segunda-feira, 21 de setembro de 2015

CULTIVO DAS ANONÁCEAS


ANONÁCEAS
Englobam um grupo de plantas frutíferas de importância econômica no Brasil e em algumas regiões do mundo, pertencentes aos gêneros Rollinia a Annona.

A família Anonácea engloba um grupo de plantas frutíferas de importância econômica no Brasil e em algumas regiões do mundo, composta principalmente por plantas tropicais, sendo muitas nativas do Brasil exceções as de clima temperado. São relatadas mais de 2000 espécies, dentre elas as comestíveis utilizadas em plantios comerciais, as de uso medicinal, industrial, como planta exótica e em reflorestamentos. A similaridade e o número de espécies causa confusão na identificação popular, principalmente devido a denominações regionais. Saiba Quem é Quem na família das principais Anonáceas no Brasil. 



Classificação Botânica:

Reino: Vegetal
Divisão: Angiospermae
Classe: Dicotyledoneae
Ordem: Magnoliales
Família: Annonaceae
Subfamília: Annonoideae
Gêneros: ±120 Annona, Rollinia, Aberonoa
Espécies: + 2000
Rollinia: R. mucosa, R. jimenezii, R. sensoniana, R. sylvatica e R. emarginata.
Frutos conhecidos como biribás e ou araticuns (folha-miúda e cagão).
Características: inflorescência trilobada, forma de hélice usados como porta-enxerto.
Annona: principais espécies cultivadas, composta de 5 grupos:
Guanabani: grupo das graviolas
Bilaeflorae: anonas com ceras
Acutiflorae: pétalas afiladas
Annonellae: anonas anãs
Attae: anonas comuns (A. squamosa, reticulata, cherimola e atemoya)
Annonas: 118 espécies (108 da América Tropical e 10 da África Tropical)
13 comestíveis;
9 são normalmente cultivadas e 5 destas importantes: fruta-do-conde, atemoya, cherimoya, graviola e condessa.
Importância Econômica:
Cherimoya – importante em várias regiões: Chile, Espanha, Portugal, Califórnia. Pequenas áreas: Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Israel, África do Sul.
Fruta-do-Conde - países e regiões tropicais como Brasil.
Graviola - países americanos, Índia, países asiáticos.
Atemoya – países tropicais e subtropicais, condições intermediárias entre fruta-do-conde e cherimoya.
Cultivo no Brasil
Fruta-do-conde
10.000 ha (NE, SP e outros estados)
produção = 80.000 t
Graviola 2.500 ha
Atemóia 500 ha
Cherimóia 120 ha
Produção em função das chuvas
Fevereiro - Março - SP
Abril - Maio - Bahia
Junho – Julho - Alagoas

MELHORAMENTO GENETICO - Objetiva: Qualidade interna do fruto: aroma, sabor, textura fina, não arenosa, sem fibras, semente solta, poucas e alto rendimento em polpa;
Aparência do fruto: forma simétrica, desenho atrativo da casca, cor clara e brilhante, sem defeitos ou manchas;
Consistência do fruto: casca dura, resistente ao ataque de insetos e sol, boa capacidade de armazenamento sob refrigeração;
Resistência da planta: vigorosa, sadia, de bom crescimento, resistente a pragas e doenças, frio, sol e seca, compatibilidade com porta-enxertos;
Viabilidade do pólen: ser fértil e efetivo;
Flores: numerosas, com aroma atrativo e polinizadores;
Facilidade de cultivo: adaptação a solo e clima, ramos não necessitem muita poda, fácil colheita, fruto mostre o ponto de colheita, sem amolecer;
Época de produção: fora da época normal de colheita de outras cultivares ou espécies da mesma família – oferta durante ano inteiro;
Produção: produtiva e sem alternância.

FRUTA-DO-CONDE, Pinha ou Ata ( Annona squamosa L.)
Origem: Antilhas na América tropical, provavelmente Ilha Trindade.
Propagação: predominantemente sexuada, grande variação.
Melhoramento: maior pegamento flores, menor taxa de malformação dos frutos, maior resistência a pragas e doenças, frutos com maior n.º de carpelos, lisos e de coloração verde-escuro, intercarpelos rosados, menor tendência a rachamento, doce, pouca ou nenhuma célula pétrea.
Porte: pequeno, até 5 m, esgalhada.
Sistema Radicular: pivotante, proporcionalmente maior que a parte aérea.
Crescimento: SP em 6 meses/ano = 10-70cm, tronco e inserções frágeis.
Folha: lanceolada, 5-15 x 2-6cm, cerosa, alternas, caem p/ liberar gemas.
Flores: únicas ou em pencas, com 3 sépalas que recobrem as 3 pétalas. Na base interna numerosos estames e pistilos, gineceu com 50-150 carpelos.
Frutos: codiforme, arredondado, composto por segmentos salientes e individualizados (carpelos) lisos ou rugosos, verde escuro a amarelo-esverdeado separados por tecido intercarpelar de cor creme até róseo. Internamente, carpelos de coloração branca consistente com e sem sementes e um enchimento de cor creme claro com células pétreas.
Composição média: Frutos 250-350g, 53% casca e talo, 41% polpa comestível e 6% sementes (65), pH 4,5, brix 24º, SST 20-28%, acidez 0,3-0,9%.
Ciclo: novo após cada período de repouso, intensa brotação (folhas, ramos e flores) após a queda das folhas.
Polinização: dicogamia protogínica (amadurecimento das estruturas femininas só depois das masculinas), autopolinização praticamente nula, entomofílica.
Colheita: 110-120 dias; plantas bem nutridas até 4 ciclos de florescimento.
Produtividade: média 3,2 t/ha, SP até 8,0 t/ha.

ATEMOYA, Atemoia, Atemolia ( Annona squamosa L. x Annona cherimola Mill) Propagação: predominantemente assexuada, enxertia e estaquia.
Melhoramento: maior % pegamento, menor taxa de malformação frutos, maior resistência a pragas e doenças, frutos arredondados, simétricos, alta relação polpa/semente, produtividade, doces, baixa acidez, resistente.
Porte: e conformação variável, até 10 m de altura e diâmetro, ramos fracos e longos.
Crescimento: rápido e muito vigorosa quando bem nutrida, requer podas.
Folhas: variam de forma em uma mesma planta, 10-20 x 4-8cm, caem no inverno.
Flores: únicas ou em pencas, composta de 3 pétalas carnosas nas axilas das folhas recém nascidas ou em ramos do ano anterior.
Frutos: formato variável com a variedade: cordiforme, cônicos ou ovados, lisos ou com protuberâncias, cor verde-amarelado, polpa branca, doce, ligeiramente ácida, sucosa, mais saborosa que a pinha, muitos carpelos sem sementes, em média com 150 a 500g.
Ciclo: novo após cada período de repouso, intensa brotação após queda de folhas.
Polinização: dicogamia protogínica, autopolinização praticamente nula, entomofílica.
Colheita: aos 120 dias; variando com a variedade de março a agosto.
Produtividade: média 100 frutos/ano, 6 a 8 caixetas/planta.

GRAVIOLA (Annona muricata L.) Origem: América tropical, América Central e vales peruanos.
Propagação: sementes ou enxertia.
Melhoramento: maior % pegamento, menor taxa de malformação, maior tolerância pragas e doenças (brocas), frutos grandes, polpa c/ altos teores de açucares.
Porte: pequeno, 3,5 a 8m, folhagem compacta e coloração verde intenso, ramos e inserções frágeis.
Sistema Radicular: pivotante.
Folhas: ovadas, elípticas, 5-18 x 2-7cm, cerosas, verde brilhante.
Flores: únicas ou em pencas, formato subgloboso (capulho), em ramos ou no tronco, composta de 3 sépalas que recobrem 6 pétalas. Internamente: grande número de estames e pistilos e o gineceu.
Frutos: compostos, ovóides e muito variável, grandes 1-10 kg, carpelos separados por sulco fino, casca verde-escura, quando desenvolvido verde-clara brilhante, pseudo-espinhos recurvados, fácil de descascar, polpa suculenta, branca, odor agradável, rica em vitaminas A e C, com 95 a 180 sementes/fruto.
Ciclo: algumas regiões floresce e vegeta quase o ano todo, necessita de um período de estresse na formação e vingamento dos frutos.
Polinização: dicogamia protogínica, autopolinização praticamente nula, entomofílica (Colatus truncatus).
Colheita: aos 180 dias.
Produtividade: média de 1,2 a 8 t/ha.

