sábado, 26 de setembro de 2015

Atemoia, As Plantas Curam



Dona de uma polpa doce e macia, a atemoia está caindo nas graças do brasileiro. Além de sabor, a presença da fruta na dieta proporciona uma boa fonte de potássio, que pode beneficiar os músculos do corpo, incluindo o coração

A casca verde tem uma aparência bruta, mas dentro, a atemoia oferece cerca de 70% de água e um sabor único. Ela se originou na África do Sul e em Israel por meio do cruzamento entre a fruta-do-conde (ou pinha) e a cherimoia. “A fruta-do-conde e a cherimoia são os pais da atemoia”, conta José Antônio da Silva, pesquisador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. A atemoia chegou ao Brasil apenas na década de 1960 e, hoje, é produzida no Sudeste e no Nordeste do País.

Propriedades Nutricionais

Silva explica que a atemoia tem caído no gosto dos consumidores por ter a polpa saborosa e macia, além de as sementes soltas. Assim, ela pode ser consumida “de colher”, como o mamão. Apesar de tentadoramente doce, é importante não exagerar no consumo. “A atemoia é rica em carboidratos simples, especialmente em açúcares. Em uma unidade pequena da fruta há aproximadamente 20g de açúcares e 97 calorias”, explica Luiz Roberto Queroz, presidente do Departamento de Nutrologia da Associação Paulista de Medicina (APM). Ele aponta que, entre as qualidades da fruta, está a presença de fibras insolúveis, boas para o intestino, e da vitamina C, um poderoso antioxidante, que também participa da produção de colágeno. Fonte de minerais, a atemoia se destaca ainda no teor de potássio. “Ele é importante no controle dos líquidos corporais, na contração dos músculos, na produção dos impulsos nervosos e na manutenção dos batimentos cardíacos”, diz Flávia Fuzzi, da Câmara Técnica do Conselho Regional de Nutricionistas da 3ª Região (MS/SP).

Propriedades Medicinais

Como toda fruta rica em potássio, o consumo regular de atemoia pode auxiliar no controle da pressão arterial, comenta Flávia Fuzzi. “O mineral ainda auxilia no combate à fadiga, dores musculares e às câimbras.” Ela alerta porém que o consumo excessivo é contraindicado para pacientes com insuficiência renal.

A atemoia é fonte de energia sendo indicada para “dar um gás” nos compromissos do dia a dia.

É regulador da pressão

Devido à presença de potássio em sua polpa, a atemoia auxilia na redução da pressão arterial, pois esse mineral é vasodilatador. Usado pelo nosso corpo para equilibrar a água, o potássio é também elemento necessário para a contração muscular. Uma dieta rica nesse mineral é ótima para os praticantes de atividades físicas em geral.

Deve ser consumida in natura

O melhor jeito de ingerir a fruta é da forma como a natureza nos mandou, pois assim se preservam osnutrientes. Caso você opte pelo suco, por exemplo, a vitamina C se perderá em cerca de 20 minutos a partir do momento em que a bebida foi preparada. Além disso, as fibras presentes também se quebrarão.

Casca e sementes podem ser aproveitadas

“Se devidamente usadas, não fazem mal à saúde”, explica a nutricionista Juliana Fontes. Embora seja difícil consumir a casca in natura por ser pontiaguadaáspera e não ter um sabor muito agradável. Para isso, ela apresenta uma sugestão: “Pode ser usada para fazer geleia ou até mesmo compota. A casca possui fibras e minerais”. E as sementes? “Ricas também nesses elementos, podem ser trituradas e colocadas sobre iogurtesfrutassaladassorvetes e até mesmo no arroz com feijão”, responde Juliana.

Compre na estação

Já é tempo de atemoia – e o período vai até novembro. Durante a safra de qualquer alimento, suaqualidade nutricional é melhor, apresentando maiores taxas de nutrientes; em especial, as vitaminas e os minerais. “E quanto mais maduro o fruto estiver, maior sua quantidade de nutrientes”, ressalta a nutricionista.
FONTE DE ENERGIA
A atemoia é fonte de energia (243 calorias em uma unidade de 250 g), sendo indicada para “dar um gás” nos compromissos do dia a dia. Isso se deve à grande quantidade de carboidratos encontrada em sua polpa. “Sendo assim, ela deve ser consumida commoderação, principalmente por quem está tentando controlar os ponteiros da balança”, alerta a nutricionista.

Rica em fibras

As fibras são importantíssimas para o adequado funcionamento intestinal, além de diminuir a absorção de açúcar e de gordura, sendo ideal para quem tem diabetes e/ou colesterol elevado.



sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Quem é o Consumidor Orgânico





Quem é o consumidor orgânico


A industria de alimentos e suplementos naturais não para de crescer, motivada pela maior preocupação das pessoas com sua saude e qualidade de vida. Cada vez mais, novos produtos do gênero são lançados e o consumidor tem hoje, várias opções à sua escolha para atender suas necessidades.
No Brasil, as mulheres respondem por 70% das decisões de compra e dão prioridade a produtos confiáveis e garantidos como benéficos à saude. A qualidade da alimentação dos filhos é uma prioridade para as mães atentas à questão dos agrotóxicos. De modo geral, o consumidor do produto orgânico apresenta tres tipos diferentes:


1 – O consumidor "ecológico"e militante: 


Conscientizado e informado, esse cliente sabe bem o que quer e faz suas compras com atenção e cuidado. Olha o rótulo do produto, verifica se tem algum sêlo de certificação, quer saber a origem do produto, como foi produzido e quer garantias. É o tipo de consumidor que questiona a ausência na industria, de embalagens degradáveis para os produtos orgânicos. Procura fugir da alimentação industrializada e de produtos que tenham residuos químicos.



2 – O consumidor que quer se iniciar em um novo estilo de vida e de consumo:


Procura se informar e sabe que o padrão de sua alimentação pode melhorar em qualidade. Compra o produto orgânico, pela recomendação de outras pessoas que já o conhecem, pois está acostumada a consumir apenas as marcas tradicionais do mercado.
Nessa mesma categoria, estão aqueles que buscam um novo estilo de consumo por razões de doença ou intoxicação. Procuram melhorar a qualidade de sua alimentação, orientados por médicos e nutricionistas.


3 – O consumidor gourmet:


Procura o produto de alta qualidade, orgânico ou não. Os produtos orgânicos o interessam na medida que lhe dão a garantia de um produto fresco e saboroso. Para esse consumidor, o produto processado não pode ter conservantes ou aditivos de qualquer especie. Se orienta pelo sabor e bom gosto, pois está acostumado a degustar e escolher o melhor. É tanto ou mais exigente que o consumidor militante, ainda que por motivos diferentes.


