A goiabeira (Psidium guajava L.) pertence à família das Mirtáceas, sendo essa espécie a mais conhecida no Brasil. A planta apresenta porte pequeno a médio, podendo atingir de 3 a 8 metros quando não podadas. Os ramos são redondos, tortuosos, com a casca lisa, castanho arroxeado-clara, que se solta em lâminas. As folhas são opostas, grossas, coriáceas, de coloração verde-amarelada e persistentes. Em geral, as flores e frutos aparecem nas axilas das folhas. O sistema radicular apresenta raízes adventícias primárias que se concentram a uma profundidade de 30 cm no solo, de onde se desenvolvem verticalmente as raízes adventícias secundárias, que chegam à profundidade de 4 a 5 metros, de onde crescem as radicelas. O fruto é do tipo baga, globosa e de tamanho, forma, sabor, aroma, espessura e coloração da polpa muito variáveis (Figura 1).
Figura 1 - Vista geral de uma planta de goiabeira cultivar Pedro Sato - Bauru/SP.
Nas culturas comerciais são realizadas podas anuais o que tem possibilitado reduzir o porte das goiabeiras para alturas em torno de 3 metros. O crescimento lateral tem sido também reduzido pelas podas, permitindo o estabelecimento de pomares em espaçamentos menores. A utilização de poda dos ramos e raleio intenso de frutos promovem, em geral, um maior peso dos frutos.
A goiabeira, no Estado de São Paulo, inicia as novas brotações predominantemente no início do período chuvoso, setembro e outubro. As brotações não são uniformes, razão pela qual a florada ocorre durante o período de setembro a novembro e a maturação dos frutos no período de janeiro a março. A produção pode ocorrer durante todo o ano, que é conseguido através de poda drástica realizada em diferentes épocas do ano, associada à poda verde e irrigação. As inflorescências surgem apenas nos ramos do ano e apresentam grande e pronta resposta à poda parcial da copa.
2. BIOLOGIA FLORAL
A inflorescência é do tipo dicásio, isto é, a gema florífera do ramo do ano desabrocha, trazendo um botão na extremidade do eixo. Este possui na sua base duas brácteas opostas, em cujas axilas surgem dois novos botões florais laterais. Como conseqüência, as flores da goiabeira podem-se apresentar isoladas ou em grupos de duas a três, na axila das folhas de ramos em crescimento (Figuras 2A e 2B). São brancas, hermafroditas, com quatro ou cinco pétalas; possuem estames longos e numerosos e um único pistilo central, sendo o cálice persistente. O ovário ínfero, plurilocular com numerosos óvulos (Figura 2C). As inflorescências surgem nos ramos do ano.
Figura 2 - Botão floral isolado (A), botão floral em grupos (B) e flor da goiabeira (C).
É mais comum à presença de inflorescências com apenas um botão florífero, sendo encontrado também inflorescências com dois e três botões. A ocorrência de botões florais isolados ou em grupos varia em função das condições ambientais, da fertilidade do solo e, principalmente, da cultivar. Essa característica pode ser importante, porque interferi diretamente na necessidade ou não de realização de desbaste de frutos, o que pode alterar os custos de produção. Na maioria dos casos o botão do eixo principal é o único que chega a desenvolver o fruto.
A abertura floral ocorre por volta das 06h00m prolongando-se por aproximadamente uma hora. Esta hora de inicio é variável e está na dependência da temperatura do dia. A deiscência das anteras e a receptividade do estigma ocorrem logo depois da abertura da flor. As pétalas e os estames começam a cair no mesmo dia da abertura da flor, levando-se aproximadamente cinco dias para a sua queda total.
Na goiabeira, devido à presença de flores hermafroditas, ocorrem principalmente a autopolinização e a polinização cruzada pelo transporte do pólen, principalmente pelas abelhas de uma flor para outra. O principal agente polinizador é a abelha européia Apis mellifera (Figura 3A), existem outras espécies que também visitam as flores, como por exemplo, mamangava (Bombus morio) (Figura 3B); arapuá (Trigona spinipes) (Figura 3C), etc.
Figura 3. Flor da goiabeira polinizada pela abelha européia (A), mamangava (B) e arapuá (C).
Todos os visitantes florais concentram-se nas flores apenas no período da manhã, com pico de visitação, por volta de uma hora após o início da abertura das flores, quando há maior disponibilidade de alimento no pomar.