Época de maturação de algumas anonáceas


Julho a agosto = entrada de cherimóia importada no Brasil
Tempo da Antese à Colheita (dias)
Atemóia
120 - 150 em SP
Cherimóia
150 - 180 em SP
Fruta-do-conde
110 - 120 em SP
90 - 100 na Bahia

CLIMA Limitante para exploração comercial, preferência climas amenos, áreas livres de geadas, com inverno seco e chuvas bem distribuídas, Temperatura-27 ºC e UR-80% favorecem melhor pegamento dos frutos.
Cherimoia: requer climas subtropicais (clima seco e fresco), acima 600m altitude suscetível a geadas e frio quando não em repouso, altas temperaturas afetam o desenvolvimento e produção.
Fruta-do-conde: requer climas tropicais (temperatura e umidade elevadas) requer um período anual de repouso.
Atemoya: exigências intermediárias.
African Pride – Temperaturas amenas, igual e maior crescimento vegetativo e produtividade
PR-3 – semelhante a fruta-do-conde
Gefner – intermediária
Graviola: tipicamente tropical ou subtropical úmido, não suporta frio
Ventos fortes danificam frutos, escurecimento da casca, chilling em pinha, quebra de galhos em geral e tombamento de plantas em cherimóia

SOLO - solos profundos
- drenados
- textura leve ( arenosos são recomendados )
Fruta-do-conde = sistema radicular até 6 m de profundidade
Atemóia e Cherimóia - sistema radicular superficial

VARIEDADES
Fruta-do-conde: inexistem variedades melhoradas no Brasil
Há um tipo sem sementes (mutação), pouco produtivo e frutos pequenos
Cherimóia: inexistem variedades comerciais selecionadas p/ Brasil
White, Lisa, Booth, Fino de Jete, Golden Russet, Campa, outras.
Atemoya: diversos híbridos naturais interessantes no mundo
Gefner – carpelos pequenos, salientes, individualizados na extremidade superior, 150-650g, poucas sementes, copa aberta, maturação mediana
Bradley – carpelos individualizados e separados, com 150 a 450g, poucas sementes, maior % de frutos defeituosos, copa compacta, precoce
African Pride – carpelos bem unidos e saliências, com 250 a 750g, poucas sementes, copa semelhante a Bradley, tardia
PR-3 – carpelos grandes e salientes na extremidade superior, com 250 a 750g com muitas sementes, copa compacta, mediana
Graviola: vários acessos no Brasil sendo avaliados no mundo
Seleções: Graviola A, B, Blanca, FAO II, Lisa, Morada, Graviola I e II


PORTA-ENXERTOS Fungos de Solo: Phytophthora, Pythium, Calonectria, Rhizoctonia, 
Cylindrocladium e bactérias Pseudomonas.

Pinha – desenvolvimento rápido no viveiro, induz a plantas compactas, recomendado para FC e atemoya.
Condessa – rápido no viveiro, produz plantas vigorosas, maior desenvolvimento do tronco do PE/copa, rachaduras e casos de morte (incompatibilidade).
Araticum-de-folha-miúda - de clima ameno, desenvolvimento lento, induz a plantas compactas, aparentemente sem problemas de incompatibilidade, tolerante a Phytophthora.
Anona glabra – induz a ananicamento e recomendada para áreas úmidas
Porta-enxertos recomendados:
Cherimoia: condessa, araticum, pinha, cherimoia
Fruta-do-conde: pinha, condessa, (atemoia, anona do brejo)
Graviola: condessa, anona do brejo, araticum, biribá, graviola
Atemoia: condessa, araticum, atemoia

PROPAGAÇÃO Recomenda-se enxertia e alguns casos por semente.
Cherimoia: borbulhia em janela, T normal, garfagem de topo e lateral
Fruta-do-conde: T invertido, placa, garfagem e escudo
Atemoia: borbulhia em placa, garfagem
Graviola: borbulhia T normal e placa, fenda cheia e garfagem inglês simples

ESPAÇAMENTO
Em função das condições climáticas locais, espécie e porta-enxerto.
Cherimoia: USA e Espanha 5x7 a 7x7, Br 6x8 m
Fruta-do-conde: 4x6 a 5x7 m
Graviola: 4x4,5; 6x7,5; 7x8; 8x8 m
Atemoia: 6x4 em pinha, 6x7 a 6x8 m

PLANTIO
Análise de solo e calagem p/ V%= 70-80
Preparo do solo: subsolagem, aração e gradagem

COVA
Sulcar nas linhas
Aplicar
200g calcário/m.linear
30 litros esterco curral curtido/cova
10g Bórax e 20g Sulf. Zinco / cova (solos baixo teor)
ou Covas 40 x 40 x 40 cm
Molhar
Aguardar 30 dias
Plantar
Irrigar

ADUBAÇÃO
1) 30 dias - 50g de nitrocalcio, repetir a cada 60 dias
2º ano: 100g nitrocalcio, 5 x ano
a partir 3º ano função da produtividade esperada
2) formação: 50g de 10-10-10 até 300g em 4 x
Produção: 600g/pl de 12-6-12
outubro/novembro
dezembro/janeiro
janeiro/fevereiro + 75 g KCl
fevereiro/março + 75 g KCl
Pulverização Foliar:
Ácido Bórico 50 g
Sulf. De Zinco 250 g
Sulf. De Manganês 200 g
Uréia 500 g
Água 100 L (3 x/ano)

IRRIGAÇÃO
Gotejamento
Aspersão
Microaspersão
Kc = 0,70 a 0,95

PODA
- Formação: 40 cm (somente no inverno)
- 3 - 4 pernadas
- encurtamento de ramos (no inverno)
- conformação da copa - compacta (poda verde no verão)
- Anualmente: poda de limpeza e abertura da copa
=> Inicio da brotação, após repouso hibernal
Graviola: poda de limpeza após a colheita

DESBASTE
Atemoia: frutos com 1,5 a 3 cm, deixar 80 e 60 frutos nas 2 safras do ano
FC: frutos com 1,5 cm, deixar 50 e 30 frutos

PRAGAS E DOENÇAS
Broca-do-tronco: Cratosomus spp
Coleoptero, galerias no tronco, exudação de escura e serragem
Controle: injeções com inseticidas nos orificíos e pulverizações dirigidas
Broca-do-fruto: Cerconota anonella
Lepidoptera, roe a casca e penetra na polpa, qualquer tamanho,
deformação, enegrecidos, caem
Controle: catação de frutos, pulverizações dirigidas 15 em 15 dias
Broca-da-semente: Bephratelloides maculicolis
Hymenoptera, perfura da casca e faz postura diretamente nas sementes,
larva destroi fruto, sai do fruto vespa adulta
Se fecundada = machos e fêmeas
Se não fecundada = machos
Controle: pulverizações dirigidas 15 em 15 dias
Cochonilhas: Fosforado com óleo mineral
Mosca-branca, Ácaros
Não pulverizar durante as floradas
Nematoide: Radopholus similis
Antracnose: Colletotrichum gloeosporioides
Frutos a partir do florescimento e folhas
Frutos novos pretos e presos na planta = mumificados
Controle: Cúpricos e Benomyl
Cancrose: Calonectria rigidiuscula
A partir de bifurcação de ramos até morte do ramo
Controle: eliminação e queima do ramos
Outras: Cercosporiose, Botryodiplodia
Fungos de Solo: raízes e tronco
Phytophthora nicotianeae
Pythium sp
Rhizoctonia solani
Cylindrocladium
outros
bactérias Pseudomonas

PRODUÇÃO
Cherimoia: SP, de Março a Julho
Atemoia: SP, de Março a Agosto
FC: SP, a partir de Janeiro até Julho-Agosto
Pico: Janeiro a Março
Caixa 3,7 kg = 2 a 30 U$ (Fev-Out)
Graviola: praticamente o ano todo

PRODUTIVIDADE
Atemoia e Cherimoia - 12 t/ha
Fruta-do-conde - 8 t/ha
Graviola - 15 t/ha

CUSTO DE PRODUÇÃO
Mão-de-obra
Goiaba de mesa ensacam./podas = 100 pls/ha/homem
Fruta-do-conde poda/desbaste, poliniz. = 300 pls/ha/homem.




domingo, 20 de setembro de 2015

CULTIVO DO ARATICUM

CARACTERÍSTICAS GERAIS
Araticum 

(Annona crassiflora Mart. )

1. A ORIGEM E DISTRIBUIÇÃO 

O araticum, também conhecido popularmente como bruto, cabeça-de-negro, cascudo, marolo e pinha-do-cerrado. É espécie frutífera da família Annonaceae, assim como a cherimóia, condessa, pinha, graviola e outras. As Annonaceae são representadas no cerrado por 27 espécies, perfazendo 3,5% da flora total. Destacam-se pelo seu potencial frutífero os gêneros Annona, Duguetia e Rollinia. O gênero Annona apresenta duas espécies produtoras de frutos comestíveis no cerrado, a Annona crassiflora Mart e a Annona coriaceae Mart. 

Nativo do planalto central brasileiro, o araticum pode ser encontrado nas áreas de Cerradão, Cerrado, Cerrado Denso, Cerrado Ralo e Campo Rupestre. Sua distribuição ocorre no Distrito Federal e nos Estados da Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Piauí e Tocantins.


2. BOTÂNICA E ECOLOGIA

Árvore hermafrodita de até 8m, com flores e ramos jovens apresentando densa pilosidade marrom-avermelhada e os órgãos vegetativos glabrescentes com a idade. As folhas são alternas, simples, pecioladas, sem estípulas; limbo com 5,5 a 13 x 3,5 a 10 cm, largamente obovado a oblongo, cartáceo e coriáceo; ápice arredondado a obtuso; base arredondada, obtusa ou subcordada; pecíolo com 2 a 6 mm de comprimento, actinomorfas, internamente creme-amareladas, crassas; sépalas 3, livres; pétalas 6, livres; estames numerosos; anteras subsésseis, oblongas, de conectivo espessado; ovário dialicarpelar, súpero, com muitos carpelos uniovulados; estigma séssil. O fruto é um sincárpio com cerca de 15 cm de diâmetro e 2 kg de peso, oval a arredondado, externamente marrom-claro, comoso, internamente creme amarelado, com polpa firme; numerosas sementes com formato elíptico. 

