O processamento visa aumentar a vida útil dos alimentos, oferecê-los no período de entressafra, agregar valor ao produto, transformá-lo em um novo produto, facilitar o consumo, aproveitar excedentes de produção e, por ter maior durabilidade, propiciar maior lucratividade na comercialização.
Os alimentos processados são aqueles que passam por transformações físicas e/ ou químicas e, algumas vezes, microbiológicas, a fim de beneficiar a matéria-prima.
Para garantir a segurança microbiológica e o aumento da vida de prateleira, além da matéria-prima e de ingredientes de boa qualidade, é necessário, também, que sejam adotados princípios de higiene e a aplicação de tecnologia adequada.
A partir do momento em que se rompe a proteção da fruta, ou seja, a casca da goiaba, aumenta o metabolismo do fruto e, consequentemente, reduz sua vida útil, além de facilitar a entrada e a proliferação de microrganismos, principalmente fungos.
Portanto, a higiene é fundamental em todas as etapas do preparo do alimento, tanto no que diz respeito aos cuidados com a fruta e com as instalações onde ela é processada, quanto à higiene e ao comportamento humano durante o trabalho.
Instalações industriais, equipamentos e utensílios
O local de processamento deve apresentar as seguintes características: piso lavável e resistente; paredes de azulejo branco até uma altura mínima de 2,0 m, podendo o restante ser de tinta lavável; lâmpadas protegidas (para evitar que estilhaços caiam no local de processamento no caso de quebra); e portas, teto e janelas (com tela de proteção contra insetos) de material lavável.
As instalações mínimas necessárias para o processamento de goiaba requerem: cuba de aço inoxidável, com água de boa qualidade e em abundância, para a lavagem dos frutos; tanque de imersão de aço inoxidável, para sanitização das frutas; mesas, despolpadeira, suqueira e tachos de aço inoxidável, fogão e freezer; baldes de plástico, facas e colheres de aço inoxidável, panelas, provetas e recipientes de plástico de diversos tamanhos; balanças com capacidade para pesagem de pequenos e grandes volumes, refratômetro (para medição do teor de sólidos solúveis), termômetro e potenciômetro (pHmetro).
São necessárias, ainda, embalagens para cada tipo de produto produzido.
Higiene e comportamento do empregado durante o trabalho
A higiene pessoal consiste nos seguintes hábitos: banhos diários e uso de toalhas limpas; manutenção das unhas curtas e sem esmalte; lavagem das mãos e dos antebraços com água corrente e sabão, imediatamente antes do manuseio dos alimentos; escovação dos dentes depois das refeições; utilização de uniforme limpo e, de preferência de cor branca, composto por bata, calças, botas de borracha, touca e máscara para boca e nariz.
O comportamento no trabalho é o conjunto de e atitudes a serem seguidas pelo trabalhador durante as atividades: afastar-se temporariamente do ambiente do trabalho quando acometido de alteração da saúde que possa gerar contaminação ao produto, como inflamação ou infecção de pele, feridas, gripe e resfriado; durante o manuseio de alimentos, não coçar a cabeça ou outra parte do corpo; não introduzir dedo no nariz, na orelha e na boca, porém, se o fizer, as mãos devem ser higienizadas antes de ser retomada a atividade; não tossir nem espirrar sobre os alimentos; não mascar chicletes, não ingerir alimentos, nem manter palitos ou similares na boca; não utilizar lápis ou outros objetos atrás da orelha; não usar brincos, anéis, colares, pulseiras, hidratante de pele, perfume, batom, cílios e unhas postiças.
A recomendação sobre o ponto de colheita ideal para a goiaba depende, inicialmente, do mercado de destino da fruta.
Quando a fruta é destinada à agroindústria, a colheita deve ser realizada nos estádios mais avançados de maturação. Na maioria das vezes, a goiaba é colhida madura, no estádio 5 de maturação, quando apresenta o máximo teor de sólidos solúveis, baixa acidez titulável e a polpa está macia. Nas cultivares de polpa vermelha, é intensa a coloração da goiaba nesse ponto de maturação. Contudo, nesse estádio, a fruta é bastante sensível a danos, é de difícil manuseio e tem limitada resistência às operações de transporte e distribuição, o que inviabiliza seu aproveitamento no mercado de fruta fresca.
Quando o objetivo é o consumo in natura, a colheita deve ser orientada para assegurar a integridade, a preservação das características nutricionais e a completa evolução do sabor e do aroma típicos da cultivar. Quanto mais distante for o mercado, mais cedo a fruta deverá ser colhida, desde que esteja fisiologicamente desenvolvida, o que, em goiaba, corresponde, no mínimo, à mudança da cor verde-escura para a verde clara.
A colheita da goiaba pode ser iniciada de 150 a 200 dias da poda, dependendo da cultivar, da região de cultivo e da estação do ano. Deve ser realizada manualmente, usando-se tesouras apropriadas, manuseadas por pessoas treinadas e nas horas mais frescas do dia, uma vez que o aquecimento da fruta pela exposição prolongada ao sol acelera mudanças que levam à senescência, reduzindo-lhe a vida útil. No momento da colheita, o corte do pedúnculo deve ser feito a uma distância de 1 cm da fruta.
Em razão da floração irregular da goiabeira, devem ser feitas colheitas parceladas, em geral duas ou três vezes por semana, assegurando, assim, uniformidade na maturação das frutas colhidas a cada vez. Essas colheitas parciais podem se estender por até30 dias.
Os procedimentos adotados na colheita variam conforme o mercado de destino.