Normalmente, o pegamento dos frutos da goiabeira é de aproximadamente 20%, considerando-se a relação entre o número de botões florais emitidos pela goiabeira e o número de frutos colhidos. O ciclo entre a fecundação da flor e o ponto normal de colheita do fruto é de aproximadamente 130 dias.
Na cultura da goiaba, são feitos diferentes tipos de poda, conforme os seguintes objetivos: escalonamento da produção, melhoria da arquitetura e do arejamento da planta, obtenção de frutos de qualidade, eliminação de frutos com defeito e facilitação dos tratamentos fitossanitários.
Poda de formação
O objetivo da poda de formação é orientar a planta de modo a se obterem ramos bem distribuídos (arquitetura equilibrada e arejada), permitindo, assim, uma maior penetração da luz solar e favorecer a ventilação no interior da copa. Isso garantirá um controle fitossanitário mais eficiente e facilitará os tratos culturais.
A planta deve ser conduzida em haste única, de até 50 cm ou 60 cm de altura, quando, então, a gema terminal deverá ser eliminada.
A partir das brotações que surgirem, deve-se deixar três ou quatro pernadas bem distribuídas, nosentido dos quatro pontos cardiais.
As pernadas principais ou ramos primários devem ser podados depois do seu amadurecimento, de modo que fiquem com 40 cm a 50 cm de comprimento, proporcionando a formação básica da copa.
Devem ser também eliminados os ramos voltados para baixo, a uma altura mínima de 40 cm a 50 cm em relação à superfície do solo. Isso evita que as folhas entrem em contato com o solo, desfavorecendo, assim, o desenvolvimento de fungos causadoresde doenças.
Os galhos muito vigorosos, que dificultarem a colheita e os tratos culturais, devem ser rebaixados até a altura padrão do pomar.
Poda de frutificação
Goiabeiras destinadas principalmente à produção de frutas para consumo in natura devem ser podadas, visando ao escalonamento da produção. Sabe-se que a goiabeira responde bem à poda de frutificação, pois, independentemente da época do ano, as flores surgem somente nas brotações oriundas dos ramos maduros. No entanto, dois aspectos de fundamental importância devem ser considerados: a época do ano e a intensidade da poda.
Com relação à época do ano, quando as condições climáticas prevalentes (temperatura, luminosidade e umidade relativa do ar) forem adequadas, a poda da goiabeira poderá ser realizada em qualquer período do ano, principalmente quando seutiliza irrigação. Esse procedimento tem sido adotado na maioria das áreas irrigadas do Nordeste brasileiro. Contudo, a época da poda de frutificação deve estar condicionada ao período em que se pretende colher os frutos. É importante lembrar que os ramos a serem podados devem estar maduros e com as gemas aptas à brotação.
Às vezes, na região Nordeste, nos períodos mais frios do ano, ou seja, de maio a julho, há uma inibição da brotação e, consequentemente, da frutificação, que se tornam mais lentas em comparação aos demais meses.
Quanto à intensidade, a poda de frutificação
pode ser contínua ou drástica.
A poda contínua consiste na poda de apenas uma parte dos ramos, numa mesma época.
Já a poda drástica representa a poda total da planta, numa mesma ocasião. A seleção de um desses métodos vai depender basicamente do sistema de manejo e da expectativa de venda do produtor, expectativa esta que deve estar sempre atrelada às conveniências do mercado consumidor.
Outro aspecto importante é que a poda contínua favorece uma produção durante o ano inteiro, pois podem ser encontrados, numa mesma planta, todos os estádios de desenvolvimento do fruto (botões florais, flores, frutos em desenvolvimento e frutos em ponto de colheita).
No caso da poda contínua, o encurtamento dos ramos que já produziram deve, geralmente, ser feito um mês depois da colheita do último fruto daquele ramo.
Quando se adota o sistema de poda contínua, deve-se estar atento para a ocorrência de pragas e
doenças que, em geral, surgem com maior intensidade do que no sistema de poda drástica, pois a área anteriormente podada será fonte de infestação para a posterior. A poda contínua pode esgotar a planta, já que ela não ganha um período de repouso depois da safra, quando, então, poderia recompor as reservas despendidas com as brotações e as frutificações contínuas. Diante disso, a poda drástica destaca-se como a mais adequada para a cultura da goiabeira, devendo a
continuidade da oferta de goiaba ser suprida com a poda escalonada ao longo do ano.
A utilização de substâncias desfolhantes deve ser realizada antes da poda de frutificação, para induzir a planta a antecipar a sua produção, no sentido de concentrar a safra em um período comercialmente favorável.