A planta é caducifólia (perde as folhas) na época seca, florescendo com o início da estação chuvosa, sendo o início no final de setembro, até o final do mês de dezembro, para a região de Selvíria/MS. Para a região de Três Lagoas/MS, a floração dá-se no início de outubro, até o final de novembro. A frutificação inicia-se em novembro, com a maturação dos frutos ocorrendo de fevereiro a março. A dispersão das sementes é realizada por animais. 

O botão floral pode surgir antes da rebrota das folhas, concomitante ou com as folhas já formadas. As flores são hermafroditas, apresentam protoginia e termogênese. O aquecimento interior da flor (termogênese) inicia-se geralmente ao anoitecer, podendo chegar até 10 ºC acima da temperatura do ar, porém uma chuva ou variação das condições do meio externo, pode provocar a queda de temperatura no inferior da flor.


As flores de A. crassiflora aquecem-se uma vez somente e caem na mesma noite. Por volta das 19 horas, o estigma encontra-se coberto de exudato transparente e devido a esse aquecimento, exala forte odor que atrai de besouros. Os primeiros insetos atraídos penetram nas flores por volta das 19 horas, perfuram as pétalas internas e depois saem ou iniciam a cópula. Por volta das 22 e 24 horas, os estames deiscentes caem no interior da câmara floral e posteriormente as pétalas separam-se do receptáculo floral, caindo no chão. Alguns besouros permanecem no interior do anel de pétalas durante o dia, no chão, saindo somente no início da noite, cobertos de pólen para visitar outras flores recém abertas. 

O araticunzeiro apresenta problemas com a baixa taxa de frutificação necessitando serem melhor estudadas as suas causas, visando seu aproveitamento econômico. 

Deve-se principalmente ao ambiente de ocorrência, a variabilidade sobre o número de indivíduos encontrados. Em Cuiabá, MT, as densidades variam de 6 indivíduos/ha numa área menos fértil a 48 indivíduos/ha em outra mais fértil. 

Com relação ao comportamento da espécie, houve baixíssima sobrevivência em plantio puro (15%) e baixa quando consorciada (40%). A altura das plantas foram superiores no plantio puro, sendo observada floração de plantas de araticum a partir dos 4 anos no plantio puro e dos 5 anos na área consorciada.


3. COMPOSIÇÃO DO FRUTO 

A composição da polpa do fruto (100g) apresenta 82,0 calorias; 1,1 g de proteína; 0,2 g de lipídios; 21,3 g de carboidratos; 34,0 mg de cálcio; 35 mg de fósforo; 0,6 eq. ret. de fero; 0,09mg de tiamina; 0,9 mg de niacina; 17mg de vit. C; 0,13 mg de riboflavina. 

A composição da polpa do fruto é a seguinte: umidade de 76,3%; proteína 1,3%; extrato etéreo 0,3%; cinzas 0,6%; carboidratos 21,5%; fibras 1,6%; valor calórico (cal/100g) 87; pH = 4,57; acidez (sol.N.) 5,56%; 14º Brix (sólidos solúveis totais); açúcares redutores 7,72%; açúcares totais 56,4%; tanino 0,38%; caroteno 0,23%; 24,2 mg Mg/100g polpa e 0,7 mg Fé/100g polpa. Para minerais e vitaminas em 100g de polpa: 52 mg de Ca; 24 mg de P; 2,3 mg de Fé; 21 mg de vit. C; 50 mg de vit. A; 0,04 mg de vit. B e 0,07 mg de vit. B2. 

Na polpa do araticum, cerca de 80% dos ácidos graxos são monoinsaturados, 16% saturados e 4% poliinsaturados, o linolênico. 


4. PROPAGAÇÃO
O araticum é uma espécie predominantemente alógama, de modo que as plantas oriundas de sementes segregam e não reproduzem o fenótipo da planta mãe. Mesmo assim , o uso de sementes é necessária para a obtenção de mudas ou para a formação de porta-enxertos. 
A semente germina com dificuldade, havendo longo período de dormência, sendo que em areia, o início da germinação ocorreu entre 237 a 292 dias. O embrião é muito pequeno, medindo 2 mm de comprimento e delicado. Parece ser esta a causa da dormência da semente, pois o embrião precisa primeiro construir seus órgãos para depois germinar, não havendo, na realidade, nenhum bloqueio à germinação. As sementes não conseguem germinar no cerrado, pois não toleram o meio seco, levando de 8 a 10 dias em solo úmido. A germinação em condições de campo teve início aos 75 dias e prosseguiu até os 392 dias, sendo bastante irregular, com cerca de 42% de germinação. Um período médio de 25 dias e índices médios de 60% de germinação foram obtidos. Esse comportamento parece estar ligado ao período de dispersão as espécie, que, ocorrendo no final da época chuvosa, as sementes se mantém dormentes até o final da seca e início da época chuvosa seguinte, para, a partir daí, ter condições de germinação no seu ambiente natural. Se por um lado,a dormência é vantajosa para a sobrevivência das espécies em condições naturais, uma vez que ela distribui a germinação ao longo do tempo ou permite que a germinação ocorra somente quando as condições forem favoráveis à sobrevivência das plântulas, ela é freqüentemente prejudicial à atividade de viveiro, onde se deseja a germinação de uma grande quantidade de sementes em um curto período de tempo. 
Annona crassiflora possui semente com embrião imaturo, porém seu tegumento é permeável à água. A estratificação é recomendada para sementes com tegumento impermeável a gases e para as que tem embriões imaturos. 
A solução para quebrar a dormência das sementes parece estar no uso de reguladores vegetais, pois utilizando ácido giberélico (GA3), nas doses de 500, 1000 e 2000 ppm, em associação com períodos de embebição (0, 3 e 6 dias), foi conseguido antecipação da germinação para 36 dias. Foi verificado efeito do período de embebidação e da concentração utilizada sobre a germinação, sendo significativos, havendo aumento da germinação com o aumento da concentração de GA3 e do período de embebidação. Nos tratamentos sem GA3, não houve germinação, mostrando que a dormência deve-se à falta de giberelina. 
Devido à alta variabilidade genética dos araticunzeiros nativos, o plantio por sementes pode originar cultivos desuniformes, com plantas de características agronômicas bem diferentes. A enxertia promove uniformidade nas características das plantas, frutos, bem como no desenvolvimento e produtividade. A técnica de enxertia parece ser a mais indicada para a propagação e formação de mudas de araticum. Estudos realizados na EMBRAPA – CPAC em Planaltina, DF, demonstraram sucesso inicial para algumas fruteiras nativas do cerrado, inclusive o araticum, onde trabalhos com enxertia do tipo garfagem à inglesa simples, mostraram índices de pegamento superiores a 80%. 
Os garfos devem ser provenientes de plantas sadias e sem ataque de broca, pois ao contrário, possuem sua parte interna oca. Devem ser selecionados de ponteiras com tecido jovem em crescimento e desfolhados. Uma semana após a retirada das folhas, garfos com 8 a 12 cm de comprimento e com diâmetro semelhante a um lápis, são retirados e devem ser levados o mais rápido possível para a operação de enxertia em porta-enxertos (cavalinhos), com diâmetro compatível ao garfo. 
A enxertia é do tipo garfagem lateral ou inglês simples, fazendo-se um corte em bisel de cerca de 4 cm na ponta do porta-enxerto e na base do garfo. O ângulo de inclinação do corte deve ser o mesmo em ambos, para que a região de contato fique bem unida e assim promover o pegamento do enxerto. Após o encaixe do garfo com o porta-enxerto, amarra-se com fita plástica. A enxertia pode ser feita de outubro a abril.


5. FORMAÇÃO DO POMAR 
Quando enxertadas, o plantio deve ser feito em campo somente após a brotação das mudas (no início da estação chuvosa), devendo apresentar as folhas maduras e procedendo uma irrigação para proporcionar melhor pegamento. 

O araticunzeiro requer solos profundos, bem drenados, não é exigente em fertilidade de solo e tolera os solos ácidos da região do Cerrado. 

O espaçamento recomendado é de 5 a 7 metros entre linhas e de 5 a 7 metros entre plantas, para mudas não enxertadas, reduzindo-se o espaçamento, se as mudas forem provenientes de enxerto. 

A fertilidade de solos pobres não corrigidos anteriormente, pode ser incrementada pela adição na cova no momento do plantio de 100 g de calcário dolomítico (PRNT=100%), 250 g de superfosfato simples, 10 g de cloreto de potássio, 10 g de sulfato de zinco, 4 g de sulfato de cobre e de sulfato de manganês, 1 g de bórax e 0,1 g de molibidato de amônio. Após o plantio, recomenda-se três adubações de cobertura com 25 g de sulfato de amônio e 10 g de cloreto de potássio por cova, a cada 40 dias, até o final do período chuvoso. 
Em solos de baixa fertilidade, recomenda-se adubações anuais, a partir do primeiro ano com a dose de 150 g da fórmula 10-10-10 e aumentando gradativamente para 300, 450, 600 e 750 g. A formulação deve ser acrescentada de sulfatos de zinco, cobre e manganês em doses equivalentes a 5, 2,5 e 2,5% da fórmula, respectivamente, parcelando as doses anuais em três aplicações de cobertura, durante o período chuvoso. 

