sábado, 15 de agosto de 2015

COMPOSIÇÃO QUÍMICA DO ARAÇÁ



COMPOSIÇÃO QUÍMICA DO ARAÇÁ

RESUMO


O experimento foi conduzido em condições de campo, sendo os frutos colhidos em araçazeiros de seis anos, crescidos no pomar da EMBRAPA- Clima Temperado. O objetivo foi determinar a composição química, a eficiência de conversão da glicose em novos compostos e a estimativa da respiração de crescimento de araçá ao longo da ontogenia do fruto. Os teores de macronutrientes decresceram ao longo do desenvolvimento do fruto. Os conteúdos de amido, carboidratos solúveis totais, açúcares redutores, lipídeos e ácidos orgânicos aumentaram, enquanto os teores de proteína e os componentes da parede celular diminuíram com a idade do fruto de araçá, principalmente na fase de maturação. Os carboidratos foram os maiores componentes orgânicos, fazendo com que o custo da respiração do fruto fosse baixo. O araçá foi eficiente na conversão de glicose em outros compostos orgânicos. O coeficiente de respiração de crescimento decresceu com a idade do fruto. A taxa de respiração de crescimento incrementou até a metade do período de crescimento acelerado do fruto.
Termos para indexação: Araçá, coeficientes de respiração de crescimento e eficiência de conversão de açúcares. 


INTRODUÇÃO
Atualmente, na produção vegetal, deve ser considerada tanto a quantidade quanto a qualidade do alimento. O conhecimento da composição química dos alimentos é fundamental para a nutrição humana. O fruto de araçá possui alto teor de vitamina C, em geral 3 a 4 vezes maior do que os frutos cítricos (Raseira & Raseira, 1996). Por outro lado, a determinação dos componentes orgânicos e inorgânicos da biomassa de órgãos ou da planta inteira, ao longo do desenvolvimento, é de suma importância para o entendimento de processos metabólicos e nutricionais do próprio vegetal.
Os frutos de todas as cultivares de P. cattleyanum e P. guajava são climatéricos no seu comportamento respiratório (Akamine & Goo, 1979). Fisiologicamente, a respiração é o processo pelo qual compostos altamente energéticos (ATP) e redutores (NADH22) são utilizados essencialmente em síntese de novas substâncias. Desse modo, a respiração pode ser vista como acoplada à síntese de novos tecidos (respiração de crescimento) e à manutenção estrutural (respiração de Manutenção) por meio do "turnover" de ATP e NADH2, necessária para o crescimento vegetal.
A eficiência de conversão (YG) pode ser definida como a quantidade de constituintes químicos produzidos por unidade de substrato, podendo ser estimada a partir de dados sobre eficiência de crescimento, conteúdo bioquímico ou calor de combustão. Desse modo, quando não há custo para a respiração de crescimento, YG é máximo (YG = 1), quanto menor for YG mais alto é o custo da respiração de crescimento. O cálculo da massa do novo material que pode ser formado desde uma massa unitária de substrato com a utilização de oxigênio, minerais, produção de água e gás carbônico, foi denominado de "Bioquímica Quantitativa" por Penning de Vries et al. (1974).
Este trabalho teve como objetivo determinar a composição química, a eficiência de conversão da glicose em novos materiais e a estimativa da respiração acoplada ao crescimento do fruto de araçá ao longo de sua ontogenia. 

MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi conduzido em condições de campo, entre outubro de 1996 a março de 1997, sendo utilizadas plantas de Psidium cattleyanum Sabine, clone Amarelo Rio Grande, com seis anos de idade, crescida no pomar da EMBRAPA - Clima Temperado, localizado em Pelotas-RS. O clima da região é Cfa pela classificação de Köppen. A topografia do terreno é levemente ondulada, sendo o solo classificado como Podzólico Vermelho- Amarelo - distrófico textura argilosa, com baixa fertilidade. O solo recebeu três adubações: agosto/setembro: 100-120g de superfosfato triplo e 150-200g de sulfato de amônia ou nitrato de cálcio; novembro/dezembro: 100 - 150g de nitrato de cálcio e em março/abril: 100g de nitrato de cálcio ou sulfato de amônia por planta. As temperaturas máximas, mínimas e médias, a umidade relativa do ar, bem como a precipitação pluvial enquadraram-se dentro das normais da região. Não foi necessário suplementação de água por irrigação (Galho et al.,2000).
O delineamento experimental foi inteiramente ao acaso, sendo os tratamentos constituídos por nove coletas sucessivas de 40 frutos por araçazeiro, colhidos dez em cada quadrante (norte, sul, leste e oeste), em cinco árvores (repetições). As coletas foram realizadas a intervalos regulares de 14 dias, a partir de 10 dias após a antese (DAA), durante a ontogenia dos frutos (Galho et al.,2000).
A massa fresca dos frutos foi determinada gravimetricamente. Posteriormente, a massa seca foi obtida em estufa de ventilação forçada, à temperatura de 75 +/- 2 ºC, até massa constante. A massa seca dos frutos, em cada época de colheita, foi moída em moinho tipo Willey, com peneira de 20 mesh acondicionada em vidros para posterior análise.
As determinações químicas foram efetuadas em cinco amostras por araçazeiro , perfazendo 25 análises para cada coleta, totalizando 225 quantificações por substância nas nove coletas. Para a determinação do nitrogênio, amostras foram submetidas à digestão sulfúrica (Lindner, 1944) e dosado pelo método de Nessler (Umbreit et al., 1972), e para as de fósforo, potássio, cálcio e magnésio, as amostras foram submetidas à digestão nitroperclórica, de acordo com Johnson & Ulrich (1959) e Jorgensen (1977). O teor de fósforo foi determinado colorimetricamente pela redução do complexo fosfomolíbdico, conforme o método proposto por Braga & Defelipo (1974); o de potássio, por fotometria de emissão de chama, e os de cálcio e magnésio, por espectrofotometria de absorção atômica recomendada pela AOAC (1975).

Os carboidratos solúveis totais foram determinados em cinco amostras de 200 mg de frutos por repetição, pelo método da antrona (Clegg, 1956). Do resíduo dos centrifugados, após a extração dos açúcares, foi determinado o amido pelo método de McCready et al. (1950). Os lipídios foram determinados em amostras de 3,0 g de frutos, colocada em papel-filtro, embrulhada em forma de cartucho e extraída num Sohxlet, com éter de petróleo, por seis horas (Instituto Adolfo Lutz, 1985). A proteína bruta total foi calculada multiplicando o teor de nitrogênio total por 6,25. Os componentes da parede celular (celulose, hemicelulose, lignina e sílica mais cinzas) foram determinados pelo método de Van Söest (1963, 1965 e 1967). Enquanto a determinação dos ácidos orgânicos, expressos em porcentagem de ácido oxaloacético (AOA), foi realizada em amostras de 1,0 g de matéria seca dos frutos em 100 mL de água e, após agitação e repouso por duas horas, foram filtrados e efetuadas titulações sob agitação com solução de NaOH a 0,1 N, até pH 8,0. Os cálculos foram efetuados pela equação: AOA% = (Vb. N. 66. 0,1)/ Va, sendo Va e Vb os volumes da amostra e da base (mL), N a normalidade da base (ef. g. L-1), 66 o equivalente grama do AOA e 0,1 fator de conversão correspondente a: 100 x 1mL /1000 mL) (Pruthi, 1938).
Tomando por base a bioquímica quantitativa de Penning de Vries (1975a, b), Penning de Vries et al. (1974) e Penning de Vries & Van Laar (1982), foi estimada a quantidade, em gramas de glicose (Gs) necessária para a formação de um grama de material vegetal, com o emprego da equação:
Gs = (1,25 CH + 1,67 PR + 2,85 EE + 1,10 AO + 2,08 LG + 0,93 AN)
sendo CH os carboidratos, PR as proteínas, EE o extrato etéreo, AO os ácidos orgânicos, LG a lignina e AN os ácidos nucléicos. Para estes cálculos, as quantidades de todos os componentes da biomassa foram expressos em g g-1 de matéria seca.
A quantidade total de glicose (GST) por fruto foi obtida por: GST = Gs .Wf , sendo GS a quantidade total de glicose utilizada para a formação do fruto (g fruto-1) e Wf a matéria seca do fruto (g fruto-1).
A eficiência global de conversão do processo construtivo de respiração (YG) foi calculada por YG = GS-1 . O substrato respiratório de crescimento (SRG), em termos de glicose respirada (g de glicose g-1 MS), foi estimado pela fórmula:
SRG = (0,25 CH + 0,67 PR + 1,85 EE + 0,10 AO + 1,08 LG - 0,O7AN).
A taxa de substrato respiratório de crescimento (S’RG) foi obtida: S’RG = SRG dW / dt , multiplicando o substrato respiratório de crescimento (SRG) pela taxa de crescimento do fruto. O coeficiente de respiração de crescimento (GR), expresso pela quantidade CO2 liberado, foi calculado pela equação: GR = 264 SRG /180, pois 1 mol de glicose (180g) libera 6 moles de CO2 (264g).
A taxa de respiração de crescimento (TRG), expressa pela quantidade de CO2 liberado por fruto por dia, foi estimada por: TRG = GR dW / dt. 

RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os teores dos macronutrientes (cálcio, fósforo, potássio, magnésio e nitrogênio) dos frutos decresceram ao longo da ontogenia do fruto de araçá (Figura 1 – Ver figura em arquivos relacionados mais abaixo). Na fase inicial de crescimento do fruto, primeiros 38 DAA, ocorreu acúmulo maior de todos os elementos minerais determinados, seguido de uma queda nos teores durante a fase de crescimento acelerada do fruto (38 a 80 DAA); posteriormente, houve redução nos teores dos constituintes minerais na fase de maturação do fruto, em virtude, provavelmente, do efeito de diluição durante o ciclo de desenvolvimento do araçá. Dentre os macronutrientes, verificou-se maior teor do elemento nitrogênio, seguido de potássio, cálcio, magnésio e fósforo (Figura 1 – Ver figura em arquivos relacionados mais abaixo).
O teor de proteína decresceu com a idade do fruto (Tabela 1 – Ver tabela em arquivos relacionados mais abaixo), e esta tendência pode ser atribuída ao fato de que tecidos jovens, normalmente, possuem maiores proporções de protoplasma, em relação à matéria seca. O conteúdo protéico foi relativamente alto (93 mg g-1) na fase inicial do crescimento do fruto (primeiros 24 DAA), e após esse período houve diminuição nesse teor, permanecendo praticamente constante na fase de crescimento acelerado (38 aos 80 DAA), ocorrendo a seguir uma queda até a colheita final (39,8 mg g-1), fase de maturação do fruto. Enquanto o fruto de goiaba tem uma composição protéica média no fruto maduro de 1,06% (Wilson, 1980), variando numa faixa compreendida entre 0,8 a 1,5% de proteína crua (Rathore, 1976), foi encontrado no fruto de araçá 2,5 vezes mais de proteína crua.
O teor de lipídios do fruto de araçá é muito pequeno nos primeiros 80 DAA (Tabela 1 – Ver tabela em arquivos relacionados mais abaixo), fase inicial e fase acelerada do crescimento do fruto, aumentando expressivamente o acúmulo na fase de maturação (após 94 DAA). Os frutos de araçá na colheita final mostraram um conteúdo de gordura dentro da faixa de 0,4 a 0,7% apresentada por Rathore (1976) e semelhante a 0,36% para frutos de goiaba (WiIson, 1980).
O teor de amido em frutos de araçá aumentou levemente durante as fases inicial e de crescimento acelerado (de 10 aos 80 DAA), incrementando fortemente o acúmulo de amido na fase de maturação do fruto (de 94 aos 122 DAA) (Tabela 1 – Ver tabela em arquivos relacionados mais abaixo). Por outro lado, os teores de carboidratos solúveis totais em frutos de araçá (Tabela 1 – Ver tabela em arquivos relacionados mais abaixo) praticamente se mantiveram constantes na fase inicial de crescimento até os 52 DAA. Na fase de crescimento acelerado, o conteúdo de carboidratos solúveis totais aumentou em 2,26 vezes e duas vezes mais na fase de maturação do araçá. Da mesma forma, os teores de açúcares redutores em frutos de araçá (Tabela 1 – Ver tabela em arquivos relacionados mais abaixo) tiveram um comportamento semelhante aos dos carboidratos solúveis totais, aumentando paulatinamente até os 66 DAA e acelerando o acúmulo de açúcares redutores a partir de 80 DAA até a maturação final do fruto. Comparando os teores de açúcares redutores e carboidratos solúveis totais determinados em frutos de araçá com os encontrados em frutos de goiaba por WiIson (1980) e Paiva et al. (1997), constata-se que os araçás possuem menor teor de açúcares do que as goiabas.
Os componentes da parede celular ao longo da ontogenia do fruto de araçá são mostrados na Tabela 1 (Ver tabela em arquivos relacionados mais abaixo. O teor de celulose aumentou até os 52 DAA, mantendo-se constante de 52 a 80 DAA, reduzindo o seu conteúdo ao valor inicial e permanecendo constante durante a fase de maturação (de 94 a 122 DAA). A hemicelulose aumentou até os 24 DAA, mostrando uma queda gradativa até a fase final de maturação, sendo que o seu conteúdo foi reduzido à metade do valor inicial. O conteúdo de lignina caiu gradativamente da fase inicial de crescimento do fruto à colheita final, onde atingiu 25% do teor inicial. O teor de cinzas cresceu gradativamente até a fase final do crescimento acelerado, daí decrescendo e mantendo-se constante na fase de maturação do fruto (de 94 a 122 DAA).