1. Introdução


A crescente busca por alimentos saudáveis, limpos e ausentes de agrotóxicos tem atraído cada vez mais consumidores para as feiras agroecológicas. As principais razões que explicam o aumento da produção orgânica são o valor nutricional, o sabor diferenciado de certos produtos, uma alimentação muito mais saudável, aliadas as técnicas que ajudam a preservação do meio ambiente, o que possibilita a inferência de que esse tipo de atividade constitui uma forma de produção ecologicamente sustentável, socialmente justa e economicamente viável em suas escalas de produção.
Observando o consumidor dentro desta realidade verifica-se a existência de preferências para a alimentação convencional, entendida como aquela produzida dentro dos parâmetros legais com a utilização de fertilizantes e controle de pesticidas e as preferências para a produção alimentar orgânica pautada no manejo equilibrado do solo e dos recursos ambientais, cujos produtos agrícolas são isentos de defensivos químicos.
Desta forma este trabalho se consubstancia como ferramenta para a contribuição e ampliação da discussão científica sobre a matéria relativa ao comportamento do consumidor em relação ao uso de alimentos orgânicos. 

2. Comportamento do consumidor e decisão de compra

Observa-se que o consumidor de produtos orgânicos apesar de ser um consumidor recente, é fiel em sua decisão ao adquirir os produtos orgânicos na busca pela qualidade de vida, uma vez que, os alimentos orgânicos tratam de produtos sem contaminação por agrotóxicos sendo assim mais naturais.
Uma parcela da sociedade vem tendo uma postura crítica em relação aos interesses do mercado, ou seja, o consumidor vem se preocupando com a concepção de qualidade e assim desenvolvendo um estilo de vida pautado no consumo consciente que leva em consideração o produto em sua substância, como observado no crescimento da agricultura orgânica. GIDDENS (1996) ilustra bem essa realidade ao afirmar que o afastamento do produtivismo, implica uma recuperação dos valores de vida guiada pelos temas da autonomia, solidariedade e busca da felicidade.
A noção de preservação do meio ambiente natural e a preocupação com a saúde vem sendo um dos assuntos mais discutidos na atualidade. A saúde como vetor da qualidade de vida dos seres humanos incide diretamente no comportamento dos consumidores que se voltam para os produtos com apelo ambiental, ou seja, aqueles oriundos de um manejo sustentável dos recursos naturais, relacionados com um estilo de vida saudável e garantidor da segurança alimentar, daí o crescimento do mercado de produtos orgânicos como tendência alimentar. 
Nesse sentido, dispõe ENGEL et al. (1995) que o comportamento do consumidor, suas atitudes e intenções determinam o sucesso ou fracasso de um produto, o mercado mundial de alimentos vem sofrendo grandes transformações de diversas organizações, relacionadas ao desenvolvimento de novos hábitos alimentares, estilos de vida, preocupação com a saúde e o meio ambiente pelos diferentes tipos de consumidores.
Desta forma o estudo do comportamento do consumidor de produtos alimentares orgânicos torna-se essencial para a compreensão da cadeia produtiva desenvolvida nas crescentes feiras orgânicas do município. Entender as relações construídas pelos tipos de consumidores com referência ao conhecimento do produto orgânico, a influência dos atributos dos produtos que direcionam suas escolhas, ao conjunto de valores e necessidades que norteiam suas atitudes e conseqüentemente suas qualidades de vida, torna-se tarefa primordial para entendermos o estilo de vida do consumidor orgânico em relação ao estilo dos integrantes da coletividade consumista caracterizada pelo consumo desenfreado das opções que o mercado oferece.

3.  Representação social sobre alimentação saudável

Os consumidores de produtos orgânicos estão muito mais preocupados com os alimentos que estão chegando a sua mesa, os consumidores estão buscando promover uma melhor qualidade de vida para suas famílias.
A representação social sobre alimentação saudável pode ser observada pela percepção dos consumidores em relação a atitude de sua escolha em alimentos convencionais a produtos orgânicos, isso não é uma opção naturalista ou de modismo, mas uma atitude de vida.
Desta forma, as representações sociais dizem respeito ao espaço da vida cotidiana e dos grupos sociais que orientam sua ação social segundo um repertório de saberes, crenças e valores comuns. Esses saberes e sistemas de crenças e valores consistem no senso comum e a lógica que preside em termos cognitivos é o pensamento representativo.
Tendo como premissa que os consumidores inseridos no mercado da agricultura orgânica buscam qualidades específicas não encontradas nos produtos da agricultura convencional, uma das questões levantadas neste estudo é saber o perfil comportamental dos consumidores de alimentos orgânicos, observando o processo de decisão e aquisição destes produtos, resultante da incidência de valores e necessidades pessoais, analisando aqueles que se preocupam com o meio natural e principalmente com a saúde pessoal.
Os alimentos orgânicos estão cada vez mais ganhando espaço devido ao estilo comportamental que os cidadãos vêm tendo frente à agricultura industrial, o referencial adotado passa pela qualificação do valor nutritivo e não pela aparência dos produtos alimentares, o que expressa uma postura diferenciada deste grupo consumidor, tornando-se um ponto significativo para se analisar o quanto esses consumidores se diferenciam do padrão de consumo convencional e o quanto contribuem para a valorização da produção orgânica e mesmo da manutenção da sustentabilidade ambiental e equidade social, já que há a valorização do produtor orgânico que emprega na atividade conhecimento antigo de raízes camponesas, até pouco tempo considerado retrógado.
Desse modo, é importante conhecer as características do consumidor, suas necessidades e valores, avaliando de forma mais profunda os aspectos e características determinantes da compra de produtos orgânicos sob uma perspectiva sociológica, levando-se em consideração as relações sociais surgidas neste grupo social das feiras orgânicas estudadas buscando identificar o comportamento destes consumidores diante das diferentes sociedades e culturas englobadas pelo dinâmico mercado de produtos orgânicos.

4. Considerações Finais

Conhecer o perfil dos consumidores e do consumo e a representação social de alimentos orgânicos pode contribuir na orientação da cadeia produtiva. No geral o consumo é caracterizado por um mercado massificador voltado inteiramente para obtenção do lucro, como percebido pelos grandes investimentos em propaganda e embalagens que na maioria dos casos servem tão somente para ludibriar o consumidor, sem se preocuparem com a qualidade e os benefícios reais que os produtos podem trazer o que ocorre exatamente no ramo alimentício.
Desta forma este trabalho se consubstancia como ferramenta para a contribuição e ampliação da discussão científica sobre a matéria relativa ao comportamento do consumidor em relação ao uso de alimentos orgânicos.








DIMINUIR OS RESÍDUOS DE AGROTÓXICOS NOS ALIMENTOS




COMO DIMINUIR OS RESÍDUOS DE AGROTÓXICOS EM SUA ALIMENTAÇÃO


1 – Lave legumes, verduras e frutas numa solução suave e detergente e água pura ou em mistura de água e vinagre. Deixe-os de molho de 15 a 20 minutos e enxague-os cuidadosamente.
2 - Em alguns casos, frutas e legumes podem receber uma camada de cera para que não percam a umidade e murchem. Esta cera também contém substâncias fungicidas e bactericidas para evitar o aparecimento fungos e de bactérias.
Ex. maçãs, pimentões, berinjelas, grapefruits, melões, nectarinas, pêssegos, etc. Para eliminá-la, sempre que possível, descasque legumes e frutas. Você perderá algumas vitaminas contidas na casca, mas em compensação terá uma alimentação mais segura.