6. PRAGAS

Broca-do-Fruto: 

Cerconota anonella (Sepp. 1830), Lepidoptera: Stenomatidae 

O adulto é uma mariposa de aproximadamente 25 mm de envergadura, possuindo coloração branco-acizentada, com reflexos prateados. 

A mariposa efetua a postura sobre as flores e frutos, cuja larva ataca frutos verdes e maduros, raspando-lhes a epiderme e penetrando na polpa, da qual se alimenta, destruindo até as sementes, promovendo galerias que posteriormente serão invadidas por patógenos. O sintoma característico é o enegrecimento dos frutos, tornando-os imprestáveis para o consumo. Os frutos quando completamente enegrecidos, caem ao chão, quando as larvas já se encontram no estágio de pupa. É a principal praga do araticum, sendo considerada uma das pragas mais importantes da gravioleira. 

Broca-da-Semente: 
Bephratelloides pomorum (Bondar, 1928), Hymenoptera: Eurytomidae 
O adulto é uma vespa com cerca de 0,6 mm de comprimento. Suas asas são de cor branco-transparente, com uma lista preta transversal. 
A vespa deposita seus ovos sob a epiderme dos frutos; as larvas alimentam-se e fazem galerias na polpa, alojando-se no interior das sementes, completando seu desenvolvimento; os adultos emergem do fruto através de uma perfuração na casca. As larvas desenvolvem-se no interior das sementes, dentro dos frutos, destruindo-as completamente. Os adultos ao emergirem constróem orifícios na extremidade da semente, perfurando a polpa em direção à casca quando o fruto ainda está verde. O sintoma característico do ataque desta broca é a presença de pequenos orifícios localizados na base dos acúleos e distribuídos por todo o fruto. Ocorre também em graviola.


Broca-do-Tronco: 

Cratosomus bombina bombina (Fabricius), Coleoptera: Curculionidae 

O adulto é um besouro de formato convexo, medindo cerca de 22 mm de comprimento por 11 mm de largura. Possui coloração entre preta e cinza-escura, com faixas amarelas transversais no tórax e nos élitros. 

A larva recém eclodida, penetra no ramo, migrando em direção ao tronco, formando grandes galerias no cerne da planta e causando secamento dos ramos, ocasionando redução na produção. Ocorre também em graviola, apresentando os mesmos sintomas e danos. 

Gonodonta nutrix., Lepidoptera: Noctuidae 
O adulto é uma mariposa de cor cinza-escura, medindo de 2,5 a 3 cm de envergadura, possuindo manchas amareladas ou alaranjadas na base das asas posteriores. As lagartas são de cor cinza-escura tendendo ao preto, possuindo ao longo do dorso e dos lados pontuações contínuas que variam de vermelho pouco intenso para amarelo. O tamanho varia de 3 a 3,5 cm de comprimento. As lagartas alimentam-se das folhas. 
Saissetia nigra (Nietner, 1861), Homoptera: Coccidae. 
São cochonilhas que sugam a seiva e promovem o secamento das folhas. 
Spermologus funereus (Pascoe, 1871), Coleoptera: Curculionidae. 
Cria-se nas sementes, inviabilizando-as. 
Eurypages pennatus, Coleoptera: Curculionidae 
Foi encontrado ocorrendo em fruto imaturo. 
Broca-da-Flor: Coleoptera: Scarabaeidae 
Perfura a flor, causando sua queda. 
Lagarta das Folhas do Araticum 
Lepidoptera 
Não identificada, a lagarta tem hábito de unir os bordos das folhas ou sobrepor duas folhas, ficando inseridas entre estas, onde tece uma teia fina e esbranquiçada. Alimenta-se raspando o tecido necrosado das folhas que secam progressivamente. 

7. DOENÇAS 

Podridão de Raízes 
Foi detectada a presença do fungo Cylindrocladium spp., principalmente C. clavatum, nas raízes e coletos em mudas de algumas espécies nativas do cerrado, inclusive A. crassiflora e espécies exóticas, causando alto índice de mortalidade. Os sintomas são caracterizados inicialmente pelo aparecimento de pequenas lesões escuras no coleto, que progridem em direção às raízes, causando podridão das mesmas. Como conseqüência, a planta tem seu crescimento paralisado, torna-se amarelecida, murcha e seca. 
Antracnose 
A antracnose (Colletotrichum gleosporioides) ataca as folhas em mudas no viveiro. 
Cercosporiose 
Foi verificada em Annona crassiflora a presença do fungo Cercospora annonifolii

8. SOLOS E NUTRIÇÃO

O araticum possui ampla dispersão nos solos de Goiás. A copa possui forma colunar possivelmente por influência da competição por luz. Em levantamento feito em Goiás, foi verificado que o araticum ocorre em maior densidade nos Latossolos Vermelho Amarelo. A espécie tende a ocorrer em solos que apresentam valor médio de potássio, cálcio, magnésio e zinco. A densidade do araticum é reduzida com o aumento do cálcio foliar. 
Em Paraopeba (MG) a A. crassiflora ocorre mais nos Latossolos Vermelho Escuro e Vermelho Amarelo argiloso, quando comparado com o Latossolo Amarelo argiloso. 
Foram encontrados os seguintes valores para a fertilidade do solo, onde ocorre naturalmente o araticunzeiro, vegetando nos cerrados de Goiás: P (mg.dm-3) = 0,4; K (cmolc.dm-3) = 0,066; Ca (cmolc.dm-3) = 0,2; Mg (cmolc.dm-3) = 0,3; Al (cmolc.dm-3) = 0,4; M.O. (g.dm-3) = 38; pH (água) = 4,8; micros em (mg.dm-3), sendo, B = 0,25; Cu = 1,7; Fé = 53,4; Mn = 11,8; Zn = 0,7. 
Os teores foliares obtidos em araticum, estão na maioria dos casos próximos aos níveis considerados como adequados para muitas espécies fruteiras cultivadas. Atenção e ressalva à capacidade destas espécies fruteiras em explorar uma área muito grande de solo de Cerrado, tanto no sentido horizontal e principalmente no sentido vertical, em profundidade. Esse comprometimento ressalta a habilidade destas plantas em se estabelecerem em solos com baixíssimas concentrações de nutrientes e de forma marcante, apresentar teores de nutrientes foliares próximos aos considerados normais. 
Outro fato a ser considerado é que muitas das espécies frutíferas nativas do cerrado, inclusive o araticum, trocam de folhas, florescem e frutificam em plena estação seca ou no início da estação chuvosa, mas com o solo ainda com elevado déficit hídrico.As áreas onde ocorreram o araticum tenderam em todas as profundidades de solo analisadas, a apresentar teores de Ca, Mg, K e Zn menores que nas áreas onde não ocorrem esta espécie. Ou seja, as áreas de ocorrência de A. crassiflora são notavelmente mais pobres nestes nutrientes que nas áreas onde esta espécie não ocorre. O araticum prefere situar em solos que dispõem de quantidades em termos químicos com relação aos nutrientes citados e também em solos com um nível menor de alumínio. 

9. COLHEITA

Os frutos podem ser coletados no chão, porém são altamente perecíveis nesta fase. O forte aroma característico que o fruto exala, indica a certa distância, a presença de araticum maduro no local. O fruto também pode ser coletado “de vez” na árvore, mas é necessário que haja pequenos sinais de abertura na casca. Com relação à qualidade da polpa, distinguem-se dois tipos de frutos: o araticum de polpa rósea, mais doce e macio e o araticum de polpa amarela, não muito macio e um pouco ácido. Os frutos de coloração de polpa amarela são predominantes, enquanto aqueles de coloração rosada, intermediária. Também é citada a ocorrência de frutos com coloração de polpa branca, havendo porém, pequena produção destes. Dessa citação, pode-se concluir, que há diferentes progênies existentes no ambiente de ocorrência do araticum e que por isso deve ser realizada uma seleção de plantas com características agronômicas superiores, sendo propagadas de forma assexuada para manter as características. 
A produção inicia-se a partir do quarto ano após o plantio, podendo ser antecipada para o segundo ou terceiro ano se as mudas forem enxertadas. A produção é irregular e em média uma planta em condições naturais produz de 5 a 30 frutos com peso entre 500 a 4500 g. Um fruto apresenta em média de 60 a 130 sementes, apresentando um peso de 300 g/100 sementes.



10. VALOR ALIMENTAR E USOS

Há descrição desde o processamento da polpa do araticum, até os detalhes de uso, como receitas de batida, bolachas, bolos, bombom, doces, compota, cremes, gelatina, geléias, iogurte, pudim, sorvetes, sucos e outros. 

Na medicina popular, a infusão das folhas e das sementes pulverizadas servem para combater a diarréia e a induzir a menstruação. Além desses usos, tem-se isolado vários compostos de A. crassiflora com diferentes fins de utilização. 

O extrato hexânico de sementes de A. crassiflora mostrou efeito contra Ceratilis capitata. Os vegetais da família Annonaceae predominaram entre aqueles que apresenta alguma atividade. Plantas da família Annonaceae, possuem componentes como alcalóides e acetogeninas com atividade contra afídeos e piolhos. A presença da substância acetogenina, encontrada em A. crassiflora e em outras Annonaceas, possuindo propriedade herbicida. 