Para o mercado de fruta fresca, o manuseio durante a colheita deve ser particularmente cuidadoso, para evitar danos aos frutos. As goiabas devem ser acondicionadas em caixas de plástico de 20 kg ou em outro recipiente que assegure proteção e sanidade, devendo ser mantidas à sombra até o momento do transporte para o galpão de embalagem ou a empacotadora. Cuidados também devem ser tomados durante o transporte, que deve ser feito em baixa velocidade e por estradas bem pavimentadas. Os cuidados devem se estender às operações realizadas no local de embalagem.
Numa sociedade cada vez mais exigente em segurança e em qualidade alimentar, além das recomendações de manuseio cuidadoso da fruta, de emprego de técnicas e produtos legalmente permitidos para a cultura e de utilização de mão de obra treinada, recomenda-se:
• Utilizar contentores exclusivos para a colheita, com superfície de material inerte, não absorvente e higienizável.
• Usar, no fundo e nas laterais dos contentores, material de proteção de fácil higienização e que não transmita odor ou substâncias indesejáveis ao produto.
• Manusear os contentores cuidadosamente no pomar e durante o transporte.
• Evitar o enchimento excessivo dos contentores, a fim de não causar danos às frutas durante seu manuseio e transporte.
É importante destacar que a máxima qualidade da fruta é obtida no momento da colheita. A partir daí, a ocorrência de danos mecânicos, o amadurecimento e a senescência naturais da fruta, a perda de água e a ocorrência de podridões contribuem para a perda de qualidade. Portanto, devem ser tomados cuidados para minimizar o efeito desses fatores.
Operações pós-colheita
A goiaba é uma fruta de alta perecibilidade, necessitando de um manejo pós-colheita que possa atrasar os processos de senescência.
Para conseguir um alto rendimento nas operações de pós-colheita, o local onde a goiaba será embalada deverá ser dimensionado conforme o volume de frutas colhido diariamente, o número de funcionários envolvidos nas diferentes atividades e a movimentação das frutas antes e depois do processamento. Além disso, recomendam-se:
• Uma área para recepção da fruta e outra para manejo, classificação, embalagem, armazenamento e expedição, denominada área de manuseio da fruta.
• Instalações adequadas para lavagem e secagem higiênica das mãos dos funcionários e dos visitantes, e que fiquem próximas da entrada da área de manuseio da fruta.
• Cômodo específico para armazenamento de materiais e produtos de limpeza.
• Procedimentos operacionais padronizados para a limpeza e a higienização de utensílios e equipamentos de colheita.
• Mão de obra treinada, que use roupas limpas e adequadas ao serviço, cabelos presos, unhas cortadas e mãos asseadas.
• Equipamentos para a lavagem das mãos e instalações sanitárias limpas para uso dos trabalhadores, situadas a uma distância máxima de 500 m do local de trabalho.
Dispondo-se de um local adequado ao recebimento das frutas e de procedimentos bem definidos de pós-colheita, as frutas destinadas ao consumo in natura deverão passar pelas seguintes operações:
Lavagem
Visa à retirada de resíduos de terra, de folhas ou outros agentes de contaminação.
Recomenda-se que a água utilizada seja potável. Também deve ser utilizado detergente e/ou sanitizante recomendado e registrado conforme legislação vigente.
No momento da lavagem, já é possível fazer uma seleção prévia das frutas, quando serão eliminadas aquelas que apresentem os defeitos comerciais mais graves, como:dano profundo, fruta imatura, podridão e alterações fisiológicas.
Seleção
Depois de limpos, os frutos são selecionados de acordo com os padrões de qualidade vigentes no mercado. Nessa operação, além das frutas com defeitos graves, são descartadas aquelas que, embora apresentem defeitos leves, esses excedam o limite de tolerância aceito no mercado que sepreten de atingir. Entende-se como defeitos leves aqueles que desvalorizam o produto, mas não atingem a polpa, nem inviabilizamo consumo. Em goiaba, lesões cicatrizadas, danos superficiais, umbigo malformado, deformações, amassados e manchas superficiais são considerados defeitos leves. Emconjunto, os defeitos podem atingir porcentagem superior desde 5% até um pouco mais de 15% da embalagem comercial, dependendo da categoria de qualidade emque se enquadre.
Para evitar contaminação ou dano às frutas sadias e aptas à comercialização,recomenda-se que as goiabas descartadas sejam separadas das demais.
Classificação
Conforme a norma de classificação do Programa Brasileiro para a Melhoria dos Padrões Comerciais e de Embalagens de Hortigranjeiros especifica para a goiaba, essa fruta é classificada por classe ou calibre. São consideradas as classes 5, 6, 7, 8, 9 e 10, que agrupam, respectivamente, frutas com o diâmetro equatorial de 5 cm a 6 cm, de 6 cm a 7 cm, de 7 cm a 8 cm, de 9 cm a 10 cm e com mais de 10 cm. Essa mesma norma classifica a goiaba nas categorias Extra, I, II e III, sendo a tolerância a defeitos menor na primeira, aumentando gradativamente até a última.
Popularmente, o número de frutas por caixa, que define o tipo da goiaba, é muito usado nas operações de comercialização.
Dessa forma, dizer que uma goiaba é do tipo 12 significa dizer que existem 12 frutas de tamanho semelhante na caixa.
A goiaba classificada deve ter homogeneidade de tamanho e de coloração. No que se refere à coloração, são considerados três padrões: amarela, verde-amarelada e verde-clara.
Embalagem
A embalagem padrão para goiaba é uma caixa de papelão de 304 mm de comprimento, 205 mm de largura e 75 mm de altura, com tampa, que comporta 3 kg ou 3,5 kg do produto. Nesse tipo de caixa, as frutas de mesmas origem, cultivar, qualidade e classe são distribuídas em camada única, individualmente, e são envolvidas em papel seda ou em redes de poliestireno. Podem ser usados também fitilhos para a proteção das frutas.
