segunda-feira, 28 de agosto de 2023

Sistema Orgânico para Produção de Abacaxi


A Lei No 10.831, de 23 de dezembro de 2003, em seu Art. 1º, dispõe sobre a agricultura orgânica, conforme texto a seguir: ?Considera-se sistema orgânico de produção agropecuária todo aquele em que se adotam técnicas específicas, mediante a otimização do uso dos recursos naturais e socioeconômicos disponíveis e o respeito à integridade cultural das comunidades rurais, tendo por objetivo a sustentabilidade econômica e ecológica, a maximização dos benefícios sociais, a minimização da dependência de energia não renovável, empregando, sempre que possível, métodos culturais, biológicos e mecânicos, em contraposição ao uso de materiais sintéticos, a eliminação do uso de organismos geneticamente modificados e radiações ionizantes, em qualquer fase do processo de produção, processamento, armazenamento, distribuição e comercialização, e a proteção do meio ambiente?. A Embrapa Mandioca e Fruticultura, juntamente com a empresa Bioenergia Orgânicos, disponibiliza aos agricultores e aos técnicos em geral o primeiro sistema orgânico de produção para a cultura do abacaxi no Brasil. A publicação reúne informações técnicas sobre estabelecimento da cultura, preparo da área, seleção de variedades e mudas, práticas culturais, manejos de doenças, nematoides, insetos e ácaros, além dos manejos na colheita e pós-colheita, com base nos conhecimentos disponíveis e nos regulamentos aprovados para a produção orgânica de alimentos. Para receber a denominação de produto orgânico, a unidade de produção precisa cumprir a Lei Nº 10.831, de 23 de dezembro de 2003, e o Regulamento Técnico constante da Instrução Normativa 46, de 06/10/2011, complementada pela IN 17, de 18/06/2014, que estabelece as normas técnicas para os Sistemas Orgânicos de Produção Animal e Vegetal a serem seguidas por toda pessoa física ou jurídica responsável por unidades de produção de sistemas orgânicos ou por unidades de produção em processo de conversão. Assim, os produtos orgânicos são produzidos tendo a preocupação com o meio ambiente, buscando manejar de forma equilibrada o solo e os demais recursos naturais (água, plantas e animais), e mantendo a harmonia desses elementos entre si e com os seres humanos. Com o sistema proposto, espera-se contribuir para a melhoria do cultivo orgânico do abacaxizeiro, trazendo, como consequência, um produto ambientalmente correto, socialmente justo, economicamente viável e em conformidade com o disposto na Lei nº 10.831, de 23 de dezembro de 2003, no Decreto nº 6.323, de 27 de dezembro de 2007 e com a Instrução Normativa 17, de 18 de junho de 2014.

Sistemas orgânicos de produção de diferentes frutas estão sendo construídos de forma pioneira pela Embrapa com base em experimentos instalados na Chapada Diamantina (BA). Todos são resultados de um projeto realizado em parceria com a empresa Bioenergia Orgânicos no município de Lençóis que experimenta soluções para a produção de orgânicos em larga escala, algo ainda difícil de se fazer.

A Embrapa está elaborando protocolos de produção usando a estratégia de geração e validação simultânea dos resultados. Os resultados do primeiro ciclo de produção mostram níveis de produtividade superiores ao convencional.

As pesquisas abrangem as culturas do abacaxi, banana, manga e maracujá. Um exemplo de que a produção orgânica se baseia em séries de testes é o trabalho realizado com a BRS Imperial, que é naturalmente resistente à fusariose, a principal doença da cultura, ou seja, não é necessário aplicar agroquímicos.

Vale salientar que, para ser considerado orgânico, o produtor deve usar técnicas ambientalmente sustentáveis e não pode utilizar agrotóxicos nem adubos químicos solúveis, que devem ser aplicados rigorosamente de acordo com as instruções para que não haja excesso em relação à capacidade de absorção das plantas e, em longo prazo, não tragam danos ao ecossistema.

Apresentação 

A Lei No 10.831, de 23 de dezembro de 2003, em seu Art. 1º, dispõe sobre a agricultura orgânica, conforme texto a seguir: “Considera-se sistema orgânico de produção agropecuária todo aquele em que se adotam técnicas específicas, mediante a otimização do uso dos recursos naturais e socioeconômicos disponíveis e o respeito à integridade cultural das comunidades rurais, tendo por objetivo a sustentabilidade econômica e ecológica, a maximização dos benefícios sociais, a minimização da dependência de energia não renovável, empregando, sempre que possível, métodos culturais, biológicos e mecânicos, em contraposição ao uso de materiais sintéticos, a eliminação do uso de organismos geneticamente modificados e radiações ionizantes, em qualquer fase do processo de produção, processamento, armazenamento, distribuição e comercialização, e a proteção do meio ambiente”.

A Embrapa Mandioca e Fruticultura, juntamente com a empresa Bioenergia Orgânicos, disponibiliza aos agricultores e aos técnicos em geral o primeiro sistema orgânico de produção para acultura do abacaxi no Brasil. A publicação reúne informações técnicas sobre estabelecimento da cultura, preparo da área, seleção de variedades e mudas, práticas culturais, manejos dedoenças, nematoides, insetos e ácaros, além dos manejos na colheita e pós-colheita, com base nos conhecimentos disponíveis e nos regulamentos aprovados para a produção orgânica de alimentos.

Para receber a denominação de produto orgânico, a unidade de produção precisa cumprir a Lei Nº 10.831, de 23 de dezembro de 2003, e o Regulamento Técnico constante da Instrução Normativa 46, de 06/10/2011, complementada pela IN 17, de 18/06/2014, que estabelece as normas técnicas para os Sistemas Orgânicos de Produção Animal e Vegetal a serem seguidas por toda pessoa física ou jurídica responsável por unidades de produção de sistemas orgânicos ou por unidades de produção em processo de conversão.

Assim, os produtos orgânicos são produzidos tendo a preocupação com o meio ambiente, buscando manejar de forma equilibrada o solo e os demais recursos naturais (água, plantas e animais), e mantendo a harmonia desses elementos entre si e com os seres humanos.

Com o sistema proposto, espera-se contribuir para a melhoria do cultivo orgânico do abacaxizeiro, trazendo, como consequência, um produto ambientalmente correto, socialmente justo,economicamente viável e em conformidade com o disposto na Lei nº 10.831, de 23 de dezembro de 2003, no Decreto nº 6.323, de 27 de dezembro de 2007 e com a Instrução Normativa 17, de 18 de junho de 2014.    

Importância socioeconômica 

O abacaxizeiro, Ananas comosus (L) Merr var. comosus Coppens & Leal, é a principal cultura econômica da família Bromeliaceae que produz frutos altamente valorizados nos mercados nacional e internacional. Além de seus aroma e sabor, o abacaxi é também um fruto com elevado valor nutritivo, haja vista que cada 100 g de polpa fresca contêm 7 mg de fósforo; 113 mgde potássio; 7 mg de cálcio; 14 mg de magnésio; 0,37 mg de ferro; 0,11 mg de cobre; 1,65 mg de manganês; 0,6 μg de selênio; 3 μg de vitamina A; 31 μg de betacaroteno (precursor davitamina A); 0,09 μg de tiamina (vitamina B1); 0,036 mg de riboflavina (vitamina B2); 0,42 mg de niacina (vitamina B3); 0,16 mg de ácido pantotênico (vitamina B5); 0,09 mg devitamina B6; 11 μg de ácido fólico (vitamina B9); 15 mg de vitamina C; 1 μg de vitamina E; 0,7 μg de vitamina K; 0,50 g de proteína; 1,2 g de fibra (total); 1,7 g de glicose (dextrose);1,9 g de frutose; 8 g de açúcares totais; e 0,20 g de lipídios. Também apresenta baixo teor calórico, com apenas 490 kcal por quilograma de polpa fresca; 0,29 g de cinzas; e 86 g de água.

