sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Cultivo da Monguba (Pachira aquatica Aubl.)


  • Nome Científico: Pachira aquatica
  • Nomes Populares: Munguba, Cacau-selvagem, Castanheira-da-água, Castanheiro-de-guiana, Castanheiro-do-maranhão, Falso-cacau, Mamorana, Monguba, Mungaba
  • Família: Bombacaceae
  • Categoria: Árvores, Árvores Frutíferas, Árvores Ornamentais
  • Clima: Equatorial, Subtropical, Tropical
  • Origem: América Central, América do Sul
  • Altura: 3.0 a 3.6 metros, 3.6 a 4.7 metros, 4.7 a 6.0 metros, 6.0 a 9.0 metros, 9.0 a 12 metros, acima de 12 metros
  • Luminosidade: Sol Pleno
  • Ciclo de Vida: Perene
A monguba é uma bela árvore tropical, de caule frondoso e copa arredondada, capaz de alcançar 18 metros de altura. Nas florestas tropicais podemos encontrá-la em ambientes brejosos, ou à margem de rios e lagos, o nome científico “aquatica” provém desta característica. Apresenta folhas grandes e palmadas, dividas em 6 a 9 folíolos verdes e brilhantes. As flores são muito bonitas e perfumadas, com longos estames de extremidade rosada e base amarela. Os frutos grandes e compridos, semelhantes ao cacau, contém paina sedosa e branca que envolve as sementes. As sementes da monguba podem ser consumidas torradas, fritas ou assadas, e até trituradas como um sucedâneo do café ou chocolate, e diz-se que são muito saborosas.
As mongubas são árvores de excelente efeito decorativo, amplamente utilizadas na arborização urbana e rural. As plantas jovens envasadas são excelentes para ambientes internos bem iluminados. Os países asiáticos são importantes produtores e exportadores da planta nesta forma. Ela é disposta nos ambientes de acordo com o feng shui e a ela é atribuída reputação de atrair dinheiro e prosperidade. É conhecida como money tree ou árvore-do-dinheiro. Geralmente são vendidas plantas com três ou mais caules trançados para que formem apenas um tronco de aspecto decorativo.
Deve ser cultivada sob sol pleno ou meia-sombra, em solo fértil, drenável e enriquecido com matéria orgânica, com irrigações regulares, pelo menos até que alcance o porte adulto. Apesar de apreciar solos úmidos, pode-se cultivá-la em solos mais secos. Adapta-se a um ampla faixa climática, desde o calor equatorial até o frio subtropical. A falta de luminosidade acarreta o amarelamento das folhas. Multiplica-se por estaquia ou sementes.
A monguba (Pachira aquatica Aubl.) é uma árvore da família Malvaceae ou Bombacaceae nativa da América Central e do Sul.
Pachira aquatica, conhecida vulgarmente como munguba, mamorama, castanhola, castanha-do-maranhão, carolin,paineira-de-cuba e mamorana, é uma árvore frondosa, cujas folhas pecioladas e digitadas apresentam de 5 a 9 folíolos verde-escuros. Suas flores com 5 pétalas muito grandes são castanho-avermelhadas. As sementes são comestíveis.
Estudos desenvolvidos sobre a composição das sementes demonstram que a Pachira aquatica tem um elevado teor de óleo (44,1 por cento), sendo o ácido palmítico o seu principal componente. Observou-se, também, a existência de proteína com alto teor detriptofano. Testes toxicológicos realizados sobre a Pachira aquatica demonstraram discreta toxicidade e não apresentaram evidências citotóxicas, não tendo sido observada atividade bactericida.
Espontaneamente, a árvore vegeta em locais úmidos, nas margens e nos barrancos de rios e lagoas, ou em terrenos alagadiços e brejosos, de onde provém a palavra "aquática" do seu nome científico. No entanto, a monguba adapta-se facilmente a condições bem diversas de solo e clima. Em geral, a monguba é árvore de tamanho variável, bastante frondosa, possuindo uma copa densa e arredondada. Por tais qualidades e pela beleza e exotismo de suas grandes flores amarelas de pontas avermelhadas, é árvore de reputada função ornamental. A monguba é, inclusive, bastante utilizada na arborização das ruas, provando sua adaptabilidade e sua capacidade de medrar até mesmo em terrenos secos.
Embora seja espécie muita conhecida, adaptável ao cultivo, de frutos saborosos e de variadas utilidades, a monguba é pouco utilizada pelos brasileiros, não sempre reconhecida como espécie de importância para a exploração econômica, o que é um equívoco. As belas mongubas produzem anualmente grandes quantidades de frutos, disputados avidamente pela fauna. Deles, aproveitam-se as sementes. Sendo da mesma família das paineiras, as sementes da monguba, que permanecem guardadas em grandes e compridas cápsulas de coloração castanho-avermelhada e de aparência aveludada, ficam envoltas em meio a uma paina branca.
As castanhas são comestíveis e podem ser consumidas cruas, assadas sobre a brasa, fritas em óleo, cozidas com sal ou torradas.
Sinonímia: castanheiro-do-maranhão, cacau-selvagem, castanheira da água, castanheiro-de-guiana, mamorana, munguba,mungaba. É vendida na Ásia oriental e nos Estados Unidos sob nomes comerciais que significam "árvore de dinheiro".
"Mamorana" é proveniente da junção de "mamão" com o termo tupi rana, que significa "semelhança". Significa, portanto, "semelhante ao mamão". É uma referência à semelhança dos frutos de mamorana com os frutos de mamão.
INTRODUÇÂO
É muito utilizada em arborização urbana por conta de suas flores perfumadas e belas, além de proporcionar excelente área de sombra.

Espontaneamente, a árvore vegeta em locais úmidos, nas margens e nos barrancos de rios e lagoas, ou em terrenos alagadiços e brejosos, de onde provém a aquática do seu nome científico. 

No entanto, a monguba adapta-se facilmente a condições bem diversas de solo e clima. 

Em geral, a monguba é árvore de tamanho variável, bastante frondosa, possuindo uma copa densa e arredondada. 

Por tais qualidades e pela beleza e exotismo de suas grandes flores amarelas de pontas avermelhadas, é árvore de reputada função ornamental. 

A monguba é, inclusive, bastante utilizada na arborização das ruas, provando sua adaptabilidade e sua capacidade de medrar até mesmo em terrenos secos (Cronquist 1981).

Embora seja espécie muita conhecida, adaptável ao cultivo, de frutos saborosos e de variadas utilidades, a monguba é pouco utilizada pelos brasileiros, não sempre reconhecida como espécie de importância para a exploração econômica, o que é um equívoco. 

As belas monguba produzem anualmente grandes quantidades de frutos, disputados avidamente pela fauna. Deles, aproveita-se às sementes. 

Sendo da mesma família das paineiras, as sementes da monguba, que permanecem guardadas em grandes e compridas cápsulas de coloração castanho-avermelhadas e de aparência aveludada, ficam envoltas em meio a uma paina branca.

As castanhas são comestíveis e podem ser consumidas cruas, assadas sobre a brasa, fritas em óleo, cozidas com sal ou torradas, produzem bebidas como o café.
Árvore adulta

Brotação

Jovem

Flor

Frutos

Fruto com sementes, de tamanho pequeno (12 centímetros)


quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Caracteristicas funcionais da Amora Preta


A amora-preta in natura é altamente nutritiva (Figura 1). Faz parte de sua composição a água (em torno de 85%), proteína (1,5%), fibras (entre 3,5 e 4,7%), cinzas (entre 0,19 e 0,47%), lipídeos (entre 0,03 e 0,08%), carboidratos (entre 6 e 13%), ainda apresenta conteúdos consideráveis (em mg/100g) de cálcio (32); fósforo (21); potássio (196); magnésio (20); ferro (0,57); selênio (0,60); vitamina C (21); e menores quantidades de vitamina A, vitamina E, folato, tiamina, riboflavina, niacina, ácido pantotênico, vitaminas B-6 e B-12; ácidos graxos saturados; ácidos graxos monosaturados; ácidos graxos polinsaturados, no entanto, tem apenas 52 calorias em 100 gramas.
Crédito: Luis E. C. Antunes
Figura 1. Frutos de amoreira-preta.
Fazem parte da composição de açúcares encontrados em amora-preta, a glicose, a frutose, a sucrose, a maltose e a galactose. Ainda, os ácidos orgânicos encontrados são o málico, cítrico, fosfórico, isocítrico e quínico. A acidez total de amora-preta pode variar de 1 a 4% e o pH de 2 a 4. Já a variação dos sólidos solúveis tem uma grande amplitude, de 7,5 a 16,1% (Reyes-Carmona et al., 2005).