São conhecidas também atividades antifúngicas e antitumorosa do araticum. 
11. MERCADO
Não se dispõe de dados oficiais sobre quantidade e preço médio alcançado pelos frutos, porém um produtor de Itararé, SP, informou que possui plantio comercial com 2000 plantas, conseguiu na safra de 2000, preços de R$ 5,00/ kg. A produção é toda comercializada na propriedade. O produtor cita o problema da irregularidade na produção e a ocorrência na mesma planta de frutos com variação na coloração de polpa, sendo amarelo aquele mais precoce e com odor mais pronunciado. Frutos de coloração branca de polpa, tendem a ser mais tardios e não apresentar um odor tão pronunciado. 
Em Padre Bernardo, GO, é explorada comercialmente uma área de 300 ha de cerrado nativo e áreas de pastagens, formadas há 40 anos, foi deixado o araticum entre outras espécies do cerrado. Vem ocorrendo regeneração natural de araticum, ao longo desse período. A produção de frutos tem sido maior nas áreas de pasto do que nos cerrados. É comum para os indivíduos com uma alta produção de frutos num ano, apresentarem, no ano seguinte, uma redução drástica na quantidade de frutos produzidos (alternância de produção). O destino da comercialização tem sido Brasília (DF) e Anápolis (GO). Os compradores do araticum vão até a área e ajudam na coleta dos frutos. A caixa (com 20 a 24 frutas) é vendida por R$8,00 a R$10,00 (diretamente do produtor), sendo comercializada em Brasília para os grandes mercados de Brasília e cidades satélites: (CEASA), Ceilândia e Taquatinga. 
A comercialização dos frutos é feita em mercados regionais, de onde sua produção, quase que exclusivamente, é provinda de áreas de cerrado nativo, sendo uma forma extrativista de utilização. Diante dessa situação, torna-se necessário incentivar o plantio comercial do araticum, pois o extrativismo ocorrendo de forma intensa e descontrolada, poderia afetar a perpetuação da espécie.

COMO FAZER MUDAS





USOS DO ARATICUM

 

Utilização medicinal do Araticum.
Indicações
Parte usada
Preparo e dosagem
diarréia crônica
sementes
Infuso ou decocto: 1 colher de sopa de sementes raladas ou picadas para 1 litro de água. Tomar de 3 a 6 colheres de sopa do chá ao dia.

O araticum integra a medicina das populações tradicionais da região da Chapada dos Veadeiros, Goiás, que o utilizam como regulador de menstruação, para reumatismo, feridas, úlceras, câncer de pele, fraqueza no sistema digestório, cólicas e contra diarréia.
Sorveterias de Brasília e Goiânia produzem sorvetes e picolés de araticum. A espécie contribui para as economias informal e formal, durante seu período de frutificação, em todo o Cerrado. É importante que pelo menos ¼ dos frutos disponíveis na área não seja coletado, de modo a não comprometer as populações naturais de araticum. Tais populações têm sido drasticamente reduzidas e isoladas, decorrência da devastação produzida pelas macro políticas de expansão agrícola, promovidas para a região do Cerrado.
De forma geral, a ocupação agrícola no bioma é concentradora de renda, além de ser um desastre do ponto de vista ambiental, ameaçando inúmeras espécies animais e vegetais, além de potencializarem processos erosivos e conseqüentes assoreamentos de nascentes e rios. Neste contexto, é de suma importância a organização de cooperativas e associações por pequenos proprietários e assentados rurais, para trabalharem os múltiplos recursos oferecidos pelo Cerrado.
Da mesma forma, em ambientes urbanos, é desejável a adoção de espécies nativas no paisagismo público e particular. Não é raro vermos as pessoas mandarem “limpar” seus terrenos, cortando indiscriminadamente todo o “mato” que há. Assim, o proprietário joga fora, sem ao menos tomar conhecimento, preciosidades como o araticum, o pequi, a cagaita, o jatobá, a gueroba, bromélias, orquídeas, entre outras espécies que poderiam compor os jardins de sua casa, oferecendo frutos, flores e atraindo aves com um mínimo de manutenção. Portanto, antes de mandar “limpar” seu terreno, procure saber quais as espécies de plantas já estão por lá presentes, você poderá se surpreender! Com um planejamento mínimo, é possível tornar o jardim da sua casa ou arborização de onde você mora em um pequeno “jardim botânico”, sem nem mesmo comprar uma muda de árvore. Observe e planeje antes de intervir.
Valorize os recursos do Cerrado, nele não há fome se ele a gente preza.


Araticum


Araticum sendo vendido em feira livre na rodoviária de Brasília, preços de 5, 7 e 10 reais por unidade, conforme o tamanho. Os frutos são procedentes do entorno do Distrito Federal, sendo trazidos até de Minas Gerais. Cena comum nas cidades e pelas beiras das estradas da região, onde o araticum contribui com a renda de muitas pessoas. 16/02/2007.
O quanto em toda vereda em que se baixava, a gente saudava o buritizal e se bebia estável. Assim que a matlotagem desmereceu em acabar, mesmo fome não curtimos, por um bem: se caçou boi. A mais, ainda tinha araticúm maduro no cerrado.” Guimarães Rosa em Grande sertão: veredas, pg. 372.



ARATICUM



O cerrado brasileiro ocupa grande parte da região central com solo considerado nada favorável ao plantio de varias espécies, mas devido a posição geográfica e clima, ela também pode apresenta frutos exóticos de arvores como o pequi, embu, cagaita, baru, mangaba, araçá, araticum e gariroba, por exemplo, que sobrevivem nessas condições e garantem alimento para milhares de famílias. Algumas frutas com grande valor nutricional superando ainda as frutas tradicionais. Mas o que era apenas fruto de subsistência, extraído dos fundos dos quintais ou pequena vegetação mais próximas se transformou nos últimos anos em uma fonte de renda para moradores do cerrado.

O araticum é um fruto da família Annona crassiflora. Mart., que é da mesma família do fruto do conde(annona squamose), conhecidos também como ata ou pinha dependendo da região.

O nome araticum é derivado do Tupi que pode significar arvore de fibra rija ou dura - fruto do céu - saboroso ou ainda fruto mole.
O fruto pode ter até 15 cm de diâmetro e 2 kg de peso. A polpa do fruto é cremosa de odores e sabor bem forte com diversidade na qualidade da polpa dependendo das características agrônomas: araticum de polpa rosa mais doce e macio, polpa amarela não muito macia e um pouco acido que são mais predominantes e frutos com polpa branca, de pequena produção. Ela pode ser consumida in natura ou bolos biscoitos, picolés, geléias e diversos doces.
O gosto brasileiro pelo doce recebe a influencia dos portugueses e de muitos engenhos de cana-de-açúcar que havia em Minas Gerais, onde eram produzidos os açúcares de cana-de-açúcar. Nos quintais havia a presença dos pomares com frutas da terra ou trazidas pelos portugueses que garantiu durante séculos a matéria prima para compotas e doces em geral.
O fruto é pouco comercializado ainda na região central de São Paulo, sendo encontrado somente para compra no Mercado Municipal de São Paulo mediante a previa encomenda ao custo aproximadamente de 20 reais o quilo.
O Araticum possui fatores antioxidante que combate os radicais livres e é um forte aliado da população na prevenção de doenças degenerativas. Os frutos da família de Annona crassiflora são ricos em carotenoides e vitaminas do complexo B.


Produtores rurais de Minas e de estados do centro-oeste, começaram nos últimos cinco anos a processar as plantas do cerrado, criando com elas doces, geléias, licores, panetones, que são vendidos atualmente nos grandes centros urbanos. O trabalho é conduzido por cooperativas o que garante uma renda extra as famílias interioranas e a oportunidade de outros brasileiros conhecer os benefícios dessa fruta. Órgãos como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), já fazem cursos de culinária exclusivamente com plantas do cerrado brasileiro.

Fabricas de doces, bebidas e até de medicamento fitoterápicos foram contruidas em regiões carente do norte de Minas, onde cooperativas tem explorado comercialmete centenas de frutas nativas.

Com a fusão da polpa do araticum e o suco de acerola obtém-se uma consistência cremosa de sabor forte, adstringente mas muito saboroso.
A receita do doce de araticum, típica do norte de Minas Gerais é de baixo custo e fácil acesso aos ingredientes podendo facilmente ser produzidas nas residências dos moradores sertanejos.

"Pois, varias viagens, ele veio ao Curralinho, vender bois e mais outros negócios – trazia para mim caixetas de doces de buriti ou de araticum, requeija e mamelada". Guimarães Rosa em Grande sertão:

veredas, pág.115.


Para chegar a essa mesa variada e criativa os mineiros passaram por muitas dificuldades. Devido a serias crises de fome no início do povoamento de Minas e do excessivo número de aventureiros que ali passaram. Então, a roça deixada pelas bandeiras de exploração, alguma caça e peixes de água doce constituía os poucos recursos ali encontrados. No auge das crises, as refeições eram preparadas com brotos de samambaia e bananeira das serras, bichos de taquara e até tanajuras.

Pelos tempos difíceis, a lógica da economia impôs os alimentos cozidos ou em conservas e o melhor aproveitamento das frutas típicas.