No Havaí, pulveriza-se a planta com uma solução de ureia a 25%, como substância desfolhante (SHIGEURA et al., 1975). Bovery (1968) constatou, em Porto Rico, que o diquat e o paraquat foram eficientes no desfolhamento da goiabeira. Gonzaga Neto et al. (1997), em trabalho realizado no Submédio do Vale do São Francisco, constataram que a pulverização de ureia na concentração de 10% ou 15%, seguida da aplicação de cianamida hidrogenada, na dosagem de 1% ou 1,5%, depois da poda de frutificação aumentou a produtividade e reduziu em 30 dias o período de colheita da goiaba. Esse recurso poderá ser utilizado pelo produtor para concentrar a safra.
As podas de frutificação, a drástica e a contínua, devem ser praticadas com o conhecimento dos princípios de fisiologia da planta. Tais princípios, de acordo com Kavati (1997) e Piza Júnior (1994), estão, em geral, associados ao acúmulo e à pressão das seivas bruta e elaborada, pois elas contêm, além dos nutrientes essenciais à planta, substâncias hormonais indispensáveis à floração e à frutificação da goiabeira. Esses autores enumeram os seguintes princípiosfisiológicos.
• A circulação rápida da seiva favorece o desenvolvimento vegetativo, enquanto a circulação lenta estimula a produção de frutos. Segundo Piza Júnior (1994), quanto mais rápido for o transporte da seiva, maior será o número de gemas vegetativas que surgirão, originando brotações vigorosas, porém sem frutos. Por sua vez, a circulação mais lenta possibilita o acúmulo de reservas nas gemas localizadas ao longo dos ramos maduros, as quais, por esse motivo,se transformamem gemas frutíferas.
• A circulação da seiva será mais intensa quanto mais retilíneo for o ramo. Para Kavati (1997) e Piza Júnior (1994), quanto mais obstáculos houver à circulação da seiva, numa planta ou ramo, maior será a possibilidade de a planta ou o ramo florescer e frutificar. Nesse caso, a resposta à floração e à frutificação está associada ao acúmulo de reservas propiciadas pela circulação mais
lenta da seiva na planta ou no ramoem questão.
É comum, em pomares de goiabeira, produtores praticarem o amarrio dos ramos, encurvando-
os no sentido do solo. A utilização da técnica do anelamento ou estrangulamento de ramos tambémtem a mesma finalidade.
• Os ramos em posição vertical favorecem a velocidade de circulação da seiva, sendo, então, maior do que em ramos em posição horizontal. Eis aí um dos motivos para eliminar os ramos ditos ladrões, que, em geral, encontram-se em posição vertical, e, por isso, quase sempre são improdutivos.
Portanto, por ocasião da poda de frutificação, devem-se deixar, preferencialmente, os ramos em posição horizontal, pois esses têm maior probabilidade de se tornar frutíferos. Desde que a arquitetura da copa da variedade o permita, devem-se eliminar os ramos de crescimento
vertical, preferindo deixar na planta aqueles em posição horizontal.
Nesses, a velocidade de circulação de seiva é menor e, portanto, estãomais aptos a frutificar.
• A seiva dirige-se com mais intensidade às partes mais altas e iluminadas da planta, onde as taxas de transpiração e de fotossíntese são mais intensas. Dessa forma, é importante, depois da poda de frutificação, e numa situação de brotação excessiva da planta, eliminar o excesso deramos e folhas do topo da planta, uma vez que essas também utilizam grande parte dos assimilados, que poderiam ser destinados aos processos de floração, frutificação e desenvolvimentodos frutos.
• É recomendável avaliar a quantidade e o vigor dos ramos secundários que estão nos ramos em frutificação, uma vez que competem entre si por assimilados, com frutos em crescimento, existentes em uma mesma unidade produtiva. Partindo desse princípio, é recomendável que se faça, logo após a poda de frutificação, uma avaliação criteriosa do número de ramos secundários que devem permanecer nos ramos em frutificação.
• O desbaste de ramos secundários tende a aumentar o vigor do ramo principal, o que inibe a brotação de gemas axilares daquele ramo.
Por esse motivo, é necessário identificar os ramos secundários a serem eliminados, bem como a época de sua eliminação. A eliminação desses ramos antes da emissão dos botões florais poderá acarretar perdas, decorrentes da eliminação errônea de ramos frutíferos que ainda não tenham emitido botões florais. Em geral, os botões florais aparecem depois da emissão do terceiro ou quarto par de folhas, ocasião teoricamente correta para que se proceda ao desbaste dos ramos secundários em excesso.