O teor de ácidos orgânicos (AO) aumentou lentamente nas fases iniciais de crescimento do fruto de araçá, ficando praticamente constante até os 52 DAA. Posteriormente, houve aceleração no acúmulo de ácidos orgânicos, atingindo o máximo de 12,95 mg g-1 aos 94 DAA, fase de crescimento acelerado do fruto. Na fase de maturação do araçá, o conteúdo de ácidos orgânicos diminuiu até atingir o valor de 9,53 mg g-1 na colheita final (Tabelas 1 e 2 – Ver tabelas em arquivos relacionados mais abaixo). Comparando o teor de ácidos orgânicos determinados em frutos de araçá com acidez da goiaba, fruto caracterizado como moderadamente ácido (Czyhrinciw, 1969), denota-se que os frutos de Psidium cattleyanum clone Amarelo Rio Grande são mais ácidos do que os de várias cultivares de Psidium guajava (Wilson, 1980; Pinheiro et al., 1984; Nascimento et al., 1991; Paiva et al., 1997)
Os açúcares solúveis totais (AST) mantiveram-se praticamente constantes até os 52 DAA, incrementando acentuadamente o seu teor até a colheita final (Tabelas 1 e 2 – Ver tabelas em arquivos relacionados mais abaixo). A razão AST/AO (Tabela 2 – Ver tabela em arquivos relacionados mais abaixo) ficou em um nível praticamente sem oscilação até 66 DAA, metade da fase de crescimento acelerado, baixando o valor na fase subseqüente de crescimento acelerado do fruto (de 80 a 94 DAA), voltando a aumentar na fase de maturação. Em goiaba, a razão açúcares/ácidos orgânicos é de 10,1 (Wilson, 1980). A razão açúcares/ácidos orgânicos, em goiaba, varia de 4 a 25, e a relação Brix/ácido, de 5 a 53, sendo muito variáveis (Ogata et al., 1972). A razão AST/AO determinada na maturação do fruto de araçá foi de 9,09 (108 DAA) e 11,09 (122 DAA), sendo similar à encontrada em frutos de goiaba por Wilson (1980).
Em termos absolutos, a quantidade de glicose para a produção da biomassa total do fruto (GST) aumentou durante o ciclo de desenvolvimento do araçá (Tabela 3 – Ver tabela em arquivos relacionados mais abaixo). Enquanto a quantidade de glicose utilizada para formar um grama de novo material (GS) foi mais alta na fase inicial do crescimento do araçá, usando de 1,34 e 1,30 g glicose g-1 MS, alcançados aos 10 e 24 DAA, nessa fase, o fruto apresentou teor protéico maior, justificando um gasto mais elevado. Durante a fase de crescimento acelerado (de 38 a 80 DAA), GS foi praticamente constante, com valores em torno de 1,22 g glicose g-1 MS. Houve incremento em GS (1,32 g glicose g-1 MS) aos 94 DAA, devido ao aumento no teor protéico, provavelmente ocasionado pelo crescimento das sementes, voltando ao patamar de 1,21 g de glicose g-1 MS, na fase final de maturação do fruto. Como a composição química do fruto mostrou que o araçá contém grande quantidade de carboidratos em relação a outros materiais orgânicos, em média, foi necessário 1,25 g de glicose consumida por g de massa seca produzida ao longo do ciclo de desenvolvimento do araçá.
A eficiência global de conversão do processo construtivo de respiração (YG) mostrou que o araçá é um fruto eficiente na conversão de glicose em outros compostos orgânicos, pois, ao longo do seu desenvolvimento, teve um YG médio de 0,80 (Tabela 3 – Ver tabela em arquivos relacionados mais abaixo). Na fase inicial de crescimento, onde o fruto era mais rico em proteína, o custo de conversão foi mais elevado, ou seja, 0,75 a 0,76 g g-1 . Na fase acelerada de crescimento (de 38 a 80 DAA), YG foi constante com valor de 0,82 g g-1. A eficiência de conversão caiu para 0,76 g g-1 (94 DAA), possivelmente em virtude da elevação no teor protéico, voltando ao valor de 0,83 g g-1 nos estádios finais do crescimento do fruto.
O substrato respiratório de crescimento (SRG) foi de 0,36 g glicose g-1 MS na fase inicial do crescimento do fruto e manteve-se praticamente constante (0,28 g glicose g-1 MS) nos estádios subseqüentes de crescimento do fruto, com valor médio de 0,30 g glicose g-1 MS para todo o ciclo de desenvolvimento do araçá (Tabela 3 – Ver tabela em arquivos relacionados mais abaixo). No entanto, a taxa de substrato respiratório de crescimento dos frutos (S’RG) aumentou durante as fases iniciais do crescimento até aproximadamente a metade da fase de crescimento acelerado, atingindo o valor máximo de 183 mg glicose g-1 MS dia-1, aos 66 DAA, decaindo gradativamente até a maturação final.
O coeficiente de respiração de crescimento dos frutos (GR) foi alto inicialmente (0,53 g CO2 g-1 MS), dos 10 aos 24 DAA, decrescendo e tornando-se praticamente constante da fase de crescimento acelerado até a maturação final do fruto (Tabela 3 – Ver tabela em arquivos relacionados mais abaixo), com um GR médio de 0,44 g CO2 g-1 MS.
A taxa de respiração de crescimento dos frutos (TRG) foi estimada a partir da composição química do fruto ao longo do seu desenvolvimento (Figura 2 – Ver figura em arquivos relacionados mais abaixo). TRG aumentou da fase inicial de crescimento até a metade da fase de crescimento acelerado, alcançando o valor máximo de 256 mg CO2 fruto-1 dia-1 (75 DAA), decrescendo gradativamente até a completa maturação do fruto. A média de TRG foi de 194 mg CO2 fruto-1 dia-1 para o completo ciclo de desenvolvimento do araçá. 

CONCLUSÕES
1 - Os teores dos macronutrientes (cálcio, fósforo, potássio, magnésio e nitrogênio) dos frutos decrescem ao longo do desenvolvimento dos frutos de araçá, sendo o nitrogênio o de maior valor.
2 - O conteúdo protéico decresce ao longo da ontogenia do fruto de araçá, e o teor de lipídios aumenta na fase de maturação do fruto.
3 - Os conteúdos de amido, carboidratos solúveis totais, açúcares redutores, lipídeos e ácidos orgânicos aumentam, enquanto os teores de proteína e os componentes da parede celular diminuem ao longo da ontogenia do fruto de araçá, principalmente na fase de maturação.
4 - Os carboidratos são os maiores componentes orgânicos do araçá, fazendo com que o custo da respiração de crescimento dos frutos seja baixo. O fruto de araçá é eficiente na conversão de glicose em outros compostos orgânicos.
5 - O coeficiente de respiração de crescimento decresce com a idade do fruto de araçá. A taxa de respiração de crescimento incrementa até a metade do período de crescimento acelerado do fruto.


quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Achuá, Sacoglottis guyanensis Benth, Humiriaceae



AchuáSacoglottis guyanensis Benth, Humiriaceae
Sin. ou equiv.Uachuá, ichuá, paruru.


O achuá é uma fruta doce. Deve ser consumido quando estiver bem maduro. A população da região amazônica, além de comê-lo, utiliza-o como tinta para pintar artesanatos, preparando um corante de cor negra, brilhante, com sua casca.É encontrada com mais freqüência no baixo Amazonas e Tapajós e, em menor escala, no estuário dos rios até Goiás.



O fruto é uma drupa oblongo-elipsóidea com até 3 cm de comprimento, de cor amarelada. Árvore grande, com até 18 m ou mais, quando na mata, ou arbusto de porte médio, quando em áreas descampadas. Folhas mais ou menos elípticos-pecioladas, variando de 5 a 15 cm por 3 a 6 cm, com as margens ligeiramente serrado-crenadas, base aguda, obtusa até arredondada, e ápice acuminado; nervuras laterais pouco perceptíveis; inflorescências cimosas, dicotômicas, com flores pequenas, adensadas e de cor amarelo-esverdeadas. É encontrada com mais freqüência no baixo Amazonas e Tapajós e, em menor escala, no estuário dos rios até Goiás. O fruto, quando bem maduro, é bastante doce e agradável.

VÍDEO RELACIONADO


Cultura da Abutua, Cissampelos p., Menispermaceae




AbutuaCissampelos p., Menispermaceae,

Sin. ou equiv. Butua, parreira-brava, parreira-do-mato, uva-de-gentio.
O fruto é uma baga, arredondada, de cor vinho, tem polpa de sabor agradável. A planta é uma trepadeira, com folhas ovado-oblogas ou lanceoladas e flores actinomorfas, unissexuadas em inflorescencias racemiformes. Originada no Brasil, há outras espécies citadas com esse nome, a Orthomene schomburgkiiCocculus filipendula, da mesma família. Outras espécies da mesma família são chamadas de abutua ou abutua-grande. O fruto pode ser consumido ao natural ou usado para se fazer um ?vinho?, como medicinal ou corante.

NOMENCLATURA E SIGNIFICADO: ABUTUA vem do tupi guarani mais ainda não pude decifrar s eu significado. Também é conhecida como Pitomba de cipó, baga de caboclo, uva seca, cipó abuta  e Parreira brava.

ORIGEM: Aparece na Mata Atlântica sempre no interior de florestas preservadas ou mais raramente nas bordas de mata. Ocorre no Ceará, Bahia e de Minas Gerais até Santa Catarina; Brasil. 