Fitoquímicos

Os compostos secundários, ou fitoquímicos, encontrados naturalmente em plantas, atuam positivamente sobre a saúde humana, com diversas evidências científicas para os grupos dos ácidos fenólicos, antocianinas, proantocianidinas e outros flavonóides, sendo que muitos compostos destes grupos são encontrados em amora-preta.
A variação de compostos fenólicos totais em amora-preta é de 261,95 a 929,62 mg equivalente de ácido gálico/100 g de amostra fresca, sendo que, o grupo de fenólicos ácidos está entre 0,19 e 258,90 mg/100g, flavonóides 2,50 e 387,48 mg/100 g, e antocianinas 12,70 a 197,34 mg/100 g (Sellappan et al., 2002). Na identificação dos compostos fenólicos na amora-preta foram encontrado os ácidos fenólicos como gálico, hidroxibenzóico, cafeico, cumárico, ferúlico e elágico e seus derivados e, também, os flavonóides como catequina, epicatequina, miricetina, quercetina e kaempferol (Sellappan et al., 2002).
As antocianinas variam em sua concentração de acordo com o estágio de maturação das frutas, sendo que seu conteúdo aumenta de 74,7 mg equivalente de cianidina-3-glicosídeo/100 g peso fresco em frutos ainda verdes para 317 mg/100 g peso fresco em frutos sobremaduros. Esta variação é mínima para o conteúdo de compostos fenólicos totais e atividade antioxidante (Siriwoharn et al., 2004). A variação entre cultivares pode ser bem acentuada indo de 12,70 a 197,34 mg/100g (Sellappan et al., 2002). As antocianinas identificadas em amora-preta são cianidina-3-glicosídeo (em torno de 80%) (Serraino et al., 2003), cianidina-3-arabinosídeo, cianidina-3-galactosídeo, malvidina-3-glicosídeo, pelargonidina-3-glicosídeo, cianidina-3-xilosídeo, cianidina-3-rutinosídeo, cianidina-malonoil -glicosídeo (Fan-Chiang e Wrolstad, 2005), cianidina-dioxaloil-glicosídeo, peonidina-3-glicosídeo (Seeram et al., 2006) e malvidina-acetilglicosídeo (Reyes-Carmona et al., 2005). Tendo como base os valores encontrados na literatura sobre antocianinas e a grande variação entre os diferentes materiais genéticos, existe um grande potencial na produção de amora-preta visando a sua utilização como corante natural na indústria alimentícia e de medicamentos. 
A amora-preta ainda apresenta altas concentrações de carotenóides (μg/100 g) como luteína (270,1), zeaxantina (29,0), β-criptoxanthina (30,1), α-Caroteno (9,2) e β-caroteno (101,4) (Marinova e Ribarova, 2007).

Amora-Preta e Prevenção de Doenças

Através dos estudos epidemiológicos aumentam-se as evidências de que o consumo de frutas e hortaliças está correlacionado à prevenção de doenças crônicas, dentre elas o câncer e as doenças cardiovasculares, sendo que o maior benefício desta dieta rica em frutas e hortaliças é, provavelmente, o aumento no consumo de compostos antioxidantes.

Estudos In Vitro

A amora-preta apresenta atividade antioxidante contra os radicais superoxide (O2•-), peróxido de hidrogênio (H2O2), hidroxila (OH•), oxigênio singleto (O2) (Wang e Jiao, 2000). Os valores para atividade antioxidante variam de acordo com o método utilizado. Em estudos in vitro, extratos de amora-preta apresentam efeito antioxidante como “scavenger” do radical peroxinitrito, protegendo estas células de disfunções e falhas vasculares induzidas por este radical (Serraino et al., 2003). 
Extratos de amora-preta têm efeito anti-mutagênico (Tate et al., 2006) e anti-carcinogênico para as linhagens humanas de câncer de útero, câncer de cólon (Lazze et al., 2004), câncer oral, câncer de mama, câncer de próstata (Seeram et al., 2006), câncer de pulmão (Ding et al., 2006). Ainda, extratos de amora-preta podem prevenir a formação de metastase (Tate et al., 2004). Em muitos casos o efeito anti-carcinogênico ocorre devido ao efeito anti-inflamatório dos extratos de amora-preta.

Estudos In Vivo

A capacidade antioxidante do plasma aumenta em 30% após a ingestão de suco contendo amora-preta (Netzel et al., 2002). O efeito antioxidante demonstrado in vivo é de grande importância para incentivar o consumo destas frutas.
Em ratos, antocianinas proveniente da amora-preta são capazes de reduziu o número e o tamanho de tumores (câncer de pele) não malignos e malignos, induzidos quimicamente na pele destes animais. Estes compostos inibiram a migração e invasão do câncer (Ding et al., 2006).

Distribuição das Antocianinas Provenientes de Amora-Preta nos tecidos de Animais.

Os compostos presentes nos extratos de amora-preta são absorvidos, metabolizados e distribuídos nos tecidos de quem se alimenta destas frutas. Estudos mostram que antocianinas são rapidamente absorvidas pelo intestino delgado, e após, são metabolizadas e excretadas na bile e urina na forma intacta, metiladas e/ou glicuronizadas (Talavéra et al., 2004). Em ratos, estes compostos podem ser encontrados nos tecidos do estômago, jejuno, figado, rins, cérebro e plasma (Talavéra et al., 2005). Em pessoas, estes compostos são encontrados na urina, tanto na forma intacta, quanto em alguns metabolitos metilados, glicuronizados, sulfoconjugados, e aglícones (Felgines et al., 2005).

Processamento e propriedades funcionais

O processamento das frutas da amoreira-preta é uma forma de agregar valor ao produto, melhorando a renda dos fruticultores, sendo a sua transformação em produtos elaborados como geléias, sucos, iogurtes, sorvetes as formas mais usadas. Após o processamento, há dúvidas quanto à manutenção das características funcionais originais.
O impacto do processamento sobre as propriedades funcionais da amora-preta ainda está sendo estudado. No entanto, sabe-se que frutas e hortaliças respondem de forma diferenciada ao processo de transformação. O processamento, de forma geral, reduz o teor inicial de antocianinas. Quando a amora-preta é transformada em geléia a perda de antocianinas é em média de 8,8% em relação aos valores encontrados na polpa. O armazenamento dos vidros de geléias resulta em perda de 32% dos valores de antocianinas nos primeiros 40 dias e reduz mais 11% nos 50 dias subseqüentes. Os teores de antocianinas totais obtidos na geléia variaram de 98,58 mg/100 g a 170,66 mg/100 g, o que caracteriza este produto como um alimento rico em compostos fenólicos (Mota, 2006).

Considerações 

Observa-se que uma das grandes descobertas é o uso potencial da amora-preta para fins outros que não apenas suas funções nutricionais. Esta fruta, em conjunto com um estilo de vida saudável, incluindo dieta equilibrada e exercícios físicos, pode prevenir alguns tipos de doenças crônicas não-transmissíveis. Ainda, alguns compostos encontrados nesta fruta, como as antocianinas, podem ser utilizados na indústria alimentícia como corante natural, já que a tendência é banir os corantes artificiais. Também, após a purificação de alguns fitoquímicos encontrados em amora-preta, como o ácido elágico ou as antocianinas por exemplo, estes compostos purificados podem ser apresentados na forma medicinal (cápsulas, comprimidos, pó,...) e vendidos como nutracêuticos. 
A amora-preta é uma fruta com grande potencial, no entanto, ainda precisa ser estudada, principalmente, o seu comportamento nas condições locais, já que a maioria dos resultados, tanto para composição fitoquímica, quanto na prevenção e combate de doenças, provém da literatura internacional.