3 – Procure usar sempre legumes, verduras e frutas da safra, pois possuirão menos defensivos e hormônios.
4 – Legumes muito grandes, produzidos convencionalmente, podem ser resultado de adubação e estimulantes artificiais.
5 – Dê preferência aos produtos nacionais, ao invés dos importados. Frutas e legumes produzidos localmente não requerem tantos pesticidas como aqueles que percorrem longas distâncias e são armazenados por longos períodos de tempo.
6 – Resíduos de pesticidas e outros produtos químicos tendem a se concentrar nos tecidos gordurosos dos animais. Diminuir seu consumo reduz a ingestão de agrotóxicos. Ao preparar qualquer vaca, carne, frango, porco, etc. procure retirar toda a gordura e pele. Escolha laticínios com baixo teor de gordura, prefira leite desnatado e queijos magros.
7 – No Brasil, dentre os produtos agrícolas que mais recebem agrotóxicos, destacam-se o tomate, a batata inglesa, o morango e o mamão papaia. No caso da produção de uva Rubi e Itália, em São Paulo, são feitas até 40 aplicações de produtos químicos, da brotação até a colheita.
8 – Os consumidores não devem parar de consumir frutas ou verduras; estas informações se destinam a levar maior conhecimento do que ocorre na produção de hortigranjeira e dar-lhe uma visão mais crítica ao escolher o que vai a sua mesa.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou na terça-feira (6/12), resultados de um estudo que identificou contaminação por agrotóxicos em amostras de 17 dos 18 alimentos analisados. A olho nu não é possível identificar essas substâncias nos produtos, e a exposição a elas pode causar sérios danos à saúde humana. “Além de não ser possível identificar alimentos que foram produzidos com uso de agrotóxicos, também não dá para eliminá-los. Mas é possível diminuir a presença deles nos produtos com uma boa lavagem”, afirma Sidinea Cordeiro de Freitas, engenheira química e especialista em análise de resíduos em alimentos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A pesquisadora alerta ainda que apenas os resíduos presentes na superfície do alimento podem ser removidos parcialmente e que alguns vegetais absorvem algumas substâncias químicas dos agrotóxicos. “Isso quer dizer que, mesmo fervendo o alimento, não tem como eliminar a presença dessas substâncias”, explica ela. Veja abaixo, dicas da Embrapa de como lavar os vegetais para diminuir os resíduos tóxicos: 
1. Durante pelo menos um minuto, esfregue a fruta ou legume com uma esponja ou escova e detergente neutro. No caso de folhas como a couve, use as mãos; 
2. Em seguida, enxágue em água corrente por mais três minutos; 
3. O passo seguinte consiste em colocar o produto imerso em solução de água clorada durante 15 minutos; 
4. Para completar o processo de desinfecção, esfregue novamente (desta vez sem detergente) por cerca de um minuto embaixo de água corrente. E é preciso não esquecer que, a única maneira de eliminar totalmente os agrotóxicos dos vegetais é comprar alimentos que sejam certificados como orgânicos. -




Fruticultura Orgânica e Biológica



Histórico: 

As observações feitas no início do século pelo botânico e agrônomo inglês Sir. Albert Howard em relação ao tipo de agricultura praticada pelos camponeses indianos, deram início a estas duas correntes que, apesar dos nomes distintos são muito semelhantes, podendo ser analisadas conjuntamente. Os estudos realizados na Índia sobre compostagem e adubação orgânica, resultaram posteriormente na publicação em 1940 do livro "Um Testamento Agrícola", com relevantes referências bibliográficas para os praticantes do modelo orgânico.

O trabalho de Howard não foi bem aceito pela comunidade britânica, mas encotrou eco em Lady Balfour que publicou The Living Soil (O solo vivo),que daria origem à The Soil Association (Associação do Solo), principal órgão representativo do setor orgânico da Grã-Bretanha

Princípios: 

Segundo Howard a fertilidade dos solos deve ser construída a partir de um amplo suprimento de matéria orgânica e, sobretudo na manutenção de elevados níveis de húmus (matéria orgância já decomposta e estabilizada) no solo. A base científica desta corrente se assenta nas seguintes práticas: rotação de culturas, manejo e fertilização do solo. Assim como as correntes, natural e biodinâmica o princípio gerador da estabilidade e saúde das plantas, encontra-se no manejo da matéria orgânica como prática geradora de boas fertilidade e estruturação do solo. Também como nas outras correntes agroecológicas, o solo é considerado um "organismo complexo", repleto de seres vivos (minhocas, bactérias, fungos, formigas, cupins, etc) e de substâncias minerais em constante interação e inter-dependência, o que significa que ao se manejar um aspecto (adubação, por exemplo), faz-se necessário considerar todos os outros (diversidade biológica, qualidade das águas subterrâneas, suscetibilidade à erosão, etc.) de forma conjunta. Este é o princípio da "visão sistêmica" da agricultura (também chamado "holismo"), o qual prescreve que a propriedade agrícola deva ser considerada em todas as suas dimensões (produtiva, ecológica, social, econômica, etc.).

Introdução

A fruticultura é uma das atividades mais importantes do setor primário, em praticamente todo mundo. A relevância do setor frutícola em cada região é variável, mas pode-se afirmar que a potencialidade para uma ou mais espécies frutíferas ocorre em cada região (SOUZA, 2006).
No Brasil, mais especificamente, há condições adequadas para cultivo de grande número de espécies, desde plantas frutíferas de clima tropical muitas das quais tem seu centro de origem no próprio Brasil (AQUINO e ASSIS, 2005). Na verdade, a fruticultura é uma das grandes geradoras de recursos, pois as frutas possuem alto valor agregado, ou seja, possuem alto valor por unidade colhida, permitindo a obtenção de receita elevada em uma pequena área.
O presente trabalho diz respeito à importância de trabalhar com algumas principais fruteiras da região, e mostrar algumas maneiras adequadas, com base nos conhecimento dos autores de se conduzir um pomar.
Melhor dizendo, esta foi mais uma prática profissional, que se realizou no próprio IFRN campus de Ipanguaçu. Com intuito de mostrar várias informações técnicas da Agroecologia, destacando que a fruticultura tem o papel de produzir alimentos de alto valor nutritivo que devem fazer parte da refeição diária do brasileiro, além de preservar o meio ambiente.
A fruticultura agroecológica para o pequeno agricultor é de fundamental importância, ter sua produção com um custo bem menor e uma boa produção orgânica, que levam a todos nós a uma vida mais saudável, livre dos agrotóxicos. Para fazer agricultura orgânica, é preciso antes de tudo ter uma visão do conjunto da natureza de um lugar, com todas as suas dependências, relações e interligações, e não usar receitas prontas ou insumos externos, mas utilizar somente os conceitos e princípios da agroecologia (PENTEADO, 2003). Todos esses processos e técnicas são necessários para melhorar a forma de plantio, onde muitas vezes o produtor não tem esse conhecimento, é importante para a fruticultura orgânica, o manejo adequado e as condições adequadas, onde entra a Agroecologia levando todo esse conhecimento e técnicas ao pequeno agricultor.








quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Cultivo da Aveleira (Avelã)




Nome Científico: Corylus avellana, L. 

