ou embalagens de forma semelhante não devem ser colocados verticalmente sobre os outros que se encontram horizontalmente ou vice-versa;
  • Deve haver sempre disponibilidade de embalagens vazias, como tambores, para o recolhimento de produtos vazados;
  • Deve haver sempre um adsorvente como areia, terra, pó de serragem ou calcário para adsorção de líquidos vazados;
  • Deve haver um estoque de sacos plásticos, para envolver adequadamente embalagens rompidas;
  • Nos grandes depósitos é interessante haver um aspirador de pó industrial, com elemento filtrante descartável para se aspirar partículas sólidas ou frações de pós vazados;
  • Se ocorrer um acidente que provoque vazamentos, tomar medidas para que os produtos vazados não alcancem fontes de água, não atinjam culturas, e que sejam contidos no menor espaço possível. Recolher os produtos vazados em recipientes adequados. Se a contaminação ambiental for significativa, avisar as autoridades, bem como alertar moradores vizinhos ao local.
Pequenos depósitos
  • Não guardar defensivos agrícolas ou remédios veterinários dentro de residências ou de alojamento de pessoal;
  • Não armazenar defensivos nos mesmos ambientes onde são guardados alimentos, rações ou produtos colhidos;
  • Se defensivos forem guardados num galpão de máquinas, a área deve ser isolada com tela ou parede, e mantida sob chave;
  • Não fazer estoque de produtos além das quantidades previstas para uso a curto prazo, como uma safra agrícola;
  • Todos os produtos devem ser mantidos nas embalagens originais. Após remoção parcial dos conteúdos, as embalagens devem ser novamente fechadas;
  • No caso de rompimento de embalagens, estas devem receber uma sobre-capa, preferivelmente de plástico transparente para evitar a contaminação do ambiente. Deve permanecer visível o rótulo do produto;
  • Na impossibilidade de manutenção na embalagem original, por estar muito danificada, os produtos devem ser transferidos para outras embalagens que não possam ser confundidas com recipientes para alimentos ou rações. Devem ser aplicadas etiquetas que identifiquem o produto, a classe toxicológica e as doses a serem usadas para as culturas em vista. Essas embalagens de emergência não devem ser mais usadas para outra finalidade.
Receituário agronômico

As receitas só podem ser emitidas para os defensivos registrados na Secretaria de Defesa Agropecuária - DAS do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que poderá dirimir qualquer dúvida que surja em relação ao registro ou à recomendação oficial de algum produto.

Aquisição dos defensivos agrícolas
  • Procurar orientação técnica com o engenheiro agrônomo ou florestal;
  • Solicitar o receituário agronômico, seguindo-o atentamente;
  • Adquirir o produto em lojas cadastradas e de confiança;
  • Verificar se é o produto recomendado (nome comercial, ingrediente ativo e concentração);
  • Observar a qualidade da embalagem, lacre, rótulo e bula;
  • O prazo de validade, o número de lote e a data de fabricação devem estar especificados;
  • Exigir a nota fiscal de consumidor especificada.
Cuidados no manuseio dos defensivos

O preparo da calda é uma das operações mais perigosas para o homem e o meio ambiente, pois o produto é manuseado em altas concentrações. Normalmente esta operação é feita próximo a fontes de captação de água, como poços, rios, lagos, açudes etc. Geralmente ocorrem escorrimentos e respingos que atingem o operador, a máquina, o solo e o sistema hídrico, promovendo desta forma a contaminação de organismos não alvos, principalmente daqueles que usarão a água para sua sobrevivência.