Pós Colheita da Amora Preta


Introdução

A amoreira-preta é uma espécie arbustiva que produz frutos denominados de mini drupas com sementes formando frutos agregados com peso médio entre 4 a 7 gramas de coloração negra e sabor ácido a doce-ácido. A amora é um fruto climatérico, observando-se na maturação boa relação entre a mudança de cor, sólidos solúveis e acidez. 
Além do consumo in natura, a amora-preta é destinada à produção de polpa, geleificados e sucos naturais (Bassols & Moore, 1981).

A amora-preta pode ser destinada a produção de geleificados, de polpa, sucos naturais, além de ser comercializada in natura (Bassols & Moore, 1981). Por se tratar de uma fruta extremamente perecível o conhecimento da fisiologia pós-colheita é de suma importância. Para Morris et al. (1981), a razão pela qual as frutas de amoreira preta apresentam vida pós-colheita relativamente curta, se deve a dois fatores basicamente: sua estrutura frágil e a sua alta taxa respiratória.
Um dos principais problemas que ocorrem com as frutas de pequeno porte é a perda de água, levando a perda de peso e a depreciação da qualidade do produto. As frutas de amora preta apresentam um período de armazenamento relativamente curto, entre 3 e 7 dias quando mantidas a -0,5 OC com UR de 90 a 95% (Perkins-Veazie et al., 1997). Porém, se acondicionadas em filme plástico, podem ser mantidas armazenadas por até doze dias (Kluge et al. 1997), pois, as embalagens plásticas favorecem a elevação da umidade relativa do ar que circunda a fruta (Hardenburg et al. 1986).
Usando filme plástico Souza et al., (2002), conseguiram armazenar frutas da cultivar Cherokee por dez dias, sem perda da qualidade. Isto mostra que para armazenar este tipo de fruta é imprescindível o uso de filmes ou embalagens, mesmo assim, observa-se que há um comportamento diferenciado entre as cultivares de amora preta, quanto ao tempo de conservação e manutenção da qualidade pós-colheita. Nesse sentido, este trabalho objetivou verificar a manutenção da qualidade póscolheita de frutas de duas cultivares de amora-preta, armazenadas em embalagens plásticas, em dois períodos de conservação.

Colheita
A maturação é considerada como um estádio de desenvolvimento alcançado pela fruta na planta, o qual, após a colheita e manejo pós-colheita, terá uma qualidade mínima que garanta a sua aceitabilidade pelo consumidor. A maturação de uma fruta pode ser medida por uma série de métodos. Entretanto, muitos são destrutivos e/ou de pouco valor numa situação de campo. Por isso, os índices de maturação são específicos para cada espécie de fruta e devem ser adaptados a cada situação local. 

O índice de maturação mais utilizado em amoras é a mudança da cor superficial da fruta. Adicionalmente podem ser incluídos o teor de sólidos solúveis e a acidez titulável. As amoras devem ser colhidas pouco antes da maturação de consumo, pois suas características não mudam significativamente após a colheita. O ponto de colheita é determinado quando a cor do fruto estiver totalmente preta, sendo recomendado realizar a colheita a cada dois a três dias (Bassols, 1980). A maturação da amora-preta pode ser determinada pela cor de superfície do fruto, bagas completamente pretas; firmeza, teor de sólidos solúveis, acidez titulável e aroma característico. Durante o amadurecimento dos frutos há perda de acidez, portanto, são bastante adstringentes se colhidos parcialmente maduros. 

Os índices de qualidade são as características do fruto que são exigidas na comercialização e que são valorizadas pelo consumidor. Os principais índices de qualidade em amoras são a aparência (cor, tamanho, forma, e ausência de defeitos), firmeza, sabor (sólidos solúveis, acidez titulável e compostos voláteis) e valor nutricional (vitamina A e C). O sabor das amoras não muda significativamente após a colheita, por esse motivo devem ser colhidas com características de qualidade muito próximas as de consumo. 

As práticas realizadas no cultivo, antes da colheita, estão diretamente relacionadas com as etapas posteriores a colheita e na comercialização, pois afetam a qualidade do fruto. 

Para o mercado “in natura”, a colheita manual é a mais utilizada. A colheita deve ser realizada de manhã cedo quando a temperatura estiver mais baixa e as frutas firmes. As frutas devem ser colhidas e manuseadas com extremo cuidado, para evitar danos mecânicos. Algumas cultivares devem ser colhidas com a maturação menos avançada (cor escuro brilhante) para mercados mais distantes e outras com maturação mais avançada (cor escuro opaco) para mercados mais próximos. Resfrie rapidamente as frutas após a colheita. O manuseio pós-colheita das amoras é um fator crítico na sua comercialização. A colheita mecânica uma opção, quando os frutos são destinados à industrialização. Existem máquinas que permitem a colheita agitando uma cerca de arame com suportes de madeira sobre os quais se apóiam as plantas, porém, há perdas entre 20 a 40% de frutos com esse processo. Em alguns locais dos Estados Unidos praticamente toda a amora é colhida de forma mecânica.
Na colheita são realizadas atividades consecutivas, como: identificar o produto a ser colhido; observar a qualidade do fruto, coloração, tamanho, sanidade e integridade; desprender o fruto da planta pressionando-o suavemente e torcendo o pedúnculo até desprendê-lo; desinfestação de recipientes e utensílios, como caixas de colheita e embalagens; classificação dos frutos segundo os níveis de qualidade exigidos pelo mercado, descartando os frutos podres e/ou com lesões e; embalar cuidadosamente os frutos. Cuidados especiais devem ser tomados para evitar a contaminação das amoras, na etapa pós-colheita. Entre elas, podem ser mencionadas a correta lavagem das mãos dos trabalhadores com água e sabão antes de colher as amoras, bem como a disponibilização de banheiros próximos aos locais de colheita. 

Boas Práticas Agrícolas na Colheita

As crescentes exigências de qualidade dos consumidores nos mercados obrigam aos produtores a estabelecer procedimentos que evitem a contaminação dos produtos. Assim as amoras devem ser transportadas do campo até o local de beneficiamento e/ou armazenamento em condições que minimizem a possibilidade de contaminação por agentes de natureza biológica, química e física. As seguintes boas práticas podem ser adotadas:
- Utilizar recipientes de colheita e veículos de transporte das frutas até o local de empacotamento que não causem danos nem contaminem o produto. As partes que entram em contato direto com a fruta devem ser de material não tóxico e que facilitem a limpeza. 
- Não colocar os recipientes de colheita em contato direto com o solo. Coloca-los à sombra.
- Colocar as frutas podres em recipientes separados, para serem transportados para locais longe das áreas de produção e colheita.
- Utilizar veículos para o transporte exclusivo das frutas, não podendo ser utilizados para o transporte de produtos potencialmente tóxicos ou contaminados por microrganismos patogênicos ou de origem fecal. 
- Elaborar um programa com procedimentos documentado de higiene na colheita. Limpar e higienizar os materiais utilizados na colheita e transporte. 
- Proibir a circulação de animais nas áreas de colheita de frutos.
- Disponibilizar banheiros limpos e equipamentos para lavagem das mãos (água e sabão) bem como água potável para beber nas proximidades dos locais de colheita. As amoras, diferente de outras frutas, não recebem tratamento pós-colheita em água. Portanto, as condições de higiene na colheita são extremamente importantes para evitar contaminações.
- Exigir a lavagem das mãos dos trabalhadores antes de iniciar a colheita das amoras.
- Treinar e capacitar os trabalhadores que atuarão na colheita. Dar instruções claras e precisas sobre o material a ser colhido, em função da maturação, higiene e qualidade. No caso das amoras, esse fator é crítico, pois esses trabalhadores podem ser os últimos a manusearem o produto antes do consumidor final.
- Elaborar um sistema de registro dos procedimentos e materiais que permitam a rastreabilidade do produto (cadernos de campo, planilhas etc.) (Fernandes & Ballington, 2007; Gelli, 2004)

Armazenamento dos Frutos

A amora-preta é um fruto altamente perecível, com alta taxa respiratória (Tabela 1) e elevada produção de etileno, apresentando curta vida pós-colheita (Morris et al.,1981). A produção de etileno em amoras varia entre 0,1 µL.kg-1.h-1 a 1 µL.kg-1.h-1 a 5ºC, conforme a cultivar, sendo que sua remoção do ar da câmara frigorífica ajuda no controle de doenças (Mitcham et al.,2007). 