Família: Betalaceae 
Origem e dispersão: as espécies Corylus americana e C. cornuta são naturais do Norte da América, porém a maioria dos cultivares utilizados são oriundos da aveleira comum (C. avellana), que parece ser originária da Ásia Menor, nas margens do Mar Negro. 
Características: a aveleira é uma planta de porte arbustivo e arbóreo; as folhas são ovais e caducas; as flores não apresentam perianto, cada bráctea apresenta de quatro a oito estames e as inflorescências são pistiladas; o ovário apresenta um ou dois óvulos por lóculo; o fruto é uma noz subglobosa ou ovóide, com pericarpo lenhoso, rodeado por um envoltório de folhas, irregularmente dentado ou, às vezes tubular, agrupado em rácimos na extremidade das brotações. 
Clima e Solo: a planta é bastante resistente ao frio, porém, devido ao fato de a floração ocorrer no inverno, devem ser evitadas regiões com temperaturas extremamente baixas neste período (-10ºC), o que não é comum no Brasil. 
Propagação: a aveleira pode ser propagada por sementes mergulhia e por rebentos que brotam do tronco. 
Variedades: na Turquia, principal produtor, o cultivar mais importante é “Tombul”; na Itália, o ‘Tonda Gentile della Langhe’ na Espanha, ‘Negreta’; nos Estados Unidos, ‘Barcelona’ e ‘Daviniana’ como polinizadora. 
Utilização: a avelã é bastante saborosa, alimentícia, rica em proteína e com 50 a 60% de óleo.




Caracteristicas

São cerca de uma centena as espécies de aveleiras, com origens no Oeste Asiático e América do Norte e pertencem à família das Betuláceas. Dá-se em solos e climas diversos. Atinge a maioridade dos 10 aos 12 anos, durando cerca de sessenta anos, podendo atingir os 4 metros de altura. É considerada um fruto de casca rija e está coberto por um invólucro verde, agrupando-se em dois ou três frutos por pé. O valor nutricional e medicinal da avelã foi explorado pelos gregos e romanos e crescia de forma selvagem no continente europeu até ao Mar Negro. Cada 100 gramas de avelã contém: 17,4 g de proteínas, 62,6 g de gordura, 17,2 g de hidratos de carbono, e ainda celulose, Vitamina C, E e B1, Caroteno e 600 Kcal.
Produzia-se farinha e óleo da avelã, este pelo seu aroma suave era utilizado na perfumaria. A pasta do seu grão/amêndoa é utilizada na pastelaria – preparação de bombons e chocolates. A pele interior da avelã sai bem em água a ferver e depois de pelada deve guardar-se num frasco hermético. A origem da palavra avelã vem do grego korys (daí Corylus, avelã em latim) que significa elmo. O nome de Avelã está ligado a Avellino, província de Itália e onde, outrora, a sua cultura era muito importante. A Turquia é o maior exportador de Avelãs (Giresun é a província turca capital mundial da Avelã).
Devem ser raladas, ou trituradas, ou bem mastigadas e, devido à quantidade de proteínas e gordura, não devem ser comidas mais de 15 avelãs diárias. Importantes na alimentação dos diabéticos e ajudam a emagrecer. O consumo habitual de avelãs ajuda a combater as doenças cardíacas, os AVC, a arteriosclorose, diminuição do colesterol e diversos tipos de cancros (graças aos lípidos mono-insaturados, vitamina E e as fibras e aos antioxidantes). São, também, benéficas para os fumadores. Combatem o envelhecimento e reforçam a imunidade.
Nota: Pelo menos no Outono e Inverno, não deixe de comer cerca de meia dezena de avelãs diárias.



NUTRICIONAL

A avelã tem um lugar significativo entre os tipos de porca secada nos termos da nutrição e da saúde por causa da composição especial das gorduras (primeiramente ácido oleic), proteína, hidratos de carbono, vitaminas (vitamina E), minerais, fibras do diabético, phytosterol (beta-cytosterol) e antioxidante phenolics.
As propriedades nutritivas e sensoriais da avelã fazem-lhe um material original e ideal para produtos de alimento.
As avelã são uma boa fonte de energia com seu índice 60.5% gordo.
Muitos investigadores disseram que o consumo da avelã tem efeitos positivos na nutrição humana.
Estes efeitos podem ser relacionados a o perfil do ácido gordo dos lipidos da avelã que são ricos em mono e ácidos gordos polyunsaturated (82.8% oleic e 8.9% linoleic).
A pesquisa mostrou que tipos de dieta onde o nível da gordura saturada é o baixo e nível monounsaturated da gordura (MUFA) é elevado são eficaz em controlar os níveis de lipido do sangue; um resultado semelhante pode ser um fator positivo em coronário risco da doença cardíaca (CHD). Além disso, as dietas enriquecidas com gordura monounsaturated nivelam (que são contidas no óleo da avelã) tenha efeitos similares e positivos em povos tais como casos mínimos de CHD, hipotensão, baixo contrapeso total, redução ou incremento da densidade da lipoproteína (LDL) e redução do colesterol do sangue valor do triglyceride. A avelã é a fonte do segundo melhor da vitamina E após os óleos vegetais.
A vitamina E é um antioxidante phenolic do lipido solúvel. As atividades antioxidantes dos phenolics são o resultado de sua habilidade de transformar átomos de hidrogênio às raizes independentes. Desde que estes compostos podem dar forma a raizes independentes, são acreditados para ser inibidores potenciais do cancro e do atherosclerosis em povos do diabético. Por causa da propriedade antioxidante da vitamina E e da sua relação à doença cardíaca e ao cancro coronários, os consumidores e as indústrias têm o interesse crescente no alimento natural que inclui avelã e produtos da avelã.
O consumo diário de apenas 25-30 GR da avelã encontra 100% da exigência diária da vitamina E. Recente pesquisa mostraram que o beta-cytosterol índice rico da avelã pode jogar um papel importante em reduzir o colesterol e em impedir muitas doenças tais como o cancro (dois pontos, próstata, peito).
Isto igualmente aplica-se a impedir o crescimento dos tumores e a estimular o apoptosis.
As avelã são igualmente uma boa fonte de mineral, particular cálcio, magnésio, fósforo e potássio.
As avelã podem balançar a pressão sanguínea e são muito importantes para o desenvolvimento e a saúde do osso com seus sódio pobre e índice mineral muito rico. Estes minerais são conhecidos ter efeitos positivos na saúde.
As avelã igualmente contêm todos os ácidos aminados necessários e os minerais os mais vitais.
As avelã podem ser usadas como uma fonte de proteína com as leguminosa que têm o baixo índice da cistina e do methionine.
A avelã é uma boa fonte de antioxidantes naturais. Isto indica o potencial nutraceutical das avelã e dos produtos da avelã.
Em conclusão, a avelã é um alimento e um aditivo vital para uma dieta diária balançada e a substância nutraceutical a mais útil para a saúde coronária.
Comer um punhado das avelã por o dia pode protegê-lo de muitas das doenças mencionadas antes.