O abacaxi é produzido em mais de 89 países localizados, principalmente, na região tropical do planeta; porém, também em regiões sub tropicas da Índia, da Austrália e da África do Sul. O continente asiático é o maior produtor de abacaxi, sendo o país líder a Tailândia, como primeiro produtor mundial. O continente americano é o segundo maior produtor de abacaxi, tendo oBrasil como seu principal representante, ocupando a segunda posição no ranking dos produtores mundiais, tendo os estados do Pará, da Paraíba, de Minas Gerais, da Bahia e do Rio deJaneiro com seus principais produtores, com área colhida de 66.544 ha e rendimento de 38,950 toneladas/ha, e com o município de Floresta do Araguaia, no Pará, a maior área cultivadacom essa cultura no Brasil.

O cultivo comercial na grande maioria das regiões tropicais do mundo, assim como em algumas regiões subtropicais, contribui para fazer do abacaxi o terceiro fruto tropical mais importantedo planeta. Sua característica de tolerância faz do abacaxizeiro uma cultura com amplas possibilidades de adaptação em regiões semiáridas. Vale ressaltar que o Brasil, juntamente com as Filipinas e a Tailândia, lideram a produção mundial dessa fruteira, sendo que 70% são consumidos nos países produtores na forma de fruta fresca.

O abacaxizeiro pode ser cultivado em áreas degradadas, ajudando a reduzir as perdas do solo por erosão e, portanto, minimiza a degradação ambiental. Cultivado em consórcio com culturas de ciclo curto e/ou associado à cultura de cobertura, promove excelente cobertura do solo, contribuindo tanto para sua conservação quanto para a resiliência. Essas características aliadas ao desenvolvimento de variedades resistentes à fusariose, principal doença da cultura, e à tolerância à seca, o que possibilita seu cultivo em condições de sequeiro, faz do abacaxizeiro uma excelente alternativa para programas de produção orgânica.

Em uma visão mundial, a produção orgânica é considerada como excelente oportunidade para a solução de diversos problemas da agricultura no que se refere à sua sustentabilidade, alémde ocorrer uma demanda constante por produtos dessa natureza. Entretanto, a decisão de praticar a produção orgânica de abacaxi deve ser avaliada com bastante cuidado, levando-se emconta as obrigatoriedades e as necessidades desse sistema de cultivo. Todas as práticas de cultivo devem ser adequadas ao sistema orgânico de produção, cumprindo, assim, a legislaçãopertinente ao sistema.

Autores deste tópico:Aristoteles Pires de Matos  

 

Novas Variedades de Abacaxi



abacaxi BRS Ajubá


A cultivar de abacaxi BRS Ajubá é um híbrido, resultante do cruzamento entre cv. Perolera com a cv. Smooth Cayenne, com destaque para a resistencia à fusariose, principal doença do abacaxizeiro. O plantio desta variedade dispensa a utilização de fungicida para o controle da fusariose e é recomendada para a região noroeste do Rio Grande do Sul e especialmente para o vale do rio Uruguai, onde a cultivar foi avaliada durante três ciclos de produção. A planta tem porte médio e apresenta folha de cor verde escuro, totalmente desprovida de espinhos. O fruto é cilíndrico, com casca de cor amarela na maturação. A polpa é amarela, com elevado teor de açúcar e acidez titulável moderada. Apresenta peso médio do fruto sem a coroa de 1305,4g e tamanho médio de 15,8cm. Tem por diferencial os frutos mais pesados do que a tradicional cultivar Pérola e folhas completamente lisas.Os frutos obtidos podem ser destinados para o mercado de consumo in natura e para a industrialização, face a suas características sensoriais e físico-químicas.

abacaxi BRS Vitória

A cultivar de abacaxi BRS Vitória é uma variedade de abacaxi resistente à fusariose. Apresenta formato cilíndrico, folha de cor verde claro, sem espinhos nas bordas. Sua casca apresenta cor amarela na maturação. O fruto tem polpa branca, com elevado teor de açúcares e excelente sabor nas análises químicas e sensoriais, sugerindo que suas características relativas à acidez (0,8%) são superiores às do abacaxi 'Pérola'; e 'Smooth Cayenne', tendo ainda uma maior resistência ao transporte e em pós-colheita, o que pode facilitar a sua adoção pelos produtores e ter a preferência dos consumidores. Apresenta peso médio do fruto sem coroa de 1.427g. Os frutos obtidos podem ser destinados ao mercado de consumo in natura e para a agroindústria. Esta cultivar é um híbrido resultante do cruzamento da cv. Primavera com a cv. Smooth Cayenne.

ABACAXI BRS Imperial

Variedade de abacaxizeiro que resulta do cruzamento entre duas variedades: 'Perolera' e 'Smooth Cayenne'. O BRS Imperial é resistente à fusariose, principal doença da cultura, gerando frutos de excelente qualidade, doces e com uma coloração que chama a atenção. Apresenta elevado teor de açúcar, acidez titulável moderada, alto conteúdo em ácido ascórbico (antioxidante) e excelente sabor nas análises sensoriais realizadas. A planta tem porte médio e apresenta folha de cor verde-escura, sem espinhos nas bordas. Os frutos são menores do que os do 'Pérola', têm formato cilíndrico e casca de cor amarelo-intenso na maturação. A polpa é amarela, com elevado teor de açúcar e acidez moderada. Apresenta peso médio do fruto com a coroa de 1,2 kg, podendo alcançar 1,5 kg e tamanho médio do fruto de 16 cm.


 

domingo, 27 de agosto de 2023

Cultivo do Limão Taiti (introdução)

 

De origem tropical, o limão-taiti (Gtrus latiJolia) não é, na realidade, um limão verdadeiro mas uma lima ácida. Cultivado desde o século passado na Califórnia, EUA, admite-se que sua introdução naquele estado tenha ocorrido a partir de sementes de frutos importados do Taiti , derivando daí sua denominação.

No Brasil, o 'Taiti' é uma das espéciescítricas de maior importância comercial, estimando-se que sua área plantada ultrapasse, atualmente, 40 mil hectares. O Estado de São Paulo é o primeiro produtor nacional, contribuindo com quase 70% do total.

É uma planta de porte médio a grande, vigorosa e quase sem espinhos.

A folhagem é verde densa, com folhas de tamanho médio. As flore s, com cinco pétalas, também de tamanho médio, não apresentam pólen viável. A floração ocorre durante quase todo o ano, mas principalmente nos meses de setembro e outubro.

Em regiões de temperaturas elevadas, o 'Taiti' exibe fluxos contínuos de crescimento e floração, só interrompidos nos períodos de falta de chuvas. As sucessivas brotações dão origem a várias floradas que, por sua vez, proporcionam várias colheitas ao longo do ano.

Os frutos são de tamanho médio, têm a casca lisa e fina, raras sementes e, quando amadurecem (cerca de 120 dias após a florada), apresentam polpa tenra e suculenta, de cor amarelo-esverdeada, pálida. O suco, bem ácido, representa cerca de 50% do peso do fruto. O teor de ácido ascórbico varia de 20 a 40 mg/I 00 rnL de suco.

Entre as espécies cítricas, o limoeiro, ou melhor, o limão-taiti, é das mais precoces, produzindo a partir do terceiro ano. 

Na Região do Recôncavo, na Bahia, um pomar com quatro anos de idade rende, em média, 300 frutos por planta (30 kg), ou 107 mil frutos por hectare. Aos onze anos, a produtividade vai a mais de 1.100 frutos por planta (113 kg), ou cerca de 403 mil frutos por hectare.

Como referência, assinale-se que, na Flórida, EUA, o rendimento de plantios experimentais variou de 9,1 a 13,6 kg por planta no terceiro ano após o plantio; de 27 ,2 kg a 40,9 kg no quarto ano; de 59,0 kg a 81 ,7 kg no quinto ano; e de 90,8 a 113,5 kg porplanta, no sexto ano. A partir desse periodo, a produção variou com os espaçamentos no plantio. Pés com doze a quinze anos de idade chegaram a produzir 317,8 kg de frutos por ano, mas o normal por árvore é de 204,3 kga249,7 kg.

Em São Paulo, os rendimentos de pomares comerciais variam de acordo com a fase de produção: de 8,0 kg a 15,0 kg com três anos de idade; de 23,0 kg a 37,0 kg com quatro anos; de 64 kg a 86 kg com cinco anos; de 68 kg a 141 kg com seis anos e de 98 kg a 177 kg com sete anos.