Para a adequada proteção das frutas, recomenda-se que sejam utilizados:
a) embalagens novas, limpas e de material atóxico, que atendam às exigências do mercado e assegurem a proteção física da fruta;
b) papéis ou selos impressos com produto atóxico; e c) caixas identificadas conforme normas técnicas de rotulagem.
Para o mercado externo, recomenda-se o uso de caixas de papelão, com os seguintes arranjos: 3 fileiras de 5 frutos (tipo 15); 3 de 6 frutos (tipo 18); 3 de 7 frutos (tipo 21); de 6 frutos (tipo 24); 4 de 7 frutos (tipo 28); 4 de 8 frutos (tipo 32); 5 de 7 frutos (tipo 35); 5 de 8 (tipo 40); e 5 de 9 (tipo 45).
No mercado atacadista, também se comercializa goiaba em embalagem a vácuo, contendo em geral quatro frutas. Nas centrais de abastecimento, por seu turno, ainda se verifica o uso de embalagens de madeira, com capacidade para 18 kg a 22 kg de goiaba.
Paletização
Corresponde ao empilhamento das caixas em colunas, sobre um estrado, que deve ter dimensões compatíveis com os padrões de comercialização. Os paletes normalmente utilizados são de madeira, com dimensões de 1,2 m x 1,0 m. No entanto, sua adoção ainda é restrita a produtores que exploram mercados diferenciados.
Armazenamento
A refrigeração é uma das técnicas mais eficientes para retardar o amadurecimento da goiaba, que, sob temperatura ambiente, ocorre entre 3 e 5 dias. As condições recomenda das para o armazenamento da goiaba são temperaturas de 8 ºC a 10 ºC e umidade relativa de 85% a 95%. Nessas condições, as frutas podem ser conservadas por até 21 dias. Sob temperaturas inferiores, são observados danos causados pelo frio, que consistem de manchas escuras na casca, em forma de pontuações, que evoluem para depressões, e de perda total ou parcial da capacidade de amadurecimento. Além disso, a polpa pode adquirir consistência emborrachada.
Associadas ao armazenamento refrigerado, outras técnicas de conservação pós-colheita podem ser usadas em goiaba.
Entre elas, cita-se o uso de sacolas de plástico (de polietileno, por exemplo) ou filmes esticáveis de cloreto de polivinila (PVC), com espessura e permeabilidade a água e a gases adequados à respiração e à produção de etileno (hormônio produzido durante o amadurecimento) pela goiaba, depois da colheita. Esses materiais reduzem a perda de água e, em algumas cultivares, atrasam algumas mudanças próprias do amadurecimento, como perda de firmeza e amarelecimento da casca.
O uso de ceras também pode ser incorporado às operações pós-colheita de goiabas. Além de proporcionar melhor aparência, graças ao aspecto lustroso, a cera pode diminuir a perda de água e retardar o amadurecimento. No entanto, é necessário identificar o tipo de cera mais adequado aa cada cultivar. Há necessidade, ainda, deadaptar os equipamentos normalmente usados parapara outras frutas, visando à aplicação de cera em goiabas.
Transporte
A temperatura de transporte também deve atender às recomendações adotadas para o armazenamento refrigerado. Porém, geralmente são aplicadas aos frutos exportados.
Aqueles destinados ao mercado interno são transportados sem refrigeração.
Finalmente, é importante reforçar que a preservação máxima da qualidade da fruta a partir da colheita depende das práticas e do manuseio adotados. Esses devem atender aos requerimentos de mercado, oferecendo um produto de qualidade especial, que não promova riscos químico, biológico e físico à saúde do consumidor, e que seja proveniente de sistema de produção coerente com os preceitos de minimização de impactos ao meio ambiente e de respeito às leis trabalhistas.
Ademais, a fruta deve apresentar aparência fresca e atrativa.
Durante o seu desenvolvimento, a goiabeira é atacada por diversos insetos, que provocam diferentes tipos de danos.
No Brasil, já foram registrados mais de cem espécies de insetos que atacam goiabeiras (MARICONE; SOUBIHE SOBRINHO, 1961). Entre eles, há pragas-chave, secundárias e ocasionais ou esporádicas.
A classificação das pragas, como pragachave ou secundária, pode variar conforme a região. Como praga-chave ou principal, considera-se aquela que, com frequência, provoca danos econômicos, exigindo, por isso, medidas de controle. Praga secundária é aquela que, embora cause danos à cultura, raramente provoca prejuízos econômicos.
Já as esporádicas ou ocasionais são aquelas que causam danos apenas em áreas localizadas ou em determinado período.
Para o estabelecimento de um controle efetivo no campo, a identificação do inseto agressor e o conhecimento dos seus danos e sintomas são fundamentais. Entre as pragas que causam danos econômicos na goiabeira,se destacam:
Psilídio (Triozoida limbata)
Os psilídeos são insetos sugadores de seiva, medindo, quando adultos, aproximadamente 2,0 mm de comprimento (Figura 9). O macho possui coloração esverdeada, e a face dorsal do tórax e do abdome é de coloração preta; a fêmea é verde-amarelada.
As formas jovens têm formato achatado, com coloração rósea, e são recobertas por secreção de cera esbranquiçada, de aspecto floculoso. Por conta das toxinas injetadas por esse inseto durante a alimentação, as folhas atacadas apresentam enrolamento dos bordos, tornando-se deformadas (Figura 10), e desenvolvem, posteriormente, uma coloração amarelada ou avermelhada, ganhando um aspecto necrosado (BARBOSA et al., 2001a; PEREIRA; BORTOLI, 1998).
Figura 9. Adulto do psilídeo da goiabeira.
Figura 10. Danos causados pelo psilídeo da goiabeira.