Características: É uma liana, com ramos que enrolam e se entrelaçam em outras plantas, com ramos novos glabrescentes (desprovido de pelos), com tronco cilíndrico e com casca de coloração esverdeada. As folhas são simples, orbiculares (arredondadas), coriáceas (textura rija como couro) e facilmente identificadas por 3 nervuras na base da folha. O pecíolo (haste ou suporte)  mede 2 a 6 cm de comprimento e dilatado (mais grosso) nas extremidades. A lamina foliar mede 6 a 10 cm de comprimento por 4 a 8 cm de largura, a base é bastante variável, podendo ser cuneada (forma de cunha), arredondada ou truncada (cortada) e o ápice é obtuso ou curto acuminado (ponta curta). As flores nascem em racemos simples e terminais, medindo 4 a 17 cm, contento flores masculinas ou femininas em plantas separadas. As masculinas são formadas apenas de sépalas pardacentas curtas e estames (órgãos masculinos) com 1 mm de comprimento. As flores femininas são verdes amareladas com 3 sépalas e 3 pétalas ovais e estigma (órgão feminino) curvado para o exterior. Os frutos são drupas solitárias oblongas (mais longa que larga) de 2 a 3,9 cm de comprimento com casca firme e arilo esbranquiçado, ralo e doce de bom sabor.

Dicas para cultivo: Trepadeira de crescimento moderado que resiste a temperaturas mínimas de até -3 grau, sendo também são resistentes a secas de no máximo 2 meses. Vegeta bem em altitudes variando de 500 a 1.000 m acima do nível do mar. O solo deve ser profundo, úmido, acido, com constituição arenosa ou argilosa. É preciso plantas no mínimo 3 plantas pelo fato de não saber qual planta será masculina ou feminina e produtiva. As plantas iniciam a frutificação no 3ª ou 4ª ano após o plantio, dependendo das condições do solo.

Mudas: As sementes são grandes e longas, e parecem que foram dobradas ao meio como uma macinha. Após limpas e secas conservam o poder germinativo por 6 meses. Recomendo o plantio de sementes individuais em qualquer tipo de substrato rico em matéria orgânica, poroso, deixado em ambiente sombreado. A germinação ocorre em 60 a 140 dias e as mudas crescem lentamente, atingindo 40 cm em 12 meses após a germinação. É melhor plantar no local definitivo nos meses de outubro a dezembro.

Plantando: Pode ser plantada a pleno sol, bem como na sombra bosques com arvores grandes bem espaçadas, nesta situação demora um pouco mais para frutificar. Espaçamento entre plantas 4 x 4 m. Por ser planta trepadeira é preciso fazer parreira fincando 6 mourões, distanciados a 3 m entre si e 2 metros entre os pares, com altura de 1,60 para facilitar a colheita dos frutos. Sobre os mourões se deve fixar arames (ou caibros cruzados) formando uma malha da 40 cm entre arames para sustentar a planta. Convém abrir covas com 50 cm nas três dimensões preparando-as com uns 3 meses antes do plantio. Adicione a cova 400g de calcário e 1 kg de cinzas e 8 kg de matéria orgânica bem curtida. Irrigar a cada quinze dias nos primeiros 3 meses se faltar água.

Cultivando: Fazer apenas podas de formação e eliminar os brotos que nascerem na base do caule, manejando os ramos num tutor e continuar amarrando os ramos na parreira para não caírem. Depois de uns 8 anos quando a planta ficar grande, deve-se fazer uma poda mais drástica e eliminar o excesso de ramos formados. Adubar com composto orgânico, pode ser 4 kgcama de frango bem curtido + 30 gr de N-P-K 10-10-10 nos meses de novembro e dezembro, distribuído-os a 30 cm do caule. Manter cobertura morta por volta do pé para manter a umidade.

Usos: Frutifica nos meses de agosto a outubro. Os frutos são amarelos e pintadinhos de branco muito bonitos. Apesar de ter polpa mínima tem ótimo sabor que é bem melhor que pitomba. As raízes tem propriedades diuréticas, tônicas e febrífugas. As sementes de frutas verdes ou maduras com consumidos por diversas espécies de psitacídeos (dos periquitos).

Abrunho, Prunus spinosa L, Rosaceae



AbrunhoPrunus spinosa L, Rosaceae

Sin. ou equiv. Abrunheiro, ameixa-brava (Port), black-torn-sloe (Ing), mère-du-bois (Fr), vegro (It), schlehe (Al).
O fruto é uma drupa arredondada de cor azulado-escura, de polpa ácida a amarga e caroço grande. A planta é um arbusto com 2 m, de ramos tortos e divergentes, com espinhos e de casca lisa, pardo-escura. As folhas são simples, inteiras, lanceoladas, serrilhadas, com a face inferior pubescente. As flores são brancas ou rosadas, pentâmeras, isoladas ou em grupos de duas a seis. Originada na Europa, adapta-se aos climas tropical e subtropical. Os frutos são utilizados para se fazer um licor muito apreciado. Várias partes da planta são medicinais. Usada em carpintaria.

A primeira vez que vi esta fruta, foi como na foto ao lado, azulzinha, azulzinha. Foi a primeira vez na minha vida que vi uma fruta azul. Espetáculo para meus olhos!
Perguntei prontamente o nome da fruta: Abrunho. Segurei o riso, pois na hora lembrei de um cantor português chamado Pedro Abrunhosa e já comecei a formular mentalmente algumas piadas.
Comprei meio quilo da fruta, levei para casa, lavei-as cuidadosamente. A casca fininha mudava de cor conforme o dedo encostava e, o “pozinho” azul que era a casca, ficava cor de ameixa ou preta. Mordi a frutinha com uma mistura de medo e gula. Surpresa! Por dentro ela era verde. Senti um azedinho que logo foi apagado pela doçura. É isso mesmo! Numa mordida senti um sabor que mudou do azedo ao doce como em passe de mágica, ressecando a boca e mantendo a mistura do doce e azedo. Que ameixa boa, pensei.
Mas sabe como é, caipira se deslumbra fácil. A fruta ainda estava um pouco verde! Passados uns dias tive a oportunidade de terminar meu meio quilo de abrunhos, comendo-os maduros – mas continuavam verdes por dentro pois a polpa é verde mesmo.
Depois da descoberta da fruta azul, fui conferenciar com meu pai. Como ele nunca tinha me contado que na terra dele existia uma fruta azul? E papai nem sabia do que eu estava falando…
Abrunhos maduros
Abrunhos maduros
O abrunho (endrina em espanhol) é uma fruta pequena, de casca fina e algo resistente, coberta por uma espécie de pó azulado, e formato ovalado. Tem a polpa verde e muito doce quando maduro, mas com um toque azedo como as frutas cítricas. O tamanho do fruto pode variar um pouco, dependendo do solo onde cresce a planta. Solos mais ricos dão frutos maiores e mais doces, solos mais pobres dão frutos menores e mais ácidos. O Abrunheiro (Prunus spinosa) é um arbusto que pode chegar a 4 metros de altura. É uma espécie silvestre e pode ser encontrada em toda a Europa, Ásia e norte da África.
É rico em vitamina C, e tem baixas calorias. Funciona como um excelente laxante natural, seja consumindo as frutas, seja fazendo uma infusão com as flores secas.
Da mesma família das ameixas e dos pêssegos, pode ser usado na culinária em qualquer preparado onde usaríamos ameixas, como em geléias e sucos por exemplo – desde que bem maduro.
Na Espanha, em Navarra, é feito desde o século XIX, em escala comercial, um licor chamado Pacharán, que acabou por tornar-se um licor tradicional na região. Os registros mais antigos do consumo deste licor, no entanto, remontam à Idade Média. O nome é uma versão acastelhanada da palavra basca Patxaran que, por sua vez, deriva da palavra basaran, nome que é dado à fruta neste idioma. Mas os abrunhos utilizados para a preparação do licor são os mais ácidos, pois é a acidez da fruta que dá o sabor especial a este licor. Se são muito doces, são ótimos para o consumo, mas não para a fabricação do Pacharán.
Este ano, lá por setembro/outubro, vou à caça dos abrunhos, dos graúdos e adociados para comer, pois ano passado não os encontrei. É, digamos, fruta um pouco desprezada, de menor importância, se comparada com os demais tipos de ameixas. Uma pena! Acontece que, por ser silvestre, o homem não controla sua produção. Só dá em um curto período durante o ano – e normalmente no mato. Preciso ir mais ao campo!
Quero fazer o Pacharán, por isto vou ver se tenho sorte de também encontrar os pequeninos e ácidos. Já até guardei uma receitinha. Mas se não tiver a sorte de achar esta jóia azulada, faço com ameixas mesmo. Também tem o vinagre de abrunhos, que apesar de nunca ter provado, pelo sabor da fruta, creio que seria uma excelente opção para temperar saladas.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Noções sobre o uso de Agrotóxicos