Tabela 1. Taxa da respiração de amora-preta, expressa em produção de dióxido de carbono (mg/ kg-hr) a várias temperaturas.
Temperatura (ºC)
mg CO2/ kg-hr
0
18-20
4-5
31-41
10
62
15-16
75
20-21
100-130


Devido à rápida perda de qualidade pós-colheita, há grande limitação quanto ao mercado de frutos “in natura” (Perkins-Veazie et al., 1999). Portanto, é de grande importância a utilização de técnicas que ampliem o tempo de armazenamento sem, contudo, alterar suas características físicas, organolépticas e nutricionais (Abreu et al., 1998).

O pré-resfriamento é a primeira etapa a ser realizada no manejo pós-colheita. Tem como finalidade a remoção rápida do calor do campo dos produtos recém-colhidos, antes do transporte, armazenamento ou processamento. O método recomendado para pequenos frutos, como amora-preta, é o pré-resfriamento por ar forçado, pois estas não suportam o pré-resfriamento com água, uma vez que a imersão dos frutos em soluções aquosas pode comprometer a integridade dos tecidos de proteção dos mesmos, aumentando a atividade respiratória, a perda de água por transpiração e a incidência de podridões. As amoras são frutos muito perecíveis, portanto, quando colhidas para o consumo “in natura”, devem ser pré-resfriadas rapidamente. É recomendado ar forçado a 5ºC durante 4 horas.

O armazenamento refrigerado é o método mais eficiente para manter a qualidade dos frutos, pois quando realizado de modo adequado, retarda os processos fisiológicos tais como a respiração, transpiração e produção de etileno, além de reduzir o desenvolvimento de podridões nos mesmos. A temperatura de armazenamento para as amoras é de 0ºC (com variação não superior a 0,5ºC) e 90-95% de umidade relativa, podendo nessas condições ser conservadas durante 2 a 5 dias (Mitcham et al., 2007).

Apesar da refrigeração ser uma prática eficiente para redução das perdas pós-colheita, o armazenamento sob atmosfera modificada ou controlada pode proporcionar melhores benefícios, quando usados adequadamente. No armazenamento sob atmosfera modificada, são utilizados embalagens plásticas de permeabilidade limitada ao gás carbônico (CO2) e oxigênio (O2) e, com conseqüente modificação da concentração de gases no interior da embalagem. O material normalmente utilizado são filmes de polietileno de baixa densidade, com diferentes espessuras, e de cloreto de polivinila (PVC) (Botrel, 1994). Para o armazenamento de amora-preta sob atmosfera modificada, é recomendado de 10 a 20% de CO2 e 5 a 10% de O2 para reduzir podridões e perda de firmeza da polpa (Kader, 1997).
O armazenamento sob atmosfera modificada de 15 a 20% de CO2 e 5 a 10% de O2 reduz o desenvolvimento de Botrytis cinerea e outros fungos causadores de podridões e, também, a taxa de respiração e a perda de firmeza das amoras-pretas (Mitcham et al., 2007). Mas o grau de resposta as condições de atmosfera modificada depende da cultivar e das condições de manejo (Archold et al., 2007). Antunes et al. (2003) observaram aumento do percentual de solubilidade de pectina e pectina solúvel, ocorrendo redução de pectina total e compostos fenólicos totais em amoras “Brazos” e “Comanche” conservadas sob atmosfera modificada em diferentes temperaturas e períodos de armazenamento. As cultivares Brazos e Comanche conservaram-se melhor em armazenamento refrigerado a 2ºC, podendo ser armazenadas com qualidade até nove dias após a colheita.
Em relação ao armazenamento sob atmosfera controlada, os níveis dos gases da atmosfera são monitorados periodicamente e são ajustados de modo a manterem-se as concentrações desejadas (Zagory & Kader, 1988; Thompson, 1998). A mistura gasosa desejada é injetada nas câmaras hermeticamente fechadas onde os frutos são armazenados (Lana & Finger, 2000). Porém, esta técnica não é utilizada no armazenamento pós-colheita de amora-preta, pois esta espécie frutífera tem pouca expressão comercial no Brasil para justificar o uso desta técnica de armazenamento.
Outro aspecto importante é a limpeza e higiene das câmaras frigoríficas e locais de empacotamento das frutas. Na empacotadora os trabalhadores devem dispor de banheiros com portas que não abram para o interior do local de processamento das amoras. Não deve ser permitida a entrada de animais na sala de empacotamento de frutas. O local deve contar com boa iluminação para facilitar a seleção das frutas. As frutas podres devem ser removidas freqüentemente dos locais de processamento. 

Boas Práticas no Armazenamento e Transporte

Durante o armazenamento e transporte devem ser observadas as Boas Práticas de Fabricação, cujo objetivo é evitar a contaminação dos frutos nesta etapa. Sugere-se observar os seguintes aspectos:
- Limpar e higienizar o local de beneficiamento e câmaras frigoríficas.
- Remover de forma imediata os frutos com problemas de podridões, para evitar a contaminação cruzada.
- Construir as mesas de seleção dos frutos com materiais não tóxicos, duráveis e que permitam uma adequada limpeza e higiene.
- Estabelecer um programa de manutenção preventiva dos equipamentos de refrigeração. Os produtos utilizados na manutenção (lubrificantes, refrigerantes etc.) devem ser guardados em locais separados e identificados.
- Utilizar lâmpadas inquebráveis ou com tampa de proteção no local de beneficiamento e nas câmaras frigoríficas.
- Restringir a entrada de animais domésticos nas instalações onde se encontram os frutos.
- Elaborar um programa de monitoramento de presença e infestação de pragas. Colocar armadilhas contra ratos, identificadas e numeradas, para posterior controle nos processos de supervisão.
- Dispor de um sistema de registro das operações das câmaras frigoríficas e sistemas de pré-resfriamento, como temperatura e umidade relativa do ar. - Possuir instrumentos aferidos para o registro das condições de pré-resfriamento e armazenamento (temperatura e umidade relativa).
- Orientar e exigir a limpeza e higienização dos veículos de transporte. As amoras por serem produtos altamente perecíveis devem ser transportadas em caminhões frigoríficos. Verificar as condições de operação do sistema de refrigeração do caminhão (temperatura), para que o transporte seja realizado em condições de segurança. 
- Estabelecer métodos logísticos que garantam o fluxo dos frutos desde o campo até o mercado, preservando a qualidade e higiene dos mesmos. (Gelli, 2004; Andrigueto & Kososki, 2002).