MEDICINAL
Corylus avellana L.
Família das Coriláceas (Betuláceas)
Nomes Vulgares
Avelaneira, aveleira-comum.
Habitat e Distribuição
Arbusto alto que se encontra em quase toda a Europa, exceto no extremo Norte, também na Ásia Ocidental e Central e no Norte da África.
Partes Utilizadas
Folhas, por vezes as cascas.
Farmacologia e Atividade Biológica
Ação adstringente, anti-inflamatória, venotônica.
Usos etnomédicos e médicos
Como tônico venoso, em situações de varizes, fragilidade capilar e edemas, causados por insuficiência venosa. Como antidiarreico. Topicamente em varizes, ulceras, hemorróidas e inflamações orofarigeas.
Principais indicações
Insuficiência venosa crônica.
Contra-Indicações
Os taninos podem ser irritantes para a mucosa do estomago, requerendo prudência em presença de ulcera péptica.
Efeitos secundários e toxidade
A planta, devido aos taninos, pode provocar gastrite e obstipação.
Observações
Usada, por vezes, em substituição da hamamélia (Hamamelis virginiana L.) devido às propriedades semelhantes.
Formas de Administração e posologia
Uso interno

Pó: cápsulas de 0,5 g, 2 a 6 por dia. 

Cozimento a 10%: tomar ½ a 2 xícaras, por dia.

Os quadros de composição bromatológica dão-nos o seguinte resumo sobre a composição da avelã (como fruto seco sem casca), infelizmente muito incompleto quanto ao conteúdo em vitaminas.
COMPOSIÇÃO
A avelã (Corylus avellana) é um arbusto que cresce naturalmente em quase toda a Europa, Ásia Menor e parte também da América do Norte, figurando na família das Betuláceas (Abedules), cobrindo antigamente grandes superfícies e constituindo uma importante fonte de alimentação.

Água 

7,1


Proteínas 

17,4


Gordura 

62,6


Hidratos de Carbono 

7,2


Minerais 

1,3


Celulose 

3,17


Vitamina B1 

0,460 mg


Caroteno 

0,265 mg


Vitamina C 

6,000mg


Calorias 

682

Deste quadro podemos concluir que a avelã dispõe de um elevado conteúdo de óleo (48-66%), pelo que é muito aproveitada como matéria oleaginosa para objetivos alimentares e industriais. Bem mastigados, estes frutos prestam-se muito bem para o consumo cru, tanto mais que 15 a 20 avelãs equivalem a uma refeição pelo seu elevado conteúdo de proteínas e de gordura.
O proveito é ainda muito maior se tiverem sido trituradas ou raladas ou moídas num moinho ou no liquidificador. Nesta forma, as avelãs desempenham um papel importante na alimentação dos diabéticos e nas curas para engordar.
A avelã é utilizada para a elaboração de produtos de grande riqueza alimentar, como o leite de avelã, manteiga de avelã, pasta de fruta de avelã, pastéis de avelã, biscoitos de avelã. Uma mistura de avelã moída com um pouco de mel e abundante nata açucarada renova rapidamente as forças de quem a consumir.

avela7
A avelã é o fruto da aveleira (Corylus avellana), um arbusto da família Betulaceae, que cresce naturalmente em quase toda a Europa, Ásia Menor e parte também da América do Norte.
Consiste em um fruto mais ou menos esférico, lenhoso e indeiscente, cuja casca é extremamente resistente. Em seu interior encontra-se a semente comestível, de sabor levemente adocicado e algo oleaginosa.
A avelã é consumida ao natural, ou usada em doces, normalmente associada ao chocolate, ao qual acrescenta um sabor muito apreciado.
Composição Nutricional
Cada 100 gramas de avelã contém:
Água - 7,1g 

Proteínas - 17,4g 
Gordura - 62,6g 
Hidratos de Carbono - 7,2g 
Minerais - 1,3g 
Celulose - 3,17g 
Vitamina B1 - 0,460 mg 
Caroteno - 0,265 mg 
Vitamina C - 6,0mg 
Calorias - 682kcal
Propriedades
Do quadro anterior, podemos concluir que a avelã dispõe de um elevado conteúdo de gordura (48-66%), pelo que é muito aproveitada como matéria oleaginosa para objetivos alimentares e industriais.
Bem mastigados, este fruto presta-se muito bem para o consumo cru.
Entre 15 e 20 avelãs, devido ao seu elevado teor de proteínas e de gorduras, podem levar a substituição de uma refeição completa, mesmo não sendo indicado. O proveito é ainda muito maior se tiverem sido trituradas num liquidificador, raladas ou moídas.
Nesta forma, as avelãs desempenham um papel importante na alimentação dos diabéticos e auxílio para o emagrecimento supervisionado por um profissional da Nutrição.
A avelã é utilizada para a elaboração de produtos de grande riqueza alimentar, como o leite de avelã, manteiga de avelã, pasta de fruta de avelã, pastéis de avelã, biscoitos de avelã.
Deste quadro podemos concluir que a avelã dispõe de um elevado conteúdo de óleo (48-66%), pelo que é muito aproveitada como matéria oleaginosa para objetivos alimentares e industriais. Bem mastigados, estes frutos prestam-se muito bem para o consumo cru, tanto mais que 15 a 20 avelãs equivalem a uma refeição pelo seu elevado conteúdo de proteínas e de gordura. O proveito é ainda muito maior se tiverem sido trituradas ou raladas ou moídas num moinho ou no liquidificador. Nesta forma, as avelãs desempenham um papel importante na alimentação dos diabéticos e nas curas para engordar.
A avelã é utilizada para a elaboração de produtos de grande riqueza alimentar, como o leite de avelã, manteiga de avelã, pasta de fruta de avelã, pastéis de avelã, biscoitos de avelã. Uma mistura de avelã moída com um pouco de mel e abundante nata açucarada renova rapidamente as forças de quem a consumir.


terça-feira, 22 de setembro de 2015

Cultura da Atemoia



A cultura de atemóia surgiu de um sonho do produtor Dr.Leon Bonaventure de cultivar em território brasileiro, frutas que pudessem servir as exigências dos mais exigentes mercados, com qualidade, beleza, sabor e aroma, além do respeito a natureza e as normas ambientais e sociais. 