A análise da produção mensal de 'Taiti' no Estado da Bahia, por três anos, mostrou que o volume colhido foi mais elevado no período de janeiro a junho, correspondendo a 61,2% do total anual. O trimestre janeiro março representou 39,2% do total, com pico no mês de março (I 7,6%). O trimestre outubro-dezembro foi o de menor produção (I 5, I % sobre o total anual), e outubro o mês de menor colheita (1,9%). Como a oferta concentra-se fortemente no primeiro semestre, nem sempre os preços do limão-taiti são compensadores.

Dai a necessidade de buscar alternativas capazes de alterar a época de floração,  forçando o amadurecimento dos frutos na entressafra.

Nas regiões semi-áridas de clima tropical, a exemplo do Nordeste brasileiro, a florada pode ser induzida pelo manejo da irrigação e da quantidade de água disponível para a planta. Após um período de déficit hídrico, com efeito, o retomo da umidade induz a planta a um ciclo de florescimento.

A aplicação correta dessa técnica de irrigação, associada a adubações balanceadas, permite obter frutos maduros no período de entressafra, quando os preços são altamente compensadores. Na maioria dos anos, o pico dos preços do limão ocorre entre os meses de setembro e novembro.

Outra alternativa muito estudada, mas ainda de pouco uso prático, consiste no uso de reguladores de crescimento, a exemplo do ethephon. Esse produto é eficiente para promover a queda de flores sendo, às vezes, utilizado com a finalidade de eliminar floradas que resultarão em safras cuja expectativa é de preços baixos. Pequena dose de ethephon, na razão de 200 ppm, é suficiente para eliminar praticamente todas as flores e frutinhos. Isso, porém, não assegura a emissão de flores na época comercialmente mais adequada. Além disso, convém destacar que o produto provoca alguns danos à planta, em virtude da fitotoxicidade.



sábado, 4 de março de 2023

Aspectos econômicos, Receitas e Bonsai de Jabuticaba

 

Aspectos econômicos

De acordo com Magalhães et al, citado por Mota (2002) o potencial econômico dessa fruta é grande, devido às suas características organolépticas para consumo "in natura", e a possibilidade de ser utilizada na fabricação de licores e geléias. Entretanto, por ser muito perecível, seu período de comercialização pós-colheita é curto, porque há uma rápida alteração da aparência, devido à intensa perda de água, ocorrendo deterioração e fermentação da polpa, dois a três dias após a colheita.

Segundo Donadio (2000), a jabuticaba ainda é considerada uma fruta de pomares, mas a sua comercialização vem crescendo. Segundo o autor, em 1980, a CEAGESP comercializou em torno de 900.000Kg, e em 1998, este valor subiu para mais de 4.000.000Kg. De acordo com os dados pela CEAGESP, 95% da produção está concentrada nos meses de agosto a novembro, principalmente, setembro.


Processamento do fruto (receitas caseiras)

Vários produtos podem ser obtidos a partir da jabuticaba. A seguir são relatadas algumas receitas obtidas em sites da internet.

a) Torta de jabuticaba

“Ingredientes:

100 gramas biscoitos água

1 colher de sopa de margarina derretida

1 colher de café de canela em pó

1 colher de sopa de adoçante em pó

3 xícaras de jabuticaba

2 xícaras de água

½ xícara de adoçante em pó

1 colher de chá de amido de milho

1 ½ envelopes de gelatina em pó sem sabor

3 claras em neve

½ xícara de creme de leite light


Modo de Preparar: 

Bater os biscoitos no processador até formar uma farofa. Colocar em uma panela com a margarina até começar a dourar. Retirar e adicionar o adoçante e a canela. Colocar no fundo de uma forma de abrir. Levar a jabuticaba com a água ao fogo e deixar cozinhar até que a casca arrebente. Deixar ficar morno e bater no liquidificador. Passar por um coador e torrar ao fogo com o adoçante, o amido. Deixar encorpar. Dissolver a gelatina em 4 colheres de sopa de água e em banho-maria. Reservar 1 xícara da geléia de jabuticaba. Misturar o restante, a gelatina, a clara batida em neve e o creme de leite. Colocar sobre a massa de torta e levar à geladeira. Quando firmar, retirar do aro e servir com a calda.”


b) Geléia de Jabuticaba

“Ingredientes:

- 3 litros de jabuticaba

- cerca de cinco copos americanos de açúcar cristal, de acordo com a quantidade de suco da fruta


 Modo de Preparar

Lavar a jabuticaba. Espremer numa panela e levar ao fogo com a casca e o caroço. Assim que ferver, mexer e retirar do fogo. Deixar esfriar, passar na peneira de taquara, facilmente encontrada em mercados municipais. Tornar a coar o líquido no coador. Medir seis copos do suco e cinco copos americanos de açúcar. Levar ao fogo e deixar dar o ponto. Dica importante: deixar pingar a geléia em um copo com água. Quando a bolinha bater no fundo do copo e dissolver, já está no ponto. Aí é só colocar em um copo de vidro esterilizado.

Tampar só depois que a geléia estiver fria”.


c) Sorvete de Jabuticaba

“Ingredientes:

-1 litros de suco de jabuticaba

-1 xícara e meia de açúcar cristal

-1 xícara de leite em pó

-1 colher de sopa de liga neutra

-1 colher de sopa rasa de gordura hidrogenada


  Modo de preparar

Lavar bem as jabuticabas. Depois espremer a fruta numa panela, deixando a casca e o caroço. Levar ao fogo. Assim que ferver, passar na peneira de taquara, facilmente encontrada em mercados municipais. Pode-se usar, também, a peneira de plástico. A de alumínio não serve. Coar num coador de pano e então o suco estará pronto. Em seguida colocar todos os ingredientes no liquidificador, menos a gordura hidrogenada. Bater por aproximadamente 20 minutos. Deixar no freezer de um dia para outro. No outro dia dividir a massa em duas partes, porque a batedeira caseira não comporta tudo de uma só vez. Bater cada parte com meia colher de gordura hidrogenada. A massa vai crescer e o sorvete estará pronto. Ponha em potes e leve à geladeira.”


d) Licor

Ingredientes:

400g de jabuticaba

200g de açúcar

200cm3 de água

200cm3 de álcool 95 G.L.


Modo de preparar:

Esmagar as jabuticabas, aproveitando toda a fruta. Deixar em infusão no álcool durante 24 horas. Coar em flanela. Fazer um xarope de água com açúcar e mistura-lo à infusão. Engarrafar e deixar envelhecer por 6 meses, depois filtrar.


Bonsai de jabuticabeira

 O autor recomenda a obtenção de mudas através da alporquia de um galho que já esteja produzindo. Neste caso, deve-se fazer o anelamento completo do tronco,  e utilizar algum hormônio enraizante. A obtenção de mudas através de raízes também pode ser feita, todavia, neste caso, deve demorar a produzir frutos. Os brotos devem ser podados no segundo ou quarto par de folhas, quando estiver com seis ou oito pares de folhas desenvolvidas. Podas vigorosas podem ser feitas, preferencialmente na primavera. A raiz pivotante deve ser eliminada aos poucos para que se consiga o plantio em um vaso raso. As plantas devem ser transplantadas a cada dois anos, de preferência na primavera, fazendo-se uma poda moderada das raízes.

Deve-se regar, de forma a manter o solo úmido de maneira uniforme. O autor recomenda adubação com fertilizante líquido a cada quinze dias, desde o início da primavera até o final do verão, e no outono e inverno, uma vez por mês.

Em climas amenos, as plantas podem ficar próximas a uma janela bem iluminada. No caso de ambientes externos, deve ficar em local ensolarado ou de meia sombra no período que vai da metade da primavera até o final do verão. A planta não suporta geadas fortes.


quinta-feira, 11 de agosto de 2022

Colheita e pós-colheita da Jabuticaba

 

Colheita e pós-colheita 

A colheita se dá 1 a 1,5 mês após a florada, podendo ocorrer em diferentes épocas do ano, conforme a região de cultivo. Deve ser manual e cuidadosa, recomendando-se recipientes pequenos, e o seu transporte até o consumidor no mesmo dia da colheita. O rendimento da colheita é baixo e por isso o custo é elevado (Donadio, 2000). 