Alterações Fisiológicas

Os principais danos fisiológicos apresentados por amoras em pós-colheita são:
a) Drupas vermelhas: amoras podem desenvolver uma reversão da cor após a colheita e durante o armazenamento refrigerado. O processo consiste em que parte da fruta que originalmente tinha uma cor escura, adquira uma cor vermelha brilhante, depreciando a qualidade do produto no mercado. Entre os fatores que predispõem a este distúrbio, estão a susceptibilidade da cultivar, fruta colhida imatura, alta temperatura durante a colheita, condensação de água sobre a fruta e temperatura de armazenamento (Fernandes & Ballington, 2007) . Recomenda-se, após a colheita, colocar os recipientes com frutas na sombra. Amoras-pretas ‘Shawnee’ armazenadas a 2ºC durante 7 dias apresentaram cor vermelha mais intensa que aquelas armazenadas a 20ºC (Figuras 1 e 2).


d)
 Injúrias causadas pelo frio: os sintomas são perda do brilho das drupas, textura borrachuda e aumento da suscetibilidade dos frutos a podridões pós-colheita.

b) Desidratação (perda de água): as drupas são bastante suscetíveis à desidratação. Para minimizar a perda de água, os frutos devem ser resfriados rapidamente e manter entre 90 a 95% de umidade relativa ao redor dos mesmos;

c) Danos relacionados à atmosfera controlada: exposição das bagas sob concentrações menores que 2% de oxigênio ou maiores que 25% de gás carbônico podem causar sabor e aroma desagradáveis e coloração marrom nos frutos, dependendo da cultivar, temperatura e período de exposição;


Podridões Pós-Colheita

As doenças em pós-colheita são responsáveis por perdas dos produtos frutícolas que, em muitos casos, podem ser superiores a 50 %, antes mesmo de estarem disponíveis à mesa do consumidor (Ventura & Costa, 2002). Os fungos e bactérias são os principais microrganismos causadores de doenças pós-colheita de frutos (Benato, 2003). 
As doenças mais comuns que ocorrem em amora-preta são bolor cinza (Botrytis cinerea) e Rhizopus (Rhizopus stolonifer) (Ellis et al., 1991). Botrytis cinerea é o patógeno mais comum em bagas. Este fungo desenvolve-se até mesmo a 0°C, porém, a proliferação é muito lenta a esta temperatura. Já, Rhizopus stolonifer não se desenvolve à temperaturas abaixo de 5°C, sendo o monitoramento da temperatura durante o armazenamento um método eficiente de controle.
Devido aos problemas relatados por toxidez de defensivos, desenvolvimento de resistência dos patógenos e os efeitos prejudiciais ao meio ambiente e à saúde humana, vêm sendo dada maior ênfase a outras estratégias de controle que minimizem o uso de fungicidas e/ou que apliquem técnicas alternativas. Dentre os meios de controle de doenças que vêm sendo estudados, atenção especial tem sido dada aos que promovem a indução de resistência como tratamento térmico, radiação gama, UV-C, antagonistas e raças não patogênicas, compostos naturais e químicos. Os meios físicos de controle podem atuar diretamente sobre os patógenos, bem como, de modo indireto, sobre a fisiologia do produto, retardando os processos bioquímicos de amadurecimento e senescência, reduzindo a taxa respiratória e a transpiração e, conseqüentemente, mantendo a resistência do fruto ao ataque de microrganismos, além de, em alguns casos, proporcionar a formação de substâncias de resistência (Benato, 2003).
No Brasil, o estudo destas técnicas de controle de podridões ainda é bastante restrito, principalmente em amora-preta.

Embalagens

Na comercialização, os tipos de embalagens são utilizados segundo o destino dos frutos, observa-se que para o mercado “in natura”, as embalagens são semelhantes às utilizadas para morangos, sendo bandejas com 120 a 150 gramas de amoras-pretas. Para a indústria, os frutos podem ser congelados, enlatados ou utilizados no processamento de iogurtes, sorvetes e sucos.
Para o mercado da amora-preta se tem estabelecido padrões e parâmetros de qualidade pela norma ICONTEC, NTC 4106 que contempla os seguintes requisitos: frutos com todas suas drupas bem formadas, sadias e sem umidade externa, livres de odores, sabores e materiais estranhos, apresentar aspecto fresco e consistência firme e frutos com coloração padrão.







DOENÇAS E PRAGAS DA AMORA




+DOENÇAS E PRAGAS DA AMOREIRA


Uma das principais doenças da cultura é a antracnose [(Elsinoe veneta (Burkh) Jenkins, fase imperfeita Sphaceloma necator (Elis e Everh.)], podendo levar à morte das hastes de frutificação (TRAVIS & RYTTER, 1991).Outra doença bastante importante na cultura é chamada de enrosetamento (Cercosporella rubi (G. Wint) Plakidas), que ataca cultivares eretas e decumbentes, sendo limitante para o gênero Rubus. Os sintomas são o aparecimento de rosetas que podem resultar numa mudança de fenótipo da planta, provocando redução de produção, da qualidade das frutas e em casos severos, até a morte da haste (SMITH & FOX, 1991).Nas condições do Rio Grande do Sul, foi verificada a presença de ferrugem nas folhas e podridões causadas por Botrytis nas frutas, além da incidência de ácaros e lagartas que causam enrolamento das folhas (BASSOLS, 1980; RASEIRA et al., 1984).Segundo MOORE et al. (1974 a,b), as cultivares Cherokee e Comanche são moderadamente resistentes à antracnose causada por Elsinoe veneta veneta, não sendo observado a ocorrência de ferrugem (Kunkelia

Doenças fúngicas

Estudos relacionados à ocorrência de doenças fúngicas em amoreira-preta são importantes na identificação e controle das mesmas. Porém ainda, os estudos sobre as doenças que ocorrem nessa cultura são muito incipientes, tornando necessários trabalhos de levantamento e monitoramento dos problemas fitossanitários, que podem ou poderão ocasionar perdas na produção dessas fruteiras. 

A melhor estratégia de controle de doenças está na prevenção, evitando a sua introdução em uma área com histórico de problemas. Como a cultura da amoreira-preta ainda é pouco difundida no Brasil, o trabalho de prevenção de doenças se torna mais fácil. 

Uma vez feita a identificação, foram feitas propostas de controle, baseadas em informações de outras culturas que apresentem problemas similares ou iguais, determinando a melhor estratégia de manejo para a redução dos danos provocado pela doença. 
Materiais vegetais apresentando sintomas foram coletados de caules, folhas, flores e frutos de variedades de amoreira-preta e amoreira nativa.
Os principais gêneros de fungos identificados foram:



Cultura
Parte da Planta
Fungo
amoreira-pretafolhaTrichoderma sp
florAspergillus spp
Trichoderma sp
frutoBotrytis sp
cauleAlternaria sp
Amoreira nativafolhaPestalotia sp
frutoColletotrichum spp
cauleAlternaria sp
amoreira-preta sem espinhofolhaBotrytis sp
Pestalotia sp
florTrichoderma sp
Botrytis sp
frutoColletotrichum spp
caulePestalotia sp




Fontes dos materiais coletados no Banco Ativo de Germoplasma (BAG) da Embrapa Clima Temperado.
Sintomas, comportamento e controle dos fungos encontrados:

Alternaria spp:

Sintomas: no caule, lesões e manchas concêntricas pardas; nas folhas, estas lesões e manchas podem chegar a 2 cm de diâmetro; nas flores causam necroses florais e deformações (Figura 1, 2, 3 e 4).
Comportamento: a disseminação do patógeno é feita pelas sementes, pelo vento e mudas. Pode sobreviver em restos de cultura e em vários hospedeiros. Se desenvolve em temperaturas entre 2 e 36 ºC, com um ótimo em torno de 28 ºC. Em condições ótimas, o ciclo se desenvolve em cerca de 5 dias.
Controle: até o presente momento não há resultados de pesquisa que permitam a recomendação de medidas adequadas para o seu controle.

Aspergillus spp:

Sintomas: presença de esporulação preta pulverulenta de fácil remoção. Sintoma tipo mancha (Figura 5 e 6).
Comportamento: a infecção da planta pode ocorrer no transporte ou durante o armazenamento, pelo contato entre os frutos, pelo manuseio, por ferimentos mecânicos ou por disseminação dos esporos por corrente de ar. Umidade e temperatura elevadas favorecem o crescimento e a disseminação do fungo.
Controle: redução de injúrias durante as operações de colheita, classificação, armazenamento. Embalagem e transporte; armazenamento em locais com boa aeração; manter o local de armazenamento limpo e sanitizado, à baixa temperatura e umidade relativa.