Em 1983 o produtor inicou suas plantações no Sítio Maitacas em Campos do Jordão (região montanhosa do estado de São Paulo) onde hoje é produzido um Kiwi muito saboroso e outras frutas como a framboesa, amora e morangos. Em 1996 iniciou-se a Fazenda Viveiro Bona em Minas Gerais, Paraisópolis onde são cultivadas as plantas de atemóia. Em 1999 o Sr.Leon escreveu um belíssimo livro sobre o cultivo da Cherimóia e da Atemóia, intitulado: "A cultura da cherimoia e de seu híbrido, a atemóia", pela editora Nobel.
“Bahia e São Paulo são os maiores produtores das anonáceas, entre elas a atemóia, que apresenta maior crescimento devido à incorporação de tecnologia com melhor remuneração para o produtor.”
A fruta-do-conde (também chamada ata ou pinha), a mais conhecida das anonáceas brasileiras, foi introduzida no País em 1626 na Bahia, pelo conde Miranda, e no Rio de Janeiro em 1811, a pedido do rei D. João VI. Atualmente, cinco espécies da família destacam-se no mercado nacional: graviola, fruta-do-conde, cherimóia, fruta-da-condessa e atemóia. Do cruzamento da ata com a cherimóia surgiu o recente híbrido atemóia, cultura que está restrita a alguns países tropicais e subtropicais, por se adaptar melhor às condições intermediárias entre a cherimóia, fruta de clima temperado, e a ata, natural de clima tropical. No Brasil, somente a atemóia apresenta cultivares adaptadas ao clima subtropical, como Gefner, African Pride, Pink‘s Mamooth, por exemplo. Pomares comerciais de atemóia começaram a produzir nos anos 90, fruto de pesquisa do Estado de São Paulo a partir da década de 1950.
A produção nacional de anonáceas concentra-se nas regiões Nordeste e Sudeste, com predomínio na Bahia, seguida de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Alagoas, com a pinha e a graviola, e São Paulo e Minas Gerais, com a atemóia.



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TECNOLOGIA PARA PRODUZIR

Atualmente, o mercado, desfavorável para algumas frutas mais convencionais, tem estimulado a procura dos fruticultores paulistas por mudas selecionadas para o plantio de atemóia, aquecendo, inclusive, a produção dos viveiros de mudas. Embora o preço recebido pelo produtor de atemóia tenha se reduzido nos últimos tempos, a receita por ele auferida ainda é estimulante. Para o consumidor, essa retração do preço é bastante positiva, principalmente por ser uma fruta ainda cara para a renda da população, em geral.
Em São Paulo, maior produtor, são nas regiões mais frias que ocorrem a expansão mais acentuada do seu plantio, como as de Botucatu, Itapetininga e Sorocaba. Já, nas regiões de Jales e Lins – mais quentes e tradicionais no plantio de anonáceas, principalmente da pinha – não tendo tecnologia tão bem adaptada para a atemóia, a produção ainda é incipiente. Os técnicos, especialistas nesta fruta, têm insistido num manejo que atenda às especificidades regionais. Segundo eles, o uso correto da tecnologia é ponto fundamental para a obtenção de qualidade, aumento de produção e sustentabilidade da atividade local. Tem-se observado que o cultivo da atemóia ainda está restrito a poucos produtores, os quais vêm adotando, a contento, as recomendações técnicas de produção.
Essa preocupação levou à formação, em 2003, da Associação Brasileira dos Produtores de Anonáceas (Anonas Brasil). A finalidade maior é orientar os fruticultores atuais e potenciais para a conquista do mercado com qualidade. A organização desse setor também depende da sistematização de informações técnicas e de mercado. Nesse sentido, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento, por meio do Instituto de Economia Agrícola – IEA - e da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral – Cati -, tem colaborado no levantamento de dados de produção, área e produtividade.

ESTATÍSTICAS DO SETOR

As estatísticas sobre anonáceas para o Estado de São Paulo, obtidas pelo levantamento de previsão de safra agrícola (IEA/ Cati), mostram que o número de plantas aumentou quase dez vezes no período de 1986 a 2005, passando de 37,4 mil para 361,3 mil pés, com a pinha perdendo espaço para a atemóia nos últimos anos.
Devido ao interesse dos produtores e da crescente importância da atemóia no mercado paulista, a partir da safra 2002/03 as estatísticas sobre essa fruta passaram a ser levantadas separadamente das demais anonáceas. Verificou- se que em 2004/05 a produção de atemóia cresceu 39% em relação a 2002/03, passando de 455 mil caixas, de 3,7 kg, para 633,1 mil caixas. Segundo os especialistas, a maioria das informações sobre “demais anonáceas” representa a produção da fruta- do- conde (pinha), atingindo 11,8 milhões de frutos em 2004/05, inferior aos 13,4 milhões de frutos de 2002/03, em decorrência da queda, tanto do número de pés novos (63%) como dos pés em produção (15%). De acordo com técnicos de Jales, maior região produtora, as razões mais importantes para essa queda relacionam-se aos problemas fitossanitários, de manejo (principalmente a polinização cruzada), de desestímulo de mercado frente a outras frutas – em especial à uva niagara – e até pela substituição da exploração por atemóia.
Em termos da quantidade produzida de atemóia no Estado, é ainda bem menor do que a da pinha, porém com crescente participação no total das anonáceas. Em 2002/03 essa parcela correspondia a 16% e em apenas três anos chegou a 29%, principalmente devido à produtividade da atemóia, que cresceu 50% nesse período, enquanto que a das demais anonáceas manteve- se constante. Dados da última safra analisada (2004/05) também revelam que em São Paulo existem 8,1 mil pés novos e 247,6 mil pés em produção de fruta-do-conde. Para a atemóia, estima-se 34,7 mil pés novos (16% maior do que em 2002/03) e 71 mil pés em produção. Na comercialização das anonáceas na Ceagesp, São Paulo, Bahia e Minas Gerais aparecem como os principais fornecedores. Os dados apontaram em 2005 o predomínio da comercialização da pinha (57%) e da atemóia (36%), com oferta das frutas durante o ano todo. A maior concentração da fruta-do-conde (pinha) ocorreu nos meses de fevereiro a maio e da atemóia, de abril a agosto. O mercado da pinha é abastecido principalmente por Bahia (52%) e São Paulo (26%) e neste a maior entrada se dá no 1o semestre do ano. Já, para a atemóia, a Ceagesp recebe os maiores volumes de São Paulo e Minas Gerais, com 47% e 37%, respectivamente.
Segundo a Ceagesp, em 2001 foram comercializadas 2.494 toneladas de fruta-do-conde (pinha) e 1.070 toneladas de atemóia, no valor de R$ 6,7 milhões. Em 2005, o volume de entrada da pinha cresceu 9% (passando para 2.727 toneladas) e o da atemóia registrou aumento significativo (61%), atingindo 1.719 toneladas comparativamente a 2001. Isso mostra as alterações que vêm ocorrendo, tanto na oferta dessa fruta, antes considerada exótica, como na demanda, até pela mudança de hábitos de consumo por se tratar de uma fruta com menos sementes, mais polpa, menos açúcar e bastante saborosa. Em 2005, o preço médio da pinha foi R$ 14,00 por caixa de 3,7 kg, sendo que de janeiro a abril de 2006 apontaram média de R$11,40. No caso da atemóia, os preços por caixa oscilaram de R$12,50 a R$ 21,00, de julho a dezembro de 2005 (início da cotação de preços), atingindo uma média de R$16,50. Para os quatro primeiros meses de 2006, a média mensal foi de R$11,70. Embora a quantidade comercializada de atemóia tenha crescido significativamente entre 2001 e 2005, seus preços ainda continuam bastante atrativos para os produtores, por conta tanto do tamanho e da qualidade das frutas colocadas no mercado.
Graças aos avanços da pesquisa e ao uso adequado de tecnologias, a cultura de atemóia começa a se firmar no mercado interno com produção crescente e com frutas de melhor qualidade. Vislumbra-se um potencial de demanda, principalmente de frutas in natura e, também, por parte dos produtores, por mecanismos que permitam ampliar o período de safra para a colocação da fruta no mercado. No entanto, alguns desafios devem ser enfrentados: adaptação de espécies e variedades aos diversos climas; adoção de tecnologias de produção; planejamento das práticas culturais; aprimoramento do uso de tecnologias de pós-colheita e adoção de estratégias mercadológicas. Isso traz como resultados a sustentabilidade do cultivo de atemóia, frutas com padrão de qualidade comprova-damente superior e remuneração mais favorável, com perspectivas também para o mercado externo.