O controle deverá ser iniciado quando se constatarem, em média, 30% ou mais de brotações ou folhas novas danificadas pelo psilídeo (BARBOSA et al., 2001b, 2003). Existe apenas um produto registrado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para essa praga da goiabeira (Tabela 2).
Mosca-das-frutas
As moscas-das-frutas fazem parte de um grupo de pragas responsáveis por grandes prejuízos econômicos na cultura da goiabeira. Cientes disso, os países importadores impõem barreiras à entrada de frutas provenientes de regiões onde ocorre essa praga. As espécies Anastrepha fraterculus, . sororcula e A. obliqua são as mais comuns (ZUCCHI, 1988) (Figura 11), embora Ceratitis capitata (Figura 12) também possa atacar o fruto. Os ovos das moscas-das-frutas são introduzidos abaixo da casca do fruto, de preferência ainda imaturos. No local onde são depositados, pode ocorrer contaminação por fungos ou bactérias, tornando os frutos impróprios tanto para consumo in natura quanto para a industrialização. Os frutos atacados amadurecem prematuramente e passam por um processo de podridão generalizada (BARBOSA et al., 2001a).
Figura 11. Adulto da mosca-das-frutas Anastrepha sp.
Figura 12. Adultos da mosca-das-frutas
Ceratitis capitata.
O monitoramento da população de moscas no campo pela utilização de armadilhas permite conhecer as espécies presentes, suas abundância e distribuição, permitindo, assim, a programação do controle. Há dois tipos de armadilhas: a) armadilhas de plástico, do tipo caça-moscas, que capturam adultos de Anastrepha spp. e C. capitata, por meio de atrativos alimentares, como melaço, suco de frutas e proteína hidrolisada, diluídos em água; e b) armadilhas tipo Jackson, que usam o paraferomônio Trimedilure para atrair machos de C. capitata.
As recomendações de controle das moscas-das-frutas abrangem desde a proteção do fruto, pelo ensacamento, até a aplicação de inseticidas na forma de iscas ou em pulverizações (Tabela 2). A coleta e a destruição dos frutos amadurecidos no pomar ou caídos no chão são importantes medidas de controle. A necessidade de alternativas substitutivas dos métodos químicos convencionais, aliada à crescente cobrança da sociedade por métodos menos agressivos ao homem e ao meio ambiente, têm estimulado a busca por novos métodos, como o controle biológico utilizando o parasitoide Diachasmimorpha longicaudata e a técnica do inseto estéril (PARANHOS; BARBOSA, 2005).
Gorgulho-da-goiaba (Conotrachelus psidii)
O adulto é um besouro com aproximadamente 6 mm de comprimento, de coloração pardo-escura, enquanto a larva é branca, de cabeça negra (Figura 13), apresenta corpo enrugado transversalmente, medindo, quando completamente desenvolvida, 12 mm de comprimento. Suas larvas não se confundem com as das moscas-das-frutas, que são menores, vermiformes e afiladas na porção anterior do corpo. Depois da eclosão, as larvas penetram no fruto, alimentando-se das sementes e da polpa. Além dos danos diretos provocados pelas larvas, os frutos atacados (Figura 14) apresentam depressões, amadurecem precocemente e caem em abundância.
No fruto maduro, a larva-do-gorgulho só se alimenta das sementes, deixando, como vestígio, uma podridão seca.
Figura 13. Larva do gorgulho-da-goiaba em fruto.
Figura 14. Danos causados aos frutos pelo gorgulho-dagoiaba.
A partir do início da floração, o pomar deve ser inspecionado semanalmente, para verificação da existência de botões florais ou frutos danificados. Recomenda-se o monitoramento de 2% das plantas do talhão, ou, no mínimo, de 20 plantas, observando-se um fruto em cada quadrante, no terço médio da copa. Ao se encontrar um fruto atacado, examinar pelo menos mais 20 frutos da mesma planta. Se houver outros frutos dos, proceder ao monitoramento das quatro plantas vizinhas. Havendo frutos atacados em pelo menos uma das plantas vizinhas, o conjunto será considerado infestado.
Quando 20% das plantas observadas apresentarem frutos com sintomas do ataque, o controle deverá ser iniciado (KAVATI, 2004)
O inseto adulto é muito ágil, tem forma quase elíptica, e 5 mm a 6,5 mm de comprimento. O sinal característico da sua presença é a ocorrência de folhas rendilhadas.
O período de maior ataque é quando a goiabeira inicia a emissão das brotações.
Recomenda-se monitorar, semanalmente, 2% das plantas do talhão, ou, no mínimo, 20 plantas por talhão, de preferência nas bordaduras. Se constatada a presença do inseto e/ou de seus danos em 20% ou mais das plantas amostradas, o controle deverá ser iniciado (BARBOSA et al., 2001a; KAVATI, 2004) (Tabela 2).
Outras pragas
Além das pragas já descritas, há outras que podem causar alguns danos a goiabeiras, como: pulgões, lagartas, percevejos e cochonilhas. Contudo, normalmente elas são mantidas em baixas populações quando o controle das pragas mais importantes é realizado. No caso da região Semiárida, eventualmente poderá ocorrer o ataque do mané-magro ou bicho-pau (Stirphra robusta), que causa grande desfolha em plantas atacadas.
Há carência de produtos registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para o controle das pragas da goiabeira, e maioria dos inseticidas registrados são muito tóxicos (Tabela 2).
Esse problema é comum a todas as culturas consideradas pouco rentáveis para a indústria de defensivos agrícolas. É preciso, então, encontrar soluções para a questão, e principalmente meios de disponibilizar, no mercado, produtos eficientes de controle das pragas e que, ao mesmo tempo, apresentem baixa toxicidade ao ambiente, ao homem e aos inimigos naturais.