Botrytis sp:

Sintomas: os frutos podem ser afetados em qualquer estágio de desenvolvimento. No início, a podridão se apresenta como mancha de tamanho variável, de cor marrom claro, com uma consistência mole, mas não aquosa, que evolui rapidamente por todo fruto apodrecendo-o completamente. Este, finalmente se apresenta seco e firme, recoberto com um bolor cinzento, constituído por conidióforos e conídios do fungo. Eventualmente, os frutos podem se tornar mumificados. O fungo afeta também outras partes da planta com características semelhantes (Figura 7 e 8).
Comportamento: é um agente patogênico que causa podridões em várias espécies vegetais. É um parasita facultativo que pode se desenvolver saprofiticamente em restos de matéria orgânica, onde forma escleródios e micélio dormente que lhe permite sobreviver às condições desfavoráveis. Os conídios do fungo, formados na superfície dos fungos, são facilmente disseminados dentro da cultura, pelo vento. As melhores condições para o aparecimento da doença são de alta umidade e temperatura ao redor de 20ºC.
Controle: recomenda-se o plantio em locais e épocas não sujeitos a cerrações (neblina).

Colletotrichum spp:

Sintomas: mancha necrótica, preta, deprimida, com os bordos ligeiramente elevados e apresentando, sob condições favoráveis, os acérvulos do fungo. Estes produzem grande massa de conídios que podem ser vistos, macroscopicamente, como uma massa de coloração rósea. A mancha necrótica, inicialmente pequena, desenvolve-se rapidamente no sentido longitudinal do órgão e mais lentamente no transversal.
Comportamento: o fungo esporula, em condições favoráveis, na superfície das lesões, dando grande quantidade de inóculo dentro da cultura. Temperaturas mais elevadas parecem favorecer o desenvolvimento do agente. Este fungo é causador da doença conhecida como antracnose.
Controle: durante a produção de frutos, deve-se tomar os mesmos cuidados para o controle das podridões de frutos (antes da colheita: no campo; após a colheita: durante a comercialização).

Pestalotia sp:

Sintomas: caracterizado por pequenas manchas necróticas, quase circulares quando distribuídas no limbo foliar (por isso o nome da doença causada pela Pestalotia se chamar Mancha Foliar), e maiores, quando localizadas no ápice e bordo das folhas. As manchas são de coloração pardo-acinzentada, com bordo mais escuro em relação à parte central. Os frutos afetados apresentam lesões necróticas escuras e deprimidas. Sua disseminação é feita, principalmente, pelo vento, insetos e respingos de chuva (Figura 9, 10 e 11).
Comportamento: favorecido por regiões com umidade elevada e alta temperatura. Controle: espaçamento adequado, exposição da área, podas, retirada e enterrio de frutos, queima de ramos podados.

Rhizopus sp:

Sintomas: os tecidos afetados apresentam-se com coloração marrom, macios ao tato e encharcados, ocorrendo ainda a formação abundante de um micélio branco apresentando pontos escuros.
Comportamento: sua importância se dá no processo de comercialização, onde o fungo pode depreciar o produto. A infecção e a deterioração são extremamente influenciadas por condições ambientais durante o transporte e o armazenamento. A infecção geralmente ocorre em umidade relativa de 75 a 85%. Uma atmosfera mais seca inibe o fungo.
Controle: evitar ferimentos durante as operações de colheita, classificação, armazenamento, embalagem e transporte, separando e descartando os frutos contaminados. Efetuar a limpeza e sanitização dos ambientes onde são realizadas as operações pós-colheita, bem como as embalagens, fazendo uso de detergentes e sanitizantes específicos. Controlar a temperatura e a umidade, pois baixa umidade e temperatura no ambiente onde são armazenadas as frutas, diminui sensivelmente a ocorrência da doença. 

Trichoderma sp:

É um fungo saprofítico em solo ou madeira, muito comum, algumas espécies são relatadas como parasitas de outros fungos, por isso usadas como controle biológico.



Insetos pragas e seu controle


Dentre os fatores que comprometem a produção de amora-preta na região Sul do Brasil destacam-se os insetos-praga. No entanto, a implementação do Manejo Integrado de Pragas nesta cultura ainda não é possível devido a carência de trabalhos com informações sobre a entomofauna dos pomares, tanto sobre insetos-praga quanto inimigos naturais; informações sobre bioecologia; estabelecimento de formas de monitoramento e níveis de controle, estudos sobre manejo e métodos de controle.
Desta forma, as alternativas disponíveis aos produtores e técnicos para o manejo de pragas tornam-se restritas e baseadas no conhecimento prático, com poucas informações geradas pela pesquisa. No caso do controle químico, embora em outros países existam vários iseticidas autorizados, no Brasil todo uso é ilegal.
Neste capítulo, constam informações sobre as principais pragas da amoreira-preta, visando auxiliar os técnicos e produtores na identificação das espécies e no estabelecimento de estratégias de manejo.

Broca-da-amora - Eulechriops rubi Hespenheide, 2005 (Coleoptera: Curculionidae).

Descrito recentemente, este curculionídeo é conhecido pelos produtores como broca-da-amoreira. Seu surgimento como praga da cultura se deve provavelmente à implantação de pomares em novas áreas, usadas anteriormente com campo nativo. É considerada a principal praga da cultura na região dos Campos de Cima da Serra, comprometendo significativamente a produção.
Descrição: Os adultos medem cerca de 3mm de comprimento e possuem coloração preta com manchas brancas e marrons. A larva do tipo curculioniforme possui coloração esbranquiçada e cabeça distinta do corpo, com coloração geralmente marron (Figura 1).

Bioecologia: No campo, os adultos podem ser visualizados principalmente na face abaxial das folhas da amoreira, onde se alimentam deixando pontos que necrosam e formam numerosos orifícios circulares (Figura 2).

A reprodução é sexuada dos insetos, e não apresentam horário específico para acasalamento. Após a cópula a fêmea deposita os ovos nos tecidos das plantas (postura endofítica) de forma individualizada, em locais tenros como inserção de folíolos e brotações novas. Neste local, a larva eclode e inicia sua alimentação, causando o amarelecimento das folhas. Este sintoma pode ser facilmente confundido com a senescência natural das folhas (Figura 3). 

Ao se alimentar, a larva se dirije em direção a haste principal onde permanece até a emergência do adulto, que abre um orifício circular no lenho possibilitando sua saída e completando o ciclo biológico.
A presença dos adultos no campo começa a ser observada nas plantas na fase de floração (outubro), estendendo-se até março. Durante o inverno, as larvas se refugiam no interior dos ramos do ano, que serão responsáveis pela produção na próxima safra, em restos culturais deixados no pomar. Este fato dificulta o manejo da praga e permite ao inseto sobreviver durante o inverno.
Dano: A formação das galerías nos ramos destrói os tecidos internos da planta, dificultando a translocação de seiva. As plantas crescem com menos vigor e os ramos começam a secar, culminando com a morte da planta (Figura 4). É na fase de larva que a praga causa o maior dano à planta, pela abertura de galerias que percorrem o interior da haste em sentido descendente (Figura 5). As galerias são resultante da alimentação e deslocamento das larvas. Não foi observado ataque do inseto nas raízes.