Embora pouco conhecidas dos consumidores, estas frutas já vinham sendo ofertadas, porém provenientes de outros estados, principalmente de São Paulo. A novidade agora é que estas frutas estão se tornando conhecidas também por serem uma nova alternativa na fruticultura regional. 

A atemóia e a cherimóia são frutas originárias da região andina da América do Sul. Conhecidas internacionalmente como “frutas nobres”, pela alta qualidade em sabor, são frutas de alta cotação no mercado internacional, principalmente nos países industrializados, que as importam da Espanha, América do Norte, Chile e Austrália. No município de Bento Gonçalves, o agricultor Deonelo Debiasi plantou as primeiras mudas na sua propriedade, na Linha Demari, nas encostas do Rio das Antas, adquiridas do viveirista León Bonaventure, de São Paulo. 
Debiasi interessou-se pelas frutas assistindo ao programa Globo Rural, que difunde as novidades do agronegócio. A seguir, adquiriu mudas também da CATI, serviço de extensão rural do Estado de São Paulo. As árvores começaram a produzir em 2004. Hoje, o produtor dispõe do produto que comercializa ao preço aproximado de R$4,00/kilo nos supermercados de Bento Gonçalves. 
Além da atemóia, o produtor também cultiva algumas variedades de cherimóia, que segundo ele, tem a vantagem de antecipar a frutificação para os meses de abril e maio. A atemóia, por sua vez, inicia sua maturação em maio, e a coleta se estende até o mês de setembro, caracterizando-se como uma fruta de inverno. Ambas são frutíferas sensíveis ao frio, exigindo seu cultivo, nesta região, em locais com pouca incidência de geadas, junto aos vales dos rios. 
A atemóia é uma árvore frutífera lenhosa híbrida entre a cherimóia (Annona cherimolia) e a fruta do conde (Annona squamosa), desenvolvida pelo fitomelhorador norte-americano Sr. P.J. Wester, do USDA-Florida, em 1907. Posteriormente, foi introduzida no Brasil na Região Central de Minas Gerais e São Paulo. Umas das diferenças entre a cherimóia e a atemóia, é que a primeira precisa de polinização manual, enquanto a segunda prescinde dessa mão-de-obra. Ao paladar, as duas frutas são igualmente deliciosas e rendem também outras delícias culinárias como sucos, compotas, doces e conservas. 
Entre as Anonas brasileiras, as mais conhecidas provavelmente sejam a graviola, a fruta do conde, a quaresma, a pinha e a marola que, ao olho leigo, são muito parecidas. Na polpa, no entanto, está a diferença.


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A CULTURA

Nome científico: Annona cherimola x Annona squamosa

Família: Annonaceae 
Origem e dispersão: A atemoya é intermediária às espécies que lhe deram origem. Produzida por hibridação, na África do Sul e Israel, a atemoya foi introduzida em vários países. Na Flórida, é plantada comercialmente no Sul do Estado. É exportada por Israel e África do Sul, é plantada na Austrália, mas ainda pouco divulgada em outros países. No Brasil, foi introduzida recentemente e já desperta o interesse de alguns produtores, pela sua qualidade, superior à fruta-do-conde. 
Clima e solo: A atemoya adapta-se a vários tipos de solo, mas prefere os bem drenados. 
Propagação: É indicada a propagação por enxertia, tanto por borbulhia como garfagem, usando como cavalo ela mesma, a fruta-do-conde ou a cherimoya. Annona reticulata (lisa), também pode ser usada. 
Variedades: Quanto aos cultivares, os mais conhecidos são Gefner e Page, mas, em São Paulo, o primeiro é mais utilizado junto com African Pride e PR-3. Por isso o seu cultivo exige rigorosos tratos fitossanitários, podas e outros tratos culturais, inclusive o desbaste de frutos. 
Utilização: É uma fruta típica de mesa, para consumo ao natural; portanto, a sua aparência é muito importante. Serve também para sorvetes, polpa e suco. Seu valor alimentar é principalmente alto para açúcares, mas o apelo e qualidade desta fruta deve-se ao seu aroma e sabor, dados pelos componentes ácidos orgânicos, lipídios, fenóis e constituintes voláteis, especialmente os ésteres.


Da família Annonaceae, as anonas pertencem a diversas espécies, e as de interesse maior para São Paulo são as seguintes: (a) Annona squamosa L., fruta-do-conde: introduzida no Brasil (Bahia), em 1926, pelo Conde de Miranda e conhecida por esse nome em São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro; no Nordeste e Planalto Central, é chamada de pinha e no Norte, de ata.

É uma árvore de pequeno porte (4 a 5m de altura), com folhas de 6 a 7cm de comprimento, flores amarelo-esverdeadas, isoladas ou em cachos de 2 a 4. Os frutos são formados por numerosas protuberâncias, correspondentes às sementes. A polpa é branca ou creme, macia, doce e nutritiva; (b) Annona reticulata L. (condessa ou coração de boi): árvore mais vigorosa (6 a 7m de altura) e folhas mais largas que aquelas da fruta-do-conde, sendo desprovidas de pêlo, ao contrário dessa espécie. Os frutos são grandes, de casca lisa, polpa creme, pouco adocicada e de textura grosseira. Essas espécies originam-se da América Tropical. (c) Híbrido de anonas (A. cherimolia Mill. x A. squamosa L.) denominado atemóia, que apresenta características das duas espécies, com requisitos climáticos semelhantes à fruta-do-conde. Os frutos variam de 150 a 750g, têm a casca levemente rugosa e apresentam polpa mais saborosa e maior proporção polpa/semente que aqueles da fruta-do-conde. Todas perdem as folhas no inverno.