O Projeto de Produção Integrada da Goiaba (PIF-Goiaba) vem aperfeiçoando técnicas de manejo integrado de pragas, e com tão bons resultados que já conseguiu reduzir em aproximadamente 40% o número de aplicações de defensivos por ciclo da cultura.
Além disso, trabalhos de avaliação de inseticidas quanto à eficiência e à seletividade vêm sendo realizados na Embrapa Semiárido e pela equipe da PI-Goiaba (BARBOSA et al., 2001b, 2003; KAVATI, 2004).
Entre
as doenças que afetam a cultura da goiaba no Brasil, as mais importantes sob o
aspecto econômico são: antracnose, ferrugem, antracnose-maculata, bacteriose e
meloidoginose.
Antracnose ou mancha-chocolate (Colletotrichum gloeosporioides; Fase sexuada Glomerella cingulata)
Esta
doença pode causar sérios prejuízos em pomares mal conduzidos, adensados e
manejados inadequadamente. Os principais danos ocorrem no florescimento, principalmente
em frutos protegidos com saco de papel ou plástico em campo, e também em pós-colheita.
Os sintomas podem surgir em qualquer fase de desenvolvimento da planta. Manchas
escuras, ligeiramente circulares, são observadas em folhas, ramos novos, flores
e frutos (Figura
5). Essas lesões aumentam de tamanho, coalescem e tornam-se deprimidas, resultando
em extensas áreas necrosadas.
Figura 5. Manchas deprimidas em goiaba, causadas por Colletotrichum gloeosporioides.
A
penetração do fungo por meio do botão floral ocasiona o surgimento de podridão
a partir do pedúnculo, podendo atingir todo o fruto, que fica escurecido e
mumificado. Na fase de maturação dos frutos, principalmente na pós-colheita,
podem ser observadas pequenas lesões que, posteriormente, podem ocasionar a
podridão de todo o fruto.
A
dispersão do fungo, por meio de conídios, é favorecida em períodos chuvosos. A penetração
do fungo na planta pode ser direta ou por meio de danos mecânicos,
principalmente nos frutos. Elas podem ser resultantes do manuseio ou causadas
por insetos. Em geral, as infecções em frutos permanecem quiescentes até a colheita.
Entretanto, durante o amadurecimento, o fungo desenvolve-se no fruto,
acarretando perdas significativas durante o armazenamento.
Em
períodos chuvosos e sob temperaturas entre 25 ºC e 30 ºC (SOARES et al., 2008),
a infecção pode ser muito severa, principalmente durante o desenvolvimento
vegetativo da planta, a floração e a maturação dos frutos.
Para
controlar a doença, recomenda-se: adotar espaçamentos entre plantas que favoreçam
o arejamento; realizar análise de solo e executar as adubações segundo as
recomendações, evitando o excesso de adubos nitrogenados; podar a planta
visando manter a copa aberta para reduzir a umidade, para aumentar a insolação
e para propiciar a penetração de fungicidas; evitar cobrir os frutos com sacos
de papel ou plástico; podar e queimar ramos doentes ou infestados por pragas e
frutos mumificados; aplicar fungicidas cúpricos,
preventivamente, visando reduzir a infecção e o potencial de inóculo do fungo
na área. Essas pulverizações devem ser feitas até que os frutos atinjam o diâmetro
de 3 cm, a partir do qual o cobre produz sintomas de fitotoxidez.
Ferrugem (Puccinia psidii)
é
uma das principais doenças da goiabeira, principalmente quando em temperaturas e
umidade relativa favoráveis ao desenvolvimento de
infecções. Pode afetar plantas em qualquer estádio de desenvolvimento.
O
fungo é nativo da América do Sul e pode infectar outras plantas da família da
goiaba, tais como jabuticabeira, eucalipto, jambeiro, araçazeiro
e pitangueira. Os sintomas surgem em folhas, frutos, gemas e flores, na forma
de pontuações escurecidas e arredondadas. Pústulas que correspondem às massas
de esporos
de coloração amarelo-laranja (urediniósporos) surgem na face inferior das
folhas e em ramos, botões florais e frutos (Figura 6). Com o desenvolvimento da
infecção, as lesões aumentam de tamanho, resultando em extensas áreas
lesionadas de aspecto corticoso.
Em
frutos, os danos podem ser mais severos e as lesões são enegrecidas, porém, a
polpa não é atingida.
Figura 6. Sintomas da ferrugem em frutos de goiabeira, caracterizados
pela presença de lesões e massas pulverulentas de urediniósporos.
A
dispersão do fungo ocorre, principalmente, por meio dos urediniósporos levados pelo
vento e que podem provocar novas infecções
em contato com tecidos jovens da planta. É essencial, para que ocorra a infecção,
um período de escuro, umidade relativa maior
ou igual a 90% e temperaturas entre 18 ºC e 25 ºC por 6 a 8 horas. Dessa
maneira, vários surtos da doença podem ocorrer em um
mesmo ano.
As
recomendações para o manejo da doença consistem na utilização de práticas culturais
e no controle químico, conforme se
segue:
•
Plantar cultivares resistentes à ferrugem (as cv. Paluma e Rica são consideradas
tolerantes, enquanto as cv. Riverside Vermelha e Guanabara são moderadamente
resistentes) (PICCININ
et al., 2005).
•
Proceder à análise de solo e adubar as plantas seguindo as recomendações e
evitando utilizar adubos nitrogenados em excesso.
•
Aumentar o espaçamento entre plantas e podá-las, visando favorecer o arejamento,
a insolação e a penetração de fungicidas.
•
Eliminar plantas da família Myrtaceae,
hospedeiras do fungo, dentro e emáreas próximas ao pomar.