Cuidados antes das aplicações
  • Siga sempre orientação de um técnico para programar os tratamentos fitossanitários;
  • Leia atentamente as instruções constantes do rótulo do produto e siga-as corretamente. O rótulo das embalagens deve conter as seguintes informações:
  • A dosagem a ser aplicada;
  • Número e intervalo entre aplicações;
  • Período de carência;
  • Culturas, pragas, patógenos etc. indicados;
  • DL50;
  • Classe toxicológica;
  • Efeitos colaterais no homem, animal, planta e meio ambiente;
  • Recomendações gerais em caso de envenenamento;
  • Persistência (tempo envolvido na degradação do produto);
  • Modo de ação do produto;
  • Formulação;
  • Compatibilidade com outros produtos químicos e nutrientes ;
  • Precauções.
  • Inspecione sempre o plantio;
  • Abra as embalagens com cuidado, para evitar respingo, derramamento do produto ou levantamento de pó;
  • Mantenha o rosto afastado e evite respirar o defensivo, manipulando o produto de preferência ao ar livre ou em ambiente ventilado;
  • Evitar o acesso de crianças, pessoas desprevenidas e animais aos locais de manipulação dos defensivos;
  • Não permita que pessoas fracas, idosas, gestantes, menores de idade e doentes, apliquem defensivos. As pessoas em condições de aplicarem defensivos devem ter boa saúde, serem ajuizadas e competentes;
  • Estar sempre acompanhado quando estiver usando defensivos muito fortes;
  • Verifique se o equipamento está em boas condições;
  • Use aparelhos sem vazamento e bem calibrados, com bicos desentupidos e filtros limpos;
  • Use vestuários EPIs durante a manipulação e aplicação de defensivos. Após a operação, todo e qualquer equipamento de proteção deverá ser recolhido, descontaminado, cuidadosamente limpo e guardado.
Cuidados durante as aplicações
  • Não pulverizar árvores estando embaixo delas;
  • Evitar a contaminação das lavouras vizinhas, pastagens, habitações etc;
  • Não aplique defensivos agrícolas em locais onde estiverem pessoas ou animais desprotegidos;
  • Não aplique defensivos nas proximidades de fontes de água;
  • Não fume, não beba e não coma durante a operação sem antes lavar as mãos e o rosto com água e sabão;
  • Não use a boca - nem tampouco arames, alfinetes ou objetos perfurantes - para desentupir bicos, válvulas e outras partes dos equipamentos;
  • Não aplique defensivos quando houver ventos fortes, aproveite as horas mais frescas do dia;
  • Não fazer aplicações contra o sentido do vento;
  • Não permitir que pessoas estranhas ao serviço fiquem no local de trabalho durante as aplicações;
  • Evitar que os operários durante a operação trabalhem próximo uns dos outros.
Cuidados após as aplicações
  • As sobras de produtos devem ser guardadas na embalagem original, bem fechadas;
  • Não utilize as embalagens vazias para guardar alimentos, rações e medicamentos; queime-as ou enterre-as;
  • Não enterre as embalagens ou restos de produto junto às fontes de água;
  • Queime somente quando o rótulo indicar e evite respirar a fumaça;
  • Respeite o intervalo recomendado entre as aplicações;
  • Respeite o período de carência;
  • Não lave equipamentos de aplicações em rios, riachos, lagos e outras fontes de água;
  • Evite o escoamento da água de lavagem do equipamento de aplicações ou das áreas aplicadas para locais que possam ser utilizados pelos homens e animais;
  • Ao terminar o trabalho, tome banho com bastante água fria e sabão. A roupa de serviço deve ser trocada e lavada diariamente.
Descarte das embalagens vazias

O destino das embalagens vazias é atualmente regulamentado por lei e de responsabilidade do fabricante do produto, que periodicamente deve recolhê-las.
  • Causas de fracassos no controle fitossanitário
  • Aplicação de defensivos deteriorados. O defensivo pode deteriorar-se pelas condições de armazenagem e preparo;
  • Uso de máquinas e técnicas de aplicação inadequadas;
  • Não observância dos programas de tratamento, tanto no que diz respeito à época, intervalo, como em número de aplicações;
  • Escolha errônea dos defensivos.
  • Início do tratamento depois que grande parte da produção já está seriamente comprometida;
  • Confiança excessiva nos métodos de controle químico.
Manutenção e lavagem dos pulverizadores

A manutenção e limpeza dos aparelhos que aplicam defensivos, devem ser realizadam ao final de cada dia de trabalho ou a cada recarga com outro tipo de produto, tomando os seguintes cuidados:
  • Colocar os EPIs recomendados;
  • Após o uso, certificar de que toda a calda do produto foi aplicada no local recomendado;
  • Junto com a água de limpeza, colocar detergentes ou outros produtos recomendados pelos fabricantes;
  • Repetir o processo de lavagem com água e com o detergente por no mínimo, mais duas vezes;
  • Desmontar o pulverizador, removendo o gatilho, molas, agulhas, filtros e ponta, colocando-os em um balde com água;
  • Limpar também o tanque, as alças e a tampa, com esponjas, escovas e panos apropriados;
  • Certificar-se de que o pulverizador está totalmente vazio;
  • Verificar se a pressão dos pneus é a correta, se os parafusos de fixação apresentam apertos adequados, se a folga das correias é a conveniente etc.;
  • Verificar se há vazamento na bomba, nas conexões, nas mangueiras, registros e bicos, regulando a pressão de trabalho para o ponto desejado, utilizando-se somente a água para isso;
  • Destravar a válvula reguladora de pressão, quando o equipamento estiver com a bomba funcionando sem estar pulverizando. O mesmo procedimento deverá ser seguido nos períodos de inatividade da máquina;
  • No preparo da calda, utilizar somente água limpa, sem materiais em suspensão, especialmente areia;
  • Regular o equipamento, sempre que o gasto de calda variar de 15% em relação ao obtido com a calibração inicial;
  • Trocar os componentes do bico sempre que a sua vazão diferir de 5% da média dos bicos da mesma especificação.