De acordo com estudos desenvolvidos por Duarte et al citados por Donadio (2000), não se recomenda armazenar os frutos maduros em bandejas plásticas a 85-90% de umidade. Isto permite a conservação e comercialização dos frutos por até dois dias à temperatura ambiente. Se acondicionado nessas condições à temperatura de 12 ºC, podem ser conservados por até 3 semanas. Relata-se ainda, que a temperatura de 6 ºC os frutos se queimaram. 

Mota (2002), estudou a influência do tratamento pós colheita com cálcio, e concluiu que não houve grande contribuição desse tratamento, na sua conservação. 

8 - Aspectos econômicos 

De acordo com Magalhães et al, citado por Mota (2002) o potencial econômico dessa fruta é grande, devido às suas características organolépticas para consumo "in natura", e a possibilidade de ser utilizada na fabricação de licores e geléias. Entretanto, por ser muito perecível, seu período de comercialização pós-colheita é curto, porque há uma rápida alteração da aparência, devido à intensa perda de água, ocorrendo deterioração e fermentação da polpa, dois a três dias após a colheita. 

Segundo Donadio (2000), a jabuticaba ainda é considerada uma fruta de pomares, mas a sua comercialização vem crescendo. Segundo o autor, em 1980, a CEAGESP comercializou em torno de 900.000Kg, e em 1998, este valor subiu para mais de 4.000.000Kg. De acordo com os dados pela CEAGESP, 95% da produção está concentrada nos meses de agosto a novembro, principalmente, setembro. 

9 - Processamento do fruto (receitas caseiras) 

Vários produtos podem ser obtidos a partir da jabuticaba. A seguir são relatadas algumas receitas obtidas em sites da internet. 

a) Torta de jabuticaba 

“Ingredientes: 

100 gramas biscoitos água 

1 colher de sopa de margarina derretida 

1 colher de café de canela em pó 

1 colher de sopa de adoçante em pó 

3 xícaras de jabuticaba 

2 xícaras de água 

½ xícara de adoçante em pó 

1 colher de chá de amido de milho 

1 ½ envelopes de gelatina em pó sem sabor 

3 claras em neve 

½ xícara de creme de leite light 

Modo de Preparar:

 Bater os biscoitos no processador até formar uma farofa. Colocar em uma panela com a margarina até começar a dourar. Retirar e adicionar o adoçante e a canela. Colocar no fundo de uma forma de abrir. Levar a jabuticaba com a água ao fogo e deixar cozinhar até que a casca arrebente. Deixar ficar morno e bater no liquidificador. Passar por um coador e torrar ao fogo com o adoçante, o amido. Deixar encorpar. Dissolver a gelatina em 4 colheres de sopa de água e em banho-maria. Reservar 1 xícara da geléia de jabuticaba. Misturar o restante, a gelatina, a clara batida em neve e o creme de leite. Colocar sobre a massa de torta e levar à geladeira. Quando firmar, retirar do aro e servir com a calda.” 


b) Geléia de Jabuticaba 

“Ingredientes: 

- 3 litros de jabuticaba 

- cerca de cinco copos americanos de açúcar cristal, de acordo com a quantidade de suco da fruta 

Modo de Preparar 

Lavar a jabuticaba. Espremer numa panela e levar ao fogo com a casca e o caroço. Assim que ferver, mexer e retirar do fogo. Deixar esfriar, passar na peneira de taquara, facilmente encontrada em mercados municipais. Tornar a coar o líquido no coador. Medir seis copos do suco e cinco copos americanos de açúcar. Levar ao fogo e deixar dar o ponto. Dica importante: deixar pingar a geléia em um copo com água. Quando a bolinha bater no fundo do copo e dissolver, já está no ponto. Aí é só colocar em um copo de vidro esterilizado. 

Tampar só depois que a geléia estiver fria”. 


c) Sorvete de Jabuticaba 

“Ingredientes: 

-1 litros de suco de jabuticaba 

-1 xícara e meia de açúcar cristal 

-1 xícara de leite em pó 

-1 colher de sopa de liga neutra 

-1 colher de sopa rasa de gordura hidrogenada 

Modo de preparar 

Lavar bem as jabuticabas. Depois espremer a fruta numa panela, deixando a casca e o caroço. Levar ao fogo. Assim que ferver, passar na peneira de taquara, facilmente encontrada em mercados municipais. Pode-se usar, também, a peneira de plástico. A de alumínio não serve. Coar num coador de pano e então o suco estará pronto. Em seguida colocar todos os ingredientes no liquidificador, menos a gordura hidrogenada. Bater por aproximadamente 20 minutos. Deixar no freezer de um dia para outro. No outro dia dividir a massa em duas partes, porque a batedeira caseira não comporta tudo de uma só vez. Bater cada parte com meia colher de gordura hidrogenada. A massa vai crescer e o sorvete estará pronto. Ponha em potes e leve à geladeira.” 


d) Licor 

Ingredientes: 

400g de jabuticaba 

200g de açúcar 

200cm3 de água 

200cm3 de álcool 95 G.L. 

Modo de preparar: 

Esmagar as jabuticabas, aproveitando toda a fruta. Deixar em infusão no álcool durante 24 horas. Coar em flanela. Fazer um xarope de água com açúcar e mistura-lo à infusão. Engarrafar e deixar envelhecer por 6 meses, depois filtrar. 


10 - Bonsai de jabuticabeira 

O autor recomenda a obtenção de mudas através da alporquia de um galho que já esteja produzindo. Neste caso, deve-se fazer o anelamento completo do tronco, e utilizar algum hormônio enraizante. A obtenção de mudas através de raízes também pode ser feita, todavia, neste caso, deve demorar a produzir frutos. Os brotos devem ser podados no segundo ou quarto par de folhas, quando estiver com seis ou oito pares de folhas desenvolvidas. Podas vigorosas podem ser feitas, preferencialmente na primavera. A raiz pivotante deve ser eliminada aos poucos para que se consiga o plantio em um vaso raso. As plantas devem ser transplantadas a cada dois anos, de preferência na primavera, fazendo-se uma poda moderada das raízes. 

Deve-se regar, de forma a manter o solo úmido de maneira uniforme. O autor recomenda adubação com fertilizante líquido a cada quinze dias, desde o início da primavera até o final do verão, e no outono e inverno, uma vez por mês. 

Em climas amenos, as plantas podem ficar próximas a uma janela bem iluminada. No caso de ambientes externos, deve ficar em local ensolarado ou de meia sombra no  período que vai da metade da primavera até o final do verão. A planta não suporta geadas fortes. 

 



segunda-feira, 23 de maio de 2022

Implantação e condução do pomar de Jabuticaba

 

Implantação e condução do pomar 

Plantio 

Segundo Donadio (2000), a jabuticabeira é muito sensível ao transplantio. Por esta razão o transplantio deve ser efetuado com muito cuidado, preservando-se o torrão e de preferência, em dia nublado. As covas devem ser de 60cm de diâmetro por 60cm de profundidade. Recomenda-se incorporar 15g de superfosfato, e 200g de esterco curtido por cova. As mudinhas devem ser regadas até o pegamento. 

Em relação ao espaçamento, Donadio (2000) salienta que o espaçamento ideal é aquele que possibilita o crescimento da planta e a iluminação adequada da sua copa, visando sua plena produção, sem necessidade de manejo da copa. 

De acordo com Gomes citado por Donadio (2000), o espaçamento recomendado pode ser 6x6 até 10 x 10m conforme a variedade, o clima e a fertilidade do solo. 

Dado que a jabuticabeira leva muito tempo para crescer e começar a produzir, Donadio (2000) recomenda intercalar outras frutíferas mais precoces ou culturas anuais. 

Podas 

Inicialmente, as mudas devem ser formadas de modo que os troncos tenham de 40 a 60cm do solo, permitindo engalhamento simétrico e copa aberta. 

A poda de frutificação deve ser feita para que se obtenha 4 a 6 ramos primários, que devem duplicar-se a partir de 1,2 – 1,5m e depois sucessivamente a cada 0,6-1,0m. Também é necessário que os ramos fiquem 20 a 30cm uns dos outros. (Andersen & Andersen, citados por Donadio (2000), que explica que as podas de limpeza devem ser realizadas de modo a manter o arejamento e expor os ramos mais grossos à luz solar. O autor não informa qual deve ser o intervalo de poda. Segundo ele, podas drásticas não são recomendadas, porque a regeneração da planta é lenta. 