"O quanto em toda vereda em que se baixava a gente saudava o buritizal e se bebia estável. Assim que a matlotagem desmereceu em acabar, mesmo fome não curtimos, por um bem: se caçou boi. A mais ainda tinha araticum maduro no cerrado" – Guimarães Rosa em grande

sertão: veredas. Pg.372.

Nossa releitura procurou agregar os ingredientes da receita original a receitas mais conterrânea como o bolo mousse de laranja, onde você encontra diferentes texturas com sabores ácidos e doces.
Ocorre em cerrados e cerradões, ao longo de todo o bioma Cerrado.
Sua floração se dá predominantemente de setembro a janeiro e frutifica de outubro a abril (principalmente de fevereiro a março), sendo a dispersão das sementes realizada pela própria gravidade ou por animais. Na Caatinga foi constatada a dispersão de araticum (Annona coriaceae) por formigas (Pheidole sp.) e no Mato Grosso, sementes (A. crassiflora) foram encontradas nas fezes da rapozinha-do-campo (Lycalopex vetulus), o menor canídeo das Américas, mesmo em área sem a ocorrência da árvore. Um quilo contém aproximadamente 1400 sementes, que perdem rapidamente a viabilidade se armazenadas.
A germinação do Araticum pode ser antecipada em até 36 dias e concentrada em até 3 meses após a semeadura, com o uso de ácido giberélico (GA3). Recomenda-se colocar as sementes imersas numa solução contendo 1g de Ácido giberélico por litro de água, por um período de 24h, antes da semeadura (Melo, 1993, apud Silva et al. 2001)
Quando aberto, o fruto oferece uma polpa cremosa de odor e sabor bem fortes e característicos. A polpa pode ser consumida ao natural ou na forma de batidas, bolos, biscoitos e bolachas, picolés, sorvetes, geléias e diversos doces.
Composição química e valor energético de 100g da polpa do araticum.
Araticum - composição


sábado, 19 de setembro de 2015

Melhoramento das Anonáceas



A família Annonaceae possui 132 gêneros e 2300 espécies de acordo com JESSUP (1988). A maioria das plantas é de origem tropical, com exceção daquelas do gênero Asimira, nativas de clima temperado e que ocorrem na América do Norte e a espécie Annona cherimola Mill., de origem dos altiplanos andinos, cultivada em diversas regiões do mundo e considerada como a mais saborosa das frutas. Muitas das demais espécies são nativas do Brasil (KAVATI, 1992).
Na fruticultura são importantes dois gêneros de anonáceas, sendo Rollinia e Annona. MAHDEEN (1990), menciona mais de 100 espécies do gênero Annona e 65 em Rollinia.
Dentre Rollinia, destacam-se R. mucosa, R. jimenezii, R. rensoniana, R. sylvatica e R. emarginata, produtoras de frutos conhecidos genericamente por biribás e/ou araticuns. Uma das características das plantas deste gênero é de possuírem inflorescências trilobadas, na forma de uma hélice. Na exploração econômica, nenhuma das espécies é importante como produtora de frutos, porém regionalmente muitas são apreciadas, como na região amazônica (KAVATI, 1992).
O gênero Annona agrupa as principais espécies cultivadas, distribuindo-se em cinco grupos, sendo “Guanabani” (grupo das graviolas); “Bilaeflorae” (anonas com ceras); “Acutiflorae” (pétalas afiladas); “Annonellae” (anonas anãs) e as “Attae” (grupo das anonas comuns). Os grupos mais importantes são “Guanabani” e “Attae”.
O grupo “Guanabani” é caracterizado por fruteiras possuindo flores grandes, grossas com seis pétalas carnosas, sendo três externas sobrepostas em dois verticilos. São representantes deste grupo além da gravioleira (Annona muricata L.), a Annona montana Macfad, conhecida como falsa gravioleira e Annona glabra L., conhecida como anona do brejo, entre outras.
O grupo “Attae” é caracterizado por espécies produzindo flores com três pétalas, geralmente soltas, de coloração amarelo-esverdeadas, com manchas vermelho-purpúreas na base. Encontram-se neste grupo as principais anonáceas cultivadas, como exemplo a condessa (Annona reticulata L.), pinha (A. squamosa L.), cherimóia (A. cherimola Mill.) e atemóia (A. cherimola Mill. x A. squamosa L.).

ESPÉCIES COMERCIAIS MAIS IMPORTANTES

Destacam-se no Estado de São Paulo a pinha e mais recentemente a atemóia para consumo in natura. A cherimóia é cultivada em condições de clima muito específico, restrita a apenas algumas regiões no Estado de São Paulo. Seus frutos são considerados um dos mais saborosos do mundo.
A graviola é considerada a anonácea com maior potencial de industrialização, utilizada principalmente na produção de polpa, para diversas finalidades. É plantada em escala comercial principalmente nos Estados da região nordeste.
Outras espécies de menor importância ou restritas a mercados regionais no Brasil são: condessa, marolo (A. crassiflora) e biribá (Rollinia mucosa).

CARACTERÍSTICAS GERAIS EM ANNONACEAE

As flores das plantas da família Annonaceae apresentam uma clara dicogamia protogínica e também heterostilia. O fruto é um sincarpo procedente de uma única flor, formado pela fusão de muitos carpelos simples em torno de um receptáculo central, constituindo uma massa sólida.

PERSPECTIVAS DE MELHORAMENTO DO FRUTA-DO-CONDE

Seleção ou introdução de variedades; propagação vegetativa em porta-enxertos resistentes a pragas e doenças; desenvolvimento de técnicas culturais para o aumento produtividade e melhoria da conservação do fruto na pós-colheita.

ATEMÓIA

Introdução e avaliação de novas variedades; porta-enxertos; condução da planta; controle de pragas e doenças.

CHERIMÓIA

Introdução e avaliação de novas variedades (inexistem variedades comerciais selecionadas).

CARACTERÍSTICAS FISIOLÓGICAS

ATEMÓIA
As flores de atemóia são típicas do grupo Attae, caracterizando-se, segundo BLUMENFELD (1975), por terem três pétalas espessas e desenvolvidas, que representam cerca de 90% do peso das flores. O cálice é formado por 3 sépalas de formato triangular, unidas na base e envolvendo a corola. Esta é constituída por 3 pétalas grossas e bem desenvolvidas, largas na base e estreitas no ápice, originando uma estrutura piramidal, em cuja base se alojam os órgãos reprodutivos, constituídos por um cone de pistilos fundidos no receptáculo e rodeado por muitos estames.

CHERIMÓIA
O pecíolo das folhas oculta e protege as gemas que darão origem à próxima brotação, de maneira que elas não são visíveis sem a retirada das folhas que a recobrem. As gemas são compostas; na base de cada folha existem várias delas com brotos parcialmente desenvolvidos, no estádio latente. Cada gema composta pode emitir até quatro brotos, dando origem a somente ramos vegetativos, somente ramos floríferos ou então a ramos vegetativos e floríferos.

FRUTA-DO-CONDE
O botão floral eclode de uma gema subpeciolar após a queda do pecíolo foliar, 15 a 20 dias antes da antese.

GRAVIOLA
As flores são hermafroditas, apresentando estames numerosos circundando os carpelos, situadas em pedúnculos curtos axilares ou diretamente do tronco. Por apresentar dicogamia, heterostilia e lenta abertura de pétalas (antese), sua frutificação é pequena e irregular. A polinização artificial possibilita melhoria da produção.




FASES E TEMPO DE ABERTURA DAS FLORES 
64-chirimoya

CHERIMÓIA
GUIRADO-SANCHES (1991) classificou as flores de cherimóia (A. cherimola) em quatro fases: estádio de flor fechada (10 a 15 dias); flor em pré-abertura (5 a 20 horas); flor em estádio feminino (26 horas) e flor em estádio masculino (ocorre à tarde do mesmo dia de abertura entre às 16 e 18 horas).

FRUTA-DO-CONDE
Na antese, as pétalas que inicialmente encontravam-se unidas, passam a ficar ligeiramente abertas, definindo o início da fase feminina, que duram entre 20 e 24 horas. Após esta fase, as pétalas começam a se separar completamente, eventualmente caindo e desprendendo-se pelas axilas florais. A fase masculina começa quando as anteras se encontram deiscentes, o que ocorre após as pétalas estarem totalmente abertas, 20 a 24 horas após o início da abertura floral. A germinação do grão de pólen na superfície do estigma só ocorre na fase feminina e dificilmente na deiscência das anteras.

POLINIZAÇÃO ARTIFICIAL

A polinização artificial constitui uma importante ferramenta no melhoramento genético em Annonaceae e são vários os fatores relacionados, descritos a seguir.

