quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Produção de mudas da amoreira-preta




Propagação 

A propagação da amoreira-preta se faz através de estacas de raízes onde estas, por ocasião do repouso vegetativo, são preparadas e enviveiradas em sacolas plásticas (vasos) ou em canteiros no solo. Podem também ser usados brotos (rebentos), originados das plantas cultivadas, retiradas das entrelinhas de plantas (Figura 1), por ocasião das atividades de capina. O uso de estacas herbáceas e lenhosas também são alternativas viáveis. Além destes, a multiplicação através da cultura de tecidos já é bem conhecida (Figura 2).

Figura 1: Entrelinhas repletas de mudas de amoreira-preta.


Figura 2: Produção de mudas de amoreira-preta, por meio da cultura de tecidos vegetal.



Figura 3: Mudas de amoreira-preta aptas ao plantio.


A multiplicação através de perfilhos retirados das entrelinhas de cultivo pode ser realizada, entretanto em muitos casos não há número suficiente de mudas e estas normalmente estão com tamanhos irregulares, além do estresse que pode ser causado no sistema radicular da planta-mãe.

O perfilhamento da cultura é elevado, aparecendo muitas brotações, entre as linhas de plantio, que devem ser sistematicamente eliminadas para que se evite a obstrução do deslocamento de pessoal e de máquinas pela cultura. Os perfilhos eliminados podem ser utilizados como mudas (Figura 1). 
A multiplicação rápida de mudas de amoreira-preta pode ser conseguida através do enraizamento de estacas herbáceas, sob nebulização e preparadas com quatro a cinco gemas, sendo que a produção de mudas por este método pode ser feita durante todo o período de crescimento da planta matriz. Stoutemyer, Maney e Pickett (1933) citam como método rápido de propagação da amoreira-preta e framboeseira a utilização de um pequeno segmento da haste da planta com gema foliar, colocadas sob nebulização e em substrato constituído por areia.
A utilização de estacas lenhosas na propagação da amoreira-preta não é uma prática usual, entretanto, após o período de dormência, face à poda realizada, obtém-se um grande número de estacas. Podem-se obter índices de enraizamento de estacas lenhosas superiores a 85%, sem utilização de reguladores de crescimento para as cultivares Brazos, Caingangue, Tupy, Guarani e Ébano. 
Após o preparo das estacas, é importante a escolha do substrato onde as mesmas serão colocadas para enraizar. O substrato destina-se a sustentar as estacas temporária ou definitivamente. Durante o período de enraizamento, é importante que o substrato permita a manutenção das estacas num ambiente úmido, escuro e suficientemente aerado. O substrato influi tanto no porcentual de enraizamento quanto na qualidade das raízes formadas.
Além desses fatores, o substrato deve apresentar uma boa aderência à estaca, evitar a contaminação e o desenvolvimento de microorganismos e ainda não conter qualquer substância fitotóxica à estaca.
A muda pronta (Figura 3), produzida por qualquer um dos métodos citados anteriormente, poderá ser plantada a qualquer época do ano, dando-se preferência ao período das chuvas e com temperaturas mais elevadas, afim de que a planta se desenvolva rapidamente. Em São Paulo e Minas Gerais, o período mais apropriado seria a partir de novembro. 




Entretanto, no Rio Grande do Sul, este período vai de julho a agosto, já que apesar da baixa temperatura, há altos níveis de umidade do solo. Nos períodos de maior temperatura (verão) normalmente há períodos de longo déficit hídrico no solo.