Irrigação 

No Triângulo Mineiro, em MG, Informações populares dão conta de que a jabuticabeira próxima a cursos d’água normalmente floresce várias vezes no ano, ao contrário de plantas do mesmo local, porém com disponibilidade de água limitada ao período chuvoso. Segundo Mattos citado por Donadio a florada, usualmente, está associada às primeiras chuvas de primavera. 

Segundo Donadio (2000), a irrigação é prática comum para a jabuticabeira, embora não existam dados experimentais sobre o seu efeito na produção e qualidade dos frutos. 

De acordo com Andersen & Andersen, citados por Donadio (2000), um sistema de irrigação eficiente para a jabuticabeira é viável e alertam para o fato de que o encharcamento do solo é prejudicial e pode matar as raízes da planta. 

Controle de plantas daninhas 

Recomenda-se manter o pomar limpo, roçando-se as entrelinhas, e capinando ou usando-se herbicidas na linha. Donadio (2000) recomenda cautela na utilização de herbicidas de pré-emergência pois não se tem conhecimento sobre a tolerância da jabuticabeiras. 

Adubação 

Citando Souza, Donadio (2000) salienta que os frutos de jabuticabeira constituem um forte dreno de minerais, e grandes quantidades de nutrientes são extraídos durante a colheita. Segundo ele, as recomendações de adubação para a jaboticabeira existenes são todas adaptadas de outras culturas. Entre elas, o autor cita a recomendação de Andersen & Andersen indicando a aplicação de 30 a 50Kg de esterco + 250g de NPK/planta/ano. A adubação deve ser feita no período das chuvas, preferencialmente, de forma parcelada, e deve ser incorporada na área da coroa. Segundo Gomes, citado por Donadio, a jabuticabeira responde muito bem à adubação orgânica. 

Manejo de pragas e doenças 

Segundo Donadio (2000), apesar de várias pragas e doenças serem citadas em literatura, para a jabuticabeira, a maioria é de ocorrência esporádica, não se recomendando controle, a menos que sejam observados danos econômicos. 

Entre as várias doenças fúngicas que podem atacar a jabuticabeira, destaca-se a podridão de raízes, que tem ocorrido em pomares comerciais paulistas com mais de 15 anos, causado, provavelmente, pelo fungo Rosellinia. O controle é difícil pois ocorre morte da planta (Mattos apud Donadio, 2000). Para Andersen & Andersen, também citados por Donadio (2000), a principal doença da jabuticabeira é a ferrugem da goiabeira, causada por Puccinia psidii, que ataca os frutos, principalmente em anos quentes e chuvosos. Segundo Donadio (2000), o controle, neste caso, é feito por meio de pulverizações quinzenais de caldas cúpricas, inciando-se antes da florada e fazendo-se mais duas em seguida, podendo prosseguir após a colheita, se a doença persistir. Donadio salienta, ainda, a importância dada a esta doença por Simão, que recomenda a retirada de ramos em excesso, e de árvores em pomares densos, como medida de controle por meio da penetração de luz. 

Entre as várias pragas citadas, Donadio salienta que a mosca das frutas, e as formigas são citadas por Mattos como tendo uma certa importância, porém Gomes considera a cochonilha Capulinia jaboticabae como o grande inimigo da jabuticabeira. O controle desta praga deve ser feito raspando e pincelando-se os ramos atacados com calda sulfocálstica. Segundo Andersen & Andersen citados por Donadio (2000), o controle da mosca das frutas pode ser realizado mediante o uso de iscas envenenadas, sendo que a jabuticaba Sabará é menos atacada por esse inseto. 



quarta-feira, 30 de março de 2022

Solos para a Cultura do Pêssego

 

O pessegueiro desenvolve-se bem em solos profundos, permeáveis e bem drenados. As raízes necessitam de boa aeração para realizarem, adequadamente, suas atividades metabólicas. Por essa razão, boa drenagem é um dos principais aspectos a serem considerados ao escolher-se a área para instalação do pomar. Quando o subsolo é impermeável, geralmente por apresentar argilas expansivas (VERTISSOLO), pequena profundidade efetiva (NEOSSOLO LITÓLICO) ou mal drenagem (GLEISSOLO, ORGANOSSOLO, PLANOSSOLO, PLINTOSSOLO) as plantas podem, inicialmente, desenvolver-se bem, mas apresentarão problemas em estádios mais avançados, principalmente em anos secos ou chuvosos, tornando-se fracas, decadentes e, finalmente, morrendo. Áreas com subsolo impermeável, nas quais a água permaneça por mais de uma semana após chuvas pesadas, não são recomendadas para o cultivo dessa espécie. O acúmulo de água tem efeito drástico sobre a planta, principalmente no início da brotação e durante a estação de crescimento. Da mesma forma, durante o período de dormência, as raízes não toleram solos com déficit de oxigênio, causado por excesso de água durante períodos muito longos. Outro aspecto a ser observado, ao avaliar-se a aptidão do solo, é o nível das águas freáticas. Não é recomendado o plantio em solos onde esse nível permaneça a menos de 25 cm da superfície por mais de uma semana. Pontos úmidos, próximos às canhadas ou em partes mais baixas, devem ser drenados.

Quanto à textura, têm-se, como ideais, solos de textura média, com equilíbrio entre as frações de areia, silte e argila. A argila deve situar-se em torno de 20% a 35%. Quando presente em grandes quantidades, dependendo do tipo, dificulta a permeabilidade e torna os solos difíceis de serem trabalhados. Há, entretanto, uma exceção, quando os solos, embora com teores elevados de argila (até 70% a 75%), são profundos e têm boa estrutura física, apresentando-se com boa drenagem interna.

Um solo que permita o crescimento das raízes até um metro de profundidade propicia a formação de árvores maiores, mais produtivas e de maior longevidade.

O pH mais favorável situa-se ao redor de 6,0, mas o pessegueiro tolera solos dentro de uma faixa mais ampla. Os melhores índices de produtividade, entretanto, têm sido obtidos com valor próximo ao preconizado.

A presença de matéria orgânica exerce importância considerável, por manter a disponibilidade dos nutrientes, melhorar a estrutura do solo e aumentar a infiltração da água no solo.

A fertilidade do solo é, relativamente, menos importante que as suas características físicas. Convém, sempre, lembrar que a fertilidade pode ser corrigida, enquanto as características físicas dificilmente podem ser modificadas.

Recomenda-se não plantar em solos erodidos, ou em locais onde, anteriormente, tenha sido cultivado o pessegueiro: os compostos tóxicos emanados pelas raízes das plantas do cultivo anterior impedem o crescimento ou causam a morte das plantas novas.



domingo, 27 de fevereiro de 2022

Clima para o Pessegueiro


 

Clima

 O clima possui forte influência sobre a cultura do pessegueiro, sendo importante na definição das potencialidades de cultivo das regiões. Ele interage com os demais componentes do meio natural, em particular com o solo, a variedade e as técnicas de cultivo aplicadas à cultura.

     Devem-se considerar três conceitos para diferenciar escalas climáticas (Carbonneau, 1984), de interesse em culturas:

Macroclima, ou clima regional, que corresponde ao clima médio ocorrente num território relativamente vasto, exigindo, para sua caracterização, dados de um conjunto de postos meteorológicos; em zonas com relevo acentuado os dados macroclimáticos possuem um valor apenas relativo, especialmente em matéria agrícola. Inversamente, um mesmo macroclima poderá englobar áreas de planície muito extensas.

Mesoclima, ou clima local, que corresponde a uma situação particular do macroclima. Normalmente é possível caracterizar um mesoclima através dos dados de uma estação meteorológica, permitindo avaliar as possibilidades para o cultivo do pessegueiro. A superfície abrangida por um mesoclima pode ser muito variável mas, normalmente, trata-se de áreas relativamente pequenas, podendo fazer referência a situações bastante particulares do ponto de vista de exposição, declividade ou altitude, por exemplo. Muitas vezes o termo topoclima é utilizado para designar um mesoclima, onde a orografia constitui um dos critérios principais de caracterização climática, como por exemplo, o clima de um vale ou de uma encosta de montanha.