O
controle químico deve ser feito apenas utilizando-se fungicidas registrados para
a doença na cultura (Tabela 2), que devem ser aplicados segundo resultados de monitoramento.
Esse controle deve ser feito desde a brotação até o momento em que os frutos
ostentarem um diâmetro menor ou igual a 3 cm, 30 e 180 dias depois da poda, respectivamente
(VENTURA; COSTA, 2003).
Os
fungicidas cúpricos podem causar manchas quando aplicados em frutos com diâmetro
superior a 3 cm.
Verrugose ou antracnose-maculada (Sphaceloma psidii)
A
doença foi, inicialmente, identificada no Estado de São Paulo. A verrugose
afeta plantas em qualquer fase de desenvolvimento.
Botões
florais e frutos exibem lesões como resultado das infecções causadas pelo fungo,
podendo ficar deformados no caso de severa infecção, quando os frutos ficam inviáveis
para a comercialização. Em folhas, observa-se uma variação de sintomas, segundo
a cultivar de goiaba afetada. Esses variam desde pequenas manchas até grandes lesões,
distribuídas de maneira esparsa no limbo foliar.
As
medidas de manejo da verrugose são: promover um bom arejamento do pomar, pela realização
de medidas culturais como as podas de limpeza, e aplicar fungicidas para o
controle da doença (Tabela 2).
Bacteriose (Erwinia psidii)
A
seca-bacteriana ou seca-dos-ponteiros é uma doença de difícil controle e que se
dissemina rapidamente no pomar.
Foi
relatada, inicialmente, no Estado de São Paulo e, posteriormente, em Minas Gerais,
Distrito Federal, Goiás, Espírito Santo, Paraná e Rio e Janeiro. Perdas de até
70% na produção
já foram registradas em pomares de Minas Gerais (ROMEIRO et al., 1994).
As
plantas apresentam murcha rápida em brotações jovens e as folhas ficam
avermelhadas.
Observa-se,
também, escurecimento das folhas e dos ramos do ponteiro.
A
infecção fica limitada aos ponteiros, não progredindo para os ramos mais
velhos.
Folhas
e frutos dos ramos afetados secam, mas ficam aderidos aos ramos secos. Flores e
frutos novos infectados ficam enegrecidos, mumificados
e também aderidos à planta
(Figuras
7A e 7B). Em corte longitudinal dos ramos afetados, observa-se descoloração dos
vasos, além de exsudação de pus bacteriano.
Plantas afetadas pela doença não morrem, entretanto, os danos causados são
bastante significativos, considerando que
a doença afeta a capacidade produtiva da planta.
Figura 7. Necrose em brotações
jovens (A) e frutos mumificados (B) de goiabeiras infectadas pela bactéria
Erwinia psidii
A
bactéria penetra na planta através de aberturas naturais nos botões florais, de
danos mecânicos e de ferimentos causados por
insetos. O desenvolvimento da bactéria é favorecido por temperaturas de 18 ºC a
25 ºC e alta umidade relativa. As chuvas e a água de irrigação propiciam a
disseminação da doença em viveiros ou dentro da área do pomar, enquanto o
material propagativo e mudas infectadas são os meios de disseminação da
doença a longas distâncias.
A
infecção das mudas ocorre, principalmente, pela utilização de material
propagativo contaminado nos processos de enxertia.
As
medidas recomendadas para o controle da doença baseiam-se nos seguintes procedimentos:
•
Adquirir mudas sadias em viveiros credenciados e que apresentem Certificado Fitossanitário
de Origem.
•
Evitar a aquisição de material propagativo de
locais ou regiões de ocorrência da doença.
•
Plantar cultivares mais tolerantes à doença, como aquelas de polpa branca, que
são mais tolerantes que as de polpa vermelha (RIBEIRO et al., 1985).
•
Fazer a análise de solo e a adubação segundo as recomendações.
•
Evitar aplicar adubo nitrogenado em excesso.
•
Estabelecer quebra-ventos em volta do pomar.
•
Irrigar as plantas com água de boa qualidade.
• Desinfestar
tesouras de poda em solução de hipoclorito de sódio (1:3) ou amônia
quaternária.
•
Podar ramos sintomáticos e/ou infestados com pragas e frutos mumificados.
• Podar
as plantas nas horas mais quentes do dia, e apenas quando não estiverem
expostas ao orvalho ou molhadas.
•
Controlar o adensamento e propiciar o arejamento da copa, por meio das podas.
•
Queimar o material resultante das podas em local distante da área de plantio.
A
murcha-bacteriana causada pela bactéria Ralstonia
solanacearum(= Pseudomonassolanacearum) foi identificada apenas em pomares de goiaba do Estado de
São Paulo, em 1979. Em condições climáticas favoráveis à doença, plantas
afetadas exibem lesões encharcadas nos ramos e enrolamento, amarelecimento e
murcha nas folhas.
A
doença é causada pela bactéria R.solanacearum.
Ela
apresenta sintomas característicos, que podem ser observados por meio de um
corte longitudinal nos ramos. A descoloração vascular
ou o escurecimento dos vasos é um desses sintomas. Outro sinal característico da
presença da bactéria nas plantas afetadas
é a exsudação de pus bacteriano.
Alguns
cuidados devem ser tomados no controle da doença: a) utilizar apenas plantas matrizes
sadias na produção de material propagativo
para a preparação de mudas, evitando, assim, a introdução da doença em áreas não
infestadas; e b) utilizar solo apropriado e água de irrigação de qualidade,
para evitar a contaminação de mudas produzidas em viveiros.
Nematoides-das-galhas (Meloidogyne spp.)