Isso deve ser realizado por ocasião do desbaste de ramos após a brotação oriunda da poda de frutificação.
Deve-se primar por um equilíbrio, pois a eliminação excessiva de ramos secundários poderá propiciar o crescimento, também excessivo, do ramo principal e, assim, aumentar a competição
por assimilados com os frutos em desenvolvimento. Por sua vez, se esse desbaste for realizado antes da brotação das gemas frutíferas, poderá implicar a redução da produção de frutos por planta, decorrente da inibição da brotação das gemas axilares
remanescentes no ramo principal.
A taxa de translocação de assimilados para a extremidade do ramo principal deve ser minimizada, eliminando-se apenas os ramos em excesso, bem como aqueles que possam causar atritos e ferimentos aos frutos.
• O encurtamento do ramo favorece o aparecimento de brotação lateral.
De acordo com Kavati (1997), o encurtamento e a eliminação da porção terminal do ramo devem ser feitos logo acima de uma gema voltada para fora da copa. Essa poda, em geral, diminui a dominância apical, em decorrência da redução do teor de auxina existente na planta. Isso aumenta a probabilidade de brotação das gemas no ramo que sofreu um encurtamento.
Na prática, a poda de frutificação da goiabeira está estreitamente ligada a esse princípio. As brotações emitidas logo após a poda de frutificação condicionam a redução da produção de auxina que se desenvolve nas suas extremidades, estimulando a brotação das demais gemas axilares. É importante que o encurtamento do ramo seja realizado de acordo com o seu vigor, lembrando
que ramos vigorosos costumam ser mais longos do que os finos.
A observação dessa prática é muito importante, pois os ramos vigorosos tendem a não frutificar quando podados curtos (Figura 3), enquanto os ramos mais finos, quando podados longos, tendem a produzir frutos dequalidade inferior.
Figura 3. Poda curta em ramo vigoroso.
A produtividade da planta podada é função da relação carbono/nitrogênio (C/N) que existe no ramo depois da poda. É sabido que, para se obter uma frutificação satisfatória, é necessário que a relação C/N seja alta. Entretanto, como o teor de carbono é mais elevado na extremidade do ramo quando comparado com o de nitrogênio que se concentra na base do ramo, o encurtamento do ramo em direção a sua base deve ser feito com bastante cuidado. Na prática, pode-se dizer que a relação C/N aumenta da base para a extremidade do ramo. No entanto, a influência da relação C/N, em geral, é mais pronunciada nos ramos mais vigorosos.
O desconhecimento da influência dessa relação, na poda de frutificação, pode levar à obtenção de produtividades insatisfatórias ou à produção de frutos sem valor comercial.
Em razão disso, recomenda-se poda longa para ramos grossos e poda curta para os finos. A observação desse princípio é essencial em plantas que são submetidas a períodos de repouso, uma vez que, nessas plantas, a influência da relação C/N é mais pronunciada do que naquelas em que a poda é feita continuamente. Kavati (1997) cita os seguintes tipos de poda:
Poda à coroa – encurtamento radical do ramo, que fica reduzido à coroa, que vem a ser a porção mais grossa do ramo, localizadana sua base.
Poda a esporão – encurtamento do ramo, a um comprimento aproximado de 4 cm a 6 cm, deixando apenas duas ou três gemas.
Poda em vara – encurtamento do ramo, ao comprimento de 10 cm a 20 cm, mantendo o maior número possível de gemas.
Para facilitar a poda e evitar erros que não podem ser corrigidos depois do corte dos ramos, o produtor deve executar essa operação com bastante cautela. Kavati (1997) sugere que, durante a poda de frutificação, seja estabelecida a seguinte sequência:
1. Iniciar a poda removendo os ramos quebrados, mortos e doentes.
2. Remover os ramos ladrões.
3. Remover os ramos que estão muito próximos e, assim, evitar atrito entre eles e com os próprios frutos após a frutificação.
4. Remover os ramos que se dirigem para o centro da copa ou que se cruzam no interior dela.
5. Remover os ramos direcionados ao solo, pois, em geral, são improdutivos.
6. Executar a poda de frutificação conforme os princípios fisiológicos descritos.
Raleio dos frutos e poda de limpeza
A goiaba destinada ao consumo in natura deve apresentar uniformidade, no que diz respeito ao tamanho, à coloração da casca, à firmeza, ao peso, etc. Por essa razão, é aconselhável realizar o raleio de frutos quando ocorrer frutificação excessiva. O número de frutos deixados por planta após o raleio influi diretamente no tamanho e no peso final deles. Outra medida importante, que também faz parte do raleio, é a eliminação dos frutos danificados fisicamente ou que apresentem sinais de ataque de pragas e doenças. Portanto, só devem permanecer na planta os frutos com boa aparência, sem defeitos, capazes de assegurar o padrão de qualidade requeridopelo mercado consumidor.