Microclima, que corresponde às condições climáticas de uma superfície realmente pequena. Pode-se considerar dois tipos de microclima: microclima natural - que corresponde a superfícies da ordem de 10 e 100 m; e microclima da planta - o qual é caracterizado por variáveis climáticas medidas por aparelhos instalados na própria planta. O termo genérico bioclima é utilizado para essa escala, que visa o estudo do meio natural e das técnicas de cultivo.

     A influência do clima, considerando os principais elementos meteorológicos e fatores geográficos do mesmo sobre a cultura do pessegueiro, é descrita a seguir, em particular nas escalas macro e mesoclimáticas.

Elementos meteorológicos do clima

Temperatura: A temperatura do ar apresenta diferentes efeitos sobre a cultura do pessegueiro, variáveis em função das diferentes fases do ciclo vegetativo ou de repouso da planta.

Temperaturas de inverno: as temperaturas de inverno são importantes para a fase de repouso do pessegueiro, conhecida como dormência. As temperaturas nessa fase são decisivas para completar a formação das gemas vegetativas e floríferas, bem como para o estímulo à planta para iniciar o ciclo vegetativo. Nessa fase, utiliza-se como indicador térmico o número de horas de frio abaixo de 7,2 ºC ocorrido no período.  É importante observar que cada cultivar apresenta uma necessidade de frio invernal, podendo variar de pouco exigentes a exigentes. Boa parte das cultivares necessitam de 600 a 1000 horas, enquanto que outras exigem menos de 100 horas. Pelas características climáticas da Serra Gaúcha, algumas cultivares e alguns anos podem apresentar problemas de florescimento e brotação desuniformes e insuficientes (erratismo).

Temperaturas de primavera: um sério risco ao cultivo do pessegueiro na Serra Gaúcha está na possibilidade de ocorrências de geadas no final do inverno, bem como daquelas mais tardias já na primavera. Os riscos ocorrem a partir da planta ter iniciado o inchamento das gemas, na floração ou na primeira fase de desenvolvimento do fruto. 

Temperaturas de verão: os melhores padrões de qualidade do pêssego (concentração de açúcar e coloração adequada), são encontrados em áreas de temperaturas de verão, em particular no período de pré-colheita, relativamente altas, sem serem excessivas, combinadas com temperaturas amenas à noite.

Insolação e Radiação Solar: A insolação e a radiação solar são fatores climáticos importantes nos processos de desenvolvimento e maturação dos frutos. 

     Ambos os fatores são maiores no período de verão, pelo fato dos dias serem mais longos e pela menor freqüência de chuvas e menor número de dias encobertos. A insolação também está atrelada às coordenadas geográficas pois, em latitudes maiores, os dias de verão são maiores e, consequentemente, maior o período de radiação solar e maior o potencial de insolação.

     A coloração e o tamanho são fatores determinantes da qualidade dos frutos de caroço, sendo também influenciados pela radiação solar. São características que o consumidor leva em consideração no momento da escolha do produto. Diversas técnicas culturais são empregadas para melhorar essas características, tais como: raleio manual ou químico, incisão anelar de ramos, poda verde e aplicações de fitorreguladores. Algumas dessas técnicas facilitam o desenvolvimento dos frutos e a penetração da radiação no dossel.

     Dentre os índices de qualidade de fruta influenciados por luz, destacam-se o tamanho da fruta, a firmeza, a concentração de sólidos solúveis, a acidez e a cor da epiderme.

     Normalmente a quantidade da luz interceptada pela fruta está em função da posição desta na copa. O tamanho das árvores, espaçamento, orientação da fila, forma da copa e tipo de sistema adotado influencia na distribuição da luz no interior das plantas. Frutas que recebem pouca luz desenvolvem maior intensidade de cor amarela, diminuindo assim a cor vermelha. Aumentando a exposição da fruta individual ao sol, há um aumento da absorbância de luz através da fruta, podendo aumentar a coloração vermelha.

     Outros fatores que afetam a coloração dos frutos são a temperatura e o nível de umidade durante o último período de desenvolvimento da fruta. Geralmente, o tamanho final e a produção de cor vermelha serão afetadas negativamente pela falta de umidade no solo. 

Pluviometria: A demanda hídrica do pessegueiro é variável em função das diferentes fases do ciclo vegetativo da planta. Durante o desenvolvimento das plantas, não somente a quantidade de chuvas, mas a intensidade e o número de dias ou de horas em que ela ocorre são determinantes. Ainda, deve-se ter em conta eventuais perdas por escorrimento superficial ou percolação. Durante a primavera, as chuvas são importantes para o desenvolvimento da planta, porém podem favorecer o desenvolvimento de algumas doenças fúngicas da parte aérea.

     O volume total de chuvas no Rio Grande do Sul é satisfatório, mas grande parte do Estado apresenta chuvas intermitentes, com grande irregularidade de distribuição ao longo do ano e, principalmente, entre os anos. Nos anos em que chove menos, em particular na metade sul do estado, os produtores podem ser descapitalizados pela baixa produção e pela obtenção de um produto de menor valor, com baixa qualidade, peso e diâmetro de frutos. Embora existam outros fatores climáticos e pedológicos que interferem no rendimento de frutos, a seca sempre foi o maior causador de frustração de safras no Brasil e no Mundo.

     A maior parte dos pomares de frutíferas no Rio Grande do Sul localiza-se no Planalto Sul-rio-grandense e está instalada em solos degradados física e quimicamente. São geralmente rasos e com baixa capacidade de armazenamento de água. Em anos com deficiência hídrica na primavera, a produtividade é baixa e há uma grande proporção de frutos pequenos. Assim, para a obtenção de frutos de qualidade, com bom tamanho e rendimento, é necessário o uso de irrigação complementar.

     A região com o maior volume de chuvas no Rio Grande do Sul é a Serra Gaúcha, a qual oferece uma barreira física à entrada de frentes frias. Predominam zonas de altitude, com temperaturas amenas na primavera e no verão, que contribuem para reduzir as perdas de água do solo. Dificilmente ocorre déficit hídrico, exceto em anos mais secos e onde os solos são mais rasos. Essa situação muda gradativamente da Serra Gaúcha para a Fronteira Oeste, onde chove menos e as temperaturas geralmente são mais altas, às quais induzem a uma maior perda de água do solo por evaporação e pela transpiração das plantas.

     A média de chuva na Serra Gaúcha é da ordem de 1700 mm acumulados anualmente, com déficit hídrico acumulado inferior a 10 mm na primavera e no verão.

     Do ponto de vista hídrico, além dos elementos meteorológicos referidos, é importante salientar a importância da reserva hídrica do solo. Essa é uma função da capacidade de retenção de água do solo, do aporte de água pela chuva e irrigação, das perdas por escorrimento superficial e por percolação, e da evapotranspiração, que inclui a transpiração do pessegueiro e a evaporação do solo. As condições de disponibilidade hídrica do solo para o pessegueiro, nas diferentes fases da planta, são relevantes para o desenvolvimento vegetativo e para a qualidade da fruta destinada ao consumo in natura.

     Cabe destacar que a ocorrência de granizo é um fenômeno prejudicial ao cultivo do pessegueiro, onde os maiores danos são causados durante o período do ciclo vegetativo, que vai da brotação à colheita.

Ventos: Ventos fortes podem causar danos à vegetação, inclusive com a quebra das pernadas. A propagação de doenças, em particular as bacterianas, também é incrementada pela ocorrência de ventos fortes.

Fatores geográficos do clima

 Dentre os fatores geográficos do clima, a latitude é importante na definição das áreas de cultivo do pessegueiro no mundo. A latitude implica em efeito sobre a temperatura do ar, a qual diminui a partir do Equador à medida em que aumenta a latitude em direção aos Pólos. A Serra Gaúcha está situada em médias latitudes.

     Quanto à altitude, o efeito mais importante para o cultivo do pessegueiro é determinado pelo efeito térmico, já que 100 metros de elevação representam uma diminuição ao redor de 0,6 ºC na temperatura média do ar.

     Com relação ao relevo, a exposição e a declividade possibilitam a seleção de áreas para o cultivo do pessegueiro em um mesoclima particular. É o caso das encostas que privilegiam boa exposição solar, a qual possibilita colheitas com melhor qualidade, em áreas menos sujeitas à ocorrência de geadas. Nessa seleção de áreas também deve privilegiar-se os locais melhor protegidos da ocorrência de ventos frios e/ou fortes, o que auxilia no controle de doenças bacterianas e na redução de danos mecânicos à vegetação.