Até
2001, as únicas espécies de Meloidogyne
identificadas em goiabeira eram M. incognita, M. arenaria, M. hapla e M. javanica. Naquele ano, porém, M.
mayaguensis Rammah & Hirschmann foi detectado em
goiabeiras sintomáticas (CARNEIRO et al., 2001). Atualmente, encontra-se
disseminado em pomares de diversos estados brasileiros, sendo considerado
agente limitante à produção. Os nematoides-das-galhas provocam engrossamento ou
formação de
galhas nas raízes das plantas afetadas, podendo destruir as camadas superficiais
das raízes mais grossas (Figuras 8A, B, C). Seu ataque causa drástica redução
no volume de raízes finas responsáveis pela absorção de água e nutrientes,
acarretando o bronzeamento dos bordos das folhas e o amarelecimento da parte aérea
das plantas afetadas.
Figura 8. Sintomas de meloidoginose em plantas de goiabeira: (A)
galhas em raízes de mudas; (B) amarelecimento na copa; e (C) aprodrecimento das
camadas superficiais das raízes mais grossas em planta adulta.
Observa-se
também queda de folhas e, na maioria dos casos, declínio e morte das plantas; consequentemente,
redução na produção e na qualidade dos frutos. As perdas podem ser de até 100%,
e implicam aumento nos custos de produção por conta dos gastos com medidas de
manejo da doença. Os frutos são menores e em número reduzido, tornando- se
endurecidos e podendo amadurecer precocemente.
A infecção de goiabeiras por M. mayaguensis tem sido responsável pela eliminação de diversos pomares.
As
galhas, que são os sítios onde as fêmeas se alimentam, formam-se a partir da
secreção de substâncias produzidas pelo patógeno, e que induzem o aumento do
tamanho e do número de células das raízes.
Os
nematoides-das-galhas são parasitas sedentários, pois as fêmeas adultas
permanecem imóveis nos sítios de alimentação.
Dentro
das galhas, os nematoides completam o seu ciclo de vida em cerca de 28 dias, no
intervalo de temperatura de 25 ºC a 30 ºC.
Quando
os nematoides são introduzidos numa área por meio de mudas infestadas, a morte
das plantas pode ocorrer em cerca de um
ano depois do transplantio. Entretanto, quando as plantas são infectadas depois
da instalação do pomar, dependendo do nível populacional
do nematoide no solo, esse período pode se estender a 4 ou 5 anos.
As
estratégias de manejo da doença consistem na adoção de medidas que devem ser
utilizadas de forma integrada. Adquirir mudas
sadias, em viveiristas credenciados, e plantar em áreas não infestadas pelo
nematoide são as medidas mais importantes na implantação de pomares, pois
previnem a introdução e/ou o estabelecimento do patógeno na área de plantio.
Sugerem-se também outras medidas, como: não transportar solo de áreas infestadas para áreas sadias; estabelecer
pomares em áreas com boa drenagem; eliminar plantas com sintoma da
doença, incluindo as raízes; fazer o manejo adequado da irrigação, da matéria orgânica
e da fertilidade do solo.
No
manejo de áreas infestadas, algumas práticas podem ser adotadas visando à redução
da população do nematoide no solo, a saber:
•
Pousio, que consiste em deixar uma área em repouso por um período de 1 a 12
meses.
•
Alqueive, com a eliminação de toda a vegetação da área, com o propósito de eliminar
as fontes de alimento dos nematoides e, assim, causar a sua morte.
•
Inundação do solo, com o objetivo de induzir a morte dos nematoides pela
redução dos teores de oxigênio e pelo aquecimento da água no solo.
•
Cultivo de plantas-armadilha suscetíveis ao nematoide, seguido da destruição
dessas plantas antes de os nematoides se desenvolverem e iniciarem a postura de
ovos.
•
Rotação de culturas com espécies de plantas não hospedeiras do nematoide.
Com
relação ao controle químico, não há produtos registrados para o controle desse
nematoide em goiabeira. Também não há cultivares de goiaba resistentes ao
nematoide das galhas, entretanto, pesquisas conduzidas pela Embrapa têm
indicado que
alguns
acessos de araçazeiro têm potencial para serem utilizados como porta-enxerto de
goiabeira, visando à resistência ao nematoide M. mayagensis.
O abacaxizeiro é uma planta herbácea perene pertencente à família Bromeliaceae, originária do Cone Sul do nosso continente. O fruto presta-se tanto para consumo ao natural como para processamento industrial em suas mais diversas formas (pedaços em calda, suco, pedaços cristalizados, geleias, licor, vinho, vinagre e aguardente). Como subprodutos da sua industrialização, podem-se obter álcool, ácidos cítricos, málico e ascórbico, rações para animais e bromelina (enzima proteolítica de uso medicinal). O talo da planta pode ser aproveitado para extração de bromelina, sendo também fonte de amido. As folhas podem ser utilizadas para a obtenção de fibras. De alto valor dietético, a polpa do abacaxi é energética (150 calorias por copo de suco), contém boa quantidade das vitaminas A, B1 e C. Contém ainda bromelina, que favorece a digestão.
Cultivares: Smooth Cayenne (Cayenne, Havaí ou Bauru) é a cultivar mais produtiva e adequada para industrialização, além de servir para o consumo ao natural. Pérola. IAC Gomo-de-mel (abacaxi-de-gomo), exclusivo para consumo ao natural. Novas cultivares resistentes à fusariose, que é o principal problema fitossanitário da cultura: IAC Fantástico (IAC) e Imperial e Vitória (Embrapa). A cultivar IAC Fantástico é adequada para mesa e indústria, apresenta boa produtividade e qualidade de fruto (polpa amarelo-escura, baixa acidez e muito doce).