Noções sobre o uso de agrotóxicos


Os agrotóxicos, produtos e agentes químicos ou biológicos, cuja finalidade é a de preservar, a flora e a fauna, da ação danosa de outros seres vivos considerados nocivos, são distribuídos em grupos de produtos classificados como inseticidas (controlam as pragas), fungicidas (agem sobre os fungos), herbicidas (combatem as plantas invasoras), bactericidas (controlam as bactérias), acaricidas (eliminam os ácaros), nematicidas (agem sobre os nematóides do solo), moluscidas (combatem as lesmas) e raticidas (agem sobre os ratos).
O uso de agrotóxicos tem sido questionado pelos ambientalistas, ecologistas e biólogos, pois são produtos químicos que, quando aplicados de forma indiscriminada e inadequada, causam problemas à flora, à fauna e ao próprio homem.
O uso de agrotóxicos nos cultivos de açaizeiro ainda são limitados, pois se restringem a poucas ações no controle de pragas, em sementeiras, viveiros e no campo. O uso de fungicidas praticamente inexiste, pois o "anel-vermelho", até então referido em alguns trabalhos entomológicos, associados às ações provocadas pela broca-do-coqueiro, vetor do nematóide causador dessa doença, não atingiram ainda estágios de comprometimento econômico à produção de frutos.

Escolha do agrotóxico

Para que sejam obtidos resultados eficientes, no controle desses seres nocivos dentro da atividade agrícola, são observados, como princípios básicos, se a incidência de doença, praga ou concorrência de plantas invasoras justifica o controle, e se o uso de agrotóxico provoca desequilíbrio à cultura e ao meio ambiente.
É importante avaliar, quando da decisão do combate à nocividade, se o agrotóxico é recomendado para o controle desejado, tendo sempre em mente a preocupação de escolher produtos menos tóxicos. Quando houver a necessidade do uso de dois produtos é prudente verificar se não há incompatibilidade e não deve ser esquecido o respeito ao intervalo mínimo entre a aplicação e a colheita.

Cuidados especiais no uso e manuseio de agrotóxicos

O uso de agrotóxicos exige de seus manuseadores o conhecimento básico sobre o modo de ação, as doses recomendadas, a hora e a época de aplicações, a formulação do produto (pó-molhável, concentrado emulsionável, pó seco), a classe toxicológica e sobre os cuidados durante e após as aplicações no controle de doenças, pragas e plantas invasoras nas culturas de importância socioeconômica, assim como na manipulação das embalagens após o esvaziamento das mesmas.
Os agrotóxicos, comercializados em embalagens do tipo pacote, caixa, lata e vidro, são dotados de rótulos, que devem ser sempre preservados, contendo informações importantes sobre o produto, como: as culturas beneficiadas com a sua aplicação; as doenças, pragas ou plantas invasoras que podem ser tratadas; a melhor época para controlar as doenças, pragas e plantas invasoras; a dosagem recomendada; o intervalo entre as aplicações; a carência ou intervalo entre a última aplicação e a colheita, para que o agrotóxico não contamine os alimentos; a compatibilidade, quando da possibilidade e necessidade de se aplicar mais de um produto ao mesmo tempo; os cuidados a serem tomados pelo aplicador, para não se contaminar; e sobre a formulação do produto e a indicação do princípio ativo.
Nas propriedades, os agrotóxicos devem ser armazenados ou guardados longe do alcance de crianças e de animais, e evitados os lugares úmidos, a céu aberto e próximo das habitações. As embalagens devem ser mantidas sempre fechadas e os produtos conservados na embalagem original.
Quando do manuseio, após a abertura das embalagens, o produtos não deve ser tocado sem a observação dos cuidados necessários, como os usos de equipamentos de proteção individual (EPI), tais como luvas, óculos e máscara para evitar o contato e a inspiração do produto.
As embalagens devem ser recolhidas e encaminhadas para terem o destino final, de acordo com a legislação regulamentada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Na impossibilidade de cumprimentos das normas de proteção, devem ser inutilizadas e enterradas em locais adequados, mas sempre longe de rios, fontes e igarapés; e, nos casos de embalagens abertas ou rasgadas, as mesmas devem ser mantidas em sacos de plástico.
Os agrotóxicos são poderosos contaminantes que necessitam, quando usados, de cuidados que minimizem ou neutralizem os seus efeitos prejudiciais ao homem, animais, alimentos e ao ambiente. As ações que devem ser postas em prática, com vistas à redução do perigo da contaminação, estão relacionadas com o uso e lavagens dos pulverizadores, as aplicações do produto, os cuidados com o aplicador e o destino final dos resíduos e embalagens.
Esses temas são regulamentados por leis específicas e detalhados quanto aos seus usos e aplicações, como a Lei n° 7.802, de 11 de julho de 1989, que dispõe sobre a pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a propaganda comercial, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e afins, e dá outras providências. Parte dessa lei, foi regulamenta pelo Decreto nº 3.179, de 21.09.1999, que dispõe sobre a especificação das sanções aplicáveis às condutas e atividades lesivas ao meio ambiente e alterada pela Lei 9.974, de 06 de junho de 2000, que trata especificamente sobre o destino das embalagens vazias.

Técnica de aplicação

Os defensivos químicos são os meios mais perigosos, porém eficazes, que o agricultor dispõe para o controle de doenças, pragas e plantas invasoras, que comprometem a rentabilidade de suas lavouras. No entanto, por causa dos seus usos indiscriminados e inadequados, vêm causando danos ao ambiente e ao próprio homem, mesmo quando são necessários poucos gramas de ingrediente ativo por hectare para controlar as doenças, pragas e plantas invasoras.