Monitoramento e manejo: O monitoramento da praga no pomar deve ser realizado através da observação da presença de galerias nas hastes, ou de adultos na face abaxial de folhas jovens. Não há nível de controle estabelecido para a praga. Porém devido ao potencial de dano, recomenda-se o manejo quando o inseto for observado nos pomares.
Uma das principais medidas indicada para o controle é a realização da poda pós-colheita, retirada dos ramos do local e posterior queima deste material, com a finalidade de reduzir a população da praga. Outro fator importante para diminuir o dano é a realização de adubação adequada, aumentando o vigor das plantas.
Os inseticidas químicos malationa, fenitrotiona, clorpirifós e deltametrina tiveram seu efeito avaliado em laboratório, através de pulverização sobre adultos, proporcionando um controle acima de 90%. No entanto, quando aplicados em pomares comerciais, devido à dificuldade para atingir os insetos adultos, que se abrigam sob as folhas e às larvas, protegidas dentro das hastes, o emprego dos inseticidas não foi eficaz.
Uma medida importante na implementação dos pomares é a utilização de mudas procedentes de viveiros que utilizem materiais vegetativos de pomares sem a presença da praga. 
Em casos de alta infestação, uma medida drástica que pode ser adotada é a colheita antecipada e roçada total da área, com eliminação do material cortado. Desta forma, ocorre uma redução da fonte de inócuo e a planta neste mesmo ano emitirá novos ramos para a produção do ano seguinte com menor infestação.

Mosca-das-frutas sul-americana - Anastrepha fraterculus (Wiedemann, 1830) (Diptera: Tephritidae)

As variedades de amoreira-preta cultivadas atualmente são resultado de um processo de melhoramento vegetal, e os frutos quando maduros, apresentam características como alto teor de açúcar, baixa acidez e elevada presença de aroma. Desta forma, os frutos maduros tornam-se atrativos à mosca-das-frutas, sendo Anastrepha fraterculus a espécie mais comum associada à amoreira-preta. O ataque desta praga tem aumentado nos últimos anos causando grandes perdas na produção.
Descrição:
Os adultos são vistosos medindo cerca de 8 mm de comprimento, coloração amarelada e asas maculadas (Figura 6). Os ovos são postos no interior dos frutos, são fusiformes, levemente curvados e de coloração branca. Geralmente são postos de 1 a 3 ovos por cavidade. As larvas são do tipo vermiforme, ou seja, ápodas, com coloração branco-amarelada. As pupas desenvolvem-se no solo.

Dano: O principal dano causado é devido à oviposição realizada nos frutos. Neste local, ocorre extravasamento do líquido, escurecimento e apodrecimento, o que inviabiliza o consumo. 
Além disso, quando a amora-preta é colhida contendo larvas de mosca, estas tendem a deslocar-se para a superfície no fruto em baixas temperaturas (câmaras-frias de transporte, por exemplo). A presença das larvas pode comprometer não só o produto onde estão presentes, mas também toda a carga, principalmente quando destinado ao mercado internacional.
Monitoramento e manejo: O monitoramento pode ser realizado por meio de armadilhas bola contendo suco de uva ou proteína hidrolisada (5%) como atrativo (Figura 7). Caso não haja disponibilidade de tais armadilhas, estas podem ser confeccionadas pelo produtor com garrafas PET perfuradas.
Ao se constatar a presença de mosca-das-frutas nas armadilhas, uma das medidas de controle é a utilização de isca tóxica na vegetação que circunda os pomares. A isca deve ser preparada com proteína hidrolisada a 5% associada a um inseticida fosforado. A isca é aplicada com gotas grossas, principalmente nos troncos das árvores e vegetação que circunda o pomar.
A principal medida para o manejo da mosca nos pomares é a prevenção, ou seja, a realização da colheita dos frutos na idade fisiológica recomendada e nas primeiras horas do dia, considerando que o ataque se dá em frutos muito maduros presentes no pomar. 
Em anos chuvosos, a atenção deve ser maior, pois os frutos tornam-se mais sensíveis ao rompimento, devido à maior umidade, o que aumenta a atratividade para as moscas. Além disso, o mau tempo pode dificultar a colheita e aumentar o número de frutos muito maduros no pomar.
Outra medida indicada é aplicação de cálcio com o objetivo de tornar a epiderme do fruto mais resistente, diminuindo assim a ocorrência do extravasamento natural da polpa devido ao excesso de líquido presente no fruto.

Besouros desfolhadores

Neste grupo de insetos destacam-se Maecolaspis spp. (Coleoptera: Chrysomelidae) e Diabrotica speciosa (Germar, 1824) (Coleoptera: Chrysomelidae).
Descrição: D. speciosa é um pequeno coleóptero de coloração verde, com três manchas amarelas em cada élitro, o que lhe confere o nome vulgar pelo qual também é conhecida, “brasileirinho”. Possui em média 5-6mm de comprimento e cabeça de cor castanha (Figura 8). A fêmea põe cerca de 420 ovos que se desenvolvem em 6 a 8 dias. As larvas possuem corpo vermiforme (fino e alongado) com cabeça e escudo anal marrons. Atingem até 12mm de comprimento quando completamente desenvolvidas e passam por três ínstares (Figura 9).
O gênero Maecolaspis compreende várias espécies, sendo que as mais comuns associadas à cultura da amoreira-preta sãoMaecolaspis trivialis (Boheman, 1858) e Maecolaspis aenea (Fabricius, 1801). Os adultos são pequenos besouros de aproximadamente 7-8 mm de comprimento, com coloração verde-metálica brilhante nos élitros e azul escuro brilhante no protórax.
Bioecologia:
A fêmea de D. speciosa realiza postura no solo em fendas ou junto às raízes. Cerca de 13 dias após a postura eclodem as larvas, que também se desenvolvem no solo.
Dano:
Tanto D. speciosa quanto Maecolaspis são insetos polífagos de importância econômica em várias culturas. Na amoreira, o dano é causado pelos adultos que ao se alimentarem das folhas (Figura 10) causam destruição do limbo foliar e, conseqüentemente, redução da área fotossintética da planta. Mesmo sendo característica da planta o alto vigor, em ataque intenso tais insetos podem causar prejuízos consideráveis. Não há registro das larvas atacando as raízes da planta, como ocorre em outras culturas.

Monitoramento e Manejo: Para o monitoramento e manejo de D. speciosa podem ser utilizadas armadilhas contendo o atrativo cucurbitacina. As armadilhas podem ser confeccionadas com garrafa plástica (PET) transparente, descartável, fazendo perfurações de 0,5 cm de diâmetro em toda garrafa, com distância de 2 cm entre furos, preservando apenas a parte do fundo da garrafa com 5 cm de altura. Coloca-se no fundo da garrafa água com detergente, para a captura dos insetos que entrarem na armadilha. O atrativo pode ser adquirido em saches e pendurado no lado de fora da armadilha (Figura 11).

Formigas Cortadeiras

As formigas cortadeiras, tanto as saúvas ( Atta spp.) quanto as quenquéns ( Acromyrmex spp.), são pragas importantes para a cultura na fase de implantação do pomar. Neste período, quando as mudas são transplantadas e o solo permanece descoberto devido ao preparo, em poucas horas o ataque das formigas pode consumir completamente a reduzida área foliar das plantas.
Bioecologia
São insetos sociais, que vivem em formigueiros subterrâneos constituídos de câmaras e galerias. Cortam as partes verdes das plantas e as transportam até o interior dos ninhos, onde as utilizam como substrato para o desenvolvimento de determinados fungos, utilizados para a alimentação da colônia.
Monitoramento e manejo
Algumas espécies de quenquéns têm o hábito de forragear à noite, não deixando trilha que leve até os ninhos como fazem as saúvas. Estas formigas são mais facilmente controladas quando se localiza o ninho, porém, muitas vezes, como os mesmos não estão acompanhados dos montículos de terra, torna-se difícil a aplicação de formicidas de forma localizada. Desta forma, o monitoramento deve ser realizado através de observações diárias do produtor, verificando a presença de formigas, trilhas, plantas danificadas ou formigueiros.
Dentre os principais métodos de controle de formigas, destacam-se as iscas formicidas e o emprego de inseticidas em pó. As iscas formicidas (Tabela 1) devem ser utilizadas diretamente da embalagem, distribuindo os grânulos ao lado dos carreiros, próximo aos olheiros. A aplicação deve ser realizada com tempo seco para evitar que ocorra degradação dos grânulos devido à umidade. As iscas não devem ser armazenadas com outros produtos químicos nem tocadas diretamente com as mãos, sob o risco de perda de atratividade (formiga não carrega). Os inseticidas em pó (Tabela 1) devem ser aplicados diretamente nos ninhos, através de insufladores.
Passado este período inicial, quando a cobertura vegetal já está estabelecida e as plantas adquirem porte maior, não é mais observado o ataque de formigas aos pomares de amora.