Clima e solo: apesar de boa resistência à seca, produz melhor na faixa de 1.000 a 1.500 mm de chuva por ano, tolerando de 600 até 2.500 mm. É, entretanto, muito sensível ao frio, não tolerando geadas. A temperatura ótima situa-se entre 29 e 31 oC, suportando, entretanto, mínima de até 5 oC e máxima de 43 oC. É planta de clima tropical e subtropical. Sol forte e chuvas de pedras provocam danos aos frutos. A cultura pode ser instalada em qualquer tipo de solo, desde que não sujeito a encharcamento. Entretanto, recomenda-se dar preferência ao cultivo em solos leves e com pH entre 5,5 e 6,0.
Práticas de conservação do solo: plantio em linhas de nível, terraceamento.
Propagação: o abacaxizeiro propaga-se vegetativamente por meio de mudas produzidas pela planta, como filhotes (do pedúnculo do fruto), rebentões (do talo da planta - maiores) e até as coroas dos frutos destinados à indústria, ou ainda, mudas resultantes do enviveiramento de seções do talo da planta ou das mudas. Dentro de cada talhão da plantação, as mudas devem ser uniformes quanto ao tipo e tamanho.
Não coletar mudas de abacaxizais infectados pela doença fusariose, selecionando mesmo assim, mudas de plantas sadias. Nos plantios iniciais de novas cultivares pode-se utilizar mudas micropropagadas em laboratório, a cultivar IAC Fantástico, é mais sensível aos hormônios utilizados, não sendo recomendada essa prática.
Plantio: em sulcos ou covas, não deixando cair terra no ápice das mudas.
Espaçamento: plantio em linhas duplas de 40 a 50 cm de largura, distanciadas de 90 a 120 cm, mantendo o espaçamento de 35 a 40 cm entre as mudas de uma mesma fileira e disposição triangular, em relação àquelas da fileira vizinha. O maior espaçamento proporciona produção de frutos maiores, mas menor produtividade.
Mudas necessárias: 34.000 a 50.000/ha.
Calagem: a recomendação de calagem deve ser estabelecida a partir da análise do solo. A calagem deve ser calculada visando elevar o índice de saturação por bases para 50% e manter o teor de Mg acima de 5 mmolc dm-3. Usar sempre calcário dolomítico aplicado em área total e incorporado ao solo. Doses de calcário superiores a 3 t ha-1 requerem cuidados especiais para sua incorporação no solo.
Adubação mineral: as quantidades de N, P e K a serem aplicadas são definidas em função da análise do solo e da produtividade esperada e estão apresentadas na tabela 1. Aplicar o fósforo no sulco de plantio, em março ou abril, misturando-o ao solo, e o nitrogênio e o potássio em cobertura, ao lado das linhas, procurando atingir as axilas mais velhas, nas seguintes proporções: 10% em abril-maio, 20% em novembro, 40% em janeiro e 30% em março-abril. Em plantios de outubro a novembro, aplicar o fósforo no sulco de plantio; N e K nas seguintes proporções: 10% em novembro-dezembro, 30% em janeiro e 60% em março-abril. A última adubação nitrogenada deve ocorrer, no máximo, 60 dias antes da aplicação do regulador de florescimento. Como o abacaxizeiro é sensível ao cloro, recomenda-se dar preferência a fontes de potássio na forma de sulfato ou nitrato, especialmente nas primeiras aplicações durante o ciclo da cultura.
Controle de pragas e doenças: broca-do-fruto: polvilhamento ou pulverização das inflorescências e frutos novos com carbaryl ou Bacillus thuringiensis; cochonilha: tratamento de mudas e plantas com parathion methyl, vamidothion ou ethion; podridão-negra: pincelamento da seção do pedúnculo do fruto com benomyl. Para prevenir pragas e doenças, evitar: locais próximos de abacaxizais em mau estado sanitário e mudas deles provenientes; expor os pés das mudas ao sol por vários dias sobre as próprias plantas ou nos carreadores.
Controle de florescimento: aplicar reguladores de florescimento em culturas com desenvolvimento adequado para produção de frutos de tamanho comercial. Isso deve ser feito para que os frutos amadureçam ao mesmo tempo dentro do talhão, e nas épocas de colheita desejadas para os diferentes talhões. Reguladores recomendados:
a) ethephon (1 a 4 L ha-1 do produto comercial - 21,66% de ethephon, sendo que as doses maiores devem ser aplicadas nas épocas mais quentes e em plantas mais vigorosas), adicionado ou não de hidróxido de cálcio e ureia; b) carbureto de cálcio (450 g/100 litros de água fria). A cultivar IAC Fantástico requer dose de regulador menor que a Smooth Cayenne: 100 a 150 ppm de ethephon 240 g L-1 (45 a 65 mL/100 litros de água) são suficientes e não causam danos aos frutos.
Outros tratos culturais: o controle de plantas daninhas deve ser feito pelo emprego de herbicidas e capinas. Devem-se proteger os frutos contra o sol, cobrindo-os com papel (jornal ou sacos de papel sem fundo), ou com material vegetal seco.
Colheita: novembro a abril, com pico em janeiro a março, ou o ano todo, já que é indispensável o uso de reguladores de florescimento.
Produtividade normal: 30.000 a 45.000 frutos/ha/safra.
Cultura intercalar: o abacaxizeiro pode ser cultivado entre as linhas de culturas perenes em desenvolvimento ou em rotação com adubos verdes.
Comercialização: imediatamente após a colheita os frutos são entregues, a granel ou embalados, aos entrepostos de venda, para consumo ao natural ou para a industrialização.
Observações: em função do aumento da fusariose e do tombamento dos rebentões e filhotes-rebentões das cultivares Cayenne e Pérola, não é recomendada a soca, mas somente a primeira produção (um fruto por planta), em ciclo que dura de 14 a 24 meses, de acordo com o tipo, tamanho e época de plantio das mudas, e com a época de aplicação de reguladores de florescimento.