Formulação e modo de aplicação

Os defensivos são comercializados nas formulações sólidas (pó e granulado); líquidas (pó-molhável ou emulsionável), e gasosas, sendo estas últimas de uso bastante restrito.
As formulações na forma de pó seco contêm 0,5% a 10% de ingrediente ativo e a aplicação é feita com polvilhadora ou polvilhadeira. Essas formulações têm baixas concentrações, por isso o custo da aplicação, por unidade de área, é maior. As desvantagens da aplicação de pó estão relacionadas ao fato das partículas serem levadas pelo vento a longas distâncias, a baixa aderência das mesmas, o que facilita a lavagem pela chuva, e ao alto risco de inalação das partículas pelos aplicadores.
As formulações granulares são aplicadas a lanço e oferecem maior segurança aos aplicadores. Os grânulos também contêm baixa concentração de ingrediente ativo sendo, portanto, de custo mais alto como ocorre com os pós-secos. O maior problema com o uso de granulados é o fato de terem ação sistêmica, por isso vêm sendo desenvolvidos produtos microencapsulados, de liberação lenta, que reduz mais os riscos de contaminação do aplicador.
As formulações líquida, pó-molhável ou concentrado emulsionável, são aplicadas em pulverizadores, constituídos de bomba de pressão e de bico. O bico é a parte mais importante do pulverizador, pois são usados diferentes tipos para que sejam conseguidos espectros de gotas desejados e mais eficientes. Os bicos são usados para fracionar o líquido em gotas e, além do tipo universal, são classificados de acordo com a energia utilizada em:
- Bicos de impacto, leque ou cone (energia hidráulica): são de baixa pressão e gotas grandes, usados na aplicação de herbicidas;
- Pneumático e vertical (energia gasosa): usados para as aplicações em folhagem de arbustos e árvores, e espacial de aerossóis;
- Disco rotativo e gaiolas (energia centrífuga): usados para aplicação de herbicidas em volumes pequenos com gotas de tamanho quase uniformes;
- Vibratório (energias cinética e térmica): empregados para produzir grandes gotas (herbicidas) e neblina ou fumaça, uso em recinto fechado ou floresta, respectivamente;
- Eletrohidrodinâmico (energia elétrica): utilizados na aplicação de produtos oleosos e volumes reduzidos (0,5 a 1,5 L/hectare).
As dosagens dos agrotóxicos usados nas lavouras podem ser expressas em quantidades do produto por unidade de área (hectare ou alqueire) ou pela quantidade do produto por 100 litros de água (180 g/100 L; 210 mL/100 L; 320 cc/100 L).
De acordo com os volumes de agrotóxicos aplicados nas lavouras, quando também é levado em consideração o porte das culturas, existem pelo menos 5 tipos de aplicações de defensivos, a saber: alto volume, normalmente são aplicados de 600 a 1.000 L/hectare; médio volume, de 200/600 a 600/1.000 L/hectare; baixo volume, de 50/200 a 200/500 L/hectare; muito baixo volume 5/50 a 50/ 200 L/hectare; e ultrabaixo volume de 5 L/hectare, para plantas rasteiras e árvores/arbustos, respectivamente.
O tamanho das gotas, que têm grande importância na eficiência da aplicação de diferentes defensivos, com o mínimo de contaminação ambiental, foi definido ou classificado pela Organização Mundial de Saúde (1976) em:
- Aerossol: distribui gotas com diâmetro médio do volume inferior a 50 micrômetros (1 micrômetro = 0,001 milímetro);
- Nebulização: distribui gotas com diâmetro médio do volume inferior a 50 micrômetros; pulverização fina, distribui gotas com diâmetro médio do volume entre 50 e 100 micrômetros; e
- Pulverização grossa: distribui gotas com diâmetro médio do volume superior 400 micrômetros.
O preparo da calda é uma operação que oferece perigo ao aplicador e ao ambiente, pois o defensivo químico está concentrado. A preparação da calda não deve ser feita às proximidades de poços, rios e igarapés, pois no caso de ocorrer vazamentos e respingos resultará em contaminação, principalmente, daqueles que usarão a água para consumo e sobrevivência.
Os principais cuidados no preparo da calda são: o pó não deve ser colocado diretamente no tanque do pulverizador, antes há a necessidade de misturá-lo com um pouco de água, em balde ou outro tipo de vasilha, para a obtenção de uma mistura mais homogênea, assim é evitada a deposição do produto no fundo do tanque do pulverizador, que pode provocar entupimento de bicos e provocar desgastes no equipamento; o defensivo não deve ser colocado no pulverizador vazio, abastecer antes com certa quantidade de água, que não afete a concentração da calda de aplicação; usar água limpa no preparo da calda, com isso não haverá o entupimento e menor será o desgaste do equipamento; adicionar o espalhante-adesivo, após o preparo da calda, para evitar a formação de espuma; e aplicar a mistura no mesmo dia em que foi preparada.
Antecedendo à aplicação do agrotóxico, o equipamento de distribuição, pulverizador costal (manual e motorizado), pulverizador de barra ou atomizador, deve ser regulado, de modo a garantir a vazão correta da calda e o volume a ser aplicado na área, planta, etc. considerada na operação.
É importante observar que, quando das aplicações de agrotóxicos, é comum o desgaste dos bicos após algumas horas de trabalho, assim precisam ser substituídos para não haver prejuízos à pulverização.

obs:apesar de ser totalmente contra o uso de agrotóxicos, devo salientar necessário, orientar o seu uso de maneira correta, e o resto é o livre arbítrio.
equipe frutas Brasil (todos os direitos reservados)




Metodos alternativos para controle de pragas e doenças das plantas.



Controle Agroecológico de Pragas e Doenças
Manejo Integrado de Pragas (MIP) 
e os Métodos Agroecológicos



O que é melhor curar? A febre ou a doença que a provoca? Responder a essa pergunta significa optar pelo tratamento do efeito (a febre) ou da causa (doença) de um determinado problema. Assim como no corpo humano habita uma série de microorganismos que coexistem pacificamente conosco, na lavoura esses organismos também se encontram no solo, nas plantas e nos organismos dos animais. Só quando o corpo e a agricultura se tornam fracos e desequilibrados em seu metabolismo, é que esses organismos oportunistas atacam, tornando-se um problema. Isso significa que a origem do problema não é a existência desses organismos, mas o desequilíbrio presente ou no corpo humano ou no ambiente agrícola.

Na agricultura convencional, as práticas de campo se direcionam para o efeito do desequilíbrio ecológico existente. Este desequilíbrio gera a reprodução exagerada de insetos, fungos, ácaros e bactérias, que acabam se tornando "pragas e doenças" das lavouras e das criações de animais. Aplicam-se agrotóxicos nas culturas, injetam-se antibióticos e outros remédios nos animais buscando exterminar esses organismos. Contudo, o desequilíbrio quer seja no metabolismo de plantas e animais, quer seja na constituição físico-química e biológica do solo permanece. E permanecendo a causa, os efeitos (pragas e doenças) cedo ou tarde reaparecerão, exigindo maiores frequências de aplicação ou maiores doses de agrotóxicos num verdadeiro "círculo vicioso".

Na agricultura orgânica, por sua vez, trabalha-se no sentido de estabelecer o equilíbrio ecológico em todo o sistema. Parte-se da melhoria das condições do solo, que é a base da boa nutrição das plantas que, bem nutridas, não adoecerão com facilidade, podendo resistir melhor a algum ataque eventual de um organismo prejudicial. Cabe destacar o termo "eventual" porque num sistema equilibrado, não é comum a reprodução exagerada de organismos prejudiciais, visto que existem no ambiente inimigos naturais, que naturalmente irão controlar a população de pragas e doenças. 

Desta forma, partindo da prevenção e do ataque às causas geradoras de desequilíbrio metabólico em plantas e animais, os métodos agroecológicos de manejo de tais organismos se tornam bem sucedidos à medida em que encaram uma propriedade do mesmo modo que um médico deveria olhar para uma pessoa: como um "organismo", uma individualidade única e repleta de interações dinâmicas e em constante mudança.

Diferença entre o Manejo Integrado de Pragas (MIP) e os Métodos Agroecológicos


O Manejo Integrado de Pragas (conhecido como MIP), constitui um plano de medidas voltadas para diminuir o uso de agrotóxicos na produção convencional, buscando otimizar o uso desses produtos no sistema. O princípio da agricultura convencional de atacar apenas os efeitos, permanece à medida em que todas as práticas se voltam para o controle de pragas e doenças e não para o equilíbrio ecológico do sistema. Contudo, existe uma preocupação em se utilizar agrotóxicos apenas quando a população desses organismos atingir um nível de dano econômico (em que as perdas de produção gerem prejuízos econômicos significativos), diminuindo a contaminação do ambiente com tais produtos.
Já os métodos agroecológicos buscam aplicar o princípio da prevenção, fortalecendo o solo e as plantas através da promoção do equilíbrio ecológico em todo o ambiente.Seguindo essa lógica, o controle agroecológico de insetos, fungos, ácaros, bactérias e viroses é realizado com medidas preventivas tais como:


Plantio em épocas corretas e com variedades adaptadas ao clima e ao solo da região.


Consorciação de culturas


Fazer uso da adubação orgânica.


Rotação de culturas e adubação verde.


Cobertura morta e plantio direto.


Plantio de variedades e espécies resistentes às pragas e doenças.


Consorciação de culturas e manejo seletivo do mato.


Evitar erosão do solo.


Fazer uso de adubos minerais pouco solúveis admitidos pela Instrução Normativa.


Uso de plantas que atuem como "quebra ventos" ou como "faixas protetoras".


Nutrição equilibrada das plantas com macronutrientes e micronutrientes.


Conservação dos fragmentos florestais existentes na região.