     As condições de declividade do terreno vão definir, juntamente com a exposição, a incidência de maior ou menor insolação. Situações de alta declividade do terreno não são recomendadas, seja pelos riscos de erosão, seja pela dificuldade de mecanização. Da mesma forma, áreas com elevado risco de geadas durante o período vegetativo devem ser evitadas.

Modelos de brotação para o pessegueiro

A dormência é a suspensão temporária do crescimento visível de estruturas das plantas contendo um meristema. Esse período vai desde a paralisação do crescimento, no fim do verão, até o inicio da brotação, na primavera seguinte  a dormência de uma gema é a última etapa de uma cascata de inibições correlativas na qual a fonte está cada vez mais próxima dela mesma.

     O frio é considerado o principal fator exógeno para a indução à saída da dormência em gemas de espécies de frutíferas nas regiões temperadas.

     A região sul do Brasil, apesar de ser de clima subtropical com algumas localidades temperadas, como é o caso da Serra Gaúcha, apresenta grandes variações entre anos, com invernos amenos, o que tem dificultado a adaptação de espécies e cultivares oriundas de regiões com invernos bem definidos, pois as mesmas geralmente apresentam respostas fisiológicas indesejáveis.

     A dormência das frutíferas caducifólias, como o pessegueiro, em zonas de clima temperado envolve três estágios: paradormência, endodormência e ecodormência (Lang, 1987). A endodormência é induzida e eliminada pelo efeito de baixas temperaturas durante o inverno. Portanto, é importante conhecer-se a duração de tal fase, para poder intervir, quando ocorre insuficiência de frio, com algumas práticas como no caso do uso de substâncias químicas para induzir a brotação.

     O efeito de baixas temperaturas em plantas frutíferas tem sido estudado por um grande número de pesquisadores. foi quem primeiro propôs um modelo para estimar a floração em pessegueiro. O autor baseou-se no efeito de temperaturas inferiores a 7,2ºC, como as mais eficientes para eliminar a endodormência de um grande número de cultivares de pessegueiro. O método consiste na contabilização de horas em que a temperatura permanece abaixo desse patamar, durante o período de repouso das frutíferas, sendo que cada cultivar necessita acumular um determinado número de horas abaixo desse nível, para satisfazer a necessidade de frio. O modelo tornou-se o mais difundido e utilizado pela simplicidade de cálculo.

     Outros modelos foram propostos nestes últimos trinta anos, ressaltando o efeito de outros níveis de temperatura. Por exemplo verificaram que as temperaturas de 3 e 10ºC tem a metade da eficiência comparada à de 6ºC, na eliminação da dormência em pessegueiro. Mais tarde propuseram um modelo de Unidades de Frio (UF), onde cada temperatura tem efeito diferente na eliminação da dormência, podendo ser até mesmo negativo, quando a temperatura ultrapassa um determinado patamar.  



Cultivo de Pessegos

 

   Características econômicas e sociais da produção de pêssego no Rio Grande do Sul

O pessegueiro é uma espécie nativa da China, com registros que remontam a 20 séculos a C.. Estudos indicam que, provavelmente, teria sido levado da China para a Pérsia e de lá se espalhado pela Europa. No Brasil, segundo relatos históricos, o pessegueiro foi introduzido em 1532 por Martim Afonso de Souza, por meio de mudas trazidas da Ilha da Madeira e plantadas em São Vicente (no atual estado de São Paulo).

     Segundo dados da FAO (1998), a produção mundial de pêssegos é de aproximadamente 11 milhões de toneladas, sendo os principais produtores a China, a Itália, os EUA e a Espanha. Embora sendo o maior produtor mundial, a China não figura na relação dos países exportadores, o que provavelmente se deve ao grande consumo interno. Ainda com base nessas mesmas estatísticas, na América do Sul, o Chile e a Argentina aparecem na oitava e nona posição, respectivamente, com produção de aproximadamente 280 mil toneladas/ano e o Brasil na 13º, com uma produção anual de 146 mil toneladas.

     Segundo o IBGE, no período entre 1970-1999, a produção brasileira de pêssego passou de 111 para 159 mil toneladas/ano, assim distribuídas entre os estados produtores: Rio Grande do Sul: 42%, São Paulo: 22%, Santa Catarina: 19%, Paraná: 11%, Minas Gerais: 5% e os demais estados: 1%. A área de pomares de pessegueiros, segundo essa mesma estatística, passou de 16,6 para 20,7 mil hectares, assim distribuídos: Rio Grande do Sul (51%), Santa Catarina (20%), São Paulo (15%), Paraná (9%), Minas Gerais (4%) e os outros estados (1%). Levantamentos mais recentes, efetuados pela Embrapa Clima Temperado, indicam que, no Rio Grande do Sul, nesse mesmo período, foram agregados mais de 5 mil ha de pomares, sendo que dois deles já se encontram em produção, embora ainda não incorporados às estatísticas oficiais.

     Estimando-se, a partir dos dados acima, a produtividade média de cada estado produtor, verifica-se uma disparidade significativa pois, enquanto o maior estado produtor, o Rio Grande do Sul, apresenta uma produtividade de 6,4 ton./ha e Santa Catarina, também tradicional produtor, 7,2 ton./ha, nos estados do Paraná, Minas Gerais e São Paulo a produtividade é de 9,2; 10,6 e 10,7 ton./ha, respectivamente. Esse fato, provavelmente, está relacionado ao nível tecnológico empregado e à idade média dos pomares nas regiões tradicionais.

     No Brasil, os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná têm as melhores condições naturais para o produção comercial do pêssego. É possível, no entanto, produzi-lo em outros estados com cultivares menos exigentes de frio ou em estações microclimáticas adequadas às exigências mínimas viáveis, técnica e economicamente.

     No Rio Grande do Sul, maior produtor nacional, é possível se encontrar plantas de pessegueiro em todas as regiões. Entretanto, a produção comercial está concentrada em três pólos que, juntos, segundo a Embrapa Clima Temperado, somam cerca de 13 mil hectares de pomares.

     O primeiro dos três pólos mais importantes localiza-se na chamada "Metade Sul" do estado, que compreende 29 municípios e concentra mais de 90% da produção destinada ao processamento industrial de diversas formas, com destaque para a compota. Anualmente são produzidas, em média, 40 milhões de latas de 1kg de compota destinadas ao mercado interno. Mesmo com um consumo per capita de apenas 0,25 kg, o país tem importado anualmente cerca de 20 milhões de latas da Grécia, Espanha, Argentina e Chile. Entretanto, como resultado das taxações impostas pelo governo às importações, a partir de 1999 houve redução de cerca de 50% dessas importações, beneficiando e protegendo a cadeia produtiva.

     Essa atividade, em expansão em todo o estado do Rio Grande do Sul, em função do apoio do Governo Federal com programas de financiamento a fundo perdido, tem-se apresentado como uma ótima alternativa aos agricultores da região (Metade Sul). Segundo Madail et al (2002), o sistema de produção atualmente adotado pelos agricultores de base familiar apresenta uma Taxa Interna de Retorno - TIR de 43,9% e o sistema empresarial 38%. Esses valores são superiores às taxas de juros no mercado financeiro ou qualquer outro ativo especulativo.

     O segundo pólo, localizado na Grande Porto Alegre, é composto por nove municípios e produz, em média, segundo João et al (2001), 4.800 toneladas de pêssegos para o consumo in natura numa área de 312 ha, o que representa uma produtividade média de cerca de 15 toneladas/ha. Trata-se de uma região que apresenta uma importante vantagem competitiva, já que está próxima do principal mercado consumidor do estado (Grande Porto Alegre).

     O terceiro pólo está localizado na Encosta Superior do Nordeste, na região também conhecida como Serra Gaúcha, mais especificamente nos municípios de Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Veranópolis, Farroupilha, Flores da Cunha, Nova Pádua, Antônio Prado, Ipê, Pinto Bandeira e Campestre da Serra. Na safra 2000/2001, a região produziu cerca de 46 mil toneladas de pêssego que, na sua totalidade, são destinadas ao mercado de consumo in natura, numa área de aproximadamente 3.200 ha, o que representa uma produtividade superior a 14 toneladas/ha.