Cultivares: somente o híbrido atemóia tem cultivares definidos: Gefner (melhor por ser mais produtivo, responder bem às podas de verão; é de maturação mediana); African Pride (frutos mais tardios) e Bradley (frutos mais precoces, assimétricos e suscetíveis à rachadura).

Clima e solo: adaptam-se bem aos diversos climas, principalmente atemóia; entretanto, não toleram geada nem temperaturas muito baixas, notadamente, as plantas jovens e as adultas em fase de florescimento e maturação dos frutos. Preferem inverno seco e precipitação bem distribuída no período vegetativo. As temperaturas médias mais convenientes variam de 10 a 20ºC (mínimas) a 22 a 28ºC (máximas). O solo deve ser profundo, bem drenado e, preferivelmente, de textura leve, suprido de matéria orgânica.

Práticas de conservação do solo: plantio em nível; terraceamento.

Propagação: normalmente, é feita por sementes; entretanto, devem ser propagadas por enxertia, devido à grande variabilidade de plantas que aquele método proporciona, principalmente no caso do híbrido atemóia. A enxertia pode ser feita por borbulhia no verão ou garfagem no inverno. Os porta-enxertos mais indicados são: araticum-de-folha-miúda (Rollinia emarginata), fruta-do-conde e condessa (exceto para a própria espécie). Para a formação desses porta-enxertos, os germinadores devem estar levemente sombreados, conter bastante matéria orgânica e ser submetidos ao controle contra podridão. Transplantar a muda para saco plástico grande, contendo uma mistura peneirada e esterilizada feita com 1m3 de solo fértil, 300 litros de esterco de curral bem curtido, 2kg de termofosfato e 0,5kg de cloreto de potássio; com 4 e 5 meses de idade estarão aptas à enxertia.

Plantio: realizar meses chuvosos em solos muito bem preparados com arações profundas. As covas devem ter as dimensões de 40 x 40 x 40cm e ser preparadas 60 dias antes do plantio para assentamento e fermentação da matéria orgânica . Para prevenir doenças das raízes e colo, o plantio deve ser alto (5cm do torrão acima do nível do solo), colocando-se terra para formar um montículo para escoamento da água de chuva.

Espaçamento: atemóia: 7 x 6m (quando feitas podas anuais) ou 9 x 7m. Demais espécies: 7 x 5 a 7 x 6m (plantas enxertadas) e 6 x 5m (pé-franco).

Mudas necessárias: 140 a 215/ha para atemóia e 215 a 300/ha para as demais.

Calagem e adubação: no mês anterior ao preparo das covas para plantio, aplicar calcário dolomítico de acordo com a análise de solo, para elevar a saturação por bases a 60%.

Adubação de plantio: adicionar à terra extraída e ao esterco (2kg de esterco de galinha ou 10kg de esterco de curral), 160g de P2O5, 90g de K2O e 200 a 500g de calcário dolomítico, todos bem misturados antes de colocados na cova.

Adubação de formação: até o 3º ano, aplicações bimestrais no período chuvoso de 100 (na 1ª aplicação) a 600 g/planta (na última aplicação) de uma mistura de adubos contendo cerca de 10% de cada um dos nutrientes N, P2O5 e K2O.

Adubação de produção: a partir do 4º ano, aplicar 1.800 g/planta de uma mistura de cerca de 8% de N, 3% de P2O5 e 9% de K2O, em três aplicações anuais (outubro, janeiro e março). Periodicamente (2 a 3 anos), fazer análise de solo, aplicando calcário dolomítico e sulfato de zinco (15 a 20g) se necessários e, se possível, aplicar anualmente matéria orgânico.

Controle de pragas e doenças: a) broca-dos-frutos – o controle químico é pouco eficiente, além de prejudicar os polinizadores devendo-se adotar controles culturais como coleta e queima de todos os frutos atacados ou caídos no chão, ou, ainda, ensacamento dos frutos com papel manteiga; b) podridões de raízes e colo – plantio como aquele indicado anteriormente e poda de formação descrita a seguir; c) antracnose dos frutos novos – oxicloreto de cobre; d) cancro dos ramos – eliminação e queima de todas as partes atacadas.

Podas:
a) poda de formação – manter um tronco de 40 a 50cm, que proporciona maior aeração, próximo ao colo da planta para controle fitossanitário. Entre 50 a 70cm, formar três ou quatro pernadas bem distribuídas, deixando dois ramos de cada pernada, de 45 a 50cm; esses ramos podem emitir quatro brotos que deverão ser conduzidos de modo a proporcionar à copa a forma de taça. Nos ferimentos de corte, aplicar pasta cúprica contendo sal de cozinha;
b) poda de produção – durante o verão (maior desenvolvimento das plantas), fazer poda leve, despontando os ramos escolhidos, de modo a ficarem com 40 a 50cm de comprimento; desse modo, provoca-se a emissão de ramos de florescimento, visando às produções fora da época normal. Depois de 30 a 40 dias ocorre o florescimento; c) poda de limpeza – abertura da copa e limitação de crescimento vertical: antes do novo período vegetativo eliminar ramos doentes, mal dispostos, em excesso e aqueles da parte superior da copa (se necessário).
Controle de plantas daninhas: herbicidas ou roçadeiras nas entrelinhas e capinas manuais cuidadosas próximo às plantas. Devido às doenças, não usar grades ou implementos pesados que movimentem muito o solo e causem ferimentos às raízes ao colo das plantas.

Desbaste dos frutos: eliminar os frutos em excesso, principalmente na atemóia, e aqueles doentes, com defeitos, atacados pela broca ou que se encontrem encostados aos outros (ocorre maior ataque de broca).

Colheita: os frutos amadurecem 100 a 120 dias após o florescimento, com mudança na coloração da casca que passa de verde-amarelada para creme-rosada na fruta-do-conde, de verde-amarelada para amarelo-avermelhada na condessa e de verde-clara-brilhante para verde-amarelada-pálida na atemóia. Esse ponto de colheita é fundamental para a qualidade do fruto. Ocorre de fevereiro a junho (pico em março e abril) para a atemóia e de dezembro a julho (pico em fevereiro e março) para as demais.

Produtividade normal: em frutos comerciáveis/pé/ano: fruta-do-conde: 75 (pé-franco) a 90 (enxertada); atemóia: 100.

Comercialização: logo após a colheita, os frutos são classificados, embalados em caixetas de madeira tipo uva e entregues nos entrepostos de venda.


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PODA DE ATEMOIA




Atemóia!!! Uma das melhores frutas do mundo



Colheita De Atemoia