COMPATIBILIDADE

ATEMÓIA
MELO et al. (2002) estudaram a polinização da atemóia, visto que a polinização natural tem-se mostrado ineficiente nas condições de Lins, SP. Empregou-se polinização manual com pólen de (Annona squamosa L.); polinização manual com pólen de a cultivar instalada (Gefner); polinização manual (pólen da atemóia cultivar African Pride); polinização manual (pólen da atemóia cultivar PR-3) e polinização natural ou aberta. A polinização iniciou-se às 6h30min e encerrou-se às 10h do dia 1º/11/2000. Coletaram-se flores a partir das 15 h, as quais se encontravam em antese, no estádio fêmea. As flores colhidas foram colocadas em bandejas plásticas e cobertas com outra bandeja. Pela manhã seguinte, às 6h, as flores nos pratos foram transportadas para o campo e mantidas em caixa de papelão com tampa. Conforme a necessidade do pólen, ele era extraído das flores com os dedos. A seguir, com o auxílio de um pincel, o pólen era agrupado e colocado no aplicador de pólen, para ser aplicado nas flores que estivessem no estádio pré-fêmea. Os resultados são encontrados na tabela seguinte:



4517

GRAVIOLA
CAVALCANTE et al. (2000) constataram através de polinizações manuais que A. muricata (graviola) é autocompatível e que os grãos de pólen apresentaram em média 86% de viabilidade. As flores apresentaram característica de cantarofilia (polinização por coleópteros), sendo Cycocephala vestita (Coleoptera: Scarabaeidae: Dynastinae) em Una (BA) e Cycocephala hirsuta em Visconde do Rio Branco (MG). As flores duraram quatro dias, sendo nos três primeiros dias funcionalmente femininas.

FRUTA-DO-CONDE
KAVATI et al. (2000) verificaram não haver problema quanto a ocorrência de auto-incompatibilidade em um material de fruta-do-conde (Annona squamosa L.) selecionado no Estado de São Paulo denominado Tang 18/20, pois os resultados não indicaram diferença entre a autopolinização e polinização cruzada.

COLETA DE FLORES PARA POLINIZAÇÃO ARTIFICIAL

FRUTA-DO-CONDE
SAVAZAKI et al. (2000) avaliaram o número de flores a ser coletada para a polinização artificial em fruta-do-conde através do uso de um aparelho de fabricação japonesa. A proporção de flores colhidas para flores polinizadas é superior a 1:4, com o equipamento utilizado. A coleta de 1,25 litro de flores ou 600 flores possibilita a polinização artificial de 1800 flores no período das 7 às 10:00 horas, aplicando o tratamento em 12 a 15 flores por planta.

ARMAZENAMENTO DE MATERIAL POLINIZANTE

FRUTA-DO-CONDE
KAGUEAMA et al. (2000) determinaram o período de armazenamento de material polinizante para polinização artificial em fruta-do-conde e constataram melhores resultados com pólen de flores coletadas no dia anterior; sendo possível utilizar o pólen armazenado por um período de 2 dias, embora sua eficiência diminua. Não é recomendado o armazenamento de pólen por mais de 2 dias.

EFEITO DO ESTÁDIO DA FLOR NA POLINIZAÇÃO ARTIFICIAL

FRUTA-DO-CONDE
SILVA & SÃO JOSÉ (2000) verificaram não haver diferença entre polinização artificial de fruta-do-conde com pincel, utilizando pólen de flores em estádio masculino ou feminino.

CONDIÇÕES CLIMÁTICAS

CHERIMÓIA
Para obter boa fecundação em cherimóia, a temperatura não deve ser inferior a 16ºC e a umidade relativa do ar superior a 50%, sendo que melhores resultados são obtidos quando a umidade do ar está em torno de 80% (CALABRESE et al, 1984).
SCHROEDER (1943) citado por KAVATI (1992) comprova que o pegamento dos frutos em condições de temperaturas amenas (27ºC) e alta umidade relativa do ar (80%), é melhor que em altas temperaturas (31ºC) com baixa umidade relativa do ar (30%).

ESTERILIDADE DO PÓLEN

ATEMÓIA
KISHIRSAGAR et al. (1976) atribuem o baixo pegamento das flores de atemóia a uma alta taxa de esterilidade do pólen, que é maior que 58% em maio.

INFLUÊNCIA DE PORTA-ENXERTOS NA PRODUÇÃO

ATEMÓIA
GEORGE & NISSEN (1986) observaram que a produção de duas cultivares de atemóia foi significativamente influenciada por diferentes porta-enxertos. A cv. African Pride, produziu 203% a mais quando enxertada sobre cherimóia, do que quando sobre a pinha. Na cv. Pink’s Mammoth estas diferenças foram bem menores com a produção de 7,2 t/ha. quando enxertada em cherimóia e 6,2 t/ha. quando o porta-enxerto era a pinha.


PRAGAS E DOENÇAS

Várias pragas e doenças atacam a planta e os frutos em Annonaceae, devendo ser combatidos para manter a sanidade do germoplasma e a integridade dos trabalhos de cruzamento. As principais doenças são: Antracnose (Glomerella cingulata); podridão das raízes (Phytophthora e Pythium) e podridão seca dos ramos (Botryodiplodia theobromae). As principais pragas são: broca dos frutos (Cerconota anonella); broca da semente (Bephratelloides maculicolis); broca do tronco (Cratosomus spp.) e broca do coleto (Heilipus catagraphus).

CLONAGEM DE ESPÉCIES DE ANNONACEAE




CLONAGEM DE ESPÉCIES DE ANNONACEAE
POTENCIAIS COMO PORTA-ENXERTOS

Dentre as anonáceas com destino de produção para mesa, ou seja, para consumo in natura, destacam-se no Estado de São Paulo a pinha (Annona squamosa L.) e mais recentemente a atemóia (A. cherimola x A. squamosa). Esta última vem despertando interesse ao cultivo, devido às qualidades de fruto e possibilidade de satisfatório retorno econômico, principalmente para pequenas propriedades, além de ser uma nova opção a mais, de uma frutífera adaptada às condições climáticas deste Estado.
A graviola é considerada a anonácea com maior potencial de industrialização, utilizada principalmente na produção de polpa, para diversas finalidades. É plantada em escala comercial principalmente nos Estado da região nordeste. Um dos principais motivos do uso de porta-enxertos nesta espécie é torná-la mais tolerante à broca do colo e propiciar melhoria da produção (VARGAS RAMOS, 1992).
As anonáceas, em geral, são muito suscetíveis às diversas podridões de raiz e colo (KAVATI, 1992), além de serem atacadas por coleobrocas (TOKUNAGA, 2000), o que exige a utilização de porta-enxertos na tentativa de amenizar os problemas decorrentes.
De acordo com CAMARGO & KAVATI (1996), a formação de mudas que possibilita a obtenção de pomares de anonáceas homogêneos, produtivos e com frutos de qualidade elevada, precisa evitar o uso da propagação sexuada em qualquer de suas fases.
Alguns problemas iniciais no cultivo de pinha, como instalação de pomares via semente (causando alta desuniformidade) e a ausência de um adequado porta-enxerto, posteriormente também para a atemóia, causaram intensificação em experimentações na busca de espécies compatíveis (TOKUNAGA, 2000).

A possibilidade da propagação de porta-enxertos via estaquia (HARTMANN & KESTER, 1968) permite uniformidade do material, além da redução do tempo de formação da muda. A estaquia pode ser influenciada por diversos fatores (CALABRESE, 1978; MENZEL, 1985), entre eles as características inerentes à própria planta e as condições do meio ambiente. Dentre os fatores que podem melhorar os resultados, destacam-se a presença de folhas na estaca, utilização de câmara com nebulização intermitente, reguladores de crescimento, estádio de desenvolvimento da planta e do próprio ramo, além da época do ano em que as estacas são coletadas. 