Entretanto, cabe ressaltar que algumas das estratégias usadas no Manejo Integrado de Pragas, que visa a diminuição do uso de agrotóxicos nas lavouras, podem ser adotadas pelos produtores orgânicos. Vejamos, a seguir, tais estratégias com mais detalhes:

Estratégias para o Manejo Agroecológico de Pragas e Doenças


1 - Reconhecimento das pragas-chave da cultura: 

Consiste em identificar qual o organismo que causa maior dano à cultura. Por exemplo, no caso do algodão, o bicudo constitui o inseto mais importante no elenco de organismos que prejudicam a cultura. Na cultura da banana os principais organismos são fungos, responsáveis pelo "Mal de Sigatoka" e pelo "Mal do Panamá" 

Conhecer a praga-chave de cada cultura ajudará o agricultor a adotar práticas que incentivem a reprodução de seus principais inimigos naturais, ou que criem condições ambientais desfavoráveis à multiplicação do organismo indesejável




2 - Reconhecimento dos inimigos naturais da cultura:  

Diversos insetos, fungos e bactérias podem atuar beneficamente como agentes de controle biológico das principais pragas e doenças e, o que é melhor, de forma gratuita na medida em que ocorrem naturalmente no ambiente. Conhecer as principais espécies e favorecê-las através de diversas práticas (manejo do mato nativo, adubação orgânica, preservação de fragmentos florestais, entre outros), é uma estratégia fundamental para o sucesso do controle de pragas e doenças na agricultura agroecológica.



3 - Amostragem da população dos organismos prejudiciais: 

Monitorar a presença das pragas através da contagem de ovos, largas e organismos adultos (no caso de insetos), ou da vistoria das plantas (% de dano em caso de doenças fúngicas ou bacterianas), é uma atividade obrigatória para que o produtor saiba quando agir e o faça de modo a promover o equilíbrio ecológico de todo o sistema de produção.



4 - Escolher e utilizar as táticas de controle:  

Mesmo promovendo o equilíbrio do sistema, a persistência de determinadas pragas e doenças no ambiente é comum e nem sempre basta a adoção apenas de medidas preventivas. A traça do tomateiro (Tuta absoluta ), a requeima da batata (Phytophora infestans) são exemplos desse caso.Assim, quando existem ameaças destes organismos promoverem um dano econômico às culturas agroecológicas, será necessário ao agricultor adotar práticas "curativas". Tais práticas atuam como "remédios" para as plantas, como o uso das caldas bordalesa ou sulfocálcica, por exemplo.



FRUTICULTURA AGROECOLÓGICA



A fruticultura é uma das atividades mais importantes do setor primário, em praticamente todo mundo. A relevância do setor frutícola em cada região é variável, mas pode-se afirmar que a potencialidade para uma ou mais espécies frutíferas ocorre em cada região (SOUZA, 2006). No Brasil, mais especificamente, há condições adequadas para cultivo de grande número de espécies, desde plantas frutíferas de clima tropical muitas das quais tem seu centro de origem no próprio Brasil (AQUINO e ASSIS, 2005). Na verdade, a fruticultura é uma das grandes geradoras de recursos, pois as frutas possuem alto valor agregado, ou seja, possuem alto valor por unidade colhida, permitindo a obtenção de receita elevada em uma pequena área. O presente trabalho diz respeito à importância de trabalhar com algumas principais fruteiras da região, e mostrar algumas maneiras adequadas, com base nos conhecimento dos autores de se conduzir um pomar.
Melhor dizendo, esta foi mais uma prática profissional, que se realizou no próprio IFRN campus de Ipanguaçu. Com intuito de mostrar várias informações técnicas da Agroecologia, destacando que a fruticultura tem o papel de produzir alimentos de alto valor nutritivo que devem fazer parte da refeição diária do brasileiro, além de preservar o meio ambiente. A fruticultura agroecológica para o pequeno agricultor é de fundamental importância, ter sua produção com um custo bem menor e uma boa produção orgânica, que levam a todos nós a uma vida mais saudável, livre dos agrotóxicos. Para fazer agricultura orgânica, é preciso antes de tudo ter uma visão do conjunto da natureza de um lugar, com todas as suas dependências, relações e interligações, e não usar receitas prontas ou insumos externos, mas utilizar somente os conceitos e princípios da agroecologia (PENTEADO, 2003). Todos esses processos e técnicas são necessários para melhorar a forma de plantio, onde muitas vezes o produtor não tem esse conhecimento, é importante para a fruticultura orgânica, o manejo adequado e as condições adequadas.

UM EXEMPLO



Leite de vaca cru controla  

doença da abobrinha

Plantação de abobrinhas

O Oídio da abobrinha, causado pelo fungo Sphaerotheca fuliginea, é uma das principais doenças da cultura e de outras cucurbitáceas (pepino e outras variedades de abóbora), sobretudo em cultivo protegido (estufas). A doença ataca toda a parte aérea da planta (folhas, ramos, caules, flores), fazendo com que esta perca o vigor e tenha sua produção prejudicada. 

O método de controle mais utilizado nos sistemas convencionais de cultivo é o emprego de fungicidas. Contudo, seu uso contínuo resulta não apenas em riscos de contaminação ambiental como na seleção de populações do fungo resistentes aos produtos. Aliado a esses fatos, existe um mercado crescente para alimentos produzidos sem a utilização de agrotóxicos, sendo o de produtos orgânicos, o mais conhecido.
Como no sistema de produção orgânico não se permite o uso de fungicidas, esse grupo de agricultores dispõe de poucas alternativas para o controle do Oídio da abobrinha, fato que começa a mudar com a descoberta do leite cru como produto promissor para esse fim.
De acordo com o pesquisador Wagner Bettiol, da Embrapa Meio Ambiente, possivelmente o leite apresenta mecanismos variados de ação no controle do Oídio da abobrinha, que são:
  • O leite pode ter ação direta sobre o fungo devido à sua propriedade germicida.
  • O leite contém vários sais e aminoácidos na sua composição, sendo que essas substâncias são conhecidas por induzirem resistência nas plantas.
O leite modifica as características da superfície da folha, como pH, nutrientes, gorduras entre outras e com isso não permite a instalação do patógeno

A técnica foi desenvolvida pensando em ser uma alternativa para a agricultura orgânica. Entretanto, devido ao baixo custo e à facilidade de obtenção do produto, vem sendo adotada por diversos produtores, sejam eles orgânicos ou convencionais.
Esses produtores estão utilizando o leite de vaca cru na concentração de 5%, isto é , 5 litros de leite para 95 litros de água, uma vez na semana e quando a infestação está muito alta utilizam a 10%, para o controle do Oídio da abobrinha e do pepino.
Atualmente, além da explicação do mecanismo de ação envolvido no controle do Oídio com o leite da vaca cru, estão sendo realizados estudos para verificar se o leite controla o Oídio de outras culturas, como as do quiabo, do pimentão, da roseira e do feijoeiro, mas sempre pensando na utilização dessas técnicas para a agricultura orgânica.