Por ocasião do plantio, recomendase dar preferência às variedades com boa produtividade e aceitação comercial, masque emitam botões florais isolados ao invés daquelas que produzem botões em cachos, mesmo considerando que nem sempre todos os botões produzirão frutos. Nas variedades que produzem botões florais em cacho, quando dois ou mais frutos vingam, aquele
originário do botão floral central quase sempre apresenta maior desenvolvimento, pois é o botão que surge primeiro. A ocorrência de abortamento de frutos laterais é muito comum em goiabeira, durante os primeiros estádios de desenvolvimento.
O estádio de maturação dos ramos aptos ao florescimento, a localização das gemas floríferas e a diferenciação entre frutos desenvolvidos de botões florais centrais e laterais são aspectos que devem ser conhecidos e observados nas operações de poda de frutificação e desbaste de frutos, em pomares comerciais. A observação desses aspectos certamente definirá o grau de sucesso dos cruzamentos orientados para o melhoramento genético e, sobretudo, para a obtenção de frutos que atendam ao padrão de qualidade exigido pelos mercados.
Depois da formação básica da copa, os ramos secos, os doentes e os entrelaçados e as brotações que se dirigem para o centro da copa devem ser eliminados, depois de cada ciclo de produção.
A consorciação da goiabeira com culturas de ciclo curto deve ser incentivada durante o período de formação do pomar, como medida para amortizar parte dos investimentos, ou mesmo para cobrir os custos durante o período em que as plantas estiverem sendo formadas.
A compatibilidade da consorciação da goiabeira com outras culturas está relacionada ao sistema de irrigação adotado.
Quando o sistema concebido for do tipo aspersão ou sulco, será possível a consorciação de uma
grande diversidade de culturas.
Porém, essesmétodos dificultam a utilização de práticas culturais que possam reduzir o custo de produção da goiabeira.
No caso do uso de sistemas de irrigação localizada, a consorciação só será viável se o plantio dessas culturas for realizado em linhas paralelas às do cultivo da goiabeira, e desde que a competição por água, nutrientes e energia solar seja mínima entre as culturas.
Entre as culturas que podem ser utilizadas em consórcio com a goiabeira, destacam-se: feijão, tomate para a indústria, cebola, melancia
e melão.
Entretanto, deve ser evitado o consórcio com culturas que sejam suscetíveis aos patógenos que atacam a goiabeira, principalmente ao nematoide M. mayaguensis, que, atualmente, é um dos principais problemas da cultura, não existindo aindamétodos eficientes para seu controle.
Em regiões de ocorrência desse patógeno, devese evitar, então, a consorciação com feijoeiro, tomateiro, melancieiro e meloeiro, por serem culturas suscetíveis ao nematoide.
A prática de intercalar culturas em pomares de goiabeira orientados para a exportação de frutas poderá ser adotada, embora apresente algumas restrições. A principal condição restritiva diz respeito ao método de irrigação empregado: a consorciação só é possível quando se adota a irrigação por aspersão, que é o sistema menos aconselhável para o cultivo da goiabeira cujos frutos se destinem à exportação. Restará, pois, a consorciação no período das chuvas, uma atividade pouco atraente, dada a irregularidade temporal e espacial das precipitações no Nordeste.
Entre as culturas que podem ser consorciadas com a goiabeira, desde que se use irrigação por aspersão, incluem-se o caupi, o milho, o tomate industrial e a melancia, entre outras.
É importante frisar, entretanto, que em virtude do alto padrão de qualidade exigido pelo mercado importador de frutas frescas, não se aconselha a prática da consorciação nos pomares destinados a produzir goiabas de exportação. Neste caso, os produtores deverão dedicar o máximo de atenção possível ao seu principal empreendimento, a fim de obter frutas dentro dos padrões internacionais exigidos, ou correrão o risco de não alcançar a capacidade necessária para competir em um mercado cada vez mais exigente, do qual são automaticamente excluídos os fruticultores que não apresentarem produtos com as devidas qualificações.
A consorciação poderá e deverá ser incentivada apenas na fase de formação do goiabal, até mesmo como um possível meio de amortizar parte do investimento financeiro realizado ou de agilizar o seu retorno.