REVISÃO DE LITERATURA

Na propagação por sementes em anonáceas, dada a polinização cruzada, ocorre uma grande segregação, o que reflete no aspecto das plantas e principalmente nas características de seus frutos (KAVATI, 1996).
A propagação das anonáceas pelo método de estaquia até o presente não tem apresentado resultados muito concretos (FRUTICULTURA..., 1994).
Citações de diversos autores indicam a A. reticulata e a A. montana como porta-enxertos para cherimóia, pois apresentam resistência tanto à seca como à umidade excessiva; enquanto que o uso de A. squamosa diminui a altura das plantas (FRUTICULTURA..., 1994).
PINTO & GENÚ (1984) citam como melhores porta-enxertos para a gravioleira, a Annona montana e Annona glabra, como também Annona reticulata. SÃO JOSÉ et al. (2000) recomendam para produção de mudas de gravioleira, a própria graviola ou biribá (Rollinia mucosa) como porta-enxertos.
Na Venezuela, os melhores resultados na enxertia de gravioleira foram obtidos com a utilização dos porta-enxertos de Annona glabra, Annona purpurea e da própria Annona muricata (FRUTICULTURA..., 1994).
A enxertia das anonáceas tem apresentado bons resultados quando realizada pelos métodos de borbulhia ou garfagem (KAVATI, 1992; TOKUNAGA, 2000).
Para aumentar a percentagem de pegamento no processo de enxertia tanto por borbulhia como por garfagem recomenda-se, cerca de duas semanas antes da retirada do material vegetativo, preparar os ramos terminais da planta-matriz fornecedora de borbulhas e garfos. Este preparo consiste em eliminar a gema apical e todas as folhas, porém deixando-se os pecíolos. Os ramos devem ser cortados da planta-matriz quando ocorrer a abscisão dos pecíolos e as gemas laterais estiverem começando a inchar. Com esta técnica é possível aumentar a percentagem de pegamento dos enxertos (FRUTICULTURA..., 1994).
Na Itália, estacas lenhosas de cherimóia (Annona cherimola Mill.) cv. Tardiva foram coletadas entre Dezembro e Fevereiro e tratadas com 4000 mg.L-1 de IBA; assim como estacas herbáces do mesmo cultivar foram coletadas em Junho, Julho e Outubro e postas a enraizar em substrato perlita. Estacas herbáceas coletadas em Junho apresentaram os melhores resultados, com 39% de enraizamento (TAZZARI et al., 1989). Todas as estacas retiradas do cv. Precoce falhou no enraizamento, mostrando a dependência não somente da espécie em questão, mas também do cultivar a ser utilizado, indicando que o enraizamento é variável dentro de seleções ou grupos de clones para uma mesma espécie.
FERREIRA & CEREDA (1999) realizaram experimento com estaquia de atemóia no final da primavera e obtiveram melhores resultados com estacas medianas. George & Nissen (1983), citados por a FERREIRA & CEREDA (1999) trabalharam com dois cultivares de atemóia (Pink’s Mammoth e African Pride), dois tipos de estacas (medianas e apicais), com ou sem tratamento de 2000mg.L-1 de IBA e obtiveram melhores resultados com estacas apicais tratadas com o regulador de crescimento.
Os melhores resultados de enraizamento de estacas de pinha (26%) foram obtidos com o tratamento com IBA (2500 a 3000 mg.L-1) sendo que a testemunha apresentou apenas 4% de enraizamento (BANKAR, 1989).
BLAT et al. (2002) enxertaram duas cultivares de atemóia em duas espécies do gênero Rollinia, sendo R. emarginata e R. sp. (araticum-de-terra-fria). Os porta-enxertos foram obtidos via semente e via estaquia. A estaquia foi realizada segundo metodologia proposta por MITRA & BOSE (1996), onde foram utilizados ramos semilenhosos tratados com 1000 mg.L-1 de IBA diluído em talco, substrato composto com 50% de areia e vermiculita, em câmara de nebulização. A germinação de RE e R. sp. foi de 70%, porém o descarte de plântulas com defeitos foi da ordem de 50%. Na estaquia, obteve-se 50% de enraizamento para RE e 60% para R. sp. O pegamento da enxertia (garfagem tipo inglês complicado) foi de 100% e após quatro meses as mudas foram plantadas no campo.
COSTA JUNIOR et al. (1998) utilizaram o IBA em estacas semilenhosas de atemóia cv. Pink, nas concentrações de 0 (testemunha), 1000, 2000 e 4000 mg.L-1 e obtiveram um enraizamento de 6,7, 11, 15,5 e 40%, respectivamente. Além de proporcionar o maior enraizamento, a concentração de 4000 mg.L-1 promoveu um maior número de raízes por estaca.


64-chirimoya

RESULTADOS DA DISSERTAÇÃO SOBRE CLONAGEM DE ANNONACEAE (SCALOPPI JR, 2003)

O trabalho objetivou o estudo da capacidade de enraizamento de quatro espécies de Annonaceae potenciais como porta-enxertos (Annona glabra L., Annona montana Macfad, Rollinia emarginata e Rollinia mucosa Baill.). O experimento foi realizado em três épocas, sendo a coleta de estacas realizada em 12/2000, 08/2001 e 04/2002, respectivamente para verão, inverno e outono. O experimento foi conduzido em câmara de nebulização intermitente pertencente à UNESP/FCAV, utilizando-se estacas apicais enfolhadas em tratamento rápido (5 segundos) com ácido indolbutírico (IBA) (0, 1000, 3000, 5000 e 7000 mg.L-1), em esquema fatorial. Após 90 dias avaliou-se a porcentagem de estacas enraizadas, sobrevivência, comprimento e número de raízes.
Para melhor entendimento, as espécies serão denominadas como AG, AM, RE e RM, conforme descritas acima, respectivamente.
A Tabela 1 apresenta o resumo da análise de variância com os valores e significância do teste F para as características avaliadas. Os fatores época e espécie, isolada ou sua interação, apresentaram significância ao nível de 1% de probabilidade para todas as características avaliadas, mostrando serem estas dependentes da espécie a ser propagada em função da época. O fator concentração apresentou significância ao nível de 5% de probabilidade apenas para o número de raízes. Todas as outras interações não foram significativas.
A Tabela 2 apresenta os valores de F do desdobramento da análise de variância para espécie dentro de época e época dentro de espécie. Com relação ao enraizamento, não houve diferença significativa somente para época dentro de RM, apresentando esta espécie baixos valores, independente da época do ano. As estacas desta espécie parecem sofrer oxidação e destruição dos tecidos da base, onde ficam em contato com a vermiculita, apesar deste substrato apresentar ótimas condições de aeração. Para sobrevivência verifica-se significância em todos os desdobramentos. Para número de raízes, o desdobramento espécie dentro de inverno não foi significativo, mostrando baixos valores para esta característica independente da espécie para esta época do ano; como também não foi significativo o desdobramento época dentro de RM. Para comprimento de raízes, não constatou-se significância para época dentro de RE e RM; no caso da primeira espécie nota-se que não houve influência da época no comprimento de raízes e para a última que apresentou valores quase nulos, independente da época (Tabela 5).
As espécies não diferiram entre si em relação ao número e comprimento de raízes no inverno (Tabela 3), indicando que esta época não é adequada, apresentando os piores resultados também, no geral, para as outras características das quatro espécies (Tabela 4).
O inverno mostrando-se desfavorável sobre a maioria dos valores apresentados em relação às outras épocas, indica que a falta de condições ambientais para estas espécies, além das condições fisiológicas, são mais importantes que o fornecimento da auxina exógena, o que leva a conclusão de que há espécies onde as substâncias endógenas são adequadas pelo suprimento principalmente através das folhas desde que haja condições externas adequadas e que há espécies onde mesmo sob condições favoráveis, não enraízam, por uma possível presença de inibidores endógenos e/ou pela estrutura morfológica que dificulte o enraizamento, tanto na formação dos primórdios radiculares, quanto no seu caminhamento em direção ao exterior.
O presente experimento contradiz a afirmação de Casas et al. (1984) citados por FERREIRA & CEREDA (1999), onde os autores afirmam que estacas de anonáceas são consideradas de difícil enraizamento; pois considerando a época de verão, o enraizamento em relação à sobrevivência para AG foi superior a 90% com sobrevivência de cerca de 50%; para AM encontra-se valores próximos a 50% com sobrevivência de cerca de 80%, sendo considerado baixo para RE e de difícil enraizamento portanto apenas para RM (Tabela 5). Do exposto, conclui-se que o sucesso no enraizamento de Annonaceae é dependente da espécie, não podendo-se generalizar a afirmação de Casas et al. (1984) para toda esta família.
Com os diferentes resultados obtidos em relação às épocas de estaqueamento, conclui-se que há um período do ano favorável à realização deste, devendo ser iniciado posteriormente ao inverno e com término anterior ao início do outono. O ideal seria realizar dentro deste período favorável do ano, experimentos mensais para a determinação precisa do período mais conveniente à propagação por estaquia, principalmente para AG e AM, assim como realizado em seleções de goiabeira por FELDBERG et al. (2000).

Em relação a época de verão, apesar do período inicial proposto de 90 dias para o enraizamento, verificou-se no momento da avaliação que raízes ocupavam o exterior das caixas, principalmente de AG e algumas de AM, que apresentavam bom enraizamento, porém estavam mortas. Diante disto, sugere-se que as estacas permaneçam sob nebulização no período de verão por um período de 60-70 dias, para que após, possam ser transplantadas, obtendo-se maiores índices de sobrevivência. 


CONSIDERAÇÕES FINAIS

As espécies AG e AM, em primeiro instante, comportam-se promissoras para a propagação vegetativa via estaquia, sendo o verão a época mais adequada.
Para AG, a época do ano é decisiva no enraizamento desta espécie.
As diferentes concentrações de IBA não apresentaram diferença estatística entre si em relação ao enraizamento no verão, para AM, porém justifica-se através da regressão, realizar experimentações para determinar se o número de raízes pode influenciar no pegamento das mudas, já que apresentou diferenças em relação à testemunha.
Para RE é clara a necessidade de se realizarem tratamentos alternativos que possam incrementar as atuais taxas de enraizamento obtidas, como retirada de estacas mais tenras, que visualmente apresentaram maior capacidade de enraizamento do que estacas lignificadas; tratamento na planta ou nas estacas com o elemento boro, pois este promove a translocação de carboidratos, o que facilitaria o enraizamento e com o elemento zinco que é precursor da auxina; estiolamento dos ramos; anelamento; etc. A obtenção de um protocolo para a propagação por estaquia desta espécie é em particular desejável, por apresentar boas características como porta-enxerto e devido o inconveniente da plântula levar 30 meses até a enxertia. No outono, a concentração de 5000 mg.L-1, que proporcionou os melhores resultados para o enraizamento, pode ser utilizada nesta espécie, nas condições de Jaboticabal, SP. Devido ser inúmeras as condições que levam ao enraizamento das espécies, fica difícil estabelecer ou sugerir um método geral estimulante, um indicador universal, que leve ao incremento da formação de raízes em estacas.
Os baixos índices de enraizamento e sobrevivência apresentados por RM, devido a queimadura e necrose de tecido existente na base das estacas no momento da avaliação, independente da concentração utilizada, experimentos devem ser realizados na tentativa de solucionar o problema.
Um outro ponto que merece ser melhor estudado, devido a baixa taxa final de sobrevivência das mudas, é o manejo pós-enraizamento, para determinar o período necessário de permanência sob nebulização até que o pegamento esteja garantido.