sábado, 8 de agosto de 2015

Cultura da Amendoeira


A Amêndoa
Se existem árvores que a nossa memória associa de imediato ao Algarve, a amendoeira é efectivamente uma delas.
A sua floração em pleno mês de Janeiro, no rigor do Inverno, as manchas brancas e rosadas que põe na paisagem têm sido motivo de inspiração dos nossos artistas. Prosadores, poetas e pintores de dedicaram obras sem conta ao casamento do Algarve com a Amendoeira. Lendas antigas, sonetos e quadras simples, telas e fotografias, licores e doçaria, documentam a ligação.
A Amendoeira, sendo uma espécie originária das zonas áridas e montanhosas da Ásia Central, expandiu-se na mais remota Antiguidade por toda a Bacia Mediterrânica. A Bíblia refere-se a ela e as suas flores serviram de ornamento à Arca da Aliança.
No Algarve a Amendoeira encontrou condições edafo-climáticas propícias ao seu desenvolvimento, encontrando-se principalmente no barrocal, consociada com outras culturas, muito especialmente a alfarrobeira, a figueira e a oliveira, compondo com estas o pomar tradicional de sequeiro da região. São múltiplas as variedades cultivadas, desde a amêndoa amarga a várias amêndoas doces, com diferentes graus de dureza de casca.
A nossa amêndoa, tal como acontece com outros frutos aqui produzidos tem um sabor muito especial, que levou desde sempre a que fosse a preferida dos mercados nacional e estrangeiro. A Lei Nº 1704, de 19/12/1924, reconheceu e consagrou tal facto, criando a designação legal “ Amêndoa do Algarve”visando proteger a produção algarvia.
A amendoeira chegou na primeira metade do Sec.XX a ocupar na região o 1º lugar na arboricultura e o seu produto, o 1º lugar entre as nossas produções agrícolas.
Os principais mercados importadores de miolo eram a Inglaterra, que absorvia quase metade da produção do Algarve, mas também a Bélgica, a França e a Holanda.
A exportação fazia-se em golpelhas de palma, sacos e caixas.
A produção algarvia de amêndoa em 1935 computava-se em 10 mil tons. e o rendimento da exportação em 20 milhões de escudos.
Com a expansão dos regadios, da citricultura e da horticultura e o desenvolvimento económico do litoral ligado ao sector do turismo, a redução da área da cultura da amendoeira é um facto, avaliando-se as produções actuais em cerca de 3 mil tons.
A gastronomia e muito especialmente a doçaria continuam, porém a demonstrar a sua preferência pela Amêndoa do Algarve.
O peso e o valor dessa tradição, que se mantém viva e deve ser divulgada justificam plenamente a escolha da amêndoa como tema do Capítulo Extraordinário de Faro/Estoi da nossa Confraria.




Amêndoas verdes

A amendoeira, Prunus dulcis (antes classificada como Prunus amygdalus, ou Amygdalus communis) é uma árvore de folha caduca da família Rosaceae. A semente do seu fruto é geralmente considerada como um fruto seco: a amêndoa. Tal como o pessegueiro, pertence ao subgénero Amygdalus.
Em Portugal, é frequente na região do Douro e no Algarve.
° A amendoeira assemelha-se ao pessegueiro, embora o seu porte o supere, e o tronco seja mais grosso. As flores são róseas e o fruto é alongado, de casca dura e cor bege. A amêndoa propriamente dita constitui-se na semente, contem uma película interna marron, e a polpa é amarelada.
° A amêndoa é rica em gorduras, Fósforo, Ferro, Cálcio e vitaminas do Complexo B.
° É originária das regiões quentes e áridas do oeste da Ásia.
Alguns autores consideram o norte da África como o local de onde provem a amendoeira, mas outros acreditam que ela tenha sido levada para lá ainda na pré-história.
° Existem dois tipos de amêndoa, a doce e a amarga, sendo que apenas a doce é indicada como alimento, pois a amarga contem ácido cianídrico, substância que pode causar intoxicações.
A cultura da amendoeira é muito importante em portugal, principalmente na região do Algarve e tambem na Espanha, entretanto aqui no brasil sua cultura é pouco difundida, apesar de termos condições climaticas e solos adequados, espera-se quê orgãos de pesquisa, intensifiquem seus trabalhos no sentido de obterem tecnólogias adequadas às nossas condições.( carlos pena)

Se plantar amendoeiras vai perceber que é uma árvore pequena e compacta que pode atingir entre 5 a 10 metros de altura. São árvores da mesma família que os pessegueiros e as amêndoas desenvolvem-se dentro de pequenos frutos, como se fossem um caroço de um pêssego.
Se quiser plantar amendoeiras que lhe produzam amêndoas comestíveis, tem que plantar amêndoa doce e não amêndoa amarga. Correspondem a dois tipos de amendoeira. As amêndoas amargas contém cianeto (!), pelo que o seu consumo não é possível. Pode plantar amendoeiras de outras variedades que produzem flores, mas que não produzem o fruto (amêndoa). Estas são consideradas árvores ornamentais. Convém perceber bem que tipo de semente ou árvores está a comprar quando se deslocar ao viveiro.

origem da amêndoa

As amêndoas são nativas do Médio Oriente e não crescem em climas frios. Nos Estados Unidos, existem vários produtores de amêndoa mas essencialmente na Califórnia e não em muitas mais regiões.

passos para o cultivo

Para plantar amendoeiras, comece por adquirir as árvores num viveiro de sua confiança e escolher um local de plantação com elevada exposição solar e que dê garantias de que não haja retenção de água à volta das raízes da futura árvore.
Abra um buraco onde pretende plantar, garantindo que o solo por baixo das raízes fica solto. Plante cerca de 5 cm abaixo do solo e cubra. Plantar amendoeiras deve ocorrer no Outuno, para que a árvore passe o Inverno e germine na Primavera. Pode ainda cobrir o local com rede forte para impedir a passagem de roedores. Pode ainda adicionar um pouco de areia para garantir uma drenagem adequada e um pouco de fertilizante misturado na terra que usarpara tapar a cova. É importante garantir a boa drenagem do solo pois como indicámos acima esta planta é originária do Médio Oriente e excesso de água é o que queremos evitar.
Algumas variedades de amendoeiras necessitam de outras árvores para a sua polinização, é importante assegurar a espécie que escolhe junto do seu viveiro. As árvores devem ser plantadas com 6 a 9 metros de espaçamento.
Se quiser apenas fazer uma experiência e tiver pouco espaço para plantação pode procurar a variedade Garden Prince que é auto-polinizadora e produz amêndoa comestível e comercializável. Tem a vantagem ainda de não crescer mais do que 2 metros.

cuidados a ter com as árvores

Durante o primeiro ano, deve aplicar estrume na terra no início da Primavera e pode regar generosamente as árvores uma vez por semana durante o Verão.
Durante o Inverno, entre Dezembro e Janeiro, procura fazer a poda da árvore, para permitir a entrada de mais luz e promover o crescimento de novos ramos. Corte ramos “ladrões” no centro da árvore, assim como ramos frágeis, doentes ou mortos. Remova todos os frutos na árvore que não caíram, assim como os que ficaram no solo, para evitar aparecimento de pragas. Pode ainda aplicar um fitofarmaceutico para lidar com eventuais pragas na árvore.

Durante o Verão continue a regar como durante a Primavera. Fertilize as árvores na mesma proporção que na Primavera, mesmo antes da última rega antes da colheita. Aplique água abundante com o estrume. Os frutos estão prontos para a colheita quando a sua casca se começar a partir/dividir e estiver seca e castanha. Pode optar por colher com casca ou separar já a casca. A amêndoa pode ser comercializada das duas formas, dependerá do canal de comercialização que eleger. Colhendo com a casca tem a vantagem de poder congelar os frutos para matar qualquer larva ou outro insecto eventualmente presente. Mantenha-as em sacos de plásticos para evitar contaminação da sua produção.Durante a Primavera e antes da primeira rega, fertilize as árvores mais adultas com estrume (13 kg por árvore ou o equivalente noutro fertilizante). Para árvores mais jovens use pequenas, mas frequentes doses de azoto durante a época de crescimento. Regue diariamente com sistema de gota para satisfazer as necessidades diárias da planta. Use rega de spray a cada 1 a 3 semanas, cerca de 2 a 3 semanas depois das últimas chuvas de inverno. Árvores a crescer em solos menos compactos ou mais arenosos podem precisar de rega um pouco mais frequente.
Durante o Outuno,  ou logo após a queda das folhas mas antes das chuvas de inverno, para reduzir danos provocados por fungos na próxima primavera aplique e pulverize uma solução com cobre.

resumo

Tipo de Solo: boa drenagem e solto
Exposição Solar: Elevada
Dificuldade Cultura: Média

rentabilidade desta cultura

Brevemente teremos nova informação sobre a rentabilização do cultivo da amêndoa, com a explicação do porquê o plantar amendoeiras poder ser uma cultura muito mais rentável que as frutas tradicionais de supermercado.