     Por se tratar de uma região produtora de frutas tradicional, com ênfase especial na viticultura, a ascensão do pêssego passa a ter, na seqüência, uma abordagem mais detalhada nos seus aspectos técnicos e econômicos.

A produção de pêssegos na Região da Serra Gaúcha

     Esse pólo produtor de pêssego ocupa uma área de aproximadamente 3.200 hectares, envolve cerca de 1.860 famílias que exploram a atividade em pequenas áreas, que atingem, em média, 2 hectares.

     A cultura de frutas de caroço é de grande importância econômica e social para essa região, pois com uma estrutura fundiária baseada em minifúndios e com disponibilidade de mão-de-obra familiar, esses produtores encontram na fruticultura uma ótima alternativa de diversificação da matriz produtiva, absorção da mão-de-obra familiar e geração de renda em pequenas áreas. Segundo pesquisa realizada pela Embrapa Uva e Vinho, no período entre 1985 e 1997, a contribuição da cultura do pessegueiro na formação do valor bruto da produção desses estabelecimentos evoluiu de cerca de R$ 62,20 para R$ 1.023,06 (valores deflacionados), o que equivale a um aumento de cerca de 1.600%. Entretanto, paralelamente ao crescimento da área e volume de produção, começaram a surgir os problemas tecnológicos e logísticos, típicos dos pólos produtores.

     As cultivares de pêssego produzidas na região são todas de polpa branca, com destaque para a cultivar Chiripá, que representa 50%, e Marli, com 40% da área total em produção. Desse fato, surge uma característica marcante e limitante à competitividade desse pólo produtor que é a concentração da época de safra dessas duas cultivares, que ocorre entre meados de dezembro e meados de janeiro, num período de aproximadamente 25 dias. Essa concentração da produção, dada a precária estrutura de logística existente na região, principalmente na capacidade de armazenagem em câmaras frias, transforma-se, por um lado, em excesso de oferta que avilta os preços em nível do produtor e, por outro lado, provoca a queda da qualidade de grande parte do produto em nível do consumidor, já que as cultivares produzidas também apresentam problemas de perecibilidade, estimando-se que mantenham a qualidade para o consumo por, no máximo, 25 dias em boas condições de armazenamento e maturação das frutas.

    Entretanto, os fatores de ordem tecnológica relacionados às cultivares de pêssego cultivadas comercialmente na região (Chiripá e Marli), não se limitam às questões da concentração da oferta e perecibilidade. Por serem de ciclo tardio, sofrem intensos ataques de pragas na fase de maturação, exigindo, conseqüentemente, ações de controle que, em muitos casos, são feitas através da intervenção com produtos químicos, o que, além dos aspectos ambientais e de saúde dos produtores, tem um impacto significativo nos custos de produção.

     Esses, entre outros, são fatores que tem dificultado maiores avanços no esforço desenvolvido pela Embrapa Uva e Vinho no sentido de desenvolver um sistema de produção integrada de pêssego para a Região da Serra Gaúcha e que evidenciam a necessidade de uma elevação no patamar tecnológico disponível, a iniciar pela criação ou adaptação de cultivares às condições edafoclimáticas da região. Entretanto, a este esforço da pesquisa deverão ser agregados outros relativos à assistência técnica, políticas creditícias para custeio e investimentos na produção e em estruturas de logística, a partir do que, provavelmente, se estará criando as condições para uma maior organização dos produtores envolvidos com a cultura do pêssego na Serra Gaúcha.



quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Utlização, Composição e Valor Nutricional da Pitanga

 

Utlização

No Nordeste Brasileiro, a pitanga, geralmente, é consumida ao natural ou utilizada no preparo de sucos (Lederman et al., 1992). O principal potencial de exploração agroindustrial da pitangueira é a produção de frutos para obtenção da polpa integral congelada e suco engarrafado, além da utilização da polpa na fabricação de sorvete, picolé, licor, geléia, vinho e cosméticos (Donadio, 1983; Ferreira et al., 1987; Lederman et al., 1992).

Outras perspectivas de aproveitamento da polpa são: a mistura entre sucos de pitanga com outras frutas de espécies nativas e exóticas; adicionála a bebidas lácteas; e processá-la como refresco em pó e néctar (Bezerra et al., 2000).

A pitangueira pode ser usada como cerca viva e planta ornamental, pois além de crescer lentamente, essa espécie apresenta copa densa e compacta (Correa, 1978; Villachica et al., 1996).

Países como Suriname e Nigéria extraem das folhas e frutos verdes óleos essenciais contendo acetato de geranil, citronela, terpenos, sesquiterpenos e politerpenos, substâncias utilizadas contra febre, resfriados, reumatismo, gota, hipertensão e no tratamento de desordens gastrointestinais, demonstraram na Nigéria que o pó das folhas e óleos essenciais da pitangueira são eficientes na proteção de sementes armazenadas de feijão caupi contra o ataque de insetos da família Bruchidae (bruquídeos).

De acordo com Morton (1987), a casca da pitangueira contém de 20 a 28,5% de tanino, substância que pode ser utilizada no tratamento de couro.

Folhas da pitangueira são usadas na medicina popular na forma de chá para controlar diarréia e, segundo Rizzo et al. (1990), são usadas para combater a tosse.

O aumento do consumo de pitanga pode ser estimulado pela divulgação do seu valor nutritivo através de campanhas de educação alimentar, pois os frutos são ricos, principalmente, em vitamina A e sais minerais.

Composição e Valor Nutricional

O valor comercial do fruto de pitanga destaca-se pelo seu elevado rendimento de polpa, alto teor de vitamina A, sabor e aroma exóticos.

De acordo com Villachica et al. (1996), o fruto de pitanga é formado, aproximadamente, de 66% de polpa e cerca de 34% de semente. No entanto esses valores e outras características físico-químicas dos frutos podem ser alterados (Tabela 2) de acordo com a variabilidade genética entre pitangueiras e suas interações com as diferentes regiões de cultivo, bem como o manejo dispensado à plantação.

O peso médio de frutos é uma característica importante para o mercado de frutas frescas, uma vez que os frutos mais pesados são também os de maiores tamanhos, tornando-se mais atrativos para os consumidores.

Entretanto os parâmetros físico-químicos relacionados à acidez total titulável e ao teor de sólidos solúveis totais da polpa são mais relevantes no que se refere à elaboração de sucos, doces, picolés e sorvetes, mesmo porque a pitanga é uma fruta essencialmente voltada para a industrialização.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (BRASIL, 1999), através da Instrução Normativa de nº 136, de 31 de março de 1999, estabeleceu os seguintes valores padrões referentes às características físico-químicas à industrialização da polpa de pitanga: sólidos solúveis totais de 6°Brix (mínimo); acidez total de 0,92% de ácido cítrico (mínimo); açúcares totais naturais de 9,5 g/100 g (máximo); pH entre 2,5 e 3,4; polpa de cor vermelha; sabor e aroma próprios.

Na Tabela 3 encontram-se os valores referentes à composição média de 100g de polpa de pitanga. O fruto destaca-se como fonte de vitamina A em função dos elevados teores encontrados na polpa. De acordo com Franco (1989), a vitamina A, também chamada de retinol, exerce várias funções de grande importância para o ser humano, como ação protetora na pele e mucosas, além de papel essencial na função da retina e da capacidade funcional dos órgãos de reprodução. Sua deficiência prejudica a visão, ocasionando a cegueira noturna.

Com relação à concentração de macronutrientes, o fruto da pitangueira contém: 0,88% de nitrogênio; 0,09% de fósforo; 0,84% de potássio; 0,25% de cálcio; 0,06% de magnésio e 0,06% de enxofre.

Estudos realizados por Lima et al.(2002), revelaram que, quando madura, a pitanga roxa apresenta maiores teores de compostos fenólicos e carotenóides totais do que a pitanga vermelha (Tabela 4). Os carotenóides, antocianinas e flavonóis encontram-se mais concentrados na película do que na polpa do fruto maduro. Nas pitangas semi maduras, os teores desses fitoquímicos não apresentaram diferenças significativas. Esses compostos possuem propriedades antioxidantes, que podem estar relacionadas com o retardamento do envelhecimento celular e a prevenção de algumas doenças.