Tabela 1: Inseticidas empregados no controle de formigas cortadeiras.
Ingrediente Ativo
Nome Comercial
Dose
Formulação
Sulfluramida Mirex SS=8-10g/m2 formigueiro
Isca
QQ=10-12g/formigueiro
 FluramimS=6-10g/m2 formigueiro
Isca
QQ=10-30g/formigueiro
 Formicida Gran.Dinagro-SS=6-10g/m2 formigueiro
Isca
 Formicida Gran.Pikapau-SS=6-10g/m2 formigueiro
Isca
 Isca Formicida Atta Mex-SS=6-10g/m2 formigueiro
Isca
 Isca Tamanduá Bandeira-SS=6-10g/m2 formigueiro
Isca
Fipronil BlitzS=10g/m2; QQ=5g/form.
Isca
Clorpirifós Isca Formicida LandrinQQ=8-10g/formigueiro
Isca
 Isca Formicida PyrineusS=5-10g/m2 formigueiro
Isca
 Isca FormifosS=10g/m2 formigueiro
Isca
Deltametrina K-Othrine 2 PS e QQ=10g/m2 formigueiro

S = Saúva 

QQ = Quem Quem 

Ácaros
Os ácaros fitófagos são pragas importantes de várias culturas. Nas pequenas frutas, destacam-se o ácaro-branco [Polyphagotarsonemus latus (Banks, 1904)] (Figura 12) e o ácaro-rajado [ Tetranychus urticae (Koch, 1836)] (Figura 13). Embora não existam relatos de ataque intenso de ácaros por parte dos produtores da região, levantamentos sistemáticos em pomares de amora-preta no município de Ilópolis, RS, comprovaram a presença de ácaros fitófagos em maior proporção em relação aos predadores.
Descrição:
As fêmeas do ácaro-branco são brancas ou amareladas, não tecem teia e apresentam 4 pares de pernas, sendo o quarto par atrofiado. Medem cerca de 0,2 mm de comprimento. Os machos são menores e o quarto par de pernas termina em uma clava, servindo para auxiliá-los a carregar as pupas de fêmeas. Os ovos medem cerca de 0,1 mm de comprimento, são esbranquiçados, com manchas brancas e pegajosos. Dos ovos eclodem as larvas, com três pares de pernas e de coloração branco-leitosa. No final da fase, as larvas permanecem em repouso, estágio de pupa.
O ácaro rajado produz teia aonde realiza a postura entre os fios na página inferior das folhas. Os ovos são esféricos e de tonalidade amarelada. As fêmeas possuem duas manchas verde-escuras no dorso, uma de cada lado. Existe um acentuado dimorfismo sexual, sendo as fêmeas ovaladas e os machos com a extremidade posterior do abdome mais estreita.
Bioecologia: O ciclo biológico (ovo-adulto) do ácaro branco varia de 4 a 7 dias e o seu desenvolvimento é favorecido nos períodos mais quentes e úmidos do ano. Para o ácaro rajado, o ciclo biológico dura em média 20 dias e prefere períodos mais secos. Devido ao seu hábito característico, há o aparecimento de manchas avermelhadas nos locais opostos aos das colônias, que vivem na página inferior das folhas.
Controle: Embora não haja muitos problemas com altas populações de ácaros fitófagos, é importante atentar para a preservação das populações de ácaros predadores presentes nos pomares, de forma a garantir o equilíbrio, evitando que ácaros fitófagos atinjam níveis que causem prejuízos à cultura. Este equilíbrio pode ser facilmente comprometido por aplicações excessivas de inseticidas e fungicidas prejudiciais às espécies predadoras. Caso a população aumente e cause dano econômico, recomenda-se a aplicação de acaricidas específicos (registrados).

Nematoides fitoparasitas

Apesar da grande rusticidade da amoreira-preta a doenças e pragas, esta cultura é afetada por algumas espécies de fitonematoides como o nematoide-das-galhas (Meloidogyne spp.), o nematoide-das-lesões (Pratylenchus sp.) e o nematoide-adaga (Xiphinema spp.) os quais podem limitar a produção (Rich, 2006).
O gênero Meloidogyne pode causar danos em Rubus spp., especialmente em solos arenosos. Plantas infectadas pelo nematoide apresentam engrossamento (galhas) nas raízes, o que diferencia de um sistema radicular sadio. No Brasil, são relatadas as espécies M. incognita (Lordello & Lordello, 1991) e M. hapla associado a galhas nas raízes possivelmente causadas por Agrobacterium (Rossi & Ferraz, 2005a) no estado de São Paulo. Entretanto não há registro de perdas nos locais onde o nematoide foi detectado.
Danos decorrentes do ataque P. vulnus e P. penetrans no gênero Rubus são freqüentemente registrados em países como os EUA e na Europa (Nyczepir & Halbrendt, 1993). Porém, no Brasil, não há registro destas espécies na amoreira-preta. Uma vez que as raízes são infectadas por Pratylenchus spp., ao se alimentar, o nematoide locomove-se nos tecidos causando necroses, apodrecimentos e, conseqüentemente, o declínio da mesma (Rich, 2006). Em, levantamento nematológico realizado no Rio Grande do Sul, Gomes et al. (2006) verificaram a presença de níveis populacionais de 70-80 nematoides/10g de raízes de amoreira-preta cv. Tupy para P. zeae e P. jordanensis, respectivamente. Diante desses resultados, os autores ressaltam a falta de informação e a necessidade de estudos relacionados à patogenicidade e à resistência genética a diferentes espécies de Pratylenchus na cultura.
Algumas espécies de Xiphinema também podem parasitar a amoreira-preta. Diferentes viroses recentemente detectadas nesta frutífera são transmitidas pelo nematoide-adaga e podem causar redução significativa do crescimento e produção (Martin et al., 2004). O Tomato ringspot nepovirus (ToRSV) ataca muitas espécies de plantas perenes, causando drásticas reduções na produtividade, sendo considerado uma praga de impacto econômico e ambiental para várias culturas. Na amoreira-preta causa perdas na produção que podem chegar em até 80% (CABI, 2000). Apesar do ToRSV ser classificado como uma praga exótica (Marinho et al, 2006) esse vírus é transmitido por X. americanum (BROWN et al. 2004) que está amplamente disseminado no Rio Grande do Sul (Sperandio, 1992), Estado que apresenta maior área cultivada com amora no país.
Em estudo recente realizado no Brasil, Rossi & Ferraz, (2005b) detectaram a presença de X. elongatum em São Paulo. Conforme BROWN et al., (2004), esta espécie pode transmitir Raspberry Ringspot e Tomato Black Ring, que são viroses associadas ao gênero Rubus. Portanto, medidas preventivas no sentido de evitar o plantio de amoreira-preta infectado com estas viroses podem restringir contaminações futuras, especialmente pela produção de mudas em local infestado com o nematoide.
Outros fitonematoides como Mesocriconema xenoplax, Discocriconemella degrissei e Scutellonema brachyurus (Rossi & Ferraz, 2005a; Rossi & Ferraz, 2005b) foram relatados em amora-preta no Brasil, entretanto não foram descritas evidências de danos causados por estas espécies no referido hospedeiro.
Por ser uma cultura perene, as medidas de controle de nematoides empregadas devem ser eminentemente preventivas, sendo iniciadas já na instalação do pomar, após análise nematológica do solo para implantação das mudas (livres de nematoides). Esta prática é recomendada tanto para nematoides-praga que já existem em território nacional (nematoide das galhas e das lesões), quanto para pragas exóticas, caso de várias espécies de Xiphinema que podem ser transmissoras de algumas viroses potencialmente danosas à cultura da amoreira-preta.